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ANO 1 OUTUBRO / NOVEMBRO 2008 - Nº 4

Subsídio Religioso • Jornal O TRANSCENDENTE • Serv. Missão Jovem, 1079 • Florianópolis • SC • 88020-001 • Fone: (48) 3222-9572

os sentidos da vida e, portanto, no processo de aprendizagem faz com que o aluno se abra ao conhecer-se e ao saber de si. Daí, ao aprender sobre os elementos muito comum ouvirmos, por parte de vários professores, que compõem o fenômeno religioso, o questionamentos sobre como trabalhar a disciplina de educando passa a entender melhor sua própria busca do Transcendente. Ensino Religioso de modo que os alunos gostem, parti-

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cipem ativamente e aprendam ensinamentos para a vida. O VALOR DAS MÃOS O professor de Ensino Religioso é desafiado constantemente a fazer de suas aulas um espaAs aulas de Ensino Religioso podem fazer ço privilegiado para se estudar o fenômeno rea grande diferença na vida do aluno, pois do ligioso. Informar, apenas, não basta. Repasprofessor são esperadas, além do conhecimento sar conteúdos, muito menos. E cobrar uma científico, muitas habilidades para trabalhar esta avaliação, simplesmente pela necessidade disciplina e, para tal, é preciso que ele coloque de se gerar uma nota, é outro equívoco que à disposição da prática pedagógica seus próprios não se deve cometer. sentidos humanos.

Os mais renomados pensadores da educação da atualidade afirmam que toda a disciplina e seus respectivos conteúdos somente despertarão o interesse do aluno para o aprendizado caso ele encontre na mesma um sentido de utilização para a prática de sua vida. Deste modo, o ER não foge à regra. Aprender por aprender conteúdos seria simplista demais. É preciso aprender para aplicar, usar e ampliar. Por ser de matrícula facultativa para o aluno, o ER, no entender de muitos professores, ainda é uma disciplina pouco valorizada. Mas, é aí que muitos se enganam, pois, por ser de democrática escolha, ela se torna um diferencial e passa a ser reconhecida como uma disciplina que trabalha com

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Por exemplo, as mãos do professor de ER, em seu sentido objetivo e metafísico, são elementos relevantes para o educar, pois são elas que reduzem as carências dando sentido ao amor. As mãos tanto constroem quanto destroem. Elas tanto podem elevar pessoas quanto podem abafar vozes. No egoísmo, elas sufocam talentos. Na alteridade, elas preparam a terra, semeiam, colhem e distribuem a colheita.

AS MÃOS NAS CULTURAS O lugar das mãos possui papel importante na maioria das culturas como meio de comunicação e expressão. Na África, em algumas tribos, colocar a mão esquerda com os dedos fechados dentro da mão direita é sinal de submissão e respeito. Na Roma Antiga, o sinal de submissão e respeito era traduzido no ato de guardar a mão sobre a manga. O orador romano Sêneca, ao referir-se ao ato de solidariedade, criou a sentença que ainda hoje é usada: “uma mão lava a outra”. Na Antigüidade era costume geral cobrir ou esconder as mãos ao aproximar-se de pessoas importantes ou quando delas se recebiam presentes. Para o Budismo, a mão fechada significa silenciar segredos esotéricos e a mão aberta de Buda indica, conseqüentemente, que ele não reserva nenhum segredo.

Tanto o Hinduísmo quanto o Budismo conhecem numerosos gestos executados com as mãos, cujo significado simbólico é fixo e têm papel importante nas artes plásticas e na dança. Podem expressar: ameaça, entrega, meditação, admiração e oração, argumentação e esterilidades. Para os judeus, o ato de lavar as mãos não era um ato de higiene como para nós hoje, era antes um ritual externo de purificação. No Antigo Testamento o significado simbólico da mão direita e da mão esquerda sempre foi importante no gesto da bênção, pois, através da imposição das mãos, que via de regra era executada com a mão direita, promovia-se uma transferência real de forças. Para os cristãos, desde a idade média, juntar as mãos é gesto de oração. Jesus impôs as mãos sobre as crianças e disse: “Não proíbam os pequeninos de virem a mim, porque o Reino do Céu pertence a eles.” (Mt 19,13) São inúmeras as citações bíblicas referentes às mãos. Preso à cruz, Jesus entregou-se ao Pai, dizendo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu Espírito!” (Lc 23,46)

A história Islã conta que, quando Muhammad nasceu, sua mãe disse: “Assim que eu coloquei o meu bebê no chão, ele apoiou suas mãos no solo, levantou sua cabeça em direção ao céu e olhou para o horizonte enquanto recitava, durante o tempo todo, frases de monoteísmo”. As mãos falam para os surdos através da linguagem gestual das libras. As mãos vêem para os cegos, através do tato, na linguagem Braille. Ainda hoje, levantar a mão direita no juramento tem valor de vínculo jurídico, ou seja, simboliza um compromisso selado.

As mãos do professor de ER As mãos de um Professor apontam caminhos, orientam e marcam etapas de vida. São mãos que transformam e formam. Professor, use suas mãos com suavidade nas horas de acalento e com a devida firmeza nos momentos necessários. Seus alunos estão “em suas mãos”!

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II OUTUBRO / NOVEMBRO - 2008

PLANO DE ATIVIDADE I

ENCARTE DO JORNAL OT

Atividades

Querido Educador (a)! Chegamos ao último bimestre do ano de 2008. Outubro e novembro, no Ocidente, são meses que nos remetem ao final do ano e às festas que dele fazem parte. Natal, para os cristãos, verão no hemisfério sul, férias escolares e a grande virada do ano no calendário cristão – para o povo do Ocidente, 2009 vem aí! Vamos aproveitar para trabalhar com os pequenos sobre o Dia das Crianças, sobre a caminhada 2008 e sobre as festas do final do ano. O Dia das Crianças é comemorado em vários países do mundo em datas diversas. Muitos países realizam esta festa em 20 de dezembro já que a ONU (Organização das Nações Unidas) reconhece esse dia como o Dia Universal das Crianças, pois nessa data também é comemorada a aprovação da Declaração dos Direitos das Crianças. Na Nova Zelândia o Dia das Crianças é comemorado, pelos budistas, no solstício de inverno, em dezembro. Nesse dia, dedicado às crianças, é enfatizado que toda criança pode se tornar um rei ou uma rainha – conforme a cultura daquele país. No Brasil, o Dia das Crianças é comemorado no dia 12 de outubro. Em 1914 o então presidente do Brasil, Arthur Bernardes, aprovou a data por meio de decreto oficial.

Atividade I

• Conversar com as crianças sobre as comemorações do Dia das Crianças nas várias culturas. (ver no site OT) • Pedir às crianças que tragam para a sala de aula o brinquedo que mais gostam. • Os brinquedos serão colocados no centro da sala em cenário especial. • Colocar, no mesmo cenário, imagens de crianças de várias etnias. • Cada criança falará o que sente sobre o brinquedo que trouxe.

• Acolher o sentimento de cada criança e apontar as crianças das imagens, ques-

tionando: como será que estas crianças brincam? Quais os brinquedos que mais gostam? Quais os valores que elas vivenciam? • A professora concluirá a atividade esclarecendo aos alunos de que as crianças são iguais em todas as partes do mundo. Criança gosta de brincar, precisa comer bem, estudar, crescer com saúde. Criança precisa de cuidado e de proteção...

Atividade II As crianças do desenho são nossos amiguinhos. Elas pertencem a culturas religiosas diferentes, mas todas gostam muito de brincar. Dê um nome a cada criança e ligue-a a um lindo brinquedo para ela brincar.

Competências e habilidades: Perceber que, mesmo nas diferenças culturais e religiosas, as crianças são iguais no mundo inteiro. Desenvolver atitudes de bom relacionamento.

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reparar o centro da sala de aula com alguns símbolos que representaram 2008, lembrando os estudos, as festas e as comemorações realizados. Em uma caixa surpresa, a professora colocará elementos e figuras que lembram as alegrias do final de ano – festas, roupas de praia, de sorvete, de picolé, de sol e mar, figuras de famílias, encontro com os avós, visita a colegas, entre outros. Sentadas em círculo, as crianças contemplarão os símbolos de 2008 e falarão sobre o que mais gostaram. Após, a professora abrirá a caixa e mostrará para as crianças os elementos “surpresa”, ou seja, o que ainda vai ser vivenciado, de acordo com os símbolos apresentados, lembrando o final do ano e as férias. Deixar as crianças expressarem seus sentimentos sobre o que estão vendo e, em seguida, propor a atividade.

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ATIVIDADE Vamos criar um lindo mural: O caminho de 2008 No caderno ou em uma folha de papel, com muita criatividade, trace um caminho e nele desenhe, seqüencialmente, os elementos 2008 apresentados pela professora, lembrados por você e, finalmente, os elementos que recordam o final do ano e as férias.

Competências e habilidades Desenvolver a noção de seqüência e a habilidade em ordenar as idéias que formam um caminho de modo cronológico e temático.

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ENCARTE DO JORNAL OT

PLANO DE ATIVIDADE II

OUTUBRO / NOVEMBRO - 2008 III

Caro(a) Professor(a): “Toda criança deve ter proteção e cuidados especiais antes e depois do nascimento”. (Declaração dos Direitos das Crianças – ONU) O Budismo é uma religião muito conhecida pelos seus ensinamentos de sabedoria. Os Monastérios do Tibet são verdadeiras escolas onde crianças, jovens, adultos e idosos vivem em comunidade, aprendendo e desempenhando funções religiosas. Apesar de passarem grande parte do tempo em concentração e oração, lá as

crianças também brincam e, quando podem, adoram jogar bolinhas de papel, umas nas outras, em meio à sala de aula (conforme disse o brasileiro Gabriel Jaeger, agora monge budista Ngawang Tenphel, na Tailândia). Através das atividades propostas, vamos conhecer mais os temas apresentados nesta edição.

As crianças pertencem a vários grupos: família, religião e escola. As crianças são iguais no mundo inteiro, porém, de acordo com o local e cultura em que vivem, elas aprendem hábitos e costumes diferentes.

Atividade:

Observe as crianças ao lado. Elas fazem parte do um grupo chamado “Turminha do Transcendente”. Todas elas são muito religiosas e gostam de brincar.

• Relacione cada criança com seu nome e a sua cultura religiosa.

Tainá – indígena Adanna – africana Faruq – muçulmano Harel – judeu Arun – indiano An – budista Lucas – cristão

Atividade: Querido aluno, cada nome tem uma origem e um significado especial. Muitos nomes têm a ver com a cultura religiosa de cada pessoa. Veja, por exemplo, o significado dos nomes dos nossos amigos da “Turminha do Transcendente”. Tainá: indígena, significa “estrela da noite”. Adanna: africana, significa “filha amorosa do pai”. Faruq: muçulmano, significa “pessoa de muita sabedoria”. Harel: judeu, significa “montanha de Deus”. Arun: indiano, significa “sol radiante”. An: budista, significa “muita paz”. Lucas: cristão, significa “ser luminoso”.

Você sabe qual é o significado do seu nome?

• Faça uma pesquisa, junto à sua família, e procure responder a esta curiosidade.

• Use sua criatividade e crie um acróstico com o seu nome e dê um sentido especial para ele.

Em todas as culturas religiosas, quando um membro falece, acontece um rito de funeral. Assim como o nascimento, a morte se torna, dentro de uma comunidade, um motivo forte de comoção e de solidariedade. Buda morreu com mais de oitenta anos de idade e com seus discípulos ao seu lado. Seu corpo foi cremado e as cinzas, consideradas como relíquias, foram conservadas em um vaso que foi guardado em uma estupa – túmulo que abriga relíquias. No Budismo, quando a pessoa morre é considerada em estado de repouso abençoado.

Atividade: • Leia, juntamente com a sua turma, o texto sobre Finados. • Conversem sobre a Celebração de Finados e respondam: 1. Você participa, com sua família, da festa de Finados em sua cidade? 2. Como ela acontece?

3. O que você acha da festa de Finados do México e da Bolívia? 4. O que você entendeu da cultura budista que afirma: “ao morrer a pessoa fica em estado de repouso abençoado”. Importante: Professor, conduza o bate-papo com a sua turma, sobre o relatado, conforme a turma se apresentar diante do estudo do tema.

Que tal levar os alunos para um passeio fora da escola e, através de um momento de reflexão, questionar a criançada sobre a caminhada do ano junto ao ER? Outra idéia genial pode ser a de convidar as crianças a produzirem um texto que relate os momentos de maior destaque do ER, durante a caminhada de 2008. Por fim pergunte às crianças: Com o nosso projeto de vida, de que forma contribuímos para a construção de um mundo melhor?

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IV OUTUBRO / NOVEMBRO - 2008

PLANO DE ATIVIDADE III

ENCARTE DO JORNAL OT

TEMA: Budismo EIXO ORGANIZADOR: Teologias / CONTEÚDOS: Frases e ensinamentos das religiões / TRANSVERSALIDADE: Ética e pluralidade cultural INTERDISCIPLINARIEDADE: História, Língua Portuguesa e Filosofia / FUNDAMENTO: Verdades da fé

O conceito budista de “compaixão” e o conceito cristão de “amor” constituem um elemento de união e entendimento entre essas duas religiões, segundo constatam especialistas em diálogo inter-religioso - um dos grandes objetivos do ER. O monge budista tailandês Phramaha Boonchuay Doojai revela que, no cristianismo, o ponto forte é o amor, o ágape, enquanto que, no budismo, a bondade e a compaixão são as virtudes através das quais os budistas procuram melhorar a sociedade para o benefício de todos.

SOBRE A ORAÇÃO:

Budismo: “A oração é a energia da vida, permeando todo o universo e tornando-se força motriz para a mudança”. CRISTIANismo: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas, em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus”. (Fil 4.6)

SOBRE A SABEDORIA:

Budismo: “A sabedoria é o melhor guia; a fé, a melhor companheira. Deve-se, pois, fugir das trevas, da ignorância e do sofrimento. Deve-se procurar a luz da imaginação.” CRISTIANismo: A sabedoria do homem ilumina seu rosto e lhe abranda a dureza da face. (Ec 8.1)

SOBRE A AMIZADE:

Budismo: “Um bom amigo, que nos aponta os erros, as imperfeições e reprova o mal, deve ser respeitado como se nos tivesse revelado o segredo de um tesouro oculto.” CRISTIANismo: “Quem encontra um amigo encontra um tesouro” (Eclo 6,14)

SOBRE AS VIRTUDES:

Budismo: “Assim como as pedras preciosas são tiradas da terra, a virtude surge dos bons atos e a sabedoria nasce da mente pura e tranqüila.” CRISTIANismo: “Feliz o homem que encontrou a sabedoria e alcançou o entendimento, porque a sabedoria vale mais do que a prata, e dá mais lucro que o ouro”. (Prov 2.13)

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m Tóquio, no Japão, havia um grande samurai, já idoso, que dedicava sua vida a ensinar o fundamento “zen” aos jovens. Apesar de sua idade, corria a lenda de que ele ainda era capaz de derrotar qualquer adversário. Certa tarde, um guerreiro, conhecido por sua total falta de escrúpulos, apareceu por ali. Queria derrotar o samurai e aumentar sua fama. O velho aceitou o desafio e o jovem começou a insultá-lo. Chutou algumas pedras em sua direção, cuspiu em seu rosto, gritou insultos, ofendeu seus ancestrais. Durante horas fez tudo para provocá-lo, mas o velho permaneceu impassível. No final da tarde, sentindo-se já exausto e humilhado, o impetuoso guerreiro retirou-se. Desapontados, os alunos perguntaram ao mestre como ele pudera suportar tanta indignidade. - Se alguém chega até você com um presente, e você não o aceita, a quem pertence o presente? - A quem tentou entregá-lo respondeu um dos discípulos. - O mesmo vale para a inveja, a raiva e os insultos. Quando não são aceitos, continuam pertencendo a quem o carregava consigo. A sua paz interior depende exclusivamente de você. As pessoas não podem lhe tirar a calma. Só se você permitir...

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SOBRE A FELICIDADE:

Budismo: “Assim como uma pequena planta deve enfrentar muitos obstáculos antes de se transformar numa árvore, nós também precisamos experimentar muitas dificuldades no caminho da felicidade absoluta.” CRISTIANismo: “Como é estreita a porta e apertado o caminho que levam para a vida, e são poucos os que o encontram!” (Mateus 7.13,14).

Dinamizando

• Dividir a turma em 5 grupos. • Cada grupo receberá duas frases: uma budista e outra cristã. • Os membros do grupo analisarão as frases. Cada integrante dirá o que mais lhe chamou a atenção nos ensinamentos. Em • seguida o grupo deverá responder às questões que seguem:

1. Quais são os sábios ensinamentos que encontramos nas duas frases - budista e cristã? 2. Aplicamos em nossas vidas esses ensinamentos? Como? 3. Inspirados nas frases apresentadas criem uma frase de “ensinamento da turma”, levando em consideração a realidade dos jovens, hoje.

ATIVIDADE

• Os grupos apresentarão para a turma o que concluíram sobre o estudo das frases e dos ensinamentos e a frase que criaram.

• Em seguida, confeccionar cartazes com as frases produzidas e colocá-los no

mural da escola.

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ATIVIDADE Em dupla, sob a orientação do professor, leiam a estória e pesquisem o significado das palavras: samurai, zen, adversário, escrúpulos, insulto, ancestral, impassível, impetuoso, indignidade, discípulos.

Feita a pesquisa, respondam às questões: 1.  Quem é o idoso da estória? 2.  Quem é o jovem da estória? 3.  No entender da dupla, o jovem agiu certo ou errado? Por quê? 4.  E o idoso, agiu certo ou errado? Por quê? 5.  De que forma podemos utilizar este ensinamento em nossas vidas?

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O Transcendente - Encarte pedagógico 4