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Entrevista a Beatriz Assunção AIESEC: membro ou experiências Taiwan: combate à COVID-19 WEEKONOMICS 2020


O TOSTÃO

Novembro 2020

Entrevista a Beatriz Assunção - Ex-aluna da FEUC P. Fizeste tanto a Licenciatura como o Mestrado na FEUC. Sempre foi essa a tua intenção? R: Sim, já morava em Coimbra (cidade da qual gosto muito) e, na verdade, sempre vi na UC um símbolo de história, sabedoria e convivência sã entre estudantes. Por isso, na altura de escolher não tive dúvidas. Gostei bastante dos anos que vivi na Licenciatura pelo que entendi que deveria ficar e fazer também o Mestrado. P. Entre a vida académica e os estudos, havia espaço para outras atividades? Se sim, como conciliavas todas elas e o que aprendeste com as mesmas? Se não, achas que perdeste alguma coisa ao não te teres envolvido em algo extracurricular? R: Assim que entrei na UC percebi imediatamente que gostaria de participar em alguma atividade extracurricular. E foi assim que a Rádio Universidade de Coimbra entrou na minha vida. Fiz um programa de informação, de manhã, o Alvorada, que começava com um noticiário que incluía os clássicos: o trânsito e a meteorologia. Depois fazíamos a revista de imprensa (recordome que íamos ao quiosque da Praça da República, muito cedo, buscar um monte de jornais antes do programa) e tínhamos convidados que entrevistávamos! Tenho muito boas recordações, o ambiente que se vivia era muito particular. Aprendi imenso sobre comunicação, trabalho em equipa e gestão do tempo. P. Consideras importante que os estudantes se envolvam em atividades para além do estudo? R: Na minha opinião, é essencial e muito enriquecedor. É uma ótima maneira de conhecer pessoas novas e de ter experiências que nos colocam verdadeiramente à prova. A FEUC está

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um bocadinho “sozinha” geograficamente e, por isso, foi também uma excelente maneira de conhecer pessoas de outros cursos, no caso da Faculdade de Letras. P: Participaste no programa Erasmus? Consideras que este período foi essencial no teu percurso? Como descreves esta fase e que conselhos podes dar a quem se quiser envolver nesta experiência? R: Passei por duas experiências de estudo internacionais: na Licenciatura, fui um semestre de Erasmus para Milão e no Mestrado fui um semestre para Florianópolis, no Brasil.Posso dizer que foram períodos fundamentais na minha vida. Por um lado, a nível académico, estudar economia num país mais rico do que Portugal e também num país com uma economia em desenvolvimento foi muito importante, porque me deu novas perspetivas do Mundo. Por outro lado, numa dimensão mais de crescimento pessoal, viver em países diferentes, aprender e melhorar outras línguas, disfrutar da gastronomia, viajar, conhecer pessoas de outros países, foi maravilhoso.O conselho que dou é: vão, sem pestanejar e entreguem-se à experiência sem barreiras! O crescimento e a felicidade estão, quase sempre, fora da nossa zona de conforto. P: Passando agora um pouco mais à frente, como foi o teu primeiro impacto no mundo do trabalho? R: Comecei a trabalhar em Lisboa, ainda antes de terminar o mestrado na FEUC, na Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões que, no fundo, é a entidade nacional que regula o setor dos seguros, assim como existe o Banco de Portugal para o setor bancário e a CMVM para o setor dos mercados de instrumentos financeiros. Foi uma experiência muito positiva. Fui muito bem recebida e tive a possibilidade de conhecer o funcionamento do mercado segurador na perspetiva da supervisão, ao longo de quatro anos muito ricos. Depois desse


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período, fui trabalhar para o Compliance do Banco CTT, um banco “recém-nascido” onde também “cresci” imenso. P: Onde te encontras atualmente? R: Atualmente, trabalho na EDP Comercial, na área de Regulação e Compliance. O nosso papel é fundamentalmente zelar pelo cumprimento das regras e normativos em vigor, para o Setor Energético. P: Por fim, se fosses aluna e tivesses acabado agora a Licenciatura e/ou Mestrado e quisesses entrar no mercado de trabalho, o que gostarias de ouvir? Como ex-aluna, que mensagem gostarias de deixar aos atuais estudantes da FEUC? Gostaria de lhes dizer que tiveram oportunidade de estudar numa excelente Universidade, com um espírito académico e de entreajuda muitíssimo difícil de encontrar. Para quem procura o primeiro emprego recomendo resiliência, esforço, dedicação e confiança. A nossa área é muito interessante, por isso, tenho a certeza de que terão um caminho muito florido e solarengo pela frente

AIESEC: Ser membro vs usufruir de experiências A AIESEC é uma ONG que comemorou, há pouco tempo, o seu 72º aniversário. De facto, a organização nasceu após a 2ª Grande Guerra, auge da instabilidade mundial. Um grupo de jovens incentivados por Jean Choplin, decidiram criar uma organização que tem como objetivo exponenciar qualidades de liderança em jovens, uma vez que, segundo a visão dos fundadores, a chave para um mundo melhor é a formação dos mais novos. Entretanto, passaram-se várias décadas e, atualmente, a AIESEC conta com mais de 70 000 membros ativos e 1 milhão de alumnis. Adicionalmente, está presente em mais de 2400 universidades em 126 países e tem mais de 5000 parceiros. Adicionalmente, todos os membros são jovens (até aos 30 anos). Efetivamente, a AIESEC oferece duas experiências totalmente distintas: ser membro e ir de experiência com a organização. Pessoalmente, sou membro desde setembro deste ano, o que pode parecer um testemunho pobre (e certamente será, em comparação com quem é privilegiado o suficiente para pertencer há anos). No entanto, no pouco tempo em que aqui estive, tornei-me Membro de Pleno Direito - ou seja, passeia participar ativamente nas Assembleias Gerais (onde tenho direito de voto e, assim, condições para contribuir para as decisões que irão marcar o futuro do escritório) – passadas semanas, e, no passado dia 10 de novembro, tornei-me Vice-Presidente eleita de Finanças e Legalidades do escritório de Coimbra NEFE (cujo mandato arrancará em fevereiro do próximo ano). O processo necessário para chegar onde cheguei foi trabalhoso e exigiu muito de mim. Assim, eu encontro dois motivos que justificam e alimentam. minha força e

Beatriz Assunção - Ex-aluna da FEUC

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motivação: a minha equipa e os valores da organização. De facto, tive muita sorte com a minha equipa: tanto o meu Vice-Presidente como a minha Team Leader foram (e são) exemplos de liderança e garra. A minha relação com os outros membros – de profunda amizade – foi a cereja no topo do bolo. Mas eu acredito em todos os valores da organização, desde “Striving for Excellence” a “Demonstrating Integrity”. Na minha opinião, se toda a gente se comportasse de acordo com os valores da AIESEC, o mundo teria uma imagem completamente diferente. Outra experiência que a AIESEC proporciona é a possibilidade de usufruir de um dos nossos produtos – estágios internacionais (Global Talent), voluntariados internacionais (Global Volunteer), dar aulas noutro país (Global Teach) e receber um voluntário em casa (Global Host). Realmente, é estranho ouvir que participar numa experiência pode exponenciar qualidades de liderança. No entanto, nós acreditamos que não há maior salto no crescimento pessoal que atirar-se de cabeça a oportunidades exigentes e extremamente desconfortáveis. Claro que a falta de confortabilidade é moderada, na medida em que todo o processo de alguém que queira usufruir dos nossos produtos é seguido por um dos nossos membros. Primeiramente, marcamos uma entrevista onde conseguimos perceber o tipo de perfil do candidato e onde são estabelecidos limites e potencialidades. Depois, ajudamos a escolher as oportunidades mais indicadas e assistimos na preparação para entrevistas com terceiros. Quando, finalmente, é aceite na oportunidade ideal, o candidato é ajudado no que toca às mais variadas legalidades. Por fim, vai de experiência e é recebido por uma segunda equipa da AIESEC (do país correspondente), que o acompanha de perto. Em suma, eu não posso recomendar mais qualquer uma das experiências que a ONG tem para oferecer. Exigem diariamente de mim, mas é ao puxar por mim que atinjo objetivos nem sonhados (e isso já está a acontecer).

Neste âmbito, ainda este mês, terão a oportunidade de embarcar nesta aventura através do recrutamento. Atrevam-se! Maria Castro

Maria Castro, AIESEC

Taiwan: um exemplo no combate à COVID-19 À data deste artigo, Portugal, com uma população de 10 milhões de habitantes, já tinha registado 268 mil casos e mais de 4 mil mortes. O Taiwan, com uma população de 24 milhões, tinha 623 casos e 7 mortes, isto enquanto recebia informação muito mais lentamente devido ao facto de não fazer parte da WHO. Não existe nenhum truque mágico que justifique tal sucesso, mas sim uma combinação de fatores que possibilitou que esta pequena ilha se tornasse um exemplo de como uma democracia pode lutar tão bem ou melhor que um regime autoritário contra uma pandemia. O primeiro fator que possibilitou um combate efetivo ao vírus foi a desconfiança que este país p.3


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tem da China, por motivos históricos. Assim, suspendeu a circulação com Wuhan em janeiro, antes desta cidade ter fechado, e com o resto do mundo em março. A desconfiança fez com que esta ilha fosse reagindo mais rápido que o resto do planeta e até avisassem a WHO do perigo que esta doença poderia vir a ter, enquanto que na maior parte dos outros países isto se sucedeu ao contrário. Estas medidas preventivas, tais como a colocação de checkpoints nos aeroportos, juntamente com a atualização da população, por vezes, múltiplas vezes ao dia e o aconselhamento do uso de máscaras desde o início, foram algo determinante para o sucesso do país. Outro fator de bastante importância foi o facto de este país já ter tido experiência a lutar com o SARS no início de 2000 e, assim, ter já uma infraestrutura capaz de lutar com este tipo de doenças, bem como uma população educada. O cumprimento da quarentena foi assegurado através do pagamento de compensação para as pessoas que ficassem em casa e também, se estas não a cumprissem, através da sujeição a multas que podiam chegar até aos 35 mil dólares. Podemos concluir, então, que não houve uma medida específica que determinou que este país tivesse o sucesso que teve, mas houve sim um conjunto de fatores que tornaram o combate doTaiwan a esta doença algo quase único no mundo. As medidas tomadas dificultaram a entrada do vírus, bem como asseguraram que a quarentena fosse cumprida com incentivos ou penalizações. Juntando isto à historia do Taiwan (nomeadamente a luta contra o SARS e às relações com a China), é fácil perceber os motivos que levaram este país a atingir o sucesso. Manuel Melo

Manuel Melo, FEUC

WEEKONOMICS 2020: Uma história (cheia de estórias) de sucesso Quando me pediram para escrever um texto para o jornal “O Tostão” sobre o Weekonomics de 2020, não hesitei em aceitar o convite. Em primeiro lugar, porque a forma como o evento decorreu merece até bem mais que um texto (eu diria que este evento merecia até um canto na obra épica “Os Lusíadas”, mas posso ser um pouco parcial aqui…). Em segundo, porque existem estórias de bastidores que não deixam, pela curiosidade, e para a posterioridade, de ser muito interessantes de deixar em texto. Vou tentar abordar então este evento neste texto, agradecendo desde já o convite ao pelouro do jornal pela oportunidade. O primeiro grande desafio que nós tivemos para organizar foi a mudança do regime presencial para um virtual. Não nos enganemos: um evento virtual tem inúmeras vantagens, desde a nível de participação das pessoas até ao registo mais informal. Porém, o que queríamos inicialmente p.4


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era ter um evento presencial, nos moldes dos grandes eventos que todos os anos existem na nossa faculdade. Infelizmente, este ano não é um ano como os outros, e o governo proibiu eventos não letivos nas universidades, o que nos obrigou a mudar todos os planos para o virtual, tendo que repensar e refazer o plano do evento tendo isso em conta. Não faltava muito mais que um mês para o evento. O desafio era enorme. Felizmente, adaptação foi algo que não faltou a esta equipa e rapidamente começámos a contactar pessoas para o evento, já tendo em conta este novo regime. Entrámos num dos meses mais frenéticos da nossa vida. Foi um mês sem paragens, com constantes contactos e chamadas para primeiro localizar e depois fechar os palestrantes que queríamos. Recordo-me de uma segunda-feira na sala dos núcleos, em que a Catarina estava a mandar emails a possíveis contactos, o Francisco a ligar para Inglaterra e eu em chamada com o hotel Marriott a “exigir” a passagem da chamada para a assistente do diretor-geral… E, assim como estas tardes, outras tantas houve em que corremos contactos pessoais; gerais; de conhecidos; para, de e-mail em e-mail, de chamada em chamada, chegarmos a quem queríamos. Não foi tudo um mar de rosas. Houve alguns oradores que acharam piada desmarcar presenças a pouco tempo do evento, o que fez com que o meu nível de stress até todos os painéis estarem fechados se assemelhar ao da época de exames com exame de condução a seguir, mais uma operação médica junta. Estratosféricos. A verdade é que foi um sucesso: em pouco menos de um mês, fechámos um evento incrível, com representantes da Control, Miguel Costa Matos, Assunção Cristas, Álvaro Santos Pereira, Carlos Guimarães Pinto, Filipe Albuquerque, com o diretor geral da Marriott em Portugal, com Vítor Pereira, e tantos outros que contribuíram para que este fosse o melhor evento deste género na nossa faculdade em muito tempo.

Não foi nada fácil, mas valeu completamente a pena as noites mal dormidas, todas as horas gastas a enviar e-mails (a reenviar uma e outra vez quando não nos respondiam), a ligar para contactos, para universidades e bancos, a reunir várias vezes por semana e a queimar neurónios porque acabámos por ter painéis cheios de experts que contribuíram para que este fosse um grande evento. Não o digo (só) eu, dizem-nos os estudantes que foram, sempre com boas audiências, e sempre com perguntas pertinentes que em muitos casos fizeram com que a conversa se estendesse depois do término previsto. A todos esses, muito obrigado. Os nervos pessoais como apresentador também estiveram presentes, sobretudo quando ao encerrar a palestra dedicada ao turismo me aparecem inesperadamente dois senhores em casa para obras. Em 15 minutos, fui a correr para casa de uma nossa colega, que me permitiu apresentar a palestra seguinte em casa dela sem ter o barulho de obras de fundo. Um alívio. Também não faltou stress quando um ou dois minutos antes de começarmos a palestra sobre a mobilidade urbana, o responsável da Bolt não aparecia. Só me lembro do frenesim que se notava na Catarina e no Tomás que, tendo-o contactado e confirmado para a palestra, o contactavam agora desesperadamente: a persistência resultou, e o Lucas apareceu a tempo da palestra, para alívio profundo e notório deles os dois e de nós todos. Também uma história engraçada sobre os moderadores (podia falar do ataque à Bolt e aos carros elétricos que o professor Murta fez na palestra em que era moderador, mas vou contar uma de bastidores) foi esta: sempre quisemos que o professor Pedro Ramos viesse moderar a palestra sobre Mercados Financeiros devido ao conhecimento que tem da área. Quando falei com ele, aceitou prontamente o convite, para depois nunca responder ao email que mandámos em seguida… Acabámos por ir ao

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gabinete do professor, após muita persistência, no dia anterior à tarde! Felizmente, veio e foi um excelente moderador. A verdade é que não faltou um único orador e o feedback que tivemos foi ótimo. Quero publicamente agradecer à Catarina Dias, ao Tomás Louro, ao Miguel Sequeira e à Maria Cortesão. Competência, criatividade, adaptação e qualidade foram caraterísticas prementes desta equipa. Ao Francisco Ferreira, por estar sempre lá e pelo apoio e atenção constante, não podia estar-te mais grato. E à Inês Ribeiro, pela original comunicação. Agora que acabou o evento, todos os stress e nervos ficam inexplicavelmente esquecidos e fica a saudade de todo o trabalho, das perguntas das pessoas, das discussões dos palestrantes, da preparação para iniciar a apresentação do evento, do pensar constantemente “não te engasgues” enquanto falava do currículo de um orador, das reuniões longas horas da noite, mas fica também o orgulho por termos dado aos estudantes um WEEKONOMICS de grande craveira. Acabaram-se os sonhos com medo que os oradores não aparecessem e já durmo tranquilo e feliz. A todos os (muitos) que foram e participaram, muito obrigado, é precisamente por vocês que fazemos isto e que todo o trabalho valeu a pena, porque deixámos, efetivamente, um evento que ficará indelevelmente marcado na história da nossa faculdade. VIVA ECONOMIA! Francisco Cardoso Moita

Escrito por: Francisco Cardoso Moita

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