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ANO LXIV | MAI. JUN. JUL. AGO. 2021 | REVISTA QUADRIMESTRAL

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LEVANTA-TE!

a caminho em, como e com as famílias Planificar o ano catequético a partir de um olhar sinodal e sistémico


Ficha Técnica Propriedade Secretariado Diocesano de Educação Cristã

Contribuinte: 501186697 Número de Registo ERC: 104950 Sede do Editor e Redação Rua Arcediago Van Zeller, 50 4050-621 Porto

Diretora: Maria Isabel Azevedo de Oliveira Contacto: 226.056.037 das 14.00h às 17.00h Site do Secretariado: www.catequesedoporto.com E-mail: portosdec@gmail.com Design Gráfico e Paginação: Eugénio Pinto Desenhos e Imagens: Coleção particular e outros Depósito Legal: nº 1926/83


Índice Pórtico ............................................................................................................................................................................ 04 1ª Palavra ...................................................................................................................................................................... 05 1… OLHAR catequético | propostas .................................................................................................... 06 – Levanta-te - Plano Pastoral: desafios para a catequese

– Ministério do catequista- para refletir – Uma interrogação… missionária – Revista «A Mensagem» - doação ao Seminário

2… Catequese da adolescência .................................................................................................................... 24 – Deus - e as incertezas 3… RECURSOS: Iniciar à vida em Cristo .......................................................................................... 32

– Planificar o ano catequético com a família a partir de um olhar sinodal e sistémico – Tenho o Teu nome, Jesus gravado

4… Alimentar a vida de fé em família ................................................................................................ 52

– Nas mãos de São José

5… DOSSIER – CASA COMUM – para a família .......................................................................... 54

– Laudato si – um convide de Dom Manuel – Caminhada ecológica – proposta para a catequese da adolescência e/ou para as famílias

6… Ao ENCONTRO – arte e espiritualidade ................................................................................ 66 – As cerejas de S. José – para contemplar e suplicar

7… Boas NOTÍCIAS ............................................................................................................................................ 69

– XVI Jornadas catequéticas – notícias – Pandemia: vento que descerra janelas – Say Yes… no caminho das JMJ – Say Yes – um projeto de evangelização / serviço

»»» Nota

Se desejar aceder a um dos artigos em suporte word envie o seu pedido para portosdec@gmail.com.


… Pórtico

«a iniciação cristã não consiste na formulação de um conjunto de “boas disposições” para a celebração dos sacramentos, mas no estilo de vida e atitudes que nascem deles. O que reclama um itinerário que valorize o caminho de cada pessoa e a sua pertença à comunidade cristã. Mesmo para os que já receberam esses sacramentos há muito tempo». [Assumir este caminho supõe:] «agentes pastorais disponíveis para se deixarem conduzir pelo sopro do Espírito, que nos pede olhos bem abertos para a observação da realidade do mundo e da Igreja, ouvidos sensíveis para a escuta dos apelos ou dos silêncios das pessoas, pernas para uma saída missionária em direção aos irmãos crentes ou deserdados da fé, braços abertos para o acolhimento sem classificações, enfim, coração jubiloso que sacie de alegria o daqueles que anseiam por um efetivo encontro amoroso com Jesus Cristo».

D. Manuel da Silva Rodrigues Linda Porto, 19 de junho de 2021

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… 1ª Palavra «levanta-te por um caminho novo» é uma expressão interpelativa para a catequese que é chamada a acolher, neste tempo de [pós] pandemia, o Plano Pastoral assim como o novo Diretório e a Carta Apostólica que institui o Ministério do Catequista. Os três documentos reafirmam a importância da missão da catequese no processo evangelizador e a urgência de integrar, nesta, a dimensão missionária/querigmática, catecumenal e mistagógica. Nestes tempos de mudança epocal, a catequese revelou potencialidade que fazem dela uma plataforma privilegiada de dinamismo missionário capaz de alavancar a renovação da comunidade e de pôr em marcha a «Igreja em saída». Numa Igreja, onde muitos ainda procuram a catequese apenas para honrar a tradição ou cumprir rituais ancestrais, a catequese missionária é chamada a tornar-se um espaço de primeiro/ segundo anúncio junto das famílias afastadas da fé/comunidade... A opção missionária numa Igreja sinodal implica, como afirma Dom Manuel Linda, que cada batizado se deixe «conduzir pelo sopro do Espírito, que nos pede olhos bem abertos para a observação da realidade do mundo e da Igreja, ouvidos sensíveis (…) pernas para uma saída missionária em direção aos irmãos crentes ou deserdados da fé, braços abertos para o acolhimento sem classificações, enfim, coração jubiloso que sacie de alegria o daqueles que anseiam por um efetivo encontro amoroso com Jesus Cristo.» Que estas páginas alimentem a inspiração de todos aqueles que aceitam dizer SIM à chamada: «levanta-te por um caminho novo» A Diretora Isabel Oliveira

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1… OLHAR catequético | propostas LEVANTA-TE!

JUNTOS POR UM CAMINHO NOVO Plano Diocesano para 2021/2022 - desafios para a catequese

Este artigo disponibiliza material sobre a implementação do plano pastoral na catequese para: - reflexão pessoal do catequista; - encontro na paróquia ou vigararia.

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«Em tempos de pós-pandemia é sentida por toda a Diocese do Porto esta necessidade de nos levantarmos do chão, de repartirmos, de partirmos de novo e de sairmos ao encontro do próximo, como o fez Maria. Fazemo-lo todos juntos, em família, como família de irmãos, com as famílias, sempre com Cristo, no meio, à frente e sem nunca deixar ninguém para trás1». Diocese do Porto, Plano pastoral 2021/2022

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Neste contexto, o nosso bispo, Dom Manuel Linda, como introdução ao Plano Pastoral 2021/2022, escreve para cada um de nós: «levanta-te por um caminho novo». Uma expressão que tem em conta as novas realidades que «caracterizarão (positivamente) toda a vida pastoral nos tempos próximos: || a necessidade de reconfigurar a comunidade eclesial, posta à prova pela pandemia; || a urgência de envolver toda a Igreja, em família e com as famílias, na preparação da Jornada Mundial da Juventude ( JMJ) Lisboa 2023, enquanto evento muito mais abrangente do que a simples faixa etária dos destinatários diretos; || a valorização imprescindível da «sinodalidade», atitude ou forma de “ser Igreja” que há de caracterizar este terceiro milénio».


Especialmente, para aqueles que se dedi- assumir «a coragem criativa de José, para sair cam à missão da iniciação cristã, Dom Manuel ao encontro do próximo, levando e renovanrecorda que: do o anúncio do Evangelho, na Palavra que se anuncia e se faz Carne na caridade para com «a iniciação cristã não consiste na o próximo». formulação de um conjunto de «boas Um caminho que supõe tomar a decisão de disposições» para a celebração dos levantar-se «porque a fé move montanhas» sacramentos, mas no estilo de vida e e «aprender de Maria esta santa audácia de atitudes que nascem deles. O que re- buscar novos caminhos, para que chegue a clama um itinerário que valorize o ca- todos a alegria do Evangelho». minho de cada pessoa e a sua pertença à comunidade cristã. Mesmo para os que já receberam esses sacramentos há muito tempo».

Assumir este caminho supõe:

«agentes pastorais disponíveis para se deixarem conduzir pelo sopro do Espírito, que nos pede olhos bem abertos para a observação da realidade do mundo e da Igreja, ouvidos sensíveis para a escuta dos apelos ou dos silêncios das pessoas, pernas para uma saída missionária em direção aos irmãos crentes ou deserdados da fé, braços abertos para o acolhimento sem classificações, enfim, coração jubiloso que sacie de alegria o daqueles que anseiam por um efetivo encontro amoroso com Jesus Cristo».

Como modelo e apoio para a caminhada é-nos sugerida:

«a Santíssima Virgem Maria (…): viu o sonho de Deus, escutou o seu apelo/convite, levantouse, partiu apressadamente, abriu os braços para saudar Isabel e gerou nela, em João e em Zacarias «saltos» de júbilo a partir das próprias entranhas». Acolhendo as orientações do nosso Pastor, somos convidados a procurar caminhos de concretização do Plano Pastoral. Um caminho que se quer missionário e que implica

Um caminho que se faz em comunidade «em família, como família de irmãos, com as famílias, sempre com Cristo, no meio, à frente e sem nunca deixar ninguém para trás». A partir da mensagem do nosso Bispo, Dom Manuel, dos objetivos, das linhas programáticas e da proposta de ações pastorais, tendo como referência o Diretório para a Catequese, sugerimos alguns processo e atividades que possibilitam a concretização das diretrizes do Plano Pastoral na missão catequética.

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Um caminho que supõe tomar a decisão de levantar-se «porque a fé move montanhas» e «aprender de Maria esta santa audácia de buscar novos caminhos, para que chegue a todos a alegria do Evangelho».

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Ser TESTEMUNHA Evangelizador com Espírito - em permanente conversão de vida Nas palavras do Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: do número 262 ao 283, o catequista é chamado a ser um «Evangelizador com espírito»: - reza e trabalha - encontra-se com Jesus e com o seu amor que salva - vive o prazer espiritual de ser povo - acolhe a ação misteriosa do Ressuscitado e do seu Espírito - reconhece a força missionária da intercessão Propostas: - Ler e meditar os números da Evangelii Gaudium acima referidos. - Elaborar um projeto pessoal de conversão; - Elaborar um projeto de conversão comunitária: grupo de catequistas; - Experienciar um “acompanhamento mútuo” entre catequistas (sempre que possível, o pároco acompanhará cada um individualmente); - Partilhar a vida (projeto de conversão) e os compromissos assumidos, com os irmãos na fé, é um apoio em ordem à fidelidade aos mesmos e uma ferramenta que reaviva e aprofunda a identidade cristã e os laços fraternos/comunitários.

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LEVANTAR-SE - fazer-se PRÓXIMO – CATIVAR – ACOMPANHAR Nas palavras do nosso Bispo, Dom Manuel Linda, é-nos pedido que, tenhamos, com a ajuda do Espírito: - olhos bem abertos para a observação da realidade do mundo e da Igreja, - ouvidos sensíveis para a escuta dos apelos ou dos silêncios das pessoas, - pernas para uma saída missionária em direção aos irmãos crentes ou deserdados da fé, - braços abertos para o acolhimento sem classificações, - coração jubiloso que sacie de alegria o daqueles que anseiam por um efetivo encontro amoroso com Jesus Cristo.» Toca-nos, catequistas, em comunhão com o nosso pároco viver um processo de conversão pessoal e comunitária que nos disponibilize cada vez mais à ação do Espírito. É Ele que nos levanta e gera, entre nós, a proximidade própria dos irmãos. - Refletir sobre a dimensão missionária, catecumenal e mistagógica consultando o Diretório para a catequese do nº 61 a 65; - Passar da lógica de atividades à lógica de processos Material: - Consultar nesta revista número 438 da pánina 42 à 45.

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Acompanhar a caminhada Suscitar o desejo do encontro com Cristo / com a Eucaristia de fé das famílias Trata-se de integrar na missão catequética um processo que possibilite «apoiar e capacitar as famílias, com meios e recursos disponíveis, que lhes permitam crescer como Igrejas domésticas e assumir, na plenitude, a sua missão educativa primária e indelegável». Propostas: - A partir do projeto «Vinde e verei, ide e vivei» o SDEC irá acompanhar ao longo dos próximos anos todos os catequistas que desejarem implementar as propostas do novo Diretório: «catequese na, da e com a família. A partir de outubro inscreva-se através do formulário que será divulgado no site: www. catequesedoporto.com Material: - Consultar nesta revista número 438 da pánina 42 à 47. - Consultar a revista «A Mensagem», 437, da pag. 8 à 47.

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«Proporcionar em todas as formas de ação pastoral o encontro com Cristo e a amizade com Ele, promovendo o enriquecimento e o fortalecimento espiritual dos fiéis: - Através da qualidade e da beleza das celebrações litúrgicas e orações comunitárias. Material: - Sugere-se que consulte, entre outros, todas as revistas «A Mensagem». Cada uma delas propõe formas de educar para a oração, para a interioridade. Nas próximas procuraremos sugerir um processo de «reencontro com a EUCARISTIA» . É urgente empenhar-se o crescimento espiritual, quer de nós catequistas, quer dos destinatários da ação evangelizadora.


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Encontros «catequese Passar da lógica de intergeracional» para toda atividades à lógica de a comunidade PROCESSOS «Proporcionar em todas as formas de ação Trata-se de integrar no itinerário catequépastoral o encontro com Cristo e a amizade tico projetos que possibilitem aos destinatácom Ele, promovendo o enriquecimento e o rios: fortalecimento espiritual dos fiéis: - sentirem a comunidade como família, - Através das várias formas de primeiro - redescobrirem a centralidade da Eucaanúncio e da Catequese com todos.» ristia, - implicarem-se na vida da comunidade/ missão diaconal Material: - experimentarem a vida cristã como Sugerem-se encontros intergeracionais para toda a comunidade com uma intencio- fonte de felicidade nalidade evangelizadora. Propõe-se o projeto Betânia como dinâmica paradigmática: «DoMaterial: mingo em Betânia para a “família de - Consultar revista «A Mensagem» nº 435 famílias”» - Catequese na e para toda a co- – Maio/Agosto 2020» da pag. 18 à 21 (em munidade. www.catequesedoporto.com). Consultar revista «A Mensagem nº 435 – - Consultar revista Pastoral catequética, Maio / Agosto 2020», da pag. 14 à 17 (em no 45, Lisboa, Ed. SNEC, 2019, pag. 99 à 113. www.catequesedoporto.com). - Consultar link: 14_INICIAR_A_VIDA_ na_FÉ:_De_Jericó_a_Jerusalém_Família_e_ serviço.pdf (catequesedoporto.com).

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Propor projetos de inserção Processos de conversão o na comunidade através da OLHAR e da vida caridade Trata-se de assumir um processo de estu«Proporcionar em todas as formas de ação do, reflexão e conversão catequética a nível pastoral o encontro com Cristo e a amizade pessoal e comunitário a partir do novo Direcom Ele, promovendo o enriquecimento e o tório. fortalecimento espiritual dos fiéis: - Através do exercício pessoal e eclesial Material: da caridade. - Ler e procurar caminhos de concretização do Novo Diretório para a Catequese. - Consultar a revista «A Mensagem» nº Material: - Ver as proposta apresentada no projeto 436 – Set/Dez 2020», da pag. 11 à 19. Say Yes - adaptadas pela Diocese do Porto. - Consultar a revista «A Mensagem» nº 437 – Jan/Abr 2021», da pag. 24 à 27 (em www. catequesedoporto.com).

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Ministério do catequista para refletir

Esta proposta disponibiliza material para: - reflexão pessoal do catequista; - encontro formativo na paróquia ou vigararia.

No dia 10 de maio de 2021, o Papa Francisco publicou a carta apostólica sob forma de «motu próprio» em que instituiu o Ministério do Catequista. Decisão já aguardada, num tempo, em que a Igreja é chamada a assumir, com urgência, a dimensão missionária em toda a pastoral. A decisão do Santo Padre vem reforçar a importância de oferecer uma catequese querigmática, assumida por toda a comunidade, por batizados que se assumem: evangelizadores «com espírito missionário». Para a Igreja de Portugal, onde subsistem traços de um cristianismo sociológico, que congrega pessoas a quem a fé já não dá sentido à existência, este gesto chama à atenção para a urgência de apoiar e renovar a missão catequética. Se a assumirmos na sua dimensão missionária ela é uma plataforma privilegiada de renovação das comunidades e de encontro com as famílias que ainda procuram a catequese para honrar a tradição ou cumprir simplesmente rituais ancestrais. A intencionalidade missionária do processo catequético faz desta missão um campo fértil, onde se acolhem os irmãos afastados e se faz ecoar o primeiro anúncio. Talvez será a única oportunidade para muitos daqueles que, amanhã, se nada for feito não terão qualquer relação com a Igreja… Onde os iremos buscar?

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Embora sem um ministério instituído, a missão do catequista, «desde os primórdios da comunidade cristã, conheceu uma forma difusa de ministerialidade, concretizada no serviço de homens e mulheres que, obedientes à ação do Espírito Santo, dedicaram a sua vida à edificação da Igreja. Os carismas, que o Espírito nunca deixou de infundir nos batizados, tomaram em certos momentos uma forma visível e palpável de serviço à comunidade cristã nas suas múltiplas expressões, chegando ao ponto de ser reconhecido como uma diaconia indispensável para a comunidade1». O Concílio Ecuménico Vaticano II veio renovar a consciência do compromisso e missão dos leigos reconhecendo «o exército de catequistas, homens e mulheres, que, cheios do espírito apostólico, prestam com grandes trabalhos uma ajuda singular e absolutamente necessária à expansão da fé e da Igreja2». Propomos alguns trechos significativos da carta apostólica e questões que ajudem a refletir: Papa Francisco, Carta apostólica sob forma de Motu Próprio, Antiquum Ministerium, nº 2.

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Concílio Ecuménico Vaticano II, Decr. Ad gentes, 17.

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Esta presença [do catequista] torna-se ainda mais urgente nos nossos dias, devido à renovada consciência da evangelização no mundo contemporâneo (cf. Francisco, Exort. ap. Evangelii gaudium, 163-168) e à imposição duma cultura globalizada (cf. Francisco, Carta enc. Fratelli tutti, 100.138), que requer um encontro autêntico com as jovens gerações, sem esquecer a exigência de metodologias e instrumentos criativos que tornem o anúncio do Evangelho coerente com a transformação missionária que a Igreja abraçou. nº 5

A dimensão missionária que a catequese assume, hoje, supõe, entre outras, uma conversão do olhar, da linguagem, das pedagogias/métodos, das relações humanas… Como me empenho nesta renovação? Que caminhos trilho, com os outros catequistas, para responder a estas exigências?

Conheço e amo a hisFidelidade ao passado e responsabilidade pelo presente são as condições indispensáveis para que a Igreja possa desempenhar a tória de fé que se foi tecendo ao longo de dois sua missão no mundo. mil anos? Como comunº5 nicá-la de forma a que ela seja compreensível e significativa para os irmãos com quem nos cruzamos? A sua vida diária é tecida de encontros e relações familiares e sociais, o que permite verificar como «são especialmente chamados a tornarem a Igreja presente e ativa naqueles locais e circunstâncias em que, só por meio deles, ela pode ser o sal da terra» (Lumen gentium, 33). nº6

Como leiga, leigo vivo a identidade cristã em todas as dimensões da vida? Será que ao ver-nos viver se possa dizer «é impossível Deus não SER AMOR»?

O Catequista é chamado, antes de mais nada, a exprimir a sua competência no serviço pastoral da transmissão da fé que se desenvolve nas suas diferentes etapas: desde o primeiro anúncio que introduz no querigma, passando pela instrução que torna conscientes da vida nova em Cristo e prepara de modo particular para os sacramentos da iniciação cristã, até à formação permanente que consente que cada batizado esteja sempre pronto «a dar a razão da sua esperança a todo aquele que lha peça» (cf. 1 Ped 3, 15). nº6

Em que formação inicial e permanente participei e participo para assumir com «competência o serviço pastoral da transmissão da fé»?

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Que interrogações e O Catequista é simultaneamente testemunha da fé, mestre e mistagogo, acompanhante e pedagogo que instrui em nome da desafios esta afirmação Igreja. Uma identidade que só mediante a oração, o estudo e a do Papa Francisco suscita participação direta na vida da comunidade é que se pode desen- na minha vida e missão? volver com coerência e responsabilidade (cf. Cons. Pont. para a Promoção da Nova Evangelização, Diretório da Catequese, 113). Por conseguinte, receber um ministério laical como o de Catequista imprime uma acentuação maior ao empenho missionário típico de cada um dos batizados que, no entanto, deve ser desempenhado de forma plenamente secular, sem cair em qualquer tentativa de clericalização. nº7

Assumo o meu batismo em todas as dimensões da vida? Conheço as suas implicações na missão que me é entregue pela comunidade?

Como vivo a comuEste ministério possui uma forte valência vocacional, que requer o devido discernimento por parte do Bispo e se evidencia nhão e corresponsabilicom o Rito de instituição. De facto, é um serviço estável presta- dade eclesial? do à Igreja local de acordo com as exigências pastorais identificadas pelo Ordinário do lugar, mas desempenhado de maneira laical como exige a própria natureza do ministério. nº 8 Convém que, ao ministério instituído de Catequista, sejam chamados homens e mulheres de fé profunda e maturidade humana, que tenham uma participação ativa na vida da comunidade cristã, sejam capazes de acolhimento, generosidade e vida de comunhão fraterna, recebam a devida formação bíblica, teológica, pastoral e pedagógica, para ser solícitos comunicadores da verdade da fé, e tenham já maturado uma prévia experiência de catequese (cf. Conc. Ecum. Vat. II, Decr. Christus Dominus, 14; CIC cân. 231 §1; CCEO cân. 409 §1). Requer-se que sejam colaboradores fiéis dos presbíteros e diáconos, disponíveis para exercer o ministério onde for necessário e animados por verdadeiro entusiasmo apostólico. nº8

Assumo um projeto de conversão pessoal? Que percurso formativo percorro para assumir com responsabilidade a missão que me é confiada pela Igreja? Como vivo a comunhão, o serviço e corresponsabilidade eclesial?

Se desejar ter acesso ao texto completo do plano pastoral aceda a partir do link: Diocese do Porto | Plano Diocesano de Pastoral 2021/2022 (diocese-porto.pt)

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uma interrogação… missionária Que palavras proferir diante deste testemunho?… Fica um silêncio habitado de interrogações…

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“Que aquele que não acredita em Deus não queira falar do tema – o ateísmo militante anda por baixo – é fácil de entender e só deveria preocupar o crente, que se vê agora confrontado com um inimigo mais subtil, a indiferença. O que deveria ser para ele ainda mais inquietante é que o crente guarda para si a ideia que tem de Deus. Pelo menos é o que a minha experiência diz, e isto sim, chama-me a atenção. Em relação a alguns colegas, com os quais até trabalhei em questões teóricas, levei anos até saber que eram crentes – não se notava no seu discurso nem no seu comportamento. E em relação aos que sabia que eram, quando tentei solicitar a ideia que tinham de Deus, sem negarem a sua fé, evitaram sempre irem ao fundo da questão”. (Deus e a Fé, Ignácio Sotelo, pág.80).

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Revista «A MENSAGEM» doação ao Seminário Maior O Monsenhor José Pereira Soares Jorge, primeiro diretor do Secretariado Diocesano da Educação Cristã, de 1955 a 1973, doou a sua coleção de revistas «A MENSAGEM», ao Seminário Maior do Porto, no dia 8 de julho de 2021. Tendo sido, em 1956, o fundador da revista, este gesto é, profundamente, significativo no ano em que o Papa Francisco instituiu o Ministério do Catequista. Através dele, o Monsenhor Jorge deposita nas mãos das gerações jovens a responsabilidade de manter viva a memória de uma história dedicada à missão evangelizadora e a necessidade de a recriar no presente projetando-a em novos horizontes. São 14 volumes em que se entretecem a reflexão teológica/catequética, os processos de renovação, a proposta de novas práticas, as ferramentas catequéticas, as notícias e os testemunhos de vidas entregues à catequese. Após 63 anos de edição, com mais de 120 páginas, anuais, em suporte papel, iniciou-se, em 2020, um “ciclo digital” que a disponibiliza para consulta no site do SDEC, www.catequesedoporto.com. Este novo suporte aproximanos, em tempo e em espaço, dos catequistas e de outros agentes de pastoral, permitindo explorar as potencialidades e oportunidades que oferecem os meios da web.

No ato formal de entrega estavam presentes, na biblioteca do Seminário Maior, o Senhor Dom Vitorino Soares, reitor do seminário, o Pe. Vasco Soeiro, perfeito do mesmo e os Diretores e colaboradores do Secretariado Diocesano que se dedicaram à missão catequética de 1955 a 2021: Pe. José Maria Pacheco Gonçalves, Cón. Domingos Oliveira e Pe. Henrique Januário, bem como o Pe. Joaquim Sevilha e o Eng. Fernando Álvaro Pires Basto, que foi seu secretário e diretor adjunto, assim como a atual Diretora, Drª Maria Isabel Azevedo de Oliveira.

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Após as palavras de Dom Vitorino Soares, de Monsenhor José Pereira Soares Jorge e da Dr.ª Isabel foram entregues as seguintes obras: Coleção completa da revista A Mensagem, do SDEC do Porto, (14 Volumes encadernadosde 1956 a 2018). António Moiteiro Ramos – Catecismos Portugueses. Notas de História, Lisboa, Paulinas, 1998.

José Belinquete (e colaboradores) - História da Catequese em Portugal, Brasil, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste, Coimbra: Gráfica de Coimbra 2, 2011 (dois volumes). José Belinquete – História do Ensino da Doutrina Cristã na Escola, Aveiro: Tempo Novo Editora, 2017. Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização, Diretório para a Catequese, Lisboa: Fundação Secretariado Nacional da Educação Cristã, 2020. Partilhamos o discurso de Monsenhor Jorge, na biblioteca do Seminário Maior do Porto.

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Ex.mo e Rev.mo Senhor D. Vitorino Soares, M. Digno Reitor do Seminário Maior do Porto, É por graça de Deus e com muita emoção que estamos no Seminário do Porto, na sua Biblioteca, para doar a edição encadernada de “A Mensagem”, que em 1956 viu a luz do dia, em publicação mensal, destinada a ser órgão impulsionador da Catequese. A publicação nasceu do Secretariado Diocesano da Educação Cristã, que o Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes instituiu em 1955, nesta Diocese, e chamou-me a mim, Pe. José Pereira Soares Jorge, a desempenhar as funções de Secretário Diocesano da Catequese. Era a primeira vez que surgia na diocese tal serviço. Alguém dizia que era “um salto no escuro”. Mas D. António viu o problema e convidou um grupo de catequistas da cidade do Porto que comigo lançaram mãos ao arado e começaram, na força do Espírito Santo, a pensar e a agir na formação de catequistas. A “semente caiu na boa terra” e fizeram-se as primeiras experiências. Sentimos necessidade de um órgão escrito que fosse ao encontro de todos os catequistas e os respetivos Párocos, ajudando-os a fazer catequese, a anunciar e viver a Palavra de Deus, em sintonia com a Liturgia da Igreja. Surgiu assim “A Mensagem”, em 1956, bem acolhida por Párocos e Catequistas. Desde o primeiro número contei com múltiplas colaborações: os Bispos D. António e D. Florentino, Professores dos Seminários (incluindo o futuro D. Domingos Pinho Brandão), Padre José Costa Maia, Professores de Escolas Públicas, Religiosas, Religiosos, Catequistas e cristãos em geral. Dirigi “A Mensagem” ao longo de quase 20 anos (1956-1975). Por mandato episcopal, trabalharam comigo o Padre Joaquim Sevilha, aqui presente, e o Pe. Eloy Pinho, já na Casa do Pai. O N° 189A (Agosto-Set° 1974) anunciava a nomeação do Pe. José Cardoso do Couto como novo Diretor do SDEC, que porém nunca chegou a constar como diretor de A Mensagem, em razão da sua trágica morte, em Dezembro desse mesmo ano. Mantive, pois, essa responsabilidade ainda ao longo de 1975. A partir do número 198 (Nov-Dez 1975), “A Mensagem” cresceu no formato, passando a publicação bimestral. Assumiu o Secretariado da Educação Cristã e a direção da revista o Pe. José Maria Pacheco Gonçalves, aqui presente, com uma equipa de colaboradores em que se destacaram o Pe. Dr. Costa Maia, a Irmã Alda Maria Rego (Missionária Reparadora do Sagrado Coração de Jesus) e, ao longo de 30 anos, o Eng. Fernando Álvaro Pires Basto (desde 1977 membro da equipa responsável da revista; diretor adjunto de 1979-2007).

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Evoquemos a Irmã Alda, dedicada formadora de catequistas, com a sua poesia “Pensando em Ti, Catequista” (“A Mensagem”, N° 362, Julho/Agosto 2003, p. 22). Assumiram sucessivamente a direção do Secretariado da Educação Cristã e da revista (sempre secundados com uma equipa de colaboradores): o Padre, agora Cónego, Domingos da Costa Monteiro de Oliveira (1983-1990); o Padre Henrique Manuel Caldas Januário (1990-2001); o Padre João Manuel de Oliveira Ribeiro (2001-2007); desde 2007, a Doutora Maria Isabel Azevedo de Oliveira, atual diretora do Secretariado Diocesano e da publicação impressa da revista (20072018), que dedicadamente tem servido a causa diocesana da Catequese. Aqui presente, vai-nos deixar a sua palavra, em tempos da criação do ministério de Catequista pelo Papa Francisco. Senhor Reitor. D. Vitorino, queira acolher estes volumes que já fazem parte da história da Catequese, nesta nossa Diocese do Porto. Porto, Seminário Maior, 08 julho 2021 Pe. José Pereira Soares Jorge

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2… Catequese da adolescência

Deus - e as interrogações! Vigília para adolescentes e ou / encontro intergeracional

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Sugere-se que esta vigília seja vivida à noite, num espaço em que seja possível apagar todas as luzes. “Porque vós, queridos jovens, não sois o futuro, mas o agora de Deus”. Papa Francisco – JMJ Panamá Objetivos: - Proporcionar um momento de Encontro e Oração com Ele - Ajudar a refletir sobre as incertezas e inseguranças em assumir a sua relação com Deus Materiais: - Lanternas para cada um dos participantes; - Uma caixa de cartão que vai servir de “Caixa das Lamentações”; - Papéis para cada participante escrever e canetas; - Círio e velas para cada participante;

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INTRODUÇÃO

1° MOMENTO

Estamos aqui, juntos neste encontro em que, Ambiente: irradiar luz / luz forte e intensa das enquanto adolescentes, somos convocados pelo lanternas Papa Francisco a assumir o Agora de Deus… Somos interpelados a sentir por dentro aqui(Fazer jogo de luz com lanterna como se irralo que nos faz mais próximos, nos cativa, cha- diasse luz, apontando a lanterna no sentido do ma, expressão simples, mas comprometida, do olhar, rosto, uns dos outros SIM que nos transforma e faz ser como Deus. Costuma-se dizer que o olhar revela o que sentimos. Assim, com a ajuda da claridade proMas também aqui há instantes, momentos, vocada pelo foco de luz da lanterna, vamos tencircunstâncias que nos afastam, incertezas, dú- tar ver-nos e sentirmo-nos melhor uns aos ouvidas que, por vezes, nos mantêm distantes tros). ou nos afastam, por tempo indeterminado, de Deus. É sobre estas fraquezas que hoje nos vamos Reflexão: debruçar.... A luz torna tudo claro. Cântico inicial É a claridade do dia, mas também a claridade do que vemos, percecionamos (ato ou efeito de perceber). Tudo nos parece concreto, óbvio, confiável... A claridade da luz, do dia, não esconde, porque tudo está claro, ao alcance da vista e da nossa compreensão. E, no irradiar dessa claridade, tudo podemos ver, alcançar, perceber, precisamente porque está aqui ou ali, ao nosso alcance. Mas há um espaço que ofusca a luz. A sombra, que se esconde nos espaços indefinidos por trás da claridade, que pode suscitar dúvida. A sombra que reflete o obscuro e que apesar do dia, da claridade, nos perturba, aumenta as inseguranças, aquelas dúvidas que não nos largam, persistem e que não conseguimos desfazer, esclarecer... Este é o nosso primeiro confronto. São sombras que não nos largam, que nos perseguem mesmo que a luz seja intensa. Até mesmo essa luz, de tão intensa, que nos pode ofuscar (escurecer) como se perdêssemos clarividência, facilidade de compreensão.

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O que fazer? Vamos tentar fazer a experiência da ausência de Deus... O que vamos fazer agora é um exercício que nos permita imaginar-nos sós, sem Deus… como se a vida tivesse início no nascer e terminasse definitivamente na sepultura fria. Em que o decorrer dos dias não tivesse alguém a quem recorrer ou contar uma dor ou uma alegria…

Vamos refletir / recordar / pensar um pouco nos momentos em que senti a ausência de Deus? Em que situações tenho dúvidas da bondade, sempre presente, de Deus que nos envolve e protege?

Vamos agora abstrair-nos de tudo e concentrar no sentimento de ausência de Deus. A eventual falta que nos faz. Até o que temos para Como? Para isso, utilizamos a imaginação, fazemos reclamar dele.... uma viagem ao nosso passado e ao passado dos (Cada um, se assim o entender, depois da reque amamos. Como seria a vida se deixássemos de ter a companhia/ presença de Deus. Simples- flexão pode escrever num desses papelinhos e mente imaginar como seria o futuro imaginan- coloca, sem identificação / nome, na Caixa). do que tudo acaba e que Deus não existe. (dar um tempo de silêncio- se possível um papel e caneta para escrever) Cada um reflita sobre: Recordamos agora os momentos que me senti só, abandonado à minha sorte, por vezes até castigado em tantos e sucessivos infortúnios ou situações más que me acontecem, fragilizam e tantas vezes transtornam? (dar um tempo de silêncio) Esse estado / sentimento é, com certeza, o que nos leva a ter dúvidas, a não confiar, a questionar se efetivamente Deus possa estar sempre connosco. E é precisamente nos momentos mais difíceis, mais injustos, mais angustiantes que sentimos a ausência de Deus. Alguma vez sentiste de verdade a dúvida: Deus existe? Ele ama-me? Porque me acontecem tantas desgraças? Porque é que a vida é difícil?

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2° MOMENTO Carta S. Paulo aos Romanos Rom 8, 5-8 “Os que vivem de acordo com a carne aspiram às coisas da carne; mas os que vivem de acordo com o Espírito aspiram às coisas do Espírito. De facto, a carne aspira ao que conduz à morte; mas o Espírito aspira ao que dá vida e paz. É que a carne aspira à inimizade com Deus, uma vez que não se submete à lei de Deus; aliás nem sequer é capaz disso. Os que vivem sob o domínio da carne são incapazes de agradar a Deus”. - Pequeno momento de diálogo: Que significa viver segundo a carne? (“Viver segundo a carne” significa, em Paulo, uma vida conduzida à margem de Deus: o “homem da carne” é o homem do pecado: do egoísmo e da autossuficiência, cujos valores são o ciúme, o ódio, a ambição, a inveja, a libertinagem (cf. Gal 5,19-21))

Porque é que dizer sim aos desejos da carne leva à morte? Olhemos à nossa volta e dentro de nós… Que acontece a quem opta por excessos em todos os sentidos e não respeita os outros e a própria vida? Em que momento recebemos o Espírito? (no nosso batismo) (Paulo recorda aos crentes, no texto que nos é proposto, que o cristão, no dia do seu batismo, optou pela vida do Espírito. A partir daí, vive sob o domínio do Espírito - isto é, vive aberto a Deus, recebe vida de Deus, torna-se “filho de Deus”. Identifica-se, portanto, com Cristo; (cf. Gal 5,22-23).) Ambiente: Apagar as luzes Mergulhamos na noite. Na escuridão... Aqui tudo é obscuro e já nada consigo vislumbrar. Sinto-me perdido, sozinho, assustado. Não consigo sequer ver ou perceber quem está ou segue ao meu lado. Está tudo muito escuro, difícil de ver, compreender, sinto-me inseguro, porque falta-me noção por onde seguir e sair daquele estado tão obscuro.

Que significa viver segundo o Espírito? Falamos daquelas que são as nossas dúvidas, (“viver segundo o Espírito” significa, em Paulo, uma vida que acolhe a graça de Deus e vive revoltas, incertezas... o que por vezes me afasta a fidelidade do amor a Deus e aos irmãos. É de Deus? uma vida pautada pelos valores do serviço, da Convidar a fazer partilha alegria, da paz, da fidelidade e do perdão (cf. Gal Dar testemunho pessoal 5,22-23).) Não podemos estar próximos de Deus se Porque são incapazes de agradar a Deus os que vivem sobe o domínio da não formos capazes de avaliar, reconhecer, sem preconceito ou qualquer receio, aquilo que nos carne? (rejeitar o bem significa rejeitar o próprio afasta d’Ele. Deus e viver longe dEle. Como poderá agradar a um pai um filho que vive longe dele, e opta por fazer o mal?)

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3° MOMENTO

Porque será que receber o Espírito nos faz filhos de Deus, herdeiros e livres? (A opção pelo bem, pelo amor, por Deus, Acender uma vela (Círio) embora aparentemente seja um constrangiFazer oração invocando o Espírito Santo mento, descobrimos que quando esta é a nossa Depois convidar a passar a luz e acender as opção o resultado é a liberdade… Isto é a capacidade de escolher o que realmente e bom outras velas que estão espalhadas no grupo. Esta luz é presença de Deus em cada um de para mim e para os outros… o que bom, belo, nós, a mesma que recebemos no Batismo, mas verdadeiro) a mesma que partilhamos com alegria, entusiasDepois de tudo o que estivemos a viver e mo, no testemunho da nossa fé. refletir deixo para os momentos finais deste encontro pessoal, mas em comunidade, grupo, de Leitura da Carta de S. Paulo aos Romanos uns com os outros e com Deus, algumas palavras do Papa Francisco na Vigília da JMJ no PaRom 8, 14-17 namá. “De facto, todos os que se deixam guiar pelo Espírito, esses é que são filhos de Deus. Vós não recebestes um Espírito que vos escravize e volte a encher-vos de medo; mas recebestes um Espírito que faz de vós filhos adotivos. É por Ele que clamamos: Abbá, ó Pai! Esse mesmo Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos de Deus, somos também herdeiros: herdeiros de Deus e co-herdeiros com Cristo, pressupondo que com Ele sofremos, para também com Ele sermos glorificados”. - Fazer eco da palavra - Pequeno momento de diálogo: Porque será que Paulo diz que «Vós não recebestes um Espírito que vos escravize e volte a encher-vos de medo»? Que acontece a quem vive longe de Deus, do bem , da verdade e segue todos os seus desejos sem respeitar nada nem ninguém? É livre porque faz o que quer? Que acontece?

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Palavras Papa Francisco 1 O amor do Senhor é maior que todas as nossas contradições, que todas as nossas fragilidades e que todas as nossas mesquinhices, mas é precisamente através das nossas contradições, fragilidades e mesquinhices que Ele quer escrever esta história de amor. Abraçou o filho pródigo, abraçou Pedro depois de O ter negado e abraça-nos sempre, sempre, sempre, depois das nossas quedas, ajudando-nos a levantar e ficar de pé. Porque a verdadeira queda – atenção a isto! – a verdadeira queda, aquela que nos pode arruinar a vida, é ficar por terra e não se deixar ajudar. Não ficar caído! Estender a mão, para que te levantem. Não ficar caído.

2 Lembro-me que uma vez, conversando com alguns jovens, me perguntaram: «Porque é que hoje muitos jovens não se interrogam se Deus existe, ou sentem dificuldade em crer n’Ele e evitam comprometer-se na vida?» Respondi: «E vós, que achais?» Dentre as respostas que surgiram na conversa, recordo uma que me tocou o coração: «Padre, é que muitos deles sentem que, para os outros, pouco a pouco deixaram de existir, frequentemente sentem-se invisíveis». Muitos jovens sentem que deixaram de existir para os outros, para a família, para a sociedade, para a comunidade... e assim, muitas vezes, sentem-se invisíveis. É a cultura do abandono e da falta de consideração. Não digo todos, mas muitos sentem que não têm nem muito nem pouco para dar, por falta de espaços reais que a isso os convoquem. Como hão de pensar que Deus existe se eles mesmos – estes jovens –, para seus irmãos e para a sociedade, há muito que deixaram de existir? Assim, estamos forçando-os a não olhar para o futuro e a cair como presa de qualquer droga, de qualquer coisa que os destrói. Bem sabemos que não basta estar conectado o dia inteiro para se sentir reconhecido e amado. Sentir-se considerado e convidado para algo é mais do que permanecer «em rede». Significa encontrar espaços onde possais, com as vossas mãos, com o vosso coração e com a vossa cabeça, sentir-vos parte duma comunidade maior que precisa de vós e, vice-versa, vós, jovens, precisais dela também. Deixar que comentem e confrontem estas palavras do Papa Francisco. Relacionar com a nossa vida, o concreto do que somos e na medida do que partilhamos...

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Momento de Oração

Oração com o Papa Francisco Encontrando-vos na presença de Jesus, face a face, sede corajosos, não tenhais medo de Lhe abrir o coração pedindo que renove o fogo do amor d’Ele, que vos induza a abraçar a vida com toda a sua fragilidade, com toda a sua pequenez, mas também com toda a sua grandeza e beleza. Que Jesus vos ajude a descobrir a beleza de estar vivos e acordados. Vivos e acordados. Não tenhais medo de dizer a Jesus que vós também quereis fazer parte da sua história de amor no mundo, que sois para um «mais»! Cada um é convidado a fazer e partilhar se assim o entender a sua oração da noite…

Cântico final SUGESTÕES CÂNTICOS Vai onde Deus te levar : https://youtu.be/wKmcRy0xZJM Confiarei : https://youtu.be/QA9nZS_w9nA Nada Temo_Banda Jota : https://youtu.be/2iNW6p9fjYg Somos Um : https://youtu.be/JYstZQ7x4a4 Grita Comigo : https://youtu.be/9tjkP7pccAA Dar Mais : https://youtu.be/YEXfEgEVerw

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3…

RECURSOS: Iniciar à vida em Cristo

Planificação do ano catequético com a família a partir de um olhar sinodal e sistémico Este artigo propõe material para planificar o ano catequético tendo em conta: - que é ELE o Mestre e que vai à frente; - que é urgente olhar a realidade para acolher e acompanhar os irmãos; - que é indispensável viver o processo catequético com a família.

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«Vale a pena voltar às imagens da exortação apostólica que é programa de pontificado do Papa Francisco, “A alegria do Evangelho”. Imagens como a Igreja em saída, como uma Igreja de portas abertas, como uma Igreja hospital de campanha, como uma Igreja acidentada, suja, por ter saído pelas estradas do mundo, pelas periferias da humanidade, mas ao mesmo tempo continua a ser aquela comunidade de discípulos de Jesus capazes de viverem em fidelidade o espírito do Evangelho, assumindo o serviço da vida humana como sua missão primordial». Card. José Tolentino Mendonça, publicado em 02.08.2021 no SNPC

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Para elaborar a planificação do ano catequético integrando a família em todo o processo propõe-se vários passos: 1º passo:

convidar algumas famílias para a Integrar as famílias em todo o processo planificação do ano catequético catequético significa dar um passo para uma Igreja sinodal. O Cardeal Tolentino MendonAs famílias não são apenas destinatárias da ça, referindo-se ao Papa Francisco escreve: a ação pastoral. Como refere o Diretório para «sinodalidade que a Igreja é chamada a viver, e a Catequese do número 227 ao 232, a família que tem vivido de tantos modos ao longo do é ao mesmo tempo agente e destinatária do pontificado de Francisco, não é apenas “ad inprocesso de evangelização. tra”, não é apenas para ouvir a Igreja, os fiéis Integrar a família em todo o processo cate- leigos, para ouvir as diversas realidades que quético, desde a planificação à concretização compõem a esfera eclesial; é também uma sido mesmo, implica efetivamente e afetiva- nodalidade com o mundo (…) mente os mesmos. Este é um primeiro passo Uma Igreja sinodal é uma Igreja que escuta, significativo de acolhimento que revela valori- e escutar não é apenas ouvir. Escutar é ser zação e assume que a família é chamada a ser capaz de acolher, de praticar uma hospitalia primeira educadora da fé, a contribuir para dade, de entender a complementaridade que a edificação da comunidade e testemunhar o existe entre todos os carismas, entre todos Evangelho na sociedade. os serviços dentro da Igreja1». Sim catequese paroquial e missão educativa da família estão intrinsecamente interdependentes, são profundamente complementares. Não se trata apenas de as ouvir mas de «caminhar juntos» para um mesmo fim, numa partilha de sinergias a partir de uma dinâmica sinodal. Card. José Tolentino Mendonça, publicado em

1

02.08.2021 no SNPC

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2º passo:

momento orante Sugere-se que se inicie o processo de planificação com a leitura orante do texto bíblico e da Evangelii Gaudium: «Os onze discípulos partiram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes tinha indicado. Quando o viram, adoraram-no; alguns, no entanto, ainda duvidavam. Aproximando-se deles, Jesus disse-lhes: «Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.» Mt 28, 16-20

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Evangelii Gaudium «Somente graças a este encontro – ou reencontro – com o amor de Deus, que se converte em amizade feliz, é que somos resgatados da nossa consciência isolada e da autorreferencialidade. Chegamos a ser plenamente humanos, quando somos mais do que humanos, quando permitimos a Deus que nos conduza para além de nós mesmos a fim de alcançarmos o nosso ser mais verdadeiro. Aqui está a fonte da ação evangelizadora. Porque, se alguém acolheu este amor que lhe devolve o sentido da vida, como é que pode conter o desejo de o comunicar aos outros?» nº 8 « O bem tende sempre a comunicar-se. Toda a experiência autêntica de verdade e de beleza procura, por si mesma, a sua expansão; e qualquer pessoa que viva uma libertação profunda adquire maior sensibilidade face às necessidades dos outros. E, uma vez comunicado, o bem radica-se e desenvolve-se. Por isso, quem deseja viver com dignidade e em plenitude, não tem outro caminho senão reconhecer o outro e buscar o seu bem. Assim, não nos deveriam surpreender frases de São Paulo como estas: «O amor de Cristo nos absorve completamente» (2 Cor 5, 14); «ai de mim, se eu não evangelizar!» (1 Cor 9, 16).» nº9


«A proposta é viver a um nível superior, mas não com menor intensidade: «Na doação, a vida se fortalece; e se enfraquece no comodismo e no isolamento. De facto, os que mais desfrutam da vida são os que deixam a segurança da margem e se apaixonam pela missão de comunicar a vida aos demais». Quando a Igreja faz apelo ao compromisso evangelizador, não faz mais do que indicar aos cristãos o verdadeiro dinamismo da realização pessoal: «Aqui descobrimos outra profunda lei da realidade: “A vida se alcança e amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros”. Isto é, definitivamente, a missão». Consequentemente, um evangelizador não deveria ter constantemente uma cara de funeral. Recuperemos e aumentemos o fervor de espírito, «a suave e reconfortante alegria de evangelizar, mesmo quando for preciso semear com lágrimas! (...) E que o mundo do nosso tempo, que procura, ora na angústia, ora com esperança, possa receber a Boa Nova dos lábios, não de evangelizadores tristes e descoroçoados, impacientes ou ansiosos, mas sim de ministros do Evangelho cuja vida irradie fervor, pois foram quem recebeu primeiro em si a alegria de Cristo». nº 10

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3º passo:

olhar a realidade como o olhar de Jesus, de forma sistémica O novo Diretório consagra vários parágraLer os SINAIS DOS TEMPOS- Inter- fos da sua terceira parte à leitura da realidade pretar a REALIDADE - Fazer o DIAG- (Cf. do 319 ao 408). A fidelidade à missão exiNÓSTICO ge conhecer os destinatários para reconhecer neles a presença e ação do Espírito, lhes «A catequese tem uma intrínseca dimen- propor o Evangelho, os acompanhar e viver são cultural e social, na medida em que se com eles a vida na fé. Por isso, toca-nos não coloca numa Igreja inserida na comunidade só ler a realidade, mas responder ao desafio humana. Nela os discípulos do Senhor Jesus de «converter o olhar e o método de interpartilham «as alegrias e as esperanças, as tris- pretar a realidade numa dimensão sistémica tezas e as angústias dos homens de hoje» (GS da vida. [o próprio] Papa Francisco pensa as 1). A tarefa de ler os sinais dos tempos está coisas não apenas individualmente, mas é casempre viva, sobretudo neste tempo, que se paz de perceber que tudo está ligado, que há afigura como uma viragem epocal e marcado uma interconexão muito grande2». por contradições e, ao mesmo tempo, por 2 anseios de paz e justiça, de encontro e solidaCard. José Tolentino Mendonça, publicado em riedade. (DC 319)» 02.08.2021 no SNPC Por isso, a sua pedagogia «inspira-se na condescendência de Deus que será resultado Propõe-se que antes de esboçar a concretamente da dupla fidelidade – a Deus programação do ano se faça uma análie ao homem – e, portanto, da elaboração de se swot (dificuldades e potencialidade) uma síntese sábia entre a dimensão teológica da realidade no que se refere aos see a antropológica da vida de fé.( DC 179)» guintes âmbitos:

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a… Realidade cultural – social – económica Potencialidades: Que dificuldades a realidade representa para a vida familiar e a educação na fé dos filhos? - … - … b…Cultura digital e científica Que dificuldades a realidade representa para a vida familiar e a educação na fé dos filhos e para a catequese? - …

Potencialidades: - …

c… FAMÍLIA - catequese COM a família - criar parceria no processo de educação/iniciação à vida na fé Potencialidades: Que dificuldades têm as famílias em implicar-se no processo de iniciar à vida cristã (em - … família e na catequese/paróquia)? - … d… CATEQUISTA - catequese COM a família - criar parceria no processo de educação/iniciação à vida na fé Potencialidades: Que dificuldades revelam os catequistas na - … programação e implementação de uma caminhada com a família? - … e… COMUNIDADE-catequese COM a família - criar parceria no processo de educação/iniciação à vida na fé Potencialidades: Que dificuldades e obstáculos revela a co- … munidade em ordem a acolher, acompanhar e criar sinergias com as famílias? - …

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4º passo:

Ter em conta da intencionalidade missionária e catecumenal na hora de planificar Acompanhar e complementar a missão da família na iniciação à fé dos seus filhos implica que a catequese assuma um carácter missionário/querigmático e catecumenal, como referido nos números 57 a 65 do Diretório. Hoje, não é possível «dar por suposto que os nossos interlocutores conhecem o horizonte completo daquilo que dizemos, ou que eles podem relacionar o nosso discurso com o núcleo essencial do Evangelho (EG34)» Por este motivo, é necessário que a catequese assuma uma «natureza querigmática e uma dimensão catecumenal (Cf. DC61). a… Intencionalidade missionária/ querigmática Como aponta o nº 59 do DC assumir a centralidade do querigma implica, entre outros, que a catequese, junto dos catequizandos e das famílias: - «exprima o amor salvífico de Deus como prévio à obrigação moral e religiosa, - não imponha a verdade, mas faça apelo à liberdade, - seja pautada pela alegria, o estímulo, a vitalidade e uma integralidade harmoniosa, - não reduza a pregação a poucas doutrinas, por vezes mais filosóficas que evangélicas». «A catequese é um anúncio da fé, que deve forçosamente causar interesse, ainda que em germe, em todas as dimensões da vida humana. (DC60)» É ainda, convidada a valorizar: - o carácter de proposta; - a qualidade narrativa, - afetiva e existencial;

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- a dimensão de testemunho da fé; - a atitude relacional; - a tonalidade salvífica. Assim, a Igreja é «chamada a ser a primeira a redescobrir o Evangelho que anuncia: o novo anúncio do Evangelho pede da Igreja uma escuta renovada do Evangelho, juntamente com os seus interlocutores. (DC 59)». b… Intencionalidade catecumenal «O catecumenato é uma prática eclesial antiga, restaurada depois do Concílio Vaticano II (cf. SC 64a66; CD 14; AG 14), oferecida aos convertidos não batizados. Tem, portanto, uma explícita intenção missionária e estrutura-se como um complexo orgânico e gradual para iniciar à fé e à vida cristã. Precisamente pelo seu carácter missionário, o catecumenato pode também inspirar a catequese daqueles que, apesar de já terem recebido o dom da graça batismal, não saboreiam efetivamente a sua riqueza: neste sentido, fala-se de inspiração catecumenal da catequese ou de catecumenato pós batismais ou de catequese de iniciação à vida cristã. (Dc 61)» «A inspiração catecumenal da catequese não significa reproduzir de maneira servil o catecumenato, mas assumir o seu estilo e o seu dinamismo formativo, respondendo também à «necessidade duma renovação mistagógica (DC 64). Neste sentido, a catequese é chamada a assumir elementos do catecumenado, tais como: - o carácter pascal; - o carácter iniciático; - o carácter litúrgico, ritual e simbólico; - o carácter comunitário; - o carácter de conversão permanente e de testemunho; - o carácter de progressividade da experiência formativa. (DC 64)


5º passo:

ter em conta a finalidade e tarefas da catequese

Introduzir na vida comunitária.

Formar para a vida em Cristo.

Ensinar a rezar. Iniciar à celebração do Mistério. Levar ao conhecimento da fé. No centro de cada processo de catequese está o encontro vivo com Cristo. «A

fina-

lidade definitiva da catequese é a de fazer que alguém se ponha não apenas em contacto, mas em comunhão, em intimidade com Jesus Cristo: somente ele pode levar ao amor do Pai no Espírito e fazer-nos participar na vida da Santíssima Trindade» (CT 5). A comunhão com Cristo é o centro da vida cristã e, por conseguinte, o centro da ação catequética. DC 75

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6º passo:

conversão catequética Na hora de planificar o ano, surge a necessidade de recordar a necessidade de passar uma lógica de transmissão de conteúdos a uma lógica de iniciação à vida cristã. Caminho que se faz integrando no processo catequético vários processos/projeto que possibilitam esta conversão.

TEMPOS LUGARES PEDAGOGIAS

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CONHECER transmissão de conteúdos

INICIAR à vida na fé

Quando?

Uma hora por Quando? semana

Todos os dias e todas as horas

Onde?

Na sala da paróquia

Na comunidade na vida

Como?

Enunciar, memorizar, repetir

A+render / viver itinerário de vida na fé

Para quê?

Aprender a doutrina

Conhecer - celebrar - viver ao jeito de Jesus em comunidade

Quem assume a responsabilidade?

O catequista

A família, a comunidade, catequistas

Lógica catequética

Transmissão de conhecimentos

Iniciação à vida na fé


7º passo:

passar de uma lógica de atividades a uma lógica de processos

Habitualmente, nas reuniões de programação do ano catequético, surge a pergunta: que vamos fazer, este ano, com os pais? Responder com uma intencionalidade missionária significa preocupar-se com a lógica de processo, de realização de passos consecutivos orientados para uma meta. Um trecho da encíclica Fratelli Tutti, nº 198 apresenta a noção de passos: «Aproximar-se, expressar-se, ouvir-se, olhar-se, conhecer-se, esforçar-se por entender-se, procurar pontos de contacto: tudo isto se resume no verbo «dialogar». Para nos encontrar e ajudar mutuamente, precisamos de dialogar.» A sucessão de verbos revela a lógica de progressividade que supõe estabelecer relações de proximidade. Uma catequese missionária tem presente a necessidade de passar da lógica de programação de atividades à lógica de proposta de atitudes e ações que gerem encontro, proximidade e, com o tempo, tecem relações fraternas. Na relações fraternas e no encontro com a Palavra e a comunidade abre-se uma brecha para que a graça trabalhe o coração humano… Aí, pode acontecer que a pessoa se deixe encontrar por ELE… O Principezinho e a Raposa dão-nos o exemplo:

Bom dia, disse a raposa

Quem és tu

Cativa-me

Sentar-se longe

Sentar-se

Cada vez mais perto

A linguage

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Só se conhece quem se cativa

Tudo lembra o outro Reconhece os passos A vida fica cheia de sol

O outro torna-se único

Fica-se feliz

Tempo para arranjar o coração Ficar à espera Criar um ritual

em Fonte de mal entendidos 43


O próprio Diretório Geral para a Catequese de 1997, no número 226 e 227, aponta para a noção de processo revelando o princípio de progressividade. Propomos, em jeito de esquema, os conteúdos do Diretório, no qual se verifica que a comunidade cristã é chamada a iniciar o processo de aproximação ao adulto por contactos pessoais para um dia, chegar à formação permanente de leigos. É esta sabedoria que deve orientar a elaboração de caminhos a andar com a família.

... a comunidade cristã preste uma atenção especial aos pais / família. Deve ajudá-los a assumirem a tarefa de educar os filhos na fé... Por meios de:

1

Contactos pessoais.

2

Encontros.

3

Cursos.

4

Também mediante uma catequese para adultos, dirigida concretamente aos pais. DGC 226-227 | 1997

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8º passo:

fazer a listagem de atitudes e ações A partir da análise, interpretação da realidade, da leitura dos sinais dos tempos, trata-se de criar um processo, progressivo que assegure as dimensões missionária-querigmática, catecumenal e mistagógica da catequese:

Etapas do processo 1 2

3 4

5

6

7 8

Criar LAÇOS, PONTES: recriar e Dificuldades alimentar relações vitalizantes Potencialidades... Propor experiências de fé em família Catequizando assume a sua missão de evangelizador- portador da BOA notícia Oferecer experiências significativas de fé na catequese Integrar a família no grupo e na dinâmica catequética ações pontuais Catequeses intergeracionais | atividades na paróquia Criar comunhão com a comunidade + momentos formativos (progressivamente) Propostas que alimentem a família com as vitaminas da fé: conversão familiar/igreja doméstica CATEQUESE INTERGERACIONAL de toda a COMUNIDADE Implicar / proporcionar projetos intergeracionais: fé / vida - diaconia / caridade

9 Formação sistemática /catequeses 10 Organizar comunidades de partilha de fé-vida 11 Famílias evangelizam famílias 12 Catequese de adultos

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Realidade

Objetivos

Ações projetos


9º passo:

colocar numa grelha os conteúdos, ações, projetos:

Trata-se de colocar na linha do tempo o processo delineado no 7º passo. A progressividade / processo verifica-se na caminhada que se faz ao jeito do Principezinho.

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10º passo:

Avaliar permanentemente o processo e reajustar a programação, ouvindo todos os intervenientes

Todo o processo catequético deve ter em conta: «No início do ser cristão não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, um rumo decisivo”. A afirmação é do Papa Bento XVI […]. Dois anos depois repetiu-a, a nós bispos portugueses, na visita ad limina apostolorum, acrescentando: “A evangelização da pessoa e das comunidades depende totalmente da existência ou não deste encontro com Jesus Cristo”3. Encontro da parte de quem é evangelizado e de quem evangeliza.» (CAECJ 1) Equipa do SDEC Bento XVI, Discurso aos Bispos de Portugal (Roma, 10.11.2007), in Lumen, III, 68 (2007, 6) 20.

3

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Tenho o Teu nome, Jesus gravado na palma da mão «educar para a oração e na oração»

Esta proposta disponibiliza material para: - rezar no grupo de catequese; - rezar com a família num encontro intergeracional ou num encontro de pais.

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«A oração é, antes de mais, dom de Deus. Na verdade, em cada batizado “o próprio Espírito intercede com gemidos inefáveis” (Rm 8,26). A catequese tem a missão de educar para a oração e na oração, desenvolvendo a dimensão contemplativa da experiência cristã. É necessário educar para rezar com Jesus Cristo e como ele: “Aprender a rezar com Jesus é rezar com os mesmos sentimentos com que Ele se dirigia ao Pai: a adoração, o louvor, o agradecimento, a confiança filial, a súplica e a contemplação da sua glória”. (DC 86)»

4- Convidar a escutar a Palavra Propõe-se que novamente se contemple a mão, enquanto o catequista lê, lentamente e com expressividade, o texto bíblico: «Assim como o Pai me tem amor, assim Eu te amo. Permanece no meu amor…. Manifestei-te estas coisas, para que a minha alegria esteja em ti, e a tua alegria seja completa. Ninguém tem mais amor do que aquele que dá a vida pelos seus amigos.

Trata-se de uma missão que se propõe Já não te chamo servo, visto que um servo suscitar o desejo de permanecer em Jesus. Neste esquema de oração procura-se dar-se não sabe o que faz o seu senhor; mas a ti chamei-te amigo, porque te dei a a viver a experiência de tatuar o nome de Jesus na mão como sinal do desejo de ter, per- conhecer tudo o que ouvi ao meu Pai. manentemente, o nome de Jesus inscrito no Não fostes tu que me escolhestes; fui Eu coração. que te escolhi e te destinei a ires e a dares fruto, e um fruto que permaneça; Guião para a orientação da oração: e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele o concederá. 1- Convidar a fazer o sinal da cruz Um sinal lento que procura dar-se conta É isto o que te mando: que ames os irdo mistério que envolve cada palavra. mãos.» (Adaptado, Jo 15, 9-17) 2- Convidar a escrever na mão: Jesus … Sugere-se que seja um gesto realizado em silêncio e que, após este, cada um contemple a sua mão ao som da música: Jesus Jesus Jesus - Chant de la communauté de L’Emmanuel (Version Longue) - YouTube 3- Convidar a repetir o nome de Jesus Sugere-se que, após contemplar o nome escrito na mão, se fechem os olhos e que, cada um, repita numerosas vezes o nome de Jesus ao som da música…

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5- Convidar a oração pessoal de gratidão e de súplica, em silêncio: Sugere-se que cada um repita em silêncio as expressões de oração, se possível de olhos fechados: (o catequista reza cada expressão de fé e fica em silêncio para que cada um possa repetir em silêncio) - Jesus, dou-Te graças porque me mostras o Pai… - Jesus, dou-Te graças porque a tua vida revelou a desmesura do amor e da misericórdia do Pai… - Jesus, dou-Te graças porque estás sempre comigo, me dás força, iluminas e me salvas… - Jesus, dou-Te graças porque me convidas a viver no dinamismo do amor do Pai…

7- Convidar a escrever na mão: Fica para sempre comigo … 8- Concluir a oração… Vinde a mim, ó meu Jesus, que eu venha a vós. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, para a vida e para a morte. Creio em vós, espero em vós. Amo-vos. Assim seja. (Card. Rafael Merry del Val, in Vatican News)

6- Convidar a um diálogo (oração) «Jesus ofereceu-nos a sua própria oração, pessoal com Jesus: que é o seu diálogo de amor com o Pai. Propõe-se que se convide cada um a dirigir Concedeu-no-la como uma semente da a Jesus a sua oração, deixando um tempo de silêncio para que cada um se encontre com Trindade, que quer criar raízes no nosso coração. Ele. - Jesus, dou-Te graças… (cada um diga a Jesus… um obrigado por tantas coisas boas que é e tem…) – tempo de silêncio - Jesus, peço-Te... (cada um entrega ao Pai, ao Abba os seus pedidos…)- tempo de silêncio

Acolhamo-la!» Papa Francisco

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4…

Alimentar a vida de fé em família Nas mãos de São José Vida de oração testemunhada pelo Papa Francisco

Este texto do Papa Francisco propõe um jeito de rezar e de confiar as dificuldades a São José… É um CONVITE para as famílias…

«A Igreja encontra-se diante de uma “nova et«Repousar na oração é particularmente importante para as famílias. É, antes de tudo, na família que aprendemos como rezar. Não esqueçais: quando a família reza unida, permanece unida. Isto é importante. Nela chegamos a conhecer Deus, a crescer como homens e mulheres de fé, a considerar-nos como membros da família mais ampla de Deus, a Igreja. Na família, aprendemos a amar, a perdoar, a ser generosos e disponíveis e não fechados e egoístas.

Aprendemos a ir além das nossas próprias necessidades, para encontrar outras pessoas e partilhar as nossas vidas com elas. Por isso é tão importante rezar como família. Tão importante! É por isso que as famílias são tão importantes no plano de Deus para a Igreja. Repousar no Senhor é rezar, unidos em família. Queria ainda dizer-vos algo de pessoal. Amo muito São José, porque é um homem forte e silencioso. Na minha escrivaninha, tenho uma imagem de São José que dorme e, enquanto dorme, cuida da Igreja. Sim! Pode fazê-lo, como sabemos.

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E, quando tenho um problema, uma dificuldade, escrevo um bilhetinho e meto-o debaixo de São José, para que o sonhe. Este gesto significa: reza por este problema». Discurso do Papa Francisco, no encontro das famílias em Manila- 16 de Janeiro de 2015

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5… DOSSIER – CASA COMUM –

para a família

Laudato si um convite de Dom Manuel Linda Desde que o Papa Francisco nos alertou para a urgência de novas atitudes para com a natureza, com a publicação da Encíclica Laudato si, esta celebração universalizou-se e passou a entrar, mais autenticamente, no rol das nossas preocupações e vivências eclesiais. Como é sabido, para assinalar o quinto aniversário desta encíclica dedicada a uma temática absolutamente nova, o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, da Santa Sé, anunciou um ano celebrativo especial, de 24 de maio de 2020 a 24 de maio de 2021. Embora o contexto de pandemia acabasse por ofuscar muitas ações que poderiam constituir grandes e motivadoras notícias. Na Diocese do Porto, evidentemente, o tema também deu entrada no nosso Plano Pastoral. Nas “Emergências pastorais” refere-se, no nº 13, a necessidade do alargamento do “horizonte do nosso cuidado pela Casa Comum”, aliás, um dos quatro “Objetivos” para o ano de 2020/21, assim especificado: “Assumir a vocação de que Deus Pai e Criador nos confiou de guardiões da obra de Deus, como parte essencial de uma vida cristã virtuosa; acolher criativamente as propostas do Ano Laudato Si”. Por tudo isto, convido amigavelmente os Sacerdotes e Diáconos, os Institutos Religiosos e Seculares, as Associações, Movimentos e Obras e todo o Povo de Deus, mormente por intermédio dos seus organismos mais representativos – escolas, universidades, hospitais, empresas, famílias, comunicação social, administração, autarquias, associações culturais e desportivas, artistas, etc. - a celebrarmos este tempo da Criação com ações de sensibilização ambiental, reflexão sobre a interligação da pessoa com a natureza e, se possível, com a oração de louvor pela magnífica oferta que o Criador nos concedeu.

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Não faltam materiais para nos ajudar nesta vivência. Refiro, especialmente, os provenientes do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral (www.sowinghopefortheplanet.org/files/shftp_uploads/2020/6/Laudato_Si_Portuguese_compressed.pdf) ou da Comissão Ecuménica (seasonofcreation.org/ pt/about-pt). A nível local, entre nós, a Comissão Diocesana para o Ecumenismo (ecumenismodioceseporto.blogspot.com) já publicou válidas achegas.

E rezemos: “Senhor da Vida, durante este Tempo da Criação pedimos que nos deis coragem para guardar o shabat do nosso planeta. Fortalecei-nos com a fé para acreditarmos na Vossa providência. Inspirai-nos com a criatividade para compartilharmos aquilo que recebemos. Ensinai-nos a satisfazer-nos com aquilo que é suficiente. E enquanto proclamamos um Jubileu pela terra, enviai o Vosso Espírito a renovar a face da criação. Nós Vo-lo pedimos em nome de Jesus Cristo que veio proclamar a boa-nova para toda a criação”. Porto, 27 de agosto de 2020 Dom Manuel Linda

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CAMINHADA ECOLÓGICA Esta proposta disponibiliza material para: uma caminhada ecológica que a realizar com adolescentes ou famílias. Poderá ser adaptada para a infância

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“Todo o universo material é uma linguagem do amor de Deus, do seu carinho sem medida por nós. O solo, a água, as montanhas: tudo é carícia de Deus” Papa Francisco, Encíclica Louvado Sejas (84)

Preparação: Definir um percurso que tenhamos referenciado como necessário (recomendável) para fazer recolha lixo e que possa, preferencialmente, estar próximo de uma zona florestal. Podemos optar por um trilho, caminho pedestre de acesso a zona lazer ou área florestal, parque lazer/ merendas ou caminho de circulação/ utilização pedonal regular. Mas também o podemos fazer numa zona urbana, privilegiando espaços onde possamos conciliar a ação de recolha de lixo com áreas, próximo de espaços arborizados, jardim, para proporcionar encontro de reflexão.

Nesta dinâmica os adolescentes / jovens são desafiados a “levantar-se” e sair para fora do habitual (casa, rotinas, espaço de conforto) com o propósito de fazer caminho exterior e interior, numa ação cuja proposta é sair para o exterior: organizar uma pequena caminhada com intuito de efetuar recolha de lixo, interpelados (convocados) pela Encíclica Materiais: “Laudato Si” do Papa Francisco. • Sacos para o lixo Esta é uma dinâmica de intervenção para • Cada participante trazer luvas de prefazer em família, como comunidade, numa iniciativa do grupo de catequese como propos- ferência de jardinagem • Caixas pintadas de cada cor da separata dos catequizandos adolescentes a envolver ção / reciclagem as suas famílias. • Papéis com as citações para colocar nas caixas

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Desenvolvimento: Começamos por juntar o grupo num ponto de partida que possa ser sugestivo para o início caminho: espaço agradável, com paisagem no horizonte que possa impactar/ provocar reação para a ação e o propósito de Cuidar Casa Comum que nos reúne como desafio para o caminho… PONTO PARTIDA À saída: (criar ambiente para que possamos fazer um pequeno momento de acolhimento descontraído) Viemos hoje ao encontro para fazer caminho… e não viemos de ânimo leve! Hoje o caminho que propomos fazer é ecológico, numa lógica de ecologia integral, mas também com o propósito de recolher o que polui, suja e descarateriza o ambiente imenso de beleza, que a natureza tão simplesmente nos proporciona! Encontramo-nos aqui neste lugar de encontro - (numa elevação, numa localização abrangente do horizonte) - que nos faz estar

mais próximos, mas também numa perspetiva que nos permite distância e, ao mesmo tempo, maior abrangência no olhar para poder observar e assim contemplar as maravilhas da natureza. Fazemo-lo como quem se levanta para sair, imbuídos de sentido para o caminho. Um sentido cristão, do cuidado comum, da preocupação pelo bem estar, da responsabilidade pelo que nos rodeia, da atenção pelo que precisamos de reparar, da sensibilização pelo mal que possamos evitar e pelo exemplo que podemos demonstrar na defesa do bem, que tanto precisamos para o equilíbrio saudável do universo e humanidade. Vamos então, neste encontro de partida, preparar-nos para uma caminhada diferente e desafiadora, em que nos apresentamos dispostos, como “guardiões”, a proteger a nossa “Mãe Terra” : “Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspecto secundário da experiência cristã, mas parte essencial duma existência virtuosa”. (LS, 217) Preocupados com o cuidado da Casa Comum, determinados a reparar o mal, escuta-

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mos este apelo do Papa Francisco, citando o Papa Bento XVI, na Encíclica Louvado Sejas, que ao longo do caminho também nos vai acompanhar e desinstalar na coragem da conversão e ousadia da transformação: “Se «os desertos exteriores se multiplicam no mundo, porque os desertos interiores se tornaram tão amplos», a crise ecológica é um apelo a uma profunda conversão interior”. (LS, 217)

lixo que encontrarem para os sacos, numa entreajuda colaborativa.

Desafio: No caminho também vão encontrar umas caixas, com a cor correspondente de cada grupo, que sempre que as encontrarem devem juntar-se, ver o que tem dentro, refletir, aprofundar e debater o que nos é proposto… (No percurso da caminhada serão colocadas 3 caixas com as cores da reciclagem, que DINÂMICA DE PARTIDA A proposta, conforme a quantidade de par- os adolescentes devem encontrar e depois ticipantes, passa por formar 3 grupos, consi- refletir em grupo com propostas sobre citaderando as cores e as dinâmicas associadas à ções da Encíclica Louvado Sejas) separação lixo e reciclagem – Amarelo (Metal Ver anexo com citações Encíclica Louvado Sejas / Plástico) - Azul (Papel) – Verde (Vidro) Para a formação dos grupos, os particiEM SAÍDA pantes podem retirar, de forma aleatória, um Depois de constituídos os grupos, agrupapequeno bilhete com imagem/ elemento lixo dos pela sua cor, preparamo-nos para o início a reciclar ou uma imagem de cada uma das caminhada… cores contentores/ cestos reciclagem. Neste início de caminho, (até encontrar a COMO FAZER: 1º caixa) vamos refletir de que modo podeA dinâmica de caminho será feita em con- mos realizar esta conversão interior, que me junto por estes pequenos grupos que, en- permita reconciliar com a “Mãe Terra”. quanto caminham, vão fazendo a recolha do Para isso devemos examinar as nossas vi-

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Entretanto e nesta sequência criamos ambiente para um momento conclusivo de reflexão, procurando avaliar aquela que desejamos ser a nossa relação/ comportamento ecológico: • Que tipo de mundo queremos? • Como devemos comportar-nos com o universo? • Que tipo de relação desejamos uns com os outros no cuidado que devemos ter, enquanto comunidade, no cuidado desta casa Assim começamos a nossa caminha- comum que é responsabilidade de todos? • Como devemos cuidar do nosso espada ecológica… Nota: Durante o caminho teremos um ço? Agitador para provocar a reflexão no grupo. MOMENTO PARTILHA Coloca algumas questões para desinstalar e Pede-se aos grupos que façam eco das ciassim provocar debate, troca de opiniões e perceber o que podemos fazer pelo bem e tações Encíclica Louvado Sejas que refletiram durante o caminho, aspetos que queiram desdefesa da Casa Comum. Chegados ao fim do caminho, descansamos tacar… Depois é proposto que façam partilha da e fazemos a avaliação/ contabilização do lixo experiência… a partilha que pode revelar recolhido… Aprendemos, comentamos, um pouco das aquelas que foram as dores, descobertas, alegrias do caminho! boas práticas e modelos de reciclagem. das e reconhecer de que modo ofendemos a criação de Deus com as nossas ações e com a nossa incapacidade de agir. Durante o caminho refletimos interiormente (em silêncio) e partilhamos com o nosso grupo o que podemos reciclar, nas nossas ideias, convicções, gestos e atitudes, e como o devemos fazer. Pede-se que possamos ser concretos, objetivos, no que podemos e devemos reciclar.

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Para a reflexão final “O Papalagui tem uma maneira de pensar particularmente confusa. Está sempre a ver como é que isso lhe poderá ser útil ou darlhe certos direitos. Não se preocupa em pensar nos homens em geral, mas apenas num, o qual acaba sempre por ser ele próprio. Quando um homem diz: «A minha cabeça é minha e de mais ninguém!» tem razão, tem muita razão, e contra isso não terá nada a objectar. Aquela a quem uma mão pertence, será quem mais direitos tem sobre ela. Até aqui estou de acordo com o Papalagui. Mas ele também diz: «A palmeira é minha!», só porque ela cresce, por acaso, diante da sua cabana. Como se tivesse sido ele a fazê-la crescer! Nunca a palmeira poderá pertencer-lhe, nunca! A palmeira é a mão que Deus nos estende, através da terra; Deus tem muitas mãos. Cada árvore, cada erva, o mar, o céu e as nuvens são outras tantas mãos de Deus. Podemos tocar-lhes e regozijar-nos com isso, mas lá por isso não temos o direito de dizer: «A mão de Deus é a minha mão!» No entanto é isso que o Papalagui faz. Excerto Livro PAPALAGUI

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(Trata-se de uma colecção de discursos de um chefe aborígene samoano de Tiavéa da ilha de Upolu, e descreve a sua visão sobre o europeu em um período anterior à Primeira Guerra Mundial. O Papalagui é um termo samoano que traduzido literalmente significa aquele que furou o céu, uma alusão ao homem branco, ou,o europeu). DESAFIO FINAL Concluímos com um desfio: cada um publica nas redes socais uma foto do local ou de algo que lhe faça sentido sobre algum dos momentos que vivenciou ao longo da caminhada. Pode ser com uma citação, expressão de um sentimento ou até um descontentamento do que encontrou ou sentiu pelo caminho da experiência que teve. Sugerir e acompanhar as publicações com hastegs Exemplo: #caminhdaecologica #louvadosejas


MOMENTO ORAÇÃO Podemos acabar com oração Antes de regressar façamos deste também um momento de louvor… Falar da vida é, necessariamente, falar da Criação de Deus! Por isso, quando a gente olha a biodiversidade do nosso planeta, é impossível não agradecer a Ele por manifestar Seu amor por nós, por meio da gigante riqueza do mundo natural. Pensando nisso, evoquemos juntos a oração de São Francisco de Assis, em louvor pela Criação:

Louvado sejas, meu Senhor, com todas as tuas criaturas, especialmente o meu senhor irmão sol, o qual faz o dia e por ele nos alumia. E ele é belo e radiante com grande esplendor: de Ti, Altíssimo, nos dá ele a imagem. Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã lua e pelas estrelas, que no céu formaste claras, preciosas e belas. Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão vento pelo ar, pela nuvem, pelo sereno, e todo o tempo, com o qual, às tuas criaturas, dás o sustento. Louvado sejas, meu Senhor, pela irmã água, que é tão útil e humilde, e preciosa e casta. Louvado sejas, meu Senhor, pelo irmão fogo, pelo qual iluminas a noite: ele é belo e alegre, vigoroso e forte. (Cântico da Criação – S. Francisco de Assis)

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Material… PARA O CAMINHO Excertos da Carta Encíclica “Louvado Sejas” - Papa Francisco

“necessidade de cada um se arrepender do próprio modo de maltratar o planeta, porque «todos, na medida em que causamos pequenos danos ecológicos», somos chamados a reconhecer «a nossa contribuição – pequena ou grande – para a desfiguração e destruição do ambiente» (…) Porque «um crime contra a natureza é um crime contra nós mesmos e um pecado contra Deus»”. (Louvado Sejas, 8)

“A destruição do ambiente humano é um facto muito grave, porque, por um lado, Deus confiou o mundo ao ser humano e, por outro, a própria vida humana é um dom que deve ser protegido de várias formas de degradação. Toda a pretensão de cuidar e melhorar o mundo requer mudanças profundas «nos “Precisamos de um debate que nos una a estilos de vida, nos modelos de produção e todos, porque o desafio ambiental, que vivede consumo, nas estruturas consolidadas de mos, e as suas raízes humanas dizem respeito poder, que hoje regem as sociedades»” e têm impacto sobre todos nós. (…) (Louvado Sejas, 5) As atitudes que dificultam os caminhos de solução, mesmo entre os crentes, vão da negação do problema à indiferença, à resignação acomodada ou à confiança cega nas soluções técnicas. Precisamos de nova solidariedade universal.(…) Todos podemos colaborar, como instrumentos de Deus, no cuidado da criação, cada um a partir da sua cultura, experiência, iniciativas e capacidades.” (Louvado Sejas, 14)

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“somos chamados a tornar-nos os instrumentos de Deus Pai para que o nosso planeta seja o que Ele sonhou ao criá-lo e corresponda ao seu projecto de paz, beleza e plenitude. O problema é que não dispomos ainda da cultura necessária para enfrentar esta crise e há necessidade de construir lideranças que tracem caminhos, procurando dar resposta às necessidades das gerações actuais, todos incluídos, sem prejudicar as gerações futuras”. (Louvado Sejas, 53) “quero mostrar desde o início como as convicções da fé oferecem aos cristãos – e, em parte, também a outros crentes – motivações altas para cuidar da natureza e dos irmãos e irmãs mais frágeis. Se pelo simples facto de ser humanas, as pessoas se sentem movidas a cuidar do ambiente de que fazem parte, «os cristãos, em particular, advertem que a sua tarefa no seio da criação e os seus deveres em relação à natureza e ao Criador fazem parte da sua fé»” (Louvado Sejas, 64)

“Um regresso à natureza não pode ser feito à custa da liberdade e da responsabilidade do ser humano, que é parte do mundo com o dever de cultivar as próprias capacidades para o proteger e desenvolver as suas potencialidades”. (Louvado Sejas, 78) “O meio ambiente é um bem colectivo, património de toda a humanidade e responsabilidade de todos. Quem possui uma parte é apenas para a administrar em benefício de todos. Se não o fizermos, carregamos na consciência o peso de negar a existência aos outros”. (Louvado Sejas, 95)

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«Viver a vocação de guardiões da obra de Deus não é algo de opcional nem um aspeto secundário da experiência cristã, mas parte

essencial duma existência virtuosa». Laudato Si, 217

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6… Ao ENCONTRO arte e espiritualidade As cerejas de S. José para contemplar e suplicar

Federico Barocci, nascido na atual Itália no ano de 1535, foi uma das figuras que expressou a corrente artística que será denominada, de maneira subtilmente depreciativa, de “maneirismo”. Na verdade, a tela que proponho atesta o apuro deste estilo, que sabe criar um encanto paisagístico em cujo interior respira livremente uma doce atmosfera familiar.

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“Nossa Senhora das cerejas” Federico Barocci (1528-1612) Museus do Vaticano

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O motivo desta pintura está indiretamente ligado ao Evangelho de Mateus. Nele, com efeito, faz-se referência à advertência angélica dirigida a José para se transferir para o Egito, para evitar ao Menino o massacre que Herodes tinha ordenado para os recém-nascidos de Belém: «José levantou-se de noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito, permanecendo ali até à morte de Herodes». Serão os evangelhos apócrifos a constelar de acontecimentos felizes e prodigiosos a viagem da família refugiada, e Barocci refere-se a este repertório imagético através do seu quadro de 1,33 x 1,10 metros, pontuado por múltiplos aspetos poéticos e simbólicos. Antes de tudo está ela, a delicada e graciosa Maria, colhida num gesto quotidiano como o de extrair água de um regato com uma pequena taça; absorta no seu ato, parece na sua compostura quase ritual aludir, através do seu gesto, à concha com que João Batista recolherá a água batismal do Jordão e a derramará sobre a cabeça de Cristo. Mas, em segundo plano, como compete à sua função de pai somente legal, está também José, que da árvore arranca um ramo de cerejas de cor vermelho-rubi, precisamente como o sangue que Cristo derramará na cruz, e o chega ao pequeno sorridente e alegre, que estende a sua mãozinha, guloso como qualquer criança. É por este particular pitoresco que a tela é popularmente conhecida como a “Nossa Senhora das cerejas”. Por fim, há um quarto ator, afastado em relação à Santa Família: é o modesto burrico, que volta a sua cabeça para contemplar a cena, consciente de participar como intermediário material da salvação, mas também como prefiguração daquele burro – que era a montada dos reis em tempo de paz – destinado a suster Cristo durante a sua entrada triunfal em Jerusalém, no limiar da última semana da sua vida terrena. Sob esta pacífica e deliciosa cenografia de uma experiência familiar quotidiana, o pintor

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consegue estender um anagrama simbólico respeitante à figura divina de Cristo. É, provavelmente, por isso que também aquele pão que desponta do alforge dos três refugiados, colocado aos pés de Maria, pode elevar-se até a um aceno eucarístico. Mais uma vez se confirma que a Bíblia permanece o grande léxico iconográfico – para usar uma locução do poeta francês Paul Claudel – que durante séculos foi desfolhado pelos artistas. Card. Gianfranco Ravasi Presidente do Consleho Pontifício da Cultura In Le meraviglie dei Musei Vaticani, ed. Mondadori Publicado no SNPC Imagem: “Nossa Senhora das cerejas” (det.) | Federico Barocci | Museus do Vaticano

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7…

Boas Notícias

XVI JORNADAS CATEQUÉTICAS

para uma catequese missionária / querigmática / catecumenal / mistagógica De 9 a 15 de julho 2021, realizaramse as XVI JORNADAS CATEQUÉTICAS. As mesmas disponibilizaram 6 PERCURSOS e 2 ENCONTROS FORMATIVOS, proporcionando um espaço de formação/reflexão/práticas catequéticas nos termos do Diretório para a Catequese, da carta pastoral: Catequese: a alegria do encontro com Jesus Cristo e das orientações do Plano Pastoral da Diocese.

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PROGRAMA 9, 12 e 14 de julho 2021– das 21 às 23h Percurso FORMATIVO -1A opção missionária no Novo Diretório: como gerar processos de iniciação à fé com os pais e na família - Projetar a tarefa catequética no horizonte da missão e da evangelização - Descobrir que edificação e missão são duas direções de um único movimento de evangelização - Gerar processos de iniciação à fé com/dos/para os pais Orientado por Sérgio Leal Percurso FORMATIVO -2Batismo: assumir um estilo de vida e de missão - O Batismo: dos fundamentos à atualidade - A vida Batismal na vida do crente: da água ao sangue - A vida Batismal na formação catequética: do sangue à água Orientado por Alexandre Freire Duarte Percurso FORMATIVO -3A catequese na, com e da família, no Novo Diretório: implicações práticas - Compreender o lugar e a importância da família nos processos de iniciação à fé - Procurar caminhos/projetos/pedagogias que possibilitem assumir em corresponsabilidade - família, comunidade e catequese- a iniciação à plenitude da vida cristã - Abrir-se e implicar-se nas “novas periferias” onde nos esperam as famílias Orientado por Isabel Oliveira 10, 13 e 15 de julho 2021 – das 21 às 23h Percurso FORMATIVO -4Introdução à fé – itinerários do crer na Sagrada Escritura - Do ver ao crer: o catecumenado no evangelho de Marcos - O percurso da fé de Pedro no Novo Testamento - O percurso da fé de Paulo Orientado por José Carlos Carvalho

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Percurso FORMATIVO -5Espiritualidade e acompanhamento espiritual: um desafio para as comunidades cristãs - Fazer uma aproximação ao conceito de espiritualidade - Identificar e aprofundar a espiritualidade cristã - Perceber a importância da vida espiritual como meio de crescimento da fé - Acompanhar o desenvolvimento e crescimento da vida espiritual nas comunidades cristãs - A partir do chamamento universal à santidade descobrir a vocação específica em Igreja Orientado por Abel Canavarro Percurso FORMATIVO -6A adolescência: conhecer, compreender e comunicar de forma colaborativa e consciente - Conhecer os desafios da adolescência - Desenvolver competências comunicacionais colaborativas e conscientes - Explorar estratégias potenciadoras da relação catequista-catequizando Orientado por Mónica Soares 10 de julho 2021 – das 9.30 às 13h Encontro FORMATIVO -7O que a Pandemia nos recorda sobre a transmissão de fé - Identificar as principais implicações da Pandemia para a vida eclesial - Analisar criticamente as soluções que foram ensaiadas em contexto de crise - Identificar as “virtualidades” do ser-humano Orientado por Luís Miguel Rodrigues Encontro FORMATIVO -8JMJ ( Jornadas Mundiais da Juventude): uma oportunidade de renovação - Entender as JMJ e as suas implicações - Vivência na Diocese do Porto - JMJ para além do evento Orientado por André Machado - COD

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Marcadas pelas consequências da pandemia e pela urgência de uma conversão missionária da catequese, as Jornadas Catequéticas tiveram presentes as palavras do nosso Bispo, Dom Manuel: «Só [a conversão do nosso coração e da nossa mentalidade] nos permitirá criar comunidades missionárias que não passem a vida a repetir indefinidamente o que sempre se fez, mas a «fazer» evangelicamente o que há que fazer neste nosso tempo. E, hoje, temos de ser uma Igreja “fora de portas”, uma “Igreja na rua”1». Neste espírito, as jornadas abordaram algumas das temáticas centrais dos últimos documentos do Magistério, da preparação do grande acontecimento que são as JMJ e tiveram em conta a situação particular que se vive, hoje, nas comunidades cristãs devido à pandemia. Pela primeira vez, realizadas online, estas XVI Jornadas geraram um ambiente de partilha de dificuldades e de boas notícias, de motivação e de esperança. Uma experiência de comunhão eclesial em que, se somarmos as presenças em cada uma das formações, contamos 553 participações de todas as dioceses, de Angola, da Bélgica e da Suíça.

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Novo projeto Para que as jornadas não sejam um momento isolado, a partir de outubro será criado um processo de acompanhamento de práticas catequéticas (Projeto «vinde e vereis, ide e vivei») de forma a que, as propostas enunciadas ganhem corpo, levando à prática as orientações do novo Diretório para a Catequese. Trata-se de um espaço para rezar, partilhar testemunhos, fazer formação, criar processos, realizar atividades/projetos e produzir materiais de modo a criar sinergias. Procurar-se-á assumir criativamente e na comunhão eclesial a missão de iniciar à plenitude da vida cristã, ajudando os catequistas a: - experimentarem um percurso de conversão pessoal e de missão com outros catequistas; - assumirem a sua missão junto das famílias/catequizandos (com, na e da família), na comunidade propondo processos e suscitando sinergias; - implementarem uma catequese missionária, de inspiração catecumenal e mistagógica em que se experimenta a alegria do ENCONTRO com Jesus Cristo e se professe, celebre, viva e reze em comunidade.

As dificuldades próprias desta missão assim como a complexidade da realidade que vivemos hoje, supõe que os catequistas se unam para escutar o Espírito, para partilharem dificuldades e intuições e, sobretudo, para viverem a missão em comunidade, rezando, motivando-se e ajudando-se mutuamente. A missão catequética é uma tarefa de toda a COMUNIDADE. Uma comunidade que testemunha a Boa Notícia que vive e proclama. Uma comunidade de irmãos/família que se entreajuda na complexa tarefa de comunicar o evangelho. Sem esta comunhão de vida e missão dificilmente responderemos aos desafios do nosso tempo. Fazemos votos de que as XVI Jornadas Catequéticas tenham reforçado, em cada participante, a sua identidade de discípulos do Mestre, rosto e porta voz da Igreja, impelidos pelo Espírito a viver, fraternalmente, a missão para melhor responder aos desafios colocados pela realidade pós pandémica e pelo novo Diretório para a Catequese… Equipa do SDEC Dom Manuel Linda, Projeto Pastoral para 2018/2019,

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Diocese do Porto.

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Pandemia:

vento que descerra janelas

Desde março de 2020 o mundo enfrentouse com uma pandemia global que alterou profundamente a paisagem humana, social e económica. Perante a complexidade dos desafios, as nações, assim como cada ser humano, procuraram enfrentar a situação e dar resposta às necessidades na medida das suas possibilidades. O confinamento e as regras sanitárias confrontaram a catequese com o fecho das Igrejas e das salas de catequese, com a ausência de relações de proximidade e encontros comunitários presenciais.

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Perante a situação, os vários centros de catequese/catequistas adotaram posturas diferentes: - uns pararam toda a sua atividade e deixaram de contactar os catequizandos e suas famílias; - outros timidamente foram mantendo o contacto através das redes sociais, sugerindo atividades a realizar em família; - outros ainda, lançando-se à descoberta das ferramentas digitais recriaram a catequese, aprofundaram os laços com as famílias e viveram juntos o processo de iniciação à vida na fé.


Estes últimos, em geral, testemunharam alegria de verem muitas famílias integrarem os encontros de catequese, rezando, lendo a Palavra, refletindo, cantando… Uma experiência que quebrou medos e suscitou o desejo de prosseguir o caminho de comunhão catequese/família no processo catequético. Sementes que deverão ser agora cuidadas para que germine o fruto. Para o SDEC, a pandemia suscitou a criação de novos métodos, linguagens e temáticas que possibilitaram experiências de fé, a descoberta de novas ferramentas e didáticas no mundo digital. Foram para isso criados novos percursos formativos online. A grande surpresa revelou-se no aprofundamento da dimensão comunitária do SER CATEQUISTA. Os encontros semanais e mensais, quer para a formação web/catequética, quer para o Say Yes, geraram proximidade, comunhão e partilha. Foram encontros orantes, de meditação da Palavra, de reflexão catequética, de aquisição de práticas e técnicas, de experiências e de partilha de vida, testemunhos… Para muitos, esta comunidade na rede era a presença aguardada na solidão do confinamento! Experimentou-se a alegria de ser irmãos, além das limitações geográficas, tornando palpável a noção de catolicidade. O ecrã aproximou catequistas de todas as dioceses e de vários países (Bélgica, Suíça, Angola, Cabo Verde, Alemanha…).

A mesma experiência foi vivida no seio da equipa do SDEC. Multiplicaram-se os encontros, os tempos de trabalho em equipa. A urgência da realidade fez surgir novas ferramentas, novos materiais, novas formas de comunicar e suscitou espaços de reflexão. A alegria da entrega e paixão pela missão, a cumplicidade, o jeito de acolher e o testemunho da proximidade e amizade entre os membros conquistou mais «trabalhadores para a messe» e a equipa cresceu! Para que esta caminhada fosse possível, a oração e a leitura da Palavra esteve no centro de toda a atividade. Por isso, experimentamos, hoje, uma profunda gratidão pelo amor do nosso Deus que SEMPRE nos deu a mão e foi à nossa frente… assim como por todos aqueles que nos motivaram, confiaram em nós, apoiaram… incentivaram… de modo especial o nosso Bispo Dom Manuel e o Dom Armando. Fica-nos entre mãos, novas experiências e novos projetos, que nascerão nos próximos tempos como, por exemplo, o acompanhamento sistemático dos catequistas que desejam aventurar-se na relação com as famílias no seu caminho de fé e na sua missão educativa, integrando-as na vida comunitária. Equipa do SDEC

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Say Yes – NO CAMINHO DA JMJ

No início do ano pastoral 2019/20 foi apresentado pelo Sector da Catequese do Patriarcado de Lisboa uma proposta para a catequese com adolescentes, tendo em vista a preparação da Jornada Mundial da Juventude ( JMJ), anunciada para Portugal, no ano de 2023. Esta proposta foi apoiada pelo Secretariado Nacional de Catequese e disponibilizada a todo o país e o seu desígnio é Say yes: aprender a dizer sim. Esta proposta valoriza o caminho de discernimento da própria vocação como resposta ao chamamento de Deus, expresso no seu título “Say yes: aprender a dizer sim”. Procura uma pedagogia projetual de evangelização e de serviço, na qual os adolescentes serão co -protagonistas, juntamente com os catequistas e outros intervenientes em dinamismo de abertura ao Espírito Santo, “alma da missão”. O projeto Say yes segue, em traços gerais, a história da JMJ nas suas diversas etapas. Em cada ano pastoral são propostas algumas

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etapas. Em cada etapa é abordada uma das edições desta extraordinária Jornada de encontro dos jovens de todo o mundo. Um encontro imenso de peregrinação dos jovens, vindos de todas as partes do mundo, com Cristo, o Papa, em Igreja, como comunidade sem fronteiras e estereótipos, espontâneo de uns com os outros no imenso amor do Pai. Desde o lançamento e implementação do “Say yes: aprender a dizer sim”, que o SDEC da Diocese Porto optou por fazer formação contínua aos catequistas que o adotaram como modelo de catequese para a adolescência nas suas paróquias. Em cada uma das formações é apresentada uma etapa, seus objetivos, suas dinâmicas, partilhadas propostas, métodos, iniciativa de envolvimento dos adolescentes e suas famílias nesta inspiradora corrente de caminho para a próxima JMJ em Portugal. Neste ano pastoral nas formações do SDEC Porto, além de apresentar cada etapa, foi-se apresentado também algumas propostas diferentes que ajudam a concretizar cada etapa. A primeira etapa deste ano pastoral foi a etapa 6 sobre a JMJ de Manila, realizada em 1995, com o tema “Como o Pai me enviou também eu vos envio a vós.”. Na formação desta etapa além de ter sido apresentado o plano geral do ano, foi também sugerido para


cada encontro desta etapa dinâmicas alternativas que poderiam ser usadas nos seus encontros para tornar os encontros de catequese mais dinâmicos. Destaque-se também a apresentação de três projetos para trabalhar e impulsionar a ação dos catequistas: o projeto de vida «A partir de Betânia», que envolve o compromisso pessoal do catequista/grupo/adolescente; o projeto «De Jericó a Jerusalém» que é um projeto ao serviço da caridade e da comunidade/fraternidade; e o projeto «Sicar», para viver em fraternidade que envolve a família e a comunidade. No advento foi proposto pelo projeto Say yes que os grupos trabalhassem um dos símbolos das JMJ: o ícone Nossa Senhora Salus Populi Romani. Nas formações do SDEC foi proposto aos catequistas um esquema de Palavra Orante sobre o ícone para melhor ajudar os catequizandos a compreender e interpretar o ícone. No início do segundo período apresentamos a etapa 7 sobre a JMJ de Paris, realizada em 1997, com o tema “Mestre onde moras? Vinde e vereis”. Nesta formação continuouse a trabalhar os projetos que tinham sido apresentados na etapa 6. Note-se que no projeto Say yes um dos objetivos é: “Comprometer-se, em Igreja, no anúncio do amor de Deus aos outros pelo serviço e pela missão”. Assim, pretende-se que cada adolescente se envolva pessoalmente no serviço aos outros e nesta etapa foi apresentado aos catequistas um projeto de serviço e missão desenvolvido por um grupo de catequese da paróquia de Arada como exemplo de projeto possível a ser desenvolvido pelos grupos Say yes. A meio do segundo período foi apresentada a etapa 8 que se debruçou sobre a JMJ de Roma no ano Jubileu 2000, com o tema «E o verbo se fez carne e habitou entre nós». Esta etapa teve como subtema “Honrar a Deus com o nosso corpo”. Para ajudar a

concretizar o subtema foi sugerido dois vídeos para serem utilizados no encontro sobre reconhecer a nossa experiência de vida que ajudavam os adolescentes a clarificar este subtema. Para finalizar o ano foi apresentada a etapa 9 que se realizou em Toronto, no ano 2002 e que teve como tema: «Vós sois o sal da terra… Vós sois a luz do mundo». Esta etapa começava pela visualização do filme: “Dos homens e dos Deuses”. Na formação foram sugeridos vídeos alternativos sobre cristão no mundo para os grupos que não conseguiam visualizar o filme. Também foram dadas sugestões de dinâmicas alternativas para dinamizar os outros encontros. Luísa Sá

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Say Yes – UM PROJETO DE EVANGELIZAÇÃO / SERVIÇO projetos de diaconia

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No âmbito da proposta de catequese para a adolescência - Say yes - é sugerido que se desenvolva um projeto de “evangelização e de serviço, no qual os adolescentes serão co-protagonistas, juntamente com os catequistas e outros intervenientes em dinamismo de abertura ao Espírito Santo, «alma da missão»”. Esta pedagogia de projeto tem por objetivo “uma vinculação estreita entre o processo catequético e a transformação das realidades humanas, tanto da vida pessoal, como das relações com o meio envolvente (pessoas, comunidade, instituições), mediante o serviço generoso e a missão evangelizadora”. Com a pandemia, as consequentes restrições, distanciamento, cautelas para salvaguarda de todos, implementar estes projetos tornou-se difícil para maior parte dos catequistas.

No entanto, alguns fizeram um esforço e conseguiram. Partilhamos aqui alguns desses exemplos como inspiração para todos. Na paróquia de Rebordosa, Vigararia de Paredes, o ano catequético terminou com uma ação ecológica dos jovens do Say yes, que assim se propuseram a fazer limpeza de um parque de merendas existente naquela freguesia. Os catequistas quando propuseram este projeto pretendiam sensibilizar os jovens para a preservação da Natureza. Os jovens gostaram muito da experiência e conseguiram deixar o espaço muito mais limpo e convidativo para a comunidade usufruir dele.

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Na paróquia de Santa Marinha de Astromil, Paredes, no grupo catequese Say yes foram realizados vários projetos ao longo do ano. Em Novembro fizeram recolha de roupas e brinquedos para entregarem num centro de Acolhimento. Em Janeiro concretizaram a recolha de mochilas para enviar para Moçambique, pois o ano letivo neste país africano começa em Fevereiro.

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Como projeto final do ano catequético fizeram a recolha de tampinhas para o jovem Hugo de Lordelo.

Além disso, todas as propostas apresentadas pela Pastoral Juvenil da Diocese Porto para os dias 23 de cada mês, no âmbito da preparação para a JMJ Portugal, mereceram o envolvimento dos adolescentes desta paróquia. Tal como proposto para Julho, no fim de semana do dias dos avós, surpreenderam os idosos da sua paróquia à saída das Eucaristias com uma flor e um postal, bem como andaram pela sua freguesia a distribuir por aqueles que estão mais isolados. Na paróquia de Santa Maria de Lamas, em Santa Maria da Feira, um dos grupos Say yes tinha começado vários projetos no primeiro ano do percurso, proporcionando ao grupo catequese que cada jovem escolhesse o projeto com o qual mais se identificava. Com a pandemia e devido a todas as limitações houve projetos que tiveram de ser suspensos, no entanto permaneceram envolvidos num projeto que foi possível manter.

No primeiro ano, ao observar e constatar o que os rodeava, aperceberam-se de uma jovem invisual que vivia isolada com a sua mãe. Não recebia visitas, nem saía de casa, algo que ela gostava muito de fazer. Começaram a visitá-la, fizeram uma surpresa pelos anos dela. Levaram-na a passear. Com a pandemia algumas das coisas deixaram de poder ser feitas, mas mantiveram o contacto com essa jovem através de telefonemas. Entretanto, quando as restrições para suster covid-19 aligeiraram, foram visitá-la, mesmo sendo um grupo muito mais restrito, conseguiram diminuir, mesmo em tempo pandemia, o isolamento que esta jovem vivia. Em Fiães, um dos grupos Say yes tinha iniciado um projeto de interação com duas instituições de idosos e com duas instituições de acolhimento de crianças. Este ano continuaram com esse projeto. Foi necessário algumas adaptações, mas conseguiram. Prepararam uma festa de Natal para os idosos e outra para as crianças. Para propor-

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cionar as festas e uma vez que não era possível visitar as instituições, foram realizadas por videoconferência. Na relação com uma das instituições, convidaram os jovens a estarem presentes num encontro de catequese, que também foi feito através de videoconferência. Na Páscoa foi também desta maneira que procederam para assinalar este tempo tão importante para os cristãos. Os grupos de 9º ano de catequese da paróquia de São Martinho de Bougado, Trofa, que também estão no Say yes concretizaram dois projetos durante este ano. Antes do natal foram desafiados pelos catequistas a serem uma luzinha de esperança para os idosos de um lar. Foi pedido aos jovens que gravassem uma pequena mensagem de vídeo, com palavras, da sua autoria, de esperança e incentivo para os idosos que estavam no lar e não recebiam visitas. Para aqueles que não se sentissem tão à vontade foi sugerido que, não desejando aparecer no vídeo, escolhessem uma imagem. Depois de recolhidas as mensagens dos jovens foram criados pequenos vídeos individuais e personalizados para cada um dos utentes do lar. E a seguir foram enviados para a direção do lar, a quem coube a responsabilidade de proporcionar que estas inspiradoras mensagens de esperança pudessem ser apresentados a cada um dos idosos.

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Depois da Páscoa foi apresentado aos jovens o caso da Marta, que é uma jovem que teve um acidente e ficou sem andar. Através da recolha de tampinhas é possível pagar algumas das suas sessões de fisioterapia, muito importantes na sua recuperação. Sensibilizados, comprometeram-se a recolher tampinhas para poder ajudar a Marta. Essas tampinhas serão entregues à Marta em setembro. Luísa Sá »»» Nota Se desejar aceder a um dos artigos em suporte word envie o seu pedido para portosdec@gmail.com.


Oração ao Criador Senhor e Pai da humanidade, que criastes todos os seres humanos com a mesma dignidade, infundi nos nossos corações um espírito fraterno. Inspirai-nos o sonho de um novo encontro, de diálogo, de justiça e de paz. Estimulai-nos a criar sociedades mais sadias e um mundo mais digno, sem fome, sem pobreza, sem violência, sem guerras. Que o nosso coração se abra a todos os povos e nações da terra, para reconhecer o bem e a beleza que semeastes em cada um deles, para estabelecer laços de unidade, de projetos comuns, de esperanças compartilhadas. Amen. Papa Francisco Fratelli Tutti


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