A MENSAGEM | 437 | Janeiro / Fevereiro / Março / Abril 2021

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ANO LXIV | JAN. FEV. MAR. ABR. 2021 | REVISTA QUADRIMESTRAL

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INICIAR À VIDA NA FÉ missão da comunidade / família

integrar a família na planificação do ano catequético

«Fazer das famílias não apenas destinatárias de solicitude pastoral, mas sujeitos e protagonistas da evangelização, de modo que se tornem famílias missionárias». Plano Pastoral


Ficha Técnica Propriedade Secretariado Diocesano de Educação Cristã

Contribuinte: 501186697 Número de Registo ERC: 104950 Sede do Editor e Redação Rua Arcediago Van Zeller, 50 4050-621 Porto

Diretora: Maria Isabel Azevedo de Oliveira Contacto: 226.056.037 das 14.00h às 17.00h Site do Secretariado: www.catequesedoporto.com E-mail: portosdec@gmail.com Design Gráfico e Paginação: Eugénio Pinto Desenhos e Imagens: Coleção particular e outros Depósito Legal: nº 1926/83


Índice Pórtico ............................................................................................................................................................................ 04 1ª Palavra ...................................................................................................................................................................... 05 1… OLHAR catequético | propostas .................................................................................................... 06 iniciar à vida na fé | missão da família / comunidade – Catequese NA família: Novo Diretório para a catequese - 227 e 228 ..................................... 08

– «Vitaminas A, E, D - nutrirfam» ......................................................................................................... 12 – Catequese COM a família: Novo Diretório para a catequese - 229 e 230 .............................. 13 – A catequese DA família: Novo Diretório para a catequese - 231 .............................................. 16

2… EM REDE: para a família ......................................................................................................................... 22 Projetos em ordem à missão 1… Metodologia de projeto no âmbito da missão evangelizadora ............................................... 24

2… Etapas para elaborar e implementar um projeto ...................................................................... 25 3… Sugestão de projetos ...................................................................................................................... 28

3… RECURSOS: Iniciar à vida em Cristo .......................................................................................... 42 Planificação do ano catequético

1… Pensar o ano catequético integrando PROJETOS com a FAMÍLIA ....................................... 43 2… Notas a ter em conta no processo de planificação ................................................................... 46 3…Processo e instrumento para a elaboração da planificação ...................................................... 47 AMAR COMO MARIA ........................................................................................................................... 57

4… DOSSIER – CASA COMUM – para a família ......................................................................... 64 5… Ao ENCONTRO – arte e espiritualidade ................................................................................ 66 Um Abraço Pascal

6… Em REDE na WEB - Boas Notícias ........................................................................................................ 70 Catequista / testemunha ao serviço de uma experiência de fé na web

7… Boas NOTÍCIAS ............................................................................................................................................ 74 Recriar a catequese para novos tempos de pandemia

»»» Nota

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… Pórtico

Uma palavra do nosso Bispo

«quando o Ressuscitado chega junto deles, estas pessoas transformam-se: ficam crentes, adoradores, decididos, valentes, zelosos, missionários. Compreendem, então, que a última palavra de Deus não é a cruz,

mas é o sim de Jesus

dito ao longo de toda a sua existência histórica na indefetível união com o Pai, de quem sabe ser o Filho unigénito, e na inquebrável fidelidade a todos os irmãos, a quem serviu dedicada e apaixonadamente. Esta palavra definitiva da história é que constitui o motivo da verdadeira alegria e contentamento; é ela que motiva os nossos aleluias. […] Os evangelistas sublinham que a ressurreição aconteceu “no primeiro dia da semana”. O primeiro dia remete para as origens, para algo de novo. Na criação do mundo, foi a luz. No nascimento de Cristo e da Igreja, foi o ventre da Virgem Maria. Na «nova criação» da fé pascal, mais do que qualquer palavra, é o coração amoroso, solícito, inquieto daquelas mulheres que vão ao encontro do morto e se deparam com a Vida. Porque sabem seguir e amar, ficam encarregadas do primeiro e mais solene anúncio: de que o Cristo Senhor não se encontra por detrás de uma pedra de túmulo, de uma lápide funerária, e que a única forma de O «encontrar» é fazer-se seu discípulo e assumir a sua causa».

Dom Manuel Linda 04 de abril de 2021

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… 1ª Palavra Muitos foram aqueles a quem os dramas humanos e o distanciamento da comunidade, devido à pandemia, fragilizou as suas existências e quebrou os laços de pertença. “Futurar o amanhecer1” de comunidades “atrativas” e acolhedoras que os cative de novo e lhes devolva a esperança, implica que cada batizado assuma a paixão e a decisão de acolher e seguir o Ressuscitado sabendo que, «a única forma de O “ENCONTRAR”, é fazer-se seu discípulo e assumir a sua causa2». Neste sentido e a partir, essencialmente, do novo Diretório para a Catequese, da Amoris laetitia e do Plano Pastoral, A MENSAGEM sugere pontes que recriem os laços entre a comunidade, a família e a catequese. Espaços e processos que, pelo seu espírito e pedagogia, possibilitem a aproximação de quem se distanciou da fé e/ou da comunidade, nomeadamente as famílias dos catequizandos. Trata-se de viver a dimensão missionária que impele a todos, desde a criança ao idoso, a participarem na construção da comunidade e no acompanhamento do crescimento humano e espiritual de cada um. Um dinamismo que ajuda a família a ser «lugar onde se ensina a perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a servir o próximo. [Pois] a transmissão da fé pressupõe que os pais vivam a experiência real de confiar em Deus, de O procurar, de precisar d’Ele… (AL, 287)». A Diretora Isabel Oliveira 1 Miguel Torga. 2 Dom Manuel Linda, homilia do dia de Páscoa, dia 4 de abril 2021.

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1… OLHAR catequético | propostas iniciar à vida na fé missão da família / comunidade integrar a família na planificação do ano catequético Família, como Igreja doméstica, Ventre materno da iniciação cristã e da sua gestação permanente

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Dom Manuel Linda recorda que a família «é o sujeito mais ativo e a primeira protagonista na evangelização dos seus membros, como a longa história da Igreja o demonstra». Por isso, o Plano Pastoral refere que a «família emerge como primeiro lugar da experiência do amor e do acolhimento da vida, primeira escola da fraternidade, primeiro laboratório de vida social, primeiro hospital do cuidado de uns pelos outros, primeira célula da Igreja e primeira rede essencial da missão e da transmissão da fé: releva-se aqui a importância da Igreja doméstica e dos pais como primeiros e insubstituíveis educadores da fé1». 1 Plano Pastoral, da Diocese do Porto, 2020-21.

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Acolhendo as orientações do plano pastoral e refletindo a partir do novo Diretório para a catequese, da Amoris Laetitia, tendo como pano de fundo o documento da conferência episcopal Portuguesa - «Catequese: alegria do encontro com Jesus Cristo» - procurar-se-á nesta revista: || apresentar o pensamento da Igreja sobre este tema, nomeadamente a partir do Novo Diretório para a catequese e da Exortação Apostólica Amoris Laetitia; || propor atividades / processos / projetos para acompanhar as famílias na sua missão e intensificar os seus laços de pertença à comunidade; || propor caminhos de complementaridade, interação, apoio e comunhão na missão, de iniciar à vida na fé, entre a comunidade, catequese e família em ordem a responder aos desafios de uma «Igreja Missionária».


catequese NA família

Novo Diretório para a catequese 227 e 228

A família é um anúncio de fé - lugar natural onde a fé pode ser vivida de maneira simples e espontânea. || transmite o Evangelho, radicando-o no contexto de profundos valores humanos. || inicia na vida cristã: o despertar para o sentido de Deus, os primeiros passos na oração, a educação da consciência moral e a formação do sentido cristão do amor humano, concebido como reflexo do amor de Deus Criador e Pai. || trata-se de uma educação cristã mais testemunhada que ensinada. || tem a tarefa de levar os protagonistas da vida familiar, a descobrir o dom que Deus lhes concede mediante o sacramento do Matrimónio.

A família deve continuar a ser lugar

ensina a perceber as razões e a bele

fé, a rezar e a servir o pró 08


Indicações pastorais (DC 232) A catequese dos pais, cujos filhos fazem o percurso de iniciação cristã: a comunidade favorece o envolvimento dos pais no caminho de iniciação dos filhos, que:

Amoris Laetitia 287 || «- a família deve continuar a ser lugar onde se ensina a perceber as razões e a beleza da fé, a rezar e a servir o próximo.

|| A transmissão da fé pressupõe que os pais vivam a experiência real de confiar em para alguns, constitui também um momenDeus, de O procurar, de precisar d’Ele, porto de aprofundamento da fé, que só assim «cada geração contará à seguinte o louvor das obras [de Deus] e todos propara outros, um autêntico espaço de priclamarão as [Suas] proezas» (Sl 145/144, 4) e meiro anúncio. «o pai dará a conhecer aos seus filhos a [Sua] fidelidade» (Is 38, 19). || Isto requer que imploremos a ação de Deus nos corações, aonde não podemos chegar. || Sabemos, assim, que não somos proprietários do dom, mas seus solícitos administradores. Entretanto o nosso esforço criativo é uma oferta que nos permite colaborar com a iniciativa divina.

r onde se

eza da óximo. 09

|| “tenha-se o cuidado de valorizar os casais, as mães e os pais, como sujeitos ativos da catequese (...). De grande ajuda é a catequese familiar, enquanto método eficaz para formar os pais jovens e torná-los conscientes da sua missão como evangelizadores da sua própria família” (AL 287)».


Proposta de atividades | projetos | processos

para que a catequese acompanhe a - Catequese NA família (DC 227 e 228)

a. Estabelecer

e cuidar laços - para que a catequese seja um instrumento de comunhão, uma || Criar grupo para as famílias, nas redes ponte entre a comunidade e as fasociais, de forma a permitir que se estabeleça mílias:

um diálogo, partilha de informações, convi|| Cuidar o momento da chegada dos ca- tes… tequizandos através de um acolhimento indi|| Proporcionar momento à volta da vidualizado, feliz e atento aos pais; mesa (ex: um lanche preparado pelas famílias || Enviar mensagens: de boas festas, de uma vez por mês para criar proximidade, cosolidariedade nas dificuldades, de parabéns, munhão e partilha…) ao longo do ano... || Proporcionar momentos lúdicos inter|| Proporcionar tempos de diálogo, per- geracionais… sonalizado, com a família sobre a educação dos filhos; || Criar um espaço de escuta das famílias, na comunidade, durante várias horas do dia (disponibilizar uma sala, um recanto agradável);

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b. Propor

processos que integrem as famílias no itinerário catequético paroquial:

c.

|| Integrar no processo de iniciação cristã Propor processos que acom(catequese paroquial) a família: catequese fa- panhem as famílias para que a miliar, catequese intergeracional… «educação dos filhos esteja mar-

cada por um percurso de trans-

|| Criar espaço de oração presencial e na missão da fé» (AL 287) e expeweb oferecendo uma caminhada espiritual em rimentem a felicidade de serem família com o grupo de catequese e com a «Igreja Doméstica» comunidade; || Disponibilidades espaços de formação || Propor encontros formativos e de e partilha com as famílias sobre a educação e partilha sobre os conteúdos da fé, a vida em a iniciação cristã… Cristo, a educação, a análise da realidade e os seus desafios… || Oferecer propostas educativas que integrem os apelos da Igreja tal como: a ecolo|| Implicar as famílias na preparação da li- gia integral a partir da Encíclica Laudato Si turgia e nos vários momentos da celebração - MATERIAL: Artigo «Educação - a base da da eucaristia…. Propor, por exemplo, a «pa- ecologia integral», p. 40; disponível online na lavra especial para a família» em cada eucaris- revista “A mensagem” nº 436 – site: www. tia… catequesedoporto.com; || Projetos que alimentem a vida familiar a partir da Palavra e da oração como por exemplo o Projeto - «Vitaminas» para a família.

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PROJETO «Vitaminas A, E, D - nutrirfam» Nestes tempos de «pandemia e pós-pandemia», tecidos de incertezas e de dificuldades, Objetivos: é indispensável – nutrir – a vida espiritual e a relação com os outros. Para nós, cristãos, || alimentar a vida espiritual da família; essa vitamina tem como fonte o AMOR de DEUS e como nome “Boa Notícia – Evange|| cuidar e reforçar os laços de afeto e lho”, traduzida pelo Papa Francisco em pala- estimular o perdão; vras densas de força, ternura e esperança: || estimular a educação dos filhos a nível «Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida do desenvolvimento humano e espiritual; para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, || criar redes de partilha e apoio entre falibertar…». (EG 164) mílias; Assim, nutrir-se com estas vitaminas signi|| proporcionar a ligação / interação com fica experimentar, na vida quotidiana, o amor a catequese e a paróquia. de Deus que é Pai, que dá densidade às relações humanas e nos faz “irmãos”. Um amor Gestos / rituais propostos: que levanta, cura, dá força e sabedoria, um Vitamina A - Ritual para alimentar e cuidar amor que salva do medo e do mal. Um amor os afetos, a vida em família. que permite experimentar a alegria de ser Vitamina E - Ritual para alimentar o encon«Igreja doméstica». tro orante com Deus através da leitura Sua Palavra. Sugere-se que o catequista proponha às faVitamina D - Ritual do encontro e partilha mílias dos seus catequizandos o projeto e o com outras famílias, para cuidar da capacidaimplemente na sua própria família para teste- de de ser DOM para os outros. munhar e contagiar outros. MATERIAL: Artigo «Vitaminas A, E, D - nutrirfam» p.24; disponível online na revista “A mensagem” nº 435 – site: www. catequesedoporto.com NOTA – As famílias poderão recriar o projeto de acordo com a sua realidade e necessidades.

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Catequese COM a família

Novo Diretório para a catequese - 229 e 230

No seu compromisso evangelizador e cateA comunidade e a família constituem, uma para a outra, uma referência constante e re- quético a comunidade realiza percursos de fé que ajudem a família a ter consciência clara da cíproca: sua identidade e missão: || a comunidade recebe da família uma || acompanha-as e apoia-as na sua tarefa compreensão da fé imediata e ligada com nade transmitir a vida turalidade às vicissitudes da vida. || ajuda-as no exercício da sua tarefa ori|| a família recebe da comunidade uma chave explícita para reler a sua experiência na ginária de educar fé. || promove uma autêntica espiritualidade || a Igreja, no seu zelo evangelizador, familiar anuncia o Evangelho às famílias, levando-as a Deste modo, a família torna-se conscienexperimentar que ele é «alegria que enche o coração e a vida inteira, porque, em Cristo, te do seu papel e torna-se, na comunidade e somos libertados do pecado, da tristeza, do juntamente com ela, sujeito ativo da obra de vazio interior, do isolamento». (AL 200; cf. evangelização. também EG 1) Indicações pastorais (DC 232) || a catequese com as famílias é atravesA catequese intergeracional sada pelo querigma, porque também «diante das famílias e no meio delas, deve ressoar || prevê que o caminho de fé seja uma sempre de novo o primeiro anúncio». (AL 58; experiência formativa partilhada entre divercf. também EG 35 e 164) sas gerações dentro de uma família ou de uma comunidade, no percurso traçado pelo Na dinâmica da conversão missionária, a ano litúrgico. catequese com as famílias é caraterizada por: || valoriza o intercâmbio da experiência || um estilo de compreensão humilde da fé entre as gerações, inspirando-se nas primeiras comunidades cristãs. || um anúncio concreto, não teórico e desligado dos problemas das pessoas

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Amoris Laetitia 15, 16 e 17 Sabemos que, no Novo Testamento: || Se fala da «igreja que se reúne em casa» (cf. 1Cor 16, 19; Rm 16, 5; Col 4, 15; Flm 2). || O espaço vital duma família podia transformar-se em igreja doméstica, em local da Eucaristia, da presença de Cristo sentado à mesma mesa. […]

Os filhos: || são chamados a receber e praticar o mandamento «honra o teu pai e a tua mãe» (Ex 20, 12), querendo o verbo «honrar» indicar o cumprimento das obrigações familiares e sociais em toda a sua plenitude, sem os transcurar com desculpas religiosas. (cf. Mc 7, 11-13)

|| Esboça-se assim uma casa que abriga no seu interior a presença de Deus, a oração comum e, por conseguinte, a bênção do Senhor. A Bíblia considera a família também como o local da catequese dos filhos: || Vê-se isto claramente na descrição da celebração pascal (cf. Ex 12, 26-27; Dt 6, 2025) – mais tarde explicitado na haggadah judaica –, concretamente no diálogo que acompanha o rito da ceia pascal. || Eis como um Salmo exalta o anúncio familiar da fé: «[…] ordenou aos nossos pais que a ensinassem aos seus filhos, para que as gerações futuras a conhecessem e os filhos que haviam de nascer a contassem aos seus próprios filhos». (Sl 78/77, 3-6) || Por isso, a família é o lugar onde os pais se tornam os primeiros mestres da fé para seus filhos. É uma tarefa «artesanal», pessoa a pessoa. Os pais: || têm o dever de cumprir, com seriedade, a sua missão educativa, como ensinam frequentemente os sábios da Bíblia (cf. Pr 3, 11-12;6, 20-22; 13, 1; 29, 17).

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Proposta de atividades

| projetos | processos

com; || criar tempos, espaços e ambientes de

para que a catequese acompa- encontro/ convívio para que, num ambiente nhe a - Catequese COM a família de fé, se partilhe a vida e o sentido último das

(DC 227 e 228)

coisas;

A catequese COM a família desafia a integrar a mesma em todo o processo evangelizador: desde a vivência e testemunho da vida em Cristo, à reflexão/planificação e implementação de processos/projetos de evangelização. Algumas propostas implicando a catequese (catequistas e catequizandos), famílias e comunidade:

|| propor celebrações, no espaço da catequese, com enquadramento religioso, para pais e filhos e, posteriormente, oferecer uma interpretação dos textos bíblicos e a explicação dos símbolos e dos gestos;

|| De “filhos para pais” ou de “pais para filhos”, este projeto pretende implicar os pais na formação/ catequese de seus filhos através de encontros orientados pelos pais e de implicar os filhos na missão de cativar e formar os pais, orientando encontros ou reuniões sobre temas da sua catequese;

|| criar tempos de catequese pais e filhos - tempos de aprendizagem paralelos e experiências comuns;

|| dinamizar/ promover tertúlias, com as famílias, à volta de um café com convidados apropriados para cada um dos temas em debate: especialistas em teologia, ciências da || implicar as famílias, progressivamen- educação, cultura (temas escolhidos pelos te, na catequese para alimentar a comunhão pais); eclesial, nomeadamente entre a comunidade, a catequese e as famílias dos catequizandos, || partilhar com os pais os conteúdos deinserindo-as no processo de iniciação cristã/ senvolvidos com os seus filhos na catequese catequese paroquial: catequese familiar, cate- – escola paroquial de pais (como pode acomquese intergeracional (existem vários docu- panhar a iniciação à vida na fé do seu filho, ou mentos e materiais sobre estas propostas); como responder às suas perguntas?);

|| criar pequenos grupos de partilha de vida e fé (como dar mais sentido à vida a partir da fé, que caminho de felicidade propõe o Evangelho…);

|| criar projetos interligando encontros, || criar grupo de estudo da arte sacra, catequeses intergeracionais, a partir do ano dos símbolos cristãos, dos Santos... litúrgico, que possibilitem uma participação ativa das famílias na vida da comunidade eclesial que «cresce na escuta, na celebração e no estudo da Palavra de Deus ». - MATERIAL: «Projeto Betânia» disponível online na revista “A mensagem” nº 435, p.13 – no site: www.catequesedoporto.

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catequese DA família

Novo Diretório para a catequese - 231

Enquanto Igreja doméstica, alicerçada no sacramento do Matrimónio, que tem uma dimensão missionária, a família cristã participa na missão evangelizadora da Igreja e é, por isso, sujeito de catequese. || «O exercício de transmitir aos filhos a fé, no sentido de facilitar a sua expressão e crescimento, permite que a família se torne evangelizadora e, espontaneamente, comece a transmiti-la a todos os que se aproximam dela e mesmo fora do próprio ambiente familiar»2. 2 BENTO XVI, Exortação apostólica pós-sinodal Verbum Domini (30 de setembro de 2010), 3.

|| Além de ser chamada ao conatural serviço de educação dos filhos, a família é chamada a contribuir para a edificação da comunidade cristã e a testemunhar o Evangelho na sociedade. || «O ministério de evangelização e de catequese da Igreja doméstica deve permanecer em comunhão íntima e deve harmonizarse responsavelmente com todos os outros serviços de evangelização e de catequese presentes e operantes na comunidade eclesial, quer diocesana quer paroquial»2. || A catequese da família será, portanto, cada contributo específico que as famílias cristãs, com a sensibilidade que lhes é própria, dão aos diversos itinerários de fé que a comunidade propõe.

O exercício de transmitir aos filhos a fé, no sentido de facilitar a sua expressão e crescimento, permite que a família se torne evangelizadora e, espontaneamente, comece a transmiti-la a todos os que se aproximam dela e mesmo fora do próprio ambiente familiar. 16


Indicações pastorais (DC 232) A catequese nos grupos de esposos e nos grupos de famílias:

|| o empenho na promoção do bem co|| os protagonistas são os próprios casais mum, inclusive através da transformação das estruturas sociais injustas, a partir do terri|| pretende desenvolver uma espirituali- tório onde vive a família, praticando as obras corporais e espirituais de misericórdia». dade conjugal e familiar Isto deve ser feito no contexto da convic|| aprofunda o papel da família na consção mais preciosa dos cristãos: trução do Reino de Deus

Amoris Laetitia 289 e 290

O exercício de transmitir aos filhos a fé, no sentido de facilitar a sua expressão e crescimento, permite que a família se torne evangelizadora e, espontaneamente, comece a transmiti-la a todos os que se aproximam dela e mesmo fora do próprio ambiente familiar. Os filhos que crescem em famílias missionárias, frequentemente tornam-se missionários, se os pais sabem viver esta tarefa duma maneira tal que os outros os sintam vizinhos e amigos, de tal modo que os filhos cresçam neste estilo de relação com o mundo, sem renunciar à sua fé nem às suas convicções. «A família torna-se sujeito da ação pastoral, através do anúncio explícito do Evangelho e o legado de múltiplas formas de testemunho: || solidariedade com os pobres, || a abertura à diversidade das pessoas, || a salvaguarda da criação, || a solidariedade moral e material para com as outras famílias, especialmente para com as mais necessitadas,

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|| o amor do Pai que nos sustenta e faz crescer, manifestado no dom total de Jesus Cristo, vivo no meio de nós, que nos torna capazes de enfrentar, unidos, todas as tempestades e todas as etapas da vida. || no coração de cada família, deve ressoar também o querigma, a tempo e fora de tempo, para iluminar o caminho. Todos deveríamos poder dizer, a partir da vivência nas nossas famílias: «Nós conhecemos o amor que Deus nos tem, pois cremos nele» (1Jo 4, 16). Só a partir desta experiência é que a pastoral familiar poderá conseguir que as famílias sejam simultaneamente igrejas domésticas e fermento evangelizador na sociedade.


Proposta de atividades | projetos | processos para que a catequese acompanhe a - Catequese DA família (DC 227 e 228)

NOTA IMPORTANTE Que estes projetos tenham como intencionalidade: - o anúncio do querigma, - o dar a experimentar, na comunidade, nas relações interpessoais e na vida quotidiana a alegria de «SER FILHOS DE DEUS», e de FAZER PARTE DA FAMÍLIA / IGREJA As famílias distanciadas da vida da comunidade e da fé. As famílias que experimentam dificuldades da educação, do domínio social e económico…

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Propostas de atividades que poderão fazer parte de um projeto «da e para as famílias» para que estas dinaPropostas de atividades que pode- mizem a dimensão litúrgica e a missão rão fazer parte de um projeto «da e caritativa da comunidade de forma a para as famílias»: que estimulem a iniciação à vida na fé - a fim de possibilitar que estas par- dos filhos: ticipem, com os seus dons e espiritualidade, no crescimento da vida da co|| Integrar as famílias na preparação e munidade, na missão evangelizadora orientação das festas litúrgicas; e favoreça a iniciação à vida na fé dos filhos: || Estimular encontros de estudos litúrgicos de forma a dar sentido às celebrações e a || Criar um espaço de oração mensal, cuidar do gosto e amor pela Eucaristia; orientado pelas famílias e para as famílias para colocar nas mãos de Deus as alegrias e as di|| Organizar gestos, sistemáticos, de soficuldades das famílias; lidariedade para com as famílias, os mais pobres e os sós (criar equipa de projetos); || Criar um grupo de famílias responsável pelos momentos criativos da paróquia: orga|| Criar «grupos de visita a idosos» oriennização de refeições partilhadas, caminhadas, tados por catequizandos, pais e catequistas – grupos de desporto, saídas de cariz religioso com tempos de reflexão bíblica; e cultural (com a presença de biólogos, teólogos, historiadores, professores… artesãos, || “Banco familiar de apoio” projeto de artistas); troca de ajudas entre as famílias, organizado por pais e catequistas (para tomar conta de || Estimular a organização de uma equipa crianças e outros serviços...); que se dedique a acompanhar as famílias e a paróquia a fim de viverem no espírito da Lau|| Criar pequenos grupos de atividades ao dato Si – no espírito da Amoris Laetitia; ar livre: limpeza de praias ou florestas, recolha de lixo para reciclagem (permitindo angariar || Criar site/rede social para proporcio- fundos); nar informações de famílias para famílias... estimulando a colaboração entre todos; || Organizar um grupo de “Contador de Histórias”: História da Salvação (História da || Criar famílias de acolhimento para as Igreja) para manter viva a memória e comprecelebrações litúrgicas e para receberem ou- ender o presente (pais-filhos, filhos-pais, avós); tras «pessoas convidadas (distanciadas da comunidade, não crentes…) || Criar um grupo de teatro bíblico intergeracional... um Site com a história bíblica; || Pintar – limpar - decorar os espaços catequéticos (pais e filhos) com espaço de partilha da mesa dos alimentos e da mesa da “Palavra”.

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«As narrativas dos Evangelhos atestam as características da relação educativ e inspiram a ação pedagógica da Igreja. Desde os inícios, a Igreja viveu a sua missão, «como prosseguimento visível e atual da ped Ela, “sendo nossa Mãe, é também educadora da nossa fé”. São estas as razões profundas pelas quais a comunidade cristã é, em si mesma, uma catequese viva. Por aquilo que é, anuncia e celebra, ela realiza e permanece sempre o luga indispensável e primário da catequese

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va de Jesus

dagogia do Pai e do Filho.

ar vital, e». DC164

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2… EM REDE: para a família Projetos em ordem à missão comunidade | família | catequese

A Amoris Laetitia recorda que a «Igreja é chamada a colaborar, com uma ação pastoral adequada, para que os próprios pais possam cumprir a sua missão educativa; e sempre o deve fazer, ajudando-os a valorizar a sua função específica e a reconhecer que quantos recebem o sacramento do matrimónio são transformados em verdadeiros ministros educativos, pois, quando formam os seus filhos, edificam a Igreja e, fazendo-o, aceitam uma vocação que Deus lhes propõe». (AL 85)

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Trata-se de propor uma pastoral em que não «basta inserir uma genérica preocupação pela família nos grandes projetos pastorais; para que as famílias possam ser sujeitos cada vez mais ativos da pastoral familiar, requer-se «um esforço evangelizador e catequético dirigido à família», que a encaminhe nesta direção». (AL 200) Ajudar as famílias a, conscientemente, assumirem a sua função de primeiros educadores para a vida na fé e serem sujeitos na pastoral da comunidade, implica para a Igreja, segundo a Exortação Apostólica, «uma conversão missionária». Neste sentido é necessário «não se contentar com um anúncio puramente teórico e desligado dos problemas reais das pessoas». A pastoral familiar «deve fazer experimentar que o Evangelho da família é resposta às expectativas mais profundas da pessoa humana: a sua dignidade e plena realização na reciprocidade, na comunhão e na fecundidade». (AL 201) Neste artigo e no anterior, propõem-se vários projetos e atividades pontuais que pretende favorecer a conversão missionária da comunidade/catequese, incluindo as famílias, em todo o processo. Propomos uma metodologia de projeto em que TODOS os agentes de pastoral são implicados no processo de «ver, julgar e agir».

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1… Metodologia de projeto no âmbito da missão evangelizadora

A palavra projeto vem do Latim e significa «lançar para a frente». Sugere um movimento, uma ação, uma trajetória que se visualiza no tempo e no espaço, com um ponto de partida, e outro de chegada. Um processo que envolve todos os elementos do grupo/comunidade na construção de algo novo, na transformação da realidade presente, sugerindo a ideia de construção do presente e do futuro.

|| […] reconhecer a centralidade de Jesus Cristo, Palavra de Deus que se fez homem, que determina a catequese como pedagogia da encarnação; || valorizar a experiência comunitária da fé, como própria do Povo de Deus;

|| compor uma pedagogia dos sinais, em que as ações e as palavras se relacionam reciNum sentido pastoral, o mestre do projeto procamente; é Jesus Cristo e o Espírito aquele que impele || recordar que o amor inesgotável de a ação. Os «desafios que os novos tempos lançam à Igreja podem ser enfrentados, em Deus é a razão última de todas as coisas». primeiro lugar, com um dinamismo de reno- (DC 165) vação; e, do mesmo modo, este dinamismo só é possível, se se mantiver uma confiança firme no Espírito Santo: “Não há maior liberdade do que a de se deixar conduzir pelo Espírito, renunciar a calcular e controlar tudo, e permitir que Ele nos ilumine, guie, dirija e impulsione para onde Ele quiser. O Espírito Santo bem sabe o que faz falta em cada época e em cada momento”». (DC 39) Sendo esta metodologia sugerida no âmbito da missão de uma Igreja missionária e tendo como preocupação primeira a catequese (iniciação cristã), a pedagogia que sustenta o projeto «inspira-se nas características da pedagogia divina[…] tornam-se ação pedagógica ao serviço do diálogo da salvação entre Deus e o ser humano. Portanto, é importante que se exprimam estas características:

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2… Etapas para elaborar e implementar um projeto: Elaborar e implementar um projeto supõe o envolvimento de todos – pároco, catequistas, catequizandos, famílias e outros mem2ª etapa: VER onde o Reino ainda bros da comunidade que possam colaborar não acontece na missão, a que se propõem, a partir de um processo por etapas: Intencionalidade da etapa: observar a realidade, treinar o olhar. 1ª etapa: O REINO- sonho de Deus Os agentes de pastoral implicados são conpara nós vidados a: || descobrir o estilo de Jesus, as suas caIntencionalidade da etapa: treinar a racterísticas: Que o olhar tem Jesus sobre ZaCONTEMPLAÇÃO do Mestre e da queu? Que características revela Jesus do Seu vida, coração e do projeto do Pai, quando conta Os agentes de pastoral implicados (cate- a parábola do samaritano? Que inteligência quistas, catequizandos, famílias membros da demonstra Jesus na forma como reage com comunidade- acompanhados pelo pároco) a mulher pecadora? Como toca e cativa a são convidados a: samaritana? || descobrir a pessoa de Jesus e a sua mis|| observar a realidade que vive a comunisão; dade e todos aqueles a quem ela é enviada em missão; || escutar a interpelação do Mestre: «Dai-lhe vós de comer» e a deixarem que o || fazer o levantamento de situações proconvite ressoe na própria existência, a partir blemática ou carências na comunidade cristã da leitura orante do texto -Mt 14, 13-21; ou à sua volta. ou || descobrir a intencionalidade, os objetivos, as características, a estrutura e as impli|| verificar que projeto (entre os proposcações do projeto. tos ou outros que sejam significativos para a comunidade) poderia dar resposta aos aspetos da missão que a comunidade deseja trabalhar:

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3ª etapa: VER onde o Reino ainda não acontece Intencionalidade da etapa: priorizar, escolher a situação que será objeto do 5ª etapa: Futurar, na ESPERANÇA, projeto. Os agentes de pastoral implicados são con- o Reino vidados a: Intencionalidade da etapa: planificar o || refletir, a partir da leitura orante da Palavra, sobre as escolhas de Jesus (Lc 6,6-11, PROJETO. Os agentes de pastoral implicados são conCura da mão paralisada) e a forma como Ele vive a missão que lhe foi confiada pelo Pai (Lc vidados a: 6,6-11); || refletir, a partir da leitura orante da Pa|| discernir e escolher, a partir dos crité- lavra, sobre a forma como Jesus vivia a missão rios do Evangelho e das suas competências, a confiada pelo Pai e como a Igreja lhe dá continuidade (Lc 4,16- 21); situação que será alvo do projeto. || planificar a ação a partir de uma grelha 4ª etapa: A comunidade semente do que facilita a organização das tarefas, meios humanos e financeiros, cronograma (solicitar Reino documentação ao SDEC); || apresentar o projeto à comunidade e Intencionalidade da etapa: apresentar o dar-lhe a conhecer todos os passos e resultaprojeto e solicitar colaboração. Os agentes de pastoral implicados são con- dos… vidados a: 6ª etapa: Ser instrumento do Pai na || refletir, a partir da leitura orante da Pa- construção do Reino lavra, sobre a vida da comunidade (At 2, 4247);

Intencionalidade da etapa: implementar o projeto. Os agentes de pastoral implicados são con|| apresentar ao pároco o esboço do projeto para, conjuntamente, refletirem sobre a vidados a: sua pertinência e exequibilidade; || refletir, a partir da leitura orante da Pa|| apresentar à comunidade e pedir cola- lavra, sobre os textos bíblicos estudados e reboração, de acordo com as características do zados e a contemplar a presença e a ação de projeto sabendo que O REINO cresce numa Jesus nas suas vidas e na comunidade a partir da leitura orante dos “discípulos de Emaús” comunidade de IRMÃOS. (Lc 24, 13-35). || implementar o projeto, com o Mestre e ao jeito do Mestre, a partir da planificação elaborada, sabendo que esta estará, permanentemente, em avaliação e adaptação de acordo com a realidade…

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7ª etapa: Alegrar-se com o Reino a acontecer Intencionalidade da etapa: releitura do caminho andado e avaliação. Os agentes de pastoral implicados são convidados a: || fazer a releitura do projeto a partir do Evangelho; || avaliar todos os elementos do projeto; || descobrir os passos de Deus na missão realizada e na própria vida; || dar a conhecer à comunidade o caminho andado e os resultados; || festejar e celebrar o REINO a acontecer… a comunhão dos irmãos…

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3… Sugestão de projetos

PROJETO

Escola paroquial de pais Projeto para acompanhar a responsabilidade parental

A Escola Paroquial de Pais é um projeto, proposto pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), direcionado para as famílias com crianças inseridas na catequese. Ela pretende implicar os pais na iniciação cristã dos filhos e na participação na vida da comunidade e acompanhar os mesmos na sua responsabilidade parental. Inspirada no modelo de catequese de adultos, possibilita o aprofundamento da fé da família e em família. Os encontros poderão ser orientados pelo catequista do grupo ou por um animador paroquial. O Material disponibilizado oferece seis encontros de formação (reuniões de pais) para os pais dos catequizandos do 1º ao 6º ano, sobre os temas do respetivo catecismo, repartidos em duas obras publicadas pelo SNEC. Material de apoio: Escola paroquial de pais: 1º, 2º e 3º anos; Escola paroquial de pais: 4º, 5º e 6º anos. (Disponíveis na Livraria da Diocese – Casa de Vilar).

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Com este projeto é possível: || Implicar os pais na catequese paroquial para que estes possam acompanhar a iniciação cristã dos filhos; || Dar a conhecer à família os conteúdos apresentados nas catequeses de tal forma que estes encontros possam ser uma catequese de adultos para os pais; || Facilitar a comunhão e interação entre a família, a catequese e a comunidade em ordem a tornar mais efetiva a iniciação cristã dos mais novos e a sua integração na vida e missão da Igreja.

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PROJETO

Contador de histórias Descobrir as narrativas bíblicas e a história da Igreja

Fazemos parte de uma longa história, onde se revela o amor de Deus para com o seu Povo. Séculos em que foram acolhidos e transmitidos palavras e gestos de um Pai que salva e de um povo chamado a dizer sim ao projeto do seu criador. Hoje, assistimos a uma perda da memória coletiva, à indefinição do sentido da vida e à deterioração dos laços sociais e fraternos. Esvanecem-se as referências cognitivas e afetivas às raízes, à comunidade e, consequentemente, não se vislumbram caminhos para o futuro. Novo Diretório «Nos últimos anos, nota-se em vários âmbitos culturais a redescoberta da narrativa não apenas como instrumento linguístico, mas sobretudo como caminho através do qual o homem se compreende a si mesmo e à realidade que o circunda e dá significado àquilo que está a viver. Também a comunidade eclesial toma, cada vez mais, consciência da identidade narrativa da própria fé, como testemunha a Sagrada Escritura nos grandes relatos das origens, dos patriarcas e do povo eleito, na história de Jesus, narrada nos Evangelhos, e nos relatos dos inícios da Igreja». (DC 207) «Ao longo dos séculos, a Igreja tem sido como que uma comunidade familiar que continuou a narrar, de diversas formas, a história da salvação, incorporando em si aqueles que a acolheram. A linguagem narrativa tem a capacidade intrínseca de harmonizar todas as linguagens da fé à volta do seu núcleo central, que é o mistério pascal. Além disso, favorece o dinamismo experiencial da fé, pois envolve a pessoa em todas as suas dimensões: afetiva, cognitiva, volitiva. Assim, é bom que se reconheça o valor da narrativa na catequese, porque acentua a dimensão histórica da fé e o seu existencial carácter significativo, realizando uma interligação profunda entre a história de Jesus, a fé da Igreja e a vida daqueles que a contam e a escutam». (DC 208) Neste sentido, pretende-se criar grupos de «contadores» que sejam capazes de «narrar» a história bíblica, algumas passagens da história da Igreja e, através delas, possam tocar a narrativa de vida dos ouvintes.

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Com este projeto é possível: . Dar a conhecer as narrativas bíblicas – a história da Igreja, fazendo formação bíblica à comunidade; . Proporcionar o encontro entre as narrativas bíblicas e a próprias narrativas de vida, suscitando a partilha de experiências de fé, sabendo que o processo narrativo toca várias dimensões das pessoas: afetiva, cognitiva e volitiva.… . Disponibilizar encontros intergeracionais que reforcem os laços entre as diferentes gerações e alimentem a comunhão eclesial; . Implicar a comunidade no processo catequético paroquial/ na missão, no itinerário de iniciação à vida na fé. Nota: Este projeto exige que os contadores de histórias se formem a nível teológico/bíblico e pedagógico: A nível teológico: supõe realizar um trabalho de leitura, de interpretação e de estudo da cultura/geografia das narrativas bíblicas. Esta tarefa pode ser realizada pelo pároco ou alguém com formação bíblica. É uma forma feliz de motivar para a formação bíblica. A nível pedagógico/técnico: contar histórias implica fazer uma formação específica na área da comunicação. Assim, propõe-se que se convide um ator, um contador de histórias ou um professor de português para trabalhar a arte de contar.

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- Assim, os contadores deverão participar, regularmente, em formações para garantir a ortodoxia dos conteúdos… Seria importante que este grupo se transformasse um grupo de estudos bíblicos.

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PROJETO

«Poço de Sicar - onde jorra a água viva» Espaço de encontros e ENCONTRO com o Mestre

«Como Jesus no poço de Sicar, também a Igreja sente que se deve sentar ao lado dos homens e mulheres deste tempo, para tornar presente o Senhor na sua vida, para que o possam encontrar, porque só o seu espírito é a água que dá a vida verdadeira e eterna. Só Jesus é capaz de ler no fundo do nosso coração e de nos revelar a nossa verdade: «Disse-me tudo o que fiz», confessa a mulher aos seus concidadãos. E esta palavra de anúncio — à qual se junta a pergunta que abre à fé: «Será Ele o Cristo?» — mostra como quem recebeu a vida nova do encontro com Jesus, por sua vez não pode deixar de se tornar anunciador de verdade e de esperança para os outros. A pecadora convertida torna-se mensageira de salvação e conduz a Jesus toda a cidade. Do acolhimento do testemunho o povo passará à experiência pessoal do encontro: “Já não é pelas tuas palavras que nós cremos, mas porque nós mesmos ouvimos e sabemos que Ele é deveras o salvador do mundo”3». O nosso Bispo, Dom Manuel Linda, destaca que «O nosso mundo tem sede de Deus. E muita! […] temos antes de proceder como Jesus junto ao poço de Jacob: esperar que a samaritana chegue e saciar-lhe a sede da “água viva” […] Claro que este «esperar», hoje, não é passividade, mas enorme atividade4». Para responder a esta sede, o projeto «Poço de Sicar - onde jorra a água viva» sugere que se crie um espaço de encontros informais, criado e decorado pelas famílias. Um local silencioso, confortável, acolhedor, com sofás, tapete para se sentarem no chão… com um oratório- um poço…

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Com este projeto pretende-se: || propor um espaço de ENCONTRO em que a qualquer hora e qualquer pessoa se possa sentar e estar em silêncio, rezar… || disponibilizar voluntários capazes de escutar e dialogar com quem chega, em determinadas horas do dia; || oferecer um programa: tempos de oração em família e para as famílias, leitura de textos bíblicos, tertúlias para as famílias, contemplação de ícones... || criar uma caixa de intensões para que as pessoas possam deixar as suas preocupações. As mesmas serão, cada semana, apresentadas a Deus na oração universal das eucaristias de domingo.

3

Com este projeto é possível: || Acolher crentes e não crentes num ambiente de escuta, abrindo a comunidade às periferias;

|| Proporcionar uma escola de escuta da Palavra e de oração para as famílias, ajudando-as a aprofundar a sua experiência de «igreja doméstica» e iniciação à vida de oração dos filhos; || Reforçar a capacidade de acolhimento e alimentar a comunhão da comunidade através de encontros personalizados e pequenos grupos de diálogo e oração; || Alimentar a vida espiritual da comunidade através da oração e da escuta da palavra; || …

3 XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, Mensagem ao povo de deus, nº 1. 4 Dom Manuel Linda, Plano Pastoral da Diocese do Porto- 2028-19.

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PROJETO

Produção de vídeos Divulgar a bíblia e a espiritualidade cristã

A «introdução e o uso de instrumentos digitais de forma massiva causou alterações profundas e complexas a muitos níveis com consequências culturais, sociais e psicológicas ainda não totalmente evidentes». (DPC 258) Hoje, temos a experiência que utilizando apenas o «escrito é difícil falar aos mais jovens, habituados a uma linguagem que consiste na convergência da palavra escrita, som e imagens». (DPC 214) Por isso, é importante criar materiais que ajudem os catequizandos a acolherem e interiorizarem os conteúdos de fé, como por exemplo os textos bíblicos… Assim, sugere-se que sejam os próprios catequizandos com as suas famílias a criarem pequenos vídeos a serem disponibilizados para a missão catequética das famílias e da paróquia. Muitas das nossas famílias possuem saberes técnicos e meios que, com agrado, partilhariam com a comunidade.

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Com este projeto é possível: . Proporcionar tempos de encontro «em família» à volta da Palavra; . Suscitar o gosto pelo estudo bíblico e aproximar/integrar as famílias na vida da comunidade e na missão evangelizadora a partir dos seus saberes; . Disponibilizar processos e instrumentos que facilitem às famílias a sua missão de educação para a vida na fé e a integração dos filhos na comunidade; . Suscitar nas famílias o desejo de viverem «como igrejas domésticas» e educarem os filhos da fé, inseridos na comunidade.

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4


PROJETO

“Diaconia em família”

Ao serviço dos frágeis

«A família é um anúncio de fé enquanto lugar natural onde a fé pode ser vivida de maneira simples e espontânea». (DC 227) Ela «transmite o Evangelho, radicando-o no contexto de profundos valores humanos. Com esta base humana, é mais profunda a iniciação na vida cristã […]: trata-se de uma educação cristã mais testemunhada que ensinada». (DGC 255) Por estes motivos, a comunidade é chamada a ajudar a família a ser «o sujeito mais ativo e a primeira protagonista na evangelização dos seus membros, como a longa história da Igreja o demonstra5». Trata-se de não só acompanhar a educação dos filhos como também «fazer das famílias, não apenas destinatárias de solicitude pastoral, mas sujeitos e protagonistas da evangelização, de modo que se tornem famílias missionárias6». Através do projeto «diaconia em família», a família, como Igreja Doméstica» é convidada a participar na missão caritativa, como sujeito e como testemunho, não só de pais para filhos e de filhos para pais, como também para as outras famílias. Assim, tornam-se «sujeito da ação pastoral, através do anúncio explícito do Evangelho e do legado de múltiplas formas de testemunho, nomeadamente a solidariedade com os pobres, a abertura à diversidade das pessoas, a salvaguarda da criação, a solidariedade moral e material para com as outras famílias, especialmente para com as mais necessitadas». (AL 290) Na comunidade, a diaconia é essencialmente exercida por grupos organizados, tais como as Conferências Vicentinas. Com este projeto trata-se de implicar as famílias e os catequizandos (filhos) a criarem “outro tipo de projetos de apoio” para responder a situações especificas como por exemplo:

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|| fazer o transporte de uma pessoa de idade para que possa participar na eucaristia (ficando à responsabilidade de um grupo de catequese); || fazer companhia a pessoas que vivem sós durante um tempo semanal e apoiar a mesma em pequenos serviços; || acompanhar, com visitas regulares, pessoas sós com problemas de saúde (neste momento à um grupo de catequese da adolescência que, apoiados pelas famílias, acompanha um jovem com uma doença degenerativa). || recolher desperdícios para angariar fundos para uma causa. Com este projeto é possível: . Desafiar as famílias a aprofundarem o Evangelho e a experienciarem a sua força, quando a Boa Notícia é traduzida em gestos de serviço (catequese de iniciação- querigmática); . Criar um espaço de catequese intergeracional que reforce, na família, a sua identidade de igreja doméstica e lhe facilite a missão de educar os filhos “aprendendo a viver, vivendo, pois, a evangelização «relaciona-se com a liturgia e a caridade, para tornar evidente a unidade constitutiva da vida nova que brotou do Batismo» (DC 1); . Possibilitar às famílias, a partir de uma rede de apoio, a partilha do seu tempo e bens com os mais desfavorecidos; . Reforçar a comunhão fraterna entre os membros da comunidade, nomeadamente criando laços entre as gerações.

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«É necessário maturar hábitos. Os próprios hábitos adquiridos em criança têm uma função positiva, ajudando a traduzir em comportamentos externos sadios e estáveis os grandes valores interiorizados. Uma pessoa pode possuir sentimentos sociáveis e uma boa disposição para com os outros, mas se não foi habituada durante muito tempo, por insistência dos adultos, a dizer «por favor», «com licença», «obrigado», a tal boa disposição interior não se traduzirá facilmente nestas expressões. O fortalecimento da vontade e a repetição de determinadas ações constroem a conduta moral; mas, sem a repetição consciente, livre e elogiada de determinados comportamentos bons, nunca se chega a educar tal conduta. As motivações ou a atração que sentimos por um determinado valor, não se tornam uma virtude sem estes atos adequadamente motivados». (AL 266) 5 Dom Manuel Linda, Plano Pastoral da Diocese do Porto- 2020-21. 6 Objetivo do Plano Pastoral da Diocese do Porto- 2020-21.

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PROJETO

«Solidariedade educativa» Grupo de apoio escolar ao serviço da educação

Neste tempo líquido da modernidade/pós-modernidade, em tempos de pandemia na terra que muitos experimentam como «astro errante» a tarefa educativa tem vindo a complexificar-se devido a fatores antropológicos, culturais, sociológicos, políticos e religiosos. Hoje, a emergência educativa toca todos os âmbitos da sociedade e a própria comunidade, sendo que as famílias são as que mais dificuldades enfrentam. Elaborar um projeto em ordem a ajudar crianças e jovens com problemas escolares é uma oportunidade para lhes oferecer uma educação integral e os convidar a participar na vida da comunidade cristã e, quem saiba, propor-lhes o Evangelho. Um projeto que coloca a “Igreja em Saída”: «ide», diz-nos Jesus... Assim, o Projeto «Solidariedade educativa» sugere criar um centro de apoio escolar/ educativo, a partir das potencialidades da própria comunidade. Trata-se de convidar famílias com os saberes académicos e alunos de várias idades com um bom desempenho escolar para se disponibilizem a acompanhar crianças e jovens com dificuldades de aprendizagem e/ou em risco de abando escolar. Seria uma forma de criar uma rede de interajuda educativa entre as famílias… A presença de um psicólogo representaria uma mais valia significativa.

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Este projeto que, aparentemente, nada tem a ver com a missão da comunidade, representa uma chance para que os cristãos se coloquem ao serviço das famílias e da sociedade civil. Um caminho para que a Igreja, pelo testemunho, chegue a quem precisa e se encontre com aqueles que estão distantes do Evangelho. Recordamos que o Papa Francisco atualizou o convite feito a toda a sociedade civil em 12 de setembro de 2019 para “dar vida a um projeto educativo, investindo as nossas melhores energias”. No seu discurso afirmou, ainda sobre educar: “convida à comparticipação transformando a lógica estéril e paralisadora da indiferença numa lógica diferente, capaz de acolher a nossa pertença comum” […] é “tempo de olhar em frente com coragem e esperança. Que, para isso, nos sustente a convicção de que habita na educação a semente da esperança: uma esperança de paz e justiça; uma esperança de beleza, de bondade; uma esperança de harmonia social!” Com este projeto é possível: || Acompanhar crianças e jovens com dificuldades e respetivamente, apoiar as famílias;

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|| Estimular a partilha e interajuda entre famílias;

|| Desenvolver uma rede de interajuda entre crentes e não crentes, sendo a comunidade o ponto de comunhão e de missão, capaz de estimular o dinamismo de «Igreja em saída», favorecendo o primeiro anúncio.

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PROJETO «Procura de sentido pela arte» Grupo de teatro bíblico

“A Igreja tem necessidade da Arte”7. De facto, «a Igreja, que ao longo dos séculos interagiu com diversas expressões artísticas (literatura, teatro, cinema, etc.), é chamada a abrir-se, com o justo sentido crítico, também à arte contemporânea, «incluindo aquelas modalidades não convencionais de beleza» […] Estas experiências artísticas, muitas vezes atravessadas por uma forte procura de sentido e de espiritualidade, podem ajudar à conversão dos sentidos, que faz parte do caminho de fé; convidam, além disso, a superar um certo intelectualismo em que a catequese pode cair». (DC 212) A «perceção e a contemplação da beleza geram um sentimento de esperança, que também irradia para o mundo circundante. Neste ponto, os movimentos exteriores e interiores fundem-se e, por sua vez, incidem nas relações sociais: geram empatia capaz de compreender o outro, com o qual temos tanto em comum. É uma nova socialidade, não só vagamente expressa, mas percebida e partilhada»8. Por isso, “O teatro bíblico é um catecismo extraordinário! O espectador «neóphito» pode aceder imediatamente a uma leitura das Escrituras no segundo grau. E nos bastidores, os atores caminham para um trabalho de atualização e interiorização”9. Em alguns lugares do mundo, organizam-se festivais de teatro bíblico como forma de fazer sair a Bíblia do âmbito eclesial e de a levar para o público. Este projeto sugere a criação de um grupo de teatro bíblico intergeracional de forma a que este se torne um espaço catequético e de primeiro anúncio para a família, para a comunidade e para a sociedade.

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Com este projeto é possível: || Dar espaço à arte para que a «perceção e a contemplação da beleza gerem um sentimento de esperança, que também irradia para o mundo circundante»; || Ler, interiorizar e transmitir a Palavra a partir da recriação de textos bíblicos; || Criar um espaço intergeracional de partilha de fé e de vida a partir da Palavra, tendo como suporte a expressão dramática; || Alimentar os laços das famílias e reforçar a comunhão da comunidade; || Assumir a dimensão missionária junto de quem vive nas proximidades da paróquia.

7 São João Paulo II, Carta aos artistas (1999).

7

8 Saudação do Papa Francisco aos Artistas do Concerto de Natal, 12 de dezembro de 2020.

9 Marie-Thérèse Perriaux, Catéchiser sur les planches, in revue Tabga, nº 8, novembre, décembre, 2005, janvier 2006.

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3…

RECURSOS: Iniciar à vida em Cristo

Planificação do ano catequético

para uma caminhada catequética de cariz catecumenal, querigmático e mistagógico com a família


1… Pensar o ano catequético integrando PROJETOS com a FAMÍLIA «A Igreja encontra-se diante de uma “nova etapa evangelizadora” porque também nesta mudança de época o Senhor ressuscitado continua a fazer novas todas as coisas (cf. Ap 21,5). O nosso tempo é complexo, atravessado por alterações profundas e, nas Igrejas de antiga tradição, fica muitas vezes marcado por fenómenos de afastamento da experiência de fé e da experiência eclesial. O próprio caminho eclesial fica marcado por dificuldades e por exigências de renovação espiritual, moral e pastoral. Ainda assim, o Espírito Santo continua a suscitar nos homens a sede de Deus e, na Igreja, um novo fervor, novos métodos e novas expressões para o anúncio da Boa Nova de Jesus Cristo». (DC 39) «Os desafios que os novos tempos lançam à Igreja podem ser enfrentados, em primeiro lugar, com um dinamismo de renovação; e, do mesmo modo, este dinamismo é possível, se se mantiver uma confiança firme no Espírito Santo: “Não há maior liberdade do que a de se deixar conduzir pelo Espírito, renunciar a calcular e controlar tudo, e permitir que Ele nos ilumine, guie, dirija e impulsione para onde Ele quiser. O Espírito Santo bem sabe o que faz falta em cada época e em cada momento”» (DC 40)


Assim, planificar o ano catequético b) hoje, a missão exige estar atento supõe: aos vários destinatários. a) não apenas ler e seguir os mateNa «nova evangelização», numa Igreja misriais catequéticos, mas: sionária, os catequizandos são apenas uns dos grupos, aos quais a Igreja envia os catequistas. || estar em permanente atitude orante, Assim, uma catequese “querigmática”, uma humilde e em comunhão com os irmãos; catequese do “encontro”, assume a responsabilidade de integrar na sua planificação pro|| escutar da Palavra e deixar-se questio- cessos dirigidos: nar; || às famílias que «conservam uma fé​́ ca|| acolher as diretrizes da Igreja, da co- tólica intensa e sincera, exprimindo-a de dimunidade (documentos do magistério); versos modos, embora não participem frequentemente no culto. Esta pastoral está || procurar formas de: orientada para o crescimento dos crentes, “- Fazer das famílias não apenas destinatá- a fim de corresponderem cada vez melhor rias de solicitude pastoral, mas sujeitos e pro- e com toda a sua vida ao amor de Deus» tagonistas da evangelização, de modo que se (DC42); tornem famílias missionárias. -Capacitar e envolver as famílias na assun|| às famílias que são batizadas «porém, ção da sua missão, de modo que a própria não vivem as exigências do Batismo, não senfamília evangelize a família. Nesta tarefa, a tem uma pertença cordial à Igreja e já não pastoral digital pode ajudar a ligar, animar e experimentam a consolação da fé» (DC42); «alimentar» pastoralmente as famílias”10. || às famílias que «não conhecem Jesus || realizar a planificação com o pároco, Cristo ou que sempre o rejeitaram. Muitos catequistas integrando o conselho pastoral deles buscam secretamente a Deus, movidos e os vários organismos da comunidade, para pela saudade do seu rosto, mesmo em países que todos os âmbitos da pastoral se impli- de antiga tradição cristã. Todos têm o direito quem na «iniciação cristã» dos novos filhos da de receber o Evangelho». (DC42) Igreja. Por isso o novo Diretório para a Catequese recorda que «este impulso missionário espontâneo deve ser apoiado por uma verdadeira pastoral do primeiro anúncio, capaz de levar a cabo iniciativas para propor de forma explícita a boa nova da fé, manifestando concretamente a força da misericórdia, verdadeiro centro do Evangelho, e favorecendo a inserção de quem se converte na comunidade eclesial.» (DC42)

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c) Ter presente a finalidade última da catequese Sabendo que «o encontro com Cristo envolve a pessoa na sua totalidade: coração, mente, sentidos. Não tem a ver apenas com a mente, mas também com o corpo e sobretudo com o coração. Neste sentido, a catequese, que ajuda à interiorização da fé e, com isto, dá um contributo insubstituível para o encontro com Cristo, não é a única a favorecer a prossecução desta finalidade, convergindo com as outras dimensões da vida de fé: na experiência litúrgico-sacramental, nas relações afetivas, na vida comunitária e no serviço aos irmãos, acontece efetivamente algo de essencial para o nascimento do homem novo (cf. Ef 4,24) e para a transformação espiritual pessoal (cf. Rm 12,2)». (DC 76) Assim a planificação, fiel à finalidade da catequese, integra processos que favoreçam: || o acompanhamento/ajuda à família na sua missão de iniciar à vida na fé; || a vida litúrgica e participação nos sacramentos; || a integração dos catequizandos e famílias na comunidade; || a participação na missão da Igreja, nomeadamente o serviço aos outros.

10 Objetivo do Plano Pastoral da Diocese do Porto2020-21.

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2… Notas a ter em conta no processo de planificação

|| 2º Definir objetivos para responder às Integrar na planificação do ano catediferente problemáticas; quético: || Agenda Litúrgica; || 3º Pensar em projetos que possam res|| Plano Pastoral diocesano e indicações ponder aos objetivos e possibilitem integrar catequizandos e famílias: da Igreja universal; - na vida litúrgica e participação nos sacra|| Propostas diocesanas para a catequese mentos; - na vida da comunidade; (ver o SDEC); - na missão da Igreja nomeadamente o ser|| Propostas vicariais (catequética assim viço aos outros / diaconia. em ordem a uma iniciação à vida na fé. como dos outros âmbitos pastorais); || 4º Tomar conhecimento dos materiais catequéticos da Conferência Episcopal Portu|| Agenda das famílias (calendário civil), guesa (CEP): objetivos, conteúdos, propostas pedagógicas; dias, horários…; || Projeto pastoral da paróquia;

|| 5º Distribuir os conteúdos e estratégias/atividades de acordo com o calendário litúrgico, a planificação da comunidade e os Tempos para a planificação || Planificar após a reunião de avaliação projetos escolhidos… do ano (junho) e ultimada no princípio de sePessoas implicadas na planificação tembro; || Pároco || sendo a planificação uma bússola que || Conselho pastoral (e alguma equipa permite manter o norte, a mesma deve ser avaliada e reformulada trimestral e sempre como por exemplo a Pastoral da família) que seja necessário adapta-se ao desenrolar || Equipa – Coordenadora da vida da comunidade. || Agenda cultural, social, política…

|| Catequistas Passos a dar para planificar (ver a grelha) || Várias famílias (adultos e catequizan|| 1º Analisar da realidade: dificuldades / dos) problemas e potencialidades;

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3… Processo e instrumento para a elaboração da planificação

1º passo: Fazer o DIAGNÓSTICO Este passo propõe que se faça uma análise swot (dificuldades e potencialidade) da realidade relativamente ao que se refere aos seguintes âmbitos: || o acompanhamento / ajuda à família na sua missão de iniciar à vida na fé; || a vida litúrgica e participação nos sacramentos; || a integração dos catequizandos e famílias na comunidade; || a participação na missão da Igreja, nomeadamente o serviço aos outros. O diagnóstico permite que para além dos documentos catequéticos se proponham processos que permitam que a catequese chegue a ser um processo de iniciação à vida na fé, na comunidade (de acordo com os documentos da CEP e o novo Diretório para a catequese).

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a... O acompanhamento/ajuda à família na sua missão de iniciar à vida na fé: Potencialidades das famílias: || …

Dificuldades que apresentam as famílias: || …

Potencialidades que apresentam os catequistas: || …

Dificuldades que revelam os catequistas: || …

Potencialidades que apresenta a comunidade: || …

Dificuldades e obstáculos que revela a comunidade: || …

b... A vida litúrgica e participação nos sacramentos: Potencialidades que apresentam os catequistas: || …

Dificuldades que revelam os catequistas: || …

Potencialidades que apresentam os catequizandos: || …

Dificuldades que revelam os catequizandos: || …

Potencialidades das famílias: || …

Dificuldades que apresentam as famílias: || …

Potencialidades que apresenta a comunidade: || …

Dificuldades e obstáculos que revela a comunidade: || …

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c... A integração dos catequizandos e famílias na comunidade: Potencialidades que apresentam a comunidade: || …

Dificuldades e obstáculos que revela a comunidade: || …

Potencialidades que apresentam os catequistas: || …

Dificuldades que revelam os catequistas: || …

Potencialidades das famílias: || …

Dificuldades que apresentam as famílias: || …

d... A participação na missão da Igreja, nomeadamente no serviço aos outros: otencialidades que apresenta a comunidade: || …

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Dificuldades e obstáculos que revela a comunidade: || …

Potencialidades das famílias: || …

Dificuldades que apresentam as famílias: || …

Potencialidades que apresentam os catequistas: || …

Dificuldades que revelam os catequistas: || …


2º passo: Elaborar objetivos que respondam às dificuldades e problemas detetados: Ao elaborar os objetivos de acordo com as dificuldades e problemas detetados, possibilita refletir sobre que metas seriam importantes atingir tendo em conta a regra dos 3P: pouco, pequeno, possível e avaliável.

a...

O acompanhamento/ajuda à família na sua missão de iniciar à vida na fé: Dificuldades que apresentam as famílias: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

Dificuldades que revelam os catequistas: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

Dificuldades e obstáculos que revela a comunidade: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

b... A vida litúrgica e participação nos sacramentos: Dificuldades que revelam os catequistas: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

Dificuldades que revelam os catequizandos: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

Dificuldades que apresentam as famílias: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

Dificuldades e obstáculos que revela a comunidade: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

50


c... A integração dos catequizandos e famílias na comunidade: Dificuldades e obstáculos que revela a comunidade: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

Dificuldades que revelam os catequistas: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

Dificuldades que apresentam as famílias: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

d... A participação na missão da Igreja, nomeadamente no serviço aos outros: Dificuldades e obstáculos que revela a comunidade: || …

51

Objetivos para responder às dificuldades: -

Dificuldades que apresentam as famílias: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -

Dificuldades que revelam os catequistas: || …

Objetivos para responder às dificuldades: -


3º passo: distribuir conteúdos e outras propostas dos materiais catequéticos Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), na grelha de planificação anual: Data

Local

Itinerário Catequético Nº Título da Catequese

Tipo de atividade dos projetos

Conteúdo/ Estratégias

Destinatários

Responsáveis

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4º passo: Procurar projetos que, integrados ao programa e propostas dos materiais catequéticos, possam ajudar a família e a catequese, em comunidade a implementar um processo de iniciação à vida cristã. Uma catequese querigmática, catecumenal e mistagógica de acordo com: o Diretório e os documentos da CEP. Neste passo, de acordo com os objetivos elaborados, são pensados projetos complementares aos materiais catequéticos. Esta revista propõe vários projetos e atividades que podem servir de inspiração, de acordo com a realidade própria da comunidade.

a...

O acompanhamento / ajuda à família na sua missão de iniciar à vida na fé: Objetivos - catequistas: -

Projetos possíveis:

Objetivos - famílias: -

Projetos possíveis:

Objetivos - comunidade: -

Projetos possíveis:

b...

A vida litúrgica e participação nos sacramentos: Objetivos - catequistas: Objetivos - catequizandos: -

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Projetos possíveis:

Projetos possíveis:

Objetivos - famílias: -

Projetos possíveis:

Objetivos - comunidade: -

Projetos possíveis:


c... A integração dos catequizandos e famílias na comunidade: Objetivos - comunidade: -

Projetos possíveis:

Objetivos - catequistas: -

Projetos possíveis:

Objetivos - famílias: -

Projetos possíveis:

d...

A participação na missão da Igreja, nomeadamente no serviço aos outros: Objetivos - comunidade: -

Projetos possíveis:

Objetivos - catequistas: -

Projetos possíveis:

Objetivos - famílias: -

Projetos possíveis:

NOTA: Cada grupo de catequese deverá apenas assumir um ou dois projetos, sendo que os mesmos deverão ter em conta os quatro âmbitos: família, liturgia, comunidade e serviço.

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5º passo: Os projetos Neste último passo será necessário: a.. Elaborar os escolhidos relativos: || ao acompanhamento/ajuda à família na sua missão de iniciar à vida na fé; || à vida litúrgica e participação nos sacramentos; || à integração dos catequizandos e famílias na comunidade; || à participação na missão da Igreja, nomeadamente o serviço aos outros. b.. fazer a lista das atividades que cada projeto supõe para, seguidamente, as distribuir pelo ano catequético. Recordando as indicações do Diretório (dos nº 75 a 89 e do nº 227 a 232): «Para realizar a sua finalidade, a catequese leva a cabo algumas tarefas, interligadas entre si, que se inspiram no modo como Jesus formava os seus discípulos: || dava a conhecer os mistérios do Reino, || ensinava a rezar, || propunha as atitudes evangélicas, || iniciava-os à vida de comunhão com Ele e entre si || e à missão. Esta pedagogia de Jesus plasmou, depois, a vida da comunidade cristã: «Eram assíduos ao ensino dos Apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações» (At 2,42). De facto, a fé exige que as pessoas a conheçam, celebrem, vivam e façam dela oração. Para formar para uma vida cristã integral, a catequese leva a cabo, portanto, as seguintes tarefas: leva ao conhecimento da fé; inicia à celebração do Mistério; forma para a vida em Cristo; ensina a rezar e introduz à vida comunitária.» (DC 79)

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6º passo: colocar numa grelha os conteúdos, os projetos e a atividades:

Data

Local

Itinerário Catequético Nº Título da Catequese

Tipo de atividade dos projetos

Conteúdo/ Estratégias

Destinatários

Responsáveis

Todo o processo catequético deve ter em conta: «No início do ser cristão não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, um rumo decisivo”. A afirmação é do Papa Bento XVI […]. Dois anos depois repetiu-a, a nós bispos portugueses, na visita ad limina apostolorum, acrescentando: “A evangelização da pessoa e das comunidades depende totalmente da existência ou não deste encontro com Jesus Cristo11”. Encontro da parte de quem é evangelizado e de quem evangeliza.» (CAECJ 1)

11 Bento XVI, Discurso aos Bispos de Portugal (Roma, 10.11.2007), in Lumen, III, 68 (2007, 6) 20.

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AMAR COMO MARIA Celebração do dia da mãe, online - ou presencial

Material • Vídeo Youtube – “Um anjo chamado Mãe” • Imagem ou Estampa de Nossa Senhora • Preparar, com antecedência, um pequeno vídeo, utilizando o MovieMaker ou a App Fotografias do Windows, com os catequizandos em que cada um irá dizer: “A minha mãe é…. Eu gosto da minha mãe porque…” • Flores brancas (uma para cada mãe – podem ser naturais ou feitas de papel) para o altar de Nossa Senhora O catequista terá uma mesa, para fazer de altar, onde irá colocar: tolha branca, imagem de Nossa Senhora, Objetivos da atividade • Reconhecer a importância da figura da flores, Bíblia) mãe no desenvolvimento dos filhos; • Descobrir Maria como modelo a seguir; • Proporcionar às mães um momento de gratidão, de alegria e partilha de Fé, na catequese, com os seus filhos. Cada ano, a revista A MENSAGEM, sugere que os catequistas convidem as mães dos catequizandos a participarem numa catequese intergeracional. Um encontro celebrativo dirigido a Maria, nossa mãe e a todas as mães. Devido às regras sanitárias, que ainda vigoram, sugere-se que o encontro seja feito online, reunindo o grupo de catequese e todas as famílias! Se as condições o permitirem, a proposta poderá ser adaptada e realizada num encontro presencial.

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Preparação antes do Encontro - 15 dias antes do encontro, o catequista desafiará as famílias a fazerem uma pequena reflexão bíblica a partir dos textos propostos e com as respetivas perguntas para ajudar à reflexão. Se o grupo for grande, poderá entregar-se o mesmo texto a duas/três famílias. Cada texto bíblico mencionado corresponde a uma virtude de Maria. Estas serão descobertas na catequese. • Maria diz ‘Sim’ – Lc 1,38 (Como Maria reagiu? O que respondeu?) • Visita de Maria à sua prima Isabel – Lc 1, 39-45 (Quando Maria visitou a prima? Qual • Magnificat – Lc 1,46-56 (Por que Maa razão de Maria visitar a prima? O que aconria cantou o Magnificat? O que ela quis dizer teceu? Como Isabel reagiu?) com esta oração?) • José – Mt 1,18-19 (Por que razão José queria rejeitar Maria? Se isso acontecesse, o que seria de Maria? Seria fácil para ela? Por que?) • Nascimento de Jesus – Lc 2,1-7 (Onde Jesus nasceu? O que sentiram os pais de Jesus ao ver que não havia lugar para eles? Onde Jesus foi colocado?) • Os pastores – Lc 2,15-20 (Por que foram ver o Menino? O que disseram? Como reagiu Maria?) • Fuga para o Egito – Mt 2,13-15 (Por que tiveram de fugir? Sentiram medo?) • Jesus no templo – Lc 2,41-49 (O que Jesus fazia? Quem O procurava? O que Maria perguntou? Qual a resposta de Jesus?)

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• As bodas de Caná – Jo 2,1-5 (Onde foi o casamento? Quem foi ao casamento? O que Maria reparou? O que Jesus disse? O que Maria fez?) As reflexões deverão ser enviadas, pelas famílias, ao Catequista atempadamente de forma a que o mesmo possa fazer a explicitação da Palavra, ou seja, confrontar a vida à Luz da Palavra de Deus. O catequista poderá preparar a apresentação da reflexão em PowerPoint ou no Canva.

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Nota: Na altura da catequese, o catequista deverá colocar, no seu ambiente de trabalho, todo o material necessário para a catequese online, bem como a música, de forma a não perder tempo/proporcionar momentos “mortos” na catequese. É importante que o lugar em que fará a catequese não tenha “distrações”. Há que procurar um lugar sem muitas decorações, fotos ou qualquer outra coisa que distraia o grupo. Esquema do Encontro

No final do vídeo, o catequista, faz as seguintes perguntas aos filhos: - Gostaram do vídeo? Acham que a vossa mãe é um anjo para vocês? Porquê? - Todas as crianças têm uma mãe? - Todos precisam de uma mãe? Porquê? - E as crianças que não têm mãe? Há sempre alguém que cuida delas, que as ama como uma mãe, são as mães do coração - O que os filhos fazem pelas mães, pelas pessoas que as amam como só uma mãe sabe amar?

Seguidamente, pergunta às mães o que 1º momento: Momento de Acolhimento acharam do vídeo, a parte que mais gostaram. (no exterior) ou no ZOOM Estimular a partilha das mães. Para ajudar, o - Acolher mães e filhos à medida que vão catequista poderá fazer o seguinte diálogo chegando. Perguntar se estão bem dispostos com as mães: - Sente que é um anjo para o/a seu/sua fie com vontade de saber quais as surpresas lho/a? Porquê? que estão preparadas? - O que é ser mãe? - Quais as maiores dificuldades que sente - Dinamizar o momento com o refrão do ou sentiu ao ser mãe? cântico: “Por isso estamos aqui” - Qual a maior alegria que teve com o filho? 2º momento - Momento de Acolhimen- E a menos boa? - O que é mais importante dar ao filho para to – introdução ao encontro o seu crescimento? (na sala de catequese ou no ZOOM) 3º momento – Momento da Palavra e de No diálogo, o catequista deve estimular a que participem não só as crianças, mas tam- oração bém as mães. Após a partilha de todos, o catequista con- Na sala, acolher a todos com alegria, di- vida ao silêncio, para que todos pensem na zendo que é uma ocasião muito especial, pois seguinte pergunta: Quem são as mães para nós? iremos celebrar o dia da mãe. Perguntar aos filhos o que sentem por terem as suas mães ali junto deles. Depois, perguntar às mães. - Após o diálogo, convidar todos a assistirem um vídeo (“Um anjo chamado Mãe). Para tal, todos devem desligar o micro e estar muito atentos ao vídeo, pois haverá perguntas no final.

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Após uma breve pausa, o catequista irá falar de Maria, começando pelo anúncio do anjo, a sua visita à prima Isabel, o canto de Maria a agradecer a Deus por tudo o que Ele fez. (O catequista vai explorar as reflexões feitas pelas famílias, realçando os momentos mais importantes em que Maria acompanhou Jesus, desde o seu nascimento, com Jesus no Templo, a fuga para o Egito, nas Bodas de Caná) O que Maria fez por Seu Filho, Jesus? Como e quando é que ela foi uma Mãe para Jesus? O Catequista faz uma apresentação em PowerPoint (ou Canva) com as características de Maria como mãe e o que fez para ajudar Jesus no seu crescimento. À medida que for apresentando, o catequista vai realçando algumas das suas virtudes: - Fé – Maria acreditou na Palavra de Deus (Lc. 1,38) - Esperança – Maria esperou pelo momento de Jesus: “Fazei tudo o que Ele mandar” (Jo. 2,5) - Caridade – Maria ajudou a sua prima, ficando com ela três meses (Lc. 1,56) - Na aceitação do sacrifício e da dor (Lc. 2,7 e Jo. 19-25-26) - Humildade – “Eis aqui a serva do Senhor” (Lc. 1-38-48) - Misericórdia – “Eles já não têm vinho” ( Jo. 2,3) - Prudência – “Maria guardava todas essas coisas no coração” (Lc. 2,19) - Modéstia – “Meu Filho, porque fizeste isto connosco?...” (Lc. 2,48) - Piedade – “A minha alma proclama a grandeza do Senhor… (Lc. 1,46-47) - Benignidade – “Entrou na casa de Zaca-

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família seja feliz? Se não, como posso fazer para isso acontecer? - Rezo pela minha mãe, pelos meus pais e irmãos? - Sou paciente com as fraquezas dos outros? Como posso melhorar? - O que posso fazer para ser como Maria? - Peço ajuda à Mãe de Deus para me iluminar nas horas mais difíceis? - Como Maria, procuro estar atento às necessidades dos outros? - Sou capaz de dizer Sim, como Maria, ao que o O catequista lembra que foi Jesus quem Pai me pede? nos deu Maria como Mãe de todos nós. O catequista convida à oração: Após este momento, o catequista coloca a O grupo é convidado a escutar a Paimagem de Maria à frente do ecrã. Se não tilavra: - Fazer a contextualização da Palavra e pro- ver uma imagem, pode ser uma estampa/foto de Maria. clamar: Jo. 19,26-27 rias e saudou Isabel.” (Lc. 1,40) - Fortaleza – “Maria, sua Mãe, estava grávida… José, seu marido, era justo. Não queria denunciar Maria e pensava em deixá-La…” (Mt. 1,18-19) - Sabedoria – “A Mãe de Jesus disse aos servidores: ‘Fazei tudo o que Ele mandar’” ( Jo. 2,5) - Paciência – (Mt. 2,13)

Pedir, a cada um, que contemple o rosto de Maria. Em seguida, convida a todos a feO catequista aprofunda a Palavra charem os olhos e que conversem com ela, como só um filho se dirige à sua mãe. através do diálogo: - Partilhar o que mais o tocou na escuta da No final, rezar uma Ave-Maria e cada um Palavra (mães/filhos) - O que sentiu ao saber que Jesus, mesmo irá dizer, três vezes, no seu coração, a morrer, não se esqueceu de nós, que nos “Mãe, olha para mim que sou teu/ deu uma Mãe para olhar por nós, para estar tua filho/a”. connosco? - É importante termos uma mãe como MaEnquanto isso, coloca o cântico: “Mãe, olha ria? Por que? para mim” O catequista convida cada uma a 4º momento – Atividade final e comconfrontar a vida com a Palavra: Após verem como Maria foi mãe, as mães e promisso os filhos são convidados a pensarem se, na sua Posto isto, o catequista fala do amor de vida, possuem algumas dessas características/ virtudes e, como poderá, a exemplo de Ma- Maria por cada um de nós. E, pergunta, o que ria, colocar em ação nas suas vidas e nas vidas descobriram nesse dia tão especial dedicado dos outros. Para ajudar, o catequista faz as às mães. (Momento de partilha de todos – o seguintes perguntas, mas sem resposta: (pode que descobriram sobre Maria) - Fazer eco da Palavra

colocar uma música de fundo, apenas instrumental)

Após a descoberta, o catequista propõe às - Como tenho sido amigo dos outros? Tenho mães e filhos que combinem, entre si, o que poderiam fazer, durante o mês de Maria, para ajudado os que mais precisam? - Em casa, tenho contribuído para que a minha viver como Maria viveu. O catequista começa

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por partilhar o que irá fazer (Ex.: rezar em família, ajudar quem mais precisa, ajudar mais em casa com as tarefas... – Tem de ser algo concreto) Após isto, o catequista fala que o mês de Maria é muito importante, tão importante que, nas igrejas, enfeitam o altar à Nossa Senhora e rezam o terço como forma de agradecimento. Desta forma, convida a todos a arranjarem, em casa, um lugar de destaque e colocarem uma imagem de Maria. Se não tiverem, pode ser uma estampa. Convida-os, então, a enfeitarem com flores o lugar onde está a imagem de Maria (momento a ser feito em família). Desta forma, poderão falar com Maria, sempre que ali virem o altar. O catequista mostra o lugar que escolheu, em casa, com a imagem de Maria. E convida, a cada família, a fazer o mesmo e enviar uma foto do seu altar em casa. 5º momento – entrega da surpresa às mães O catequista informa que o encontro ainda não terminou. E, que agora, os filhos têm uma prenda para dar às suas mães. O catequista convida a todos a assistirem o vídeo com as crianças para as suas mães. O encontro pode terminar com o cântico anterior. Cláudia Lima

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4… DOSSIER – CASA COMUM – para a família «Jardineiros no jardim de Deus» Amar a nossa casa comum esta sublime prenda do nosso Abba

Sugere-se que a família se dedique conhecer, questionar-se e agir: «Desde que o Papa Francisco nos alertou para a urgência de novas atitudes para com a natureza, com a publicação da encíclica Laudato si, esta celebração universalizou-se e passou a entrar, mais autenticamente, no rol das nossas preocupações e vivências eclesiais. Como é sabido, para assinalar o quinto aniversário desta encíclica dedicada a uma temática absolutamente nova, o Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral, da Santa Sé, anunciou um ano celebrativo especial, de 24 de maio de 2020 a 24 de maio de 202112». Dom Manuel Linda convida, entre outros, as famílias celebrarem «este tempo da Criação com ações de sensibilização ambiental, reflexão sobre a interligação da pessoa com a natureza e, se possível, com a oração de louvor pela magnífica oferta que o Criador nos concedeu».

1º CONHECER: -Sugere-se que, cada semana ou cada mês, a família investigue o que é sugerido pelo «Dicastério para a Promoção do Desenvolvimento Humano Integral» e as propostas na nossa Diocese, de vários organismos em Portugal assim como as questões que são colocadas pelo Papa Francisco na encíclica Laudato si; 2º QUESTIONAR-SE - Dialogar em família sobre as questões levantadas olhando cada um para si mesmo, para a forma como vive a família e para o mundo na sua globalidade; 3º AGIR - Propõe-se que cada membro individualmente e a família como grupo, assumam compromissos. Pequenos gestos que «salvem» a terra, a humanidade, tendo em conta o que o Papa chama de ecologia integral!

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Jesus Cristo e Santo Menas, superior do monastério de Baouit, no Egito. Icône copta do século VII - Louvre, Paris.

Alguns materiais: Subsídios provenientes: || do nosso Bispo Dom Manuel Linda, enConcluímos com a Nota Pastoral de tre outros a Nota Pastoral de 27 de agosto de 2020: Diocese do Porto | Jardineiros no Dom Manuel Linda: jardim de Deus (diocese-porto.pt); Rezemos: «Senhor da Vida, durante este || do Dicastério para o Desenvolvimento Tempo da Criação pedimos que nos deis coHumano Integral (www.sowinghopeforthe- ragem para guardar o shabat do nosso plaplanet.org/files/shftp_uploads/2020/6/Lauda- neta. Fortalecei-nos com a fé para acreditarmos na Vossa providência. Inspirai-nos com a to_Si_Portuguese_compressed.pdf) criatividade para compartilharmos aquilo que || da Comissão Ecuménica (seasonofcre- recebemos. Ensinai-nos a satisfazer-nos com aquilo que é suficiente. E enquanto proclamaation.org/pt/about-pt). mos um Jubileu pela terra, enviai o Vosso Es|| da Comissão Diocesana para o Ecu- pírito a renovar a face da criação. Nós Vo-lo menismo (ecumenismodioceseporto.blogs- pedimos em nome de Jesus Cristo que veio proclamar a boa-nova para toda a criação”». pot.com) || Cuidar a Casa Comum- rede de instituições/organização/particulares católicos e de outras igrejas cristãs: http:/casacomum.pt

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12 Dom Manuel Linda, Nota Pastoral, «Jardineiros no jardim de Deus», 27 de agosto de 2020


5… Ao ENCONTRO – arte e

espiritualidade Abraço Pascal

Um abraço de Páscoa tem a paz do Cristo ressuscitado

Como fazer? – TEMPO DE ORAÇÃO Para acolher o abraço pascal todos os dias… em família, na comunidade, no encontro de catequese propõe-se: 1º Leia o texto informativo sobre o ícone- de Susana Braguês 2º Que se leiam os trechos bíblicos e, seguidamente, que se voltem a ler em silêncio e se meditem: “Ele pôs sobre mim a sua mão direita, dizendo-me ‘não temas: Eu sou o Primeiro e o Último, O que vive; conheci a morte, mas eis Me aqui vivo pelos séculos dos séculos” (Ap 1, 17-18) ………………… «Assim como o Pai me tem amor, assim Eu vos amo a vós. Permanecei no meu amor.» ( Jo 15, 9) ………………………. «Manifestei-vos estas coisas, para que esteja em vós a minha alegria, e a vossa alegria seja completa. É este o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei. Ninguém tem mais amor do que quem dá a vida pelos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que Eu vos mando. Já não vos chamo servos, visto que um servo não está ao corrente do que faz o seu senhor; mas a vós chamei-vos amigos, porque vos dei a conhecer

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tudo o que ouvi ao meu Pai. Não fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi a vós e vos destinei a ir e a dar fruto, e fruto que permaneça; e assim, tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome Ele vo-lo concederá. É isto o que vos mando: que vos ameis uns aos outros.» ( Jo 15, 11-17) 3º Que se reze em voz alta, e seguidamente que se volte a rezar em silêncio e se medite sobre o «Abraço de Páscoa»:

Um abraço de Páscoa tem o calor do amor O poder do fogo, o fogo novo da passagem A morte não matou a esperança. Um abraço de Páscoa tem o coração humano A alegria da libertação, o segredo da transformação A morte é uma etapa da vida. Um abraço de Páscoa tem a travessia do mar e do deserto Tem o rochedo aberto em água e luz O sepulcro explode num riacho feliz. Um abraço de Páscoa tem o silêncio do mistério Tem a partilha do pão, a proximidade de pessoas, A derrota do desânimo, o renascimento da coragem. Um abraço de Páscoa tem a ternura do nascimento A simplicidade da luz, a expansão da liberdade A luz da noite de Jesus faz nossa vida de luz. Um abraço de Páscoa tem chão, lama e escuridão, Tem sufoco e superação, o silêncio da solidão Tem mendigos, peregrinos, famintos de comunhão. Um abraço de Páscoa tem a transcendência do existir Tem o ser da beleza, da bondade e da verdade de Deus Tem a árvore da vida, integração da terra e do céu. Um abraço de Páscoa tem a paz do Cristo ressuscitado. P. José Luís Coelho, CSh 67


4º Se faça uma oração espontânea de louvor, recordando e agradecendo a presença de Jesus ressuscitado na vida…(releitura dos passos de Deus na vida quotidiana)… 5º Se faça uma oração espontânea de pedido de perdão, pois nem sempre acolhemos este abraço, não o vemos e sentimos… Convida-se a suplicar para todos os que, quer estejam próximos de nós, assim como todas as situações humanas que no mundo vivem na dor, que encontrem alguém que lhes “dê esse abraço porque o recebeu do Mestre”… 6º Conclui-se com um abraço físico ou espiritual de acordo com as normas sanitárias e a situação do grupo no qual se faz este tempo de oração. Para saber mais sobre o ícone- texto de Susana Braguês «Este ícone apresenta-nos duas pessoas. Quem está do lado direito é Cristo ressuscitado, que se pode identificar pelo nimbo com uma cruz que rodeia a sua cabeça, uma característica unicamente reservada a Jesus na linguagem iconográfica. Ele carrega, no seu braço, o Livro da Vida. Como todo o autêntico ícone, este escreve em imagens um acontecimento bíblico, aqui está escrita a visão do autor do livro do Apocalipse: “Ele pôs sobre mim a sua mão direita, dizendo-me ‘não temas: Eu sou o Primeiro e o Último, O que vive; conheci a morte, mas eis-Me aqui vivo pelos séculos dos séculos” (Ap 1, 17-18)

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É um ícone copta, que foi escrito no século VI, no Egipto (nos nossos dias encontra-se exposto no Museu do Louvre), é portanto muito antigo e por isso reflete bem as origens do estilo iconográfico, em que o mais importante na representação humana era o rosto, ainda que desproporcionalmente maior que o resto do corpo, de faces rosadas, e grandes olhos vivos, bem abertos... tons quentes, acastanhados, amarelos e laranja, tudo revela vitalidade e movimento, ao mesmo tempo que as bocas fechadas convidam ao silêncio e recolhimento, paragem para respirar no meio da vida. Quem será, então, a personagem do lado esquerdo, sobre quem Jesus coloca o seu braço direito? Cada um de nós é convidado a assumir esse lugar, ainda que quem aqui está representado seja uma personagem do seu tempo, com um nome e uma história. Na inscrição em grego pode ler-se: “Eis Mena, que deu bom testemunho do Salvador” Será, portanto, um cristão mártir da Igreja Primeira. Este ícone é conhecido de modo especial por quem viveu a experiência intensa de Taizé, onde este ícone é chamado de Ícone da Amizade, uma das suas reproduções é usada para a Oração e Celebração da Fé».

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6…

Em REDE na WEB

Catequista / testemunha ao serviço de uma experiência de fé na web

“A introdução e o uso de instrumentos digitais de forma massiva causou alterações profundas e complexas a muitos níveis, com consequências culturais, sociais e psicológicas ainda não totalmente evidentes” (DPC 258), mudando o mundo e a sua perceção. Na dimensão da educação, da “formação/ ensino” à distância (EaD) será uma realidade e uma alternativa para o presente e o futuro. Opções que requerem novas exigências pois não é possível orientar um encontro e-learning com as mesmas pedagogias, técnicas e linguagens usadas nos encontros presenciais…

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«a catequese não vai parar! Reforçar o apoio missionário, afetivo, formativo e logístico aos catequistas e, porventura, tentar aumentar o seu número» Atualmente, é incontornável a questão digital na educação da fé/iniciação cristã. A pandemia veio recordar a urgência de refletir e dar resposta a estes desafios, como referem alguns pontos das “emergências pastorais” e dos objetivos citados no Plano Pastoral da nossa Diocese. Uma problemática que ultrapassará o tempo da pandemia. Neste sentido, os dez membros da equipa de “Comunicação do SDEC-Porto” disponibilizaram, a mais de 300 catequistas, oriundos de dioceses de Portugal e de vários países estrangeiros, de outubro a junho, um processo formativo: «A web no serviço da educação da fé / catequese» para responder aos seguintes objetivos: • Saber utilizar material e saber conectar-se na net… • Elaborar materiais gráficos para a web: montagens, concursos, jogos, captar imagens e realizar vídeos… • Valorizar evangelicamente a cultura digital; • Identificar o estilo cristão de estar na Web; • Compreender as qualidades da presença cristã; • Orientar um encontro de catequese/reunião/tempo de oração no espaço digital; • Utilizar a web como meio facilitador da comunhão e interação entre a família, a comunidade e a catequese…

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Programação:

ZOOM, WhatsApp, PowerPoint ZOOM ZOOM Kahoot, Mentimeter Catequista/testemunha ao serviço de um ência de fé na web Kahoot, Mentimeter Youtube e Powerpoint Catequista/testemunha ao serviço de um ência de fé na web Youtube e Powerpoint Ferramentas para realizar cartazes, post flyers, vídeos: Canva, MovieMaker Telegram e WhatsApp Outras ferramentas / experiências Telegram e WhatsApp Outras ferramentas / experiências Mentimeter - revisões Zoom básico - revisões Google docs (fazer formularios, partilha tos…) e outras ferramentas Consolidação de ferramentas: Menti, C vie Maker, Powerpoint, Telegram, Google Jamboard, Padlet Leitura Orante da Palavra (catequese) Wordwall Jitsi Exercícios para cultivar a “Alegria com J acolher e preparar o momento de oraç Apresentação geral do Novo Diretório quese

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ma experi-

19 de novembro 26 de novembro 3 de dezembro

10 de dezembro ters, cartões, 14 e 21 de janeiro 28 de janeiro 4 de fevereiro

8 de fevereiro 18 de fevereiro ar, documen- 11 e 25 de fevereiro

Canvas e Mo- 24 de março e Drive 15 de abril 29 de abril 10 de maio 27 de maio Jesus”, para 7 de junho ção para a cate- 21 de junho

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Programação:

ma experi-

1 de outubro 9 de outubro 16 de outubro 12 de novembro 16 de novembro


7…

Boas Notícias

Recriar a catequese para novos tempos de pandemia

“A criatividade é como que a coluna do ser catequista. Deus é criativo, não se fecha, e por isso nunca é rígido. Acolhe-nos, vem ao nosso encontro, compreende-nos. Para sermos fiéis, para sermos criativos, é preciso saber mudar. Saber mudar. E porque devo mudar? É para me adequar às circunstâncias em que devo anunciar o Evangelho” Papa Francisco, Congresso Internacional da Catequese 2013

«A criatividade é como que a coluna do ser catequista. Deus é criativo» Papa Francisco

Confrontados com uma nova realidade, os catequistas foram chamados a reinventar-se nos métodos e abordagens das suas catequeses que, em cenário de pandemia e confinamento obrigatório, migraram para encontros online. Tudo parecia estranho, vazio, pela ausência do presencial, distante, pela falta do afeto, da relação do encontro. As portas das igrejas, enquanto edifício, tiveram que fechar, os espaços de catequese, as nossas salas, ficaram sem ninguém e aquela azáfama dos encontros presenciais, quedou-se… tudo teve que ficar suspenso pela salvaguarda da saúde, ameaçados pela transmissão fulgurante de um vírus que virou tudo do avesso.

Mesmo fechados todos em casa, o catequista não se conformou e respondeu aquele apelo que ainda hoje tão alto ecoa do São João Paulo II: “Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo!” Como? Com criatividade, ousadia, muita coragem, algum atrevimento, determinação e adaptação a novas realidades, exponenciando as imensas oportunidades a explorar no online. Assim e assumindo como incontornável a questão digital na educação da fé/iniciação cristã, que esta pandemia veio recordar a urgência de refletir e dar resposta a estes desa-

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fios, o SDEC-Porto avançou, em setembro, com um intenso processo formativo disponibilizando encontros regulares para dotar os catequistas de conhecimento, ferramentas e confiança nas abordagens através da web no serviço da educação da fé em contexto de catequese.

Ao mesmo tempo, em cada encontro de formação com os catequistas foi preparado um momento de oração inicial e uma reflexão catequética, orientada pela diretora do SDEC, Dr.ª Isabel Oliveira, que contribuiu para o fortalecimento dos catequistas na sua ação pastoral, ajudando a vencer os receios,

Mesmo fechados todos em casa, o catequista não se conformou e respondeu ao apelo: “Não, não tenhais medo! Antes, procurai abrir, melhor, escancarar as portas a Cristo!” Este conjunto de formações online, através da plataforma Zoom, contou com a participação de aproximadamente 300 catequistas, provenientes de várias dioceses para além da nossa diocese do Porto, nomeadamente Algarve, Angra do Heroísmo, Aveiro, Beja, Braga, Coimbra, Évora, Leiria – Fátima, Lisboa, Portalegre – Castelo Branco, Ponta Delgada, Santarém, Setúbal, Viana do Castelo, Viseu e também de outros países: Angola, Áustria, Bélgica e Suíça. Ao longo desta formação foram abordados vários conteúdos catequéticos e ferramentas digitais, capacitando os catequistas com novos métodos para dinamizar e envolver as famílias e os seus catequizandos nos encontros de catequese, revolucionados pela necessidade de nos adaptarmos à nova realidade em manter o contacto online através da web. Mentimeter, Kahoot, PowerPoint, Youtube, Canva, Moviemaker, WhattsApp, Telegram e Google Drive foram algumas das ferramentas trabalhadas nas várias formações semanais que, de outubro a abril, o SDEC-Porto manteve com os catequistas.

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instabilidade, incertezas, insegurança em adaptar-se a um novo contexto de evangelização. É importante destacar que estes encontros de formação constituíram momentos de partilha mútua entre todos, formadores e formandos, e de entreajuda e crescimento para todos. Ficam algumas das partilhas que os catequistas envolvidos neste processo fizeram no final da formação. Testemunhos: “Pela experiência que tenho, o online aproximou-nos muito mais, desenvolveu muito mais intimidade e sentimento de união, tanto com crianças como catequistas e essencialmente pais. A vossa ajuda foi excelente! Deu-me muita confiança nestas ferramentas e ensinou-me acima de tudo, a PARTILHAR. Partilhar o pouco que sei, porque também o recebi. Obrigada, é uma palavra pequena para vos agradecer…”




Testemunhos dos formandos

nicas que por aqui fui aprendendo, peguei naquele filme, encurtei-o, fiz-lhe ali uns cortes, fiz assim um pequenino filme, muito significativo dos principais momentos… Foi extraordinário, eles estavam super atentos. No fim surgiram orações no chat, também foram incríveis, fantásticas. Eu só penso quando voltar ao presencial como é que eu vou conseguir que eles se abram desta forma, porque neste momento estes miúdos estão a dar-me coisas que eu nunca imaginei que eles conseguissem, que eles tivessem isso para dar. Foi fantástico!”

“Temos utilizado o Mentimeter, o Kahoot, usamos o Google Drive e até o Canva. Com o que aprendemos temos feito imenso, cartazes, vídeos, que têm sido muito úteis para a dinamização das catequeses e até na liturgia da Palavra com os pequeninos, uma vez por mês. Também temos feito as orações, seguindo o que tem sido partilhado no início de cada formação. Tudo o que é partilhado pela Dr.ª Isabel, que nos ensina como havemos de trabalhar a oração, e temos utilizado muito isso. Então com os pais tem sido mes“Atualmente, enquanto catequistas temos mo imenso e tem resultado muito, eles ficam que nos treinar, que nos ajudar e acho que mesmo sensibilizados...” esta experiência de partilha é excelente. Ver “É de uma gratidão enorme aquilo que sen- como o Senhor também vai fazendo maravitimos, tanto eu como o resto das catequis- lhas. Porque, na realidade, nós não dominatas daqui da Marinha das Ondas, do carinho mos a internet, mas temos que nos treinar. com que transmitem e fazem esta partilha. Não vamos substituir a catequese com jogos, Já experimentamos imensas coisas, desde com isto ou aquilo, mas temos que reconheCanva, que uso e abuso, o PowerPoint e tam- cer a importância da utilização destes meios, bém o Mentimeter, o Kahoot. A catequese até porque eles nas escolas também estão a deu assim uma reviravolta, porque os miúdos usar. Portanto, temos que diversificar e não adoram e os pais já começam a interessar-se podemos ficar só presos ao papel! Para mim muito mais. E na oração, que era uma coisa é uma alegria poder partilhar convosco estes que eles não estavam muito habituados, de momentos, porque é assim que somos Igremaneira que a seguir a isso as orações já se- ja.” guem com muito mais tranquilidade e muito mais envolvimento da parte deles. Tem sido uma experiência encantadora.” “A propósito da visita do Papa Francisco ao Iraque, eu vi na Ecclesia um filme acerca daquele povo cristão, o êxodo daquele povo e toda aquela situação, e então, com as téc-

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“Sou catequista da Diocese de Luanda e tenho muito que agradecer essa experiência que tenho passado convosco, que se tem revelado uma grande ajuda nas sessões de catequese. Tenho estado muito atento a cada dica, a cada experiência que têm partilhado e depois vou implementando no meu grupo de catequese e, estou reconhecido, pois temnos ajudado a levá-los mais ao encontro com Jesus Cristo, nomeadamente através das orações que têm realizado nas formações.” “Tem sido muito enriquecedor ter a vossa partilha. Com a partilha dos vídeos que eu tenho feito e com os Kahoot e outras dinâmicas que fomos aprendendo convosco, temos conseguido cativá-los a participar nos encontros online de catequese, e os miúdos mostram-se interessados, falam e tudo mais. Isto para dizer que realmente o online nem sempre é mau.”

“Partilhar convosco a imensa gratidão em poder também estar aqui a acompanhar estes nossos encontros de formação. Tem sido mesmo muito gratificante a aprendizagem e a evolução que tenho vindo a notar dos nossos encontros de catequese, que tem crescido imenso, a nível das partilhas e nos momentos de oração…” “Tenho utilizado na catequese familiar várias ferramentas que aqui aprendi. Mentimeter, Kahoot entre outras. Estou muito grato.” “Agradeço a toda a equipa a disponibilidade e partilha. Espero poder continuar a partilhar da vossa sabedoria e disponibilidade.” “Estas partilhas, tanto nestes encontros como em alguns grupos de catequese do Facebook têm sido de uma ENORME ajuda. A partilha da diocese de Aveiro também me tem ajudado muito nos nossos encontros de catequese. Tem sido muito gratificante e surpreendente ver a adesão e participação dos meninos do 3º ano e até dos pais. Temos conseguido fazer o que não conseguíamos presencialmente. Um grande agradecimento a todos.”

“Noto nos meus catequizandos que estão muito mais assíduos, estão muito mais libertos, expressam-se muito mais. Tenho utilizado algumas das técnicas que a Dr. ª Isabel nos ensinou de acolhimento. Tanto que eles já me começam a pedir aquele gesto do abraço. Acho isto maravilhoso, muito bonito, sobre“Bem-haja ao SDEC do Porto! Estou-vos tudo sentir que eles ficaram com alguma coisa e isso é sinal que estamos a transmitir al- muito grata, sem vós não teria sido possível guma coisa. Tenho utilizado muito o Kahoot, fazer catequese, de forma digital! Muito, muique era uma ferramenta que eu não conhecia. to grata!” Também adorei o grupo do Telegram pelas Miguel Carvalho e Luísa Sá partilhas.” (da equipe de comunicação SDEC-Porto)

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A ventania de Deus Penso nos vários sentidos que a palavra Espírito tem no texto bíblico: sopro, hálito vital, vento... E é isso que me apetece rezar esta manhã, Senhor. Sopra sobre o indeciso, venha o sussurro do teu alento íntimo renovar o hesitante, a ventania de Deus nos mova. Parecemo-nos tanto a embarcações travadas, velas erguidas sem a energia de novas praias, de intactos e aventurosos cabos... Os nossos barcos rodam apenas em redor de si próprios.

Manda, Senhor, a pulsão do Espírito, o ânimo criador que incessantemente nos coloca ao encontro da novidade e da beleza do teu Reino. José Tolentino Mendonça In Um Deus que dança,

Secretariado Diocesano de Educação Cristã, Diocese do Porto


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