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ANO LXIII | SET. OUT. NOV. DEZ. 2020 | REVISTA QUADRIMESTRAL

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«“Que vês, Jeremias?” “Vejo um ramo de amendoeira”» Estudo do novo Diretório: processo em ordem a uma

pastoral

missionária


Ficha Técnica Propriedade Secretariado Diocesano de Educação Cristã do Porto

Contribuinte: 501186697 Número de Registo ERC: 104950 Sede do Editor e Redação Rua Arcediago Van Zeller, 50 4050-621 Porto

Diretora: Maria Isabel Azevedo de Oliveira Contacto: 226.056.037 das 14.00h às 17.00h Site do Secretariado: www.catequesedoporto.com E-mail: portosdec@gmail.com Design Gráfico e Paginação: Eugénio Pinto Desenhos e Imagens: Coleção particular e outros Depósito Legal: nº 1926/83


Índice Pórtico ............................................................................................................................................................................ 04 1ª Palavra ...................................................................................................................................................................... 05 1… OLHAR catequético | propostas .................................................................................................... 06 Catequista rosto e presença da Igreja Diocesana

1 – O Novo diretório para a catequese ........................................................................................... 06 2 – Estudo do novo Diretório: um processo que gere projetos ................................................ 11

2… EM REDE: para a família ......................................................................................................................... 20 Catequista ao serviço do querigma – família/catequese missionária

3 – Celebração/festa do dia do Pai em família ................................................................................ 20 4 – Alimentar o sentido e a felicidade da vida em família ............................................................. 26 5 – Educar o Desejo ............................................................................................................................... 29

3… RECURSOS: Iniciar à vida em Cristo .......................................................................................... 30 Catequista nos passos do Mestre

6 – «Abraço Ágape» .............................................................................................................................. 31 7 – «Entranhas de misericórdia do Pai» ............................................................................................ 35

4… CASA COMUM – CONVITES para a família ......................................................................... 40 Comunidade | Família | Catequista atento a novos desafios

8 – Educação- a base da ecologia integral- desafios (Laudato Si) ................................................ 40

5… Ao ENCONTRO – arte e espiritualidade ................................................................................ 44 Catequista aproxima-se, acolhe e acompanha

9 – Esculpir o OLHAR para contemplar/cuidar a criação (PINTURA) ................................... 44 10 – Trindade: Deus é comunhão, vínculo, abraço ........................................................................ 48

6… Em REDE na WEB ..................................................................................................................................... 50 Catequista na rede

11 – Ser testemunha de uma experiência de fé na web ................................................................ 50

7… Boas NOTÍCIAS ............................................................................................................................................ 54 Catequista escuta e partilha

12 – Say Yes – Testemunho de uma catequese da adolescência Um projeto de diaconia e caminhada com a família ............................................................. 54

»»» Nota

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… Pórtico

Uma palavra do nosso Bispo

«A pergunta que muitos fazem é aquela a que o Papa Bento XVI respondeu no Campo de Concentração de Auschwitz: “Onde está Deus?”. A resposta só pode ser uma: está na sua Palavra, na fé, nos Sacramentos: Por consequência, na vida da Igreja. E onde tem estado a Igreja? [...] Amigos, a Igreja alimenta o mundo de duas maneiras: de pão nas mesas e daquela Palavra que se torna esperança. Ora, todos nós somos Igreja. Então, ninguém esqueça: que, por nosso intermédio, o pão do corpo nunca falte em nenhuma mesa e a Palavra da Fé e da Esperança chegue, com igual urgência, aos acabrunhados e sem horizontes». Dom Manuel Linda 11 de junho de 2020

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… 1ª Palavra

Nestes tempos densos de interrogações, projetados para uma mudança de época, somos convidados a acolher o novo «Diretório para a catequese» a partir de um OLHAR cinzelado pelo Espírito e de uma VIDA disponível à sua ação. Atenta aos Seus sinais, a Igreja reafirma a necessidade de palmilhar processos de conversão comunitária/missão e dos batizados viverem em «permanente conversão da vida cristã (Cf. DPC 35)». Profundamente marcado pelo espírito da Evangelii Gaudium, o DPC reforça a centralidade da «comunidade cristã enquanto lugar natural onde se gera e amadurece a vida cristã (DPC 4)», reafirma a importância da família na transmissão da fé e acentua a necessidade da conversão missionária da pastoral. Neste processo, a catequese em perspetiva missionária é chamada a ser «querigmática» e a propor um itinerário de iniciação mistagógica que «insere o crente na experiência viva da comunidade (DPC 2)». Na linha do Diretório e do Plano Pastoral, esta revista propõe um «conjunto de coordenadas que possam constitui o ponto de partida para a leitura» do novo Diretório e um processo (caminho sinodal) que possibilite gerar projetos de conversão comunitária, pastoral e pessoal. São também disponibilizadas reflexões, tempos de oração e atividades dirigidas às famílias… Às portas de um novo ano, sem contornos definidos, faz eco na nossa vida e missão a questão de Deus a Jeremias: «Que vês». Toca-nos, alicerçados na presença e ação do Espírito e na esperança de um Deus que vem ao nosso ENCONTRO responder: «Vejo um ramo de amendoeira», vejo a germinação dos frutos porque o sopro de Deus leveda a massa… A Diretora Isabel Oliveira

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1… OLHAR catequético | propostas 1. O NOVO DIRETÓRIO PARA A CATEQUESE

O meu objetivo ao escrevervos estas linhas não é levar a cabo uma apresentação detalhada do diretório mas oferecer um conjunto de coordenadas que possam constituir o ponto de partida para uma leitura atenta e fecunda deste novo documento que nos é oferecido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização.

Pensar e projectar a catequese no horizonte da evangelização e da missão implica uma verdadeira conversão pastoral já exigida pelo Papa Francisco na exortação apostólica Evangelii Gaudium: «sonho com uma opção missionária capaz de transformar tudo, para que os costumes, os estilos, os horários, a linguagem e toda a estrutura eclesial se tornem um canal proporcionado mais à evangelização do mundo actual que à autopreservação» (EG 27). O novo Directório para a Catequese situase neste horizonte de evangelização e missão, procurando habitar o horizonte antropológico hodierno e rasgando caminhos novos para uma transmissão da fé consciente da actual realidade sociocultural e da permanente novidade de que se reveste o Evangelho. Na verdade, quando pensamos a pastoral e projectamos a acção eclesial não basta ter presente as rápidas e profundas transformações do contexto social e cultural, mas importa ter também consciência de que o Evangelho que anunciamos também se reveste de uma perene novidade em cada tempo e em cada contexto histórico em que é proclamado.

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O directório para a catequese é um documento pedido pelo Concílio Vaticano II. Apesar do Papa Paulo VI considerar todo o ensinamento conciliar como o «grande catecismo dos tempos modernos», o Decreto Conciliar Christus Dominus sobre o múnus pastoral dos bispos, no seu último número, pediu a elaboração de diferentes directórios e subsídios «destinados aos Bispos como aos párocos, onde uns e outros encontrem métodos seguros para mais fácil e frutuoso desempenho das obrigações pastorais» (CD 44). Um dos documentos pedidos é um Directório para a Catequese. O primeiro directório intitulado Directório Catequístico Geral foi publicado em 1971 e situava-se na linha das orientações conciliares, procurando traduzir em termos operativos e para a realidade catequéticas as principais orientações e perspectivas do concílio. Em 1997, foi publicado o Directório Geral da Catequese marcado pelo percurso

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de aprofundamento e reflexão da realidade catequética e foi uma referência fundamental para a prática catequética nas duas últimas décadas. O meu objetivo ao escrever-vos estas linhas não é levar a cabo uma apresentação detalhada do diretório mas oferecer um conjunto de coordenadas que possam constituir o ponto de partida para uma leitura atenta e fecunda deste novo documento que nos é oferecido pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização. E esta é já uma primeira novidade relativamente aos directórios anteriores que tinham sido desenvolvidos e apresentados pela Congregação para o Clero. Este directório foi preparado pelo Conselho Pontifício para a Promoção da Nova Evangelização a quem foi confiada a responsabilidade da catequese pelo Papa Bento XVI. Além disso, importa referir desde já que um directório não é um vade-mécum ou um


manual de receitas a aplicar, mas um instrumento e uma ferramenta que deve ser utilizado e aplicado com o mesmo espírito com que foi elaborado: num caminho sinodal, desenvolvendo um caminho de discernimento conjunto que envolve os diferentes agentes pastorais da comunidade e que através de uma leitura kairológica da realidade, isto é, olhando o nosso tempo com realismo mas também um olhar de esperança como lugar onde Deus já está a actuar, se procura responder com coragem e ousadia aos anseios e necessidades dos homens e mulheres do nosso tempo. Este novo directório desafia a uma projecção dos itinerários catequéticos num horizonte sinodal que mais do que criar estruturas e ocupar espaços procura gerar processos renovadores e transformadores (EG 224), passando de uma pastoral de sectores a uma pastoral de projectos conjuntos e articulados que sublinhem a consciência de que a comunidade é o sujeito fundamental de toda a acção catequética, formando discípulos missionários apaixonados por Jesus Cristo, testemunhas crentes e credíveis do Evangelho e verdadeiros protagonistas da acção da Igreja no mundo (cf. DPC 289). Como grande novidade deste directório, eu sublinho a capacidade de uma leitura consciente, autorizada e articulada da realidade catequética. Não são novas muitas das problemáticas e desafios que este directório apresenta, mas, agora, aparecem de modo sistemático e articulado, num documento oficial do magistério da Igreja. Na apresentação deste texto, D. Rino Fisichella afirmou que podemos encontrar duas problemáticas fundamentais que a Igreja é chamada a responder e que o directório tem presente na sua base: a cultura digital e a globalização da cultura porque ambas implicam uma verdadeira transformação antropológica que não pode ser ignorada. Além disso, na minha perspectiva, este directório procura dar resposta às três grandes lacunas da nossa acção catequética: não proporcionar um verdadeiro e pessoal encontro com Jesus Cristo, não formar para a vida de oração e não criar pertença à comunidade eclesial.

O directório está marcado pela consciência de que vivemos uma «verdadeira mudança de época», como afirma tantas vezes o Papa Francisco. Ainda que tenhamos traçado novos percursos catequéticos e desenvolvido a pedagogia e a metodologia da acção catequética, a prática ainda aparece muito marcada pelo modelo catequético de um contexto de cristandade, de um cristianismo de convenção e tradição, pressupondo uma sociedade cristã, onde a paróquia e a catequese se destinavam a acompanhar aqueles que já eram cristãos e necessitavam de ser preparados para os sacramentos.

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É necessário assumir com determinação e coragem um modelo catequético situado no horizonte da evangelização e da missão onde seja clara uma opção missionária fundamental que esteja presente ao longo de todo o itinerário catequético. Na verdade, iniciar à fé significa iniciar à missão e a opção missionária não é mais uma etapa do percurso mas uma realidade transversal que caracteriza a identidade da Igreja e de cada crente. Deste modo, o querigma ou primeiro anúncio deve ocupar o centro da actividade evangelizadora da Igreja e impregnar toda a renovação eclesial. Quando se fala de primeiro anúncio não se sublinha o sentido cronológico, mas o sentido qualitativo, isto é, como anúncio principal que deve sempre ser ouvido ainda que de diferentes formas e modos: é o “primeiro anúncio” que é feito sempre, porque Cristo é o único necessário. Na tarefa de transmitir a fé, aqui e agora, é necessário conhecer os homens e mulheres de hoje, os destinatários da nossa acção para que sejam verdadeiros protagonistas e não destinatários passivos de uma mensagem que nada tem que ver com eles (DPC 224). O principal e fundamental lugar de evangelização é o humano na sua verdade. Por isso, a tarefa do catequista é acolher e acompanhar num verdadeiro processo transformativo, ao jeito de Jesus que se coloca a caminho com os discípulos de Emaús e escutando as suas angústias e desilusões, desenvolve um processo que é capaz de iluminar as suas vidas e transformar a sua história. Por isso, a catequese tem de ter consciência do primado da graça e a fórmula tantas vezes repetida de que o Espírito Santo é o grande protagonista da missão da Igreja não pode ser apenas um refrão inconsequente mas a certeza de que somos instrumentos ao serviço do evangelho que é o próprio Jesus Cristo e que «à luz da parábola do semeador, a nossa tarefa consiste em cooperar na sementeira: o resto é obra de Deus» (AL 200).

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O directório está marcado pela consciência de que vivemos uma «verdadeira mudança de época», como afirma tantas vezes o Papa Francisco. Ainda que tenhamos traçado novos percursos catequéticos e desenvolvido a pedagogia e a metodologia da acção catequética, a prática ainda aparece muito marcada pelo modelo catequético de um contexto de cristandade, de um cristianismo de convenção e tradição, pressupondo uma sociedade cristã, onde a paróquia e a catequese se destinavam a acompanhar aqueles que já eram cristãos e necessitavam de ser preparados para os sacramentos.

Na comunidade que é sujeito primordial e fundamental da acção catequética, estão presentes os catequistas que não vivem a sua missão de modo isolado mas sinodalmente, envolvendo a todos. O catequista tem de ser um apaixonado por Jesus Cristo que transporta no olhar e na vida um amor que não consegue calar e que contagia porque como afirma o Papa Bento XVI: «a Igreja não cresce por proselitismo mas por atracção». O actual directório convida a repensar o itinerário catequético num horizonte catecumenal e com uma forte dimensão mistagógica como caminho privilegiado para a iniciação cristã. Deixar de ser uma catequese que subsiste para preparar os sacramentos para passar a ser uma catequese que inicia à vida da fé através dos sacramentos.

No contexto actual é ainda necessário pensar de modo renovado a relação entre catequese e cultura digital e não apenas para apontar as potencialidades e desafios que o mundo digital apresenta para a transmissão da fé, mas para sublinhar as rápidas e profundas mudanças antropológicas e as transformações comportamentais que devem ser tidas em conta no processo catequético. Desejo a todos os catequistas uma boa leitura deste novo directório! Que a todos inspire a rasgar caminhos novos no anúncio do Evangelho, promovendo o encontro íntimo e pessoal com Jesus Cristo, na pertença a uma comunidade que testemunha alegre e corajosamente o Amor feito carne. Pe Sérgio Leal

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2. Estudo do novo Diretório, um processo que gere projetos

para uma caminhada comunitária em ordem a uma pastoral missionária

«“Que vês, Jeremias?” E eu respondi: “Vejo um ramo de amendoeira”. “Viste bem – disse-me o Senhor”». Jer. 1, 11

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Por entre as manhãs frias e sombrias de inItinerário para uma caminhada sinodal verno VISLUMBRAR as amendoeiras floridas e Como fazer… a promessa de frutos, eis o OLHAR a que nos convida o novo «Diretório para a catequeSugere-se um roteiro que facilite, pesoal e comunitase». Um OLHAR convocado e amadurecido pelo riamente: a oração, leitura, estudo, interiorização pessoal ESPÍRITO que impele a ESCUTAR e a VER no e renovação da vida pessoal/familiar, da comunidade, da coração das Escrituras, da Tradição e da realida- catequese. de o Deus que se REVELA, VEM ao nosso ENCONTRO, nos convida à comunhão com Ele e Processo para o estudo/vivência do DPC: com os irmãos e nos impele à missão. - Dividir o Diretório em vários capítulos ou parágrafos; - Planificar um itinerário (6 tempos) para cada trecho;

Receber o Diretório, no espírito que o move, - Realizar o estudo/conversão pessoal - comunidade implica adentrar-se numa caminhada sinodal. De como uma caminhada sinodal, ao longo de vários anos. facto, «uma renovada consciência da identidade missionária requer hoje uma maior capacidade Tempos para estudo/vivência do DPC: de partilhar, comunicar, encontrar-se, de modo 1º tempo: Oração e estudo - trabalho pessoal; a caminhar juntos pelo caminho de Cristo e na 2º tempo: Estudo - na comunidade paroquial; docilidade ao Espírito (DPC 289).» Processo que 3º tempo: Vida e missão - trabalho pessoal; «leva a discernir em conjunto os caminhos a per4º tempo: Oração e estudo - comunidade paroquial; correr; conduz a agir em sinergia com os dons 5º tempo: Oração e estudo - na Vigararia; de todos; impede o isolamento das partes ou de 6º tempo: Encontro sinodal de discípulos/irmãos a nível cada sujeito (DPC 289)». diocesano. Em fidelidade a este mesmo espírito, propõese um itinerário/processo que suscite o desejo do ENCONTRO com Jesus Cristo, que disponíbilise o evangelizador à ação do «Espírito Santo, verdadeiro protagonista de toda a missão eclesial (DPC 23)» e que facilite ENCONTROS entre irmãos, na comunidade para: rezar, ler, compreender, interiorizar, refletir, confrontar e transpor para a vida/comunidade/missão as orientações do Diretório. Um caminho que além da compreenção do texto e da leitura da realidade suscita a conversão de vida do evangelizador e da comunidade em ordem à conversão missionária da missão... Uma caminhada que possibilita experienciar que «evangelizar não é simplesmente uma forma de falar, mas uma forma de viver: viver em escuta e fazer-se voz do Pai1» e que a «Igreja não cresce por proselitismo, mas “por atração”2». Uma caminhada que, fazendo estremecer as entranhas, recorda que «os cristãos têm o dever de o anunciar, sem excluir ninguém, e não como quem impõe uma nova obrigação, mas como quem partilha uma alegria, indica um horizonte estupendo, oferece um banquete apetecível (E.G. nº 14)». 1 Cardeal Joseph Ratzinger, discurso no congresso dos catequistas e dos professores de religião, no ano 2000. 2 E.G. nº14,Bento XVI homilia, na Aparecida, Brasil, 2007.

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Destinatários: - Todos os agentes pastorais. Material: - Diretório para a Catequese; - Guiões para facilitar a oração, o estudo e a conversão/renovação da missão evangelizadora... Organização: Sugere-se que se forme, em cada paróquia, um grupo de acompanhamento do processo de interiorização do Diretório e renovação. Este, sendo o pároco o orientador, toca-lhe preparar os guiões de estudo e interiorização, motivar e acompanhar os intervenientes... Um estilo querigmático de VIVER e SER MISSÃO Viver este processo em ordem a sermos uma igreja em saída, missionária supõe assumir um estilo missionário, assegurar o primeito anúnico, fazer ecoar o querigma. «A centralidade do querigma requer certas características do anúncio que hoje são necessárias em toda a parte: que exprima o amor salvífico de Deus, como prévio à obrigação moral e religiosa, que não imponha a verdade mas faça apelo à liberdade, que seja pautado pela alegria, o estímulo, a vitalidade e uma integralidade harmoniosa que não reduza a pregação a poucas doutrinas, por vezes mais filosóficas que evangélicas. Isto exige do evangelizador certas atitudes que ajudam a acolher melhor o anúncio: proximidade, abertura ao diálogo, paciência, acolhimento cordial que não condena». (EG 165)


1º tempo:

Encontro de

coração a coração

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Neste primeiro tempo, sugere-se que se proponha à comunidade/catequistas que, ao longo de vários dias (a determinar pela comunidade), cada um faça um percurso pessoal de oração e reflexão dos números/capítulo do DPC escolhidos para serem trabalhados, confrontando a leitura com a realidade. Como fazer: Entregar previamente o capítulo ou números do DPC sobre os quais será feito o estudo e um breve guião com sugestões para a oração, leitura da Palavra e questões sobre o DPC (Diretório).

Pretende-se com este tempo: - Proporcionar à comunidade, aos catequistas/agentes de pastoral a possibilidade de aprofundarem a sua vida de oração e conversão; - Motivar para a leitura diária da Palavra, ou pelo menos, várias vezes ao longo da semana; - Oferecer experiências que possibilitem acolher diariamente na vida pessoal e na vida da comunidade o Ressuscitado que vem ao encontro de cada um, e desenvolver a disponibilidade à ação do Espírito; - Possibilitar a reflexão sobre os números do Diretório escolhidos e estimular a análise da realidade a partir do Evangelho e do DPC; - Desenvolver a corresponsabilidade, criatividade e suscitar a conversão pessoal e da missão; - …

“Não se pode perseverar numa evangelização cheia de ardor se não se está convencido, por experiência própria, de que não é a mesma coisa ter conhecido Jesus ou não o conhecer; não é a mesma coisa poder escutá-l’O ou ignorar a sua Palavra; não é a mesma coisa poder contemplá-l’O, adorá-l’O, descansar n’Ele ou não o poder fazer (EG 266)”.

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2º tempo:

Encontro de discípulos/ irmãos - na comunidade (paróquia)

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Neste segundo tempo, sugere-se que, em grupo, se reze e reflita sobre os números/capítulo trabalhados no primeiro tempo.

Pretende-se com este tempo:

- Criar um espaço de reflexão teológica/ catequética a partir do Diretório, uma interpretação da realidade a partir do Evangelho e do DPC; Como fazer: - Desenvolver a capacidade de leitura e Viver um tempo de oração e partilhar a análise sincrónica e diacrónica da realidade a experiência pessoal de conversão e a reflexão partir do Evangelho e do Diretório, de um sobre o documento... olhar sistémico, que tenha em conta as várias dimensões da vida humana do ponto de vista pessoal (a todos os níveis, nomeadamente espiritual), pastoral, cultural – com uma atenção especial para a cultura global e digital…; - Procurar processos de renovação para a comunidade, nos vários âmbitos da pastoral e da catequese/família, de acordo com o Diretório; - … Destinatários: - Vários agentes pastorais da comunidade;

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3º tempo:

Encontros na vida e na missão

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Neste terceiro tempo, sugere-se que após a reflexão feita na comunidade, cada pessoa leve para a sua vida de oração diária, para o seu dia a dia (projeto de vida) e para a sua missão evangelizadora/catequética experiências e práticas propostas no encontro da comunidade. Como fazer: Entregar um guião com sugestões para a oração e com as propostas sugeridas da comunidade.

Pretende-se com este tempo: Levar à prática as propostas que serão delineadas ao longo dos encontros. É IMPRESCINDÍVEL que cada um se implique pessoalmente/comunitariamente e viva todo o processo numa atitude orante e de conversão pessoal. A conversão comunitária supõe o compromisso pessoal de cada membro vivido na intimidade com o Mestre.

- Desenvolver a interioridade, levando para a oração a reflexão feita em comunidade; - Procurar levar para a vida pessoal e de missão os que foi sugerido na comunidade relativamente à conversão pessoal a comunitária; - Levar à prática processos que ajudem as famílias/catequizandos a viverem o ENCONTRO na Palavra, Eucaristia, vida comunitária, caridade, catequese… pôr em prática gestos que ajudem a desenvolver a interioridade, a vida ao jeito de Jesus Cristo em todas as suas dimensões; - …

Será um tempo para aprofundar a vivência do querigma: «É o fogo do Espírito que se dá sob a forma de línguas e nos faz crer em Jesus Cristo, que, com a sua morte e ressurreição, nos revela e comunica a misericórdia infinita do Pai. Na boca do catequista, volta a ressoar sempre o primeiro anúncio: “Jesus Cristo ama-te, deu a sua vida para te salvar, e agora vive contigo todos os dias para te iluminar, fortalecer, libertar”». EG 164

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4º tempo:

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Neste quarto tempo, sugere-se que, se viva em comunidade um tempo especial de oração a partir dos números/ capítulo em estudo. Como fazer: Preparar um tempo de oração

Encontros de oração/ mistagogia

Será um tempo para responder às perguntas do Papa: «Neste momento, cada um pode interrogar-se: Como é que eu vivo este «estar» com Jesus? […] Tenho momentos em que permaneço na sua presença, em silêncio, e me deixo olhar por Ele? Deixo que o seu fogo inflame o meu coração? Se, no nosso coração, não há o calor de Deus, do seu amor, da sua ternura, como podemos nós, pobres pecadores, inflamar o coração dos outros? Pensai nisto!»

Pretende-se com este tempo: - Viver um tempo forte de oração no grupo de catequistas, em comunidade e até a nível vicarial como tempo de ação de graças e de súplica ao Espírito para que seja Ele a conduzir o processo de renovação; - Ler o Diretório, em ambiente de oração, ajuda a que cada um se disponibilize à ação do Espírito e tome consciência que o único que pode fazer acontecer o ENCONTRO é ELE… toca-nos pôr-nos a jeito e nos Papa Francisco, aos catequistas, no Congresso entregarmos, humildemente...; - A dimensão mistagógica convida-nos à Internacional de Catequese, 27 de Setembro de 2013 releitura das experiências de fé vivida. Uma experiência interpretada à luz da fé que, pela partilha, pode vir a ser um espaço de testemunhos…

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5º tempo:

Encontro sinodal de discípulos/ irmãos - na comunidade de comunidades

5 (Vigararia)

Neste quinto tempo, sugere-se que ao nível da comunidade paroquial e num segundo momento ao nível da Vigararia se partilhem as reflexões, experiências, êxitos, dificuldades sentidas nas reflexões e experiências vividas a nível das várias comunidades/ grupos de catequistas.

Pretende-se com este tempo: - Proporcionar partilha de experiências positivas e de dificuldades, como motivação e fonte de criatividade. As grandes transformações fazem-se de pequenos passos, de experiências recriadas em comunidade… O caminho faz-se andando…; - Fazer a releitura do caminho andado; - Proporcionar interações com outros âmbitos da pastoral: setor da caridade, vocações, liturgia, missões…; - Reorientar o caminho para dar continuidade ao processo de renovação; - …

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6º tempo:

Encontro sinodal de discípulos/irmãos - de representantes da Vigararia a nível Diocesano

56 Neste sexto tempo, sugere-se que, os representantes das vigararias partilhem as reflexões, experiências, êxitos, dificuldades sentidas nas reflexões e experiências vividas a nível das várias comunidades/grupos de catequese a nível diocesano.

Este processo impele cada batizado a ser um «verdadeiro missionário, que não deixa jamais de ser discípulo, sabe que Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio do compromisso missionário. Se uma pessoa não O descobre presente no coração mesmo da entrega missionária, depressa perde o entusiasmo e deixa de estar seguro do que transmite, faltam-lhe força e paixão. E uma pessoa que não está convencida, entusiasmada, segura, enamorada, não convence ninguém - (EG266)”. Um convite a situar-nos como «acompanhados» e «acompanhantes a quem se pergunta: «‘Compreendes verdadeiramente o que estás a ler?’ [e responderemos] ‘E como poderei compreender, sem alguém que me oriente?’ (Act 8, 30-3).» Como Filipe que subiu para o carro e fez caminho com o alto funcionário da rainha Candace, da Etiópia, assim este DIRETÓRIO possa ajudar-nos a subir para o carro com as nossas comunidades/agentes de pastoral, catequistas para vivermos juntos um processo de conversão/renovação. Um caminho sinodal que nos permita acolher o projeto do Pai e entregar-nos como instrumentos nas Suas mãos. O nosso TEMPO, como todos os tempos, são um tempo de graça, não podemos passar ao lado pois «com a sua novidade, Ele pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade (EG 11)»! SDEC, Porto

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2… EM REDE: para a família 3. Celebração/festa do Dia do Pai em família

No dia 19 de Março data em que a Igreja celebra a festa de S. José, pai adotivo de Jesus, o calendário convida a celebrar o Dia do Pai. Para enriquecer o momento dedicado ao pai com um especial sentido, propõe-se para a família uma celebração/tempo de oração e de afetos. Tocados por uma pandemia que afeta as relações e mergulha muitas vidas na dor e em dificuldades, será uma oportunidade para alimentar os laços familiares e celebrar a alegria de termos um Deus que é Pai e tem por nome AMOR. Para tal, sugere-se que se inicie a “festa do pai” com os oitos dias de antecedência recheando-os com surpresas preparadas pelos filhos e pela mãe. 20


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Preparar/viver a festa, ao longo de uma semana Propor que na semana que antecede a festa se: - implemente o ritual do cubo dos afetos (anexo 1) e da oração em família (anexo 2) todos os dias antes do jantar; - prepare(m) as prendas (cada filho é convidado a criar a sua); - cada filho escreva(m) para o Pai uma carta que expresse o amor e a gratidão; - (se) entregue todos os dias uma mensagem de amor ao pai: sugere-se que a mesma seja escondida e se coloque nas pantufas/sapatos (…), um enigma/ coordenadas GPS para que o pai procure a mensagem…

Celebração para o dia 19 Material: - uma ou mais velas e flores (se possível); - recipiente com umas gotas de água, um frasco de perfume e pequenos pedaços de algodão; - prenda e carta dos filhos; - guião da celebração/oração. Sugere-se que: - a celebração/oração/festa se realize antes do jantar, à volta da mesa; - no centro da mesma, se coloque o recipiente com umas gotas de água, rodeado de flores e sobre elas pedaços de algodão (um para cada membro da família); - sejam os filhos a orientar(em) a celebração.

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Guião da festa/celebração/oração Um gesto: para iniciar sugere-se que se acendam as velas.

Momento de escuta da Palavra: (sugere-se que a introdução seja feita pela mãe e as citaRealizar do sinal cruz: em nome do Pai, ções lidas pelos filhos)

e do Filho, e do Espírito Santo. Ámen.

Neste momento em que celebramos o dia Oração introdutória: (Cada estrofe será re- do Pai na festa de São José, pai adotivo de Jesus, recordamos Aquele que é PAI de todos zada por um membro da família) nós, o nosso Criador. Escutamos as suas palaTodos: Deus que sois nosso Pai, mos- vras através de várias citações bíblicas, em que Ele se dirige ao seu povo: trai-nos o vosso amor e salvai-nos «Tu és o Meu eleito! Eu te busquei dos conEscutemos o que diz o Senhor: Deus fala de paz ao seu povo e aos seus fiéis. fins do mundo, Eu te chamei e te disse: Tu és Meu, Eu te escolhi...» (Is 41, 8-9) A sua salvação está perto dos que O temem «Eu sou o teu Deus: eu te fortaleço e te e a Sua glória habitará na nossa terra. auxilio, Eu te sustento com a minha mão vitoriosa!» (Is 41, 10) «E como uma águia protege a sua ninhada estendendo sobre ela as suas asas, assim o nosso Deus estendeu as suas asas, os tomou e carregou sobre as suas penas…» (Dt 32,11)

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Diálogo: (sugere-se que as perguntas sejam feitas pelos filhos) Pai, que pensamentos e sentimentos surgiram ao ouvires, no teu dia, estas palavras do nosso Deus-Um Deus que é teu Pai e tem por nome Amor? Gesto simbólico (se a família assim desePai, qual foi a maior alegria que sentistes jar, poderá colocar uma música de fundo) como pai e que hoje gostavas de agradecer a Deus? A mãe coloca umas gotas de perfume na água e seguidamente entrega os bocados de Pai, qual foi a maior dificuldade que sentistes algodão ao pai, enquanto um filho lê: como pai e que sentiste que Deus te protegeu, como uma águia protege os seus filhos? - Pai, esta água é símbolo da vida recebida do nosso Pai, que é Deus. Momento de oração: (sugere-se que a introdução seja feita pela mãe e a oração - Pai, este perfume recorda a “unção orientada pelos filhos) que nos fez filhos de Deus” no batismo e recorda a presença invisível de Deus que atua na Após termos falado do nosso pai e do Pai nossa vida de forma delicada, forte, misericordo céu, chegou o momento de rezarmos, de diosa, atenta e amante. O seu odor é o odor conversar com Ele, de O ouvir e lhe agradecer do Seu Amor, da Sua Bênção e da Sua Paz. e suplicar. Convido a repetirem a oração que o … (nome da/o filha/o)… vai fazer: - Pai, o algodão recorda algo que acolhe e Pai, obrigado porque és nosso Pai e porque se empapa de água e de perfume e os guarda. nos orientas e proteges. (repetem todos) Cada um de nós o receberá para guardar Pai, obrigado pelo nosso pai e por tudo o este perfume e poder recordar este momenque ele é e faz por nós. (repetem todos) to, nas horas mais dificeis da vida. Pai, obrigado pela nossa família e pelo amor que nos habita. (repetem todos) Convidar o pai a molhar um pouco o algodão na água perfumada, a fazer uma cruz sobre Cada é convidado a dizer espontaneamente a testa de cada um de nós e a entregar-nos o obrigado ao Pai por algo de especial – dar um algodão que guardaremos… tempo de silêncio... No momento do gesto – o Pai molha parte Pai, pedimos-Te que protejas o nosso pai e do algodão, faz um sinal da cruz sobre a testa lhe dês sabedoria para nos educar. (repetem de cada filho e também da esposa dizendo: todos) «Que o nosso Deus, que é Pai, te Pai, cuida da nossa família… Cada é convi- abençoe, proteja e oriente a tua vida». dado a pedir algo ao Pai para a família… Pai, cuida do nosso mundo… Cada é convi(Após o gesto, cada filho dá um abraço ao dado a pedir algo ao Pai para o mundo… pai)

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Para concluir este momento especial a família reza em uníssono: «O Senhor nos abençoe e nos guarde! O Senhor faça brilhar sobre nós a sua face e nos dê a sua sabedoria e a sua paz!» (Cf: Nm 6, 23-27) Pai-nosso… Entrega das mensagens e da prenda: Cada filho entrega a carta e a prenda preparada para o pai ao longo da semana.

No dia 19 de Março data em que a Igreja celebra a festa de S. José, pai adotivo de Jesus, o calendário convida a celebrar o Dia do Pai. Para enriquecer o momento dedicado ao pai com um especial sentido, propõe-se para a família uma celebração/tempo de oração e de afetos. Tocados por uma pandemia que afeta as relações e mergulha muitas vidas na dor e em dificuldades, será uma oportunidade para alimentar os laços familiares e celebrar a alegria de termos um Deus que é Pai e tem por nome AMOR.

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4. Alimentar o sentido e a felicidade da vida em família - propostas de rituais Fazer das famílias não apenas destinatárias de solicitude pastoral, mas sujeitos e protagonistas da evangelização, de modo que se tornem famílias missionárias. Plano Pastoral 2020/21

Convidamos a sua FAMÍLIA a experimentar a FONTE do AMOR, AQUELA nascente que alimenta o presente e assegura o futuro, dá sentido à vida e abre a porta a um AMOR sem LIMITES. Uma fonte que alimenta os momentos de felicidade, dá força para amar quando as forças fraquejam, quando a dor ou o desentendimento batem à porta! Uma FONTE que é abrigo seguro, que é ombro amigo… A esta FONTE do AMOR chamamos DEUS! Desafiamos a sua família a encontrar-se todos os dias com esta fonte pela oração, diálogo amoroso com ELE e pelos gestos de amor. Convide os seus filhos a decorarem e montarem o cubo do ENCONTRO com Deus, com Jesus. Sugere-se que, ao fim do dia, em família, se lance o cubo e se reze.

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O CUBO do ENCONTRO com Deus, com Jesus Deixar-se CATIVAR pelo AMOR “Pai nosso que estais nos céus, Santificado seja o vosso nome” Obrigado porque és meu Pai. Abba obrigado pela Tua bondade. Sinto que estás sempre comigo e que posso contar contigo. Ajuda-me a querer ser SANTO como Tu… (3X) Pai “Venha a nós o vosso reino” Ajuda-me Abbá, a deixar que o Teu amor seja o motor de tudo o que penso e faço. Obrigado porque estás em mim (repetir 3X).

Pai “Seja feita a Vossa vontade assim na terra como no céu” ajuda-me a fazer o que tu gostas: a fazer o bem. Peço te perdão por…

Pai, “Perdoai-nos as nossas ofensas” e ajuda-me a perdoar “a quem me tem ofendido”. Perdoa o mal que fiz, perdoa todas as vezes que maltratarei os irmãos. Vou por…

pedir

desculpa

a…

Pai, “não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.

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Pai, dá-nos o “pão nosso de cada dia” que sacia a fome de pão e de amor. Agradeço por… Ajuda-me a partilhar…


O CUBO dos A F E T O S Nestes tempos conturbados é importante criar rituais que alimentem o amor e recriem os laços. Assim, para cuidar a “vida feliz no seu LAR” convide os seus filhos a escreverem, na face branca do cubo, um gesto a realizar em família, a decorarem e montarem o mesmo.

Dá-me um abraço

Conta-me uma das tuas dificuldades

Dá-me um elogio

Conta-me uma coisa boa que te aconteceu

Diz-me uma das minhas qualidades

Após a conclusão destas tarefas, implemente o “ritual dos AFETOS”, ao fim do dia. Lance o dado para que cada membro da família realize o gesto proposto!

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5. Educar o Desejo «Disciplinar o desejo deveria ser uma verdadeira exigência da educação, sobretudo nos jovens» Desde há milénios a sabedoria bíblica repete: «Onde há um homem ou uma mulher, há procura de vida, desejo de felicidade». Esta, na realidade, é a vocação mais radical que habita o ser humano. O desejo ínsito em nós como uma pulsão e uma força que brota da nossa profundidade é desejo de felicidade. Fome, sede, necessidade de respirar são instintos e carências de todos os animais, enquanto felicidade, amor, sentido de vida são desejo e busca em cada pessoa humana. Mas o ser humano pode ser arrastado por este desejo, deixando de saber discernir os necessários limites, e assim o desejo, de vocação, arrisca tornar-se em instinto mortífero. Infelizmente, entre as dez palavras de Moisés não há a necessária reflexão sobre aquela que diz: não desejes aquilo que pertence ao teu próximo. Este mandamento especifica bem a origem da inveja, do ciúme, do rancor e das formas de violência de que podem revestir-se. O desejo pode ser tão forte que se torna cupidez, uma voragem que impele a tomar, a extorquir; e quando tal não é possível, induz a negar e destruir aquilo que se deseja e é possuído pelos outros. O desejo de obter aquilo que não se tem ou de se tornar aquilo que não se é, se não é disciplinada e contida, desencadeia inveja e rancor para com as pessoas que beneficiam dessas condições, como alguém chegou a dizer: «Eram felizes, eu não, por isso matei-os». Este desejo muda o olhar (“inveja” deriva do latim “in-videre”, não querer ver, portanto, olhar de maneira turva, má). O olhar alterado vive do confronto e da comparação, vê a carência e o sofrimento como sendo causados por quem, ao contrário, é feliz, tem sucesso, recebe reconhecimentos, tem riqueza. Assim, a existência é envenenada pelo confronto que faz emergir

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sem cessar a pergunta: “Porquê a ele sim, e a mim não?”. Vivemos hoje uma estação de incerteza e rancor social, que acaba por suscitar tentações de inveja, e portanto de violência, sobretudo em pessoas “infelizes”: pessoas desafortunadas a quem é negado qualquer tipo de amor humano, desde logo por parte dos pais, ou que não souberam reconhecê-lo; pessoas que podem recriminar-se contra a história familiar ou até contra o destino… Uma só é a certeza, sob a forma de pretensão: tem de se ser feliz a todo o custo. Também não pode ser esquecida a presença dentro do invejoso do narcisista, que espera tudo do exterior, da admiração dos outros. Esta figura substitui com o amor de si a sua dor inconfessável pelo facto de não ser amado e de não saber amar. Tem medo do amor, e por isso sofre de uma impotência que o conduz a ser vingativo e cruel para quantos agravam a imagem que ele tem de si ou lhe apresentam a imagem daquilo que ele gostaria de ser, mas sem o conseguir. Disciplinar o desejo deveria ser uma verdadeira exigência da educação, sobretudo nos jovens, mas na realidade é um exercício necessário em cada idade da vida: então, sim, é possível construir a felicidade. Enzo Bianchi - Trad.: Rui Jorge Martins Publicado no SNPC, a 03.11.2020


3… RECURSOS: Iniciar à vida em Cristo «Deus é amor, e quem permanece no amor, permanece em Deus» (1 Jo 4, 16)

«Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós.» Jo 15, 4

ágape

«O amor é “divino”, porque vem de Deus e nos une a Deus, e, através deste processo unificador, transforma-nos em um Nós, que supera as nossas divisões e nos faz ser um só, até que, no fim, Deus seja « tudo em todos (1 Cor 15, 28)». DCE 18

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6. «ABRAÇO DO ÁGAPE» Uma oração para acolher o DEUS que VEM ao nosso encontro em comunhão/rede no INVISÍVEL, onde se futura um fraterno amanhecer «Permanecei no meu amor».

A oração é, antes de mais, dom de Deus. Na verdade, em cada batizado «o próprio Espírito intercede com gemidos inefáveis» (Rm 8,26). A catequese tem a missão de educar para a oração e na oração, desenvolvendo a dimensão contemplativa da experiência cristã. É necessário educar para rezar com Jesus Cristo e como ele: «Aprender a rezar com Jesus é rezar com os mesmos sentimentos com que Ele se dirigia ao Pai: a adoração, o louvor, o agradecimento, a confiança filial, a súplica e a contemplação da sua glória. Estes sentimentos refletem-se no Pai Nosso, a oração que Jesus ensinou aos discípulos e que é modelo de toda a oração cristã. […] Quando a catequese é permeada por um clima de oração, a aprendizagem de toda a vida cristã alcança a sua profundidade (DGC 85)». (DPC 86)

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Para orientar um ENCONTRO orante a partir do abraço ágape 1º

Convidar os presentes a tomarem consciência da presença de Deus, e fazerem o sinal da cruz (sugere-se que se coloque uma cruz, uma ou mais velas no centro do grupo, ou convidar cada um a ter a cruz diante de si se o encontro for realizado online);

Convidar a passar pela mente e pelo coração 2º Sugerir que cada um faça o gesto de deles: todos os que amo, e dizer a cada um abraçar-se a si mesmo e olhe para os outros …(nome) …acolhe o abraço de Deus, a sorrir; do Abba, deixa-Te tocar pelo seu amor e pela sua paz… 3º Convidar a fechar os olhos; (Tempo de silêncio) 4º Convidar à oração a partir das cinco partes do «abraço ágape/oração»: *** Envolvo no meu abraço

que acolhe o Ágape do Abba

*** Acolho o Ágape de Deus todos os que me têm feito so-

no seu abraço

frer

e rezo no silêncio do coração: e rezo no silêncio do coração: - Abba dou-Te graças porque me amas com um amor infinito … - Abba, envolvo no meu abraço habitado (convidar a repetir 5x em silêncio) pelo teu Ágape, todos os que tenho dificuldade em amar, em perdoar… - Abba, Pai ajuda-me a acolher o Teu Convidar a passar pela mente todos os que Espírito e a sentir-me amado por Ti... tenho dificuldade em amar, que me fazem so(convidar a repetir 5x em silêncio) frer e digo para cada um deles:

*** Dou a mim mesmo um

abraço envolvido do Ágape de Deus e rezo no silêncio do coração: Abba, dou-Te graças porque sou tua/ teu filha/o… (convidar a repetir 6 vezes em silêncio)

- Abba, cuida de…(nome)…. e ajuda -a/o a acolher o teu Ágape, a sentir-se tua/teu filha/o… (Tempo de silêncio)

*** Envolvo no meu abraço

que acolhe o Ágape do Abba todos os seres humanos, meus *** Envolvo no meu abraço irmãos que acolhe o Ágape do Abba e rezo no silêncio do coração: todos os que me são próximos - Abba, envolvo no meu abraço habitado pelo teu Ágape, todos os seres humanos: dou-Te graças por cada um, pelo amor que - Abba envolvo no Teu abraço, no Teu Ágape, todos os que amo. e rezo no silêncio do coração:

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... Dai-nos o amor que transparecia nos gestos de Jesus, na sua família de Nazaré e na primeira comunidade cristã. nos habita e suplico que nos cures do pecado e nos ajudes a ser irmãos em Ti. Convidar a passar pela mente o mundo inteiro, os que fazem o bem, os que são vitimas… e suplicar: - Abba agradecendo e suplicando, entrego-te o mundo… todos os meus irmãos…

*** De novo, para concluir,

O Senhor é meu pastor: nada me falta. * Leva-me a descansar em verdes prados, Conduz-me às águas refrescantes * e reconforta a minha alma. Ele me guia por sendas direitas, * por amor do seu nome.

acolho o Ágape de Deus no seu abraço

Ainda que tenha de andar por vales tenebrosos, * não temerei nenhum mal, porque Vós ese rezo no silêncio do coração: Abba, dou-Te graças porque sou teu filho/ tais comigo: o vosso cajado e o vosso báculo tua filha e me envolves com o teu amor… me enchem de confiança. (convidar a repetir em silêncio 5x)

5º Oração conclusiva:

A bondade e a graça hão-de acompanharSugere-se que enquanto ainda estão de me, * todos os dias da minha vida, olhos fechados e em silêncio, o catequista reze lentamente alguns versículos do salmo e habitarei na casa do Senhor, * 22 (23): para todo o sempre.

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ou com a oração que o Papa Francisco , da Carta Encíclica:

Deus nosso, Trindade de amor, a partir da poderosa comunhão da vossa intimidade divina infundi no meio de nós o rio do amor fraterno. Dai-nos o amor que transparecia nos gestos de Jesus, na sua família de Nazaré e na primeira comunidade cristã. Concedei-nos, a nós cristãos, que vivamos o Evangelho e reconheçamos Cristo em cada ser humano, para O vermos crucificado nas angústias dos abandonados e dos esquecidos deste mundo e ressuscitado em cada irmão que se levanta. Vinde, Espírito Santo! Mostrai-nos a vossa beleza refletida em todos os povos da terra, para descobrirmos que todos são importantes, que todos são necessários, que são rostos diferentes da mesma humanidade amada por Deus. Amen. Junto do túmulo de São Francisco - 3 de outubro de 2020 Papa Francisco

6º Concluir com o sinal da cruz e oferecendo um sorriso a todos os presentes.

«Como nós somos seres imperfeitos, não se pode originar esse esse tipo de amor em nós. Mas pode ser gerado em nós pelo Espírito Santo. Só desta maneira que conseguimos amar como o Senhor ama». (Romanos 5,5; 1 João 3,16; Gálatas 5,22)

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7. ENTRANHAS de MISERICÓRDIA do Pai Em tempo de confinamento somos chamados a contemplar para O acolher e deixar que ELE nos faça próximos dos outros…

«… Somos chamados, de maneira ainda mais intensa, a fixar o olhar na misericórdia, para nos tornarmos nós mesmos sinal eficaz do agir do Pai». Bula de proclamação do Jubileu Extraordinário da Misericórdia- Papa Francisco

«Seja-me permitido acentuar a necessidade de não esquecermos a Pessoa divina do Pai. No princípio de tudo não está o Batismo. Está o Pai, que nos chama a tomar parte na plenitude da sua vida e nos convida a entrar na sua família, como filhos adotivos». Dom Manuel Linda | Plano Pastoral – Diocese do Porto. 2020/21

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Guião para contemplar, rezar Ao propor que a catequese seja querigmática, o Papa Francisco lembra que é necessário que a mesma «exprima o amor salvífico de Deus… (EG 165)». Uma oração que treina a gratidão e a súplica e suscita o desejo de ir à mesa da eucaristia para receber o Senhor. Propomos um roteiro para uma oração que, sendo adaptada às diversas realidades, poderá ser vivida: na catequese; uma oração em família; num encontro com os pais na catequese; na oração pessoal; num retiro espiritual…

Como fazer?

Um convite a preparar-se para a oração. Antes de iniciar a oração, o diálogo, “dê um toque” a si mesmo como quem se prepara para um encontro especial. Para isso, convidamo-lo a arranjar o coração, a embelezá-lo para acolher Aquele que está atento para o escutar. Como fazer?

1º Feche os olhos; respire profundamente

(várias vezes); mexa a cabeça; tente não pensar em nada… Procure estar sereno, disponível, presente no aqui e agora, disponível à presença e ação do Espírito pois: «o Espírito vem em auxílio da nossa fraqueza, pois não sabemos o que havemos de pedir, para rezarmos como deve ser; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis. ( Rm 8, 26)»

2º Agradeça ao Pai o seu amor, a sua mise-

ricórdia para consigo e para com a humanidade. Obrigada Abba por…

3º Peça ao Espírito Santo a capacidade de

compreender e experimentar a desmesura do amor e da misericórdia do Pai… Suplique que lhe faça crescer o desejo de se deixar tocar e curar, de ser perdoado e amado… pelo Pai.

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Um convite a iniciar a oração 1º passo

Leia, atenta e lentamente o texto. Evangelho de São Lucas (Lc 10, 25-37)

2º passo

Sugerimos que faça uma releitura do texto dando voltas às palavras como quem dá voltas a “um caroço de azeitona”. Contemple, medite, deixe-se surpreender pelo jeito como o Samaritano se torna próximo da pessoa caída. Recorde que esta é uma forma de Jesus descrever o jeito do Pai ser e agir connosco. É a forma como Jesus revela o seu próprio modo de ser e viver.

3º passo

Neste momento de reflexão, de oração um momento para olhar, ver, a forma como Deus o ama e lhe mostra a sua misericórdia, propomos algumas perguntas sugerindo que a partir delas, estabeleça o diálogo, uma oração com o Abba, o Pai… (se desejar ou for oportuno escreva as respostas. As palavras registadas assumem a força de um compromisso.) O samaritano viu-o - encheu-se de comoção - aproximou-se - enfaixoulhe as feridas - derramou óleo/azeite e vinho - colocou-o na sua montada - levou-o para uma pousada - tomou-o ao seu cuidado - deu dois denários ao hospedeiro - e disse-lhe: «Trata bem dele». Ao longo da vida, quando é que experimentou ou viu alguém experienciar a misericórdia do Pai, de Deus? Hoje, é convidado a conversar com o Pai e a questionar-se:

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o Sinto-me filho de Deus, do Pai com entranhas de misericórdia? o Desejo deixar-me olhar, cuidar, curar, acompanhar pelo meu DEUS, pelo meu Pai, Abba (como lhe chama Jesus)? o Ao longo da minha vida quando experimentei que o Abba: - Veio até mim e me olhou…? - Se encheu de comoção, de compaixão


e se aproximou de mim…? - Que feridas tocou, enfaixou, curou, perdoou? - Que gesto e presença do meu Pai, de Deus experimentei? - Que óleo (unção, cura, fortaleza…) e vinho (alegria, mesa, eucaristia) derramou sobre a minha cabeça…? - Que alegria... que paz… que soluções… me fez descobrir? - Que palavra me dirigiu? - Como me colocou sobre a sua própria montada e a que hospedeiro me levou? - Que pessoas pôs no meu caminho para me apoiarem? - Que feridas da minha vida quero deixar que Ele toque?

Após este momento fort PAI, dirija ao Pai um perante a

Convers

4º passo

Depois deste momento forte em que procurou deixar-se encontrar e tocar pelo Pai, dirija ao Pai uma oração de gratidão, de espanto perante a sua bondade e misericórdia. Converse com Ele, escute-O.

5º passo

«Converter-se» significa «regressar» a Deus; e «regressar» a Deus significa «dizerlhe SIM ao seu projeto de amor», significa desejar assumir a vocação à santidade. Chegou o momento de assumir atitudes e gestos para que a sua vida se deixe tocar e moldar pelo Evangelho. Que se propõe fazer para ser grato e acolher a misericórdia do Pai? Que se propõe viver para participar com mais felicidade na Eucaristia? Que compromisso assume para interiorizar os sentimentos e os gestos do Pai misericordioso, em favor dos irmãos, no seu dia-adia?

6º passo

Dirija ao Pai uma oração de gratidão e de contemplação. Repita várias vezes (esta ou outra expressão): «Abba é eterno e desmesurado o teu amor para comigo». SDEC, Porto

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te, em que se deixou encontrar e tocar pelo ma oração de gratidão, de espanto a sua bondade e misericórdia. se com Ele, escute-O...

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4… CASA COMUM – para a família DOSSIER –

Comunidade | Família | Catequista atento a novos desafios

8. Educação - a base da ecologia integral desafios levantados pela “Laudato Si”

Um convite para LER e REFLETIR e em Família

É muito nobre assumir o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias, e é maravilhoso que a educação seja capaz de motivar para elas até dar forma a um estilo de vida.

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«… Antes de tudo é a humanidade que precisa de mudar. Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração». LS 202.

«Às vezes, porém, esta educação, chamada a criar uma «cidadania ecológica», limita-se a informar e não consegue fazer maturar hábitos. A existência de leis e normas não é suficiente, a longo prazo, para limitar os maus comportamentos, mesmo que haja um válido controle. […] A doação de si mesmo num compromisso ecológico só é possível a partir do cultivo de virtudes sólidas». LS 211.

«É muito nobre assumir o dever de cuidar da criação com pequenas ações diárias, e é maravilhoso que a educação seja capaz de motivar para elas até dar forma a um estilo de vida». LS 211.

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Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração.

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Sugestões para a EDUCAÇÃO em família 1… De onde vimos? Par aonde vamos? Que significa ser HUMANOS criados por Deus?

Falta a consciência duma origem comum, duma recíproca pertença e dum futuro partilhado por todos. Esta consciência basilar permitiria o desenvolvimento de novas convicções, atitudes e estilos de vida. Surge, assim, um grande desafio cultural, espiritual e educativo que implicará longos processos de regeneração.» LS 202.

2… Como gerimos o aquecimento?

«Se uma pessoa habitualmente se resguarda um pouco mais em vez de ligar o aquecimento, embora as suas economias lhe permitam consumir e gastar mais, isso supõe que adquiriu convicções e modos de sentir favoráveis ao cuidado do ambiente.» LS 211.

3… Que materiais utilizamos?

«A educação na responsabilidade ambiental pode incentivar vários comportamentos que têm incidência direta e importante no cuidado do meio ambiente, tais como evitar o uso de plástico e papel, reduzir o consumo de água, diferenciar o lixo…» LS 211.

4… Como cozinhamos?

«cozinhar apenas aquilo que razoavelmente se poderá comer, tratar com desvelo os outros seres vivos» LS 211.

5… Como nos deslocamos?

«servir-se dos transportes públicos ou partilhar o mesmo veículo com várias pessoas, plantar árvores, apagar as luzes desnecessárias…» LS 211.

6… Como nos relacionamos e vivemos em família ?

« Na família, cultivam-se os primeiros hábitos de amor e cuidado da vida, como, por exemplo, o uso correto das coisas, a ordem e a limpeza, o respeito pelo ecossistema local e a proteção de todas as criaturas. A família é o lugar da formação integral, onde se desenvolvem os distintos aspetos, intimamente relacionados entre si, do amadurecimento pessoal.» LS 212

Ao responder a estas perguntas sugere-se que a família: reze, reflita, dialogue e assuma um projeto educativo baseado na “Laudato Si”. «A educação ambiental deveria predispor-nos para dar este salto para o Mistério, do qual uma ética ecológica recebe o seu sentido mais profundo. Além disso, há educadores capazes de reordenar os itinerários pedagógicos duma ética ecológica, de modo que ajudem efetivamente a crescer na solidariedade, na responsabilidade e no cuidado assente na compaixão.» L S 210.

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5… Ao ENCONTRO – arte e

espiritualidade Catequista aproxima-se, acolhe e acompanha

9. Esculpir o OLHAR para contemplar/cuidar a criação

Um convite para «esculpir o OLHAR e o coração», em família ou na catequese: 1… Ler e dialogar sobre o texto; 2… Contemplar a obra de arte (nas páginas seguintes) e tentar descobrir a mensagem do artista; 3… Conversar sobre a beleza da natureza e a desmesura e beleza de um Deus que foi o seu criador; 4… Viver um momento de oração de gratidão, dando graças a Deus pela criação; 5… Assumir, em família, gestos para cuidar a criação: poupar a água, reciclar, apanhar lixo durante caminhadas…

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O Eterno cria o tempo e entra no tempo com gestos que movem galáxias, e com palavras que ninguém pode escutar forma correntes de vida primeiro que alguma coisa tenha um nome. Cores e sons. Sons e cores e perfumes. Quem sou eu, quem sou para ver tudo isto? Êxtase. E quem sou eu, quem sou para ver miasmas infernais, colunas de fumo negro terror, distâncias abissais do designo de amor que, então como agora, promete que nos espera? Meu Senhor, meu Deus, concede a esta tua criatura que enxugue algumas lágrimas com bálsamos de esperança, com asas de borboletas encantadas como naquele primeiro jardim. Concede a esta voz, grata de tanta beleza e testemunha da destruição que uma humanidade ávida, cruel e insensata lhe inflige, furando corações, crucificando inocentes. Concede, ó Deus, a esta voz quase sem voz que cante o canto da vida que só em ti pode viver. In Centro Culturale e Galleria San Fedele Trad.: Rui Jorge Martins Publicado SNPC, a 26.05.2020

*"O jardim do Éden" (det.) | Erastus

Salisbury Field | 1860 | Fotografia- "O jardim do Éden" | Adi Holzer | 2012

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10. Trindade: Deus é comunhão, vínculo, abraço Os nomes de Deus sobre o monte ( João 3,16-18) são um mais belo do que o outro: o misericordioso e piedoso, o lento para a ira, o rico de graça e de fidelidade (Êxodo 34,6). Moisés subiu com esforço, duas tábuas na mão, e Deus desconcerta-o e a todos os moralistas, escrevendo naquela rígida pedra palavras de ternura e de bondade. Que chegam até Nicodemos, naquela noite de renascimento. Deus amou tanto o mundo, que lhe deu o seu Filho. Estamos no versículo central do Evangelho de João, num espanto que renasce sempre perante palavras boas como o mel, tonificantes como uma caminhada junto ao mar, entre salpicos de mar e ar bom respirado a plenos pulmões: Deus amou tanto o mundo… e a noite de Nicodemos, e as nossas, iluminam-se. Jesus está a dizer ao fariseu medroso: o nome de Deus não é amor, é “muito amor”, Ele é “o muito-amante”. Deus, pela eterni-

dade, considera o mundo, cada carne, mais importante que Ele próprio. Para me adquirir, perdeu-se a si mesmo. Loucura da cruz. Insanidade de Sexta-feira Santa. Mas por nós renasce: cada ser nasce e renasce do coração de quem o ama. Experimentemos saborear a beleza destes verbos no passado: Deus amou, o Filho foi dado. Dizem não uma esperança (Deus amarte-á se tu…), mas um facto seguro e adquirido: Deus já está aqui, impregnou de si o mundo, e o mundo dele está embebido Deixemos que os pensamentos absorvam esta verdade belíssima: Deus já veio, está no mundo, aqui, agora, com muito amor. E repitamo-nos estas palavras a cada despertar, a cada dificuldade, de cada vez que perdemos a confiança e se faz noite. O Filho não foi enviado para julgar. «Eu não julgo!» ( João 8,15). Que palavra explosiva, a repetir setenta vezes sete à nossa fé ame-

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O mundo é salvo porque amado. Os cristãos não são aqueles que amam Deus, são aqueles que acreditam que Deus os ama, que pronunciou o seu «sim» ao mundo, antes que o mundo diga «sim» a Ele.

drontada! Eu não julgo, nem para sentenças de condenação nem para vereditos de absolvição. Posso pesar os montes com a balança e o mar com a palma das mãos (Isaías 40,12), mas o ser humano não o peso nem o meço. Salvar quer dizer alimentar de plenitude e, depois, conservar. Deus conserva: este mundo e eu, cada pensamento bom, cada generosa fadiga, cada dolorosa paciência; nem um cabelo da vossa cabeça se perderá (Lucas 21,38), nem sequer um fio de erva, nem sequer um fio de beleza desaparecerá no nada. O mundo é salvo porque amado. Os cristãos não são aqueles que amam Deus, são aqueles que acreditam que Deus os ama, que pronunciou o seu «sim» ao mundo, antes que o mundo diga «sim» a Ele. Festa da Santíssima Trindade: anúncio que Deus não é em si mesmo solidão, mas comunhão, vínculo, abraço. Que nos alcançou, e liberta, e faz erguer em voo uma pulsão de amor. Ermes Ronchi-In Avvenire Trad.: Rui Jorge Martins Publicado no SNPC, 04.06.2020 | 07.06.2020

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6…

Em REDE na WEB

11. SER testemunha ao serviço de uma experiência de fé na Web


“A web serve para mostrar o resultado da nossa alegria e do prazer que temos em ser cristão” “Não podemos, como evangelizadores ir para web com as mesmas categorias, chaves mentais, a mesma forma de fazer, que fazíamos antes. Uma nova ferramenta, provoca uma nova forma de nos relacionarmos, por isso estas tecnologias do digital desafiam-nos a estarmos aqui, ao estilo cristão, reconhecendo as suas potencialidades, mas não deixando de ser cristão”, considerou o Cónego Luís Miguel Figueiredo Rodrigues na primeira conferência zoom, promovida pelo SDEC – Diocese do Porto, em que abordou o testemunho cristão ao serviço de uma experiência de fé na web. O Cónego Luís Miguel Figueiredo Rodrigues, mestre em catequética, professor e investigador na Universidade Católica, Núcleo de Braga, regressa para nova conferência, através da plataforma zoom, no próximo dia 3 de dezembro, com transmissão em direto na página Facebook e Youtube do SDEC Diocese do Porto. “A comunicação digital pede que nos insiramos nela, criemos a realidade imersiva, que consiste no que sinto, o que penso, o que faço, partilho com aqueles que estão ao meu lado, que vivem comigo”, anotou, ressalvando que “estas realidades só serão evangelizadoras na medida em que nos permitir ser inseridos na vida comum uns dos outros”. Na primeira conferência, com cerca de 400 pessoas a acompanhar em direto, na sua maioria catequistas, o Cónego Luís Miguel acentuou a proximidade que deve, no contexto evangelizador, estar conectada com aqueles que estão connosco no online. “Com os meus catequizandos, que de alguma forma vivem comigo, vivem no meu coração, utilizo estes recursos digitais para me tornar presente junto deles e para ser um canal através do qual eles podem estar próximos para comigo”, sublinhou.


“A web serve para mostrar o resultado da nossa alegria e do prazer que temos em ser cristão, mas só há transmissão da fé quando se chega a um encontro presencial”, afiançou. E alertou que “não há evangelização só com a web”. Para o Cónego Luís Miguel “a web pode ser e é um excelente lugar para mostrarmos a beleza da fé, mas desta beleza que mostramos no online tem que surgir esta pergunta de isso que tu falas, dizes, onde posso experimentar”. Mas, realça, é preciso manter a autenticidade: “Podemos ter uma estratégia de marketing toda xpto, ter excelentes layouts, ter uma excelente presença em termos gráficos, mas não é isso que faz com que a comunicação seja autêntica. Ela é boa, bela e verdadeira na medida em que está de acordo com os nossos desejos preenchidos e compreendidos à luz da pessoa de Jesus Cristo”. A sua intervenção assentou no pensamento e orientações dos três últimos Papas – São João Paulo II, Bento XVI e Francisco – suportado nas suas Mensagens para o Dia Mundial das Comunicações Sociais para assim, referiu, “procurar perceber aquele que é o sentir do pensamento eclesial sobre estas matérias”. “Deve comunicar-se a mensagem cristã na sua integridade e exigência, e não a mitigar para a tornar mais atraente”, sustenta. “Se a igreja é expressão de Amor e o lugar onde as pessoas amam e se sentem amadas, se relacionam, então a comunicação não é acessória à Igreja, mas essencial da Igreja. Por isso a Igreja deve comunicar com os critérios de verdade, credibilidade e sensibilidade perante os mais frágeis e que não tem quem os defenda”, concluiu.

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O Cónego Luís Miguel Figueiredo Rodrigues volta a abordar este novo contexto de comunicação na web, em conferência zoom, com transmissão em direto na página Facebook e Youtube do SDEC Diocese do Porto, no próximo dia 3 de dezembro, às 21h15. “É importante agarrar esta oportunidade de no digital poder anunciar a nossa fé e proporcionar a outros que se possam encontrar com ela”, refere Isabel Oliveira, responsável do SDEC da Diocese do Porto, promotor deste ciclo de conferências em que se pretende aprofundar métodos e conceitos no serviço de uma experiência de fé na web. Para o Bispo Auxiliar da Diocese do Porto, D. Armando Domingues, que também participou na conferência, promovida pelo SDEC Porto, a internet assume também um papel determinante nesta tarefa da transmissão da fé. “Uma das coisas que a internet nos possibilita, embora longe, é conseguirmos construir laços que nos unem. Eu falo, mas estou sujeito ao que o outro diz, manifesto-me, mas também sou convidado à escuta do outro e na internet ou é uma escuta profunda ou então agredimonos e a novidade é precisamente esta: que eu seja capaz de dar, ouvir, responder, de construir em conjunto e é tão bonito este construir em conjunto”, afirmou. Miguel Carvalho

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Boas NOTÍCIAS

Catequista escuta e partilha

12. Say Yes Um projeto de diaconia e caminhada com a família Testemunho catequese da adolescência

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O Projeto Say Yes foi acolhido no seio do Grupo de Catequese de Adolescentes da Paróquia de Fiães num misto de entusiasmo e expectativa por todos catequistas, catequizandos e pais. No início, como em qualquer projeto novo, surgiram alguns receios, duvidas e até alguma confusão em todos intervenientes, mas com o programa de formação que tivemos por parte do SDEC entendemos o porquê e o como fazer. Num verdadeiro espírito de interajuda, o grupo a começou a caminhar de etapa em etapa vivendo as diversas atividades e experiências propostas.

Em março, a pandemia obrigou-nos a interromper abruptamente a caminhada. Todavia, um grupo de catequistas deu continuidade ao projeto no Zoom, mantendo os encontros semanais. Neste trabalho online com os catequizandos, famílias e a comunidade, foram utilizados também o WhatsApp, a página oficial da catequese no Facebook e a página da paróquia em colaboração com quem as dinamizava. […] Entre outras atividades, no tempo pascal foi organizado um grupo fechado no WhatsApp “vamos rezar juntos”, dinamizado pelo catequista Guilherme, aberto a todos catequizandos, pais, família e comunidade. Neste grupo foram partilhados conteúdos através de diversos suportes, áudio, vídeo, texto com a finalidade de convidar à reflexão, à leitura da Palavra de Deus, à oração, à recitação do terço (diária). […] Durante a Semana Santa, organizamos encontros diários de reflexão sobre a paixão, vivemos a Via Sacra e no Sábado Santo estivemos em reflexão, através do WhatsApp. Nestes momentos de interações, reflexão individual e partilhas em grupo participaram os catequizandos e os pais dinamizados pelos Catequistas. No confinamento, organizamos um grupo de voluntários com os catequizandos, pais e familiares para intervir e ajudar na paróquia. Oferecemos a nossa colaboração à autarquia e ao centro social, todavia não foi necessário intervirmos. No entanto, na semana da Páscoa, os catequizandos fizeram mensagens, vídeos, desenhos que foram entregues aos idosos e pessoas que vivem sozinhas. pela equipa de apoio domiciliário do Centro Social da Freguesia. […] Neste itinerário catequético realçamos a ajuda do material, atividades, e ferramentas que nos foram sendo disponibilizadas no site do Educris, no canal Youtube da Agência Ecclésia. Destaca-se igualmente a participação de diversos convidados que se disponibilizaram e aceitaram colaborar com os catequistas para enriquecerem os encontros. A todos a nossa imensa gratidão. David Almeida - Paróquia de Fiães

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«Este ano catequético teve início com uma proposta audaciosa e promissora para a catequese de adolescentes. (…) Na prática, os adolescentes, aprendem fazendo, vivenciando realidades, muitas vezes, diferentes das deles. Preocupar-se com o próximo, na sua essência. (…) Como catequista, penso que esta proposta é muito rica e estimulante, uma vez que propõe aos adolescentes que “coloquem as mãos na massa”, que façam por eles, à maneira deles (com as orientações necessárias e devidas a cada momento preciso). (…) Como mãe de adolescente que vivenciou esta mudança, penso que melhorou a participação dos pais/familiares, uma vez que a vivência deste projeto demanda a ajuda mais frequente das pessoas mais próximas … Sabrina Brandão, mãe e catequista Mas melhor que eu para falar sobre o sucesso ou não do Projeto é dar voz aos diversos intervenientes: «Este ano de catequese começou com um projeto diferente, o “Say Yes”. (…) Acho que nos adaptamos bem e foi uma boa mudança pois houve interação entre os anos de catequese dos adolescentes Mas quando começou a pandemia, senti que o “Say Yes” perdeu a sua essência principal, já que o meu grupo já tinha um projeto para ajudar a comunidade, mas foi interrompido por causa do vírus. Mesmo assim, voluntariamo-nos para ajudar…»

«[…] Sendo muito sincero durante a quarentena acho que melhor era impossível pois conseguiu-se manter o projeto com todos os participantes mesmo quando as vezes faltava a motivação.[…] Também acho que fazer os catequizandos explorarem e procurarem ajudar a sociedade é um benefício para todos pois aprendemos a dar valor a muita coisa a que antes não dávamos.» João Camarinha, 9º Ano

Maria Brandão, 9º ano

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«Com a pandemia e encerramento das atividades nas paróquias senti meu coração apertado e uma angústia tomou conta do meu coração, pois não sabia o que fazer para tocar a missão de evangelização em frente. Entretanto, graças ao empreendedorismo do David, na Paróquia de Fiães, que deu continuidade à catequese a partir da plataforma Zoom e estimulou outros catequistas a fazerem o mesmo com os seus catequizados, senti-me desafiado a também participar desse movimento. Pontos fortes da catequese pelas plataformas tecnológicas: - Atinge um grande número de pessoas, mesmo de outros países; - São criados modos modernos de evangelização (vídeos, dinâmicas, …); - Catequisamos mesmo com as imposições do COVID Oportunidade de melhorias: - Ter a perceção do que se passa com o outro que está distante; - Derrubar barreiras, como a timidez dos adolescentes para falarem de Cristo; - Acertar a duração dos encontros, dos vídeos, pelas plataformas tecnológicas para termos uma evangelização eficiente. «Uma das principais razões para eu vir e trazer a minha família para Portugal foi de anunciar o reino de amor prometido a nós por Jesus» Guilherme, Catequista

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«O novo projeto de educação cristã proposto para a catequese, muda o paradigma de dar a conhecer o Amor de Cristo aos jovens onde estes podem ter protagonismo. A motivação e entusiasmo dos catequistas foi muito importante para o envolvimento do nosso filho e do nosso envolvimento enquanto pais. Com o confinamento os projetos que estavam a ser desenvolvidos não puderam continuar, mas através dos encontros on-line permitiram que o ânimo continuasse no grupo. O recurso dos meios tecnológicos permitiu que pais, catequistas e (dedicados e proativos) catequizandos comungassem do mesmo espírito fraterno de Jesus.» David Camarinha, Pai de um Catequizando do 9º Ano


O coração da missão da Igreja é a oração «A oração é a chave para podermos entrar em diálogo com o Pai. Cada vez que lemos uma pequena passagem do Evangelho escutamos Jesus que nos fala. Conversamos com Jesus. Escutamos Jesus e respondemos. E isto é a oração. Rezando, mudamos a realidade. E mudamos nossos corações. O nosso coração muda quando reza. Podemos fazer muitas coisas, mas sem oração não funciona. Rezemos para que nossa relação com Jesus Cristo se alimente da Palavra de Deus e de uma vida de oração. Em silêncio, cada um reze com o coração». Papa Francisco – Dezembro 2020

Secretariado Diocesano de Educação Cristã, Diocese do Porto


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