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O TEMPO BETIM 11 a 17 de abril de 2014

Política

Semas. Esquema teria falsificado documentos para desviar recursos de jovens carentes

Antigo sócio de Léo trazia notas fiscais de Contagem Auditoria realizadaemconvênioscelebradosentre aSecretariade Assistência Social eaONGIrmãosGlacusencontraimpressos falsificadosquecontribuíram com rombo

FALHAS “GROTESCAS”

Moldura arredondada

O proprietário da gráfica, Anderson Gomes da Cunha, disse que imprimiu um bloco oco de presário, nota para o antigo sócio de Léo, Amarildo Alves, porém, as notas, segundo o empresário, s”, disse. teriam sido duplicadas. “Posso garantir que esses documentos foram falsificados”, Espaçamento entre caracteres entre notas que seriam de um mesmo bloco é diferente em alguns campos

Moldura quadrada

Formatação diferente Em uma nota fossui bordas em angulos retos e em outra os cantos são arredondados

Nota impressa pela gráfica Irmãos Cunha

Nota que teria sido duplicada pelo esquema Semas

Da Redação politica@otempobetim.com.br

A Gráfica Irmãos Cunha Ltda, com sede no bairro Laguna, em Contagem, confirmou que notas utilizadas para cobrir partedasverbasqueeramdesviadas de convênio da Semas eram falsificadas, provavelmente elaboradas a partir da clonagemde impressosautorizados pela Receita Estadual. Auditoriarealizadaporprofissionais contratados pela prefeitura estimou em cerca de R$ 600 mil o valor em notas emitidas, somente através do convênio entre a Secretaria de Assistência Social (Semas) e o Núcleo Assistencial Irmãos Glacus. Deste total, R$ 370.736,50 foramparaaempresadeAdriana Clarindo da Silva, irmã de Carlos Alberto Clarindo, o Carlão, ex-locutor do prefeito Carlaile Pedrosa e também homemde confiança doex-secretário da pasta, vereador Edson LeonardoMonteiro, o Léo Contador. As notas serviam para cobrar gêneros alimentícios,

que, segundo apurou a reportagem, não ocorriam com a qualidade e nas quantidades destacadas pelas cobranças. Apesar de sua empresa receber da ONG, Adriana declarou desconhecer os fornecimentos, as notas fiscais e o recebimento de cheque emitidos em nome dela. A irmã de Carlãodisseaindaque sua empresa só entrará em operação em maio de 2014. Afalsidadedocumental saltouaos olhosdos auditorespela desconformidade de caracteres e padrões gráficos entre as notas que constam da mesma autorização da Receita Estadual. A reportagem procurou a gráfica Irmãos Cunha, na ultima terça-feira (8). Foi quando um dos proprietários da empresa, Anderson Gomes da Cunha, confrontado com várias cópias das notas fiscais de Adriana, confirmou a falsidade de parte dos documentos, dentre eles as notas de número 17 e 20. “Esses impressos não foram produzidos aqui”, afirmou ele, que ainda destacou

Escrita da palavra CNPJ está diferente da nota considerada original

Palavra “Alíquota” foi abreviada na nota fiscal tida como falsa, enquanto que na outra não há abreviatura.

No campo “Descrição dos Produtos” da nota que seria falsa, está faltando a coluna “Código do Produto”. No mesmo campo, aparece a coluna “CL FISC” o que não ocorre no documento que seria verdadeiro.

Desenho do quadrado do campo “Frete por Conta”está maior na nota considerada pelo dono da gráfica como “falsa”

Nome da gráfica Irmãos Cunha foi escrito errado. Na nota considerada falsa está escrito Irmãos Cinha

que, na “clonagem”, os erros eram tão grotescos que até o nome da própria gráfica foi escrito de maneira errada. Ao invés de “Cunha”, o nome que a nota trazia era “Cinha”. Para o empresário, os papéis que ele viu se tratam de falsificaçõesproduzidasemescritório de contabilidade. Mais irregularidades Além das irregularidades encontradas nas notas, outras inadequações foram percebidas pela auditoria. Para receber da prefeitura, astomadas depreços,procedimento exigido por órgãos públicos para efetuar pagamentos, também foram montadas e realizadas por empresas que seriam “fantasmas”. Um segundo bloco de notas aumentaria ainda mais a possibilidade de rombos nos convênios. Os auditores estimam um valor médio de R$ 12 mil por nota emitido no segundo semestre de 2013 pela empresa Adriana. Essa empresa, explicou o ex-controlador-geral do muni-

cípio, Robspierre Miconi, “não tinha outra atividade além da emissão de notas fiscais que se transformavam em pagamentosfeitos porONGsconveniadas com a Semas”. “No caso de Irmãos Glacus, os desvios poderiam ser facilitadospelapresençadaesposa de Carlão, que tinha relação direta com a diretoria da entidade e que ajudava na a emissão dos cheques”, explicou. O esquema se fecharia com pessoas protegidas e nomeadas pelo ex-secretário que, até então, mantêm atitude solidária com Carlão, apesar de indícios inapeláveis do esquema de desvio. Carlão, durante a semana, deu sinais de impaciência e fez chegar ao gabinete do prefeito a sua insatisfação. Já Carlaile Pedrosa, até ontem, não tinha recebido Léo Contador nem Carlão. A reportagem apurou também que a família de Léo Contador está sendo aconselhada a convencê-lo a renunciar ao mandato de imediato. A maioria dos vereadores

Numeração entre as notas está com o tamanho de letra diferente uma da outra

que foram consultados acha o mesmo. Entretanto, a reação de Léo Contador à possibilidade renúncia foi uma espécie de “ameaça velada”. De acordo com um vereador da base aliada, ele teria dito que “arrastaria a câmara inteira e o prefeito”. Durante a semana, o empresáriodo ramodeobraseexdeputado Ciro Pedrosa, irmão do prefeito Carlaile Pedrosa, atuou como uma espécie de “bombeiro” para evitar que a CPI, proposta pela bancada do PT, fosse aprovada. Ciro, segundo esse vereador, teria dito que o caso “deveria seguir para o Ministério PúblicoparapreservaraCâmara e o governo municipal”. Por enquanto, a empreitada de Ciro está dando certo. Dos parlamentares que fazem parte da base governamental, apenasovereador Vinicius Rezende(SDD)manteveassinatura favorável à CPI, o que fez ele sofrer represálias. Para Robespierre Miconi, o trabalhode moralizaçãoda Semas estava apenas iniciando, quando,apóso retornodo pre-

feito, em 21 de fevereiro, ele foi exonerado de forma sumária. “Auditamos apenas três convênios de 12 que estavam sob suspeita, porém, até agora, entregamos as análises de apenas um”, disse. Para Miconi, os dados coletadosatéaqui podemservircomo amostragem do tamanho dos desvios. O ex-controlador estimaque,somente noconvênio Socialização, cerca de R$ 1 milhão, de um total de R$ 1,6 milhão recebido pela ONG Irmãos Glacus, foi para outros fins. “Isso faz tocar o alarme e abrir uma terrível suspeita, pois foram desviados recursos do combate a fome de crianças carentes”, disse. “Se Carlaile não mover uma ação de recuperação do erário público, ele poderá ser considerado cúmplice. Porém, as atitudes mais recentes do prefeito o ligam e o amarram ao esquema”, disse. Segundo um dos auditores contratados, “restam poucas dúvidas sobre a existência das fraudes, que estariam remetendo a um escritório ou um profissional da área contábil”.

O Tempo Betim - Sex, 11/04/2014  

Edição semanal de O Tempo Betim

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