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MOBILIDADE

DIÁRIO POPULAR DOMINGO, 25 DE AGOSTO DE 2013

Jô Folha - DP

Monitoras da Serttel, empresa concessionária, começam amanhã o trabalho de conscientização da população e divulgação de detalhes sobre a implantação do serviço

Enfim, estacionamento rotativo sai do papel Osiris Reis

Pelotas. O assunto é debatido há décadas na cidade e, como toda novidade, ainda é visto com apreensão por algumas pessoas. O estacionamento rotativo entra em atividade nesta semana: com a promessa de democratizar as vagas para veículos na zona central da cidade, o sistema já implantando em outras cidades de médio porte pretende mudar a concepção sobre estacionamento público. A partir de amanhã, monitores da Serttel, empresa concessionária, trabalharão na conscientização da população e divulgação de detalhes sobre a implantação do serviço. A partir de agora, a cidade precisa aprender a lidar com a tecnologia e o sistema deve estar em funcionamento definitivo a partir de quinta-feira. Apesar de o primeiro impacto visual às pessoas serem os parquímetros, a grande aposta da empresa são os aplicativos para smartphone. A intenção é estimular o uso através das novas ferramentas, pois não envolvem o manuseio de moedas nos terminais. No entanto, o primeiro passo é o motorista adaptar-se aos terminais: são eles quem emitirão os tíquetes para serem afi-

xados nos painéis dos veículos. “Quanto menos a população utilizar o método tradicional, melhor. A separação de moedas dá muito mais trabalho. Iremos fazer promoções para o cartão e o aplicativo serem os preferidos”, avalia o gerente de negócios da Serttel, Sérgio Müller. Os cartões serão comercializados em cerca de 40 estabelecimentos conveniados e a lista estará disponível no site Mobilicidade e também adesivada nos parquímetros. O gerente explica que os valores arrecadados são destinados ao custeio do sistema de rotatividade e não será possível certificar-se sobre a segurança do veículo durante sua permanência. “Não temos autonomia sobre quem circula na região. Isso faz parte da segurança pública”, antecipa. A empresa trabalha no área há 26 anos e o serviço já foi implantado em cidades como Taubaté, São José dos Campos, Guarulhos, Caruaru e Recife.

Novo momento no Centro da cidade A secretária de Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana, Joseane Almeida, espera

O sistema de mobilidade, que promete mudar a rotina de quem precisa estacionar no Centro de Pelotas, entra em funcionamento na quinta-feira, depois de décadas de debates; conheça o que muda e o que fazer para se adaptar à novidade

que os espaços públicos fiquem mais democráticos e à disposição de todos. O problema agravou-se com o passar dos anos: atualmente a frota de veículos em Pelotas gira em torno de 172 mil. “Defendemos a ideia da cidade para todos e aqui também entra a questão dos trailers. O uso do espaço público precisa ser discutido em todos os âmbitos”, avalia. Em parceria com a Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Pelotas (Aeap), a pasta promoverá no próximo dia 28, em frente ao Grande Hotel, o evento Vaga viva: uma proposta de utilização das vagas públicas para outras finalidades, como lazer e cultura. A ideia é mostrar à sociedade que esses espaços não são exclusivos para uso dos automóveis. O superintendente do Sistema Viário da pasta, Flávio Al-Alam, espera que o primeiro mês ainda seja o tempo necessário às pessoas adaptarem-se ao novo sistema. Uma das consequências já previstas é a superlotação das ruas próximas, como Tiradentes, Professor Araújo, Santa Tecla, General Telles, dentre outras. Em breve, a Secretaria deve iniciar estudos de fluxo nessas vias. Alam prepara-se para um possível au-

mento de demanda do trabalho dos agentes de trânsito, pois a categoria é a responsável pelo registro das infrações de trânsito na cidade. Recentemente o prefeito Eduardo Leite (PSDB) anunciou mais um concurso público para suprir as necessidades da categoria. Atualmente, dos 60 profissionais, apenas 40 estão em atividade.

Guardadores. A intenção da Secretaria de

Gestão da Cidade e Mobilidade Urbana é inserir os cerca de 60 guardadores de carros cadastrados na área como auxiliares do processo. Os profissionais foram capacitados no último sábado na Secretaria de Justiça Social e Segurança para manusearem os parquímetros. Alam cita a categoria como responsável pela quarta forma de pagamento. Todos terão cartões e poderão oferecer o serviço aos motoristas. “O guardador pode emitir o tíquete no parquímetro com o seu cartão e trazê-lo para o motorista. Se o profissional for agradável, certamente irá ganhar uma gorjeta”, explica. Mesmo que o cidadão não dê a gorjeta, o guardador já estará no lucro pois poderá adquirir o cartão com o valor 20% abaixo do preço de mercado.


DIÁRIO POPULAR

Exemplo da vizinha Rio Grande Os rio-grandinos podem ter sido relutantes no início da proposta. No entanto, três anos após a implantação do estacionamento rotativo, a utilização do serviço faz parte da rotina de muitos motoristas. Para o responsável pela Secretaria de Mobilidade Urbana e Acessibilidade (Smmua), Edson Lopes, entre as vantagens, a medida permitiu maior fluidez no trânsito da zona central do município. Atualmente, o sistema dispõe de 1,3 mil vagas para veículos automotores - sendo 30% deste espaço destinado a motocicletas. A zona azul é fiscalizada pela empresa Rek Parking e o custo da hora é de R$ 1,20. Segundo o secretário, em caso de veículos estacionados inadequadamente em locais destinados a vagas específicas ou permanência por tempo superior às duas horas estipuladas pelo parquímetro, é cobrada uma multa e ainda corre-se o risco de remoção do automóvel. “Em alguns pontos ainda é difícil estacionar, como na esquina dos bancos. Entretanto, em muitos outros, ficou mais fácil e o pessoal já absorveu a ideia.” Confira no site o vídeo sobre como irá funcionar o serviço

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Décadas de debate

1979

1985

2002

2012

2013

A primeira tentativa de implantar o estacionamento rotativo em Pelotas teria ocorrido em 1979. O perímetro delimitado era formado pelas ruas Tiradentes, Barão de Santa Tecla, General Neto e Félix da Cunha.

Seis anos depois foi a segunda tentativa, com a demarcação apenas do entorno da praça Coronel Pedro Osório. Um projeto de lei também tratou do tema, mas sequer chegou a ser votado na Câmara de Vereadores.

O estacionamento rotativo voltou às discussões no governo Fernando Marroni (PT). Anos após, o projeto foi remodelado e o Poder Público abriu as discussões com as entidades envolvidas. Na época, falava-se sobre a utilização de tíquetes de papel, caneta especial ou leitor de código de barras.

A lei foi aprovada pela Câmara de Vereadores em fevereiro e encaminhada à sanção do então prefeito Fetter Júnior (PP). No documento, foram estabelecidos detalhes sobre a implantação do projeto, como locais de carga e descarga e tarifas.

O prefeito Eduardo Leite (PSDB) assinou o contrato com a empresa Serttel, vencedora do processo licitatório. Foi oferecida a maior porcentagem do valor que será arrecadado com o estacionamento pago e repassado aos cofres públicos: 26%. O contrato é válido por dez anos.

Arte Mariana Weber - DP


Enfim, estacionamento rotativo sai do papel