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ANO LXXXV • N.º 1151 de 30 de Junho de 2011 • 1,00 € • Taxa Paga • Monte Belo • Setúbal - Portugal (Autorizado a circular em invólucro de plástico Aut. DE00212011GSCLS/SNC)

Eleições legislativas:

Sesimbra votou “laranja” mas recusou a maioria absoluta à Direita Página 10

Economia local DAGOL

Chefe Mimi Silva: Desde Sesimbra até à alta cozinha do KAIS

A história da DAGOL confunde-se com a de José Manuel Vacas, que, após regressar da Guerra Colonial, tomou conta da empresa fundada pelo pai há 53 anos. A empresa, que começou como loja de ferragens para mobiliário, é hoje lider mundial no domínio das chapas acrílicas e similares. Página 4

Talho Novo: Apresenta a originalidade de produzir numa quinta própria a maior parte da carne que vende ao balcão. É uma empresa familiar há 43 anos e Manuel Carvalho pretende que possa continuar assim por mais gerações. Página 12

Artur Pereira:

Nasceu na rua Eça de Queiroz, no seio de uma família de modestos recursos, que fabricava torrão de alicante e rebuçados e que vendia “linguas da sogra” na praia. Começou por ser cabeleireira no salão da Romilda mas, depois de uma vida de trabalho e luta, chegou à chefia das cozinhas do restaurante Kais, que o Grupo João Rocha tem na zona de Santos, em Lisboa. É hoje uma reputada Chefe de Cozinha de nível internacional, e continua a trabalhar com a energia e a alegria que caracterizaram toda a sua vida. Página 5

Política local

pára o jogador, mas o treinador continua

Assembleia Municipal

Após mais de 30 anos no hóquei em patins, Artur Pereira coloca fim à carreira de jogador, mas continua como treinador da mesma modalidade. Há 9 épocas que treina as camadas jovens. Apesar reconhecer que a modalidade já não tem a projecção de outros tempos, acredita que o hóquei tem futuro, dando como exemplo o acréscimo de jovens pratricantes na equipa do Grupo Desportivo de Sesimbra.

Obra demorada...

• Aprovado empréstimo de 2,27 milhões de euros • Aprovado Plano de Pormenor da AUGI 9 da Lagoa de Albufeira • Autorizada a extinção da CDR - Cooperação e Desenvolvimento Regional Página 10

Mergulho e Moda: de mãos dadas pela Inclusão A secção portuguesa da Disable Divers International assinalou em Sesimbra o seu 1º aniversário, com baptismos de mergulho na Baleeira e com um desfile de moda, na Praça da Califórnia, onde se destacou a presença do modelo e atleta brasileiro Fernando Fernandes. Página 13

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Envolto em polémica sobre a responsabilidade da reconstrução, o muro do cemitério tem impedido a circulação na rua José Pinto Brás. A Câmara deciciu, finalmente, suportar o custo da obra. Página 4

Júniores do GDS regressam à 1ª Divisão É, de certa forma, a reparação da injustiça praticada em 2010, com um castigo por uma alegada agressão, durante um jogo do campeonato distrital entre Moitense e GDS. Mas na presente época os Júniores não deixaram margem para dúvida e impuseram o regresso à 1ª Divisão Distrital. Em reconhecimento do seu mérito, a Câmara Municipal de Sesimbra deliberou, no passado dia 22 de Junho, atribuir-lhes o Medalhão da Vila de Sesimbra. Página 15

Monsenhor José de Freitas

Conservas

Badminton

Marchas

Faleceu Monsenhor José de Freitas, que foi Pároco da Freguesia do Castelo entre 1941 e 1955. Foi igualmente o Guia do pequeno grupo que trabalhou para a fundação da Liga dos Amigos de Sesimbra e refundação do jornal O Sesimbrense.

No Dia do Pescador as Conservas Nero, a Loja SSB e a ArtesanalPesca fizeram o lançamento público da nova Conserva de Peixe-Espada Preto. Na cerimónia estiveram presentes numerosas individualidades oficiais e outros convidados.

Uma participação recorde de seis Marchas animou como nunca as festas dos Santos Populares. E a Quinta do Conde contribui como nada menos do que quatro Marchas, oriundas de diversas colectividades, comprovando a vitalidade do seu associativismo.

Bruno Faustino e Bruno Vaqueiro, do Núcleo de Badminton do Grupo Desportivo de Sesimbra, venceram a Taça de Portugal na categoria de pares séniores (Categoria C). Foi a primeira vez na história do Badminton português que se realizou esta competição.

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O SESIMBRENSE | 30 DE JUNHO DE 2011

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Editorial

Monsenhor José de Freitas A Liga dos Amigos de Sesimbra tinha preparado para o seu duplo aniversário, no próximo mês de Junho, uma homenagem especial a Monsenhor José de Freitas, formalmente justificada pelo facto de ser (na altura em que essa homenagem foi decidia) o mais antigo dos Directores deste jornal ainda vivos, mas que pretendia, sobretudo, homenagear o seu papel único na fundação da Liga dos Amigos do Castelo de Sesimbra, no final de 1951, e refundação d’O Sesimbrense, a partir de 1952. Escreve-se na fotobiografia de Monsenhor José de Freitas: “Em 1951, Padre Freitas dinamizou um punhado de Sesimbrenses – Pexitos e Camponeses – e com eles criou a Liga dos Amigos do Castelo de Sesimbra (…) O primeiro e imediato objectivo foi a aquisição do periódico O Cezimbrense, nessa data já a celebrar os seus 25 anos de publicação, mas suspenso por falta de cooperação, mais que por motivos financeiros”. E, mais à frente: “Memoráveis ficaram os serões do grupo, na redacção do jornal, em que o pároco se tornou mentor de «jornalistas», com o seu conselho e ensinamentos! E, quantas vezes, eles se prolongavam, noite dentro, no saudoso «Café Ribamar». Estas palavras foram escritas, obviamente, a partir do testemunho de Monsenhor José de Freitas. É certo que a lista de sócios fundadores da Liga dos Amigos do Castelo de Sesimbra é relativamente extensa, mas, antes dos fundadores, houve um núcleo fundador que levou por diante a ideia, redigiu os estatutos e angariou associados. Para além do agradecimento que lhes é devido por esse trabalho, devemos destacar a sua generosidade em registar como “fundadores” outros que apenas se inscreveram como sócios. Ainda que falhemos algum nome, desse núcleo fundador fizeram parte, além do Padre Freitas, Rafael Monteiro, António Reis Marques e, ainda que um pouco na sombra devido às suas funções oficiais como Presidente da

Câmara, o engenheiro Braz Roquette. No específico trabalho no jornal devem acrescentar-se ainda os nomes de Adriano Baptista (Director) e Eduardo Ribeiro Pereira (Editor). Diz-se que “todos os homens são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros”. Parafraseando: entre os fundadores da Liga e do segundo fôlego d’O Sesimbrense, alguns são mais fundadores do que outros. É assim com orgulho que podemos ver a Liga e o novo Sesimbrense enfileirar na extensa lista de organizações de elevado sentido ético e moral que nasceram sob o impulso e a energia de Monsenhor José de Freitas. Quase custa a acreditar que este é o mesmo Homem que, nos anos imediatamente anteriores, sofrera os seguintes problemas e dúvidas: “Durante os primeiros anos vegetei enclaustrado dentro das muralhas abandonadas de um alto e isolado castelo, acompanhado, durante o dia, pelos mortos do maltratado Cemitério, mesmo fronteiro à pseudo-residência; e, durante a noite, ao som do piar melancólico dos mochos e das corujas” (…) Socialmente, era a solidão, a dificuldade de comunicação com o povo disperso, fora do castelo, por uma área com 22 km de diâmetro. Esta solidão era exacerbada pela impossibilidade de realizar um novo estilo de pastoral que sonhara imprimir ao meu trabalho. Materialmente, ou economicamente, nem sempre se realizou a oração «O pão nosso de cada dia»… nem a água de cada dia…” Eis o Homem que, depois duma experiência que o levou à beira do desânimo, arranca para uma vida de sucessos reconhecidos, para, finalmente, decidir que o seu corpo vá repousar no mesmo Castelo onde penou solitário, e num Cemitério de onde os próprios mortos se exilam. João Augusto Aldeia

Pontão Espadarte entrou em funcionamento

Entrou em funcionamento no Porto de Sesimbra, no dia 3 de Junho, o pontão Espadarte, instalado pela APSS entre as pontes cais 1 e 2 (lado Norte).

Este equipamento é destinado à acostagem de embarcações que se dedicam ao exercício das actividades marítimo-turísticas.

APSS lança Museu Virtual do Porto de Setúbal Já se encontra online, em versão experimental, o Museu Virtual do Porto de Setúbal. Os objectivos do projecto assentam na preservação de elementos do património histórico da APSS e, por outro lado, na sua disponibilização para consulta virtual, uma vez que representam uma boa fonte de informação para trabalhos científicos ou empresariais e outros de carácter menos estruturado ou lúdico. Através desta pesquisa online os interessados poderão aceder aos elementos do espólio, a uma vasta selecção de matérias, digitalização, catalogação e colocação de documentos.

Este projecto inclui ainda a dinamização da campanha “Retratos do Porto de Setúbal”, que apela à participação dos colaboradores, excolaboradores da APSS e de outras empresas/entidades ligadas ao porto, incluindo ainda a população de Setúbal, sensibilizando-os para a disponibilização de documentos particulares para digitalização e integração no Museu Virtual e, por outro lado, convidá-los para colaborarem na identificação das imagens que vão sendo colocadas online. O Museu Virtual do Porto de Setúbal está acessível através do endereço http://www.portodesetubal.pt/museu/.

Pescas - Maio

Confrange este equilíbrio das pescas, com baixa produção, neste mês a dois passos do Verão. Antigamente, neste período, já as nossas armações à valenciana, enchiam a lota de mar com as “lufadas” do nosso gostoso carapau. Ao mesmo tempo as nossas traineiras pescavam as belas choupas, robalos, corvinas etc. Uma riqueza e uma beleza expostos na lota da praia. A sardinha e o carapau eram gordos e as “assadas” destes peixes eram um regalo… Hoje estão magros e andam um pouco arredios da nossa costa. Que se passa?! ... Alguém me

sabe dizer exactamente porque tal acontece…? Aventam-se hipóteses algumas até sabemos e já aqui temos alertado mas (poucos ou nenhuns) nos têm ligado. Uma certeza é de que as pescas estão a submergir e com poucas esperanças de que alguém as ponha à superfície. Este mar, este oceano maravilhoso de que dispomos e que tão mal tem sido aproveitado, bem merecia um forte impulso para que voltemos a ser um grande país exportador de peixe e não tenhamos que importar tanto pescado como o fazemos hoje. Pedro Filipe


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ONDULAÇÕES

No dia 5 de Junho, os portugueses foram chamados a votar para a eleição dos deputados da nova Assembleia da República. Nessa votação, Sócrates teve uma derrota bem maior que aquela que ele se negava a admitir ou que os militantes socialistas podiam imaginar. O fraco resultado obtido foi de 28,05 % dos votos expressos, enquanto o resultado do PSD foi de 38,63 % que, somados aos conseguidos pelo CDS de 11,74 %, garantem uma maioria absoluta, satisfazendo o que havia sido exigido pelo senhor Presidente da República, se os dois partidos chegassem a um acordo de coligação. Nessa mesma noite, logo após os órgãos de comunicação social terem dado a conhecer os últimos resultados eleitorais, Sócrates apresentou o seu pedido de demissão. Simultaneamente, os militantes do Partido Socialista tiveram conhecimento que a sua Comissão Nacional se iria reunir num dos dias seguintes, para debater, não só a designação do novo SecretárioGeral mas, igualmente, a convocação de um Congresso Extraordinário para Julho. Em minha opinião, o calendário adoptado revela, pela urgência, um certo nervosismo da, ainda, direcção política do PS, mais justificável se perspectivasse a continuação das recém passadas lutas com o PSD. Mas não tem por que ser assim. Depois das últimas eleições legislativas e do compromisso que a tróica exigiu e que foi assinado com o PSD e com o CDS, está vedado aos partidos do arco governamental, voltar à política do “enfrentamento” que continuaria a agravar a crise. Nos tempos que se avizinham, a coligação PSD/CDS não só não deverá continuar a enfrentar o PS, como procurará a sua compreensão e apoio para as lutas que se tenham de travar para baixar o elevado défice e fazer crescer a economia. Para além do mais, os partidos políticos portugueses têm de aproveitar todas as oportunidades que se venham a apresentar para voltarem a ganhar a confiança que os portugueses e a Europa lhes têm vindo a retirar e aos seus políticos. Não podemos perder as oportunidades que nos ofer-

eçam para o conseguir e esta poderia ser uma boa ocasião para começar. Os socialistas não se poderão deixar abater pela importância dos últimos resultados eleitorais. É minha convicção que se o último acto eleitoral pudesse ter sido acompanhado por um inquérito aos votantes, que lançasse alguma luz sobre as suas motivações de voto, concluiríamos que o resultado do último acto eleitoral traduz, muito mais, o desejo de penalizar Sócrates e o seu governo, do que o de penalizar o Partido Socialista. E isto, por várias razões, das quais destacaria o reconhecimento, muito generalizado, da apreciada actuação do PS nos últimos quarenta anos. O PS foi, antes do 25 de Abril, o partido charneira de toda a luta pela democracia que permitiu abalar o regime ditatorial que vigorava. O partido charneira da grande aliança povo/forças armadas que nos conduziu, democraticamente, a uma nova República, ao Estado democrático, à aprovação da Constituição e aos primeiros governos democráticos. Por fim, o partido charneira para a nossa entrada na Comunidade europeia. Quando falo de partido charneira não pretendo minimizar a importância das lutas de outros cidadãos, e/ou de outras forças políticas. Pretendo, apenas, como acto de justiça, reafirmar que, embora reconhecendo essa participação, não devemos esquecer que PS foi o partido charneira, isto é, o que mais contribuiu para os resultados que se verificaram e são largamente conhecidos. É notório que, nestes últimos anos, a direcção do PS se esqueceu de algumas das suas grandes causas. Que se deixou descaracterizar em vários combates. Que nem sempre utilizou a arma das recomendações correctivas para corrigir desvios políticos do seu governo, como o devia ter feito quando de deu conta da necessidade urgente de correcção dos cadernos eleitorais. Quero crer que estas faltas conduzirão a uma grande reflexão por parte da sua nova direcção política e que muito rapidamente recuperaremos o velho PS. Eduardo Pereira

Empresário assassinado à queima-roupa

Julião Fernandes, sócio-gerente da distribuidora de bebidas, Colifrige, em Palmela, foi assassinado no dia 25 de Maio, pelas 18:15 horas, quando contava o dinheiro da distribuição, no escritório recente da empresa. O assalto foi levado a cabo por dois assaltantes encapuzados, um deles ficou cá fora enquanto o segundo entrou directamente para o gabinete daquele que, minutos depois, viria a ser assassinado, à queima-roupa, com um tiro de caçadeira na cabeça. O Sesimbrense falou com o filho da vítima, Rui Fernandes, que contou que o sócio de seu pai, num outro gabinete, ouviu os ladrões dizer: “isto é um assalto”,

ao que a vítima respondeu imediatamente: ”está aqui o dinheiro, podem levá-lo”, mas, mesmo não oferecendo qualquer tipo de resistência foi abatido, tendo morte imediata. A dupla fugiu com o dinheiro e um fio roubado a um funcionário, num Opel Corsa que tinha sido furtado na madrugada de dia 20 do mesmo mês, na zona da Quintinha, em Sesimbra. A vítima do crime, de 62 anos, natural das Pedreiras que residia na Maçã, iria reforma-se em Setembro deste ano corrente. O caso encontra-se, em investigação por parte da Polícia Judiciária. Andreia Coutinho

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Veículo incendiado à porta de casa

Na madrugada de 14 de Junho, na Quinta do Conde, Paulo Adriano Baptista, o proprietário de um veículo ligeiro deparou-se com a sua viatura completamente incendiada e destruída, em frente à sua residência, numa zona habitacional. Os Bombeiros Voluntários de Ses-

imbra foram chamados ao local para combater o incêndio. Segundo o Comandante dos Bombeiros, as chamas propagaram-se ao veículo estacionado que se encontrava ao lado do acidentado, ficando este apenas com danos exteriores. Devido às circunstâncias do sucedido o caso foi entregue à Polícia Judiciária, que esteve no local a recolher provas. Segundo fonte da PJ, “ainda não temos indícios de que tenha sido crime ou acidente. Essa conclusão só poderá ocorrer após a obtenção dos resultados do exame laboratorial”. Andreia Coutinho

Arraial acaba em esfaqueamento A madrugada de 18 de Junho, durante os festejos dos Santos Populares, que decorriam um pouco por toda a vila de Sesimbra, ficou marcada por cenas de violência. Os populares que naquela noite se encontravam no arraial na Avenida 25 de Abril, referem o ambiente de distúrbios que estavam a acontecer por ali, culminando, mais tarde, numa série de esfaqueamentos. Segundo declarações do comandan-

se depararam com o comportamento do agressor, tendo sido um agente igualmente golpeado num ombro. Só foi possível a detenção depois dos militares da GNR dispararem um tiro de intimidação para o ar. Os feridos foram levados de imediato para a SAP em Sesimbra de onde seguiram para o Hospital Garcia de Orta, onde se encontra o jovem Pedro, ferido com mais gravidade.

Os distúrbios ocorreram na Avenida 25 de Abril

te Fernando Pestana, os Bombeiros Voluntários de Sesimbra foram chamados para prestar apoio a alguns festeiros por motivos de álcool, na marginal. A agitação e o aglomerado de pessoas era bastante, quando se deu o ferimento de um jovem de 19 anos, Pedro Branquinho, na zona do tórax causado por uma arma branca. O agressor, André Pereira Ramos, de 21 anos, feriu ainda um transeunte, Hélder Martelo, num obro e numa mão. Os bombeiros alertaram a GNR pelas 03:15 horas que, ao chegarem, ainda

O agressor André Ramos foi presente a tribunal, na comarca de Sesimbra, no dia 20 de Junho, pelas 09:30 horas, onde se deliberaram as seguintes medidas de coação: apresentação diária no posto de Sesimbra; proibição de frequentar locais de diversão nocturna; entrega de todas as armas brancas em sua posse assim como a proibição de sua compra; proibição de entrar em contacto com os restantes indivíduos do grupo, cerca de 10, que estariam no momento do crime. Andreia Coutinho


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Dagol Enfrentar a crise agarrando a “juba do leão” A Dagol, empresa de acrílicos com instalações na zona do Zambujal e Aiana, comemorou este ano os 53 anos de existência, e o seu proprietário e administrador, José Manuel Vacas, foi distinguido pela Câmara com a Medalha de Mérito Municipal, que pela actividade empresarial desenvolvida, quer pelo apoio ao movimento associativo e causas sociais. A ligação da família a Sesimbra deve-se à escolha da vila como um destino de férias para toda a família: José Manuel Vacas começou a vir para Sesimbra com 5 anos de idade, numa época em que as férias eram longas e permaneciam aqui durante os 3 meses de férias escolares. O empresário, natural de Montemor, no Alentejo, gosta de salientar que muitos dos factos cruciais da sua vida se deram devido a coincidências. Uma delas foi a compra de uma rifa, em Sesimbra, que proporcionou uma aiola à família. E um dia, quando se preparava para ir até à jangada na embarcação, calhou dar boleia a umas meninas, uma das quais viria a tornar-se a sua esposa, reforçando assim a sua ligação a Sesimbra e à família Costa Marques, pai da esposa. A passagem de José Manuel Vacas pela guerra também reforçou a sua ligação a Sesimbra, através do conhecimento que travou com outros Sesimbrenses, nomeadamente Elísio Bravo, o jovem amigo que o empresário viu morrer ao seu lado. A memória deste malogrado jovem foi um dos motivos que o levou a participar activamente na contestação contra a decisão da Câmara de retirar o nome de “Rua dos Combatentes”, uma acção com grande visibilidade mediática e que daria a José Manuel Vacas uma certa notoriedade como oposicionista da política local.

Das ferragens aos acrílicos A empresa remonta ao ano de 1958, quando o seu pai abriu uma loja de comércio de ferragens importadas. O negócio era partilhado com mais dois sócios, proprietários dos Móveis Olaio, sendo as ferragens importadas tanto para a produção daqueles móveis como para a venda ao público. A ligação de José Manuel Vacas ao negócio teve lugar quando, ainda a frequentar o 7º ano do liceu (11º ano de escolaridade, na altura) foi trabalhar para a empresa em part-time. Mas o jovem trabalhador bem cedo começou a questionar o modo como os sócios do pai conduziam o negócio: “comecei-me a interessar e a querer aprender”, algo que não foi muito bem aceite pelos referidos sócios. Não sabiam com quem se estavam a “meter”. Passado algum tempo a sociedade passou a ser constituída exclusivamente pelo seu pai, com

50 mil escudos, por ele com 5 mil escudos e pela sua mãe também com 5 mil escudos. A ligação das ferragens para móveis com o vidro acrílico não parece muito evidente, mas José Manuel explicanos: “Ao contrário do que as pessoas pensam, os revestimentos também têm vidro acrílico. Comprávamos vidro acrílico para a produção dos revestimentos, e pensámos: então porque não iniciarmos a produção deste material também?” O crescimento foi de tal dimensão que empresas que começaram por ser seus fornecedores, acabariam por se tornar seus clientes. Quando foi necessário aumentar as instalações o Zambujal surgiu como uma boa localização, pela utilização de um armazém que pertencera à família Costa Marques. A importação e exportação dos materiais em acrílico constitui o principal do negócio da Dagol, embora também tenha uma componente industrial para corte das placas e fabrico de peças. Actualmente a Dagol desenvolve-se através de um cacho de empresas: a Dagol “mãe”, a Dagol internacional, Dagol Norte (Maia), Dagol Ibérica (Madrid) e Dagol Plásticos (Barcelona), estando representada com lojas e armazéns no Zambujal, em Lisboa, na Maia, em Loulé, em Madrid e em Barcelona. A empresa conta com 53 funcionários, 25 dos quais em Sesimbra. “Conhecimento, competência, rigor, ambição e paixão”, são palavras-chave para o sucesso desta empresa. Outra característica são os subsídios e prémios de produtividade atribuídos. Em tempos de crise, e mesmo com ordenados base sem aumentos, as regalias continuam. José Manuel Vacas gosta de premiar a competência e a dedicação, assumindo também que pode ser “duro” quando tal se justifique. Um dos exemplos dessas regalias foi a decisão de que, quando um empregado fizesse anos, recebesse um bónus de 25€ (5 mil escudos), aumentando sempre 25€ cada ano que passasse. Hoje o “prémio de aniversário” já pode atingir os 775€. Um programa de convívio social nos tempos livres é também apresentado como um factor para a motivação dos trabalhadores. A Dagol emprega essencialmente trabalhadores para cargos de vendedores, funções de armazém, condutores/ distribuidores, ajudantes para cortar chapa, e funções na rede comercial, no escritório, considerado muito importante para o bom funcionamento da empresa.

Diversificar para enfrentar a crise Em 2010 as vendas não baixaram mas diminuiu a margem de lucro, como medida para combater as dificuldades: “Tem que se trabalhar mais e ganhar menos.” Metaforica-

mente falando, José Manuel Vacas diz que “A Dagol é uma corrida em cima do leão, agarrado à juba: à medida que o leão vai correndo cada vez mais velozmente, eu agarrome também cada vez mais para não cair, pois se cair sou abocanhado pela concorrência”. Outra forma de enfrentar a crise é a diversificação de fornecedores e clientes: os produtos são importados de uma vasta lista de países: Inglaterra; Irlanda; Espanha; França; Alemanha; Checoslováquia; Israel; Bulgária, Indonésia; China; entre outros: “Estamos sempre atentos ao mercado global, balançando a relação entre qualidade/

preço”. A nível de exportação também são vários os países clientes da Dagol, para além de todo o território Nacional, a Espanha, as Ilhas da Madeira e do Açores, as Ilhas Canárias, Cabo Verde, Moçambique, Angola, França. Quanto à economia do concelho, José Manuel Vacas crê que “o problema de muitas empresas é o facto de terem pedido créditos, ficarem hipotecadas e quando não têm liquidez suficiente acabam e fecham. A Dagol consegue sobreviver com os capitais próprios, vamos fazendo investimento à maneira que vamos podendo, nunca nos quisemos endividar e hipotecar”.

Responsabilidade Social Quanto à responsabilidade social: “sempre foi uma política da empresa patrocinar e ajudar quem mais necessita”. Apoios a colectividades culturais e desportivas, à imprensa local, a iniciativas sociais da Junta de Freguesia, do Rotary Club, ou de quaisquer causas sociais que o convençam, são sobejamente conhecidos de todos os sesimbrenses. Frequentemente esse apoio é feito através da publicidade local, apesar de não terem qualquer significado as vendas da Dagol para o mercado local. Andreia Coutinho

Muro da Rua José Pinto Brás O muro da Rua José Pinto Brás que suporta o talude do Cemitério, sofreu uma derrocada no Inverno de 2009 e, por esse motivo, a via pública encontra-se intransitável, tendo sido objecto de controvérsia durante este último ano e meio. O Sesimbrense falou com a administração do condomínio do prédio situado na Rua Major Joaquim Preto Chagas, de momento a cargo da empresa QuorumGest- Administração de Condomínios, representada por André Facote. A via pública em questão esteve a cargo das construções Oásis que, em conjunto com o edifício, foi também responsável pela construção deste muro, que adjudicou a uma terceira empresa. Conforme informação da administração, desde a derrocada, que se deu no inverno de 2009, que tem estabelecido contacto com a Câmara. A administração alega que a Câmara teria informado que em Abril/ Maio de 2011 iria resolver o problema.

Foi-nos informado ainda que, após troca de várias cartas entre administração do edifício e a Câmara Municipal, foi assinado um acordo entre Câmara, as Construções Oásis e a empresa construtora que procedeu à construção do muro, onde foi consignada a sua reconstrução pelos três intervenientes. Contactada pelo Sesimbrense, a Câmara respondeu que estava “a proceder a um ajuste directo para a execução da obra de requalificação”, e que a obra não avançara antes “porque as Construções Oásis, que tinham assumido parte do custo, estão em processo de insolvência”. A Câmara acrescentou

ainda que “a obra de requalificação será assegurada integralmente pela Autarquia e iniciar-se-á logo que concluído o processo de adjudicação. O abandono da empresa Oásis, obrigou a um esforço orçamental do Município que atrasou o lançamento da obra, a qual esperamos que possa ter início em breve”.

Andreia Coutinho


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Chefe Mimi: de Sesimbra até à alta cozinha do KAIS estive 20 anos naquela zona sempre na mesma casa”.

Finalmente... o KAIS Quando foi convidada para Cozinheira Chefe do Kais, foi visitar as instalações; assim que viu a sala achou que não poderia aceitar, era uma dimensão incomensurável. A sala grande acolhe até 450 pessoas, e a taberna típica umas 200. Tiveram de insistir inúmeras vezes, até que aceitasse, nomeadamente através da autora da decoração, Maria José Salavisa: “é uma grande amiga nossa, minha e do meu ex-marido, e foi assim que os meus patrões tentaram durante bastante tempo aliciar-me

para eu vir trabalhar no Kais, porque quando vi isto disse logo que não. É um choque, ficamos sem respiração, impressionou-me!” Mas acabou por ir e por vencer. É reconhecida entre os seus pares, quer pela sua excelência profissional, quer pela sua simpatia e honestidade. Os grandes eventos já não a assustam: nem a cerimónia dos Globos de Ouro, que ainda há poucas semanas ali decorreu, nem a festa anual da Relais & Chatot, a alta roda da gastronomia mundial, e que estará na suas mãos em Novembro próximo. Sonha, no entanto, vir ainda a abrir uma casa em Sesimbra, onde continua a residir, numa vivenda na Cotovia. Fazemos votos para que o sonho se concretize!

A cozinha é uma história de mulheres

Mimi Silva nasceu em Sesimbra, na Rua Eça de Queiróz. A mãe, Sofia Terroloa, fabricava artesanalmente Torrão de Alicante e rebuçados, que o pai vendia na praia, juntamente com as “Linguas da Sogra”, naquelas grandes caixas cilíndricas de metal . Hoje é uma reputada Chefe de Cozinha, no restaurante Kais, e membro reconhecido da elite gastronómica. A família de Mimi era bastante modesta e a Lícia Maria – seu nome de baptismo – limitou os estudos à 4ª classe. Adoptou depois a profissão de cabeleireira, no famoso salão da Romilda, no prédio do Rasteiro da Av. Cândido dos Reis – que ainda hoje ostenta o grande letreiro luminoso do salão, há muito arruinado. Desses tempos Mimi recorda os bailes da Sociedade Musical Sesimbrense, única escapadela da rotina para as raparigas da sua geração. E onde a mãe a foi buscar muitas vezes, “pelos cabelos”, quando era adolescente. Foi nessa Sociedade, num baile de Carnaval, que conheceu o que viria a ser o seu primeiro marido, casamento que a levaria até Setúbal, onde continuou a profissão de cabeleireira, aí já com um salão de sua propriedade.

Emigrante em Genebra Por motivos profissionais o marido foi trabalhar para Genebra (Suiça), e também para aí Mimi o seguiu, de novo como empregada de cabeleireira. Mas a deslocação para terras estranhas não lhe dificultou a vida, pelo contrário. Mimi diz que é como os Ucranianos agora em Portugal: “Ao fim de três meses já sabia falar a língua” e, pouco tempo depois, já era a preferida da maior parte dos clientes daquele salão. Muitas dessas clientes a aconselharam a abrir um estabelecimento próprio, o que fez, ao fim de 5 anos em Genebra. Terminado o primeiro casamento, o acaso aproximou-a de um antigo amigo de infância de Sesimbra, que fora o primeiro Maitre d’Hotel no

Hotel Espadarte – que era o sr Ferreira: “Apaixonei-me e vivi com ele alguns anos”. Começou então a desenvolveu a sua paixão pela gastronomia: o marido tinha uma empresa grossista de frutas e legumes, em Genebra, que lhe proporcionou o contacto com profissionais da gastronomia. Mas, por enquanto, era apenas em casa que Mimi brilhava, quando fazia comida para os seus convidados: “É uma coisa que me apaixona: fazer comer, fazer comer, fazer comer!” Uma das visitas frequentes da casa era um reputado chefe de cozinha, amigo da família e padrinho do seu neto: Richard Cressac: “Eles iam à minha casa ao fim-de-semana, e ele achava que eu tinha uma mão excelente para a cozinha e dizia-me sempre: larga mas é o negócio dos cabelos, tens que vir é para a minha cozinha, que é para isso que tens jeito!” Mimi faz uma pausa no seu apaixonado relato para recordar a comida de infância. Reconhece que Sesimbra não tinha uma gastronomia muito específica: “Tínhamos o peixe-espada, peixe-espada com ervilhas, lembro-me, que eu adorava – adorava comer e adorava fazer!”

Regresso a Sesimbra Retomando o fio à conversa, diz que foi quando começou a ir para a cozinha do Richard que verdadeiramente se começou apaixonar pela gastronomia. Mas, de novo, uma alteração dos negócios do marido a faz regressar a Sesimbra, onde formam um a empresa de exportação de peixe fresco – a Sesimbra Atlantico, com instalações na Cotovia – com tanto sucesso

que chegavam a exportar 800 toneladas de peixe por mês; era tal a quantidade que faziam empolar os preços do mercado: “Quando iniciámos o preço do robalo eram 800 a 900 escudos o quilo, passados 3 a 4 meses, comprávamos tanto peixe que o robalo triplicou de preço”. Mas, apesar das vendas, o negócio falhou, devido a uma má gestão. O marido voltou para Genebra, e Mimi regressou à estaca zero. Trabalhou então no restaurante Caravela, propriedade da irmã e do cunhado Júlio. Não sabemos se alguém de Sesimbra ainda se lembra do Caravela, que criou de facto fama pela gastronomia – “Fizemos daquilo um bijouzinho”, diz Mimi, com um brilho nos olhos – mas provavelmente ninguém a relaciona com a grande Chefe do restaurante Kais.

Passagem por Sintra Depois de ano e meio no Caravela, foi trabalhar para um restaurante de Sintra, a caminho do qual penava, diariamente, 6 horas em transportes púbicos: “Dormia 3 a 4 horas por noite, mas foi a minha primeira escola em Portugal na cozinha.” E não foi fácil. Ser Chefe dum restaurante “chic” e ser mulher, nessa época, não era aceite por todos os colegas. Chegaram a tentar sabotar-lhe o trabalho. Mimi lamenta ter de avaliar negativamente o seu próprio País, quando compara com o que viveu em Genebra, no domínio das relações de trabalho: “em Sintra, naquela época, eram mais ou menos primários”. Mas resistiu e venceu: “Sofri muito, mas enfim, consegui, tive muito sucesso,

Colocada perante o paradoxo de serem as mulheres que, em geral, fazem o comer em casa, mas serem homens os grandes Chefes de Cozinha. Mimi responde com rapidez e energia: “Chefes homens? Não é verdade! A cozinha é uma história de mulheres, e atrás de um grande cozinheiro há sempre uma grande cozinheira. Sempre! Quem deu pela primeira vez a comida à boca do bebé foi a mãe. Quem faz a comida em casa é a mãe”. Explica-nos depois o paradoxo: “Os homens, como em todas as profissões, chegaram à chefia, porque têm mais tempo disponível. Eu hoje sou uma chefe executiva, muito conhecida e reputada porque dediquei a vida à minha profissão. As mães têm os filhos, têm os maridos, por isso não têm a mesma disponibilidade que tem um homem, mas a capacidade é igual. Os homens querem é ser as vedetas. Quando chegam a este espaço enorme (o Kais) querem ser as vedetas, mas eu digo: não, a estrela aqui sou eu, meus amigos! É a minha cozinha, é a minha maneira de cozinhar, são as minhas ementas, é a minha Escola, é a minha maneira de ensinar. A minha vida tem sido isto.”

Mimi: uma marca de sucesso O restaurante Kais pertence ao grupo João Rocha (tal como o Kremlin e a Kapital). Localizado na zona de Santos, bem junto ao rio Tejo, possui uma grande sala de cozinha gourmet, e uma “adega”, um restaurante de cozinha tradicional portuguesa servida em regime de degustação: 22 pratos em sistema de rodízio. Deste complexo ribeirinho faz ainda parte a discoteca “Urban Beach”. É um negócio chic da noite lisboeta. E Mimi é a imagem de marca. A publicidade institucional do Kais gira à sua volta, reproduzindo citações de importantes revistas de todo o mundo. Mas é também visível o respeito e carinho que Mimi desperta em todo o numeroso pessoal que ali trabalha, desde a cozinha até à complexa rede de porteiros e seguranças da discoteca. Mimi classifica a sua cozinha como sendo de fusão: “Não inventamos nada, a comida já foi inventada há muitos anos”. Mas combina coisas diferentes, determina detalhes que acabam por fazer toda a diferença. E não tem segredos culinários que não possa divulgar: “Ninguém consegue fazer igual, mesmo tendo a receita: o segredo está no coração de cada um”. O segredo, afinal, são “Muitas muitas horas de trabalho, muita dedicação, muito empenho: mas foi assim que cheguei onde cheguei. É uma paixão: E nunca me canso!”


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Falando de cactos… Num momento de grandes preocupações para o Estado e para as famílias, não só em Portugal, mas um pouco por toda a Europa, para falar apenas dos que nos estão mais próximos, é reconfortante e estimulante constatar que há quem não fique a lamentar-se, sentado no seu canto, ou vá para a rua protestar. Há quem opte por agarrar nos saberes que tem, nas ideias que colheu, nos exemplos que viu e meta ombros a uma actividade inovadora e com projectos de futuro. Foi o que fez mais um nosso conterrâneo. Queria mais da vida e avançou para algo que não existia, tanto quanto sei, na região ou sequer no país. Sonhou, porfiou e a obra aí está. Graças a O SESIMBRENSE, que continua a divulgar Sesimbra e os sesimbrenses, ficámos a saber que temos agora uma plantação de cactos a crescer e a dar lucros na nossa terra. Diz quem já os comeu que são deliciosos os figos da Índia e creio que todos desejamos tê-los ao nosso dispor e em abundância, num mercado perto de nós, com o rótulo de origem da região de Sesimbra.

A propósito, deixem-me complementar/esclarecer um ponto que não ficou claro no artigo dedicado à Quinta dos Cactos e publicado no número de Maio do nosso jornal: sendo plantas de regiões áridas, os cactos desenvolveram mecanismos que lhes permitem reduzir ao mínimo as perdas de água, bem essencial que não abunda nas regiões que constituem o seu habitat. Assim, aquilo a que vulgarmente chamamos “folhas” na Opuntia ficus-indica são, na realidade, o caule da planta, alargado, achatado, verde e volumoso onde ela armazena a água que consegue recolher e onde se realiza a fotossíntese. Estes caules apresentam um revestimento ceroso que os torna de certo modo impermeáveis, evitando as perdas de água por transpiração da planta. As folhas foram transformadas em espinhos para que, também por aí, a transpiração não constitua motivo de eliminação da água armazenada; por outro lado, este revestimento “agressivo” torna-se um elemento dissuasor da aproximação de animais que procurariam “servir-se” da água que os cactos tão ciosamente reservam no seu interior. Ficamos, portanto, à espera de ver o nome de Sesimbra ser levado pelo país e pelo mundo fora ligado a produtos recolhidos e/ou confeccionados na Quinta dos Cactos. Isabel Peneque

António Cambim Novo presidente Rotary Club de Sesimbra No passado dia 27 de Junho o Rotary Club de Sesimbra comemorou o seu 20º Aniversário, numa cerimónia em que se procedeu à transmissão da presidência do Clube para António Cambim, para o próximo ano rotário 2011/2012.  António Cambim  sucede neste cargo a Luís Ferreira, que, apesar de ter assumido a presidência  num período algo conturbado da vida do clube rotário sesimbrense, manteve-o bastante activo, tendo levado a cabo uma série de iniciativas de grande interesse cultural e social, das quais temos feito eco no nosso jornal. António Cambim licenciou-se na Escola Superior de Enfermagem S. Francisco das Misericórdias, em Enfermagem e mais tarde, na Universidade Atlântica licenciou-se em Gestão em Saúde. Hoje, é sóciogerente da Clínica Policotovia.

Reciclagem de Radiografias A AMI lançou no dia 14 de Junho a 16ª edição da Campanha de Reciclagem de Radiografias. Até ao dia 5 de Julho, será possível entregar em qualquer farmácia, radiografias com mais de cinco anos ou sem valor de diagnóstico. Em 15 anos, a AMI já reciclou cerca de 1200 toneladas de radiografias, que resultaram na angariação de mais de 1 milhão e 200 mil euros, participando igualmente, na sustentabilidade ambiental do planeta. 

Jovem suicida-se no Cabo Espichel Na tarde de dia 28 de Junho, o corpo de Vânia Zurga, uma jovem sesimbrense com cerca de 23 anos, foi encontrado numa ravina, no Cabo Espichel. Vânia trabalhava no Salão de Cabeleireiro “Toque Final” na Cotovia, e o facto de não ter aparecido após o almoço, e de ter dito a uma colega que iria para o Cabo Espichel fez com que, estranhando o seu desaparecimento, a procurassem nesse local. Segundo, Duarte Cantiga, Capitão do Porto de Setúbal, “a viatura da jovem estava perto da igreja do Cabo Espichel, aberto, com a chave na ignição e a sua mala encontrava-se dentro do carro”. Foi dado o alerta à GNR e à Polícia Marítima que iniciaram as buscas de imediato, por terra e por mar. Não encontrado nenhum vestígio da jovem Vânia, pelas 17:20 horas os Bombeiros Voluntários de Sesimbra foram, chamados ao local. Desencadeada a procura, por parte de todas as entidades competentes do concelho, o corpo foi encontrado pelas 18:00 horas numa ravina. Tudo aponta tratar-se de suicídio, pelas conversas que teve com a sua colega mas apenas os resultados da autópsia, a realizar pelo Instituto de Medicina Legal, poderão confirmar, ou não, tal ocorrência.

100 Anos

Laura Embaixador, residente na Misericórdia comemorou o seu 100º aniversário no passado dia 6 de Junho.


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Monsenhor José de Freitas (1918 – 2011) O jovem Padre José de Freitas foi nomeado pastor da Paróquia do Castelo de Sesimbra, em Setembro de 1941, com a indicação de que seria “provisoriamente”. Mesmo assim teve um choque quando, no dia 5 de Outubro desse ano, viu a Igreja e a casa paroquial. Num Castelo desabitado, a Igreja e a residência continuavam destelhadas, desde o grande ciclone de Fevereiro desse ano. Sem transportes públicos e sem meios próprios de deslocação, aprende a andar de bicicleta a pedal e assim circula pelas aldeias da Paróquia. Noutras vezes é Doutor Leite, médico na freguesia, que o transporta no seu carro até às aldeias distantes, ficando à espera que o jovem pároco cumpra os serviços religiosos. Mas não se limitou aos “serviços mínimos”. Revelando já a capacidade para mobilizar e dinamizar os seus semelhantes, levou a cabo coisas nunca imaginadas. Em 1947 criou o grupo “Malta Brava”, uma associação juvenil com princípios semelhantes aos dos escuteiros; e dinamizou também o grupo feminino Santa Inês, e ainda um grupo com os filhos e trabalhadores da Casa Palmela, em Calhariz. Foi pioneiro na segurança social na freguesia. Sesimbra já tinha a Casa dos Pescadores, mas quem não fosse pescador não tinha qualquer apoio. Dinamizou então a criação de um Posto-MaternoInfantil, em Santana onde, com o apoio de um médico e uma assistente social se davam consultas e distribuiam medicamentos e farinhas lácteas. Algumas dessas farinhas vinham da América através do Plano Marshall, trazendo até Sesimbra a novidade do “leite em pó”.

Em 1949, inaugurou nova residência paroquial, em Santana, para estar mais próximo dos seus paroquianos. Mas ainda era preciso subir até ao Castelo para as missas, os baptizados, os casamentos… Dinamizou então a construção da Igreja da Corredoura, cuja 1ª pedra foi lançada em 19 de Outubro de 1952, sendo inaugurada a 15 de Agosto de 1955. Mobilizou industriais e trabalhadores para a obra, e foi ele próprio ajudar no trabalho das pedreiras, o que lhe mereceu o epíteto de “Padre da Pedra”. Em 1951 fez parte do pequeno grupo dinamizador e fundador da Liga dos Amigos do Castelo de Sesimbra, e foi o grande orientador desse mesmo grupo de jovens na refundação d’O Sesimbrense, numa segunda série que teve início em Janeiro de 1952. Ele próprio recorda as sessões de trabalho, algumas delas no Café Ribamar, próximo da redacção. A capacidade para dinamizar as comunidades levou a que o convidassem para a construção da Igreja do Poceirão, cuja a primeira pedra foi lançada a 7 de Agosto de 1955, sendo inaugurada a 7 de Dezembro de 1958. Viria ainda a construir uma nova igreja em Arroios, entre 1970 e 1972, ganhando o epíteto de “construtor de Igrejas” Depois de Sesimbra foi colocado em São Jorge de Arroios. Despede-se de Sesimbra com uma Celebração Eucarística, a 25 de Setembro de 1955. Na nova Paróquia continuará a revelar-se um magnífico catalizador de iniciativas e organizações, como o Conselho Paroquial, agregando vários dirigentes de organismos paroquiais; um Centro de Alcoólicos Tratados de Lisboa,

um Movimento Juvenil (1962), um Centro de Preparação para o Matrimónio (1962), Serviços de Visitadoras de Doentes (1964), diversos serviços de assistência, etc. Em Outubro de 1975 foi nomeado Vigário Episcopal da Região Pastoral Oeste, e em 1977, Director Espiritual Nacional do Movimento dos Cursilhos da Cristandade, missão que desempenhou durante 20 anos. Em 1981 foi nomeado, por João Paulo II, Capelão de Sua Santidade.

Com Sesimbra no Coração De origens humildes, José de Freitas nasceu em 10 de Agosto de 1918, em Vale da Clara, Paróquia de Santa Maria de Arrifana, Concelho de Vila Nova de Poiares, Distrito de Coimbra. Passou a infância em Lisboa, no Bairro da Mouraria e no Socorro. Em 1930 entrou para o Seminário de Santarém, passando em 1935 para o Seminário dos Olivais, onde terminou o Curso Teológico, em 1941. Foi ordenado Sacerdote em 6 de Junho desse ano. Voltaria frequentemente os olhos para Sesimbra, escrevendo dois excelentes livros sobre as gentes do Castelo: “Salpicos de uma Caminhada” e “Rotas das Gentes do Castelo”, reportório de memórias e de levantamento de aspectos identitários daquela Freguesia: um trabalho magnífico. E foi para Sesimbra que decidiu que viria o seu corpo, após a sua morte, precisamente para o cemitério do Castelo onde iniciou a sua vida religiosa. J.A.Aldeia

O Padre José de Freitas no Castelo de Sesimbra. Quando ali chegou encontrou a Igreja e a casa paroquial ainda destelhadas, devido ao Ciclone desse ano de 1941. Deve ter sido um momento difícil, mas o jovem pároco não desanimou, e suportou bem o isolamento do Castelo até à construção de uma residência paroquial em Santana, em 1949.

A construção da igreja da Corredoura foi uma das grande obras do Padre Freitas: mobilizou os recursos e as energias dos paroquianos, mas ele próprio também andou a transportar pedra. A 1ª pedra foi do templo lançada em 19 de Outubro de 1952, sendo inaugurada a 15 de Agosto de 1955.

O bem, o belo, o verdadeiro Integrando um grupo de rapazes que tinham no Padre José de Freitas, não apenas o assistente espiritual mas também o amigo, o confidente, o companheiro mais velho, gratamente recordamos alguns aspectos, mais significativos, dos seus ensinamentos. Primeiro incutindo-nos o culto dos valores morais, da honra, da lealdade, da sinceridade, do gosto de servir, a elevação nos pensamentos, nas palavras e nas obras. Depois, estimulando e gui-

ando o nosso desejo de saber, ministrava-nos, dentro do velho templo de Santa Maria do Castelo, as primeiras noções de arte, desde o valor escultórico e simbólico das imagens às talhas douradas do altar-mor, passando pela beleza dos azulejos que ornamentavam as suas paredes. A seguir, levando-nos a procurar entender, ou intuir, que há uma realidade que nos transcende, ou algo que existe para lá dos sentidos, exaltava o valor da oração,

sublinhando que a prece é um acto que deve envolver a alma, podendo ter maior poder ou expressão quando associada à reflexão silenciosa em lugar íntimo. Só mais tarde compreenderíamos, cabalmente, que tudo isto correspondia a uma escala de valores que nos faria conhecer as tendências ideais, ou seja: o bem, o belo, o verdadeiro. António Reis Marques, in Monsenhor José de Freitas – uma fotobiografia

Depois das cerimónias fúnebres, na Igreja de S. Jorge Arroios, presididas pelo Patriarca de Lisboa, o funeral veio para Sesimbra onde, por vontade do antigo pároco, o seu corpo desceu à terra do velho cemitério do Castelo, caso excepcional. pois trata-se de um cemitério já desactivado.

A “Malta Brava”,grupo de jovens que organizou na freguesia do Castelo: uma das primeiras das muitas organizações que fundou ao longo da vida. Dinamizou também o grupo feminino “Santa Inês”, e ainda um grupo com os filhos e trabalhadores da Casa Palmela, em Calhariz

O Posto-Materno-Infantil, em Santana, pode ser considerado a iniciativa pioneira da solidariedade social moderna na freguesia do Castelo.


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Fotógrafos de Sesimbra (III)

Artur Pastor (1922 - 1999) Artur Pastor foi um fotógrafo português, nascido em Alter do Chão em 1922. A necessidade de obter fotografias para documentar a tese de final do curso de regente agrícola, leva-o a descobrir o fascínio da fotografia, que o acompanhará até ao fim da vida. Realizou a sua primeira exposição, Motivos do Sul, em Faro, no ano de 1946, onde apresentou trezentos trabalhos, o que demonstra a pujança com que se lançou no mundo da fotografia. Seguiram-se outras exposições em Évora e Setúbal. Paralelamente apresentou trabalhos seus em publicações ilustradas, postais, selos e cartazes. Durante este período inicial da sua vida artística colabora em diversos jornais do Sul do País com artigos de opinião e de cariz literário. Em 1953 foi viver para Lisboa, onde passou a fazer parte do Foto Clube 6x6. Como Engenheiro Técnico Agrário, foi responsável pela obtenção e organização das mais de 10 mil fotos que compõem a Fototeca da Direcção Geral dos Serviços Agrícolas. Paralelamente, colaborou com outros organismos ligados à agricultura como as Juntas Nacionais do Azeite, do Vinho, das Frutas e a Federação Nacional dos Produtores de Trigo, entre outros. Individualmente, realizou 13 exposições fotográficas, com destaque para a que teve lugar no Palácio Foz, em 1970, com 360 trabalhos e no Palácio Galveias, em 1986, com 136 fotografias. Publicou dois álbuns de grande formato: “Nazaré” e “Algarve”. Escreveu e ilustrou a separata “A Fotografia e a Agricultura” e forneceu fotografias para o folheto “Alcobaça”. Ilustrou os livros “ Évora”, com textos de Túlio Espanca, “As Mulheres do Meu País” de Maria Lamas e “A Região a Oeste da Serra dos Candeeiros”. Várias revistas nacionais acolheram fotos de Artur Pastor: “Panorama”, “Mundo Ilustrado”, “Agricultura”, “Fotografia”, “Revista Shell”, entre outras, publicaram fotos de Artur Pastor, taç como livros como o “Guia de Braga”, “Portugal”, “Lisboa”, “Romantic Portugal”, etc. Também várias revistas e jornais estrangeiros dedicaram artigos relativos ao seu trabalho:”National Geographic Magazine”, “Photography Year Book”, “Art Photography”, o jornal “Times” de Londres, “Photography”, “Revue Française”, “Merian”, “Architektur & Wohnen”, “Revue Fatis”, “Photo Guide Magazine”, entre outras. Em 2001, o seu espólio foi adquirido, quase na sua totalidade, pelo Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa. Os arquivos fotográficos de Artur Pastor contêm largos milhares de fotografias, centenas das quais de grande valor histórico, imagens de um país perdido ou alterado, a preto e branco, diapositivos a cores, e em negativos a cores. Para além da cobertura de todas as regiões continentais e insulares do país, constam colecções de várias províncias de Espanha e Itália e das cidades de Paris e Londres. Artur Pastor fotografou Sesimbra em duas ocasiões: em 1957, e em 1961, encontrando-se nas suas fotos informações preciosas sobre a vila e as suas gentes, que terão escapado a outros fotógrafos. Mas nestas fotografias é também evidente a elevada qualidade artística do trabalho de Artur Pastor. João Augusto Aldeia (Texto adaptado da informação do Arquivo Fotográfico Municipal de Lisboa)

Um outro olhar sobre Sesimbra A força das imagens oferecidas pela Praia, e nomeadamente pela sua Lota, concentraram a atenção da maioria dos fotógrafos da velha Sesimbra. Artur Pastor, embora tenha também fotografado esse ex-libris da Piscosa, focou igualmente a sua atenção em outros aspectos igualmente interessantes: o interior da povoação, o trabalho nas ruas estreitas, e também o trabalho no mar. Nas fotos que hoje reproduzimos nesta página podem verse, de cima para baixo e da esquerda para a direita: a enseada de Angra, já com a estrada mas ainda com o primitivo molhe e porto; trabalhando numa rua; a praia e a encosta onde hoje se localiza o edifício Mar da Califórnia; barcas das armações de Alípio Loureiro no local onde foi depois construído o Hotel do Mar; a rua do Poço; a levantada de uma armação valenciana; emboiando cabaças na praia.

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Assembleia Municipal

Eleições 2011

Aprovação de novo empréstimo e do primeiro plano de pormenor da Lagoa de Albufeira (AUGI 9)

Sesimbra votou laranja, mas não deu a maioria absoluta à coligação do centro direita

A Assembleia Municipal reuniu no passado dia 17 de Junho, com uma extensa ordem de trabalhos, que obrigou ao seu prolongamento para o dia 23 seguinte. Os principais temas abordados foram a autorização de um novo empréstimo municipal, de 2 milhões e 270 mil euros, a aprovação do Plano de Pormenor da Augi 9 da Quinta do Conde e a dissolução e liquidação da CDR – Cooperação e Desenvolvimento Regional. Nesta Assembleia foi também feita a apresentação das propostas elaboradas e votadas na Assembleia Municipal de Jovens, a que fizemos referência na nossa edição anterior. A própria Assembleia Municipal aprovou as referidas propostas, no sentido de as considerar como recomendações à Câmara Municipal.

para muitos problemas, ainda que isso também tenha sido facilitado por alterações legislativas que deram mais poder à Câmara para forçar os proprietários a encontrar consensos entre si. Destacou também que existiram várias versões do plano até se chegar a esta

qual depende o aval da administração central. A generalidade das bancadas congratulou-se com esta aprovação, tendo o PS dado os parabéns à Câmara e aos proprietários abrangidos, lembrando ainda os responsáveis pelas alterações legislativas

submetida à Assembleia. O Presidente referiu que estavam envolvidos nesta Augi 302 parcelas em avos e 204 proprietários e que, embora fosse impossível satisfazer as pretensões de todos, garantiuse o princípio de um lote para cada proprietário – motivo pelo qual o plano tem 204 lotes, estando muito próximo dos indicadores globais da Lagoa, que são de 20 fogos por hectare. O plano prevê 187 lugares de estacionamento público, mais 249 lugares de estacionamento privado. As casas são

que agilizaram o processo, ou seja, os governos do Partido Socialista.

Novo empréstimo Uma deliberação importante foi a da aprovação de um empréstimo de 2 milhões e 270 mil euros, a contrair pela Câmara Municipal junto do Banco Europeu de Investimentos, para financiar obras de saneamento na freguesia do Castelo. Aprovado por unanimidade, o novo empréstimo não deixou de suscitar apreensões por parte de algumas bancadas relativamente ao agravamento do nível de endividamento municipal. No entanto, a importância e necessidade das obras em causa, já parcialmente financiadas pelos Fundos Comunitários, justificou a unanimidade da aprovação.

Plano de Pormenor da Augi 9 da Lagoa Um ponto forte da Assembleia foi a aprovação do Plano de Pormenor da Augi 9 da Lagoa de Albufeira, um facto que a generalidade dos presentes consideraram histórico, por se tratar do primeiro documento daquela natureza, relativo ás áreas de génese ilegal na Lagoa, que chega a esta fase. Na realidade, foram necessários 14 anos para que se concretizasse um processo de concertação entre os “proprietários de avos” naquela zona do Concelho, para que se encontrassem soluções que contemplassem todos com terrenos devidamente legalizados, gizando-se ao mesmo tempo uma solução urbanística que contemplasse infraestruturas e equipamentos públicos. Na apresentação do Plano, o Presidente da Câmara salientou a “paciência” e “criatividade” que foram necessárias para encontrar as soluções

em galerias em banda, com excepção de seis lotes. Referiu que existem áreas de cedência muito generosas para espaços verdes e equipamento: ao todo, cerca de 55 mil m2, estando também contemplado equipamento social e cultural. Outro aspecto positivo é que as obras estão no essencial concluídas, com excepção dos arranjos exteriores. Após a aprovação do plano pela Assembleia seguir-se-á a divisão da coisa comum, os arranjos exteriores, os acertos nas taxas finais a pagar à Câmara, bem como o tratamento dos casos de proprietários que ainda não cumpriram com as suas obrigações: “Se forem renitentes por não quere-rem participar, que participem agora; mas aqueles que não tenham participado por não poderem, nesses casos será mais complicado, embora existam mecanismos legais para os solucionar.” Segue-se também o plano de urbanização, que deverá estar pronto em breve, e do

Extinção da CDR Outra proposta votada foi a da autorização para extinção da CDR – Cooperação e Desenvolvimento Regional, uma empresa de capitais mistos públicos (sete Câmaras desta região), instituições associativas (Associação de Municípios, Associações Empresariais e outras), privados (BES) e ainda o IAPMEI. Mais recentemente o objectivo da CDR foi o de se constituir como agência de desenvolvimento regional, mas, segundo explicou o presidente da Câmara, nunca teve a oportunidade de cumprir esse objectivo, ao contrário do que aconteceu noutros casos em outras zonas do país, onde agências desta natureza ficaram responsáveis por fundos comunitários, por exemplo. Assim, a CDR prestava serviços de consultoria, mas não conseguiu gerar receitas suficientes para a sua sustentação, mesmo apesar de há uns 7 a 8 anos a esta parte ter reduzido o seu pessoal ao mínimo. Augusto Pólvora reconheceu que houve um “excessivo arrastamento desta sentença de morte, protelando-se, à espera que a CDR desse a volta por cima, o que não aconteceu”. E, dessa forma, foi-se acumulando um passivo que atinge os 1,4 milhões de euros. A decisão de extinção da CDR implica, para os accionistas, a assumpção deste passivo, na proporção da parte detida no capital da CDR. No caso de Sesimbra, que detêm uma quota de 2,34 % do capital, a responsabilidade a pagar será da ordem dos 30 mil euros, havendo um plano de pagamento diferido em 3 anos. Admite-se, no entanto, que haja alguma redução deste valor através da negociação com alguns credores, tais como o BES (juros de uma conta caucionada), ou a Sapec (rendas das instalações da CDR). J. A. Aldeia

O Partido Social Democrata foi o mais votado nas eleições legislativas do passado dia 5 de Junho, em Sesimbra. O PSD obteve 27,2% dos votos; não muito longe situou-se o Partido Socialista, com 25,9%. O PCP averbou a 3ª posição (16,3%), seguido do CDS com 13,1% e do Bloco de Esquerda com 7,3%. A votação sesimbrense no PSD, no entanto, ficou bastante abaixo do valor nacional: 38,6%. Já os restantes partidos de maior expressão (PS, PCP, CDS e BE) obtiveram em Sesimbra percentagens ligeiramente superiores às médias nacionais. Em todo o caso, a coligação (pós-eleitoral) do PSD com o CDS, que ultrapassou os 50% no País, apenas atingiu os 40,3% neste concelho: Sesimbra recusou a maioria absoluta conceguida a nivel nacional. Relativamente às posições das legislativas de 2009, o PSD trocou de posição com o PS, embora tenha ficado

PPD/PSD PS PCP-PEV CDS-PP BE Outros

PPD/PSD PS PCP-PEV CDS-PP BE Outros

PPD/PSD PS PCP-PEV CDS-PP BE Outros

PPD/PSD PS PCP-PEV CDS-PP BE Outros

distante dos 33,6% que o PS obteve naquele ano. Também trocaram de posição o CDS e o BE, com este último partido a perder 7 pontos percentuais, e os centristas a ganhar 3,4 pontos percentuais. A abstenção atingiu os 42,1%, ligeiramente acima do valor nacional (41,9%). Por freguesias, verifica-se que o tanto o PSD como o PS obtiveram os melhores resultados no Castelo – respectivamente 28,3% e 26,9% –, enquanto que o melhor resultado do PCP foi, como é habitual, na freguesia de Santiago: 21%. A maior votação no CDS ocorreu na Quinta do Conde, onde averbou 15,3% dos votos. O mesmo aconteceu com o BE, que teve 7,4% nesta freguesia. Por freguesias, a maior abstenção ocorreu em Santiago (55,8%), enquanto que o Castelo foi a menos abstencionista (39,4%). Na Quinta do Conde abstiveram-se 43,2% dos eleitores.

Concelho de Sesimbra 2011 2009 em % votos

27,2 6.194 25,9 5.887 16,3 3.699 13,1 2.975 7,7 1.651 5,9 1. 344

em % votos

18,0 33,6 16,8 9,8 14,7 3,1

3.957 7.638 3.696 2.158 3.223 684

Freguesia de Santiago 2011 2009 em %

28,0 25,4 21,0 9,5 7,3 5,7

votos

863 782 645 292 226 177

em %

17,6 32,1 21,8 6,8 15,2 3,4

Freguesia do Castelo 2011 em % votos

28,3 26,9 15,2 11,6 7,0 6,0

2.531 2.405 1.358 1.041 629 537

votos

583 1.061 722 225 503 113

2009

em % votos

19,1 34,1 16,4 8,3 13,9 3,5

1.590 2.842 1.369 688 1.161 297

Freguesia da Quinta do Conde 2011 2009 em %

26,1 25,2 15,8 15,3 7,4 5,9

votos

2.800 2.700 1.696 1.642 796 630

em %

17,3 33,6 15,9 12,1 15,1 2,5

votos

1.784 3.465 1.595 1.245 1.559 257


O SESIMBRENSE | 30 DE JUNHO DE 2011

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Guerra Colonial: 50 Anos Manuel André Pinto

Comissão: Angola 1963 a 1966 Força: Sapadores 5 Idade: 69 anos

Manuel André Pinto, pescador natural de Sesimbra, assentou praça em Espinho, na especialidade de Sapadores 5, e foi ali que recebeu a notícia que iria para a Guerra Colonial, seguindo assim para Angola, para a região de Dembos, “a região mais afectada pela guerra e onde permaneci durante 13 meses seguidos”. Depois destes 13 meses o ex-combatente seguiu para o leste de Angola até acabar a sua missão.

ex-combatentes.” Conta-nos um dos episódios que o marcou, acontecera a 8 de Dezembro de 1965, “quando um colega meu morreu de acidente de carro”. E mais uma vez o ex-combatente emociona-se ao relembrar um de tantos episódios que o marcarão para sempre… “Ainda hoje sonho muito durante a noite com os tempos da guerra, sonho e sofro como se ainda não tivessem passado quase 50 anos…”

Negativo

Positivo

“Os meses que passei no Norte de Angola foram sem dúvida os piores tempos…”, Manuel faz uma pausa na conversa, e sem serem necessárias palavras, os seus olhos dizem que estes tempos não foram fáceis, e daqui nasce “o stress da guerra de que tanto falam e está bem presente na maior parte dos

Manuel começa por referir que de positivo esta experiência não teve nada, mas depois lá acrescenta: “a amizade e a confraternização que havia entre todos nós era sem dúvida o que nos alentava”. Ainda conseguimos perceber que Manuel guarda as memórias dos tempos livres a jogar futebol, “tínhamos um campo

de bola mesmo à frente do quartel onde estávamos, e era aí que aproveitávamos para descontrair.” Quando regressou da Guerra Colonial, Manuel voltou às lides do mar, voltou a ser pescador como sempre tinha sido

até ser chamado para servir a Nação. Entretanto ainda passou pela empresa Lisnave, onde laborou durante 15 anos. Encontra-se agora reformado e cheio de lembranças que recorda em cada uma das fotografias que nos mostra.

o melhor desta experiência. Somos todos rapazes com 20 e poucos anos, eu tinha 23 anos, perdemos muito da nossa juventude.” O excombatente fala-nos da vida que acabam por “perder” estes jovens, que tal como ele, viu

a sua vida a ser adiada por alguém que o enviou para um cenário de guerra, sem saber o que iria encontrar, quando regressaria à sua terra, à sua família, às suas origens, ao “seu” mar de Sesimbra para onde regressou…

como dos momentos em que recebia correspondência da minha namorada, pais, família, amigos, …”, momentos que pareciam diminuir a distância e a dor da saudade dos seus. Momentos que estes soldados, enquanto lá estavam,

gostariam de perpetuar, mas que pouco lhes valia, pois a realidade estava ali bem perto de qualquer arma, de qualquer mina, de qualquer soldado que lutava pelas cores da sua bandeira. Andreia Coutinho

Carlos José Marques

Comissão: Moçambiques 1972 a 1974 Força: Sapador de minas e armadilhas Idade: 59 anos

Carlos José Marques, natural de Sesimbra, fazia do mar o seu “ganha-pão”, como tantos outros seus conterrâneos. Aos 19 anos “fui chamado para fazer recruta em Beja, passados 2/3 meses, fui para Bragança.” Carlos, antes de ser mobilizado, esteve em Setúbal, em Santa Margarida a tirar a especialidade de minas e armadilhas e na Trafaria, “onde estive no Forte a guardar os presos”. A 18 de Dezembro de 1972, Carlos José embarcou rumo ao seu destino de “guerra”, a Moçambique, “uma viagem de 13 horas muito desconfortável e sem saber o que nos esperava”. Carlos José conta-nos o episódio que aconteceu assim que o seu batalhão chegou ao acampamento para render os seus colegas que já lá estavam há 29 meses. “Quando chegámos, os meus colegas do acampamento onde iría-

mos ficar, estavam alguns com muletas, outros com os braços ao peito, outros com ligaduras e só diziam que não sabíamos onde nos estávamos a meter”, afinal de contas tudo não passava de uma brincadeira em género de praxe aos recémchegados.

Negativo “O que mais me custou foi sem dúvida o acidente que vitimou um colega do meu pelotão, o chamado Caracol, natural de Setúbal. As estradas eram trilhos e muito perigosas.” Carlos e mais um colega, por serem os mais chegados ao Caracol, foram chamados para vesti-lo e cosê-lo… “uma situação complicada…”, confessa o ex-combatente.

Positivo Carlos, como todos os outros combatentes, refere que a amizade que lá se constrói “foi

Aquilino José Ferraria

Comissão: Moçambique 1965 a 1968 Batalhão: Destacamento de Intendência Força: Exército Idade: 66 anos

Aquilino José Ferraria, um jovem pescador sesimbrense, assentou praça em Elvas, depois veio para Lisboa, onde ingressou no Batalhão de Sapadores de Engenharia, “dali fui mobilizado para o Lumiar para a Intendência. Fui enviado para Moçambique a Janeiro de 1965, para a região de Moeda, uma das zonas de guerra mais difíceis”. Quisemos saber mais sobre as funções de Aquilino no terreno, ao que percebemos de imediato que logo aí existia inconformismo nas suas palavras, “ia como auxiliar de cozinheiro mas ao lá chegar deram-me outra função, aliás, outras funções, e tive que lá ficar durante 24 meses seguidos, ao contrário das outras companhias”. Uma das funções de Aquilino passou assim a ser o carregamento e alimentos nos aviões, “por vezes o avião nem aterrava por falta de pistas ou sítios planos, portanto descarregavam do

ar os alimentos nos destacamentos da tropa portuguesa”. Outra das funções deste excombatente passava pelo enterro de colegas mortos em combate e noutras situações. “Ainda hoje não sei o porquê de me terem enviado para aquela zona de guerra, costumava ser um castigo…mas não era o meu caso.”

Negativo O lado mais negativo, Aquilino responde prontamente: “tudo”. E pouco mais referiu sobre as experiências que teve, “fazíamos coisas em desespero por lá estarmos que nunca pensámos em fazer”, naquele cenário, com o corpo na zona de guerra e o pensamento em Sesimbra.

Positivo “Camaradagem, a única coisa boa que relembro, assim


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ABAS 19 anos Talho Novo Vender carne em terra de peixe de solidariedade Primeiro, Talho Novo, agora Talho 157, de seu nome. Manuel Carvalho de 65 anos é proprietário do estabelecimento há 5 anos. Contudo, os sesimbrenses ou quem passe pela Rua Bartolomeu Dias, conhece o Talho há cerca de 43 anos, propriedade de seu pai.

Como se deu o início deste negócio? Começou com o meu pai, há cerca de 43 anos, com esta mesma loja, no mesmo sitio, que antes de ser loja era cocheira (estábulo de animais). Sendo o seu pai o primeiro proprietário do estabelecimento, o Manuel trabalhou no talho com o seu pai? Sim, logo dois anos após a abertura do talho eu vim trabalhar com ele. Como se deu o Manuel ficar proprietário da loja? O meu pai faleceu e como consequência, no acto das partilhas, o estabelecimento ficou em poder da minha irmã. Entretanto, como o talho iria ser vendido, juntei o útil ao agradável: comprei-o, não só porque me interessava o negócio como também é uma maneira do negócio continuar a pertencer à família. Que tipo de carne comercializa? A carne de vaca é produção minha, desde o nascimento até

ao momento em que a carne vem para ser vendida aqui no talho, e a própria alimentação dos animais também é da minha responsabilidade, sou eu que a faço. Em que local produz a carne bovina? Tenho uma herdade em São Teotónio, em Odemira. O que distingue a carne que aqui comercializa? A qualidade é sem dúvida um factor evidente nas minhas carnes e também uma real preocupação para mim. Quais as principais preocupações e medidas que garantem a qualidade das carnes? Evito as rações de fábricas, faço as rações com cereais e que talvez por isso mantenho os meus clientes fixos. Qual a espécie de carne que mais vende? A carne de novilho, da minha exploração. A crise económica faz-se sentir também no seu negócio?

Nota-se... As pessoas vêm na mesma comprar carne até porque faz parte da alimentação das pessoas e não deixam de comprar, mas compram em menor quantidade. Isso é um factor que verificamos imenso no dia-a-dia do estabelecimento. Se as vendas aqui no talho decrescem isso reflecte igualmente na exploração da herdade, é uma bola de neve, se não vendemos não necessitamos de produzir mais, e os no produtores e tudo o que está à volta deste negócio ressente-se. O preço da carne é preponderante na escolha dos clientes ao invés da qualidade? Sem dúvida. Apesar de garantirmos a máxima qualidade da carne por nós vendida, há diferenciação entre o preço, e isso determina a compra de muitos clientes. Noutros tempos aquilo que interessava ao cliente era se a carne era tenra e saborosa independentemente do preço. Uma vez que o talho começou pelas mãos de seu pai, gostaria que os seus filhos dessem continuidade ao negócio? A minha filha mais nova, Alexandra, está a trabalhar comigo aqui no talho há já 8 anos. Tenho um amigo que a família está neste ramo há 8 gerações. Claro que gostaria que a minha também desse continuidade a este negócio, já vamos na 3º geração. Andreia Coutinho

Conservas de peixe-espada preto O lançamento das conservas de peixe-espada preto foi um dos momentos altos das comemorações do Dia do Pescador em Sesimbra, no passado dia 31 de Maio. O novo produto resulta de uma parceria entre a ArtesanalPesca (que fornece o peixe), as Conservas Nero (que trata do processo de fabrico) e da loja SSB (que concebeu a embalagem). Destinada as lojas gourmet, a nova conserva é vendida ao preço de 4 euros a embalagem. Actualmente é produzida numa unidade conserveira do Norte do Pais, mas a ArtesanalPesca está a estudar a viabilidade da produção nas suas instalações. Fizeram pequenas intervenções a propósito desta iniciativa, quer os responsáveis da mesma, quer o presidente

da Câmara, que destacou a importância deste novo produto para a economia local, integrando-se perfeitamente nos objectivos do Plano Estratégico de Turismo elaborado pela Câ-

mara de Sesimbra A apresentação das conservas de peixe-espada preto foi bastante concorrida, verificando-se as presenças do Governador Civil, do adjunto do

Capitão de Porto, do presidente da APSS, bem como vários pescadores e individualidades do meio político e artístico de Sesimbra. Entre os presentes estavam também a investigadora do IPIMAR, Ivone Figueiredo (responsável por muita da investigação realizada sobre as artes de pesca e espécies da nossa costa) e também a actriz Io Apoloni, que produz uma linha de alimentos biológicos na zona de Palmela, que também são vendidos na SSB. Na loja SSB destacava-se uma exposição de pinturas de Luis Filipe Pinto e Margarida Parada, e André Semblano dava continuidade à execução de uma Nossa Senhora em cerâmica. Em Sesimbra, as conservas de peixe-espada preto são igualmente vendidas na Gelataria Marina Gourmet.

O 19º aniversário da Associação de Beneficência de Amizade e Solidariedade foi comemorado no dia 8 de Julho, no Centro de Convívio de Argéis, com a presença de utentes, funcionários e técnicos, bem como do Presidente da Câmara Augusto Pólvora e a Vereadora Felícia Costa. Maria João Viegas, a presidente da Associação, referiu o papel do ABAS no apoio à população, na medida em que “neste momento 18 famílias carenciadas são apoiadas neste período de crise financeira instalada a nível nacional e do nosso concelho.” Proferiu depois palavras de agradecimento: “o Banco Alimentar, a Câmara Municipal de Sesimbra, a Segurança Social de Setúbal, Teresa Mayer através do Pingo Doce, entre outros associados e associações, contribuem para que o ABAS consiga dar resposta a algumas situações mais graves.” Aos funcionários também foram dirigidas palavras de especial agradecimento, porque: “trabalham muitas das vezes para além das 8 horas diárias, em prol dos mais desfavorecidos”. A Associação presta também o seu apoio a idosos da vila, que se reúnem no Centro de dia de Argéis entre as 14:00 e as 19:00 horas: um espaço de convívio, onde também é servido o lanche aos que encontram aqui o seu “porto de abrigo”.. O serviço prestado em prol da sociedade vai mais além, e seus estatutos foram renovados para que as crianças também fossem abrangidas neste trabalho de solidariedade. De momento, o centro de acolhimento da associação acolhe 6 pessoas carenciadas, 2 delas suportadas na íntegra pelo ABAS, tendo, no

Maria João Viegas Presidente da ABAS

total, capacidade para acolher 8 pessoas. Uma das lutas desta associação é contra “a ausência de resposta por parte da Segurança Social quanto à solicitação de apoio a este Centro de Acolhimento”, apontou Felícia Costa. Augusto Pólvora destacou “o projecto ambicioso da construção e adaptação das actuais instalações da Clínica Médica Veterinária para as novas instalações do Centro de Convívio do ABAS, pois devido à proximidade do Centro de Acolhimento desta Associação, este novo espaço potenciará as instalações e os recursos”. Antes do corte do bolo de aniversário, a presidente da Associação, entre lágrimas e palavras de gratidão, foi surpreendida, pelos órgãos sociais da associação com a oferta de uma insígnia de reconhecimento e gratidão “pela dedicação e desempenho voluntário ao serviço da direcção ao longo de vários anos”. Andreia Coutinho

21º Aniversário ACDC Comemorou-se no dia 10 de Junho o 21º aniversário da Associação Cultura e Desportiva da Cotovia. A sessão solene contou com a presença de algumas figuras de Sesimbra, nomeadamente, o Presidente da Câmara Municipal, Augusto Pólvora, José Polido, vereador responsável pelo pelouro do desporto, o secretário do governador civil, assim como, esteve representada a Junta de Freguesia do Castelo. Ao longo da cerimónia, os convidados puderam assistir a algumas apresentações e performances da escola de música, da turma de hiphop, de karate, de capoeira, terminando com o bolo de aniversário. Procedeu-se, ainda, à entrega de diplomas de reco-

nhecimento aos professores e monitores, assim como à homenagem a Fernando Esteves, Vice-Presidente administrativo da Associação. Andreia Coutinho


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I Aniversário DDI Portugal Sesimbra “mergulha” sem barreiras... “Mergulho e Moda juntos pelo direito à inclusão”. Foi sob este mote que foi comemorado o 1º aniversário da DDI Portugal (Disabled Divers International), no dia 10 de Junho, sendo Sesimbra o palco de várias iniciativas que tiveram como objectivo a inclusão social. A DDI é uma organização internacional especializada em programas de mergulho para pessoas com deficiência física ou mental que forma profissionais de mergulho, habilitando-os a trabalhar com estas. Desde o dia 12 de Junho de 2010, com a vinda do vice-presidente da DDI, Flemming Thyge, a Portugal, que a representação portuguesa tem vindo a promover o mergulho para todos, surgindo assim o grupo “Mergulhadores Especiais”. O culminar deste ano deste primeiro ano ficou marcado com os baptismos de mergulho no mar e com o desfile de moda, o qual, no final da noite, viria a proporcionar o despertar de várias emoções por parte de participantes e espectadores, e de um “dever cumprido” por parte da organização. A iniciativa referente ao baptismo de mergulho deuse logo pela manhã, com um cenário a que a praia da Baleeira já nos habituou, de uma verdadeira beleza natural, os “mergulhadores especiais”, assim se auto-intitulam os

participantes, mostraram que é possível ultrapassar mais uma de muitas barreiras criadas pela sociedade. Primeiro mergulho para alguns, para outros já não é novidade. É o caso de Ana Gago, primeira mergulhadora com deficiência certificada pela DDI. O trabalho louvável que a organização tem realizado por todo o país, é possível pela dedicação das pessoas que fazem parte deste projecto, Paulo Guerreiro, presidente da DDI Portugal, Vanda Pinto, Responsável pelo Marketing e Comunicação e pelos já 29 instrutores formados. Ao cair da noite, depois de um convívio à mesa do Restaurante “O Canhão II”, uma passadeira vermelha

Família Macedo

N o passado dia 4 de Maio realizouse a tradicional procissão do Senhor Jesus das Chagas, padroeiro dos Pescadores de Sesimbra. Destacamos hoje a imagem do pendão que abre a procissão, encimado pelas quatro letras: SPQR, acrónimo que tem tido várias interpretações, desde o Império Romano, sendo um dos possíveis significados a invocação: “Salvai o Povo Que Remiste.” O guião é levado há quase um século pela família Macedo, conhecida também pelo apelido “Lameirões”.O

trespassava parte da Praça da Califórnia. Por entre palmas, momentos musicais, discursos emotivos, e flashes que registavam o acontecimento, foram desfilando aqueles que de “mergulhadores especiais” passaram a “modelos especiais”, ao lado de jovens sesimbrenses com aspiração a modelos profissionais. As roupas e acessórios foram disponibilizados por lojas que participaram no desfile de moda. Desfile promovido pela DDI Portugal em parceria com o fotógrafo Carlos Sargedas foi o culminar de mais um conjunto de iniciativas que elevam a palavra igualdade ao mais alto nível, tornando este tipo de actividades possíveis a todos, independentemente das suas

Fé Crença Tradição seu pai transportou o guião durante mais de 50 anos, fazendo votos para que no dia em que já não o pudesse levar, fosse um filho a fazêlo. Assim foi. Turíbio Macedo, de 60 anos de idade, é quem mantém essa tradição. Há 43 anos que o faz por uma questão de fé e de promessa, “em 1972 fui para o Ultramar e tive um episódio menos feliz, prometi que se tudo corresse bem iria levar o guião até ter condições para tal. Voltei e dei continuidade”. Turíbio refere ainda que não é nada fácil, como se poderia pensar, “é preciso técnica, o guião tem que ir centrado, as 4 borlas que são levadas por 4 pessoas têm que ser coordenadas juntamente com o guião”. Há cerca de 3 anos atrás, tentaram facilitar o transporte do guião durante a procissão, criando uma “bolsa” para colocar ao peito o cabo, mas este partiu-se ao meio com o vento. “É pesado, mede cerca de 5 metros e não é qualquer pessoa que consegue levá-lo”. Quanto à continuidade da tradição da família Macedo, Turíbio refere que já tem sucessor, “o meu irmão Carlos Manuel levará o guião quando eu não puder mais, o que não quer dizer que eu deixe de ir à procissão: é a festa de que mais gosto, a festa dos pescadores. O Senhor das Chagas é a minha Fé…” Andreia Coutinho

limitações físicas e psíquicas. O modelo brasileiro Fernando Fernandes, que ficou paraplégico após um acidente de viação no ano de 2009, foi o convidado especial deste evento, promovendo também ele a inclusão social. Fernando Fernandes, juntamente com o seu treinador Paulo Barbosa, marcou presença em Sesimbra. “Um dos motivos que me fez aceitar este convite, foi o facto de por ser uma pessoa conhecida e por ter uma história de vida diferente de muitas outras, com uma recuperação rápida da minha lesão, tenho que transmitir esta vivência para os outros de uma forma positiva. Motivame poder estar aqui e poder mostrar que a eficiência e a deficiência estão em cada um de nós…”, explica Fernando, hoje campeão mundial de paracanoagem. Fernando, teve como inspiração Carla Ferreira, campeã nacional de paracanoagem, figura também presente na comemoração do aniversário da DDI Portugal, “a Carla com aquele aspecto aparentemente frágil prova que a nossa condição estética perante a sociedade não é decisiva para o rumo da nossa vida. As pessoas têm que acreditar nelas próprias, no que elas fazem e naquilo que querem fazer…” O atleta, em conversa com o jornal “O Sesimbrense”, confidencia ainda que, “apesar do desporto ter estado sempre presente na minha vida, a moda vinha sempre em primeiro lugar, por entre futebol e boxe, entre outros desportos, nunca consegui fazer do desporto o meu trabalho, a minha vida, o meu sustento, … Hoje, depois do acidente e da minha lesão, com muito orgulho e felicidade sou campeão brasileiro, sul-americano e mundial de paracanoagem”. (confira a entrevista na íntegra a Fernando Fernandes na página do jornal em osesimbrense.com.pt)

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4 1 Baptismo de mergulho 2 Desfile de Moda 3 Preparação para Mundial de Paracanoagem 4 Fernando Fernandes em visita ao concelho

Andreia Coutinho

Homenagem O pescador Eduardo Fernando Ribeiro Pinto é uma presença habitual, com o seu pequeno barco de pesca, na pequena frota que assiste à procissão do Senhor das Chagas. Este ano teve a ideia de prestar homenagem aos pescadores portugueses recentemente falecidos no mar, fazendo o lançamento ao mar de uma coroa de flores, durante o sermão que é feito no Largo da Marinha.


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14 g Hóquei em Patins

g Badminton

Artur Pereira Sesimbrenses ganham Uma vida dedicada ao Hóquei em Patins Taça de Portugal Bruno Faustino e Bruno Vaqueiro do Núcleo de Badminton do Grupo Desportivo de Sesimbra, vencem Taça de Portugal na categoria de pares (Categoria C). Foi a primeira vez na história do Badminton, que se realizou a Taça de Portugal de Séniores. Este torneio reúne apenas os oito primeiros classificados no ranking nacional de cada categoria (Elite, C e D) na modalidade de pares e singulares. Apenas os atletas Bruno Vaqueiro e Bruno Faustino estiveram presentes e trouxeram a Taça de Portugal para Sesimbra na categoria de pares. Logo na primeira fase, a dupla sesimbrense derrotou a dupla Nº 1 do ranking nacional, um jogo difícil e a primeira prova do que esta dupla valia. Bruno Vaqueiro, de 32 anos, que foi igualmente finalista na prova de singulares, é praticante de Badminton há 17 anos e o seu ingresso neste desporto foi um pouco diferente de muitos outros jovens, “na sequência de um acidente cerebral que eu tive, os médicos aconselharam em praticar desporto para desenvolver algumas capacidades essenciais, juntando o útil ao agradável comecei a praticar Badminton”.

Bruno Faustino e Bruno Vaqueiro

Andreia Coutinho

modalidade e tem conseguido pouco a pouco recuperar este desporto”. O atleta salienta a importância dos blogues e sites que têm divulgado esta modalidade, transmitindo jogos de Idade: vários escalões. 40 anos Quanto à sua ligação a esta modalidade, diz-nos: “depois de tantos anos não me posso Naturalidade: desligar, fui treinador nestas 9 épocas, ligado Sesimbra às camadas jovens, e é por aqui que me devo manter…”. Quando questionado sobre a possiDesporto: bilidade de ingressar na equipa de veteranos, Hóquei em Patins Artur responde que “os jogos que fazemos não passam de uma brincadeira, servem para conPosição: fraternizar e rever antigos amigos e Defesa/Avançado colegas.” Acrescenta que quer continuar a treinar e transmitir o que aprendeu ao longo dos anos Artur disse no hóquei em patins. adeus ao HóO Sesimbrense, pediu quei em Patins ainda, que deixasse uma como jogador. mensagem aos mais Foram mais novos que queiram de 30 anos praticar desporto, e de derrotas e vitórias, jogos bons e menos bons, mas sempre com uma grande dedicação e inúmeras alegrias. Iniciouse neste desporto de competição aos 6 anos de idade, e ainda hoje não sabe explicar muito bem o porquê de ter ingressado na equipa de hóquei do Grupo Desportivo de Sesimbra, o seu primeiro clube. “Talvez pelas grandes equipas de hóquei em patins que Sesimbra, na altura tinha, o que fazia com que os jovens fossem levados a praticar e a olhar de maneira diferente”, refere Artur. O atleta praticava futebol, acabou por optar pelo hóquei, confessa que “talvez tenha ajudado a escolher esta modalidade o facto dos meus amigos praticarem patinagem e todos gostavam muito, o hóquei era praticado em patins e optei por este desporto”. O seu momento alto da carreira, segundo o atleta, foi representar a selecção nacional. Com 21 anos, Artur ingressara na selecção de Esperanças representando as cores da sua bandeira. Para além disso, foram vários os clubes por onde passou: GD Sesimbra, Benfica, Sporting, Turqel, Tomar, Sintra. Artur tem confiança quanto ao futuro da modalidade, “a qual chegou a ser o 2º desporto a nível nacional, porquê escolher o hóquei: “para quem vê ao vivo embora nos últimos anos tenha perdido adeptos, a esta modalidade é uma das mais espectaculares, tem Federação está a trabalhar para tentar recuperar a movimento, está sempre presente a cada segundo a possibilidade de golo, é intensivo do inicio ao fim de cada jogo. Nos últimos 2 anos, em Sesimbra, a classe de aprendizagem teve um aumento de cerca de 20 alunos, o que não acontecia há já alguns anos. De momento, são cerca de 30 jovens a praticar este desporto”. Termina, salientando, que “a modalidade está bem orientada e vai haver desenvolvimento”. Nome: Artur Pereira

Andreia Coutinho

Clubes 2001/2011 2000/2001 1998/2000 1996/1998 1995/1996 1993/1995 1991/1993 1989/1991 1987/1989 1986/1987 1984/1986 1982/1984 1978/1982

2ª Divisão 1ª Divisão 1ª Divisão 1ª Divisão 1ª Divisão 1ª Divisão 1ª Divisão Juniores Juniores Juvenis Iniciados Infantis Formação

G. D. Sesimbra G. D. Sesimbra H. C. Sintra Sporting de Tomar S.L. Benfica Sporting C. P. H. C. Turquel Sporting C. P. G. D. Sesimbra G. D. Sesimbra G. D. Sesimbra G. D. Sesimbra G. D. Sesimbra

Títulos G.D. Sesimbra 1988/89 Vencedor Campeonato Distrital de Juniores (AP Setúbal) Sporting C. P. (Juniores) 1990/1991 – Vencedor Campeonato Distrital de Juniores (AP Lisboa) Selecção Portuguesa (5 Internacionalizações) 1991/1992 – Vencedor do Torneio Internacional de Almeirim (Selecção de Esperanças) Sporting C. P. (Séniores) 1993/1994 – Finalista Vencido da Taça de Portugal S. L. Benfica 1995/1996 – Vice - Campeão Nacional


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g Futebol

g Atletismo

Sesimbra novamente na 1ª Divisão A equipa de Juniores de futebol do Grupo Desportivo de Sesimbra, subiu ao Campeonato Distrital da 1ª. Divisão. Apesar da subida já garantida, a equipa sagrou-se campeã frente ao Palmelense no jogo de futebol disputado no Complexo Desportivo Municipal da Maçã. A equipa de Pedro Macedo regressou, assim, à 1ª Divisão, numa tarde vitoriosa para os jovens sesimbrenses, apesar do empate a 2-2, com dois go-

los de Miguel Pinto, depois de uma polémica datada de 2010, em que, durante a partida de um jogo do campeonato distrital entre Moitense e Sesimbra, devido a uma alegada agressão, a equipa sesimbrense é desclassificada e desce de divisão. A equipa consagrou-se desta forma Campeã Distrital 2010/2011, tendo sido no passado dia 22 de Junho, em reunião de Câmara, atribuído o medalhão da Vila de Sesimbra.

g Lutas

Casa do Benfica

Ouro e Prata As atletas da Casa do Benfica na Quinta do Conde, Liliana Santos e Vânia Guerreiro, representaram Portugal nos Jogos Mediterrânicos, em Budva, no Montenegro. As atletas portuguesas sob o comando do seleccionador Luís Fontes,

obtiveram a medalha de ouro, Vânia Guerreiro, e a medalha de prata, Liliana Santos. Com este desempenho e prestação das atletas nacionais em mais uma prova, Portugal obteve, assim, a nível colectivo, o 5º lugar.

Sesimbra Jéssica Viegas Summer Campeã Nacional Cup 2011 Entre os dias 23 e 26 de Junho realizou-se o torneio de futebol Infantil, sub-11 e sub13 e sub-15. Uma parceria da Junta de Freguesia do Castelo com o Grupo Desportivo de Sesimbra, o Grupo Desportivo de Alfarim e a Associação CRUT Zambujalense. A presença de figuras mediáticas do futebol nacional, ajudaram a abrilhantar o evento. Emílio Peixe e Filipe Ramos, treinadores nacionais, Pedro Henriques, Lucílio Batista e Mário Dionísio ex-árbitros e árbitro dos quadros da Liga de Futebol Profissional, Gilberto Madaíl, Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, que aceitou o convite para integrar a Comissão de Honra, marcaram esta primeira edição do Torneio de Futebol Infantil. Laurentino Dias, na altura Secretário de Estado da Juventude e do Desporto referiu estar “convicto que o Sesimbra Summer Cup 2011 constituirá uma importante jornada para a divulgação do Futebol Jovem, e para se alcançarem aqueles objectivos. E desejo que perdure por muitos anos.” A Cerimónia de Encerramento teve lugar no último dia do torneio, dia 26 de Junho, no Polidesportivo da ACRUTZ, onde se procedeu à entrega de Troféus seguido de um jantar, destinado a todos os atletas, dirigentes, técnicos, que participaram no evento bem como a todos os outros convidados. Andreia Coutinho

A atleta Juvenil de Atletismo da Associação Cultural e Desportiva da Cotovia, Jéssica Viegas, sagrou-se Campeã Nacional da categoria de Juvenis, no passado dia 18 de Junho, na final de 300 metros. O Campeonato Nacional de Juvenis realizou-se na pista de atletismo em Pombal. A pista onde decorreu a prova, foi inaugurada no mesmo dia, prova esta que, inicialmente, seria disputada na pista de Leiria.

g Ténis

3º Open do Castelo

Terminou no dia 19 de Junho, a terceira edição do Open do Castelo, torneio que integra o calendário oficial da Federação Portuguesa de Ténis.

O torneio é organizado pelo Clube Escola de Ténis de Sesimbra e com o apoio da Junta de Freguesia do Castelo. Fábio Rocha do CETS, bicampeão e a defender o título conquistado o ano passado, foi surpreendido na final, perdendo para Vasco Mangana, da E. T. José Mário Silva, um encontro jogado com um bom nível técnico. Fábio alcançou ainda o vice-campeonato em pares fazendo dupla com André Aldeia, batidos na final por Mangana/Pina (ETJMS). A representar o clube local marcaram presença mais seis tenistas, destacando-se a tenista Beatriz Gaspar que atingiu as meias-finais no quadro feminino, perdendo apenas para a vencedora Isabel Ferro da Academia de Ténis de Almada. L. Esteves, J. Ponte, D. Rescácio e L. Maricato também foram semi-finalistas nos pares.

Torneio de Veteranos do CLAC O CETS esteve representado também no Torneio de Veteranos do CLAC no Entroncamento, que se realizou nos dias de 17 a 19 de Junho, através de Rui Ribas, que após ultrapassar a primeira ronda se viu arredado da competição pelo primeiro cabeça de série João Marto.


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O SESIMBRENSE Marchas Populares Uma participação recorde de seis marchas animou como nunca as festas dos Santos Populares no concelho de Sesimbra. E a Quinta do Conde contribui com nada menos do que quatro destas marchas, oriundas de diversas colectividades, comprovando a vitalidade do movimento associativo daquela jovem freguesia. Apresentamos fotos do desfile de Sesimbra.

Associação Encontra a Esperança

Grupo Desportivo e Cultural do Conde 2

Centro Comunitário da Quinta do Conde

Grupo Recreativo Escola de Samba Bota no Rego

Paróquia de Santiago

Grupo Recreativo Escola de Samba Batuque do Conde


O Sesimbrense - Edição 1151 - Junho 2011