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ANO LXXXVII • N.º 1177 de 1 de Setembro de 2013 • 1,00 € • Taxa Paga • Sesimbra - Portugal (Autorizado a circular em invólucro de plástico Aut. DE00142013RL)

“Sesimbra é Peixe” Já está a ser divulgada em vários suportes publicitários – painéis exteriores, publicações impressas, etc. – a nova marca escolhida pela Câmara Municipal de Sesimbra para divulgação turística do concelho: Sesimbra é Peixe. Este novo slogan substitui o “Sesimbra, um mar de emoções”, utilizado durante alguns anos, e ao qual tinha sido acrescentada posteriormente a expressão “todo o ano”. Associado a esta iniciativa está também prevista a criação de uma página na Internet, com a mesma designação. Outras iniciativas em preparação e que visam reforçar esta campanha são o lançamento do “Cabaz do Peixe” e a reabilitação da praça de Sesimbra, com qualificação e maior visibilidade da zona de venda de peixe. Página 4

Bombeiros Voluntários de Sesimbra combatem incêndios em várias zonas do País

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© João Augusto Aldeia

Farmácias e SAP reduzem horários O argumento é comum: a necessidade de reduzir custos. As farmácias de Sesimbra, Santana e Cotovia, alteraram o sistema de escalas para os períodos de encerramento, durante os quais se encontra sempre uma farmácia em serviço de urgência. Agora, aos

domingos, ou está de serviço uma farmácia de Sesimbra, ou uma de Santana/Cotovia. Também o Governo pretende reduzir para seis horas diárias, de segunda a sextafeira, o horário do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) de Sesimbra, já a partir

de 1 de Setembro. A Câmara de Sesimbra aprovou, por unanimidade, uma moção na qual manifesta a sua preocupação, e propõe um horário de atendimento de urgência com duração diária nunca inferior a dez horas, todos os dias. Página 11

Eleições autárquicas

Campanha de Agosto: painéis de rua e Facebook Alguns partidos começaram já a divulgar os seus candidatos e as suas mensagens eleitorais em grandes painéis de rua, mas o Facebook está a revelar-se uma das novidades da campanha eleitoral para as Autárquicas. Página 8

Sónia Daunay

Francesa, nascida na cidade de Tours, Sónia Daunay chegou pela primeira vez a Sesimbra em 2006, em passeio. Já conhecia um pouco do norte de Portugal, o Algarve, Lisboa, a Caparica – mas tudo lhe parecia já muito destruído pelo turismo; apenas

em Sesimbra encontrou aquilo que procurava: a vila piscatória, ainda com fortes traços da sua História. Tinha 23 anos. Dois meses depois, no dia dos seus anos, ofereceu a si própria uma prenda: Sesimbra. Página 4

Estacionamento

Câmara altera regulamento Dando razões a algumas queixas, a Câmara procedeu a diversas alterações, criando mais espaços para residentes e melhores condições para cargas e descargas. Ao fim de um mês de estacionamento pago, o balanço

feito pela Autrarquia é positivo, embora aguarde que a GNR coloque na ordem o estacionamento abusivo, incluindo a ocupação de lugares reservados a residentes por viaturas não autorizadas. Página 8

Família de músicos Joaquim Felizberto Zegre, um dos fundadores da Sociedade Musical Sesimbrense, representa uma linhagem de músicos dedicados, uma tradição hoje mantida por Reinaldo e Rui Zegre Santos.

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Quando o Barracuda vinha a Sesimbra

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Contactos uteis nBombeiros Voluntários de Sesimbra Piquete de Sesimbra: 21 228 84 50 Piquete da Quinta do Conde: 21 210 61 74 nGNR Sesimbra: 21 228 95 10 Alfarim: 21 268 88 10 Quinta do Conde: 21 210 07 18 nPolícia Marítima 21 228 07 78 nProtecção Civil (CMS) 21 228 05 21 nCentros de Saúde Sesimbra: 21 228 96 00 Santana: 21 268 92 80 Quinta do Conde: 21 211 09 40 nHospital Garcia d’Orta Almada 21 294 02 94 nComissão de Protecção de Crianças e Jovens do Concelho de Sesimbra 21 268 73 45 nPiquete de Águas (CMS) 21 223 23 21 / 93 998 06 24 nEDP (avarias) 800 50 65 06 nSegurança Social (VIA) 808 266 266

nServiço de Finanças de Sesimbra 212 289 300 nNúmero Europeu de Emergência 112 (Grátis) nLinha Nacional de Emergência Social 144 (Grátis) nSaúde 24 808 24 24 24 nIntoxicações - INEM 808 250 143 nAssembleia Municipal 21 228 85 51 nCâmara Municipal de Sesimbra 21 228 85 00 (geral) 800 22 88 50 (reclamações) nJunta de Freguesia do Castelo 21 268 92 10 nJunta de Freguesia de Santiago 21 228 84 10 nJunta de Freguesia da Quinta do Conde 21 210 83 70 nCTT Sesimbra: 21 223 21 69 Santana: 21 268 45 74

nAnulação de cartões SIBS (Sociedade Interbancária de Serviços) 808 201 251 217 813 080 Caixa Geral de Depósitos 21 842 24 24 707 24 24 24 Santander Totta 707 21 24 24 21 780 73 64 Millennium BCP 707 50 24 24 91 827 24 24 BPI 21 720 77 00 22 607 22 66 Montepio Geral 808 20 26 26 Banif 808 200 200 BES 707 24 73 65 Crédito Agrícola 808 20 60 60 Banco Popular 808 20 16 16 Barclays 707 30 30 30

Farmácias de Serviço

Bombeiros de Sesimbra: com intervenção em todo o País Os profissionais dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra têm participado no combate a fogos florestais em diversos pontos do País. Já foram chamados a intervir no sul, mas tem sido sobretudo no norte, entre Viseu e Chaves, onde mais têm trabalhado: “Temos estado presentes em quase todos os cenários reportados pelos meios de comunicação social”, esclarece o comandante dos BVS, Ricardo Cruz – uma situação que decorre do facto da corporação fazer parte de uma estrutura nacional, que tem como objetivo organizar globalmente os meios disponíveis em todo o País. Para os meses mais quentes, a corporação tem organizadas três equipas de resposta rápida aos incêndios, e têm sido estes profissionais a participar nos diversos cenários dos incêndio que têm grassado por todo o território nacional. Para este combate, nesta época de maior calor, os Bombeiros de Sesimbra não contam apenas com equipas de resposta eficaz aos incêndios: foi igualmente garantido um reforço de operacionais, apesar da crise económica. A corporação conta igualmente com três viaturas, com características especificas para o combate a

incêndios florestais, e ainda com seis viaturas pesadas, com capacidade de abastecimento de água. Segundo Ricardo Cruz, “esta estrutura permite a esta corporação fazer face a qualquer eventualidade que possa surgir, procurando sempre dar a melhor e mais rápida resposta”. Relativamente ao trabalho realizado durante todo o Verão, Ricardo Cruz reconhece o esforço e a dedicação dos profissionais da vila. “Temos homens incansáveis, homens empenhados e profissionais, que se mostram sempre a altura de qualquer situação”. Micaela Costa (Estagiária)

A situação em Sesimbra Desde o início da chamada “fase charlie” - a época crítica dos fogos florestais - já se registaram cerca de 36 ocorrências de incêndio no concelho de Sesimbra, nas quais estiveram presentes 240 profissionais e 65 viaturas, registando-se um total de área ardida de 0,128 hectares. Na sua maioria, estes fogos ocorreram em zonas de mato, com fraca

densidade populacional. Em geral trataram-se de incidentes provocados “pelo desrespeito aos avisos de proibição à realização de fogo ou pelo próprio descuido das pessoas, quando se encontram em espaços abertos, em convívio com a Natureza”, aponta o comandante Ricardo Cruz.

Pescas - Julho

Com o apoio:

Farmácia da Cotovia

212 681 685

Avenida João Paulo II, 52-C, Cotovia

Farmácia de Santana

212 688 370

Estrada Nacional 378, Santana

Farmácia Leão

212 288 078

Avenida da Liberdade, 13, Sesimbra

Farmácia Lopes Rua Cândido dos Reis, 21, Sesimbra

212 233 028

Este mês de Julho foi melhorado em relação ao anterior de Junho. Meses que habitualmente eram os de maior produção de peixe. Não só pela temperatura propícia para pescar como também por haver maior esforço de pesca e pescadores. No entanto, é de louvar a persistência que a nossa gente do mar insistem demonstrar que a nossa zona pesqueira é das melhores nacionais e os nossos pescadores dos mais competentes para do mar extraírem à sua subsistência.

Este ano, também o carapau, a sardinha, e a cavala melhoraram de qualidade, mercê de ter havido as habituais cheias do Ribatejo que despejam no mar os resíduos comestíveis destas espécies. O acréscimo que se verificou deu-se nas três antes que continuam suportando as incontingências da pesca e do pouco apoio que os governantes nacionais dispensam a esta ascentral e necessária actividade. Pedro Filipe


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Hortas Solidárias na Quinta do Conde A Câmara Municipal de Sesimbra tem abertas até 30 de Setembro, candidaturas para Hortas Solidárias na Quinta do Conde. O objectivo é o de “promover a agricultura em modo tradicional de cariz tendencialmente biológico, como actividade de lazer ou como complemento económico.” Outros objectivos são os de promover a ocupação das pessoas idosas e reformadas, promover hábitos de alimentação saudável, potenciar a utilização da compostagem e valorizar, preservar espécies autóctones, valorizar o espirito comunitário na utilização e manutenção do espaço público e reforçar o apoio às famílias e instituições do concelho. A iniciativa disponibiliza 42 parcelas de terreno com áreas entre os 60 e os 230 metros quadrados, num terreno localizado na Várzea da Quinta do Conde, com água para rega e um abrigo comum para acondicionar as ferramentas utilizadas nas hortas. Podem candidatar-se a estes espaços residentes recenseados no concelho de Sesimbra e organizações sem fins lucrativos, dando-se prefe-

rência a famílias recenseadas na área das hortas, com rendimentos baixos. A taxa de ocupação anual varia entre os 20 e os 30, conforme a dimensão das parcelas. Este projecto foi um dos vencedores do programa EDP Solidária 2013. Na página Internet da Câmara encontra-se o respectivo regulamento e ficha de inscrição.

Acidente com feridos na estrada de Argéis Um choque entre dois veículos, numa curva da estrada de Argéis (acesso a Sesimbra nascente, pela serra da Achada) provocou ferimentos em 5 crianças, alunos de uma escola de surf, e em 3 adultos. O grupo de alunos com um instrutor, que se dirigia à Lagoa de Albufeira, subia pela estrada de Argéis quando foi surpreendido por um carro que descia já descontrolado, e que provo-

cou o embate frontal. O trânsito esteve cortado durante parte da manhã, no dia 22 de Agosto, enquanto os bombeiros procediam às operações de socorro e de desobstrução da estrada. A zona da estrada de Argéis onde se deu o acidente tem curvas muito apertadas, com vizibilidade reduzida, e com inclinação acentuada, onde são aconselhadas velocidades muito baixas.

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Feira do Livro de Sesimbra

A Feira do Livro de Sesimbra voltou a animar o verão sesimbrense, entre 19 de Julho e 18 de Agosto, com venda de livros a preços mais baixos, e sobretudo com um programa cultural que incluiu a apresentação de vários livros com presença dos respectivos autores, tais como os escritores e ensaístas Inês Pedrosa, Isabel Stilwell, Helena Sacadura Cabral, Tiago Rebelo, Francisco Moita Flores, Vítor Lopes, Ana Sofia Fonseca, Domingos

Amaral, Ágata Roquette e Raquel Gaspar, entre outros. De Sesimbra estiveram presentes os autores David Sequerra, Sandra Carvalho, Rafael Loureiro e José Manuel Arsénio – neste caso com um livro de fotografia, que referimos na nossa anterior edição. A Feira incluiu ainda espectáculos pelos “Anacrusa Band”, “100 Limite”, e pelo saxofonista e maestro da banda de Sesimbra, Francisco Santos.

Encontro de bandas filarmónicas No passado dia 13 de Julho, a Sociedade Musical Sesimbrense organizou um Encontro de Bandas, que contou com a presença das suas congéneres de Portalegre e Tavira. Este dia começou por uma recepção no largo do Município, onde a vice-presidente da Câmara, Felícia Costa, deu

as boas vindas às bandas visitantes, seguindo-se um desfile pelas ruas da vila com uma mega-banda composta pelas três filarmónicas, tocando temas típicos de Sesimbra. À noite as três bandas participaram num concerto, no largo de Bombaldes, com a presença de numeroso público.


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Novos Sesimbrenses Sonia Daunay Francesa, da cidade de Tours, Sónia Daunay chegou pela primeira vez a Sesimbra em 2006. Já conhecia um pouco do norte de Portugal, o Algarve, Lisboa, a Caparica – mas tudo lhe parecia já muito destruído pelo turismo; apenas em Sesimbra encontrou aquilo que procurava: a vila piscatória, ainda com fortes traços da sua História. Apaixonou-se por Sesimbra. E por um “pexito”. Tinha 23 anos. Dois meses depois, no dia dos seus anos, ofereceu a si própria uma prenda: veio viver para Sesimbra. Actualmente, Sónia Daunay gere um pequeno estabelecimento na marginal poente, o Bolicha, que abriu há dois meses. O verão tem sido trabalhoso, mas não se queixa: “Nota-se de vez em quando o cansaço físico, mas não é de estar chateada com o trabalho, acontece a qualquer um, na restauração. Mas gosto de estar aqui, e as pessoas voltam, para mim isto é como se as pessoas viessem à minha casa. As refeições que eu faço aqui, é o que eu gosto de fazer quando os meus amigos vêm a minha casa: gosto de ter a minha casa aberta aos meus amigos, e como não posso acolher toda a gente…” Grande parte da comida que confecciona é francesa: crepes, tartines, panini. É uma maneira de diferenciar a oferta, mas é também o que gosta de cozinhar, tal como gosta de fazer bolos, coisas que aprendeu com a avó, uma portuguesa que emigrou para França. São refeições ligeiras, apropriadas ao Verão, mas Sónia admite adaptar a ementa após o Verão: “Agora vem o Inverno, muito provavelmente vou orientar a ementa mais

para comidas de inverno, para grupos, mais conviviais; muito provavelmente vou introduzir outros pratos típicos, também franceses, como a raclette.” Quando a viagem de férias se estava a revelar uma desilusão, foi a mãe que lhe aconselhou: ”Vai a Sesimbra, que vais gostar.” Sónia tinha finalmente encontrado o Portugal de que estava à espera: ”por causa do lado tradicional, ainda conservado, Nós tínhamos ido para o Algarve, e o Algarve estava muito destruído, já não tinha aquela alma portuguesa, aquela cultura portuguesa. Depois fomos para Lisboa: é uma cidade, é diferente, eu andava mais à procura de uma vila piscatória, de algo assim típico. Depois fomos para a Costa da Caparica, mas também está muito construída. Mas Sesimbra ainda tinha muitas casas típicas, aquele lado que é mais tradicional.“ No entanto, como genuína sesimbrense, já se queixa das mudanças: “Agora vejo que as coisas vão evoluindo, e aqui deste lado também está a ser destruído, principalmente a marginal, a arte urbanística não é a mais adequada a Sesimbra, no modo

como foi restaurada a marginal, eu “Eu venho de uma cidade, e ali as pessoalmente não acho que tenham pessoas são muito despegadas umas sido muito boas escolhas. Mas esdas outras. E eu gosto de criar laços, tou também a ver uma vontade de criar raízes. É a vida de família, o facto restaurar o património, das pessoas se conheceque antigamente não se rem todas, ajudarem-se, Gosto é da fazia; de recuperar as apoiarem-se, aquela inticasas antigas, refazer midade de que eu gosto calma, da as fachadas. Sente-se em Sesimbra. E depois é natureza, os que há uma vontade de o clima, é a paisagem, é o meus amigos ritmo de vida”. conservar, já há aquela noção do património, da à volta de Sónia chegou a trabacultura.” lhar em Lisboa, antes de mim. Apesar dos familiares abrir o seu estabelecimenportugueses, só aprento, e embora a sua primeideu português quando veio residir ra impressão fosse boa, já não quer viem Sesimbra, e não foi fácil: “Nem ver em cidades: “Já não tenho paciência por isso, foi complicado, demorei para o stress, para o movimento, para muito tempo, porque gosto de falar aquele frenesim. Gosto é da calma, da com as palavras certas.” Natureza, os meus amigos à volta de E já não tem saudades das cidades: mim – é isso que eu quero.”

Nova imagem de marca de Sesimbra Já está a ser divulgada em vários suportes publicitários – painéis exteriores, publicações impressas, etc. – a nova marca escolhida pela Câmara Municipal de Sesimbra para divulgação turística do concelho: Sesimbra é Peixe. Este novo slogan substitui o “Sesimbra, um mar de emoções”, utilizado durante alguns anos, e ao qual tinha sido acrescentada a expressão “todo o ano”. A Autarquia sesimbrense acredita que este novo slogan poderá ser o fio condutor que faltava à estratégia de desenvolvimento turístico para o concelho. O slogan,

que foi proposto e oferecido à Câmara por Mário Miguel, com ligações familiares a Sesimbra, e que é funcionário de uma empresa de publicidade – a Young & Rubicam - destina-se a “atrair pessoas com maior poder de compra”, segundo referiu o autor da ideia, que também considerou o slogan como “estruturante” e com possibilidade para ser associado a outras áreas da actividade municipal. Na apresentação pública do novo slogan promocional, o empresário Aleixo Terra da Mota, em representação do Turiforum, referiu a importância de ser criada uma “marca forte e de fácil apreensão”, admitindo que

“não estamos a conseguir segurar o turista.”A marca Sesimbra é Peixe foi já registada oficialmente pela Câmara Municipal, que também fez o registo de slogans semelhantes (como Sesimbra Capital do Peixe) eventualmente para impedir o seu uso por outras regiões do País. Para além da divulgação em painéis de publicidade, está prevista a criação de uma página internet com a mesma designação. Outras iniciativas em preparação e que visam

reforçar esta campanha são o lançamento do “Cabaz do Peixe” e a reabilitação da praça (mercado) de Sesimbra, com qualificação e maior visibilidade da zona de venda de peixe.


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Um mês de estacionamento tarifado na vila de Sesimbra Ao fim de um mês de estacionamento pago na vila de Sesimbra, a Câmara Municipal faz um “balanço globalmente positivo”, considerando que “foram atingidos os objectivos pretendidos e que passavam pelo incremento da rotatividade do estacionamento na zona central da vila”. Ainda segundo a Câmara, “é hoje perfeitamente visível que, ao longo do dia, há permanentemente lugares livres para estacionar, aumentando a oferta para quem se dirige ao comércio e serviços da vila”. Para além deste objectivo, a Câmara considera que “a criação de zonas de estacionamento de longa duração permitiu também dar respostas, a baixo preço, àqueles que optam por estadias mais longas na vila, nomeadamente no caso de utentes da praia”.

Introduzidas alterações No entanto, a Autarquia teve que introduzir alterações na sua proposta inicial, devido ao aumento de estacionamento em zonas periféricas, alargando o número de ruas com acesso apenas a moradores e a segunda habitação. Também os detentores de cartão

de segunda habitação, que até aqui apenas podiam estacionar no Parque do Estádio, passaram a contar com alguns espaços de estacionamento na vila – resposta a críticas de moradores, da quais fizemos eco na nossa anterior edição, e que alegavam ficar aquele parque muito distante das suas moradas. Outras alterações introduzidas foram o reforço do estacionamento para proprietários de segundas habitações, para resolver casos de cidadãos idosos, com dificuldades de locomoção, e cargas e descargas. Também os comerciantes passam a poder agora estacionar veículos afectos aos seus estabelecimentos, desde que tenham menos de 3,5 toneladas, junto às respectivas instalações, para cargas e descargas. Para esse efeito será emitido um novo tipo de cartão. A autarquia deliberou ainda prolongar a validade dos actuais cartões por mais um ano, até ao final de 2014.

Problemas de fiscalização policial O Sesimbrense questionou também a Câmara sobre o facto de, juntamente com o estacionamento tarifado, cnti-

Esclarecimento da Câmara Municipal Recebemos da Câmara Municipal de Sesimbra o seguinte texto, com esclarecimentos, acerca do artigo publicado na nossa última edição sobre o novo regime de estacionamento, e relativamente ao qual ‘O Sesimbrense’ mantém a firme convicção da sua exactidão. 1) Datas: Apesar de haver previsões para a entrada em funcionamento, a única data que foi tornada pública foi dia 22 de Julho, segunda-feira. Como se compreende, a implementação de um sistema com esta complexidade, com toda a logística que envolve (sinalética, documentação, comunicação, articulação entre equipas) é suscetível de ter atrasos. A implementação começou a ser feita a 22 mas apenas a 25 houve condições ideais para se avançar em pleno. 2) Parque do Estádio - Serviços Sociais - Trata-se de um parque fora da área de concessão da Emparque, que continua a ser gerido pelos Serviços Sociais dos trabalhadores da Câmara Municipal de Sesimbra e por esse motivo não consta do folheto da Emparque. O parquímetro que se vê na imagem refere-se ao estacionamento na via, fora do par-

que. Neste caso, para além do texto, a própria foto induz o leitor em erro. 3) Folheto: O folheto da Emparque e os materiais da Câmara Municipal têm pequenas diferenças que não são significativas. Para além do Parque da Vila Amália, que não faz parte da concessão, a Emparque diferenciou os valores do estacionamento pago de longa duração enquanto a Câmara Municipal apresentou esses dados em conjunto no cartaz de exterior, para facilitar a leitura. No seu site a autarquia especifica essas diferenças. 4) Valores: a Câmara Municipal fez um calculo médio, para facilitar a leitura no cartaz, enquanto a Emparque especificou os valores. No seu site a autarquia especifica essas diferenças. 5) As queixas: a Câmara Municipal recebeu algumas opiniões, sugestões e reclamações, e são essas que aceita como válidas. A autarquia conhece os casos que o jornal relata. Não são muitos, como refere O Sesimbrense. São poucos e alguns já viram, inclusive a situação resolvida após exposição à Câmara.

nuar a existir estacionamento abusivo, comum neste período do Verão, em locais interditos para esse fim, com obstrução dos passeios, e agora com uma nova irregularidade: a ocupação de lugares reservados a residentes por viaturas sem cartão. Quanto a estes aspectos, a Câmara responde que “a posição do estacionamento abusivo é da responsabilidade das autoridades policiais e não da entidade concessionária do estacionamento tarifado, a quem compete apenas alertar a GNR no caso de estacionamento em zona de residentes de viaturas sem o respectivo cartão”. A Autarquia diz também que este controlo começou a ser feito mais tarde do que o início do pagamento, por orientação da própria Câmara Municipal de Sesimbra, uma vez que “havia ainda muitos residentes a aguardar a emissão do respectivo cartão, por o terem solicitado já durante o mês de Agosto. Por se tratar do primeiro ano entendemos que se justificava alguma tolerância.” A Câmara disse ainda esperar agora “que a GNR cumpra a sua missão de fazer cumprir a legislação nacional e os regulamentos municipais e que haja um maior civismo por parte dos automobilistas.”

Utentes da piscina do GDS alarmados Por ocasião do aniversário do Grupo Desportivo de Sesimbra – dos qual damos notícia na página 15 – o presidente deste clube solicitou ao presidente da Câmara que encontrasse uma solução para o estacionamento dos utentes da piscina, já que muitos não estariam disponíveis para pagar o estacionamento quando se deslocarem para uso daquele equipamento: “Há dezenas de utentes da piscina alarmados, que não vêm à piscina se tiverem que pagar”, afirmou Sebastião Patrício. Quando fez o seu discurso na mesma cerimónia de aniversário do GDS, Augusto Pólvora respondeu a esta questão, dizendo que não considerava que fosse um problema, pois a partir de Setembro o parque de terra batida junto ao campo de jogos e piscina, deixará de ter qualquer custo; ainda assim, manifestou flexibilidade para avaliar junto da empresa responsável pelos parquímetros, se alguma coisa poderá ser feita quanto à zona de estacionamento pago, embora – acrescentou – o seu custo seja de apenas um euro por dia.

ZimbraMel 2013 A Zimbramel voltou a ter lugar no castelo de Sesimbra, entre os dias 23 e 25 de Agosto, numa orhanização conjunta da Câmara de Sesimbra, Junta de Freguesia do Castelo e da APISET. Neste certame participaram Apicultores da Península de Setúbal (José Miguens, Luís Valadas Marto, Henrique Martinho, Matilde Mendes, António Rosa Duarte, José Luís Calado Ganhão, João Porfírio Apolinário da Silva, e Irene Marques), e diversos stands individuais (Claro’s, Apicultura Unipessoal, Ld.ª , Hélder Pombo , Arrábidamel , João Bação, Apiagro, Quinta das Tílias, Pastelaria Delicia d’Aiana, Sabino Rodrigues – Queijos da Azoia, Doce d’Aldeia, Tia Cininha, Padinha (compotas), Cactacea (Figos da India) e API (alimentação para abelhas). Participaram ainda os stands de artesanato de Vanda Santos, André

Semblano, Carlos Vital, Mutti e Pets Days. No âmbito da Zimbramel realizaram-se diversos concursos, onde se distinguiram António Rosa Duarte e Matilde Mendes; o prémio para a melhor decoração de pavilhão foi ganho por Tia Cininha – Pastelaria Tradicional de Sesimbra, e o concurso de desenho infantil foi ganho por: Vicente Fonseca (4/5 anos), Francisco Pires (6 a 8 anos), e José Francisco Claro (9/10 anos) O programa cultural foi preenchido com concertos por Grupo de Cantares do CASCUZ, Luís Taklim, AZ Duo, Tributo a Ivete Sangalo & Daniela Mercury, L’Escargot., e fados com Francisco Hilário e Rute Figueiredo. A organização estima que Estimase que tenham sido vendidos cerca de 1500 Kg de mel. Foram registadas 4.500 entradas cobradas, a que acrescem as crianças.


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De igual modo O “Crime” das minhocas...

Homem do mar, “pexito” autêntico, chamador de madrugadas longas, aos 10 anos de idade, continua apaixonado pelas pescarias como entretenimento habitual. Foi ele, de um modo simples, sem qualquer espécie de super-azedume, quem nos proporcionou este pequeno texto, com o seu quê de enigmático. E porquê? Tento explicar de seguida. * * * Manhã estival na bem cuidada Praia da Califórnia, nos seus confins, direcção Arrábida. Meia dúzia de rochedos suscitando curiosidade dos mais pequenos e também o confessado interesse de uns quantos que, escavando a areia circun-

dante, pacientemente, buscavam longilíneas minhocas para servirem de isco a arcaicas fainas de pescarias. Habilmente colocados em anzóis, de fracas dimensões, os “cadáveres” (ou não...) de capturadas minhocas constituem, desde sempre, o chamariz para captura de peixes, desde os coloridos (e quase inúteis...) borrelhos e margetas até a uns bons sargos ou douradas distraídas. Pois bem: aquele homem do mar com quem conversei disse-me que a captura de singelas minhocas estava proíbida pelas autoridades marítimas, dando lugar a multas nada suaves aos “exploradores minhoqueiros”. Ele próprio escavava areia à socapa dos rigorosos vigi-

lantes, sujeitando-se ao “castigo” de algumas centenas de euros – sabe-se lá porquê! Capturar minhocas é proíbido e confesso que tentei saber os motivos de tal “sentença” junto de gente habilitada nos domínios da pesca. Não consegui esclarecimento minimamente perceptível e daí este meu escrito na expectativa de, através d’O Sesimbrense, ficar a saber as razões por que é “crime” punível apanhar minhoca para o entretenimento da pesca, de anzol e linha. E esta, hein... – como diria o saudoso Fernando Pessa que muito apreciava a típica Sesimbra. David Sequerra

Renúncia no Centro Cultural Raio de Luz José Pedro Xavier, presidente do Centro Cultural Raio de Luz e director do respectivo jornal, anunciou publicamente a renúncia ao primeiro daqueles cargos. Num artigo publicado na capa da edição de Agosto de 2013, José Pedro xavier afirma que se retira “em ruptura total com a Direcção, na qual deixei de ter confiança, por falta de respeito e de lealdade pessoal e institucional”, e anuncia não se requere candidatar àquele cargo. Acrescenta ainda José Pedro Xavier que, “a não ser que seja tomada uma solução estável que dê garantias de equidistância e isenção por parte dos novos dirigentes”, também deixará de o lugar de director do jornal Raio de Luz. José Pedro Xavier fundou aquele jornal em Janeiro de 1975, inicialmente apenas numa modesta edição policopiada, mas que acabou por vingar no panorama jornalístico

local. Com uma forte ligação à Igreja, aquele “mensário de opinião e informação” caracteriza-se por uma noticiário de índole local e regional associado a informação de natureza religiosa: “a matriz do jornal Raio de Luz é de inspiração cristã”, afirmou José Pedro Xavier numa entrevista a’O Sesimbrense, em Janeiro de 2011. O Centro de Estudos Culturais e de Acção Social Raio de Luz, tem em fase de conclusão um Centro Social, anexo ao Centro Cultural edificado há poucos anos em Sampaio. Entretanto já teve lugar a eleição da nova Direcção, presidida por António Marques, que é também subdirector do jornal Raio de Luz. Desta direcção faz ainda parte: José Luís Rodrigues, Mário Dionísio, António Sanches e Joaquim Diogo (actual presidente da Liga dos Amigos de Sesimbra).


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Casa Mateus regressa a Sesimbra A mítica Casa Mateus – o restaurante de António Mateus, associado a uma residencial, que durante muitos anos se destacaram no turismo sesimbrense – volta a abrir, agora pela mão do filho Carlos, e do neto Pedro. Para além da qualidade do seu restaurante, localizado no largo da Fortaleza (onde está actualmente o banco Millennium), a Casa Mateus destacava-se pela publicidade original, feita nas páginas do nosso jornal – publicidade onde a coloquialidade das conversas de rua era utilizada para reforçar a mensagem publicitária: “Casa Mateus, a melhor, a mais moderna e a que melhor serve”. O novo restaurante localiza-se no largo Anselmo Brancaamp, no espaço do antigo restaurante Ala Riba. A gastronomia será a da região, com destaque para o peixe grelhado. Informações adicionais e reservas podem ser obtidas na respectiva página da Internet: http://www.casamateus.pt/

Carlos Mateus junto ao estabelecimento do pai, com uma variada “montra” gastronómica.

Correcção de noticia Barco da PM embate em nadador Na nossa anterior edição publicámos uma notícia, onde se relatava o facto de no dia 15 de Julho, um barco da Polícia Marítima ter embatido num nadador. Para o efeito contactámos com a Polícia Marítima e com o nadador vítima daquele acidente. Por lapso involuntário, foi indicado nessa noticia que o acidente se deu a 700 metros da praia, quando pretendíamos escrever 70 metros. Recebemos entretanto uma carta do nadador acidentado, apontando diversas correcções à notícia, e nomeadamente: que o acidente se deu apenas a 50 metros da praia, que ele chamou a atenção do pessoal a bordo do barco logo após o acidente, e que depois disso se dirigiu à Capitania, onde, “ao invés de exigir o registo formal de queixa por danos físicos e morais, pedi-lhe apenas que sensibilizasse o pessoal para não navegar tão próximo da praia e que procedesse à delimitação de bóias, a delimitar a zona de banhos, para evitar a entrada de barcos de forma indevida, como ocorrido”. Por falta de espaço, não reproduzimos integralmente o teor desta carta, que nada mais de essencial acrescenta à notícia que publicámos.


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Autárquicas: Painéis de rua e a novidade do Facebook Depois das sessões públicas de cas ou objectivos eleitorais, embora apresentação de candidatos que ti- com algumas excepções: Francisco veram lugar entre Junho e Julho, o Luís, actual vereador do PSD, disse mês de Agosto foi aproveitado para estar “confiante num resultado mela colocação dos primeiros painéis de hor do que aquele que obteve há rua - caso das coligações CDU e Ab- quatro anos”, e que “em coligação raçar Sesimbra (PSD-CDS) e do PS. vamos eleger mais autarcas”. A página da comissão concelhia e para iniciativas de contacto directo com as populações, já com distri- do PS, pelo seu lado, aproveita para buição de impressos com os respec- criticar aspectos das obras municipais, referindo-se tivos candidatos. ao que consideram A grande novidade A grande novidade desta ser o “estado de dedesta campanha campanha está a ser a gradação do concelestá a ser a comunicação através do comunicação através do ho de Sesimbra”. Os cabeças de lisFacebook, com pá- Facebook, com páginas ginas das próprias das próprias candidaturas, ta à Câmara, Américo Gegaloto (PS) candidaturas, que que têm sido aproveitadas e Augusto Pólvora têm sido aproveitadas sobretudo para sobretudo para apresenta- (CDU) também têm apresentação dos ção dos candidatos e de as suas páginas pessoais com informacandidatos e divul- apoiantes. ção eleitoral. gação de apoiantes. No caso de AugusO movimento independente Sesimbra Unida, iniciado to Pólvora, é interessante a reflexão por Carlos Sargedas, foi a primeira que o candidato faz sobre a possibilicandidatura a usar intensamente o dade de vir a ser penalizado eleitoralFacebook, ainda numa fase em que mente por causa do início do estaciniciava a formação do próprio movi- ionamento pago na vila de Sesimbra, apesar de toda a obra realizada ao mento e a recolha de assinaturas. O Partido Socialista e as coliga- longo de dois mandatos: “Será que ções CDU e “Abraçar Sesimbra” tam- oito anos de dedicação plena contam bém têm páginas bastante activas no tão pouco na avaliação do pessoal?” Facebook, onde divulgam materiais E depois de listar muitas das obras informativos, candidatos e apoiantes, entretanto realizadas, conclui: “Para algumas pessoas parece que não bem como diversas iniciativas. Estas duas últimas candidaturas fizemos nada! Mas o trabalho está à têm também aproveitado o Facebook vista de todos! É bom ter memória!” Os (re)candidatos da CDU a Junpara divulgar o trabalho executado pelos seus eleitos durante o presente tas de Freguesia, Francisco de Jesus (Castelo) e Vítor Antunes (Quinta do mandato. A informação divulgada assenta es- Conde), também têm disponibilizado sencialmente em imagens, ainda informação eleitoral nas suas págisem divulgação de ideias programáti- nas.


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Família Zegre: dedicação à Música Reinaldo e Rui, com apelidos familiares Zegre (linha materna) e Santos (linha paterna) pertencem a uma sequência geracional de músicos da Sociedade Musical Sesimbrense, onde se conta o seu bisavô, Joaquim Felisberto Zegre, fundador daquela colectividade. Outros conhecidos músicos desta família foram Celestino e Artur Zegre, bem como Alfredo Zegre, músico e dirigente associativo, recentemente distinguido pela SMS, que atribuiu o seu nome à sala do bar da colectividade.

Reinaldo e Rui Zegre Santos

José Joaquim Zegre

Antónia Teresa de Jesus

Joaquina Rosa

Domingos António Penixeiro

Manuel Serafim Zegre

José Serafim Zegre

Artur Zegre, tocador de trompa

Maria Inês Elisiária de Macedo

Maria Luciana de Macedo

Serafim Zegre Maria de Jesus Zegre

Correia, ainda em funcionamento. É com alguma preocupação que encaram a Banda da SMS no presente: “Tem poucos músicos de Sesimbra, muitos dos músicos que lá tocam não são naturais de cá, são amigos do maestro, e a Junta de Freguesia cede o transporte para os ir buscar”. Parte dos antigos músicos passou para a banda do Bota (Bota Big Band) na sequência de uma cisão. Agora que se aproxima o centenário da SMS - foi fundada em 19 de Abril de 1914 -, Reinaldo e Rui exprimem o desejo de que regressassem à banda da SMS, até porque existem alguns músicos que tocam em ambas as bandas: “Gostávamos que viesse a malta toda, só se faz cem anos uma vez, devia-se tentar passar uma esponja no passado, mas, pelos vistos, são questões insanáveis. Seja como for, há vontade de os convidar, incorporados nos 100 anos da colectividade, convidando-os a fazer um concerto.” Também gostariam que fosse feita a filmagem de todas as actividades comemorativas do centenário: “Tinhase falado em pedir a um compositor para compor uma peça que pudesse ser tocada no dia do aniversário, convidar o coro e instrumentos de cordas - não sabemos é se o palco do cineteatro será suficiente”.

Joaquim Felisberto Zegre, tocador de pratos, fundador da Sociedade Musical Sesimbrense

Antónia Maria

Anastácio de Oliveira

Joaquim José Zegre

Reinaldo Zegre Santos afirma que esta sequência geracional era, antigamente, comum na Banda: “quando os pais eram músicos, levavam os filhos, por vezes também os sobrinhos, a banda era essencialmente isso. Agora já não.” Reinaldo foi para a escola de música da Banda com apenas 9 anos, embora já soubesse tocar acordeão, que aprendeu com Carlos Capítulo; acabou por ter a sua primeira saída como músico já com 9 anos, tocando clarinete, em Abril de 1970, na procissão do “Senhor para cima”, com a qual se iniciam as Festas do Senhor das Chagas. O seu irmão Rui também chegou a ter aulas de música com Carlos Capitulo: “Só que depois adoeceu, fui então para a Banda, e tive a primeira saída em Janeiro de 1977, pouco antes de fazer 11 anos.” Rui toca bateria, a sua escolha desde a primeira hora, e Reinaldo toca agora saxofone. Possuem já muitos anos de currículo na Banda da SMS, embora com algumas interrupções, por motivos profissionais, e por terem tocado durante algum tempo na banda do Zambujal. Ambos tiveram aulas com o maestro António Cruz, auxiliado pelo músico Custódio Amigo: Reinaldo recorda-se de ter aulas de solfejo na barbearia deste último, na rua Peixoto

Felisberto José Zegre

Celestino Zegre

Celestino Zegre, tocador de trompete

Nicolau Gomes Covas

Mariana do Carmo

Amélia das Dores Zegre

Rufilo Covas

André Zegre

Joaquim Felisberto Zegre

Ana

Ana Zegre

Natércia

Joaquim Zegre Santos

Reinaldo Zegre dos Santos

Maria Júlia

António Felisberto Zegre

Rui Zegre dos Santos

Árvore genealógica de Joaquim Felisberto Zegre, fundador da Sociedade Musical Sesimbrense, em1914. Neste desenho também aparece Rufilo Covas, que foi um dos grandes dirigentes daquela colectividade, e Manuel Serafim Zegre, pioneiro dos estabelecimentos de banheiro em Sesimbra.


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António Baptista

Faleceu no passado dia 28 de Julho, com 88 anos, António Cagica Baptista, conhecido sesimbrense que exerceu a profissão de barbeiro. Foi no seu estabelecimento que foi tirada, em 1990, a fotografia que reproduzimos acima, da autoria de Michel Waldmann, a qual tem sido profusamente reproduzida com fins turísticos, ao longo das últimas décadas, tornando-se numa das imagens mais divulgadas de Portugal. No entanto, nessas reproduções nunca é referido o seu nome nem lhe foi pedida qualquer autorização para o uso comercial da sua imagem. António Cagica Baptista era casado com Francisca da Conceição Baptista. À família enlutada apresentamos os nossos sentidos pêsames.

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“Sesimbra Unida na corrida eleitoral” Um esforço acelerado durante os últimos dias permitiu ao Movimento Sesimbra Unida reunir as assinaturas necessárias para as autárquicas. Para além deste movimento independente, participam nestas eleições as seguintes coligações e partidos: - CDU (partidos PCP e Os Verdes), tendo como cabeça de lista à Câmara o actual presidente, Augusto Pólvora; - ‘Abraçar Sesimbra’ (partidos PSD e CDS), tendo como cabeça de lista à Câmara o actual vereador, Francisco Luís; - Partido Socialista, tendo como cabeça de lista à Câmara o actual vereador, Américo Gegaloto; - Bloco de Esquerda, tendo como cabeça de lista à Câmara, Adelino Fortunato; O Sesimbra Unida surge assim como a grande novidade, numa campanha que se anunciava como uma repetição do quadro eleitoral resultante das últimas autárquicas. Recorde-se que, há quatro anos, uma distribuição de votos excepcional permitiu à CDU eleger 5 vereadores, no total de 7 que constitui o Executivo Municipal. Nessas eleições, quer o Bloco de Esquerda, quer a candidatu-

ra independente do anterior presidente da Junta de Freguesia da Quinta do Conde (Augusto Duarte, trânsfuga do PS), obtiveram boas votações, mas sem eleger qualquer vereador, o que proporcionou os 5 vereadores à CDU ̶ situação que, com outra distribuição de votos pelos pequenos grupos, não se verificaria. O Movimento Sesimbra Unida pode mexer significativamente com os resultados eleitorais. O facto de ter conseguido reunir, quer as assinaturas necessárias, quer a equipa que conseguiu tal objectivo, são indicadores de que existe no eleitorado abertura para propostas independentes do leque partidário. Numa conferência realizada no passado dia 24 de Julho ̶ e sobre a qual publicámos uma reportagem na nossa edição anterior ̶ o Sesimbra Unida apresentou já uma parte do seu programa, onde se destacam propostas para dinamização do Turismo através de Parques Temáticos, para o estacionamento automóvel em parques periféricos à vila de Sesimbra, e para alteração do horário de funcionamento dos serviços municipais.


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SAP e Farmácias reduzem horários O argumento é o mesmo: necessidade de reduzir custos. O Ministério da Saude pretende reduzir o horário do SAP de Sesimbra a partir de 1 de Setembro, e as quatro farmácias de Sesimbra, Santana e Cotovia, passaram a coordenar entre elas o serviço de atendimento de urgência, pelo que só uma destas farmácias, de cada vez, terá esse serviço disponível.

Câmara Municipal contra redução do horário do SAP A Câmara de Sesimbra aprovou, por unanimidade, uma moção na qual manifesta a sua preocupação com a intenção do Ministério da Saúde “em reduzir em seis horas diárias, de segunda a sexta-feira, o horário do Serviço de Atendimento Permanente (SAP) de Sesimbra, já a partir de 1 de Setembro”. A Autarquia considera que “esta redução pode afectar negativamente as populações e visitantes, que aumentam de forma significativa aos fins-de-semana, épocas festivas e época balnear, e propõe um horário de atendimento de urgência com duração diária nunca inferior a dez horas, incluindo aos fins-de-semana e feriados.” Ainda segundo a Câmara, no verão o horário deveria ser alargado em mais duas horas, para além da necessidade da construção de um Serviço de Urgência Básico em Sesimbra, reivindicado anteriormente. Farmácias com novos horários As farmácias de Sesimbra, Santana e Cotovia, alteraram o sistema de escalas para os períodos de encerramento, durante os quais se encontra sempre uma farmácia em serviço de urgência. Anteriormente, essa escala era feita, por um lado, entre as duas farmácias da vila de Sesimbra, e por outro, entre as duas de Santana/Cotovia: em qualquer destas zonas havia sempre uma farmácia em serviço de urgência. Agora a escala passou a ser feita entre as quatro farmácias: continua a haver sempre uma em serviço de urgência, umas vezes na vila de Sesimbra, outras vezes em Santana, ou na Cotovia. Ou seja: pode acontecer, em período de encerramento de farmácias, que utentes de Sesimbra se tenham de dirigir à zona de Santana/Cotovia, e viceversa, situação complicada para quem não disponha de transporte particular. Rui Novo, proprietário e director das farmácias Leão e de Santana, revelou-nos que esta alteração se deve à

necessidade de melhor gerir os recursos, em função do agravamento dos custos de funcionamento, mas destaca o facto destas farmácias terem reforçado o horário aos sábados: “aos Domingos a situação é diferente”. Rui Novo chama a atenção para a difícil situação criada pela redução dos horários de funcionamento do SAP (Serviço de Atendimento Permanente) de Sesimbra, o que tem como consequência que as farmácias são muitas vezes solicitadas para emergências que deveriam ser tratadas no SAP: “Tem acontecido, durante o Verão, várias pessoas pedirem auxilio à farmácia Leão, por exemplo uma pessoa com a cabeça partida, etc., serviços que não competem às farmácias, e que nem sequer estão autorizadas a fazer. Para além das questões de segurança, Rui Novo afirma que “ desta forma não se consegue atrair o turismo, porque caso aconteça algum incidente a um turista, não existem meios disponíveis para o socorrer”. Há alguns anos que as farmácias têm exposto superiormente esta situação, mas sem resultado: “Estamos numa vila turística, mas esta imagem tão péssima na saúde, só afasta o turismo”. Rui Novo encara com apreensão as notícias de que têm saído nos jornais, no sentido de que os serviços do SAP ainda poderão ser mais reduzidos. Outra sugestão do Director farmacêutico é a que se poderiam contratar, para este fim, médicos que se reformaram recentemente, e que poderiam prestar um serviço de qualidade ao SAP, melhor talvez do que o da actual situação, em que o ministério está apagar a uma empresa que, por sua vez, vai contratar os médicos. Rui Novo entende que a Câmara, em parceria com o ministério da Saúde, deveria encontrar uma solução para este problema, repartindo os respectivos custos. Apesar de reconhecer que isso traria custos para a Autarquia, Rui Novo entende que a protecção dos cidadãos justifica esse esforço: “Estou convencido que a Câmara Municipal de Sesimbra poderia arranjar soluções para esta situação, e só uma questão de gerir o dinheiro”.


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Crónica

Quando o Submarino Barracuda vinha a Sesimbra O estacionamento na Baía de Sesimbra, de submarinos da classe “Albacora” da Marinha Portuguesa, tinha em grande parte como objectivo, o embarque e desembarque de pessoal (ex. alunos, equipas de avaliação e equipas de manutenção). Outro dos objectivos era o embarque de sobressalentes e víveres. Quem nos relata estas acções é o Comandante Amaral Henriques do submarino “Tridente”. E continua: Os antigos submarinos por serem realmente muito “velhinhos” eram alvo de inúmeras manutenções correctivas e naturalmente inopinadas. Muitos dos sobressalentes existiam a bordo, porém outros havia que eram necessários serem enviados para bordo. E conclui dizendo: Outro dos itens recorrentemente enviados para bordo, em particular nas missões grandes (mais de 15 dias) eram os víveres, uma vez que os antigos submarinos não dispunham de grande capacidade de armazenamento de géneros.

FACTO Sesimbra. Julho de 2004. A praia que mais costumo frequentar. É aqui que passo há mais de três décadas as férias de Verão e me deixo conquistar pelos prazeres locais. Um deles acabará por ser mesmo a visita do submarino “Barracuda”. Era quase sempre nesta altura do ano que aparecia. Parece que estou a vê- lo, do areal para o mar lá estava ele, assoma por cima da água a inconfundível torre ao largo da Baía de Sesimbra, majestoso, vestido de negro, qual guerreiro com a sua armadura e espada mágica a balançar na mão, uma figura impressionante que chegou a arrepiar- me. Há sua volta, mar e solidão. E um céu azul. Confesso que deixei- me encantar por aquele barco. Algum tempo depois, tive a sorte de ir a bordo do submarino. Fiquei fascinado. Passei o dia todo dentro do “Barracuda” a tentar impregnar- me do seu ambiente, a tentar perceber a coragem dos homens que iam para o mar naquilo”. Permitiu-me conhecer as suas gentes, acima de tudo. Gente generosa, dedicada e solidária. Gente com imenso espírito de sacrifício. Gente que fica bem nas palavras mandadas afixar em todos os navios da Marinha de Guerra com que José da Silva Mendes Leal descreve a origem e história desta divisa: “A Pátria honrai, que a Pátria vos contempla”. É assim que eu descrevo na Introdução da obra Os Dias

do “Barracuda” a última das “armas secretas” classe Albacora da Marinha Portuguesa” e que foi apresentada na X Feira do Livro de Sesimbra, com a participação do Comandante Bruno Amaral Henriques, do submarino “Tridente”. Sobre o evento o Facebook da Marinha convidada: “Gostaria de saber mais acerca do Submarino Barracuda? Será apresentado esta quinta-feira, na Feira do Livro de Sesimbra, “Os Dias do Barracuda”, de Vítor Lopes, com a participação do Comandante do Submarino Tridente, Amaral Henriques. Tenha um final de dia diferente, imergindo na história deste submarino”. Sou um homem de poucos sonhos, mas com 16 anos só posso apelidar de sonho quando um adolescente gosta de filmes de guerra com submarinos e acredita que vai um dia escrever sobre algum desses navios. E foi aqui em Sesimbra que tudo começou. Estou extremamente feliz por esse sonho ter acontecido. Fico feliz pessoalmente, como entusiasta da arma submarina com mais intenção do que profissionalismo, conseguir adaptar a estrutura de uma arma de guerra, objectivo que perseguia há muito, para construir uma modesta contribuição literária em torno de um núcleo que muitas vezes não sabemos qual. Mas também de gostar de desafios e dedicar-me a ler tudo sobre a vida marítima. Crónica de Vitor Sousa Lopes

Uma antiga ilha frente ao Espichel?

Com uma carreira de escrita com cerca de 30 anos, a minha obra inclui colaboração dispersa pelos jornais e em revistas: A Arte do Azulejo em Portugal (Jornal O Independente); No Aniversário de Santos Simões (Diário Popular), O Azulejo como motivo de atracção turística (Jornal Ambitur); Uma história aos quadradinhos e AZULEJOS: Beleza na intimidade (Revista Autores), publicando ainda Oficinas Industrializadas de Aveiro (Revista Gentes e Locais); Portugal o Planeta dos Azulejos (Revista Vilas e Cidades), Pequena incursão pelo azulejo semi-industrial de fachada, Quadros da Via-Sacra em azulejos e José Hermano Saraiva (n)A Alma e (n)A Gente (de Sesimbra), (jornal

O nosso leitor Filipe Jorge A c c i a i o l i Homem Mendes, residente na Cotovia, como apaixonado por História – embora só recentemente se tenha dedicado a estudar a história da nossa região – chamou-nos a atenção para a possibilidade de ter encontrado, através de imagens dos fundos submarinos disponíveis na Internet (Google Earth), a localização de uma ilha que os antigos diziam encontrarse na Lusitânia Ocidental, defronte da comarca dos bárbaros Sárrios. Segundo Filipe Mendes, “autores portugueses como Frei Bernardo de Brito, André de Resende, e o espanhol Florian de Ocampo falam destes Sárrios e da ilha que os locais chamavam Strynia e os gregos Ophiusa. Durante o sismo de 1755 diz-se que os barcos ficaram em chão seco durante algumas horas apesar de se encontra-

O Sesimbrense). Fui durante vários anos colaborador assíduo da Revista História (Publicações Projornal). No meio de escritos, foram editados ainda Estudos de Azulejaria de J. M. dos Santos Simões (Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 2001); Testemunho nas Paredes - Ensaios de Azulejaria (ACD - Editores, 2001) e Figuras de Presépio na Azulejaria Portuguesa (Agenda SPA 2007); AUTORES, Índices dos Nºs. 1 A 172 (Sociedade Portuguesa de Autores, 2007); A Palavra dos Autores - antologia de textos (SPA, 2007), publicando em 2010 Luiz Francisco Rebello Uma Colectânea de Vida, uma perspectiva e uma análise da vida e obra desta destacada personalidade da Cultura Portuguesa das últimas décadas do século XX. Para além da obra Conversas no Café Gelo – viagem pela Lisboa dos anos 40 que se encontra para publicação -, estou a preparar uma antologia sobre o Azulejo de Influência Islâmica em Portugal, e um livro-guia de Como Contar a História dos Azulejos às Crianças… e aos outros. Paralelamente com estes trabalhos, encontra-se em fase de conclusão o livro 1942 O Ano que Abalou Lisboa: À Espera do Invasor, que pretendo lançar no próximo ano.

rem já em mar alto. Contam que a ilha colapsou durante uma histórica crise sísmica relatada pelos autores romanos perto do 1º ou 2º séculos antes de Cristo” Filipe Mendes, que considera poderem os Sárrios ser antepassados dos sesimbrenses, recorda também o poema épico, do século XVIII, de Francisco Morais de Vasconcelos, El Alphonso, “que fala destes Sárrios e desta ilha, da ligação que os habitantes desta tinham com os ditos Sárrios, cuja ribeira era a actual Praia da Foz, com duas ilhetas defronte”. Filipe Mendes acredita que “a descoberta desta ilha antiga obrigará a rever muita coisa e poderá ser uma mais-valia para o Concelho, pois se esta ilha estava defronte da comarca dos bárbaros Sárrios, é natural que lhe pertença”.


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110º aniversário dos Bombeiros de Sesimbra Foi no passado dia 12 de Agosto que a Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra comemorou o seu 110º aniversário.

3ª edição Mega Samba com balanço positivo O encontro de baterias europeu, designado como Mega Samba, contou nesta 3ª edição com participantes vindos da Suíça e da França, entre 26 e 28 de Julho, e registou um aumento significativo de participantes, contabilizando-se cerca de 252 - número que se aproxima ao de uma escola de bateria do Rio de Janeiro, que conta normalmente com 350 ritmistas.

13 A Real Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra comemorou, no passado dia 12 de Agosto, o seu 110º aniversário. Para além do desfile de gala, a cerimónia contou com a inauguração do equipamento de uma viatura daquela corporação, oportunidade aproveitada para homenagear José Gouveia, o professor universitário da Faculdade de Agronomia de Lisboa, agora reformado. Uma outra homenagem foi prestada ao Bombeiro João Evangelista Aldeia, já falecido, cujo nome foi atribuído a uma casa de treino para fogos urbanos, em ambientes confinados. Em nome da família do homenageado esteve o seu filho João pedro Aldeia. Seguiu-se uma sessão solene, durante a qual o presidente da Direcção, Fernando Gato, que considerou os 110 anos da Instituição como um “marco histórico”. Disse ainda que não tem sido fácil o caminho percorrido, “já que as receitas principais resultam dos poucos associados que pagam as quotas, de subsídios camarários e dos transportes de doentes. Pela nossa operacionalidade as populações devem orgulhar-se da sua Associação, já que ela está apta para responder a todas as situações, quer pela logística quer pela competência humana que compõem o quadro operacional. O dinheiro, sempre escasso, não dá para tudo, mas

com dedicação e esforço havemos de ultrapassar estas dificuldades, que se reflectem em todas as actividades do país.”

Foi no dia 28 de julho, pelas 17 horas, que se concretizou o desfile dos grupos de samba envolvidos. Porém, a quantidade de participantes “tornou impossível o desfile pela pequena marginal de Sesimbra, os ritmistas tocaram os seus instrumentos parados”, afirma o Presidente da escola de samba Bota no Rego, Ricardo Alves. O evento contou ainda com diversos espectáculos nocturnos, ao longo dos três dias De acordo com os dados, Paulo Soromenho, diretor da escola de samba de Sesimbra, defende que “o convívio correu muito bem, e tem evoluído de ano para ano, os participantes são cada vez mais”. As boas condições e a beleza da vila de Sesimbra contribuíram igualmente para o sucesso do III encontro de baterias europeu. Neste

sentido, Paulo Soromenho reforça que “num ambiente como este, é fácil o convívio e fazer-se novos amigos, o ambiente em torno do samba é mesmo esse”. Ainda assim, em outras edições, o evento Mega Samba contou com representantes do Brasil, Espanha e Bélgica, “porém este ano, muitos dos representantes não puderam vir, mas contámos com os participantes de França e Suíça”, adianta Paulo Soromenho. As viagens dos representantes das escolas de França e Suíça foram organizadas e pagas por cada País, mais concretamente pelos respetivos grupos. Porém, a escola de samba Bota no Rego, tem contribuído nestes três anos com contactos para o alojamento e transportes. Micaela Costa (Estagiária)

O presidente da Câmara, Augusto Pólvora, encerrou o período de discursos, começando por referir, com humor e admiração, que desta vez Fernando Gato o poupara “nas tão famosas e tradicionais críticas”. Deu os parabéns por mais um aniversário e pelas honrarias atribuídas à Associação: “São 11 décadas de bem servir Sesimbra e os sesimbrenses”. Acrescentou que “a Câmara tem apoiado os Bombeiros e continuará a fazê-lo dentro das suas apertadas disponibilidades, nomeadamente no cumprimento do protocolo existente.” Recordou que os BVS são uma das mais bem apetrechadas corporações a nível nacional, tanto mais que para além da sede, existe o destacamento na Quinta do Conde: “ambas estão apetrechadas para qualquer emergência. A associação é um orgulho de Sesimbra pela vontade construída por muitos homens e mulheres que ao longo da sua história contribuíram para essa mesma história”. Lembrou a instituição recente do Dia Municipal do Bombeiro, em Sesimbra, “prova do reconhecimento que é devido a estes homens e mulheres pelo trabalho realizado junto das populações”.

O surgimento da ideia

A ideia do evento surgiu através de um amigo do Presidente e director da escola de samba de Sesimbra, Bota no Rego, que emigrou para a Suíça e propôs a ideia a uma escola de samba da cidade de Genebra, ideia que foi recebida com entusiasmo. Pouco tempo depois, o Presidente da referida escola, Unidos de Genebra, entrou em contacto com a escola de samba de Sesimbra, “ e a partir de então, começaram os contactos e a organização do evento”, afirma Paulo Soromenho. Em consequência da grande adesão a este III Encontro de Baterias Europeu, o presidente da escola de samba, Ricardo Alves, não sabe ao certo se o evento poderá crescer muito mais: relativamente a novos investimentos, este tipo de evento poderá estar a atingir o limite. Ainda assim, Ricardo Alves acredita que na próxima edição, “poderemos contar com mais uns quantos participantes”.


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António Júlio Cruz,

Presidente da Comissão Mundial de Pesca Submarina António Júlio Cruz, dedicado amante da caça submarina, foi eleito para o prestigiado cargo de Presidente da Comissão Mundial de Pesca Submarina, em representação da Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas. A eleição teve lugar durante o Congresso da CMAS - Confederação Mundial das Actividades Subaquáticas - evento cujo objetivo principal era precisamente a eleição dos vários corpos gerentes para o quadriénio 2013/2017. Segundo António Júlio Cruz, “a eleição, em disputa com outro candidato, o Coronel Chekroun, Pre-

sidente da Federação Argelina, foi facilmente ganha por mim, já que o outro candidato, ao verificar a falta de apoios, desistiu da candidatura”. Como curiosidade, o nosso conterrâneo diz-nos que este congresso se realizou na ilha Cebu do arquipélago das Filipinas, ilha em que foi morto Fernão de Magalhães, durante a sua famosa viagem de circumnavegação. Na fotografia podemos ver António Júlio Cruz com Ricardo José, Presidente da Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, eleito na mesma altura para membro do Concelho de administração da CMAS.

O atleta profissional de Bodyboard, Gastão Entrudo, ficou em 2º lugar no campeonato realizado nos dias 24 e 25 de Agosto. A etapa realizada em Sintra, contou com mais de 70 atletas nacionais, mas ainda assim Gastão Entrudo, residente de Sesimbra, conseguiu o seu destaque no campeonato. Gastão Entrudo, de 26 anos de idade, praticante de bodyboard há mais de 12 anos, consegue o 2º lugar na etapa em Sintra. Apesar da sua boa prestação, o primeiro lugar foi para o atleta, António Cardoso, da Nazaré e o terceiro lugar foi atribuído aos atletas: Hugo Pinheiro e Rui Pereira, da Costa da Caparica. Durante os dois dias de campeonato, as condições não foram as melhores para os atletas de bodyboard. De acordo com o bodyboarder profissional, Gastão Entrudo, “o mar estava muito grande, a rondar os 2 metros de altura, com uma corrente muito forte, o que exigia bastante da parte física dos atletas”. O atleta sesimbrense acredita que poderia ter atingido o primeiro lugar, porém “faltou um pouco de sorte na escolha das ondas, estava muito difícil conseguir-se identificar as boas ondas”, garante. Ainda assim, classifica a sua prestação no campeonato como “bastante positiva”. Micaela Costa (Estagiária)

Gastão Entrudo em 2º lugar no campeonato de bodyboard em Sintra


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Aniversário do Grupo Desportivo de Sesimbra Augusto Pólvora: Projecto menos ambicioso para o estádio do GDS Depois de destacar que os 66 anos de vida do GDS se caracterizam por “muito trabalho em prol do Desporto, anos em que a população jovem encontrou um espaço onde puderam praticar desporto”, anunciou que o apoio da Câmara se manterá, “embora com valores mais reduzidos do que no passado, quando em vários outros municípios houve um corte radical.” Referindo-se à recente crise directiva do GDS, agradeceu àqueles que assumiram o desafio, e a Sebastião Patrício pela coragem de novamente encabeçar uma lista renovada. Reconhecendo que a renovação do Estádio Vila Amália, já não se deverá concretizar nos moldes previstos, devido a incapacidade da empresa – “Não vale a pena tentar tapar o sol com a peneira” – anunciou que a Câmara irá em breve accionar a cláusula de reversão, e que o projecto poderá avançar num modelo diferente, mais modesto, em colaboração com a empresa Pingo Doce, que tinha previsto construir ali uma zona comercial, interesse que se mantém, e ao qual se poderá juntar uma comparticipação financeira da Câmara.

O Grupo Desportivo de Sesimbra assinalou os 66 anos da sua existência com uma sessão solene repleta de mensagens para o exterior, da parte do seu presidente. Destacando o facto do GDS ser o clube “com maior presença”, que nos domínios da formação, como em numerosas modalidades e em património desportivo, Sebastião Patrício apontou o dedo “Àqueles que pela calada da noite conseguem, de uma forma ou de outra, denegrir aquilo que o Sesimbra tem feito”. Assumindo críticas que existem “à construção do complexo desportivo, piscina e sala de desporto”, respondeu dizendo entender “que é uma obra necessária para o Clube e para o Concelho”, destacando as vertentes da natação, voleibol e badmiton. Uma crítica directa foi feita pelo presidente do GDS ao Governo, relativamente à questão dos painéis solares, onde “o GDS cumpriu a sua parte, mas o Estado não”. De facto, depois de estar garantido um apoio estatal de 90 mil euros, que levou o GDS a contrair um empréstimo 120 mil euros, a CCDR retirou a comparticipação já assegurada; ultimamente, a CCDR quis atribuir a “modica” quantia de 30 mil euros, mas Sebastião Patrício disse que o Clube não poderia aceitar essa redução. E acrescentou que todos deviam estar atentos para que, em breve, “caiam do céu candidaturas“ para outras instituições do concelho. Referindo ser o GDS “a colectividade do Concelho que mais se tem ressentido da grave crise social”, acrescentou que o clube é “uma média empresa, que tem 18 pessoas que

vivem exclusivamente do seu salário”, e entre as iniciativas em preparação, destacou o lançamento de um cartão de desconto directo da BP para apoio aos sócios, e também para acréscimo das receitas do clube. Entre os homenageados referidos por Sebastião Patrício, destacam-se António Piedade (“na altura de passagem de testemunho, reconhecimento no clube pelo valioso trabalho como coordenador técnico do Voleibol”), Tiago Pinto (campeão regional de Badminton), Gonçalo Silva, vice-campeão regional de Badminton), Francisco Sénica (pela sua participação na selecção distrital de sub-14 de futebol de 11), Rodrigo Marques (jovem atleta de iniciados que participa na selecção distrital), e a equipa de futebol de praia. Foi dado um destaque especial Eduardo Marques, “Ginja”, atleta exemplar que terminou a sua carreira no hóquei em patins. O Presidente destacou ainda Luís Sénica, que aceitou ser vicepresidente da Assembleia-Geral, exemplo ao colaborar, ajudar e engrandecer o GDS. Referindose também à entrevista com Luis Sénica, incluída na nossa última edição, Sebastião Patrício disse que a mesma “devia ser lida com extrema atenção”.

Como grande novidade, foi anunciado que a selecção nacional Suíça de hóquei em patins virá a Sesimbra estagiar, e participará, no dia 18 de Setembro, na apresentação da equipa de Hóquei do GDS.

G. D. Alfarim ameaça cortar relações com o G. D. Sesimbra O Grupo Desportivo de Alfarim enviou uma carta com pedidos de esclarecimento à Direcção Grupo Desportivo de Sesimbra, a propósito de declarações de Sebastião Patrício, presidente da Direcção do G.D.S., na sessão de aniversário que teve lugar no passado dia 10 de Agosto, e que o Alfarim considerou desrespeitosas e ofensivas, ameaçando “suspender quaisquer relações com o G.D.S. enquanto Sebastião Patrício se mantiver como Presidente”. Concretamente, o Alfarim questiona a direcção do G.D.S. sobre se tem posição idêntica à do respectivo Presidente. Não são referidas quais as razões concretas que podem ter levado o Alfarim a sentir-se atingido, embora na referida sessão Sebastião Patrício tenha lançado várias críticas de modo genérico, que só eventualmente os visados teriam entendido. Uma dessas críticas referia-se a contratações de jogadores, e outra à atribuição de subsídios públicos. No primeiro caso, e referindose à constituição de equipas para a próxima época, o presidente do G.D.S. afirmou: “Não nos aprovei-

taremos das fraquezas das colectividades amigas, daquelas que são as verdadeiras amigas, para atitudes menos claras”, dando a entender que alguém o teria feito ao Sesimbra. No segundo caso, e depois de ter criticado o Estado por ter retirado ao G.D.S. uma comparticipação de 90 mil euros, depois de já lhe ter sido atribuída, Sebastião Patrício referiu-se genericamente a “outras instituições do concelho” para as quais “caiem do céu candidaturas feitas”, acrescentando que “nos próximos meses o concelho poderá estar atento a algumas que vão ser atribuídas.” Na mesma sessão, e também sem referir quaisquer clubes em particular, Augusto Pólvora, presidente da Câmara de Sesimbra, salientou o apoio que tem dado ao G.D.S. em candidaturas, “tal como apoiamos os outros clubes”, e acrescentou que a freguesia do Castelo, “como freguesia rural, tem possibilidades de apoios que Sesimbra não tem - não temos que encarar isso como estando a apoiar uns e outros não”.


O SESIMBRENSE | 1 DE SETEMBRO DE 2013

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Aniversário No passado dia 26 de Julho o nosso jornal assinalou o seu 26º aniversário com um jantar, que teve lugar no restaurante Capítulo, no edifício do Clube Naval de Sesimbra. Presentes, muitos amigos e colaboradores do jornal, incluindo Augusto Pólvora, presidente da Câmara de Sesimbra, e Maria Eugénia Braz, acompanhada da sua filha Geny Braz, respectivamente filha e neta do fundador do jornal, Abel Gomes Pólvora. Entre os presentes contavam-se os nossos colaboradores regulares, Pedro Filipe e David Sequerra, este último também na qualidade de ex-Director d’O Sesimbrense e seu colaborador desde 1947, que na ocasião leu uma curiosa evocação da época de fundação do jornal, que reproduzimos mais à frente. Na parte mais solene – mas não muito – deste convívio, o presidente da Liga, Joaquim Diogo, agradeceu a toda a equipa que faz o jornal. O Director do jornal, retribuiu tais agradecimentos com um justo elogio a Joaquim Diogo, quer pela dedicação à Liga e jornal, quer pela isenção que assegura à sua Redacção, fazendo ainda uma evocação, necessariamente breve, da vasta obra política e social de Abel

O SESIMBRENSE Gomes Pólvora. O Presidente da Câmara reconheceu igualmente o papel relevante d’O Sesimbrense no panorama informativo local. Poupamos, no entanto, os nossos leitores às minudências dos referidos discursos, para dar espaço ao já referido texto evocativo de David Sequerra – scribendi recte sapere est et principium et fons.

“Naquele tempo” Recuamos até Julho de 1926 quando foi lançada a edição inicial de “O Sesimbrense” sob o impulso do eng.º Pólvora e dos seus pares. Naquele tempo as Comunicações centravam-se, essencialmente, na Imprensa (com a de índole Regional em destaque) e também nos primórdios do Rádio, uma super novidade da época; Naquele tempo as Armações de Pesca, ao modelo valenciano, estariam no auge da sua faina, ocupando largas centenas de pexitos, distribuídos por companhas de sugestivos nomes que apetece relembrar: Agulha, Cova, Remexida, Burgau, Cozinhadouro, Pai Bernardo, Varanda e também Mijona, sabe-se lá porquê… Naquele tempo os despiques futebolísticos entre Vitória e União ditavam piquete de reforço no Centro de Saúde por mór de muita “batatada” com cabeças partidas e consumo de muito

mercúrio-cromo; Naquele tempo trincavam-se os saborosos malacuecos artesanais em vez de pastilhas elásticas e ajudavam-se as digestões ou sedes de verão com os típicos pirolitos do Pascoal, de translúcidas bolinhas a fazer de rolhas e a empurrar por dedos bem espetados antes de serem saboreados, a troco de 20 centavos; Naquele tempo os percursos rodoviários chamavam-se “carreiras”, o João Mota rebuscava informações sobre um tal “animatógrafo” e não era de boa etiqueta falar-se de selectos, cambalhotas e idas ao petróleo, de picantes

significados locais; Naquele tempo eram pouquíssimas as pessoas que sabiam o que era uma tróica – um grande trenó russo puxado por três cavalos sem a mínima influência no nosso recatado Portugal; Naquele tempo, enfim – e já vai sendo tempo de acabar… – Sesimbra orgulhava-se do seu ADN, misto de fervor regionalista, dignidade de trabalho e riqueza de tradições, atributos que têm norteado a vida e obra de “O Sesimbrense”, 87 anos decorridos. David Sequerra

O sesimbrense - Edição 1177 - Agosto 2013  
O sesimbrense - Edição 1177 - Agosto 2013  
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