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CORREIO Salvador, domingo, 12 de janeiro 2014

24h*

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PESSIMISMO

Mais brasileiros estão pessimistas com o ano de 2014, diz pesquisa Ibope >> pág. 13 FOTOS DE ALMIRO LOPES

Devotos e baianas nas escadarias da Igreja de Santo Amaro de Ipitanga, padroeiro de Lauro de Freitas

LAURO DE FREITAS FESTEJA

O PADROEIRO

Tradição e irreverência marcaram o cortejo em homenagem ao padroeiro de Lauro de Freitas, o Santo Amaro de Ipitanga, realizado no fim da manhã de ontem. Animados, os devotos saíram do final de linha de ônibus da cidade e seguiram em desfile até a Praça da Matriz, onde as baianas realizaram a lavagem das escadarias da igreja batizada com o nome do santo. O cortejo era formado por diversas alas, cada uma representando parte da cultura do município: grupos de fanfarras, capoeira, dança infantojuvenil, um trio elétrico e as tradicionais baianas. “Desfilo há mais de 20 anos nessa festa maravilhosa”, conta a dona de casa Zenilda Silva, 60 anos, “O percurso é difícil, mas Santo Amaro de Ipitanga sempre me dá forças para continuar”, afirma. Vander Santos, 50 anos, que trabalha em uma ONG que oferece apoio a soropositivos, desfilou numa cadeira de rodas motorizada. Ele ficou paraplégico em 2010, após ser atingido por um tiro na coluna, e, no ano seguinte, passou a engros-

sar o cortejo. “Não sou devoto, mas venho prestigiar. Tenho a cabeça aberta, e faz bem participar de eventos culturais”, diz. Quem também não era devoto, mas compareceu ao evento foi o prefeito de Lauro de Freitas, Márcio Paiva. “Hoje, vim pedir proteção ao santo. A violência na cidade tem crescido, por causa do tráfico de drogas, e quero pedir para ele iluminar nosso caminho”. O secretário de Cultura da cidade, Alexandre Marques, empossado há pouco mais de uma semana, também esteve no cortejo organizado pela sua pasta. “É uma das grandes festas da cidade, para o santo que é nosso padroeiro há 406 anos”, declara. Outro ilustre funcionário da prefeitura de Lauro de Freitas também passou por lá: Jailton Batista, 49, que é auxiliar administrativo e sósia de Bell Marques nas horas vagas. “Faço parte desse festejo desde que a cidade não tinha nem luz, nem água”, brinca. Figura carimbada em eventos culturais da Bahia, Jailton garante que participa

do evento por fé: “Sou chicleteiro, torcedor do Bahia, e devoto de todos os santos. Afinal, em terra de todos os santos, eu não posso escolher só um, né?”. E até para quem tinha fé, o calor foi um desafio. Sob sol a pino de 30° C, muitos resolveram se refrescar de um jeito diferente. “A cerveja é o combustível da baiana”, brinca Carla Santos, 35 anos. Em posse de sua caneca cheia e do vaso com água de cheiro, ela caminhou em homenagem ao santo e reclamou do calor: “Está muito quente, e nós usamos muita roupa. Eu mesmo estou aqui, debaixo de sol, com duas anáguas!”. O cortejo seguiu até a Praça Matriz, embalado por versões de hits de axé e até Piradinha, de Gabriel Valim, em versões de instrumentos de sopro. E quem acompanhou o grupo, aprovou e se divertiu. “É uma felicidade participar. A dor, de andar tanto, a gente só vai sentir mesmo no dia seguinte”, diz a aposentada Marlene dos Santos, 62, que também desfilou como baiana. RENATO OSELAME

Garoto em cortejo que também teve muita música

Para refrescar o calor, até água de cheiro serve


Lavagem de Lauro de Freitas - Jornal Correio da Bahia