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8 Bazar* Correio

Domingo, 5/Janeiro/2014

IWAN BAAN/DIVULGAÇÃO

O Rijksmuseum às margens de um dos 165 canais de Amsterdã: joias de uma capital mundialmente reconhecida por sua cultura e beleza singular

TURISMO

PRAZERES PERMITIDOS

Em seus belos canais, Amsterdã transita por um mundo fascinante de pecado e história

RENATO OSELAME

Renato Oselame Nenhuma viagem a Amsterdã é livre de riscos. E o mais premente deles é o de se apaixonar pela Veneza do norte. Assim ficou conhecida a metrópole holandesa, que possui 165 belíssimos canais, mas faz questão de se distanciar de sua romântica irmã italiana. A ovelha negra da família é um convite à aventura e ao pecado. Sob a luz vermelha do De Wallen, bairro mundialmente conhecido como o distrito da luz vermelha, o amor está à venda. Pelas vitrines, garotas de programa brincam com os turistas para atrair clientes todos os dias. Clubes noturnos oferecem shows de sexo ao vivo e até alguns plus para os mais afoitos. O local é centro de prostituição desde 1413. Hoje, a indústria é legalizada e conta com cerca de oito mil trabalhadores, que geram mais de R$ 2 bilhões por ano. E pagam impostos. Mas nem tudo é permitido em Amsterdã. Ao contrário do que reza a lenda, o consumo de maconha na Holanda não é liberado pelo governo. A utilização da droga, caracterizada como leve, só é tolerada em condições estritas. Isto é, está acessível apenas a maiores de 18 anos e só nos coffee shops, cafés credenciados para a venda de produtos com a cannabis. Ao todo, são 198, e a maioria no centro da cidade em prédios históricos e incríveis.

Tudo isso para combater o tráfico de drogas e coibir a violência. O projeto tem êxito, mas não é incomum encontrar imigrantes oferecendo cocaína e ecstasy pela rua. Ainda assim, o policiamento é ostensivo. Segurança, aliás, é um dos pontos fortes da cidade, o que permite um modo de vida bastante diverso do que temos na Bahia. Para curtir Amsterdã, nada de carro e táxi: as bicicletas reinam sobre o asfalto. A prefeitura estima que sejam em torno de 881 mil, contra 263 mil automóveis. O passeio pelo centro histórico, além de seguro e organizado, é um prazer. Mas conhecer Amsterdã não se restringe a uma pedalada por meia dúzia de clichês. Para além das promessas de transgressão, há espaço para uma cultura pulsante, que impressiona. Basta lembrar que artistas como Van Gogh e Rembrandt produziram obras memoráveis por lá. Já outros viajaram pelo mundo e retornaram com obras-primas. Muito do que foi produzido por eles hoje é preservado nos 51 museus da cidade, dos quais o Rijksmuseum é o Rei Sol. Esta verdadeira joia da coroa holandesa passou por uma reforma que durou uma década e custou mais de R$ 1 bilhão. Hoje, está impecável em sua coleção de mais de oito mil peças: são quadros, esculturas, móveis, ilustrações, etc, que promovem uma viagem por oito séculos de história. Imperdível.

Pouco conhecido, o museu do sexo possui acervo que retrata o perfil da cidade JANNES LINDERS/DIVULGAÇÃO

Após reforma bilionária, o Rijksmuseum reabriu este ano e está incrível


Domingo, 5/Janeiro/2014

Bazar* Correio 9

CRIS TOALA OLIVARES/DIVULGAÇÃO

Holanda a 40ºC Quando a luz vermelha reflete na superfície dos canais, a noite em Amsterdã ferve. Moradores e turistas saem às ruas em busca de diversão, que é fácil de encontrar nos mais de 1,5 mil bares e coffee shops. Caminhar pela Warmoesstraat, uma das ruas mais antigas da cidade, é uma verdadeira experiência sensorial. O cheiro da maconha exala dos cafés para a rua, junto com o do couro dos sex shops e o aroma das batatas-fritas (um fast-food pós-balada servido com diversos molhos). Restaurantes, bares e boates se aglomeram no andar térreo dos prédios do século XVII. No distrito da luz vermelha, há espaço

para todos os fetiches e bolsos. Perto da Oude Kerk, igreja que ironicamente se localiza no centro de prostituição, homens se aglomeram nas vitrines e tentam negociar um preço mais acessível com as garotas de programa. Um processo em público que, às vezes, demora. Mas não há constrangimento em Amsterdã, nem pudor. De dia, a opção cultural mais quente é o Venustempel, o museu do sexo. Pinturas, ilustrações e até bonecos móveis revisitam séculos de história. Muitos são surpreendentes, seja pela unicidade ou pela interação com visitantes. O passeio é em um labirinto, já que em Amsterdã a ideia é se perder. RENATO OSELAME

Esconderijo onde Anne Frank viveu é uma das principais atrações históricas da capital

Marcas de um passado recente Amsterdã escreve história por ser uma das cidades mais liberais do mundo, mas tem suas próprias tragédias em um passado não tão distante. Uma das mais tristes foi protagonizada pela jovem alemã Anne Frank, que durante mais de dois anos foi forçada a viver em um pequeno anexo secreto para escapar da ocupação nazista. Lá, ela manteve um diário que depois originaria um livro. Um relato comovente do início de sua adolescência na Segunda Guerra Mundial. Hoje, mais de um milhão de visitantes vão, anualmente, ao Anexo Secreto, para conhecer e honrar a história da

garota. O espaço oferece um programa de 30 minutos, onde visitantes podem tirar dúvidas e até ver objetos da época, como a estrela de Davi que os judeus eram forçados a usar. Parte do nosso passado também marca presença nos Países Baixos. No Rijksmuseum, o Brasil ganhou uma seção especial, para as obras de Frans Post, que visitou Pernambuco no século XVII, durante a ocupação holandesa. No museu, é possível contemplar obras-primas como Ruínas da Sé de Olinda (1662), que retratam paisagens de uma colônia influenciada pela ocupação holandesa.

Manequim no Venustempel retrata as bonequinhas de luxo das vitrines da cidade RENATO OSELAME

RENATO OSELAME

Para degustar Pertinho do Rijksmuseum fica a House of Bols, tradicional casa de bebidas da Holanda. É o melhor lugar para provar o genever, o licor nacional, que é feito a partir da cevada, centeio e milho. Em uma viagem glaumorosa e sensorial, os visitantes são estimulados a conhecer os ingredientes, sentir o aroma de cada um dos sabores da marca e descobrir suas preferências pessoais. A partir dessa aventura, é possível escolher um dos drinques oferecidos pela casa para saborear, além de dois licores, tudo de cortesia. Para quem não é fã de destilados, a opção é a Heineken Experience, atração que oferece um passeio dinâmico pela história da marca. Dentro da primeira cervejaria, os turistas exploram as etapas de fabricação e aprendem a degustar a bebida com o devido requinte. O que também não se pode deixar de provar na gastronomia local, além das panquecas no café, são os variados tipos de queijos. Existem lojas especializadas no produto e que oferecem provas grátis, acompanhadas de mostardas. Além de maravilhosos, são uma ótima opção de souvernirs. Tudo para levar um gostinho de Amsterdã para casa.

House of Bols: experiência multissensorial no mundo dos licores RENATO OSELAME

Queijos holandeses: o souvenir ideal

Primeira fábrica da Heineken virou atração turística


Prazeres Permitidos (Amsterdã) - Jornal Correio da Bahia