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16 DE DEZEMBRO DE 2011 SEXTA-FEIRA WWW.DIARIOLEIRIA.PT

OPINIÃO

O povo tem o que merece EU VI

JOSÉ LOURENÇO FARIA I Aposentado da Força Aérea I

JUNTO ÀS COMPORTAS do Lis, na direcção norte do estádio, há uns meses atrás, deparei com uma carroça antiga, abandonada e rotulada, com cartazes alusivos à situação político/económica nacional. - A que propósito aparece aqui este "monumento"? E, so-

bretudo, o que representa, pois tudo leva a crer tratar-se de chamador de atenção para qualquer coisa que, obviamente, vai mal? - interroguei-me, antes de ler o que a forrava. Contornando-a, fui tomando conhecimento das mensagens que o autor transmitia, com letras garrafais. - Fartos de farpas mordazes, mais do que justificadas e repletas de mensagens oportunas e lamentosas, estamos nós. No entanto, estas são mais do que actuais, certeiras, intencionadas e manifestadoras da lástima que grassa, na nossa sociedade! - ouvi. Concordei. Ou melhor ia con-

cordando, à medida que lia as linhas dos diversos cartazes, porque não subscreveria todos os reparos. Embora concordando, achava alguns demasiado exagerados e mais do que lembrados pela comunicação social e pelos políticos, nos confrontos entre si. Sim, porque há políticos públicos e privados. Ou seja, os que falam sobre e para todos, e os que o fazem só para os seus pares, mesmo de posições contrárias! Tanta graça (a dar mais para chorar, do que para rir!) achei aos conceitos expressos, que me propus fotografar os dizeres, para convenientes e futuros comentários. Mas porque, infeliz-

mente e nesta altura, seria malhar em ferro frio estar debruçar-me sobre tudo o que li, entendi dar relevo à frase mais lapidar, com que terminava o "discurso" empapelado: "O povo tem o que merece!" - Realmente, o povo tem o que merece. Mas eu faço parte desse povo e não fiz nada para me ver metido no lodaçal, em que estamos atolados! - insurgi-me, pontualmente. Mas e, na qualidade de povo em que me incluo (não há necessidade de te repetires, burro!), não posso nem devo enjeitar a minha quota-parte de responsabilidades de inconsciência, nas pala-

vras e nas acções com que possa ter contribuído para aumentar esse "esterqueiro". Pondo a mão na minha consciência, que não abdica de me alertar para os inconvenientes, tenho de reconhecer que, estupidamente, escolho, voto, aceito, correspondo, vou votando e vou suportando as asneiras de quem preferi e em quem depositei a minha confiança. E, não menos significativos são, ainda, outros exemplos de imprudência como: excessiva confiança, ligeireza de atitudes, conformismo com as realidades, comodismo nas reacções, adesão aos disparates, etc., com que venho contribuindo para o desregramento despesista nacional. Contraindo dívidas que não podia pagar, esperando o ovo no cu da galinha sem avaliar até

quando ela poria, excedendo as conveniências despesistas só para me equiparar aos outros, comendo, bebendo, cantando, bailando, passeando e não produzindo o suficiente para as futuras contingências, só posso aspirar a gemer e chorar, agora e no futuro. - Onde anda o burro que puxou a carroça? - interrogava-me. E como ninguém me respondia, tive de concluir que andava a pastar, algures, esquecido do que o rodeava e esperava. Como me senti de quatro, naquela altura! É que o burro é o povo. Logo, com ou sem arreios, viame a fazer figura de asno, a puxar aquela significativa manifestação de revolta, pelo estado a que chegamos, nacional e internacionalmente.l

Mas, afinal, a explicação é muito óbvia: nos primórdios da História da imagem fotográfica, nos finais do século XIX, a lentidão do mecanismo fotográfico levava a que muitos daqueles que posavam em frente à máquina quase perdessem a paciência tal era o tempo que demorava até acontecer o disparo. Para manter as pessoas entretidas durante a espera, nada como arranjar uma gaiola com um pássaro para entreter os mais impacientes e chamar a atenção com o célebre "Olha o Passarinho!". Vem isto a propósito de Leiria poder ter actualmente acesso aos grandes nomes da fotografia internacional. Trata-se da exposição 'Fotógrafos Inter-

nacionais na Colecção Privada de João Carlos Pereira' que pode ser visitada no Mimo Museu da Imagem em Movimento. Graças a este coleccionador e à iniciativa do Museu, os visitantes poderão conhecer, por quase metade do preço de um jornal semanário alguns dos responsáveis pela transformação da fotografia contemporânea: como os portugueses Gerard Castello Lopes e Paulo Nozolino, ou os estrangeiros Alexander Rodshenko, Gilbert and George, Nan Goldin ou Cindy Scherman. E o leitor neste momento pergunta: mas quem são esses? E são especiais porquê? Será que também utilizam a gaiola do pássaro ao lado para atrair a atenção? Não fotografam as-

sim, e na verdade não vale a pena tecer elogios rasgados ou análises profundas, mas apenas chamar a atenção para as características diferentes das fotografias expostas. O homem captado de costas a caminhar na solidão, a camponesa a segurar o pão na mão com olhar expressivo, o horizonte de uma paisagem que parece desenhado, o resto desfigurado de uma mulher, ou a Barby e o Ken retratados como se fossem suporte de um anúncio publicitário. Uma perspectiva, o cenário, a utilização da luz, várias são as formas de criar, por isso quando olhamos para estas obras percebemos o que as torna única, como se nos dissessem "Olha o passarinho!". l

O FORASTEIRO DO LIZ

"Olha o passarinho"

I ÓSCAR ENRECH CASALEIRO I Mestrado em Museologia/ Formador em Marketing Cultural

DESDE PEQUENO que me lembro de ouvir a expressão "Olha o Passarinho!" no momento em que era disparado o 'clic' do instantâneo que registava para a posteridade a fotografia, e nas memórias mais longínquas esperava mesmo que a qualquer momento surgisse uma ave a esvoaçar por cima do fotógrafo. Mas claro que isso nunca aconteceu. Nem sequer com os periquitos azuis que tinha em casa.

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