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ESTUDOS EM ORTODONTIA

C E N T R O

Biomecânica Arco de intrusão

Aspectos Biomecânicos do arco de intrusão Cinco fatores biomecânicos são importantes para entender o uso do arco de intrusão: 1. Magnitude de força 2. Momentos 3. Ponto de aplicação da força; 4. Forças verticais 5. Constância de força.

D E O R T O D O N T I A

Vista lateral com segmentos anterior e posterior e um arco de intrusão colocado no tubo auxiliar de molar. A parte anterior do fio está no fundo de vestíbulo devido a dobra feita anterior ao tubo do molar.

Arco de intrusão no estado ativado.

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Magnitude de força Momentos Uma vez o arco de intrusão esteja ligado ele gera forças verticais e momentos. Na região posterior a tendência rotacional do fio tende a causar uma inclinação distal da coroa do molar e a raiz vir para frente. A quantia do momento gerado ao nível do molar é diretamente proporcional a quantia da força de intrusão

O sistema de força liberado pelo arco de intrusão ligado ao segmento anterior e dobrado na distal do molar.

O sistema de força gerado quando do uso de casquete para contrapor efeitos colaterais.

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A quantidade de momento gerado na área do incisivo depende da inclinação axial dos incisivos. Se um incisivo é muito verticalizado, a força vertical é somente ligeiramente anterior ao centro de resistência, um insignificante momento é gerado. Isto pode ser facilmente controlado dobrando o fio apretadamente distal ao tubo do molar.

Ponto de aplicação da força

A relação e efeito da aplicação do arco de intrusão sobre os incisivos. A distância anterior entre o ponto de ligação e centro de resistência dos incisivos.

Forças verticais Uma força extrusiva de 40 a 60g é facilmente controlada por forças oclusais Uma razão para não incluir os caninos no arco é porque eles adicionam 50 g de força extrusiva e proporcionalmente maior momento no segmento posterior.

Constância de força Um aparelho ideal deveria liberar uma força leve por um período de tempo com mínima força. Este objetivo como o raco deintrusão é realixado usando-se fios de memória, como TMA. A força intrusiva de 50 a 60 g com o fio não posicionado. A cada visita perde-se 10g de força intrusiva com aproximadamente 1mm de intrusão. Recomenda-se que o arco seja ativado a cada 2mm de intrusão.

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O tratamento da mordida profunda envolve quatro estratégias, dependendo das características faciais do paciente: extrusão de dentes posteriores, vestibularização de dentes anteriores, intrusão de incisivos e a opção cirúrgica. (Nanda,1997). Almeida, 2006 acrescenta a estas alternativas a opção de distalizar os dentes posteriores. Mesmo tendo sido demonstrado que o segmento posterior com a erupção dos molares, tanto superior quanto inferior, produzem o mais importante aumento na sobremordida (SCHUDDY, 1968), nem todos os pacientes com mordida profunda podem ser tratados com extrusão de dentes posteriores (Burstone, 1977, Nanda, 1997) para melhorar a dimensão vertical. Em relação a isso, Claro (2010) demonstrou que não há correlação estatística entre overbite e padrão de crescimento craniofacial ao analisar teleradiografias, através de medidas de Ricketts e Jarabak e que não se pode correlacionar overbite mais pronunciado com padrão braquiafacil e nem a mordida aberta a padrões dolicofaciais. Decidir pela intrusão exige avaliar alguns fatores como plano oclusal, inclinação axial e alinhamento de dentes posteriores, relações estéticas do lábio superior com incisivos, quantidade de gengiva inserida nos incisivos inferiores, discrepânica A-Bl, a quantidade de crescimento mandibular previsto e a dimensão vertical desejada ao final do tratamento (BURSTONE, 1977). Para Nanda,1997 no plano de tratamento da mordida profunda deve-se considerar os seguintes fatores: tecido mole, como espaço interlabial, linha de sorriso, distância do incisivo ao estômio, comprimento e tonicidade labial; considerações funcionais, esqueléticas, dentárias e a estabilidade. A mecânica básica para intrusão consiste em três partes: (1) uma unidade de ancoragem posterior, (2) um segmento posterior e (3) um arco intrusivo. A mecânica de intrusão requer uma força intrusiva pura conseguida através de magnitudes de forças constantes, seleção do ponto de aplicação da força, arco amarrado em um ou dois pontos na região anterior, intrusão seletiva(primeiro incisivos depois caninos, controle das unidades reativas e arcos que liberem força relativamente constante, cuja característica importante é a baixa razão de carga-deflexão. (Burstone,1977).

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ESTUDOS EM ORTODONTIA O arco de intrusão de Burstone não é colocado diretamente dentro dos bráquetes dos incisivos. Ao invés disso, ele é amarrado em dois pontos na região anterior. A razão principal é para evitar que gere torque anterior. Torque vestibular de raiz quando inserido aumentam as forças sobre os dentes, adição desta força não é necessária e pode produzir perda de ancoragem dos dentes posteriores. Por outro lado, se torque (Burstone,1977) O fio de TMA de 0,017X 0,025 é proposto na confecção do arco de intrusão de Burstone. O fio de TMA é preferível ao fio de aço por ser um fio de memória e com baixa proporção carga/deflexão (flexíveis) que favorecem a liberação de força constante e com mínima diminuição em sua magnitude e nos momentos que gera no sistema conforme ocorre sua desativação (Pinto, 2004), (Burstone, 1977). O fio elgiloy tem força intrusiva maior que o arco utilidade de TMA e este tem força intrusiva maior que TMA Burstone com helicóide, o qual devido a esta configuração que aumenta o comprimento do fio por não ser ligado totalmente ao segmento anterior exerce mínimas forças intrusivas. (Sifakakis, 2010). A magnitude da força intrusiva aplicada sobre os quatros incisivos superiores foi inicialmente sugerida ser em torno de 1N, sendo que o arco de intrusão de TMA exerce forças dentro deste patamar (Burstone,1997). A respeito dos incisivos inferiores há uma entendimento entre os autores de que a força deve permanecer

metade dos incisivos superiores. (Sifakakis,

2010). Van Steenbergen et al., (2005a) em estudo clínico demonstrou que 0,4N de força poderia intruir os quatros incisivos superiores. Pinto, 2004 relaciona o volume radicular com a quantidade de força. Então, preconiza-se uma força para a intrusão de incisivos em média de 15 a 25 gramas por dente, dependendo do seu volume radicular. Assim, dentes com raízes volumosas e longas necessitam de aproximadamente 25 gramas de força e dentes com raízes finas e curtas necessitam de forças menores, por volta de 15 gramas. O arco CIA® possui uma dobra em “V” pré-calibrada na região posterior para obter níveis de força ótima (leve e contínua) em torno de 35 a 45g nos dentes anteriores. De acordo com Nanda et al,1997, espera-se 1mm de intrusão gerada pelo CIA® a cada 4 ou 6 semanas. O ponto de aplicação da força do arco de intrusão deve passar através do centro de resistência e produzirá intrusão sem movimentos de vestibularização ou rotação lingual, ou seja intrusão pura. Quando se deseja

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ESTUDOS EM ORTODONTIA intrusão com vestibularização, o arco é colocado na linha média. Isto produz vestibularização da coroa e movimento distal da raiz (Burstone, 1977). O arco seria amarrado através de amarrilhos na distal dos incisivos laterais para intrusão pura e com inclinação seria amarrado na linha média. O arco de três peças possui uma extensão distal aos dentes anteriores, ficando o ponto de aplicação da força atrás do centro de resistência, tendo como efeito além da intrusão, uma inclinação distal dos dentes anteriores. Shroff et al (1995), Shroff et al (1997). Pode-se ainda utilizar o arco de intrusão como um sobrearco, para isso há necessidade de arco estabilizador. A adaptação do sobrearco é realizada nos tubos acessórios dos molares superiores ou inferiores, onde se confecciona um loop (stop) que facilita a sua ativação e aumenta a flexibilidade do fio. O sobrearco deve ficar justaposto ao arco estabilizador quando ativado e amarrado para não causar a protrusão dos incisivos. (Nanda, 1998), (Almeida et al, 2004). Nesse sentido, quando os incisivos se encontrarem bem posicionados ou levemente verticalizados, opta-se pela aplicação da força na linha média o que provocará, durante a intrusão, a vestibularização destes dentes. Por outro lado, em casos que os incisivos se apresentarem protruídos previamente à intrusão, deve-se amarrar o sobrearco distal aos incisivos laterais, minimizando a protrusão destes dentes, visto que a força passará atrás do centro de resistência (Almeida et al, 2004). O arco CIA® é fabricado a partir de uma liga de titânio de níquel para oferecer as vantagens de memória de forma, springback, e distribuição de força leve e contínua. Ele incorpora as características do arco utilidade, bem como dos arco de intrusão convencionais. A CIA é pré-formadocom as curvas apropriadas e

usar.

Dois

necessárias tamanhos

de

para fio

estão

a

fácil

disponíveis:

inserção

0.016x0.022

e

0.017x0.025.As versões maxilare e mandibular têm diferentes dimensões anterior(por exemplo, 34 mm e 28mm, respectivamente). O bypass, localizado distal dos incisivos laterais,é para acomodar em casos de extração dentária,sem extração,e mistos.O mecanismo básicos para liberar a força é uma dobra pré-calibrada para fornecer cerca de 40-60g de força. (Amasyali et al, 2005), Nanda et al (1998), Almeida et al (2006.

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ESTUDOS EM ORTODONTIA O arco base de três peças é usado para intruir o segmento anterior. O fio de aço segmentado (0.018” x 0.025” ou mais espesso), com extensões distais além do centro de resistência dos dentes anteriores, é colocado passivamente nos braquetes anteriores. As extensões distais terminam de 2 a 3 mm distalmente ao centro de resistência do segmento anterior. A força intrusiva é aplicada com um “cantilever” TMA de 0.017”x 0.025”. Shroff et al (1995), Shroff et al (1997). Uma força intrusiva, sendo perpendicular à extensão distal do segmento anterior e aplicada através do centro de resistência dos dentes anteriores, intrui os incisivos. É possível alterar a direção do sistema de força intrusiva pela aplicação de uma força distal suave. A linha de ação da força resultante será lingual ao centro de resistência, ocorrendo uma combinação de intrusão e inclinação distal dos dentes anteriores. O sistema de força resultante é uma força intrusiva anterior e uma força extrusiva posterior associada a um momento de inclinação distal. Shroff et al (1995 Quanto ao efeito na unidade reativa O efeito na unidade posterior induzida pelo arco de intrusão é a inclinação distal dos 1os molares, além de extrusão dos mesmos. Uma técnica mais efetiva na estabilização seria o uso simultâneo de barra transpalatina e arco extra-bucal (Bulcke e Dermaut, 1990).

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Apostila de arco de intrusão  

ortodontia, biomecânica