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Diretor ArtĂ­stico: Leandro Carvalho

TEM POR ADA 2007

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Apresentacao Alçando grandes vôos O ano de 2006 marcou a consolidação da Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso. O Governo do Estado, através da Secretaria de Estado de Cultura, juntamente com parceiros e apoiadores, reafirmou seu compromisso com a Orquestra, oferecendo para a sociedade uma temporada de 83 concertos gratuitos onde o melhor da arte universal dialogou permanentemente com as referências culturais de Mato Grosso. A singularidade da Orquestra, com suas violas-de-cocho, bruacas e ganzás chamou a atenção do Brasil através de matérias produzidas pelo jornal “O Globo”, de circulação nacional, e de outros veículos de comunicação como a TV Centro América, filiada da Rede Globo de Televisão, que produziu uma belíssima matéria jornalística sobre a Orquestra, veiculada em rede nacional no encerramento do “Jornal Hoje”, edição de sábado, e posteriormente em uma série de reportagens consecutivas no MTTV Primeira Edição. Esta mesma reportagem foi ao ar diversas vezes no canal Globonews para enfim circular por mais de vinte países através da TV Globo Internacional. Em 2006, a Orquestra fez sua primeira turnê internacional como convidada do VI Festival Internacional de Música Renacentista y Barroca Americana ‘Misiones de Chiquitos’, na Bolívia. Este Festival é considerado o maior e mais importante evento cultural da Bolívia e um dos mais importantes do mundo no seu

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gênero. Realizado a cada dois anos, reúne músicos, orquestras e estudiosos de mais de vinte países para uma intensa programação cultural. O trabalho da Orquestra é hoje motivo de orgulho para todos nós. Em pouco tempo de existência, já entrou para os livros de história que tratam da cultura de Mato Grosso, como é o caso do livro “Cultura de Mato Grosso”, de autoria de Roberto Loureiro, onde a Orquestra aparece como exemplo de integração cultural e desenvolvimento, no capítulo sobre a viola-de-cocho. Ficamos todos surpresos quando o poeta Ariano Suassuna em sua última visita a Cuiabá por ocasião da Literamérica 2006, reconheceu o alto nível técnico e artístico da Orquestra num depoimento emocionado. O grande escritor paraibano fez questão de assistir o concerto da Orquestra e no dia seguinte, durante sua aula-espetáculo, confessou: “Ouvir a Orquestra do Estado de Mato Grosso foi uma das maiores alegrias de minha vida!”. Este sucesso é fruto de um grande esforço coletivo que envolve dezenas de músicos, oriundos de vários países do mundo e Estados brasileiros, que se mudaram para Cuiabá para trabalhar diariamente na Orquestra. É fruto também de uma equipe de produção altamente qualificada e aguerrida, que trabalha de sol-a-sol para alcançar os melhores resultados. Em 2007, a Orquestra realizará mais de 100 concertos, nivelando-se em qualidade com as melhores e mais ativas orquestras brasileiras. O norte do grupo continuará sendo a democratização e descentralização do acesso aos bens culturais, voltando-se para diferentes segmentos da sociedade. A Orquestra continuará valorizando o músico

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profissional, oferecendo condições dignas para que ele exerça seu trabalho. A Orquestra dará um importante passo pela melhoria de sua estrutura administrativa com a criação da Organização Social da Cultura, “Orquestra do Estado de Mato Grosso”. A partir daí, a Orquestra passa a ter personalidade jurídica, com plenos poderes para firmar contratos e estabelecer parcerias. Este reposicionamento jurídico-administrativo segue o exemplo das mais importantes orquestras dentro e fora do Brasil, como é o caso da prestigiada Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, reconhecida como uma das melhores do mundo, criada há mais de 70 anos, e que recentemente transformou-se em organização social para melhor administrar suas atividades. O contrato de gestão entre a OSESP e o Governo do Estado de São Paulo foi assinado em 1 de novembro de 2005. Em 2007, finalmente a Orquestra terá sede própria. Será no histórico “Cine Teatro Cuiabá”, no centro bancário da capital, onde ensaiará diariamente e realizará concertos semanais em diversos dias e horários buscando atender diferentes públicos. Haverá continuidade das séries de concertos criadas em 2006, com os Concertos Oficiais, Concertos Didáticos, Concertos Populares e Concertos Especiais. Enfatizo novamente que, com o trabalho da Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso, esperamos dar mais um passo em direção ao nosso propósito maior de democratizar o acesso aos bens culturais. Uma semente que, com certeza, germinará em forma de educação e desenvolvimento social, trazendo para a população de Mato Grosso uma vida melhor. João Carlos Vicente Ferreira Secretário de Estado de Cultura de Mato Grosso

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Bem vindos à Temporada 2007! É com muita alegria que lançamos nossa terceira temporada de concertos. Para este ano preparamos grandes novidades que incluem a presença de maestros e solistas convidados de destaque no cenário nacional, três programas sinfônicos e homenagens a grandes mestres da música universal. A Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso de vem consolidando-se graças à repercussão e interesse que desperta na população mato-grossense. Casa cheia, grande receptividade e muito carinho funcionam como um potente combustível para os artistas da Orquestra. Lembro que em 2005, na Temporada de estréia, a Orquestra lançou pela primeira vez em Mato Grosso uma programação pré-definida de concertos, com data, hora, local e repertório a ser executado, assim como fazem as mais importantes orquestras mundo afora. Começamos a criar um novo público: por um lado, pessoas já habituadas a ouvir música de concerto que se viam desamparadas - estas passaram a freqüentar nossa programação com avidez - e por outro lado, pessoas que descobriram a beleza da música orquestral, passando também a acompanhar o grupo aonde ele se apresentasse. Conseguimos integrar, com criatividade e ousadia, a viola-de-cocho ao grupo de instrumentos “clássicos” através de novas composições,

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arranjos e adaptações. A viola-de-cocho ganhou uma nova dimensão dentro e fora da Orquestra, onde se abriram inúmeras possibilidades para seu desenvolvimento como instrumento solista. Nos Concertos Oficiais da Temporada 2007, a Orquestra interpretará o repertório mais notório da literatura camerística e sinfônica. Haverá homenagens especiais a mestres da cultura mato-grossense, como o violinista Tote Garcia, que completaria cem anos em maio de 2007, e aos mestres da música universal como o compositor Edvard Grieg, considerado o maior compositor da Noruega, que faleceu há um século. Teremos acesso a algumas preciosidades escritas por estes grandes criadores. Ainda nesta série, a Orquestra oferecerá concertos sinfônicos interpretando obras primas como a Sinfonia número 40 de Mozart e Scheherazade de Rimsky-Korsakov. Os Concertos Didáticos receberão um tratamento especial com a formação de uma equipe pedagógica totalmente dedicada ao desenvolvimento e a produção dos programas educacionais da Orquestra. Será uma oportunidade para aprofundar o trabalho com as escolas e desenvolver atividades mais duradouras em uma mesma

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instituição. Em 2007, quatro escolas serão trabalhadas por mês, totalizando 40 escolas no ano. Os Concertos Populares continuarão levando música para o interior de Mato Grosso. Em 2006, a Orquestra se apresentou em 9 cidades. Em 2007, visitará 12 cidades, no período de abril a agosto, sempre apresentando espetáculos gratuitos, em locais de fácil acesso, com um repertório interessante para o grande público. A Orquestra do Estado de Mato Grosso continua sua caminhada em 2007, ampliando o número de concertos, atingindo um número maior de pessoas e contribuindo para a construção de um Estado mais forte também na cultura e na educação. Com o “Concurso 2007” novos músicos virão à bordo para acrescentar conhecimento e experiência à jornada do grupo. Seguindo em direção à democratização do acesso aos bens culturais, esperamos continuar gozando do entusiasmo e alegria da população mato-grossense, por quem e para quem existimos e trabalhamos. Um abraço e até o próximo concerto! Leandro Carvalho Diretor Artístico e Regente Principal

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apresenta

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Concertos Oficiais

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Realização

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Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso

marco

Concertos Oficiais

23, 24 e 25 (sexta, sábado e domingo), às 20 horas Sesc Arsenal Igor Stravinsky (1882-1971) | Homenagem aos 125 anos de nascimento do compositor A História do Soldado (Suíte) -Marcha do Soldado -Ária na beira do riacho -Pastoral -Marcha real -Pequeno concerto -3 danças: tango, valsa e ragtime -Dança do Diabo -Grande coral -Marcha triunfal do Diabo Leandro Carvalho regência José Marconi clarinete Elione Medeiros fagote Fabio Cerqueira trompete Junior Dubone trombone Ruda Alves violino Carlos Eduardo Gomes contrabaixo Alex Teixeira percussão Acrísio de Medeiros narração

Mozart Camargo Guarnieri (1907-1993) | Homenagem ao centenário de nascimento do compositor

Canções Apaixonadas (arranjo: Zoltan Paulinyi) -Milagre (poesia de Olegário Mariano) -Madrigal e Madrigal muito fácil (poesia de Manoel Bandeira) -Acalanto do Amor Feliz (poesia de Rossine C. Guarnieri) -Promessa (poesia de Alice C. Guarnieri) Leandro Carvalho regência Vera Capilé voz

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Igor Stravinsky (1882-1971) Igor Fiodorvitch Stravinsky nasceu em 17 de junho de 1882 em Oraniembaum, na Rússia. Filho de um conhecido cantor da ópera imperial de São Petersburgo, jamais lhe faltaram a cultura e as artes na educação. Apesar da precoce vocação para a música, foi encaminhado para o curso de direito, onde conheceu o filho de Rimski-Korsakov, passando a estudar com esse último. No início do século XX foi convidado pelo famoso empresário Diaghilev a colaborar com sua companhia de balé. Em 1913, escandalizou a sociedade parisiense com a estréia da obra que viria a tornar-se um marco da música no século passado, o balé “A Sagração da Primavera”. Em 1939, perdeu sua mãe e sua primeira mulher, e mudou-se para os Estados Unidos. Trabalhou neste país durante mais de 30 anos. Quase 50 anos depois, Stravinsky retornou a então União Soviética, onde foi recebido carinhosamente.

A obra de Stravinsky pode ser dividida em três fase distintas: a primeira fortemente conectada à cultura popular russa e ligada às parcerias com Diaghilev; a segunda, conhecida como neoclássica, norteada pela revalorização criativa de princípios e autores da música européia do século XVIII; e a terceira, a da adesão ao serialismo weberniano. A “História do Soldado” foi escrita em 1918, na Suíça, e insere-se na primeira fase criativa do compositor. A peça é inspirada no teatro ambulante russo, concebida como uma espécie de pantomima fantástica, com narrador e orquestra no palco. Marcou a incursão de Stravinsky pelas sendas do popular. Foi concebida em parceria com o poeta Ramuz e configura-se como uma alegoria da guerra em tempos de Revolução Russa. Stravinsky morreu em Nova Iorque no dia 6 de abril de 1971.

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Camargo Guarnieri (1907-1993) O compositor Mozart Camargo Guarnieri é um dos homenageados da Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso em 2007, quando se registra o centenário de seu nascimento. Tietê, cidade paulista, é sua terra natal. A paixão de Guarnieri pela música foi herdada do pai, Miguel, amante de ópera, pianista, flautista e contrabaixista, que deu ao filho o nome de seu compositor preferido: Mozart. Mas este preferia ser chamado de Camargo Guarnieri para “não ofender o mestre”, como ele próprio justificava. Guarnieri estudou piano em São Paulo com Ernani Braga e Sá Pereira, e composição com Mário de Andrade, de quem se tornou amigo e colega no Conservatório de São Paulo. Em 1938 passou uma temporada em Paris, estudando composição com Koechlin e Nadia Boulanger. Seu talento para a música aflorou cedo e, oriundo de família humilde, ainda adolescente, começou a trabalhar como pianista oficial do Cine Teatro Recreio. Sua jornada, entretanto, era dupla: varava as madrugadas tocando em um cabaré. Era o filho mais velho e precisava ajudar no sustento da família.

A improvisação marcou a trajetória deste músico brasileiro, cujo reconhecimento internacional, só é superado por Villa-Lobos. Guarnieri, desde bem jovem, quando se sentava ao piano, passava a maior parte do tempo improvisando. Na verdade, a improvisação foi o início de seu desenvolvimento criativo e teve influência definitiva em sua música, na fluência e espontaneidade que a caracterizam. Destas improvisações, nasceu a primeira peça escrita por Guarnieri, “Sonho de Artista”. A valsa ganhou os elogios dos críticos, que ficaram surpresos ao saber que o compositor só tinha 13 anos. Em 1928, tornou-se professor de piano e acompanhamento no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo. Em seguida começou a se destacar como compositor e regente. Em 1935, a pedido de Mário de

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Andrade, o prefeito de São Paulo, Fábio Prado, criou um Departamento de Cultura com o Coral Paulistano, sob a direção de Guarnieri. Em meados de 1938, Guarnieri ganhou do governo estadual uma bolsa de estudos na Europa, tendo a oportunidade de apresentar suas canções em recitais e dirigir concertos em Paris. Seu nome começou a se projetar internacionalmente.

A obra de Camargo Guarnieri é bastante volumosa. Seus trabalhos de maior importância são a “Suíte IV Centenário” (1954), o “Choro para piano e orquestra” (1957) e a “Suíte Vila Rica” (1958), para orquestra. Camargo Guarnieri também escreveu duas óperas, e entre elas, “Pedro Malazarte” (1932), cantatas e lieder sobre textos de Mário de Andrade e outros poetas contemporâneos brasileiros. O sucesso internacional de Camargo Guarnieri veio com prêmios conferidos nos Estados Unidos ao “Concerto para violino” (1942), ao “Quarteto para cordas” n.º 2 (1944) e sobretudo às “Sinfonias n.º 1” (1944) e “n.º 2” (1948). Considerado como um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, Guarnieri faleceu no dia 13 de janeiro de 1993. Em sua trajetória não faltaram louvores e ataques, mas o compositor procurou aceitar tanto as críticas como os aplausos. “Escrevo música da mesma maneira que respiro. Para mim, compor é uma função vital, uma necessidade”, dizia.

Foi uma espécie de precursor de filosofia moderna das artes, segundo a qual, o artista deve cantar a sua aldeia em busca da linguagem universal. Disse certa vez: “Sou e quero ser um compositor nacional do meu país. Se cada ser humano tem uma responsabilidade sobre a terra, certamente a do músico será contribuir, na medida de sua capacidade, para o enriquecimento da música universal”. Pouco antes de sua morte recebeu o prêmio “Gabriela Mistral”, sob o título de “Maior Compositor das Américas”.

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Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso

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Concertos Oficiais

20, 21 e 22 (sexta, sábado e domingo), às 20 horas Sesc Arsenal Edvard Grieg (1843-1907) | Homenagem ao centenário de morte do compositor A morte de Aase (de Peer Gynt, Suite Nº 1), Op.46 Holberg Suite, Op.40 -Sarabande: Andante -Gavotte: Allegretto-Musette: un poco mosso-Gavotte -Air: Andante religioso -Rigaudon: Allegro con brio

Jean Sibelius (1865-1957) | Homenagem aos cinqüenta anos de morte do compositor Romance, Op.42

João Pernambuco (1883-1947) Estrada do Sertão (Arranjo: Ítalo Peron)

Nelson Maia Timo (1960) Coisas de lá

João de Aquino (1945) e Paulo César Pinheiro (1949) Viagem (Arranjo: Ítalo Peron) Leandro Carvalho regência Zied Coutinho voz

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Edward Grieg (1843-1907) Na França foi chamado de “Chopin do Norte” e de “Mozart da Escandinávia”, talvez um exagero, mas há fundamentos nessa comparação. Afinal, Grieg, apontado como o maior músico norueguês de todos os tempos, deixou-nos um bravo legado musical. A inclusão de composições de sua autoria no programa da Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso celebra uma justa homenagem ao centenário do falecimento deste grande artista da música universal.

Edward Hagerup Grieg nasceu em 15 de junho de 1843. De origem escocesa, era filho do cônsul honorário do Reino Unido em Bergen, cidade da Noruega. Sua mãe, excelente pianista, iniciou-o na arte musical desde os seis anos de idade. Sua primeira composição, uma variação para piano, surgiu quando tinha dez anos de idade. Em 1858 entrou para o conservatório de Leipzig, na Alemanha, onde aprimorou seus estudos. Aperfeiçoou-se em piano e composição. Ali conheceu a obra de Schumann, cujo estilo o influenciou fortemente. Em busca de uma ambiência musical compatível com suas propostas não conseguiu se estabelecer em seu país, tampouco na Dinamarca, onde se opôs ao conservadorismo e optou por continuar a obra do prematuramente desaparecido Richard Nordraak, o “proclamador da independência musical da Noruega”. Deste, disse, “revelou-me a música popular nórdica, e minha natureza”.

Em viagens pela Itália, conheceu o dramaturgo Ibsen e o compositor Liszt. Em 1867 casou-se com sua prima Nina Hagerup, notável cantora que foi, por algum tempo, intérprete de suas músicas. Como pianista, regente e compositor, Grieg empreendeu várias turnês em diversos países, obtendo extraordinário sucesso. O encanto de suas melodias, sempre em frases curtas, apoiadas numa base harmônica de especial “colorido” nórdico, fascinava os auditórios. A maioria de suas composições é composta por peças curtas para piano ou canto. Escreveu apenas um concerto e sua música sinfônica escrita para as cenas de Peer Gynt, de Ibsen, fazem sucesso em todo o mundo até os dias de hoje. O vigor poético das

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composições de Edward Grieg confere pleno reconhecimento ao artista, acentuando sua importância na história da música universal.

Jean Sibelius (1865-1957) Jean Sibelius é considerado o mais notório compositor finlandês de todos os tempos. A inserção de sua composição no programa 2007 da Orquestra de Câmara homenageia o cinqüentenário do seu falecimento. Sua trajetória e a qualidade da sua música tornaram-no um dos mais populares compositores eruditos do final do século XIX e início do século XX. Nasceu em Tavastehus, Finlândia, a oito de dezembro de 1865. Apesar de sua origem puramente finlandesa, também recebeu em sua educação influências suecas, então predominantes na Finlândia. Estudou direito, mas desde bem jovem cedeu à sua vocação musical. Seus estudos nessa arte se completaram na Alemanha e na Áustria, mas seus mestres eram conservadores e medíocres, e isso lhe permitiu conservar a sua originalidade individual e nacional. Sua genialidade musical teve importante papel na formação da identidade nacional finlandesa. Obteve sucesso com obras de tendência nacionalista e recebeu, em 1897, uma pensão vitalícia do governo finlandês. Dessa forma, passou a maior parte da vida em uma propriedade sua, próxima a Helsinque, aonde veio a falecer, a 20 de setembro de 1957.

Sibelius dedicou-se inicialmente a obras para coro e orquestra, de temática nacional, que o tornaram famoso em seu país. Composições de sua autoria como a música de cena para a peça “Kuolema” (1903), de Arvid Järnefelt, onde consta a “Valsa Triste”, uma das obras mais tocadas do compositor, assim como a “Suite Karelia” (1893) e a obra orquestral “Finlândia” (1899), são considerados os pontos

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culminantes na história da música finlandesa. A fama internacional de Sibelius baseia-se principalmente nas suas sinfonias. São obras de inspiração romântica, moldadas nos esquemas clássicos de Beethoven. Nessas composições registra-se um especial encanto exótico, expressão do espírito nacional finlandês e do seu folclore nacional. Na Finlândia, Sibelius é reconhecido como a máxima expressão artística da nação.

João Pernambuco (1883-1947) João Teixeira Guimarães, ou João Pernambuco, nasceu em Jatobá, hoje Petrolândia, no sertão pernambucano. Começou a tocar viola na infância, por influência dos cantadores e violeiros locais. Mudou-se para Recife aos 12 anos, onde passou a observar e aprender com os músicos das feiras locais. Em seguida foi para o Rio de Janeiro, onde travou contato com violonistas populares, ao mesmo tempo em que trabalhava como ferreiro. Passou a compor músicas de inspiração nordestina, baseadas em cantigas folclóricas. É o caso do hino “Luar do Sertão”, composto em 1911, seu maior sucesso, não creditado pelo parceiro letrista Catulo da Paixão Cearense, que ficou como o único autor. Os dois apresentavam-se juntos em reuniões da classe alta carioca, o que contribuiu para a aceitação do violão como instrumento também da elite, e não apenas dos malandros e sambistas perseguidos pela polícia. Com o interesse crescente pela mistura de influências urbanas e sertanejas, montou a “Troupe Sertaneja”, que excursionou pelo país. Criou os grupos “Caxangá” e “Turunas Pernambucanos”, que se apresentavam vestidos em roupas típicas e fizeram bastante sucesso nos anos 10, e dando origem ao famoso grupo “Os Oito Batutas”. Contribuiu enormemente para consolidação da linguagem violonística brasileira,

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compondo clássicos para o instrumento. Villa-Lobos afirmava que J. S. Bach não teria vergonha de assinar os estudos de João Pernambuco. Foi forte influência para várias gerações posteriores de instrumentistas e até hoje sua obra é referência para músicos que a regravam constantemente.

João de Aquino (1945) Para João de Aquino, a música surgiu de forma familiar. Seu avô era maestro de uma banda do interior do Rio de Janeiro, como se não bastasse ser primo do violonista e compositor Baden Powell, uma das personalidades mais cultuadas da música brasileira. Seu contato com essa arte, portanto, surgiu na infância. Aos dez anos teve aulas de violão com o lendário violonista Meira, exímio chorão. Sua carreira profissional nasceu com apresentações em bailes e cabarés, e acompanhando cantores como Pery Ribeiro, Leny Andrade e Dóris Monteiro. Atuou em direção musical e composição de trilhas para cinema e televisão. Sua parceria com Paulo César Pinheiro produziu raridades como “Viagem” (1964) e “Sagarana” (1970), interpretada por Maria Odete, que causou sensação no V Festival Internacional da Canção. Somente após excursionar pelo México e Europa, conquistou fama no Brasil, quando a carreira de instrumentista agregou a de produtor musical. Também coleciona parcerias notáveis com Elza Soares, Martinho da Vila, Gilson Peranzzetta e Marisa Gata Mansa. É fundador do movimento “Bando da Rua”, cuja especialidade é aliar à música carioca ao bom humor.

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PatrocĂ­nio

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Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso

maio

Concertos Oficiais

18 (sexta), às 20 horas Casa Barão de Melgaço Tote Garcia

Tote Garcia (1907-1987) Cadê Totinho e Rabello no Coxipó (Arranjo: Ítalo Peron)

José Agnello Ribeiro (1881-1936) Quilombinho (Arranjo: Ítalo Peron)

Mestre Albertino (1906-1995) No bairro do Areão, Lambari na Cuia e Paraíso (Arranjo: Ítalo Peron)

Mestre Ignácio (1892-1986) Tanque do Baú (Arranjo: Jefferson Neves)

Levino Albano Conceição (1895-1955) Partida para Mato Grosso (Arranjo: Leandro Carvalho)

Pescuma (1956) e Moisés Martins (1932) Pixé (Arranjo: Ítalo Peron)

Pescuma (1956) e Ulisses Serotini (1964) É bem Mato Grosso (Arranjo: Ítalo Peron) Leandro Carvalho regência Participação especial: Os Cinco Morenos Alma de Gato Pescuma, Henrique e Claudinho

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Tote Garcia (1907-1987) Antonio Garcia nasceu em Cáceres e veio ainda menino para Cuiabá. Tinha o chamado “ouvido absoluto” e uma fixação pelo violino, instrumento pelo qual sempre foi um apaixonado. Apesar da família ser contra a sua vocação musical, cortou muito capim na beira dos rios Coxipó e Cuiabá, para juntar dinheiro e comprar o seu primeiro violino. Antes mesmo de obter êxito nessa estratégia, Tote Garcia já sabia tocar violino de ouvido. De nada adiantou a proibição de seus pais, João da Costa Garcia e Henriqueta Vieira Garcia, filha do comendador Henrique Vieira, fundador da Cadeia Pública de Cuiabá, hoje Centro de Reabilitação D. Aquino Correia. Esse garoto talentoso, com o passar dos anos, transformou-se num dos mais importantes nomes da história da música mato-grossense. Não por acaso, a Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso o homenageia neste ano de 2007, quando se registra o centenário do seu nascimento.

Sua primeira façanha musical pode ser entendida como a aquisição de um violino fabricado em Bresser, na Alemanha, em 1887, o que foi possível graças ao comércio que Mato Grosso tinha com aquele país no final da 1ª Grande Guerra Mundial. O instrumento permanece guardado com a família até hoje. Com esse violino, desenvolveu seus estudos com o professor André Avelino. Aos 20 anos começou a trabalhar no Tribunal Regional Eleitoral e também nessa época expandiu suas relações com os músicos cuiabanos.

Os músicos dessa época reuniam-se com freqüência na casa da pianista Zulmira Canavarros. Numa dessas ocasiões lá estavam, além de Tote Garcia, Vicente dos Santos, Dunga Rodrigues, Honório Simaringo, Dante Miraglia, Jose Agnello, Odare Vaz Curvo e Nilson Constantino. Esse grupo, num certo momento, decidiu chamar de “rasqueado cuiabano” composições que tinham características comuns, e que tinham sido criadas pelos compositores daquela época. Até então, essas músicas eram enumeradas nas partituras sem nenhum nome específico. Com este grupo de amigos formou o lendário “Conjunto Serenata” que notabilizou-se pelas interpretações de valsas, choros, tangos e

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rasqueados. No ano de 1957 o músico Dante Miraglia levou o rasqueado do “Conjunto Serenata” para Bauru, Estado de São Paulo, num intercâmbio com o conjunto local “Enamorados de Euterpe”, que também começava a difundir o novo gênero. Nos anos seguintes, com o apoio do então Secretário de Cultura do Governo de Mato Grosso, José Rabello Leite, entusiasta e promotor da música regional, Tote Garcia tornou-se um dos principais articuladores da difusão do rasqueado em nível nacional. Levou o “Conjunto Serenata” para São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e outras cidades brasileiras.

Tote Garcia deixou várias composições em partituras (praticamente todas, atualmente, desaparecidas). Uns poucos registros de suas composições, porém, ainda se acham preservadas em gravação de fita de rolo e também na gravação do disco de vinil do “Conjunto Serenata”, onde duas composições suas, “Cadê Totinho” e “Rabello no Coxipó”, estão presentes no programa desta noite de homenagem. Informações obtidas junto à família de Tote Garcia registram que ele nos deixou valsas, hinos, choros e rasqueados (que eram a sua maior inspiração). Uma curiosidade em torno desse autor mato-grossense advém do fato de que ele sempre intitulava suas músicas com base em fatos memoráveis que vivenciava, ou mesmo, em acontecimentos rotineiros. Assim, por exemplo, surgiu “Carrapato no Melado”, título associado ao jeito de dançar de um conhecido dele. “Aprendi com Tote” recebeu este nome pelo músico cacerense Namy Ourives, “Zé Ceguinho” referia-se a um

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amigo seu. Antonio Garcia morreu no dia 18 de março, 1987 em Cuiabá. Em 1995, foi fundado no Horto Florestal Tote Garcia, à beira do Rio Coxipó. Uma justa homenagem ao grande músico e morador permanente do bairro Coxipó.

Mestre Ignácio (1892-1986) Mestre Ignácio nasceu em 12 de novembro de 1892 em Cuiabá, Mato Grosso. Tocava diversos instrumentos musicais desde muito jovem, acompanhando seu pai, Fidêncio Constantino de Siqueira, devoto de Santa Cecília, nas festas dedicadas à Santa. De sua autoria, estão registradas mais de 200 composições de diversos gêneros como valsas, maxixes, choros e rasqueados. Mestre Ignácio é considerado o primeiro grande compositor de rasqueado mato-grossense. Suas criações cristalizaram o gênero em sua forma, timbre e orquestração. Viveu como boêmio, não casou e não teve filhos. Faleceu em 1986 no bairro Baú, região cuiabana onde proliferava a prostituição e a boemia. Mestre Ignácio, ao lado de compositores cuiabanos como Honório Simaringo, Zulmira Canavarros, Dunga Rodrigues e o “Conjunto Serenata”, foi responsável pela infiltração e aceitação do rasqueado nas noites de saraus, com o endosso das famílias cuiabanas mais abastadas.

José Agnello Ribeiro (1881-1936) José Agnello Ribeiro nasceu em Cuiabá em 13 de janeiro de 1881. Já aos sete anos começou a estudar música no Arsenal de Guerra, atualmente Sesc Arsenal. Tornou-se multi-instrumentista, dominando o saxofone, o clarinete e o piano. Aos 17 anos regeu a banda do 8ª Batalhão de Infantaria numa apresentação especial para o então governador do Estado de Mato Grosso, Joaquim Murtinho. No programa, trechos da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes. Em 1913, foi nomeado

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“Mestre de Música” da Banda Municipal de Cuiabá pelo Coronel Escolástico Virgínio, eminente personagem da história mato-grossense. Nos anos 1920, foi músico atuante no cinema mudo em Cuiabá, no Cine Parisien, onde tocou várias obras da época junto a outros músicos cuiabanos de destaque como Zulmira Canavarros, Honório Sigmaringo, Antonio dos Santos e Juvelino de Freitas.

Em 1926, já era conhecido como Mestre Agnello e organizou sua primeira orquestra, denominada “Mé Coado”. E compôs marcha homônima para caracterizar a orquestra. O grupo estreou em um grande baile no histórico prédio do Palácio da Instrucção. Suas composições mais conhecidas são os rasqueados “Na festa de Maria Murtinho”, “Lambari na cuia”, “No alto da Chapada”, “Na ponte alta”, “Amor de marinheiro”, “Minha filha Sinhá”, “Lá na bica da Prainha”, “Na lavagem de São João”, “Espalha brasa”, “Mulher de chapéu” e “Compadre Mané”. Também nos deixou belas composições em outros ritmos como “Haydeá” (samba – choro), “A boneca do quilombo” (maxixe) e “Mé Coado” (marcha). A música Quilombinho é o rasqueado mais conhecido de José Agnello. Continua sendo executada até os dias de hoje pelas bandas marciais e populares da capital e interior. Esse rasqueado foi gravado no final dos anos 50 pelo “Conjunto Serenata”. A composição é uma homenagem ao bairro cuiabano Quilombo, onde morou nos últimos anos de sua vida. A música de Mestre Agnello, desde a Temporada 2006, chegou para ficar no repertório da Orquestra de Câmara.

Mestre Albertino (1906-1995) Nasceu em Cuiabá em 07 de agosto de 1906. Seu primeiro professor de música foi Padre Emilio. Em seguida, ingressou na Força Pública de Mato Grosso, hoje Polícia Militar, como aprendiz de música, tendo aulas com o maestro Francisco Ferreira Mendes. Começou tocando bombardino e mais tarde dedicou-se ao trombone de válvulas. Deixou mais de 100 composições escritas, cubrindo uma ampla gama de gêneros musicais como rasqueado, maxixe, samba, choro e baião. Lecionou, formou bandas e fanfarras

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no Colégio Liceu Salesiano, na Escola Técnica Federal e Escola Técnica de Guiratinga. Já aposentado, foi contratado pela Escola Agrícola Federal Gustavo Dutra, localizada na Serra de São Vicente, em Mato Grosso, para criar a “Banda de Música”. Ensinou música para toda uma geração de músicos mato-grossenses, prestando uma valiosa contribuição para o desenvolvimento da cultura musical no Estado.

Levino Albano Conceição (1895-1955) Levino Albano Conceição nasceu em Cuiabá, Mato Grosso, em 12 de outubro de 1895. É considerado como um dos mais importantes violonistas / compositores brasileiros. Foi um dos fundadores do “violão brasileiro”, ao lado de João Pernambuco, Quincas Laranjeira, Rogério Guimarães, Heitor Villa-Lobos, Dilermando Reis, Garoto, e mais recentemente, Baden Powell e Rafael Rabello. Autor de dezenas de composições, Levino Conceição ficou cego aos sete anos de idade. Realizou inúmeros concertos em todo o Brasil sendo carinhosamente apelidado de “Rei do Violão”, tanto pelo sucesso e virtuosismo de suas interpretações como por suas composições.

Levino Conceição ainda é muito pouco conhecido em sua terra natal. Seu nome vem à tona quando seu mais célebre aluno é evocado: Dilermando Reis. Até a gravação do CD “Cromo” e “O Brasil de João Pacifico”, de Leandro Carvalho, onde quase a totalidade das peças do compositor foi gravada pela primeira vez, a obra deste artista lutou desigualmente contra o esquecimento. Tudo que restou e chegou até nós foram algumas gravações feitas pelo próprio Levino, e outras poucas feitas por seus discípulos, como o próprio Dilermando, alguns manuscritos e algumas poucas músicas editadas. O resgate da vida e da obra de Levino Conceição foi feito através de uma ampla pesquisa centrada em acervos pessoais de familiares, amigos e colecionadores em diversas cidades do Brasil contribuindo para a preservação da obra deste importante nome da cultura mato-grossense.

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Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso

junho

Concertos Oficiais

22, 23 e 24 (sexta, sábado e domingo), às 20 horas Instituto Itaú Cultural. Av. Paulista, 149. São Paulo – SP Leandro Carvalho regência Roberto Corrêa viola de cocho e viola caipira

Instituto Itaú Cultural Com 20 anos de existência, o Itaú Cultural promove e divulga a cultura brasileira, no Brasil e no exterior, tornando-se um centro de referência no âmbito da cultura. Ao considerar a cultura como um eixo estratégico para a construção da identidade do país e uma das ferramentas mais eficazes na promoção da cidadania, o Itaú Cultural mantém duas frentes de atuação. É um centro cultural, que oferece ao público programação gratuita e diversificada, e também um instituto, voltado à pesquisa e produção de conteúdo, ao mapeamento, fomento e estímulo à produção e difusão de manifestações artísticas em diferentes áreas de expressão. A instituição busca atuar com políticas culturais plurais paralelas às desenvolvidas pelo Estado. E tem entre seus objetivos: valorizar a diversidade das experiências culturais de uma sociedade tão complexa e heterogênea como a brasileira; apoiar as manifestações culturais que contribuem para a expansão da liberdade de expressão e da criação artística e intelectual; e estimular a concepção de importantes ações culturais.

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Ao Vivo Itaú Cultural Iniciado em 2004, o projeto consiste na gravação, em áudio e vídeo digitais, de shows realizados na sede do Instituto, em São Paulo. Os registros são finalizados em formato televisivo - para eventual disponibilização a emissoras parceiras - e em DVD. Foram gravados os espetáculos Dona Edith do Prato, Berimbrown, Mombojó, Quaternaglia, Katia B, Banda Mantiqueira, Escurinho, Gente da Mesma Floresta, Nei Lopes, Banda Pequi, Nei Lisboa, Caipira, Carmina Juarez, AfroReggae, Rappin’ Hood e Siba e a Fuloresta (com participação especial da dupla “osgemeos”).

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Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso

AGOSTO

Concertos Oficiais

20 horas 17, 18 e 19 (sexta, sábado e domingo), às Sesc Arsenal Bela Bartók (1881-1945) Divertimento para Orquestra de Cordas, Sz 113. -Allegro non troppo -Molto adagio -Allegro assai

O Fantástico Músico do Circo -Al Circo (Michele Netti) -Muito Bem (Manoel Ferreira, Arrelia e A. Mojica) -Street Band (Autor desconhecido) -Espineta (Autor desconhecido) -Acrobatas (Massimo Sanfilippo) -Czardas (Vittorio Monti) -Um dia no circo (James Curnow) -Na carreira (Edu Lobo e Chico Buarque)

Márcio Spartaco Landi regência

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Béla Bartók (1881 – 1945) Nascido em Nagyszentmiklós, Hungria, hoje Sannicolaul Mare, Romênia, em 25 de março de 1881, Bela Bartók teve sua iniciação musical com a própria mãe, a partir dos cinco anos de idade. Na adolescência aprimorou seus estudos em Bratislava, acentuando seu embasamento técnico que lhe incrementou a atividade criativa. A partir de 1905 aproximou-se de outro grande músico contemporâneo, Zoltán Kodály. Juntos empreenderam uma pesquisa sistemática da música popular húngara, trabalho que originou a matéria prima principal de sua obra. Bartók, talvez pela modernidade da sua criação, nem sempre obteve plena aceitação do público. Mas a pouca receptividade dos conterrâneos e do público em geral, se reduz ao final da I Guerra Mundial, quando ele estava ainda mais envolvido com uma obstinada prospecção folclórica não apenas da Hungria, como também da Bulgária, da Eslováquia e da Romênia.

Em 1926 o artista já se apresentava amadurecido e original. Começava a revelar-se o aspecto decisivo da personalidade do mestre húngaro: sua vocação pedagógica. Outra notável contribuição sua foi a de ter filtrado, sintetizado o que de melhor existia, no seu tempo, de técnica e estilística musical. Soube fundir uma longa tradição de música universal com os elementos de sua valiosíssima vivência particular. Em 1937, mereceu de vários autores contemporâneos a denominação de “Cravo bem temperado do século XX”. Não permaneceu em seu país quando o fascismo se instalou. Em 1940 estabeleceu-se nos Estados Unidos. O reconhecimento do valor e da significação de sua obra não o alcançou em vida. Mesmo precário de saúde e bens materiais, não deixou de compor e trabalhar num hospital de Nova Iorque, onde morreu em 26 de setembro de 1945.

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Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso

setembro

Concertos Oficiais

s

às 20 hora 21, 22 e 23 (sexta, sábado e domingo), Sesc Arsenal

Heitor Villa-Lobos (1887-1959) | Homenagem aos 120 anos de nascimento do compositor Bachianas Brasileiras n. 9 -Prelúdio -Fuga

Astor Piazzolla (1921-1992) Lo que vendrá Oblivion La muerte del Ángel Adios Nonino

Carlos Enrique Brito Benavides (1891-1943) Sombras (Arranjo: David Gardner)

José Asunción Flores (1904-1972) Choli (Arranjo: Ricardo Vasconcelos)

Pedro Elías Gutiérrez (1870-1954) Alma Llanera (Arranjo: Ricardo Vasconcelos)

Leandro Carvalho regência

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Heitor Villa-Lobos (1887-1959) Heitor Villa-Lobos deixou aproximadamente 1.000 obras, sendo que o seu famoso ciclo “Bachianas Brasileiras” costuma ser reconhecido como a sua maior contribuição. Sobre o músico pairam informações raras: ainda em vida, foi considerado o maior compositor das Américas e ao seu nome associa-se a reformulação do conceito de nacionalismo musical, o que o torna o maior expoente da música brasileira de todos os tempos.

Nasceu no Rio de Janeiro e teve as primeiras lições de música com o pai, Raul Villa-Lobos, músico amador. Além do Rio, Villa-Lobos residiu com a família em cidades do interior do Estado e também de Minas Gerais. Mas, a partir dos 18 anos empreendeu uma série de viagens pelo Brasil, visitando diversos Estados. Por onde passava, Villa-Lobos ia recolhendo temas folclóricos que utilizaria em suas composições e que seriam universalizados através da sua música. Mais tarde, de volta ao Rio, entrou em contato com a música popular praticada nas ruas e praças da cidade, o que o levou a estudar violão escondido de seus pais, que não aprovavam sua aproximação com os autores daquele gênero. Em 1923, iniciou trajetória internacional. Divulgou sua música na Europa, contando com apoio de amigos influentes como o pianista Arthur Rubinstein e a soprano Vera Janacópulus. Em 1944, partiu para uma grande turnê pelos EUA. Retornou, depois, várias vezes àquele país, onde regeu e gravou suas obras, recebeu homenagens e encomendas de novas partituras, além de ter travado contato com grandes nomes da música.

No início do século 20, em meio a várias tendências de vanguarda, aconteceu o movimento “Retorno a Bach”, cuja principal figura foi o alemão Max Reger. Entre outros expoentes desse movimento estavam o russo Dimitri Shostakovich e o próprio Villa-Lobos. A motivação para compor as obras do ciclo “Bachianas Brasileiras”, de acordo com o próprio Villa-Lobos, foram as semelhanças que encontrou entre músicas folclóricas do sertão brasileiro e a obra do alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750). Escrita em 1945 em Nova York para orquestra de cordas, e dedicada a Aaron Copland,

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a “Bachiana n. 9” foi pensada para uma orquestra de vozes sem palavras. De sonoridade muito especial, a peça começa com um prelúdio lento e místico, com um pedal em dó, para ganhar corpo em direção a uma fuga cromática e voluptuosa.

Astor Piazzolla (1921-1992) Astor Piazzolla fez do tango argentino um gênero conhecido internacionalmente. Principalmente com “Adiós Nonino”, um choro de adeus ao seu avô, fez também colocar o bandoneon, primo do acordeon e da sanfona, no status que sua beleza sonora impõe. Piazzolla musicou versos de Jorge Luis Borges e formulou os conceitos do movimento “nuevo tango” usando contrapontos revolucionários, novas harmonias, arranjos audaciosos e muita intuição. É o maior compositor contemporâneo de tangos, dos mais belos, como “Decaríssimo” e “Angel”.

Nasceu em 1921, em Mar Del Plata, região litorânea da Argentina. Ainda na infância, ficava entre Bueno Aires e Nova Iorque, onde viviam seus pais. Aos 9 anos, começou a estudar música. Continuou os estudos na Argentina, EUA, Europa. Nos anos 60, formou o “Quinteto Buenos Aires”, com quem gravou seus maiores sucessos. No ritmo tipicamente argentino, incutiu elementos do jazz e da música erudita. Em 1989, foi considerado um dos maiores instrumentistas do mundo pela Down Beat, famosa revista especializada em jazz. Deu ao tango dimensão mais ampla do que a de uma dança. Deu ao tango a melancolia sonora e sofisticação harmônica, em acordes dissonantes de

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execução singular. A década de 80 foi seu período mais criativo. Nesse período produziu maravilhas como os álbuns: “La Camorra” e “Zero Hour”. Sobre este último afirmou: “Este é absolutamente o melhor trabalho que eu fiz em minha vida. Nós pusemos nossas almas neste disco”. Morreu em Buenos Aires, aos 71 anos, consagrado, dono de mais de 300 obras e cerca de 50 trilhas para filmes, no dia 4 de julho de 1992.

Brito Benavides (1891-1943) O músico Carlos Brito Benavides nasceu em Uyumbicho, interior do Equador, em 1891. Aprendeu as primeiras lições de música, que um dia o levariam a pianista e compositor, com o pai, Manuel Brito Cruz. A mãe era colombiana, María Benavides. Seus conhecimentos musicais lhe renderam o cargo de diretor de bandas e com elas percorreu boa parte do país. Em Guayaquil, em 1929, ganhou prêmio em um concurso de bandas de música. Tem belas composições como o pasillo “Sombras”, com texto da poetisa Rosário Sansores, composta na cidade de Riobamba. É sua obra mais conhecida no Equador e no estrangeiro. Entre suas composições mais conhecidas estão também “A tus ojos” e “Ella”. Morreu aos 52 anos em Quito.

José Asunción Flores (1904-1972) Nascido em Assunção em 1904, José Asunción Flores pertence a uma geração de ouro da música popular paraguaia. Filho de uma lavadeira e de um violonista, herdou do pai a vocação musical. Uma travessura de moleque o fez, como punição, ingressar como aprendiz na “Banda da Polícia de Assunção”. Por volta dos dezoito anos começou a compor. Ainda bem moço introduziu-se no ritmo conhecido como guarânia, que destacou o seu país como um dos poucos do mundo, naquela época, a ter música própria e de autor conhecido. A partir de 1928 aproximou-se do poeta Manuel Ortiz

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Guerrero, também paraguaio, com quem realizou inúmeras parcerias. É da dupla a famosa guarânia “Índia”, canção bastante popular em todo território brasileiro, e que foi decretada “Canção Oficial do Paraguai”.

Entre as principais condecorações que recebeu está a de melhor instrumentista no Certame Internacional de Bandas, recebida na Argentina, país que o abrigou diversas vezes ao longo de sua vida, inclusive, por questões políticas. Em 1949 chegou a desprezar a Ordem do Mérito Nacional, galardão recebido em sua pátria, em sinal de protesto à violência do governo paraguaio de então. Foi impedido de retornar ao Paraguai durante o governo de Alfredo Stroessner (1954-1989). Apesar disso, suas guarânias tornavam-se extremamente populares em seu país de origem.

Asunción Flores esteve à frente de importantes grupos musicais como a “Orquestra Folklórica Guarani” e a “Orquestra Ortiz Guerrero”. Também atuou como professor repassando seus conhecimentos. Foi designado membro do Conselho Mundial da Paz e, em 1954, começou a se dedicar a estudos sinfônicos em torno das guarânias, quando criou seus célebres poemas sinfônicos. Faleceu com 67 anos, em Buenos Aires, vítima da doença de Chagas. Em 1991, seus restos mortais foram repatriados ao Paraguai, onde jazem numa praça, em Assunção, que leva o seu nome e o de seu parceiro, Manuel Ortiz Guerrero.

Pedro Elias Gutiérrez (1870-1954) A cidade venezuelana de La Guaira, Estado de Vargas, é o berço de um dos mais célebres compositores desse país. Pedro Elías Gutiérrez nasceu em 1870, filho de Sofía Ana Hart de Gutiérrez e do magistrado, político, diplomático e legislador, o general Jacinto Gutiérrez. A contribuição que deixou para o cancioneiro de seu país e da

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própria América do Sul é vasta. “Alma Llanera”, um joropo, ritmo venezuelano, tornou-se o segundo hino nacional do país. E é essa a canção que a Orquestra de Câmara de Mato Grosso incorpora a seu repertório de autores sul-americanos.

A inclinação musical deste carismático compositor se deu cedo, embora seus estudos nessa arte tenham se iniciado pra valer quando ele já tinha 15 anos. Dançar as valsas de Gutiérrez faz parte da tradição para as adolescentes venezuelanas. Mas a música de Gutiérrez que se ouve todos os dias é “Alma Llanera”. Exímio instrumentista nas cordas, destacou-se no contrabaixo. Nesse instrumento foi apontado como o melhor da América do Sul. Gutiérrez foi diretor da “Banda Marcial de Caracas” durante 43 anos. Faleceu em 1954 e seu sepultamento, em Caracas, foi velado por uma multidão de 80 mil venezuelanos. Ouvir “Alma Llanera”, então, é uma boa pista para tentar descobrir porque essa composição (cuja letra é do poeta Rafael Bolívar Coronado) é a própria identidade do povo venezuelano.

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Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso

setembro

Concertos Oficiais

28, 29 e 30 (sexta, sábado e domingo), às 20 horas Sesc Arsenal Leos Janacek (1854-1928) Suite para Cordas -Moderato -Adagio -Andante con moto -Presto -Adagio -Andante

Henry Purcell (1659-1695) The virtuous wife Suite

Ottorino Resphighi (1879-1936) Antiche danze ed arie - Suite III

Aaron Copland (1900-1990) Hoe Down

Claudio Santoro (1919-1989) Ponteio

Marcos Arakaki regência

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Leos Janacék (1854-1928) Natural de Hukvaldy, próximo a Ostrava, na Moravia (República Tcheca), próxima à fronteira com a Polônia, Leos Janacék nasceu em 3 de julho de 1854. Sua região natal é rica em folclore, cujo caráter modal é pouco freqüente no resto do país. Esta música popular marcou a sensibilidade do futuro músico que iniciou seus estudos num mosteiro. Mais tarde estudou na escola de órgão de Praga e depois em Leipzig e Viena. Sua iniciação musical foi toda apoiada pelos pais que adoravam música. Ocupou cargos de destaque em diferentes cidades da República Tcheca. Foi nomeado mestre de coros da catedral de Olomuc e diretor da “Orquestra Filarmônica de Brno”. Chegou a abrir um conservatório, em 1903, de quando datam suas primeiras composições originais, mas teria de esperar até os 62 anos para conhecer o êxito. O músico morreu em Ostrava, em 12 de agosto de 1928.

Esta carreira pontuada pelo reconhecimento tardio costuma ser explicada pela profunda originalidade de sua obra, assim como pelo seu caráter inconformista e solitário. Em seu legado registram-se belas contribuições como composições para teatro, música coral, para canto solista e também para grupos instrumentais.

Henry Purcell (1659-1695) Considerado o maior músico inglês de todos os tempos, Henry Purcell nasceu em Londres, em 1659. Pertencia a uma família de músicos e seu pai, um

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gentleman da Capela Real, inscreveu-o ainda muito novo no coro das crianças dessa capela, onde teve ótimos mestres. A precocidade de seu talento o fez escrever suas primeiras obras já aos 11 anos. Em 1679, foi nomeado compositor do rei e três anos depois tornou-se organista da Capela Real. Compunha com uma facilidade extraordinária. Em 1689, escreveu Dido e Enéas, a obra-prima do compositor. Morreu jovem aos 36 anos e a causa da sua morte permanece misteriosa. A sua produção abundante, a originalidade e a variedade dos seus estilos são surpreendentes quando pensamos na brevidade da sua carreira. Em todos os estilos e gêneros que abordou, aproximou-se da perfeição. Sua obra chegou a exercer influência importante no gênio de Handel. Deixou composições para o teatro, igreja, música vocal profana e música instrumental.

Ottorino Respighi (1879-1936) Um autor e produtor incansável, um orquestrador incomparável, um talento amplo, são adjetivos atribuídos a Respighi, um dos principais compositores da Itália moderna. Nascido em Bolonha, em 9 de julho de 1879, pelo trabalho que desenvolveu em vida não só imortalizou-se como também a outros ilustres, transcrevendo e arranjando árias e danças antigas de Monteverdi, J.S.Bach e Rossini. Ficou também conhecido pelas óperas. Deixou ainda balés, obras corais, música de câmara, música para piano e muitas canções. Respighi graduou-se como violinista pelo Liceu Musical de Roma. Em 1899, assumiu um posto de violista na orquestra russa da opera de São Petersburgo. Em 1917, estreou seu primeiro poema sinfônico, “As Fontes de Roma”, obra que tornou o compositor reconhecido internacionalmente. Na década de 1930, já era considerado o maior compositor italiano da escola moderna. Faleceu prematuramente, aos 56 anos. Sua morte causou uma grande comoção nacional.

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Aaron Copland (1900-1990) Aaron Copland nasceu no Brooklyn, Nova Jersey, Estado de Nova York, em 1900. Sua participação na formação da cultura norte-americana contemporânea, não só em nível musical, mas no entrelaçamento dessa arte com as outras, é notável. Copland, por exemplo, é conhecido como dínamo dos compositores americanos. Assim foi apelidado por difundir, através de suas composições, duas grandes características da paisagem americana: a imensidão das pradarias e o urbanismo das grandes metrópoles. Entre 1917 e 1921 desenvolveu seus estudos em Nova York e também em Paris. Em 1927 foi solista de piano, com a “Orquestra Filarmônica de Boston”, sob a regência de Serge Koussevitsky, quando teve a oportunidade de executar seu próprio “Concerto para Piano”. As conotações jazzísticas dessa peça causaram grande estardalhaço na época. Os últimos trabalhos de Copland refletem uma variedade de influências, neoclássicas na sua maioria. Entre suas principais obras estão: “El Salon Mejico” (1936), os balés “Billy, The Kid” (1938) e “Apalachian Springs” (1944), e o “Noneto para cordas” (1960). Copland fez trilhas sonora para oito filmes, dentre eles “O cavalinho vermelho” (1948) e “A herdeira” (1949). Também escreveu livros sobre música como: “O que deve ser ouvido na música” (1939); “Nossa nova música” (1941); “Música e imaginação” (1952) e “Copland escreve sobre músicas” (1960). Sua participação como organizador de grupos de vanguarda, educador e escritor, é das mais influentes na música norte-americana contemporânea. Sua pujança musical e seu histórico de dialogar entre as artes enriquecem o repertório da Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso em 2007.

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Claudio Santoro (1919-1989) Claudio Franco de Sá Santoro nasceu em Manaus em 1919. Sua forte vocação musical motivou o governo do seu Estado a franquear seus estudos musicais no Rio de Janeiro quando ele era ainda bem jovem. É considerado um dos mais importantes compositores brasileiros do século XX. Inspirado criador e brilhante intérprete foi também um menino prodígio da música. Fundou e regeu inúmeras orquestras brasileiras e, como regente convidado, esteve à frente de algumas das mais importantes orquestras do mundo. Santoro teve o violino como seu principal instrumento. Em 1939, no Rio, compôs a “Sinfonia para duas Orquestras de Cordas”, onde já revelava técnica de vanguarda em contraste ao nacionalismo ortodoxo reinante naqueles anos. Em 1948 recebeu, em Paris, o prêmio da Fundação Lili Boulanger para jovens compositores. Estavam no júri Igor Stravinsky, Sergei Koussevitzki e Aaron Copland.

“A reforma do ensino musical no Brasil” foi defendida em tese de Santoro em 1961, época em que assume a chefia do Departamento de Música da UnB. Três anos depois fundou a Orquestra de Câmara da Universidade de Brasília. Mudou-se para a Alemanha em 1971 para exercer a função de professor titular de regência em Mannheim. Faleceu em 1989, vítima de um ataque cardíaco fulminante. Ele estava no podium ensaiando a Orquestra do Teatro Nacional de Brasília, que hoje é denominada “Orquestra Sinfônica do Teatro Nacional Claudio Santoro”.

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PatrocĂ­nio

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OU TU BR O

Concertos Oficiais

12,13 e 14 (sexta, sábado e domingo), às 20 horas Cine-Teatro Cuiabá Camille Saint-Säens (1835-1921) O Carnaval dos Animais -Introdução e Marcha Real do Leão -Galinhas e Galos -Animais velozes -Tartarugas -O Elefante -Cangurus -Aquário -Personagens com orelhas compridas -O Cuco nas profundezas dos bosques -Pássaros -Pianistas -Os Fósseis -O Cisne -Final

Sergei Prokofiev (1891-1953) Pedro e o Lobo, Op. 67

Leandro Carvalho regência Acrísio de Medeiros narração

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Camille Saint-Saëns (1835-1921) Criado pela mãe e pela tia, que lhe deu as primeiras aulas de piano aos três anos de idade, Charles Camille Saint-Saëns nasceu em Paris, em 9 de outubro de 1835. Seu talento já podia ser conferido aos dez anos quando, em um concerto público, quando tocou algumas sonatas de Beethoven. Em 1860 conheceu e aproximou-se do compositor francês Fauré, expoente da moderna música francesa, que veio a ser seu grande amigo durante toda a vida. Um casamento infeliz e a morte da sua mãe levaram-no a uma vida praticamente nômade a partir de 1888. Esteve sempre viajando, notadamente para o Egito e a Argélia, onde morreu, com 86 anos. Quando jovem, ganhou o apelido de “Mendelssohn francês”. Viveu, já idoso, no mundo de compositores como Ravel, Stravinsky e Schoenberg. Saint-Saëns era imensamente talentoso, como executante e como compositor. Liszt descreveu-o como o maior organista vivo. Como pianista, executou principalmente sua própria música. Evitou se tornar um mero virtuose. Deixou um imenso legado musical.

Sergei Prokofiev (1891-1953) Sergei Sergeievitch Prokofiev nasceu em Sontsovka, atualmente Ucrânia, em 23 de abril de 1891. Filho de família com boas condições econômicas, teve condições de ser aluno do grande mestre Rimski-Korsakov. Tornou-se brilhante pianista, com inquestionável talento para a composição. Seu estilo é marcado pela experimentação, que praticou com vigor, assim que aprendeu a base teórica necessária. Depois da Revolução de 1917 emigrou para o Ocidente, passando a viver em Paris. Em 1934 voltou para a Rússia, quando sua música foi rechaçada pelo formalismo burguês. Retratou-se e escreveu obras que agradaram às autoridades, mas também outras, mais independentes. Em 1948, no entanto, tornou-se impossível a resistência contra a estética oficial. Prokofiev, que faleceu em 1953, em Moscou, não chegou a ver a reabilitação de sua música, que só veio a acontecer em 1956.

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Prokofiev foi um compositor de versatilidade extraordinária, tendo cultivado todos os gêneros musicais, rico em invenção melódica e instrumentação. Traço característico de sua música é o humor. Mesmo tendo falecido há mais de cinqüenta anos, ainda perduram controvérsias quanto à natureza do seu estilo. Deixou óperas, sinfonias e até bailados feitos sob encomenda para a companhia de balé do russo Serguei Diaguilev. O cineasta russo Serguei Einsestein também recebeu a colaboração de Prokofiev. Uma das suas mais famosas composições é “Pedro e o lobo”, que será executada pela Orquestra do Estado de Mato Grosso em homenagem ao “Dia das Crianças”.

PEDRO E O LOBO é uma fantástica estória baseada no clássico criado pelo russo Sergei Prokofiev, no qual cada personagem é um instrumento musical.

Pedro, um menino muito bom, cansado de ver suas ovelhas serem mortas pelo lobo mau. Enfurecido e contra a vontade de seu avô, Pedro vai a caça do lobo com sua espingarda de rolha. Ele tem a companhia de seu gato Ivan, a pata Sônia e a passarinha Sacha, que são seus grandes amigos.

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NOVEMBRO

Concertos Oficiais

03 (sábado), às 20 horas Centro de Eventos do Pantanal Literamérica 2007 – Feira Sul-Americana do Livro

A Literamérica 2007 - Feira Sul-Americana do Livro de Mato Grosso, será realizada no período de 03 a 11 de novembro de 2007, no Centro de Eventos do Pantanal, em Cuiabá, com o objetivo de estreitar as relações culturais com os países sul-americanos, fomentar a leitura, valorizar o livro, democratizar o acesso e apoiar a criação e produção literária mato-grossense difundindo-a nacional e internacionalmente. Com um público estimado em 250 mil visitantes, este evento é uma das ações estratégicas que o Governo do Estado de Mato Grosso promove em sua gestão, ampliando a atuação junto a todos os municípios do Estado, formulando e implementando projetos e políticas públicas que visam, além da preservação do patrimônio cultural, o estímulo à produção artística que garanta o acesso aos bens culturais em toda sua diversidade para a população mato-grossense, bem como o estreitamento das relações culturais, institucionais e de mercado com os países da América do Sul.

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NOVEMBRO

Concertos Oficiais

9, 10 e 11 (sexta, sábado e domingo), às 20 hor as bá ia Cu tro ea -T ne Ci Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) Sinfonia Concertante, K. 364 -Allegro Maestoso -Andante -Presto

Sinfonia n.40, K. 550 -Molto Allegro -Andante -Menuetto. Allegretto -Allegro Assai

Leandro Carvalho regência Alessandro Borgomanero violino Daniel Guedes viola

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Mozart (1756-1791) Pensamos em Mozart e lembramos imediatamente de sua gargalhada excêntrica, reproduzida em diversos filmes sobre sua vida. Lembramos também do homem comum, cuja vida é marcada pela paixão não correspondida, pela cotidiana falta de dinheiro para sustentar a família, pela incompreensão e desprezo. Gênio precoce, com personalidade musical complexa e sedento por liberdade. Johannes Chrysostomus Wolfgang Gottlieb Mozart nasceu em Salzburgo, na Áustria, no ano de 1756. Aos 4 anos, já estudava com o pai, Leopold Mozart, um respeitado professor de violino. O músico precoce compunha duetos e pequenas composições para dois pianos, às quais interpretava junto com a irmã Maria Anna, a “Nannerl”, 5 anos mais velha. O pai, sentindo o que havia posto no mundo, investia em ambos. A dupla realizou várias apresentações, mas, em pouco tempo, a talentosa “Nannerl” foi ofuscada pelas impecáveis performances de seu irmão. Mozart avançou só e a irmã, tornou-se como o pai, professora de piano. Aos seis anos, o menino prodígio fez sua primeira excursão pela Europa. A corte esteve a seus pés por vários anos. Aos 12 anos, criou sua primeira ópera, “La finta semplice”. Foi aplaudido nos quatro cantos do velho mundo.

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Viajava sem parar. Na Itália, recebeu honrarias e mergulhou na música local. Na volta à terra natal, foi tratado com hostilidade pelo arcebispo de Salzburgo, Hieronymus Colloredo, para quem trabalhava. O déspota proibiu as viagens de Mozart, que passou 4 anos “preso” à corte. Angustiado, o compositor não aceitou as ordens incabíveis de seu “patrão” e pediu demissão para partir em busca de outras oportunidades. Nestas andanças conheceu e se apaixonou pela cantora Aloysia Weber, mas não foi correspondido. Para ficar próximo dela, casou-se com a irmã mais nova dela, sem paixão, a musicista Constanze Weber.

No ano de 1779, voltou novamente a Salzburgo. A fim de se impor, exigiu respeito e foi demitido pela igreja, aos pontapés, registrou ele, para a posteridade, em carta. Entrou em decadência, devido ao desprezo dado ao autor pela sociedade moralista. A grande ópera “As Bodas de Fígaro” (1786) foi um fracasso financeiro em Salzburgo, no entanto a mesma foi bem sucedida em Praga, fazendo com que recebesse uma encomenda para fazer a ópera “Don Giovanni”. Outro fiasco financeiro que o tempo haveria de rever. Falta de dinheiro, incompreensão, filhos morrendo prematuramente, sociedade omissa ao virtuosismo dele. O alívio chegou com a sublime ópera “A Flauta Mágica” que estreou triunfante em um pequeno teatro popular na periferia de Viena. Surgindo, a partir de então, outras encomendas.

No ano de sua morte, prematuramente envelhecido, Mozart sentiu que ficaria reconhecido pela história. Houve uma reação do público com relação às suas peças. Pobre e muito doente, com os rins em pane, houve a suspeita de que isso tenha sido resultado da ingestão de veneno, uma tentativa de assassinato provocada pelo compositor rival, Antonio Salieri. Contam os anais de história que, no dia 5 de dezembro de 1791, no dia em que “Mozart” morreu, na hora do enterro, havia poucos a assistir ao funeral do ilustre e que desceu do céu uma escandalosa tempestade, comparada à excêntrica gargalhada do irreverente autor. Morre o homem, eterniza-se o mito.

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DEZ EMB RO

Concertos Oficiais

07, 08, e 09 (sexta, sábado e domingo), às 20 horas Cine-Teatro Cuia bá Guerra Peixe (1914-1993) Ponteado

Nikolay Rimsky-Korsakov (1844-1908) Scheherazade, Op. 35

Maurice Ravel (1875-1937) Bolero

Lorenzo Fernandez (1897-1948) Batuque

Leandro Carvalho regência Mark Wilson violino

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Guerra Peixe (1914-1993) As andanças com os pais na infância foi tempero essencial na obra deste compositor. Nasceu de pai português e mãe cigana, César Guerra Peixe, em Petrópolis no dia 18 de março de 1914. Aos 9 anos já tocava violão, bandolim, violino e piano. Viajava muito com a família pelo interior do Rio de Janeiro e de Minas Gerais, assistindo freqüentemente a grupos folclóricos, o que marcou muito sua alma. Era um virtuose. Com apenas cinco anos de estudo, obteve a medalha de ouro oferecida pela Associação Metropolitana de Letras. Trabalhou e viveu de música, em bares, cafés e confeitarias da época. No crítico Mario de Andrade encontrou a reflexão revolucionária que precisava para mudar o conceito de composição. Trouxe ao Brasil o professor Koellreutter, e com ele o dodecafonismo, técnica dos 12 sons criada por Schöenberg.

Em junho de 1941, as origens o puxaram de volta ao Recife, aonde foi para conhecer as diversas manifestações do folclore nordestino. Voltou depois ao Rio de Janeiro, mas por pouco tempo. Insatisfeito com seus conhecimentos folclóricos, firmou um contrato de trabalho com uma emissora da capital pernambucana, a fim de poder estudar a fundo o folclore, tornando-se um “sulista nordestinizado”, como o descreveu o sociólogo Gilberto Freyre. Em sua obra, aparecem o maracatu, coco, xangô, frevo. “Durante 3 anos me meti nos xangôs, maracatus, viajei para o interior, recolhi músicas de rezas para defunto, da banda de pífanos” disse certa vez sobre suas andanças. Sobre elas, publicou livros. Em 1960 compôs a sinfonia “Brasília”, conhecida como sua obra mais importante. Também fez arranjos de temas de Chico Buarque, Luiz Gonzaga e Tom Jobim. Pouco antes de seu falecimento, em 1993, recebeu o título de “Maior Compositor Brasileiro Vivo”.

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Nikolay Rimsky-Korsakov (1844-1908) Nicolai Andreievitch Rimski-Korsakov desenvolveu precocemente a sua sensibilidade musical. Originário de uma família aristocrática, nasceu em 18 de março de 1844, em Tikhvin, Novgorod (Rússia). Suas primeiras experiências musicais foram as danças populares executadas durante as festas de família. Começou a aprender piano aos seis anos e, aos nove, já fazia as primeiras tentativas de composição. Aos 12 anos ingressou na escola de cadetes da marinha, em São Petersburgo. Nessa fase da sua vida só conseguia estudar piano e violoncelo aos domingos e durante as férias. Aos 17 anos conheceu um grupo de jovens músicos, entre eles Balakirev, Mussorgsky e Borodin, quase todos autodidatas. Capitaneados por Balakirev criam o famoso “Grupo dos Cinco”.

O jovem marinheiro, entretanto, não pode aproveitar sua convivência com Balakirev, já que era obrigado a navegar pelo mundo. Mesmo assim destacou-se como compositor e acabou sendo nomeado professor de composição do conservatório de São Petersburgo. Teve como alunos algumas celebridades da música universal como Liadov, Gretchaninov, Glazunov, Stravinsky e Respighi.

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Entre as aulas, dedicava-se a um estudo muito profundo de contraponto, da harmonia, da instrumentação e tornou-se, devido a um trabalho intenso, o mais sábio músico de sua geração. Rimski-Korsakov morreu em Linbensk, próximo a São Petersburgo, em junho de 1908. Deixou suítes sinfônicas, aberturas, obras corais e também trabalhou com harmonização e orquestração. Suas óperas, 15 ao todo, são apontadas como sua mais pujante contribuição, apesar de ainda pouco conhecidas.

Ravel (1875-1937) “Bolero” é a peça que popularizou o compositor Joseph-Maurice Ravel. Tido como revolucionário e perigoso em seu tempo, a clareza e riqueza orquestral do “Bolero” em nada nos remetem a esta fama. Disse, certa vez, o músico que “a tradição é a personalidade dos imbecis”. Ravel era na verdade um homem revoltado com as hipocrisias do meio, que se deixou envolver por amores e decepções, a ponto disso afetar seu psiquismo. Nasceu em Ciboure, França, em 1875, filho de pai suíço, o engenheiro Pierre Joseph Ravel, e da fidalga francesa Marie Delouart Ravel. Aos 7 anos, teve as primeiras aulas de piano, junto com o irmão Edouard, 3 anos mais novo. O interesse pela música chamou a atenção dos pais que, em 1889, o matricularam no tradicional conservatório de Paris. Ainda estudante escreveu suas primeiras composições.

Durante anos se preparou para concorrer ao Grande Prêmio de Música de Roma, evento que consagrava novos talentos. Foi vetado, talvez pelo temperamento revolucionário. Isso afetou seus ânimos e o levou, por sua vez, a vetar também a todas outras possibilidades de premiação que quiseram oferecer-lhe. Uma vez Ravel confidenciou a amigos que precisava criar uma obra especial, que caísse no gosto do público e, ao mesmo tempo, agradasse a crítica. Foi quando compôs em 1903 o famoso ciclo de canções Shéhérazade. Obteve relativo êxito, mas só alcançou maior reconhecimento quando apresentou o balé “Daphnis et Chloé” em 1912, música encomendada pelo empresário russo Diaghilev.

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Um fato curioso é que ele participou da I Guerra Mundial o que, em sua biografia, aparece como divisor de águas, entre um jovem de enfrentamento de idéias e um homem confuso. Fortes abalos emocionais, como a morte da mãe em 1917, e algumas decepções amorosas, foram minando suas forças. Mesmo assim persistia, e em 1928, a pedido da bailarina Ida Rubinstein, compôs sua mais aclamada obra, “Bolero”. Um acidente em 1932 provocou em Ravel um trauma de que jamais se recuperou. A memória foi afetada e também a coordenação dos movimentos. Seus amigos organizaram viagens à Espanha e ao Marrocos, a fim de distraí-lo. Fortes dores de cabeça passaram a atormentar o músico. Os médicos resolveram operá-lo, o que o deixou inconsciente até a morte, em Paris, dia 28 de dezembro de 1937.

Lorenzo Fernandes (1897-1948) Ícone da música erudita nacional contemporânea, Oscar Lorenzo Fernandez nasceu no Rio de Janeiro em 4 de novembro de 1897. Junta-se ao tempero carioca, a ascendência espanhola, para compor seu estilo. Apesar da formação européia, inicialmente aprendeu a tocar piano de ouvido. Aos 18 anos, assinou a ópera Rainha Moura, baseada em um romance popular espanhol do século XIX. Apesar de tudo, a família o queria médico. Para realizar tal desejo alheio, estudou tanto

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para o vestibular que sofreu um esgotamento nervoso. A música veio lhe reencontrar como terapia. Em 1920, quando o Brasil esquentava culturalmente no fogareiro do modernismo, Lorenzo apresentou-se pela primeira vez em concerto, com as suas obras “Arabesca” e “Miragem”. Dois anos depois, suas composições “Noturno”, “Cisnes” e “Ausência” foram premiadas em concurso internacional promovido pela Sociedade de Cultura Musical do Rio de Janeiro. Tinha no amigo Mario de Andrade, escritor, poeta, revolucionário, crítico exigente, um seguidor. Andrade disse, certa feita, que a obra de Fernandes é “de suma importância [...] serve para marcar uma data da evolução musical brasileira”.

Em 1923, foi nomeado professor substituto de Harmonia do Instituto Nacional de Música. A trajetória do professor Lorenzo foi marcada pela inovação, pela revolução dos métodos de ensino. Não à toa, há por todo o Brasil escolas que levam o nome dele, como em Cuiabá, a Academia de Música Lorenzo Fernandes homenageia o mestre. Publicava suas idéias na revista Ilustração Brasileira (1930). Fundou, ao lado de Villa-Lobos, a Academia Brasileira de Música. A fama veio só em 1929. Usando temas ameríndios incorporou de vez a brasilidade. Não somente enquanto artista, a faceta de incentivador fez deste compositor um tônico à música nacional. Morreu no Rio de Janeiro em 26 de agosto de 1948.

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Apoio cultural

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apresenta

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Concertos Populares

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Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso

Concertos Populares

A Temporada 2007 da Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso dá continuidade à série de concertos voltados para a formação de novas platéias através de apresentações gratuitas, ao ar livre e em locais de fácil acesso. Esta série de concertos tem o objetivo de descentralizar o acesso aos bens culturais, democratizando o conhecimento e proporcionando uma opção de lazer e cultura para a população mato-grossense. O repertório dos “Concertos Populares” é centrado no encontro da música regional mato-grossense com a música instrumental de outros Estados brasileiros e dos países da América do Sul. Em 2007, serão apresentados “Concertos Populares” em 12 cidades de Mato Grosso.

Diamantino

Rondonópolis

5/abril | quinta-feira

1/junho | domingo

São José do Rio Claro

Jaciara

7/abril | sábado

3/junho | sexta-feira

Nova Mutum

Primavera do Leste

30/abril | segunda-feira

4/agosto | sábado

Lucas do Rio Verde

Campo Verde

2/maio | quarta-feira

5/agosto | domingo

Sorriso

Tangará da Serra

4/maio | sexta-feira

23/agosto | quinta-feira

Sinop

Campo Novo do Parecis

6/maio | domingo

25/agosto | sábado

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apresenta

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Concertos Didรกticos

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Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso

Concertos Didáticos

A educação é parte primordial da missão da Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso. Em 2006, a Orquestra visitou 20 escolas da rede pública e privada de ensino apresentando “Concertos Didáticos” para milhares de pessoas, incluindo pais, professores e a comunidade onde a escola está inserida. Em 2007, o número de escolas atendidas será duplicado e o número municípios atendidos ampliado: serão 40 escolas visitadas em Cuiabá, Várzea Grande e Nobres, 200 professores capacitados e cerca de 80.000 pessoas diretamente atingidas. A Orquestra doa para as escolas um kit multimídia interdisciplinar contendo um guia para aplicação, fontes de pesquisa, livros, apostilas, DVDs e CDs. O núcleo pedagógico, formado por músicos e educadores do próprio grupo, ministra uma oficina preparatória para professores previamente indicados por cada escola, que recebem informações de como utilizar o material do kit. Após passarem por um treinamento específico, os professores levam este conhecimento a seus alunos. A aplicação deste conteúdo é acompanhada pelo núcleo pedagógico. Os programas de educação musical são elaborados tendo em mente o educador e pretendem chegar à sala de aula complementando o currículo básico. O material foi elaborado para interagir com o plano pedagógico do professor, contribuindo de diversas formas com as disciplinas ministradas. A música pode ser uma poderosa ferramenta de desenvolvimento, promovendo a elevação da auto-estima e ampliando o universo criativo de alunos e professores.

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Programa de Capacitação Em 2005 e 2006, o “Programa de Capacitação de Professores e Instrumentistas” foi a ferramenta utilizada pela Orquestra para iniciar o processo de melhoria da qualidade do ensino oferecido pelos músicos e professores em atuação no Estado de Mato Grosso. Ao longo das últimas temporadas, os músicos profissionais atuantes na Orquestra, dispuseram de quatro horas semanais para ministrarem aulas e outros trabalhos didáticos de forma gratuita. Seguimos este trabalho em 2007, mantendo a parceria com a instituição social “Projeto Ciranda – Música e Cidadania”, oferecendo para a comunidade 300 horas mensais gratuitas de ensino musical com renomados professores de música e solistas. O alto nível técnico e artístico destes profissionais irá contribuir para a qualificação das novas gerações de músicos mato-grossenses.

Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de Mato Grosso Os alunos de maior destaque deste processo formam a “Orquestra Sinfônica Jovem do Estado de Mato Grosso”. Além dos alunos e professores de instrumentos de arco, este grupo inclui instrumentistas de madeiras, metais e percussão, também alunos de destaque do “Projeto Ciranda”, e propicia as primeiras experiências semiprofissionais a jovens talentosos em início de carreira. O trabalho nesta Orquestra poderá abrir caminho para estes músicos ocuparem um lugar, no futuro próximo, nos principais grupos musicais de Mato Grosso e do Brasil.

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V IO L A - D E - C O C H O

A Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso tem o firme propósito de valorizar as referências culturais mato-grossenses. A Orquestra é a primeira a ter um “naipe” permanente de violeiros que atuam junto aos instrumentos clássicos tradicionais como o violino, a viola clássica, o violoncelo e o contrabaixo. A viola-de-cocho abre caminho para um universo extremamente rico da cultura popular mato-grossense e do Brasil Central, complexo cultural do qual o instrumento faz parte, mas que ainda inclui o siriri e o cururu, o mocho e o ganzá, e tradições populares originárias da mágica fusão entre culturas que caracterizam o Brasil. Tudo isso corrobora com o objetivo da Orquestra de descentralizar o acesso a bens culturais e aproximar a sociedade da música de concerto através da junção do universo da música popular e da música clássica. A Orquestra vem encomendando novas composições e arranjos para o instrumento, criando espaço para compositores, arranjadores e intérpretes brasileiros, e especialmente mato-grossenses, mostrarem seu trabalho.

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Apoio cultural

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O D A E U Q S RA MA TO - GR OSS ENS E Dá-lhe Rasqueado! O que a geografia ou a geopolítica separa, a música une. A Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso pede licença pra falar e tocar com orgulho e gosto um gênero musical que nasceu nesta região central do Brasil. Neste capítulo especial, nossos músicos tomam parte na construção da história secular deste Estado, cuja cultura nunca foi estanque e só atingiu o apogeu da sua espacialidade quando mesclada. A grandeza da arte está também na capacidade e no talento que o artista tem ao compartilhar o que sabe e beber em outras fontes. É esse o raciocínio que nos embasa e nos estimula a aqui tratar com carinho o rasqueado, música própria e nossa, mas que precisa alçar vôos universais e ampliar platéia. Dizem que o rasqueado é filho da polca com o siriri. Dizem ainda que ele

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subdivide-se em rasqueado de fronteira e rasqueado cuiabano. É certo que há diferenças entre eles, mas, mais do que certo, é próprio e digno cunharmos uma nova expressão: o rasqueado mato-grossense. Com o final da Guerra do Paraguai, a partir de 1870, na margem direita do rio Cuiabá, mais precisamente, em Várzea Grande, os paraguaios com o seu violão, e os brasileiros com a viola-de-cocho, redescobrem-se e celebram a paz através da música. Nascia assim, na América do Sul, uma espécie de reinvenção do termo “rasquear la guitarra”, expressão ibérica de origem árabe-cigana (sul da Península Ibérica). Vale acentuar que Mário de Andrade, em seu Dicionário Musical Brasileiro, definiu a palavra rasqueado como “... arrastar as unhas ou um só polegar sobre as cordas, sem as pontear”. Com um histórico banhado pela bonança do pacifismo e pelo intercâmbio sensorial e sonoro, advindo do livre deslize sobre as cordas, porque haveríamos de associar o rasqueado a qualquer idéia ou hipótese cerceadora ou delimitadora? Ah... E lembrar que esse gênero musical, que nasceu no âmago da simplicidade do povo, enfrentou barreiras e preconceitos, por sua origem humilde, e que somente após a proclamação da República, foi reconhecido pelo jeito contagiante, envolvente, que lhe valeu o apelido de “limpa banco”. E, sim senhor, começou a despontar nos saraus chiques da alta sociedade de então, sendo apreciado ao lado de peças de Beethoven, Mozart, Chopin e outros. E é com essa música da nossa aldeia que nossa Orquestra de Câmara do Estado pratica o verbo globalizar. E dá-lhe rasqueado... Rasqueado mato-grossense!!!

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BIOGRAFIAS

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Leandro Carvalho, direção artística e regência principal

Leandro Carvalho é reconhecido pelo público e pela crítica especializada como um dos músicos mais expressivos da nova geração de artistas brasileiros. De sólida formação musical e humanista, Leandro têm revelado sua inquietude criativa em concertos e gravações: nove CDs gravados, com destaque ao resgate e à recriação da obra de João Pernambuco, Levino Conceição, João Pacifico e Tom Jobim, aos

trabalhos em duo com os mestres Turíbio Santos e Baden Powell, e aos concertos no Brasil e exterior, como o concerto de estréia na Europa em julho de 2002, no Royal Festival Hall, Londres, uma das salas de maior prestígio da Europa, apresentando grandes compositores brasileiros. Graduou-se em Música Erudita pela Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, sob orientação do violonista Turíbio Santos, fez pós-graduação em Regência Orquestral no Conservatório de Utrecht, Holanda, sob orientação do maestro holandês Jurgen Hempel, e, na Inglaterra, estudou com os maestros George Hurst, Denise Ham e Rodolfo Saglimbeni.

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Participou ainda do 37° Festival de Inverno de Campos do Jordão, na classe do maestro Roberto Minczuk, e de master classes com os maestros Valery Gergiev e Kurt Masur. Seu trabalho como pesquisador apresenta uma visão singular da cultura brasileira, sintetizada na dissertação de mestrado “... e o estrepitoso zabumba põe tudo em alvoroço”, elaborada sob orientação do escritor Ariano Suassuna e apresentada do departamento de pós-graduação em História Social da Universidade Federal de Pernambuco. Leandro Carvalho é um dos fundadores da “Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso” e seu atual diretor artístico e

regente principal. Em 2006, a Orquestra apresentou, sob sua direção, 83 concertos voltados para diferentes segmentos da sociedade, com destaque para a participação no “VI Festival Internacional de Música Renacentista y Barroca Americana ‘Misiones de Chiquitos’”, Bolívia, considerado o maior festival de música barroca do mundo, ao lado de importantes e destacados grupos de mais de vinte países.

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Apoio cultural

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Mark Wilson, violino Mark Wilson nasceu em Glasgow, Escócia, numa família de músicos. Estudou na Royal Scottish Academy com Miles Baster e na Royal Academy of Music com Maurice Hasson. Já deu master classes na Guildhall e Trinity Junior Departments e durante o período de cinco anos como “quarteto residente”, ensinou violino e música de câmara no London College of Music. Gravou trilhas sonoras para cinema, em especial a do compositor Barrington Pheloung, que dedicou seu nono quarteto de cordas ao quarteto em que Mark é spalla, o quarteto “Solaris”. Mark Wilson vem desenvolvendo uma carreira bem sucedida como camerista em Londres em nos paises do Reino Unido. Além do quarteto Solaris, Mark é também membro fundador do “Permira Ensemble” e “Trilogy Piano Trio”. È um músico extremamente versátil, capaz de executar com a mesmo desenvoltura repertório sinfônico e camerístico, além de música pop, jazz e música étnica. Mark Wilson mudou-se para o Brasil para integrar a Temporada 2006 da Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso.

Rudá Alves, violino Rudá Alves é natural de São Paulo. Estudou violino com Márcia Fukuda, Elisa Fukuda e Betina Stegmann. Agraciado com uma bolsa de estudos da Fundação VITAE, estudou na cidade de Tel Aviv, Israel, com o mestre Chaim Taub. Participou de cursos e festivais no Brasil, Espanha, Alemanha e Israel, apresentando-se em master classes para Glenn Dicterow, Boris Belkin, Sidney Harth, Zakar Brown, Pinkas Zukermann, Schlomo Mintz, Erik Friedman e Guy Braunstein. Desenvolve intensa carreira como solista e recitalista, tendo realizado concertos e gravações na América do Sul, Oriente Médio e Europa. Nos últimos anos, apresentou-se sob a batuta de grandes maestros como Zubim Mehta, Vag Papian e Roberto Minczuk. Em 2004, a convite do embaixador brasileiro em Israel, realizou recital na sede da Embaixada Brasileira em Tel Aviv. Durante o período que viveu em Israel, a convivência de Rudá Alves com

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grandes músicos como Itzhak Perlman, Daniel Barenboim, Gil Shaham e Guy Braunsteim, contribuiu para o desenvolvimento de um estilo único que funde o rigor e a seriedade da tradição erudita européia com a leveza e o balanço da música brasileira. Entre 2002 e 2006 atuou como violino spalla da Orquestra Sinfônica de Ramat-Gan, percorrendo regularmente as principais cidades israelenses como Jerusalem, Tel Aviv, Raanana, Kfar Bloom e Haifa. Participou dos famosos festivais Kfar Bloom Music Festival e Keshet Eilon International Violin Mastercourse, em Israel, e foi o primeiro músico brasileiro a participar do Central Catalonia Music Festival, realizando recitais nas cidades catalãs de Barcelona, Solsona, Naves e La Coma.

Anderson Rocha, violino Anderson Rocha é mestre em violino pela Louisiana State University (EUA) e mestre em musicologia pela Universidade de São Paulo (USP). Teve como principais professores Paulo Bosísio, James Alexandre e José Eduardo Martins. Em 1992 obteve o primeiro prêmio em música de câmara no III Concurso Nacional Souza Lima, passando a atuar nas principais salas de conserto do país, em gravações para a Rádio e TV Cultura de São Paulo e em CDs pelo Selo Paulus. Anderson Rocha tem atuado em diversas formações sinfônicas e grupos de câmara tais como: Orquestra Sinfônica Municipal de SP, Mississipi Symphony Orchestra, Batan Rouge Symphony e Quarteto Aureus, e participado de importantes Festivais e cursos de aperfeiçoamento no Brasil e Espanha. Anderson mudou-se para Cuiabá para integrar a Temporada 2006 da Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso.

Nina Kopparhed, viola A violista sueca Nina Kopparhed graduou-se no Conservatório de Birmingham e foi aluna de mestres renomados como Peter Cole, Rivka

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Golani e Peter Thomas. Em 1997, na Suécia, recebeu o primeiro prêmio do International Mozart Competition. No período de graduação, atuou como violista principal da Birmingham Conservatoire Symphony Orchestra nas gravações feitas para a BBC do show Dalziel and Pascoe e nos grupos “20th Century Ensemble”, “Opera Orchestra”, “Avison Chamber Orchestra” e “Sinfonia”. Como violista convidada, apresenta-se constantemente com a principais orquestras inglesas como a Aurelian Ensemble, Birmingham Bach Orchestra, Cavendish Ensemble, Chameleon Arts Orchestra, Classical Opera Company, Cornerstone Chamber Orchestra, English Festival Orchestra, Fidelio Ensemble, Sibelius Festival Orchestra, Southbank Sinfonia, Southern Sinfonia, Virtuosi of London e Westminster Chamber Orchestra. Como camerista, Nina integra o “Reynolds String Quartet”, grupo especializado no repertório dos séculos XVIII e XIX que utiliza instrumentos de época, e o “Midgard Ensemble”, composto por soprano, viola, cello e piano. Nina também se apresenta regularmente com os grupos “Solaris Quartet”, “Status Cymbal”, “Bregonzi Quartet”, “Sigma Quartet”, “Maiden Quartet”, “Antara Quartet”, “Enigma Quartet”, “Figaro Quaret”, “Alesi Strin Quartet”, “Con Spirito String Quartet” e “Permira Ensemble”. Nina desenvolve vários projetos educacionais com o “Solaris Quartet” e a “Midgard Ensemble”, ensinando violino e viola. Nina mudou-se para o Brasil para integrar a Temporada 2006 da Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso.

David Gardner, violoncelo David Gardner formou-se em violoncelo e piano em 2000, com honra e distinção, em um dos mais importantes conservatórios da Europa, o Trinity College of Music, em Londres. Estudou com grandes nomes do violoncelo como Maude Tortelier, Richard Markson e Lowri Blake. Pelo seu recital de formatura recebeu o prêmio The John Barbirolli Prize, alcançando a maior pontuação do conservatório. Terminada a fase de graduação, David Gardner integrou importantes orquestras inglesas como The Hallé, BBC Philharmonic, Opera North, Manchester Camerata e a Welsh National Opera Orchestra, fazendo concertos sob a batuta de reno-

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mados regentes como Mark Elder, Yan Pascal Tortelier, Sir George Solti, Stephen Kovachovich e Diego Masson. Como camerísta e solista, David apresenta-se constantemente no Reino Unido e em diversos países do mundo. Já participou dos festivais The Dartington International Summer Festival, The Huddersfield Contemporary Festival e The Villa-Lobos International Festival no Rio de Janeiro. Em 2002 formou o “Britton String Quintet”, quinteto de cordas liderado por ele que excursiona constantemente em diversos países e realiza gravações. Com o violonista e regente Leandro Carvalho excursionaram pelo Brasil em 2003 e 2004, e pela Inglaterra em 2005, lançando o último trabalho gravado em parceria, o CD “London Poem” com peças Caetano Veloso, Tom Jobim e Villa-Lobos. David mudou-se para o Brasil em 2005 para integrar a Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso.

Leonardo Yule, viola-de-cocho Leonardo Boabaid Yule é formado em violão clássico pela FAAM, São Paulo, sob a orientação de Henrique Pinto e Sidney Molina, e teve aulas com Sérgio Abreu, Abel Carlevaro, Norbert Craft, Fábio Zanon e Paulo Martelli. Vem apresentando-se como concertista com freqüência em vários Estados brasileiros com destaque para os concertos que realizou na I Mostra Internacional de violões da FAAM, Biblioteca Villa-Lobos, Mostra Internacional do MASP de Música Instrumental e Sala São Paulo. Venceu vários concursos nacionais como solista, destacando-se: Musicalis (SP – 2001), Souza Lima (SP – 2002), Internacional de Campos (RJ – 2002), Música Câmara Bianca Bianchi (PR – 2002) e Souza Lima (SP – 2003). Integra a Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso desde sua primeira formação em 2005.

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S O D A D CONVI

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Apoio cultural

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Marcio Landi Marcio Spartaco Landi, 36 anos, é Bacharel em Composição e Regência pelo Instituto de Artes da Universidade Estadual Paulista, obteve, com distinção e louvor, o título de Mestre em Artes pela mesma instituição sob orientação do Prof. Dr. Régis Duprat, possuindo trabalhos publicados na área de Musicologia Histórica. Teve sua formação inicial orientada pelos professores H. J. Koellreutter e Sérgio Bizetti. Participou dos principais festivais de música como o Ars Academy da Istituizione Sinfonica di Roma, Festival Internacional de Artes da Fundação Eleazar de Carvalho, Festival de Inverno Campos de Jordão entre outros. Destacou-se entre os alunos do curso de alta interpretação ministrado pelo maestro Eleazar de Carvalho no período de 1994 a 1996. Participou do I Curso Latino Americano de Regência Orquestral promovido pela Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo ministrado pelo maestro Kurt Masur, assim como do curso internacional ministrado pelo renomado maestro Jorma Panula, em 2004. Da sua carreira internacional destaca-se a direção de oratórios e concertos nos Estados Unidos e Romênia, colaborando com a orquestra Filarmônica de Brasov (2004), Ensemble Braz & Ensemble Sépia (USA, New York, 2005), e Louisiana Sinfonietta (USA, 2002). Lecionou durante três anos harmonia, análise e regência na Faculdade Santa Marcelina, uma das instituições de maior prestígio na cidade de São Paulo que tem no quadro de professores nomes expressivos do cenário musical. Atualmente é professor e Coordenador do Departamento de Artes da Universidade Estadual do Ceará, Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra de Câmara Eleazar de Carvalho e Diretor Presidente da Associação Artística de Concertos do Ceará (AACC).

Marcos Arakaki Natural de São Paulo, Marcos Arakaki graduou-se pela UNESP em 1998 e em 2004 concluiu o mestrado em regência orquestral pela Universidade de Massachusetts nos Estados Unidos. Vencedor do I Concurso Nacional Eleazar

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de Carvalho para Jovens Regentes realizado no Rio de Janeiro em 2001, Marcos Arakaki vem dirigindo importantes orquestras no Brasil e no exterior. Dentre elas estão a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Paraiba; Petrobrás Sinfônica, Orquestra Sinfônica de Campinas, da USP e da UNICAMP, Orquestra de Câmara da OSESP, Boshulav Martinu Philarmonic, na Republica Tcheca, Kharkov Philarmonic, na Ucrânia, Filarmônica de Buenos Aires, na Argentina, e também a Orquestra da American Academy of Conduting, em Aspen nos EUA. Dentre os maestros que fizeram parte de sua formação destacam-se os maestros Kurt Masur, Charles Dutoit, Sir Neville Marriner e Leonard Slatkin. Marcos Arakaki é o atual regente titular da Orquestra Sinfônica da Paraíba e regente assistente da Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio de Janeiro.

Daniel Guedes Nasceu em 1977, no Rio de Janeiro, iniciando seus estudos de violino aos sete anos. Estudou no Conservatório Brasileiro de Música com Paulo Bosísio. Aos treze anos, venceu o IX Concurso Jovens Concertistas Brasileiros e ganhou bolsa de estudos da Capes para estudar em Londres, na Guildhall School of Music, com Detlef Hahn. Em 1998, foi vencedor da Bergen Philharmonic Competition, em Nova Jersey, e, em 2000, do Waldo Mayo Memorial Violin Competition, em Nova York. Foi aluno de Pinchas Zukerman e Patinka Kopec no prestigiado “Pinchas Zukerman Performance Program”, na Manhattan School of Music, onde completou o Bacharelado, graduando-se como “Outstanding Student”, e recentemente concluiu o Mestrado em Música. Estudou música de câmara com renomados músicos, como Isidore Cohen, “Trio Beaux Arts” e Sylvia Rosenberg. Participou das master classes dos violinistas Robert Mann, “Juilliard String Quartet”, Arnold Steinhardt, Ole Bohn e Miriam Fried. Foi bolsista do Projeto ApArtes da CAPES e da Vitae.

Desde os dez anos vem se apresentando como recitalista e concertista nas principais cidades brasileiras e nos EUA, Canadá, Noruega, Inglaterra e Colômbia. Foi solista de várias orquestras,

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incluindo a Orquestra Sinfônica Brasileira, a Sinfônica Nacional da UFF, a Sinfônica do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, a Guildhall Junior Symphony, Bergen Philharmonic de Nova Jersey, Sinfônicas de Campinas, da Bahia e de Recife, Amazonas Filarmônica, Filarmônica de Bogotá e National Arts Centre Orchestra, no Canadá, entre outras. Como solista, já atuou sob a regência de Pinchas Zukerman, Lior Shambadal, David Gilbert, Boiko Stoyanov, Roberto Duarte e Aylton Escobar, entre outros. Em maio de 2000, apresentou-se como solista do “Concerto n. 1”, de Max Bruch no Carnegie Hall de Nova York. Em 2001 e 2002 abriu a temporada de concertos da OSB no Teatro Municipal do Rio tocando concertos de Tchaikovsky e Sibelius.

Em 1998, participou do concerto em comemoração aos 50 anos de Pinchas Zukerman, no Carnegie Hall, tendo se integrado à Orquestra de Câmara Inglesa. Também em 1998, foi convidado a tocar o “Octeto”, de Mendelssohn, com Zukerman. Seus parceiros de música de câmara também incluem Fábio Presgrave, Márcio Mallard e Flávio Augusto. Gravou várias vezes para programas de rádio e televisão. Em 2000 foi lançado seu primeiro CD, pelo selo Niterói Discos, com obras de Poulenc, Villa-Lobos, Brahms e Wieniawsky. Em 2004 foram lançados mais dois CDs, um deles em homenagem a César Guerra-Peixe, onde toca o Concertino para violino e orquestra com a OSB, e o outro com composições de Astor Piazzolla, com Rami Kalliffe (piano) e Fábio Presgrave (violoncelo). Além das atividades como solista e camerista, Daniel Guedes foi assistente de Patinka Kopec, na Manhattan School of Music e vem lecionando em importantes festivais de música no país. Recentemente foi convidado para lecionar no Conservatório Brasileiro de Música.

Alessandro Borgomanero Alessandro Borgomanero nasceu em Roma e formou-se com o título de Mestre em 1992, na Escola Superior de Música “Mozarteum”, em Salzburg, na classe do violinista Ruggiero Ricci. Continuou seus estudos

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Apoio cultural

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com renomados violinistas como Boris Belkin (Siena), Salvatore Accardo (Cremona) e Rodolfo Bonucci. Apresentou-se como solista frente a várias orquestras tais como, Orquestra de Câmara de Budapest, Salzburg Chamber Soloists, Philadelphia Virtuosi Chamber Orchestra, London Mozart Players, Virtuosos de Salzburgo, Orquestra de Câmara de Berlim, Bachiana Chamber Orchestra, Orquestra “Sinfonietta” Salzburg, e com a maioria das orquestras sinfônicas brasileiras. Em 2002 realizou a primeira execução brasileira do “Concerto n. 2” para violino de Schostakovich, acompanhado pela Orquestra Sinfônica do Paraná. Em 2005, apresentou-se como solista da Kremlin Chamber Orchestra, Rússia, em dois concertos no auditório do Kremlin, em Moscou.

Em duo com violino e piano, e como integrante do “Quarteto Mozarteum”, obteve elogios do público e da crítica especializada em tournées por diferentes países como: Áustria, Escócia, Inglaterra, Portugal, Alemanha, Itália, Japão, Rússia, Austrália, Estados Unidos, Canadá, Peru, Argentina, Uruguai e Brasil. Apresentou-se em salas de concerto importantes como no Grosses Festspielhaus em Salzburg, Palao de la Musica, Barcelona, no Tivoli, em Copenhagen, Alte Oper, em Frankfurt, Bunkakaikan e Pablo Casals Hall, em Tóquio, no Teatro Olímpico, em Roma, no Teatro Colón, em Buenos Aires e na Sala São Paulo. Gravou programas para a rádio BBC de Edinburgo, NHK de Tóquio, ORF de Salzburg e para a RAI Italiana. Participou com concertos em diversos festivais de música como no Festival de Verão de Salzburg, num concerto de música de câmara com a cantora Jessye Norman, Festival de Música de Edimburgo, nas Semanas Filarmônicas de Salzburg, junto com integrantes das Orquestras Filarmônica de Viena e de Berlim, Festival Mozart de Tóquio, e no Festival de Inverno de Campos do Jordão. Ministrou master classes para violino na Escola Superior de Música de Viana, em Portugal, e nos principais festivais de música do Brasil. Gravou vários CD’s pelos selos Kreuzberg Records (Alemanha), Nami Records (Japão) e Classic Sound (Áustria). A sua discografia inclui dois CDs gravados com o “Mozarteum Quartett”, com quartetos e quintetos de Mozart com o clarinetista Wenzel Fuchs da Filarmônica de Berlim, um CD de violino e violão com um arranjo dos “Quadros de Uma Exposição”, de Mussorgsky, e outro com peças virtuosísticas para violino e piano. Atualmente ele alterna a sua atividade musical na Europa

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com a de professor de violino na Universidade Federal de Goiás e em 2003 assumiu o cargo de diretor artístico e regente titular da Orquestra de Câmara Goyazes. Em 2006 lhe foi outorgado pelo Governo do Estado de Goiás o título de “Comendador da Ordem do Mérito Anhanguera” pelas suas realizações na área da música em Goiás. Para a temporada de 2007, tem agendado apresentações como solista com a Orquestra Bachiana Filarmônica, com o concerto de Beethoven sob a regência de João Carlos Martins, o concerto de Schostakovich n. 2, com a Orquestra Sinfônica de Campinas, e a Sinfonia Concertante de Mozart, juntamente com Daniel Guedes, com a Orquestra Sinfônica do Paraná.

Roberto Corrêa Um dia, Badia precisava dizer algo além de abrangente, que fosse mais para a frente, que atingisse um tanto de légua adiante. Então soltou: “Esbrangente”! Não era a primeira vez que nos dizia palavra nova, uma expressão curtida no tempo do sertão. Como todas as outras vezes, paramos tudo e pedimos para repetir. Pois lá veio a tal. E lembrei-me de uma frase do poeta Manoel de Barros: “Não gosto de palavra acostumada”. Paulo Freire (extraído do CD “Esbrangente”).

Este é o espírito do re-encontro de Roberto Corrêa, um dos maiores instrumentistas brasileiros da atualidade, com a Orquestra de Câmara do Estado de Mato Grosso. Roberto foi o primeiro solista convidado da Orquestra em sua primeira temporada, no ano de 2005. Os concertos foram memoráveis e ficou a vontade de continuar trabalhando juntos. Não demorou muito e a oportunidade veio através das mãos do grande gestor na área cultural, Edson Natale, responsável por uma verdadeira revolução a frente do segmento da música do Instituto Itaú Cultural.

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A viola-de-cocho e a viola caipira, nas mãos de Roberto, ganham grande expressão. Como disse Paulo Freire na apresentação do CD “Esbrangente”, “é um instrumento que ainda vai dar o que falar. Estamos crescendo junto com ele, descobrindo suas possibilidades. Vê-lo nas mãos dos cururueiros de Mato Grosso é uma experiência fantástica”. É daí que vem nosso entusiasmo pela viola-de-cocho e nossa crença em suas múltiplas possibilidades. Incorporá-la à Orquestra tem sido um grande e prazeroso desafio.

Além do repertório de rasqueados mato-grossenses e composições originárias de vários países da América do Sul, as peças escolhidas para a gravação do DVD foram extraídas de três trabalhos de Roberto Corrêa: “Esbrangente”, em parceria com Badia Medeiros e Paulo Freire, lançado em 2003, “Uróboro”, de 1994, e “No Sertão”, com arranjos para quinteto de cordas, gravado em 1998. São representativas de uma longa e bem sucedida trajetória do instrumentista e compositor dedicada ao estudo e a composição de peças para viola-de-cocho e viola caipira.

Vera Capilé Na voz da cantora soprano Vera Capilé, o regionalismo mato-grossense ganha nuances do erudito e encanta platéias mundo afora. Este talento da terra surgiu ainda na infância, quando a menina nascida em Dourados (MS), em berço de artistas, cantava em saraus familiares, na comunidade, e nas rádios. Na adolescência, já em Cuiabá, dos 15 aos 17 anos, fez programas musicais ao vivo, na tradicional Rádio a Voz D’oeste. Nos seus dois CDs gravados, estão a forte influência da polca paraguaia, guarânia, chamamé, boleros, e os ritmos afros e indígenas. Sua vida é marcada pelo amor pela natureza, Chapada dos Guimarães, Pantanal, Vale do Guaporé, o Araguaia e todo bioma amazônico. Vera Capilé é presença constante nas chamadas “Festas de Santo”. Dedica-se à pesquisa da manifestação poética do cururu e siriri, onde a viola-de-cocho é o instrumento principal. É psicóloga, por formação.

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Zied Coutinho A música popular de Mato Grosso tem em Zied Augusto Coutinho, 55 anos, uma referência. O gênero “choro” é a especialidade do artista, que começou a carreira aos 15 anos. Nascido em Poxoréo, veio criança para a Capital, onde em 1975 fundou o “Clube do Choro”. Paralelamente à música, cursou até a metade da faculdade de Administração. Fez a coordenação artística da Acrimat por 4 anos, e atuou como diretor nas rádios A Voz D`Oeste, por 2 anos, e Cuiabana, por 18. Gravou seu primeiro CD em 2001. Em diversos saraus musicais, tocou e cantou com uma lista extensa de conceituados músicos cuiabanos, como Virgílio (Jiló), Hélio, Fioco de Araújo, Tote Garcia (violinista), Nilson Constantino, Nami Ourives (bandolim), Astério do bandoneon, Vicente da flauta, João Feijão e Pedroso dos violões, o que lhe deu uma imensa bagagem e conhecimento musical para selecionar o que existe de melhor da música popular brasileira. Na bagagem, várias apresentações em festas populares, como a mais tradicional, em homenagem a São Benedito.

Alma de Gato O grupo de vozes masculinas “Alma de Gato” completa três anos em 2007. É um exemplo concreto da pujança do canto coral em Mato Grosso, setor que vem evoluindo notadamente nos últimos anos. Tem como diretor artístico e regente, Jefferson Neves, enquanto Gilberto Nasser assina a direção cênica. Desde sua formação vem se destacando pelo repertório que possibilita não apenas o canto, mas também a encenação, onde não falta o humor. Suas performances têm demonstrado, seja pela simpatia que conquista junto ao público, seja pela boa técnica apresentada, que o “Alma de Gato” veio para ficar. Formado em agosto de 2004, durante evento do gênero organizado pelo Coral UFMT, sua proposta, de explorar as vozes masculinas, com repertório apropriado para oferecer ao público um formato diferente na realização da musica vocal, cristaliza-se cada vez mais. Começou com cinco integrantes, daí tornou-se um octeto e não demorou a

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somar doze integrantes, onde estão algumas das melhores vozes do canto coral masculino de Mato Grosso. Sua formação completa engloba Gilberto Nasser, Jefferson Valle e Thiago Sanches (tenores um); Evaldo Sampaio, Thiago Bazzi e Helberth Silva (tenores dois); Junior Silgueiro, Jefferson Neves e Donato Perassolo (barítonos) e Renato Marçal, Alysson Marques e Joe Miguel (baixos).

Cinco Morenos Um dos mais populares e antigos grupos musicais de Mato Grosso, o grupo “Cinco Morenos” existe há mais de 30 anos, com esse nome, que lhes foi dado pela atriz Lúcia Palma, quando eles viajaram ao Rio de Janeiro, acompanhando o espetáculo teatral “Rio Abaixo, Rio Acima”, de Glorinha Albuês, no qual participavam. Mas esse grupo formado nas margens do rio Cuiabá, na localidade de Souza Lima, Várzea Grande, que já teve diversas formações, existe a cerca de 80 anos, pelo menos é o que estimam os conhecedores e estudiosos da música mato-grossense. A musicalidade vem se passando de maneira familiar, sempre mantendo a qualidade e conquistando a simpatia do público. Desde a época de músicos como Tote Garcia e Zulmira Canavarros, já há registros da participação desses homens simples, ribeirinhos, animando reuniões musicais e tocando com muita sensibilidade, especialmente, o rasqueado mato-grossense. A atual formação dos Cinco Morenos conta com Raul (violinofone), Jaime (banjo), Domingos (surdo), Jurandir (caixa) e Benedito (pandeiro). Todos, emparentados, têm Oliveira no sobrenome.

Pescuma, Henrique e Claudinho Benedito Donizete de Morais, o Pescuma, nasceu em São Luiz Paraitinga, São Paulo, em 1959. Aos três anos mudou-se para Taubaté, São Paulo, onde recebeu sua iniciação musical, através do violão,

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em família, com o irmão João Morais e o primo José Lica. Chegou a estudar violão clássico, mas sua vocação para a música popular foi mais forte. Em Taubaté criou-se nos braços da música regional, característica indissociável de sua composição, já que foi criado entre violeiros, sanfoneiros, batuqueiros, jongos e visarias. Chegou em Cuiabá em 1984, onde se deparou, e se encantou, com manifestações como o rasqueado, o cururu e o siriri. O trio Pescuma, Henrique e Claudinho foi o que mais gravou composições de Pescuma.

Henrique, Claudinho e Pescuma acabaram se unindo, sob orientação de um amigo em comum, Zezé Di Camargo, que acredita que, se eles formassem um trio, tocariam melhor o rasqueado cuiabano. Destaca-se nesse trio a viola de Claudinho, que é apontado como um dos melhores violeiros do Brasil. Em seu repertório, Pescuma tem aproximadamente 250 composições, nos mais variados estilos: rasqueados, toadas, chamamês, guaranias, sambas, xotes e polcas. Entre seus principais parceiros estão Zezé Di Camargo, Moisés Martins, Pineto, Neil Bernardes e Henrique. Em parceria com o jornalista Ulisses Serotini, que também soube captar a beleza da musicalidade regional, Pescuma criou ‘É Bem Mato Grosso”, um verdadeiro hino aos valores culturais do Estado.

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TEMPORAD MARÇO sexta 23 sábado 24 domigo 25

A 2007

Stravinsky Camargo Guarnieri

ABRIL sexta 20 sábado 21 domigo 22

às 20 horas Sesc Arsenal

Grieg Sibelius Pernambuco

às 20 horas Sesc Arsenal

JUNHO sexta 22 sábado 23 domigo 24

MAIO 18

Homenagem ao centenário de Tote Garcia

sexta Gravação de DVD ao vivo

às 20 horas Casa Barão de Melgaço

às 20 horas Instituto Itaú Cultural Av. Paulista, 149. São Paulo – SP

SETEMBRO sexta 21 sábado 22 domigo 23

AGOSTO sexta 17 sábado 18 domigo 19

Villa-Lobos Piazzolla Brito Flores Gutiérrez

às 20 horas Sesc Arsenal

Bartók ‘O Fantástico Mundo do Circo’

às 20 horas Sesc Arsenal

SETEMBRO sexta 28 sábado 29 domigo 30 às 20 horas Sesc Arsenal

NOVEMBRO sábado 03 às 20 horas Centro de Eventos do Pantanal

Janacek Purcell Resphighi Copland Santoro

OUTUBRO sexta 12 sábado 13 domigo 14

Saint-Saëns Prokofiev

às 20 horas Cine-Teatro Cuiabá

Literamérica 2007 Feira Sul-Americana do Livro

NOVEMBRO sexta 09 sábado 10 domigo 11

DEZEMBRO sexta 07 sábado 08 domigo 09

Mozart

às 20 horas Cine-Teatro Cuiabá

às 20 horas Cine-Teatro Cuiabá

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Guerra Peixe Rimsky-Korsakov Ravel Fernandez


Direção Artística e Regência Principal Leandro Carvalho

Violino

Contrabaixo

Mark Wilson

Lyubomir Venceslavov Popov

Rudá Alves

Carlos Eduardo Gomes

Alice Beviláqua Anderson Rocha

Viola de Cocho

Kleberson Buzo

Leonardo Boabaid Yule

Gliciane Chiarelle

Napoleão Botelho de Paula

Jorge Moura

Bruno Pizaneschi

Tais de Souza Morais

Antonio Marcos Azevedo

Renan Vicente da Silva Percussão Viola

Alex Teixeira

Nina Kopparhed

Sandro Souza

Glaucia Chignolli

Violoncelo David Gardner Gidesmi Alves

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Blairo Borges Maggi | Governador do Estado de Mato Grosso Silval Barbosa | Vice-governador do Estado de Mato Grosso João Carlos Vicente Ferreira | Secretário de Estado de Cultura Manoel Antônio Garcia Palma | Secretário Adjunto de Cultura

FICHA TeCN ICA

Direção Artística | Leandro Carvalho Direção Geral | Lúcia Carames Sartorelli Produção Executiva | Magna Domingos Administrativo-Financeiro | Regiane Ferreira Lopes Assistentes de produção | Elisangela Passos, Welida Passos, Alan Ojeda e Adriana dos Santos Lima Consultoria de Gestão | Stanley Whibbe Arquivista | Fábio Fragoso Montador | Osmar Alves Núcleo Pedagógico | Ângelo Souza dos Santos e Magna Domingos Textos | Lorenzo Falcão

www.orquestra.mt.gov.br

Produção Editorial | Carlini & Caniato Editorial Projeto Gráfico | Rosalina Taques

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Programa de Concerto 2007  

Programa de Concerto da Temporada de 2007

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