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Anais do 10º Seminário Anual de Iniciação Científica da UFRA, 26 à 29 de setembro de 2012

DIFERENTES PROPORÇÕES DE COMPOSTO ORGÂNICO NA PRODUÇÃO DE RÚCULA Thaís Sampaio MIRANDA1; Gisele Teixeira de SOUZA2; Ítalo Marlone Gomes SAMPAIO3; Priscila Maylana Modesto de JESUS4; Sérgio Antonio Lopes de GUSMÃO2 Resumo O presente trabalho teve como objetivo avaliar os efeitos de diferentes proporções de componentes de compostos orgânicos na produção de mudas e também características pós colheita da rúcula (Eruca sativa L.). Os experimentos foram montados em blocos casualizados com quatro repetições. Foram avaliadas várias proporções de componentes energéticos, nutrientes e inoculantes, na fabricação do composto pelo método indore. Os tratamentos avaliados na compostagem foram (5:3:1; 4:3:2; 1:1:1; 1:2:1) respectivamente para os componentes energético,nutriente e inoculante. Foram avaliadas as alturas médias das mudas de rúcula. Após a colheita foram analisadas as variáveis: altura, número de folhas, peso fresco e peso seco. Verificou-se na altura das mudas de rúcula que os tratamentos não se diferiram estatisticamente tendo crescimentos semelhantes nas quatro proporções, porém observou-se que nos tratamentos T1e T2 (5:3: 1; 4:3:2) houve um maior crescimento das mudas comparando-o com os outros tratamentos. Para as análises pós colheita não houve diferença significativa em nenhum dos parâmetros analisados indicando que qualquer das proporções utilizadas favorece o cultivo da rúcula. Palavras-chave: Eruca sativa. Plantio. Substrato Introdução A compostagem é um processo seguro e eficaz pelo qual resíduos orgânicos passam por uma “higienização” pra que obtenha-se um produto parcialmente mineralizado o qual quando utilizado em sistemas orgânicos de produção atuam positivamente na nutrição de plantas (MELO, 2006 apud SOUZA, 2003) O cultivo orgânico é uma alternativa para redução da dependência no uso de insumos externos na propriedade, eliminando ainda o uso de agrotóxicos e adubos químicos. Tais modelos de produção vêm sendo cada vez mais adotados (MACIEL. 2000). Compostos orgânicos são produtos indispensáveis em sistemas orgânicos de cultivo, uma vez que melhoram a qualidade do solo e previnem o aparecimento de pragas e doenças nas áreas de plantio (KIEHL, 2010). De acordo com Piero et al (2005) existem diversos indutores bióticos de resistência. Já Athayde Sobrinho et al (2005), relatam os efeitos de indutores abióticos na resistência de plantas a pragas e doenças. A composição dos compostos pode influenciar nos efeitos transformadores da qualidade biológica, química e física do solo. Por isso é importante propor componentes de acordo com as finalidades do composto preparado (Penteado, 2006). Assim, o objetivo deste trabalho é de avaliar os efeitos de diferentes proporções de componentes de compostos orgânicos na produção de mudas e também características pós colheita da rúcula (Eruca sativa L.). Metodologia A pesquisa foi desenvolvida na área da Universidade Federal Rural da Amazônia, em Belém, estando a validação dos resultados, sendo efetuada em projetos da UFRA em Igarapé-Açu. Foram avaliadas várias proporções de componentes energéticos, nutrientes e inoculantes, na fabricação do composto pelo método indore. Os tratamentos avaliados na compostagem foram T1(5:3: 1); T2(4:3: 2); T3(1:1:1) e T4(1:2:1) respectivamente para os componentes energético, nutriente e inoculante. Como componente energético foi utilizado: cascas de castanha, caroço de açaí e palha de capim seco em proporções iguais. Como nutriente foi utilizada palhada verde oriunda de roçagem, ramos de leguminosas, folhas de embaubeira e titonia, cinza e bagaço de frutas. O material inoculante foi cama de frango.

1

Estudantes do Curso de Agronomia da Universidade Federal Rural da Amazônia; thaishalon@hotmailcom. Bolsista do PIBIC_CNPQ 2 Professor da Universidade Federal Rural da Amazônia; E-mail: sergio.gusmao@ufra.edu.br.

E-mail:


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As camadas dos três componentes foram sobrepostas até atingir altura de 1,2 m. Cada camada teve no máximo 20 cm de comprimento. Após 20 dias foram iniciados os revolvimentos até que o material se estabilizasse na temperatura ambiente, o que ocorreu com aproximadamente 60 dias. Depois de estabilizado o material foi utilizado no solo, compondo a matéria orgânica e servindo como adubação. A rúcula foi semeada em bandejas de poliestireno, preenchidas com composto orgânico nas quatro proporções ( 5:3:1; 4:3:2; 1:1:1; 1:2:1), sendo mantida uma planta por célula de semeadura . Após 20 dias as mudas foram transplantadas para os canteiros adubados com composto orgânico, no espaçamento de 15 cm x 15 cm..Cada parcela continha 20 plantas úteis. A colheita ocorreu aos 25 dias após o transplantio. Os experimentos foram montados em blocos casualizados com quatro repetições. Foram utilizados dois litros de composto por metro quadrado de canteiro, incorporado a 10 cm de profundidade. Adubações complementares foram feitas semanalmente, com adição de 0,5 L por metro quadrado dos respectivos compostos durante as três primeiras semanas após o transplantio. A irrigação foi feita por microaspersão e no manejo fitossanitário, quando necessário, foram utilizados métodos de controle alternativo. As características avaliadas foram altura de planta, número de folhas por planta, peso fresco e peso seco de parte aérea. Na fase de cultivo foram avaliadas as características de produção e ocorrência de problemas fitossanitários. A partir dos dados obtidos ocorreu a submissão à Análise de Variância (teste F) e os tratamentos comparados através do teste de Tukey, ao nível de 5% de probabilidade. Resultados e Discussão As diferentes proporções de composto orgânico foram avaliadas tanto na utilização como substrato quanto na adubação dos canteiros. A estabilização dos compostos ocorreu com 70 dias, após o inicio da compostagem, sendo caracterizada pela redução da temperatura para o nível da temperatura ambiente e pela redução do tamanho dos componentes que iniciaram a compostagem. Avaliou- se a influencia nas características das mudas e das plantas pós colheita. Nas mudas foi avaliado o fator altura. Verificou-se que para altura das mudas de rúcula que os tratamentos não se diferiram estatisticamente tento crescimentos semelhantes nas quatro proporções, porém observou-se que nos tratamentos T1eT2 (5:3:1; 4:3:2) houve um maior crescimento das mudas comparando-o com os outros tratamentos (Figura 1), o que pode ser atribuído provavelmente ao maior teor energético que segundo Kiehl (2001) são resíduos carbonáceos que apresentam alta relação C/N ,onde o carbono é facilmente metabolizado pelos microrganismos e que na montagem das pilhas de composto é colocado em maior espessura . Estudos feitos por Medeiros et. al. (2006) observaram a superioridade do composto orgânico quando comparado a outros substratos.

7

A lt u ra ( c m )

6

T 1 T 2 T 3 T 4

5 4 3 2 1

0 24/01/12

31/01/12

07/02/12

Fonte Autores Figura 1. Alturas médias em diferentes tratamentos de composto orgânico T1(5:3: 1); T2(4:3: 2); T3(1:1: 1) e T4(1:2:1) respectivamente para os componentes energético,nutriente e inoculante para produção de mudas de rúcula (Eruca sativa). Em experimento realizado na UFRA. Belém-PA. 2011-2012.


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Na análise das características pós-colheita foi observado que não houve diferença significativa em nenhum dos parâmetros analisados (Tabela 01). Tabela 1 - Valores médios para altura de plantas, número de folhas, peso fresco e peso seco da parte aérea nos tratamentos com diferentes proporções de componente energético, nutriente e inoculante:T1(5:3:1); T2(4:3:2); T3(1:1:1) e T4(1:2:1). Tratamento

Altura (cm)

Número de

Peso fresco (g)

Peso seco (g)

folhas T1

24,51ns

12,00 ns

23,62 ns

3,00 ns

T2

28,06

12,14

27,46

2,45

T3

24,96

10,29

22,52

3,4

26,69

2,1

T4 26,4 13,61 *médias analisadas pelo teste de Tukey a 5% de probabilidade.

Fonte: Autores Solino et al, (2010), analisando o cultivo orgânico de rúcula, observou que a massa da matéria fresca da rúcula aumentou à medida que se elevou a aplicação das doses de composto orgânico. Os resultados apresentados mostram que as propriedades físicas, químicas e biológicas dos diferentes substratos foram semelhantes, favorecendo o desenvolvimento das plantas, o que é comprovado pelos valores encontrados que estão de acordo com as médias de crescimento da rúcula, sendo comparáveis àqueles obtidos por MELLO (2006). Conclusões As diferentes proporções de composto avaliadas são indicadas para o cultivo da rúcula nas condições em que o experimento foi analisado.

Agradecimentos Ao Cnpq pela concessão de bolsa e ao professor Sérgio Antonio Lopes de Gusmão pela orientação no trabalho realizado. Referências ATHAYDE SOBRINHO, C.; FERREIRA, P.T.O.; CAVALCANTI, L.S. Indutores abióticos In: (Ed. Cavalcanti et al, ), Inducao de resistência em plantas a patogenos e insetos. Piracicaba, FEALQ, p. 51-80, 2005. KIEHL, E. J. Novo fertilizantes orgânicos. Piracicaba, Ed. Degaspari, 2010, 248p. KIEHL,J.C. Produção de composto orgânico e vermicomposto. Informe Agropecuário. v.22, n.212, p.47-52, 2001. MACIEL, M. A horta orgânica profissional, São Francisco do Sul, Ed. Solo vivo, 2000, 140p. MEDEIROS, D. C. de; MAIA, A. F. C. de A.; DANTAS, M. R. da S.; NUNES, G. H. de S.; MARQUES, L. F.; MASCARENHAS, R. S.; FREITAS, K. K. C. de; TOMAZ, H. V. de Q. Produção de mudas de rúculas em diferentes substratos com e sem adubos orgânicos. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 2006, Goiânia. Anais... Goiânia: UFERSA, 2006 MELO, D. M. de; GUSMÃO, S. A. L. de. Efeitos da adubação com composto orgânico aeróbio e anaeróbio, provenientes de resíduos de feira, na produção de alface cv. verônica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE OLERICULTURA, 2006, Goiânia. Anais... Goiânia: UFRA, 2006.


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PENTEADO, S.R. Adubação orgânica. Campinas, Ed. Via Verde Agroecologia. 2006. 50p. PIERO, R. M., GARCIA JUNIOR, D., TONUCCI, N.M. Indutores bióticos. In: (Ed. Cavalcanti et al,), Indução de resistência em plantas a patógenos e insetos. Piracicaba, FEALQ, p. 29-50, 2005. SOLINO, A. S. da S.; FERREIRA, R. de O.; FERREIRA, R. L. F.; NETO, S. E. de A.; NEGREIRO, J. R. da S. Cultivo orgânico de rúcula em plantio direto sob diferentes tipos de coberturas e doses de composto, Revista Caatinga, Mossoró, v. 23, n. 2, p. 18-24, abr.-jun., 2010.


Rucula