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RELATÓRIO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO RURAL EM MACAÉ – RJ Juliana Arruda Macaé 14 e 15 de abril de 2012

Realização:

Apoio:

1


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Centro de Inteligência em Orgânicos

RELATÓRIO

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO RURAL EM MACAÉ – RJ

Juliana Arruda 14 e 15 de abril de 2012

Realização:

Apoio:

1


O Centro de Inteligência em Orgânicos – CI Orgânicos – é um projeto realizado pela SNA e conta com o apoio do Sebrae. Seu objetivo principal é contribuir para o fortalecimento da cadeia produtiva de alimentos e produtos orgânicos no Brasil por meio da integração e difusão de informação e conhecimentos. www.ciorganicos.com.br

Informações e contato Sociedade Nacional de Agricultura Presidente: Antonio Mello Alvarenga Neto Av. General Justo 171, 7° andar, Centro 20021-130. Rio de Janeiro, RJ. Brasil +55 (21) 3231-6350 Internet: www.sna.agr.br Email: sna@sna.agr.br

Coordenação: Sylvia Wachsner Maria Chan – Consultora externa Organização: Maria Chan – Consultora externa Ricardo Salles - Consultor externo Revisão : Maria Chan Fernanda Fróes

Diagramação: Maria Chan

Ar14pl Arruda, Juliana. Planejamento Estratégico Rural em Macaé-RJ: Relatório / Juliana Arruda.– Rio de Janeiro: Sociedade Nacional de Agricultura; Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas; Centro de Inteligência em Orgânicos, 2012. 47 p.: il. Relatório realizado nos dias 14 e 15 de abril de 2012. Bibliografia: p.42. 1. Planejamento Estratégico Rural – Macaé, RJ. 2. Agricultura orgânica. I. Título. I CDD – 658.401 CDU – 658.012-2

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SUMÁRIO 1 . RESUMO EXECUTIVO ................................................................................................................... 5 2 . APRESENTAÇÃO........................................................................................................................... 6 3 . JUSTIFICATIVA ............................................................................................................................. 7 4 . OBJETIVOS ................................................................................................................................... 9

4.1 . OBJETIVOS ESPECÍFICOS ................................................................................9 5 . MATERIAL E MÉTODOS .............................................................................................................. 10 6 . RESULTADOS ............................................................................................................................. 11

6.1 . CALENDÁRIO AGRÍCOLA ................................................................................13 6.2 . FLUXOGRAMA DE COMERCIALIZAÇÃO.............................................................21 6.3 . ÁRVORE DE ENCADEAMENTO LÓGICO ............................................................23 6.4 . MATRIZ FOFA ...............................................................................................29 6.5 . MATRIZ DE PLANEJAMENTO DO FUTURO DESEJADO .......................................35 7 . CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................................ 38

7.1 . AVALIAÇÃO SOBRE A APLICAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE DIAGNÓSTICO ............39 7.2 . AVALIAÇÃO DOS PARTICIPANTES SOBRE A OFICINA .........................................40 7.3 . SÍNTESE E PRÓXIMOS PASSOS ......................................................................40 8 . BIBLIOGRAFIAS .......................................................................................................................... 42 9 . EQUIPE ...................................................................................................................................... 44

9.1 . COORDENAÇÃO ............................................................................................44 9.2. ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO............................................................................44 10 . ANEXOS ................................................................................................................................... 45

ANEXO 1 . CALENDÁRIO AGRÍCOLA ......................................................................45 ANEXO 2 . FICHA DE AVALIAÇÃO DA OFICINA ........................................................46 ANEXO 3 . CARTA DE UM PRODUTOR ...................................................................47

4


.

1 RESUMO EXECUTIVO O presente documento reúne o conjunto de registros elaborados na oficina de planejamento estratégico rural, realizada no município de Macaé – RJ nos dias 14 e 15 de abril do ano de 2012. O objetivo da oficina foi identificar, de forma participativa, os requisitos necessários para fortalecer a produção orgânica ou aquela em processo de transição agroecológica no distrito de Arraial do Sana, do referido município. A oficina de planejamento estratégico rural foi baseada na metodologia de Diagnóstico Rural Participativo (DRP). O principal resultado do calendário agrícola foi identificar a problemática do excesso de produção em um período sem demanda do principal comprador, a prefeitura de Macaé, devido ao período de férias escolares (merenda escolar), neste sentido foi possível pensar ações para agregar valor aos produtos com a agroindustrialização

e

manter

os

lucros

neste

período.

No

fluxograma

de

comercialização a figura do atravessador já começa a perder espaço para o PNAE, isso é um grande passo para o desenvolvimento da agricultura familiar. Como principal resultado da elaboração da árvore de problemas foi evidenciado um sentimento muito forte em se organizarem com o objetivo de melhorar as condições do comércio, principalmente não depender mais da figura do atravessador que desvaloriza os produtos e exigir da prefeitura melhorias nas condições das estradas. Como resultado da análise FOFA ficou evidenciado que as fortalezas levantadas pelo grupo na verdade são oportunidades que o município oferece aos moradores da região (Programa Rio Rural; Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); Programa de Aquisição de Alimentos (PAA); Apoio da Secretaria Municipal de Agroeconomia; EMATER; Escola; Transporte escolar; Posto médico; Turismo; Conselho Gestor da APA;) e as fraquezas estão fundamentadas em problemas relacionados a fatores externos ao grupo (Estradas; Escoamento da produção; Legislação ambiental (desconhecimento dos direitos e deveres); Assistência técnica e novas tecnologias) e somente dois fatores realmente internos, a acidez e baixa fertilidade do solo. Na matriz de planejamento do futuro desejado o grupo discutiu a organização de uma associação, item priorizado logo no início das atividades e principal desejo e necessidade do grupo.

5


.

2 APRESENTAÇÃO O presente documento reúne o conjunto de registros elaborados na oficina de planejamento estratégico rural, baseada na metodologia de Diagnóstico Rural Participativo (DRP), realizada na Escola Municipal do Arraial do Sana no distrito de Arraial do Sana, no município de Macaé-RJ. As informações contidas nos registros são fruto dos trabalhos realizados com agricultores/as das diferentes localidades do município durante a oficina dos dias 14 e 15 de Abril do ano de 2012. O Diagnóstico Rural Participativo (DRP) é um conjunto de técnicas e ferramentas que permite que as comunidades façam o seu próprio diagnóstico e a partir daí comecem a autogerenciar o seu planejamento e desenvolvimento. Desta maneira, os participantes podem compartilhar experiências e analisar os seus conhecimentos, a fim de melhorar as suas habilidades de planejamento e ação. Na realização da oficina obtiveram-se respostas que surgiram justamente da compreensão dos/as agricultores/as frente à realidade que os/as cerca. Foram utilizadas cinco ferramentas da metodologia DRP pela equipe técnica. Nesse contexto, a oficina foi elaborada a partir da demanda da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), por meio do seu projeto "Centro de Inteligência em Orgânicos", para apoiar processos de desenvolvimento e fortalecimento de agricultores orgânicos ou em transição agroecológica.

6


.

3 JUSTIFICATIVA A agricultura orgânica compreende todos os sistemas agrícolas que promovam a produção sustentável de alimentos, fibras e outros produtos não alimentícios (cosméticos, óleos essenciais, etc.). Produzir alimentos saudáveis, cujo cultivo considere a preservação do meio ambiente e condições dignas do trabalhador, começa a ser um bom negócio para o País. É crescente o interesse do consumidor em saber a origem do que põem à mesa. Esse novo nicho de mercado começa a atrair parte dos agricultores brasileiros porque oferece remuneração mais justa. Com isso, a produção escapa do mercado comum de commodities e o agricultor obtém melhores resultados no mercado interno e nas exportações. No Brasil, o termo institucionalizado nos regulamentos técnicos foi o “orgânico”, que engloba

todos

os

outros:

biodinâmico,

natural,

biológico,

agroecológico,

da

permacultura. Desde a década de 70, organizações de produtores e consumidores, além de técnicos, desenvolvem práticas seguindo os princípios da agricultura orgânica. Em 1994, iniciou-se a discussão para a regulamentação da agricultura orgânica no país, que foi oficialmente reconhecida em maio de 1999, com a publicação da Instrução Normativa 007/99 do MAPA (BRASIL, 2009). Em dezembro de 2007, foi publicado o Decreto 6.323, que regulamenta a atividade, em 2009 foram publicadas cinco instruções normativas e o Decreto 6.913/2009. Estimativas da área total com produção orgânica no Brasil variam de acordo com a fonte consultada. Segundo dados da FiBL (Research Institute of Organic Agriculture/Instituto de Pesquisa da Agricultura Orgânica, na Suíça) e da IFOAM (International Federation of 1

Organic Agriculture Movements ), publicados em 2006, a área cultivada e as áreas de pastagem no Brasil totalizavam cerca de 887.637 ha em 2005. Dados coletados pelo MAPA em 2004 (BRASIL, 2005) estimavam a área certificada, ou sob alguma forma de controle da conformidade com o manual manejo orgânico, em cerca de 6 milhões e 600 mil hectares, incluindo as áreas de extrativismo sustentável. O 1

Federação Internacional dos Movimentos da Agricultura Orgânica.

7


Brasil tinha cerca de 19 mil unidades controladas em 2006, que afirmavam seguir as práticas da agricultura orgânica. Dos projetos controlados, 70 a 80% eram conduzidos por agricultores familiares e/ou trabalhadores rurais, tanto para atender ao mercado interno quanto o de exportação. Os projetos conduzidos por agricultores familiares fornecem castanha (de caju e do Brasil), frutas, legumes e verduras, café, cacau, mel, óleos essenciais (cosméticos) e algodão colorido, entre outros produtos, para os mercados interno e de exportação. 2

Em 2007, o projeto Organics Brasil divulgou estudo com o mapeamento da área brasileira de produção orgânica, baseado em dados das certificadoras: Instituto Biodinâmico (nacional), ECOCERT Brasil, IMO Brasil e BCS, todas acreditadas no mercado internacional e operando no Brasil. O resultado mostrou que existem 932.120 hectares de produção orgânica certificada e 6.182.180 hectares de produção orgânica que inclui a base extrativista (MAPEAMENTO..., 2008). Juntando-se as duas informações, o Brasil poderia ser considerado o segundo país do mundo em área de agricultura orgânica controlada. Da dos da ABRAS, Associação Brasileira de Supermercados (2012) e divulgados Bio Brazil Fair revelam um crescimento de 8% na comercialização de produtos orgânicos nos supermercados, alcançando R$ 1,12 bilhão em 2011, desta forma, os supermercados são a grande fonte ao consumidor brasileiro, seguidos a alguma distância por lojas especializadas e feiras típicas. Em 2011, estima-se que o faturamento dos produtores de alimentos orgânicos chegou a R$ 700 milhões, elevação de 40% em relação a 2010. O aumento da renda, desemprego em níveis históricos baixos e a maior conscientização em relação à comida devem continuar aquecendo negócios no setor em 2012 (VALOR ECONÔMICO, 2012).

2

http://www.organicsbrasil.org/

8


.

4 OBJETIVOS O objetivo da oficina de DRP foi identificar, de forma participativa, os requisitos necessários para fortalecer a produção orgânica ou em processo de transição agroecológica na região de Macaé – RJ.

.

4.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS •

Identificar e localizar no tempo os modos de exploração do ambiente, isto é, os distintos cultivos e as diferentes práticas agrícolas;

Ponderar sobre os elementos ecológicos, técnicos e sociais que determinaram a sua evolução recente e a sua localização atual - potencialidades ou fatores limitantes;

Conhecer as demandas (capacitação/fomento/treinamento) no tema;

Identificar

os

fatores

negativos, relativos

à

legalização

da produção,

armazenamento, transporte, beneficiamento, assistência técnica entre outros;

Destacar e hierarquizar os problemas técnicos, ambientais e econômicos dos produtores da região de Macaé – RJ.

9


.

5 MATERIAL E MÉTODOS A oficina de planejamento estratégico rural foi realizada com uso de ferramentas preconizadas pelo DRP. Essa metodologia visa apoiar projetos de desenvolvimento e fortalecimento

das

organizações

de

base

como

comunidades,

associações,

cooperativas e afins. Utiliza-se de método participativo onde é considerada a percepção do público alvo. As ferramentas utilizadas nas atividades de sábado e domingo foram: SÁBADO a. Calendário Agrícola com o objetivo de identificar os produtos que são cultivados na comunidade e em que momentos são realizados os manejos. Permite revisar se os produtos estão sendo cultivados no tempo adequado ou se é necessário identificar técnicas mais adequadas. Também mostra a rotação de cultivos nas diferentes épocas do ano. b. Fluxograma de comercialização a fim de expor os fluxos comerciais em sua totalidade, permitindo uma análise da eficiência, as debilidades e o potencial das vias de comércio. c. Árvore de encadeamento lógico com a intenção de identificar e analisar problemas com a finalidade de estabelecer as causas primárias e suas consequências. Estas causas primárias serão o ponto de partida para a busca de soluções. DOMINGO a. Matriz FOFA (Fortalezas, Oportunidades, Fraquezas e Ameaças), que permite identificar os pontos fortes, as oportunidades, pontos fracos e ameaças apontados pela comunidade em relação à atividade agrícola na região.

10


b. Matriz de planejamento do futuro desejado com o objetivo de sistematizar informações geradas nos dois dias de oficina e verificar quais etapas ainda faltam para que o grupo alcance seus objetivos em relação ao problema priorizado pelo grupo.

.

6 RESULTADOS A oficina teve início no sábado com a etapa de sensibilização. Houve a apresentação dos objetivos das oficinas e a exposição da programação no salão local onde ocorreram as atividades. Neste momento foram discutidas as metodologias para realização das atividades, com o objetivo de estabelecer com o grupo as formas de convivência na realização do trabalho. Esteve presente no evento o Subsecretário da Secretaria Municipal de Agroeconomia do município de Macaé-RJ, Sr. Darlin Grativol, assim como os extensionistas da Secretaria Municipal de Agroeconomia e da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (EMATER). O Sr. Darlin Grativol solicitou um espaço de interlocução no início da oficina, para apresentar os primeiros dados do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) no município, através da implementação da lei federal 11.947/2009, que determina a aplicação de 30% dos recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), destinados à agricultura familiar, visando promover o desenvolvimento regional sustentável (Figura 1). O Sr. Darlin Grativol relatou sobre a importância do programa, as conquistas e apoios dados pela secretaria e sobre os desafios que ainda precisavam ser transpostos. Demonstrou uma tabela que trazia os preços praticados pelo Programa, o que fez com que agricultores que ainda não participavam ficassem bastante interessados em função das cotações praticadas. Após sua exposição, o subsecretário agradeceu a oportunidade de ter em seu município uma atividade como a nossa, que o mesmo considerava fundamental para o desenvolvimento da agricultura. Pediu licença para se

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ausentar, pois naquele mesmo dia começava na cidade o III Leilão dos Amigos, onde seriam comercializados mil bezerros e bezerras de corte, da raça Nelore e ele precisava estar presente na organização e abertura do evento. O projeto do Centro de Inteligência em Orgânicos foi apresentado pelo consultor do SEBRAE Sr. Ricardo Salles, que convidou a todos os participantes a apreciarem o café de boas vindas antes de iniciarmos as atividades.

Figura 1. Participantes da abertura do evento no município de Macaé – RJ.

Foi realizada uma primeira dinâmica de apresentação do grupo, com a utilização de imagens que se completavam. Neste primeiro momento o objetivo foi quebrar a inércia do grupo com uma apresentação coletiva. Somente duas mulheres participaram da oficina (apenas a esposa e a filha de um dos agricultores).

12


Alguns agricultores nasceram na região e outros vieram de outros lugares e estão morando e produzindo no Arraial do Sana até hoje. A dinâmica de apresentação que ocorreu no início do DRP foi importante, pois conseguimos criar um clima de colaboração, assim como propor aos agricultores a interação entre eles. Desta forma, aqueles que não se conheciam começaram a conversar e interagir. Muitos já se conheciam, mas na dinâmica coincidiu de pessoas que não se conheciam se encontrarem e conversarem. A metodologia da oficina propiciou a interlocução de agricultores de diferentes regiões de Macaé, que devido às distâncias e limitações de comunicação, tem muita dificuldade de trocar informações. As imagens que foram disponibilizadas nos grupos aleatoriamente permitiu

a não

formação de grupos que se conheciam e dessa forma enriqueceu muito a dinâmica de comunicação dos agricultores do grupo.

.

6.1 CALENDÁRIO AGRÍCOLA Ainda no período da manhã foi realizada a ferramenta “Calendário agrícola”, com o objetivo de que fossem relacionados diferentes tipos de produtos cultivados na região, em relação ao plantio, manejo e a colheita. Os participantes foram divididos em três grupos distribuídos em função da área geográfica em que residiam, relacionada principalmente à altitude, pois dela se definem a diversidade de cultivos e todos foram convidados a pensar sobre como se desenvolviam suas atividades ao longo do ano. Para tal foram distribuídas tabelas a cada grupo para facilitar a realização da atividade (Anexo 1). Houve a apresentação das atividades produtivas que se desenvolviam nas propriedades, com a identificação dos principais produtos cultivados na área, as épocas em que se realizam os manejos (limpeza, adubação, etc.) e a época da colheita.

13


No grupo 1 (texto destacado em vermelho na figura 2), foi elaborado o seguinte

Manejo Colheita

X

X

X

X

X

Colheita

X X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

Dez X

X

X

X

doce Colheita X

Milho - Plantio Manejo

X

Colheita

X

Feijรฃo - Plantio

X

X

X

X

X

X X

Colheita

X X

Abรณbora - Plantio Colheita

X

X X

Caqui - Manejo

Tangerina - Manejo

Nov

X

X

Batata - Plantio

Laranja - Colheita

X

X

Colheita

Colheita

X

X

Aipim - Plantio Manejo

X X

Inhame - Plantio Manejo

Out

Banana - Plantio

Set

Ago

Jul

Jun

Mai

Abr

Mar

Fev

Dados

Jan

calendรกrio:

X

X

X

X

X

X X

14


Jun

Jul

Ago

Set

Out

Hortaliças - Plantio

X

X

X

X

X

Colheita

X

X

X

X

X

X

X

9

12

10

9

12

10

8

Fev

Jan

Dez

Mai

X

Nov

Abr

X

Mar

X

Dados

6

2

Tangerina -Colheita

Mês que mais 2

4

4

trabalham

Fonte: Ficha elaborada pelo grupo, 14.04.2012.

X

X

X

X

X

Feijão - Plantio

Set

Out X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

Mês que mais trabalham

3

4

3

X

X

5

3

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

6

4

3

X

Colheita

X

X

X X

X

X

Café - Plantio Manejo

X

X

Aipim - Plantio Colheita

X

X

Inhame - Plantio Colheita

X

Dez

X

X

Nov

Colheita

Ago

Banana - Plantio

Jul

Jun

Mai

Abr

Mar

Fev

Dados

Jan

No grupo 2 (texto destacado em verde na figura 2), foi elaborado o seguinte calendário:

2

5

5

6

Fonte: Ficha elaborada pelo grupo, 14.04.2012.

15


Banana - Plantio

X

X

Manejo

X

X

X

X

X

X

Colheita

X

X

X

X

X

X

Inhame - Plantio Colheita

X

X

X

X

X

Colheita

X

X

X

Batata - Plantio

X

X

X

doce Colheita

X

X

X

X

X

X

X

X

X

Dez

Nov

Out

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

X

9

9

7

X

X

X

X

Milho - Plantio Colheita

X

X X

Feijão - Plantio Colheita

X

X X

Abóbora - Plantio Colheita

Set

X

Aipim - Plantio Manejo

Ago

Jul

Jun

Mai

Abr

Mar

Jan

Dados

Fev

No grupo 3 (texto destacado em azul na figura 2), foi elaborado o seguinte calendário:

X

X

9

9

X

Mês que mais 6

5

6

6

7

10

10

trabalham

Fonte: Ficha elaborada pelo grupo, 14.04.2012.

Ao realizar uma análise das tabelas é possível perceber:

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os meses em que os participantes da oficina mais trabalham variam muito entre os grupos, sendo no grupo “1” nos meses de maio e agosto, no grupo “2” nos meses de setembro e outubro, e no grupo “3” nos meses de agosto e setembro, desta forma há coincidência nos meses de agosto e setembro;

que há uma grande variedade de produtos sendo oferecidos pelos agricultores do distrito de Arraial do Sana: banana, aipim, inhame, batata doce, milho, abóbora, hortaliças, café, feijão, caqui, laranja e tangerina.

A partir da discussão do calendário agrícola foi percebido que três agricultores presentes no grupo participavam do PNAE. O principal produto é a banana, mas durante o pico da produção (dezembro, janeiro e fevereiro) não pode ser vendido ao PNAE por ser período de férias. A partir das observações e discussões com o grupo de agricultores e os técnicos presentes, foi possível perceber que o grupo caracteriza-se pela realização de uma agricultura tradicional com uso de poucos insumos, emprego de técnica de pousio, 3

plantio em áreas bastante íngremes e uma ética ainda “camponesa” . Na discussão em relação aos tratos culturais das principais culturas:

agricultores demonstraram que preferem não fazer à maturação forçada da banana, pois já tiveram exemplos de morte de agricultor por intoxicação pelo mau uso do carbureto de cálcio, que é um produto químico que eles não gostam de usar. No entanto, para cumprir as exigências de qualidade e disponibilidade do produto se viam obrigados a utilizá-lo;

a práticas culturais variam de propriedade para propriedade, alguns produtores fazem adubação verde e outros não; ainda em relação à adubação verde, os agricultores que não a realizam acreditavam que as plantas de adubação verde prejudicariam e concorreriam por nutrientes com os cultivos, o extensionista presente na oficina pretendia estimular a realização das práticas agroecológicas a partir de experimentos nas propriedades, para que os agricultores pudessem verificar na prática seus resultados;

3

alguns agricultores realizam consorcio entre as culturas da banana e do café;

Para este conceito ler Marques (2008).

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algumas propriedades realizam o sistema de parceira (1/3 do produzido fica com o dono da propriedade e 2/3 com a pessoa que produziu).

Destaque-se que durante a visualização do resultado pelo grupo, foi proposto ao grupo criar o hábito de anotar todas as atividades desenvolvidas na propriedade, para que eles pudessem monitorar a produção e identificar os principais problemas e dinamizar as práticas agrícolas como a rotação de culturas e outras práticas. Durante a apresentação do calendário, foi retomado o assunto tratado pelo subsecretário de Agroeconomia a respeito do planejamento da oferta de produtos ao PNAE, que trata da necessidade para quantificação em quilogramas/mês (kg/m), o que torna mais justo sua comercialização, não havendo qualquer artifício percebido quando realizado apenas por volume (caixa). Para auxiliar aos agricultores presentes, foram deixadas as fichas de elaboração do calendário para que os mesmos pudessem preencher. No entanto, alguns certamente precisariam da visita dos técnicos da prefeitura, pois tinham muita dificuldade para “visualizar” a produção futura (Figura 2).

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Figura 2. Resumo da matriz do calendário agrícola.

A atividade de construção do calendário agrícola permitiu aos agricultores a visualização de suas atividades e de como planejar sua produção. Como de costume, todos ficaram surpresos pela quantidade de trabalho que realizam (Figura 3).

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Figura 3. Momento de reflexão após sistematização do calendário agrícola.

Ao discutir todos esses aspectos na plenária, os participantes perceberam a complexidade da atividade agrícola e a importância de manter seus registros organizados para conseguirem atender às demandas e obter resultado econômico positivo, uma vez que as demandas do mercado oscilam ao longo do tempo. O principal resultado do calendário agrícola foi perceber em quais períodos há maior oferta de produtos ao mercado consumidor, e relacionar isto as possibilidades de agregar valor aos produtos com a agroindustrialização podendo com isso se planejar para obtenção de maior lucro. Como o início da oficina começou um pouco mais tarde do que o previsto, pela manhã esta foi a única atividade realizada.

20


.

6.2 FLUXOGRAMA DE COMERCIALIZAÇÃO No período da tarde foi realizada a ferramenta do “Fluxograma de Comercialização”, que expõe todos os fluxos econômicos realizados pelos agricultores. O objetivo é expor os fluxos comerciais em sua totalidade, permitindo uma análise da eficiência, as debilidades e os potenciais comerciais. Para a realização desta atividade, foi mantida a plenária geral e grau de importância dos fluxos de comercialização (seta escura longa = muita importância; seta escura curta = média importância; seta branca = menor importância). Desta forma, procedeu-se a sistematização das informações da seguinte maneira:

- principais produtos: banana e batata doce;

ATRAVESSADOR (5 produtores) BANANA PREFEITURA (3 produtores)

PREFEITURA (1 produtor) BATATA DOCE AUTOCONSUMO (1 produtor)

- produtos secundários: inhame e aipim;

ATRAVESSADOR (2 produtores) INHAME PREFEITURA (2 produtores) AIPIM

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- produtos com menor produção: milho e hortaliças;

FEIRA LOCAL (1 produtor) AUTOCONSUMO (10 produtores)

FEIRA LOCAL (1 produtor) HORTALIÇAS AUTOCONSUMO (6 produtores)

Durante as discussões do fluxograma de comercialização os agricultores apresentaram as dificuldades em comercializar com o mercado local (minimercados, pousadas, restaurantes, etc.) e com isso achavam que a prefeitura podia intervir para estimular essa relação e melhorar a comercialização dos produtos locais (Figura 4). Alguns agricultores relatavam que os comerciantes locais preferem comprar com produtores de fora da comunidade, ou no CEASA do que comprar com eles, a percepção dos motivos (ainda nebulosos) para tal atitude, necessita de um intermediador para poder identificá-lo com clareza a fim de resolvê-lo. Os agricultores possuem muita dificuldade com o transporte de seus produtos, eles dependem de atravessador para comercializar sua produção e as estradas estão em péssimas condições, o que leva a uma desvalorização do produto, tanto pela perda ocasionada durante o transporte, como pela dificuldade de acesso e manutenção dos caminhões na região. A prefeitura realiza o transporte dos produtos destinados ao PNAE. Os alimentos são recolhidos nas propriedades dos agricultores na véspera e levados para a Cooperativa da Agricultura do Município de Macaé (COOPMAC), responsável pelo cadastramento e organização dos produtores que participam do programa. Neste local eles são separados, e logo depois são transportados para as unidades escolares, seguindo o cardápio estabelecido nas escolas. Com esta medida é possível fomentar a agricultura familiar e atender aos estudantes com produtos de qualidade, limpos, sem agrotóxicos e embalados. O principal benefício deste programa verifica-se no fluxograma de comercialização, onde a figura do

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atravessador já começa a perder espaço, isso é um grande passo para o desenvolvimento do setor agrícola.

Figura 4. Síntese do fluxograma de comercialização.

.

6.3 ÁRVORE DE ENCADEAMENTO LÓGICO No período da tarde também foi realizada a ferramenta “Árvore de Problemas”, com o objetivo de que fossem identificados e analisados os problemas com a finalidade de estabelecer as causas primárias e suas consequências. A árvore de problemas foi muito produtiva, pois eles observaram que alguns problemas que afetavam uma pessoa do grupo poderiam afetar ou estar afetando aos demais. Nesta atividade, os grupos foram mantidos juntos e houve a discussão da metodologia da atividade (Figura 5).

23


Todas as discussões foram pautadas em três objetivos: escolher problemas comuns ao grupo representados pelo tronco da árvore (folha de anotações de cor azul), pensar nas causas desses problemas, representá-los nas raízes da árvore (folha de anotações de cor amarela) e discutir possíveis consequências desses problemas representadas nas folhas da árvore (folha de anotações de cor rosa) (Figura 6).

Figura 5. Discussão no grupo para a elaboração da árvore de problemas.

Para favorecer a visualização das discussões do grupo, abaixo a sistematização das ideias surgidas.

Causa Atraso da implantação da estrada pela prefeitura;

Problema

Dependência de atravessador; Socorro médico; Estradas

Tecnologia da conservação da estrada;

Criação da APA; Criminalização do produtor;

Consequência

Dificulta a comunicação; Dificuldade de escoar a produção; Transporte público;

Impedimento das práticas tradicionais (pousio)

Redução da área de plantio; Redução da fertilidade do solo; Redução da produção;

Denuncismo;

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Causa

Problema

Consequência Perda da produção;

Estrada mal conservada

Escoamento da produção

Ausência de empresa para instalação de antena;

Comunicação

Desvalorização do produto; Alto custo de manutenção do veículo;

Não consegue falar com compradores e moradores;

Fonte: Ficha elaborada após discussão do grupo, 14.04.2012.

Ao realizar uma análise da tabela, foi possível perceber:

- que os problemas citados pelos agricultores são o impedimento das práticas tradicionais do pousio, problemas relacionados ao escoamento da produção e às estradas, e falta de comunicação;

- quanto às causas desses problemas, as respostas mais frequentes foram: a. em relação ao impedimento das práticas tradicionais do pousio: a criação da APA; a criminalização do produtor; o denuncismo; b. em relação às estradas: o atraso da implantação da estrada pela prefeitura; a tecnologia da conservação da estrada; c. em relação ao escoamento da produção: a estrada mal conservada; d. em relação a comunicação: a ausência de empresa para instalação de antena;

- quanto às consequências desses problemas, as respostas mais frequentes foram: a. em relação ao impedimento das práticas tradicionais do pousio: a redução da área de plantio; a redução da fertilidade do solo; a redução da produção;

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b. em relação às estradas: a dependência de atravessador; o socorro médico; dificulta a comunicação; a dificuldade de escoar a produção; o transporte público; c. em relação ao escoamento da produção: a perda da produção; a desvalorização do produto; o alto custo de manutenção do veículo; d. em relação a comunicação: não consegue falar com compradores e moradores.

A partir dessa análise é possível perceber que, em alguns momentos, na escolha dos problemas, há uma dificuldade em perceber a relação de causalidade entre eles, como exemplo o problema “transporte público”, que após mais uma rodada de discussões foi interpretado como consequência da falta de estradas adequadas. Durante a dinâmica foi possível notar um sentimento muito forte em se reunir para formar um grupo (associação) com o objetivo de melhorar as condições do comércio, principalmente não depender mais de atravessador que desvalorizava os produtos e exigir da prefeitura melhorias nas estradas.

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Figura 6. Resumo da árvore de encadeamento lógico em Macaé-RJ.

Pontos a serem destacados como resultado da elaboração da árvore de encadeamento lógico:

A comunicação é deficiente, pois não possuem linha telefônica nas residências e nem antena de celular, o que torna a comercialização ruim e dificulta a articulação entre produtores;

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A aplicação da legislação é inadequada, pois a região se tornou uma Área de Proteção Ambiental (APA) e não há técnicos para orientar os agricultores sobre o plano regional de zoneamento de Arraial do Sana. Além disso, o manejo tradicional da propriedade ficou impedido (realização de pousio e posterior queimada de capoeira), pois além da possibilidade de ser multado, os produtores sofrem com o denuncismo de turistas e pessoas da cidade que por não conhecerem as referidas técnicas acham que os agricultores estão degradando a floresta. Ainda em relação a este ponto, os próprios extensionistas presentes relataram que percebem a necessidade de se ter uma norma específica para a esta situação e que seja amplamente divulgada entre os órgãos que atuam na região;

Os próprios agricultores mais antigos se acham desvalorizados pela prefeitura, por acharem que a mesma favorece os somente os novos moradores. Observando as discussões foi possível perceber que por mais que no início da inserção

dos

novos

moradores

(“cabeludos”)

os

moradores

antigos

(agricultores) apresentavam algum tipo de resistência, no entanto agora após anos de convivência, alguns agricultores admitiram que aprenderam muito com eles (tratos culturais para melhorar a produção, rotação de cultura, práticas conservacionistas, etc.). Importante relatar que os agricultores afirmaram que algumas pessoas compram áreas no Arraial do Sana e não cuidam. Ou seja, nem todas entram no município com o objetivo de viver ecologicamente;

Apesar de não incluírem a acidez do solo e a baixa fertilidade na árvore de problemas, os agricultores relataram que apresentam dificuldades em comprar fertilizantes para que a banana produza por mais tempo, pois com 7 anos ela já não produz comercialmente e é necessária a renovação dos bananais. Este e outros exemplos foram relatados durante a oficina e são reflexo do histórico da região que no final do século XIX possuiu uma agricultura extensiva passando pelos ciclos da cana-de-açúcar e do café. E que com a descoberta do petróleo sua economia foi transformada, com a vinda de mão obra especializada e empresas do setor petrolífero.

E em dias de chuva as crianças, dependendo da região em que moram, não conseguem ir à escola por causa da estrada que fica intransitável.

Como principal resultado desta atividade foi possível perceber que após a discussão os participantes da oficina perceberam a semelhança dos seus problemas. Apesar dos perfis, atividades e áreas de atuação diferentes, o grupo conseguiu perceber que

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podiam demandar juntos por uma mudança de situação, uma vez que possuíam problemas e preocupações comuns.

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6.4 MATRIZ FOFA A oficina teve início no domingo com a retomada das atividades e realização de uma reflexão sobre os resultados do dia anterior.

“Nos conhecemos.” Apesar de morarem no mesmo município, alguns agricultores só se conheciam de vista, mas nunca tinham conversado;

“Conseguimos descobrir semelhanças nas nossas expectativas e nos nossos problemas.” Apesar de morarem em lugares diversos e possuírem atividades muito diversificadas, encontraram através do dialogo pontos chave que podem subsidiar a união do grupo em função da resolução de seus problemas;

Além dos resultados, também foi explicada a metodologia que seria utilizada durante o dia. Ao iniciar a atividade o grupo foi convidado a construir coletivamente a Matriz FOFA apresentando os fatores internos que afetam o grupo, quais sejam, as fortalezas (vantagens ou pontos positivos), as oportunidades, as fraquezas (dificuldades ou pontos negativos) e os fatores externos que afetam o grupo, que são, as ameaças e oportunidades da agricultura no município de Macaé (Figura 7). Importante salientar que as ameaças foram retiradas da atividade anterior (árvore de encadeamento lógico). Desta forma, para facilitar a visualização serão relacionadas a seguir: estradas, comunicação, escoamento da produção e impedimento de práticas tradicionais (pousio).

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Figura 7. Grupo discutindo a elaboração da FOFA.

Para auxiliar a visualização das discussões e dos fatores elencados pelos agricultores, foi elaborada a sistematização abaixo.

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Fatores internos que afetam o grupo:

FORTALEZAS

FRAQUEZAS

Escola

Estradas

Transporte escolar

Escoamento da produção

Legislação (IBAMA) Posto médico Direitos e Deveres

Turismo

Acidez e fertilidade do solo

Conselho Gestor da APA

Água boa

Agricultura e criação

Assistência técnica e novas tecnologias

Prefeitura (merenda)

EMATER

Fonte: Fichas elaboradas pelo grupo, 15.04.2012.

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Fatores externos que afetam o grupo:

OPORTUNIDADES

AMEAÇAS

Atravessador (venda local)

Estradas

Secretaria Municipal de Agroeconomia (calcário

Comunicação

+ escoamento da produção)

Mercearias, pousadas, mercado local,

Escoamento da produção

restaurantes

Programa Rio Rural

Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE)

Novas lavouras Impedimento de práticas tradicionais (pousio) Agregação de valores

Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)

Organização do grupo

Fonte: Fichas elaboradas pelo grupo, 15.04.2012.

Ao realizar uma análise das tabelas é possível perceber:

que a maioria das fortalezas levantadas pelo grupo na verdade são oportunidades que o município oferece aos moradores da região (Escola;

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Transporte escolar; Posto médico; Turismo; Conselho Gestor da APA; Prefeitura (merenda); e EMATER) como fatores internos ao grupo foram citados a vocação agrícola da região (conhecimento da agricultura e criação de animais) e a água de qualidade;

que as fraquezas, assim como as fortalezas, estão fundamentadas em problemas relacionados a fatores externos ao grupo (Estradas; Escoamento da produção; Legislação ambiental (desconhecimento dos direitos e deveres); Assistência técnica e novas tecnologias) e somente dois fatores realmente internos, a acidez e baixa fertilidade do solo.

que as oportunidades estão diversificadas e centradas em programas e atividades organizadas por órgãos governamentais (Programa Rio Rural; Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE); Programa de Aquisição de Alimentos (PAA); Apoio da Secretaria Municipal de Agroeconomia). As oportunidades também estão relacionadas ao acesso mercado consumidor (Mercearias,

pousadas,

mercado

local,

restaurantes;

Novas

lavouras;

Agregação de valores; Atravessador (possibilidade de venda local) e na organização do grupo, que apesar de ser um fator interno do grupo, aqui foi citado como externo. Somente para complementar as informações e necessário destacar que:

os agricultores puderam perceber como positivo na comunidade o plano saúde da família, água disponível e de qualidade;

as empresas locais como potencialidade no desenvolvimento do mercado local;

os agricultores pretendem

buscar a agregação de valor através da

agroindustrialização de seus produtos (farinha, doce, conserva etc.);

a presenta dos turistas na região tem um lado positivo e um lado negativo;

as ameaças se repetiram nas fraquezas (estradas ruins, falta de comunicação);

- as pessoas são muito prestativas e sempre querem agradar aos visitantes que chegam na comunidade com o intuito de ajudá-los.

os moradores tem representatividade no conselho gestor da APA.

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a assistência técnica aparecer tanto como fortaleza, quanto como fraqueza., porém as explanações dos agricultores foram as seguintes: Como um aspecto positivo foi ressaltada atuação dos técnicos extensionistas na região, de forma a dar suporte principalmente no que se referia ao PNAE; Como um aspecto negativo

foi

ressaltada

a

demanda

por

um

acompanhamento

mais

pormenorizado nas propriedades, no seu dia a dia, auxiliando nas tomadas de decisão e de maneira mais profilática. Apesar dos diversos problemas que eles possuíam na comunidade, todos os grupos conseguiram visualizar e destacar as fortalezas e as oportunidades que a região lhes oferece para melhorar a sua condição. Todos os grupos explicaram detalhadamente cada ponto apresentado e, para finalizar as atividades da manhã, a facilitadora Juliana Arruda (CTUR-UFRRJ) explicou ao grupo como seria feita a sistematização das informações (Figura 8). Em seguida deu oportunidade para a fala dos participantes e os convidou para a pausa e o almoço.

Figura 8. Resumo da FOFA das atividades de Macaé - RJ.

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6.5 MATRIZ DE PLANEJAMENTO DO FUTURO DESEJADO Após o retorno do grupo, ao serem indagados sobre qual problema gostariam de priorizar, todos não tiveram dúvidas, o desejo deles era discutir a organização do grupo a organização de uma unidade centralizadora para o recebimento dos alimentos do PNAE. Após uma rodada de discussões chegou-se a conclusão que só teríamos tempo hábil para detalhar um dos desejos e todos escolheram a organização do grupo. Neste sentido, foi realizada a dinâmica do futuro desejado. Nesta atividade os participantes discutiram onde queriam chegar, ao realizar as ações planejadas, nas entrelinhas o que realmente queriam. Ao término do preenchimento da matriz do futuro desejado, eles conseguiram chegar no “estado desejado” que eles tinham em comum, perceberam também, que têm capacidade de alcançar seus objetivos sem depender da ajuda de outros órgãos públicos, principalmente da prefeitura (Figura 9). Desta forma, o estado desejado comum aos agricultores de Macaé – RJ, que participaram da oficina era de que ocorresse a ORGANIZAÇÃO DO GRUPO.

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Figura 9. Elaboração da matriz de “estado desejado” de Macaé - RJ.

É importante ressaltar que ao iniciar as atividades no domingo, um dos agricultores trouxe um caderno de registro com o intuito de elaborar uma ata de fundação da Associação de Produtores de Arraial do Sana. No entanto, após conversar com todos os presentes, o consultor do SEBRAE Sr. Ricardo Sales os orientou a aguardarem o curso que o mesmo daria em outra data, no qual traria um especialista para falar com o grupo sobre o assunto.

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Após discussão na plenária e elaboração conjunta da matriz do “estado desejado”, chegou-se ao seguinte resultado: Estado desejado

Pontos fortes

ORGANIZAÇÃO DO GRUPO

Organização do grupo; Escola; Transporte escolar; Posto médico; Turismo; Água boa; Agricultura e criação; Conselho gestor da APA; EMATER; Secretaria Municipal de Agroeconomia; Mercado local; Programa Rio Rural; PNAE; PAA; Atravessador; Agregação de valor; Novas lavouras;

Pontos fracos

Estradas ruins; Falta de comunicação; Escoamento da produção; Impedimento de práticas tradicionais; Legislação (IBAMA); Acidez e baixa fertilidade do solo; Assistência técnica e novas Tecnologias;

O que precisamos conhecer?

Como?

Parâmetros para retirar o DAP-RJ;

Quando?

Quem?

Criação da Associação;

Maio de 2012;

EMATER e Secretaria Municipal de Agroeconomia;

Gerenciamento da Associação;

Registro dos interessados;

Até o final de abril;

Interessados na Associação;

Qual o perfil dos produtores da associação;

Planejamento da produção;

Até o final de abril;

Cada produtor que queira participar;

Objetivos da associação; Palestras sobre associativismo;

Fonte: Síntese do resultado da matriz do “estado desejado” de Macaé – RJ, 15.04.2012.

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7 CONSIDERAÇÕES FINAIS O planejamento estratégico rural realizado com base na metodologia do Diagnóstico Rural Participativo (DRP) evidenciou o ponto de vista dos agricultores, ou seja, como eles percebem suas realidades. Os pontos positivos, negativos, as oportunidades e as ameaças relatadas foram comuns entre os participantes, apesar de residirem em locais diferentes e possuírem atividades bastante diversificadas. No início das atividades da oficina os participantes estavam confusos sobre como seria o andamento da atividade, eles pensavam que participariam de um curso, mas aos poucos, com os esclarecimentos iniciais a respeito da metodologia do trabalho eles foram se identificando e interagindo. E apesar dos produtores estarem preocupados com a busca de apoio do Poder Público eles reagiram satisfatoriamente às técnicas do DRP. Com isso, observamos a vontade deles em querer aprender e obter informações tanto individualmente, como coletivamente. O DRP foi muito produtivo, pois os produtores perceberam que juntos são mais fortes, e com a dos técnicos presentes na oficina decidiram realizar outros encontros para fundar a associação de produtores do Arraial do Sana, para tentar achar soluções para seus problemas. Principalmente em relação à participação no PNAE e na discussão de forma de agregar valor aos produtos e não ficar tão dependentes do atravessador. Foi fundamental a participação do Sr. Marco Aurélio, como liderança marcante nas discussões, a partir do seu grau de formação e informação. O mesmo é representante da sociedade civil do comitê gestor da APA de Macaé, já participou ativamente na constituição de uma associação e na industrialização de produtos agrícolas. No início do segundo dia observou-se a permanência de 50% dos participantes na atividade. Através de relatos a equipe percebeu que eles não haviam tido contato com a metodologia do DRP anteriormente. Ao término das atividades o questionamento sobre a continuidade das ações com aqueles agricultores permeava nossos pensamentos. O que foi sanado na explicação do

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consultor do SEBRAE, Sr. Ricardo Sales, que realizará um curso em planejamento da produção orgânica nos dias 25 de maio de 2012. Para a apresentação das considerações finais, o texto foi dividido em três blocos, o primeiro de caráter mais instrumental, com a avaliação da aplicação das ferramentas. O segundo de caráter mais qualitativo, relativo a percepção dos agricultores participantes da oficina. E o terceiro contendo a síntese das observações e a indicação de próximos passos.

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7.1 AVALIAÇÃO SOBRE A APLICAÇÃO DAS FERRAMENTAS DE DIAGNÓSTICO Os principais sucessos identificados na aplicação das ferramentas foram:

A importância de que haja tempo suficiente para cada ferramenta, para que a equipe possa agir com tranquilidade para conduzir as oficinas nas

• • •

comunidades. O tempo de dois dias demostrou-se adequado. As ferramentas utilizadas mostraram-se adequadas ao público e contemplaram os objetivos iniciais da atuação como grupo. A ordem da utilização das ferramentas mostrou-se adequada. As pessoas foram receptivas com a equipe e dispostas em repassar suas vivências. A metodologia utilizada, priorizou o trabalho na plenária geral, desta forma foi facilitada a participação de todos. Foi necessária atenção para envolvimento dos participantes com dificuldades de leitura

• •

para que os mesmos tivessem suas ideias registradas. Nas atividades, predominou a participação dos homens. Se o facilitador não estiver atento poderá perder muitas informações, pois geralmente os participantes não repetem uma ideia já expressa.

As principais lições apreendidas no desenvolvimento do diagnóstico foram: necessidade de avaliar o momento do grupo, bem como estar alerta para o desapego de regras na condução deste tipo de trabalho.

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7.2 AVALIAÇÃO DOS PARTICIPANTES SOBRE A OFICINA Após esta última ferramenta, aconteceu um momento de avaliação do nosso final de semana, em que 11 participantes receberam um ficha de percepção (Anexo 3), em que pontuavam as atividades em ótimo ou bom, regular ou médio, e ruim, na qual obteve-se o seguinte resultado:

• • • •

Tempo para realização das atividades: 10 acharam ótimo e 1 regular; Alimentação: 11 acharam ótimo; Importância da oficina para a comunidade: 11 acharam ótimo; Condução da oficina pelos técnicos: 11 acharam ótimo;

Não houve comentários nas fichas de avaliação. No entanto um dos agricultores após as atividades do primeiro dia escreveu uma carta, demonstrando oque estava sentindo e a mesma encontra-se anexada a este relatório (Anexo 3).

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7.3 SÍNTESE E PRÓXIMOS PASSOS As principais demandas apontadas ao longo do planejamento estratégico rural podem ser relacionadas a quatro aspectos:

ADMINISTRATIVO / GERENCIAL

Estimular e apoiar os agricultores em processos interpessoais, na integração, na comunicação intergrupal;

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Desenvolver um trabalho de estruturação (preparação) do grupo, por meio de capacitação com foco na legislação sobre formas de organizações (associações, cooperativas, ong’s, sindicatos) e associativismo.

PRODUÇÃO

Estabelecer acompanhamento técnico visando o manejo conservacionista de solo e água e a produção de fertilizantes naturais através de compostos e adubação verde, numa lógica de transição agroecológica; Buscar apoio com instituições próximas à região (Órgãos de pesquisa, Secretaria de Agricultura, SEBRAE, universidades, Organizações não Governamentais, etc.) e que possam manter contato para discussão de planejamentos para orientação técnica aos produtores.

INFRAESTRUTURA

Identificar as exigências necessárias para adequação das infraestruturas das unidades produtivas; Analisar/Elaborar um projeto, conforme a exigências identificadas (de acordo com as informações priorizadas nas oficinas de DRP); Consultar os órgãos competentes sobre as normas e padrões necessários para adequação ambiental das estruturas e processos de produção com as características dos que são realizados pelos participantes da oficina.

COMERCIALIZAÇÃO

Discutir estratégias para acesso do mercado local potencial (hotéis, pousadas, minimercados, sacolões), principalmente após a observação de que nos períodos de maior oferta do produto principal (banana) os agricultores ficam subordinados aos atravessadores, que pelas características adversas das estradas da região, acreditam que estes representam uma das fortalezas do grupo.

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8 BIBLIOGRAFIAS ABRAS. Associação Brasileira de Supermercados. Ranking ABRAS 2012, referente ao ano de 2011. São Paulo: ABRAS, 2012. BRASIL. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Agricultura orgânica. Brasília, 2005. BRASIL. Ministério da Agricultura e do Abastecimento. Instrução normativa nº. 007, de 17 de maio de 1999. Estabelece as normas de produção, envase, distribuição, identificação e de certificação de qualidade para produtos orgânicos de origem animal e vegetal. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil. Brasília, 19 de maio 1999. Seção 1, p. 11-14. Disponível em:< www.ufpel.tche.br/pif/portaria.doc>. Acesso em: 19 mar. 2009. CARTER, I. Desenvolvendo as capacidades de grupos locais. Guia PILARES. Reino Unido: Tearfund, 2002. DRUMOND, M. A. Participação comunitária no manejo de unidades de conservação: manual de técnicas e ferramentas. Belo Horizonte: Instituto Terra Brasilis de Desenvolvimento Socioambiental, 2002. MAPEAMENTO DE ÁREAS DE ORGÂNICOS. A Lavoura, Rio de Janeiro, ano 111, n. 665, p12-13, abr. 2008. MARQUES, M.I.M. A atualidade do uso do conceito de camponês, Revista NERA, n. 12, p57-67, jan./fev., 2008. MERLET, M. Tipología de productores agropecuarios - estudios de casos de fincas: guía metodológica. Paris: IRAM, 1995. MONDAIN MONVAL J. F. Diagnostic rapide pour le développement agricole, Paris: Editions du GRET, 1993. PEREIRA, D. S.; FERREIRA, R.B. Ecocidadão. Cadernos de Educação Ambiental. São Paulo: Secretaria do Meio Ambiente / Coordenadoria de Educação Ambiental, 2008.

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VALOR ECONÔMICO. Pequeno produtor avança na cadeia dos orgânicos. Disponível

em:

</www.valor.com.br/especiais/2579260/pequeno-produtor-avanca-na-

cadeia-dos-organicos>. Acesso em: 21 mar. 2012. VERDEJO, M. E. Diagnóstico Rural Participativo: Um guia prático. Brasília: Ministério do Desenvolvimento Agrário / Secretaria de Agricultura Familiar, 2006.

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9 EQUIPE

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9.1 COORDENAÇÃO Sylvia Wachsner – SNA Maria Chan - Consultora externa da SNA Ricardo Salles - Consultor externo da SNA

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9.2 ELABORAÇÃO E EXECUÇÃO Juliana Arruda – Professora do CTUR/UFRRJ Wellington Mary – Professor do IT/UFRRJ Vagner Silva – Mestrando da PUC-RJ Pammella Dutra – Mestranda da UFF Raphaella Santos de Souza – Estudante de agronomia da UFRRJ

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10 ANEXOS Na execução das atividades de planejamento estratégico rural alguns materiais foram produzidos para facilitar a participação das pessoas na oficina. A seguir os modelos utilizados.

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ANEXO 1 CALENDÁRIO AGRÍCOLA

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Dez

Nov

Out

Set

Ago

Jul

Jun

Mai

Abr

Mar

Fev

Dados

Jan

Foi elaborada e entregue uma tabela aos grupos de discussão.


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ANEXO 2 FICHA DE AVALIAÇÃO DA OFICINA

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ANEXO 3 CARTA DE UM PRODUTOR

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Realização

Sociedade Nacional de Agricultura Av. General Justo 171, 7° andar, Centro 20021-130. Rio de Janeiro, RJ. Brasil +55 (21) 3231-6350 Internet: www.sna.agr.br Email: sna@sna.agr.br

Apoio

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