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O REGIONAL - Sexta-feira, 11 de Abril de 2014

Expectativa agora é na comercialização do fumo Fumicultores trabalham agora na venda do tabaco para as empresas. Valor da compra quase sempre não atinge o que é esperado

O produção de tabaco é uma das principais fontes de receita da economia em vários municípios da região. Com esta importância, não somente os fumicultores, mas também comerciantes vivem a expectativa para que a comercialização atinja valores satisfatórios. Na localidade de Mosquito, em Piên, o casal Francisco

Honório de Lima e Rosa Gertrudes de Lima plantaram 35 mil pés de fumo nesta safra e a perspectiva é de que sejam produzidos cerca de seis mil quilos. “A seca do começo do ano prejudicou um pouco na formação da planta, algumas folhas não pegaram peso e ficaram muito manchadas, o que ocasionou danos na qualidade”, conta Francisco.

O aumento no preço do tabaco também não ilude Francisco, que relata que as empresas fumageiras estão mais rígidas na classificação. “O que na safra passada era comprado como BO1, que é a classe de maior qualidade, esse ano é rebaixado para BO2. Recentemente vendi em torno de 1.500 quilos, que teve como média R$ 7,80”,

FRANCISCO MOSTRA A nota com os valores que foram avaliados o fumo vendido

conta Honório, que no próximo ano não irá continuar nesta atividade. “Minhas filhas não moram mais comigo e plantar só em dois é muito complicado”, completou. Outro fumicultor da região que está insatisfeito com o preço do tabaco é Rodinei Bineck, da localidade de Palmitos, em Agudos do Sul. Ele plantou 40 mil pés de fumo, tendo em vista obter 7.500 quilos, dos quais 2.300 quilos já foram vendidos. Diferente do que aconteceu com outros agricultores, a seca não prejudicou a sua lavoura. Porém, o granizo chegou a assustá-lo, mas sem grandes danos. “Por mim, não precisaria nem subir o preço, contanto que eles pagassem o que realmente o fumo vale”, disse Bineck, sobre a estratégia das empresas em baixar a classificação do tabaco. De acordo com inspetor de campo da Afubra, Vilmar Niser, na safra deste ano a produtividade apresentou uma queda de 15%, levando em consideração a classe e o peso. “O fumo fino, que também conhecemos como baixeiro, não atingiu a qualidade esperada. Já no fumo grosso, que é a melhor parte do pé, a expectativa é de que a venda seja melhor, no entanto, temos que destacar que este é um mercado instável”, relata Niser. Em relação à comercialização, Vilmar conta que a tabela praticada pelas empresas varia de R$ 5,00 à R$ 9,00 por quilo. “Sugerimos que o produtor acompanhe a venda até a empresa. Neste caso, se ele não estiver de acordo com o valor que será pago poderá levar novamente o produto

RODINEI RECLAMA DA classificação do tabaco

para casa”, sugere Niser, que complementa. “O produtor também deve ter atenção na

Fumageira

classificação, para que não sejam enviados fardos com fumo de várias classes”, conclui.

A empresa Souza Cruz, para onde vai boa parte da produção local, explica que na classificação segue a instrução normativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e que a compra é acompanhada por órgãos de fiscalização e é aberta para acompanhamento pelos produtores. Relata que o preço varia de acordo com a qualidade. A empresa alega que, em algumas ocasiões, há a apresentação de diferentes tipos de classes em um único fardo, dificultando a classificação. Segundo a Souza Cruz, muitas vezes também ocorre a presença de materiais estranhos provenientes do campo. Estas situações, segundo a empresa, podem por em risco a valorização da safra brasileira.

Ed. 918 O Regional  

O Jornal O Regional é um semanário que circula na Região AMSULEP do PR com as principais notícias da semana.

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