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Pe. Augusto César Pereira, scj

São Judas Tadeu apóstolo e mártir

O Recado Editora Ltda R. Antônio das Chagas, 77 04714-000 - São Paulo - SP Tel/Fax: (011) 5181-4242


Introdução

Capítulo 1

Se quisermos uma biografia de são Judas Tadeu com muitos detalhes sobre seu nascimento, sua família, seus estudos, suas realizações... teremos pouca coisa. Sempre se diz que de são Judas Tadeu há muito pouco, inclusive na Bíblia. Não é, porém, assim. Exatamente na Bíblia temos a principal fonte donde podemos tirar valiosas informações sobre o grande santo que é são Judas Tadeu. Por quê? Porque são Judas Tadeu é um dos doze apóstolos escolhidos, preparados, consagrados e enviados diretamente por Cristo. Aí está a fonte preciosa que nos mostra o santo. É o que nos interessa. É também possível que, lendo este livro, alguém possa afirmar que mais parece um livro sobre os apóstolos do que sobre são Judas Tadeu. Não surpreende! Até demonstra que o alvo foi acertado. O livro quer mostrar que dentre os milhares de santos canonizados pela Igreja, doze são os primeiros, doze são especiais, doze são os maiores, porque escolhidos, preparados, consagrados e enviados pelo próprio Cristo, Filho de Deus. Os doze foram formados na escola de Jesus. O Pai teve o cuidado de dar-lhes um mestre especial que nenhum outro santo teve: Cristo. E são Judas Tadeu? Ora, Judas Tadeu, sendo um desses doze, recebeu tudo o que os outros receberam. Participou de tudo de que os outros participaram. Não foi mais do que os outros; também não foi menos. Por causa disso, é necessário ler o livro procurando ligar cada passagem da Escritura, cada ensinamento de Cristo a são Judas Tadeu. Não dá para desligar são Judas Tadeu do grupo dos doze, o chamado Colégio Apostólico. Diminuiria são Judas Tadeu. Desfalcaria o grupo dos doze apóstolos.

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Vida de São Judas Tadeu apóstolo e mártir Nesta primeira parte, pretendo mostrar a pessoa de São Judas Tadeu, as notas biográficas, sua presença na Bíblia como apóstolo, o campo de apostolado, seu martírio, a conservação de seus restos mortais, a celebração litúrgica. Em seguida, considero a devoção a são Judas Tadeu, com alguns dados tradicionais nem sempre comprovados, e a chegada da devoção ao Brasil. A devoção a são Judas Tadeu está ligada ao início da paróquia dedicada ao santo, no bairro do Jabaquara, em São Paulo, Capital.

Notas biográficas São Judas Tadeu era natural de Caná de Galiléia, na Palestina.Sua família era constituída do pai, Alfeu (ou Cleofas) e a mãe, Maria Cleofas. Seus quatro irmãos: Tiago, José, Simão e Maria Salomé. Eram parentes de Jesus. O pai, Alfeu, era irmão de são José; a mãe, Maria Cleofas, prima-irmã de Maria Santíssima. Portanto, Judas Tadeu era primo de Jesus, tanto pela parte do pai como da mãe. O relacionamento da família de Judas Tadeu com o próprio Jesus Cristo, pelo que se depreende da Bíblia é o seguinte:

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Alfeu (Cleofas) era um dos discípulos a quem Jesus apareceu no caminho de Emaús, no dia da ressurreição. Maria Cleofas, uma das piedosas mulheres que tinham seguido a Jesus desde a Galiléia e permaneceram ao pé da cruz, no Calvário. Dos irmãos dele, Tiago foi um dos doze apóstolos, chamado o Menor, que se tornou o primeiro bispo de Jerusalém. José, apenas conhecido como o Justo. Simão foi o segundo bispo de Jerusalém, após Tiago. E Maria Salomé, a única irmã, foi mãe dos apóstolos Tiago Maior e João evangelista. É de se supor que houve muita convivência de Judas Tadeu com o primo e os tios. Essa fraterna convivência, além do parentesco, pode ter levado são Marcos a citar Judas e os irmãos como irmãos de Jesus (Mc 6,3). Da mesma forma que nós dizemos que aquelas pessoas se dão bem como irmãos.

Na Bíblia A Bíblia trata pouco de Judas Tadeu. Mas, aponta o importante: Judas Tadeu foi escolhido a dedo, por Jesus, para apóstolo. Quando os evangelhos nomeiam os doze escolhidos, consta sempre Judas ou Tadeu na relação: Mt 10,4; Mc 3,18; Lc 6,16. O livro dos Atos dos Apóstolos também se refere a ele (At 1,13). Além dessas vezes em que Judas Tadeu aparece entre os colegas do colégio apostólico, apenas uma vez é citado especialmente nas Escrituras. Foi no episódio da santa Ceia, na quinta-feira santa, narrado por seu sobrinho João evangelista (Jo 14,22). Nesta oportunidade, quando Jesus confidenciava aos apóstolos as maravilhas do amor do Pai e lhes garantia especial manifestação de si próprio, Judas Tadeu não se conteve e perguntou: "Mestre, por que razão hás de manifestar-te só a nós e não ao mundo?" Jesus lhe respondeu afirmando que teriam manifestação dele todos os que guardassem sua palavra e permanecessem fiéis a seu amor.

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Sem dúvida, nesse fato, Judas Tadeu demonstra sua generosa compaixão por todos os homens, para que se salvem todos.

Missionário Por um historiador grego, sabemos que Judas Tadeu iniciou, depois de recebido o Espírito Santo, a pregação de Jesus, na Galiléia. Passou para a Samaria e a Iduméia e outras localidades de população judaica. Pelo ano 50, participou do primeiro Concílio, o de Jerusalém. Em seguida, foi evangelizar a Mesopotâmia, Síria, Armênia e Pérsia. Neste país, recebeu a companhia de outro apóstolo, Simão.

Mártir Além da Palavra, Judas Tadeu dava o testemunho de seu exemplo. Essa coerência de fé e de vida impressionou vivamente os pagãos que se convertiam ao Evangelho de Jesus, por meio de são Judas Tadeu. Isso provocou a fúria invejosa dos falsos pregadores, de feiticeiros e de ministros pagãos. De tal modo eles conseguiram incitar parte da população contra os apóstolos, que os trucidaram a golpes de cacetes, lanças e machados. Isso, pelo ano 70. Assim, são Judas Tadeu foi mártir, quer dizer: mostrou que sua adesão a Jesus era tal que testemunhava a fé com a doação da própria vida. A imagem de são Judas tem o livro que é a Palavra que ele pregou e a machadinha com a qual foi morto.

Restos mortais O corpo de são Judas foi, primeiro, inumado numa igreja construída na Babilônia em sua honra. Mais tarde, o corpo foi transportado para Jerusalém, quando os maometanos se apoderaram da Pérsia.

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No ano 800, o imperador Carlos Magno transladou as relíquias de são Judas para a Basílica de S. Saturnino de Tolosa, na França. Afinal, os restos mortais de são Judas foram definitivamente transferidos para Roma, para a Basílica de São Pedro, junto ao túmulo do chefe dos apóstolos. Majestoso e artístico altar é muito procurado pelos fiéis devotos de são Judas.

Data litúrgica A Igreja marcou a festa litúrgica de são Judas Tadeu, junto com são Simão, seu companheiro de apostolado e de martírio, na provável data de morte: 28 de outubro de 70.

Devoção a São Judas Tadeu Os poucos dados históricos mostram que os primeiros cristãos veneravam com amor e admiração o apóstolo e mártir são Judas Tadeu, particularmente na Ásia Menor, pois que ergueram uma igreja especial, em Babilônia. E quando os muçulmanos invadiram a região, pelo século VII, cuidadosamente guardaram o corpo do padroeiro em Jerusalém. A devoção dos povos orientais tem sua razão de ser, porque são Judas evangelizou-os e, entre eles, consumou o martírio. A devoção a ele, no Ocidente, já devia existir quando o imperador da França, Carlos Magno, no início do século IX, transferiu as relíquias do apóstolo para a florescente comunidade cristã de Tolosa, no sul do Império. Com o domínio dos muçulmanos no Oriente, as comunidades foram-se diluindo e, junto, a devoção a são Judas. Aos cristãos do ocidente faltava o incentivo da tradição de seus povos, pois não haviam sido evangelizados por são Judas. Além também o equívoco: confundiam são Judas com o Judas Iscariotes, o traidor. Isso tornou o santo esquecido. O reaparecimento da devoção a são Judas Tadeu parece dever-se a santa Brígida. Conta-se em sua biografia que o

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próprio Jesus lhe apareceu, aconselhando-a a invocar são Judas Tadeu até nos casos mais desesperados. Donde a fé do povo na especial intercessão do santo nos casos desesperados . Também um monge cistercense, por nome Cesaréio de Heisterbach (Alemanha), relata como uma senhora, às voltas com angustiante problema, preparou 12 cédulas com o nome dos apóstolos, e sorteou um para seu patrono. Ela ficou aborrecida com a cédula sorteada, são Judas, e a jogou fora. Na noite seguinte, o santo lhe apareceu em sonho, com o rosto resplandecente, e falou: "Acaso sou eu tão insignificante aos teus olhos que mereço ser considerado o Judas desprezado?" Outros santos foram devotos de são Judas Tadeu. Bernardo de Claraval, santo abade e sábio teólogo da santa Igreja, era tão devoto de são Judas que durante a vida toda venerava uma relíquia do santo apóstolo. Chegado à hora da morte, pediu que lhe colocassem sobre o peito a relíquia que tinha sido sua proteção em vida, recomendando que a mesma o acompanhasse à sepultura. São Lulo, arcebispo de Mogúncia e primeiro discípulo de são Bonifácio, cultivava a devoção a são Judas Tadeu, e de tal maneira, a incentivava que em Hersfelde fez construir um mosteiro beneditino e uma igreja dedicados a são Judas. Como santa Brígida, também a grande confidente e serva do Coração de Jesus, santa Gertrudes, consagrava uma veneração especial ao apóstolo parente de Cristo, lamentando ser o mesmo tão esquecido pelos fiéis. A bem-aventurada Crescência, da Ordem Terceira Franciscana e mestra de noviças, honrava com particular confiança a são Judas Tadeu. Ela costumava recomendar a devoção a são Judas afirmando que, sendo este santo menos venerado que os outros apóstolos por causa do seu nome, atenderia com mais larga generosidade aos que o invocassem. São Clemente Maria Hofbauer, missionário redentorista e ardoroso apóstolo de Viena, além de pessoalmente ter grande devoção ao santo, esmerou-se em propagá-la in-

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clusive em casas religiosas que não de sua congregação. Maior devoção a são Judas começou a se fazer notar, no século XX, especialmente de 1940 em diante. Em particular, após a Segunda Guerra Mundial.

Brasil No Brasil, a devoção a são Judas Tadeu iniciou pelos anos 40, com a fundação da paróquia São Judas Tadeu, no bairro do Jabaquara, em São Paulo, Capital. A paróquia foi erigida pelo arcebispo Dom José Gaspar de Afonseca e Silva na data de 25 de janeiro de 1940 (dia da Cidade e criação de 25 paróquias na arquidiocese de São Paulo). A 17 de março do mesmo ano de 1940, tomava posse como pároco o padre João Buescher, da Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus. Fez-se também a entronização da imagem do padroeiro até hoje venerada no santuário. Em cerca de meio século de devoção, pelo Brasil afora, espalhou-se o culto ao santo apóstolo, devendo haver mais de uma centena de paróquias e capelas consagradas a ele pelos devotos.Existe quem afirme ser são Judas Tadeu o segundo santo mais popular do Brasil, após Nossa Senhora Aparecida.

Início curioso O início da devoção a são Judas Tadeu está ligado à sua paróquia em São Paulo, no bairro do Jabaquara, pelos anos 40. As memórias do primeiro vigário comentam: "Esta nova paróquia de são Judas Tadeu era paupérrima, não possuindo absolutamente nada - nem terreno para a futura matriz nem mesmo uma pequena capela nem modesta casa paroquial. Estava ainda tudo por fazer e os habitantes do bairro eram, na sua maioria, pobres". Os galhos de uma árvore funcionavam como campanário rústico de velho sino que, no bairro abandonado, conclamava os fiéis ao encontro com Deus. Transeuntes

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estacavam, admirados diante da igrejinha tão primitiva, e prorrompiam em exclamações: "Que igreja! Nem torre tem!... Será católica?..." A igreja de são Judas Tadeu começou numa pequenina casa que servia de depósito e de armazém, sita à Avenida Felício Fagundes. Hoje, uma oficina funciona no local.

O padre devoto A devoção a são Judas Tadeu tem uma origem curiosa. Ela não se deve a alguma aparição do santo ou sua imagem (como Lurdes ou Aparecida). A devoção começou simplesmente porque o fundador do santuário, Pe. João Buescher, convidou o povo para ir fazer sua devoção. O próprio padre, em seu depoimento, lembra que o local aqui era completamente deserto. Os moradores eram as pessoas das chácaras que existiam aqui, na época. O bonde chegava só até a Praca da Árvore. Construção, havia o Hospital Clemente Ferreira. Era uma desolação só! Então, para começar a paróquia, padre João ia à cidade pedir ajuda em dinheiro para as construções que precisava fazer. Aos que o ajudavam, convidava para visitarem o local. Assim começou a ir gente visitar o santuário. Ele próprio acendeu as primeiras velas, no que foi imitado pelo povo. Portanto, nada de maravilhoso que explique o início da devoção a são Judas. Mas, o que é certo, é que a devocão pegou. Essa devocão, da maneira como via a figura do santo protetor e milagroso, correspondeu a alguma necessidade do povo paulistano naquela época. Ou por costume, ou porque a mesma necessidade ainda perdure, a devoção aí está, desafiando a pastoral. Desde cedo, o povo paulistano identificou-se com a pastoral desenvolvida no santuário. O fenômeno perdura. Diante desses fatos, as opiniões se dividem, variam muito, mas as práticas de devoção (velas, bênçãos e outros ritos) permanecem, e são as mesmas introduzidas ao tempo da fundação.

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A devoção do devoto Nos devotos de são Judas Tadeu, já antes de 1940, havia a mentalidade de que o santo era poderoso, capaz de resolver os problemas que outras devoções não conseguiam: era o santo dos aflitos e dos casos desesperados. Ia por aí! Há uns 25 anos, procurou-se dar ênfase mais bíblica à devocão e à própria pessoa do santo. São Judas, com base na Bíblia, é o apóstolo de Cristo, missionário, evangelizador, modelo de vida cristã. Essa mentalidade não pegou para 2/3 dos devotos, pois apenas 15% encaram o santo sob esta visão bíblica. Junte-se mais 17% que vêem são Judas sob as duas mentalidades, tradicional e bíblica. O devoto procura um relacionamento direto e pessoal com o santo. Não precisa de outros atos religiosos. O que ele faz para o santo, o santo entende e atende. "Pra que missa"? Como se diz: "muita reza pouca missa; muito santo pouco padre"... Embora o devoto busque o padre, seja ouvindo-o ou seja recebendo a bênção, isso sempre é encaminhado para a devoção pessoal: tudo isso ajuda a devoção; é mais uma coisa para o santo; é mais coisa para agradar ao santo. Como ele vem de casa para a visitar o santo na casa do santo, o santuário, vem em busca também de sinais que vão completando a realização da devoção e da visita. São várias manifestações diferentes da mesma devoção. Quando não acontece isso, o devoto reclama: "O padre falou bonito, falou, falou... só que não falou nada de são Judas". . .

O Apostolado de Caridade, com o vigor do termo apóstolo especialista em caridade, encarnou a preocupação com todo tipo de pobreza. Foi fundado em 24 de setembro de 1944. A Escola Paroquial S. Judas Tadeu - extinta - revelava a importância dada à educação das crianças. O serviço da caridade expandiu-se maravilhosamente a partir de 1970, quando o novo arcebispo de São Paulo, D. Paulo Evaristo Arns, desencadeou a Operação Periferia, na qual a paróquia mergulhou em cheio: ajudando financeiramente na construção de templos e centros comunitários e creches nas favelas. Os pobres foram e são, hoje, uma predileção característica da devoção a são Judas Tadeu. Curitiba Há referências documentadas de que, por volta de 1937, iniciava a devoção a são Judas Tadeu, em Curitiba, no Paraná. Neste ano, já se divulgava um devocionário com edição de 3 mil exemplares. A 10 de julho do ano seguinte, era abençoada a imagem do apóstolo, pelo arcebispo D. Ático Eusébio da Rocha. E, a 9 de outubro, a imagem foi entronizada no altar próprio, na igreja de Cristo Rei, onde ainda se venera. Neste mesmo ano, também foram iniciadas as novenas. Em 1940, dois fatos significativos aconteceram. O primeiro, foi a chegada da relíquia de são Judas Tadeu, proveniente de Roma. E a fundação do Sodalício de são Judas Tadeu que teve aprovação do estatuto a 28 de outubro do mesmo ano.

Serviço da caridade Logo de início, a atenção para com os pobres foi marcando a comunidade que nascia. Primeiro, as crianças, entre elas, as órfãs. Até que foi fundado o orfanato, hoje, Instituto Meninos de S. Judas Tadeu, pelo benemérito Pe. Gregório Westrupp SCJ, em 19 de março de 1950.

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Capítulo 2

Formação e missão dos apóstolos A segunda parte é uma reflexão em torno de são Judas Tadeu, passando os olhos e o coração pela Bíblia, o livro da Palavra de Deus. Como um dos doze apóstolos, são Judas Tadeu recebeu sua formação diretamente de Cristo, em conjunto com os demais apóstolos. Esse fato dá um aspecto todo especial, completamente diferente de todos os outros santos da Igreja, aos apóstolos. A missão e o compromisso dos doze são a missão e o compromisso da Igreja ainda hoje.

O começo não foi fácil: Jesus era muito exigente Jesus Cristo falava certas coisas que deixavam em alvoroço a cabeça das pessoas que o escutavam. Depois, ele fazia outras que traziam de volta o entusiasmo do povo para com ele. Assim foi com todo o povo, assim com os discípulos mais chegados também. Não era fácil comprometer-se com Jesus. Principalmente para os que queriam comprometer-se só tendo tudo claro e explicadinho. Comprometer-se com Jesus sem maiores esclarecimentos era para pouca gente. São judas Tadeu é um desses poucos. O que Jesus fazia questão de que aceitassem está no capítulo sexto do Evangelho de são João. Naquela oportunidade, Jesus falava de carne e sangue. O povo entendia: carne e sangue é gente, é pessoa. Pessoa especial: Jesus! Comer a carne significa aceitar a pessoa de Jesus como o "enviado do Pai". Por isso ele insistia: "Eu sou o pão vivo que desci do céu; eu sou o pão que o Pai enviou". Ele se esforçava para mostrar ao povo que ele

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era o enviado do Pai, o Messias. A primeira coisa que precisava entrar na cabeça e no coração das pessoas era: aceitar Jesus como o enviado do Pai. Também os apóstolos precisavam aceitá-lo assim. Depois de aceitá-lo como enviado do Pai, a segunda coisa era aceitar a mensagem de Jesus. Se não o aceitassem como enviado do Pai, como aceitar a mensagem? Jesus queria que o aceitassem inteiro, carne e sangue. Quando falava do pão, Jesus tinha na cabeça o pão como alimento, comida para todos. O pão era também ele, Jesus, que se entregaria por todos. Com essa de comer a carne, Jesus preparava o povo para a terceira coisa: que as pessoas o aceitassem na sua entrega na cruz, por amor. As pessoas tinham dificuldade em aceitar a pessoa de Jesus e sua doutrina, quanto mais aceitar que ele fosse morto do jeito que foi! Jesus preparava as pessoas para entenderem a entrega dele. Por isso, ele disse que a carne era para ser comida; o pão era para ser comido; que seu sangue era para ser bebido. Como todo o povo, os doze e são Judas Tadeu lutavam para aceitar estas três exigências de Jesus: primeira, que ele era o Filho de Deus, o enviado pelo Pai; segunda, que a mensagem dele era a mensagem do Pai; terceira, que ele se entregaria pelo povo para garantir tudo isso. Não era fácil, porque Jesus queria que aceitassem tudo sem muita explicacão. São Judas Tadeu, com os demais apóstolos, convertiam-se ao que Jesus queria. Isto é, eles mudavam seu modo de viver e de pensar; e se tornavam como Jesus vivia e pensava.

Os maiores santos: os apóstolos Penso que os maiores santos são os apóstolos. Por muitos motivos. Os apóstolos não tiveram ninguém antes deles, para mostrar que seguir a Cristo dava certo; que ele realmente cumpriria tudo o que prometia; que não era nada arriscado meter-se de corpo e alma com ele... Eles não sabiam nada da ressurreição, do Espírito Santo...

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Comprometer-se com Cristo era, de fato, lançar-se numa aventura, mergulhar no escuro. Depois de tudo o que Jesus mostrou, hoje, temos mais garantias de que vale a pena segui-lo. Uma das garantias são os próprios apóstolos. Os apóstolos são doze, que Jesus escolheu no meio de tanta gente que o seguia. Ele queria algo mais e muito especial deles. Por isso mesmo, Jesus fez ele próprio a escolha. A relação do doze está no evangelho: Mt 10,4; Mc 3,18; Lc 6,16. Os evangelhos mostram que, depois de escolhidos esses doze, Jesus em pessoa os preparou para a missão que confiaria ao zelo deles. Tantas e tantas vezes Jesus, depois de falar ao povo, chamava os doze à parte e explicava melhor a eles. Jesus tinha carinho especial com a formação de seus escolhidos. Só depois de terem passado pelos três anos de formação acompanhando Jesus a cada passo, vivendo cada instante da vida dele junto com ele; depois de terem ouvido tudo e presenciado com seus próprios olhos que Jesus havia cumprido tudo o que o Pai mandara cumprir; só após a ressurreição, Jesus achou que eles estavam em condições de serem enviados. Aí chegamos ao termo: enviados. Apóstolo é palavra grega que, em português, significa enviado. Escolhidos, preparados, consagrados e enviados - eis os apóstolos. Quem os escolheu, preparou e enviou foi o próprio Filho de Deus. Que mestre! Não só, porém, mestre, mas modelo. Jesus queria que os doze aprendessem não só sua doutrina, mas também seu modo de vida. Não deveriam só repetir ensinamentos, como novos mestres, mas deveriam mostrar como se vive este ensinamento, tornando-se também modelos e testemunhas. Sobre eles Jesus fundou sua Igreja e eles foram os construtores da Igreja.

Igreja de doze colunas Depois de vermos que os apóstolos são os maiores santos, porque foram escolhidos, formados consagrados e

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enviados pelo próprio Cristo, e se tornaram modelos de quem quer seguir a Cristo, outro fato para mostrar a santidade extraordinária deles: Jesus fundou a Igreja sobre eles e quis que eles continuassem a obra de Cristo, com Cristo, no lugar de Cristo, mas do modo deles. Logo, a existência dos apóstolos é essencial para a Igreja. Sem eles, não haveria Igreja. Eles são o fundamento da Igreja, as colunas da Igreja. Portanto, quando Jesus quis fundar sua Igreja, colocou um fundamento: os doze apóstolos. Os doze eram chefiados por Pedro. O nome de Pedro significa pedra. Como existem, entre nós, pessoas com o nome de Rocha. Rocha é pedra. Como se Jesus lhe dissesse: "Tu és Rocha e sobre esta rocha edificarei a minha Igreja" (Mt 16,1819). Notemos bem que a Igreja verdadeira de Cristo é a que tem os doze como grupo chefiado por Pedro. Não é Pedro sozinho, mas os doze com Pedro. Os doze também são chamados as "colunas da Igreja". São Paulo os trata assim, escrevendo aos efésios e aos gálatas (Ef 2,20; Gl 2,9). A mesma expressão encontramos no livro do Apocalipse 21,14. É necessário ser muito santo para ser fundamento e coluna da Igreja de Cristo!

Missão de Cristo, missão dos apóstolos Antes de concluir sua obra de redenção, Jesus quis que ela não acabasse com a volta dele ao céu. Ele queria garantir que sua obra continuaria para todos os homens de todos os tempos, de todos os lugares. Então, fundou a Igreja. Para garantia, colocou os apóstolos como fundamento. Os apóstolos são a garantia de que a obra de Jesus continuaria exatamente como ele sempre quis. Nada de diferente poderiam colocar na Igreja. Deveriam ser profundamente fïéis para que a Igreja não mudasse. Ela precisaria continuar sempre como Cristo a quis. A fidelidade dos apóstolos é mais uma virtude da grande santidade deles. Portanto, a Igreja foi uma missão que Jesus conferiu aos apóstolos. A missão deles foi a de anunciar a doutrina de

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Cristo para provocar a fé em Cristo. A missão deles era dar testemunho, isto é, mostrar que eles são os primeiros e os melhores e que vivem aquilo que ensinam.

Compromisso dos apóstolos Os apóstolos se comprometeram com a missão que receberam de Cristo. O compromisso deles foi total. Quer dizer, consagraram sua vida inteiramente à missão. A tempo integral, como dizemos hoje. Assumiram incondicionalmente, isto é, sem impor condição alguma, para o que desse e viesse. E não foi fácil. Não foi, porque Jesus, usando nosso modo de falar, não facilitou em nada a missão dos apóstolos. Cristo não tornou mais leve o que era pesado; não diminuiu o que era grande; não encurtou os caminhos que eram longos; não tornou menos doloridos os sofrimentos que doíam; não abrandou o coração dos inimigos que continuaram ainda mais ferrenhos; não impediu o cansaço, o suor, a sede, o desânimo, a vontade de voltar atrás. . . Nem afastou a cruz e os tormentos do martírio, porque todos eles foram mortos por causa de Cristo. É claro que a graça de Deus estava com eles, para ser a força e a determinação. Mas, sem a colaboração da pessoa, a graça nada faz. Os apóstolos, pois, a cada dificuldade, precisavam renovar o compromisso com a missão e tocar adiante! Mais e mais transparece que, na verdade, os apóstolos foram grandes santos, os maiores e os primeiros santos. Porque tudo o que foi feito de santidade na Igreja, foi depois deles e por causa deles!

Formadores de comunidades Como era o exercício da missão dos apóstolos? Eles não andavam pregando a Palavra de Deus a esmo. Tinham em vista converter as pessoas, sem dúvida. Mas, e depois da

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conversão? O cuidado dos apóstolos era com a formação de comunidades cristãs. Formadas as comunidades, eles escolhiam lideranças que mantivessem o ânimo das comunidades. Aos apóstolos cabia a animação geral dessas comunidades, com visitas periódicas e cartas. Uma descrição completa desse sistema, encontramos no livro Atos dos Apóstolos que conta o que foi o nascimento da Igreja. Os apóstolos procuravam confirmar as comunidades estimulando-as à perseverança na fé. Era o serviço pastoral deles aos irmãos. Toda a ação missionária é dirigida pelo Espírito Santo que está presente na comunidade, age pela comunidade e faz a comunidade agir. Os principais centros de difusão do cristianismo foram Jerusalém, Antioquia, Éfeso e Roma. Tudo começou em Jerusalém, para o mundo judaico. Dali partiu para o mundo pagão dos gregos e todo o mundo conhecido. A grande porta para o mundo universal foi a chegada do cristianismo a Roma que, na época, era considerada a capital do mundo pagão. As comunidades cristãs apresentavam modelo novo de sociedade. Relacionamento novo entre as pessoas era proposto. A novidade, na prática das comunidades, era a partilha. Partilha dos dons, partilha da Palavra, partilha das experiências, partilha dos bens... "Tudo era comum entre eles". Esse novo modo de viver entre irmãos causava muito boa impressão entre o povo que exclamava a conhecida expressão: "Vede como se amam"! Por outro lado, provocava a perseguição dos que se opunham a esse tipo de convivência fraterna. De tal modo foi a perseguição, que ela se tornou importante elemento de avaliação das comunidades: a perseguição passou a ser sinal de fidelidade a Cristo. Não resta a menor dúvida de que a Igreja precisa voltar a se firmar sobre a base das comunidades nos moldes das primeiras comunidades cristãs.

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Os doze apóstolos no calendário Eis a relação dos doze apóstolos com a data da celebração litúrgica da memória de cada um: Filipe e Tiago Menor: 3 de maio; Matias: 14 de maio; Pedro: 29 de junho; Tomé: 3 de julho; Tiago Maior: 25 de julho; Bartolomeu: 24 de agosto; Mateus: 21 de setembro; Simão e Judas Tadeu: 28 de outubro; André: 30 de novembro; João: 27 de dezembro. São Paulo e Barnabé, companheiros de apostolado (At 13,2) não são apóstolos. São chamados apóstolos pelo gigantesco trabalho apostólico que realizaram. Matias foi escolhido para o lugar do traidor, conforme se lê nos Atos dos Apistolos 1,12-26. Dos quatro evangelistas, dois são apóstolos: Mateus e João. Marcos (25 de abril) e Lucas (18 de outubro) não são apóstolos.

Igreja e apóstolos de hoje: papa, bispos e povo de Deus Os continuadores dos apóstolos são os bispos. O sucessor de Pedro é o papa. Se alguém tiver paciência e gosto, poderá tomar o bispo de sua diocese, por exemplo, e pesquisar quem veio antes dele, bispo por bispo, vai chegar a algum dos doze apóstolos. Fazer isso com o papa é fácil, porque já foi feito: voltando atrás, na história, chegasse sem erro a Pedro. Ou, se se preferir, começando por Pedro, vai-se chegar tranqüilamente a João Paulo II. Pedro foi o primeiro papa. Dirigiu a Igreja morando em Roma. Foi martirizado em Roma. Está sepultado em Roma. Por

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causa disso é que nossa Igreja se chama romana: porque o primeiro papa morou em Roma e o atual também. Essa ligação com os apóstolos é que dá credibilidade à verdadeira Igreja de Cristo. Isto é, a ligação com os apóstolos dá garantia de que é a Igreja fundada pelo próprio Cristo. Porém, é preciso ter bem claro que essa ligação com os apóstolos não é título de grandeza, glória, honraria... É compromisso de ser como foram os apóstolos. Todos os membros da Igreja, pelo batismo - como sabemos - são responsáveis pela Igreja e são responsáveis com a Igreja para que ela cumpra sua missão. O Concílio Vaticano II usa a bela figura de Povo de Deus para a Igreja. Já se foi o tempo em que só padre e bispo eram Igreja. Todos os batizados são Igreja. Portanto, compete a todos fazer o que Cristo fez para a salvação da humanidade. Em resumo, nossa tarefa exige quatro atitudes: 1. anunciar o Reino de Deus; 2. denunciar tudo o que for contrário ao Reino de Deus; 3. testemunhar que o Reino de Deus já está acontecendo; 4. celebrar cada conquista, cada passo dado em direção ao Reino de Deus. Essas quatro atitudes são o que chamamos a nossa missão profética.

Uma pergunta "Há anos venho acompanhando as posições de nossa Igreja, especialmente desde 1979 (se não me engano) quando ela fez a famosa opção pelos pobres. Até que concordo em muitos aspectos dessa opção que não poderia ser outra num mundo injusto como este. Parece até que foi intuição profunda, pois o mundo e a América Latina ainda mais se empobreceram nestes anos, desde 79.

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Mas, de um aspecto não consigo explicação, portanto não consigo entender. Se entendo e apóio a opção pelos pobres, não entendo a exclusão dos ricos. Por que os ricos ficam de fora da Igreja?" (D.F.J.)

Capítulo 3

A comunidade que tem São Judas Tadeu como padroeiro

Meu irmão D.F.J., saúde e muita paz! Admirei sua carta. Revela busca, revela compreensão e ânsia de quem quer agregar a todos e nunca desagregar. Ótimo! O ponto a que você se refere é importantíssimo na compreensão e vivência da opção pelos pobres. Sugiro-lhe o exemplo clássico da mãe que, tendo um filho doente, dá preferência a este nos seus cuidados maternos, sem excluir os demais. Assim, uma comparação com a Igreja que, preferindo os pobres, o faz por uma necessidade deles, dos pobres. E, meu irmão, a IGREJA CONVOCA TODOS PARA FAZEREM A OPÇÃO PELOS POBRES. Também OS RICOS DEVEM FAZER OPÇAO PELOS POBRES. Fazer opção pelos pobres, não significa que os ricos devam se tornar pobres e, os pobres, virarem ricos. Não! Opção pelos pobres não significou nunca fazer os pobres ficarem ricos. O ideal do Evangelho não é a riqueza, mas A JUSTIÇA NA FRATERNIDADE. Não queremos, pois, um mundo em que as pessoas sejam mais ricas; queremos um mundo em que as pessoas sejam mais justas; em que as pessoas sejam mais fraternas. O rico fazer opção pelos pobres significa que ele use sua posição de rico para tornar mais humana a situação do pobre; para mudar a organização injusta da sociedade e dar mais oportunidade a todos.

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A terceira parte deste livro sobre a devoção a são Judas Tadeu apresenta duas reflexões para as comunidades que escolheram o apóstolo para seu padroeiro. Depois, uma reflexão comunitária para grupos, seja de devotos, seja de agentes pastorais especialmente. Finalmente, a oração do apóstolo de hoje comprometido como agente de pastoral.

Paróquia missionária Houve um grupo de Doze chamados apóstolos. Houve outros grupos de três, de sete, de quinze, de centenas. Também apóstolos. Homens e mulheres. Todos animados pela idéia de anunciar uma boa-nova, entusiasmados por um homem que chamaram de Mestre, Irmão, Senhor, Salvador e Libertador. Apóstolo é quem é enviado em missão. A fé dos primeiros contagiou os segundos e continua contagiando. Alguns grupos e comunidades se reúnem hoje sob a inspiração dos primeiros anunciadores do evangelho. Nossa paróquia tem a felicidade de ser uma delas. Judas Tadeu foi missionário na Ásia Menor, homem de fé convicta, profunda e corajosa, que participava com alegria do anúncio e do crescimento do Reino. Com a mesma alegria, os membros da paróquia e os devotos de são Judas devem anunciar Jesus Cristo. Assim fazendo, a paróquia são Judas Tadeu Apóstolo vai-se tornando necessariamente missionária.

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O começo está feito. Há um anúncio missionário nas escolas públicas, nas comunidades de base, em favelas, junto aos pobres que buscam recursos materiais, nos movimentos de casais e de jovens. Nossa paróquia deverá tentar crescer em várias direções se quiser ser fiel à missão de unir em comunidades o povo que está por aí. Penso que devemos favorecer ao máximo o surgimento de pequenas comunidades, reunindo vizinhos e interesses comuns, para que o viver cotidiano possa ser enformado pela Palavra do Evangelho. Outra preocupação fundamental será a evangelização do mundo do trabalho, do mundo das crianças e dos jovens. O documento de Puebla descobre o "rosto do Cristo sofredor" na fisionomia dos jovens sem esperança. No entanto, os jovens são "a esperança da Igreja e a esperança do Papa", como nos recorda João Paulo II. A eles deverá ser reservado especial esforço pastoral. Não descuidaremos da liturgia, da família, da vocação do cristão, da promoção humana, do aconselhamento espiritual, da religiosidade popular ou de qualquer outro setor pastoral. A missão da paróquia, no entanto, é mais vasta que o atendimento ao numeroso povo que nela procura alimento para sua fé; exige ir-ao-encontro dos que moram próximos e ainda não topam a boa nova do Evangelho. Para essa ampla tarefa, a paróquia conta com uma equipe de padres, com as religiosas e com os leigos que já aprenderam a dizer "sim" ao chamado para a missão. E com os que ainda farão esse aprendizado. Os agentes de pastoral ou os "operários da vinha do Senhor", não formam um grupo fechado. As portas da missão estão abertas e a entrada franqueada a todos os homens de fé.

raça e classe a Copa do Mundo, o nome de Jesus se tornou o mais admirado, citado e respeitado dos nomes. Um dos componentes do primeiro time de Cristo era o nosso padroeiro, citado no Evangelho como Tadeu ou Judas Tadeu. Esse grupo de operários da primeira hora teve logo um valioso reforço nas pessoas de Matias, Paulo, Barnabé, Timóteo, Marcos, Lucas e outros. Eles fizeram o trabalho básico da Igreja. Lançaram o fundamento. Anunciaram a Palavra de Deus como Jesus tinha mandado. Deram testemunho vivo da pessoa e ação de Jesus. Construíram comunidades. Geraram igrejas. Foram perseguidos e não desanimaram. Lembraram-se do Mestre perseguido, criticado, preso, condenado, morto e ressuscitado. Nada pôde deter sua garra de homens que tinham ideal bem claro diante dos olhos: reunir os homens em comunidades para passarem a viver como irmãos; bem como Jesus ensinara. Sujeitar-se à morte violenta por causa desse ideal não lhes parecia absurdo, mas conseqüência lógica do seguimento de Jesus que derramou seu sangue até a última gota para a salvação dos homens. Judas Tadeu morreu assim: mártir. Quer dizer: dando o supremo testemunho de fidelidade ao Cristo que havia dito: "Não há maior prova de amor que dar a vida" (Jo 15,13). Hoje, continuamos a admirar o zelo dos primeiros apóstolos e a inspirar-nos em seu exemplo. Nossa comunidade cristã, embora bem crescida, precisa ainda ser gerada, alimentada e orientada na fé em Jesus. Hoje, nós, padres e cristãos leigos, somos os apóstolos desta porção do Povo de Deus. E, como apóstolos, chamados a dar testemunho vivo de Jesus aos irmãos.

O padroeiro, admirado e imitado Graças à atuação de um vigoroso time de doze Apóstolos, que lutava com o entusiasmo de quem quer conquistar com

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Esta a responsabilidade dos membros da Paróquia São Judas Tadeu. Não podemos rezar honestamente a invocação: "São Judas Tadeu, rogai por nós", sem assumir

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"O Espírito do Senhor está sobre mim. Ele me ungiu para anunciar a boa nova aos pobres" (Lc 4,18). Foi o primeiro e o maior dos evangelizadores.

decididamente o compromisso de fazer o que o Padroeiro fazia.

(Para grupos de reflexão)

- L 2 - Como núcleo e centro da sua boa nova, Cristo anuncia a salvação, esse grande dom de Deus, que é libertação de tudo aquilo que oprime o homem.

1. Introdução

- L 3 - Tudo o que começou na própria vida de Cristo deve ser continuado pacientemente no decorrer da história.

São Judas Tadeu e a missão da igreja

D - Nós, membros da Paróquia São Judas Tadeu Apóstolo, reunimo-nos para refletir sobre a missão da Igreja, que nasceu da pregação de Cristo e dos doze apóstolos. Somos convidados a considerar o que significa pertencer a uma comunidade que tem como inspiração fundamental um dos apóstolos escolhidos e enviados pelo próprio Jesus. Para maior proveito, invoquemos a presença do Espírito de Deus.

- L 4 - Para que isso aconteça, rezemos: -T-

Ó Deus, quisestes que a vossa obra continuasse até o fim dos tempos. Despertai nos corações dos vossos fiéis a consciência de que são chamados a trabalhar pela salvação da humanidade até que, de todos os povos, surja e cresça para vós uma só família e um só povo.

2. Oração ao Espírito Santo 4. A Igreja, continuadora da missão de Jesus Ó Espírito Santo, dai-nos corações grandes, abertos à vossa forte palavra inspiradora e fechados a todas as ambições mesquinhas; dai-nos corações alheios a qualquer desprezível competição humana, e compenetrados do sentido da santa Igreja; dai-nos corações grandes e generosos para superar todas as provações, todo tédio, todo cansaço, toda desilusão, todas as ofensas; dai-nos corações grandes e humildes até o sacrifício, quando necessário; corações cuja felicidade seja palpitar com o terno Coração de Cristo, e cumprir, fiel e virilmente, toda a vontade do Pai Celeste. Amém.

- L 1 - A tarefa de evangelizar todos os homens constitui a missão essencial da Igreja: tarefa e missão que as amplas e profundas mudanças da sociedade atual tornam ainda mais urgentes. -T-

Evangelizar constitui, de fato, a graça e a vocação própria da Igreja, a sua mais profunda identidade. Ela existe para evangelizar.

- L 2 - A Igreja nasce da ação evangelizadora de Jesus e dos doze apóstolos. Ela é o fruto normal, querido, o mais imediato e o mais visível dessa evangelização.

3. Missão de Jesus - L 1 - O próprio Jesus resumiu sua missão em poucas palavras: "Eu devo anunciar o Reino de Deus" (Lc 4,43).

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- L 3 - Nascida da missão de Jesus, a Igreja é, por sua vez, enviada por Jesus: "Ide, pois, anunciai a boa nova a toda criatura" (Mc 16,15).

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- L 4 - Enviada e evangelizadora, a Igreja envia também ela própria evangelizadores. - L 1 - O empenho em anunciar o Evangelho aos homens do nosso tempo, animados pela esperança, mas ao mesmo tempo, torturados muitas vezes pelo medo e pela angústia, é, sem dúvida alguma, um serviço prestado à comunidade dos cristãos, bem como a toda a humanidade.

- L 4 - Como caminho para chegar a uma convivência mais humana e fraterna a Igreja propõe aos homens um esforço de: • unir liberdade e solidariedade; • exercer a autoridade no espírito do Bom Pastor; • viver atitude diferente diante da riqueza; • ensaiar formas e estruturas de participação do povo; • mostrar que a comunhão com Cristo é a única que sustenta a união entre os homens.

- L 2 - Para que a Igreja seja fiel à sua missão, rezemos

6. Quem evangeliza hoje

-T-

- L 1 - Deus chama a todos os homens e cada homem à fé e, pela fé, a incorporar-se no Povo de Deus, mediante o batismo. Este chamamento pelo batismo, confirmação e ecaristia para sermos povo seu, chama-se comunhão e participação na missão e vida da Igreja e, portanto, na evangelização do mundo.

Ó Deus, concedei que a vossa Igreja seja fiel à sua missão, caminhando sempre com toda a família humana, renovando-a no Cristo como fermento e alma da sociedade humana, para transformá-la em família de Deus.

5. A Igreja no Brasil - L 3 - O que a Igreja pretende com sua ação evangelizadora no Brasil? - T - Evangelizar! • Jesus Cristo, ontem, hoje e sempre! • em preparação ao seu Jubileu do ano 2000, na força do Espírito que o Pai enviou, sob a proteção da Mãe de Deus e nossa, queremos: • evangelizar • com renovadao ardor missionário, • testemunhando Jesus Cristo, • em comunhão fraterna, • à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, • para formar o povo de Deus • e participar da construção de uma sociedade justa e solidária, • a serviço da vida e da esperança, • nas diferentes culturas, • a caminho do Reino definitivo.

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- L 2 - Nem todos, entretanto, somos enviados a servir e evangelizar em virtude da mesma função: -T-

Uns o fazem como bispos e sacerdotes, outros como leigos e outros pela vida consagrada. Todos, complementariamente, construímos o Reino de Deus na terra.

7. Atitudes do evangelizador - L 3 - agir sob a inspiração do Espírito Santo; • ser testemunha autêntica, tentando viver o que se prega; • construtor da unidade, proclamando a mensagem de Cristo, em comunhão com a Igreja; • servidor da verdade; • animado pelo amor; • no fervor dos santos.

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8. Os santos e nós - L 4 - Eles foram homens como nós. Experimentaram em suas vidas dificuldades, angústias e pecado. Mas se deixaram evangelizar profundamente, a ponto de modificarem, pela força do Evangelho, seus critérios de julgar os valores que contavam em suas vidas, seus centros de interesse e suas linhas de pensamento. A tal ponto que poderiam dizer com Paulo: -T-

"Já não sou eu que vivo, mas é o Cristo quem vive em mim" (G12,20).

- L 1 - Isto não se deu de uma hora para outra, mas foi um longo processo de transformação. São Judas Tadeu, como tantos outros, aceitando o Cristo, deixou-o agir em si, enquanto anunciava o Reino. -T-

Hoje, o mundo reclama e espera de nós: simplicidade de vida, espírito de oração, caridade para com todos, especialmente para com os pequeninos e os pobres, obediência e humildade, desapego de nós e renúncia.

- L 2 - Sem esta marca de santidade, dificilmente a nossa palavra fará a sua caminhada até atingir o coração do homem dos nossos tempos.

faze tu o mesmo" (Lc 10,37). Poderia falar a cada um de nós, "Vai e faze como são Judas". Neste caso, o que poderíamos fazer? 10. Plenário para partilhar as respostas 11. Oração a são Judas Tadeu São Judas Tadeu, apóstolo escolhido por Cristo, eu vos saúdo e louvo pela fidelidade e amor com que cumpristes vossa missão. Chamado e enviado por Jesus, sois uma das doze colunas que sustentam a verdadeira Igreja fundada por Cristo. Inúmeras pessoas, imitando vosso exemplo e auxiliadas por vossa oração, encontram o caminho para o Pai, abrem o coração aos irmãos e descobrem forças para vencer o pecado e superar todo o mal. Quero imitar-vos, comprometendo-me com Cristo e com sua Igreja, por uma decidida conversão a Deus e ao próximo, especialmente o mais pobre. E, assim convertido, assumirei a missão de viver e anunciar o Evangelho, como membro ativo de minha comunidade. Espero, então, alcançar de Deus a graça que imploro confiando na vossa poderosa intercessão. São Judas Tadeu, rogai por nósl Amém!

9. Para debater (a) - Nossa comunidade (a paróquia, o grupo) está sendo fiel à missão da igreja? Demonstre. (b) - Existem na paróquia ou na cidade, situações de missão, onde o Evangelho ainda não foi devidamente anunciado? Quais? (c) - Cristo disse ao doutor da Lei, que reconhecera no bom samaritano o próximo do homem ferido: "Vai e

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Capítulo 4

Os apóstolos são o fundamento da Igreja Nesta quarta parte, refletimos em torno de pontos decisivos para o colégio dos apóstolos. Lembrando-nos de que não se trata de são Judas Tadeu apenas. O grupo da escola de Jesus eram os doze. O que era decisivo para os doze era, também, para cada um deles. Parece-me que os apóstolos foram sendo levados para a decisão em todos os momentos em que estiveram diretamente com Cristo. Entre tudo o que conduziu à decisão de aderir radicalmente a Cristo foi a Palavra transformadora. Ela, ao mesmo tempo que mostra os objetivos da proposta de Cristo, lança as bases dessa mesma proposta. No âmago mais profundo da Palavra, está todo o vigor da mensagem, o amor misericordioso do coração de Cristo. Este amor misericordioso é apresentado como distintivo dos discípulos do Senhor, seguidores do “mandamento novo”. A Páscoa da Ressurreição, pelo seu caráter de acontecimento inaudito na história da humanidade, dá o fundamento sólido de que os apóstolos precisavam para o testemunho. A força transformadora daqueles pescadores tímidos e ignorantes chegou, para fircar, no Pentecostes, pela infusão do Espírito Santo. Na Eucaristia dominical que celebravam com das comunidades, os apóstolos, na pessoa de Cristo e em nome de Cristo, faziam a memória do mistério do Senhor. Com tudo isso e por tudo isso, os apóstolos são o fundamento da Igreja continuadora da obra e distribuidora dos méritos de Cristo para os homens de todos os tempos e de todos os lugares.

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PALAVRA DE DEUS PARA O POVO DE DEUS O Pai tinha uma mensagem para comunicar à humanidade. Esta palavra é o amor. Em termos humanos, podemos explicar que o Pai não sabia como comunicar essa palavra aos homens. Deus fala de um jeito, o homem de outro... Imaginou pra lá, pra cá, até que uma idéia genial surgiu: enviar seu próprio e único Filho como Palavra de amor. Tudo ficou claro Já no Antigo Testamento, a Palavra era tida como luz: "Tua palavra é uma lâmpada para meus passos; uma luz para meu caminho" (Sl 119,105). Jesus eleva esses pensamentos à perfeição, quando afirma de si mesmo: "Eu sou a luz do mundo; quem me segue não anda nas trevas" (Jo 8,12). Realmente, as coisas de Deus são claras. Deus não gosta de trevas. Deus não esconde. Nem se esconde. Deus se revela. Deus se mostra. Para se revelar e se mostrar, ele precisava de uma maneira. Porque os homens não tinham condições de conhecer os pensamentos do Pai. Aí ele imaginou mandar seu Filho. Para comunicar aos homens a sua mensagem. Jesus veio para comunicar o que o Pai pensa sobre as coisas e sobre o homem. Também para comunicar o que Deus é dentro de si na sua vida íntima. Palavra é gente Jesus, então, é a Palavra de Deus que se fez gente. São João afirma isso logo no início do quarto evangelho: "A Palavra de Deus (Verbo) se fez carne e morou entre nós" (Jo 1,14). "A Palavra era a luz verdadeira que ilumina todo homem que vem a este mundo" (Jo 1,9). Só Jesus, portanto, tem a verdadeira Palavra de Deus. Tudo o que o Pai quis comunicar aos homens, ele comunica por Jesus. Em Jesus nós conhecemos o Pai.

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Mensagem do Pai Jesus garante que recebeu a Palavra do Pai: "A doutrina que eu ensino não é minha, mas do Pai que me enviou" (Jo 7,16). Garante, também, que ele falou tudo o que deveria falar; não escondeu nem guardou nada; não fez segredo algum: "Tudo o que eu ouvi de meu Pai eu vos transmiti" (Jo 15,15). Nada, pois, em Deus, é treva: tudo é luz (1Jo 1,5)! Falar ou escutar Muitas pessoas acham que são religiosas porque vivem falando a Deus o dia inteiro. Isso parece muita pretensão. O que nós temos para falar a Deus que ele não saiba? Pessoa religiosa é aquela que passa sua vida ouvindo o que Deus tem a dizer. Outras muitas pessoas acham que orar é pedir a Deus que ele faça o que a gente precisa. Ora, somos nós que vamos dizer a Deus o que ele deve fazer? Ou será que orar não é a gente ficar na escuta para ouvir o que Deus diz para a gente fazer? Ouvindo a Palavra de Deus aprendemos o que ele quer que a gente faça para viver como filhos dele. Se não, de tanto falar a Deus, as pessoas perdem a chance de ouvir Deus! Religião Religião é muito mais que falar, é escutar. Religião não é o que Deus faz, mas é o que eu faco. "Todo aquele que está com a verdade ouve a minha voz" (Jo 18,37)! Evangelho / testemunho Nós acreditamos nos Evangelhos porque eles são, realmente, a pregação autêntica de Jesus Cristo que chegou até nós. Consideraremos três pontos fundamentais para firmar essa crença: a mensagem passou do próprio Cristo aos apóstolos; estes transmitiram às primeiras

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comunidades cristãs que eles mesmos fundaram (Tessalônica, Corinto, Filipos, Roma...); finalmente, essas comunidades passaram a mensagem aos evangelistas que a escreveram. Não existe nenhuma brecha entre a pregação de Jesus e a escrita dos evangelhos. O tempo entre a pregação de Cristo e a escrita dos evangelhos é muito pouco: Cristo realizou sua pregação entre os anos 30 e 33; os evangelhos comecaram a ser escritos no ano 40 (Marcos) e os demais entre os anos 60 e 100. Logo, não houve intervalo tão grande que pudesse adulterar a pregação do Senhor. Nem houve possibilidade de invenções de teorias dos próprios escritores evangelistas. Porque os apóstolos se orgulhavam de ser testemunhas da pregação e nunca se fizeram passar por inventores da pregação. Testemunhas fiéis Os apóstolos faziam questão de ser testemunhas das palavras de Jesus que eles pregavam. No Novo Testamento, as palavras testemunho, testemunhas, testemunhar aparecem mais de 150 vezes. Os apóstolos insistiam em ter sido testemunhas que viram, que ouviram, que experimentaram pessoalmente tudo o que estavam falando. Quando foram substituir o Iscariotes, Pedro, como chefe, exigiu que o substituto fosse testemunha de sua ressurreição (At 1,21s). No dia de Pentecostes, Pedro afirmou: "A este Jesus, Deus ressuseitou. Disto todos nós somos testemunhas" (At 2,32). Paulo garantiu ao povo de Corinto que havia muitas testemunhas da ressurreição de Cristo, inclusive ele (lCor 15,3-8). Ainda outras muitas passagens revelam que os apóstolos faziam imensa questão de ser fiéis testemunhas. Nada do que apresentavam era deles. Importante, para eles, era ser testemunhas. Isso nos garante que a Palavra que recebemos é realmente Palavra autêntica de Cristo.

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Os quatro evangelistas Os quatro evangelistas, desde tempos muito remotos, têm sido representados pela piedade cristã nas figuras de um homem e três animais. Não se trata de pura invenção. Cada qual tem sua razão de ser assim representado: Mateus é o homem, João é a águia, Lucas é o touro e Marcos é o leão.

Lucas inicia seu evangelho mostrando o templo de Jerusalém, onde eram sacrificados os touros do ritual judaico. O sacrifício da "nova e eterna aliança" não será mais no corpo nem no sangue de touros, mas na pessoa e no sangue de Cristo. No sacrifício de Cristo, que se repete na missa, Lucas mostra que os sacrifícios antigos perderam seu valor na pessoa de Cristo.

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João quis mostrar que Jesus era Filho de Deus, porque ensinava uma doutrina tão especial e profundamente transformadora que não podia ser inventada por pessoas humanas aqui na terra. Uma doutrina assim deve ter vindo de Deus. João penetra no que Jesus tem de mais intimamente divino, como a águia que procura as alturas, muito acima do nível costumeiro dos demais.

O evangelista Mateus tinha interesse em mostrar que Jesus era judeu, descendente de judeus como todos podiam se orgulhar de ser. Por isso, inicia seu evangelho fornecendo a genealogia de Jesus, isto é, aponta os ascendentes de Cristo, para provar sua linhagem judaica. Jesus foi a pessoa humana de nacionalidade judaica. Sua representação é a figura de homem.

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Marcos inicia o evangelho com João Batista pregando no deserto onde mora o leão, perto do vale do rio Jordão, o deserto de Judá. Para os judeus, o deserto significa o lugar de encontro com Deus. Porque, no deserto, se deram grandes acontecimentos da história de Israel, os momentos decisivos do povo escolhido. Jesus esteve no deserto antes de começar sua missão.

CARTA DE SÃO JUDAS TADEU O apóstolo são Judas na sua carta não menciona nem a data nem os destinatários, que no entanto devem ter sido judeus-cristãos da Palestina ou de outros países. Porque a carta supõe que conheçam bem a são Tiago, bispo de Jerusalém, o Antigo Testamento e as tradições do povo Judeu. São Tiago já tinha escrito uma epístola aos judeus dispersos. Morto Tiago, Judas se sentia obrigado a exortar e instruir, por meio de uma missiva, os judeus-cristãos, aos quais até já havia anunciado o evangelho e assistido as comunidades. Provavelmente foi informado de que algumas destas comunidades corriam grande perigo porque certos cristãos libertinos se imiscuíam em seus ágapes, aprofundando escândalos. Espalhavam doutrinas perigosas, praticando e defendendo uma falsa liberdade, não evangélica. Ufanavam-se de ter uma idéia do cristianismo muito superior aos antiquados ensinamentos até então pregados. Quando os chefes das comunidades os preveniam contra as falácias e o poder iníquo dos demônios, riam-se destes temores e escarneciam dos maus anjos. Não deixavam de impressionar e aliciar alguns cristãos fracos com idéias que lisonjeavam os sentidos, por sua grande ruína espiritual. São Judas, pelo que se infere do versículo III de sua carta, já cogitava seriamente em enviar-lhes uma missiva mais ampla com instruções sobre a fé. Mas, assim que foi informado desta situação perigosa que ameaçava destruir a fé apostólica, meteu-se logo a escrever, com toda urgência, esta breve carta,

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sem cuidar muito do estilo, e, provavelmente, servindo-se da segunda epístola de são Pedro. À semelhança dos profetas do Antigo Testamento, fustiga os vícios ignominiosos dos intrusos, esboçando, com rápidos e enérgicos traços, algumas imagens que os caracterizam e desmascaram. Mas, se a parte central da mensagem apostólica é como nuvem de trovoada que despede raios e ribomba qual trovão ameaçador, ela é, ao mesmo tempo, orlada de luz celeste. No início e no fim, fala o coração do apóstolo sobre a paz, a misericórdia e o júbilo.

Católicos e Bíblia Na festa de são Judas aparecem crianças fantasiadas como a imagem de são Judas: túnica verde, manto vermelho e a machadinha. Sem o principal: a Bíblia. Aliás, os "católicos" parece que ainda não se importam com a Bíblia. Querem ter em casa água benta, vela benta, roupas bentas... Porém, não têm a Bíblia. A Palavra de Deus é a coisa mais santa que uma família pode ter em casa! Até nos "encontros" de casais, de jovens . . . é preciso dar uma Bíblia aos participantes, "como lembrança do encontro". Cada "encontrista" deve ter gosto e prazer em possuir a sua Bíblia. Se não possui, depois do "encontro", compre a sua própria Bíblia.

Periquitinho da sorte Há uma maneira de ler a Bíblia que se compara ao periquitinho verde que, com o bico, sorteia um bilhete com mensagem de sorte. Abre-se a Bíblia a esmo e, onde apontar o dedo, estará uma mensagem especial de Deus para a situação em que a pessoa se encontrar. Ora, essa não é maneira de ler a Palavra de Deus. Nunca as comunidades cristãs usaram a Bíblia desse modo. A mensagem da Bíblia é para todo o Povo de Deus. Na Bíblia, não existem mensagens individuais como essas que se

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pretendem abrindo o livro ao acaso. A Bíblia precisa ser lida e entendida como a proposta do Pai com um plano de comunidade fraterna para o seu povo. A leitura da Palavra de Deus provoca a transformação das pessoas e das comunidades em vista desse projeto de fraternidade. Fora disso, é diminuir a Bíblia. É desfigurar a Bíblia. É blasfêmia contra a Palavra de Deus. Desde os primeiros tempos, as comunidades e as pessoas cristãs sempre têm compreendido os acontecimentos à luz da Palavra de Deus.

NO CORAÇÃO, A MISERICÓRDIA Entre as muitas parábolas reveladoras da misericórdia, está a conhecida como ''filho pródigo". No entanto, Jesus, muito mais que apresentar um pecador arrependido, quis revelar a imagem do pai misericordioso. O Pai do Céu é como o pai da parábola. O pai tem atitudes desconcertantes, como são "loucura" as atitudes do amor, na expressão de são Paulo. Ele recebe de volta um moço "que parecia perdido e foi encontrado"; um jovem "que parecia morto e ressuscitou". A transformação radical não aconteceu por mérito do filho, mas do pai que o acolheu. Não o recebesse, o rapaz continuaria"morto" e "perdido". O pai da parábola mostrou-se além do que o rapaz esperava: "Recebe-me como um de teus empregados". O máximo que ele podia imaginar era ser recebido como empregado de seu "ex-pai" que, também no máximo, ele esperava ser seu patrão. No entanto, foi surpreendido pela ação da misericórdia: em vez de empregado, filho; em vez de patrão, pai. E bem verdade que o rapaz confiou. Mas não imaginou tanto! Ele demonstrou que guardava de cor o endereço da casa paterna. Quando se viu "na fossa", recordou a casa paterna. Maior que a miséria dele era a misericórdia do pai. O outro moço, o bom, que sempre esteve com o pai, não conhecia, porém, o que o pai tinha de melhor: a misericórdia! Por isso, o mais velho não concordou em entrar para a festa: ele não entendia de misericórdia. Para ele, a

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misericórdia do pai deveria passar pelo conceito de sua justiça muito possessiva: ele vivia com o pai, tinha que receber algo em troca; deu ao pai, tinha que receber do pai. Mas a misericórdia do pai foi bem mais longe que os cálculos do mais velho. Ele se isolava na pretensa justiça, o pai se envolvia na misericórdia. O pai fez-lhe ver logo no que dá o isolamento. O mais velho falou com o pai tratando o outro jovem de "esse teu filho". O pai lhe dá imediatamente o troco: "esse teu irmão". O amor não suporta o isolamento. O isolamento afasta do amor, da festa. Esta parábola de Jesus tem endereço certo. Jesus contoua para fariseus e escribas que criticavam Jesus por receber pobres e pecadores (Lc 15,1-3). Hoje, a parábola é para os que não querem abrir-se ao irmão, como o filho mais velho. Pessoas fechadas em si mesmas, não acolhem o irmão, não admitem a proposta da fraternidade numa comunidade em que todos são irmãos e filhos do mesmo Pai. Quando queremos falar de ternura, de misericórdia, de amor, usamos o simbolismo do coração: "coração de ouro", "grande coração", "belo coração", "coração mole". O contrário, também apela para o símbolo: "coração duro". . . "de pedra". No coração de Cristo, a revelação suprema, única revelação: Deus é Pai, tem um coração de ouro. Procuram-se corações iguais ao dele.

AMO OU CREIO? O DISTINTIVO E O SÍMBOLO Sempre se disse que o "Creio" que recitamos é o símbolo dos apóstolos. Para esta reflexão, podemos afirmar que símbolo é aquilo que contém as características de um grupo de pessoas e passa a ser o distintivo desse grupo. O símbolo dos Apóstolos reúne o principal do ensinamento dos apóstolos de Cristo, e passa a ser o distintivo dos que aceitam e seguem esse ensinamento. Símbolo dos

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apóstolos, como aprendemos no catecismo, são os doze artigos que compõem o "Creio em Deus Pai. . ." São as doze verdades fundamentais ensinadas pelos apóstolos: todos os cristãos precisam acreditar. É o conjunto das verdades próprias dos cristãos. Seqüência Até existe quem afirme que cada apóstolo sugeriu uma das 12 verdades (ou artigos de fé). Outros ainda, mais criativos, abriram o Evangelho (Lc 6,12-16) e colocaram os nomes e os doze artigos lado a lado. E concluíram que o primeiro apóstolo é autor do primeiro artigo... e assim por diante... É forçar muito!

questão e encerrar os debates. Esta reunião é chamada de Concílio. Realizou-se na cidade de Nicéia. Logo, Concílio de Nicéia. Foi elaborada uma relação de pontos indiscutíveis da fé, os quais todos deveriam aceitar para serem membros da Igreja católica. Ario e uns poucos não aceitaram. Mais tarde, alguns desses aceitaram. Ario e os renitentes ficaram fora da comunhão da Igreja, isto é, ficaram excomungados. Espírito Santo Pouco depois, 381, em Constantinopla, sob o imperador Teodósio e o papa são Dâmaso, outro concílio afirmou que o Espírito Santo é Deus (contra os que negavam essa verdade).

Uso do símbolo

Símbolo

O essencial do símbolo dos apóstolos já foi usado nos primeiros anos do cristianismo, nas comunidades cristãs, na celebração do batismo. Os batizados faziam profissão de fé na Santíssima Trindade como condição para receber o batismo. Por isso se diz que o símbolo é do tempo dos apóstolos. Isto é certo. O símbolo era aceito e professado pacificamente nos primeiros 200 anos da Igreja. Começou a confusão nos anos 300, com alguém chamado Ario. Esse bispo não aceitava Jesus como Filho de Deus. Para ele, Deus tinha criado Jesus para ser o pregador entre os homens, mas Jesus não tinha nada de Filho de Deus: não foi gerado como filho, mas criado como qualquer outra criatura.

Surgiu, então, o conjunto de verdades proclamadas nos concílios de Nicéia e Constantinopla, o Símbolo nicenoconstantinopolitano

Concílio Corria o ano 325, poucos anos depois de o imperador Constantino ter declarado o cristianismo a religião oficial do Estado. Diante da confusão religiosa criada por Ario, o imperador, como protetor da Igreja, convocou todos os bispos do mundo para uma reunião, a fim de discutir a

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Sem discussão Portanto, o distintivo dos católicos passa a ser o Símbolo niteno-constantinopolitano, que contém as verdades aceitas sem discussão. E que diferencia os católicos dos demais cristãos. Pai-nosso Há, porém uma passagem do Evangelho (Jo 13,35) em que Jesus diz que seus discípulos serão conhecidos pela prática do amor fraterno. Os capítulos 13 a 17 são a expressão forte das palavras de Jesus sobre o dinamismo do amor. O que faz refletir é que Jesus deixou expressamente como distintivo dos discípulos não apenas um código de verdades, mas uma maneira de vida que é a vida fraterna. O fundamento dessa palavra de Cristo está resumido na

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oração que ele mesmo fez, a oração do pai-nosso. O "pai nosso" está no Evangelho (Lc 12,2). Deus é pai e nos ama como a filhos. Mas quer que esse amor que vem dele nos faça amar-nos como irmãos. Na prática deste amor, saberemos repartir o pão (e tudo o que significa pão) e o perdão (e tudo que significa perdão). Quem não ama, não reparte; quem ama, reparte. O poderoso não reparte, ele amontoa para si. O poderoso não perdoa, marginaliza. O amor reparte e perdoa. O pai-nosso nunca provocou discussões ou confusões na Igreja, nunca precisou de concílios para ser aceito por todos. Fé e amor Se o símbolo é a profissão da fé, o pai-nosso é a profissão do amor. Qual dos dois é mais necessário hoje? Em todo caso, desde o início do cristianismo, as comunidades cristãs impressionaram o mundo pela sua profissão de amor. Embora o sangue de tantos mártires tenha sido exigido em testemunho da fé. Mundo de hoje No mundo de hoje, de pessoas solitárias, mal-amadas e não-amadas, o testemunho do amor é a grande missão da Igreja católica. Penso até que a volta do mundo paganizado à prática religiosa se dará pelo exemplo do amor fraterno vivido pelas comunidades cristãs. Parece até que Jesus estava de olho no mundo de hoje, quando afirmou que o distintivo dos que nele crêem e dos que o seguem é o amor fraterno. Fora do amor fraterno, a Igreja não tem lugar nem vez nem missão para os homens de hoje. Conclusão instigante "Amo e/ou Creio": opõem-se e/ou completam-se? Têm a ver um com o outro? Como, afinal, viver na prática, a fé e o amor?

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PÁSCOA, VIDA NOVA NA RESSURREIÇÃO O que mudou a direção da História foi a ressurreição, não foi a morte de cruz. Ressuscitar é mudar a direção da História. Tudo é contra os pobres, os abandonados. É preciso mudar isso de acordo com a Palavra de Deus. Para se chegar a uma terra nova, também prometida por Deus para os homens de boa vontade. O mesmo Deus que alimentou a esperança do povo judeu a caminhar para a terra prometida, é o Deus que hoje convoca o povo todo para construir uma nova terra, na fraternidade. Se ressuscitar é mudar, mudemos do ódio para o amor; do egoísmo, do racismo e exploração para a fraternidade. A Páscoa é o ponto alto da vida cristã. Viver a Páscoa, na vida nova de Cristo, é vida cristã. Essa vida nova mais se irradia na vida em comunidade. Como foi a Igreja d esde que fundada por Cristo. Ele nunca imaginou sua Igreja para indivíduos isolados. Muito menos uma Igreja para pessoas viverem apenas no íntimo do coração essa vida nova. Vida explode para fora. Igreja é isso, gente que vive, que luta pela vida, para que todos tenham vida. Por causa disso, o simbolismo das mãos que se dão, a que se entrega e a que recebe. O cristão participa da vida de seu povo, doandose, no simbolismo de dar a mão. É a comunidade que se revela e que se abastece de vida, no gesto de dar as mãos. É o simbolismo do encontro de mãos. Nesse doar-se e receber, no encontro da comunidade: o amor. Os que não viram a ressurreição, os que não conheceram Cristo, acreditavam nele e na ressurreição, por causa da vida nova que as comunidades cristãs irradiavam. Nossa vida, diante dos irmãos, é a presença do Cristo ressuscitado, nova para todos. A comunidade é a grande força. Não basta, pois, ser cristão, é preciso dar a mão! A ressurreição não é somente o ponto de chegada da vida de Cristo. É também, e principalmente, o ponto inicial de um projeto novo. Se a ressurreição venceu o pecado e a morte, a ressurreição é o projeto de ocupar o lugar do pecado e da morte. Não basta vencer o antigo inimigo. Importa,

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agora, mostrar que o vencedor é capaz de conduzir a humanidade para o amor. A ressurreição de Cristo é o fundamento da missão dos apóstolos e de seu testemunho: "Nós somos testemunhas destas coisas, nós e o Espírito Santo, que Deus concedeu àqueles que lhe obedecem" (At 5,27-32). ESPÍRITO TRANSFORMADOR A força transformadora do Espírito Santo é apresentada, na Bíblia, por vários símbolos. Vamos comentar os principais. De começo, é preciso ter em mente que o Espírito Santo é o amor de Deus derramado sobre nós. O amor com que o Pai ama o Filho e o Filho ama o Pai - esse mesmo amor foi derramado sobre nós. Deus não nos enviou outra coisa que não o próprio segredo de sua vida íntima: o amor. O vento é sinal do amor do Espírito Santo, porque arranca o que é fraco, desligado, velho, podre, solto; tira o que é inútil, desnecessário, peso morto, descartável. O vento levanta o pó que se acumulou. O vento transforma, como o amor transforma arrancando tudo o que possa prejudicar a fraternidade humana entre os homens. O fogo ilumina, dá calor, queima, purifica. Ilumina como o amor que se torna a luz da caminhada da vida da comunidade e das pessoas. O amor aquece, como o fogo, e empolga os corações que se amam. O fogo penetra a madeira e o ferro e abrasa. Brasa é a madeira tomada pelo fogo. O que melhor que o amor penetra e abrasa? Quem mais que o amor transforma? Pela força do Espírito Santo, os apóstolos falavam aramaico e os peregrinos de Jerusalém entendiam em árabe, grego, latim. . . Essa linguagem que todos entenderam e ainda entendem não é um idioma como querem que seja o esperanto. Alinguagem que todos entendem é o amor. O amor transforma as pessoas para que se entendam. "Naquela casa ninguém se entende" - costuma-se falar da família ou grupo que não tem amor. Quando dois não se

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entendem, diz-se que "não estão falando a mesma linguagem". É a força transformadora do amor que muda tudo o que poderia ser motivo de separação, transformando em comunicação de entendimento entre as pessoas. O Espírito Santo, além de ser o amor, é o grande comunicador do amor. Ele comunicou o amor aos apóstolos e eles se transformaram, de tímidos e medrosos, nos apaixonados de Cristo! Na Bíblia, o sopro é considerado símbolo da vida. Soprar é transformar um ser inanimado em ser animado pela vida. Na criação do homem, a Bíblia conta que Deus soprou e transformou o barro em ser vivo. Na Páscoa, Jesus soprou sobre os apóstolos para dar a vida nova do perdão e da graça. O perdão é como uma segunda criação porque, pelo perdão, a pessoa tem a chance de se refazer da morte do pecado para a vida da graça. Uma dificuldade existe, para se entender o "pecado contra o Espírito Santo". Sabemos muito bem que o Espírito Santo é o amor do Pai pelo Filho e o amor do Filho pelo Pai. Se o Espírito Santo é o amor, pecar contra ele é pecar contra o amor. Ora, quem não ama, pode ter perdão? Ficar fora do amor é ficar fora do perdão. Não porque Deus não queira perdoar: é a falta de amor que não combina com o perdão. Quem não aceita o amor, fica fora da comunidade, se isola. Se não quer o amor, como vai querer o perdão? Finalmente, o símbolo da pombinha significa proteção. Para a Bíblia, um pássaro de asas abertas simboliza a proteção de Deus. Esse símbolo é muito usado nos Salmos. O Espírito Santo é a força transformadora dos apóstolos de todos os tempos!

Símbolos do Espírito Santo - Padre do céu! No último encontro de meu grupo, apareceu uma senhora que dizia que falava várias línguas, pela força do Espírito Santo. Só que não é qualquer um que entende o que ela fala. Precisa saber explicar... - Interpretar.

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- Isso, interpretar. O que o senhor me diz? Ela falou umas coisas que ninguém de nós entendeu... - Deve-se entender o dom das línguas, não como um idioma: francês, inglês, grego, alemão... Não é linguagem articulada. Linguagem articulada é quando a gente junta sons e forma palavras e, com as palavras, forma frases com o pensamento lógico. No caso ao qual a senhora se refere, que está na primeira carta de Paulo aos Coríntios, quer significar qualquer som que a gente pode emitir com a voz humana. O desejo da pessoa é louvar a Deus. Então, qualquer som que emitir, Deus entende como louvor unido ao louvor de Cristo, no Espírito de amor. Até mesmo se eu não emitir som algum, Deus entende. - Deve ser como quando a mãe acaricia o filho e murmura qualquer som que não é palavra nem canto. . . E o filho entende. - Veja, a senhora e todas as mães entendem do amor. A sua comparação ajuda demais a entender. E a outra, de interpretar as línguas, é o discernimento para saber separar o que é Espírito de Deus e o que não é. O que é que vem de Deus?

sempre foi usado na Igreja como ato de conceder um poder a alguém para servir à comunidade. Só os ministros consagrados podem usar esse gesto, na Igreja.

DOMINGO, DIA DO CRISTO - DIA DO CRISTÃO

Nos primeiros séculos do cristianismo, os cristãos celebravam uma só festa, a Páscoa. E a celebravam semanalmente, no Domingo, em cada domingo. Domingo era o dia de celebrar a memória do Povo de Deus: a morte e ressurreição de Cristo. Este era o fato histórico que serviu para fundar o cristianismo. Essa celebração dominical ia identificando o povo cristão, dava-lhe características próprias, aprimorava o seu feitio, desenhava suas feições inconfundíveis. Pelo século IV, a celebração da Páscoa passou a ser apenas anual, chegando esse novo costume até nossos dias.

Por que o domingo?

- Tudo o que é caridade? - Sim, tudo o que une, aproxima, confraterniza, vem de Deus; é de Deus tudo o que dá paz, traz crescimento fraterno... O contrário não é de Deus: desavença, discussão, desunião... - Acho mesmo, padre, que se o Espírito Santo vier falar coisas que ninguém entende, para que falar? No dia de Pentecostes, ele se fez entender no amor, não foi? Por que depois ele não se faria entender? Deus não tem segredo nem complicação. Quem complica somos nós. Mas, quem vive o Espírito de Deus, o amor, não complica... - Ainda um símbolo do Espírito Santo é a imposição das mãos. Isto é: os ministros consagrados colocam as mãos sobre as pessoas, invocando o Espírito Santo. Esse gesto

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O principal motivo da mudança de sábado para domingo foi o fato marcante do Povo de Deus: o fundador ressuscitou no domingo (Mt 28,1; Lc 24,1; Mc 16,1; Jo 20,1). Nenhum outro líder religioso ressuscitou. Dos demais líderes religiosos, festejava-se o nascimento ou a morte, mas de ninguém se festejava a ressurreição. Com sua ressurreição, Cristo inaugurou a Nova Aliança. Para marcar a Nova Aliança e distingui-la da Antiga Aliança, a memória da Nova Aliança é celebrada no dia da ressurreição, o domingo. Se a ressurreição marca definitivamente o rosto do Cristo ressuscitado, o único ressuscitado, ela marca também a característica - a identidade - dos seguidores de Cristo, os cristãos.

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No domingo No início do Novo Testamento, era muito natural participar assiduamente das celebrações da comunidade (At 2,42).Também o livro de Atos dos Apóstolos refere-se à missa no domingo: "No primeiro dia da semana"... (At 20,7). A espiritualidade do domingo é profundamente pascal. Somente pascal. Nada que melhor combine do que a missa do domingo. O domingo, na tradição da memória cristã, é a primeira e mais antiga forma de celebração da Páscoa. O domingo também se santifica pelo descanso. Deus descansou. Não que Deus estivesse cansado. Ele viu que tudo o que havia feito era bom e ficou contemplando a beleza deste vasto mundo. Que harmonia, na criação! Também se santifica o domingo, experimentando a liberdade dos filhos de Deus. A gente não trabalha e, mesmo assim, recebe salário. O despertador não incomoda pela manhã. O dia é livre, para a gente ser o senhor de si, para fazer o que bem entender. E, finalmente, a gente santifica o domingo frequentando a comunidade para a celebração dominical e fazendo acontecer outros encontros de pessoas para exercer a fraternidade com amigos, parentes, necessitados ou doentes.

MISSA NA MEMÓRIA DO SENHOR A missa é a renovação de todo o mistério da vida, morte e ressurreição do Senhor. Na primeira parte, a Palavra de Deus recorda o compromisso da aliança de Deus com o povo e do povo com Deus. A Aliança Antiga foi celebrada nas dez palavras do decálogo. A Nova Aliança foi celebrada no mandamento novo. A Antiga Aliança foi selada no sangue de animais que aspergiu o povo. A Nova Aliança foi selada no sangue do Filho de Deus. A missa é tudo isso. Não se trata apenas de uma lembrança piedosa dos grandes acontecimentos da história libertadora

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de Cristo para a humanidade. Na Palavra, a aliança é renovada. No sinal do pão e do vinho que se come e se bebe por ordem do Senhor, a entrega de Cristo acontece novamente. Não são o corpo e o sangue dele que fisicamente se imolam, mas no sinal de comer o pão-corpo e beber o vinho-sangue dele tudo acontece novamente em sua memória. "Fazei isto para celebrar a minha memória" (Lc 22 ,19 ). Com a comunidade reunida, os apóstolos celebravam dominicalmente a memória do Senhor na missa (At 2,42 e 20,7).

Cristo e Igreja É possível aceitar Cristo sem a Igreja? A Igreja é a continuadora da obra de Cristo. Quer dizer: o que Cristo fez, ele passou para a Igreja ir fazendo até a volta dele, no fim dos tempos. Não foi a Igreja que se arvorou, por conta própria, em ser continuadora de Cristo. Trata-se de uma missão, uma tarefa que a Igreja recebeu. Portanto, uma responsabilidade. De toda responsabilidade, é preciso prestar contas. Também a Igreja tem que dar contas a quem lhe confiou a tarefa: Cristo! Tudo, pois, o que Cristo fez e mereceu para a humanidade é distribuído, atualmente, pela Igreja. Quem aceita este Cristo, aceita esta Igreja. Na prática, é aceitar o projeto do Pai como Cristo aceitou. Cristo fez, do plano do Pai, o seu próprio projeto. O cristão faz a mesma coisa. Qual é o projeto do Pai? Penso que se possa afirmar que o projeto do Pai seja a solidariedade com a humanidade. Solidariedade é alguém fazer sua uma causa. Por exemplo: Cristo fez dele a causa da nossa libertação. Ele não tinha pecado, mas pagou o nosso. Ele não tinha culpa, mas nos livrou da nossa. Ele, o santo, assumiu o que era exclusivo dos pecadores e nos libertou disso tudo. Mais! Cristo nos elevou à altura de seus irmãos. E o Pai, por causa de Cristo, nos aceitou como filhos. Essa solidariedade de Cristo para

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com os pecadores nos fez filhos do mesmo Pai dele, e irmãos entre nós, na família de Deus. Sozinho, só com suas forças, ninguém consegue verdadeira solidariedade com a humanidade. Por isso, a Igreja, a comunidade! Todos nos comprometemos com a Igreja universal, na comunidade paroquial. Pelo batismo em minha paróquia, eu me comprometo com Cristo e com a missão da Igreja. A missão é de continuar a solidariedade de Cristo com a humanidade. A carta de são Paulo aos Efésios é o projeto de Deus para a humanidade. Na Igreja, Cristo realiza a união de todos os homens, de todos os tempos. É a carta do mistério da Igreja.

Capítulo 5

Práticas da devoção a São Judas Tadeu Na quinta parte, detenho-me em algumas práticas que manifestam a devoção a são Judas Tadeu. Discuto essas práticas. Porque, pastoralmente, importa conhecer o significado que as pessoas dão aos gestos e objetos; a mentalidade com que cultuam o santo; a imagem que fazem de Deus; afinal, a prática da religião e da devoção. Não se trata de destruir toda essa rica imaginação do povo nas suas expressões de profunda religiosidade, mas, quem sabe, educar para o verdadeiro significado dessas práticas. Assim sendo, pergunto, de início, se o santo é padrinho, modelo ou protetor. Sentido da imagem e o culto das imagens. Uma vasta consideração sobre a bênção tão do gosto de nosso povo. A vela e a procissão têm algum significado religioso? Jesus curava, mas que sentido ele dava às curas? E as promessas, o que dizer e o que fazer delas? A missa, especialmente a comunitária. As correntes... E os cursinhos que a Igreja exige em preparação aos sacramentos? Afinal de contas, superstição existe, mas o que é isso? Encerro esta parte discutindo um aspecto que faz florescer as seitas: que Deus é procurado e que Deus é oferecido nas seitas?

O Santo é padrinho, modelo ou proteror? Nos cálculos humanos, ter um padrinho significa ter alguém que “quebre o galho”, quando surge alguma dificuldade.

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Infelizmente, passou-se isso também para a religião. É preciso a gente ter um santo que possa maneirar as coisas junto a Deus. Como se Deus, sendo Pai, precisasse de alguém para dar palpite sobre o que deve ou não fazer. Ter um padroeiro, na verdade, significa ter alguém para imitar. Quando a Igreja começou com os santos, canonizando e colocando nos altares, nunca pensou que a coisa iria virar como virou... Acontece que declarar alguém santo era o mesmo que afirmar que alguém conseguiu viver a mensagem do Evangelho como deve ser vivida. Era, portanto, alguém colocado como modelo para os demais imitarem. O santo é para nos dar certeza de que é possível praticar o Evangelho. O santo existe para nos animar a fazer esforço para viver a proposta de Cristo. O santo serve de modelo. A gente usa modelo para fazer outro igual. Modelo de blusa, de camisa, de estátua, de construção. . . Santo é para ser também modelo: para a gente se fazer outro igual. A intenção da Igreja mudou barbaridade. Em vez de o santo ser um igual, virou um diferente. Um diferente impossível de ser repetido. O santo virou alguém que já nasceu com forças especiais para ser diferente. O que os outros não conseguem, ele consegue. São Judas Tadeu, apóstolo, colocado como exemplo de seguidor de Cristo. Exemplo de quem dá testemunho de Cristo. Exemplo de quem organizou sua vida pelo modelo Cristo. Quem admira são Judas, faz o que ele fez. E até se torna modelo também. São Judas Tadeu é primeiro e antes de tudo modelo. Bem depois é protetor e intercessor. Devoto de são Judas Tadeu é quem procura ser como seu modelo foi. Devoto é seguidor. Devoto é quem se tocou com o exemplo de são Judas e pretende ser igual. Para o devoto, são Judas não é nada diferente. O devoto quer se tornar igual a são Judas: apóstolo e testemunha de Cristo. Quem faz de são Judas Tadeu seu protetor é alguém que põe o santo como influente que tem acesso ao mais poderoso, para manter sua barra limpa, ou para quebrar

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seus galhos. O santo vira empregadinho. Em troca, sempre que o santo se sai bem, recebe alguma recompensa, algum louvor ou elogio. Recebe velas ou flores, ou até, algum dinheiro, pelos serviços prestados. A devoção a são Judas Tadeu precisa ser renovada, como a dos santos em geral. Não é demais insistir: o santo é modelo para ser imitado. Essa é a razão de a nossa Igreja propor os santos ao povo. Não se pensa em colocar o santo a serviço das necessidades das pessoas. Santo é modelo de vida conforme o Evangelho, para formar a fraternidade do Povo de Deus numa sociedade justa.

Devoção e segurança Parece que o devoto, na religiosidade popular, procura segurança para sua devoção. O fato de ir a são Judas todos os meses mostra que o devoto busca sempre coisas que possam confirmar sua devoção. Anos a fio, sempre a mesma prática devota, sem mudar. Nem pensa em mudar. Mudar abalaria sua segurança. Não admite pôr em dúvida suas práticas, porque, questionar o que faz, é ameaça à sua segurança. Não admite que outros questionem ou ponham em dúvidas as práticas do devoto. O que ele quer dos outros - principalmente dos padres e das pessoas do santuário - é que façam e falem coisas que reforcem a segurança de sua devoção. Não admite que possa ser diferente ou melhor. Parece que as seitas exploram muito isso. Por quê? Porque as seitas oferecem segurança de uma salvação garantida. Nada põem em dúvida. Não a questionam. Oferecem tudo certo, líquido e garantido. A pessoa não tem por onde nem por que duvidar. Essa garantia de segurança das pessoas é também garantia de existência da seita. Por causa disso, os "pastores" são exigentes e não admitem dúvidas, procuram sempre demonstrar segurança. Principalmente citando palavras da Bíblia a torto e a direito, sem o mínimo nexo, sem a menor lógica, sem critério (e sem ficar vermelho).

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A fé verdadeira é a busca de adesão a Cristo e a vontade sempre renovada de transformar a própria vida de acordo com o ensinamento de Cristo.

Uma pergunta "Minha consulta é sobre as imagens de santos, diante da proibição da Bíblia em Deuteronômio 4,15".

Imagem e logotipo A imagem de são Judas Tadeu e a de qualquer outro santo antigo, não é retrato dele. Porque ninguém viu o santo, nem há fotos dele. Não se sabe como ele foi; sabe-se o que ele foi. O que ele foi é o importante. A imagem de são Judas mostra o que ele foi: apóstolo e mártir. As formas da imagem, cor, rosto, tudo fica por conta da imaginação de quem a fez. Só é certo que ele foi apóstolo e mártir. Isso que ele foi, está representado na imagem, pelo livro da Bíblia (apóstolo) e a machadinha (mártir). Ele viveu e pregou a Palavra e deu a vida para provar suas convicções cristãs. Aliás, uma foto é mais que uma imagem. Porque a foto mostra exatamente como é a pessoa fotografada. A imagem lembra apenas os traços próprios da pessoa. Nós não temos fotos de são Judas nem de Cristo. Então, a gente imagina como poderia ter sido e faz a imagem. Na imagem se colocam as características do santo. Como a imagem de são Judas: tem o livro da Bíblia que ele ensinou e a machadinha com que foi morto. Mas a figura não é são Judas.

Imagem pode ser uma estátua ou uma pintura. Ou ainda o semblante, como quando se diz que "ela era a imagem viva do sofrimento". A proibição em Dt 4,15 e também Ex 20,4 era para imagens de deuses estrangeiros. Não era para todo tipo de imagens. Por quê? Porque os povos vizinhos dos judeus prestavam culto a uma infinidade de deuses. Esses deuses eram ídolos. Ídolos, porque não eram o verdadeiro Deus. Esses povos adoravam os ídolos e davam poderes divinos a esses mesmos ídolos. O Deus de Israel não queria que fizessem imagens destes ídolos. Para prevenir que o povo judeu caísse no culto aos ídolos: idolatria. O Deus de Israel mandou fazer imagens. Mandou Moisés fazer a serpente de bronze (Nm 21,8) que representou Cristo na cruz (Jo 3,14). Mandou colocar dois anjos querubins no propiciatório (Ex 25,18). Salomão colocou no templo querubins e animais como leões e bois ( lRs 7,9). Mesmo com a imagem da serpente, Deus curou o povo. Mesmo com as imagens dos querubins, Deus apreciava o templo.

Logotipo O logotipo é a maneira moderna de a gente destacar só o essencial, só aquilo que marca, que diferencia dos outros. O logotipo de são Judas Tadeu destaca o que marcou são Judas, aquilo que o fez diferente dos outros: a machadinha e o livro. O que mais nos deve fazer lembrar são Judas Tadeu é sua pregação e seu martírio. Daí o valor do logotipo.

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Nossas imagens lembram alguma virtude do santo. Para se imitar. Como são Judas que tem a Bíblia e a machadinha, lembrando a Palavra de Deus que foi aceita na vida de tantas pessoas pela pregação do apóstolo. E a machadinha que lembra o assassínio de são Judas: ele deu a vida em testemunho da causa pela qual lutou e na qual acreditava. Há que considerar ainda uma imagem que Deus a ninguém confiou, ele próprio a fez: a pessoa humana (Gn 1,26). E a fez imagem e semelhança sua. Qual o respeito que se tem dado a essa imagem? Por fim, o apóstolo Paulo garante que Jesus Cristo é a imagem do Pai (Col 1,15).

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Benzer A palavra benzer vem do termo latino: "benedícere". "Bene" corresponde a bem e "dícere", a dizer, falar. Dizer ou falar bem de Deus é o que entendemos por louvar a Deus. Podese também incluir o agradecer a Deus. O mais certo não seria bendizer? Portanto, quando se benze uma pessoa ou um objeto, estáse louvando a Deus pela pessoa ou pelo objeto. Está se agradecendo a Deus pela pessoa ou pelo objeto. Esse ato de louvar e agradecer a Deus é uma maneira de consagrar a pessoa ou o objeto ao serviço de Deus. Tudo o que existe foi feito por Deus para poder louvá-lo e agradecer-lhe os benefícios. Logo, está contida a idéia de consagrar tudo a Deus. Fomos beneficiados por Deus. Então, louvemos e agradeçamos a Deus, fazendo bom uso daquilo que nos concedeu! E fazer bom uso do que Deus nos deu é colocar tudo a serviço dos irmãos. É por causa disso que se diz que todos os benefícios de Deus sempre são feitos para atingir todas as pessoas; nunca uma só. É o aspecto comunitário dos dons de Deus, para a comunidade fraterna dos irmãos. Assim precisam ser entendidas todas as bênçãos. A bênção da casa, por exemplo. As pessoas vivendo a fraternidade na família, estão chamando a melhor bênção de Deus. A pessoa que realmente leva o amor e a fraternidade a todos com quem se encontra, está levando a bênção de Deus consigo e para os irmãos.

O amor a Deus se reflete no amor ao próximo. Amar o próximo, ao volante, é respeitar os passageiros e os pedestres e os outros motoristas. O carro é uma máquina. Não tem juízo. Está sujeita ao juízo de quem a dirige. Espera-se que juízo tenha quem está ao volante da máquina. Carro bento só não dá batida quando está parado. Mas, pode ser batido... A responsabilidade do motorista com o próximo é estar em condições de dirigir o veículo: saber dirigir, observar as leis de trânsito, ter prudência e paciência. O carro não tem responsabilidade alguma. Nem será a bênção que irá responsabilizar o carro. Nem será o fato de ter benzido o carro que a responsabilidade do motorista deste veículo passará somente "para os outros" e ele ficará isento de compromissos. A melhor bênção é para as pessoas. E Deus abençoa as pessoas à medida que as pessoas se aproximam do bem, fazem o bem, praticam a caridade. A bênção não é mágica de Deus. A bênção é, antes de tudo, responsabilidade dos homens! Responsabilidade do motorista é cuidar do carro, protegêlo, dirigi-lo. Não é Deus que cuida dos carros. Quem pede a bênção quer comprometer-se com Deus e com o irmão, especialmente no trânsito, dirigindo com competência e levando paz e educação nas estradas.

Água benta Benzer o automóvel Com o carro abençoado, tudo irá bem, a viagem será tranqüila? Benzer o carro (como qualquer outro objeto) é dar graças a Deus pelo dom que ele nos concede. A bênção do carro é uma responsabilidade muito séria. Benzer o carro é consagrá-lo ao serviço de Deus. O serviço de Deus é o amor.

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O significado da água benta é recordar a água do batismo. Numa bênção, ela não precisa molhar a pessoa para que fique abençoada. As palavras do celebrante é que abençoam as pessoas. Já no batismo, então sim, a água precisa tocar a pessoa, para produzir seu efeito. O que ela produz é a lavação da mancha do pecado. Como a água lava a roupa da gente. Outro simbolismo da água é a fertilidade. A água é

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necessária para produzir vida, como nas plantas, por exemplo. Ninguém vive sem água. No batismo, a água simboliza a vida nova que o batismo produz na pessoa: vida de Deus que passa a viver no batizado. A água benta, por si só, não produz nada. Nem como religião. Nem como água. Nem como mágica. Ela é usada só para lembrar o batismo. Por isso mesmo, não há necessidade de a água atingir a pessoa. Basta que seja percebido seu significado de recordação do batismo. Logo, a água não é benta para curar doenças, mas para lembrar o batismo e os compromissos batismais.

A vela da minha luz O importante, não é a vela. Pode ser um candelabro, uma lamparina, uma tocha. O que vale é a luz. Essa luz simboliza a fé que ilumina as trevas da vida sem sentido. Na criação, quando imperavam as trevas, Deus criou a luz. Com a luz, surgiram condições para tudo o mais se desenvolver. No Novo Testamento, luz é Cristo que ilumina toda pessoa e seu caminho. Luz é fé em Jesus Cristo. Para lembrar essa fé em Cristo, usamos a vela do batismo. Ainda se conserva a vela na cerimônia de renovação das promessas do batismo, na primeira comunhão. Coloca-se vela na mão do moribundo para significar que a fé em Cristo vai iluminar sua última viagem. O grande momento da vela, na Liturgia, é a noite de Páscoa, em que se acende o círio pascal, símbolo de Cristo ressuscitado que afasta as trevas. O povo acende sua vela na grande vela pascal, recordando que, de Cristo, pela fé, recebemos luz para os caminhos da vida.

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A vela só tem significado acesa, porque, quem acende uma vela, está proclamando: Eu creio em Jesus Cristo ressuscitado! Cristo, ele próprio afirmou: "Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não anda em trevas" (Jo 8,12). Viver na luz é viver na fé, em comunhão com Cristo e com os irmãos. Assim seremos, com Cristo, luz para os outros, como ele próprio afirmou: "Vós sois a luz do mundo" (Mt 5,14).

Tamanho da vela Você se preocupa com a vela, que seja exatamente do seu tamanho. Por quê? Por que fez promessa? E, por que fez promessa de a vela ser do seu tamanho? Você, talvez, nem saiba exatamente por quê. Realmente é isso aí: não existe explicação para o tamanho da vela. Poderia significar que, assim como a vela se desgasta, a pessoa se deixa consumir, se doar inteiramente diante de Deus! Existe explicacão para o tamanho de sua confiança na intercessão de são Judas junto a Deus. E vale mais ainda o tamanho de sua fé na bondade de Deus. Se você tem imensa confiança e muito grande fé, ainda há necessidade de uma vela? E de que tamanho? Se sua confiança e sua fé forem apenas de seu tamanho, a vela pode ser do tamanho da torre que não resolverá nada. Lembre-se sempre de que Deus nos atende por causa de nossa fé, nunca por causa dos objetos que carregamos. Eles podem simbolizar a fé, mas não são a fé! Procissão Não é costume fazer procissão sozinho. As pessoas se reúnem para a caminhada da procissão. A palavra procissão

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significa exatamente isto: caminhar, ir para a frente, não ficar parado, progredir... Está muito em voga o termo caminhada, para significar o mesmo que procissão. A palavra caminhada liga-se à grande caminhada do Povo de Deus pelo deserto, depois da libertação do Egito em direção à Terra Prometida. Combina muito bem com o povo, hoje, novo Povo de Deus, também a caminho da Pátria definitiva, onde o Pai e os irmãos estarão reunidos no Céu. Cada vez que se realiza uma procissão-caminhada é para lembrar ao povo que cada pessoa é caminheiro, mas, caminhada mesmo é do Povo de Deus. Tem, portanto, profundo sentido comunitário. Um povo que sabe por onde caminha, porque sabe o que quer, sabe aonde quer chegar. A caminhada da procissão não é de um povo aventureiro, desorganizado. Nem de um povo sozinho. Por quê? Será porque Deus olha do céu e abençoa o povo que caminha? Muito mais! Deus está com o povo. Deus caminha com o povo. Deus não só mostra o caminho, mas caminha junto com o povo!

curar. Muitos mágicos da época curavam. Esses mágicos usavam da auto-sugestão e outros mecanismos psicológicos e curavam. É bem verdade que eles não sabiam tratar-se de auto-sugestão, porque não conheciam psicologia nem outras ciências humanas. Eles achavam que era por forças do além, acima dos poderes humanos. Jesus não veio competir com os mágicos nem ensinar psicologia. Não usou de recursos científicos. Jesus usava seus poderes de Filho de Deus com objetivo muito claro. Ele não queria passar a ser chamado de milagreiro; não interessava cultuar a pessoa dele. Ele queria que, através da pessoa dele, as pessoas chegassem ao verdadeiro destino das curas: o evangelho que Jesus ensinava. Para Jesus, a cura tinha só o aspecto da fé religiosa. Existe profunda e única relação entre cura e fé. Sem a luz da fé, cura alguma terá valor religioso. Nas curas que fez, Jesus faz certas ações que indicam a presenca de Deus. Fé não é admirar o fato da cura prodigiosa. Fé não é acreditar que Jesus veio para curar. Fé é penetrar o significado do fato. Fé é chegar até à mensagem que está em cada gesto de cura.

Jesus Cristo, poder de cura ou força de misericórdia?

Milagre

Jesus fez várias curas, durante sua pregação na Palestina. Os evangelistas anotaram 23: Mateus 13, Marcos 12, Lucas 14 e João apenas 3. Dessas curas anotadas nos evangelhos, algumas são repetidas nos três sinóticos (Mateus, Marcos e Lucas); outras são repetidas em dois deles; e há as que aparecem só em um deles. Sem falar nas 3 que só aparecem em João. Isso mostra que as curas não são o mais importante. Cada evangelista escolheu as curas que melhor convinham para esclarecer a mensagem que desejava transmitir. Se fosse para descrever as curas, os evangelistas teriam apresentado mais do que só 23. Jesus não veio, pois, para

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O povo se sente desprezado, não tem mais a quem recorrer. Transfere a solução do problema para Deus. Que Deus faça por milagre aquilo que os irmãos não fazem por amor. O povo procura soluções rápidas para os problemas mordentes. Essa consideração leva a pensar na responsabilidade das lideranças: políticos, constituintes, governantes, empresários, banqueiros e toda a classe dirigente para que se sensibilize com os problemas do povo. E resolvam duma vez para sempre: as transformações que o Brasil precisa têm que vir a partir do povo sofredor e não a partir dos que já têm. As mudanças havidas no Brasil partem sempre dos que já têm e favorecem os mais beneficiados. Agora, está "no ponto" para se sentir o povo e mudar a partir do povo e para o povo desprezado.

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São Judas Tadeu  

apóstolo e mártir

São Judas Tadeu  

apóstolo e mártir

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