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PASTORAIS NA IGREJA

Pastorais são serviços especiais prestados por leigos para o bem da comunidade e para o crescimento do Reino de Deus. A palavra pastoral deriva de Cristo Pastor, que cuida das ovelhas. De início, é oportuno registrar a diferença entre ministérios e pastorais, ou seja, aqueles são serviços especiais com mandato do Bispo (ministro da Sagrada Comunhão, por exemplo), e pastorais, que são outros serviços prestados pelos leigos, mas sem necessidade de autorização do bispo (coordenador de Catequese, por exemplo). Não esqueçamos que a Igreja é a comunidade dos filhos de Deus, portanto, se é comunidade de filhos, somos a Família de Deus. Quando nos reunimos, aos domingos, na casa do Pai, para participar da santa missa, estamos reunidos como irmãos, filhos do mesmo Pai, estamos em família. E se estamos em família, devemos estar contentes. Nem sempre há perfeita harmonia na família e é por isso que, quando as famílias se reúnem na casa do Pai comum, muitas vezes elas levam consigo,além de suas virtudes, também seus defeitos. O segredo está em saber administrar as diferenças e postar-se como servidor, e não esperar que os outros nos sirvam. À medida que vamos renunciando ao nosso egoísmo, tornamo-nos muito mais simpáticos e serviçais. Cada um deve procurar seu espaço na comunidade eclesial, pois há lugar para todos. A Igreja é toda ministerial, ou seja, serviçal. E a Igreja somos nós.

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Guardemos bem a definição de Igreja: comunidade, família dos filhos de Deus. Estamos todos no mesmo barco, ou, se preferirem, na mesma barca, a barca de Pedro, e temos o dever de amá-la, conservá-la, fazê-la crescer, embelezá-la, não só fisicamente falando, mas especialmente no campo espiritual. Vamos dar à nossa igreja as nossas primícias, isto é, o nosso melhor.

E quando virmos alguém desconhecido em nossas pastorais vamos acolhê-lo com alegria. O episódio de Eldad e Medad, que começaram a profetizar sem terem sido enviados, despertou ciúmes na comunidade, mas Moisés disse: “Tens ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor lhe concedesse o seu espírito!”(Nm 11, 29). Portanto, quanto mais participantes nas pastorais, mais dinâmica e atuante a vida da comunidade. O documento do Concílio Ecumênico Vaticano II, denominado “Gaudium et Spes”, diz que “As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo”. O Catecismo da Igreja Católica (CIC, 906 e 907), assim se expressa: “Os leigos que forem capazes e que se formarem para isto podem dar a sua colaboração na formação catequética, no ensino das ciências sagradas, e atuar nos meios de comunicação social. De acordo com a ciência, a competência e o prestígio de que gozam, têm o direito, e, às vezes, até o dever de manifestar aos pastores sagrados a própria opinião sobre o que afeta o bem da Igreja e, ressalvando a integridade da fé e dos costumes e a reverência para com os pastores, e levando em conta a utilidade comum e a dignidade das pessoas, deem a conhecer essa sua opinião também aos outros fiéis”.

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A missão da Igreja é responsabilidade de todos. É oportuno registrar aqui a seguinte mensagem da “Lumen Gentium”: “Os sagrados pastores conhecem, com efeito, perfeitamente, quanto os leigos contribuem para o bem de toda a Igreja. Pois eles próprios sabem que não foram instituídos por Jesus Cristo para se encarregarem por si sós de toda a missão salvadora da Igreja para com o mundo, mas que o seu cargo sublime consiste em pastorear de tal modo os fiéis e de tal modo reconhecer os seus serviços e carismas, que todos, cada um segundo o seu modo próprio, cooperem na obra comum”. Há diversas passagens nas Escrituras Sagradas que falam sobre carisma/serviço/ministério, que modernamente são chamados de Pastorais. “Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo; diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo; diversos modos de ação, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos. Cada um recebe o dom de manifestar o Espírito para a utilidade de todos. A um o Espírito dá uma palavra de sabedoria; a outro, uma palavra de ciência, por esse mesmo Espírito; a outro, a fé, pelo mesmo Espírito; a outro, a graça de curar as doenças, no mesmo Espírito; a outro, o dom de milagres; a outro, a profecia; a outro, o discernimento dos espíritos; a outro, a variedade de línguas; a outro, por fim, a interpretação das línguas. Mas um e o mesmo Espírito distribui todos estes dons, repartindo a cada um como lhe apraz” (1Cor 12, 4-11).

“Todos vós, conforme o dom que cada um recebeu, consagrai-vos ao serviço uns dos outros, como bons dispensadores da multiforme graça de Deus”(1Pd 4, 10). A hierarquia ordenada, diáconos, padres e bispos, nunca será abalada pelos serviços ministeriais dos fiéis leigos.

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Quanto mais fortes e competentes estes, mais tempo terão aqueles para se dedicar à administração dos mistérios da fé, e mais condições terão para unir e agregar a comunidade.

“Os leigos, porém, são especialmente chamados para tornarem a Igreja presente e operosa naqueles lugares e circunstâncias onde apenas através deles ela pode chegar como sal da terra. Assim, todo leigo, em virtude dos próprios dons que lhe foram conferidos, é ao mesmo tempo testemunha e instrumento vivo da própria missão da Igreja”(LG). O Papa Paulo VI, em sua Exortação Apostólica denominada Evangelii Nuntiandi, de 1968, fala assim sobre a missão do leigo: “O campo próprio de sua atividade evangelizadora é o mesmo mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos “mass media” e, ainda, outras realidades abertas para a evangelização, como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento”. O Código de Direito Canônico prevê, no cânon 517, parágrafo 2, em casos excepcionais, a nomeação de leigos para participar do cuidado pastoral de uma paróquia, que, porém, continua confiada ao governo de um presbítero como pároco. Há, em nosso país, inúmeros casos de leigos ministros da Palavra, que presidem as celebrações onde não há padres ou na ausência destes. Se houver necessidade, o leigo pode ser, de acordo com a orientação da CNBB, em seu livro 77, “Missão e ministérios dos leigos e leigas cristãos”, edição de 1998:

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Ministro da Palavra, presidindo as celebrações dominicais da Palavra. Ministro extraordinário da Sagrada Comunhão. Ministro extraordinário do Batismo. Testemunha qualificada do sacramento do Matrimônio. Ministro das Exéquias (celebrações fúnebres). Como se vê, “a messe é grande e os operários são poucos”. Saiamos, portanto, da letargia, do comodismo e engajemo-nos em um dos ministérios acima, ou então, em uma das pastorais abaixo relacionadas, e que melhor se adaptem às nossas características. Sumário Pastoral da Liturgia ........................................................................... 09 Pastoral da Acolhida ........................................................................ 12 Pastoral da Música ........................................................................... 13 Pastoral do Batismo .......................................................................... 14 Pastoral da Primeira Eucaristia ....................................................... 16 Pastoral da Crisma ........................................................................... 17 Pastoral dos Jovens ......................................................................... 19 Pastoral da Criança .......................................................................... 21 Pastoral do Menor ............................................................................ 21 Pastoral da Moradia ......................................................................... 22 Pastoral do Povo de Rua ................................................................. 22 Pastoral da 3ª idade ......................................................................... 23 Pastoral da Mulher Marginalizada .................................................. 24 Pastoral do Migrante ........................................................................ 24 Pastoral Operária .............................................................................. 24 Pastoral da Sobriedade .................................................................... 29 Pastoral da Terra .............................................................................. 30 Pastoral Vocacional .......................................................................... 30 Pastoral do Dízimo ........................................................................... 31 Pastoral Familiar ............................................................................... 34 Pastoral da Saúde ............................................................................ 35 Pastoral da Comunicação ................................................................ 36 Pastoral da Ecologia e do Meio Ambiente ..................................... 36 Pastoral Escolar ................................................................................ 37 Pastoral Carcerária ........................................................................... 37 Pastoral Ecumênica .......................................................................... 38 Pastoral dos Vicentinos .................................................................... 38 Pastoral dos Congregados Marianos ............................................. 40 Pastoral da Legião de Maria ............................................................ 41 Pastoral do Apostolado da Oração ................................................. 42 Pastoral da Promoção Humana ....................................................... 42 Pastoral de Encontros de Casais com Cristo ................................. 43 Pastoral da Alegria, do Entusiasmo, da Motivação ....................... 44

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PASTORAL DA LITURGIA Liturgia é palavra de origem grega. Lit (povo), urgia (cortar, tirar, transformar, portanto, ação). Liturgia é, pois, AÇÃO DO POVO. Observem as palavras cirurgia, siderurgia, metalurgia, todas com a mesma raiz grega de ação, corte, transformação. A liturgia é a vida da Igreja; esta, sem aquela, não motiva e não cativa os participantes. Embora a Missa continue com o seu valor inalterado mesmo com uma fraca liturgia, é importante que a tornemos dinâmica, de tal modo que sintamos vontade a semana toda de chegar o domingo, para novamente participarmos de uma liturgia vibrante e cativante e que está à nossa espera. Há necessidade de muitas pessoas, especialmente jovens sob orientação de alguém mais experiente, de modo que se torne um grupo dinâmico, criativo, inovador, e que toda a semana cria algo novo para a comunidade. É como se fosse uma festa de aniversário pautada por motivos diferentes, de acordo com a idade do aniversariante. A Missa é, também, uma festa, uma reunião festiva onde os irmãos, que ficaram distantes a semana toda, agora se encontram, se abraçam, se cumprimentam, e com alegria preparam a festa para a chegada dos fiéis. O padre é o animador da comunidade. O padre une, elimina arestas, orienta, partindo dele, portanto, a beleza da liturgia, que, sob sua orientação, dá liberdade de ação aos participantes para que tornem viva a cerimônia. Nada pode ser feito sem o prévio conhecimento do padre, pois, se assim não for, corre o risco de se tornar uma cerimônia sem as características de elevação espiritual. Por ocasião do Natal, por exemplo, toda a criatividade da pastoral da liturgia deve ser canalizada para o motivo daquela

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cerimônia, isto é, o nascimento de Jesus. Todas as crianças da comunidade eclesial devem ser convidadas a entrar em procissão, junto o padre, ou então, quando do término da Missa, as crianças devem, em procissão, acompanhar o padre até o presépio, cantando o “noite feliz”, etc. Para cada domingo há uma motivação diferente e especial. Só a Igreja Católica tem liturgia; assim sendo, devemos empregar todos os nossos esforços para que ela se torne cada vez mais bela, envolvente. Não existe um grupo fechado de liturgia. Se você quer participar desse grupo, apresente-se ao coordenador, e ele ou ela, jamais poderá dizer que não precisa. A Igreja é de todos, ninguém é dono da Igreja, é como se fosse uma família, as tarefas são de todos. Há muitas publicações acerca de modelo de liturgia, mas este trabalho, contudo, não se presta a isso, mas tão somente para ressaltar a existência dessa pastoral, que, mais uma vez, deve estar permanentemente se renovando e acolhendo novos figurantes. As crianças da primeira eucaristia, os adolescentes da crisma e os jovens devem ser incentivados a participar da liturgia. Além da transmissão da doutrina às crianças, aos adolescentes e aos jovens, é preciso muito amor e psicologia para convidá-los a um engajamento maior na vida da Igreja, e a pastoral da liturgia é bem adequada para eles. O comentarista e os leitores devem se preparar muito bem para essas respectivas tarefas. É de suma importância ler pausadamente e com entonação, examinando antes os microfones para ver se estão funcionando bem. Os coordenadores da pastoral da liturgia devem ensinar os mais novos a falar ao microfone, de tal modo que nada se perca da Palavra de Deus.

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Tanto os comentaristas como os leitores não têm cadeira cativa, e a rotatividade é imprescindível. E por sua vez, tanto uns quanto outros, devem estar trajados decentemente, mas sem ostentação, com simplicidade, pois estão ali para proclamarem as maravilhas de Deus e não para se promoverem. E no que concerne aos leitores, penso que é interessante recorrermos ao livro de Neemias, mais especificamente ao sacerdote Esdras, que fez a leitura da Lei de Moisés, desde a manhã até o meio-dia, e o fez nos seguintes termos:

“O escriba Esdras postou-se num estrado de madeira que haviam construído para a ocasião. Esdras abriu o livro à vista do povo todo; ele estava, com efeito, elevado acima da multidão. Quando o escriba abriu o livro, todo o povo levantouse. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus; ao que todo o povo respondeu, levantando as mãos: “Amém! Amém!” Depois inclinaram-se e prostraram-se diante do Senhor com a face por terra. Os levitas (catequistas) iam explicando ao povo, de modo que se pudesse compreender a leitura, e depois disseram ao povo: “Este é um dia de festa consagrado ao Senhor nosso Deus; não haja nem aflição, nem lágrimas”. Porque todos choravam ao ouvir as palavras da lei (Ne 8, 4-9). Vocês viram que beleza! O sacerdote ou o escriba Esdras se pôs numa posição acima dos outros, ou seja, num estrado de madeira. E proclamou a palavra da lei de Moisés com clareza, e os levitas explicaram ao povo a leitura que eles ouviram. Assim deve ser a leitura que se faz na Missa. O leitor deve se colocar num lugar mais alto para que seja visto e ouvido. Algumas igrejas não adotam mais o folheto da Missa, visto que os olhos e os ouvidos devem estar bem abertos para receber a mensagem de Deus que está sendo proclamada pelos leitores e pelo padre no Evangelho. Com ou sem folheto, devemos ficar atentos à palavra que nos é transmitida.

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O padre, depois, vai explicando as leituras e o evangelho, e a assembleia deve ficar atenta às explicações do padre, que, por sua vez, deve preparar bem a homilia que vai fazer, sintetizando, ao final, algumas palavras-chave, pedindo ao povo que as repita, de sorte que todos nós voltemos para casa conscientes dos ensinamentos que Deus tinha para nós. A questão das leituras é de suma importância. Alguns dão uma ênfase muito grande ao chamado cerimoniário, que tem o seu valor, mas a Palavra de Deus é infinitamente mais importante. A pastoral da liturgia não pode descuidar dessa parte, pois isso é tarefa dessa pastoral. Tudo o que falamos até agora vale, também, para o comentarista, que numa posição acima dos demais, há de conclamar o povo para a Missa através de uma leitura nítida, alegre, de tal sorte que todos se sintam motivados para aquele momento inolvidável. O comentarista precisa possuir dotes de comunicação, saber falar ao microfone, ter simpatia, simplicidade, vestir-se com modéstia e não inventar, ou seja, deve manter-se fiel ao texto preparado. Explicitamos aqui a espinha dorsal da pastoral da liturgia. Cabe, no entanto, às respectivas pastorais, aperfeiçoar-se, preparar-se e estar sempre entusiasmadas para a missão.

PASTORAL DA ACOLHIDA Será que se pode falar em pastoral da acolhida, ou esta estaria incluída na pastoral da liturgia? Vamos falar como se fosse uma pastoral autônoma. (Alguns afirmam que, pela simplicidade, não chega a ser uma pastoral). Falando da acolhida como uma pastoral, penso que se trata de uma verdadeira comissão de frente, encarregada de

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acolher os que chegam, não só com um sorriso, mas dando informações acerca da cerimônia. Distribuir os folhetos da Missa, procurar lugar para as pessoas de idade, perguntar a essas pessoas se elas querem que lhes levem a comunhão no banco, ou se elas podem ir até o altar. Os elementos dessa pastoral, durante a Missa, devem ficar sempre num determinado lugar, de modo que as pessoas, precisando de alguma ajuda ou orientação, saibam a quem recorrer. No final da Missa, se for o caso, podem ficar na saída recolhendo os folhetos, agradecendo a presença de cada um, desejando a todos uma ótima semana e dizendo que o aguarda no próximo domingo. Trata-se de uma equipe simpática, mas precisa ter alguns conhecimentos da rotina da Igreja para dar as informações que serão solicitadas. É um campo novo de missão, portanto, a criatividade deve ser desenvolvida para descobrir novas formas de acolhida.

PASTORAL DA MÚSICA A música é extremamente importante no início e no decorrer da cerimônia. Trata-se de uma pastoral técnica, isto é, seus componentes precisam saber cantar e tocar. As músicas sacras e os cantores sacros não podem seguir o padrão de cantores profanos. Quem coordena essa pastoral há de ter pulso firme para não deixar que haja contaminação de influências externas, e os participantes devem ser elementos da comunidade, e não cantores sem postura e nem compostura que, sabendo cantar

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em ambientes profanos, pensam que podem cantar também na Igreja. A Igreja Católica tem cânticos maravilhosos! Alguns são antigos, mas a música não envelhece; outros são modernos, mas todos muito bonitos. O coral deve ter a finalidade de ensinar a assembleia a cantar. Quando os cânticos se resumem ao coral, este perde a sua finalidade. Para que todos cantem, os cânticos não deveriam ser diferentes todos os domingos, pois, se isso ocorre, a assembleia não participa, não canta, passa a ser espectadora e não participante. Trata-se de uma pastoral que exige muito dos participantes, já que eles precisam se reunir toda semana para ensaiar os cantos, providenciar cópia para os fiéis, acompanhar a vida da igreja, pois, assim como a pastoral da liturgia e da acolhida são de suma importância, a pastoral da música também o é. Quando esse tripé caminha unido e bem preparado, as celebrações serão sempre ansiadas, aguardadas com alegria.

PASTORAL DO BATISMO As três pastorais anteriores são como uma comissão de frente, encarregadas de introduzir os fiéis no clima de alegria e de oração, e podem ser chamadas de pastoral da alegria. A pastoral do batismo talvez seja a mais importante de todas. Ela é tão importante que, em muitas igrejas, a palestra sobre o batismo é dada apenas pelo padre! Como o padre nem sempre tem tempo, face a outros compromissos com a comunidade eclesial, essa tarefa pode ser atribuída a leigos competentes, que conheçam a doutrina e tenham condições de repassá-la.

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Não é só a palestra que é importante. As fichas de cada batizando, para depois lhe dar o certificado de batismo, as toalhinhas para enxugar a cabeça, as velas, tudo isso dá muito trabalho para a equipe que, por sua vez, deve estar sempre aberta para acolher novos integrantes. O trabalho de secretaria voltado para as inscrições de batizandos não pode ficar afeto exclusivamente à secretária da paróquia, mas alguém da equipe de batismo deve se colocar à disposição dos pais e padrinhos em determinados dias e horários para o preenchimento dos papéis. Com relação à palestra, é bom ressaltar que se trata de oportunidade excelente para se fazer uma evangelização, não no sentido de apontar os erros, mas para mostrar aos participantes a beleza do sacramento do batismo, evidenciando, também, a alegria que temos de frequentar a Igreja Católica, na qual eles um dia foram batizados. Assim, os sacramentos devem ser comentados com clareza, enfatizando a importância do batismo, indispensável para a nossa salvação, discorrendo também sobre os outros sacramentos, pois eles são o combustível que alimenta a nossa fé. A primazia de Pedro, falando sobre a “Pesquisa de Opinião” que Jesus fez acerca de si mesmo, bem como o “Diálogo de Fidelidade” que Jesus estabeleceu com Pedro, devem ser mostrados aos participantes, pois essas passagens deixam claro o primado de Pedro. Não haverá outra oportunidade como essa para ressaltar a importância da Igreja Católica, que não é seita, partido, mas procede dos apóstolos, já que fundada sobre Pedro. Ao falar, contudo, sobre a prevalência de nossa Igreja, não podemos criticar as outras igrejas, mas tão somente mostrar a origem da nossa e falar sobre a nossa doutrina.

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Os participantes, pais e padrinhos, por vezes, não têm conhecimento da doutrina, porque dela estão afastados há muito tempo. É preciso, também, falar sobre os mandamentos da Igreja, que eles não sabem, e mostrar-lhes a importância da prática dominical, o valor dos sacramentos, a vitalidade da oração na comunidade, a manutenção de todas as despesas pelo dízimo. Se alguma igreja cobra taxa para os sacramentos, é importante informar que essa taxa está sendo cobrada porque o dízimo não é suficiente para as necessidades de evangelização. A pastoral do batismo precisa sempre se atualizar, e seus componentes devem ser educados, simpáticos, de modo que evangelizem, não só através da palestra, mas também pela postura motivadora de cada membro da equipe. Anotar o telefone de cada pai e padrinho e lhes telefonar perguntando sobre a criança e dizendo, eventualmente, que não os tem visto na Igreja. É assaz interessante. Esse trabalho missionário não pode ser descuidado. Acredito mesmo que se trata de uma verdadeira estratégia de marketing cristão. Seria muito bom que pais e padrinhos lessem, antes das palestras, o livrinho “Batismo, respostas às suas dúvidas” do Pe. Augusto C. Pereira. Poderia também ser-lhes apresentado, como lembrança, o livrinho MMCC - Manual Mínimo do Católico Consciente, uma brevíssima catequese.

PASTORAL DA PRIMEIRA EUCARISTIA Eis outra pastoral de enorme importância! Que responsabilidade a nossa de lançar a boa semente no coraçãozinho das crianças! Aplica-se aqui, aos pais dos catequizandos, o que falamos aos pais dos batizandos, por vezes distantes da prática religiosa. A evangelização não deve ser só das

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crianças, mas de seus pais também. Não catequizar os pais é deixar passar excelente oportunidade de lhes mostrar a beleza de nossa fé. As catequistas, preferencialmente mulheres e jovens, devem gostar de criança e ter muita paciência para lhes transmitir o início da doutrina e lhes ensinar as primeiras orações que, muitas vezes, não aprenderam em casa. O conteúdo da catequese deve ser sempre atualizado e renovado, de modo que o principal da fé seja repassado com conhecimento, muito amor, simpatia e alegria. As crianças devem sentir vontade de participar da catequese, e as catequistas devem despertar essa vontade nos catequizandos. Quanto aos pais dessas crianças, devem, outrossim, ser evangelizados novamente por casais-piloto. As catequistas passam para os casais os problemas que estão tendo, e os casais-piloto conversam com os pais acerca desses problemas. E mesmo que não haja problemas, os casais, uma vez por mês, no mínimo, reunirão os pais dos catequizandos para lhes ministrar uma verdadeira catequese. Uma equipe entusiasmada de catequistas e de casais-piloto redundará numa excelente florada de evangelização.

PASTORAL DA CRISMA Se a pastoral da primeira eucaristia deve ser dada preferencialmente pelas catequistas e jovens, a pastoral da crisma deveria ser dada por casais jovens, não desprezando, no entanto, a participação de pessoas de outra faixa etária. Para que não haja uma evasão de crianças que fizeram a primeira comunhão, essas crianças devem ser encaminhadas para os encontros de crisma. Como tais encontros primam

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pela descontração e pela alegria, eles poderiam se estender ao longo de dois anos, que somados a um ano da primeira catequese, resultam numa evangelização de três anos. Não podemos deixar passar a oportunidade de semear a boa semente nos corações e nas mentes dessas crianças. Temos, assim, três anos para adubar, preparar o terreno e lançar a semente. Se não fizermos isso, o mundo o fará lançando a má semente. Quanto ao conteúdo da pastoral da crisma, ele pode ser encontrado em vários livros católicos que abordam o assunto. Como eles estão vivenciando a transformação do estado de criança para a adolescência, é importante que se lhes fale sobre o sexo, mas de uma maneira delicada, sem sensacionalismo. Os crismandos devem ser instigados a participar de pastorais, pois a crisma não é certificado de formação definitiva. Os adolescentes não podem, contudo, ser violentados em sua natureza, ou seja, se não têm vocação para fazer leitura, pois são totalmente inibidos, deixem-nos livres para que se incorporem em outras atividades missionárias.

(Não posso deixar de mencionar aqui um absurdo acontecido numa Paróquia do interior de Minas: Um jovem de 14 anos, após dois anos de crisma, oriundo de uma família católica autêntica, de procedimento exemplar em todos os sentidos, não pôde ser crismado porque a catequista e o padre o reprovaram! E reprovaram por quê? Porque ele, por inibição, não quis fazer leitura durante a Missa!! Como a família preza a fé católica, trouxemo-lo a São Paulo, para aqui ser crismado, juntamente com a turma de outra paróquia, sem nenhum questionamento do padre que, aliás, alegrou-se com a oportunidade que estava dando a um adolescente!)

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O importante é não deixar as crianças sem nenhum compromisso com a doutrina após a primeira comunhão, motivandoas a se alistarem na preparação para a crisma, evangelizandoas por mais dois anos, de sorte que a boa semente viceje nesses coraçõezinhos, tornando-se, eles, por sua vez, novos missionários, fazendo o Reino de Deus crescer.

PASTORAL DOS JOVENS A criança fez a primeira comunhão, graças à dedicação, amor e carinho das catequistas; continuou o seu caminho e foi crismada, em decorrência da ação de jovens casais que lhe ministraram, também com muito amor, a doutrina. Agora é jovem, quer continuar com seus colegas de caminhada. É uma idade difícil, pois os questionamentos começam a aparecer. A Faculdade nem sempre lhe instila coisas boas. Esse jovem tem dúvidas. Os pais, por vezes, não sabem o que fazer. A Igreja não pode abandonar essa massa formidável de jovens que, formada em seu seio, ainda não está fermentada para vencer sozinha. Até porque a Igreja é comunidade a caminho. Ao invés de baladas, festinhas espúrias, por que não mantêlos, enquanto se pode, no redil da Igreja? Reuni-los todos os sábados ou domingos, para que, simplesmente, estejam juntos e não entrem por caminhos tortuosos, é uma tarefa difícil, mas imprescindível. Os pais podem contribuir para esse encaminhamento de seus filhos. É nessa faixa etária que eles abandonam a Igreja, ou são vítimas indefesas das seitas que lhes acenam com promessas mirabolantes. A perda da fé católica desses jovens pode ser um pecado de omissão de nossa parte. É preciso falar novamente aos jovens sobre as verdades reveladas, mostrando-lhes a beleza da Palavra de Deus, para

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que não sejam seduzidos por cantilenas diferentes daquelas aprendidas no seio de sua e nossa Igreja. A música, a literatura, a internet, palestras sobre diversos assuntos, brincadeiras, passeios, caminhadas, estudo da Bíblia, são pistas para cativar os jovens e mantê-los unidos, de tal modo que eles anseiem pelos fins de semana, quando terão o prazer e a oportunidade de estar juntos com seus amigos jovens da comunidade paroquial. Os casais coordenadores deverão ser muito criativos e agradáveis, funcionando como mediadores de conflitos, indicando pistas de ação, pondo em prática o preconizado atrás, convidando pessoas especialistas em assuntos de interesse dos jovens para lhes dar palestra, enfim, tais casais considerarão os jovens como seus filhos. Os jovens devem ser incentivados a priorizar nas redes sociais os valores espirituais, servindo-se do celular e da internet (facebook e twitter) para passar e repassar mensagens acerca do evangelho de domingo, cuja homilia certamente o padre fez com piedade e competência, convocar a tribo para reuniões eclesiais e trocar informações acerca da vida Igreja, marcar encontros ecológicos, programar campanhas solidárias, entre inúmeras outras alternativas. As Pastorais do Batismo, da Primeira Eucaristia, da Crisma e dos Jovens são pastorais de solidificação da fé. Todos os esforços devem ser convergidos nesse sentido. Não se pode deixar passar essas oportunidades sem lançar a boa semente da Palavra de Deus, mostrando-lhes, também, a origem de nossa Igreja. Os episódios acerca da “Pesquisa de Opinião” e do “Diálogo de Fidelidade”, ambos protagonizados por Jesus com Pedro, devem ser comentados com competência, a fim de que os jovens saibam que estão na barca de Pedro, e se dela se desviarem, não poderão alegar que não foram orientados.

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PASTORAL DA CRIANÇA Esta pastoral tem uma visibilidade muito grande, pois transcendeu as fronteiras das paróquias, passou para o Brasil todo e se projetou até para fora do país.Sua fundadora foi a médica Dra.Zilda Arns, falecida em missão, no terremoto que avassalou o Haiti em 2009. Este trabalho não entra nos meandros das pastorais, mas aborda o suficiente para que pessoas que não estão em nenhuma pastoral, se sintam motivadas a aderir a alguma delas. A pastoral da criança necessita de muitas pessoas para dar atendimento às mães e às crianças no chamado dia do peso, quando são atendidas, pesadas, recebem orientação médica, lanche, refrigerante e é distribuída a famosa multimistura para as crianças subnutridas. Como se vê, a messe é grande, mas os operários são poucos. Os coordenadores precisam convocar os jovens e adultos para trabalharem nessa pastoral, que deve ser sempre dinâmica. Todas as paróquias deveriam ter uma pastoral da criança. O que vem acontecendo na prática é que, paróquias que não têm a pastoral da criança, sobrecarregam as que possuem, encaminhando-lhes as pessoas que buscam esse atendimento.

PASTORAL DO MENOR A Igreja não é uma assistência social, não é o INSS e nem o governo, mas o que estiver ao seu encalce para minorar os sofrimentos da população, ela nunca deixa de fazer. A pastoral do menor é de difícil implantação, mas há algumas paróquias que conseguiram implementá-la.

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Orientar os pais para que busquem os canais corretos, como o Conselho Tutelar, a Vara da Criança e do Adolescente, deve ser a função de alguém que possa doar algumas horas por semana para ouvir essas pessoas e saber indicar-lhes a solução.

PASTORAL DA MORADIA Antigamente os vicentinos chegavam a construir casas para os seus assistidos, isto é, punham a mão na massa e em mutirão: em alguns dias a casinha estava pronta. Aliás, os vicentinos continuam fazendo um trabalho social impressionante, e sobre eles falaremos logo. A realidade de muitas paróquias não comporta uma pastoral da moradia, mas se houver recursos e a situação de algum morador da paróquia é de penúria e já morando ao relento, os fiéis cristãos não se sentirão em paz enquanto não lhe providenciarem um abrigo melhor.

PASTORAL DO POVO DE RUA Eis outra pastoral de difícil implantação! A Igreja, contudo, especialmente em São Paulo, tem uma pastoral do povo de rua muito bem estruturada. Seu criador e incentivador foi Dom Luciano Mendes de Almeida, que esperamos ver beatificado, pois era um santo. E quem hoje dá continuidade a essa obra, com total abnegação e amor, é o Pe. Júlio Lancelotti. Sabemos que não é fácil criar e manter essa pastoral, mas no que depender de nós, vamos ajudar a continuidade de obra tão solidária e dignificante. Os franciscanos e o seu ramo mais recente chamado “Toca de Assis”, desenvolvem um trabalho fantástico junto ao povo de rua, morando com eles, dando-lhes comida, curando-lhes

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as chagas, fazendo um trabalho invejável de dedicação total ao próximo. Tenhamos orgulho desses santos modernos, que renunciam a tudo, e passam a viver com os pobres, mantendo-lhes a esperança, vestindo os nus e alimentando os famintos. Há muitas paróquias que dão comida para o povo de rua, franqueando, inclusive, seus banheiros para que eles tomem banho e se higienizem. Que trabalho maravilhoso!

PASTORAL DA 3ª IDADE Como se sabe, a população brasileira está envelhecendo, de tal sorte que a percentagem de idosos vem aumentando consideravelmente. Trata-se de um contingente que necessita de cuidados especais. Sim, sabemos que o governo tem que proteger e assistir essa massa muito grande de idosos, mas, no que depender de nós, vamos também ajudá-los. Pode-se criar uma verdadeira pastoral dos idosos, de preferência tendo como coordenadoras pessoas um pouco menos idosas, para conversar com eles, ouvi-los, recomendarlhes profissionais da saúde, e, se for o caso, pôr-se à disposição para lhes dar remédio na hora certa, caso o idoso more sozinho etc. A chamada pastoral da terceira idade é uma realidade em muitas paróquias. Geralmente eles se reúnem uma vez por mês, conversam sobre seus problemas e também sobre suas alegrias, participam de bingo beneficente, fazem peregrinações, passeios, almoços comunitários etc. A parte espiritual não pode ser descuidada, pois, assim como as crianças e os jovens, os idosos precisam de alguém que lhes fale de Jesus, que ore com eles e lhes dê esperança

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através de uma palavra extraída da Bíblia, participe com eles da Missa.

PASTORAL DA MULHER MARGINALIZADA Esta pastoral pode estar englobada na pastoral do povo de rua. Há, contudo, uma congregação religiosa, chamada das Irmãs Oblatas, que se dedica a minorar o sofrimento de mulheres prostituídas, de tal sorte que possam vencer essa etapa tão dolorosa e mudar de vida. Sabemos que não é fácil criar esse tipo de pastoral, mas ela está indicada aqui, para, na medida do possível, ajudarmos financeiramente as Oblatas para que deem sequência a um trabalho tão difícil, mas necessário.

PASTORAL DO MIGRANTE Poucas comunidades têm esse tipo de pastoral, pois a realidade delas não exige que se crie uma pastoral voltada para esse assunto. Estamos, no entanto, percebendo a presença de alguns sulamericanos em nossas comunidades, e certamente eles precisam de orientação e gostariam de fazer amizade e de participar da vida da igreja. Fica aqui essa menção e, quando surgir a oportunidade, não vamos nos omitir.

PASTORAL OPERÁRIA Nos meados do século passado, as famosas JOC, JEC e JUC eram muito dinâmicas e vários expoentes da política, do legislativo e do judiciário saíram de suas fileiras. A JOC era a Juventude Operária Católica; a JEC, Juventude Estudantil Católica; e a JUC, Juventude Universitária Católica.

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A JOC transformou-se em Pastoral Operária, e de seus quadros surgiram inúmeros elementos que ainda hoje militam na política, um deles, inclusive, chegou a Presidente da República! A Igreja sempre incentivou a participação de seus membros nos sindicatos, a fim de que tivessem mais forças de agir em conjunto na defesa de seus interesses. O perigo de desvirtuar o rumo é muito grande, pois, uma vez nos sindicatos, esquecese a vida de Igreja, de oração, dá-se as costas à doutrina cristã e passa-se a fazer política partidária. Portanto, você que é trabalhador, se compelido a participar dessas pastorais, seja você o semeador da boa semente e jamais se esqueça de sua prática religiosa. Convém registrar que o Papa Leão XIII foi o pioneiro dos movimentos sociais, e, com sua encíclica RERUM NOVARUM (das coisas novas), assombrou o mundo com tanta cultura e antecipou o que aconteceria depois com relação aos sindicatos, garantias individuais, assistência social, tudo isso preconizado pelo visionário pontífice. A oportunidade se nos apresenta excelente para discorrer rapidamente sobre a doutrina social da Igreja, que o católico geralmente desconhece.

AS GRANDES ENCÍCLICAS SOCIAIS: ·

RERUM NOVARUM, 1891, de Leão XIII

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QUADRAGESIMO ANNO, 1931, de Pio XI

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MATER ET MAGISTRA, 1961, de João XXIII

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PACEM IN TERRIS, 1963, de João XXIII

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Pastorais na Igreja