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INTRODUÇÃO

* Dará mais importância à CONFIANÇA EM SI MESMO do que à prontidão em apoiar-se SOBRE OS OUTROS. * Dará mais importância à ESPONTANEIDADE do que ao CONDICIONAMENTO. * Dará importância ao que AINDA EXISTE POR FAZER, AO FUTURO, e não tanto AO PASSADO.

1. O CATEQUISTA É UM EDUCADOR. Enviado pela comunidade cristã com a missão de evangelizar. É um educador da fé... Deve ser capaz de assimilar e possuir com clareza o ESSENCIAL DA MENSAGEM EVANGÉLICA. Ter na cabeça e no coração a visão completa da fé e o modo de vivê-la. Deve saber, também, ANUNCIAR esta mensagem (palavras, gestos, celebrações e outros recursos) de maneira que todos possam entender. O educador da fé deve conhecer a realidade que quer evangelizar: a realidade dos seus catequizandos, da sua cidade e região, do seu país e do continente: América Latina. A educação é tarefa humana. Os interrogantes que se colocam, hoje, ao educador são: O HOMEM E O SEU MUNDO. Dependendo do seu conceito de HOMEM e de MUNDO ele orientará a sua tarefa educativa: quem considerar o homem como COISA tentará DOMESTICÁ-LO. E quem considerar o homem como PESSOA assumirá uma tarefa libertadora. Numa educação PERSONALIZADA e LIBERTADORA o educador consi-dera o HOMEM como PESSOA. Vai, então, procurar o seu AMADURECIMENTO, a MUDANÇA de suas atitudes e condutas: uma educação TRANSFORMADORA que conduza à formação de uma CONSCIÊNCIA CRÍTICA, uma RESPONSABILIDADE diante de suas ações e uma CAPACIDADE DE ESCOLHA, ADAPTAÇÃO e COOPERAÇÃO PARA DESPERTAR pessoas capazes de viver e comprometer-se como PESSOA.

O catequista,educador da fé, deverá aprender a mergulhar na realidade do educando para ver o mundo como ele o vê; vai partir sempre da realidade, da experiência própria e do outro; não vai fazer prevalecer os próprios valores sobre os valores dos outros; vai tentar aceitar o outro INCONDICIONALMENTE, num clima de AUTENTICIDADE com ele e consigo mesmo, e assim criar um clima de RELAÇÃO PLENAMENTE HUMANA. Quando se parte do homem como pessoa, COMO SER EM RELAÇÃO, como SER-QUE-BUSCA-PERMANENTEMENTE, o educador catequista estará assumindo uma tarefa PERSONALIZADORA, LIBERTADORA E NÃODIRETIVA porque: 1) O sujeito desta busca é o homem mesmo, ainda que em comunhão com os outros. 2) O ponto de partida é também o homem em suas relações com os outros e o mundo, dentro de uma visão dinâmica do mundo e do homem. 3) O objetivo primário desta busca é o SER MAIS, sua própria HUMANIZAÇÃO. 4) Descarta-se, desta maneira, qualquer possibilidade de manipulação do educando pelo grupo.

Nesta perspectiva, o educador acentuará determinadas atitudes sobre outras:

* Dará mais importância à ATIVIDADE, à EXPERIÊNCIA, do que à FORMAÇÃO DE CONCEITOS. * Dará mais importância à PERCEPÇÃO do que à INFORMAÇÃO. * Dará mais importância às ATITUDES do que aos FATOS E ACONTECIMENTOS. * Dará mais importância à APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA do que à APRENDIZAGEM INFORMATIVA. * Dará mais importância à CRIATIVIDADE do que à expectativa de RECEBER TUDO PRONTO. * Dará mais importância à AUTO-AVALIAÇÃO DO EDUCANDO...

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Se queremos ser fiéis ao HOMEM e ao MUNDO na nossa catequese, tudo o que foi dito anteriormente deve ser levado em consideração. Mas quem vai dar unidade à catequese é JESUS CRISTO. Tudo aquilo que devemos transmitir deve partir dele e voltar para ele. Deve agir em torno de Jesus. Seremos fiéis à mensagem de Jesus. A TODA A MENSAGEM. Não podemos pegar somente uma parte e deixar outras, talvez por serem duras e incômodas... Transmitiremos a mensagem de forma ADEQUADA E ADAPTADA para que todos possam entendê-la. Na versão popular da “Catequese Renovada”, da Diocese de S.Mateus (ES), página 37, existe uma figura que transcrevo na íntegra, e que ilustra o que foi dito até aqui: “A catequese é como um TREM. Os dois trilhos são DEUS de um lado e o HOMEM do outro. E os DORMENTES que tentam manter os dois

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unidos, é a IGREJA. Sobre esta ferrovia corre a CATEQUESE, levando a BOA NOVA, a ESPERANÇA, a FORÇA e a CORAGEM de LUTAR e ACABAR com a INJUSTIÇA. Vocês já pensaram no que aconteceria se fosse tirada uma das peças desta ferrovia?" “Meu Caminho com Jesus” foi escrito dentro da fidelidade a Cristo, à Igreja, ao Homem e seu mundo. E por que MEU? Não é uma visão individualista, egoísta, anti-comunitária? Meu... quer lembrar a CONCRETITUDE do homem, aqui e agora! Meu... quer ALERTAR que o indivíduo vive em grupo mas não deve ser manipulado por ele! Meu... quer GRITAR que é preciso POTENCIALIZAR AOS INDIVÍDUOS, criando senso crítico e participativo PARA SE TER COMUNIDADE! Meu... quer DESAFIAR o coletivo despersonalizador que não leva em conta o indivíduo e o massifica para seus próprios interesses (de “direitas” ou de “esquerdas”)! É preciso que ensinemos a ser DESOBEDIENTES! (Rm. 12,2). Meu... quer ENFATIZAR a dimensão PESSOAL da FÉ!

. Partilha a vida do povo... . Mergulha no educando... . Assume uma tarefa personalizante... . Potencializa uma consciência crítica... . Ajuda a ter responsabilidade diante das ações... . Desenvolve qualidades... . Semeia espírito de superação... . Aceita o controle do grupo... . Trabalha com e para os outros... . Favorece a criatividade... . Fortalece a unidade e respeita a todos e a cada um... .............................................................................................................. .............................................................................................................. .............................................................................................................. .............................................................................................................. .............................................................................................................. ..............................................................................................................

2) ALGUNS “TIPOS” DE EDUCADORES.

Entre uns e outros, no entanto, percebemos “nuances”, algo assim como tipos “híbridos” que misturam as características descritas anteriormente:

EDUCADOR-DOMADOR

a) O educador-passivo: . Em nome do respeito à liberdade, não intervém, até mesmo quando se requer a sua orientação... . Por medo de instrumentalizar os outros, não oferece soluções imediatas e nem sugere maneiras para encontrá-las... . Frustra o grupo porque não oferece apoio e segurança. . Sua falta de determinação anestesia o grupo...

. Ele anula o grupo... . Absorve o trabalho... . Impõe a sua vontade... . O grupo vira marionete e fica passivo... . Quando ele falta ninguém é capaz de continuar...

EDUCADOR-LIBERTADOR . Ele se sente membro do grupo... . Capaz de unir, incentivar as vontades em torno de uma causa comum. . Não anula o grupo e nem se anula. . Sabe trabalhar em colaboração. . Todos se mobilizam, todos são protagonistas. . Solidário nos sucessos e nos fracassos. . Escuta todas as opiniões e anima e potencializa os mais fracos. . Anima a todos nas dificuldades. . Quando ele falta, outros podem continuar o seu trabalho e aperfeiçoá-lo.

Complete as qualidades do educador libertador com o seu grupo de catequistas... . É uma pessoa e considera os outros como tal... . Tem fé nos outros e respeita a dignidade deles...

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b) O educador paternalista (maternalista): . Com suas maneiras corteses e bondosas procura não parecer autoritário... . Maneja com habilidade os sentimentos alheios para criar dependência... . Protege tanto que impede que os outros aprendam a crescer e se desenvolver por conta própria... . Estranha porque as pessoas não agradecem o seu trabalho e dedicação... . Nas perguntas que faz SUGERE A RESPOSTA tal como se faz para iniciar as crianças na reflexão... . Instrui em vez de ensinar a descobrir... . Seus ensinamentos são esquecidos rapidamente...

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1. Que tipo de educador da fé você acha que é? 2. Com qual tipo você mais se identifica?

3) CARACTERÍSTICAS DA IDADE A) A ADOLESCÊNCIA É SAÍDA DA INFÂNCIA: Dos 12 aos 14 anos é uma etapa da vida muito importante. É chamada de “crise da puberdade” que não se reduz às transformações do corpo; as transformações sexuais são importantes mas não explicam todo o fenômeno da mudança: TRATA-SE DE UMA MUDANÇA DA PESSOA TODA. Fisicamente, o adolescente vai mudando; mas isso é parte de uma mudança geral que leva o jovem a ENFRENTAR o mundo do adulto; esta idade apresenta-se como um período de problemas no âmbito familiar, na saúde e na adaptação social. Vamos entender esta idade como parte de um processo que vem se desenvolvendo desde os primeiros anos e que vai evoluindo até alcançar a idade adulta. 1. A partir da sua experiência (como pai, mãe, educador) quais são os problemas mais comuns desta fase? 2. Como você encaminha estes problemas? Geralmente, dos 6 aos 12 anos, o crescimento dos meninos é mais lento. Dos 12 aos 14 a diferença é notável, o crescimento é muito mais rápido: o corpo fica menos harmonioso que na idade anterior; parece desequilibrado e desproporcional. Perde a graça que tinha na idade infantil; a sua voz começa a mudar. Quanto ao sexo, tanto no rapaz como na mocinha, aparecem fenômenos novos e mudanças sensíveis na constituição corporal sexual; juntamente com estas mudanças aparece o interesse por tudo o que se refere ao sexo e aos novos impulsos e desejos. Os adolescentes podem sentir medos, angústias e preocupações diante dos fenômenos que ainda não sabem explicar e nem assumir...

O adolescente começa a descobrir-se, deseja ser livre e entra em confronto com o adulto que não lhe facilita a entrada e a inserção na sociedade. É como se fosse um segundo nascimento: o nascimento social. Os adolescentes descobrem um mundo até então ignorado: um mundo que vai além da família e da escola, a que eles estão acostumados, e não compreendem tudo o que acontece no mundo dos adultos. Descobrem que neste mundo acontecem coisas que seus pais lhes ensinaram a não fazer, aparecendo, assim, a contradição. Às vezes os adolescentes querem sair da proteção dos pais e abandonar seus conse-lhos: daí a atitude contra a autoridade dos pais. Querem ser mais livres mas não conseguem usar bem esta liberdade: é uma força nova para eles. Querem, também, ter um conhecimento próprio mais profundo, mas isso é difícil. Por consequência, sentem-se desnorteados... Os adolescentes se rebelam contra a autoridade, contra a moral e também contra a religião. Vão contra os valores que lhes foram ensinados quando crianças... Existe, portanto, um esforço de inserção, de adaptação; os erros são necessários, assim como as incertezas e as dúvidas: tudo isso despertará neles a auto-defesa e os tornará mais criativos para enfrentar a sociedade. Alguns adultos dizem que a adolescência é a idade da ingratidão e da intolerância dos pais. Esta “ingratidão” nasce como consequência da incompreensão dos adultos; os adolescentes se sentem abandonados, enquanto que os pais acham que seus filhos se afastam cada vez mais. É que, na etapa anterior, o papel dos pais era mais simples: eles impunham as normas de conduta e os meninos estavam integrados na família. Mas, a partir dos 12 anos, o relacionamento muda profundamente: os pais não deveriam impor tanto, e deveriam acompanhar mais os filhos, adaptando-se à nova situação, sendo mais flexíveis... Deveriam se colocar no lugar dos filhos! Os adolescentes, normalmente, aceitam conselhos daqueles que se colocam no mesmo plano, iguais a eles. Mas rejeitam as atitudes autoritárias. Neste período, os pais não devem tentar dominar e dirigir os filhos. Isto provoca uma reação contrária àquilo que eles querem conseguir. 1. Dê exemplos, a partir da sua experiência, de contradição do mundo dos adultos, de adolescentes desnorteados, de rebeldia contra a moral e a religião, de “ingratidão”, de intolerância dos pais, etc...

1. A partir da sua experiência assinale detalhes da evolução sexual dos adolescentes. 2. Você teve a oportunidade de orientar algum adolescente nos seus medos e angústias no que diz relação ao seu desenvolvimento corporal e sexual? Conte como foi.

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2. Como você se colocaria, como catequista, no mesmo plano dos adolescentes?

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B) A ADOLESCÊNCIA É ENTRADA NA SOCIEDADE DOS ADULTOS Aos 13 anos, rapazes e mocinhas são, ao mesmo tempo, crianças e adolescentes. Em alguns momentos mais crianças. Em outros momentos mais adolescentes. Eles formam os seus grupos. Normalmente se entendem bem entre eles. Outras pessoas não entram facilmente nestes grupos. Um deles se torna líder: o mais forte, o mais veloz, o mais elegante ou a mais bonita, etc... Eles se tornam “do contra” e recusam modelos impostos. Desconfiam do que aprenderam na infância. É a idade da AMIZADE. Adquire uma importância fundamental a figura do herói, imaginado a partir de leituras, de filmes... heróis históricos ou de lendas, de esporte, das aventuras... heróis religiosos... Os adolescentes se identificam com eles, têm as mesmas aspirações, vibram de acordo com o herói. Comportam-se, diante do adulto, de forma ambígua: às vezes têm um comportamento tranquilo, sossegado e transparente, e mantêm um bom relacionamento com os pais e professores, em outros momentos, porém, são fechados, misteriosos... e os adultos não sabem como lidar com eles; parece que nada dá certo, que nem prestam atenção. As atitudes pedagógicas do adulto, aceitas na infância, agora parecem não ter o efeito desejado... Eles são “estranhos”, muitas vezes, diante do adulto. Por isso, o educador deve acompanhá-lo de forma personalizada, conhecendo bem a cada um e sabendo muito bem quando devem ser tratados como crianças e quando devem ser tratados como adolescentes, já se aproximando do mundo adulto. No relacionamento rapazes-moças, continua a ambiguidade: regra geral, as meninas têm um desenvolvimento mais adiantado. Às vezes ela finge desprezar o menino-rapaz quando, na verdade, está interessada por ele. É que de ambas as partes existe uma insegurança por não compreenderem bem tudo o que se refere ao sexo. Existe uma curiosidade intensa e intenso temor diante do mistério sexual. Normalmente, os rapazes se unem em grupos e a mesma coisa fazem as mocinhas; mas é frequente que, terminando o jogo ou o trabalho de grupo, se unam formando “casais”. Hoje em dia tem muita importância a influência da televisão e dos meios de comunicação em geral...

3. Da figura do herói. 4. Do comportamento ambíguo do adolescente diante do adulto. 5. Como fazer um acompanhamento personalizado? 6. Do relacionamento moça-rapaz. 7. Da influência da televisão. C) A ADOLESCÊNCIA E O MUNDO DA FÉ Aqui, também, aparecerão mudanças: Na infância

Na adolescência

1. Parecia mais piedoso, participava mais.

1. Já não participa tanto...

2. Idéia de Deus mais rica afetivamente.

2. Deus=poder Imagem menos interessanque aquela da infância. Imaginam um Deus-Justiça, que inspira confiança porque é bom. É fácil recorrer a Deus nas dificuldades: para fazer uma prova, para evitar um perigo... Deus é refúgio diante das necessidades. Não é o Deus-Amor. Deus está relacionado com o próprio EU: Ele é quem dá força para lutar... está para ajudar. Deus é mais um apoio. 3. Mais rotineiro, falta a espontaneidade. Cansa-se mais facilmente das celebrações religiosas. A missa é sempre

3. Mais espontâneo

igual... Outras características... . São mais capazes de usar a razão, de pensar. . A fé é uma segurança; crescer é uma instabilidade... . Cometer um pecado é desobedecer a Deus, suas leis e mandamentos. Geralmente valorizam pouco o pecado cometido longe dos adultos. O pecado conhecido pelos outros é mais grave. Sentem mais preocupação quando são descobertos numa falta.

A partir da sua experiência dê exemplos: 1. De líderes de grupos de adolescentes. 2. De recusa dos modelos impostos.

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. A questão da pureza adquire grande importância, devido às transformações sexuais; não conhecem bem as normas e formas de agir frente a esse mundo novo que estão descobrindo; não têm coragem de falar, mesmo ficando profundamente preocupados por alguma coisa; estão desarmados frente aos novos problemas morais. Ainda não têm julgamento próprio. . Gostam de cerimônias religiosas diferentes, com aspecto visual atraente; o ambiente é importante para eles: essa sensação de mistério, de sagrado, de coisa grandiosa; gostam de ritualismo e de cumprir fielmente com todos os detalhes. Querem sentir-se seguros e tranquilos neste ambiente. . A confissão é também entendida como algo que traz segurança e tranquilidade; não se confessam para serem melhores ou para estarem mais perto de Deus: confessam-se para estarem seguros. O mesmo com relação à comunhão: comungam para se sentirem melhor, em função do bem que experimentam... . Às vezes experimentam o vazio religioso; podem experimentar crises de fé mais ou menos violentas... . Novos valores: uma certa AGRESSIVIDADE; não são conformistas. Assim também é o evangelho. Deus é aquele que os impele à luta, a criar coisas novas, a serem audazes e valentes. Uma certa SUBJETIVIDADE. Tomada de consciência do EU. Manifestase nos próprios egoísmos, raivas, resistências; o importante é que está nascendo o EU. E a SINCERIDADE. A verdade é muito importante para eles. . Existe uma tendência a afastar-se da FAMÍLIA. Procura modelos de vida fora da Família. Ao mesmo tempo é importante a figura dos pais. Agora olham para os pais numa outra perspectiva. Ficam impressionados com os pais e sua conduta, se neles encontram uma conduta autêntica. Mas muitas vezes o papel da família é negativo, e eles lançam acusações duras contra os pais. É importante o testemunho sólido e autêntico dos pais. O comportamento verdadeiramente cristão deles. Quando na família a vida religiosa é falsa, a reação do adolescente é negativa. Eles percebem se a religião tem ou não influência sobre a vida... 1. Assinale o que mais chamou a sua atenção. Dê exemplos. 2. Como ser um educador da fé, catequista, desta idade? 3. Como dever ser a catequese nesta idade?

4) A ESTRUTURA DOS NOSSOS ENCONTROS Existe uma diferença em relação ao volume anterior “Meu Encontro com Jesus.” Lá, os passos da catequese estão bem assinalados: a acolhida, a hora do jogo, a ambientação, o tempo das idéias principais, as atividades no “livro da criança”, o encerramento do Encontro. Neste volume do “Meu Caminho com Jesus” não existe estrutura fixa. O catequista está bem mais livre para usar o material dos Encontros dentro dos seus próprios recursos e criatividade. Mas convém relembrar: 1) Saber acolher os adolescentes, com simpatia e alegria, é fundamental. 2) Buscar momentos de lazer e descontração faz parte da catequese. 3) Criar momentos de reflexão e oração é fundamental. Neste livro dispusemos os assuntos e as diversas atividades nucleados em 12 TEMAS, perfazendo um total de 37 Encontros. Você vai perceber que há assuntos que exigem vários Encontros, dependendo do interesse do grupo. Não tenha pressa em terminar o livro. Ele foi pensado para dois anos de trabalho... sobretudo porque é importante acompanhar a Campanha da Fraternidade, o mês vocacional e o da Bíblia, o mês das missões, etc... Houve uma preocupação muito grande com a COMUNICAÇÃO VISUAL. As citações bíblicas foram transformadas em histórias em quadrinhos (HQ) onde o adolescente, sempre, será solicitado a completar os “balões” dos quadrinhos conforme a citação. É solicitado com frequência a colorir o que mais chamou a sua atenção... Indicamos, também, canções. Elas estão colocadas dentro do assunto que está sendo desenvolvido. Mas convém que você, juntamente com os demais catequistas da comunidade, façam um caderninho com todas as canções que conhecem sobre Jesus e sobre a Igreja (ser Igreja). Acrescentem aquelas canções que os adolescentes gostam de cantar... Não propomos nenhum Encontro que aborde o tema da sexualidade, do namoro, etc. Mas dá para perceber que o assunto é importante e deve ser tratado. Portanto, mãos à obra! Existe muito literatura boa neste sentido. Gastem tempo para orientar neste sentido! Dentro, é claro, da sua realidade... Você vai observar que, dentro do espírito deste livro, vamos contar com a presença do COORDENADOR ou LÍDER DO GRUPO (um adolescente).Eles estarão juntos com os catequistas, nas reuniões de preparação da catequese.

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Juntos determinarão o que será feito, como será feito e a distribuição das tarefas... Levando em consideração um aspecto das características da idade, apresentamos, neste volume, JESUS COMO AQUELE HERÓI QUE PRECISA SER IMITADO. Imitá-lo vale a pena! Mas é uma apresentação ampla e global. Um estudo mais detalhado fica para o próximo volume. No final de cada tema colocamos um aparte entitulado “VOCÊ SABIA?” que focaliza curiosiades bíblicas e costumes do tempo de Jesus. E a proposta é potenciar a pessoa-concreta para a sua efetiva e afetiva participação na comunidade... e que saiba dar razão da sua fé. William Brini Wilmar de Freitas Na festividade de S. José de Calasanz. Agosto de 1990.

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Tema 1: É TEMPO DE AMIZADE 1º encontro

O NOSSO GRUPO: PODEMOS SER AMIGOS! Este Encontro pode ser realizado somente na forma como está proposto no livro do catequizando. Ele, porém, foi pensado para ser realizado num grande dia de lazer e amizade, organizado por todos os catequistas da comunidade e todos os grupos de perseverança. Enumeramos, em seguida, os passos que deverão ser dados para a preparação deste grande DIA DA AMIZADE (D.A.).

todos os inscritos nesta catequese. O ambiente estará sonorizado o suficiente para que todos possam escutar. Muita música também. Tudo adornado e com cartazes. Pelos cartazes descobrirão que D.A. é o DIA DA AMIZADE. Uma vez todos acomodados, o Coordenador do Encontro da Amizade dará as boas-vindas e falará sobre o que vai ser feito durante o Dia da Amizade. A todos os presentes será entregue uma pequena ficha com um número, uma cor e uma figura geométrica (veja a tabela)

Verde Verde Verde Quadr. Retâng. Oval

Azul

Azul

Verde Verde Verde Verde Verde Círculo Losango Triang. Pentág. Hexág.

Azul

Azul

Azul

Azul

Azul

Azul

1) A INSCRIÇÃO Quadr. Provavelmente a sua comunidade, no início de cada ano, abre as inscrições para a catequese. Também para a Catequese de Perseverança (crianças que já fizeram a 1º Eucaristia). Algumas Paróquias também chamam a esta fase de Mini Jovens... O primeiro passo, portanto, é a INSCRIÇÃO. Elabore uma ficha contendo dados pessoais do catequizando, endereço, telefone, filiação, data de nascimento, idade, etc. Pergunte, também, o ano em que fez a Primeira Eucaristia. Tudo isso vai facilitar a organização dos grupos posteriormente (por idade, por bairros, etc.). Durante a fase de INSCRIÇÃO, coloque bastantes cartazes na Igreja ou local da Celebração da Eucaristia ou no local da inscrição:

. Atenção, Perseverança! Vem aí o D.A. . O D.A. é muito importante: aguarde! . Participe do D.A.! . etc.

Retâng. Círculo Losango Triâng. Pentág. Hexág.

AmareloAmareloAmarelo Amarelo Amarelo Amarelo Amarelo Quadr.

Quadr.

Verm.

Verm.

Verm.

Oval

Verm.

Retâng. Círculo Losango Triâng. Pentág. Hexág.

Oval

Rosa Rosa Rosa Rosa Rosa Rosa Rosa Rosa Quadr. Retâng. Círculo Losango Triâng. Pentág. Hexág.

Oval

Laranja Laranja Quadr.

Oval

Laranja

Laranja

Laranja Laranja Laranja Laranja

Retâng. Círculo Losango Triâng. Pentág. Hexág.

Coloquem uma boa dose de criatividade nestes cartazes. Mas ninguém deve saber o que é o D.A. Só saberão que é uma coisa muito boa, alegre, alguma coisa preparada especialmente para eles.

Preto Preto Preto Preto

2) O DIA DO D.A.

Quadr.

Terminadas as inscrições, marca-se, então, o dia. Este dia deverá ser muito “badalado” na comunidade. O local deve ser amplo o suficiente para caberem

Cinza Cinza Cinza Cinza

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Amarelo

Retâng. Círculo Losango Triâng. Pentág. Hexág.

Verm. Verm. Verm. Verm.

Oval

Preto

Preto

Preto

Preto

Retâng. Círculo Losango Triâng. Pentág. Hexág.

Cinza

Cinza

Cinza

Oval

Cinza

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Quadr. Retâng. Círculo Losango Triâng. Pentág. Hexág. Oval O coordenador explicará então: Quando a música começar, todos começarão a correr. Quando a música parar, todos permanecerão parados no seu lugar. Dá-se a palavra de ordem para aquele momento: VAMOS NOS REUNIR POR NÚMEROS; cada um deverá procurar aquele que tenha o mesmo número. Quando os grupos se formarem, nova instrução: CADA UM DEVERÁ SE APRESENTAR, ELEGER UM SECRETÁRIO OU SECRETÁRIA E RESPONDER À SEGUINTE PERGUNTA: 1. O que é AMIZADE? Para este momento, podem-se reservar 10 minutos. Esgotado o tempo, o coordenador pedirá que cada secretário entregue as respostas em um local determinado. Dá-se um breve tempo para isso. Recomeça a música e todos novamente reiniciam a corrida. Nova interrupção. E a palavra de ordem será: VAMOS NOS REUNIR POR CORES. Cada um deverá procurar quem tem a sua cor assinalada no cartão. Quando os novos grupos se formarem, nova instrução: VOCÊS VÃO NOVAMENTE SE APRESENTAR POIS SÃO UM GRUPO NOVO, ELEGER UM SECRETÁRIO OU SECRETÁRIA E RESPONDER À SEGUINTE PERGUNTA:

fichas de inscrição. E em local combinado, proceder-se-á à realização do 1º ENCONTRO, conforme o livro do catequizando. Serão 60 minutos de Encontro. Enquanto os catequistas vão desenvolvendo o tema, uma equipe de apoio confeccionará cartazes - que serão entregues a cada grupo - sobre as respostas dadas na dinâmica anterior: . da fase dos números, . da fase das cores, . da fase do quebra-cabeça. Os cartazes ajudarão a desenvolver as tarefas propostas no primeiro Encontro. No fim, os adolescentes terão um momento de lazer. Jogos organizados: peteca, futebol de salão, vôlei, queimada, etc... (uma equipe de apoio poderá se encarregar desta parte, que será preparada com antecedência, levando em consideração o número de adolescentes inscritos). Os jogos serão interrompidos para o lanche, a merenda. As próprias crianças podem levar o lanche ou a Paróquia, conforme as suas possibilidades, poderá oferecê-lo. Cantar parabéns para os aniversariantes ajuda a “aquecer” o ambiente de descontração e amizade.

2. A Amizade é importante? Por quê? Para esta resposta, damos também 10 minutos. Esgotado o tempo, o coordenador pedirá, novamente, que os secretários entreguem as respostas no local combinado. Feito isso, recomeça a música. Todos continuam correndo. Após nova interrupção - quando todos pararem - nova palavra de ordem: VAMOS NOS REUNIR POR FIGURAS; cada um vai procurar aqueles que têm a mesma figura geométrica. Quando os grupos se formarem, uma nova instrução: CADA UM DEVERÁ APRESENTAR-SE NOVAMENTE, ELEGER UM SECRETÁRIO OU SECRETÁRIA E MONTAR UM QUEBRA-CABEÇA QUE RECEBERÃO NUM ENVELOPE. DEPOIS RESPONDERÃO: 3. O que a nossa figura tem a ver com a amizade? Para este momento, damos também 10 minutos. Esgotado o tempo, os secretários entregarão as respostas no local determinado, e todos se dirigirão ao salão maior, onde começaram o trabalho. Uma vez reunidos, procede-se à divisão definitiva dos grupos: cada catequista chamará seus catequizandos, conforme divisão feita por meio das

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Depois do lanche, uma atividade mais tranquila: pode-se ouvir o disco OS SALTIMBANCOS e, em seguida, conversar sobre ele (disco-forum). É a história daqueles 4 animais que eram amigos e superavam juntos as mais diversas situações e dificuldades. História que também pode ser representada por algum grupo ou movimento paroquial. É uma boa atividade para os grupos jovens da paróquia. O D.A. termina com a Missa: a Missa da Amizade. Ela será preparada também, com antecedência, pela equipe de catequistas, dentro da realidade paroquial. 3) COMO FAZER PARA QUE CADA GRUPO . dos números . das cores, . das figuras geométricas, NÃO SEJA REPETIDO? NÃO SEJAM AS MESMAS PESSOAS? - Observe novamente a tabela da pág.19: 1. O número de pessoas com UM NÚMERO deverá ser o mesmo NAS CORES E NAS FIGURAS.

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Por exemplo: Se tenho 5 (cinco) pessoas que são o número 1, terei cinco cores diferentes e cinco figuras diferentes. Isso permite que, ao mudar as cores, eu tenha uma combinação diferente nos números e nas figuras. O mesmo acontecendo por ocasião da reunião por figuras: nova combinação dos números e das cores. 2. Portanto, se estou trabalhando com 8 números, 8 cores e 8 figuras, posso movimentar 64 pessoas. Se trabalho com 9, movimentarei 81 pessoas. Se trabalho com 10, movimentarei 100 pessoas. Regressivamente, o mesmo processo: com 7, movimento 49, com 6, movimento 36; com 5, movimento 25. 3. Sem dúvida que o número dos catequizandos não será tão exato. Aí será o caso de suprir o que falta com outros elementos da comunidade: catequistas, pais, o padre, jovens disponíveis para ajudar, casais da comunidade, etc... afinal é o Dia da Amizade, não é? 4. Finalmente, se em algum grupo houver repetição, isso não atrapalha o desenvolvimento geral dos trabalhos, pois o mais importante é a movimentação, o alvoroço e animação que a dinâmica provoca, com a música e toda a movimentação que vai acontecendo e que funciona como um verdadeiro “quebra-gelo”. E mais: o adolescente vai ficar com uma boa impressão ao saber que o seu grupo (pequeno) é parte de um todo que se chama COMUNIDADE PAROQUIAL. Ele não está sozinho na caminhada...

SUGESTÃO DO HORÁRIO E DIVISÃO DE TAREFAS DO DIA DA AMIZADE HORÁRIO - ATIVIDADES 14:00hs. Recepção. Cantoria. Música. Ornamentação do local. Boas Vindas. Entrega dos Cartões.

Catequistas, o padre, grupo de canto, aparelho de som, microfone.

14:30hs. Início da dinâmica.

Coordenador conduz a dinâmica através do microfone. Secretária ajuda a recolher as respostas dos grupos.

15:15hs. Realização do primeiro Encontro. No livro.

Catequistas.

16:15hs. Início do lazer. Jogos.

Equipe responsável.

17:15hs. Lanche. Músicas alegres.

Responsáveis pelo canto e a música mecânica.

17:45hs. Representação dos Saltimbancos ou Disco-Forum.

Grupo de Jovens. Ou alguém que leve o disco e toca-discos. Um (a) catequista se encarrega, depois da audição, de conduzir a conversa tendo por base o primeiro Encontro dolivro. Grupodecanto,liturgiaecatequistas.

4) COMO FAZER O QUEBRA-CABEÇA? Aprontar o quebra-cabeça é fácil: escolhem-se figuras grandes (poster) que são coladas em papel mais grosso e, posteriormente, são cortados em diversos pedaços de formatos diferentes. As figuras são de pessoas reunidas em diversas situações: família, jovens, crianças, pessoas organizando-se ou reivindicando etc. Não deve faltar um poster de Jesus Cristo. Tantos envelopes, ou quebra-cabeças, quantos os grupos existentes. N.B. Não se esqueça de levar a caixinha de fósforos para a dinâmica dos palitos, do primeiro Encontro.

RESPONSÁVEIS

18:45hs. Preparação da Missa.

19:00hs. Missa da Amizade

O padre. Equipedecatequistasedeliturgia.


Jesus Cristo! Ele é o centro de nossa catequese, a razão de nossa fé. Não é apenas um personagem histórico importante na História da Humanidade. Não é um mito. Não é apenas um profeta. Nem simplesmente um fundador de religião. Ele é a meta das nossas aspirações, o tamanho do homem perfeito. Ele é o Caminho Verdadeiro para uma Vida Plena. Ele é o “SIM” de Deus à nossa existência sem cor. Ele é a nossa Esperança, Jesus em quem podemos confiar... Ele sabe das nossas alegrias e fraquezas. Ele é inevitável: ou amigo, ou escândalo e pedra de tropeço. Ele é a “chance” oferecida por Deus aos homens. O Homem precisa de uma Palavra Amiga, de uma Palavra de Luz. De um Horizonte Infinito, para seus sonhos e realizações. De uma Força Salvadora, para seu projeto de vida. De uma Palavra de Otimismo, de Alguém em quem confiar... De alguém que nos transcenda e que seja Companheiro de caminhada. De um Ponto de Referência, para nossas buscas e dúvidas. Jesus Cristo é isso e muito mais! Jesus Cristo, com quem vamos caminhando!


Tema 2: O QUE CONHECEMOS SOBRE O AMIGO JESUS Quem é este homem? Pergunta de ontem, pergunta de hoje, pergunta de sempre... Essa pergunta tem dois mil anos e continua sendo bastante atual, uma pergunta permanente... Quais são os aspectos mais importantes da sua personalidade? JESUS! JESUS CRISTO! Quem é você? O que você quer dizer-nos com a sua maneira de viver 2º encontro

QUEM É ESTE HOMEM? Trata-se de uma pesquisa de rua. O objetivo é sondar, de forma aleatória, o que pensam as pessoas sobre Jesus Cristo. De antemão, podemos adiantar alguns aspectos da pesquisa; vai aparecer o que já sabemos: . A maioria de “católicos”, . Que Jesus é o Filho de Deus, nosso irmão, nosso amigo, nosso “pai”, etc... . Que Jesus curou doentes, disse que é importante a gente se amar, morreu na cruz para nos salvar... Para este Encontro alcançar o seu objetivo, é importante que você esteja preparado para ir além das respostas, isto é, questionar todas estas coisas que as pessoas respondem quase que mecanicamente, como se tudo estivesse decorado. Mas que talvez não esteja na vida e não provoque nenhuma mudança no pensar e no agir... Enfim, fica claro que é PRECISO CONTINUAR CONHECENDO JESUS CRISTO. Não podemos satisfazer-nos com algumas respostas, por muito

“certas” que sejam. Na amizade, o conhecimento que aprofunda a relação não cessa, não pára. Na minha amizade com Jesus deve acontecer o mesmo: o meu conhecimento do AMIGO não deve estacionar, não deve parar... Por isso estamos juntos neste grupo de catequese de perseverança. É preciso perseverar no CONHECIMENTO do nosso amigo JESUS. Para o desenvolvimento deste Encontro observe os seguintes passos: 1. Leia com o seu grupo todo o Encontro no livro do adolescente. 2. Solucione as dúvidas que surgirem. 3. Divida o grupo dois a dois. Ou permita que eles se organizem espontaneamente. 4. Divida as ruas ou locais para as duplas. (Para evitar mais de uma dupla num mesmo local.) 5. Entregue papel e lápis para que possam escrever. A pesquisa não deve ser anotada diretamente no livro. 6. O levantamento da pesquisa, com a correspondente anotação no livro, deverá ser a última coisa a ser feita, depois da avaliação da pesquisa. O resultado será de todo o grupo. 7. Esteja atento para qualquer coisa interessante que, ne cessariamente, vai surgir. Sempre aparece... 8. Insista na necessidade de conhecer sempre mais Jesus Cristo. 9. Coloque o cartaz na Igreja ou no salão da comunidade, onde se celebra a Eucaristia. Com isso levamos o problema para a comunidade. A comunidade também precisa, como um todo, CONTINUAR CRESCENDO NO CONHECIMENTO DE JESUS CRITO. Isso vai valorizar o trabalho dos adolescentes. E é uma chance dos catequistas mostrarem o seu trabalho e comentar sobre ele. 10. A canção colocada no encerramento do Encontro pode ser cantada, para encerrar. As perguntas podem ser respondi das em casa e cobradas no Encontro seguinte. Se houver tempo, fica tudo no mesmo Encontro. Você pode, tam bém, substituir a canção por outra. 11. Termine o Encontro com preces espontâneas e um PaiNosso e Ave-Maria. Nota: Observe com atenção o TEMPO no Encontro. Não prolongue demais, pois pode ficar cansativo. O que é bom dura pouco! Se ficar faltando, deixe para casa ou para o próximo Encontro. Uma hora, no máximo!


3º encontro

CONHECEMOS JESUS PELO NOVO TESTAMENTO A formação do Novo Testamento Visão geral dos 27 livros do NT Para facilitar a leitura do conteúdo deste tema, “árido” por própria natureza, utilizamos o recurso da história em quadrinhos. O conteúdo pode-se resumir nos seguintes pontos: 1. Os três grupos em que estão dispostos os livros do Novo Testamento. 2. Jesus não manda escrever e sim pregar. Os escritos foram surgindo à medida em que as comunidades iam necessitando. 3. Os escritos do NT não são crônicas históricas, mas sim testemunhos de fé fundamentados em Jesus, nos apóstolos e na vivência das comunidades primitivas. O desenvolvimento do tema é simples: 1. Leitura dos quadrinhos. Ir fazendo o que a leitura pede. 2. Perguntar se ficou bem entendido. Levantamento das dúvidas e esclarecimentos. 3. Fazer a cruzadinha e as outras atividades posteriores à história. O objetivo é recapitular tudo o que foi dito. 4. Comentar com o grupo a frase que aparece na vertical da cruzadinha: JESUS CRISTO SALVADOR. 5. Confeccionar a Biblioteca do Novo Testamento (não faça agora o AT). Não se esqueça de levar papel colorido (4 cores diferentes), caixas de fósforos vazias (27), caneta hidrocor, cola, tesoura... 6. Você pode levar a estante feita em madeira ou pedir que algum adolescente a prepare. 7. Uma boa leitura preparatória para este encontro é o livrinho do Frei Carlos Mesters “ABC da Bíblia”. 8. Atenção: De Colosso... colossenses, De Galácia... gálatas, De Filipos... filipenses, De Éfeso... efésios, De Tessalônica... tessalonicenses... etc... 9. Termine com uma oração simples.

4º encontro

COMO FORAM ESCRITOS OS EVANGELHOS? O ponto de partida deste Encontro é duplo: de um lado a pesquisa proposta “COMO SE ESCREVE UM LIVRO?” E de outro uma história em quadrinhos que quer mostrar a “trama”, o “emaranhado” da formação dos evangelhos, e facilitar para os adolescentes a compreensão. Por isso não aprofundamos. Mas para o caso do catequista a questão é diferente. Por isso vamos colocar aqui diversas orientações que deverão ser estudadas cuidadosamente antes do Encontro, com antecedência. 1. A pesquisa deverá ser preparada, isto é, um grupo assume o compromisso de fazê-la e trazer o resultados para o Encontro seguinte. É importante que você veja, na sua cidade, quem poderá prestar este depoimento (escritor, jornalista, roteirista, etc...) Leve as perguntas com antecedência. Depois oriente as crianças para a pesquisa. 2. Se na sua cidade não existem pessoas que tenham escrito algum livro para darem a entrevista, o ponto de partida pode ser qualquer livro que você conhece. Por exemplo: este livro mesmo de catequese. Aqui também fizemos pesquisa, testamos o material, recolhemos experiências de anos de catequese e, finalmente, dispusemos o material para que atenda a uma determinada faixa de idade. 3. Leia com o seu grupo a história em quadrinhos. Conversem sobre as duas questões logo em seguida. Desenvolva as atividades. Pergunte pelas dúvidas. 4. Para esclarecer as dúvidas, estude atentamente o que segue: PALAVRAS QUE NOS AJUDARÃO A ENTENDER A FORMAÇÃO DOS EVANGELHOS

* PENTECOSTES: Vinda do Espírito Santo. Pentecostes é a luz, o impulso inicial de todo o desenvolvimento da Igreja. Pelo Batismo, recebemos o Espírito. Pertencemos à Igreja. Passamos da morte para a vida. Pentecostes ilumina os apóstolos. Eles entendem as Sagradas Escrituras (Antigo Testamento) como promessa do que, naquele mo-mento, acontecia com eles. Entendem todo o sentido da morte e ressureição de Jesus. Jesus prometeu o Espírito Santo e o enviou cumprindo a promessa (At 1 e 2,1-38).


* QUÉRIGMA: É o anúncio rápido da Salvação trazida por Jesus. Um resumo dos fatos essenciais que os apóstolos testemunharam. Era o suficiente para o conversão. Bastava para a profissão de fé em Jesus como Salvador e Senhor. Falta, no entanto, a doutrinação. Quérigma é igual a PREGAÇÃO, PROCLAMAÇÃO, ANÚNCIO, EVANGELIZAÇÃO, DIRIGIDA AOS NÃO-CRENTES, AOS PAGÃOS, para a conversão deles. O que se proclamava no QUÉRIGMA? - Batismo de Jesus e testemunho de João. - Vida pública cheia de sinais e prodígios, realizando as profecias do Antigo Testamento. - Paixão e Morte. Obediência ao Pai. - Sua ressurreição e entronização à direita do Pai. - Sua volta na glória para a realização completa do seu Reino, inaugurado pela vinda do Espírito Santo. * DIDAQUÉ: Os apóstolos perceberam que o Quérigma não era suficiente. Era preciso explicar ao convertido (muitas vezes pagão) a história do Povo Escolhido, da Aliança, da Promessa da Salvação. Para isso era preciso uma INSTRUÇÃO. Este ensinamento apostólico se chamava DIDAQUÉ. É a mesma coisa que CATEQUESE. O Novo Testamento é mais DIDAQUÉ (catequese) do que QUÉRIGMA (anúncio). O que se ensinava no DIDAQUÉ? - Parábolas. - Diálogos. - História dos milagres e palavras de Jesus. Nesta oportunidade, insistia-se muito com os que recebiam os ensinamentos, a importância da mudança na maneira de pensar e agir, para uma verdadeira conversão. * EVANGELISTAS: Não podemos aplicar a palavra evangelista somente aos quatro que escreveram os evangelhos na forma como temos hoje. Pelo menos no começo da Igreja se entendia como evangelista todo aquele que proclamava o evangelho. Os Atos dos Apóstolos chamam a Felipe de Evangelista (At 21,8). Também Timóteo realiza uma obra de evangelização. A carta aos Efésios e os Atos falam de homens com o carisma da EVANGELIZAÇÃO, que é dom do Espírito Santo (At 8,26-40; 21,8; Ef. 4,11). Como estes grupos de evangelistas, havia muitos outros que aju-

davam os apóstolos na administração e edificação da Igreja (Ef. 4,11). Este é o momento intermediário entre o ensinamento dos apóstolos sobre as palavras e os gestos de Jesus e a ESCRITA DOS EVANGELHOS. Os evangelistas iam pregando. O que eles ouviam dos apóstolos eles enriqueciam com as próprias experiências vividas na convivência com Jesus. E assim, através das repetições de fatos, milagres, parábolas, as palavras de Jesus foram tomando formas fixas por escrito. E vão sendo agrupadas em sequências. A narração da Paixão, provavelmente, foi a que se colocou primeiro por escrito. Chegamos a esta conclusão porque, nesta narração, existem muito mais semelhanças nos quatro evangelistas do que em outras narrações. Estes ensinamentos eram dados em grego e aramaico. * SINÓTICOS:Os três primeiros evangelhos (Mateus, Marcos e Lucas) são chamados SINÓTICOS. Sinóticos significa que podem ser VISTOS COM O MESMO OLHAR. Parece que os três narram os gestos e palavras de Jesus partindo de uma mesma visão. Parece que um é copia do outro. Ou que os três copiaram de uma outra e mesma fonte. Às vezes mudam somente as palavras. Temos como exemplo: Mt 22,16-22/Mc 12,13-17/ Lc 20,20-26 (ler paralelamente...) Por outro lado, existem muitas diferenças. Como explicar as coisas parecidas? Como explicar as coisas diferentes? Isso é o que os estudiosos de Bíblia chamam de PROBLEMA SINÓTICO. * LOGIA(S): LOGIA é uma palavra grega que significa PALAVRA DO SENHOR ou PALAVRAS DO SENHOR. São fontes escritas que os evangelistas pesquisaram, na hora de escrever os evangelhos. São coleções de ditos de Jesus (sentenças). Mas que se perderam. DUAS TEORIAS QUE TENTAM EXPLICAR AS SEMELHANÇAS E AS DIFERENÇAS Os estudiosos dizem: 1. Lucas usou o evangelho de Marcos, modificando algumas coisas para que os não-judeus pudessem entender melhor a mensa gem. 2. Mateus, quando traduziu o seu evangelho do aramaico para o grego, também usou o evangelho de Marcos. 3. Mateus e Lucas têm muita coisa em comum que não se encontra em Marcos. Por exemplo, muitos discursos de Jesus. Provavelmente copiaram de uma fonte que Marcos não conhecia.


PRIMEIRA TEORIA: as duas fontes Mateus e Lucas usaram duas fontes escritas: o evangelho de Marcos, tal como o conhecemos, e uma coleção de LOGIA, que não existe mais. Segundo esta teoria, Mateus e Lucas foram compostos combinando de diferente maneira o material encontrado nesses dois documentos.

um pouco as coisas, retirando referências desagradáveis aos pagãos e acrescentando outros detalhes explicativos. Lucas sabia que os cristãos não-judeus não conheciam os costumes judaicos e teriam dificuldades para entender se ele narrasse como os outros evangelistas.

SEGUNDA TEORIA: outras fontes (Nota: a história em quadrinhos foi baseada nesta teoria.) 1. Primeiramente, existiu um evangelho, o de Mateus, escrito em aramaico, destinado aos judeus-cristãos. Talvez a forma mais antiga do ensinamento (didaqué) apostólico. Essa narração consistia na exposição da vida pública, paixão e ressurreição de Jesus, insistindo na realização das profecias do Antigo Testamento, incluindo alguns conjuntos de LOGIA. 2. Marcos escreveu em grego os ensinamentos de Pedro. Ele pode ter usado este Mateus aramaico. Naturalmente escreveu de um jeito todo especial e próprio, acrescentando o que considerava importante; Marcos limita-se à narrativa, e raramente inclui LOGIA. 3. Coleções de LOGIA e outras fontes: Teria existido em aramaico uma coleção mais extensa de LOGIA, com ou sem acompanhamento narrativo, nascida da tradição oral e escrita por um dos evangelistas orais. Existiram fontes com narrações da INFÂNCIA E PARÁBOLAS. 4. Mateus em grego (atual evangelho de Mateus): Mateus em aramaico foi traduzido para o grego e , no processo de tradução, foi aumentada muita coisa. O tradutor acrescenta outros LOGIA em forma de grandes discursos (5 no total) e, usando outra fonte, acrescentou a narração da infância de Jesus. Além dessas fontes usou também Marcos, o que explica as coincidências. 5. O Evangelho segundo Lucas: Lucas usa Marcos e a coleção de LOGIA. Provavelmente usou os mesmos LOGIA de Mateus em aramaico. Nas suas pesquisas usou material próprio que não aparece nem em Mateus nem em Marcos, com a narração da infância e algumas parábolas. Lucas é muito original na disposição do material que recolheu. O núcleo do seu evangelho está estruturado na forma de uma viagem da Galiléia para Jerusalém. Esta viagem ocupa de Lc. 9,51 até 18,24. Aí ele coloca muitos discursos que encontrou na coleção de LOGIA. Sabemos que Lucas escreve para cristãos-gentios. Por isso ele modifica

E MUITA ATENÇÃO PARA UMA QUESTÃO MUITO IMPORTANTE 1. Os três evangelistas sinóticos são a cristalização, em três formas diferentes, do único evangelho de Jesus Cristo, transmitido oralmente pelos pregadores ou evangelistas orais. 2. Eles se baseiam nas lembranças e no TESTEMUNHO dos apóstolos. 3. A seriedade, o valor e a autenticidade desses escritos se baseiam no fato de que foram colocados por escrito muito cedo, no tempo em que as testemunhas oculares ainda orientavam os trabalhos da Igreja que nascia, evitando, assim, os desvios.

Para confeccionar o cartaz, você deve levar em consideração o que foi falado anteriormente. Procure destacar, com um visual bem bonito, o que podemos chamar de CAMINHO DA PALAVRA: 1. Pregação oral (apóstolos, evangelistas). Figuras de pessoas pregando. 2. Alguns evangelistas começam a escrever o que estão pregando. Figuras/desenhos de pessoas escrevendo. 3. Escritos agrupados em blocos separados: narrações da paixão, narrações de parábolas, narrações de milagres, narrações de infância, narrações de palavras de Jesus... 4. Os autores dos evangelhos pesquisam nessas fontes e pesquisam, também, entre eles. Figura de pessoas pesquisando... 5. Redação definitiva dos evangelhos. Figura representando os livros do Novo Testamento ou os evangelistas.

Meu Caminho com Jesus  

Livro para o catequista com dicas, orientações e sugestões para o desenvolvimento dos temas dos encontros.

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