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1 - CATÓLICOS, OU MELHOR, CRISTÃOS Um pároco vivia contando vantagens de sua paróquia, que era mais piedosa, que as crianças estudavam muito o catecismo, que a catequese era permanente, que não havia missa da juventude mais bonita na diocese, que os casais conheciam a Bíblia, que as pastorais se renovam etc. Por ocasião do dia do padroeiro, ele convidou para a pregação da festa um padre esperto, que sabia dos garganteios do colega. Por isso, iniciou o sermão contando o seguinte: Um dia, Deus mandou um anjo ao mundo para fazer um levantamento do progresso do catolicismo na Igreja. O anjo veio, avaliou as paróquias, depois voltou para o Céu e contou a Deus que 95% dos católicos são ignorantes e mentirosos... Deus, então, escreveu uma carta muito especial e a mandou só para aqueles 5% dos católicos menos ignorantes e menos mentirosos... Em seguida, o pregador pediu aos católicos que o ouviam: – Levantem o braço todos os que sabem o que estava escrito naquela carta... Ninguém levantou... Com sorriso irônico, o pregador concluiu: a carta era só para os católicos que não são ignorantes e mentirosos... Pois é, amigos! Há mais de dois mil anos, Deus Pai mandou seu Filho à terra para salvar os homens. Ele nasceu em Belém e seu nascimento rachou a História do mundo em Antes e Depois, dividiu a Bíblia em Antigo e Novo Testamento e tudo ficou zerado para começar tudo de novo. O Filho de Deus, porém, nem tinha completado três anos de trabalho na salvação dos homens, e estes O perseguiram, prenderam, torturaram, crucificaram e Ele morreu. Mas ressuscitou! Juntou seu grupinho de Apóstolos e os


mandou pelo mundo como missionários para repetir o que havia ensinado: e quem acreditasse, fosse batizado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Depois disso, voltou para o Céu. Passados dois mil anos, imagino Deus Pai chamar o Filho Jesus e dizer: - Desce à terra e vai saber o que os homens lembram hoje de tudo o que Você ensinou e fez. Começa pelo Brasil... - Acabo de chegar de lá, meu Pai – respondeu Jesus, e explicou: dos milhões de pessoas que atualmente ouvem minha Palavra nas igrejas, praças, estádios, ou através da mídia, o que mais lembram é o Batismo e fazem questão de ser batizados. Para eles, este sacramento é garantia de salvação para a vida eterna. Tanto assim que, todo o casal católico exige o Batismo para seus filhos como passaporte infalível para o Céu... e dizem que vai para o inferno quem leva culpa por deixar a criança morrer sem o sacramento. De fato, é difícil alguém no Brasil não ser batizado. Como o Senhor, meu Pai, sabe, orgulham-se de ser o maior país católico do mundo, mas a grande maioria deles pouco, ou nada, sabe de catolicismo. Nem lembram que foram batizados. E dos que lembram, garanto que nem sabem que foram batizados em nossos nomes: do Pai, do Filho e do Espírito Santo... - É, meu Filho, mas ao menos para os que lembram, nossos nomes no Brasil são conhecidos, até famosos, não são? - Nem tanto assim, meu Pai, nem tanto. O nome do Espírito é famoso, mas não é por causa do Batismo... - Como assim? - É! Deram este nome a um Estado: Espírito Santo! - Será que conhecem mais o Espírito Santo do que a nós? - Não, meu Pai, com certeza não, pois, como em outros países, o Espírito Santo é chamado “Deus Ignorado”, o que equivale a “Ilustre Desconhecido”. - Então os católicos brasileiros não gostam muito de nós? - Gostam, sim, mas parece que gostam mais de alguns


Santos. Gostam tanto deles que adotam seus nomes: são incontáveis, por exemplo, os brasileiros que se chamam José, João, Pedro, Manuel e tantos outros. Incontável, também, o número de mulheres que adotam o nome de minha Mãe: Maria Aparecida, Maria de Fátima, Maria de Lourdes e até o nome de minha avó Ana, e tantas outras santas. E por falar em nome de santo, meu Pai, o Estado mais bonito do Brasil é Rio de Janeiro. Lá existe um morro e sobre ele ergueram para mim uma grande estátua e a chamam de Cristo Redentor. Quem a vê, acha que sou o padroeiro daquele Estado, mas não sou não, Pai! O Padroeiro é São Sebastião! E mais: colado ao Rio, existe outro Estado. Dizem que é o mais rico do Brasil, mas não leva Seu nome, Pai, nem o meu! Leva o nome dum outro santo: São Paulo! - Mas não se admire não, Pai, porque em todo o Brasil existem inúmeras cidades e lugares com nomes de santos. E são muitas, muitíssimas as igrejas que também são de santos! Mas igrejas com nossos nomes, Pai, encontrei poucas! Existem também muitos times de futebol com nome de santos. Na capital de são Paulo, por exemplo, existem diversos grandes times. Uns fanáticos dizem que “o mais querido” leva nome de santo: São Paulo! Mas não é o mais querido não, pois escuta, Pai, o que escreveu Washington Olivetto: “... na verdade, o mais querido é o Corinthians, que tem nome inglês, fica perto da Portuguesa e foi fundado por italianos, igualzinho ao seu inimigo de estimação, o Palmeiras”. Mas acredita, meu Pai, também este, o Corinthians, campeão paulista e brasileiro tantas vezes, tem como padroeiro um santo: São Jorge! - E os homens, para quem criei o mundo e todas as riquezas que nele existem, e mandei crescerem e se multiplicarem, como vão?


- Ah! Meu Pai! No Brasil os pobres vão se multiplicando cada dia mais e ficando cada vez mais pobres... Os ricos, cada vez mais ricos. E, em Brasília, a maioria dos políticos continua roubando cada vez mais, sempre impunes e mais corruptos! - O quê!? Esqueceram de minha ordem de viverem na igualdade de filhos de Deus, criados à minha imagem e semelhança, com direitos e deveres iguais? - Ora, meu Pai! A lei que praticam é a do egoísmo, baseados numa tal “lei do Gerson”, nome dum jogador de futebol que, por sinal, não era nada egoísta. - Então meu povo é pobre? – perguntou o Pai Criador. - Pobre e, como disse, cada vez mais pobre... - E o que eles pensam de mim? - Muitos já perderam a esperança de ajuda e outros começam a pensar que o Senhor, meu Pai, é... caloteiro. - O quê?! - É isso, Pai. No Brasil, quando alguém deve alguma coisa a alguém e não tem intenção de pagar, costuma dizer: Deus lhe pague... Os pobres dizem que o Senhor não paga ninguém, por isso o chamam de... caloteiro. Então Deus Pai chamou o Espírito Santo e lhe fez sinal que viesse ao Brasil, chamasse o Papa, reunisse os representantes dos bispos e desse umas aulas especiais. Foi a 5ª Conferência Geral dos bispos LatinoAmericanos e do Caribe, em Aparecida do Norte (SP), de 13 a 31 de maio de 2007. E lá, segundo o bispo dom Angélico Sândalo Bernardino, “Espírito Santo deu um voo rasante sobre os bispos”. Estes logo entenderam que “A grande maioria dos católicos do Brasil foram batizados, mas não evangelizados”. Essa história de sacramentar sem evangelizar vem de longe, desde o Descobrimento. Agora, graças ao “voo rasante”, sabemos oficialmente que ser apenas católico não basta. Aliás, se puxarmos pela memória, haveremos de lembrar que Deus nos mandou muitos profetas. Ou não os ouvimos,


ou não os reconhecemos. Seguimos evangelizando do nosso jeito. O arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, afirma: “Hoje constatamos, infelizmente, que a grande maioria dos católicos foi apenas batizada, mas não evangelizada”. Batizar apenas e, depois, deixar o cristão por conta de uma evangelização ‘genérica’ é insuficiente. É como semear um campo e, depois, abandoná-lo a si mesmo; não dá para esperar muito fruto; é também como plantar um jardim e não zelar por ele: dá para esperar flor bonita e abundante?” É o jeito sério de evangelizar. Assim o batizado vai conhecer e viver aquele que Dom Odilo Scherer define como o jeito cristão de viver, e diz: ... “o jeito próprio da vivência cristã, a mística cristã. Assim, durante a vida inteira, o cristão está ‘na escola do Evangelho’ e vai aprendendo a ser fiel a Jesus, seguindo-o no caminho dele; mesmo no extremo da vida, diante da morte, pois também há um jeito cristão de ficar doente e de morrer...” Porque nos foi mais fácil o jeito de ser missionário sem ser discípulo comprometido em zelar pelo que se plantou, os batizados pegaram o jeito de ser mais católicos que cristãos. Com certeza, não é esse jeito que Jesus espera de nós para viver e anunciar o evangelho. Por isso, Deus Pai mandou o Espírito Santo com o “voo rasante” que veremos logo mais. Agora, no estudo e reflexão do Documento de Aparecida que os bispos nos passaram, cada um de nós pode repetir o que escreveu Thiago de Melo: “Não tenho um caminho novo. O que eu tenho de novo é um jeito de caminhar”. Este caminho novo nos levará a entender que não fomos batizados para ser católicos, mas, sobretudo, cristãos...


2 - A HISTÓRIA DO DEUS LHE PAGUE ... é história para boi dormir, ou melhor: essa de Deus lhe pague, é história de católico acomodado que continua dormindo, à espera que Deus Pai venha pagar. Ora, ora! Deus não nos deve nada. Nós é que Lhe somos devedores por termos sido criados, batizados em Seu nome, e achamos que somos católicos do Seu agrado só porque vamos a algumas missas e somos devotos de algum santo! A propósito: Há católico tão ligado ao seu santo que corre o risco de ser levado a crer que foi ele, o santo, quem Deus mandou do Céu para salvá-lo e morrer na cruz! Já vi, na festa do padroeiro São Sebastião de minha paróquia, católicos encrencando com o pároco por quererem cada um que seu outro santo abrisse a procissão... Uma vez por ano, se juntam todas as procissões, cada uma com seu santo, para a grande procissão de Jesus Morto, na sexta-feira santa. Aí todos ficam felizes! Não parece ironia? Menos irônico seria se, uma vez por semana, aos domingos, os católicos dessem folga aos santos de suas devoções e se unissem ao pároco e, na missa, renovassem o agradecimento a Deus Pai por nos ter mandado seu Filho que morreu na cruz para nos salvar, após tantas lições que deixou... E nós, católicos ignorantes, somos capazes de benzernos ao passar a cruz e, tristemente, não vermos aí perto a criança que fugia enxotada da padaria como mosca porque pediu mais um pedaço de pão... Ou passamos diante da casa do vizinho pobre que há anos sofre em seu leito... Isso porque nem sabemos que crianças e pobres fazem parte das cinco categorias sociais a quem Jesus mais amou na Palestina e que nunca esqueceu, nem esquece até hoje.


(Também deles, através dos Bispos em Aparecida, o Espírito Santo nos falou; conversaremos mais adiante). Amigos, se isso pode servir de isca para que sigam na leitura, trago-lhes esta lembrança: Muito oportuna a propaganda que circulou na TV, em 2010, em favor da campanha “Criança Esperança”: Mostrava a mãe passeando de carro pela rua com a filhinha, quando esta apontou para uma garotinha na calçada revolvendo o lixo, e pergunta à mãe: “Olha mãe, por que a criança está mexendo no lixo?” A TV mostra a mãe olhando para onde a filha estava indicando e, nada vendo, responde: “Aqui não tem nenhuma criança, só você”. Milhões de crianças do maior país católico do mundo passando fome, mas, para o católico mais ou menos, aqui não existem crianças, apenas a sua... Para ver certas coisas de Deus, é preciso olhar com olhos de criança. Católicos mais ou menos veem cada vez menos. Convém aqui lembrar também um festival de cinema na Alemanha, onde, por voto popular, foi vencedor um curtametragem de 8 minutos: Seu nome: “Frango Assado”. Enredo: duas jovens entram num restaurante, ocupam a mesa, são atendidas e lá vem o garçom com um frango assado. Bem alimentadas, sobram uns pedaços do frango nos pratos que o garçom joga no lixo. Em seguida, o filme mostra um pobre operário que volta do trabalho, passa pelo lixo, cata os restos do frango, chega a casa, entrega-os à esposa que os divide nos cinco pratos: para os três filhinhos, para ela, para o marido. E este, quando todos chegam à mesa, os convida para uma oração de agradecimento a Deus pelo frango assado... Psiu, amigos, o que vocês fariam se fossem pais de filhos, uns ricos, outros mendigos, morrendo de fome? O que faria se visse seus filhos vivendo tão igualmente desiguais? Uns


ricos, ignorando os irmãos pobres e mentindo que de nada sabem, o que vocês fariam. Por amor aos filhos famintos, vocês, após tantas advertências inúteis, não castigariam os filhos maus? Pois até Deus Pai fez isso, não lembram? Não lembram quando, cansado de ver maldade no mundo antigo, se arrependeu de ter criado aqueles filhos e, após botar a salvo uma família de bons filhos, mandou o dilúvio para matar o resto? Desta vez, Deus Pai nos mandou seu Filho. Ele veio, se fez Pastor das ovelhas perdidas (Mt 15, 24)... As chama pelo nome e o que mais quer é que elas O conheçam. E mais de dois mil anos após, mandou o Espírito Santo para nos dar o curso de aulas especiais de Aparecida. Ao invés de esperar que Deus nos pague, lembremos dessa nossa outra dívida para com Ele: o “voo rasante do Espírito Santo que, entre tantas lições, quer que aprendamos esta: o Salvador é um só: Jesus Cristo. Precisamos saber mais coisas Dele... mais de quantas sabemos de nossos melhores amigos para amá-lo acima de todos. Ao invés disso, que pena! De tantas coisas sabemos muito, Dele sabemos muito pouco. Fiz um teste sobre Jesus: entre 40 crismandos... 18 não souberam dizer como Ele morreu...

Católicos mais ou menos, veem cada vez menos


3 - OS BISPOS VÃO À ESCOLA Reuniram-se, então, os representantes do Episcopado Latino-Americano e Caribe em Aparecida do Norte (SP). Quanta saudade me traz o Santuário de Aparecida do Norte nos 40 anos de cadeirante! Num daqueles anos estive lá para uma assembleia de jovens que foi anunciada assim: Encontro com Cristo na Casa de sua Mãe. Como sempre deu e dá tudo certo o que é programado na Casa da Mãe, tinha tudo para dar certo também nessa V Conferência Geral. Senão vejam: Para a aula inaugural, o Espírito Santo encarregou o Papa Bento XVI com a missa e o assunto da homilia. Essa tratou da despedida de Jesus dos apóstolos e o mandato missionário de partirem no ensino do evangelho. E Ele partiu para o céu, garantindo: “Vou e volto a vós” (Jo 14,28). Aí o papa comentou: “Entre a ida e a volta de Cristo está o tempo da Igreja, que é seu Corpo, estão esses dois mil anos transcorridos até agora; estão também estes pouco mais de cinco séculos em que a Igreja se fez peregrina nas Américas, difundindo nos fiéis a vida de Cristo através dos Sacramentos e lançando nesta terra a boa semente do Evangelho, que rendeu trinta, sessenta e até mesmo o cem por um”. - “Cem por um”? Será que o papa não foi generoso? - Ora, ora! Se você entender aqui áreas onde a boa semente do Evangelho foi semeada, estas que renderam “cem por um” foram poucas, pouquíssimas... E mais: de modo geral, na sua missão de difundir nos fiéis a vida de Cristo através dos Sacramentos, a Igreja teve melhor resultado na difusão dos sacramentos, do que no ensino da Vida de Cristo. Por isso, nestes séculos, ela foi o que é: mais católica que cristã. “Cem por um” a Igreja rendeu, isso sim, na quantidade de Santos e Beatos, conhecidos e desconhecidos que viveram e tantos outros que vivem o evangelho neste Continente. Continente que, se no passado foi chamado da Esperança,


meus 40 anos, brinca com fina ironia: “Acho que é por isso que Jesus não cura muitos de nós hoje, pois, se o fizesse, alguns de Seus atuais pregadores perderiam o emprego...” A 5ª Conferência lembra: “Cristo enviou seus apóstolos a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos, verdadeiras catedrais do encontro com o Senhor Jesus”. (407) E tão bem pregaram com palavras e com o sangue que, já nas primeiras comunidades cristãs, os primeiros bispos e padres tiveram um cuidado especial com os doentes. Foi meditando sobre o cuidado da Igreja pela pastoral dos enfermos desde os primeiros tempos que são Camilo de Lelis disse: “Os doentes que assistimos um dia nos levarão a contemplar a face de Deus”. Amigos, pergunto-lhes: – Por que em tantas comunidades católicas de hoje, a pastoral dos enfermos anda... enferma? Não posso seguir nesta reflexão sobre o quanto Jesus gosta de nós, sem antes fazer um pedido aos demais padroeiros da saúde e a todos os santos: Que nos desculpem eles no Céu por este nosso tipo de espiritualidade de, às vezes, parecer que nos esquecemos de lhes pedir proteção e vamos diretamente ao tribunal de instância superior: vamos a Jesus, Amigo de todas as horas. É que, às vezes, são tantas e superiores e tão graves nossas necessidades de doentes e de pessoas com deficiência que só Ele pode dar jeito. Outra razão para justificar essa nossa espiritualidade de procurar diretamente nosso Amigo, é esta frase de Kim Hubbard: “Amigo é aquele que sabe tudo a seu respeito, e, mesmo assim, ainda gosta de você”. Visto, porém, que Ele não quer comparecer fisicamente para nos ajudar, costuma fingir-se na pessoa de alguém que O está procurando... Às vezes se esconde até na pessoa dum amigo nosso, ou num desses católicos mais ou menos. Escutem a história que aconteceu com Jesus na Palestina: leva muito católico a se tornar Seu discípulo e missionário.


UM ALEIJADO... PIOR QUE EU Porque, mesmo ouvindo falar de Jesus que andava pela Palestina, teimava em não acreditar Nele. Por sorte, o teimoso tinha uns amigos e, como diz a Bíblia, quem tem um amigo, tem um tesouro. Pois ele tinha quatro, muito especiais, porque, além de amigos, foram... agentes da Pastoral da Saúde. Vejamos: Certa vez, Cristo fez com que os quatro se juntassem (como isso acontece não sei mas são coisas de Quem gosta de seus amigos sofredores), e eis o que aconteceu. Quem conta é Marcos, mas porque o acontecimento é muito importante, também Mateus (9,1-8) e Lucas (5,17-26) o narram. Com base nos três evangelistas, gosto de contá-lo assim: Os quatro amigos chegaram apressados à casa do paralítico, entraram no seu quarto quase gritando: nós ouvimos falar dum tal de Jesus que anda por aí curando todo mundo. Amanhã Ele estará em nossa cidade e decidimos trazê-Lo aqui para curar você! O aleijado não se alegrou, nem mostrou entusiasmo na espera de Jesus porque, provavelmente, já não tinha esperança de cura; mas, para não desagradar aos amigos, concordou que O fossem buscar. No dia seguinte foram procurá-Lo na casa de Pedro. Mas Jesus estava muito ocupado atendendo a muitos doentes e aleijados e viram que era impossível chegar até Ele... Mas amigo de verdade não vê só o problema, busca a solução e decidiram: já que não podemos levar Jesus ao amigo, vamos levar o amigo a Jesus! Foram à casa do aleijado dizendo: Jesus não pode vir, então vamos levar você até Ele. O aleijado resmungou: - Não, não vou! Se o tal de Jesus não pode vir até aqui, é sinal que é vontade de Deus que eu não ande mais. - Que vontade de Deus, que nada! Vamos levar você lá. - Não, não, não vou! É muito longe! Para amigo de verdade longe é lugar que não existe. Amarraram o fulano na cama e saíram com cama e tudo


por aí. Passaram por ruas, praças e lá adiante viram uma casa cercada por muita gente. Isso acontecia em toda a casa onde estava Jesus. Recebendo e dando cotoveladas, chegaram lá. Mas que pena! Eis aí mais um problema: a porta é estreita, a cama não passa! Mas os quatro eram ótimos! Um ficou aí cuidando do aleijado, outro foi comprar cordas, e os outros dois subiram e destelharam a casa, deixando um buraco bem em cima onde Jesus estava pregando e curando. E vejam o que os quatro fizeram: amarradas as cordas nos cantos do leito, puxaram o amigo para cima do telhado e o desceram bem na frente de Jesus! O resmungão, assustado, se viu diante do Mestre e nem sabia o que dizer; mas não precisou dizer nada. Nosso Amigo, encantado com o trabalho dos quatro, olhou para cima, viu seus rostos confiantes e lhes sorriu. Vendo a fé que eles tinham, disse ao paralítico: “Filho, os seus pecados estão perdoados”. Depois, sabendo que os quatro tinham feito sua parte, Jesus fez a sua e disse ao paralítico: “Eu te ordeno, levanta-te, pega tua cama e vai para casa”. Foi o que fez o ex-colega: levantou-se, pegou a maca e saiu andando para casa. O povo, admiradíssimo, disse: “Nunca vimos coisa semelhante”. E os evangelistas arrematam, repetindo: Foi pela fé e confiança dos quatro que Jesus curou o amigo deles. Como devem ter gostado os quatro amigos de serem olhados pelo nosso Amigo com aquele olhar diferente! Esta 5ª Conferência, além de reforçar a opção preferencial pelos pobres, lembra: “Cristo enviou seus apóstolos a pregar o Reino de Deus e a curar os enfermos, verdadeiras catedrais do encontro com o Senhor Jesus” (417). E diz também: “A Igreja tem feito opção pela vida. Esta nos projeta necessariamente para as periferias mais profundas da existência: o nascer e o morrer. A criança, o idoso, o sadio e o enfermo”. “Desde o início da evangelização este duplo mandato se


tem cumprido. O combate à enfermidade tem como finalidade conseguir a harmonia física, psíquica, social e espiritual para o cumprimento da missão recebida. A Pastoral da Saúde é a resposta às grandes interrogações da vida, como o sofrimento e a morte, à luz da morte e ressurreição do Senhor”. (418). E por falar em resposta às grandes interrogações, eis a insistente interrogação de muitos enfermos em algumas comunidades: Por que a Pastoral da Saúde aqui anda enferma?

CRISTO SE FINGE DE POBRE Não fingiu que era pobre quando, para nascer, precisou que alguém lhe emprestasse um curral... nem quando, para ser sepultado alguém precisou emprestar-lhe um túmulo. Nem fingiu quando disse que “não tinha uma pedra onde reclinar a cabeça” (Mt 8,20). Enquanto viveu na Palestina não fingiu: era pobre e os pobres foram seus grandes amigos. Foi tão amigo deles que, ao se apresentar como verdadeiro Messias na sinagoga de sua terra, fez isso: abriu a Bíblia e leu o que dele escrevera Isaías (61,1s): “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu, enviou-me para anunciar sua boa nova aos pobres” (Lc 4, 17-18). De fato, anunciar o evangelho aos pobres foi o que fez a vida toda; e depois, antes de voltar para o Pai, mandou que os apóstolos fizessem o mesmo, não foi? E eles tão bem pregaram com palavras e com o sangue que os primeiros bispos e padres das antigas comunidades cristãs tiveram sempre muito cuidado com estes amigos especiais de Jesus. Escutem o sermão dum deles:

Os cavalos de vocês mordem freios de ouro e os pobres não têm o que comer! Um bispo daqueles tempos, chamado Gregório, além de santo de altar, tinha um extraordinário dom de pregador. Todo


mundo da cidade, sobretudo os intelectuais e ricos, faziam questão de ir à sua missa para ouvir o sermão. Num domingo de manhã, antes da missa, ele deu uma volta na praça da igreja e se deteve aqui e ali, vendo as belas carruagens, os elegantes cavalos com vistosos arreios, mordendo freios de ouro. (Sim, amigos: vejam a que ponto chegou a esnobação: mandavam fazer freios de ouro!). Vendo isso, o bispo São Gregório entrou pensativo na igreja e começou a missa. Lá nos primeiros bancos estavam os cavalheiros de sempre, ricamente vestidos, e as madames esnobando ouro e jóias de todo tipo, brincos, colares, braceletes. Mais para os cantos da igreja, viu uns pobres, quem sabe até alguma pessoa com deficiência. Aí, na hora do esperado sermão, falou de Jesus Cristo e de seu amor pelos pobres e concluiu avisando: Minha missa no próximo domingo será só para os ricos. Digam a todos eles que os espero aqui na igreja, neste mesmo horário. Os pobres, doentes e pessoas com deficiência que me desculpem: digam-lhes que não haverá lugar para eles aqui. No domingo aumentou o número das carruagens na praça e a esnobação de todo mundo na igreja. Na hora do tão aguardado sermão, o bispo falou da desigualdade social e dos perigos das riquezas para o bem espiritual e avisou: Enquanto os cavalos de vocês mordem freios de ouro, os pobres não têm o que comer. E terminou o sermão afirmando o que costumava repetir aos cristãos: Se vocês querem entrar no céu, façam aqui na terra amizade com os pobres porque eles serão os porteiros de vocês na entrada do céu... Na 3ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano em Puebla (México), aconteceu o seguinte: Antes do encerramento, o Espírito Santo marcou para os bispos mais um dia de estudo sobre o assunto “Pobreza”. Obedientes, dividiram-se em grupos e foram estudar. Após


intensas reuniões, à noitinha, juntaram todas as comissões em conferência plenária, para... conferir: falaram, discutiram, propuseram, e nenhuma proposta ganhou votação suficiente para ser aprovada. Foi sinal bastante de que nem o Espírito Santo estava contente. Por isso inspirou-lhes mais um dia de estudo. Assunto da pauta: “Pobreza”. Naquela noite, o Espírito convocou uns bispos, de espírito mais pobre, e os reuniu para elaborar uma declaração sobre a “pobreza”. Estes oraram, estudaram, conversaram, questionaram e, por fim, já na madrugada, escreveram umas páginas. Estas foram lidas na conferência plenária do dia seguinte, palavra por palavra, linha por linha. Em seguida, a declaração foi votada, aprovada, assinada e até hoje considerada um documento muito importante da Igreja: é a tal de “Opção preferencial pelos pobres...” Sabedor das circunstâncias em que o tal documento foi elaborado e da grande aprovação obtida, um repórter entrevistou um daqueles bispos que liderou o grupinho da madrugada, e este se limitou a dizer com humildade e graça: “Foi obra do Espírito Santo que, naquela madrugada, entrou na Igreja pela janela”.. Foi tão importante a entrada naquela janela que, tratando do assunto “pobreza”, a Conferência de Aparecida traz dúzias de citações daquela. E como naquela ocasião, de Bíblia e História na mão, também nesta chama a atenção dos discípulos e missionários para a opção preferencial pelos pobres. E no encerramento de Aparecida, os bispos trazem esta recomendação do próprio papa Bento XVI: “Mas se as pessoas encontradas estão em situação de pobreza, é necessário ajudá-las, como faziam as primeiras comunidades cristãs, praticando a solidariedade, para que se sintam amadas de verdade. O povo pobre das periferias urbanas ou do campo precisa sentir a proximidade da Igreja”... “Os pobres são os destinatários privilegiados do Evangelho, e um Bispo, modelado segundo a imagem do Bom Pastor, deve estar particularmente atento para oferecer o divino


bálsamo da fé, sem descuidar o pão material”. (550). Sempre, em todos os tempos, o Espírito Santo tem mostrado particular interesse em que a Igreja de Cristo tenha um cuidado especial para com os pobres. Disto a História é rica de acontecimentos, testemunhos, congregações religiosas... Vejam como Ele fez nascer na Igreja a Congregação Religiosa do Amor Misericordioso: Desde o primeiro ano de casamento, Rosane e eu vivemos com um olho no que gastamos no dia a dia e o outro no que recebemos com nosso trabalho. Já antes do casamento sabíamos que haveria de ser assim, pois, se para gente fisicamente perfeita é difícil arranjar trabalho, imaginem para um casal de pessoas gravemente deficientes... Portanto, com relação a dinheiro, a lei sempre foi, é e será esta: não gastar mais do que ganhamos. Quando, eventualmente, fechamos o mês sorrindo pela possibilidade de engordar a poupança, lá vem algum pedido de ajuda urgente e lá se vai o sorriso. Não demorou a entendermos que é o Senhor Jesus que se finge e nos visita para pedir alguma ajuda. É só mostrar generosidade e o sorriso volta. Pois bem, quando iniciamos essa experiência, fomos procurados em casa por dois sacerdotes: Cláudio, italiano, e Armando, espanhol: ambos humildes, simpáticos e, sobretudo, muito serviçais... Tanto assim que, após o almoço, insistiram em lavar os pratos! Logo no início da conversa, enquanto os ouvia, me perguntava admirado: – O que levou os dois padres a deixarem seus países e virem para o Brasil? Seriam diocesanos ou membros de alguma congregação religiosa? Era evidente neles algum carisma e era sobre isso que pensava entrevistá-los, mas entendi que o que eles tinham a nos dizer era mais importante. De fato, nos contaram a história duma jovem espanhola, de nome Esperança, que tentou entrar para um convento, mas, logo depois, saiu de lá contando esta história:


Eu, quando moça, entrei para um convento e lá, uma de minhas funções diárias era levar um prato de comida para uns pobres que vinham à portaria. Quando, faltava um mês para a festa de Natal, tive um forte desejo de, no dia da festa, dar de comer a um bom número de pobres. Não era fácil dizer isso à Superiora, mas tentei: – Superiora, penso que seria bom, durante as festas de Natal, dar de comer a todos os pobres que quisessem vir a esta nossa casa... Disse-me que ia pensar no assunto. Passaram uns dias e ela nada me respondeu. Faltavam só três ou quatro dias para Natal. Tornei a fazer o pedido e ela me perguntou: De quanto dinheiro dispões para comprar o necessário para dar de comer a estes pobres? Respondi: Só 300 pesetas. E ela: Compre o que puder com esse dinheiro e guarde na dispensa, separado, sem misturar com a nossa comida, e cuidado de não pegar nada do que é nosso para dar aos pobres. A jovem freira Esperança, segue contando: Passei o dia, pensando o que podia comprar com apenas 300 pesetas... Acabei comprando um pedaço de carne, uma lata de óleo e algumas frutas; tudo isso não bastaria para mais de duas ou três pessoas. Chegou o Natal. De maneira misteriosa, desde cedinho, diante da casa se formou uma fila de pobres de que não se via o fim. Assustada, a Superiora me chamou e disse: Madre Esperança, vem ver: –Todos estes são pobres? – Acho que sim. – E quem os chamou? – Eu não, Superiora: deve ter sido Jesus. Com grande fé e confiança, fui à capela e disse a Jesus: aqui na terra, quem convida paga. Comovida, Esperança conta: Jesus foi tão generoso que, depois de ter dado de comer a todos aqueles pobres, por mais dois ou três meses, tínhamos de sobra óleo, carne e fruta. Mas aí, disse a freira, surgiu um problema: onde acomodar todos aqueles pobres que, entre homens e mulheres, eram mais de 400? Por fim, de acordo com a Superiora, decidimos levá-los a um salão que havia na casa. Estavam todos


comendo tranquilamente, quando chegou a presidenta do grupo da “Liga das Senhoras Católicas” e diretora do salão. Muito contrariada, me perguntou: – Quem lhe deu licença de fazer entrar toda essa gente e sujar o salão? – Não, senhora, não vieram para sujar, mas para comer, porque hoje é Natal também para eles . – Presta atenção, Esperança: nunca mais tragas essa gente aqui. Podes fazer isso quando a casa for tua. E partiu. Voltei para a capela e ouvi o bom Jesus me dizer: Esperança, onde não podem entrar os pobres, nem tu deves entrar. É bom que deixes esta casa. – Mas, Jesus, para onde devo ir? Pois bem, amigos, neste ponto da história, Cláudio e Armando disseram que o Senhor Jesus orientou Esperança a deixar o convento e fundar uma congregação de padres e freiras para trabalharem com opção preferência pelos pobres. - Que Congregação é essa? – perguntei. Com visível satisfação, responderam quase juntos: - A nossa! E se chama: Congregação do Amor Misericordioso. E fomos mandados por Deus para fundar esta Congregação no Brasil. Mas não conhecemos quase ninguém e ninguém conhece nossa Fundadora. Então vimos procurar vocês para que escrevam a vida da Madre Esperança e da Congregação, pois precisamos divulgar sua Congregação no Brasil... Escrevemos o livro com um computador emprestado. Nunca esquecemos o que nos disseram no lançamento do livro em Mogi das Cruzes (SP), ou seja: Madre Esperança, já no leito de morte, garantiu a seus padres que nunca haverá de esquecer no Céu a quem na terra ajudar a divulgar a Congregação do Amor Misericordioso. E dessa ajuda, Rosane e eu somos testemunhas. Madre Esperança faleceu em 08 de fevereiro de 1983. Corre no vaticano seu processo de canonização. - Pobres? - Sim, amigos. É com eles que podemos exercer o dom da


misericórdia, se quisermos, depois, que o Amor Misericordioso de Deus permita que os porteiros nos abram a porta do Céu... - Porteiros? - Sim. Se lhes disserem que as chaves do Céu estão na mão de São Pedro, saibam: os porteiros são os pobres. Portanto, faça amizade com alguns deles na terra que, conforme o próprio Jesus garantiu: “Pobres vocês sempre terão, e poderão socorrê-los quando quiserem” (Mc 14,7).

JESUS E AS MULHERES O Antigo Testamento da Bíblia é realmente um... testamento da escravidão da mulher. Ela vivia inteiramente submetida ao poder e domínio do homem. De fato, na lista dos bens do marido, juntamente com a casa, o jumento, a vaca, constava também a mulher e ele podia usá-la quando e como quisesse. E ela devia chamá-lo com o título de “senhor”, com que se invocava a Jeová (Deus) (Gn18-12). Quando o pai queria casar o filho escolhia a mulher e, além dela, tinha direito de receber um dote, ou seja, um conjunto de bens que, normalmente, eram considerados de maior valor que a esposa. Após certo tempo de uso, o homem podia repudiá-la quando quisesse (Dt 24,1ss), mas ela nunca podia pedir o divórcio. Enfim, além de ser a empregada da casa, na lavoura e no pastoreio, para qualquer outro trabalho pesado era ela quem devia dar duro: sempre ela, a mulher. Era mais ou menos essa a condição da mulher na chegada do Messias Jesus ao mundo. É o caso de se perguntar: – Onde teria nascido tamanha discriminação? Ora, ora! A Bíblia não se inicia em Gn 1,27, afirmando que Deus criou o homem e a mulher, abençoando a ambos para serem felizes? Por que, então, tamanha escravidão da mulher pelo homem? Seria devido à culpa da tal fatídica maçã, o pecado de ter oferecido ao marido o fruto da árvore proibida, de que fala Gn 3,17?


APÊNDICE NECESSÁRIO

40 ANOS DE CADEIRANTE Nós, pessoas com deficiência, sobretudo física, facilmente somos levados a pensar na falta que nos faz a perna que não temos mais, o pedaço de braço perdido, ou o órgão do corpo que, ao faltar, não nos deixou mais... inteiros. Mais adiante falarei de Rosane e do pedaço que lhe falta. A mim, o que não me deixa inteiro é a medula. Foi traumatizada num acidente e me deixou paraplégico. A propósito, amigos, vejam como cabe bem esta estória adaptada para o meu caso: Era uma vez uma roda que vivia rodando velozmente pelo mundo, sem nenhum objetivo, apenas pelo prazer de rodar. Certa vez, na doida corrida, chocou-se contra uma pedra e um pedaço da roda se soltou. Ela se achou desgraçada pelo pedaço que lhe faltava, e quase desesperou. Por fim, reuniu as forças restantes e tentou rodar de novo: saiu manquitolando devagar, mas agora tinha um objetivo: encontrar algum pedaço de roda que se encaixasse nela e pudesse rodar, sem tanto sofrer. Rodou, assim, por vários lugares por onde já tinha rodado, e só agora se encantou com panoramas lindos que, devido à grande velocidade de antes, não tivera tempo de ver: foi admirando as flores à beira da estrada, as cascatas no pé da serra e, lá longe, no horizonte, o nascer do sol. E assim, devagar, foi rodando feliz, até que, um dia, encontrou alguma coisa que se encaixou nela e... voltou a rodar muito velozmente, sem ver mais nada, só a estrada. Um dia, teve saudade do sol. Pois é, amigos, antes de perder um pedaço de mim, eu era um jovem padre, jornalista e redator da revista dum instituto missionário. Gostava do que fazia, mas, confesso, gostava muitíssimo de viajar. Num entardecer chuvoso, na rodovia São Paulo-Santos, o


carro rodopiou e, quem entardeceu, fui eu: responsável pelo acidente, ou não, acordei no hospital uns dias depois. Logo entendi que, agora, quem entardeceu fui eu. Lá longe, há 40 anos atrás, ficaram minha juventude, muitos sonhos e minha medula. Num instante, fiquei velhinho triste, encolhido numa cadeira de rodas. Tinha só 33 anos! Após vários meses, o Dr. Luiz Alves Ferreira falou em me dar alta do hospital. O medo de retomar à vida como paraplégico quase me levou ao desespero. Pensei fazer com Deus este negócio: quando chegar a hora da morte de um de meus colegas padres de ordenação, faça, meu Pai, que eu seja o primeiro da lista. Consultei para isso o diretor espiritual, padre Maurício Curi, que pensou um instante e me falou com caridade: Você não está preparado para morrer. E me mandou viver, rodando... Não foi fácil, sobretudo no primeiro ano. Algumas vezes, diante de certos problemas, emburrei com os homens e até com Deus. Cheguei quase a pensar como o jovem Tom, de 24 anos, que sabia ir morrer daí a semanas e imaginou Deus “um domador de animais que, segurando o chicote, diz: Vamos, pule! Dou-lhe três dias... Três semanas...”. No meu caso, já lá vão 40 anos! O Senhor Jesus já me deu todo esse tempo e ainda... não me domou. Mandou-me muitos recados pelas estradas da vida, uns bem humorados, como este: Dirija com cuidado sua cadeira, pois você ainda não está preparado para vir a mim... Malgrado os cuidados, Ele sabe que já gastei umas 25! E sigo na vida de cadeirante. Nas primeiras rodanças não me dei bem. Acho que foi pela falta de objetivo. Não sabia o que fazer na vida e tinha impressão que as pessoas não sabiam o que fazer de mim. Foi ruim. Pior foi quando vi que, para umas pessoas, isso não era só impressão... Na sala ao lado de meu quarto se editava a revista da qual fora responsável. Ouvia o digitar das antigas máquinas de escrever, e agora eu não era convidado nem para ser datilógrafo. Então me perguntava: será que minha paraplegia


se fez piedade e por isso querem me poupar de algum trabalho? Seria piedade, ou o preconceito? Comecei a desconfiar que aquela pode levar a este. E dentro de mim, então, desabafava: “Desta piedade impiedosa livra-me Deus!” E me livrou... Vão saber como: Certo dia, padre Zezinho SCJ me visitou e disse que eu devia escrever um livro e contar minha nova vida de paraplégico. Falei disso a uns amigos, e um deles me animou: É fácil; basta sentar numa cadeira perto da mesa e escrever... Para mim foi ainda mais fácil, pois sentado eu já estava há quase um ano. Rodei até a mesa e escrevi Deus Mora na Contramão. Seu número de edições me fez pecar de orgulho: era escritor. Foram os leitores que me fizeram tal. Se não foi difícil escrevê-lo, não foi fácil, depois, rodar pelo Brasil, chamado pela editora, para dar palestras sobre esse tal Deus que mora na contramão. O primeiro convite foi do bispo Walfredo Teppe, OFM, já falecido. Chamou-me para animar os jovens num encontrão diocesano, e voltei de lá animado! Foi a cadeira de rodas, tantas vezes por mim execrada, que me possibilitou a viagem. Comecei a gostar tanto dela que (sem ironia), no final desta primeira missão, deixei-a lá, como presente a um santo sacerdote, idoso, que morava com o bispo e não podia mais andar. Sem ela fui carregado para o aeroporto e aí ganhei outra. Ao chegar a casa olhei no mapa onde estivera e me assustei ao ver a distância para onde me levara a cadeira: Ilhéus, Bahia! Tive até vontade de fixar uma estrelinha no mapa para sinalizar aquela cidade. Se o tivesse feito após todas as demais por onde rodei nos 40 anos, meu mapa hoje pareceria um pedacinho de céu estrelado. Os convites não faltavam. Se me disserem que eram devido ao sucesso do livro, responderei que tantas vezes o sucesso do escritor depende do bom empresário, e o meu


é incomparavelmente o melhor: o Espírito Santo. Se me disserem que era bom palestrante, direi que, como tal até que me saía bem, na época. Os assuntos que me davam para tratar não mudavam muito: eram temas de encontros de casais, de jovens, muitos tríduos, novenas, festas de padroeiros. Alguns anos depois, isso começou a me intrigar. Até que um dia, numa palestra, em Curitiba (PR), vi um cadeirante na plateia. Na hora dos autógrafos, fui até ele. Não tivemos muito tempo para falar, mas quando dois cadeirantes se encontram, muita coisa nem precisa ser dita. Convidou-me para visitar sua associação de pessoas portadoras de deficiência. Fui. Não sei porquê, senti que precisava sair do meio de tanta gente fisicamente perfeita... Fui e me senti igual a eles: cada um com seu problema pelo pedaço que lhe faltava A cadeira de rodas era a solução para quase todos. Pena que alguns não a encaravam da mesma forma. Para eles, ela era apenas uma cruz. Para outros, mesmo não deixando de ser cruz, era importante meio de locomoção. Estes eram mais receptivos, bem humorados. Este pensamento me retardou o sono daquela noite, e concluí: A cruz sem o Cristo é mais pesada. Com o Crucificado, nem tanto. Esta visita à Associação de Pessoas Deficientes de Curitiba (PR) me fez muito bem e decidi: em todas as cidades aonde fosse chamado, não partiria de lá sem saber da existência de alguma associação destes colegas e sem visitá-los. E cumpri o prometido. Ao trocarmos experiências, falava-lhes de nossas cruzes, sem nunca esquecer o Crucificado. Nestas associações, fiquei sabendo que, dentre as coisas que estão na contramão das pessoas portadoras de deficiência, está o catolicismo. E cada vez mais me convenço de que precisamos aprender a ser católicos. O caminho é ser cristão. Gostaria que o padre Maurício Curi soubesse que estou nessa cadeira há 40 anos. Passei mais tempo nela do que


sobre as pernas. A quilometragem rodada é maior que a andada, com certeza. E Deus sabe que, pela Rosane que me deu, esposa, amiga, companheira e cúmplice, se for de Sua Vontade que viva mais 40, é minha vontade também. Gostei do que escreveu Eddin Attar: “Durante 30 anos caminhei em busca de Deus. Quando no final destes anos abri os olhos, percebi que era Ele quem me buscava”. Eu estou vivendo os 40 anos de missionário e, pela V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe e pelo Espírito Santo, estou me abrindo para o cristianismo. Pensando na culpa de Adão e Eva que nos proporcionou conhecer Cristo, Santo Agostinho exclamou: “Ó feliz culpa!”. Eu, se é por minha culpa que estou na cadeira de rodas, posso dizer: Ó feliz culpa, pois, neste sofrimento, entendi que o lado bom da infelicidade é que nos dá oportunidade de conhecer amigos bons. Rosane foi uma dessas oportunidades. Aconteceu num...

ENCONTRO... FANTÁSTICO Aconteceu em 1981, após uma entrevista, no Rio de Janeiro, para o programa Fantástico da Rede Globo, de audiência nacional... E quem diria? Sim, quem diria que, dentre milhares de telespectadores, uma jovem deficiente em Londrina (PR), viria a ser o maravilhoso divisor de águas, desses que dividem a vida em antes e depois? Sabendo disso, muitas pessoas, uns tempos depois, disseram que o que aconteceu após aquela entrevista, foi de fato, um encontro... fantástico. Por que não crer que foi coisa do Empresário? Senão, vejam: Na semana seguinte, eu estava no escritório em São Paulo, e entraram três senhoras e um senhor, mais uma jovem que, ao me ver, foi logo dizendo que me viu na tal entrevista e que, quando o repórter perguntou como fazia


para aceitar a cadeira de rodas, ficou impressionada quando respondi que aceitar eu não aceitava nem diante dos homens, nem diante de Deus, porque não basta aceitar, a cadeira de rodas, é preciso assumi-la... Ela falou isso grudada na bengala que não largava. Mais tarde me contou que, de fato, não a abandonava nunca, exceto quando, no volante do carro, ia à Faculdade, ou a passeio. Aí, para impedir que alguém descobrisse que usava bengala, já na saída, ao entrar no carro, pedia ao garagista do prédio que a escondesse no porta-mala. Surpreso fiquei também quando lhe perguntei em que poderia ajudá-la, e respondeu: não vim pedir ajuda, mas saber como posso ajudar as pessoas portadoras de deficiência! E não era de se surpreender, já que todas as pessoas deficientes só vinham para pedir ajuda, e esta tal viera para oferecer ajuda. Alertei-a de que, nessa nossa classe, ainda tão desclassificada, muitos colegas existem, tão desiludidos, que eles próprios se desclassificam. Respondeu que, como psicóloga, podia imaginar. Sugeri: Para facilitar seu sucesso, não seria oportuno fazer um estágio na AACD? Garantiu que iria fazê-lo. Passado um mês, voltou com atestado e, sorrindo, contou que, após o primeiro dia de estágio, ao voltar para casa, não escondeu a bengala no porta-mala... Já nos primeiros serviços prestados na Capital, inclusive na antiga favela de Jaguaré, ela foi de valiosa ajuda para a causa junto aos colegas e irmãos. Levei-a a participar de grandes encontros e assembleias gerais, Congressos Brasileiros de Deficientes Físicos e do II Encontro Nacional de Entidades de Pessoas Portadoras de Deficiências, de 17 a 21 de abril de 1986 em Fortaleza CE. Foi, sobretudo nestes trabalhos, que Rosane foi dividindo minha vida em antes e depois... Só quem já participou de Congressos de gente deficiente pode avaliar como esse nosso povo é eficiente. Quando duas cadeiras de rodas se encontram, o importante não é


o que dizem, mas o que não precisa ser dito! Infelizmente, muitas dessas verdades que nem precisariam ser ditas, não são entendidas! Então, reúnem-se centenas de cadeiras de rodas, muletas, aparelhos ortopédicos, macas, surdos, mudos, cegos e aí sobram lições. E quantas histórias lá acontecem que merecem jornalismo falado, escrito, televisado! Eis aqui duas, uma na sequência da outra: a primeira, aconteceu no altar, a segunda, na... privada!

TOCO DE BRAÇO VIRA CASTIÇAL Domingo. Num desses Congressos, um grupo de colegas deficientes, para quem domingo sem missa é semana sem graça, pediram que lhes celebrasse a missa. Escolheram um dormitório coletivo, afastaram as camas: aí estava a capela. Separaram um criado-mudo: aí estava o altar. Dois ou três dedinhos de vinho, meio copo de água, um prato com pedacinhos de pão, a Bíblia. E o altar ficou ainda menor. E cadê a vela? Logo apareceu alguém com um toco e, enquanto tentava achar um cantinho no altar para apoiar a vela, apresenta-se um deficiente com um toco de braço e se prontificou a segurá-la ao lado do altar. No fim da missa, o fulano disse emocionado: Na igreja da minha terra, não sei se é por causa desse toco de braço, não me chamam para fazer nada. Aqui fui até castiçal! Após a missa, passei por uma jovem que fizera uma das leituras. Li seu nome no crachá: Dorinha. Dei-lhe parabéns pelo comentário sobre aquele trecho da Bíblia. Emparelhamos as cadeiras e saímos para o grande salão. Sua cadeira de rodas era das muito antigas, de lona, desajeitada, de braços fixos. Quando quis saber o que estava achando do Congresso, respondeu: Pra mim não devia é acabar nunca! Aqui todo mundo é amigo e ajuda todo mundo! Em seguida contou: Um pouco antes da missa fui ao


banheiro. Esta cadeira é emprestada e não me dou bem com ela, sobretudo na passagem para o vaso sanitário, mesmo assim, eu precisava tentar sentar nele. Tentei. Fui escorregando cuidadosamente da cadeira e vi que ia cair ao chão. Instintivamente gritei. Neste instante, estava atrás de mim uma jovem de bengala, baixinha. Ela passou depressa o braço debaixo dos meus, apoiou seu corpo na bengala, fez um esforço grande, suspendeu-me o suficiente e, quando estava para sentar-me no vaso, sua bengala escorregou: eu caí sentada no vaso e ela caiu sentada meio no meu colo e meio na minha cadeira. Enquanto o xixi desaguava, ríamos felizes e vitoriosas. E ficamos amigas. Pois é, comentei: Mais uma vez está provado que a união faz a força. E lhe pedi: Quando puder, Dorinha, me apresente sua nova amiga. Logo mais, alguém gritou meu nome no salão. É Dorinha a chamar. Rodo até ela e ouço: Quero lhe apresentar a amiga que me socorreu no banheiro... E adivinhem quem me apresentou? A tal psicóloga da tal entrevista, com quem já trabalhava, Rosane! Seguimos trabalhando. Algum tempo depois, esquentou mais nosso namoro. Com a permissão e bênção do papa, mais o testemunho de cinco sacerdotes e de muitos amigos, casamos. Com nosso matrimônio, quem mais saiu ganhando fui e continuo sendo eu, pois, além de esposa dedicada e companheira, levo a vantagem de contar com uma aplaudida palestrante e psicóloga, tão importante nas associações de colegas e irmãos que continuávamos a visitar. Matrimônio assim não é coisa do Empresário? E seguimos trabalhando. Para os ouvintes interessados levamos alguns livros de nossa autoria, mas já não mais publicados pela editora de antes. Isso, talvez, por ser católica demais e o autor, agora, ser padre casado. Então, quem agenda as palestras agora é diretamente nosso Empresário, o Espírito Santo. A um sinal Seu, lá vamos nós, com nossas


limitações físicas, mas também com nossa alegria ilimitada por nos sentirmos chamados por Deus. Sabemos também de nossas limitações intelectuais e espirituais, mas estamos certos que o Deus que chama, capacita os chamados. Vários anos se passaram. Um dia, fomos chamados para a cidade de Novo Horizonte (SP), a mesma onde, há 15 anos, Rosane estreou como palestrante, apoiada na velha bengala, e agora vai dar a primeira palestra em cadeira de rodas. Vendo-nos ambos cadeirantes, o povo quer saber se estávamos juntos no mesmo acidente de carro. Não, Rô não se tornou cadeirante por acidente. Trouxe a pólio do berço e em grau elevado. Só por teimar em querer andar, conseguiu trocar a cadeira de rodas pela bengala. Isso lhe custou 21 cirurgias. Estas, na época, exigiam que a vítima permanecesse engessada por longo período do peito ao calcanhar. Foi uma longa história de 21 capítulos. Depois delas, Rô conseguiu andar com ajuda da bengala. Andou até que deu! Depois, só ela e Deus sabiam com que sofrimento conseguia fazer isso! Um dia, um médico a examinou. Disse-lhe para parar de andar. Seu conselho final foi: “Dona Rosane, se continuar a dar palestras, faça isso sentada”. Ela seguiu... bengalando. Imagino a emoção do próprio Senhor Jesus que a via anunciar sua Palavra escondendo no sorriso as dores... Mas estas foram aumentando. Enfim, aceitou a cadeira de rodas e fomos comprá-la. Eu, cadeirante esperto, temia sua reação negativa diante dessa cruz, mas Rô me emocionou: sentou-se na cadeira, saiu pela calçada exclamando: “Deram-me asas”. Fiquei a pensar no que escreveu dom Irineu Danelon SDB, bispo de Lins (SP): “O altar do Senhor Jesus possui muitas configurações. Talvez a mais válida e fecunda seja a cadeira de rodas. As pessoas que não podem andar, mais facilmente aprendem a voar”. Seguimos viajando. E o lucro dessas viagens? Nosso maior e melhor lucro são as amizades de ouvintes e colegas cadeirantes, cujos endereços guardamos na


agenda e seus nomes no coração. Dentre os católicos, conhecemos uns que dizem ter encontrado Cristo após um retiro, uma leitura, um testemunho. E outros que andam à Sua procura. E conhecemos muitos cadeirantes que pegam suas cruzes e seguem rodando, crucificados, mas sorrindo, pelo calvário do dia a dia. Católicos à procura e cadeirantes sorrindo, é com eles que Rô e eu gostamos de estar. Os cadeirantes que não apenas aceitam, mas assumem a cadeira, “mais válida e fecunda configuração do altar”, seguem sempre mais amigos especiais de Cristo. E para quem duvida disso, eis um fato inquestionável: dentre as maiores amizades de Cristo na Palestina, estão as pessoas deficientes. Podem consultar o evangelho. É tão verdadeiro isso que, em nenhuma ocasião se recusou a atender o pedido de algum aleijado: ouviu-o e... mandou-o embora, mas... andando, falando, ouvindo ou enxergando. Dizem que a Cristo se vai pelo amor e pela dor. Não é difícil entender isso para quem sabe que Ele veio do Céu para, pelo amor e pela dor, nos ensinar a chegar lá. Daí a razão da Sua amizade maior para com os que sofrem. Daí também nossa amizade para com os colegas sofredores, pois nos levam a ser mais amigos de Cristo Crucificado. É a Ele que nos levam todos os que pegam suas cruzes e o seguem. E cruzes na vida são inevitáveis. Cada um tem a sua. Maldizendo-a, aceitando-a ou não, a sua é sua. Se você não a quer, pode chegar ao desespero. Se apenas a aceita, pesa mais. Não é melhor, então, assumi-la e seguir? Psiu, amigos, venho destacando este verbo seguir porque aprendemos do próprio Crucificado este ensinamento, trazido varias vezes pelos evangelistas Lucas, Marcos, Mateus, mudando alguma palavra, mas não alterando o sentido: “Quem quer vir atrás de mim, negue a si mesmo, tome sua cruz e siga-me” (MT 16,24).


Guardamos na agenda os endereços e no coração os nomes de tantos cadeirantes que fazem exatamente isto: há anos, pegaram sua cruz e se negam justos folguedos e O seguem, amando a quem Ele mais amou e pondo-se a seu serviço de colegas. E para que isso não pareça apenas conversa, apresentamos um deles: o cadeirante Xyco Theóphilo, de Fortaleza (CE)de que já falamos; com prontidão, disposição e entusiasmo, roda tanto pelo interior cearense como pelas capitais do Brasil, dando palestras, organizando assembleias. E mais: é cadeira de rodas cativa em comissões organizadoras de congressos nacionais, com participações de autoridades políticas, sociais; enfim, Xyco segue reunindo gente generosa para fazer roda em torno das cadeiras de rodas dos mais carentes. Pessoas assim são nosso incalculável lucro. São o pedaço de nós que nos faltava, levado embora pela paraplegia e pela pólio.Sabendo-os tão amados pelo Crucificado, e vendo-os misturar suas dores com as Dele, entendemos o valor do humano quando misturado ao divino. Enfim, o lucro de nossas rodanças é a convicção de estarmos amando a quem Jesus mais amou. Não podemos tirarlhes a cruz das costas, como Ele fez com milagres. Mas podemos ajudá-los a carregá-la. E também disso Jesus muito gosta, como gostou, com certeza, do Cirineu que o ajudou a carregar a sua. Amigos, vocês são nossa Quinta Roda. Ao contrário da roda do início desta conversa que teve saudade do sol, vocês nos fazem ver as belezas da vida outra vez. E mais: seguindo o exemplo de vocês, já não rodamos na contramão, mas na direção do Sol: Cristo. Robert Louis Stivenson disse: “Um amigo é um presente que a gente dá a si mesmo”. Pois nós parafraseamos este autor, afirmando: vocês são um presente dado pelo Empresário!

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Caminhando com Jesus