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SÍNTESE DE JORNAIS E REVISTAS

18 DE SETEMBRO DE 2015

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Economistas em Wall Street veem cenário caótico no Brasil e chances de piora FONTE ALTAMIRO SILVA JUNIOR – JORNAL O ESTADO DE S. PAULO 17 Setembro 2015 às 12h 05 O Brasil acabou sendo um dos principais destaques de um seminário em Wall Street, com economistas e gestores de bancos como Morgan Stanley e Citigroup, para discutir o impacto da alta de juros nos Estados Unidos em países emergentes. A avaliação da economia brasileira mostrada no evento não foi das melhores e foi descrita pelos executivos do setor financeiro como "extremamente complicada", "caótica" e com uma crise política vista como "muito séria". O seminário foi organizado pela EMTA, uma associação com sede em Nova York que reúne investidores que aplicam em mercados emergentes. Realizado na sede do UBS e com auditório lotado, o evento terminou na noite desta quarta-feira e o Brasil acabou ocupando boa parte das discussões, com os executivos mencionando temas como crise política, ajuste fiscal, recessão, Petrobrás e corrupção. Nesta semana, um editorial do jornal Financial Times afirmou que o Brasil é um paciente terminal e que, sem apoio, a presidente Dilma Rousseff tem tido dificuldade para responder à crise. No evento em Wall Strett, o país, junto com outros emergentes como Turquia e Rússia, foi apontado como vulnerável e, portanto, mais propenso a sentir os efeitos da alta de juros nos EUA. "A situação no Brasil é extremamente complicada", afirmou o diretor executivo e chefe da área econômica para emergentes do Citigroup, Guillermo Mondino, mencionando a crise política, a deterioração acelerada do Produto Interno Bruto (PIB) e a falta de clareza e consenso do governo sobre o que fazer para tentar "achar uma luz no fim do túnel". "O país está em uma situação muito difícil, a crise é muito profunda e séria", disse ele. Para o executivo do Citi, se o governo conseguir implementar de forma bem-sucedida o pacote com medidas de austeridade anunciado esta semana, tem chance de evitar um novo rebaixamento do rating soberano por outra agência de classificação de risco. Mais um rebaixamento aprofundaria a recessão no país, disse ele. No evento, porém, foram levantadas dúvidas sobre a capacidade de o governo conseguir avançar com o pacote. O Congresso hostil ao governo é um dos fatores que deixam as coisas mais incertas, afirmou o diretor e co-chefe de estratégia de renda fixa para emergentes do Morgan Stanley, Gordian Kemen. Além disso, a presidente Dilma Rousseff enfrenta níveis historicamente baixos de popularidade. "O melhor cenário parece ser uma estabilização das coisas em um nível muito baixo", afirmou. A recomendação neste momento para estrangeiros interessados no país, disse Kemen, é de cautela. Com dúvidas sobre os rumos do pacote fiscal, Kemen também levantou preocupações sobre se o país vai conseguir evitar um novo rebaixamento. No caso da Moody's, o Brasil deixaria de ser considerado grau de investimento por uma segunda agência de classificação de risco, o que ajudaria a afastar ainda mais investidores estrangeiros do país. O executivo do Morgan destacou que o Brasil sempre atraiu investidores de risco, mas desde que se transformou em grau de investimento passou a atrair muitos aplicadores, como fundos de pensão e seguradoras, que só investem em mercados mais seguros, com essa classificação por pelo menos duas agências de rating. E são eles que podem deixar o país em massa em caso de novo rebaixamento. Para o sócio e gestor da Gramecy, Gunter Heiland, gestora do estado de Connecticut que tem US$ 5,6 bilhões aplicados em emergentes, a crise política é séria e os escândalos de corrupção que se acumulam só agravam a situação e ajudam a piorar a crise entre o Planalto e o Congresso. Mesmo gestoras de Wall Street especializados em ativos de maior risco nos emergentes, como a Greylock Capital Management, que administra US$ 2 bilhões, mostram cautela com o Brasil. O diretor da gestora, Christopher Tackney, também ressaltou que a situação no país está complicada e diz que a deterioração ajuda a aumentar o movimento de diferenciação mesmo dentro da América Latina. Em outros momentos no passado de maior incerteza do mercado, uma situação como a do Brasil levaria a fuga de recursos de toda América Latina, disse Tackney. Mas agora os investidores diferenciam mais. A Colômbia, por exemplo, tem recebido recursos. Com uma série de problemas que se acumulam, o Brasil tem questões, sobretudo fiscais, que se não forem resolvidas ficarão piores, avalia o economista-chefe para América Latina do UBS, Rafael de la Fuente, que mediou o debate e levantou as questões sobre os problemas brasileiros.

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Extintores de incêndio em carros de passeio deixam de ser obrigatórios Fonte Jornal Folha de São Paulo ANDRÉ MONTEIRO DE SÃO PAULO e ADRIANO QUEIROZ COLABORAÇÃO PARA A FOLHA 17/09/2015 às 15h23 A decisão foi tomada na manhã desta quinta-feira (17) pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito) e revoga resolução anterior que obrigaria os automóveis a circularem com extintores do tipo ABC a partir de 1° de outubro. Segundo o Denatran (Departamento Nacional de Trânsito), a mudança foi motivada por avaliação técnica e consulta aos setores envolvidos, incluindo representantes dos fabricantes de extintores, corpo de bombeiros e da indústria automobilística. O equipamento continuará obrigatório para todos os veículos utilizados comercialmente para transporte de passageiros e de carga, como caminhões, caminhões, trator, micro-ônibus, ônibus e destinados ao transporte de produtos perigosos. Entre esses veículos que continuam seguindo a obrigatoriedade do uso de extintores, a resolução do Contran determina que eles sejam do tipo ABC, destinado a combater incêndios de materiais sólidos, líquidos ou gasosos combustíveis ou em equipamentos elétricos energizados. Nos casos em que é obrigatório, a punição para quem não estiver com extintor ou estiver com validade vencida é multa de R$ 127,69 e cinco pontos na carteira de habilitação. Em nota, o Denatran justificou que "na maioria das nações europeias não existe a obrigatoriedade, pois as autoridades consideram a falta de treinamento e despreparo dos motoristas para o manuseio do extintor geram mais risco de danos à pessoa do que o próprio incêndio". O presidente do Contran, Alberto Angerami, acrescenta que "nos 'test crash' realizados na Europa e acompanhados por técnicos do Denatran, ficou comprovado que tanto o extintor como o seu suporte provocam fraturas". O Contran é o conselho responsável por estabelecer as normas do CTB (Código de Trânsito Brasileiro) e as diretrizes da Política Nacional de Trânsito. Segundo a Associação Brasileira de Engenharia Automotiva, de 800 incêndios em veículos cobertos por seguros, apenas 24 (ou 3%) informaram que usaram o extintor. A decisão do Contran ocorre após quase um ano de polêmica e correria dos motoristas para comprar os equipamentos do tipo ABC, que seriam exigidos pelo conselho. A exigência foi adiada pelo menos três vezes ao longo de 2015. O primeiro prazo estabelecido foi 1º de janeiro, depois houve adiamentos em abril e julho e o novo limite para trocar os equipamentos seria 1º de outubro. Os adiamentos foram justificados em razão da dificuldade de motoristas encontrarem o novo modelo de extintor. Os carros fabricados a partir de 2010 já são equipados com esse tipo de extintor, com carga à base de bicarbonato de sódio e validade de cinco anos.

Tensão com a economia global faz Bolsa cair e dólar renovar máximas FONTE RENATA PEDINI – JORNAL O ESTADO DE S. PAULO 18 Setembro 2015 às 11h 09 O dólar comercial opera em alta e a Bolsa recua nesta sexta-feira, 18, ambos pressionados pela cautela dos investidores em meio às incertezas com o cenário no País e com os rumos da economia global. Nesta quintafeira, o Federal Reserve (Fed, o Banco Central americano), decidiu manter a taxa básica de juros nos Estados Unidos no atual patamar - entre zero e 0,25%, faixa em que se encontra desde 2008 - devido a preocupações com a desaceleração da economia chinesa. Também pressiona a cotação do dólar o adiamento da divulgação dos dados de agosto da arrecadação federal. Antes marcado para a manhã desta sexta-feira, o anúncio foi adiado porque, segundo a assessoria do órgão, o material de apresentação não ficou pronto a tempo. Quanto aos dados, o mercado projeta um resultado pior do que o visto no mês de julho, de R$ 104,868 bilhões, que já foi o mais baixo para o mês desde 2010. Às 11h a moeda americana subia 1,06%, negociada a R$ 3,903, após bater a máxima de R$ 3,907. Na véspera, a moeda fechou em alta de 0,76%, a R$ 3,862, reduzindo ganhos durante a sessão após o anúncio da decisão do Fed. Na mesma faixa horária, o Ibovespa caía 1,13%, cotado aos 48.003 pontos, em linha com o mau humor nas 3


bolsas em Nova York e na Europa. Na véspera, oprincipal índice de ações da Bolsa fechou estável, aos 48.551 pontos. Internamente, o mercado avalia hoje os dados de arrecadação federal em agosto, que devem realimentar as dúvidas sobre o cumprimento das metas fiscais do governo. A falta de apoio no Congresso pela aprovação das medidas anunciadas na última segunda-feira continua pesando e investidores monitoram ainda os desdobramentos de movimentações pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria pedido a Dilma que faça uma reforma ministerial mais ampla, para garantir sustentação política no Congresso e evitar o processo de impedimento.

Após reversão de demissões e adesão ao PPE, acaba greve na Ford em São Bernardo FONTE IGOR GARDELHA - AGÊNCIA ESTADO 18 Setembro 2015 às 11h 02 Oito dias após a deflagração da greve, operários da Ford em São Bernardo do Campo (SP) aprovaram o fim da paralisação durante assembleia na manhã desta sexta-feira na porta da fábrica. De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, os funcionários já voltaram ao trabalho, depois de aceitarem acordo fechado entre a entidade e a montadora prevendo a revogação da demissão dos cerca de 200 trabalhadores (prevista para 21 de setembro) e a adesão ao Programa de Proteção ao Emprego (PPE). A empresa confirmou a negociação. O PPE começará a partir de janeiro de 2016, quando a Ford prevê reduzir o ritmo de produção em São Bernardo, e deve durar seis meses – prazo que poderá ser prorrogado por igual período, caso necessário. Pelo acordo, a jornada de trabalho será reduzida em 20% na fábrica, com igual redução do salário pago pela montadora. Para os trabalhadores, contudo, a redução será de apenas 10%, pois a outra metade será bancada pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), com limite de até R$ 900,84. O montante que superar esse valor será complementado pela empresa. Segundo o sindicato dos metalúrgicos, a redução salarial não vai incidir sobre as férias; apenas sobre o 13º salário. Pelo acordo, trabalhadores também conseguiram a ampliação da estabilidade do emprego até agosto de 2017. Até então, o compromisso da empresa era de não poder demitir sumariamente, sem justa causa, até abril de 2017. Na negociação, também ficou acertada a ampliação, por mais cinco meses, do lay-off (suspensão temporária dos contratos) do grupo trabalhadores que já estava afastado desde maio. Com o PPE, a Ford será a quarta grande montadora à aderir ao plano no Brasil. Na quinta-feira, a Volkswagen confirmou a adesão ao programa na fábrica de São Bernardo do Campo, também com redução de 20% da jornada, que não incidirá sobre férias nem 13º salário. Na montadora, também haverá complementação do FAT. Já tinham aderido ao PPE a Mercedes-Benz em São Bernardo e a fabricante de máquinas agrícolas Cartepillar em Piracicaba (SP).

Emprego na indústria registra no mês de julho a 7ª queda seguida FONTE IDIANA TOMAZELLI - JORNAL O ESTADO DE S. PAULO 18 Setembro 2015 às 09h 00 RIO - O emprego na indústria recuou 0,7% na passagem de junho para julho, o sétimo mês seguido de queda, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com o resultado, o emprego industrial acumula recuos de 5,4% no ano e de 4,9% em 12 meses. Na comparação com julho de 2014, o emprego industrial apontou queda de 6,4% em julho deste ano. Trata-se do 46º resultado negativo consecutivo nesse tipo de confronto e o mais intenso desde julho de 2009, quando o recuo foi de 6,7%. Segundo o órgão, na comparação interanual foram registradas reduções no contingente de trabalhadores em 17 dos 18 ramos pesquisados, com destaque para meios de transporte (-11,9%), máquinas e aparelhos 4


eletroeletrônicos e de comunicações (-15,1%), máquinas e equipamentos (-9,1%), produtos de metal (-10,7%), alimentos e bebidas (-2,8%), outros produtos da indústria de transformação (-10,1%), borracha e plástico (6,0%) e calçados e couro (-7,5%). O setor de produtos químicos (0,0%) foi o único que não mostrou resultado negativo no mês.

Receita de serviços sobe 2,1% em julho e tem pior resultado para o mês desde 2012 FONTE IDIANA TOMAZELLI – JORNAL O ESTADO DE S. PAULO 18 Setembro 2015 às 09h 17 Resultado do setor acumula alta de 2,2% no ano e de 3,3% em 12 meses, nos cálculos do IBGE; queda da renda das famílias e desaceleração vista em outros setores, como indústria e comércio, pressionam o índice RIO - A receita bruta nominal do setor de serviços subiu 2,1% em julho deste ano ante igual mês de 2014, informou nesta sexta-feira, 18, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Trata-se do pior desempenho para um mês de julho em toda a série, iniciada em janeiro de 2012. Em junho de 2015, o crescimento também foi de 2,1% no mesmo tipo de confronto. Com o resultado de julho, a receita bruta do setor acumula alta de 2,2% no ano. Já em 12 meses, o avanço é de 3,3%, o menor desde o início da série, que começou em janeiro de 2013 neste tipo de comparação. Segmento de alojamento e alimentação cresceu 1,8% no período, diz o IBGE Famílias. A receita nominal dos serviços prestados às famílias cresceu 2,5% em julho ante julho de 2014. Tratase do primeiro avanço do setor após ter registrado queda em maio e estabilidade em junho, sempre na comparação com igual mês do ano passado. Os serviços de informação e comunicação tiveram alta de 0,8% na receita nominal, ou seja, sem descontar a inflação, em julho ante igual mês de 2014, após uma sequência de três quedas consecutivas em termos nominais. Já os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram avanço de 3,5% na receita bruta em julho ante julho do ano passado, o menor crescimento de toda a série, iniciada em janeiro de 2012. Este setor, que inclui serviços básicos como segurança e limpeza, vinha se mostrando mais resistente à desaceleração na atividade. Os serviços de transportes tiveram avanço de 2,8% na receita bruta no período, enquanto os outros serviços observaram recuo nominal de 0,8% no valor de vendas. Avaliação. O setor de serviços segue acompanhando a desaceleração de outras atividades econômicas, principalmente indústria e comércio, que pioram desde o início do ano, afirmou Roberto Saldanha, técnico da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. "Os serviços estão acompanhando o processo de desaquecimento que temos observado em outros setores, principalmente indústria e comércio", disse Saldanha. Além disso, o ajuste fiscal dos governos também tem afetado a demanda por serviços, notou o técnico. "A indústria é o principal demandante (de serviços), seguida do próprio governo. Na medida em que a indústria está passando por fase de desaquecimento e o governo por contenção de gastos, isso se reflete em menos contratações de serviços. São serviços de transportes, de consultoria, serviços que normalmente são terceirizados. Todos eles sofrem uma retração em função dessa demanda desaquecida", explicou Saldanha. No caso dos serviços prestados às famílias, a alta verificada em julho se deve às férias escolares. Segundo o técnico do IBGE, mais pessoas viajaram e demandaram serviços de alimentação e alojamento em relação a meses anteriores: "Houve certa retomada no turismo de lazer por causa das férias", analisou Saldanha. Metodologia. Esta é a última publicação da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) apenas com dados nominais. A partir do mês que vem, o IBGE passará a anunciar índices de volume (ou seja, descontando a inflação) para os confrontos interanuais, acumulado no ano e acumulado em 12 meses. A série retroagirá até janeiro de 2012, quando tem início. Ainda não haverá divulgação de dados com ajuste sazonal (mês contra mês imediatamente anterior), pois, segundo o IBGE, a dessazonalização requer a existência de uma série histórica de aproximadamente quatro anos.

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Pedaladas elétricas Fonte Jornal O Estado de S. Paulo Adriano Pires e Abel Holtz 18 Setembro 2015 às 08h 58 As mudanças aleatórias e constantes na legislação que afeta o setor elétrico a partir da Medida Provisória (MP) 579 não só estão causando a judicialização de processos, como a paralisia de investimentos. Os recentes leilões demonstram a necessidade de reordenar a política, resolver os inúmeros “pepinos”, sem perder de vista o futuro, e iniciar processos que assegurem o fornecimento da energia elétrica para atender às necessidades do País. As questões adjacentes à recente MP 688 - que estabelece a devolução onerosa pelas até então respectivas concessionárias de cerca de 6.061 MW à União, findo o prazo de concessão e sua prevista renovação - devem ser analisadas à luz da MP 579, de setembro de 2012. Naquela ocasião, o governo defendia a devolução espontânea de um relevante parque gerador da Eletrobrás à União, buscando, com alarde eleitoreiro televisivo, consagrar o princípio da modicidade tarifária e a impensável redução - pelos seus críticos, naturalmente - das contas de energia elétrica dos consumidores brasileiros. De outro lado, houve a resistência e a ação contrária das empresas estatais (Cemig, Cesp e Copel) que optaram pela não renovação antecipada das concessões de alguns de seus ativos, contrapostos ao imediato critério devolutivo do Grupo Eletrobrás, alinhando-o aos seus óbvios interesses empresariais e, principalmente, os de seus acionistas, que preferiram perseguir a melhor remuneração de suas receitas e práticas de governança e, no limite, poderiam ser arguidos, entre outros, por questionamentos de gestão temerária, caso aceitassem abdicar de seus direitos remuneratórios de cerca de R$ 10 bilhões. À época, a questão suscitou as controvérsias de ofício, mas o cenário róseo logo se turvou e, pela realidade dos fatos, se tornou vermelho pela irresponsável gestão pródiga do erário, obrigando o governo petista a buscar um desesperado ajuste fiscal. Assim, editou-se a MP 688, reabilitando a ideia de ressarcimento da rubrica de capital das novas usinas geradoras a serem renovadas e onerando-as no longo prazo, por meio do bônus de assinatura. Esse expediente tem um único objetivo, claramente, de arrecadação fiscal. Trata-se de um equivocado contraponto de uma política econômica arrevesada, sem critério de racionalidade e contrária à versão de longo prazo alardeada em 2012, ao fim e ao cabo e, como sempre, com o governo se apropriando de um bem que já não lhe pertencia, e sim à sociedade, conforme estabelecido na MP 579, transformada na Lei n.º 12.783, de 11/1/2013. Essa interferência oportunista impacta no custo da energia gerada, dos efetivos R$ 30,00/MWh havidos na renovação antecipada das usinas da Eletrobrás (15 mil MW) e na renovação da UHE Três Irmãos (325 MW) em 2013 para cerca de R$ 90,00/MWh, agora onerados pelos aludidos bônus de assinatura, aplicáveis em cerca de 6.061 MW de usinas em processo de renovação e que consolidariam uma receita de R$ 17 bilhões a favor do governo. Dessa forma se instituiu no País um desalinhamento entre os custos de geração daquelas, que seguiram as novas regras de concessão em 2012/2013, e agora, homologado um preço superlativo, três vezes superior aos anteriores, abrindo clara oportunidade para a judicialização bilionária provocada pela falta de isonomia e de tratamento diferenciado da mesma plataforma econômica de geração hidrelétrica. Não devemos nos esquecer de que essa diferença se ampliará na ponta para o consumidor, onerado por uma inacreditável cadeia de impostos, taxas e contribuições de toda natureza que fazem da energia brasileira a de mais alto custo global na ponta do consumo. E assim segue a vida do consumidor brasileiro, à espera de seu grito de independência, que, com toda certeza, virá por meio de novas tecnologias. Estas o livrarão - pelo seu inerente perfil de segregação, avanço e autonomia produtiva - de políticas intervencionistas, populistas e, com isso, das amarras patrimonialistas do Estado brasileiro. A conferir.

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Reforma em sede da Petrobrás gera descontentamento FONTE FERNANDA NUNES E ANTONIO PITA – JORNAL O ESTADO DE S. PAULO 18 Setembro 2015 às 05h 00 RIO - Enquanto pede “comprometimento” aos funcionários em cortes de custos e de gratificações, a Petrobrás planeja reformar gabinetes e instalações da diretoria executiva. O Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apurou que estatal já teria gasto R$ 8,1 milhões só com a transferência dos escritórios do diretores da tradicional sede, conhecida como Edise, para outro prédio também no centro do Rio. A mudança antecederia obras em dois andares do prédio que abrigam a cúpula da estatal, com um pré-projeto estimado internamente em R$ 70 milhões. Em nota, a Petrobrás nega que pretenda gastar essas cifras com reformas de instalações no edifício sede e alega que ainda não há “sequer um projeto definido” para os andares desocupados. Com a mudança, explica, a intenção é aprimorar o modelo de governança, “investindo na sinergia entre as diretorias e em uma maior agilidade para os processos”. O projeto de reforma defendido pela atual administração gerou descontentamento entre os trabalhadores e também entre conselheiros da estatal, preocupados com gastos excepcionais em plena crise financeira na petroleira. A reforma, somada a outros gastos corporativos, teriam ampliado o desgaste que levou Murilo Ferreira a pedir afastamento da presidência do conselho. Construído na década de 70, o edifício sede da Petrobrás é um marco arquitetônico da cidade e uma das primeiras obras da construtora Odebrecht no Sudeste. A proposta da reforma nos dois andares onde ficam as instalações da cúpula da empresa visa a integrar a presidência à diretoria, favorecendo decisões colegiadas. Modelo semelhante foi implantado pelo presidente da estatal, Aldemir Bendine, no Banco do Brasil, quando comandava o banco. Um dos argumentos para replicar a estratégia na petroleira seria a melhoria da segurança dos dados estratégicos da empresa. Com os escritórios integrados, se evitaria vazamento de informações, uma preocupação expressa pelo executivo em diferentes ocasiões. Segundo funcionários de áreas envolvidas no pré-projeto, a obra poderia incluir a instalação de um restaurante para os executivos. Contratos. Mesmo sem um projeto definido para a reforma, as instalações da diretoria já foram transferidas em caráter provisório para o Centro Empresarial Senado, a cerca de 800 metros da sede tradicional. As três empresas que trabalham na adaptação do prédio têm contratos que somam R$ 15,5 milhões com a estatal. O dado consta da página da Petrobrás na internet. Dessa cifra, R$ 8,1 milhões foram pagos à Contraste Arquitetura e Construção para ajuste de instalações elétricas e de ar-condicionado. As demais, Sodexo e Pereira Lopes, atuam em serviços de manutenção predial e marcenaria. Pelo modelo de contratação usado pela Petrobrás, o pagamento só é efetuado se o serviço for de fato encomendado. A estatal alega que o valor dos contratos atende às reformas necessárias em todos os prédios ocupados pela empresa no Rio em 2015, “não sendo específicos para a mudança da diretoria executiva para prédio da Rua do Senado”. Além disso, informa que pretende reduzir seu orçamento total destinado a obras em escritórios em até 50% este ano.

Lula apoiará novas medidas fiscais e irá à rua por Dilma Fonte Jornal Folha de São Paulo NATUZA NERY e MARINA DIAS DE BRASÍLIA 17/09/2015 às 21h 39 A principal missão do ex-presidente Lula, em sua conversa com sua sucessora Dilma Rousseff nesta quintafeira (17), era ajudar a montar uma estratégia para blindar a petista e evitar a abertura de um processo de impeachment contra ela. Segundo interlocutores do petista, ele iria aconselhar Dilma a usar a reforma administrativa e política da próxima semana para amarrar o apoio dos partidos aliados, principalmente o PMDB, evitando que eles abandonem o governo num momento delicado da crise política. Lula chegou em Brasília à tarde e reuniu-se com a presidente no Palácio da Alvorada. À noite, ele tinha programado um jantar com ministros petistas mais próximos. A avaliação do grupo lulista é que a crise atingiu ponto preocupante e que qualquer novo erro do governo pode dar o empurrão que falta para a Câmara deflagrar, e aprovar, a abertura de um processo de deposição de Dilma. 7


Por isso, Lula, apesar de não ter sido consultado o petista foi informado das novas medidas pela TV– e não concordar com alguns pontos do pacote, irá defender a recriação da CPMF e as linhas gerais do pacote com corte de gastos e elevação de receita anunciado esta semana pela equipe econômica do governo. Internamente, Lula nem concorda com todos os pontos das medidas anunciadas pelos ministros Joaquim Levy (Fazenda) e Nelson Barbosa (Planejamento), mas tem dito a interlocutores próximos ouvidos pela Folha que "irá para rua" em favor da iniciativa de Dilma para salvar a economia. Aliados afirmam que o petista sabe que a única alternativa é apoiar o governo. O ex-presidente gostaria, por exemplo, que o Palácio do Planalto adotasse parte do receituário usado por ele na crise de 2009, como incentivos fiscais a algumas áreas da atividade econômica brasileira. Na semana passada, fez críticas públicas à primeira versão do ajuste fiscal, bem menos restritivo que a nova versão, por acreditar que ela gera desemprego e achata salários. Agora, porém, embora não tenha mudado de opinião, tem defendido a CPMF e não vê alternativa a não ser dar sustentação à presidente no estágio atual da crise para evitar que ela perca condições de governar. Já o PT, que tem críticas diversas à política econômica federal, por considerá-la "de direita", aprovará uma nota nesta quinta, por meio de sua Executiva nacional, na qual deve apoiar genericamente o ajuste fiscal, embora com ressalvas. A legenda sempre cobra, por sinal, a redução da taxa de juros. O governo anunciou R$ 26 bilhões de cortes de gastos, entre eles o adiamento do aumento do funcionalismo, e R$ 40,2 bilhões em aumento de arrecadação, com a recriação da CPMF por um período de quatro anos, com alíquota de 0,2%, para cobrir o deficit da Previdência. Governadores aliados querem elevar a alíquota para 0,38% que Estados e Municípios fiquem com parte do tributo. Ainda para elevar as receitas da União, o governo anunciou a ampliação do Imposto de Renda sobre ganho de capital na venda de bens que resultem em ganhos acima de R$ 1 milhão. Hoje, esse valor fica em 15%. Agora, haverá um aumento progressivo da alíquota até o teto de 30%, que incidirá sobre ganhos acima de R$ 20 milhões. Outra mudança sensível será no Sistema S que reúne entidades como Sesi e Senai. O governo pretende usar parte da contribuição recolhida das empresas e repassada hoje a essas entidades para cobrir o rombo da Previdência. O governo ainda anunciou que vai adiar de janeiro para agosto o pagamento do reajuste salarial dos servidores públicos e suspender novos concursos que estavam previstos para 2016. O governo pretende, ainda, usar recursos do FGTS para financiar uma parcela maior das despesas do Minha Casa, Minha Vida, reduzindo assim a contribuição do Orçamento para o programa contendo perdas maiores para o benefício. Também vai propor que parte dos recursos direcionados às emendas parlamentares seja necessariamente gasta em saúde e em obras do Programa de Aceleração do Crescimento, reduzindo a parcela de despesas da União com esses itens. REFORMA MINISTERIAL - O que já foi cogitado até agora: Casa Civil Aloizio Mercadante (PT) Petista tem sido alvo de críticas e pode ser substituído Fazenda Joaquim Levy Saída do cargo é especulada em meio à crise econômica Defesa Jaques Wagner (PT) Nome defendido pelo ex-presidente Lula para assumir a Casa Civil Agricultura Kátia Abreu (PMDB) Ministra se aproximou de Dilma e também é cotada para a Casa Civil Secretaria de Comunicação Edinho Silva (PT) Investigado na Lava Jato, ele pode deixar o governo ou assumir outro cargo Comunicações 8


Ricardo Berzoini (PT) Ministro é cotado para assumir a articulação política do governo Secretaria-Geral da Presidência Miguel Rossetto (PT) Pasta pode sofrer modificações na reforma administrativa.

Governo fala em legalizar jogos de azar Fonte Jornal Folha de São Paulo RANIER BRAGON, DÉBORA ÁLVARES e NATUZA NERY DE BRASÍLIA 18/09/15 Com o objetivo de, em um momento de deficit nas contas públicas, elevar a arrecadação, o governo retomou uma antiga proposta. Começou a consultar o Congresso sobre a possibilidade de aprovar um projeto que legalize os jogos de azar no país. Nesta quinta (17), líderes governistas da Câmara se reuniram com a presidente Dilma Rousseff e ministros no Palácio do Planalto e foram consultados sobre qual seria a receptividade, em suas bancadas, de uma proposta de legalização dos jogos de azar. Segundo a Folha apurou, Dilma deu aval às negociações há três semanas, durante uma reunião com senadores que propuseram a medida. Dois deles, Benedito de Lira (PP-AL) e Ciro Nogueira (PP-PI), são investigados pela Operação Lava Jato. O governo ainda não tem uma posição fechada. O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, colocou-se inicialmente contra a iniciativa. O temor é que a regulamentação facilite o crime de lavagem de dinheiro, muito associado aos jogos de azar. Levy e o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, foram encarregados por Dilma para avaliar a proposta. Projeções de congressistas que defendem a legalização indicam que a medida poderia ampliar a arrecadação em cerca de R$ 20 bilhões. O governo não tem uma estimativa oficial sobre o tema. De acordo com relatos de deputados que participaram do encontro com a presidente, o governo avalia a possibilidade de permitir a volta de bingos, cassinos, jogos pela internet, jogo do bicho e caça-níqueis para elevar o caixa nesse momento de rombo nas contas públicas. "Ela [Dilma] e os ministros pediram que a gente verificasse a receptividade da proposta, que foi sugerida na reunião dela com senadores ontem [quarta, 16]. Perguntaram o que tinha de proposta e, dos líderes que falaram hoje, a maioria foi a favor", afirmou o deputado Maurício Quintela Lessa (AL), líder da bancada do PR. O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), diz ser contra a proposta, mas entende que ela tem "boas chances" de ser aprovada na Casa. Até a próxima semana, os líderes devem informar Dilma sobre a receptividade de suas bancadas à proposta. Quem levantou a questão na reunião da manhã desta quinta (17) foi o ministro Aloizio Mercadante (Casa Civil). Ele teria dito a deputados, conforme relatos à Folha, que cassinos em áreas muito degradadas poderiam servir de impulso para o desenvolvimento das regiões. Apesar de ter consultado os deputados apenas nesta quinta, o assunto tem sido discutido entre governo e senadores há três semanas. A sugestão inicial partiu do senador Benedito de Lira, que mencionou uma proposta relatada por ele no ano passado, de autoria do outro senador, Ciro Nogueira, para regularizar os jogos de azar. O projeto determina que entre 60% e 70% do arrecadado vá para a premiação, 7% para os Estados, 3% para os municípios. O restante iria para a empresa autorizada a explorar a atividade do jogo. Caso o governo encampe a ideia, a tendência é que altere o texto do projeto, reservando parte da tributação para a União. No início de seu primeiro mandato, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi favorável à legalização de bingos como forma de criar novas fontes de arrecadação. O governo acabou recuando após o escândalo Waldomiro Diniz, o ex-assessor da Casa Civil flagrado cobrando propina do empresário dos jogos Carlos Cachoeira.

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Cinismo parlamentar Fonte Jornal Folha de São Paulo EDITORIAIS editoriais@uol.com.br 18/09/15 Existem bons motivos para criticar o pacote de ajuste das contas públicas anunciado pelo governo Dilma Rousseff (PT) na segunda-feira (14), e não por acaso o Planalto dedicou boa parte da semana ao esforço ora infrutífero de convencer aliados a aprová-lo quando estiver em votação no Congresso. Do improviso na seleção de medidas ao amadorismo na compilação, passando pelo caráter impopular das ações e pelos problemas específicos de ressuscitar a CPMF (imposto sobre operações financeiras), são muitos os vícios do plano. Diante de uma sociedade que já se sente oprimida pela carga tributária e que espera do governo um corte mais profundo em sua máquina administrativa, parecem naturais as resistências que deputados e senadores se dispõem a oferecer. Soam cínicas e dissimuladas, contudo, as declarações de parlamentares que procuram transferir ao Executivo toda a culpa pelo gigantismo estatal, reservando ao Legislativo o papel de baluarte das finanças nacionais. Se isso fosse verdade, Dilma Rousseff não precisaria ter expressado preocupação com a sessão do Congresso que será realizada na próxima terça-feira (22), quando estarão em pauta os vetos presidenciais a projetos da chamada pauta-bomba –iniciativas legislativas que resultam em expressivo aumento dos gastos públicos. Primeiro porque, obviamente, parlamentares zelosos não endossariam propostas perdulárias. Segundo porque, caso o fizessem, saberiam reconhecer o deslize e logo aceitariam a correção. Nada mais distante do que hoje ocorre em Brasília. O Congresso aprovou projetos de lei que, reajustando salários no Judiciário e dotando a Previdência de regras mais generosas, entregam ao Tesouro uma conta extra que facilmente ultrapassará R$ 150 bilhões ao longo da próxima década. O país, desnecessário dizer, não está em condições de bancar esse tipo de desembolso. Dilma, em rara sintonia com as necessidades nacionais, barrou o desatino. Deputados e senadores de variadas colorações partidárias, no entanto, ameaçam derrubar o veto. Já seria muito, mas a prodigalidade não se esgota nessas três "bombas". Em agosto –e trata-se apenas de um exemplo–, a Câmara deu seu aval inicial a uma proposta de emenda à Constituição que eleva os vencimentos de parte da cúpula do funcionalismo. Seu impacto, se vier a ser promulgada, será de R$ 2,5 bilhões por ano. É legítimo, sem dúvida, que os congressistas de oposição tentem impor ao governo derrotas nos mais diversos campos. Extrapolam, porém, quando miram a saúde das contas públicas com o fim de alvejar o Planalto nesse caso, atingem também o conjunto da população, que será chamada a pagar o custo da irresponsabilidade.

O papa e dom Paulo Fonte Jornal Folha de São Paulo MARTA SUPLICY 18/09/15 O papa é um revolucionário, com armas mais potentes que qualquer arsenal nuclear. Ele tem o dom da palavra certa, do "timing" perfeito para a intervenção, a humildade necessária e é chefe de um dos maiores exércitos do mundo. Sua fala generosa, solidária e tolerante repercute muito além dos fiéis. A última encíclica papal "Laudato Si", com tema ambiental, vem com este jeito verdadeiramente aberto ao diálogo tão longe dos dogmas! que nos faz ter a esperança que a humanidade possa estar num caminho para seus desacertos. Tem a força do alerta em como a miséria é agravada com a degradação ambiental, além de tocar nos pontos mais sensíveis da questão da biodiversidade, da água, da condição inumana das grandes cidades, o perigo da substituição do relacionamento humano pelo isolamento tecnológico e a tragédia dos refugiados. Não sobra tema contemporâneo relevante que Francisco (desculpem a intimidade, mas estou me reconciliando com minha fé) não se coloque, questione e aponte caminhos. Mais importante, enfatiza a responsabilidade individual de cada um. O artigo de hoje é para homenagear um ser humano, do naipe do papa Francisco: dom Paulo Evaristo Cardeal Arns. Este é o nome do livro que será lançado dia 4 em São Paulo, resgatando a história de quem tanto fez pelo Brasil, pelos pobres e pelo povo da minha cidade. O que chama mais atenção na história de dom Paulo, hoje com 95 anos, e que estará presente neste dia na 1


Paróquia São Francisco de Assis, é sua simplicidade, determinação, apego aos mais necessitados e acima de tudo, coragem pessoal. Não à toa dom Paulo tem 38 títulos de cidadão honorário, 43 medalhas, 31 prêmios, 24 diplomas honoris causa. Valoriza as mulheres e acreditou no ecumenismo, incentivando o diálogo interreligioso na Sé. A teologia da libertação, que provocava tanta resistência nas forças mais conservadoras, foi abraçada por dom Paulo, ajudando no processo de conscientização dos marginalizados e novas formas de reivindicação. Criou mais de 2.000 Comunidades Eclesiais de Base e este foi um enorme apoio, pois simbólico (antiditatorial), político (protegeu os perseguidos políticos) e material (forneceu as condições, inclusive disponibilizando pessoas intelectualmente preparadas). Os grandes do mundo que se preocuparam com os carentes, as famílias brasileiras atingidas pela perseguição da ditadura, os que lutaram pela Anistia e os mais pobres de São Paulo sabem de sua grandeza e a diferença que pode fazer um cardeal da Igreja destemido e engajado nas grandes causas e a influência libertadora e visionária de um grande papa.

Sim, Dilma pode! Fonte Jornal Folha de São Paulo REINALDO AZEVEDO Facebook: on.fb.me/1SVhuvw 18/09/15 Descobri que o governo Dilma não desafia apenas a minha inteligência –ou falta dela, segundo alguns desafetos de estimação. Sim, é razoável, pensando o que penso, que veja com maus olhos boa parte das ações da presidente. Queremos coisas distintas. Imaginamos formas diferentes de atender aos anseios dos brasileiros. Divergimos sobre o papel do Estado na economia. Eu me quero, ainda que certamente imperfeito, um liberal. Dilma é sei lá o quê. Talvez ainda se diga socialista. Estamos em campos ideológicos opostos. Não que eu me proíba de eventualmente concordar com ela quando julgo ser o caso. Isso até já aconteceu. Acontece que a presidente desafia também a inteligência de seus aliados e, o que é pior, até daqueles que demonstram alguma boa vontade com ela, ainda que movidos apenas pelo espírito solidário. Todos concordamos, acho, que não fazia sentido enviar ao Congresso um Orçamento com um deficit de R$ 30,5 bilhões –até porque, insisto, trata-se de uma ilegalidade. Agride a espinha dorsal da Lei de Responsabilidade Fiscal. Se, nos itens componentes de um Orçamento, não pode existir despesa sem que se aponte a receita, o principio se transfere para o conjunto. É elementar. E que sentido, faz, então, propor um confisco de 30% dos recursos do chamado "Sistema S", ainda que se possa alegar que, na origem, trata-se de dinheiro público, sem nem manter uma conversa prévia com Armando Monteiro, ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior? O homem é ex-presidente da Confederação Nacional da Indústria, uma das áreas diretamente afetadas pela medida. A presidente também se encontrou com Eduardo Cunha (PMDB-RJ) antes do anúncio do pacote, que prevê que R$ 4,8 bilhões relativos a emendas individuais dos parlamentares sejam direcionados para obras do PAC para compensar cortes feitos no programa. A proposta deixou furiosos deputados e senadores. Muito bem! Dilma não tratou do assunto com o presidente da Câmara, que ficou sabendo de tal pretensão, da qual ela já recuou, quando Joaquim Levy e Nelson Barbosa concederam a entrevista coletiva. Com a CPMF, a trapalhada não foi menor. Primeiro houve o anúncio de que se iria recriar tal imposto; depois, vieram as negativas. Em seguida, a confissão. E já não mais era dinheiro para a saúde, mas para a Previdência. Uma proposta que depende do Congresso chega na hora em que o prestígio da petista nas duas Casas legislativas vive o seu pior momento. Nas suas andanças e entrevistas, Dilma decidiu atrair abertamente o debate sobre a possibilidade de impeachment para a sua cozinha. É evidente que, quaisquer que fossem os argumentos oficiais contra a tese – mesmo a boçalidade de que se trata de um golpe–, eles não poderiam jamais ser esgrimidos pela própria presidente. Afinal, ela tem 9.753 coordenadores políticos. É claro que o país vive uma situação econômica muito difícil. Não é menos evidente que a crise política está às portas, vitaminada pela crise econômica, que, por sua vez, é agravada pela crise política, num ciclo infernal. Mas, creiam: a intranquilidade que toma conta dos agentes políticos e econômicos não decorre daí. Já vivemos situações até mais graves. O que assusta é a sensação de que, a qualquer momento, Dilma pode fazer algo inédito e ruim. E ela pode. 1


Hospitais têm queda de 9,8% na receita média por paciente Fonte Jornal Folha de São Paulo MARIA CRISTINA FRIAS - cristina.frias@uol.com.br 18/09/15 A taxa de ocupação dos hospitais privados cresceu no primeiro semestre, mas a redução no nível de complexidade dos procedimentos médicos puxou para baixo a receita média por paciente. O tíquete médio (receita líquida por saída hospitalar) caiu quase 10% de R$ 10,9 mil nos primeiros seis meses de 2014 para R$ 9,9 mil neste ano, segundo a Anahp (associação do setor). O impacto da crise no mercado de trabalho, e consequentemente nos profissionais que têm planos de saúde, é uma das explicações. É comum, em períodos de demissão ou incerteza no emprego, que beneficiários de seguros antecipem exames e procedimentos que poderiam esperar, diz a entidade. "Com isso, há uma manutenção da taxa de ocupação [dos hospitais], mas, muitas vezes, com procedimentos menos complexos", afirma Francisco Balestrin, presidente do conselho da Anahp. A queda de receita por paciente é um agravante em um momento de aumento de despesas, como as de folha de pagamento e energia, de acordo com o executivo. Outro reflexo da instabilidade será a redução dos aportes. Antes da crise, o setor projetava a necessidade de 13 mil novos leitos para acompanhar a evolução da demanda. "Agora, está todo mundo repensando os investimentos", diz Balestrin, que em outubro será designado futuro presidente da Federação Internacional de Hospitais. O valor movimentado pelos cruzeiros na economia brasileira diminuiu 8,5% na temporada 2014-2015. No total, armadores, viajantes e tripulantes injetaram na economia R$ 2,142 bilhões. Entre 2013 e 2014, haviam sido R$ 2,34 bilhões, segundo pesquisa da FGV encomendada pela Clia Abremar (associação do setor). O desempenho negativo é resultado da queda no número de navios (de 11 para 10) na costa brasileira. "O recuo nas embarcações acontece principalmente por causa dos custos brasileiros: portuário, de impostos, de regulação e decorrentes da falta de infraestrutura", diz Marco Ferraz, presidente-executivo da entidade. Os navios que antes vinham para o litoral do país (em 2010-2011, chegaram a ser 20) agora viajam a China, Austrália, África do Sul e Oriente Médio. O número de viajantes e de postos de trabalho gerados pelo setor também diminuiu em 2014-2015 (7,86% e 10%, respectivamente). Com promoções agressivas, como o congelamento do dólar, a entidade projeta embarcar entre 500 mil e 550 mil passageiros em 2015-2016. Na temporada anterior, foram 549,6 mil. O faturamento das pequenas e médias empresas do Estado de São Paulo caiu pela sétima vez consecutiva, mostra pesquisa do Sebrae-SP. Em julho deste ano, a receita dos negócios desses portes foi 5,7% menor do que no mesmo mês de 2015. Desde janeiro, a perda acumulada é de 11,1%. Essas empresas dependem do mercado interno, e ele enfraqueceu com "desemprego, inflação, aumento da taxa de juros e piora na confiança", afirma a pesquisadora do Sebrae-SP Leticia Aguiar. O presente está pior do que o passado e a expectativa para o futuro não é boa: 18% dos empreendedores esperam uma melhora de receita. É o pior índice desde 2005, quando a pergunta começou a ser feita pelo Sebrae-SP. A maioria (61%) respondeu que o resultado irá se manter. A quantidade de pessoas ocupadas nas empresas aumentou 1,9%, mas a despesa com salários diminuiu 0,8%, e o rendimento dos funcionários, 1,5%. A explicação é que "há contratações de novas pessoas por remunerações menores ou familiares que vieram ajudar", segundo Aguiar. Pelo critério da pesquisa, qualquer um que colabora com o empreendedor é considerado ocupado, não importa a natureza do contrato. CONTABILIZANDO AS PERDAS R$ 47,6 bilhões foi o faturamento das pequenas empresas de SP em julho deste ano R$ 2,9 bilhões foi a perda em relação ao mesmo mês de 2014 1


9,4% foi a queda de receita dos negócios da capital paulista 18% dos empreendedores acreditam que a situação irá melhorar nos próximos meses 9,5% foi a piora da indústria, o setor que mais se deteriorou Renda... A carteira de investidores em Letras de Crédito Imobiliário (LCI) cresceu 44% em agosto, segundo a Cetip. ...fixa No mesmo período, o estoque de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) avançou 42%, informou a depositária. Dívida Em agosto, os títulos protestados na cidade de SP caíram 9,2%, ante julho, diz o Instituto de Estudos de Protestos. LUCIANA DYNIEWICZ, LEANDRO MARTINS, ISADORA SPADONI eFELIPE GUTIERREZ

Meteorologia do impeachment Fonte Jornal Folha de São Paulo VINICIUS TORRES FREIRE vinit@uol.com.br 18/09/15 O DESTINO de Dilma Rousseff varia como o tempo paulistano, onde se acorda sob um céu de Londres e se dorme no Rio. O sucesso do impeachment e do pacote salva-vidas esquentou e esfriou em dois dias. Considere-se. Um. O PMDB está dividido. Em parte declara-se contra o impeachment, vide ontem o líder na Câmara, Leonardo Picciani, antes cunhista. Renan Calheiros amacia. Dois. Dilma distribui carapuças de golpistas em discursos e promete luta feroz até na Justiça a fim de manter o cargo. A disposição de combate prenuncia ao menos risco de tumulto, o que pode dissuadir desafetos do conflito político e social aberto, como certa elite das classes conservadoras. Três. Lula dava sinais de que desembarcaria do governo a fim de militar com a base social do PT, abrindo a campanha de 2018. Porém, ontem foi a Brasília reorganizar as últimas tropas, ajudar na "reforma ministerial" e a entregar mais cargos para o PMDB. Quatro. O pacote fiscal ora parece desenganado, ora parece que sobreviverá com sequelas, não se sabe quão graves. O desmanche do pacote realimentaria a crise financeira (juros e dólar em alta), o que daria em recessão mais profunda e longa, provável fim de linha para Dilma. Na segunda, Calheiros acolheu o pacote, que ontem porém passou a lhe parecer mais pestilento, dada a reação empresarial. Michel Temer mandou avisar da Polônia que apenas na segunda dá seu veredito. Mas a equipe econômica defende seu plano bravamente. A maioria do PT ao menos deixou de avacalhá-lo, mas "movimentos sociais" vão espinafrá-lo na rua, um modo indireto de tocar fogo na cadeira de Dilma. Cinco. O PSDB continua tripartido: Aécio, Alckmin e Serra mantêm estratégias incompatíveis. FHC leciona as condições do impeachment, ainda insatisfeitas: a) Perda da capacidade de governar; b) Acusação criminal contra Dilma; c) Liderança organizada para o pós-Dilma. Isto posto, o cronograma da deposição legal continua a correr. O plano de abertura do processo de impeachment caminha na Câmara, embora possa ser travado a qualquer momento. Em outubro, o TCU envia ao Congresso o relatório que condena como criminosas as contas do governo Dilma 2014. A partir de terça, o TSE pode abrir inquérito sobre a campanha Dilma 2014, acusada de abuso de poder. É o caminho da cassação da chapa, Dilma e Temer, improvável, mas bastante para criar tumulto grave. A enchente da crise econômica continua a subir. O consumo de varejo por cabeça declina sem parar desde maio de 2014. Não é um desastre, pois até agora se regrediu ao nível ainda alto de 2013. Mas a piora é veloz. A confiança do consumidor continua na baixa recorde. Oferta e demanda de crédito declinavam ainda mais rapidamente ao final do segundo trimestre; não devem ter melhorado agora, ao contrário. Dada a degradação financeira, a inflação alta baixará bem devagar, contribuindo ainda para a perda de renda real e para a manutenção dos juros na órbita da lua: sem alívio até ao menos meados de 2016. A alta do desemprego vai longe. Natal de 2016? 1


Não se sabe o quanto o povo furioso contribuiria para a queda de Dilma. Mas é ingrediente no forno, esquentando.

Análise econômica global Fonte JONATHAN WHEATLEY DO "FINANCIAL TIMES" 18/09/15 Quem é o próximo na fila para um rebaixamento de classificação de crédito, depois do Brasil? Um lugar para procurar a resposta é o mercado. Nossa avaliação sugere que, mesmo depois de ter sido rebaixado ao grau especulativo pelo Standard & Poor's, o Brasil continua a apresentar o maior risco de um novo rebaixamento, entre os grandes mercados emergentes. Rússia, Turquia e África do Sul também parecem propensos a passar por isso. Reproduzimos um exercício realizado pelo economista Simon Quijano-Evans, do Commerzbank, que comparou os preços em dólar de "credit default swaps" (CDS, uma espécie de seguro contra calote que serve como indicador ágil quanto às percepções de risco de cada país) de determinados países às suas classificações de crédito médias por Standard & Poor's e Moody's, duas das três grandes agências de classificação de crédito (a terceira é a Fitch), que tendem a reagir com lentidão. No caso de países como Brasil, Rússia, Turquia, África do Sul, Nigéria, Colômbia, Peru e Malásia, o risco atribuído pelo mercado (ao cobrar mais caro pelo "seguro contra calote") é mais alto que o apontado pelas agências. Já países como Portugal, Romênia, Irlanda, Espanha ou Filipinas são percebidos pelo mercado como tendo risco menor que o da nota de crédito das agências. Outro lugar que pode propiciar um bom ponto de observação são os números macro. Win Thin e seus colegas na Brown Brothers Harriman (BBH) empregam um índice ponderado composto por 15 indicadores macroeconômicos e políticos a fim de produzir um modelo implícito de classificação, que segundo eles se provou útil para prever as mudanças de classificação determinadas pelas agências. O modelo da BBH sugere que a classificação do Brasil deveria ser BB-, ou seja, dois graus mais baixa do que a nova classificação conferida ao país pela Standard & Poor's. Isso significa três graus abaixo de sua classificação pela Moody's, que confere ao país o grau de investimento, e quatro graus abaixo da classificação da Fitch, que posiciona o Brasil também com status de bom pagador. A BBH acredita que seja apenas questão de tempo para que as outras agências acompanhem a Standard & Poor's. "Os números do Brasil são espantosamente ruins", diz Thin. "É praticamente a tempestade perfeita em termos de condições internas e externas." A mais recente revisão trimestral da BBH sobre seu modelo de classificação foi publicada no fim de julho. Thin atualizou o dado do Brasil após seu rebaixamento, mas não reaplicou o modelo para Rússia, Turquia e África do Sul, seus três principais candidatos a um rebaixamento de seus papéis públicos. "Mas podemos presumir que a situação dos três tenha piorado", ele diz. Sem essa revisão, a Rússia tem classificação BB- no modelo da BBH: dois graus abaixo da classificação de Standard & Poor's e Moody's e três graus abaixo da Fitch, a única que ainda confere grau de investimento a Moscou. Para a BBH, a África do Sul perderia o grau de investimento que hoje é concedido ao país pelas três agências. A Turquia também ficaria em situação pior. "Nós todos passamos os últimos dez anos falando sobre como os mercados emergentes eram fortes, por causa de seus ótimos fundamentos", afirma Thin. "Sou tão culpado quanto todo mundo mais. Mas exageramos na história dos fundamentos. A realidade é que tivemos só um grande boom de commodities". Tradução de PAULO MIGLIACCI Os efeitos da entressafra do boi e da crise econômica Fonte Jornal Folha de São Paulo Mauro Zafalon 18/09/2015 às 02h 00 O boi caminha para a chamada entressafra, quando a oferta diminui e os preços tradicionalmente sobem. Nos últimos anos, no entanto, a margem entre os menores e os maiores valores de negociações não se distanciou muito. Neste ano, o cenário é incerto, seja pelas dificuldades da economia brasileira, seja pela crise em outros países. Acompanhamento de preços da Informa Economics FNP aponta que o menor valor de negociação nos últimos 1


12 meses no noroeste do Estado de São Paulo foi em fevereiro deste ano, quando o preço esteve em R$ 143 por arroba. Já o maior valor obtido pelos pecuaristas no período foi na última semana de abril, quando a arroba atingiu R$ 152. No início de dezembro de 2014, esteve em R$ 146. Os preços dessa entressafra vão ser influenciados por fatores internos e externos. Os internos vão depender de como a crise econômica nacional vai estar afetando o bolso do consumidor brasileiro. Uma intensa queda de renda vai levar esses consumidores a fazer uma troca por proteínas mais em conta, como a carne suína e a de frango. Do lado do mercado externo, vários países entre os principais importadores do Brasil também passam por instabilidade econômica. A valorização do dólar ante o real atua como uma porta aberta para as exportações brasileiras, mas ela também ocorreu nesses países importadores, como a Rússia. Com isso, eles terão dificuldades nas importações devido à elevação dos custos dos produtos. Um ponto positivo para os brasileiros é que os norte-americanos, país importante no setor mundial de carne bovina, vivem dois cenários bem diferentes com a elevação mundial do dólar. Primeiro, a produção interna de carnes é reduzida, inclusive porque o país está abatendo menos novilhas e vacas para uma recomposição do rebanho. Portanto, a oferta de carne para o mercado externo será menor, e o produto está mais caro devido à alta do dólar. Se de um lado o câmbio dificulta as exportações, vai facilitar as importações. O Brasil, no entanto, está fora desse mercado. A demanda externa por carne bovina continua, mas as condições econômicas dos principais importadores também mudaram. O Brasil está muito de olho na própria crise, mas ela se espalhou pelo mundo todo: Ásia, África e América Latina. Além disso, os países do Oriente Médio sentem os efeitos da intensa queda do petróleo, enquanto a zona do euro patina sem sair do lugar. As proteínas, principalmente a bovina Ðque tem maior valorÐ, estão com queda de preços nos mercados internacionais. Mesmo assim, a demanda vai depender de quanto a crise econômica vai afetar os países importadores.

Ainda não foi desta vez Fonte Jornal O Estado de São Paulo Celso Ming 17 Setembro 2015 às 20h 45 O mercado financeiro global se comporta como um condenado à morte cuja execução está sendo sucessivamente adiada. A cada adiamento, respira fundo, mas o alívio dura pouco, porque a execução é inevitável. Nesta quinta-feira, o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) voltou a adiar a retomada da alta dos juros básicos (Fed funds) da principal moeda do mundo. Tecnicamente, essa alta corresponde ao início da retirada de uma montanha de R$ 3,5 trilhões que foi descarregada pelo Fed na economia a partir de 2008 para prover liquidez aos mercados prostrados pelo colapso do crédito ao longo da crise. Yellen. 'Um pouco mais de tempo' Em consequência dessa operação, também desde 2008, os juros nos Estados Unidos rastejam aos níveis próximos de zero por cento ao ano. Em julho, a presidente do Fed, Janet Yellen, avisara que estava na iminência de iniciar a operação oposta, a do enxugamento dessa dinheirama. Mas, nas últimas semanas, importantes segmentos do mercado global vinham comemorando a perspectiva de manutenção dos juros atuais com queda das cotações do dólar e procura das opções de mais risco. Do ponto de vista do Brasil, a alta traria mais um desdobramento da tempestade perfeita que assola a economia. Juros mais altos nos Estados Unidos implicariam valorização do dólar em relação aos demais ativos. Os preços das commodities, que correspondem hoje a quase 50% das exportações brasileiras, tenderiam a cair ainda mais em dólares; as disponibilidades de capital tomariam o rumo preferencial dos Estados Unidos e obrigariam os emergentes, como o Brasil, a captar recursos em moeda estrangeira a custos mais altos; empresas endividadas em dólares, como a Petrobrás, seriam mais uma vez atingidas... e as consequências se 1


multiplicariam. Foram pelo menos três as razões pelas quais, mais uma vez, o Fed empurrou para mais à frente o início da operação de normalização monetária. A primeira delas é a ameaça de deflação. A queda das cotações do petróleo e das commodities vem achatando os preços. A alta dos juros sobre o dólar reforçaria essa tendência e deflação é problema grave: o consumidor tende a adiar suas compras, os estoques aumentariam no atacado e no varejo o que, por sua vez, derrubaria a produção. Além disso, as dívidas aumentariam em relação a uma cesta de mercadorias e serviços e a arrecadação de impostos teria tudo para cair. A segunda razão para o adiamento da operação de enxugamento é a recuperação ainda muito lenta do mercado de trabalho dos Estados Unidos, que levaria um tranco com a alta dos juros. E a terceira, o enfraquecimento da economia da China (e demais emergentes) que, com um dólar mais forte, sofreria ainda mais. Em consequência do aumento das dificuldades da China, a economia mundial, que ainda convalesce da crise, seria prejudicada. Na entrevista concedida nesta quinta-feira após a decisão do Fed, Janet Yellen citou um a um esses fatores. Agora, os analistas vão se perguntar o que já vinham se perguntando antes: quando, afinal, começará a operação de retirada de dólares dos mercados. Ou, por outra, perguntarão quando será a execução do condenado. A volatilidade do dólar no câmbio interno nesta quinta-feira, antes e depois do anúncio do Fed, às 15 horas. A moeda americana terminou o dia em alta de 0,76%. A principal razão pela qual o governo não aumentou a Contribuição de Intervenção sobre o Domínio Econômico (Cide) foi a de não deixar passar a impressão de que, em vez de resolver o problema das contas públicas, estaria favorecendo um setor da economia: o do etanol. Mas o impacto que a alta dos combustíveis provocaria sobre a inflação também teve seu peso. Esse aumento não está descartado.

Os dentes afiados da recessão Fonte THE ECONOMIST 18 Setembro 2015 às 02h 02 Postos de recolocação profissional não costumam ser ambientes dos mais alegres. No Brasil, onde eles com frequência são vistos como a última alternativa, a que recorrem apenas aqueles que não dispõem dos contatos pessoais que azeitam boa parte da vida nacional, o clima em seu interior pode ser particularmente desolador. Aguardando a vez de ser atendido num desses postos, na região central de São Paulo, o motorista Francisco, de 54 anos, desempregado há dois, diz que as filas de atendimento nunca foram tão grandes. "É a crise", lamenta. Fazia anos que a economia brasileira vinha apresentando crescimento anêmico. Durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, entre 2011 e 2014, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu, em média, 2% apesar da forte expansão na demanda mundial pela soja, pelo minério de ferro e pelo petróleo do País. A interferência excessiva do governo no setor privado, combinada com uma política monetária e fiscal demasiadamente frouxa, minou a confiança. O investimento secou e a inflação disparou. Agora, sem a muleta das commodities, o PIB engatou a marcha à ré (contração, em relação aos três meses anteriores, de 1,9% no segundo trimestre de 2015), arrastando consigo um mercado de trabalho que até então vinha aguentando as pontas. De janeiro para cá, quase 500 mil pessoas perderam o emprego. Pesquisadores da Fundação Getúlio Vargas (FGV) calculam que outros 2,5 milhões de postos de trabalho serão eliminados até o fim de 2016. O desemprego chegou a 7,5% em julho, ante 4,9% em julho do ano passado -, a alta anual mais acentuada de que há registro. A expectativa é que o desemprego alcance os 10% até o fim do ano que vem e permaneça nesse patamar por algum tempo. São poucos os brasileiros que não conhecem alguém que tenha recorrido recentemente ao seguro-desemprego. A desesperança, que por toda parte já era grande, ficou ainda maior quando a Standard & Poor's rebaixou para grau especulativo os títulos da dívida brasileira, depois que a presidente Dilma, numa iniciativa desastrada, tentou transferir a um Congresso já pouco cooperativo a responsabilidade por equilibrar o Orçamento de 2016. A agência de classificação de risco não parou por aí: rebaixou também a nota de uma dezena de grandes empresas brasileiras, incluindo alguns bancos de grande porte. A Petrobrás, que já estava no centro do maior escândalo de corrupção da história do Brasil, conquistou a distinção adicional - não 1


exatamente proveitosa - de ser agora a maior empresa do mundo sem grau de investimento. No início de 2015, a estatal respondia por cerca de 10% do total de investimentos na economia brasileira; agora talvez tenha de realizar um corte em suas despesas de capital superior aos 40% anunciados em junho. A decisão da S&P foi motivada, sobretudo, por preocupações que não vêm de hoje. Nem o mercado de ações, nem o real - com desvalorização acumulada de 30% ante o dólar, de janeiro para cá - sofreram perdas muito significativas depois do anúncio; sinal de que o rebaixamento já estava, em grande medida, precificado. Mas a decisão da agência certamente contribui para aumentar o desalento. O custo da contratação de empréstimos, tanto para o setor privado, como para o público, que já era alto, vai ficar mais salgado, aumentando assim o risco de novos rebaixamentos nas classificações de crédito. Os fundos mútuos e de pensão, que só podem manter em carteira ativos com grau de investimento, terão de se desfazer dos títulos brasileiros em ritmo mais acelerado, antecipando-se a decisões similares por parte da Moody's e da Fitch. (Em geral, é só depois que duas das três grandes agências de classificação de risco aplicam o rótulo de "investimento especulativo" aos títulos de um país que esses fundos são obrigados a se desfazer deles.) Para o Brasil de hoje, com sua economia diversificada e suas abundantes reservas cambiais, isso não terá o efeito debilitante que teria no passado, quando a situação era mais caótica. Ilan Goldfajn, do Banco Itaú, acredita que o fluxo anual de capital estrangeiro tende a cair bastante em relação aos US$ 45 bilhões registrados em 2014, mas não deve ficar abaixo de US$ 10 bilhões em 2016. Mesmo assim, com o desinvestimento, o Brasil terá mais dificuldade para sair de sua pior recessão nas últimas décadas. Em levantamento feito esta semana pelo Banco Central com analistas de mercado, as projeções de crescimento foram mais uma vez revisadas para baixo. A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) acredita que o PIB brasileiro deve encolher 2,8% este ano e 0,7% em 2016. A desvalorização do real gerou pressões inflacionárias, que o Banco Central vem penando para debelar com elevações (contracionistas) da taxa de juros. Em razão disso, os exportadores - com exceção do hipercompetitivo setor agrícola brasileiro - não puderam se beneficiar da desvalorização cambial. Poucos esperam que a economia volte a crescer antes de 2018, quando o eleitorado escolherá o sucessor de Dilma. A renda per capita, que atingiu seu nível mais elevado em 2011, deve levar mais tempo para se recuperar. Desde que renegou as políticas intervencionistas de seu primeiro mandato, a presidente brasileira vem tentando, sem sucesso, encontrar um meio-termo entre a ortodoxia fiscal, defendida pelo ministro da Fazenda Joaquim Levy, e os estímulos propugnados pelo titular do Planejamento, Nelson Barbosa, e muitos no PT. Com o intuito de aplacar o descontentamento crescente entre os partidários da disciplina fiscal, na segunda-feira o governo apresentou mais um pacote - desta vez no valor de R$ 65 bilhões (US$ 17 bilhões) - de medidas de austeridade, incluindo o congelamento dos reajustes salariais do funcionalismo público e o controverso imposto sobre movimentações financeiras. Como aconteceu anteriormente, não se observa no governo grande entusiasmo com a implementação de um pacote que, se por um lado, não é suficiente para pôr as finanças públicas em ordem e instaurar um ambiente econômico mais favorável, por outro, é mais do que suficiente para atiçar rebeliões no Congresso, sobre o qual a presidente, com sua impopularidade nas nuvens, não exerce controle algum, e onde ganha força o movimento para promover seu impeachment. Por ora, Dilma vem conseguindo se manter no emprego. Muitos brasileiros comuns não têm tido a mesma sorte.

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18 de setembro de 2015  
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