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Literatura/Geral

Redação

Indignação Gabriela Garbosa* Cheguei do trabalho, já cansada, fui tomar um banho e logo depois jantei. Passei cerca de duas horas fazendo relatórios da empresa, que precisavam ser entregues no dia seguinte. Estava exausta, mas antes de dormir liguei a TV para ficar informada sobre o que acontecia no mundo. Passei todos os canais e não encontrei nenhum telejornal, apenas novelas, futebol, filmes e um programa chamado “Big Brother Brasil”, o nome sugestivo me chamou atenção, então resolvi assisti-lo, e percebi que se tratava de um “Reality Show” que premiaria o vencedor com R$1.000.000,00. A única coisa que vi naqueles minutos foram discussões, fofocas, intrigas. Me deparei com um programa sem cultura, nem informativo, que só apresenta imoralidades. Naqueles poucos instantes, ouvi o apresentador dizer que o possível ganhador teria um trabalho árduo pela frente. Achava eu, que trabalho árduo tinham aqueles milhões de brasileiros que trabalhavam todos os dias para ganhar “migalhas” e sustentar suas famílias. Mencionava ele também que aos competidores a palavra “heróis”, mas heróis não são aqueles que lutam contra doenças por não terem boa saúde e uma vida digna, ou mesmo aqueles voluntários de ONGs, igrejas e hospitais que passam a maior parte de suas vidas ajudando pessoas carentes ou necessitadas? Perguntei-me naquele momento. No final do programa o apresentador ainda sugeriu: “- Fique ligado, na casa mais vigiada do Brasil”. Achei que ele estava falando do Congresso, da Câmara ou do Plenário. Decepcionei-me com o que havia assistido. Desliguei a TV, fui dormir. *Gabriela Garbosa é aluna do Colégio Arnaldo Busato, de Verê

Poesia

Elegia de gaveta Esses versos, essas palavras eu ofereço às traças. Que o amarelo do papel, a tanto esquecido nessa gaveta, sirva-lhes de nutriente. Que a tinta desbotada da minha caneta seja-lhes doce ao paladar. Que corroam meu papel e minha escrita já que não podem correr-me as entranhas e tão pouco livrar-me da dor que essas palavras não ditas me causam. Fernanda Schimanski é acadêmica de Letras e autora do blog http://eninguemnotou.blogspot.com.br/

Crítica

Pedestre atropelado na faixa Uma mensagem que circulou pela Internet dizia que um motorista não dava oportunidades de passagem a outro e que depois ficou sabendo se tratar de um médico que ia atender uma emergência. Um rapaz que tinha sido atropelado e que, pelas dificuldades do trânsito, o doutor não teve tempo de prestar socorro sendo ele o filho daquele motorista... O respeito no trânsito é um dever mas em nossa cidade tem muitos casos de abuso de direito e é só observar o que acontece nos cruzamentos com semáforos ou em rotatórias onde pedestres, que se acham donos do pedaço, cruzam sem dar a preferência do sinal verde ou a quem está concluindo a manobra em rotatórias, obrigando motoristas a desviar ou parar, congestionando ainda mais o trânsito podendo provocar acidentes. Somos a favor do uso das faixas de pedestres. O problema é que muitas pessoas ainda não sabem usá-las. Será preciso uma nova campanha de orientação ou esperar que alguém seja atropelado na faixa estando o sinal vermelho para si deixando o asfalto vermelho e serem acionadas aquelas sirenes e vermos o carro do IML? Na Espanha sim. Lá, quando os touros veem um sinal vermelho avançam e, no final, acabam morrendo. Antônio Alves Pereira, de Francisco Beltrão

Domingo, 9.6.2013 JORNAL DE BELTRAO

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MEIO AMBIENTE

Programa de gestão das microbacias combina agropecuária com preservação

Só o plantio direto não basta para controlar a erosão, outras práticas, como o plantio em nível, são necessárias. ANPR - Safra após safra o Paraná demonstra a força da sua agropecuária. Com uma área correspondente a 2,3% do território nacional, o estado responde por 21% da produção agrícola e 8% da agropecuária do país. Porém, a exploração contínua das áreas, o uso inadequado de agrotóxicos e a cobertura florestal insuficiente têm causado um considerável impacto sobre o meio ambiente. Problemas como perda de solo, assoreamento e poluição de rios se agravaram nos últimos anos, colocando em risco os recursos naturais e também a produtividade das lavouras. Para reverter esta situação, o Instituto Emater, juntamente com outras instituições do governo estadual, está colocando em prática o Programa de Gestão de Solo e Água em Microbacias. O objetivo é adotar medidas para controlar a erosão e preservar os recursos hídricos, caminhando em direção a uma agricultura mais sustentável. Foi justamente o reaparecimento da erosão no Paraná, problema que as-

sustava os produtores nos anos 70 e que fora controlado até a década de 90, que determinou o retorno dos trabalhos de conservação do solo. "As perdas expressivas de solo, nutrientes e o comprometimento dos cursos de água levaram o governo a adotar medidas conservacionistas nas propriedades rurais", destaca Oromar Bertol, coordenador estadual do programa no Instituto Emater. Noroeste Segundo ele, houve uma confiança excessiva dos agricultores no plantio direto (prática que faz a semeadura sobre a palhada, sem revolver o solo) como forma de controlar a erosão. Os terraços foram retirados das propriedades para facilitar o trabalho com o solo e logo a água das chuvas começou a carrear o solo para os rios. Bertol ressalta que atualmente a erosão está presente em todo o Paraná, mas a situação é mais grave na região Noroeste, onde o solo é mais suscetível. "Hoje sabemos que o produtor, além de fazer o plantio direto, tem que

agregar outras práticas como a rotação de culturas, o plantio em nível, a preservação de florestas nativas ou o plantio de espécies florestais em áreas de maior risco", observa. Bertol acrescenta que além da extensão rural que leva novas tecnologias ao agricultor, a pesquisa pode contribuir definindo a forma mais adequada de explorar uma área e evitar que o solo se esgote. Na opinião do coordenador do programa de gestão de solo e água em microbacia, muitas áreas têm limitação de uso, seja por apresentarem muita declividade, seja por terem solos arenosos e pouco profundos. "Os bons preços dos produtos agrícolas têm levado os agricultores a ocupar áreas mais suscetíveis, mas é preciso respeitar as limitações de cada terreno", afirma Bertol. O Programa de Gestão de Solo e Água em Microbacias teve início em 2012, em 30 municípios. Foram feitos diagnósticos para levantar os problemas mais sérios e em seguida foram definidos planos de ação em cada localidade.

Os solos do Sudoeste não são arenosos, mas também são ameaçados pela erosão Embora a grande maioria dos solos da região Sudoeste estejam fora da classificação de arenosos, temos uma grande diversidade que, em função de localização na topografia do terreno, podem também apresentar suscetibilidade à erosão. A situação das áreas da região é semelhante às demais, tendo como aditivo a dedicação à pecuária leiteira e o uso intensivo na sucessão grãos-pastagem, o que, pela intensidade do uso, já determina a necessidade de práticas de proteção e manejo do solo. As pequenas propriedades do Sudoeste têm sido invadidas por máquinas, equipamentos e implementos que na maioria dos casos ultrapassam as dimensões das áreas exploradas, induzindo os agricultores à retirada de todas as barreiras que poderiam evitar perdas de solo por erosão. Tivemos um bom período em que os produtores adotaram medidas adequadas para reduzir os riscos da perda de solos, mas com o passar dos anos e a ocorrência de períodos em que houve redução nas precipitações, houve um certo descaso com práticas que são recomendadas pela assistência

Lavoura de soja em Francisco Beltrão. Prática dos murunduns foi praticamente abandonada. técnica em geral, para épocas em que, aumentando as chuvas, elevam-se os perigos da degradação e escorrimento da água e solo. Essas ocorrências têm causado assoreamento de córregos e rios e a contaminação de mananciais com produtos indesejáveis, além de redução da produtividade, já que conduzem a parte superficial e mais fértil dos terrenos.

O trabalho em microbacias hidrográficas é realizado também no Sudoeste, com projetos que devem se estender até o ano de 2014 e que visam prioritariamente proteger e melhorar as condições de manejo onde existam mananciais de abastecimento das cidades. As ações integradas de ocupação das terras e obtenção de renda são possíveis dentro da racionalidade e do

equilíbrio, visando acima de tudo a preservação das condições de produção ao longo dos anos. A agricultura é uma arte e, como tal, devemos respeitar as regras da natureza para garantir a sustentabilidade. Engenheiro agrônomo Orley Jayr Lopes, chefe regional do Instituto Emater

JornaldeBeltrão-5069_9-6-13.pdf  
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