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Jornal Laboratório do Curso de Comunicação Social Ano 11

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Número 80

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setembro de 2010

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Belo Horizonte / MG

Distribuição gratuita

Lei Maria da Penha entre a teoria e a prática Foto: Pedro Cunha

Apesar do aumento do número de denúncias de agressões contra a mulher, a lei Maria da Penha, em vigência há quatro anos, ainda não é garantia de segurança para as vítimas

Cidades Infrações no trânsito Multas diminuem com a saida de agentes da BHTrans, mas desrespeito dos motoristas aumenta Página 04

Eleições Debate Político: Candidatos ao governo de Minas discutem suas propostas; saiba o que muda no processo eleitoral Páginas 8 a 13

Esportes Só no papel? Novas regras do Estatuto do Torcedor prometem diminuir a violência nos estádios Página 15

Fumec Rondonista Aluno da Fumec relata sua experiência de trabalho voluntário no norte do país Páginas 16 e 17

Cultura Festival eclético Entre o pop e o rock o festival Rock in Rio 2011 deixam os fãs da música em grande expectativa Página 18

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02 • Opinião

Editor da página: Equipe O Ponto; diagramador: Raoni Jardim 8º período

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

O Ponto

JORNAL DO BRASIL

1891 – 2010

AURÉLIO JOSÉ COORDENADOR DO JORNALISMO IMPRESSO – O PONTO Sem alarde e sem grandes protestos ou repercussão da mídia, na manhã de 1º de setembro de 2010, o Jornal do Brasil, um gigante da comunicação que revolucionou a história da imprensa brasileira em conteúdo e no desenho, deixou de circular. Ao completar 119 anos, acometido por um “câncer” financeiro, o diário partiu desta para o plano virtual. Sim, o conteúdo do velho JB, a partir de então, só pode ser acessado por assinantes no ciberespaço, por meio das telas do computador, do iPod, do notebook e de outros leitores digitais; oráculos da contemporaneidade. O mal que já manifestava seus sintomas desde 2001 um passivo de milhões e parte das receitas bloqueadas para pagamento de dívidas trabalhistas e fiscais – era situação que causava pânico em todos, principalmente nos investidores. A crise foi minando as forças do diário aos poucos. Tentou-se, algumas vezes, reanimar o já moribundo JB, mas as tentativas foram em vão. Após a nota de falecimento, passou a pairar sobre nossas cabeças o fantasma do fim dos tempos: o impresso vai mesmo acabar? Presságio ruim, mau-agouro, chamem como quiser, mas, para muitos, a morte do JB é sintomática, foi anunciada e parece refletir a força da crise do mercado jornalístico em todo o mundo. “Ninguém vestiu luto – só os jornalistas – porque há

muito aboliu-se o luto. O luto e a luta”, concluiu o jornalista Alberto Dines, em artigo para o Observatório da Imprensa, ecoando o descontentamento de muitos profissionais que, de certa forma, sentiram-se órfãos com a morte do tradicional veículo carioca. Os leitores cariocas, por sua vez, reclamam de estar, agora, reféns de apenas um jornal na cidade do Rio de Janeiro. Muitos se manifestaram no Twitter e no Facebook; a ágora pós-moderna. Por outro lado, como sempre foi pioneiro, mais uma vez o JB dá mostra de seu poder de vaticinar. Numa jogada de mestre, tenta transformar a adversidade em inovação. Sai na frente mais uma vez, agora, como a Fênix, o primeiro jornal com conteúdo apenas no campo virtual. Despede-se da centenária roupagem, recicla sua missão de informar, e se rende à nova realidade, à inovação, ao futuro que virá para muitos outros veículos como conseqüência das mudanças pós-internet. O lamentável é que muitos empresários só terão essa visão quando a crise, como uma infecção generalizada, acometer seus veículos na fase terminal. Talvez, por isso, não tenha havido alarde, grandes protestos, demonstrações públicas de dor, lágrimas, luto ou luta. Nem mesmo um texto publicado na última edição impressa anunciando sua partida ou um epitáfio para lembrar sua existência. Em vez disso, preferiu-se o silêncio, as reticências, algo que ficou por terminar e, não, uma pausa absoluta.

-Quem morReu?? -Não, ninguém morReu. É o JB. Não sai mais em papel. Só isSo. -AhH! Pensei que fosSe algo mais sério, que se tratasSe de morte mesmo, esSa coisa. -Uns pensam isSo, que é morte mesmo. Que porque pararam as máquinas de impresSão, ele estaria morto. -Mas a máquina parou, parou de funcionar, ele... não morReu?! -Não, não. Ele agora é 100% digital. O primeiro jornal 100% digital do Brasil. Ele foi o primeiro em muita coisa. -Como o primeiro? -Ah, ele lançou muita moda. Era um jornal elitista, meio monárquico. Sabe Joaquim Nabuco, Rui Barbosa? -De nome... -Eles trabalharam lá, há muitos e muitos anos. Carlos DrumMond, Clarice Lispector e o Bandeira também. Depois, na Ditadura, ele também inovou. Enfrentou os canas, tinha estilo, sabe?! Pense que Amilcar de Castro já tinha mexido em suas linhas... Parece que nao andava bem de gestão. -Mas com esSes nomes de peso, como pôde? -Ah, isSo é História. -O que, o lance da gestão?

-Não, o lance da gestao nao sei. Aí é política e grana, muita especulação, fica difícil de saber. Falo dos nomes de peso. -Ué, eles morReram... -Não, esSa gente não morRe, entra pra História. -Com o JB então aconteceu o mesmo, virou História... -Então, aí é que tá o detalhe. Gente de peso morRe, gente de peso nasce. O negócio é que hoje o que pasSa nao morRe, vira dado, entende? Toda a informação na rede, bancos de imagem, agências de notícia, tudo ligeiro demais pra morRer e virar História. Vira dado, zero um um zero zero um. Linguagem binária cara. -Mas isSo é registro, é um histórico ao menos, não?! -Claro que é. E o que o próprio JB disSe, em nota oficial, é isSo. Notícia no computador, nada de papel circulando, ou seja, árvores e árvores poupadas. -É, isSo é legal, ecológico, né?! -É. Ecológico, atual, hipermoderno, isSo é o presente cara, nao é mais futuro, é o presente. Só tô pensando na História, só isSo... -E História é pasSado... -Não bicho, História é presente, sacou?! Nao é dado, nao é histórico. História é História. Não estou falando do JB, nem do papel, tô falando da História.

“Ninguém vestiu luto – só os jornalistas – porque há muito aboliu-se o luto. O luto e a luta” Alberto Dines

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o ponto Coordenação Editorial Prof. Aurélio José (Jornalismo Impresso) Professores orientadores Profª. Dunya Azevedo (Planejamento Gráfico) Profª. Beatriz de Resende Dantas (Fotografia) Profª. Raquel Salomão Utsch de Carvalho (Redação II) Prof. Reinaldo Maximiano Pereira (Produção e revisão de texto)

Ex-Tintura do JB DIEGO SURIADAKIS 6º PERÍODO

Última capa impressa do Jornal do Brasil

Monitores de Jornalismo Impresso Franco Serrano e Igor Moreira Monitores da Redação Modelo Ana Clara Maciel e Ana Paula Marum Projeto Gráfico Dunya Azevedo · Professora Orientadora Logotipo Giovanni Batista Corrêa Universidade Fumec Rua Cobre, 200 · Cruzeiro Belo Horizonte · Minas Gerais Tel: 3228-3127 · e-mail: oponto@fch.fumec.br Presidente do Conselho Curador Prof. Air Rabello Filho Reitor da Universidade Fumec Prof. Antônio Tomé Loures Diretora Geral Profª. Thaïs Estevanato Diretor de Ensino Prof. João Batista de Mendonça Filho Diretor Administrativo e Financeiro Prof. Antônio Marcos Nohmi Coordenador do Curso de Comunicação Social Prof. Sérgio Arreguy Monitores de Produção Gráfica Raoni de Faria Jardim e Danielle Cristine Vaz Monitores do Laboratório de Publicidade e Propaganda Lorena Emídio de Mendonça e Marina Magalhães Barbosa Colaboradores voluntários Pedro Gontijo Tiragem desta edição: 3000 exemplares Jornal Laboratório do curso de Comunicação Social

Os artigos publicados nesta página não expressam necessariamente a opinião do jornal e visam refletir as diversas tendências do pensamento

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Editor: Pedro Cunha Diagramadores: Pedro Cunha 6º e Raoni Jardim 8º

O Ponto

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

Foto: Diego Suriadakis

NOVO é só RETÓRICA

Quando o

Mercado novo, localizado no centro de Belo Horizonte, reserva extenso espaço para escuridão desabitada ÚRSULLA MAGRO E ALINE BAUMGRATZ 3º PERÍODO

O reflexo da baticardia do Mercado Novo

No hipercentro de Belo Horizonte, a fachada do grande prédio de tijolos sujos passa despercebida. Não há nenhum atrativo aparente, e muitos dos transeuntes ignoram sua existência. Sem divulgação e infraestrutura, o Mercado Novo – inaugurado em 1963 – está abandonado à própria sorte. Os corredores pouco movimentados e a grande quantidade de lojas transformadas em depósitos aumentam a sensação de vazio. Apesar da persistência e otimismo dos lojistas e funcionários, é difícil olhar para aquele cenário e não pensar em declínio, fim, abandono. Muitos comerciantes lutam para que a dedicação de uma vida inteira não seja em vão. É o caso de Dalmo Vicente, que está, há 36 anos, cercado por fumos de rolo em uma pequena tabacaria. Explica, com pesar, que os problemas administrativos do centro comercial impediram a sua evolução. “O Mercado não acompanhou a modernização do modo de vender e foi esquecido à medida que os supermercados surgiram na cidade.” Esquecido inclusive por seus diretores que, absorvidos por conflitos internos, tornaram-se alheios à necessidade de campanhas de divulgação e reformas físicas e estruturais. Deslizando os dedos por sua longa barba branca, João Raimundo Teixeira, lojista e admi-

nistrador do primeiro andar, confessa o grande “drama”: O prédio é dividido em andares independentes que não se comunicam entre si. O simpático senhor, que também é presidente da associação dos comerciantes do mercado, completa ainda que a falta de consenso impede o desenvolvimento de ações conjuntas. Iniciativas que poderiam dar proveito às inúmeras possibilidades que o local oferece e ainda alavancar as vendas. Na loja ao lado, o comerciante Ronaldo Jorge de Souza explica que o preço baixo sempre foi o maior atrativo do Mercado, que atendia principalmente os compradores de atacado. Entretanto, atualmente, a diminuição das vendas, até mesmo para esse segmento, fez com que muitos proprietários transformassem suas lojas em depósito e fossem para o Ceasa. No Centro de Abastecimento de Minas Gerais encontram apoio da iniciativa privada e do Ministério da Agricultura, que incentivam o elo logístico entre a produção e consumo de alimentos, ao contrário do desamparo geral do Mercado Novo. Subindo um lance de escadas, a disparidade entre a realidade dos dois andares é notável. No segundo andar, administrado por Gabriel Filho, o clima é de otimismo. Composto essencialmente por gráficas este piso está em pleno crescimento, principalmente com o aumento da demanda devido à época de eleição. De acordo com Gilson Tavares, 56, proprietário de um

escritório de serviços gráficos, esses estabelecimentos funcionam sem alvará por causa de irregularidades no sistema de coletores de esgotos, onde os materiais químicos são despejados sem nenhum tratamento. Porém, a situação está sendo contornada. A prefeitura concedeu um prazo maior para a execução de um projeto de estação de tratamento. “Contribuímos durante 8 meses com uma taxa para a realização do projeto. Agora estamos aguardando sua execução”, cobra Tavares. Quando questionado sobre o volume de vendas no segundo andar, ele diz entusiasmado: “As lojas aqui eram muito feias. Foram pintadas e a melhoria na aparência atraiu mais clientes. A tendência é que o movimento melhore progressivamente”. O bom astral de Gilson é ofuscado pelo cenário encontrado no andar acima. Desilusão. O último andar do prédio, único de propriedade da prefeitura, está abandonado. Funciona ali apenas uma comissão de combate contra a dengue, de modo que todas as outras lojas, um espaço gigantesco, estão vazias. É evidente a necessidade de medidas que revertam a situação de declínio do Mercado Novo. O local tem potencial para tornar-se referência de cultura, divertimento, turismo e comércio em Belo Horizonte. Seria um grande desperdício deixá-lo cair no esquecimento.

Foto: Pedro Cunha

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Portas fechadas, corredores vazios e um descuido

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Editora e diagramadora da página: Andréa Basdão - 6º G

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O Ponto

Infrações no trânsito:

Quem pode multar? Desde a saída dos agentes da BHTrans da fiscalização das ruas na capital mineira, número de multas diminui, mas desrespeito às leis e irresponsabilidade dos motoristas no trânsito ficam mais evidentes

MARIA ADÉLIA SANTOS E GIOVANI RODRIGUES 2º PERÍODO

possuam opiniões diferentes, ambos concordam que educação, gentileza urbana e respeito às leis de trânsito sejam fundamentais para haver um controle A situação, que se agrava com o fato de uma significativa parcela de consumidores ter passado a contribuir com o aumento do fluxo de veículos nas ruas, em função das facilidades de credito que o mercado disponibiliza (Carros novos com pagamentos em até 60X, por exemplo), inevitavelmente acaba gerando implicações que, somadas a outros fatores, vem contribuindo para tornar cada vez mais caótico o trânsito da cidade. Irritados e em meio a imprudências de toda espécie, fica no ar a dúvida: afinal, quem tem o poder de autuar e conter tantas infrações nas ruas? Impedida por decisão judicial de autuar e restrita ao gerenciamento e monitoramento do tráfego da capital mineira, a BHTrans

teve essa funçå delegada ao Batalhão de Trânsito da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais e `a Guarda Municipal de Belo Horizonte, que passaram a desempenhá-lo de forma conjunta e no âmbito das competências do estado e município, conforme prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB). De fato, percebe-se uma mudança na postura e na forma de trabalhar desses novos agentes, já que são orientados a ter uma abordagem mais educativa do que punitiva. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Segurança Urbana e Patrimonial (SMSEG), o trabalho desenvolvido por esses agentes que tem como principal finalidade orientar a população e exercer a fiscalização das leis de trânsito, no sentido de garantir a fluidez do trânsito. Penalidades contra motoristas infratores só são aplicadas em situações de desrespeito às normas de

trânsito. As autuações mais freqüentes, desde então, têm sido o uso de telefone celular ao dirigir, estacionamentos irregulares e avanços de sinal. Atuando em conjunto desde fevereiro, por meio de convênio de cooperação estabelecido entre elas, as corporações representam, ao todo, um efetivo de mais de 600 homens trabalhando nas ruas. Dentre as várias operações realizadas diariamente pelo Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran), segundo a assessoria de comunicação da instituição, estão seis blitz diárias, sendo duas pela manhã, duas à tarde e duas à noite. A assessoria informa ainda que qualquer policial militar, desde que esteja a serviço do Detran, poderá fazer autuações de trânsito, lembrando aos motoristas dos radares fixos, espalhados em vários pontos estratégicos da capital, que também cumprem o papel de efetuar registros de infrações e gerar multas.

Fotos: Andréa Basdão

O registro de infrações de trânsito em Belo Horizonte vem apontando queda no último semestre, desde a saída dos agentes da BHTrans da fiscalização nas ruas, em dezembro último. De acordo com levantamento feito pelo Departamento Estadual de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG), a redução das autuações foi de 21,39%, em relação a igual período do ano passado. A diminuição das multas, entretanto, não reflete uma maior educação ou respeito às leis de trânsito por parte dos motoristas. Na verdade o que se vê atualmente são atrevimentos por falta de fiscalização. Os condutores estão aproveitando para burlar as regras movidos pela falta de paciência, pressa e realidade do caos. Congestio-

namentos irritantes nos grandes corredores e falta de estacionamentos. Uma verdadeira disputa entre carros, ônibus, motocicletas e pedestres. Adriana Kfuri, fisioterapeuta, garante que os motoristas estão mais ousados desde que a mudança ocorreu. “Diariamente, ao buscar meu filho na escola, tenho me deparado com imprudências de alguns motoristas. Irregularidades como estacionar em locais com placas proibiivas atrapalhando e impedindo a fluidez do trânsito, como se já não bastasse a falta de paciência e a pressa presentes no dia a dia ”, declara, em tom de indignação. Já o aposentado Duval Santos, que não tem necessidade de se expor nas ruas em horários considerados mais críticos, não percebe mudanças significativas no trânsito. “A situação não está tão diferente desde as últimas mudanças”, compara. Embora

Flagrante do desrespeito às leis: carros estacionados em local proibido em duas ruas do Bairro Serra, na regiåo Centro Sul, às 11h da manhã

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Editor e diagramador da página: Amanda Gama 6º Período

O Ponto

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desafia rede hoteleira na capital Forte candidata também a receber cerimônia de abertura de um dos maiores eventos esportivos. Belo Horizonte terá que reconfigurar seu serviço de hospedagem para atender demanda mundial CONRADO BRÁZ E DIEGO DUARTE 2º PERÍODO O país terá mais uma vez a oportunidade de sediar um dos maiores eventos esportivos mundiais. Após 60 anos desde a Copa de 50, os brasileiros “abraçaram” o projeto, porém, que fique bem claro, o trabalho será árduo. O Brasil encontra dificuldades na construção de estádios e obras de infraestrutura. Eleições, utilização do dinheiro público e divergências entre a CBF e o governo de alguns estados são os principais empecilhos para as definições necessárias. As cidades sedes, em parceria com o governo e instituições privadas, já começaram a planejar os investimentos que serão realizados até 2014. A capital mineira, com seus belos conjuntos arquitetônicos, feiras e eventos, é forte candidata para acolher a abertura. Entretanto, apresenta como um dos desafios a questão da rede hoteleira. Em entrevista ao jornal O Ponto, Silvânia Capanema, presidente da Associação Brasileira de Indústria de Hotéis (Abih-MG) e proprietária do Liberty Hotel diz que, Belo Horizonte possui 18 mil leitos e contando com cidades em um raio de 100km possui até 34 mil, sendo 5.000 na categoria quatro e cinco estrelas. Neste mês ocorrerá uma nova

classificação dos hotéis pelo Ministério do Turismo, que avaliará a infraestrutura e serviços. De acordo com a assessoria do Ouro Minas Palace Hotel, único cinco estrelas de Belo Horizonte, a reclassificação não preocupa a administração. “Vale a pena ressaltar que esta matriz ainda não está concluída, portanto, se necessário, faremos adaptações para continuarmos com a classificação, temos que aguardar. É de suma importância salientar que o hotel não perdeu nenhuma classificação”, declara Alexandre Drumond, diretor do Ouro Minas. Ele afirma ter certificação cinco estrelas até dezembro de 2011. O hotel planeja investir R$ 9 milhões na atualização e também em uma preparação para receber os atletas e turistas que virão para a Copa do Mundo de 2014. O projeto contempla obras de acessibilidade, segundo as novas normas internacionais, na qual se faz necessária total mobilidade aos cadeirantes com rotação de 360º dentro do quarto, além de revitalização de todos os 343 apartamentos, reforma e modernização da academia, com todos os equipamentos modelos 2010, de última geração. Expansão O governo estadual abriu, no fim de

junho, consultas para transformação do edifício sede do instituto de previdência privada do estado (Ipsemg), localizado na Praça da Liberdade, em um hotel cinco estrelas. Foram abertas licitações para uma Parceria Público Privada (PPP). A meta do governo é que o empreendimento fique pronto antes da Copa de 2014 e consuma cerca de R$ 41 milhões em investimento. Serão construídos, nos próximos três anos, cerca de 27 hotéis em Belo Horizonte e região metropolitana, com capacidade para algo entre 6 mil a 8 mil leitos. Dez já estão em andamento. Segundo a Abih, serão gastos 790 milhões com novos hotéis e cerca de 400 milhões em reformas com os já existentes. A Fifa possui uma parceria com a empresa Match Services AG, que fornece serviços de bilheteria e hospedagem para a Copa das Confederações e Copa do Mundo. Estima-se que 1/3 da capacidade do estádio seja preenchido com esse programa. Caso Belo Horizonte seja escolhida sede da abertura da Copa, a estimativa é de 2/3 da capacidade. Pós - Copa Além da questão hoteleira, devemos analisar o projeto para a Copa como um todo. O evento envolve cifras extraordinárias, cerca de R$ 25 bilhões, a serem

gastos em obras de infraestrutura para atender as exigências da FIFA. E falando em Brasil, sabemos que o gasto pode ultrapassar o valor estimado, a exemplo dos jogos Panamericanos de 2007, realizado no Rio de Janeiro, que estava orçado em R$ 400 milhões, mas, no final, foi superior a R$ 4 bilhões. Será que vamos repetir os mesmos erros dos anfitriões da Copa passada? A África do Sul obteve prejuízo de aproximadamente um bilhão de dólares. Os gastos foram exagerados para um país com baixa média de público nos estádios (aproximadamente 6 mil há 8 mil pessoas), e que tem preferência pelo rugby. O Brasil não possui esse problema, a adoração pelo futebol sempre foi grande, mas com estádios novos e mais modernos, os gastos com manutenção dos mesmos provavelmente irão aumentar. E isso implica diretamente no bolso do brasileiro, que arcará com ingressos, estacionamento e alimentação muito mais caro. Contudo, apesar de sermos “o país do futebol”, o que fazer com os estádios a serem construídos nas regiões do nordeste e centro oeste, sem tradição no mercado do futebol e que prevê gastos de R$ 500 milhões?

Fotos: Divulgação

Município

Quartos em Hotéis

Rio de Janeiro*

27 mil

São Paulo*

40 mil

Florianópolis

26,2 mil

Salvador*

30 mil

Curitiba*

9 mil

Belo Horizonte* 9 mil

À esquerda prédio do Ipsemg que será transformado em hotel. No detalhe, suíte wde núpcias do Hotel Ouro Minas, único Hotel que ainda possui cinco estrelas

Recife*

12,5 mil

Belém

7 mil

Campo Grande

3,5 mil

Rio Branco

1,2 mil

Manaus*

8,3 mil

Goiânia

12,5 mil

Brasília*

11 mil

Porto Alegre*

14 mil

Fortaleza*

não informado *Cidades-sede

Fonte: ABIH

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Edito: Elisa Heringer 6ºG e diagramador da página: Raoni Jardim 8ºG

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O Ponto

LEI MARIA DA PENHA:

entre

TAPAS e BEIJOS A Lei nº 11.340 comemora quatro anos de nascimento. Mas, nem tudo são flores. Apesar de conhecida, muitas mulheres, mesmo denunciando ainda se sentem desprotegidas e assustadas com a violência

BHIANCA FIDELIS E MARIA CLARA EVANGELISTA ELISA HERINGER 2º E 6º PERÍODOS

“Qual de vocês que é casado que nunca brigou com a mulher? Que não discutiu, que até não saiu na mão com a mulher, né cara? Não tem jeito. Em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”. Esse foi o argumento usado por Bruno, ex-goleiro do Flamengo, ao tentar justificar a discussão do centroavante e colega de time, Adriano (o imperador), e sua ex-namorada Joana Machado, em março de 2010. Alguns meses depois, Bruno passa de comentarista a protagonista de mais um caso de violência contra a mulher nas páginas policiais. Ele está preso e, atualmente, é o principal acusado da suposta morte de Eliza Samudio, ex-namorada do goleiro e que cobrava que o mesmo assumisse a paternidade de seu filho. O escândalo envolvendo a celebridade do mundo esportivo vem à tona no mesmo momento em que a Lei Maria da Penha completa quatro anos. O crime, de certa forma, exemplifica o aumento de denúncias de violência contra a mulher. De janeiro a julho deste ano, o serviço de denúncia Ligue 180 registrou uma alta de 112% nas queixas de agressões em relação ao mesmo período do ano passado. A central foi criada pela Secretaria de Políticas para as Mulheres, órgão da Presidência da República, em 2005. Eliza Samudio procurou a Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) para acusar o goleiro por cárcere privado, em outubro de 2009. A delegada pediu à Justiça que proibisse Bruno de se aproximar da modelo, mas o pedido foi negado pela juíza Ana Paula Delduque de Freitas, que considerou que o relacionamento de Eliza e Bruno não tinha caráter afetivo, familiar ou doméstico. Para a juíza, Eliza não poderia ser assistida pela Lei Maria da Penha, “sob pena de banalizar a finalidade da lei”. Caso semelhante ao de Eliza Samudio é o da cabeleireira Maria Islaine de Morais, 31. Morta no início do ano a tiros pelo ex-marido Fábio Willian Soares, 30, dentro do salão de beleza onde trabalhava, na região de Venda Nova, em Belo Horizonte. O crime foi registrado pelas câmeras de segurança do salão e mostra o borracheiro entrando e disparando nove vezes contra a ex-mulher. A vítima já havia feito pelo menos oito boletins de ocorrência contra o marido. O casal estava separado há um ano, mas ele não aceitava a situação. Fábio só foi preso depois de tirar a vida da cabeleireira.

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Fotos: Pedro Cunha 6ºG

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Editor: Elisa Heringer 6º G e diagramador da página: Raoni Jardim 8º G

O Ponto

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

Pedido de socorro Quando uma mulher procura uma delegacia para prestar queixa de violência, ela é encaminhada, preferencialmente, para uma unidade especializada neste tipo de ocorrência. Segundo a estagiária de psicologia da Delegacia de Mulheres de Belo Horizonte, Aline Silva, enquanto a vítima espera para ser atendida, é oferecida uma assistência psicológica. “Em alguns casos, a conversa ajuda a acalmar as mulheres que, na maioria das vezes, procuram a delegacia vítimas de agressão física dos cônjuges”, diz Aline Silva. A Subdiretora da Delegacia de Mulheres de Belo Horizonte, Sheila Sales, explica que depois da denúncia é aberto um inquérito policial. A Lei Maria da Penha prevê medidas protetoras nas primeiras 24 horas. “A execução de medidas defensivas de urgência não só asseguram o direito da vítima, mas a sua proteção e de sua família”, afirma a subdiretora. Além disso, segundo ela,

em caso de flagrante - quando a policia militar é acionada no momento da briga -, os policiais vão até o local e encaminham as duas partes envolvidas até a delegacia mais próxima. Quando isto acontece, cabe ao delegado decidir o que ocorrerá ao agressor. “Se comprovada à violência, provavelmente, optará pela prisão preventiva”, supõe Sheila Sales. Dependendo da gravidade do caso, a própria delegacia encaminha a vítima a algum abrigo. No caso, a Delegacia de Mulheres de BH direciona ao Centro de Apoio à Mulher, Bem-Vinda, que orienta e, se necessário, encaminha à Casa de Abrigo Sempre Viva. Conquista O grande passo que a Lei Maria da Penha deu em contribuição à luta da mulher foi em relação ao combate à banalização da violência deste gênero. A Coordenadora dos Direitos da Mulher da Prefeitura de Belo Horizonte, Márcia Gomes, afirma que a lei

possibilitou uma nova expectativa para as mulheres enquanto cidadãs. Para ela, nestes quatro anos da lei, a sociedade assistiu uma mudança de comportamento e de cultura. “Vimos uma cultura machista que colocava a questão da violência contra a mulher como uma questão do mundo privado. Politizar este tema é uma forma de resgatar na história o papel das mulheres e a responsabilidade do Estado e da sociedade civil”, opina a coordenadora dos direitos da mulher, Márcia Gomes. O caso de Eliza Samudio ainda não foi concluído. Muitas perguntas e poucas respostas. Até mesmo a participação do goleiro no crime é questionada. O que precisamos é entender que este tipo de violência não pode ser ignorado. E antes de tudo, o que toda mulher precisa é ser reconhecida, e isso não pode depender de classe social ou profissão, mas de SER HUMANO.

Minas é o 4º em denúncia de opressão à mulher A pesquisa do Ligue 180 também revelou que Minas Gerais é o quarto Estado que mais recebeu denúncias de violência contra a mulher. Foram 22.951 ligações até o mês de julho deste ano. O primeiro foi São Paulo, seguido de Bahia e Rio de Janeiro. De acordo com a pesquisa o número de ligações pedindo informação sobre a Lei Maria da Penha (nº 11.340/2006) aumentou 50% em comparação com ano de 2009. Este dado revela uma certa popularização da Lei, pela ampla e crescente divulgação junto à mídia e órgãos especializados.

Casos famosos de agressão O ator Kadu Moliterno foi acusado de lesão corporal ao agredir sua mulher, a atriz Ingrid Saldanha. Segundo ela, o marido a agrediu com um soco no rosto, o que lhe causou oito pontos no nariz e um hematoma no olho esquerdo. O motivo seria irritações no trânsito

Netinho de Paula foi acusado de agredir sua mulher, Sandra Mendes de Figueiredo Crunfli, 34. Netinho pretendia se separar da mulher, mas sem divisão de bens e teria exigido que a mulher assinasse, sem ler, um documento abrindo mão de seus direitos conjugais. Ela não concordou, esse teria sido o motivo da agressão.

Depois da apresentação da peça “Passáro da Noite”, Luana Piovani, o elenco e a produção foram comemorar em uma boate. Dado Dolabella, após dançar com Piovanni, pediu para ir para casa, porém, Luana quis ficar mais um tempo. Luana levou um tapa na cara. A camareira da peça tentou separá-los e acabou sendo também agredida por Dado. No mês de agosto, Dolabela foi condenado pelo Juizado de Violência Doméstica Familiar por agredir a atriz.

O ator Mel Gibson foi acusado de agredir Oksana Grigorieva, sua ex-mulher. Segundo a modelo, o ator a violentou enquanto segurava a filha no colo. Foi divulgada uma fita onde o ator aparece fazendo declarações violentas e racistas para a ex-mulher, na presença da filha pequena do casal. As gravações mostram o ator ameaçando queimar e jogar o corpo de Oksana no jardim.

O ator Charlie Sheen foi preso por discutir com sua mulher, Brooke Mueller . Sheen foi sentenciado a passar 30 dias em um centro de reabilitação na Califórnia, 30 dias de liberdade condicional e a fazer um curso de 36 horas para controlar sua ira.

O rapper Chris Brown foi indiciado por agressão grave e ameaças contra sua então namorada, Rihanna. Segundo as acusações, Brown tentou empurrá-la de seu Lamborghini e a cantora bateu a cabeça contra a janela do banco do carona. O rapper teria esmurrado a namorada enquanto ainda dirigia, até deixá-la com a boca sangrando.

Fonte e fotos: sites da internet

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08 • Eleições

Editor e diagramador da página: Ana Flávia Belloni 6º Período

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

O Ponto

O poder do voto Saiba como o eleitor deve se preparar para as eleições 2010 e ficar em dia com o TRE, conheça as novidades e vote com consciência

RAYANE DA MATA E RHIZA MILHORATO 2º PERÍODO As eleições estão se aproximando e no dia 3 de outubro o eleitor terá a oportunidade de escolher o melhor candidato para representá-lo. Em 2010, a população vai votar para os cargos de presidente e vice presidente da República, dois senadores por Estado, governador e vice governador, além de deputado federal e estadual. Em Minas Gerais, serão eleitos 53 deputados federais e 77 deputados estaduais. Em caso de segundo turno para presidente e/ou governador, as eleições serão no dia 31 de outubro. Neste ano, algumas novidades estarão presentes na hora da votação como, o voto em trânsito que permite ao eleitor que esta fora de seu domicílio eleitoral se deslocar para alguma capital do país no dia das eleições e votar para presidente da República, desde que esteja em dia com as suas obrigações eleitorais. O cadastramento para esses eleitores foi feito no cartório eleitoral, no período de 15 de julho a 15 de agosto, sendo permitido ainda que o eleitor cancelasse a habilitação para votar em trânsito até o término desse período. Urnas serão instaladas nas capitais dos Estados para este fim. Nestas eleições, o país terá uma votação mais informatizada e segura, já que não haverá dúvidas quanto à identidade de cada eleitor. Outra modificação que vai entrar em

Para quem perdeu o título, a solicitação de uma segunda via em qualquer cartório eleitoral do país poderá ser feita até 23 de setembro vigor já nessas eleições é a exigência da apresentação de um documento oficial com foto, juntamente com o título de eleitor, diferentemente dos últimos anos, nos quais era possível votar apenas com um deles. Poderão ser apresentados documentos como carteira de identidade ou documento de valor legal equivalente (identidade funcional), carteira de trabalho ou de habilitação com foto, além de certificado de reservista. Para quem perdeu o título, a solicitação de uma segunda via em qualquer cartório eleitoral do país poderá ser feita até 23 de setembro. Para aqueles que não decidiram seu voto, ainda dá tempo de pesquisar. Nessas eleições, os eleitores têm acesso a todas as certidões criminais e previsão de gastos de campanha, além das propostas de governo dos candidatos aos cargos de presidente da República e governador. Este processo de pesquisa só foi possível porque ao se registrarem, os candidatos apresentaram as certidões criminais fornecidas pelas justiça. Os eleitores interessados podem acessar estes documentos pelo site da Justiça

Eleitoral. Para garantir a ética, nessas eleições a Justiça Eleitoral proibiu que todos os candidatos participassem de inaugurações de obras públicas, diferente dos últimos anos quando apenas candidatos a um dos cargos do poder executivo (presidente, governador e vice) tinham de atender a essa proibição. Em contra partida, os candidatos poderão utilizar outros meios para fazer sua campanha, como, por exemplo, a internet, da mesma forma que qualquer cidadão poderá fazer o uso de sites de relacionamentos como, Orkut, Twitter e blogs para expressar sua opinião sobre os candidatos. Este foi um grande avanço e talvez será uma das ferramentas mais utilizadas por ambos. A proibição recai somente nas páginas de empresas com ou sem fins lucrativos, aquelas destinadas ao uso profissional e as oficiais. Não é permitido qualquer tipo de propaganda paga na internet e para evitar a formação de um mercado de cadastros de endereços eletrônicos, fica estritamente proibida a venda desse tipo de banco de dados. Os candidatos poderão usar a mensagem eletrônica para divulgar seus projetos, entretanto, para coibir o uso de spam (mensagem automática), a lei determinou que os e-mails tivessem um mecanismo que permita ao destinatário a solicitação do seu descadastramento. No caso de o candidato desconsiderar o pedido de descadastramento e, em até 48

Branco ou nulo?

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Foto: Pedro Cunha

Se você pretende votar em branco ou u nulo nestas eleições e estino do seu voto, fique tem aquela velha dúvida, sobre qual o destino o o “nulo”, tranquilo, tanto o voto “branco”, quanto não vão favorecer nenhum candidato. eitor preO voto em branco é dado quando o eleitor onfirma o ciona a tecla “branco”e, em seguida, confi seu voto. Já no caso do voto nulo, apenas se digita um número que não existe e, na sequência, confirma aquela opção. No Brasil, de acordo com a lei Nº 9.504, de 30 de Setembro de 1997, esses dois tipos de voto são registrados apenas para fins estatísticos, ou seja, nenhum deles é computado para um determinado candidato ou partido político. otos válidos Sendo assim, não são considerados votos o. e não se distinguem em nenhum aspecto.

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horas, o problema continuar sem solução, o responsável pelo envio poderá pagar multa de R$ 100 por mensagem. O candidato e o partido político têm assegurado direito de resposta na internet, que deverá ficar disponível por tempo não inferior ao dobro em que esteve disponível a mensagem considerada ofensiva. A Justiça Eleitoral poderá suspender, por 24 horas, o acesso a todo o conteúdo das páginas na internet que não seguirem a conduta determinada pela lei. Para proporcionar maior transparência em relação aos recursos arrecadados pelas agremiações partidárias para utilização em campanha, os partidos devem manter uma conta bancária específica para movimentar recursos desse tipo. Neste ano, passou a se exigir dos partidos políticos a prestação de contas referente às movimentações financeiras realizadas para as campanhas eleitorais. Antes, as doações eram repassadas para os candidatos sem identificar a origem e os beneficiários, e a exigência de conta bancária específica para esse fim se limitava apenas ao comitê financeiro e ao candidato. A prestação de contas do partido político deve ser apresentada em novembro, um mês após as eleições assim como já fazem candidatos e comitês financeiros. Outro fato importante é que entre as entidades proibidas de fazer doações às campanhas foram incluídas as esportivas, mesmo

as que não recebem recursos públicos, assim como os governos estrangeiros, concessionárias de serviços públicos e sindicatos, que já faziam parte desta lista. Tais entidades também estão proibidas de fornecer cadastros de e-mails de seus clientes, ainda que gratuitamente. Agora os partidos políticos que desejam aplicar recursos em campanhas deverão se submeter aos mesmos limites das doações em geral, ou seja, 10% da renda apurada em 2009 para pessoas físicas e 2% do faturamento do ano anterior para pessoas jurídicas, de acordo com o TRE. Além disso, os partidos só podem aplicar em campanhas os recursos que tenham sido arrecadados de fontes não vedadas para eleições. As doações feitas por pessoas físicas, por meio de cartão de crédito ou débito podem ser feitas até o dia da eleição, inclusive no segundo turno. No dia seguinte às votações, todos os mecanismos utilizados para arrecadação na internet devem ser retirados do ar. É proibida a utilização de cartões emitidos no exterior ou corporativos, sendo obrigatória a identificação do doador, trânsito dos recursos pela conta bancária específica de campanha e emissão de recibo eleitoral. No dia das eleições, e, mais especificamente na hora do voto, cada tela da urna eletrônica indicará o cargo, número, nome, foto e partido dos candidatos, inclusive do

vice-presidente, do vice-governador e dos dois suplentes no cargo de senador. Ao final de cada voto, o eleitor pode apertar a tecla laranja “corrige”, reiniciar e votar corretamente naquele cargo, ou precionar a tecla verde “confirma” e validar o seu voto. Para as eleições 2010 teremos uma tela para cada voto no cargo de senador, ao contrário de 2002, quando uma mesma tela era dividida em duas. O eleitor vai votar da seguinte forma: na primeira tela para o Senado, ele vai digitar o número do primeiro candidato escolhido para o cargo e confirmar o voto. Na sequência, aparecerá a tela para escolha do segundo senador, caso o eleitor digite o mesmo número da primeira tela, a urna apresentará a seguinte mensagem: “Candidato repetido. Voto Nulo”. Caso confirmado, o voto será anulado. A ordem de votação também foi alterada. Em 2010, o eleitor vai votar primeiro para deputado estadual, diferentemente da última eleição geral, em 2006, quando os eleitores escolheram primeiro o deputado federal. A urna exibirá ao eleitor, primeiramente, o painel relativo à eleição proporcional e em seguida, o referente à eleição majoritária, sempre nesta ordem: Deputado Estadual ou Distrital e Deputado Federal, Senador primeira vaga e Senador segunda vaga, Governador de Estado ou do Distrito Federal e, por fim, Presidente da República.

A prestação de contas do partido político deve ser apresentada em novembro, um mês após as eleições, assim como já fazem candidatos e comitês financeiros

Votar: Exercer esse direito é a melhor opção

Foto: Rhiza Milhorato

No Brasil, o voto é obrigatório para homens e mulheres com mais de 18 anos e facultativo para os analfabetos, maiores de 70 anos e jovens com idades entre 16 e 18 anos. Devido à lei brasileira, que se diferencia de outros paises nos quais não existe a obrigatoriedade do voto, algumas pessoas sentem-se aliviadas por não ter mais de realizar essa atividade e a juventude, muitas vezes, adia ao máximo que pode esse processo, para não ter de assumir mais uma responsabilidade. Atitude que não é nada satisfatória, visto que não existe nada que

substitua o direito do cidadão de escolher quem ele gostaria que tomasse as melhores decisões por ele, para seu Estado e país. O problema é que grande parte da população não pensa assim, mas para toda regra existe uma exceção e um bom exemplo disso é o bacharel em Ciências Contábeis, João Batista de Almeida, 74, que, apesar de não fazer mais parte do grupo, no qual o voto é obrigatório, ele continua cumprindo seu papel de cidadão. De acordo com Batista, “é dever não só dos brasileiros, mas de todo cidadão acompanhar as decisões que são tomadas em relação ao futuro do país, mas também lutar para que cargos de grande importância sejam ocupados por pessoas de competência. E isso só pode ser feito através do voto” afirmou. Todo eleitor deve ter a consciência de que as pessoas que não valorizam o seu voto assumem uma posição bastante preocupante, como se não estivessem mais participando da sociedade em que vivem.

João Batista de Almeida, mesmo aos 74 anos, continua votando

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Editor: Equipe O Ponto e diagramad

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Debate político mobiliza comunidade acadêmica Encontro na Fumec reuniu candidados ao Governo de Minas e colocou em discussão temas como saúde, segurança pública e exploração de recursos minerais Fotos: Gabriela Oliveira, Willian Borges e Pedro Gontijo

Patrus Ananias (PT/PMDB), candidato a vice-governador de Hélio Costa; Oraldo Paiva (PSTU), vice de Vanessa Portugal; professor Reinaldo Maximiniano, mediador do debate; e os candidatos José Fernando Aparecido (PV) e Fábio Bezerra (PCB)

ANA CLARA MACIEL E FRANCO SERRANO 5º E 4º PERÍODOS

“Foi de altíssimo nível o debate dos candidatos. Parabéns à equipe do jornal O Ponto e da Redação Modelo do Curso de Comunicação, responsáveis pelo evento.” Sérgio Arreguy, Coordenador do curso de Comunicação Social

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“A saúde pública pelo que significa de ineficiência e precariedade encabeça a lista de problemas que os gestores públicos têm que enfrentar. Quais as propostas efetivas dos senhores para tirar o SUS da hidrocefalia e fazê-lo cumprir seu papel social em Minas Gerais?” A partir desse questionamento, os candidatos ao Governo de Minas, presentes ao debate realizado na Fumec no dia 22 de setembro, puderam expor seus pontos de vistas e as principais propostas dos seus projetos de governo. Os postulantes ao governo mineiro Fábio Bezerra (PCB) e José Fernando Aparecido (PV) e os candidatos a vice Patrus Ananias (PT/PMDB), representando Helio Costa, e Oraldo Paiva (PSTU), representando Vanessa Portugal; afirmaram que é necessário a efetivação do cumprimento da Emenda 29, que prevê um repasse de 12% do orçamento para a saúde. Os candidatos foram unânimes também quanto à urgência em se acabar com a “ambulancioterapia”, ou seja, a política dos municípios de utilizar o dinheiro destinado à saúde, muitas vezes, para a compra de ambulâncias e translado de pacientes para consultas e atendimentos em Belo Horizonte. Outros temas polêmicos como respon-

sabilidade fiscal, segurança pública, meio ambiente e oportunidades de emprego também estiveram presentes no primeiro bloco debate. Na segunda etapa, todos os candidatos fizeram perguntas e responderam a questões dos concorrentes respectivamente. Ganhou destaque neste bloco o debate entre José Fernando e Patrus Ananias. O candidato do PV acusou a então ministra Dilma Rousseff, candidata à Presidência pelo PT, de negligenciar seus pedidos para discutir o problema da exploração de minérios no Estado, mesmo sendo um tema de conhecimento do então ministro Patrus Ananias. “Foram quatro anos que tentei uma audiência com a ministra Dilma. Cheguei ao ponto de pedir isto no ar na TV Câmara”. Patrus rebateu as acusações. “Pelo menos uma vez fui testemunha de um encontro seu com o presidente Lula e a ministra Dilma, onde essa questão foi levantada por você, enquanto representante do PV.” Os candidatos, mesmo na ausência de um representante do PSDB, apontaram diversas falhas do governo Aécio/Anastasia nas áreas de educação, transporte e tributação. No terceiro bloco, a comunidade acadêmica entrou em cena e, em duas rodadas de perguntas direcionadas a cada um dos candidatos, colocou em questão temas que abordaram desde a homofobia até mesmo o jogo político e conchavos entre os partidos

envolvidos no pleito deste ano. No final do debate, todos os candidatos tiveram dois minutos para suas considerações finais. Os políticos agradeceram a oportunidade de falar à comunidade acadêmica, elogiaram a postura e interesse dos universitários e a organização do debate pela iniciativa. O candidato a vice Oraldo Paiva ressaltou a dificuldade dos partidos pequenos em obter um espaço na mídia. “As eleições mostram o quanto é limitada a nossa democracia. Os gastos que os grandes partidos fazem nas eleições é uma afronta à sociedade de um país tão carente, onde a saúde é um caos e a educação é tão precaria.” José Fernando concordou com o colega. “O debate é a mais nítida manifestação da democracia: ouvir propostas, cobrar posicionamentos e compromissos, apresentar reivindicações. Se toda campanha fosse centrada nisso, não tenho dúvida que nossa candidatura estaria liderando as pesquisas de opinião pública.” Fabinho Bezerra agradeceu o convite sem nenhum critério político excludente e afirmou: “alguns jornais e algumas emissoras de TV utilizam o argumento da ausência de representação parlamentar para coibir a participação dos candidatos dos ‘pequenos’ partidos nos debates e entrevistas.” Isonomia “Democracia é oportunizar a todos o

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agramador da página: Raoni Jardim

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Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010 mesmo ponto de partida. Quanto ao ponto de chegada, depende de cada um”, afirmou o jornalista Fernando Sabino. Foi a partir desse princípio da isonomia, que o jornal O Ponto e a Revista Ponto & Virgula, por meio dos laboratórios de Jornalismo Impresso e Redação Modelo, organizaram o debate, realizado no auditório 309 da FCH, com transmissão ao vivo para a sala multimeios (209), do mesmo prédio. Cerca de 200 expectadores acompanharam a performance dos candidatos ao governo mineiro. O convite foi feito a todos os concorrentes. Os candidatos Antonio Anastasia (PSDB) e Edilson Nascimento (PTdoB) não compareceram ao debate e nem enviaram seus representantes. Ambos alegaram incompatibilidade de agenda para justificar a não participação. As perguntas dos universitários que não puderam ser respondidas por insuficiência de tempo foram enviadas pelos monitores de O Ponto e da Redação Modelo às assessorias dos candidatos, para que resposdam via e-mail. O coordenador do curso de Comunicação Social, Sérgio Arreguy, agradeceu a participação dos políticos e da comunidade acadêmica nesse importante encontro democrático realizado na Fumec. “Foi de altíssimo nível o debate dos candidatos. Parabéns à equipe do jornal O Ponto e da Redação Modelo do Curso de Comunicação, responsáveis pelo evento.” O professor Reynaldo Maximiano Pereira, mediador do debate, disse acreditar que a participação dos candidatos em eventos como o realizado na Fumec é fundamental

para definir a imagem dos políticos junto ao público, que pode presenciar suas performances. “Quando o candidato é mais consistente na resposta, ele altera positivamente como o público recebe a mensagem”, afirmou. Com relação às regras do debate e a importância dos temas discutidos, o professor afirma que, de modo geral, o debate foi bem sucedido e as questões colocadas de forma pertinente. “O tempo estipulado para resposta foi adequado. O modelo foi adaptado das regras dos debates que são transmitidos pela televisão. A articulação depende de cada candidato. Tem quem consiga apresentar seu conteúdo em respostas dentro do tempo estipulado e outros não. Isso é uma questão de maturidade política e de facilidade de expressar os pensamentos.” Para a estudante de jornalismo Elisa Heringer, o debate foi democrático. “Todos tiveram oportunidade de responder e o tempo foi igualmente distribuído”, afirmou. Quanto à ausência de representantes do PSDB, ela dispara: “Não sei ainda em que candidato votar, mas tenho certeza que não voto no Antonio Anastásia.” Já Carolina Costa Miranda, também do curso de jornalismo, disse que a ausência do candidato do PSDB não muda em nada sua intenção de voto em Antonio Anastásia. “Eu acredito que a agenda dele é muito apertada, continuo votando nele pelas suas propostas e pela gestão do governo atual.” Carolina ressalta, porém, que o candidato do PSDB deveria ter enviado um representante porque foi muito atacado pelos outros, mas não teve ninguém para defendê-lo.

O candidato ao governo pelo PV, José Fernando

“A melhor parte da campanha é o debate, a troca de ideias, a manifestação do pensamento. Principalmente quando encontramos jovens interessados”

O candidato a vice pelo PSTU, Oraldo Paiva

“Destaco a importância de todos os candidatos terem sido convidados. Para nós, do PSTU, tem uma relevância muito grande expor as nossas idéias “

O candidato a vice pelo PT/PMDB, Patrus Ananias

Estudantes e professores dos cursos da FCH assistiram ao debate entre os candidatos ao governo mineiro no auditorio 309, retransmitido para multimeios

“Gostaria de agradecer a oportunidade desse encontro. Sempre venho a esses debates com muita alegria porque é um espaço de troca de ideias.“

O candidato ao governo pelo PCB, Fábio Bezerra

Os candidatos ao governo de Minas acompanhados da equipe de O Ponto e da Redação Modelo, professores e coordenador do Curso de Comunicação Social

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“Agradeço, em nome do Partido Comunista Brasileiro, a oportunidade porque temos um compromisso com a democracia e com a transparência“

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Editor e diagramador da página: Larissa Borges 6º Período

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

O Ponto

Os candidatos Nove candidatos estão na disputa para a predidência em 2010. Conheça suas principais propostas de governo e as novidades para o eleitor no pleito deste ano EDUARDO ZANETTI E WILLIAM BORGES 4º PERÍODO

As campanhas para as eleições de 2010 já começaram. Muito se fala sobre o voto consciente e a importância de exercer o papel de cidadão. Porém, ainda existem dúvidas por parte do eleitorado sobre os candidatos, seus partidos e as propostas oferecidas para o funcionamento do país. Além disso, neste ano as eleições trazem novidades, como o voto em trânsito, que dá ao eleitor a oportunidade de votar fora da sua cidade. Pensando nisso, a redação do jornal O Ponto criou um especial sobre as eleições, uma espécie de manual, para ajudar os cidadãos na hora de escolher os seus candidatos e esclarecer alguns aspectos sobre este momento tão importante do país. As eleições serão no dia 3 de outubro e é preciso estar preparado para o voto.

Nas eleições de 2010, os cidadãos deverão votar nos seguintes cargos: presidente, governador, senador, deputado estadual e deputado federal. As funções designadas para cada cargo são complementares, mas distintas. O presidente é quem exerce o Poder Executivo Federal. De forma geral, cabe à ele a função administrativa do país. No comando da nação, ele é o representante do povo, eleito de forma democrática através de eleições diretas. Seu mandato tem duração de quatro anos, que pode ser prorrogado pelo mesmo período de tempo, mediante uma segunda eleição prevista constitucionalmente.

O governador também faz parte do Poder Executivo Federal, mas representando os Estados e os Distritos Federais. Sua função é dirigir a administração e representar o Estado em suas relações jurídicas, políticas e administrativas, defendendo seus interesses junto à Presidência da Republica. Além disso, o governador deve investir em obras federais que auxiliem as pessoas da região em que foi eleito. Já o senador, por fazer parte do Poder Legislativo Federal, deve elaborar leis, discutir e votar o orçamento da União, fiscalizar e controlar os atos do presidente e do vice-presidente podendo julgá-los se cometerem crimes de responsa-

bilidade e atender aos pedidos dos eleitores para repassá-los aos órgãos governamentais. Um senador permanece no cargo por oito anos. Por fim, os deputados estaduais e federais. O estadual tem a função de fiscalizar os cargos do poder executivo do seu Estado, como o governador, o vice-governador e os seus secretários. Também ajuda a elaborar o orçamento estadual e a propor leis para o seu Estado representante. Quanto ao deputado federal, ele exerce as mesmas funções, porém fiscaliza o presidente, o seu vice e os ministros. Compõe a Câmera dos Deputados, dividindo as tarefas com os senadores.

Candidatos à presidência

Fotos: sites oficiais dos candidatos

Dilma Roussef -PT Nascida em Belo Horizonte e graduada em economia, foi secretária estadual de Minas Energia e Comunicação no Rio Grande do Sul e ministra da Casa Civil durante o governo Lula. Ajudou na fundação do Partido Democrático Trabalhista (PDT), no Rio Grande do Sul, e participou ativamente de campanhas eleitorais. Dilma, durante a sua candidatura, recebeu sete multas eleitorais por propaganda indevida ou antecipada. Como enfoque principal de seu plano de governo está a ênfase no pré-sal e nas ações sociais.

Ivan Pinheiro -PCB Carioca e formado em direiro, Ivan é secretário geral do Partido Comunista Brasileiro. Na década de 70, ainda sob regime ditatorial no Brasil, ele fez parte do MR-8. Com o fracasso da luta armada, partiu para a clandestinidade. Encontrou o PCB mais tarde e se afiliou ao partido. Já concorreu aos cargos de vereador no Rio (em 2000 e 2004) e de deputado federal (2005). Entre suas propostas de governo estão: o fim do PAC, uma política externa soberana e antiimperialista e a reestatização total da Petrobras.

José Eymael - PSDC Nascido em Porto Alegre, foi candidato à prefeito de São Paulo em 1985 e 1992. Em 1986, foi eleito Deputado Federal Constituinte, sendo reeleito em 1990. Candidatou-se à Presidência da República em 1998 e 2006. Entre suas propostas para este ano estão a formulação de políticas sociais e econômicas para os cidadãos e o resgate e proteção dos valores éticos e da família.

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Editor e diagramador da página: Larissa Borges 6º Período

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José Serra - PSDB Nascido em São Paulo, capital, é formado em economia. Foi deputado federal, governador paulista, senador e prefeito. Foi candidato à presidente em 2002, mas derrotado por Lula no segundo turno. Teve grande importância como ministro da Saúde, implantando o programa de prevenção ao HIV. Durante a sua campanha, foi multado seis vezes por propaganda antecipada e indevida. Suas propostas incluem um plano de saneamento básico nacional e ampliação da malha ferroviária.

Levy Fidélix -PRTB Natural de Mutum, no interior de Minas Gerais, Levy Fidélix é fundador do Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB). Tem como projeto o aerotrem, um veículo parecido com o metrô que transita numa linha elevada sobre o chão através do magnetismo. Já foi diretor de criação da agência Vogue e Staff (RJ). Propõe a informatização escolar como ferramenta de alfabetização e um crescimento econômico com melhor distribuição de renda.

Marina Silva -PV Ambientalista e pedagoga, a acreana creana é fi filiada liada ao Par Partido Verde (PV). Durante muitos anos foi filiada ao PT, mas rompeu com o partido em 2009. Foi Ministra do Meio Ambiente durante o governo Lula. Engajada no movimento social, foi companheira de Chico Mendes e com ele fundou a Central Única dos Trabalhadores (CUT). Baseia sua candidatura em propostas ligadas à política externa e educação.

Rui Pimenta -PCO Paulistano Paulistano, jornalista e editor do “Causa Op Operária”, é filiado ao Partido da Causa Operária. Foi candidato à presidência em 2002, sendo o último colocado nas eleições. Em 2006 teve seu pedido de candidatura indeferido pelo Tribunal Superior Eleitoral devido à falta de prestações de contas da campanha anterior. Defende que o plano de governo deve ser direcionado pela população.

Plínio Sampaio - PSOL Nascido em São Paulo é formado em direito. Foi coordenador do Plano de Ação do governo Carvalho Pinto, secretário dos Negócios Jurídicos desse mesmo governo, secretário do Interior e Justiça na prefeitura de São Paulo e deputado federal. Em 1987, substiuiu Lula na presidência do PT. No ano de 2005, ingressou no PSOL por não concordar com os rumos políticos tomados pelo PT. É contra as privatizações e defende a reforma agrária.

Zé Maria - PSTU Nascido no interior de São Paulo, Zé Maria é metalúrgico e dirigente do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU). Na década de 70, fez parte do grupo Liga Operária e foi preso. Defendeu o presidente Collor na década de 90 e foi expulso do PT, indo logo depois para o PSTU, em 1994. Foi candidato à Presidência da República em 1998 e 2002. O seu programa de governo propõe a luta contra os interesses das grandes empresas, apoio aos trabalhadores, geração de empregos e reforma agrária.

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Futsal mineiro em baixa Com apenas um representante mineiro na elite nacional, apesar de sempre revelar novos jogadores, o esporte passa por um momento difícil no estado e enfrenta problemas estruturais em seus campeonatos CARLOS HENRIQUE SOARES GUILHERME PRATES 2º PERÍODO Jogadores de futebol como Ronaldinho, Kaká, Robinho e Adriano são nomes conhecidos do torcedor brasileiro. Além de serem atletas bem sucedidos na carreira futebolística, são pessoas que estão sempre na mídia, seja por comerciais de produtos ou até mesmo por desacatarem as leis do país. Mas, e se falarmos alguns nomes de outros atletas famosos, como Falcão, Lenísio, Dieguinho, Simi e Dieci?

Você saberia dizer o que eles praticam? É o futsal. Introduzido no Brasil no início da década de 1940 por frequentadores da Associação Cristã de Moços de São Paulo, o futebol de salão possui os mesmos objetivos que o futebol de campo, porém, não com as mesmas regras e táticas, w já que a bola e os espaços são reduzidos e são cinco jogadores titulares em cada equipe, em uma quadra lisa e sem gramas. A seleção brasileira de futsal é hexa- campeã mundial e possui o melhor jogador do mundo – Falcão – eleito pela Fifa. O

esporte é bastante valorizado na Espanha, que é bi-campeã mundial, na Argentina e principalmente na Itália, que investe em naturalizar jogadores brasileiros para comporem a seleção italiana de futsal. No Brasil, os campeonatos goiano, catarinense e paulista tem destaque, uma vez que atraem o interesse de grandes patrocinadores e a Federação investe no esporte. Já em Minas Gerais, o futsal anda em baixa. O futsal Mineiro possui dois representantes na Liga Futsal ,o campeonato brasileiro do esporte , o Praia Clube de Uber-

lândia e o V&M Minas, que é o principal competidor do estado. Mesmo assim, a maioria dos seus jogadores não são de origem mineira. O Campeonato Metropolitano, realizado em Belo Horizonte, é composto por apenas seis equipes, sendo duas do V&M Minas: a equipe da categoria adulto e a da categoria sub-20. Isso ocorre, inclusive, porque não existe um campeonato para a segunda categoria. Segundo o ex-atleta de futsal do Barueri sub-20, Lucas Cordeiro, 19, “em São Paulo, o Campeonato Paulista, promovido

pela Federação, é composto por duas séries: Ouro e Prata, que correspondem às diferentes divisões. Além disso, há também uma competição paralela entre clubes do interior paulista, denominada Campeonato do Interior.” Para tentar entender o descaso em relação ao futsal mineiro, a reportagem entrevistou duas pessoas de grande importância no meio – o técnico Fernando Montoni, mais conhecido como Maçã, e o Presidente da Federação Mineira de Futsal (FMFS), Marcos Antônio Madeira.

Depoimento Guilherme Prates*

Enquanto jogador, a realidade que vejo é o futsal de Minas Gerais decadente, com clubes, técnicos e jogadores desmotivados para praticá-lo. Apesar disso, o estado está cheio de jogadores talentosos, e isso alimenta a nossa esperança do esporte sair da situação atual o mais rápido possível e Minas Gerais se tornar uma potência no cenário nacional, no mesmo nível de outros estados, como o Rio Grande do Sul e São Paulo. * Estudante de jornalismo e jogador da categoria adulto do Oasis Clube de Belo Horizonte Foto: Arquivo pessoal

Foto: Eduardo Maia

Maçã

Madeira Marcos Antônio Madeira. Presidente da Federação Mineira de Futsal (FMFS)

Fernando Montoni Técnico de Futsal

Desde quando estão envolvidos no futsal mineiro? Trabalho como técnico de futsal desde 1969.

Sou presidente da Federação Mineira de Futsal há 29 anos, desde 1981.

O que pensa sobre o futsal em Minas? Pensa que está de acordo com os outros campeonatos pelo Brasil ou tem coisas a serem melhoradas? Marcos Madeira, eterno presidente, defende o futsal como ele acha e pode, mas não concordo com muitas de suas ideias. O futsal em Minas é muito frágil. A nossa Federação se preocupa em elitizar o jogo, e nossos participantes estão cada vez mais raros. O futsal está em baixa por aqui.

Atualmente, o futsal mineiro vai muito bem. Temos times disputando campeonatos em várias categorias diferentes, tanto no masculino como no feminino, categorias que vão do sub-15 ao adulto.

E em relação ao apoio financeiro e aos patrocínios, falta investimento? É um dos motivos para se cobrar tão caro para os times participarem dos campeonatos? Não estou por dentro desta realidade, e seria difícil opinar com acerto. A estrutura do estado e a vontade de seus habitantes em investir no futsal enfrentam situações de motivação, entre outras questões. Se o futsal estivesse empolgando, haveria investimentos. Mas como disse, não sou a pessoa com mais autoridade sobre este assunto, acho que este tema merece mais opiniões.

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Os campeonatos não são caros, nem cobramos por campeonato, cobramos uma anuidade e uma taxa de afiliação à Federação. Os valores vão de 1.800 a 3.000 reais, não passa disso, e dá direito a disputa de todos os campeonatos promovidos pela Federação. Falta mais é interesse dos times, já que podem jogar até 16 equipes por categoria e atualmente só temos seis afiliados no adulto, por exemplo.

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Editor: Kelly Marinho 5º Período, diagramador da página: Kelly Marinho e Giulia Andrade 5º Período e Arte: Raoni Jardim

O Ponto

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

A violência no esporte Presidente Lula sanciona novo Estatuto do Torcedor que promete punir com rigor quem cometer atos de violência nos estádios. A Polícia Militar afirma estar engajada para que a lei se faça cumprir TÚLIO KAIZER E ALLAN ALCÂNTARA 2º PERÍODO “Todas as vezes que vou ao campo para assistir um jogo de futebol tenho problemas. Em uma das vezes, o meu carro foi roubado; na outra, os vidros foram quebrados. Em um clássico quebrei meu pé porque não consegui fugir de uma briga”, comenta o promotor de Justiça, F.A., 32, que preferiu não se identificar porque está envolvido no combate à violência. A falta de segurança é a maior responsável pela evasão nos campos de futebol. E com intuito das famílias voltarem aos eventos esportivos, o Presidente Lula sancionou no dia 27 de Julho o novo Estatuto do Torcedor (Lei N° 10.671, de 15 de maio de 2003). A lei, que já era rigorosa com os torcedores “baderneiros”, ficou ainda mais pesada para aqueles que não respeitam as normas. A nova legislação tem previstas punições para cambistas e também para os árbitros que tentarem manipular resultados de partidas. As torcidas organizadas agora terão que ter todos seus membros cadastrados no Ministério Público. “A polícia está preparada desde a criação do Estatuto em 2003 e a dimuinição da violência tornou-se visível”, afirma o tenente coronel Carvalho, do Batalhão de Polícia de Eventos de Minas Gerais - BPE-MG. “O principal fator para essa mudança é a proibição da venda de bebidas alcoólicas nas redondezas e dentro dos estádios, afirma Carvalho. Segundo a PM, antes da proibição, ocorriam cerca de 50 a 70 prisões por agressões nos jogos. “Hoje em dia esse número é inexistente. As prisões acontecem por causa das drogas e devido ao uso de artefatos explosivos”, afirma o tenente-coronel. “O Estatuto do Torcedor veio para auxiliar o trabalho da polícia. E a PM vem mantendo um projeto de prevenção em outros tipos de eventos e deu muito certo”, pondera o tenente. Também está previsto, que num raio de 5 km do estádio não se pode vender bebidas alcóo-

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licas, os cambitas não podem atuar e os torcedores baderneiros serão severamente punidos (ver quadros). “As torcidas organizadas deverão ter seus membros cadastrados no Ministério Público conforme rege a Lei. E o MP passará esse cadastro aos órgãos competentes. “Para mim, as torcidas organizadas estão finalmente se organizando. Estão promovendo diversos projetos sociais, como doação de sangue, materiais escolares, alimentos, roupas, visitas à instituições, entre outros. Isso é bom porque poucos conhecem esse lado das torcidas organizadas”, diz o tenente coronel. “As torcidas, em particular a Galoucura, vem trabalhando muito na parte social e em academias desde 2000”, afirma o diretor de informática e relações Públicas do Grêmio Cultural e Recreativo da Galoucura, Anderson Acerbispo. “O Estatuto vem para auxiliar e proteger o torcedor. Ele evita brigas, coibe a ação dos baderneiros, combate os cambitas e inibe a manipulação do resultado das partidas”, afirma o advogado e jornalista Danilo Bayão. “Ainda me atrevo a dizer que o Estatuto do Torcedor é um Procon para protegê-lo” “Essa nova lei preocupa-se com as famílias que vão ao estádio”, explica o advogado desportivo Evandro Marques. “Esse estatuto vem para auxiliar principalmente os torcedores que querem ir assistir aos jogos, porque os maiores prejudicados são eles e, agora, o novo estatuto resguarda suas vidas”. “A lei vem sendo aplicada desde que foi sancionada pelo presidente Lula”, confirma Evandro. “Já tive muitos problemas quando ia aos jogos. Com essa nova lei, as coisas estão melhores. Meu carro teve o vidro quebrado dentro do estacionamento do Mineirão e a Ademg me ressarciu. Depois que a bebida foi proibida eu tive mais tranquilidade para levar meus filhos de cinco e nove anos ao campo”, afirma o professor Bruno Ribeiro.

O que afasta os torcedores dos estádios?

1998

2002

Segurança:

61%

79%

Preço dos ingressos:

16% %

36%

Falta de conforto no estádio:

0% %

114%

Possibilidade de assistir pela TV:

0%

23%

Fonte: L!-Ibope

O Estatuto do Torcedor e suas novas regras Caso algum membro cadastrado da torcida organizada cometa algum ato de vandalismo ou violência as entidades responderão pelos danos. Além disso, os torcedores que promoverem tumulto serão impedidos de comparecer aos jogos pelo prazo de até três anos. Os cambistas estarão sujeitos à prisão de um a seis anos, além de multa. Os árbitros que manipularem resultados de partidas poderão cumprir pena de dois a seis anos de reclusão. O torcedor que cometer atos de vandalismo e violência em até 5 km dos estádios, invadir o campo ou promover confusão pode pagar multa, ser proibido de assistir aos jogos e ser preso.

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16 • Fumec

Editor e diagramador da página: Raoni de Faria Jardim 8º Período

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

O Ponto

integrar para não entregar

Anualmente, universitários de todo o Brasil realizam um projeto voluntário em uma comunidade carente do país. A Fumec participou pela 11º vez do Rondon, levando alunos e professores de variados cursos Fotos: Acervo dos rondonistas

Os alunos da Fumec e da Fepar em frente à prefeitura de Alto Paraíso-RO, acompanhados do tenente “Anjo” Márcio, em seu primeiro dia de trabalho na cidade

RAONI DE FARIA JARDIM 8º PERÍODO A idéia de criar um projeto de integração entre universitários e comunidades carentes longe das grandes cidades surgiu em 1966, na Escola de Comando e Estado-Maior do Exército,durante a realização de um trabalho de sociologia. No ano seguinte, estudantes e professores fizeram uma viagem ao interior de Rondônia para prestar assistência médica e pesquisas, construindo o lema “Integrar para não entregar”. Este episódio ficou conhecido como Operação Zero, a primeira operação do Projeto Rondon que se repetiria nos anos seguintes com estudantes universitários

de todo o Brasil. Em 1985, o Rondon parou de ser realizado, por contenção de despesas. Mas retornou em 2005, com a Operação Amazonas. Hoje, o projeto é uma parceria de vários ministérios e com suporte das Forças Armadas, que fornecem toda a logística e enviam um militar para acompanhar os universitários nas suas atividades na cidade, chamado de “Anjo”. Os projetos propostos pelas faculdades, concentrados nas áreas de comunicação, cultura, direitos humanos e justiça, educação, meio ambiente, saúde, tecnologia e produção e trabalho, são coordenados pelo Comitê de Orientação e Supervisão, criado na mesma época da realização

das primeiras operações, depois da volta do projeto em 2005. Em 2010, novamente o Estado de Rondônia foi indicado para os projetos da Operação Mamoré, coordenados pelo general de brigada Paulo Humberto e o major Sidnei Vial. O Estado cresce em ritmo acelerado, mas ainda carece de muita infraestrutura para atender à demanda populacional. Segundo o Jornal Eletrônico tudorondonia.com, o presidente do Sindicato das Empresas da Construção Civil do Estado de Rondônia (Sinduscon), Chagas Neto, disse que o crescimento do Estado é diferenciado do resto do país. A oferta de empregos na região está muito acima da média brasileira.

Diversos trabalhos foram realizados pelos rondonistas da Fumec durante todos os dias na cidade, como horta comunitária, educação ambiental, palestras sobre administração pública, marketing para os produtores de mel da cidade e trabalhos diversos em uma comunidade rural próxima à cidade

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Fumec • 17

Editor e diagramador da página: Raoni de Faria Jardim 8º Período

O Ponto

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

diÁrio de bordo A vontade de me inscrever no Projeto Rondon surgiu quando soube da existência do projeto na Fumec, porém, não havia vagas para estudantes do curso de comunicação social nos períodos anteriores a este. Por isso, sempre foi um sonho um pouco distante da minha realidade e não buscava mais informações sobre o projeto. No início deste ano, um professor do meu curso me perguntou se eu tinha interesse em participar, pois estavam abertas as inscrições e havia vagas para estudantes de comunicação social. Na mesma hora, procurei saber os critérios de avaliação e comecei a pensar em um projeto de intervenção social, como era descrito no critério de avaliação dos candidatos. Essa proposta de intervenção social já me obrigou a pesquisar áreas que não eram meu principal foco de estudos. Pois era o que a comunidade precisava e eu não tinha tanto interesse por esses campos, mas tive que estudá-los, o que já me abriu um leque de conhecimentos que havia deixado de lado. As reuniões que precederam a viagem eram tão intensas que eu e os outros rondonistas não tivemos tempo de nos conhecer melhor. Até o dia da viagem, o que aconteceria ainda era um mistério, pois, além de não conhecer nada do local de destino, não conhecíamos nenhum outro membro da equipe que teríamos que conviver durante duas semanas. Apenas na primeira viagem, para o aeroporto da FAB no Rio de Janeiro, tivemos tempo de conversar e começar uma amizade mais sólida, mas o nervosismo de passar duas semanas com “desconhecidos” ainda era grande. No primeiro dia, já tivemos a nossa “prova de resistência”. Tivemos que dormir no chão do aeroporto devido ao atraso do avião que nos levaria a Porto Velho, já que ele havia chegado com um defeito no trem de pouso. Com essas dificuldades começam a surgir maior cumplicidade e apoio da equipe, que se tornava cada dia mais próxima. Chegamos a Porto Velho e, um dia depois, em Alto Paraíso, cidade onde realizaríamos nossos trabalhos. Lá começamos também a conhecer a equipe da Faculdade Evangélica do Paraná (FEPAR), faculdade de Curitiba, que faria o trabalho ao nosso lado. Assim como aconteceu com nossa equipe, não tivemos problemas de convivência com os curitibanos, que, mais tarde, também se tornariam amigos quase tão próximos quanto os belo-horizontinos. Fomos muito bem recebidos e não tivemos muito tempo para descansar. O trabalho já começou pesado e, aos poucos, transformávamos o nervosismo em impulso para colocar nossos projetos em andamento. Uma lição que aprendi foi que o planejamento é necessário, mas nunca podemos contar totalmente com ele. O improviso se tornou uma ferramenta cotidiana em todos os trabalhos realizados, por mais que houvesse estudo e planejamento. Aprendemos que, quando necessário, não podemos nos dar ao luxo de fazer apenas o que temos conhecimento e estudo, devemos aprender e explorar áreas totalmente diferentes para realizar os projetos, coisa que a formação acadêmica não tem como ensinar. Várias são as dificuldades de continuar trabalhando: o clima, saudade de casa, as noites mal dormidas e, principalmente, o volume de trabalho durante todos os dias. Mesmo assim, por incrível que pareça, nada nos fez perder a vontade de continuar trabalhando. Isso se deve também a algumas visitas que são tão comoventes e renovam nosso fôlego, como a visita à APAE e à comunidade rural de Alto Alegre. Ver toda a dificuldade que aquela gente passa fez com que conhecêssemos não só um outro lado da realidade brasileira, mas também nos fez conhecer um lado nosso que até então nos era oculto. A responsabilidade de trabalhar para pessoas que depositavam sinceras esperanças em nosso trabalho modificou a maneira com que vemos nossa profissão e nossa carreira. Ao final da operação, todos os rondonistas comovidos não só por tudo que viram e fizeram na cidade de Alto Paraíso, mas também, na minha opinião, por toda a mudança de caráter e pelo fim de uma viagem que nos fez mudar nossa visão e os conceitos pré-estabelecidos. Na cerimônia de encerramento, as palavras do General Paulo Humberto comoveu todos os presentes. Foram apenas quinze dias (que pareceram poucos), mas que valeram muito mais do que meses de trabalho em qualquer outra situação que poderíamos viver nas grandes cidades. O crescimento profissional é indiscutível.

r.f.j.

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rondonistas da fumec

fernanda hott - psicologia renata brasil - eng ambiental

cynthia franco - eng ambiental john alves - administraÇÃo

pedro maia - eng ambiental andrÉ borges - administraÇÃo

raoni jardim - jornalismo nayara ferrari - eng ambiental

prof. rosa abreu - face prof maurity sieiro* - fea

faculdade evangÉlica do paranÁ (fepar) Sentados: Pietra, Luís Henrique, Prof. Carla, Prof. Karine, Eloise, Simone, Igor, Álvaro. Centro: Thamilla e Adriana

*Os Rondonistas vão sempre se lembrar do Prof. Maurity: um amigo, um mestre, um exemplo. Um verdadeiro pai. Maurity Sieiro Neves (13 de outubro de 1953 - 29 agosto de 2010)

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18 • Cultura

Editor e diagramador da página: Ana Clara Maciel 5º Período

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

O Ponto

POP ou

JOANNA DEL PAPA 2º PERIODO

Fotos: Internet

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Após oito anos, o Rio de Janeiro receberá novamente em Jacarepaguá, o maior evento de música do mundo: o Rock in Rio. O organizador da festa, Roberto Medina, e a Prefeitura do Rio de Janeiro confirmam a quarta edição brasileira do festival que será realizada entre os dias 23 de setembro a 2 de outubro de 2011. O show contará com mais de 100 artistas que se apresentarão em uma área de 150 mil metros quadrados construído especialmente para abrigar os shows. O Rock In Rio é um grande evento que, desde seus primórdios, tem como objetivo abrigar milhões de fãs do bom e velho rock n’ roll. O evento teve sua abertura em 1985 e carregou de primeira grandes nomes como Queen, Iron Maiden, Baby Consuelo, AC/DC, Barão Vermelho, Scorpions, Rita Lee, Ozzy e vários outros clássicos do Rock. O sucesso foi tanto que, em 1991, o festival voltou com tudo e trouxe show do Guns n’ roses, Titãs, Carlos Santana, Moraes Moreira, A-ha, Engenheiros do Havaí, Prince e mais 40 cantores que lotaran o Maracanã com 700 mil pessoas em sete dias de evento. Após 10 anos, o evento se repetiu na Cidade do Rock em 2001, mas, dessa vez, o repertório era um pouco diferente do que parte dos brasileiros esperava. Junto com Red Hot Chili Peppers, Iron Maiden, Foo Figthers, Guns n’ Roses, Oasis, Cássia Eller e Barão Vermelho se apresentaram também Daniela Mercury, N’ sync, Sandy e Junior e Britney Spears, fugindo um pouco do que antes era comparado ao Woodstock. Depois disso, o evento se tornou internacional indo parar em Lisboa e Madrid e continuou perdendo um pouco da sua originalidade com apresentações de Ivete Sangalo, Alicia Keys, Black Eyed Peas, Shakira, Tókio Hotel, Jack Johnson, Miley

Cyrus, David Guetta, Rihanna e vários outros nomes do pop. A lista de roqueiros que se apresentaram nos últimos Rock In Rio tem sido cada vez menor se comparada aos idolos do pop. Agora, Roberto Medina diz querer os shows de Lady Gaga e Shakira. Questionado sobre as mudanças rebate: “O Rock in Rio não é apenas rock. Vamos manter as noites temáticas, como sempre houve. Deve haver um dia pop, um dia de metal, um dia teen...” e afirma querer shows de astros do rock como Guns n’ roses, Iron Maiden e Radiohead. O organizador do evento ainda não confirmou todos os nomes que se apresentarão nos seis dias de show, mas já conta com Capital Inicial, Jota Quest, Pitty, Ivete Sangalo, Toni Garrido. Além desses, são esperados no total 720 mil espectadores para lotar a nova cidade do Rock que começará a ser construída por volta do dia 9 de agosto deste ano. Mesmo com a defesa de Medina, alguns amantes do rock estão indignados com a descaracterização do verdadeiro rock, como desabafa o empresário Aurélio Scafutto, 45 anos, que vivenciou o rock dos anos 70: “O rock foi um estilo musical com característica de mudança social e hoje é uma simples maneira de ganhar dinheiro. O rock n’ roll puro nasceu de uma necessidade de expressão para derrubar barreiras e como uma ideologia. Qual ideologia esses ‘coloridos’ aí têm para se nomearem como roqueiros?” Da mesma forma que alguns são completamente contra a entrada de ídolos pop no evento, tem aqueles que são a favor e defendem a participação deles no Rock in rio deste ano. A estudante de Publicidade e Propaganda Larissa Carvalho, 18 anos, é uma das defensoras: “Medina está certo em abranger o público do Rock in Rio, não é só o rock que interessa à população brasileira e Lady Gaga é a

música do presente e do futuro, mesmo você não gostando dela, nem do estilo, você sabe quem é e conhece pelo menos uma música dela. Por ser a atração internacional do momento tenho certeza que vai trazer fãs do Brasil inteiro. “ Sites de relacionamento na internet são palco de fóruns sobre o que realmente deveria tocar nesse próximo Rock in Rio. A maioria das posições se dá pela perda do sentido do rock e os internautas fazem abaixo assinado para tirar os shows pop do evento. O verdadeiro sentido do rock é muito amplo e, ao mesmo tempo, universal entre os roqueiros de verdade. Quem cresceu escutando Janis Joplin, Barão, AC/DC, Raimundos, The Doors e outros inúmeros símbolos do rock não aceita que Cine, Fresno e Restart estão incluídos nesse grupo. Os ‘coloridos’ (como também são chamados) são classificados como um novo tipo de “rock” e recebe críticas de quem esta há mais tempo no ramo. “Isso tá na moda agora e mesmo levando milhares de fãs à loucura, eles não sabem o que é um rock de verdade como antigamente” diz, Antonio Roberto Garofilo, guitarrista e baterista há mais de 12 anos. A lista de atrações do Rock In Rio 2011 vem deixando vários brasileiros em um grande suspense, mas para os interessados e ansiosos ocorrerá outro festival de rock nos dias 9, 10 e 11 de outubro. O festival de música, SWU ocorrerá em uma fazenda em Itu, no interior de São Paulo, e conta com a presença confirmada de Rage against the machine, The Mars, Mutantes, Black Drawing, Kings of Leon, Dave Matthews, Regina Spektor, Joss Stone, Sublime, Jota Quest, Capital Inicial, Teatro Mágico, Link Park, Incubus, Gloria, Capital Inicial, Pixies e outros para aquecer o público que não abre mão de um bom show de rock.

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Cultura • 19

Editora e diagramadora da página: Izabela Linke 6º Período

O Ponto

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

Sucesso do FIT mascara velhos problemas Fotos: Maria Eduarda Ramos

ANNA CLÁUDIA FERREIRA, MARIA EDUARDA RAMOS E ROBERTA CÓLEN 2º PERÍODO

Reunião do movimento Nova Cena

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O Festival Internacional de Teatro de 2010 aconteceu entre 1º e 16 de agosto e trouxe espetáculos internacionais e nacionais, teatro de palco e rua, intervenções e shows musicais. Há quem diga que foi um sucesso. Mas o FIT deste ano quase não aconteceu. No dia 18 de março, a presidente da Fundação Municipal de Cultura, Thaís Pimentel, anunciou o cancelamento do festival em uma coletiva de imprensa – destinada a divulgar o resultado da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. A resposta foi imediata. No dia seguinte, 19 de março, a porta da Fundação foi tomada por um Panelaço com mais de cem pessoas – organizado pela classe artística e que ganhou adeptos de todas as áreas –, registrando a indignação frente ao descaso demonstrado pela Fundação com o público, o festival e a classe. Em nota oficial à imprensa, Thaís justificou a medida alegando uma sobrecarga de eventos (Copa do Mundo e Eleições), agendados para este ano que inviabilizavam um planejamento cultural tão complexo como o FIT. A resposta, em forma de protesto, só foi possível graças ao surgimento de um movimento político, chamado “Nova Cena”. Leonardo Lessa, 27, ator do grupo Teatro Invertido e um dos idealizadores desse projeto, disse em entrevista a O Ponto que no início a proposta era reunir os representantes das artes cênicas em uma espécie de fórum para debater sobre políticas públicas. Ao ser questionado sobre a falta de organização dos artistas em Belo Horizonte, Leonardo afirmou que a classe sempre foi unida, o que faltava era uma articulação política que interferisse nas decisões arbitrárias da gestão pública. Um exemplo de arbitrariedade é o próprio descaso com o FIT, já que o festival é amparado pela lei 9517, de 31 de janeiro de 2008, que legitima o evento como patrimônio cultural de Belo Horizonte. Gustavo Boné, 25, ator do grupo Espanca e também fundador do Nova Cena, disse que, desde a posse do atual prefeito Márcio Lacerda, dois projetos culturais foram suspensos sem a menor consulta à população. São eles: Arena da Cultura e BH Cidadania que fomentavam a cultura e expressão artística em favelas e regiões humildes de Belo Horizonte. “O cancelamento do

FIT foi a gota d’água em um copo já muito cheio, pois, a cada dia, os incentivos públicos se tornam mais escassos”, afirmou Leonardo. Antes mesmo da manifestação “pró FIT”, o movimento redigiu uma carta solicitando uma reunião com Márcio Lacerda e Thaís Pimentel. Apesar da tentativa, as autoridades ignoraram o pedido sem dar respostas ou retornos. A solução encontrada foi ir às ruas exigindo que suas vozes fossem ouvidas. O protesto foi em grande parte bem sucedido, afinal de contas, mais tarde, o evento teve sua realização confirmada. Contudo, três curadores artísticos do FIT se demitiram, deixando a gestão órfã do olhar técnico de quem é do meio cultural. As atrizes Joyce Malta, 25, e Erica Vilhena, 30, tiveram suas performances agendadas na grade do FIT 2010. Ambas relatam que os problemas enfrentados na realização das intervenções, foram em grande parte causados pela falta de organizadores que tivessem experiência não somente em administração pública, mas também artística. “O desrespeito com os artistas locais é nítido. Enquanto grupos internacionais se hospedaram no Ouro Minas, nós não tivemos sequer um ponto de apoio durante o festival”, disse Joyce em seu relato sobre a desigualdade e omissão de apoio no período do FIT. Durante uma de suas intervenções marcadas para acontecer na estação do metrô do Minas Shopping, Joyce e Erica tiveram sua perfomrmance interrompida por policiais que exigiam uma autorização. Os organizadores de apoio não intervieram e tampouco tomaram a frente da situação. O público que ali estava indignou-se e, como protesto, alguns se deitaram no chão enquanto as duas atrizes circulavam seus corpos com giz e escreviam logo abaixo a frase: “Mataram o FIT”. Ao ser procurada, a assessoria de Thaís Pimentel, que recusou o pedido de entrevista, confirmou o sucesso do FIT, irritando-se quando questionada sobre o cancelamento do evento e problemas na realização. A Fundação Municipal de Cultura lançará, no final deste ano, uma revista com o balanço do FIT 2010 e os êxitos conquistados ao longo da história do evento. Ao mesmo tempo, o movimento Nova Cena prepara um manifesto comum às artes com a pretensão de oficializar suas intervenções na gestão governamental da cultura em Belo Horizonte e Minas Gerais.

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20 • Cultura

Editor: Clarisse Simão - 7º Período e diagramador da página: Raoni Jardim - 8º Período

Belo Horizonte, 27 de setembro de 2010

O Ponto

Cinema, foto e moda pela mesma ótica

Especialista da Universidade de Estocolmo realiza palestras na Fumec sobre a moda no cinema e na fotografia Foto: Pedro Cunha

ANA PAULA MARUM 8º PERÍODO Seja nas relações intrapessoais ou em um contexto socioeconômico, a moda faz parte do nosso cotidiano. Até mesmo para aqueles que negam o interesse por ela. Através dessa conexão com o mundo, é possível compreender fenômenos como o cinema e a fotografia. Pensando nisso, a Fumec realizou um evento internacional direcionado aos estudantes e profissionais de Design e Comunicação, que contou com a presença da diretora do curso de moda da universidade de Estocolmo, na Suécia, dra. Louise Wallenberg. Nos dias 23 e 25 de agosto, Louise Wallenberg apresentou palestras aos alunos e abordou os temas: “Hitchcock e Dior: Moda no Cinema Hollywoodiano nos anos 50” e “(In) diferença sexual na Fotografia de Moda de Helmut Newton” respectivamente. Antes do evento, a diretora concedeu uma entrevista ao jornal O Ponto contando sobre seu campo de pesquisa, a relação entre o cinema dos anos 1950 e a indústria da moda e a indefinição do gênero e da sexualidade no trabalho do fotógrafo Helmut Newton. A diretora falou também do curso de moda da Universidade de Estocolmo e de como os alunos são voltados para uma base mais teórica e social. Eles estudam arte, história da moda e sua relação com o mundo. Diferente do curso de Design de Moda da Fumec, que além da teoria, os alunos produzem suas criações. Louise Wallenberg se mostrou interessada em conhecer o curso de Design de Moda, bem como se dispôs a apresentar o curso de moda da universidade sueca. A idéia de pesquisar a moda no cinema dos anos 50 deve-se ao fato de que, nesta época, a moda estava presente como arte de uma forma especial, maior do que nos filmes que

vieram antes e depois desse período. Estilistas e diretores que inspiraram nas películas cinematográficas para darem origem ao new look e ganharam notoriedade por isso. É o que acontece com o famoso cineasta anglo-americano, Alfred Hitchcock (1899-1980) e o estilista francês, Christian Dior (1905-1957), que faziam sucesso na época buscando sempre a perfeição. Wallenberg explica ainda que, nos anos de 1950, os diretores tinham divas que representavam um ideal feminino e, por isso, era necessária a parceria de um estilista para a construção de um figurino especial que transpareça esse ideal, atribuindo o figurino como elemento extremamente importante no filme, já que o cinema passava a concepção de satisfação heterossexual, todas as mulheres se tornavam mais femininas e, consequentemente, mais “casáveis”. Dessa forma, o cinema funciona como um divulgador de uma nova moda (new look), como uma “vitrine”, já que após a II Guerra Mundial há um resgate da feminilidade que existia na década de 1930. Na palestra, foram apresentados trechos de três filmes de Hitchcock: Janela Indiscreta (1954), Ladrão de Casaca (1955) e Intriga Internacional (1959). Os três, estrelados pela atriz norte-americana Grace Kelly (1929-1982) e cuja moda estava em maior destaque. Nestes filmes, os personagens da diva de Hitchcock se tornam algo desejável, como um objeto. “Nos filmes de hoje, os diretores apenas escolhem alguns estilistas para compor o figurino. Não existe uma conexão forte com o diretor. A não ser que ele

solicite algo. Atualmente, essa relação dos estilistas de alta costura ocorre mais com as atrizes no tapete vermelho”, explica a diretora. Na quarta-feira (25), Wallenberg falou de sua pesquisa sobre o trabalho do fotógrafo alemão, Helmut Newton, que foi o mais influente na fotografia de moda. Suas fotos escandalizaram a sociedade européia entre as décadas de 1960 a 1980. Newton encurtou as distâncias entre o transexualismo, androginismo, heterossexualismo e homossexualismo. As modelos fotografadas eram sempre altas, com pernas compridas, lembrando o formato fálico. Ele criou um estilo particular na fotografia marcado pelo erotismo, sadomasoquismo e alusões fetichistas. “São mulheres nas fotos, mas nas fotografias de Newton, poderiam ser um homem. Além disso, é impossível trabalhar com a fotografia de moda sem a influência deste fotógrafo.” Louise Wallenberg falou ainda das suas impressões sobre a moda brasileira e como pretende estudar mais sobre ela. “Fui à loja do Ronaldo Fraga e adorei as coleções dele. De certa forma, a moda aqui não é muito

diferente da Sueca. Tem suas diferenças, claro, mas em geral são bem parecidas. Confesso que conheço muito pouco, mas este é um dos meus objetivos nesta viagem: aprender mais sobre a moda brasileira”, comenta a doutora.

Coordenadora do curso de moda da Universidade de Estocolmo, Louise Wallenberg

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Jornal O Ponto - setembro de 2009  

Jornal laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Fumec - Belo Horizonte - MG

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