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01- Capa

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distribuição GRATUITA

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Condomínios fechados são o refúgio da classe média A insegurança assola todo o país e mantém em cativeiro a população que vive em busca de proteção. A classe média alta tem procurado por inúmeros sistemas de defesa como a instalação de grades, cercas elétricas, blindagem e até mesmo o deslocamento da região central da cidade para condomínios fechados, que, em sua maioria se localizam nas periferias ou em cidades próximas. A violência urbana é a principal causa desse isolamento. Isso revela a ineficiência das autoridades responsáveis e do sistema público de segurança. Nos condomínios se cria uma realidade paralela de tranquilidade e conforto bem distinta da maioria da população. Uma penitenciária de alto luxo revestida de bem-estar e comodidade onde se isolam os problemas sociais.

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Programação infantil preocupa educadores Cinqüenta e sete por cento das crianças e adolescentes brasileiras, na faixa etária de 2 a 17 anos, passam no mínimo três horas por dia assistindo a programas de televisão. Os dados, do Grupo Ipsos de Pesquisa, assustam pais, educadores e especialistas, que estão preocupados com a qualidade da programação televisiva infantil no Brasil. Segundo a psicopedagoga Ludmilla Campolina, hoje, com os desenhos que estimulam competição e violência, grande parte dos alunos estão brincando e se expressando de forma agressiva. Mas, de acordo com especialistas, o problema maior está nos programas de classificação livre,que nem sempre são recomendáveis para crianças, como o caso da novela vespertina global “Malhação”. Para o psicólogo Jacques Akerman,é preciso limitar o tempo que as crianças ficam frente à TV e escolher previamente o tipo de programação a ser vista.

[ página 4 ]

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Rio das Velhas sofre com descaso e falta de cuidado

Coral da Fumec brilha em festival Arquivo O Ponto

O rio das Velhas cota o estado de Minas Gerais de norte a sul. Percorre 761 Km, desde as proximidades de Ouro Preto até Pirapora. Sua bacia tem cerca de 28.865 Km, abrange cerca de 51 municípios, aproximadamente 5% do território do estado. Toda essa riqueza ecológica está hoje ameaçada pelo descaso governamental e pelo uso indevido do potencial turístico e dos recursos materiais. Ambientalistas são unânimes em defender a implantação de medidas que salvem o Rio das Velhas e, consequentemente, a qualidade de vida das populações ribeirinhas. Foi aprovada, em 1968, pela Câmara Municipal de Ouro Preto, a lei que propõe a construção do Parque Municipal das Andorinhas; contudo até hoje a idéia não saiu do papel. O projeto Manuelzão junto ao governo do estado conseguiu uma verba de R$250 mil que foram repassados ao Instituto Estadual de Florestas ( IEF) pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente ( SEMAD) para a efetivação do zoneamento do Rio das Velhas. Segundo o Secretário da Associação Comunitária do bairro do Morro São Sebastião, a educação ambiental nas escolas seria um primeiro passo fundamental para a conscientização ecológica.

Maestro Lindomar Gomes à frente do Coral da Fumec

‘Camelódromo’ ameaça shopping Arquivo O Ponto

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Diversidade e preço baixo são principais atrações

Times mineiros em crise

Grupos de dança sem incentivo [ página 10 ]

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O segundo Festival de Corais de Belo Horizonte prestou homenagem ao movimento cultural ‘Clube da Esquina’, que revelou, entre outros, músicos do porte de Milton Nascimento, Flávio Venturini, Márcio e Lô Borges. O Coral da Universidade Fumec participou do evento e emocionou o público com interpretações belas. Contando sempre com o apoio do pianista e arranjador Leonardo Cunha, o Coral da Fumec se destaca pelo repertório composto de canções do Clube da Esquina com arranjos exclusivos do maestro Lindomar Gomes. Trata-se do projeto “Coral da Fumec Canta Minas” [ páginas 11 ] Com o Código de Posturas da Prefeitura de Belo Horizonte, a cidade construiu três shoppings populares. Os centros comerciais foram criados para abrigar camelôs e toreros que antes ficavam nas ruas. Esses espaços, no entanto, apesar de regulamentarem parcialmente o trabalho informal e facilitarem a vida dos pedestres que transitam pelo centro da cidade, deixam questões não resolvidas como, por exemplo, a origem duvidosa das mercadorias que são comercializadas. A fiscalização dos produtos é uma questão que deve ser resolvida pelas autoridades, uma vez que as pessoas que trabalham com esse tipo de comércio não possuem outra opção, já que são, em sua maioria, desempregados, e precisam sobreviver. [ página 3 ]

Cresce número de cesáreas [ página 5 ]


02 - Opinião - Renata Quintão

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Editora e diagramadora da página: Renata Quintão

2 OPINIÃO

O PONTO Belo Horizonte – Dezembro/2004

Mídia e subjetividade Juliana Morato e Rodrigo Mascarenhas 4º período Na sociedade pós-moderna, é possível perceber que a cultura está, indiscutivelmente, associada e interligada ao sistema capitalista.Tornou-se midiatizada e mercantilizada, uma mercadoria a ser vendida.A mídia gira em torno do capitalismo, ou seja, produz objetivando lucro, e toda relação de produção de mercadorias é de exploração. Percebe-se que a maioria dos progamas são idolotros, sensacionalistas, hedonistas, propagandeiam o individualismo. Somos limitados a aceitar o que a mídia impõe e nos tornamos consumidores assíduos. Saturada de informação e serviços, a massa é conformista,flexível nas idéias e costumes,é pacata perante àquilo que é imposto. Do ponto de vista da Piscologia Social, discutir a subjetividade é fazer escolhas, sejam elas práticas ou estéticas.Escolher implica a construção do saber, além do respeito coletivo do pensar.A subjetividade é um produto cultural,ela se relaciona com o mundo. participa da história geral, integra-se ao sistema capitalista, retrata a realidade em que vivemos. Discute-se a importância do movimento constituinte,que,formado a partir de redes, prevêm a articulação entre as diversas correntes com o intuito de que es-

Nietzsche e a morte de Deus

sas compartilhem idéias e recursos. A comunicação, realizada de forma direta e objetiva, seria essa rede de transmissão de conhecimento. Para a implantação de uma sociedade democrática, direta e aperfeiçada, é preciso analisar os sitemas de representações sociais, econômicos e políticos nos quais estamos inseridos. É a partir deles que questionaremos a apropriação e mistificação do saber. É certo que a mídia e a subjetividade estão interligadas por naturezas diversas.A produção da subjetividade gera sujeitos com conteúdo e estrutura, mas ao mesmo tempo alienados e cheios de incertezas.A construção do sujeito se dá em série, com conexões ao acaso e cariações diversas.Ele é uma peça dentro de um dispositivo, uma montagem de máquinas composta de elementos heterogêneos. É preciso pensar, ter atitude e enxergar que o mundo pode ser muito melhor a partir do momento que cada um de nós começarmos a agir e lutar por uma vida mais digna e humana, justa e igualitária, ou seja, devemos acabar com a manipulação capitalista e com a persuasão negativa imposta pelso meios de comunicação, pois é isso que vem destruindo nossa nação. Nada deve parecer impossível de mudar.

Democracia se percebe nas urnas Ricardo Moreira 4º Período Em 3 de outubro as eleições municipais atingiram a maturidade desejada por muitos.A democracia se fortaleceu, sem dúvida foi um espetáculo de maturidade democrática. Os eleitores através das urnas mandaram dizer que a renovação se faz necessária. Chega de continuísmo, de falsas promessas, de desrespeito para com a sociedade brasileira, e principalmente as alianças feitas para a perpetuação dos partidos no comando do executivo, além de maioria na câmara dos vereadores. A obsessão pelo poder político, muita das vezes cega quem desse poder participa. Quando um segundo recado é deixado nas urnas pelos eleitores: ética acima de tudo, a população quer dizer que devemos passar todo o país a limpo, a começar pelas urnas, que é de onde se pode dizer o que se quer sem medo de participar de todo um processo de transformação pelo qual passa o Brasil. O recado da ética não vem desacompanhado, participam dessa ética a competência e a honestidade. Uma vez que campanhas milionárias dessa vez não garantiram aos candidatos pelos diversos partidos à eleição ou quando muito a reeleição. Os programas eleitorais propostos

pelos partidos e candidtos venderam uma bela estampa maquiada, mas o fato é que faltou discussão, faltou idéia, faltou verdade por parte de alguns candidatos que já se julgavam reeleitos. A decepção foi bem maior do que se esperava, o bom é que o eleitor demostrou sabedoria, amadurecimento e preparo sobre a sua cidade sua comunidade. É importante salientar que o Brasil está mudando, só não percebe quem não quer ver, quem não sente no dia-a-dia como algumas pessoas estão perdendo a onipotência, a onipresença e a arrogância no trato para com outras pessoas. Existe um clima de solidariedade no ar que propicia esse desinteresse da população pelo poder, mas sim pelos problemas resolvidos, pela creche do filho, pela saúde, pelo transporte, pela segurançada cidade e da comunidade. Aos eleitos e reeleitos que, por ventura, não perceberam esse recado das urnas é importante que prestem atenção, pois existe uma conspiração no ar por parte da comunidade e da mídia, um alimenta o outro com informação e participação, sobre as questões relativas a cidade e seus valores fundamentais para a sobrevivência de todos. O resgate da ética está na base dessa mudança.

Juliano Mendonça 1º Período

Indústria do pânico Daniel Gomes 3º Período A sociedade contemporânea permitiu o surgimento de mercados bizarros, como o da beleza, com cirurgias plásticas e anabolizantes, o do ensino, com cursinhos pré-vestibulares milionários e até do sexo, com prostitutas do mais alto luxo e acessórios estranhos,para dizer o mínimo.Entretanto,há um mercado em franca que não tem sido observado com o devido cuidado: o mercado do medo.A violência tem penetrado a vida do cidadão brasileiro sem pedir licença e a insegurança se tornou regra na convivência social. Dentro dessa paranóia,a sociedade tratou de se proteger como pôde, e as tecnologias têm sido desenvolvidas incessantemente em prol da segurança. Com isso, as pessoas presenciaram a instalação de câmeras, seguranças treinados, armas, casas com muros cada vez mais altos, cercas eletrificadas, cães, alarmes, travas, carros blindados, coletes a prova de bala e muitos outros aparatos. Tudo isso seria aceitável de um ponto de vista lógico, não fosse o fato de que, a cada dia que passa, a violência é mais e mais incorporada ao dia-a-dia e desconsiderada como problema social.A violência é tolerada e não mais combatida, e a tolerância exige gastos altos com segurança.O que se faz hoje não é adaptado para erradicar a violência, mas sim concebido dentro

de uma realidade violenta por natureza. Os carros já saem da fábrica com dispositivos de segurança.As casas já são projetadas pensando em uma maneira de evitar que gatunos se esgueirem para seus interiores. Os seguros de vida se encarecem conforme o investimento em segurança que o cidadão faz Até o preço dos imóveis flutua ao sabor da proximidade destes com algum grande foco de violência.O terror reina soberano no Brasil,mas em forma de guerra civil velada.Segundo o professor da Universidade da Califórnia,Barry Glassner,autor do livro “Cultura do Medo”,os principais beneficiados com essa cultura são os políticos, que se elegem sobre o discurso de erradicação da violência. Ora, no Brasil não poderia ser diferente, e os principais responsáveis pela situação vigente são Luis Inácio Lula da Silva,Aécio Neves, Fernando Pimentel, enfim os governantes do país, que prometem ações efetivas mas apenas compactuam com aquilo que estava sendo feito no passado por seus antecessores.Infelizmente a violência não pode ser combatida com discursos demagogos e sim com ações incisivas por parte dos órgãos competentes, comandados pelo alto poder executivo do país. Não se pode conviver pacificamente com a violência, e muito menos considerá-la normal.A violência é uma doença social e doença não se cura tratando os sintomas.A vacina está com aqueles que governam o país, e a responsabilidade é só deles.

Informática e a sociedade Fernanda Melo 4º Período O computador passou a ser um fator de influência nas relações humanas com a possibilidade de novos meios de pesquisa e busca através dele.Assim, passou a poder desenvolver ações utilizando programas que pudessem contribuir diretamente na maneira de organizar a sociedade. Deslocou-se a ênfase dos estudos do objeto em si, o computador, para o projeto, redes de relações humanas. Com o desenvolvimento de redes e programas cada vez mais rápidos e avançados, ampliaram-se as relações de comunicação, surgindo novos meios de se receber e passar informações.A comunicação passou a ser interativa, em tempo real. A internet, em sua amplitude e velocidade, é hoje, uma mídia universal de muito alcance. Pode-se desenvolver campanhas de enfoque e alcance mundial, e estabelecer uma rede de idéias e informações que possam influenciar o modo de pensar de várias pessoas de diferentes etnias e culturas. Apesar das modificações sofridas, a informática ainda precisa encontrar sua dimensão humana. Os usuários não podem se preocupar somente com as possibilidades de avanço das relações econômicas que o computador oferece, esquecendo das melhoras

nas relações sociais e culturais que este também pode desenvolver. Na internet podemse criar vários movimentos culturais que ampliem o pensamento humano e sua conscientização, que são as maiores armas contra a manipulação que tende a existir dentro de qualquer tipo de mídia. Através do desenvolvimento desta consciência, os movimentos interativos devem perder o seu caráter elitista e ampliar o acesso de outras camadas sociais. Em vez de se manterem presos apenas à preocupação de criar novos mercados consumidores e venderem produtos, os cientistas da computação devem se conscientizar da importância e da influência do computador na vida das pessoas. Mesmo com alguns problemas a serem discutidos, a internet ainda é a mídia onde se há maior liberdade de expressão, onde informações circulam mais livremente. Um exemplo são as diversas ongs criadas e mantidas através da internet.Várias campanhas abordando problemas presentes em nossa sociedade atual também veiculam na rede, como o anti-tabagismo, a prevenção da aids, o combate ao uso de drogas e à violência. Este fato pode ser algo construtivo mas também perigoso se o usuários deixarem sua ética de lado. É importante que não se perca esta liberdade, evitando que a manipulação tome conta da informática abafando seu poder de modificação social.

Vivemos um tempo de perda de parâmetros, de falsas verdades. Somos capazes de conhecer a verdade? De respondermos às questões cruciais da existência humana como:de onde viemos?, para onde vamos?, como tudo surgiu?.Talvez sim, talvez não. Talvez nem existam respostas! Ou talvez existam e não somos capazes de compreendê-las. O que importa é que não podemos ser tão céticos a ponto de negar alguma possibilidade, nem tão dogmáticos a ponto de ter a certeza de que haja uma verdade. Mas, sobretudo, estas questões nos exigirão rever os nossos próprios valores morais. Segundo Nietzsche, adotamos uma “moral de rebanho”, absorvendo irrefletidamente os valores dominantes da civilização cristã e burguesa.Tais valores morais,criados pelos homens, são herdados geração a geração, principalmente através das religiões, como o cristianismo e o judaísmo,que buscam responder às nossas inquietações por meio destes valores humanos como se fossem provenientes da “vontade de Deus".Todavia,esse antropomorfismo é justamente o que vem desbancar estas religiões, deixando claro que, pela escrita, foi o homem quem primeiro inventou Deus à sua imagem e semelhança, atribuindo-lhe sentimentos e valores humanos para, em seguida,tentar nos fazer acreditar no contrário. Os valores morais são dinâmicos,diferem-se no tempo e no espaço. Eles podem até, numa determinada ocasião, entrar em conflito, mas prevalecerá sempre aquele que estiver em maior consonância com os interesses das classes dominantes.Exemplo disso,temos a obra do bispo Clemente de Alexandria,“A Salvação do Homem Rico”, escrita para desfazer a idéia do Evangelho de São Lucas, que aos ricos restariam apenas o inferno e justificar as desigualdades sociais e o enriquecimento da Igreja primitiva. Em seguida, o protestantismo, atendendo aos interesses capitalistas, reconheceu o trabalho humano, antes visto como impuro,como fonte de graça divina e origem legítima da riqueza e da felicidade. A chave para nos libertar dos valores dominantes encontra-se na afirmação do niilismo nietzschiano da “morte de Deus”, que significa a recusa da crença de uma verdade moral ou da hierarquia de valores préestabelecidos. Para descobrirmos quem realmente somos, devemos extirpar de nós os valores morais que nos foram impostos pela sociedade e que, muitas vezes, defendemos com tanta veemência por acreditar que eles nos são originais. Ao buscarmos viver a “liberdade da razão”, o que nos permitirá estarmos mais próximos da nossa verdadeira essência, devemos ser fortes o bastante para derrubarmos os pilares destes valores morais aos quais nos encontramos acorrentados.

Os artigos publicados nesta página não expressam necessariamente a opinião do jornal e visam refletir as diversas tendências do pensamento

Jornal Laboratório do curso de Comunicação Social da Faculdade de Ciências Humanas-Fumec Coordenação Editorial: Prof. Leovegildo P. Leal (Jornalismo Impresso) e Prof. Mário Geraldo Rocha da Fonseca (Redação Modelo)

Monitor da Produção Gráfica: Marcelo Bruzzi Projeto Gráfico: Prof. José Augusto da Silveira Filho

Monitores do Jornalismo Impresso: Carlos Fillipe Azevedo, Rafael Werkema e Renata Quintão

Tiragem desta edição: 6000 exemplares

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Universidade Fumec Rua Cobre, 200 - Cruzeiro BH/MG Prof. Pedro Victer Presidente do Conselho Curador Profª. Romilda Raquel Soares da Silva Reitora da Universidade Fumec

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03 - Cidade - Renata Q. (MP)

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Editor e diagramador da página: Renata Quintão

CIDADE 3 Comércio popular cresce em BH O PONTO Belo Horizonte – Dezembro/2004

Shoppings populares oferecem preços mais baixos e são uma alternativa para os consumidores Arquivo o Ponto

Anderson Azevedo, Fabiana Sampaio, Solange Leal e Joyce Graziele 7º Período A capital mineira possui atualmente três shoppings populares, construídos para abrigar camelôs e toreros. Além destes, outros dois estão em construção e devem ser entregues até o fim do ano. A medida faz parte do Código de Posturas, um conjunto de normas que regulam a utilização do espaço urbano pelos cidadãos. Nestes locais encontram-se presentes e produtos com redução de até um terço no preço de produtos comercializados em lojas legalmente estabelecidas. Esses espaços, no entanto, apesar de regulamentarem parcialmente o trabalho informal e facilitarem a vida dos pedestres que transitam pelo centro da cidade, deixam questões não resolvidas como, por exemplo, a origem duvidosa das mercadorias que são comercializadas. Com uma variedade imensa de produtos, de aparelhos eletrônicos a brinquedos, cosméticos, CDs, utensílios etc.Tudo é vendido a preço baixíssimo, alguns são réplicas fiéis dos modelos originais e são repassados ao consumidor sem nota fiscal. A questão é abordada pelo advogado paulista Paulo Rogério Pinto Pereira, ao denunciar

em artigo um problema comum em São Paulo e em tantas outras cidades do país. Pereira alerta que quem sai perdendo é o próprio consumidor. “E se os produtos apresentarem defeitos de “fabricação”, o nosso Código de Proteção e Defesa do Consumidor está apto a defender este consumidor?”, questiona. Segundo Pereira, uma ação judicial nos casos em que o consumidor reclama defeito de um produto adquirido sem nota fiscal é muito mais difícil e morosa.“Vivemos em um estado de direito de um regime democrático, em que cidadania nada mais é de que um conjunto de direitos e deveres.Adquirir um produto de um fornecedor legalmente estabelecido, exigir a nota fiscal e o termo de garantia devido fazem parte deste contexto”, escreve. O advogado apela para a cidadania do consumidor como uma forma de combater o problema sem deixar de considerar que há,“por parte daqueles que se valem do comércio informal, uma necessidade social de famílias que tiram o seu sustento do mercantilismo ambulante ou informal”. Ou seja, são pessoas que não possuem outra opção de vida, num país em que o desemprego é exorbitante, os salários são insuficientes e a educação ainda é restrita a poucos.

Shopping Tupinambás é referência

Classes A e B trocam os centros comerciais de luxo pelo preço baixo dos camelódromos

Inaugurado em 9 de agosto deste ano, o Tupinambás, maior shopping popular do país, está localizado no Centro de Belo Horizonte. O local possui mais de 900 lojas e, de acordo com a sua gerente, Aline Azi, quando aconteceu a mudança dos camelôs das ruas para o local atual r houve resistência de grande parte deles.“Toda mudança causa rejeição, mas agora eles já acostumaram e estão até gostando”, afirma Azi. Os shoppings populares fazem parte do Programa Centro Vivo, da Prefeitura de Belo Horizonte. O objetivo é preservar a qualidade de vida na região central da capital mineira e adequá-la às novas necessidades urbanas. O Tupinambás possui variados produtos para atender a demanda. “O shopping possui duas praças de alimentação. Os preços são espetaculares e os produtos de qualidade”, relata Aline.O espaço é coberto, iluminado, tem segurança e banheiro. O preço pago pelos aluguéis das lojas varia em torno de R$ 100 a R$ 400, de acordo com a localização do estabelecimento.

Vida, saúde, educação, trabalho e respeito às suas crenças e tradições. Um direito de todos. 10 de Dezembro dia dos Direitos Humanos


04 - Segurança- Renata Quintão

12/15/04

10:24 AM

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Editor e diagramador da página: Rafael Werkema

4 SEGURANÇA

O PONTO Belo Horizonte – Dezembro/2004

Arquivo O Ponto

Medo vence a liberdade Insegurança em Belo Horizonte obriga classe média alta a se trancar em condomínios cercados Aline Santos, Juliana Morato e Rodrigo Mascarenhas 4º Período A busca por uma melhor qualidade de vida e por mais segurança está levando os moradores de Belo Horizonte a optarem por viver em condomínios fechados.Tal tendência se intensificou em meados dos anos 90 e hoje essa parece ser a única opção para a classe média alta da capital. A procura por esses condomínios reflete uma nova atitude da sociedade que busca autonomia e autosuficiência, dispensando o poder público, porque nestes condomínios tudo é privado: segurança, escola, saúde e urbanização. A grande maioria das pessoas procura os condomínios fechados para fugirem da violência urbana. Os índices alarmantes dessa violência praticamente os obrigam a buscar um estilo de vida que lhes garantam mais segurança, tranqüilidade e conforto. Outra motivação relevante é a busca por uma qualidade de vida que não se tem na cidade devido à poluição, principalmente sonora, do ar e visual, além da sujeira.Viver em condomínios fechados é ter também um convívio com pessoas do mesmo nível de renda; não freqüentar espaços públicos, transitando de um recinto fechado a outro. As pessoas criam nos condomínios um mundo ilusório, uma espécie de ilha da fantasia. Neles, não se convive com problemas como pobreza, falta de infra-estrutura urbana e trânsito congestionado. Segundo a administradora de empresas Adriana Andrade, além do alto padrão de vida que os condomínios propiciam, a vida tornou-se mais segura e cômoda.“Adquiri uma liberdade que antes não tinha no apartamento em que morava”, afirma satisfeita a moradora de um condomínio na região de Nova Lima. A Odebrecht Empreendimentos Imobiliários ressalta que um dos fortes motivos da procura por condomínios fechados é o prazer de poder viver em contato com a natureza, sem abrir mão da comodidade dos serviços oferecidos por uma grande cidade como Belo Horizonte. Entretanto, por serem locais onde vivem pessoas com alto poder aquisitivo, os condomínios passaram a ser bastante visados pelos criminosos. Cercas elétricas, grades e segurança particular dificultam, mas não impedem a ação de assaltantes em condomínios fechados. Segundo a Polícia Militar de Nova Lima são constantes os assaltos nos condomínios da região. Só este ano já foram registradas mais de cinqüenta ocorrências.“Somos o município com menor

criminalidade na Grande BH, mas realmente cresceu o número de ataques contra condomínios nos últimos meses”, alerta o comandante da 1ª Companhia Independente de Nova Lima, major Jaime da Silva. Antes esses condomínios eram utilizados como forma de fugir do caos urbano principalmente nos fins de semana e feriados. Hoje, a maioria dos proprietários já os utiliza como residência fixa.A instalação de condomínios fechados vem atingindo o Brasil nas últimas décadas, principalmente nos anos 80 e 90. Em Belo Horizonte, a grande explosão ocorre na década de 90. Os condomínios começaram a ser construídos durante um período crescente do mercado de bens imobiliários e de financiamentos estatais. Conjuntos murados, de altos edifícios de apartamentos, providos de extensas áreas comuns equipadas com instalações esportivas, de lazer, de serviços, de uso exclusivo dos moradores e, portanto, de acesso privado. Privilégio para poucos Morar em um condomínio fechado dá status, significa fazer parte do rol dos privilegiados, que podem morar isolados e protegidos, convivendo com uma vizinhança homogênea, desfrutando prazeirosamente de equipamentos de lazer e da comodidade de alguns serviços. Dessa maneira, as pessoas uscam um ideal de vida rural onde as ruas tranquilas, o ambiente é arborizado, os vizinhos não tem necessidade de roubar e não há muita poluição, violência e miséria. Entretanto, um novo padrão de segregação espacial e desigualdade passam a prevalecer na cidade. Este novo modelo subistitui, aos poucos, o padrão dicotômico centro-rico/ periferia-pobre. Os condomínios fechados também expõem, em certa medida, a negligência de seus moradores em relação aos espaços públicos. As construtoras aproveitam a oportunidade. Segundo Eduardo Barreto, vice-presidente da MRV,“descobrimos este filão, pois todas as classes querem morar em residências qe oferecem conforto, lazer e principalmente segurança”. A perda das várias dimensões da vida urbana, da diversidade que a cidade propõe, que abre caminho ao conhecimento do outro, à experimentação das diferenças, ensinando a aceitação e tolerância, revela a heterogeneidade da esfera pública, enriquecida por figuras como o jornaleiro, o padeiro que conhece a vizinhança há anos, e cede lugar a um universo em que é predominate a igualdade, tanto social quanto financeira.


05 - Saude - Fillipe

12/15/04

10:16 AM

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Editor e diagramador da página: Carlos Fillipe Azevedo

SAÚDE 5 Cresce o número de cesáreas no país O PONTO Belo Horizonte – Dezembro/2004

Já foram gastos cerca de R$ 84 milhões em partos não naturais pelo Sistema Único de Saúde Arquivo O Ponto

Marcela Nunes, Rafaela Araújo, Rafael Xavier, Roberto Stanio, Silene Penha e Viviane Primo 7ºPeríodo O número de cesarianas nos países da América Latina aumentou na última década. Na Argentina,apenas metade dos partos feitos nos hospitais privados é normal. No Brasil, a taxa de cesarianas alcança 32,4%,mas em alguns Estados, como São Paulo, chega a 48% dos partos, de acordo com a Organização Pan-americana de Saúde. Desde a década de 70, o Sistema Público de Saúde (SUS) brasileiro gasta, em média, R$ 83,4 milhões anuais em cesáreas desnecessárias. Quase 1.700 leitos são ocupados por dia.De acordo com estudos do SUS, o Brasil realiza até 560 mil cesarianas a cada ano.As autoridades têm acesso a esses números,mas pouco fazem para reverter o quadro. O desinteresse dos obstetras e a desinformação dos pais são apontados pelos especialistas como as principais causas para o aumento das cesarianas. Segundo a enfermeira obstetra Joana, do Hospital Sofia Feldman, os médicos induzem as pacientes ao parto cesária inadvertidamente, sem antes fazer uma avaliação. O Conselho Federal de Medicina já promoveu campanhas de incentivo ao parto normal, alertando mulheres sobre os perigos do parto cesárea para a saúde maternoinfantil.A qualidade do atendi-

mento,a falta de condições apropriadas de educação e saúde da mulher também aumentam as complicações na gestação. Os problemas cirúrgicos que podem acontecer depois de uma cesariana provocam três vezes mais mortes do que em partos normais. Segundo o UNICEF, a cada duas horas uma mulher morre no Brasil por causa de problemas perinatais. O índice de mortalidade materna é 35 vezes maior do que nos países industrializados.Trezentas mil crianças entre 0 e 9 anos estão órfãs de mãe, mortas em decorrência de inconveniências na gravidez ou pós-parto. A avaliação científica já reprovou essas práticas e a Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs outro objetivo: o da assistência para obter uma mãe e uma criança saudáveis com o mínimo possível de intervenção.Ainda segundo dados da OMS,esta abordagem implica que no parto normal deve haver uma razão válida para interferir sobre o processo natural. A assistência mais efetiva seria centrada nas necessidades das parturientes, em vez de organizada segundo as necessidades de instituições e dos profissionais.Seria um elemento primordial para alcançar os objetivos de uma maternidade segura, pois reuniria eficácia, segurança e racionalidade no uso dos recursos, promovendo uma melhor adesão das mulheres aos serviços.

Maioria das mulheres brasileiras optam pelo parto de cesareana

Método é incentivado por muitos médicos O número de cesarianas no Brasil tem crescido assustadoradamente, em relação ao parto natural. Em muitos casos, os médicos induzem as pacientes a optarem pelo cesárea, mesmo tratando-se de um procedimento mais arriscado em relação ao parto natural. No Brasil, há uma mudança ainda tímida em relação à incorporação das recomendações da

Organização Mundial de Saúde. As altas taxas de cesárea vêm se mantendo no setor público, e, no setor privado, não há praticamente nenhum controle. Além da crença na segurança da cesárea,a cultura do parto com hora marcada é facilitada pelos vários mecanismos de pagamento diferenciado,que tornam a cesárea mais rentável para serviços e profissionais.

Hospital Sofia Feldman é referência no atendimento a recém-nascidos O Hospital Sofia Feldman, em Belo Horizonte, é uma organização não-governamental filantrópica. O hospital possui 90 leitos (43 obstétricos, 42 neonatais e 5 no Centro de Parto Normal), todos destinados ao atendimento do SUS. Atualmente são realizados em média 600 partos por mês. Segundo Joana, enfermeira obstetra do Hospital Sofia Feldam, a média anual de cesáreas sempre foi baixa, ficando em torno de 15%. "Com a inauguração do Berçário de Risco em 1999 e da UTI Neonatal em 2000, esse número subiu para 22%, pois o hospital tornou-se uma referência regional para gravidez de alto risco”, conta. O hospital se destaca no cenário da assistência à saúde da mulher, da criança e do adolescente, tendo recebido o título Hospital Amigo da Criança, do Ministério da Saúde/Unicef, em 1995; o Prêmio Cidadania na área da saúde, oferecido pela Promotoria de Justiça de Minas Gerais, em 1997; e foi classificado entre as

12 melhores maternidades do país pela Revista Crescer, da Editora Globo, em janeiro de 1998. Recebeu também o Prêmio Galba de Araújo, oferecido pelo Ministério da Saúde, em maio de 1999 e foi finalista do Prêmio Criança 2002, da Fundação Abrinq. O reconhecimento do Ministério da Saúde às ações desenvolvidas para humanizar o atendimento à mulher e ao recém-nascido visa incentivar o parto normal, o alojamento conjunto e o aleitamento materno, e resultou no financiamento da construção do Centro de Parto Normal Dr. David Capistrano da Costa Filho. Inaugurado em novembro de 2001, o Centro de Parto Normal (Casa de Parto) possui cinco quartos e oferece condições para que a mulher e sua família vivenciem a experiência do parto da melhor maneira possível, como um evento saudável e prazeroso. É imprescindível à saúde da criança e à recuperação da mãe que ocorra um primeiro reconhecimento e esse se dá através do aleitamento.

Em 2005 é a sua vez de ocupar este espaço!

No caso brasileiro,há também o problema da cultura médica e da formação dos médicos obstetras.A cesárea é indicada pelos importantes professores e formadores de opinião como tratamento da neurose de ansiedade que o parto pode despertar, ou ainda como prevenção das supostas lesões genitais do parto”, conta o médico ginecologista e obstetra, José Carlos Tradi.

Ministério da Saúde faz campanha para parto normal Desde 1998, iniciativas governamentais buscam reduzir as taxas de cesárea no país. Uma das medidas apóia o atendimento ao parto pela enfermeira obstetra quando não houver complicação e prevê o pagamento da anestesia de parto aos serviços do Sistema Único de Saúde (SUS). Para estimular os serviços que iniciaram os processos de humanização do parto e incorporação das recomendações da OMS, foi criado o Prêmio Galba de Araújo. Instituído em 1999 pelo Ministério da Saúde, o prêmio tem ajudado a divulgar algumas criativas experiências brasileiras de mudança institucional, como as que foram empreendidas pelo Hospital Sofia Feldman em Belo Horizonte, pioneiro no estímulo ao parto natural. Outra medida foi a definição pelo Ministério da Saúde de um teto percentual decrescente para o pagamento de cesáreas aos hospitais. Os limites eram de 40% no segundo semestre de 1998, 37% no primeiro semestre de 1999 e 35% no segundo semestre, chegando a 30% no primeiro semestre de 2000.

Vitrine

O Projeto Vitrine é a oportunidade do aluno de Publicidade e Propaganda expor o seu trabalho ainda na faculdade. É o lugar para você mostrar do que é capaz. Em 2004 bons trabalhos foram realizados e veiculados no jornal O Ponto.


06 e 07 - Especial - Rafael W.

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6 ESPECIAL

Editor e diagramador da O PO Belo Horizonte –

Fora de controle Educadores, psicológos e pais questionam a qualidade da programação Daniela Reis, Mariana Alves, Paula Emanuella e Tiago Nagib 5º Período

sa, boa parte dessa audiência indesejada se deve aos pais, que não impõem limites e não estabelecem horários, principalmente porque trabalham e não tem como controlar o que seus pesar das discussões que pairam sobre os meios filhos assistem.“Com isso, dependendo do programa, as criande comunicação para crianças, especialistas co- ças são estimuladas à sexualidade precoce, se tornam agressimo psicólogos e educadores têm-se mostrado vas, falam e fazem gestos sem saber o que significa”. insatisfeitos e preocupados com a influência neJá a educadora de escola primária e mãe de duas crianças, gativa que a televisão vem exercendo sobre a me- Selma Duarte, além de impor limites às crianças, é preciso esninada. De acordo com a pestimular a leitura e colocá-las em contato quisa de mercado Ipsos, divulgada pela Agência com brinquedos pedagógicos. do Brasil, cerca de 57% das crianças e adolescentes Em diversas entrevistas, a pesquisadora, probrasileiros, na faixa etária de 2 a 17 anos, passam no mífessora da Puc-RJ e coordenadora do Comitê de nimo três horas por dia assistindo a programas de televiPesquisadores da 4° Cúpula Mundial de Mídia para são. Mas o que realmente angustia os educadores e os pais Crianças e são que os programas são de péssima qualidade. AdolescenDe acordo com uma mates, Solange téria realizada em dezemJobim, fala bro de 2003 pela coluque a qualinista Bia Barbosa, da dade da míCarta Maior, a TV está dia é um tepresente em 89% dos ma polêmico, lares brasileiros. Mas, sepois envolve gundo a colunista, há valores, muitas uma baixa oferta de vezes contradiprogramação infantotórios, além de juvenil na televisão. E interesses de é essa ausência que lemercado da inva crianças e adolesdústria de entrecentes a migrarem patenimento. Sera os programas adulgundo Jobim, há tos, como novelas, reauma grave miséria Laurindo Leal Filho, sociólogo lity shows etc. Segunespiritual contemdo o sociólogo Lauporânea, e por isso rindo Leal Filho, em há tanta banalização entrevista à Carta da violência, erotizaMaior,“como a teleção da infância, previsão não se apresenconceitos etc. Solange ta como um serviço diz ainda, que para proprestado à população, ninguém duzir programas culturais tem sequer consciência de que pode cobrar uma melhoria. Há direcionados para as crianuma verdadeira paralisia da sociedade brasileira em relação a TV”. ças é necessário que se compreenda o universo simbólico e Indignada com a qualidade dos programas infantis, Carla Ima- cultural delas. culada, mãe de três crianças, reclama.“É preocupante as mensaTia Dulce, ex-apresentadora infantil, ressalta: “Ingrediengens que são passadas aos nossos filhos, não há qualidade. Preci- tes como alegria, verdade, espontaneidade, simplicidade, sensei instalar TV a cabo em minha casa para que minhas filhas pu- sibilidade, falar a linguagem da criança e amor são imprescindessem ter programas com um mínimo de qualidade”. díveis para o sucesso do programa e para a mente infantil. A Mas, segundo a psicóloga de Instituto de Atendimento Bio- criança não pode ser um mero objeto de consumo, pois mePsico- Pedagógico de Belo Horizonte, Gyslene Andrade Sou- rece respeito”.

A

“Há uma verdadeira paralisia da sociedade brasileira em relação a televisão”

Televisão não deve exercer o papel dos pais e o da escola Hoje em dia, com a vida corrida e a falta de tempo, muitos pais tem deixado suas crianças em casa diante de uma televisão sem dar a devida atenção para a formação destas. A televisão passou a ser educadora e a exercer uma grande influência sobre as crianças, influência esta negativa na maior parte das vezes, através de um conteúdo que exalta a futilidade, a violência e o erotismo. Para o professor e psicólogo Jacques Akerman pai de duas crianças, o diálogo dos pais com seus filhos é fundamental, assim como limitar o tempo e escolhe previamente o tipo de programação a ser vista. “A televisão não pode fazer o papel dos pais nem o de professor. Ela não é babá”. Apesar da falta de tempo, especialistas dizem que os pais tem que encontrar um tempo para ficar com seus filhos e conversar com eles, além de incentivar a leitura e a prática de esportes como alternativa de entretenimento frente ao e formação das crianças. A melhor forma de educar uma criança é através do carinho e afeto dos pais, deixando a televisão num segundo plano.


06 e 07 - Especial - Rafael W.

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página: Rafael Werkema ONTO – Dezembro/2004

e o infantil da TV brasileira

ESPECIAL 7

Desenhos violentos estimulam comportamento agressivo das crianças, afirma pisicopedagoga A equipe de reportagem do jornal O PONTO conversou com Ludmila Campolina, psicopedagoga e coordenadora do ensino fundamental I do Colégio PIO XII, sobre a influência dos meios de comunicação, principalmente a televisão, na vida pessoal e estudantil das crianças. Ela ressalta a importância do trabalho dos pais juntamente com a escola e garante que as crianças devem ter limites ao assistir TV. O PONTO - Você acredita que os meios de comunicação influenciam a vida estudantil da criança? LUDMILA CAMPOLINA - Não só a vida estudantil como a vida pessoal. A televisão passa valores, posições, idéias e situações de forma positiva e negativa. Porém, muitas vezes o que a criança recebe e absorve são informações negativas que influenciam nas relações com os colegas e professores. Hoje, com os desenhos que estimulam competição e violência, grande parte dos alunos brincam e expressam de forma agressiva. O.P. - Comparando com os canais fechados, os programas da TV aberta devem ser mais educativos e menos apelativos? L.C. - Sem dúvida, os programas dos canais por assinatura são melhores e passam conteúdo mais educativo, porém a grande massa não tem acesso a esse tipo de programação.A TV aberta tinha a responsabilidade de ser melhor, afinal é assistida pela maior parte da população, inclusive por muitas crianças. O.P. - Os pais devem regrar os filhos diante da televisão? L.C. - Claro. As crianças devem ter limite para tudo. Uma criança sem limites cresce um adulto sem limites. No caso da televisão principalmente, pois a criança não absorve nem compreende certas informações sozinhas. Elas devem ser regradas a não assistir alguns programas e os pais devem estar sempre que possível discutindo e comentando os programas e situações passados na televisão. Muitos pais têm o aparelho de TV como

um calmante infantil para os filhos. Mas a criança deve brincar, exercer o senso crítico e pensante e por isso não podemos condenar as crianças a ficarem sentadas horas em frente à TV recebendo muitas informações e pouco conteúdo. O.P. - Existe uma lei que faz com que todos os canais informem no início do programa e algumas vezes durante sua transmissão a faixa etária permitida para assistir o mesmo. Mas essa medida adianta? L.C. - Ela não tira ninguém da frente da TV, mas alerta aos adultos o tipo de programa que está sendo transmitido. E como responsáveis, os pais não devem permitir que seus filhos assistam a esses tipos de programas. Porém, existem muitas novelas e seriados que são de classificação livre, mas que possuem conteúdo que não devem ser destinados às crianças. Um bom exemplo é a “novelinha” Malhação: ela mostra situações de sexo, drogas, intrigas que não são bem assimiladas pelas crianças. Ela pode até ensinar os adolescentes de 14 anos ou mais, mas não poderia ser de classificação permitida a todas as faixas etárias. O.P. - Quais sãos os programas que você recomenda ou não para as crianças? L.C. - O programa da Xuxa de atualmente é o melhor. Apesar de estar sendo muito criticado, ele traz para criança conceitos que estão dentro da pedagogia e da psicologia. Ele estimula a fala e o pensamento, mexe com a fantasia e traz realidades matemáticas para vida das crianças. A TV Cultura possui programas muitos bons, como Castelo Ratimbum, Cocoricó, e outros. Agora, um programa que vem incentivando grande parte das crianças a fazerem brincadeira de mau gosto e usar um vocabulário pobre é o Pânico.Tenho tido muitos problemas com alunos que repetem o que eles fazem. As novelas que passam ás 6 e ás 7 da noite deveriam ser menos apelativas. Um bom exemplo de novela que deu certo e que os alunos estão gostando muito do retorno é Chiquititas.


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Editor e diagramador da página: Rafael Werkema

8 CULTURA

O PONTO Belo Horizonte – Dezembro/2004

Periferia sem

dança Companhias de dança de Belo Horizonte sofrem com a falta de recursos, notoriedade e tentam sobreviver com a ajuda da comunidade Bruno Ferreira, Déborah Arduini, Gabrielle Costa, Melina Rebuzzi e Nayana Rick 5º Período

B

elo Horizonte tem renome internacional na criação de dança. Grandes nomes da dança mineira como o Corpo, Palácio das Artes e Sesiminas Companhia de Dança fazem jus a um prestígio nacional e internacional por conseguirem mesclar originalidade e técnica. Mas nem só de notoriedade vivem outros grupos mineiros. Associações que trabalham com essa arte, que não são tão divulgadas quanto às companhias conceituadas, tentam sobreviver com a ajuda da comunidade e também com a tentativa de conseguir o apoio das leis de incentivo à cultura. Uma pesquisa realizada entre março e novembro de 2002, e atualizada em 2003 e 2004, consistiu no cadastramento de todas as manifestações culturais, artísticas, folclóricas e populares existentes e em desenvolvimento nas vilas e favelas de Belo Horizonte. Essa pesquisa contou com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte – Fundo de Projetos Culturais, através da Prefeitura de Belo Horizonte / Secretaria Municipal de Cultura. Segundo o levantamento, em BH 12,6% dos grupos culturais pesquisados se dedicam à dança, perdendo apenas para a música e o artesanato, com 39,4% e 23,8% respectivamente. A coordenadora da pesquisa, Clarice Libânio, afirmou que a maioria dos grupos não tem apoio governamental e privado.“Por eles não terem ajuda institucional, a própria comunidade acaba sendo a única fonte de apoio”, diz. Ela diz ainda que um dos poucos grupos que tem apoio é o do Aglomerado da Serra, região centro-sul de Belo Horizonte, que conta com a ajuda do Projeto Criança Esperança. O grupo Brother Soul de funk/soul. localizado no bairro Jatobá I, região do barreiro, atua há mais de 23 anos, conta hoje com 30 componentes e é uma das companhias que não possui recursos das leis de incentivo.“Sempre batalhamos para conseguir o incentivo fiscal, mas nunca conseguimos. Faltam às empresas e governantes se conscientizarem e promoverem festivais e eventos relacionados à dança. Só assim, grupos sem recursos como o nosso, terão seus trabalhos divulgados e reconhecidos”, desabafa o coordenador do grupo, José Antônio Tito. O Projeto Descendo o Morro na Ponta trabalha atualmente com 200 crianças, jovens e adultos que freqüentam duas vezes por semana aulas de balé clássico e jazz. O projeto é desenvolvido há 4 anos no Aglomerado Santa Lúcia, região Centro-Sul da capital e já contou com a ajuda das Leis Municipais e Estaduais de Incentivo à Cultura. Este ano o projeto não foi aprovado e por isso não tem mais o auxílio das leis de incentivo, contando apenas com a ajuda da comunidade. Segundo a coordenadora do grupo,Andréa Ministério Erhardt, a iniciativa é importante para a valorização dos alunos.“Geralmente os moradores de vilas e favelas são vistos como marginais e um dos propósitos do projeto á acabar com esse preconceito”, explica ela. O coreógrafo e instrutor de dança de rua, Jarbas Júnior, fundou a Companhia Júnior de Dança em 1992 e hoje conta com 22 dançarinos. Este é mais um dos grupos que não conta com o apoio das leis de incentivo e segundo ele, por isso eles enfrentam necessidades.“Se conseguíssemos um patrocínio para nos apoiar, teríamos mais recursos para aplicar num espaço para os ensaios e em figurinos. Com isso poderíamos divulgar melhor o nosso trabalho”, afirma Júnior. A média de artistas e grupos que sobrevivem de arte e cultura é de apenas 20%, segundo a pesquisa realizada pela antropóloga Clarice Libânio. O fato de não gerar renda, na maioria dos casos, e as dificuldades em ganhar a vida com arte fazem com que a atividade artística fique muitas vezes em segundo plano e que tenha mesmo que ser abandonada em casos de necessidade.


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Editor e diagramador da página: Rafael Werkema O PONTO Belo Horizonte – Dezembro/2004

Arte nas vilas e favelas Na pesquisa que deu origem ao Guia Cultural das Vilas e Favelas de Belo Horizonte foram localizados mais de 700 grupos culturais, 15 envolvendo diretamente quase 7.000 pessoas, nas 226 vilas, favelas e aglomerados da cidade.A área de música foi a que apresentou maior incidência de registros, com 39% do total de grupos cadastrados. O funk, rap, pagode, forró e grupos evangélicos, em geral, são os que mais se destacam numericamente nestas áreas e que conformam as principais correntes e expressões musicais atuais nas vilas da capital. Depois da música aparece o artesanato, correspondente a 24% dos grupos ou artistas-solo das vilas. Dança e artes plásticas, que em outras épocas eram consideradas artes de elite, comparecem em terceiro lugar relativo nas vilas e favelas, cada uma com cerca de 13% dos artistas cadastrados. Na dança, os grupos mais representativos são aqueles ligados à capoeira e à street dance. Já nas artes plásticas o desenho e o grafite são as grandes vedetes.Teatro, literatura, folclore e religiosidade e artes visuais foram, em ordem decrescente, as áreas com menor número de grupos e artistas-solo encontrados nas vilas e favelas, ainda que também tenham seus representantes legítimos. Na área de teatro predominam os grupos ligados a instituições religiosas, católicas ou evangélicas. Na literatura, área que sofre com a dificuldade de se localizar os artistas, que em geral produzem sozinhos e não têm como publicar ou divulgar seu trabalho, há maior representatividade da poesia. Entre os sete representantes encontrados na área das artes visuais predominam os fotógrafos, com menor expressão da produção de vídeo. A única área cultural que está perdendo participantes nos últimos anos é a de folclore e religiosidade. Esses grupos têm sofrido reduções sucessivas no número de integrantes, com a morte de pessoas das gerações mais velhas e o pouco interesse dos jovens em manter a tradição.

A origem da dança Considerado a mais antiga das artes, a dança é também a única que dispensa materiais e ferramentas. Ela só depende do corpo e da vitalidade humana para cumprir sua função enquanto instrumento de afirmação dos sentimentos e experiências subjetivas do homem. Segundo certas correntes da antropologia, as primeiras danças humanas eram individuais e se relacionavam à conquista amorosa.As danças coletivas também aparecem na origem da civilização e sua função se associava à adoração das forças superiores ou dos espíritos para obter êxito em expedições guerreiras ou de caça ou ainda para solicitar bom tempo e chuva. O Renascimento cultural dos séculos XV / XVI trouxe diversas mudanças no campo das artes, cultura, política, dentre outras. Nesta época a dança começou a ter um sentido social, isto é, agora era dançada em festas pela nobreza apenas como entretenimento e como recreação. Desde então a dança social foi se transformando e aos poucos tornou-se acessível às camadas menos privilegiadas da sociedade que já desenvolviam outro tipo de dança: as danças populares, que inevitavelmente, com estas alterações de comportamento foram se unindo às danças sociais, dando origem assim a uma nova vertente da música, dançada por casais, que mais tarde seria denominada Danças de Salão. Segundo Danielle Pavam, dançarina do grupo Corpo, dançar é o jeito do corpo expressar o que a cabeça ou a alma está sentindo. “Com tantos espetáculos já experimentei vários tipos de dança, ou seja, com vontade, sem vontade, com emoção, sem emoção. A dança é a oportunidade de expressar os nossos sentimentos”, declara. A dança desenvolve os estímulos táteis, visuais, auditivos, afetivos, cognitivos e motor. São também trabalhados aspectos tais como: criatividade, musicalidade, socialização e o conhecimento da dança em si. De acordo com Luana Moreira, dançarina de dança flamenca, da Companhia Los Del Rocío, a dança pode oferecer uma vida realmente saudável física e mentalmente.“Ela proporciona um bem estar, eliminando as tensões e ansiedades do cotidiano, sem contar com o aspecto físico, pois exercita os músculos do corpo de forma suave e sem causar danos. Ela trabalha também a expressão, pois quando estamos apresentando temos que mostrar muita emoção”, conta a dançarina.

CULTURA 9


10 - Esporte - Renata Q. (P)

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Editora e diagramadora da página: Renata Quintão

10 ESPORTE Dívidas sufocam times mineiros

O PONTO Belo Horizonte – dezembro/2004

Além dos problemas técnicos os times tentam regularizar situação com a previdência social Arquivo O Ponto

Carlos Augusto de Barros, Clarissa Guarçoni, Frederico Caddar, Maria Cristina Chaves e Paula Costa 5º Período Os times mineiros enfrentam crise não apenas nos gramados com as atuações pífias apresentadas ao longo do Campeonato Brasileiro, mas também pelo lado financeiro. A equipe do Cruzeiro, que no ano de 2003, conquistou a tríplice coroa esse ano foi desfeita. Os dirigentes do time celeste tiveram que abrir mão dos principais jogadores para manter um orçamento equilibrado e as contas em dia. Já o time atleticano que no início do ano fez inúmeras contratações, com o objetivo de não comprometer o orçamento do clube, apostou em jogadores, em sua maioria desconhecidos. Isso não deu resultados, já que a melhor posição obtida pelo time no brasileirão foi a décima segunda. O futebol brasileiro deve a Previdência Social o valor total de R$ 371,7 milhões, sendo que cerca de R$ 200 milhões já estão na dívida ativa. A situação em que se encontra o futebol de Minas Gerais não é diferente da do restante do Brasil.Trinta e quatro clubes, filiados a Federação Mineira de Futebol (FMF), devem R$ 30,5 milhões ao INSS. Porém, a FMF também possui um débito no valor de R$ 5,8 milhões. A Previdência Social possui um grupo especial de auditores atuando em entidades ligadas ao futebol. Uma reunião, realizada em setembro, entre o coordenador deste grupo, Sérgio Falcão, e o presidente da FMF, Paulo Schettino teve o objetivo de orientar os dirigentes sobre como funciona a legislação da Previdência, já que ele garante que os clubes de futebol e as entida-

des esportivas são conduzidos de maneira amadora. O Atlético Mineiro está na quinta posição do ranking nacional dos devedores ao INSS, atrás apenas dos cariocas Flamengo, Fluminense e Botafogo, e do time paulista da Portuguesa de Desportos. Segundo a assessora de comunicação do Atlético,Adriana Branco, a situação financeira do clube é bastante complicada.“Temos que tentar reverter a situação do pis, não dá para continuar assim. Chegamos no limite”, conta Adriana. Já o Cruzeiro é um dos 12 clubes do país que não está irregular com os recolhimentos mensais do INSS. Mesmo com toda essa situação desconfortável dos clubes mineiros a assessora do Atlético não perde as esperanças. ”Apesar da crônica crise financeira e dos altos e baixos, o clube tenta manter o equilíbrio, dando o melhor aos seus jogadores, principalmente depois do primeiro mandato do atual presidente do clube Ricardo Guimarães, que desde sua posse faz de tudo para aliviar a situação financeira do clube”, deixa bem claro Adriana Branco. A legislação previdenciária, responsável pelos clubes de futebol, está sempre em reformulação. Eram recolhidos dos clubes, apenas 5% sobre as rendas das partidas, até outubro de 1991. Durante os dois próximos anos, esse recolhimento passou a representar 20% sobre a folha de pagamento, enquanto os jogadores recolhiam 8% dos seus vencimentos. Em meados de 93, os atletas continuaram contribuindo com 8% dos seus salários, enquanto os clubes voltaram a recolher 5% a partir de agora sobre o conjunto de seus rendimentos, incluindo renda de jogos de outras modalidades esportivas.

Irmãs Guilhermino são destaque nas paraolimíadas Bruno Freitas, Fabíola Paiva,Fernanda Campolina e Pollyanna Palhares 4º Período Pela primeira vez a delegação paraolímpica brasileira teve duas irmãs no grupo de atletas. As mineiras Sirlene Aparecida Guilhermino, 22, e Terezinha Aparecida Guilhermino, 25. As duas sofrem de retinose pigmentar, Sirlene tem 10 graus de miopia nos dois olhos (classe T12/B2) e Terezinha nasceu com apenas 7% da visão. A paraolimpíada de 2004 foi a primeira competição internacional de Sirlene.Teresinha participou de campeonatos internacionais em 2001 na Carolina do Sul nos Estados Unidos. Competindo as provas de 100 m (2º lugar), 200 m (2º lugar) e 400 m (2º lugar) e em 2003 em Mar Del Plata na Argentina, competiu as provas de 400 m (1º lugar), 800 m (1º lugar) e 1.500 m (2º lugar). Nas olimpíadas de Atenas,Terezinha correu os 400 m, 800 m e 1.500 m, na classe T12/B2.. Sirlene disputou os 100 m (T12) e 200 m (T12) e o salto em distância (F12). Sirlene foi a única brasileira que competiu o salto em distancia.“Eu sou menina-coelha, adoro pular”, afirma a atleta. Teresinha começou a correr em 2000, pois sonhava em ter uma certa dependência no esporte, escolheu o atletismo, pois para ela, o esporte é uma forma de cobrança, e nos outros es-

portes, principalmente esportes coletivos, não depende só dela para alcançar seus objetivos. Sirlene se começou um pouco mais tarde que a irmã, começou em 2000, antes de ser uma corredora, era arremessadora de peso. Sirlene escolheu o atletismo por influência da sua irmã Teresinha Guilhermino. As irmãs Guilhermino querem se superar cada vez mais, as duas sonham em quebrar mais recordes mundiais a cada torneio internacional disputado.“A vitória acontece de fora para dentro. Sempre haverá uma segunda chance para você não desistir. Se eu chegar em pé é sinal que ainda posso melhorar”, declara Terezinha Aparecida. Terezinha ganhou uma medalha de bronze nas paraolimpíadas de Atenas, nos 400 m rasos T12, com o tempo de 57’’52’. Sirlene não ganhou medalhas.As duas atletas pertencem ao clube Adevil (Associação dos deficientes visuais de Belo Horizonte). Nas paraolimpiadas de Atenas o Brasil embarcou com a maior equipe da história, com um total de 98 atletas que disputaram 13 modalidades. Entre esses atletas, a delegação contou 8 mineiros, no atletismo (Ádria Santos,Terezinha Guilhermino, Sirlene Guilhermino), basquete em cadeira de rodas (Marcos Candido Sanches), futebol de 5 (João Batista da Silva),esgrima (Andréia Amaral de Mello), futebol de 7(Fabiano Rogério Dias) e goalball (Adriana Bonifácio Lino).

Sede do Cruzeiro Esporte Clube

Mineiros têm visibilidade nas competições No total, foram 33 medalhas sendo14 ouros, 12 pratas e 7 bronzes o que deu ao Brasil a 14ª posição no quadro geral de medalhas, bem como a 3ª posição entre os países do continente americano e a 1ª posição entre os países da América Latina. A boa campanha da delegação paraolímpica brasileira foi fruto do excelente trabalho feito pelo Comitê Paraolímpico Brasileiro. Esse trabalho, além de incentivar os atletas a participarem das competições, também ressaltou a importância do enveto, o que possibilitou a participação deles em diversas competições nacionais e internacionais antes das Paraolimpíadas de Atenas, financiamento de atletas pertencentes à seleção paraolímpica brasileira por meio de bolsa e acompanhamento e avaliações médico-fisiológicas durante a fase de preparação. O destaque brasileiro dos jogos foi o nadador Clodoaldo Silva da classe S4 que conquistou 7 medalhas sendo 6 ouros e 1 prata, inclusive com quebras de redordes paraolímpicos e mundiais. A campanha brasileira na Paraolimpíadas servirá de estímulo à prática de atividade física por pessoas portadores de deficiência no Brasil. Segundo o último censo demográfico do IBGE, 14,5% da população brasileira tem algum tipo de deficiência.Isso não impediu a demostração de esforço, treino, saúde e garra dos atletas brasileiros, que ficaram esntre os melhores do mundo. Além do mais, com esses resultados o Brasil entrou para o seleto grupo de países com o título de potência paraolímpica. O esporte é, para muitos deficientes, a conquista não só de medalhas, mas também a inserção social. E o maior deles é a discreiminação e o preconceito.

Luiz Ciro

Sede do Clube Atlético Mineiro

Férias!

Tempo de descansar e recarregar as baterias para o próximo ano.

Ufa!

Curta suas férias com muito lazer e cultura. Volte cheio de energia e com novas idéias.


11 - Fumec - Fillipe (MP)

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9:34 AM

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Editor e diagramador da página: Carlos Fillipe Azevedo

FUMEC 11 Homenagem ao ‘Clube da Esquina’ O PONTO Belo Horizonte – Dezembro 2004

Corais mineiros reverenciam movimento musical que marcou a década de 70 em todo o país Arquivo O Ponto

Carlos Fillipe Azevedo 6ºPeríodo Trem azul, Paisagem da Janela, Clube da Esquina. Foi neste clima de nostalgia que os participantes do 2º Festival de Corais de Belo Horizonte apresentaram suas músicas. O Festival foi uma opção para todas as pessoas que gostam de música. Este ano os 18 corais participantes homenagearam o movimento musical mineiro Clube da Esquina, que é conhecido mundialmente por suas composições. Corais de vários segmentos se apresentaram gratuitamente, com o objetivo de democratizar o festival, em alguns dos principais pontos turísticos da capital mineira como, por exemplo o centro de Cultura de Belo Horizonte, Museu Abílio Barreto, as praças JK,Tom Jobim, Duque de Caxias, da Igrejinha da Pampulha, da Savassi e Praça Sete. Segundo o coordenador do Festival e maestro do Coral da Fumec, Lindomar Gomes, a opção de homenagear o Clube da Esquina seguiu uma linha adotada em diversos países do mundo: valorizar grupos genuínos de cada região onde o festival acontece. “O objetivo do festival foi celebrar junto ao público, através da difusão do canto do coral, as músicas do Clube da esquina, que apresentam beleza, harmonia e profundidade na melodia, com le-

tras e poesias que trazem temas como amor e dor”. Um dos corais participantes do festival foi o Coral da Universidade Fumec, que completa seis anos e tem como maestro Lindomar Gomes. O coral é formado por alunos, ex-alunos, funcionários e professores da

“O objetivo do festival foi celebrar junto ao público, através da difusão do canto do coral, as músicas do Clube da esquina” Maestro Lindomar Gomes

Universidade Fumec. O grupo já participou de vários ensaios, apresentações em datas festivas e em formaturas. Contando sempre com o apoio do pianista e arranjador Leonardo Cunha o Coral da Fumec se destaca pelo repertório composto de canções do Clube da Esquina com arranjos exclusivos.Trata-se do projeto “Coral da Fumec Canta Minas”.

O Coral participa de eventos de peso no cenário artístico mineiro e nacional. Entre os principais eventos, destacam-se os festivais de inverno de Ouro Preto, Itabira, Sabará, Festival de Verão de Pedro Leopoldo, II Minas Canta de juiz de Fora, Festivais de Corais em São Lourenço,Ipatinga e Três Corações, além de eventos interestaduais, como o Especial de Natal em Cabo Frio em 2000 e 2002. Paralelamente as apresentações, o Festival ofereceu uma Mesa Redonda no Palácio das Artes e um Bate-Papo sobre o Clube da Esquina, para os corais participantes e para o público presente. De acordo com o Maestro Lindomar Gomes, coordenador do Festival, o objetivo foi concomitantemente a homenagem ao grupo e o resgate do valor do canto do coral além das salas de concerto.“As músicas do Clube da Esquina se identificam muito com o canto do Coral, que erroneamente ainda nos dias atuais é associado à forma clássica do canto europeu. Queremos mostrar que o canto coral está mais próximo da música popular brasileira de qualidade”. Afirma o maestro. “Além disso, percebemos que nas caçoes do Clube da Esquina a preocupação com o arranjo vocal, o que compactua com o estilo de coral desenvolvido no Brasil”, completa Lindomar Gomes.

Coral da FCH Fumec em apresentação no 2º Festival de Corais de Belo Horizonte

Propaganda brasileira.

Uma história de sucesso há mais de 50 anos. 4 de Dezembro - Dia Mundial da Propaganda


12 - Ambiente- Fillipe

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Editor e diagramador da página: Carlos Fillipe Azevedo

12 AMBIENTE

O PONTO Belo Horizonte – Dezembro/2004

Rio das V e lhas pede SOCORRO! Exploração descontrolada do rio, aliada ao descaso político, resulta na degradação do rio das Velhas, fonte de vida e sobrevivência de cerca de 4 milhões de pessoas Carlos Conti, Kátia Viviane, Marcela Nunes, Rafael Xavier, Rafaela Araújo, Silene Penha, Roberto Staino 7ºPeríodo A extração de ouro, bauxita, cascalho e da famosa pedra ouro preto compõe um grande inimigo contra o Rio das Velhas, em Ouro Preto, não pode lutar sozinho.A estes fatores somam-se a construção da linha férrea BHVitória (que corta a cabeceira do rio), a ocupação imobiliária, o furto descontrolado da madeira Candeia, os desmatamentos, queimadas (necessárias à criação de pastos) e o turismo descontrolado que atrai visitantes com copos descartáveis,isopores e papéis que vão para ficar. Todas essas atividades são o ganha-pão de muita pessoas que moram perto da nascente do rio, tornando-se muitas vezes um meio de produção de lucros exorbitantes por parte de empresas. Segundo S.N. (que teme se identificar), de 54 anos e trabalhador da extração da pedra ouro preto, as pedras vão sendo empilhadas na beira da estrada e “o caminhão vem e leva”. Cada um tem seu montinho e recebe proporcionalmente no ato. “É pouco, né?” reclama S.N.“E eles vendem mais caro na cidade”, denuncia. O Rio das Velhas corta o Estado de Minas Gerais de norte a sul. Percorre 761 km, desde as proximidades da cidade de Ouro Preto (considerada Patrimônio Universal da Humanidade, dada a importância de seu legado histórico, artístico e arquitetônico) até Pirapora. Sua bacia tem cerca de 28.867 km.Abrange 51 municípios, cerca de 5% do território do Estado. Na sua maioria, encontra-se um enorme potencial turístico, com atrações exuberantes, embora não tenha sido identificada uma cultura forte de preservação dos bens naturais. Há mais de 15 anos, as comunidades do entorno da nascente do rio, além de ONG’s e de projetos como o Manuelzão, lutam pela efetivação da Área de Proteção Ambiental (APA) das Andorinhas, de responsabilidade do Instituto Estadual de Florestas (IEF). Criada em 1989, a APA Andorinhas abrange uma

área de 18.700 hectares, na qual se situam quatro “filetes” de água. O ponto de convergência entre eles é a cachoeira das Andorinhas, considerada a nascente simbólica do Rio das Velhas. Em 1968 foi aprovada pela Câmara Municipal de Ouro Preto a lei que dispõe sobre a criação do Parque Municipal das Andorinhas. Não efetivada, ela definia como área o raio de um quilômetro a partir da cachoeira - delimitação que contrária a lógica ecossistêmica, já que o dado não inclui as nascentes altas do rio, demonstrando descaso e ignorância. Não é de hoje que as autoridades vêm tropeçando em suas decisões com relação à preservação local. A atual prefeita de Ouro Preto, Marisa Xavier, não quis falar sobre o assunto e nenhuma das fontes que são aqui citadas conhece sua posição. Exceto pela postura passiva frente aos acontecimentos. Dada a clara necessidade de se implementar medidas que assegurem a qualidade de vida do rio e das comunidades ribeirinhas, a sociedade oferece várias propostas aos órgãos competentes. Há cinco anos foi criado o Conselho Consultivo das Andorinhas, cujo objetivo é integrar a realidade local às decisões sobre a preservação. Além de traçar prioridades, serve como um cérebro ao movimento de mobilização comunitária. O conselho conta com líderes comunitários locais, ONG’s, proprietários rurais e empresas com propriedades localizadas dentro da área de proteção, como a Vale do Rio Doce. O conselho, já submetido a todo o processo legal, não foi empossado pelo IEF. Ronald Guerra, proprietário rural, ambientalista e membro do projeto Manuelzão, assegura que nenhuma instituição acéfala pode sobreviver atualmente. Ele enaltece a importância do conselho e se indigna com o descaso. “Como é que a gente consegue trabalhar nesse nível?”, questiona o ambientalista. Ronald afirma ainda que “a forma de se chegar a uma solução é a participação da comunidade”, considerando que o poder público não sabe trabalhar bem com gestão participativa.

Região das Andorinhas é explorada por empresas Unidades de conservação com características distintas das florestas e dos parques (florestas são intocáveis e parques destinam-se a fins científicos, culturais, educativos e recreativos), as APAs possibilitam disciplinar o processo de ocupação das terras pelas comunidades locais e a retirada do sustento da área. Nas Andorinhas, o quadro é bastante complexo, e somente uma APA contempla suas necessidades. Lá existem comunidades inteiras, como São Bartolomeu, que vive da pesca, da plantação, da extração, da pecuária, da apicultura, da produção caseira de doces e de artesanatos de toda sorte. Há três anos, o Projeto Manuelzão articulou-se com o governo do Estado e conseguiu a liberação de R$ 250 mil, repassados ao IEF através da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Semad). Até hoje, nenhum avanço foi observado. O diretor geral do IEF, Humberto Candeia, reuniu-se em meados de maio com líderes das comunidades. Na ocasião, Candeia prometeu dar posse ao Conselho Consultivo até junho. Sobre a verba, Candeia reclama que “não é suficiente e por isso não foi aplicada”, mas assegura que está guardada.“O IEF irá complementá-la para efetivar o zoneamento o mais rápido possível", declara.Além disso, Candeia promete que não irá fazer nenhum tipo de plano de manejo sem estar com a comunidade envolvida. Armando Maia (APA-OP) está otimista com o andamento das negociações. O presidente da Associação dos Moradores da Comunidade de São Bartolomeu, Tomé Bartolomeu da Costa, quer providências o mais rápido possível e alega que atualmente o rio tem cerca de 30% menos de água, que há 20 anos.Tomé não confia no comprometimento das autoridades, que “empurram com a barriga” as decisões. O secretário da Associação Comunitária do bairro Morro São Sebastião, José Glecir Silva, conhecido como Chuí, reclama do descaso da prefeitura que, de acordo com ele, permite que o esgoto doméstico seja jogado no rio.“Como pode haver uma obra de canalização de esgoto, sem estação de tratamento, que leve todo dejeto para o rio?”, questiona Chuí. Como medida prática, ele propõe educação ambiental nas escolas e lamenta que ”não haja vontade, por parte dos governos, em estimular a consciência ecológica".

Jornal O Ponto - dezembro de 2004  

Jornal laboratório do curso de Jornalismo da Universidade Fumec - Belo Horizonte - MG

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