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Maestro de Obras: O Poeta de Meia-Tigela Capa/ folha de rosto e ratinho da página 11: Nataly Pinho Revisão: Um por Todos e Todos por Um Aos-Cílios Generosos: Gilberlânio e Francisco (Taliba)

[O formato deste Livreto foi inspirado em “Dentes Amarelos/ Risque Seu Nome do Meu Caderno”, de Manuel Carlos e Deribaldo Santos, aos quais enviamos Aquele Abraço] 2

Para Colorir!

Ficha catalográfica


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Você é meu amorzinho Você é meu amorzão Você é o tijolinho Que faltava na minha Construção É verdade, é verdade (Wagner Tadeu Benatti)

Mutirão. Multidão A Multidão é agrupamento, é coletivo: mas coletivo ainda sem certa direção, sem meta dirigida, sem devida orientação. A Multidão pode seguir junta numa reta e aí vira Passeata, Procissão. A Multidão pode estourar feito gado desenfreado e aí é confusão O Mutirão. O Mutirão também é coletivo: mas com predestinação. O Mutirão se determina previamente a ser o que é: Mobilização. A Mobilização do Mutirão é o movimento em prol de uma comum intenção: Ademão Ademão é dar uma mão, e dar uma mão é dar-se no que se tem de melhor: a gratuita Contribuição. A Contribuição dada no Mutirão é de cada um para todos. O Mutirão, o Muxirão O Mutirão é Contribuição de todos para cada um. Cada um contribui com sua Mão, seu Ademão e todos se beneficiam. O Mutirão, o Muquirão. Todos contribuem com a gratuita Colaboração e cada um se beneficia. Aqui, o benefício é a benfeitoria de um Livreto, uma Literaturação. O Mutirão,o Puxirão Nosso Mutirão é assim: Todos por todos, Reumnião E o Leitor.Você, Leitor, é o Tijolinho que faltava na nossa Construção

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“PALÍNDROMO – Diz-se o VERSO que se lê igualmente num e noutro sentido, como o exemplo espanhol “dabale arroz a la zorra elabad” ou o luso-brasileiro que anda de boca em boca entre os amantes de curiosidades literárias: ROMA ME TEM AMOR” (CAMPOS, Geir. Pequeno Dicionário de Arte Poética. São Paulo: Cultrix, 1978)

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Melancólicas A gota, lenta, desenhava um rastro espelhado. Longo, longuíssimo percurso de 15 cm até chegar à superfície da mesa. Meta desinteressante para tão difícil empreitada, mas havia caminho a escolher? Uma gota quer um caminho? Não. E, fim das contas, todo fim de caminho seu é um chão. Metafórico, denotativo, análogo... que seja. Ela havia percorrido, pequena, involuntária, as intimidantes montanhas: as mãos desinteressadas em volta dela. Estas seguravam o copo sem saber querer soltá-lo ou agarrá-lo e, nessa cerimônia inexplicável, outras gotas tremiam como a primeira e, depois de alguns acúmulos, tensões, uma segunda gota precipitou-se. E uma terceira. E outras. Até cessarem. E as tais mãos desprenderam-se, líquidas, deslizando, e elevaram-se para tocar um rosto e molhá-lo. Toque morno, mas sem conforto, pois a boca do rosto disse: "Não são lágrimas". E tudo secou por fim.

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O rato roeu o resto que o rei me deu, e morreu 11

eu sou o rato e o resto sou eu...


Tríptico 1. A bolha de sabão Perante um batalhão De fuzilamento 12

2. A língua ferida Entre dentes afiados 3. Liberdade Reescrever


Faço poesia com teus olhos e com tudo de ti daquilo que não existe e do que poderia não sei rimar não quero rimar rimar é o meu reverso de poema a não ser que a rima rime por mim apenas quero tocar o mundo fazer amor com as palavras como quem deseja deseja deseja

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Jogo

Apitos atordoados levitam entre espelhos Uma neblina interrogativa nos chama ante o vazio do viver Velhos dados evacuados

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Poema πnumérico Com a vida e morte repentina Eu, serena, danço sim... canto. Enquanto conseguir, respiro. 16

Guerreira sou eu, Que cantando luto, Sempre...

OBS: No poema acima, a quantidade de letras da i-ésima palavra corresponde ao i-ésimo algarismo do número π, começando com 3,1415... Decorando-se o poema, o leitor consegue decorar o número π com 20 casas decimais.


De [form] [ação] A forma In[forma]: A forma De[forma] A forma

Da forma

Dis[forme!] Form[ativas] De[form][ação] De[form]ativas

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ESCOLHAS Prefiro a implausibilidade da vida Que me leva de cá para Sabe-Se-Lá À morte arquimédica, muda e polida Da certeza de tudo o que se fará: Uma fila hemofílica de horas contadas, Em negras cadentes de um dominó Cujo arranjo esbanja a linha traçada Na górdia e trançada cegueira de um nó. Monto na bala de um tiro no escuro; Nado num ocaso de ocasião. Tanja-me ao inalcançável dos muros O gume hidrofóbico vindo do cão! Prefiro que o olho nublado da morte Por dentro me olhe em perscrutação E eu escape por engenho ou por sorte Na pergunta ou no corte que lhe pare a mão;

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Prefiro isso tudo de que é feito o talvez E que fez o acaso do não e do sim Pintar-me na pele a insensatez Com a tinta da alma empoçada em mim; A ter de meu tempo a carne encarnada Na carne de um corpo cujo coração, Pêndulo lógico, máquina inchada, Não passe de um pulso sem palpitação, Sem sístole, diástole, sangue nas veias, A temperatura excitada do amor, Sem jamais ter jorrado na vida alheia Nem susto, nem paz, nem espinho, nem flor. Prefiro ser isto: a quase euforia, A quase tristeza, a imprecisão; À sensaboria de achar-me, um dia, Perdido em viver no miolo de um não. 09/07/14

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Elas I Tempo de amar Quando ela me olha Ganho todo o dia; Quando olha e me vê Ganho a semana inteira; Quando então me sorri Sou só riso por um mês. Ó Afrodite, me diga: O que preciso fazer Para que ela me dê Um flash de eternidade?

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“Hoje é dia 24 de dezembro, dia do Baile de Natal ou primeiro Grito de Carnaval. Ana Palindrômica saiu de casa e está morando comigo. Meu ódio agora é diferente. Tenho uma missão. Sempre tive uma missão e não sabia. Agora sei. Ana me ajudou a ver” (FONSECA, Rubem. “O Cobrador”, in: Contos Reunidos. São Paulo, Companhia das Letras, 1994)

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esboço de poema anotado em uma partitura o meu amor é bandolim afinado em ré e o que sou quando junto dela: uma valsa tocada em si bemol

(não falo de amor: toque-desejo-posse falo de harmonia: acordes que se completam)

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é lagosta? ela gosta

• o rival do Rivaldo

• aliteração?ali terá ação

• serei a sereia

• bar dos bardos

• pratico oração pra ti, coração

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Até Estreita, a senda Conduz-me, embora E vou embora Até que ascenda E se me acenda A luz — não, de fora: Dentro — e o eu q’eu fora A si transcenda

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BATOM VERMELHO Rímel volumoso. Batom desenhando a curvatura da boca. Decote ampliado. Olhar castanho trêmulo. - Quanto é o programa? - É deiz! - Vamos lá! E ele sai empurrando a adolescente na cadeira de rodas.

ÚNICO Familiares advertem sobre o perigo da madrugada. Mas ela insiste ficar sozinha e beijá-lo, admirá-lo silencioso e belo como a lua. Neste borboleteio de horas, ela sorri comentando assuntos de ontem e de hoje. Final de visita, ela abraça a estátua do esposo numa despedida intensa.

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Psiu Quando quatro conhecem um segredo não é segredo é notícia Quando três conhecem um segredo não é segredo é conluio Quando dois conhecem um segredo não é segredo é acordo Quando um conhece um segredo não é é quase Quando ninguém conhece um segredo que também a si se desconhece

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dispersão noturna eu era tantos quantos os brilhos da noite e o coro de grilos. tantos quantos os voos de rasga-mortalhas, perdidas agourando os vivos medrosos de morte. eu era tantas sementes manchando as calçadas, andorinhas no fervilhar de seus sonos. tantos eu era que a noite, então, era pequena e vasta.

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Único Verbete Involucionário Fora de Edição Dicionária: "Paranoico: Eleições".

Periódico; Infesto Manifesto Indigesto; Do exótico nada heroico; retumbante e relutante; pornochanchada republicana; das bananas; repúblicas; capitalistas; opinionismo; coitadismo; lamentarismo; confusionismo; fundamentalismo; superficialismo; plebiscito e referendo impopular; iniciativa elitista e demagógica; momento ritual em que o poder formal de cada um é formalmente igual, mas o conteúdo é diferente; desigual; daquilo tudo o que, sendo prometido, está acorrentado; as vísceras de uma sociedade; as víboras e as vítimas dessas; intriga; espelhos; vidraças; boatos; conchavos; traições; manipulações; interesses; quando se leiloa o poder e ele não existe; desiste; alianças; quando se vão os dedos e se amputam as mãos; os pés; a cabeça; o tronco; os membros; a imaginação, a ação, a ilusão e o sonho de querer acreditar que as coisas podem melhorar; desejo; "quem mentiu primeiro: a confiança ou a indignação?" perguntou o rebanho às suas ovelhas; momento em que pensamentos, gestos e atitudes conservadoras e reacionárias mostram a sua farsinha; carinha; a estratificação e a mobilidade social e política de posturas nazistas e fascistas brasileiras; as forças e ondas democráticas; indiferentes; descontentes; não-institucionalizadas; ecossocialistas, anarquistas e anticapitalistas que lutam contra essa emergência; o perigo cínico que sorri divinamente mal; a diversidade dessa polaridade; brinquedoteca de lástimas sinceras; agruras; fervuras; frescuras; quando se exercita a pressão, o terror e as guerrilhas psicológicas por pura paranoia; infantilização do debate; momento em que a opinião publica sua opinião; e nada mais; faz; candidatos; eleições; facções; grupos; grupelhos; aparelhos; estado; mercado; quando o pecado deixa o seu recado; se "facultativo ou obrigatório?" me diga você ao sair desse purgatório; ilusório; fatalidade; realidade; tomar o seu destino e construir sua história com as próprias mãos; "que ESTÓRIA é essa?"; momento em que visões de mundo colidem no trânsito virtual; engarrafamento e engavetamento de verdades em nome de uma falsidade maior; o que é necessário fazer para chegar, tomar ou se manter no poder?; a farsa da falta de limites naquilo que é ético fazer sobre; BIG BROTHER ELEIÇÕES S/A; fofoca; guerras religiosas; políticas; econômicas; sociais; culturais; ambientais; intergalácticas; a sua via e nenhuma das outras; psicanálise dos contos de fraldas; fadas; que país você vai ser quando crescer; minoridade política; maioridade eleitoral; a mania de reformas que reformam sempre a mania de reformar; pela oportunidade do senso da falta do bom e velho dom; dádiva; magia laica; numerologia; cabala; coeficiente hipnótico das estatísticas eleitoreiras; maiorias; minorias; qual a metodologia da sua logística; marketing político; produção, consumo, distribuição e circulação de ideias, narrativas, histórias de vida e adjacências; hábitos; gestos; exercitar a visão, a audição, o tato, o olfato e o paladar com fatos e dados que estão a um palmo do nariz; um chafariz de arbitrariedades; obviedades; fábulas; mitomania; antropofagia cibercultural; caiu na rede? é virtual!; os amigos dos amigos; os inimigos dos inimigos; gugu; dadá: o que vou fazer se não quero votar?; a comédia e a tragédia em (2) dois turnos; o primeiro, como farsa. E o segundo? também. [Dicionário Involucionário: Trata-se de 165 verbetes compilados e nada complicados. Foram escritos e postados no livro-rosto, de forma intuitiva e improvisada, durante o interlúdio compreendido entre a última semana da Guerra das Confederações, o Junho 13 Brasileiro, A Era Pós-Confederada e a Copa da FIFA no Brasil 2.0.1.4. A Primeira Versão da Edição ainda não publicada chama-se “Acquade Cocos Imersum 2.0.1.4”.]

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“Periferia não é lugar mais cabuloso, não julgue se não conhece a cultura de meu povo” (Trecho de uma música do grupo de rap sobralense Expressão Cruel. Letra de Frank e Eutêmia Soares)


Soneto à Sibéria à Sylvandra Régia

No calor de tuas intensidades às entranhas Eu roço a minha pele na tua e me aqueço E só em teu vulcão é que eu me reconheço Eis o lugar de prazeres dos enigmas e manhas! Assim lá há a poesia de teus pequenos e grandes lábios Onde jorras os líquidos e cheiros de fêmea ao poeta ávido! E qual o beija-flor me entranho à tua flor aguada e impávido Ao monte de Vênus e às incertezas que só sabem os sábios! De efeito um turbilhão de intensas sensações aflora Em todos eternos instantes preliminares e durante De minha passagem por tua geografia de bela Ibéria! E brisa suave nos toques e afagos em língua de carícias d’hora Quando o amor que se faz sendo sempre inédito e constante Naquele nosso ninho de amor que chamamos caliente Sibéria!

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SONETO DA CARNE REVELADA Dos rios todos que brotavam dela, Da fenda selvagem a seiva agridoce Tingiu-me a língua da fêmea que pôs-se Recôndita e vasta, puta e donzela. Fizeram-se meus o que era seu corpo — a nádega branca, o seio convulso — E, à minha mão de homem, o seu pulso, Que livrara-lhe exangue o próprio corpo. Gravara-me às costas a fêmea que era E seu verdadeiro nome ao meu peito. Em troca, escrevi-lhe à carne inteira O homem que seu sexo havia feito, O macho cuja carne ela comera, O verão de que fora primavera. 13/10/10

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VINGANÇA Restou-me essa candura de mulher perdida, a mim que nunca prostíbulos visitei. Imaculado, ao largo deles transitei pra ser sempre donzel ao longo desta vida. Porém, meus sonhos já morreram, e destruída a fantasia vejo: o que não alcancei, aquilo que perdi, aquilo que não sei, a porta de entrada, a porta de saída. Nada me resta mais, nem mesmo a esperança, atado que fiquei a tudo o que é passado - meu altar, onde estou posto, onde me adoro. No entanto, ainda resta a mim uma vingança - a de sorrir do mundo e me sentir vingado. ...Mas quando chega a noite eu me entristeço e choro.

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Em 27 de março de 2014 carimbadas quatorze notas: cinco de R$ 2,00, duas de R$ 5,00, três de R$ 10,00, uma de R$ 20,00 e três de R$ 50,00, num total de R$ 220,00. Começa a Intervenção Vale-Poema: quantos dias se seguirão até que uma das tantas cédulas a serem doravante expedidas retorne à mão que as marcou? * Em 06 de julho de 2014 o cobrador da linha Pacajus-Fortaleza (Empresa São Benedito), ao receber a nota de dez reais assinalada, afirma “essa eu vou guardar pra mim”


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“Now I lay me down to sleep... Tengo que repetir versos, o el sistema de buscar palabras com a, después com a y e, conlas cinco vocales, concuatro. (...) Asípaso horas; (...) y más tarde palíndromas. Los fáciles, salta Lenínel atlas; amigo, no gima; los más difíciles y hermosos, átale, demoníaco Caín, o me delata; Anás usó tu auto, Susana” (CORTÁZAR, Julio. “Lejana”, in: Los relatos 3 — Pasajes. Madrid: Alianza Editorial, 1976)


Carne Enfim, pendurados os corações me dão as contas: 5 abatimentos. Fortes foram os bois agora mortos. Em mim mensuradas quantas paixões setas e pontas? quais sentimentos? À sorte, morta depois: agora a postos.

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sofro porque vivo sofro porque morro sofro no meu crivo sofro todo torvo sofro e respiro sofro sopro sofro sofro no meu banho sofro quando mofo sofro algo estranho sofro mofo sofro sofro em silĂŞncio sofro quando grito sofro no hospĂ­cio sofro logo existo sofro grito sofro sofro no alento sofro no desconforto sofro quando esquento sofro quase morto sofro quando esfrio sofro e sorrio sofro morto sofro

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Nós Você é uma agulha

E eu uma bexiga

cheia

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Nós II Você está cheia Agora sou

fagulha


De tantas pessoas eu me afasto Em tantas pessoas eu me busco S達o tantas as pessoas que eu digo De tantos e tantas sou tonta sou tanta Sou muitas e muitos os lugares e ainda devo e ando Quero ir embora para algum lugar N達o sei pra onde: mas eu vou... De tantas coisas sou um fado Cada vez mais me afasto tamb辿m de mim Cada vez me torno quem sou Sou quem n達o deixou de ser e tento Eu tento eu tento e tento Eu escuto antes disso esse som de tantos lugares E me afasto e me busco e me perco eu me torno e me tomo

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1° Ciclo Motim clarividente Rodopio sangrento Nas leituras flutuantes

2° Ciclo A bizarria não passa de um teatro Quando risadas são evocadas de um eterno público Sepultado abaixo dos campos iluminados

Último Ciclo Quando os dejetos renovam-se Vaias mórbidas são ecoadas Trilhando o caminho dos náufragos

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METADE

Meio dia Meia lua Meia vida Fruta madura

Não é começo Não é fim Não é sába E nem domin

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Divinlamento Ser-totalidade Uma inclinação espaço-temporal... Ser-todo ausência abismal, Pendurado no vazio... Mas o silêncio é pesado, Nada temos a dizer... E isso nos faz quase sempre Falar sobre tudo... Ser-cheio de vácuos e absurdos... Carente de mundos, Começo e fim.

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ESSA OUTRA CARNE, ONDE VIVEM OS MENINOS E OS GUAIAMUNS Tanto fazia o mundo que derramava carros importados e motoristas perfumados à sua porta. Tanto faziam as horas de tédio de ídolo que passavam dentro de seus olhos, ou as que ela mesma passava entrando nos olhos apatetados das pessoas. Não importavam mais. Sempre fora, pelo menos até ali, uma mulher enganchada às engrenagens de seu sexo. Nunca deixaram de verter olhares agudos e esfomeados pela sua pele, estivesse, ou não, coberta. Nunca lhe negaram saliva, silvos, grunhidos, grosserias e galanteios vulgares ou perolados: nunca lhe deixaram de lembrar ser a mulher mais desejada que já nascera, visitara ou vivera em Brigante. Álcool, pó, pílulas e sorrisos, valiam-lhe gratuitamente de todas essas drogas, tantas que dariam para morfinizar uma guerra. Não importavam mais. Não importavam os comprimentos, os diâmetros nem as cores de todos os quilômetros de caralhos que se ergueram escravos de seus miados, e que chupara, mastigara, comera e lambuzara de paraísos. Não importavam mais as maquilagens, os brilhos, as sombras e os esfumaçados que dariam para afrescar catedrais e que foram lavados nas lamas das manhãs. Tanto faziam agora. Sua pele de beluga, fruto de besuntes que calafetariam frotas inteiras, sua carne espartana, construída por repetições de contrações musculares que, somadas, ergueriam o prédio mais alto em que jamais entraria, suas unhas, dentes e cabelos que, juntos, foram responsáveis por mais de mil empregos diretos e indiretos e pela subsequente poluição de todo o aquífero de um pequeno sertão e pela morte de faunas e floras aquáticas e costeiras, seus espelhos, seus bricabraques, suas pratas e seus ouros, sua tecnologia importada de ponta, sua riqueza de afetações copiadas de revistas italianas, seu encantamento, nada, nada mais restava pagão ou divino sobre o altar sólido que lhe ergueram nem pavimentava o chão de procissão cega que lhe deitaram. Não importavam mais os joelhos roídos nem os pés rasgados de seus romeiros. Sua divindade morrera coberta por algas, lama e lixo no fundo do açude onde se afogaram três de desespero pela sua indiferença e pelo capricho felino de sua orgulhosa inconstância feminil. Nunca mais, sabia ela, vestiria, com sua presença ubíqua, os homens de meninos amarelos de mãos cabeludas ou as mulheres de guaiamuns desajeitados de garras odientas. Não seria mais vista. Não seria mais imaginada. Seria um neurônio morto pelo câncer da idade no cérebro de Brigante. Mas isso também não lhe importava. Desfar-se-iam os andores, desimaginar-se-iam as preces, esfumaçar-se-ia a fé — sumiria. Tampouco isso tudo se lhe dava. Sabia-se mulher até aquele dia. O dia em que, sob a sua carne, encontrara um oco, mas não a sua carne de deusa, a sua carne de anja, a sua carne de mulher. Enfiara a mão dentro da carne que lhe suportava essa outra carne e não encontrara nada. Onde deveria havê-la, nada! Onde deveria ter sempre estado, nada! Aonde precisou, pela primeira vez, regressar, nada!

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Tanto faziam os lugares, os estrangeiros, os magnatas! Não lhe havia onde se guardar. Sua pele, seus dentes leitosos, suas unhas de fogo, seus cabelos de éter, seus olhos de poço, tudo eram joias que lhe disfarçavam essa outra carne, essa casa, essa caverna macia dentro de si mesma, destinada apenas a si e a mais ninguém, essa confortável pátria solitária, essa praia de rio oculta, deserta, desconhecida de todos, senão dela própria. Imaginou-se a princípio enganada, bêbada, distraída. Depois, pensou ter sido invadida e roubada como uma casa muito grande, durante a noite, enquanto os cães dormiam entre as plantas de seu labirinto. Finalmente, sentiu-se oca. Inválida. Morta, morta, sempre estivera assim! Nada lhe faltava porque nada nunca tivera. Deitou-se. Abriu a caverna à visitação pública. Empestou-se em camas imundas, degradou-se o quanto podia, depois, mais um pouco. Cuspiram-lhe a saliva que antes lhe babaram, e não se importou com o fato de terem se tornado mais animais nesse ato. Pertencia aos animais que antes chamava com os estalos de seus dedos de anêmona. Alimentava-se de restos. Cagava em vias públicas, de pé, escorrendo-lhe a merda amarela pelas coxas estriadas, confundindo-se com elas, vestindo-as, sendo-as. Fizera, enfim, sentido. Tornara-se o vazio de sua própria toca, a ausência de sua carne, essa outra carne, a carne que veste e que suporta o peso do sexo que gira, como uma engrenagem, a máquina de autoconstrução, o moto-contínuo dos ídolos de bronze, das deusas de alabastro, das escravas sem mestre, escravas de si. Observava néscia os guaiamuns e os meninos amarelos agora sem o impacto de sua presença. Pareciam-lhe tão belos, tão superiores… Visitavam-lhe alguns a caverna, outros paravam diante de sua boca, miravam sua escuridão e se iam, aqueles atiravam pedras e gritavam pelo eco, aqueloutros se perguntavam por que deixavam aberta tamanha fossa nos passadiços de Brigante. Enfim, esqueceu-se. Taparam-lhe primeiro com lixo, depois com entulho, e, por fim, veio a Prefeitura sob uma manifestação de apoiadores e opositores pavimentá-la com o asfalto mal misturado das obras públicas. Carros estacionaram sobre aquilo por que antes três homens se afogaram. Esses três, hoje, jazentes no fundo do açude de Brigante, choram líquen que alimenta todo um novo cardume que, enfim, voltou a pratear a superfície das águas onde pescadores cortam as mãos grossas puxando as tarrafas que voltaram a alimentar a vida no interior daquele pedacinho de sertão, por trás de um mundo que nunca soube que estava ali. Um mundo diferente, um mundo sem meninos, sem guaiamuns e sem ídolos de alabastro. 13/01/14

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II Sonho de Romeu

Ah, como ficas linda Nesse traje de gala, Amada Julieta… Mas, no sonho de Romeu, Não estás feito crisálida E sim como borboleta. Por isso, trago-te flores: Jasmins, dálias, violetas…

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eu e meu me*

meu * I me mine

George Harrison 55

eu e tu te teu*

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Martin Buber


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“SATOR AREPO TENET OPERA ROTAS. O sentido exato da expressão, tão concisa, perder-se-á com o tempo, tornando-a ambígua. Aos contemporâneos de Loreius, porém, a sentença é de uma grande clareza e o seu único mistério consiste numa duplicidade de sentido. Diz-se: O lavrador mantém cuidadosamente a charrua nos sulcos. E também se entende: O Lavrador sustém cuidadosamente o mundo em sua órbita. Esta última significação, portanto, atende também aos anseios místicos de Ubonius. Sobre um campo instável, o mundo, reina uma vontade imutável”(LINS, Osman. Avalovara.São Paulo: Ed. Melhoramentos, 1973)

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matéria para composição poética

1. palavras saltitantes 2. pôr do sol em jericoacoara 3. abraço de mãe 4. chuva na madrugada 5. silêncio 6. sapo defecando 7. beira de rio 8. criança sorrindo

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SUBLIMAÇÃO

Todas as vezes que o meu eu medíocre me fez querer pensar em desistir a força divina que habita em mim me capacitou a desbravar os procelosos caminhos da persistência. Daí, aprendi a transformar as frias adagas, incomplacentes e afiadas, que me mutilavam em macias plumas para aconchegarem o meu êxito!

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Cicio Deus é um segredo bem segredado só pode entendê-lo quem de bom grado Deus é um segredo bem contido só pode escutá-lo quem não tem ouvido Deus é um segredo bem guardado só pode contá-lo quem fica calado Deus é um segredo .Toda algaravia Mantém-no em degredo. Cala Silencia

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O CRONISTA Uma faixa de formigas anda pelas entrelinhas do texto.

O VENDEDOR DE TEXTOS A luz do sol atravessa suavemente a transparência do rosto esquerdo de Vnoy. 61

UTI Ao Poeta Mário Gomes

Os sons agonientos da ambulância insistem. Na avenida, carros abrem espaços com dificuldade. No hospital, médicos e enfermeiras urgentes levam para o auditório lotado, o poeta da cidade.


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O atirador de facas O poeta É um atirador de facas Lança seus versos Só querendo assustar Mas de vez em quando erra E quando erra acerta E quando acerta É pra matar

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ponte

há uma ponte ao longe (e uma em mim) que sei deste horizonte? (que sei eu de mim?) o céu é branco ao sol das quatro a luz é pura – santo prece e comungado

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com a visão do céu a ponte, o desmantelo o véu alvo; o meu verso, ludo feito alma, corpo inteiro.


Micro Ponto Literårio: COITOS TE CONTO Trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam,trepavam, trepavam,trepavam,trepavam,trepavam. Muito mais do que infinitas vezes 69. Com planta, bicho, gente, pedra, espírito e tudo mais o que viesse, viçasse e gozasse. Antes, durante e depois desse coito de contos. Para a furiosa glória de seu nome e de nosso zen.

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Essas nossas poesias De tanto voar e voar. . . Aquelas poesias se achegaram ao campo orbital Não se contentaram com as alvas cordilheiras Feitas as coxas torneadas da Musa-Inca Nem tampouco com inóspitos fiordes da Escandinávia E assim essas nossas poesias Transcenderam nas órbitas de estrelas além-grandeza Achegaram-se às galáxias anos-luz distantes Com os ventos estelares Expandiram-se nas palavras e sonhos Na estrela dos Vedas Compartilharam poíesis amiúde Seguiram adiante como que perdidas no espaço O vácuo é sempre a alteridade Na Nebulosa de Andrômeda Ao sul da constelação de Cassiopeia Mudaram de ideia E retornaram ao lugar do Vovó Cafifa Essas poesias da gente . . .

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CABARET FRANCÊS

Quando amar, deixe o ser amado saber-se. Esconder o amor sob os véus da prudência Ou deixar que dele o silêncio contemplativo diga a malha, o cheiro e o gosto através dos olhos austeros não o engrandece, nem há fumaça romântica de cabaret francês que lhe heroíze as faces. Ame às claras, que é no escuro que o amor dorme, e não há paz maior que um amor de permanente aurora. 27/08/14

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PASSAGEM

Que importa se é de ouro ou madeira a porta por onde passam o garimpeiro e o lenhador, se o que sentem ambos é não saberem aonde vão?

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ESCALA Poeta DMT 7

André Álcman

Frederico Régis

Poeta DMT 23

Tadeo Mågela Pietié Poeta DMT 39

André Álcman

Frederico Régis

Poeta DMT

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Tadeo MågelaPietié

Léo Prudêncio

Frederico Régis

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Dedham Califa

Paulo Nayron

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Fernando de Souza 50

Luĉjo Gaivota 58

Renan Dias 65

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Clébio Duarte 42

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Felipe Neto

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34

49

Léo Prudêncio

19

Jorge Furtado

Luĉjo Gaivota

Adriano Sousa

56

64

Luĉjo Gaivota

41

48

Fernando de Souza

Renan Dias

Nataly Pinho

11

18

33

40

Frederico Régis

Paulo Nayron

25

Felipe Neto

Clébio Duarte 10

17

32

Valdemar Neto Terceiro 63

Adriano Sousa

24

Caroline Mendes 47

9

16

Valdemar Neto Terceiro 31

Luĉjo Gaivota

8

Caroline Mendes 15

Nataly Pinho

51

Jorge Furtado/ Luĉjo Gaivota 59

Dedham Califa 66

67

Paulo Rodrigues

Alessandra Bessa

12

13

Fernando de Souza

Manuel Bulcão

20

Tadeo MågelaPietié

Nataly Pinho

Silas Falcão

Nilto Maciel

Nataly Pinho

Paulo Rodrigues

Alessandra Bessa

44

45

Manuel Bulcão

52

68

38

Doug Dias 46

Nataly Pinho 53

Silas Falcão

54

Wescley Braga 61

60

Fernando de Souza

30

29

37

Tadeo MågelaPietié

22

Wescley Braga

36

Fernando de Souza

14

21

28

Fernando de Souza

Doug Dias

Nilto Maciel

62

Nataly Pinho 69

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ADRIANO SOUSA. Inclinado pela flexibilidadeda linguagem Pelas imagens poéticas... Com gosto exótico Filosofia, poesia, literatura, arte Aspirante a pensador Refletindo a própria dor. Escrever sobre “MIM” é... Falar sobre “EU” E falar sobre “EU” é... Não saber sobre mim ALESSANDRA BESSA. Nascida em Fortaleza no dia 21 de outubro de 1987, sob o sol de libra, lua em câncer e ascendente em sagitário, filha de Teresinha de Jesus Sousa Bessa e Domingos José Siqueira Bessa. Graduada em Letras e pós-graduada em Literatura e Língua Portuguesa, integrou em 2011, com um poema de título “Teu Azul” a coletânea Prosapoemas e publicou, em 2014, pela PENALUX, Arcanos Maiores e a Valsa Leve.

ANDRÉ ÁLCMAN. André Álcman é devoto de Santo Antão, de Bach e de Joaquim (seu pai). Se expressa pela poesia desde a sua tumultuada adolescência, entretanto, escrevia “apenas” para apaziguar os seus demônios. Foi assim, até conhecer o Poeta de Meia-Tigela, que desde então o encorajou a apresentá-los sem necessariamente exorcizá-los. Amém!

CAROLINE AQUINO. Caroline Aquino nasceu em Goiânia, em 1994. Atualmente mora em Fortaleza e é estudante do último período do curso de estatística, da Universidade Federal do Ceará.

CLÉBIO DUARTE. Nascido em 1989, em Catunda, Ceará, aos cinco anos parte com a família para o Rio de Janeiro, fugindo do tempo ruim. Três anos depois regressa à cidade natal. É nesse lugar escondido que passa o resto da infância e a adolescência, período no qual começou a evocar as primeiras más decências e maledicências literárias. Encontra uma moça de olhos grandes e negros: Máxima Madalena, poetisa de mãos leves que conquistou seu coração pesado. A poética de Clébio Duarte é uma mistura de regionalismo sertanejo e marginalismo urbano, uma contradição interna e um pulo do gato que surge do nada!

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DEDHAM CALIFA. A alcunha desse poeta vem do Cafifado de Dedham (1137–1221 D.C), na Península Arábica. Trata-se do mesmo El Escriba del Benfica. Aquele de criptos e do também aprendiz de sonetista, o bardo Dedé Calixto, de incontáveis Musas, Ninfas e Deusas. dedhamcalifa@gmail.com

DOUG DIAS. Nascido em2 de junho de 1994, no Rio de Janeiro, Douglas Paiva Dias cresceu viajando entre o Ceará, Rio de Janeiro e Goiás. Filho único de Joana Alves Paiva Dias e José Vanderlei Dias, desde pequeno tevenos desenhos seu mundo de escape. Com o tempo foi aprimorando o gosto pela arte,desenhandomangás e super-heróis. Aos 17 anos, incentivado por uma professora, começou a desenhar tirinhas e charges e não parou mais. Hoje escritor e cartunista, é também estudante de Filosofia da Universidade Estadual Vale do Acaraú. FELIPE NETO. Representação: 3.8 anos cruzes. Involucionista. Alquimista de Seus Ninguéns no Medievo Semiárido Siarense. Nordestino de Andrômeda nas Galáxias Vagas. Terrorista, poliglota, tradutor, fiador e falsificador de línguas desconhecidas, desconexas e xamânicas. Está no auge de sua reforma psíquica: assim afirmam os delirantes que o assistem. Alienista e alienado nas horas certas e erráticas. Artesão de verbetes. Cientista Antissocial. Descendente de genealogia mitolírica. Investigado pela Civilização Pós-Moderna por conta de delitos cometidos em nome de uma suposta justiça poética. FERNANDO DE SOUZA. Quem sou eu? Fernando de Souza, professor, revisor e poeta, ciclista e pescador, observador do mar, amante da música, aprendiz de gaita, campista e viajante, jogador de sinuca, inimigo do despertador e da segunda-feira. Entre outras coisas. http://osilencioentreaspalavras.blogspot.com.br/ FREDERICO RÉGIS. Nascido em Fortaleza (1973), morou muitos anos no Centro da Cidade|estudou em colégio franciscano e teve como quintal a Cidade da Criança|conhece alguns prédios do Centro por dentro e por cima|aos sábados, por trás de balcões emborrachados, aprendeu nomes de peças de carro com seu pai|sua mãe lhe ensinou o resto|depois que ganhou a primeira bicicleta (usada) aprendeu a voar|é ciclista explícito, engenheiro de formação, bancário pelo dinheiro e poeta de vez em quando|escreveu sempre livros de poesia, a exemplo de Minutas do Caos, Os Países (Campanha Ultramundos) e Enquanto Somos|Deus lhe trouxe uma filha.

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JORGE FURTADO. Poeta Jorge Furtado Aprendiz, louco varrido, amante da poesiadesde o útero, divulga seus versos pelas esquinas do mundo, mundo, vasto mundo.CORDÉIS POR ENCOMENDA: poetajorgefurtado@yahoo.com.br

LÉO PRUDÊNCIO. Nasceu em São Paulo em 1990. Atualmente atua como aluno disfarçado de professor em escola pública no sertão cearense. Integrante do Grupo Pescaria. Publicou pela PENALUX, em 2014, o livro Baladas para violão de cinco cordas. http://opoetaestaso.blogspot.com.br/

luĉjo gaivota. lúciocletopaivauchôa, nascido em fortaleza de nossa senhora da assunção, siriará, em mil novecentos e sessenta e dois, quinze de novembro. artista metalista por dom maior, semipoetapor dom menor. eletromecânico, ama arte – amar-te – orientalista, kung-fu, tai chi chuan, i ching. seu codinome vem do esperanto (luĉjo – significando lucinho) e de homenagem a fernão capelo gaivota.

MANUEL BULCÃO. Manuel Soares Bulcão Neto nasceu em 1963, em Fortaleza, cidade de onde também partiu, em 2012. Autor de As Esquisitices do Óbvio (2005), Sombras do Iluminismo (2006), A Eloquência do Ódio (2009) e Contra o Princípio Copernicano (e-livro, 2012), todos de ensaios. http://artedoconceito.blogspot.com.br/

NATALY PINHO. Gosta da estrada (Pai caminhoneiro), de idealizar (mãe sonhadora) e de realizar (irmão pragmático). Fora isso, dá umas doses de arte à vida como se fosse questão de sangue. Nunca saberá se é, mas na dúvida, continua fazendo. Nasceu em 85, o que não significa nada: só os dias vívidos, de preferência em mutirão, que se somam à conta dos anos. E o curso superior em Letras, bem, deve ter servido para alguma coisa. Vejam aí.http://www.natalypinho.com.br/e http://natalypinho.blogspot.com.br/ NILTO MACIEL. (Baturité, 1945-Fortaleza, 1914) “Sou marginal da literatura. Há muito deixei de sonhar com glórias e famas. Tudo isso é passageiro. O que é bom fica, permanece. Sem precisar de muletas, fanfarras, galardões, medalhas. Sou apenas um escritor de poemas, contos e romances”. http://literaturasemfronteiras.blogspot.com.br/

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O POETA DE MEIA-TIGELA. O Poeta de Meia-Tigela nasceu Aves de Aquilino a 08 de agosto de 1974, em Mucambo, Ceará. Publicou em 2008 o Memorial Bárbara de Alencar &Outros Poemas, antologia do Segundo Movimento do Concerto N. 1nico em Mim Maior para Palavra e Orquestra, cujo Primeiro Movimento foi publicado integralmente em 2010. Em2011 a reedição do Memorial.http://opoetademeiatigela.blogspot.com.br/

PAULO NAYRON. Paulo Nayron estudou fotografia no ano de 2009, no curso do SENACCE. Atualmente estuda Comunicação Social com habilitação em Publicidade e Propaganda. Nascido em 24 de julho de 1988, é natural de Fortaleza e reside em Pacajus, Ceará.

PAULO RODRIGUES. Paulo Rodrigues mora em Acaraú-CE, onde atualmente é professor de Filosofia no Liceu. Gosta de ouvir músicas e de ler. Não publicou livros, não tem filhos, nem plantou árvores. Gosta de tomar café e vinho. Tem medo das consequências de suas escolhas.

76 RENAN DIAS. Sou Francisco Renan Dias Marques. Criado e educado no bairro Terrenos Novos, periferia da cidade de Sobral, me sinto bem em poder escrever nos muros um sentimento de FOME e REVANCHE,de quem convive com uma realidade não tão bem colorida. Gosto e amo a reflexão filosófica, faço dela um novo caminho marginal aos olhos da academia e me sinto bem em poder levar a poesia e a arte aos guetos da cidade. A arte que brota da rua tem a revolta em sua criação, linha de frente com que faz acontecer a revolução. Levo poesia à periferia sem cobrar um tostão. SILAS FALCÃO. Silas Falcão é cearense de Crateús. Publicou Por quem somos?,livro de crônicas. Inédito O colecionador de dedos, livro de microcontos selecionado pelo edital da Secretaria Municipal de Educação de Fortaleza/2012 e um dos dez finalistas do Concurso Nacional de Contos\SESC\2013.Segundo lugar no Concurso Estadual de Contos do SESC/Crato - 2012 com a narrativa fantásticaA pasta azul. Com o apoio da Fundação Demócrito Rocha (Jornal O Povo) pesquisa a obra literária do cronista cearense Milton Dias. Vice-presidente da ACE – Associação Cearense de Escritores. Membro da ALC – Academia de Letras de Crateús. Autor do selo editorial LuAzul. Produtor cultural. http://poetasdequinta.blogspot.com.br/


TADEO MÅGELA PIETIÉ. Visitante das horas. Assoma nos espelhos pelas costas, depois aparece à la Polanski. Suspensão e suspense da criação. Um susto em pessoa, mas só o susto em substância. Ele não é, vem. Antes, depois, tanto faz. Porém não se assombre, pois é doce na maior parte do tempo. Veja a foto ao lado: não lhe parece?

VALDEMAR NETO TERCEIRO. Valdemar Ferreira de Carvalho Neto Terceiro (Ipu, março de 1988) é professor de Letras Clássicas da UVA e poeta. Mora na sua cidade natal desde sempre (coisa de que não abre mão) e dela retirou os motes para o livro Ipumirim Soberbo (2013), que conta, nas palavras de saudade, uma cidade aquém da eternidade, além da finitude. Bebe na mesma fonte de vários outros poetas e, hoje, ainda escreve entre a saudade e a eternidade.

WESCLEY BRAGA. O Artista Plástico Wescley Braga, natural de Sobral, no Ceará, já participou de várias exposições, tendo em 2014 realizado uma grande exposição individual com 78 obras no Centro Cultural do Banco do Nordeste, em Juazeiro do NorteCE. Também participou da Exposição Coletiva A Volta de uma António, na Galeria Veira da Silva, na cidade de Pinhel, em Portugal. http://www.wescleybraga.com/e wescleyb@gmail.com

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MUTIRÃO  

O Mutirão é Contribuição de todos para cada um. Cada um contribui com sua Mão, seu Ademão e todos se beneficiam. O Mutirão, o Muquirão. Tod...

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