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NADA ME SURPREENDE Mourinho já falou com Villas-Boas após despedimento do Tottenham

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Director: Angela Amorim | Distribuição Gratuita | www.edvsemanario.pt |

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Diretor: Rui Alas Pereira | ISSN 0873-170 X |

DIÁRIO NACIONAL

Ano CXLVI | N.º 16

Segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

OPOSIÇÃO CRITICA GOVERNO POR ACEITAR

PACIFICAMENTE MAIS ESTE PROBLEMA

EM!GR A R

É QUE ESTÁ A DAR n O secretário de Estado das Comunidades aponta para que o número de portugueses a sair do país esteja entre os 100 e os 120 mil. “Fica-se com a impressão que o Governo continua a aceitar de forma passiva um aumento da emigração tão elevado como aquele que nós tivemos durante o ano de 2013”, destaca o deputado socialista Paulo Pisco.

RESULTADO SERÁ CONHECIDO HOJE n Ministro Miguel

Macedo diz que, em princípio, hoje será revelado o relatório do inquérito aos fogos que no verão estiveram na origem da morte de oito bombeiros.

SEGURO Líder do PS divulga vídeo com mensagem de Natal

MECO Encontrado um dos corpos dos jovens desaparecidos

SEM-ABRIGO Papa Francisco defende que todas as famílias deviam ter uma casa


local porto

2 | O Primeiro de Janeiro

Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013

Praça do Império na Foz viveu tarde de tiroteio

No Porto e na Maia

Um morto e dois feridos a lamentar O Comando Metropolitano da PSP do Porto revelou que a mulher do autor do disparo contra um homem na Praça do Império, na zona da Foz, no Porto, foi encontrada morta em casa, na Maia. A informação foi adiantada por fonte oficial do Comando Metropolitano, de acordo com quem “o agressor foi intercetado e detido” logo depois de ter baleado outro indivíduo num passeio da Praça do Império por “dois agentes da PSP que se encontravam de folga”. Na sequência do ocorrido, “veio a apurar-se a existência de outra vítima, mortal”, acrescentou a mesma fonte, indicando tratar-se de “uma mulher encontrada numa residência em Águas Santas, na Maia” que “será esposa do agressor”. O caso do tiroteio na Foz resultou, assim, num morto e num ferido, baleado e transportado para o Hospital de Santo António. As investigações policiais começaram depois de, pelas 16h45, dois

FOZ. Uma das zonas calmas do Porto viu a sua tranquilidade interrompida por um tiroteio inesperado e, para já, inexplicável… homens se terem envolvido “em agressões” na Praça do Império, que culminaram com um dos indivíduos atingido com um tiro. Fonte oficial da PSP do Porto não soube adiantar mais explicações para o caso, indicando que as investigações estão agora a cargo da Polícia Judiciária, a quem já foi entregue o detido e a respetiva arma, que lhe foi retirada logo depois do tiroteio na Foz pelos dois agentes que circulavam no local durante a sua folga. A mesma fonte indicou não saber se a mulher encontrada morta tinha

sido baleada e alertou não ser certo que se tenha tratado de um ajuste de contas ou de um caso passional, porque o agressor podia estar perturbado e o caso da Foz ter sido iniciado por outra qualquer situação, como resultado desse desnorte. Ninguém do INEM ou dos bombeiros da Maia e de corporações de concelhos vizinhos soube precisar em que circunstâncias a mulher foi encontrada morta. Um homem atingiu a tiro outro homem na Praça do Império, no Porto, tendo a vítima sido socorrida

no local, depois de ter sido baleada na zona do abdómen, adiantou a PSP do Porto pelas 18h30. No entanto, perto da mesma hora os Bombeiros Voluntários Portuenses afirmavam existir dois feridos, “presumivelmente com arma de fogo”. O disparo na Foz aconteceu depois de os dois homens se terem desentendido e envolvido em agressões por volta das 16h45, precisou a PSP. O autor do tiro foi detido pela PSP e a arma utilizada já foi apreendida. Natércia Figueiredo, moradora na Praça do Império, explicou que foi alertada pelo sucedido pelo aparato policial devido entretanto montado junto à sua residência e referiu terem sido disparados dois tiros e ter visto um homem, no passeio, “muito ferido num ombro”. A moradora referiu ainda ter ouvido testemunhos de que “uma mulher que circulava no passeio tentou separar os dois homens que se agrediam”. Serafim Tavares, outro morador na zona, disse que “há quem diga que os homens se agrediram primeiro e depois se ouviram os tiros”. A Praça do Império fica localizada na Foz, numa zona de moradias, relativamente próxima da Avenida da Boavista e da frente marítima da cidade.

Eurodeputada Graça Carvalho defende

“Falta ciência nas empresas portuguesas” A eurodeputada Graça Carvalho diz que “não chega financiar” a investigação para resolver a “fuga de cérebros” de Portugal, porque “um dos pontos fracos” do país é a passagem do conhecimento e de investigadores para as empresas. “O financiamento [dos próximos programas de fundos comunitários] é muito favorável a Portugal. Mas não chega financiar. É preciso criar condições para que a passagem do conhecimento para a economia se faça de forma sustentável, nomeadamente criando regras mais simples e mais acessíveis do ponto de vista da propriedade industrial”, notou Graça Carvalho, na sessão “Migrações Científicas: Ir e Voltar” do 2º Fórum Anual de Graduados Portugueses no Estrangeiro, realizado no Porto. A eurodeputada eleita pelo PSD alertou que Portugal é o país que mais cresceu nos indicadores de ciência (tem cerca de 1400 novos doutorados todos os anos) e aquele onde a ciência “menos impacto teve

na economia”, o que se deve a “um problema de passagem do conhecimento e de investigadores para o setor privado”. “Continuamos na cauda da Europa no que toca à presença de doutorandos no setor privado. A maior parte desse conhecimento ficou, durante anos, no setor público e quando o setor público deixou de o absorver, começaram a emigrar”, vincou a também investigadora. A “pouca investigação e inovação nas empresas” e o crescimento “muito lento” do número de patentes foi identificado pela eurodeputada como um dos “pontos fracos” do país no que toca à ciência e inovação. Outra das fragilidades nacionais é, para a eurodeputada, “o subinvestimento” nestas áreas “não só no setor privado mas também no público”, nomeadamente no Ensino Superior. Peter Villax, vice-presidente da Hovione, uma empresa portuguesa especializada na área da ciência da saúde, desafiou a eurodeputada

a lutar para impor a contratação de doutorados nas “condições de elegibilidade” de acesso a fundos comunitários. “Assim beneficiamos quem privilegia a investigação científica verdadeira e, aí sim, teremos condições para vos trazer de volta”, afirmou o responsável, dirigindo-se à plateia do evento organizado pela PARSUK, PAPS e AGRAFr, três associações que reúnem estudantes portugueses no Reino Unido, América do Norte e França, respetivamente. Apresentado a empresa como “o maior empregador de doutorados em Portugal”, o vice-presidente da Hovione vincou que, “nos últimos 20 anos”, Portugal teve “um Estado fantástico a impulsionar a investigação, alunos que responderam positivamente e empresas que não fizeram nada”. “Temos é de encontrar maneiras de induzir ou obrigar os empresários a contratar doutorados”, defendeu. Para Graça Carvalho, a fuga de cérebros “evita-se com financiamen-

to e criando condições para as pessoas trabalharem”. A eurodeputada disse aos investigadores para estarem atentos aos “próximos seis meses” porque “os próximos dez anos vão depender deles”. Para que, dentro de dois anos, os cientistas possam voltar a Portugal, se quiserem, é necessário “acabar o período de supervisão da ‘troika’, evitar um segundo resgate, regressar aos mercados, continuar uma política de controlo da dívida e do défice, investir em áreas produtivas, apoiar as pequenas e médias empresas e fazer uma reforma fiscal amiga do investimento e da inovação”. “Para que tudo corra bem é preciso que tudo isto aconteça”, assegurou. Presente na assistência, o diretor da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Sebastião Feyo, alertou que Portugal não teve até agora “falta de dinheiro” mas uma “dramática burocracia” e defendeu “promover a mudança no tecido empresarial”.

PSP detém 15 pessoas

O Comando Metropolitano da PSP do Porto anunciou a detenção de 15 pessoas por condução sob o efeito de álcool, em operações de fiscalização rodoviária realizadas nas cidades do Porto e da Maia. As ações policiais, que decorreram entre as 02:00 e as 09:30, permitiram também identificar 563 condutores e as respetivas viaturas, sendo que todos os condutores foram submetidos ao teste de álcool no sangue. Em comunicado, a PSP refere que foram detetadas 132 infrações ao Código da Estrada e demais legislação rodoviária, de que se destacam 93 por condução em excesso de velocidade. Foram ainda apreendidos 31 documentos de viaturas. Os detidos foram notificados para comparecerem junto da autoridade judiciária. Concurso Global Rockstar

Banda Kandia vencedora

A banda Kandia, proveniente do Porto, venceu, com a canção “Scar”, a segunda edição do concurso mundial Global Rockstar, que consiste numa votação digital ao longo de vários meses. Em comunicado assinado pela vocalista Nya Cruz, a artista refere que este momento assinala o “fim de quatro meses de árdua votação” que culminam com uma “vitória mais que merecida”. O concurso contou com a participação de centenas de artistas internacionais, tendo a banda Saraha da Tanzânia ficado em segundo lugar, e atribui aos vencedores um prémio de 10 mil dólares (7,3 mil euros) “em dinheiro e equipamento”. “Ao fim de quatro meses esta banda sediada no Porto e que conta já com seis anos de vida e algumas vitórias pelo caminho, o seu álbum foi lançado através de uma plataforma de financiamento coletivo financiada a 100% pelos fãs, vê assim o prémio ser entregue a Portugal numa vitória mais que merecida”, refere o comunicado.


regiões

Segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Primeiro de Janeiro | 3

Aparece corpo de uma mulher na zona da praia do Meco

Vítima encontrada As buscas marítimas para encontrar os cinco jovens desaparecidos foram retomadas entre o Meco e o Cabo Espichel. Primeira «Noite do Mercado»

Adesão acima do esperado na Ribeira Brava

O concelho da Ribeira Brava, na ilha da Madeira, organizou no sábado, pela primeira vez, a «Noite do Mercado”» uma iniciativa de promoção dos produtos regionais que teve uma adesão maior do que a prevista. O evento, organizado pela Câmara Municipal do concelho, foi uma aposta nos produtos regionais madeirenses, desde o artesanato aos doces e plantações até à “famosa” poncha, e a adesão da população deixou o executivo “muito satisfeito”. “Esta é a primeira experiência que temos na ‘Noite do Mercado’ na Ribeira Brava. E é um sucesso, não só pelo número de feirantes que foi ao evento, mas também pela adesão do público, veio muita gente”, afirmou o vereador da Cultura, Rui Gouveia, frisando que a ideia é dar continuidade ao evento.

As autoridades encontraram, ontem de manhã, o corpo de uma mulher na zona do Meco que, ao que tudo indica, será de um dos jovens desaparecidos no passado fim de semana. “Decorrente das ações de busca dos cinco jovens desaparecidos no passado domingo, 15 de dezembro, na praia do Meco, a corveta Jacinto Cândido, em coordenação com o Centro de Busca e Salvamento Marítimo de Lisboa (MRCC Lisboa) e a Capitania do Porto de Setúbal, recolheu durante a manhã de hoje [ontem] um corpo do sexo feminino”, anunciou a Marinha. As autoridades referiram ainda que “ao que tudo indica poderá tratar-se de um dos jovens desaparecidos” no

Meco. Buscas marítimas para encontrar os jovens desaparecidos foram retomadas, depois de interrompidas devido ao mau estado do mar

passado fim de semana na praia do Meco, no concelho de Sesimbra. As buscas marítimas para encontrar os cinco jovens desaparecidos foram retomadas ontem, entre a Praia do Meco e o Cabo Espichel, depois de interrompidas devido ao mau estado do mar. As buscas por terra mantiveram-se durante toda a semana, mas no mar estiveram suspensas devido à agitação marítima. Os cinco jovens desaparecidos quatro raparigas e um rapaz - integravam um grupo de sete alunos da Universidade Lusófona que tinha alugado casa em Alfarim para passar um fim de semana naquela zona do concelho de Sesimbra e que foram arrastados por uma onda, na praia do Meco. Um dos jovens arrastados conseguiu sair da água por meios próprios e alertar as autoridades para a tragédia que ocorreu cerca da 01h00 da madrugada de domingo passado e que provocou um morto, encontrado na manhã do mesmo dia, e quatro continuam desaparecidos.

Tragédia em praia da Costa

“Sentidas condolências”

Fuga de gás mata um idoso em Percelada

O presidente da Câmara do Barreiro, Carlos Humberto, lamentou, ontem, a morte de seis pescadores do concelho na sequência de um naufrágio na praia do CDS, na Costa de Caparica. “Mais um acidente no mar deixou Carlos Humberto de Carvalho, presidente da Câmara Municipal do Barreiro, consternado e lamentando profundamente o desfecho do naufrá-

gio na Costa da Caparica”, referiu a autarquia, em comunicado. O naufrágio da embarcação na noite de sábado junto à Costa de Caparica provocou seis mortos e um ferido. As vítimas tinham entre 40 e 50 anos e eram pescadores de pesca desportiva da zona do Barreiro. “O autarca apresenta sentidas condolências aos familiares e amigos das pessoas que perderam a vida”, con-

Números registados pelas operações da GNR

Uma fuga de gás numa habitação em Percelada, concelho de Tábua, provocou, ontem de madrugada, pelas 03h10, um morto e dois feridos, um dos quais graves. Segundo fonte do Comando Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Coimbra, quando os meios de socorro chegaram ao local, a vítima mortal, um homem idoso, “estava em paragem cardiorrespiratória”. Os feridos são a mulher da vítima mortal, que foi transportada para os Hospitais da Universidade de Coimbra, e o neto do casal, de 15 anos de idade, que sofreu ferimentos ligeiros, mas ficou internado no Hospital Pediátrico de Coimbra. A intoxicação terá sido provocada por “gás propano ou butano” (ainda não foi determinado), provavelmente para abastecimento de um esquentador instalado na residência, adiantou a mesma fonte. Para o local foram deslocados meios dos Bombeiros Voluntários de Vila Nova de Oliveirinha (Tábua) e da GNR de Tábua, uma viatura VMER e uma equipa do INEM.

Três acidentes fazem quatro mortos sábado A GNR registou quatro vítimas mortais no sábado em consequência de três acidentes. No mesmo período do ano passado tinham sido registadas duas vítimas mortais. A GNR envolveu para a quadra festiva, Natal e ano novo, mais de mil militares no patrulhamento rodoviário, com a primeira fase da operação a ter começado na sexta-feira e a prolongar-se até à próxima quinta-feira. A GNR justificou a operação com o facto das festividades desta altura do ano levarem a um aumento significativo do tráfego rodoviário, em resultado das deslocações de milhares pessoas dos locais de residência habitual para as suas regiões de origem ou locais de diversão.

clui o comunicado. Nenhum corpo das seis vítimas do naufrágio tinha colete, apesar de a embarcação ter coletes salva-vidas, segundo a Polícia Marítima. O único sobrevivente do acidente, um homem de 37 anos, conseguiu nadar até à praia onde pediu auxílio. Passou a noite no Hospital Garcia da Orta e regressou a casa ontem sem prestar declarações à imprensa.


4 | O Primeiro de Janeiro

nacional

Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013

PS acusa Governo de aceitar pacificamente o problema da emigração

“São mais 2% de portugueses no desemprego” O PS considera que o Governo aceita de forma muito passiva o elevado número de pessoas que está a sair de Portugal e acredita que estes números vão continuar a crescer devido à austeridade. “Fica-se com a impressão que o Governo continua a aceitar de forma passiva um aumento da emigração tão elevado como aquele que nós tivemos durante o ano de 2013”, destaca Paulo Pisco. Num comentário às declarações do secretário de Estado das Comunidades, José Cesário, que aponta para que o número de portugueses a sair do país tenha sido semelhante em 2013 ao que se passou em 2012, altura em que saíram entre 100 a 120 mil pessoas de Portugal, o deputado socialista eleito pelo círculo da Europa Paulo Pisco critica a passividade do Governo e diz que deviam ser tomadas medidas para acompanhar este fenómeno. “Fica-se com a impressão que o Governo continua a aceitar de forma passiva um aumento da emigração tão elevado como aquele que nós tivemos durante o ano de 2013. Até se compreende, se pensarmos que os cerca de 100 mil portugueses ou mais repre-

EMIGRAÇÃO. José Cesário diz que o número de portugueses que abandonaram o país em 2013 deve andar entre os 100 e os 120 mil sentam em termos de percentagem de desemprego mais 2%, portanto são mais 2% de desemprego que eventualmente baixam das estatísticas, e daí talvez o Governo encarar de forma tão passiva estes números tão elevados da emigração portuguesa”, disse. O socialista diz que o Governo devia adotar medidas para fazer um acompanhamento destes fluxos, ao contrário do retrocesso que consideram existir nesta altura. “Há cada vez menos atendimento consular, há cada vez menos ensino de português no estrangeiro, apoios ao movimento associativo e portanto é preocupante que o Governo reconheça um nível elevado de emigração mas depois não faça o acompanhamento que é devido”, afirmou.

Sobre o futuro, Paulo Pisco não embarca no “otimismo moderado” do Governo para 2014, considerando que as medidas recessivas que estão incluídas no Orçamento do Estado para 2014 e a diminuição dos salários que aconteceu mais uma vez este ano “vão continuar a provocar uma emigração muito elevada”. Também o PCP diz que o secretário de Estado das Comunidades está muito longe da realidade e que o número de portugueses a procurar emprego fora do país deve aumentar nos próximos tempos devido à política do atual Governo. O membro da comissão política do PCP acredita que o número não só é maior do que as estatísticas oficiais dizem como de-

verá aumentar nos próximos anos. “A emigração, de facto, mantém-se em níveis elevadíssimos e nem todos os portugueses que saem para países da Europa são do conhecimento oficial, têm registo oficial. Muitos andam em países da Europa em biscates, em situações que não há forma de contabilizar”, diz Rui Fernandes. Pelo lado dos partidos do Governo, o PSD acredita que o número de portugueses a saírem do país pode diminuir nos próximos anos com a melhoria da atividade económica, mas alerta que os destinos tradicionais estão mais complicados para os portugueses que procuram emprego fora. O deputado eleito pelo círculo da Europa, Carlos Gonçalves, acredita que é possível ao país conseguir reduzir este número nos próximos anos com a melhoria da atividade económica e a diminuição do emprego. “O país, a partir do momento em que começa a crescer, a partir do momento em que o desemprego estabiliza ou começa a baixar, tem mais condições, mas aquilo que também é fundamental é o ambiente que se cria na sociedade”, disse, acrescentando: “Neste momento, as pessoas começam a acreditar que o país pode ter resultados e portanto as perspetivas de futuro são mais positivas, e quem procura um emprego ou um percurso profissional, é evidente que quando as perspetivas são mais positivas, tem mais tendência a acreditar no país em que reside”.

Ministro Miguel Macedo admite dificuldades com o “chumbo” do TC, mas...

“Espero que este Natal tenha o sabor de todos os Natais” O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, admitiu “dificuldades” decorrentes do chumbo do Tribunal Constitucional (TC) à lei da convergência das pensões, mas admitiu que essa decisão não implicará um Natal com sabor amargo para o Governo. “Espero que este Natal tenha o sabor de todos os Natais e que, apesar das dificuldades, saibamos todos, nessas dificuldades, encontrar o conforto, a determinação e a esperança nos tempos que hão de vir”, referiu. Escusou-se, no entanto, a pronunciar-se sobre as medidas que defende para compensar o “buraco orçamental” criado pelo chumbo do TC. O ministro referiu ainda que, em princípio, hoje será revelado o relatório do inquérito aos fogos que no verão estiveram na origem da morte de oito

bombeiros. “Já tive oportunidade de ler esse relatório e julgo que amanhã [hoje] estaremos em condições de dar publicidade à primeira parte do relatório”, afirmou Miguel Macedo, em Vila Verde, à margem das comemorações do centenário dos Bombeiros Voluntários locais. O ministro acrescentou que a segunda parte do relatório, referente a cada um dos incidentes e que “tem outras consequências”, terá de ser avaliada “com mais minúcia”. O mesmo governante já tinha afirmado anteriormente que este inquérito aos fogos não é “nenhuma caça às bruxas”, “nenhum processo com o intuito de responsabilizar, culpabilizar quem quer que seja”. Para Miguel Macedo, o importante é apurar e aprender com tudo o que se passou, retirando daí “as

consequências, organizativas e outras, que se devem retirar”. “Temos todos, tutela, Proteção Civil, bombeiros, de aprender com isto, é o dever de primeiro fazermos tudo para evitar que as coisas se possam repetir”, sublinhou. A comunicação social divulgou no início de dezembro que os dados preliminares do inquérito apontavam para negligência na forma de atuação dos bombeiros. Relativamente à questão dos sírios, Miguel Macedo afirmou ainda que “não tocou nenhuma campainha de alarme” com a tentativa de saída de Portugal de seis refugiados, intercetados na fronteira de Vilar Formoso. “Não tocou nenhuma campainha de alarme (…) O que aconteceu foi que alguns tentaram sair de Portugal com outro destino e

foram intercetados na fronteira, como está previsto na lei, e tudo o resto está normal e sem problema de maior”, referiu. O ministro lembrou que aqueles cidadãos são obrigados a permanecer em Portugal “até ficar resolvida a sua situação, designadamente até ser respondida a solicitação que fizeram para asilo político”. Os que saírem do país serão “reencaminhados” para Portugal. Os cidadãos detidos no sábado, na fronteira de Vilar Formoso, integram o grupo dos 74 sírios que chegaram da Guiné-Bissau e que foram instalados na colónia balnear O Século e noutra instalação na Parede. Em Portugal, estão sob “proteção subsidiária” e beneficiam da proteção jurídica inerente a esse estatuto.

Seguro publica vídeo de Natal

“Solidariedade e humanismo”

O secretário-geral do PS relançou ontem a sua página numa rede social com um vídeo de Natal sobre a tradição do “madeiro”, uma “lareira comunitária” de Penamacor, de onde é natural, promovendo “solidariedade e humanismo”. “Quer no dia 07, quer no dia 24 à noite, são dois momentos em que as pessoas se encontram para conviver em volta de uma lareira. Só que desta vez a lareira é grande. É um momento de convívio. Numa altura em que as pessoas se isolam isto continua a ser muito importante”, destacou António José Seguro. O vídeo conta com depoimentos de vários habitantes de todas as idades a falarem sobre o evento, cuja responsabilidade vai sendo distribuída por grupos de jovens consoante o ano de nascimento. “Este espírito de Natal é um espírito de solidariedade e de humanismo e é esse humanismo e solidariedade que nós devemos trazer para a nossa vida. O país também é Penamacor e os concelhos todos deste mundo rural e deste interior”, afirmou o líder socialista, no curto filme sobre a festa de arranque das árvores e posterior ignição da fogueira, no adro da igreja local. Seguro contou que se desloca a Penamacor sempre que pode, “de 07 para 08 (de dezembro) porque encontra “os colegas de escola, os amigos e são tempos ótimos para saber uns dos outros, mas também para recordar”.

Inscritos no IEFP em Novembro

Número desce ligeiramente

O número de desempregados inscritos nos centros de emprego fixou-se em 692 019 em novembro, numa queda ligeira de 0,8% em termos homólogos, mas o desemprego jovem contrariou ao subir 2,2%, segundo dados hoje avançados pelo IEFP. “O volume de desempregados registados, no total do país, decresceu face ao período homólogo de 2012, com menos 5770 desempregados (-0,8%). Em relação ao mês anterior, a variação também foi decrescente (-0,4%)”, lê-se na informação mensal publicada ontem pelo Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP).


Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013

economia

O Primeiro de Janeiro | 5

Primeiro encontro anual do Conselho da Diáspora Portuguesa reúne em Cascais

“Portugueses influentes” debatem novas ideias Palácio da Cidadela vai receber, entre outros, Cavaco Silva, Passos Coelho, Paulo Portas, Durão Barroso e António José Seguro. Greve dos trabalhadores dos impostos

“Bloqueio total” O presidente do Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI), Paulo Ralha, prevê uma situação de “bloqueio total” hoje, o terceiro dia de greve, e diz que os serviços vão continuar encerrados um pouco por todo o País. As datas da greve, que começou na quinta feira passada, coincidem com o fim do prazo do ‘perdão fiscal’ concedido pelo Governo a particulares e empresas com dívidas fiscais e à Segurança Social para que as regularizem até dia 20 de dezembro deste ano, tendo o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio, afirmado na quinta-feira que o prazo se mantém, apesar da greve dos trabalhadores dos impostos. Paulo Ralha admitiu que “este processo [regularização das dívidas fiscais] pode de facto ficar perturbado pela greve dos trabalhadores”, sublinhando que esta “não visava diretamente prejudicar os contribuintes, apenas fazer a demonstração da força dos trabalhadores e da importância que estes têm se não estiverem ao trabalho”. “Ao contrário do que disse o secretário de Estado [dos Assuntos Fiscais, Paulo Núncio], se os trabalhadores não estiverem nos locais de trabalho, pura e simplesmente não há arrecadação de receitas. Isso está bem claro mesmo em termos de arrecadação de receitas por via do perdão fiscal”.

Cerca de 30 “portugueses influentes”, como Horta Osório, Armando Zagalo ou Joaquim de Almeida, reúnem-se, hoje, com governantes e altos responsáveis em Portugal para discutir “novas ideias sobre soluções para o futuro” do País. Trata-se do primeiro encontro anual do Conselho da Diáspora Portuguesa, criado faz na quintafeira um ano, e decorre no Palácio da Cidadela, em Cascais, estando já confirmada a presença de 29 conselheiros de Portugal no mundo e 30 governantes e outros líderes. “Esperamos ter um debate que permita trazer novas pistas e novas ideias sobre soluções para o futuro”, disse o presidente da direção do Conselho, Filipe de Botton, que fez um “balanço extremamente positivo” do primeiro ano da organização. Lançado a 26 de dezembro de 2012 pelo Presidente da República com 25 membros fundadores, o conselho tem hoje 52 conselheiros, de 16 países e quatro continentes. “A nossa grande preocupação nestes primeiros meses tem sido organizar e mapear os conselheiros de Portugal no mundo, como chamamos a estes portugueses de influência fora de Portugal, no sentido de poderem começar a trabalhar e a propor e sugerir ideias para Portugal”, disse Botton. Mais altos cargos presentes

Na reunião de hoje deverá participar o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, o primeiroministro, Pedro Passos Coelho, o vice-primeiro ministro, Paulo Portas, o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, e o líder do Partido Socialista, António José Seguro, assim como outros ministros e dirigentes de empresas em Portugal como a REN, a Brisa, o BES ou a IBM. O objetivo de aproximar estas personalidades dos conselheiros de Por-

tugal no mundo, portugueses com lugares de destaque no estrangeiro, seja em empresas, na cultura ou na ciência, é “criar uma rede e lançar o diálogo” entre todos. Em debate vão estar “três grandes temas”: a mobilidade inteligente, o financiamento alternativo das empresas portuguesas e a discussão sobre se Portugal está pronto para o futuro. Sobre este último, Botton foi perentório: “Nós achamos que sim, que Portugal está pronto, não temos dúvidas nenhumas. Mas também não temos grandes dúvidas de que não temos sabido vender-nos da melhor forma possível até hoje”. “Um Portugal moderno”

Conselho da Diáspora. “Esperamos ter um debate que permita trazer novas pistas e novas ideias sobre soluções para o futuro”, diz Filipe de Botton

No mês de dezembro

CPA exporta 80 milhões de toneladas de bivalves A Companhia das Pescarias do Algarve (CPA) estima exportar este mês entre 70 a 80 toneladas de bivalves, sobretudo mexilhão, um aumento relativo a outros meses explicado pelo aumento do consumo no período de Natal e Ano Novo. Os mexilhões representam metade (cerca de 40 toneladas) dos bivalves que serão exportados até ao final do mês, cujo destino

principal é a Espanha, contou o administrador da CPA, sublinhando que aquele bivalve tem a vantagem de ser mais barato e, ao mesmo tempo, ser rico em ómega 3 e glucosamina (substância natural que existe na cartilagem das articulações). O administrador da CPA, que em 2013 deverá atingir mil toneladas de produção, prevê em 2015 conseguir produzir mais de 7 mil toneladas de bivalves em mar aberto. O objetivo é tornar a companhia “o maior produtor de bivalves da Europa”, afirmou.

Para o presidente da Logoplaste, “Portugal é muito melhor” do que os próprios portugueses muitas vezes tentam transmitir. “Hoje somos o terceiro maior exportador de calçado e temos o segundo preço médio mundial a que é vendido um par de sapatos exportados. A seguir a Itália, e longe dos outros, o par de sapatos português é o segundo par de sapatos mais caro vendido no mundo”, exemplificou. Transmitir a ideia do “Portugal verdadeiro, um Portugal moderno, atrativo e com oportunidades” é aliás uma das prioridades do Conselho da Diáspora Portuguesa, já que os próprios conselheiros tinham, antes de começarem a receber informação regular da organização, uma perceção negativa do País, disse Botton. “Posso dizer que mudou 180 graus a perceção. Hoje sentem-se confortáveis em serem embaixadores de Portugal e em divulgarem o valor de Portugal”, afirmou. Para reforçar este objetivo, o Conselho da Diáspora lançou a iniciativa «Introducing Portugal», que consiste em desafiar os conselheiros a fazerem sessões discretas para divulgar Portugal nas sociedades de acolhimento. Para isso, o conselheiro “junta 10 pessoas de influência à volta de uma mesa e, num jantar mais informal, faz a venda ou a promoção de Portugal”, afirmou, explicando que este modelo resulta porque a promoção parte de alguém que os convidados “reconhecem como um dos seus”.


desporto

6 | O Norte Desportivo

Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013

José Mourinho telefona a Villas-Boas após despedimento do Tottenham

“Não é o fim do mundo” Treinador do Chelsea fez as pazes com o seu antigo adjunto. “Não falei com ele sobre o caso, dei-lhe ânimo”, disse Mourinho. O treinador de futebol do Chelsea, José Mourinho, revelou, ontem, que já falou com André Villas-Boas, depois de este ter sido despedido do Tottenham, dizendo que os maus resultados dos «spurs» não justificam o afastamento do seu antigo adjunto. “No futebol nada me surpreende, tudo pode acontecer. Quando lhe deram um contrato de três ou quatro anos, era porque acreditavam nele e que achavam que era o homem certo para treinador. Tiveram alguns maus resultados, mas penso que não era razão para alterar esta confiança ou para mudar de treinador”, disse Mourinho. Villas-Boas, que trabalhou com José Mourinho mais de sete anos, foi despedido do Tottenham na segunda-feira, um dia depois de o clube ter sido goleado em casa pelo Liverpool (5-0), na 16.ª jornada da Liga inglesa. “Nos últimos seis meses, falei com o André três vezes, uma num encontro de treinadores, outra quando jogámos contra eles e de novo há uns dias atrás. Não falei com ele so-

Futebol de praia

Portugal segundo na Taça das Nações

Pazes. “No futebol nada me surpreende, tudo pode acontecer”, disse Mourinho sobre despedimento de Villas-Boas bre o caso, dei-lhe ânimo e disse que não era o fim do mundo, que amanhã outro trabalho vai aparecer, por isso, feliz natal. Não lhe falei sobre o caso, porque só quem estava por dentro sabe o que vai acontecer”, afirmou. Um «bis» do togolês Emmanuel Adebayor permitiu ao Tottenham derrotar fora o Southampton, por 3-2, no primeiro jogo dos londrinos na Liga inglesa após o despedimento de Villas-Boas. O pouco utilizado avançado, que apenas tinha jogado 45 minutos com Villas-Boas, foi pela segun-

da vez titular com o interino Tim Sherwood, voltando a marcar, depois de já ter feito na derrota de quarta-feira com o West Ham (2-1), na Taça da Liga. Aos 13 minutos, o inglês Adam Lallana deu vantagem ao Sotuhampton, mas ainda antes do intervalo Adebayor fez o empate (25). Um autogolo do holandês Jos Hooiveld permitiu ao Tottenham colocar-se na frente do marcador aos 54 minutos, mas os «saints» ainda empataram (59). Contudo, Adebayor acabaria mesmo por dar o triunfo aos “spurs”, aos 64 minutos.

Na antevisão do encontro de hoje, frente ao Arsenal, da 17.ª jornada da Premier League, Mourinho lembrou outra pessoa com quem trabalhou vários anos no Real Madrid, o médio alemão Mesut Ozil, considerando que é um jogador que não precisa de tempo para se adaptar. “Há jogadores que compramos sabendo que temos de trabalhar com eles, mas Ozil não precisa de nada. Ele chegou, Wenger deu-lhe a camisola, começou a jogar imediatamente e imediatamente a equipa ficou melhor”, considerou.

Médio bisa na vitória do Sporting B

Ricardo Esgaio «afunda» mais o Atlético Dois golos do médio Ricardo Esgaio abriram caminho à vitória por 3-0 do Sporting B sobre o Atlético, em jogo da 22.ª jornada da II Liga, que deixou os alcantarenses mais longe da manutenção. Esgaio abriu a contagem no início da partida, aos 10 minutos, e repetiu a «dose» no arranque da segunda parte, aos 48, quebrando em definitivo a resistência dos visitantes, que ainda sofreram o terceiro golo na academia do clube «leonino», em Alcochete, marcado por Chaby, aos 67. O Atlético manteve-se no penúltimo lugar, mas foi igualado

II Liga. Médio Ricardo Esgaio marcou dois dos três golos da vitória do Sporting B

pelo «lanterna vermelha» Oliveirense, enquanto o Sporting B - que só poderá ascender ao primeiro escalão em caso de despromoção da equipa principal - subiu à terceira posição, ultrapassando o FC Porto B, que tem menos um jogo realizado. Já o Feirense venceu em casa o Leixões, por 2-1, interrompendo uma série de três empates consecutivos. No Estádio Marcolino de Castro, em Santa Maria da Feira, Porcellis colocou o Feirense em vantagem aos 23 minutos, mas o Leixões chegaria ao empate no início da segunda parte com um golo

de Zé Pedro (52), tendo Sténio desempatado a partida aos 72. O Sporting da Covilhã regressou às vitórias também, ao vencer em casa o Marítimo B, por 1-0, graças a um golo do «capitão» Edgar. O defesa central assinou o único golo do encontro, aos 67 minutos, que deixou o Sporting da Covilhã no quinto lugar do campeonato, a seis do líder Portimonense. Embora tenha dominado a primeira parte, faltou sempre acerto ao Sporting da Covilhã na finalização, o que tornou infrutíferos os muitos lances a rondar a baliza do Marítimo B.

A seleção portuguesa perdeu, ontem, om o Brasil, por 7-4, na terceira e última jornada da Taça das Nações de futebol de praia, terminando na segunda posição a competição que decorreu no Recife. À entrada para o derradeiro encontro, Portugal e Brasil entravam em igualdade, mas os «canarinhos» acabaram por se mostrar mais fortes, chegando ao final do primeiro período a vencer por 3-2. A vantagem brasileira foi consolidada no segundo parcial, que terminou com 6-3. José Maria, por duas vezes, Lúcio e Madjer marcaram os golos das «quinas».

Escolha da revista alemã

Ribéry eleito “homem do ano” para a Kicker

O futebolista francês Franck Ribéry, futebolista do Bayern Munique que está entre osfinalistas da “Bola de Ouro”, foi eleito “homem do ano” de 2013 pela Kicker, anunciou ontem a publicação alemã. O jogador francês, que recebeu esta distinção em 2008, ganhou esta temporada a Liga e a Taça alemãs, a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia e o Mundial de Clubes. Ribéry é um dos candidatos a receber a Bola de Ouro, juntamente com Lionel Messi, do FC Barcelona, e Cristiano Ronaldo, do Real Madrid. “O que conta é o sucesso do grupo”, assegurou o francês.


Segunda-feira, 23 de Dezembro de 2013

publicidade/editais

O Primeiro de Janeiro | 7


1868

Há 144 anos, todos os dias consigo.

Director: Angela Amorim | Distribuição Gratuita | www.edvsemanario.pt |

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A VITÓRIA DE MEDIOCRIDADE Um mundo sem desporto seria um erro tal como um desporto sem cultura será uma catástrofe insuportável de viver. Porque, se tal acontecer é a vitória da mediocridade. Pierre de Coubertin foi o primeiro a percebêlo quando, no momento de arranque do Movimento Olímpico (MO) moderno, lamentou a falta de bases filosóficas do desporto. Por isso, no Gustavo Pires* discurso proferido a 23 de junho de 1894 no banquete de encerramento do Primeiro Congresso Olímpico, disse: “O homem não é exclusivamente composto por duas partes, o corpo e a alma. Ele é composto pelo corpo, a alma e o caráter.” O caráter dos dirigentes do MO é uma questão essencial ao desenvolvimento do próprio Olimpismo. Depois, a 16 de novembro de 1894, em virtude de ter sido obrigado pelas circunstância a viajar, a expensas próprias, para Atenas a fim de, perante os poderes públicos, defender a realização dos primeiros Jogos Olímpicos (JO) da era moderna que estava em risco. E, na presença de um largo auditório composto por membros da Sociedade Literária do Parnaso, Coubertin produziu um longo discurso em defesa do MO e da realização da primeira edição dos JO da era moderna. A realização dos JO estava em risco devido à posição do primeiro-ministro de seu nome Tricoupis que entendia que o País não estava em condições de suportar os custos do evento. No seu discurso, Coubertin informou a audiência grega que, a 16 de junho de 1894, o Barão de Courcel, Senador e, ao tempo, Embaixador da França em Londres, que era o presidente do Congresso, perante uma audiência de mais de duas mil pessoas incluindo as provenientes do governo e da academia, proferiu um notável discurso sobre o papel dos desportos atléticos no mundo. O congresso começara com uma intervenção vibrante do poeta Jean Aicard que declamou a grandeza moral da luta e da força física. Então, num solene silêncio religioso foi cantado por um coro o hino a Apolo, libertado do santuário de Delfos ao cabo de mais de mais de dois mil anos. E, conforme relata o próprio Coubertin, o efeito foi enorme porque os misteriosos efeitos da música, por um breve momento, conduziram os presentes ao esplendor desportivo da antiga civilização grega. Ao lermos o relato de Coubertin, não o podemos deixar de relacionar com o pensamento de Friedrich Nietzsche que, para além de filósofo era um helenista de alto gabarito, quando, no “Crepúsculo dos Ídolos”, proclama que “um mundo sem música seria um erro”. A partir daquele momento, como referiu Coubertin, o génio helénico tomou conta de todos os presentes quer dizer, o génio helénico estava entre eles ao ponto de transformar um “modesto congresso” de desportos atléticos num empreendimento de aperfeiçoamento humano e paz mundial. E Coubertin concluiu que o seu objetivo tinha sido atingido. E, a partir de então, dizemos nós, um mundo sem desporto passou a ser um erro fatal tal como um Movimento Olímpico sem cultura uma catástrofe inaceitável. Por isso, assim saibam os dirigentes preservar a história, os valores e a cultura do MO. Porque, a história, os valores e a cultura, muitas vezes, são sacrificados pela ganância do poder, a insolência da ignorância e a corrosão do caráter. Então, acontece a vitória da mediocridade.

Diretor: Rui Alas Pereira (CP-2017). E-mail: ruialas@oprimeirodejaneiro.pt Redatores: Joaquim Sousa (CP-5632), Andreia Cavaleiro (CP-6983), Cátia Costa (Lisboa) e Vasco Samouco. Fotografia: Ivo Pereira (CP-3916) Secretariado de Direção: Sandra Pereira. Secretariado de Redação: Elisabete Cairrão. Publicidade: Conceição Carvalho (chefe), Elsa Novais (Lisboa, 918 520 111) e Fátima Pinto. E-mail: conceicao.carvalho@oprimeirodejaneiro.pt Morada: Rua de Santa Catarina, 489 2º - 4000-452 Porto. Contactos: redação - Tel. 22 096 78 47 - Tm: 912 820 510 E-mail: geral.cloverpress@oprimeirodejaneiro.pt - Publicidade - Telefone: 22 096 78 46, Fax: 22 096 78 45 Propriedade: Globinóplia, Unipessoal Lda. Edição: Cloverpress, Lda. NIF: 509 229 921 Depósito legal nº 1388/82 Impressão: Coraze, Telefs.910252676 / 910253116 / 914602969, Oliveira de Azeméis. Distribuição: Vasp. Tiragem: 20 000

Europa sem fronteiras facilita emigração “bastante alta”

Motivação para jovens portugueses A noção da Europa sem fronteiras também é motivação para os jovens portugueses emigrarem em busca de uma realização profissional que, segundo eles, não se deve limitar ao país ao qual pertencem. De acordo com o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Cesário, entre 100 a 120 mil portugueses saíram do país este ano, uma emigração “bastante alta”, mas que se manteve estável devido à falta de emprego nos outros países. Carina Bártolo de 25 anos e Rui Vardasca de 26 têm em comum o facto de não terem limitado o seu sucesso profissional a Portugal. Ambos admitem que a noção de uma Europa sem fronteiras os levou a Paris, por razões profissionais, mas que os pode levar para qualquer outra parte do mundo. Rui Vardasca está há dois anos em Paris. Licenciado em gestão pela Universidade Lusófona foi o curso de hotelaria que tirou posteriormente, em Marbella, que o levou a Paris. “Tive a oportunidade de trabalhar para uma das maiores cadeias do mundo, tive a oportunidade de trabalhar na cidade que recebe mais turistas do mundo. Não pensei duas vezes”, disse. Carina nunca tinha pensado em emigrar. Estudou ciências da comunicação na Universidade Nova de Lisboa, estagiou em rádio e em televisão. Apesar de ter encontrado emprego na área, não conseguiu recusar a oportunidade de trabalhar fora do país. Está em Paris desde abril. “Sentia que não tinha mais

por onde crescer [em Portugal] e o que me pagavam não dava para sobreviver”, explicou. “O que me atraiu mais em Paris foi obviamente o ordenado que eu vim receber e a possibilidade de estar em contacto com novas culturas e viajar, que era uma coisa que eu sempre gostei. Andar na rua, conhecer histórias, conhecer pessoas”. Um artigo recente do sociólogo e funcionário da embaixada de Portugal em França para assuntos jurídicos e sociais, Jorge Portugal Branco, não nega a existência “de uma nova mão-de-obra emigrante, altamente escolarizada e qualificada profissionalmente, vinda para o estrangeiro na procura de mais oportunidades e salários mais aliciantes, que equaciona os percursos profissionais em termos de mercado europeu - e não apenas nacional”. O mesmo artigo, publicado na revista de sociologia da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, apresenta dados recentes do Eurostat relativos “às comunidades estrangeiras presentes nos países da UE” que revelam que “37% (11,3 milhões pessoas) dos estrangeiros residentes na UE-27 provêm de outro Estado Membro”. “Não faço questão de continuar em França. Estou a tentar ao máximo viver os meus sonhos, sem que o meu país me condicione, sem que o governo de cada país nos condicione. E é o que eu sinto, essa é a minha maior frustração, é sentir que temos muito para dar e que não nos deixam”, admitiu a jornalista. Para Rui também não é obriga-

tório ficar por Paris. Trabalha numa cadeia de hotéis internacional e isso dá-lhe a possibilidade de poder trabalhar em qualquer parte do mundo. “Tanto posso ter um trabalho nos Estados Unidos, como posso ter um trabalho na Ásia, ou seja, tenho uma rede de oportunidades muito grande, que me permite, de um dia para o outro, ir procurar um emprego e ter um emprego numa outra cidade”. Carina sabe que “quase metade das pessoas que estudaram” consigo estão no estrangeiro, e Rui contabilizou sessenta colegas na sua turma de hotelaria, sendo que “quase nenhuma ficou a trabalhar na sua cidade natal”. Os jovens admitem que a noção de globalização com a qual cresceram e a ideia de uma Europa sem fronteiras lhes permite equacionar uma vida que pode passar por qualquer parte do mundo, o que, como comprovam os dados citados do Eurostat, é uma tendência em toda a UE e que não se reduz aos jovens portugueses. “Não me vejo a voltar. Talvez daqui a uma década, ou mais, se tiver realmente um bom dinheiro de parte para investir num negócio meu”, admitiu Carina Bártolo. “Obviamente que uma parte de mim gostaria de voltar, gostaria de estar a trabalhar ao pé da minha família, de estar ao pé da praia, estar a trabalhar numa cidade que conheço, que adoro, mas está complicado, o nível de vida em Portugal não é o mesmo que aqui”, concluiu Rui Vardasca.

Papa Francisco faz apelo em favor dos sem-abrigo

“Todas as famílias deviam ter uma casa” O papa Francisco apelou ontem, nas vésperas do Natal, às autoridades políticas e aos serviços sociais do mundo inteiro para façam “todo o possível para que todas as famílias possam ter uma casa”. Falando a partir de uma janela do apartamento pontifício para dezenas de milhares de fiéis reunidos para a oração do Angelus, na Praça de São Pedro, o papa argentino começou a improvisar: “Eu vejo lá em baixo, escrito em grande [numa faixa] ‘Os pobres não podem esperar’. É lindo isso!”, disse Francisco, que foi em seguida muito aplaudido. “Isso faz-me pensar que Jesus nasceu

num estábulo, e não uma casa. Em seguida, ele teve que fugir, de ir para o Egito para salvar a sua vida. No fim, voltou para casa na Nazaré”, observou o papa, que já tinha feito um longo elogio a José, o marido da Maria, que aceitou o seu destino e confiou em Deus. “Há tantas famílias sem casa, seja porque nunca tiveram ou porque perderam por tantas razões diferentes. Famílias e casas andam de mãos dadas. É muito difícil de conduzir uma família para a frente sem ter uma casa” denunciou o pontífice, que dá sempre muita atenção às questões sociais.

Francisco convidou “todas as pessoas, serviços sociais e autoridades a fazerem tudo ao seu alcance para garantir que todas as famílias têm uma casa”. O papa dirigiu-se, por fim, às dezenas de manifestantes que se reuniram contra a austeridade na Praça de São Pedro, apelando para que recusem o confronto. As forças policiais italianas tinham reforçado a segurança em torno do Vaticano, como medida de precaução. No final da sua curta aparição, o papa desejou a todos “um Natal de esperança, de justiça e de fraternidade”.


23 12 2013