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IGUALDADE DE TRATAMENTO Bruno de Carvalho pede honestidade nas análises aos três grandes

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Director: Angela Amorim | Distribuição Gratuita | www.edvsemanario.pt |

Diretor: Rui Alas Pereira | ISSN 0873-170 X |

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DIÁRIO NACIONAL

Ano CXLVI | N.º 13

Quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

SEGURO EXIGE A PASSOS EXPLICAÇÕES SOBRE NOVO PROGRAMA FINANCEIRO

PRESSÃO INACE!TÁVEL PROVA Organizações sindicais prometem estar ao lado dos professores até ao fim

n Considerando, mais uma vez, que Passos Coelho tem feito uma “pressão inaceitável” sobre o Tribunal Constitucional, o líder do PS apela a Cavaco Silva para que force o primeiro-ministro a explicar aos portugueses o novo programa financeiro para Portugal. “Considero da maior gravidade o que se está a passar e, por isso, entendo que o próprio Presidente deve pronunciar-se sobre esta matéria”...

CASO PSP Miguel Macedo diz que “não foi criado um lugar específico”


2 | O Primeiro de Janeiro

local porto

Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013

Presidente da Câmara vai propor nomeação de uma administração liquidatária

Federação do Porto do PS

Extinção da empresa Gaianima em causa

Reforço das campanhas de Natal

O presidente da Federação do Porto do PS apela aos presidentes de câmara do distrito para que cooperaram com as instituições para o reforço das campanhas de angariação de alimentos e vestuário para o Natal. José Luís Carneiro, que também preside à Câmara de Baião, citado num comunicado da federação distrital, deseja que os autarcas “se empenhem, de forma muito especial, num trabalho de cooperação com as instituições da rede social”. De acordo com José Luís Carneiro, é objetivo deste repto “apoiar as instituições de solidariedade no terreno, no sentido de que estas “consigam dar resposta aos pedidos de apoio de milhares de famílias, confrontadas com o estigma do desemprego e da exclusão e que hoje vivem em condições de indignidade”.

O presidente da Câmara de Gaia vai propor ao executivo a nomeação de uma administração liquidatária para tratar da extinção da empresa municipal Gaianima, a liderar por António Borges. A equipa que vai ser apresentada numa reunião camarária extraordinária, agendada para amanhã, é composta por “três responsáveis não executivos” e “sem remuneração”, que “durante um ano” terão a seu cargo “a transição dos equipamentos e do pessoal da empresa municipal para a autarquia”, esclarece a Câmara numa nota de imprensa. “O presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, vai nomear uma nova equipa de administradores liquidatários para a Gaianima – Equipamentos Municipais, EM, que será responsável pelo processo de transição da estrutura para a alçada da autarquia, na sequência da decisão de extinguir a empresa municipal”, adianta o comunicado. António Borges, o socialista que deixou em setembro a Câmara de Resende, foi designado para liderar a “administração liquidatária” da

Gaia. Presidente diz que o objetivo é “promover a transição dos equipamentos e do pessoal para o município” Gaianima, composta ainda pelos vogais Angelino Ferreira (que já integrava a administração da empresa municipal) e Vítor Canastro, ex-presidente da junta de freguesia de Canelas. No comunicado, a Câmara de Gaia identifica ainda Vítor Canastro como “fiscalista e inspetor das finanças” e Angelino Ferreira, administrador financeiro da SAD do FC Porto, como “economista e homem ligado ao desporto”. “Todos eles serão elementos não-executivos da nova administração e exercerão

os respetivos cargos sem qualquer remuneração ou benefício”, destaca a autarquia liderada pelo socialista Eduardo Vitor Rodrigues, desde as últimas eleições. Citando o presidente da Câmara de Gaia, a nota de imprensa refere que estes três elementos vão assumir “uma função de comissão liquidatária de uma empresa que foi condenada à insolvência por não cumprir os rácios financeiros exigidos pela nova lei do setor empresarial local”. “Terá como principais funções promover a transição dos equipamen-

tos e do pessoal da Gaianima para o município”, explica o autarca no comunicado enviado às redações. “A nova administração da empresa municipal exercerá as funções para as quais é nomeada ao longo de um período máximo de um ano, o tempo proposto pelo executivo para a liquidação da Gaianima”, acrescenta a Câmara de Gaia. A autarquia acrescenta que a decisão do autarca “será ratificada na próxima reunião extraordinária do executivo, agendada para quinta-feira [amanhã]”.

Presidente da União de Freguesias do centro do Porto

António Fonseca pondera apresentar queixa O presidente da União de Freguesias do centro do Porto, António Fonseca, admitiu ontem apresentar queixa contra membros dos anteriores executivos de extintas juntas que tenham “equipamentos e bens públicos” e não os devolveram, designadamente tablets e telemóveis. Em causa está o facto do executivo da União de Freguesias de Cedofeita, Santo Ildefonso, Sé, Miragaia, S. Nicolau e Vitória ter constatado que há uma série de “equipamento eletrónico, elétrico ou informático” pertença das antigas juntas de freguesia que desapareceu. Em carta datada de 22 de novembro enviada ao antigo executivo de Santo Ildefonso, António Fonseca

solicitava a entrega “de todo e qualquer equipamento” dessa natureza, bem como de “quaisquer outros bens pertencentes à extinta junta”, estabelecendo um prazo de 48 horas para que tal fosse feito. “Recordamos que tal conduta poderá conduzir à participação dos factos às autoridades competentes e acarretar para V.Ex.ª futura responsabilidade civil e criminal”, acrescentava a carta assinada por Fonseca, eleito pelo movimento independente de Rui Moreira nas eleições de 29 de setembro. António Fonseca afirmou que a “carta foi enviada a todos os membros dos anteriores executivos das seis juntas de freguesia”, e não apenas a Santo Ildefonso, e admitiu que “al-

guns [equipamentos] continuam em falta”. “Em S. Nicolau não havia nada a devolver, Miragaia já entregou e Vitória também”, disse, acrescentando que “há contratos celebrados este ano com empresas de telecomunicações que falam no número exato de equipamentos” disponibilizados, entre os quais se encontram telemóveis “Nokia, iPhone5 e iPad”. O antigo presidente da Junta de Freguesia de Santo Ildefonso, Wilson Faria, garantiu ontem que “todos os bens que tinha já foram entregues”, com exceção de “dois iPad que foram roubados de dentro de uma viatura”. “Já entreguei tudo e a [atual] junta tem lá os documentos, inclusive a queixa apresentada na PSP”, disse.

António Fonseca confirmou que chegou à junta “uma participação de roubo, datada do dia 26 de novembro”. O executivo desta União de Freguesias do centro do Porto vai reunir-se na próxima semana e vai analisar a eventual apresentação de queixas, tendo em conta que “manda o bom senso que se façam chegar todos os equipamentos públicos à nova junta”, vincou António Fonseca. Para Fonseca, perante os contratos celebrados pelas anteriores executivos das juntas de freguesias com empresas de telecomunicações, todos aqueles que eventualmente sejam ainda detentores de equipamentos poderão ser alvo de uma queixa.

Felgueiras

Aprovado orçamento para 2014

O orçamento da Câmara de Felgueiras para 2014, aprovado pela assembleia municipal, prevê uma dotação de quase 50 milhões de euros, mas traduz uma redução de 18,5 milhões, realizada em cinco anos. De acordo com o presidente da autarquia, Inácio Ribeiro, “pretendese com este ajustamento atingir taxas de execução orçamentais de 70%, reforçando e consolidando a exigência de rigor implementada no mandato 2009/2013”. Naquele período, disse, foi possível melhorar a execução de 50% para cerca de 65%. O autarca do PSD, citado num comunicado, acrescenta que neste orçamento se pode destacar o “rigor, transparência, credibilidade e realismo”. Coesão social, educação, ambiente e juntas de freguesia são as áreas consideradas prioritárias para 2014. Na área social, serão criadas novas medidas de apoio que permitirão aumentar o rendimento disponível das famílias, assinala também o presidente.


regiões

Quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

O Primeiro de Janeiro | 3

Sete detidos por imigração ilegal em operação em Lisboa e Bordéus

Prisão preventiva Buscas realizadas em Lisboa, Almada e Amadora pemitiram capturar os quatro cabecilhas da organização. Na região de Lisboa

Cartão Caixa Viva para transportes públicos

Os Operadores de Transportes da Região de Lisboa apresentaram, ontem, o cartão Caixa Viva, um cartão multibanco que permite utilizar os transportes públicos naquela área. Numa parceria com a Caixa Geral de Depósitos, o cartão apenas difere dos restantes por ter uma aplicação que permite que, quando aproximado do validador, se valide a viagem, automaticamente descontada da conta do utilizador. Criado a pensar nos passageiros ocasionais, este cartão não tem custos adicionais e, para já, pode ser utilizado na Carris, Metro, CP, Transtejo e Soflusa, Fertagus e Metro Sul do Tejo. O objetivo é ser alargado a outras empresas e zonas do País. Para o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, esta é “uma solução que faltava”.

O Tribunal de Instrução Criminal de Lisboa decretou prisão preventiva para os sete detidos pelo SEF por imigração ilegal no âmbito de uma operação internacional. Segundo o Serviço de Estrangeiros e Fronteiras revelou ontem, sete pessoas foram detidas em Portugal e outras sete em França no âmbito de uma operação desencadeada, no sábado, em simultâneo nos dois países. O SEF adianta que a investigação criminal decorria há cerca de um ano e visava um grupo de pessoas que se dedicavam ao transporte de imigrantes em situação ilegal de vários países da União Europeia para Portugal, onde re-

Imigração ilegal. «Operação Batedores» permitiu deter sete pessoas em Portugal e outras sete pessoas em França. Cabecilhas estavam em Lisboa

gularizavam a sua situação recorrendo a documentação falsa ou obtida de forma fraudulenta. O SEF indica também que os quatro cabecilhas da organização criminosa foram detidos em Portugal. Durante a investigação, denominada «Operação Batedores», os movimentos da rede foram atentamente vigiados e ficou a saberse que as viagens se faziam por via terrestre, em carros ligeiros e em monovolumes, tendo como origem e destino países como França, Alemanha, Suíça, Bélgica e Itália, “mediante o pagamento de elevados valores monetários”. As buscas realizaram-se no sábado, em Lisboa, Almada e Amadora, estando envolvidos na operação 55 operacionais do SEF, bem como dois polícias franceses e um analista da EUROPOL. Em França, a operação decorreu em Bordéus, onde esteve presente um elemento do SEF, que acompanhou a operação efetuada pelas autoridades francesas e serviu de oficial de ligação.

Continuam as operações de busca no Meco

“Ambiente complicado”

Trabalhadores da CML sem acordo com Costa

As operações no mar para encontrar os cinco jovens desaparecidos no domingo no Meco foram retomadas ontem de manhã, depois de uma noite de buscas por terra que foram infrutiferas. “Durante a noite foram mantidas as buscas ao longo da praia com os meios terrestes, como estavam previstas, agora vão recomeçar as buscas marítimas com os mesmos

meios dos dias anteriores. Durante a noite não existiu nenhum dado novo, mas o período noturno é também aquele em que a busca se torna mais complicada”, explicou o capitão do porto de Setúbal Lopes da Costa. Segundo Lopes da Costa vive-se um “ambiente complicado” no local do acidente, onde permanecem familiares e amigos dos jovens desaparecidos, uma realidade

Câmara de Faro limpa destroços das barracas

Os sindicatos que representam os trabalhadores do município de Lisboa saíram, ontem, divididos de uma reunião com o presidente António Costa (PS), na qual discutiram a transferência de 1.800 funcionários para as juntas de freguesia. Na semana passada, os trabalhadores da higiene e limpeza urbana de Lisboa decidiram que vão fazer greve à recolha do lixo entre os dias 24 e 28 deste mês, em protesto contra a transferência de competências para as juntas de freguesia. No final do encontro, que durou cerca de duas horas, os sentimentos dos sindicalistas eram distintos, com os representantes do STML a mostrarem-se mais desiludidos. “As diferenças de fundo mantêm-se. Só sairíamos satisfeitos se o presidente António Costa assumisse que esta lei 56 não seria aplicada”, afirmou Lusa Vítor Reis, do STML. Por seu turno, José Abraão, da SINTAP, manifestou-se mais satisfeito com o resultado da reunião, devido à “abertura para negociar” revelada pelo executivo municipal.

Nove desalojados em incêndio em bairro social Os serviços da Câmara de Faro começaram, ontem, a limpar os destroços das três casas prefabricadas num bairro social em Faro, Algarve, que arderam na noite de segunda-feira, o que causou nove desalojados “Estive lá de manhã, as três casas estão irrecuperáveis, são barracas, e estão completamente queimadas”, declarou o presidente da autarquia, Rogério Bacalhau, após visitar o bairro da Horta da Areia. As três famílias que ficaram desalojadas – num total de nove pessoas - estão a ser acompanhadas pela Segurança Social e vão ter de ser realojadas noutro espaço da cidade. Segundo Rogério Bacalhau, as três casas que arderam “não vão ser recuperadas”.

com “uma componente humana fortíssima de uma situação particular da qual não existe memória recente”. A notícia de que o corpo de uma jovem tinha sido encontrado no mar ao largo da praia do Meco, foi difundida no local durante a manhã. Mas quando as famílias procuraram mais notícias, receberam a informação de que a notícia era falsa.


4 | O Primeiro de Janeiro

nacional

Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013

Seguro apela a Cavaco para que force Passos a dar explicações

Mário Draghi (BCE)

“Nova pressão inaceitável sobre o Tribunal Constitucional” Considerando que o Governo fez novamente uma “pressão inaceitável” sobre o TC, Seguro apela ao Presidente para que force o primeiroministro a explicar aos portugueses o novo programa financeiro para Portugal. O secretário-geral do PS apelou ontem ao Presidente da República para que force o primeiro-ministro a dar explicações aos portugueses sobre o que tem já contratualizado com as instituições europeias sobre um novo programa financeiro para Portugal. António José Seguro falava aos jornalistas no final de uma reunião com o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas, que durou cerca de hora e meia e que se insere num programa de iniciativas do PS denominado “Combater as desigualdades e a exclusão social”. “Considero da maior gravidade o que se está a passar e, por isso, entendo que o próprio Presidente da República deve pronunciar-se sobre esta matéria, obrigando o primeiro-ministro a esclarecer publicamente o que há em matéria de negociações entre o

Seguro. O líder do PS exige que o primeiro-ministro dê aos portugueses explicações sobre o novo programa financeiro… Governo português e as instituições europeias”, declarou Seguro. O líder do PS referiu que, na semana passada, o primeiro-ministro disse que só a partir de 27 de janeiro o Governo português começaria a negociar com as instituições europeias a saída do atual programa de assistência financeira, mas que o presidente do BCE, Mário Draghi, pelo contrário, declarou que iria haver para Portugal um novo programa “de certeza”. “O que o primeiro-ministro está a esconder? Isso são formas de governar um país? Isto cria incerteza, instabilidade e, por isso, desafio o primeiro-ministro a esclarecer de uma vez por todas o que já tem contratualizado com o BCE”, disse. Confrontado com a possibilidade

de Mário Draghi ter falado apenas em abstrato, Seguro rejeitou esse cenário, contrapondo que o presidente do BCE pronuncia-se sempre “com dados objetivos”. “Para mim, é muito importante que o primeiro-ministro esclareça os portugueses sobre o que tem havido de conversações entre o Governo português e as instituições europeias”, reforçou, antes de fazer novas e duras acusações ao executivo. “Considero da maior gravidade que o país tenha sabido pela voz do presidente do BCE que Portugal vai ter de certeza um novo programa e que o primeiro-ministro tenha dito na semana passada que Portugal ainda não tinha começado a negociar e a conversar com as instituições europeias a forma de saída deste programa. Se o

primeiro-ministro não veio ainda explicar, considero que o Presidente da República deve exigir que ele venha dar essa explicação”, insistiu. Para Seguro, o país “não pode assistir a um primeiro-ministro que anda a dizer que só a partir de 27 de janeiro é que começa a falar com as instituições europeias, depois vir um vice-primeiroministro [Paulo Portas] a inaugurar um relógio com a contagem decrescente para a saída da ‘troika’ e, por fim, vir o presidente do BCE a dizer que Portugal vai ter de certeza um novo programa”. “Os portugueses não podem ser tratados desta forma. Merecem respeito, porque os portugueses é que estão no meio desta confusão. Os portugueses têm direito em saber o que se está a passar. Temos esse direito”, acrescentou. O secretário-geral do PS acusou ainda o primeiro-ministro de ter feito “uma vez mais” uma pressão “inaceitável” sobre o Tribunal Constitucional ao admitir um aumento de impostos caso sejam chumbadas medidas com forte impacto orçamental. Questionado sobre o facto de o primeiro-ministro ter admitido na segunda-feira um aumento de impostos caso algumas das principais medidas do Governo sejam chumbadas pelo Tribunal Constitucional, o líder socialista criticou essas palavras de Passos Coelho. “É mais uma pressão inaceitável que o primeiro-ministro está a fazer sobre o Tribunal Constitucional. Este Governo não estava preparado para governar o país e, pelos vistos, não está preparado para conviver com a democracia”, respondeu António José Seguro.

Organizações sindicais prometem estar com os professores nas escolas

Dia mais importante da luta contra a prova ASPL, FENPROF, SEPLEU, SIPE, SIPPEB e SPLIU estarão com os professores, em todas as escolas do país, naquele que será “o dia mais importante da luta contra a iníqua e humilhante prova que o MEC pretende aplicar aos professores”. “Uma luta que é de todos os profissionais, independentemente de hoje estarem sujeitos à realização da prova, convocados para vigilantes ou em nenhum desses papéis”, destaca ainda a nota publicada no site da Fenprof . Relativamente à nomeação de vigilantes, a mesma organização sindical diz que “tudo vale num momento em que o medo de uma tremenda derrota política e a desorientação dos responsáveis do MEC se tornam ainda mais evidentes”. E, segundo escreve a Fenprof, só assim se explicam: ”As pressões que es-

tão a ser feitas sobre os professores dos quadros para que aceitem o papel de carrascos dos seus colegas sem vínculo; a pressão do MEC sobre os diretores das escolas no sentido destes “fazerem tudo para que a prova se realize”. As organizações sindicais recordam não ser legal a realização de levantamentos prévios sobre a adesão à greve e que nada obriga à convocação de todos os docentes para o serviço de vigilância, repudiando pressões feitas sobre os que decidiram convocar apenas o número de professores estritamente necessário; a convocatória de docentes da Educação Pré-Escolar que, segundo as orientações antes dadas às escolas, não deveriam ser convocados; a tentativa de impor o momento de adesão à greve, sendo dito aos professores que a entrada ao serviço impede poste-

rior adesão à greve, o que é falso. Reafirma que os professores, de acordo com o disposto em lei, poderão entrar em greve em qualquer momento, cabendo-lhes escolher o que considerarem mais adequado; os boatos postos a correr quanto ao desconto salarial decorrente da greve. A realização desta greve apenas poderá levar ao desconto correspondente ao número de horas em que os professores estiveram em greve e nunca a um dia inteiro”. AS mesmas entidades sindicais exortam ainda aos docentes que estão sujeitos à prova para que, “mesmo no momento em que esta estiver para se realizar, se dirijam aos seus colegas dos quadros apelando para que façam greve e, assim, defendam a profissão”. Hoje, os dirigentes das organizações

sindicais que lutam contra a PACC estarão em todas as escolas onde esta se realiza, juntando-se aos professores dessas escolas “neste importante dia de luta”. Eis algumas das escolas onde estarão os principais responsáveis pelas organizações sindicais: Lisboa - Escola Básica 2.3 Marquesa de Alorna (9.00 horas); Porto - Escola Secundária Clara de Resende (9.00 horas); Coimbra - Escola Básica 2.3 Martim de Freitas (8.30 horas) e Escola Secundária Avelar Brotero (9.30 horas); Évora - Escola Secundária André de Gouveia (9.00 horas); Faro - Escola Básica 2.3 Pinheiro e Rosa (9.00 horas); Funchal - Escola Profissional Dr. Francisco Fernandes (9.00 horas); Praia da Vitória (RAA Terceira) - Escola Básica e Secundária Vitorino Nemésio (9.00 horas).

Autoridades portuguesas vão decidir novo programa O presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, afirmou ontem que as autoridades portuguesas vão decidir sobre um novo programa, depois de segunda-feira ter garantido que Portugal teria um programa após o atual resgate. “Cabe exclusivamente às autoridades portuguesas decidir sobre um possível novo programa”, disse Mario Draghi numa nota enviada ontem às redações, em resposta às muitas questões levantadas sobre as suas afirmações no Parlamento Europeu esta segunda-feira. Mario Draghi disse segunda-feira que Portugal irá ter um programa para o período de transição após a conclusão do atual programa de resgate da ‘troika’, mas que ainda não está decidida a sua forma. “Sobre o período de transição, haverá um programa. Haverá um programa adaptado à situação durante esse período de tempo e temos de ver que forma este programa irá assumir”, afirmou Mario Draghi. O líder do BCE respondia a perguntas formuladas pelo eurodeputado do CDS-PP, Diogo Feio, durante uma audição na Comissão de Assuntos Económicos e Monetários do Parlamento Europeu, em Bruxelas. O italiano não adiantou a forma do programa, mas garantiu perante os deputados europeus que esse programa acontecerá, numa altura em que o Governo português diz que ainda não começou a negociar com os parceiros europeus e que ainda irá avaliar se a estratégia a seguir será um programa cautelar, ou outro tipo de programa, ou uma saída do programa como a Irlanda decidiu recentemente, sem rede de segurança.


economia

Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013

O Primeiro de Janeiro | 5

Comissão de inquérito aos «swap» contratados por empresas públicas

Relatório preliminar culpa Governo PS Documento responsabiliza Governo socialista anterior, os gestores públicos e a banca e pouco fala de Maria Luís Albuquerque. Valor das compras no período natalício

1,8 mil milhões de euros Os portugueses fizeram 46 milhões de compras no valor de 1.873 milhões de euros com recurso à rede Multibanco desde o arranque do período natalício (25 de novembro) até domingo, mais do que em 2012, revelou, ontem, a SIBS. Há um ano, durante a mesma altura, foram efetuadas 43,1 milhões de compras correspondentes a 1.788 milhões de euros nos terminais de pagamento automático da rede Multibanco, ou seja, em termos homólogos, houve uma subida de 6,5% em termos do número de operações e de 4,7% no que toca ao valor envolvido nas transações. Relativamente aos levantamentos feitos nas caixas automáticas, também há uma variação positiva, revelou a gestora da rede Multibanco. No total, nas últimas três semanas, os portugueses levantaram 1.686 milhões de euros num total de 25,9 milhões de movimentos, valores que comparam com os 25,7 milhões de movimentos no montante de 1.676 milhões de euros em igual período de 2012. No que toca aos levantamentos, houve um acréscimo homólogo de 0,9% em termos do número de movimentos e uma subida de 0,6% no valor envolvido nos mesmos. Já o valor médio nos levantamentos foi de 65 euros, 0,3% abaixo de 2012, enquanto o montante médio das compras pagas por Multibanco foi de 41 euros, menos 1,7% do que no período homólogo do ano passado.

O relatório preliminar da comissão de inquérito aos «swap» contratados por empresas públicas conclui que houve “uma gestão imprudente” dos dinheiros públicos naquelas operações, responsabilizando, em particular, o Governo socialista anterior, os gestores públicos e a banca. Sobre a demora do atual Executivo em avançar com uma solução e o envolvimento neste processo da ex-secretária de Estado do Tesouro e atual ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, o documento com 434 páginas pouco diz. O relatório preliminar foi apresentado pela relatora e deputada do PSD Clara Marques Mendes e diz “que frequentemente a cobertura de risco e/ou otimização de custos não foram os objetivos principais subjacentes à contratação” de ‘swap’. O relatório preliminar critica, especificamente, o ex-Secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, Carlos Costa Pina, considerando que o despacho de 2009 peca por “uma omissão”, ao não seguir as recomendações da Direção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF) de as empresas públicas terem de pedir autorização prévia para contratação de ‘swap’. As conclusões vão ser enviadas para o Ministério Público “para apuramento de eventuais responsabilidades criminais”. Elogios da coligação

O deputado do PSD Afonso Oliveira elogiou a postura atuante do Governo na maioria no âmbito dos contratos de risco no setor público e apontou responsabilidades ao anterior executivo socialista. “Uma conclusão que se pode tirar é que há responsáveis que são algumas empresas. Há também responsáveis no anterior Governo pela incapacidade de tomar de decisões ou falta de vontade, por empurrar o problema para a frente”, afirmou. Para o parlamentar, o Governo liderado por Passos Coelho e

Paulo Portas, “quando tomou posse, pegou num problema e resolveu-o”. O CDS considerou, também, que o relatório preliminar mostra que estes produtos financeiros são “a marca de água” do PS. “Isto foi feito com a tutela respetiva, neste caso a direção geral de tesouro e finança, pouco diligente ou pelo menos pouco ativa, e da tutela politica, normalmente e em muitos casos desligada e demitida da sua função de acionista”, considerou Hélder Amaral. Reacção socialista contundente

«Swaps.» Relatório preliminar responsabiliza Governo socialista anterior, os gestores públicos e a banca e pouco fala de Maria Luís Albuquerque

Europa em queda

Bolsa de Lisboa fecha sessão no «vermelho»

O principal índice da bolsa portuguesa, o PSI20, encerrou a sessão de ontem a cair 0,23% para 6.381,48 pontos, ainda assim, a menor queda entre as praças acionistas europeias de referência. Das 20 cotadas no PSI20, metade fechou positiva e a outra metade encerrou o dia no vermelho. No resto da Europa, as perdas variaram entre

os 0,55% de Londres e os 1,24% de Paris. Em Lisboa, a Mota Engil liderou as quedas, ao recuar 3,38% para 4,116 euros, seguida pela Sonae Indústria, que caiu 1,82% para 0,592 euros, e pela Cofina, que perdeu 1,73% para 0,511 euros. No que toca aos pesos pesados, a Galp Energia perdeu 0,91% para 11,455 euros, a Portugal Telecom subiu 0,06% para 3,212 euros, a EDP ganhou 0,38% para 2,65 euros e a Jerónimo Martins avançou 0,67% para 14,30 euros.

O PS acusou, por seu turno, a ministra das Finanças de “total branqueamento” em relação ao apuramento das responsabilidades nos contratos «swap». A deputada socialista Ana Catarina Mendes afirmou que “onde deveria reconhecer-se objetividade, as conclusões são parciais” e que “onde deveriam criticar a inércia de Maria Luís Albuquerque, as conclusões exponenciam elogios à sua atuação”. Ana Catarina Mendes lamentou também “a leviandade com que se acusa Carlos Costa Pina”, o ex-secretário de Estado do Tesouro e das Finanças, considerando que “as conclusões assumem um culpado sem refletir, com verdade e rigor, os documentos e os depoimentos que chegaram à comissão parlamentar de inquérito”. Ana Catarina Mendes acusou ainda o Governo de ter prescindido de apurar responsabilidades: “O Governo, ao demitir os gestores públicos sem procurar apurar das responsabilidades dos mesmos, contribuiu para que não ficassem esclarecidas as razões, méritos ou deméritos, da contratação dos ‘swaps’”, disse. O Bloco de Esquerda acusou o PSD de tentar branquear a gestão que o Governo fez do dossiê dos «swaps» e de esconder as contradições da ministra das Finanças na proposta de relatório final da comissão de inquérito. A deputada bloquista Maria Mortágua diz que também foi deixado de fora do anteprojeto de relatório final a possibilidade de anular os contratos especulativos, lembrando que a comissão teve acesso a pareceres jurídicos que os classificavam como tal e aconselhavam mesmo a sua anulação.


desporto

6 | O Norte Desportivo

Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013

Bruno de Carvalho pode igualdade de tratamento para os três «grandes»

“Não vejo essa honestidade” Além de falar das arbitragens, presidente do Sporting garantiu estar satisfeito com equipa e que «leões» não estão compradores, nem vendedores. O presidente do Sporting, Bruno de Carvalho, pediu, ontem, “honestidade” na apreciação das situações de jogo dos três «grandes», considerando que os rivais Benfica e FC Porto têm merecido tratamento preferencial da comunicação social. “Em jogo que o Sporting dominou por completo [vitória por 3-0 sobre o Belenenses] quase toda a comunicação social fez crer que foi o primeiro lance do penálti que deu algum alento ao Sporting, que dominava o jogo todo. Não vejo fazer o mesmo no jogo do Benfica [vitória por 3-2 sobre o Olhanense], em que o 1-1 foi fora de jogo claríssimo [de Lima], e no jogo do FC Porto, em que 2-1 [na vitória por 3-1 sobre o Rio Ave] é muito similar a um do Montero, de que toda a gente se queixava. Não vejo essa honestidade”, lamentou. O dirigente defende que o Sporting “jogou muito, muito bem e mereceu a vitória”, enquanto entende que os concorrentes ao título vão sendo “beneficiados” e apenas alvo de “apenas pequenas

Combinação de resultados

Gennaro Gattuso sob investigação policial

Sporting. Bruno de Carvalho pediu “honestidade” na apreciação das situações de jogo dos três «grandes» referências”, merecendo, acima de tudo, elogios. “São todos ótimos, e toda a gente que salta do banco é ótima. Tudo são pérolas, maravilhas e no Sporting é preciso sorte e empurrões. É uma pena que as pessoas não aproveitem esta época natalícia para serem honestas”, atirou, no regresso da Argélia, onde acompanhou o avançado Slimani, eleito o melhor futebolista do país em 2013. A propósito da viagem, Bruno Carvalho congratulou-se com a “consagração de um belíssimo jogador”, mais um entre

várias contratações que entende bem-sucedidas pelo clube. O dirigente diz que os «leões» se reforçaram para esta época com um conjunto de “mais-valias” efetivas, sendo que essas “escolhas certas” potenciam a “confiança total na atual equipa”, daí declinar mexidas no grupo. “O Sporting está bem, a fazer excelentes jogos. A fazer o seu trabalho. Estamos muito contentes com a equipa e nem estamos vendedores, nem compradores. Se calhar outras equipas precisam muito mais... Estamos muito satisfeitos,

muito contentes com as prestações destes jogadores e trabalho da estrutura diretiva, órgãos sociais, Leonardo Jardim e equipa técnica e, sobretudo, com os jogadores que têm mostrado muita vontade de ganhar”, salientou. O nome de Sami, extremo do Marítimo, tem sido associado aos «leões» e Bruno de Carvalho desmentiu que tenha já conversado com o presidente do Marítimo sobre o guineense. “Falei ainda há pouco tempo com Carlos Pereira, mas não sobre Sami”, rematou.

Sistema de transferências

Fernando Gomes traça objetivo para mandato

“Casa do Futebol operacional em 2015” ernando Gomes realçou, ontem, a obra feita no dia em que cumpre dois anos como presidente da Federação Portuguesa de Futebol e reafirmou o objetivo de ver a Cidade do Futebol pronta antes do final do mandato em 2015. No balanço da primeira metade do atual mandato, para o qual foi eleito em dezembro de 2011, destacou o “apuramento da seleção nacional para o Mundial2014”, mas também “a profissionalização dos árbitros”, os “excelentes resultados na formação, no futsal, no futebol de praia e no futebol feminino” e o “esforço financeiro da FPF para

FPF. Fernando Gomes congratulouse com os objetivos alcançados na primeira metade do seu mandato

O antigo futebolista internacional italiano Gennaro Gattuso está sob investigação, por suspeita de envolvimento numa rede de combinação de resultados e apostas ilegais, revelou ontem a polícia. O campeão mundial de 2006 e ex-capitão do AC Milan, de 35 anos, e que no início da época foi demitido do cargo de treinador do Palermo, da segunda divisão italiana, é um dos suspeitos na rede, da qual já foram detidas quatro pessoas. Sob a atenção das autoridades está também o ex-médio da Lazio Cristian Brocchi, de 37 anos.

liquidar cerca de 11 milhões de euros, relativos ao Totonegócio”. O líder federativo realçou que “um conjunto muito alargado dos compromissos assumidos há dois anos já está cumprido” e voltou a expressar o desejo de ter a Cidade do Futebol totalmente operacional no final do mandato (2015). “Temos dois anos para finalizar o que nos comprometemos e, acima de tudo, para tentar concretizar o nosso maior sonho, que é ter a Cidade do Futebol no Vale do Jamor. Quando terminarmos o nosso mandato queremos ter a Cidade do Futebol perfeitamente operacional, para

apoio às nossas seleções”, frisou. Já o presidente do Sindicato de Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF), Joaquim Evangelista, salientou a “reorganização interna” levada a cabo pela atual direção, antes de pedir “maior empenhamento” à FPF no “saneamento do futebol português”. “O sucesso das seleções e de alguns clubes não pode continuar a desresponsabilizar os que continuam a fazer uma má gestão em Portugal. É tempo de a FPF reestruturar de base do futebol nacional”, afirmou, antes de solicitar que os clubes que mais apostam em jogadores nacionais sejam “recompensados”.

FIFPro queixa-se à Comissão Europeia A Federação Internacional de Futebolistas Profissionais (FIFPro) vai enviar uma exposição à Comissão Europeia e outros organismos comunitários de justiça contra o atual sistema de transferências, por considerar que é limitador dos direitos dos jogadores. Em comunicado, o órgão representativo dos futebolistas profissionais diz-se disposto a “lançar uma ofensiva legal” contra o sistema de transferências em vigor, preparando-se para apresentar os seus argumentos também no Tribunal de Justiça da UE e no Tribunal Europeu dos Direitos Humanos.


Quarta-feira, 18 de Dezembro de 2013

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ÚLTIMA SEMANA DE “O MELHOR DE LA FÉRIA” E DE “PETER PAN” NO TEATRO RIVOLI NO PORTO O público do Norte tem só esta semana até ao próximo Domingo, dia 22, para ver no Teatro Rivoli duas grandes produções de Filipe La Féria para o público jovem “Peter Pan” – O Musical e para o público em geral “O Melhor de La Féria” – O Musical. Após três meses de sucesso absoluto no Teatro Rivoli, com lotações permanentemente esgotadas, La Féria despede-se do Porto e do público do Norte.

de crianças ao Teatro vindas de toda a zona norte do País. Por dia, durante três meses, 1800 crianças assistiram a “Peter Pan” . O Musical, um espectáculo que não irão esquecer toda a vida pela sua poesia e maravilhosa encenação.

Alexandra, Gonçalo Salgueiro e Helena Rocha à frente de um elenco de 50 cantores, actores, bailarinos, acrobatas, num espectáculo que reúne os grandes êxitos de 50 anos de Teatro do conhecido encenador e alguns dos maiores sucessos que deseja ainda levar a cena como “O Fantasma da Ópera”, “Mamma Mia”, “Os Miseráveis”, entre os mais belos momentos dos musicais de todos os tempos.

Chama-se a atenção aos órgãos de comunicação e a todo o público que “O Melhor de La Féria” – o Musical e “Peter Pan” – o Musical têm as suas últimas representações no próximo domingo dia 22. Relativamente ao espectáculo “O Melhor de La Féria” – o Musical as sessões são de quinta-feira a sábado às 21h30 e sábado e domingo às 17h00. “Peter Pan” – O Musical dirá adeus ao Porto sábado e domingo às 15h00. Filipe La Féria deixa assim o Teatro Rivoli com dois grandes espectáculos que arrastaram multidões ao coração do Porto.

Também “Peter Pan” - O Musical se despede do público do Porto após ter levado milhares

Porto, 16 de Dezembro de 2013

O Primeiro de Janeiro | 7


1868

Há 144 anos, todos os dias consigo.

Director: Angela Amorim | Distribuição Gratuita | www.edvsemanario.pt |

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UMA FÁBULA OLÍMPICA: EMÍDIO NO PAÍS DAS MARAVILHAS A pergunta que urge fazer é a seguinte: Para o que é que servem as Federações Desportivas (FD)? Porque, pelo que nos é dado ler nos jornais desportivos, estamos perante um Secretário de Estado Desporto (SED) que, desesperado por não saber para onde deve ir, mais parece estar a Gustavo Pires* fazer o papel de Alice do País das Maravilhas que, sem saber porquê, ao decidir seguir o Coelho, um animal obcecado com os horários, acabou completamente perdida e desorientada. E tal como a Alice também o nosso Emídio, sem fazer a mínima ideia onde se ia meter, resolveu seguir o Coelho que, desta feita, vive obcecado com os horários da Tróika que desgoverna o País. E de desgoverno em desgoverno a nossa Alice, quer dizer, Emídio Guerreiro no papel, entre taças e medalhas, beberetes, aniversários e inaugurações, tal como a Alice acabou completamente perdido. A sorte, julga ele, foi que, tal como a Alice, também Emídio encontrou um gato. Ora, como se sabe, o gato é um animal extraordinariamente competente pelo que tem sete vidas, sete empregos, sete clubes e sete partidos que, na nossa olímpica fábula é representado por Constantino o presidente do Comité Olímpico de Portgal (COP). E Emídio, claro que no papel de Alice, completamente desorientado, perguntou ao gato: “diz-me por onde é que eu devo seguir?” Ao que o gato lhe respondeu: “isso depende de para onde queres ir…”. “Tanto me faz” respondeu-lhe a nossa Alice. “Então, se tanto te faz, qualquer caminho serve…” concluiu o gato representado por Constantino. E o gato continuou: “e como tanto te faz passa para cá o dinheiro que eu vou montar um sistema em que, através da ligação direta aos atletas, não necessito das FD que só servem para atrapalhar. Por isso, foi com um ar preocupado que os representantes das FD saíram ontem da reunião com Secretário de Estado. E com razão porque a confusão é total. Para além de ser completamente impossível às FD ter uma ideia acerca do desenvolvimento da respetiva modalidade e articularem essa ideia de desenvolvimento com o projeto global da responsabilidade da tutela, o que está a acontecer é que, perante vários interlocutores e diferentes programas de desenvolvimento, as FD andam de Pilatos para Herodes sem saberem o que fazer. Hoje, pelos vistos, não existem políticas públicas, existem planos de financiamento, quer dizer, uma distribuição de verbas de acordo com as possibilidades de se poderem ganhar medalhas olímpicas. Em conformidade, enquanto o Governo despeja 16 milhões de euros no COP para a preparação olímpica, as FD sofrem cortes que põem em causa o desenvolvimento da modalidade. Quer dizer, não sabem quanto vão receber para “desenvolvimento da prática desportiva”, “enquadramento técnico” e “alto rendimento e seleções nacionais” rubricas que, desta feita, são transformadas num único programa a fim de ajudar à festa da hecatombe que se avizinha. E perante esta catastrófica situação, mais por falta de ideias e de organização do que por falta de dinheiro, Sua excelência anunciou uma verba de 600 mil euros para o programa “Desporto para Todos” ao qual as FD podem endereçar os seus projetos de candidatura. Dizem-nos que, perante tal anúncio, houve ameaças de colapsos cardíacos no anfiteatro do Centro de Medicina Desportiva. Entretanto, o pacote dos prémios teve um aumento significativo pelo que passarão a estar contemplados o motociclismo e o automobilismo. É obra. Perante este cenário de hecatombe de ideias e de projetos ou as FD, se mobilizam contra o modelo de desenvolvimento que está a ser prosseguido pelo COP e a SED ou o desporto em geral e algumas modalidades desportivas em particular correm o risco de, simplesmente, desaparecerem. E as opções em alternativa são claras, ou optam por Emídio no país das desgraças, ou desgraçam o Emídio para salvarem o País.

Diretor: Rui Alas Pereira (CP-2017). E-mail: ruialas@oprimeirodejaneiro.pt Redatores: Joaquim Sousa (CP-5632), Andreia Cavaleiro (CP-6983), Cátia Costa (Lisboa) e Vasco Samouco. Fotografia: Ivo Pereira (CP-3916) Secretariado de Direção: Sandra Pereira. Secretariado de Redação: Elisabete Cairrão. Publicidade: Conceição Carvalho (chefe), Elsa Novais (Lisboa, 918 520 111) e Fátima Pinto. E-mail: conceicao.carvalho@oprimeirodejaneiro.pt Morada: Rua de Santa Catarina, 489 2º - 4000-452 Porto. Contactos: redação - Tel. 22 096 78 47 - Tm: 912 820 510 E-mail: geral.cloverpress@oprimeirodejaneiro.pt - Publicidade - Telefone: 22 096 78 46, Fax: 22 096 78 45 Propriedade: Globinóplia, Unipessoal Lda. Edição: Cloverpress, Lda. NIF: 509 229 921 Depósito legal nº 1388/82 Impressão: Coraze, Telefs.910252676 / 910253116 / 914602969, Oliveira de Azeméis. Distribuição: Vasp. Tiragem: 20 000

Miguel Macedo e a nomeação do ex-diretor nacional da PSP

“Não foi criado um lugar específico” O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, recusou ontem ter criado “um lugar específico” para o ex-diretor nacional da PSP, nomeado para oficial de ligação em matéria de segurança na Embaixada de Portugal em Paris, França. Na audição na comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, Miguel Macedo justificou a designação do superintendente Paulo Valente Gomes, no âmbito de declaração conjunta dos ministros do Interior de Portugal, França, Espanha e Marrocos, celebrado a 25 de janeiro deste ano, em Rabat, capital marroquina. “Já temos um oficial de ligação em Madrid, no âmbito de cooperações intensas com França, Espanha e Marrocos, para a segurança de fronteiras e para a cooperação policial”, referiu o governante, revelando que foi nomeado também para Rabat um oficial de ligação, coronel dos quadros da GNR. “É decisivo ter estes dois lugares, um em Paris e outro em Rabat. Sobre a nomeação do superintendente Paulo Valente Gomes, estamos prestes a concluir com a França dois acordos, um de proteção civil e outro de cooperação policial”, declarou, acrescentando que “é relevante e absolutamen-

te essencial, no aprofundamento dessa cooperação, a colocação de um oficial de ligação em Paris, como é relevante a França ter dois em Lisboa”. O ministro acentuou que “França tem uma das maiores comunidades portuguesas”, e garantiu que Paulo Valente Gomes, exonerado após a invasão de polícias à escadaria da Assembleia da República, a 21 de novembro, “tem todas as competências para o cargo” e “é muito qualificado” para desempenhar a função. Depois de explicar que Portugal tem oficiais de ligação em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste, Miguel Macedo disse que foram extintos os oficiais de ligação junto da Interpol e em Kiev, na Ucrânia. “Ao contrário do que acontece com outros ministérios, o Ministério da Administração Interna cria ou extingue oficias de ligação, em função das necessidades”, disse, acrescentando, em resposta ao deputado João Oliveira (PCP), que a nomeação “não foi antecedida de nenhum processo de reabilitação e reeducação” do oficial da polícia. Marcos Perestrello, deputado do PS, criticou ainda que a nomeação de Paulo Valente Gomes tenha sido feita antes de se conhecerem as conclusões do Inspeção-

Geral da Administração Interna (IGAI) ao incidente nas escadarias do parlamento. Miguel Macedo lembrou ainda que aceitou a exoneração de Paulo Valente Gomes de diretor nacional da PSP, por entender que a situação “não configura uma responsabilidade ao nível da culpa, mas ao nível de responsabilidade objetiva”, e reiterou também que o que se passou “foi mesmo grave” e “resultou de uma violação clara da lei”, afirmando que estão para breve as conclusões do processo de investigação na IGAI. Inquirido pelo socialista Marcos Perestrello, Miguel Macedo disse desconhecer se foi dada ordem ao comandante da força “para resistir” aos agentes de segurança e permitir que subissem a escadaria do parlamento. “Não tenho informação num sentido ou no outro. Espera-se sempre que as forças policiais atuem de acordo que o que está previsto na lei, nos regulamentos e nos procedimentos. A presença de Miguel Macedo na comissão parlamentar foi requerida pelo Partido Comunista Português e pelo Bloco de Esquerda. Ontem, o Partido Socialista pediu o alargamento do âmbito da audição ao ministro, para explicar a nomeação de Paulo Valente Gomes.

Concerto assinala regresso do projeto Playing For Change ao Porto

Artistas de rua atuam na Casa da Música Onze músicos de rua de vários pontos do mundo vão estar reunidos num palco da Casa da Música, na quinta-feira, para um concerto que assinala o regresso do projeto Playing For Change à cidade do porto. Os Playing For Change (PFC) tiveram origem em 2004, quando o produtor Mark Johnson promoveu uma jornada musical para descobrir músicos de rua e combinar as suas vozes - alguns destes músicos compõem a banda do projeto, criada em 2009. “Mark Johnson viu um músico na rua a tocar e ficou a pensar no facto de todos os dias ir para o estúdio gravar com grandes nomes da música e existirem imensos talentos desperdiçados ou perdidos pelo mundo fora”,

explicou o representante oficial da banda em Portugal, João Dinis. “Para dar espaço a estas vozes, criou uma espécie de estúdio móvel, onde gravou artistas de rua por todo o mundo. Essa reunião resultou em vídeos com milhões de visualizações, que retratam músicos do México, Estados Unidos, Europa e até África”, acrescentou. O projeto avançou, em 2007, com a criação de uma fundação, para a “construção de escolas de música em países desfavorecidos, subdesenvolvidos, potenciando, assim, novos talentos, e conta com a participação de grandes nomes da música desde Bono, Manu Chão, Maroon 5, Stephen Marley”. Este movimento pretende espalhar, por todo

o mundo, a mensagem de solidariedade através de clássicos como “Stand By Me”, “Gimme Shelter”, “Sitting On The Dock Of The Bay”. O concerto, que também vai ter lugar no Teatro Tivoli BBVA, em Lisboa, amanhã, conta com a presença de onze músicos de oito nacionalidades e a participação de dois artistas nacionais: Paulo das Cavernas e Edu Mundo. “Estes concertos estão inseridos numa ‘tournée’ de Natal, que passa por Portugal e Espanha. Vão ser apresentadas algumas músicas do novo disco, alguns temas originais além dos clássicos que já apresentam”, adiantou João Dinis, referindo-se ao terceiro álbum dos PFC, que será lançado no próximo ano.


18 12 2013n