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MERCEDES ENTRA COM PÉ DIREITO ROSBERG PRIMEIRO VENCEDOR NA NOVA ERA DA FÓRMULA 1

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Director: Angela Amorim | Distribuição Gratuita | www.edvsemanario.pt |

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Diretor: Rui Alas Pereira | ISSN 0873-170 X |

DIÁRIO NACIONAL

Ano CXLVI | N.º 78

Segunda-feira, 17 de março de 2014

PASSOS E MERKEL ACERTAM AMANHÃ

MELHOR SAÍDA PARA PORTUGAL

BERL!M

n O primeiro-ministro português já enviou uma carta ao líder do PS a solicitar uma reunião sobre a problemática do pós-troika, mas amanhã, em Berlim, Passos é recebido por Merkel, num encontro onde será acertada a melhor solução para Portugal. O almoço de trabalho ocorre a menos de dois meses da data prevista para a conclusão do resgate financeiro, pelo que se espera que a reunião seja dominada pela forma de saída do programa e pelo regresso aos mercados...

PORTO

Treze mil participantes animaram Corrida do Dia do Pai

JARDIM

cumpre hoje 36 anos no Governo Regional da Madeira

REFERENDO

habitantes da Crimeia aprovam reunificação com a Rússia (93%)


local porto

2 | O Primeiro de Janeiro

Segunda-feira, 17 de Março de 2014

Assembleia Municipal do Porto discute hoje plano

“Incentivos de regularização de débitos” A Assembleia Municipal do Porto discute hoje o “plano de incentivos de regularização de débitos” que o executivo propõe, e a delegação de competências nas freguesias, este ponto requerido pela CDU. O plano camarário dirige-se aos munícipes que não pagaram rendas de habitação social, bem como contas de água, de recolha de lixo e de drenagem de águas residuais. A CDU, o Bloco de Esquerda (BE) e o PS concordam com a iniciativa, sendo que os bloquistas acham que ela é “insuficiente e podia ir mais longe”, enquanto o PSD pretende “levantar algumas questões”. “Queremos ser informados sobre qual é o montante da dívida que está em causa”, refere o líder do grupo municipal social-democrata, Luís Artur, dizendo, por outro lado,

PORTO. Assembleia Municipal discute hoje o “plano de incentivos de regularização de débitos” na habitação social que o plano pode vir a “beneficiar o infrator” se não ficar claro que é para “pessoas que não tenham mesmo capacidade de cumprir”. A Câmara explica que a medida é para munícipes que tenham vontade de “cumprir com as suas obrigações, incentivando a justiça e a igualdade social”.

O executivo propõe que o plano vigore “até 31 de maio de 2014 e reportando-se apenas aos débitos ocorridos até 31 de janeiro” deste ano, o que para o PSD é outro motivo de dúvida. O deputado bloquista José Castro defende que “há todas as condições para se instituir uma tarifa social para

os consumidores de água com menores rendimentos, que já existe noutros municípios e a lei contempla”. Os deputados avançam depois para o tema “Delegação de competências nas freguesias. Protocolos de delegação de competências e acordos de execução”, que tem um novo regime jurídico graças à Lei nº75/2013, de 12 de setembro. A CDU, que propôs que o tema seja debatido, aprova a prevista descentralização de competências das Câmaras para as freguesias, “desde que estas tenham meios para as exercer” e que daí resultem “melhores serviços” para as populações, afirmou o líder do seu grupo municipal, Artur Ribeiro. O socialista Gustavo Pimenta considera que “a lei é um conjunto de disparates”. “Até aqui, as câmaras podiam delegar competências, mas para tal tinham de celebrar protocolos. Esta lei impõe delegações”, observou, defendendo competências para as juntas mas “só com transferência de envelopes financeiros”. O presidente da Junta de Freguesia de Campanhã, Ernesto Santos (PS), considera que “a lei contém muitos

Póvoa de Varzim

Super corrida do Dia do Pai animou o Porto

Sexagenária resiste a queda do quinto andar

Treze mil orgulhosos participantes Cerca de treze mil participantes animaram aquela que foi um “Super” Corrida do Dia do Pai, promovida pela EDP Gás. Num dia que amanheceu com um sol prometor, cedo foram chegando à área circundante da zona de partida, famílias inteiras, para participarem nesta 11ª edição da EDP Gás Corrida Dia do Pai. Foi por isso num ambiente de muita alegria, que o padrinho da prova, Vítor Baía, e Luís Alves, Administrador Executivo da Porto Lazer e representante da Câmara Municipal do Porto, deram o tiro de partida. Estiveram igualmente presentes o responsável de Marketing da EDP Gás, José Syder, Aurora Cunha e Cláudia Jacques. E, dessa forma, começou um desfilar pela Avenida da Boavista e pela Avenida Brasil e Avenida Montevideu, de milhares de camisolas brancas com os corações de pai unidos à prática desportiva, numa celebração perfeita. Divididos em

CORRIDA. Nenhum filho que se preze quis perder a “Super” corrida do Dia do Pai duas vertentes 10 km e 7 km, com muitos a correr e muitos também a caminhar, uns de forma mais competitiva e outros apenas em convívio e a desfrutarem das magnificas vistas do mar e do parque da Cidade, num dia também ele magnifico e cheio de sol. A alegria e o convívio de famílias inteiras, teve como contraponto um grupo de mais de uma dezena de

presentes envenenados”. Acrescenta que a lei devia “dar não 180 dias mas 360 dias” para as câmaras e as freguesias acordarem quais as competências e os meios que vão ser transferidos. “Dos 180 dias, 150 estão passados e agora temos 30 dias. Tenho muito medo que tudo isto possa correr mal”, afirma Ernesto Santos. O social-democrata Alberto Machado, presidente da Junta de Freguesia de Paranhos, disse que “já houve uma reunião de partida” entre as juntas e a Câmara sobre este dossiê, mas também assinalou que resta “cerca de um mês” para um acordo entre as duas partes, que a lei aponta no seu artigo 133º. Nuno Ortigão, presidente da União de Freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, eleito pela lista independente Rui Moreira: Porto O Nosso Partido, realça que, nesta matéria, “está tudo em aberto”. Pode haver “economias de escala e melhor serviço de proximidade” se houver competências descentralizadas, resume, advertindo, contudo, que “ter mais competências, só por ter, não vale a pena”.

atletas de elite, que acabaram por definir o seguinte pódio final. No sector masculino, Rui Pedro Silva do Sport Lisboa e Benfica com 00:30:25, foi seguido por Bruno Jesus, da mesma equipa, com 00:30:49 e de Miguel Borges do Maia A.C/ GOSAUDE como 00:31:07. No sector feminino Leonor Carneiro do Maratona Clube de Portugal, atingiu o 1º lugar como 00:35:56

seguida de Marta Martins da Srª Desterro, com 00:36:37 e de Sónia Fernandes do S.L Benfica, com 00:37:20. Este quadro competitivo, que demonstram o grande equilíbrio que houve nos primeiros lugares, tanto num sector como no outro, reflete acima de tudo uma manha espetacular no que diz respeito à prática do atletismo e à prática do desporto.

Uma mulher, de cerca de 60 anos, caiu sábado de um quinto andar de um edifício na Avenida dos Banhos, na Póvoa de Varzim, enquanto estava a limpar as janelas da habitação. A vítima foi transportada, em estado grave, para o Hospital S. João, no Porto, onde permanece, com um traumatismo craniano e perfuração pulmonar. O acidente aconteceu durante a tarde da sábado, quando a mulher decidiu limpar as janelas exteriores, das traseiras do apartamento. Segundo Ilda Cadilhe, comandante dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Varzim, “a senhora desequilibrou-se e caiu para a parte de trás do edifício sob telhado das garagens”. Para prestar assistência à vítima acorreram ao local uma ambulância dos Bombeiros da Póvoa de Varzim, uma Viatura Médica de Emergência e Reanimação, de Famalicão, e uma viatura de Suporte Imediato de Vida, que transportaram a mulher para o Hospital de S. João, no Porto.


regiões

Segunda-feira, 17 de Março de 2014

O Primeiro de Janeiro | 3

Suspeitos do crime em Pinheiro Ramudo continuam a monte

Violência em Palmela Um morto e um ferido em estado crítico é o resultado de um tiroteio, na noite de sábado, numa quinta abandonada, em Palmela. Movimento aconselha

Linhas de alta tensão podem ir a tribunal

O Movimento Nacional Contra as Linhas de Alta Tensão em Zonas Habitadas desafiou, ontem, as populações e autarcas do Alto Minho a recorrerem aos tribunais para travar a construção de uma linha elétrica aérea para ligar a Espanha. “Providências cautelares para atrasar ao máximo o que se pode atrasar. Em Almada avançou-se em 2007 com uma ação judicial, a resposta veio este ano e a REN vai ter de alterar o traçado. Temos de estar todos os unidos”, afirmou Helena Carmo, dirigente deste movimento, durante uma sessão de esclarecimento à população em Gemieira, Ponte de Lima. Em causa está a construção de uma linha elétrica de 400 KV desde Fontefria, em território galego (Espanha), até à fronteira portuguesa.

Uma das vítimas do tiroteio ocorrido sábado à noite na zona de Pinheiro Ramudo, nos Olhos de Água, em Palmela, permanecia, ontem, internada em estado crítico, revelou o Hospital de São Bernardo, em Setúbal, para onde foi transferida uma das pessoas envolvidas no assalto violento. Além do ferido grave, um homem que aparenta ter cerca de 30 anos, foi também atingido a tiro de caçadeira um outro indivíduo, com cerca de 40 anos, que foi encontrado já cadáver. Segundo fonte da GNR, os dois crimes ocorreram cerca das 21h00, numa quinta abandonada em Pi-

Palmela. Tenente-coronel Jorge Goulão referiu que as duas vítimas não são os donos da quinta onde foram encontrados

nheiro Ramudo, tendo o alerta sido dado, ao que tudo indica, por uma das vítimas, que terá ligado para o 112, número nacional de emergência. De acordo com a GNR, na quinta abandonada foi encontrada uma viatura roubada sábado à tarde no Montijo, mas durante a madrugada de ontem as autoridades ainda não tinham estabelecido qualquer relação entre o roubo da viatura e a prática dos crimes. O tenentecoronel Jorge Goulão referiu que as duas vítimas não são os donos da quinta onde foram encontrados e que a polícia está a tentar localizar os proprietários do imóvel, que aparenta estar abandonado. Logo que foi dado alerta, a GNR estabeleceu um perímetro de segurança no local do crime e montou um forte dispositivo policial em Pinheiro Ramudo, mas os autores do crime continuam a monte, não se sabendo ainda se se trata de apenas um ou de mais indivíduos. O caso já está sob investigação da Polícia Judiciária de Setúbal.

Duas pessoas detidas no Algarve

550 quilos de haxixe

30 mil euros de tabaco ilegal apreendido

A Unidade de Controlo Costeiro da GNR anunciou, ontem, a apreensão de cerca de 550 quilogramas de haxixe dissimulados numa embarcação e deteve duas pessoas, em Vila Real de Santo António. Fonte do Controlo Costeiro da GNR explicou que a embarcação “estava a ser retirada da água na rampa de acesso ao porto de Vila Real de Santo António,

por um veículo todo-o-terreno de matrícula espanhola com um atrelado”, mas os dois homens que estavam a realizar essa operação “fugiram quando se aperceberam da aproximação” dos militares. “O que estava em terra soltou o atrelado do veículo e o que se encontrava na embarcação cortou a corda que estava a presa ao atrelado e um iniciou a fuga por terra e outro

Dentro do Estabelecimento Prisional de Sintra

A GNR da Guarda anunciou, ontem, a apreensão de tabaco avaliado em mais de 30 mil euros, durante uma operação que envolveu elementos daquela instituição e da espanhola Guardia Civil de Salamanca. Fonte do Comando Territorial da GNR disse que a mercadoria foi apreendida durante um controlo móvel realizado no sábado, ao fim da tarde, junto à cidade da Guarda. Durante a operação, que visou a fiscalização de veículos e de pessoas no âmbito rodoviário, ambiental, fiscal e criminal, as autoridades apreenderam 1.400 caixas de tabaco de enrolar, com 500 gramas cada unidade, e uma caixa de tabaco avulso com 260 quilogramas. “O tabaco encontrava-se em situação irregular, por não cumprir as formalidades legais, violando o Código dos Impostos Especiais de Consumo (CIEC)”, segundo a fonte. A GNR identificou uma mulher de 47 anos, residente na zona do Porto, como sendo a proprietária da mercadoria apreendida, que era transportada em dois furgões.

Detida a transportar 600 doses de droga A GNR deteve uma mulher por tentar introduzir, no sábado, mais de 600 doses de droga no Estabelecimento Prisional de Sintra. Segundo a GNR, a mulher de 30 anos transportavam 510 doses de haxixe, 65 doses de cocaína e 60 doses de heroína quando tentava entrava na prisão. Após o alerta dos serviços prisionais, os militares do subdestacamento territorial de Sintra abordaram a mulher que se fazia acompanhar por um filho menor que, depois de feita a revista de segurança, verificaram que a mesma transportava mais de 600 doses de drogas. A detida está sujeita a termo de identidade e residência e será ouvida hoje em tribunal.

pela água”, adiantou o capitão Bruno Cordeiro. A GNR iniciou nessa altura perseguições aos suspeitos, por terra e pelo rio Guadiana, tendo intercetado os dois homens e encaminhado a embarcação para a marina da cidade algarvia. Esta é a segunda apreensão que a Unidade de Controlo Costeiro da GNR de Vila Real de Santo António realiza este ano.


nacional

4 | O Primeiro de Janeiro

Segunda-feira, 17 de Março de 2014

Líder do PSD pretende corrigir “injustiças e assimetrias”

Acabar com “privilégios” na Justiça Passos Coelho diz que o Governo pretende corrigir as “injustiças” a “assimetrias” entre portugueses, dando como exemplo processos que prescreveram por terem grande visibilidade mediática. “Grande parte da nossa ação política destina-se precisamente a corrigir estas injustiças, estas assimetrias, estes acidentes ou os privilégios que ainda possam existir na sociedade portuguesa”, afirmou Passos Coelho, depois de aludir a “processos que tinham uma grande visibilidade mediática e acabaram por não ter decisão porque foram prescritos”. Sem quer fazer “qualquer observação em particular sobre esses processos”, Passos Coelho adiantou que “custa à maior parte dos portugueses admitir que isto aconteceu porque as pessoas que estavam envolvidas nos processos não eram pessoas simples, cidadãos anónimos”, sublinhando que “a maior parte das pessoas está convencida de que um cidadão comum não teria conseguido um desfecho destes nestes processos”.

PASSOS. O líder do PSD, partido que comemora 40 anos de existência, promete corrigir as “injustiças” do nosso sistema judicial Bem ou mal “ainda há uma perceção de injustiça na sociedade portuguesa, na forma como uns e outros são objeto de tratamento na justiça”, acrescentou o primeiroministro, admitindo haver “muitas reformas” que o Governo terá que executar e que este é o momento para todos aqueles que “querem conquistar o seu direito deixar um legado no futuro de maior esperança para os seus filhos ou para os seus netos” dizerem “presente”. Assinalando os 40 anos da democracia em Portugal Passos Coelho

recordou que dada a proximidade do fim do programa de assistência económica e financeira “é tempo de reparar algumas distorções”, nomeadamente na administração pública. Para “aqueles quem têm a perspetiva de progredir na sua carreira e de verem os seus esforços recompensados nós teremos que corrigir isso para futuro, ma deveremos fazê-lo de modo a não gerar novamente os desequilíbrios que estiveram na origem do nosso pedido de ajuda externa”. Como o fará Passos Coelho não adiantou, afirmando apenas que essa

correção terá que ser discutida e feita “com os pés bem assentes na terra” e vendo como se consegue “uma economia mais próspera que possa remunerar melhor”. Passos Coelho falava nas Caldas da Rainha, durante uma cerimónia evocativa do 16 de março, que ontem marcou o arranque das comemorações do 25 de Abril e dos 40 anos da criação do PSD. Para além do presidente do partido a sessão contou com a presença do militante número um e fundador do partido, Francisco Pinto Balsemão.

Mota Soares anuncia fundo de 30 milhões

Objetivo é ajudar instituições sociais O ministro do Emprego e Segurança Social anunciou a criação do Fundo de Reestruturação do Setor Solidário, no valor de 30 milhões de euros, para ajudar as instituições sociais que necessitem de assegurar a sua sustentabilidade financeira. O Fundo de Reestruturação do Setor Solidário (FRSS) vai passar a fazer parte do protocolo de cooperação entre o Governo e o setor social, cuja adenda ao documento celebrado em novembro de 2012 vai ser assinado na segunda-feira em São Bento, em Lisboa. A cerimónia de assinatura da adenda ao protocolo de Acordo Social entre o Governo e os três representantes do setor – a Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade, União das Misericórdias

Portuguesas e União das Mutualidades Portuguesa – vai contar com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, e do ministro Emprego e Segurança Social, Pedro Mota Soares. “Uma das matérias que passará a fazer parte do protocolo entre o Governo, a União das Misericórdias, a Confederação Nacional das Instituições Sociais e a União das Mutualidades é a criação de um Fundo de Reestruturação do Setor Solidário, com 30 milhões de euros, para ajudar as instituições que, do ponto vista da sua sustentabilidade, têm dificuldades”, explicou o ministro Pedro Mota Soares, à margem da meia maratona de Lisboa. Para o ministro, este fundo é “absolutamente inovador” e vai ser geri-

do pelas próprias instituições sociais. A adenda ao protocolo de acordo social compreende também a atualização da compartição financeira do Governo às instituições de solidariedade social, sendo, para 2014, um aumento de um por cento em relação ao ano passado. Segundo o ministro, a verba da ação social no âmbito dos acordos de cooperação ultrapassa, neste momento, os 1200 milhões de euros. “É muito importante para o Governo perceber que, mesmo num tempo de contenção orçamentar, se conseguiu fazer um pequeno aumento de um por cento nas verbas dos acordos de cooperação, mas também é muito importante ter novos instrumentos que ajudem à sustentabilidade das instituições sociais”, sustentou.

Pedro Mota Soares adiantou que o aumento de um por cento nas verbas dos acordos de cooperação demonstra a preocupação do Governo “em continuar permanentemente a estimular e ajudar as instituições sociais, que são essenciais para ajudar as famílias com mas dificuldades e carências”. “As instituições sociais em Portugal, num tempo de crise, são insubstituíveis do ponto de vista da resposta social”, disse, destacando a capacidade do Governo em “estabelecer uma parceria com estas instituições”. O ministro afirmou ainda que o Governo tem “a noção que grande parte do trabalho do estado social também acontece através das instituições sociais”, sendo, por isso, “essencial fortalecer estas instituições”.

Passos convida Seguro Para “estratégia de médio prazo”

Saída do resgate em cima da mesa

O primeiro-ministro convidou sexta-feira o secretário-geral do PS, António José Seguro, para analisar em conjunto o processo de conclusão do programa de assistência financeira e para a construção de uma “estratégia de médio prazo”. “De facto, a capacidade para encontrar um entendimento político alargado sobre esta estratégia pós-troika´ assume, neste contexto um relevo grande e pode beneficiar significativamente as perspetivas de crescimento e emprego para a economia portuguesa e para os portugueses”, sublinhou Passos Coelho. Na carta, datada de sexta-feira e divulgada ontem à Ccomunicação Social, o primeiro-ministro propõe que a reunião se realize “tão breve quanto possível” para “analisar em conjunto o processo de conclusão do Programa de Assistência e a construção de uma estratégia de médio prazo” com os contornos que apontou. O primeiro-ministro começou por salientar que as “sucessivas e bem sucedidas avaliações trimestrais realizadas” bem como a “progressiva melhoria das condições de acesso a financiamento de mercado” permitem ao Governo acreditar que o país concluirá “favoravelmente o programa de assistência”. No entanto, assinalou, “os termos e condições em concreto” que marcarão o fim do processo dependerão, em grande medida, “da capacidade portuguesa para apresentar uma estratégia pós-troika”. Esta estratégia “pós-troika” deve incluir “uma estratégia orçamental de médio prazo que ancore de forma robusta as perspetivas de disciplina orçamental compatíveis quer com o tratado de estabilidade, coordenação e governação, quer com os objetivos assumidos com a Comissão Europeia” no que respeita à redução do défice orçamental e à sustentabilidade da dívida pública. “Também a avaliação e monitorização das reformas estruturais já levadas a cabo e a identificação de aspetos e áreas relevantes para um crescimento económico sustentado e inclusivo constituem pontos estratégicos de uma visão de futuro para além de cada ciclo governativo”, concluiu o primeiro-ministro.


Segunda-feira, 17 de Março de 2014

economia

O Primeiro de Janeiro | 5

Passos Coelho recebido por Angela Merkel em altura decisiva para Portugal

Saída do programa discutida em Berlim Amanhã, primeiro ministro português e chanceler alemã têm almoço de trabalho que pode definir opções nacionais para sair da crise. “Entraves” nas importações da China

Queixas em Sines Representantes de importadores que operam em Sines queixam-se de “entraves” colocados pela alfândega às importações da China, que levaram ao desvio de mercadorias para países mais “permissivos”, e afirmam que os prejuízos resultantes da situação vão prolongar-se no tempo. Em comunicado, os responsáveis explicaram que os novos procedimentos aduaneiros relativos ao desalfandegamento de mercadorias provenientes da China foram introduzidos, “inesperadamente”, na alfândega de Sines no dia 19 de fevereiro, sem que tivesse havido um “pré-aviso”. Um dos procedimentos consistia em remeter os contentores “sistematicamente para verificação física”, o que funcionou como um fator “bloqueador das importações”, pela demora e pelo congestionamento. Fernando Coelho, despachante oficial que representa empresas importadoras, como a Mercatus Europaeus Logistic, afirmou que, enquanto esta situação decorria em Sines, noutras alfândegas comunitárias, como a de Perpinhã, em França, as importações continuaram a ser feitas “sem qualquer problema”. O Ministério das Finanças, que tutela a Autoridade Tributária e Aduaneira, e a Administração dos Portos de Sines e do Algarve recusaram fazer comentários sobre o assunto.

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, vai ser recebido, amanhã, em Berlim, pela chanceler alemã, Angela Merkel, num encontro no qual será abordada a saída de Portugal do programa de assistência financeira, que se encontra já na reta final. O almoço de trabalho ocorre a já menos de dois meses da data prevista para a conclusão do «resgate» – 17 de maio -, pelo que se espera que a reunião seja dominada pela forma de saída de Portugal do programa e regresso aos mercados, numa altura em que o Governo ainda não decidiu se solicitará aos seus parceiros uma linha de crédito cautelar ou se opta pela chamada «saída limpa» (sem qualquer apoio), como fez a Irlanda, em dezembro último. A questão será discutida agora ao mais alto nível, entre o chefe de Governo e a chanceler, depois de, na semana passada, já ter sido abordada, igualmente em Berlim, pelos chefes de diplomacia dos dois países, por ocasião de uma visita do ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Machete, à Alemanha. Na passada segunda-feira, Rui Machete apontou que foram discutidas “as várias soluções” para o pós-troika, mas indicou que “não se definiram posições nem da Alemanha nem de Portugal”. “Referiu-se o problema, identificaram-se as questões. Tive ocasião de informar quais são, na nossa opinião, as vantagens e as desvantagens das diversas soluções. Não manifestei nenhuma preferência nem foi manifestada nenhuma preferência pela Alemanha. Foram inventariados os aspetos vários que cada uma das soluções comporta, todas têm aspetos positivos e menos positivos”, afirmou o ministro. No mesmo dia, mas em Bruxelas, a ministra das Finanças, no final de uma reunião do Eurogrupo, admitiu que a decisão do Governo sobre a forma de saída do pro-

grama de assistência seja tomada apenas em maio, apontando que não há qualquer data fixada com os seus parceiros. Maria Luís Albuquerque lembrou que “a data de conclusão (do programa) é 17 de maio”, pelo que a decisão será “seguramente antes dessa data”, mas indicou que poderá ser comunicada ao Eurogrupo tanto na reunião agendada para 01 e 2 de abril em Atenas, como na seguinte, que terá lugar em Bruxelas a 5 de maio. Além da questão da saída do programa, Angela Merkel e Passos Coelho deverão abordar outros assuntos europeus e de atualidade, como é o caso da situação na Ucrânia, já discutida ao nível de chefes de Estado e de Governo da União Europeia numa cimeira extraordinária a 6 de março passado, mas cujos desenvolvimentos a UE continua a acompanhar com preocupação. Passos Coelho participará ainda numa conferência organizada pelo jornal Die Welt, antes de regressar a Lisboa. ELOGIOS E CONSELHOS

Crise. Almoço de trabalho entre Passos Coelho e Merkel ocorre a já menos de dois meses da data prevista para a conclusão do «resgate» da «troika»

BANCO MUNDIAL ALERTA

“Homofobia custa milhares de milhões de euros”

A discriminação e exclusão de lésbicas, gays, bissexuais e transgéneros pode ter custos económicos de milhares de milhões de euros, segundo os resultados preliminares de um estudo promovido pelo Banco Mundial. Os resultados da pesquisa, que escolheu a Índia como caso de estudo, foram debatidos por um painel de especialistas, organizado pelo Banco Mundial esta

semana, numa altura em que vários países estão a reforçar legislação sobre orientação sexual que reprime as minorias sexuais. Na Índia, onde o comportamento homossexual é criminalizado e não existe legislação que proteja os direitos das minorias sexuais, os custos económicos da homofobia podem chegar aos 22 mil milhões de euros, segundo as estimativas preliminares, apresentadas pela economista Lee Badgett. O objetivo do Banco Mundial com este estudo é “medir o custo de excluir as minorias sexuais”.

A Alemanha tem sido um dos parceiros da União Europeia mais atentos ao evoluir da situação económica portuguesa e às políticas seguidas pelo Governo de Lisboa, mantendo um discurso marcado, sobretudo, por elogios e recomendações. A 18 de dezembro de 2013, “sinais de progresso” foi a expressão escolhida pela chanceler para falar de Portugal durante o seu primeiro discurso após tomar posse para um terceiro mandato, conquistado em setembro desse ano. Dias mais tarde em Bruxelas, e após o chumbo do Tribunal Constitucional português do regime de convergência de pensões, a líder alemã voltava a manifestar a sua confiança na atuação do executivo português. Ressalvando que “obviamente” não ia “interferir nos assuntos internos” do país, Merkel avançou que estava “muito confiante” que Portugal ia lidar com a situação “de uma forma muito responsável” e que iria encontrar “uma forma de resolver estes problemas”. O ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, tem sido outra das vozes germânicas a referenciar a situação portuguesa.


6 | O Norte Desportivo

futebol

Segunda-feira, 17 de Março de 2014

Novas regras retiram segundo lugar a Ricciardo em dia negro da Red Bull

Rosberg vence primeiro GP da «revolução» DR

Piloto alemão conquistou prova da Austrália. «Rookie» alcançou o segundo posto, mas perdeu o lugar na secretaria. O piloto alemão Nico Rosberg (Mercedes) conquistou, ontem, o Grande Prémio da Austrália, o primeiro da temporada e da nova era tecnológica da Fórmula 1, com o tetracampeão mundial, Sebastian Vettel, a desistir de uma prova que ficou marcada pela polémica. Com o novo motor V6 Turbo (1,6 litros), que substituem os V8 (2,4), com tecnologia híbrida, o Red Bull do alemão deu muitos problemas ao longo da pré-temporada e ontem aguentou apenas cinco voltas, mais duas do que o britânico Lewis Hamilton (McLaren), que tinha conseguido a «pole position». “Tivemos um problema no motor, não tem potência. Toda a unidade de potência é disfuncional e assim não podemos correr. Na sexta-feira conseguimos um bom ritmo com o carro, mas hoje tivemos um problema com o motor”, admitiu Vettel, que considerou o arranque da época “dececionante”. Quem aproveitou da melhor maneira foi Rosberg, que dominou toda a corrida, levando o Mercedes ao triunfo, com 24,5 segundos de avanço sobre o australiano Daniel Ricciardo, na sua estreia pela Red Bull, que, porém, não acabou o dia a sorrir. “Arranquei como uma flecha de prata [alcunha da Mercedes] e depois disso o carro esteve muito rápido hoje [ontem]. Toda a equipa fez um grande trabalho no carro”, disse o alemão. Na terceira posição, a 26,7 de Rosberg, ficou o estreante Kevin Magnussen, da McLaren, tornando-se no primeiro dinamarquês a conseguir um pódio na fórmula 1. “Se olhar para trás para onde estávamos há três semanas, isto excedeu as minhas expectativas”, disse Ricciardo, lembrando os problemas que a Red Bull tem tido com os novos motores. Para Magnussen, vencedor da World Series By Renault na última temporada, o pódio na estreia no

“grande circo” sabe como uma vitória. “Não consigo acreditar. Não foi uma vitória, mas sabe como uma. A equipa vinha de uma época muito complicado, mas fez este estreante sentir-se muito confortável”, disse. Numa corrida terminada por 14 dos 22 carros que partiram, o britânico Jenson Button (McLaren) foi quarto e o espanhol Fernando Alonso (Ferrari) foi quinto. “Não é um pódio, que seria uma incrível forma de começar, mas temos mais 10 pontos do que Vettel e Hamilton, é uma maneira positiva de ver a corrida”, disse o piloto da Ferrari. Logo na primeira volta, o brasileiro Felipe Massa e o japonês Kamui Kobayashi tiveram um acidente que os afastou da corrida, num incidente que ainda está a ser investigado pelos comissários de prova. Dia terrível para a Red Bull

Austrália. Fórmula 1 regressou com polémica: Ricciardo foi penalizado por não ter cumprido as novas regras de uso de combustível

Vitórias queniana e etíope

Africanos dominam meia maratona de Lisboa

O queniano Bedan Karoki venceu, ontem, isolado a prova masculina da meia maratona de Lisboa, com a etíope Worknesh Debele a conquistar a corrida feminina, decidida nos metros finais. Na sua estreia na distância, Kairoki concluiu a prova em 59.58 minutos, com o pódio da meia maratona a ser completado por mais dois quenianos, Silas Kipruto

(1:00.17 horas) e Ezequiel Chebii (1:00.50). O australiano Michael Shelley foi o primeiro não africano a concluir a prova, na 10.ª posição, em 1:02.58 horas, com o sportinguista Hermano Ferreira a ser o melhor luso, no 17.º lugar, em 1:05.37. Na prova feminina, Worknesh Debele foi a mais forte, concluindo a prova em 1:08.46 horas, sendo apenas uma das três atletas do top-10 que não era queniana, tal como a italiana Valeria Straneo, sexta em 1:09.47, e a portuguesa Ana Dulce Félix (Benfica), 10.ª.

Porém, após o final da corrida, o australiano Daniel Ricciardo foi desclassificado e perdeu o segundo lugar conquistado. Numa prova para esquecer para a Red Bull, dominadora dos últimos mundiais, Ricciardo foi penalizado por não ter cumprido as novas regras de uso de combustível. A McLaren acabou por ser a grande beneficiada desta decisão, uma vez que coloca os seus dois carros no pódio, com o estreante Kevin Magnussen, o primeiro dinamarquês a alcançar um top-3 na fórmula 1, a ser segundo e o britânico Jenson Button, antigo campeão do Mundo. Deste modo, numa corrida ganha pelo alemão Nico Rosberg (Mercedes), o espanhol Fernando Alonso (Ferrari) subiu ao quarto lugar, seguido do finlandês Valteri Bottas (Williams), do alemão Nico Hulkenberg (Forde India), do finlandês Kimi Raikonnen (Ferrari) e do francês Jean-Eric Vergne (Toro Rosso). Na nona posição, o russo Daniil Kvyat (Toro Rosso) tornou-se no mais novo de sempre a pontuar, com 19 anos e 324 dias, menos 25 do que os que tinha Vettel quando pontuou pela primeira vez. Com a desclassificação de Ricciardo, o mexicano Sérgio Perez (Force India) fechou os lugares pontuáveis, na 10.ª posição. A segunda prova do Mundial disputa-se a 30 de março, em Kuala Lumpur, Malásia.

Frente à “grande equipa” que é o Benfica

Nacional quer pontuar O treinador do Nacional, Manuel Machado, não poupa elogios aos Benfica, mas garante que a sua equipa quer vencer o encontro de hoje, na Choupana. “O Benfica é uma equipa recheada de bons jogadores em todos os setores, joga com um modelo diferente, assente num 4x4x2 muito bem trabalhado, tem um comando técnico com quase cinco anos e grandes jogadores em todos os setores”, enumerou Manuel Machado, em conferência de imprensa. O treinador reconheceu que a tarefa da sua equipa não será fácil e, depois de endereçar os parabéns ao Benfica, “pelo grande trabalho e resultado feito frente ao Tottenham”, na quinta-feira, na Liga Europa, estabeleceu as diferenças que considera existir entre as duas equipas. “O Benfica tem um plantel categórico e o Nacional é um pequeno clube com poucos meios financeiros, mas que luta por uma posição europeia, está no quinto lugar e deseja manter-se nessa posição até ao fim do campeonato”, explicou. “Sabemos que não é fácil, mas os resultados dos nossos concorrentes diretos foram-nos favoráveis e o jogo com o Benfica poderá ser importante se pontuarmos”, analisou. O Nacional defronta, hoje, (20h00) o líder Benfica, com 55, em jogo relativo à 23.ª jornada da I Liga.


Segunda-feira, 17 de Marรงo de 2014

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O Primeiro de Janeiro | 7


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O PRIMEIRO DE JANEIRO, está on line e sempre atualizado em: www.oprimeirodejaneiro.pt

REFUGO DE ABRIL. PORTUGAL ESTÁ DOENTE. Há senhores muito importantes neste cantinho à beira mar desgraçado. Agarraram-se ao poder das várias organizações e lá vão ficando dezenas de anos saltando de umas para outras. Claro que à custa do dinheiro dos contribuintes. São autênticos parasitas do sistema e mais uma dificuldade para todos aqueles que sonham fazer alguma coisa pelo País. Alguns, para conseguirem os seus intentos até Gustavo Pires* dizem que são engenheiros e doutores sem nunca terem concluído qualquer licenciatura. Limitam-se a ocupar os lugares. Nada fazem, mas quando fazem, como não estão habituados a fazer, sai necessariamente asneira. Ora, sendo eles os principais responsáveis, apressam-se a escovar a água do capote. A culpa é dos outros. Ou até do mensageiro. Esta gente custa demasiado dinheiro aos contribuintes mas, mesmo assim, julga-se superior a qualquer crítica. Não a críticas pessoais na medida em que ninguém tem nada a ver com as suas vidas, mas a críticas relativas à sua performance enquanto gestores diretos ou por delegação de dinheiros públicos. Suas excelências sentem-se no direito de fazer o que muito bem entendem porque se julgam protegidos das críticas pelas estruturas partidárias a que estão invariavelmente ligados. Fazem parte de uma oligarquia que tomou conta do País e das suas organizações públicas e civis. A referida oligarquia é transversal a todos os partidos, quer dizer, do Partido Comunista ao Partido Popular passando, claro está, pelo omnipresente PSD. Em conformidade, as listas para a generalidade das organizações da sociedade civil são feitas na base do consenso político partidário para, depois, passam a funcionar na base de troca de favores em que todos coçam as costas uns aos outros. Reconheço que esta gente nada tem a ver com o verdadeiro ideário dos partidos de que se diz militante. A generalidade das gentes dos partidos são pessoas de bem. Contudo, há demasiada gente em Portugal que só faz parte dos Partidos para conseguirem oportunidades de vida. Estes senhores, na sua hipersensibilidade, quando são criticados por incompetência como não sabem o que é democracia perdem a cabeça e começam a lançar ameaças pessoais para todos os lados: que matam, que esfolam, que acusam, que processam porque os tribunais são hoje um instrumento nas mãos desta gente que, à custa do dinheiro das organizações que dizem servir, se utilizam deles para ameaçar o próximo. Claro que são uns covardes porque se servem de dinheiro público para atacar aqueles que legitimamente os criticam. Um conhecido meu, habituado a andar à chuva sem se molhar e, por isso, bem informado, aconselha a que se tenha cuidado. Não sei se o aviso é de iniciativa própria ou simplesmente encomendado. O que sei é que não os devemos temer desde logo porque a força da razão está do lado daqueles que pensam ser possível construir um país com instituições democráticas, competentes e justas. Claro que reconheço que a sorte dos portugueses é Portugal não ser a Coreia do Norte porque senão já estava muita gente presa e a ser torturada com requintes de malvadez. Apesar disso, infelizmente, hoje, demasiadas organizações do País são geridas por uma espécie de refugo de Abril. Portugal está doente.

Jardim cumpre hoje 36 anos no Governo Regional da Madeira

“Relacionamento difícil” com a República Alberto João Jardim cumpre hoje 36 anos à frente do Governo Regional da Madeira e diz que ao longo deste tempo “o mais difícil foi o relacionamento com a República”. Num entrevista concedida à agência de notícias Lusa, Albero João Jardim começa por reconhecer: “O mais difícil foi o relacionamento com a República, mais difícil do que com a própria União Europeia”. O líder madeirense faz, assim, um balanço no relacionamento, quer com o Governo da República, quer com o partido a nível nacional. “A cultura portuguesa é, ainda, uma cultura de império. É natural, são quase seis séculos de império e, de repente, aparecer regiões autónomas sem haver qualquer tradição de descentralização política numa história portuguesa de quase nove séculos, obviamente que isto cria dificuldades que, mais do que políticas, têm raízes culturais”. “A maior parte das dificuldades foi aí, a luta permanente que é preciso travar com Lisboa para se poder afirmar os direitos do povo madeirense”, conta, sublinhando: “E, mesmo assim, não se consegue tudo o que se pretende”. No que diz respeito à relação com as estruturas nacionais do partido, Jardim

considera que “os problemas começaram à medida que a Maçonaria foi ganhando força em Portugal e, a certa altura, com a tomada de posse da atual coligação no poder, mobilizaram-se esforços contra a minha pessoa, principalmente com alianças, aqui, na Madeira, apoiados também por pessoas que não olham a meios para atingir os seus fins”. “Juntaram-se todos à esquina a tocar a concertina e, aí, temos esta música contra mim”, ironiza. Confrontado se os madeirenses não poderão estar “magoados” com a sua governação que levou a Madeira a uma dívida pública de 6,3 mil milhões de euros, o governante madeirense responde que “não havia outra solução”. “A política é saber aproveitar as oportunidades no tempo certo e enquanto foi possível, porque havia massa financeira disponível, aproveitar as oportunidades, mesmo recorrendo a dívida pública, fez-se tudo o que se podia fazer”, declara, assegurando que “se não se tivesse feito, hoje não se podia fazer, hoje o madeirense não tinha a qualidade de vida que tem”. Alberto João Jardim argumenta que “quando falta liquidez na banca, falta automaticamente também para quem faz uma

política recorrendo à dívida pública” e, daí, quando foi assinado o Programa de Assistência Financeira a Portugal por parte do Banco Central Europeu, do Fundo Monetário Internacional e da União Europeia, o Governo Regional decidiu igualmente recorrer a um Programa de Assistência para “consolidar” as suas finanças. “Tudo natural”, destaca. Há 36 anos, na tomada de posse, Jardim dizia que “a Madeira será o que os madeirenses quiserem”. Volvido este tempo, o chefe do executivo regional adverte: “no dia em que os madeirenses caírem na asneira de se entregar nas mãos dos interesses que antes os humilharam e os exploraram, a Madeira está desgraçada, mas a culpa foi também dos madeirenses que aceitaram isso. Eu tenho sempre razão, a Madeira será aquilo que os madeirenses quiserem”. Politicamente a Madeira é, desde 1976, uma Região Autónoma, dotada de um Estatuto Político-Administrativo e de órgãos de Governo Próprios: a Assembleia Regional e o Governo Regional. O Estado Português é representado na região por um Representante da República.

Convite de Passos Coelho não passou despercebido…

PS garante resposta “muito em breve” O PS garante uma resposta “muito em breve” ao convite do primeiro-ministro para que António José Seguro analise em conjunto o processo de conclusão do programa de assistência financeira e para a construção de uma “estratégia de médio prazo”. “Confirmamos que recebemos a carta, a qual terá resposta muito em breve”, revelou fonte da direção do Partido Socialista. O primeiro-ministro enviou sexta-feira

uma carta ao líder do PS, convidando-o para reunirem e analisarem “em conjunto o processo de conclusão do programa de assistência financeira e para a construção de uma “estratégia de médio prazo”. “De facto, a capacidade para encontrar uma entendimento político alargado sobre esta estratégia pós-’troika’ assume, neste contexto um relevo grande e pode beneficiar significativamente as perspetivas de crescimento e emprego para

a economia portuguesa e para os portugueses”, sublinhou Passos Coelho. Na carta, datada de sexta-feira e divulgada ontem à Comunicação Social, o primeiroministro propõe que a reunião se realize “tão breve quanto possível” para “analisar em conjunto o processo de conclusão do Programa de Assistência e a construção de uma estratégia de médio prazo” com os contornos que apontou.

Referendo na Crimeia favorável com 93% dos votos

Aprovada a reunificação com a Rússia Os habitantes da Crimeia aprovaram em referendo, com 93 por cento dos votos, a reunificação com a Rússia, segundo uma sondagem à boca das urnas do Instituto para Investigação Política e Sociológica daquela república autónoma ucraniana. “Noventa e três por cento dos residentes na Crimeia apoiam a reunificação da Crimeia com a Rússia, sete por cento pronunciaram-se a favor do estatuto autónomo da Crimeia dentro da Ucrânia”, indicaram as autoridades separatistas da Crimeia, citadas pela agência de notícias francesa, AFP. O primeiro-ministro pró-russo da Cri-

meia, Serguii Axionov, saudou a decisão “histórica” expressa no referendo. “Obrigado a todos quantos participaram no referendo e fizeram a sua escolha. Hoje, tomámos uma decisão muito importante que ficará para a história”, declarou Axionov na sua conta da rede social Twitter. O referendo, cujas duas perguntas eram “Aprova a reunificação da Crimeia com a Rússia como membro da federação da Rússia?” e “Aprova a restauração da Constituição da Crimeia de 1992 e o estatuto da Crimeia como fazendo parte da Ucrânia?”, é considerado ilegal pelas novas autoridades de Kiev e pela maioria da comunidade inter-

nacional. Só Moscovo defende que se trata de uma consulta “legítima”. Seis décadas após a decisão unilateral do então dirigente soviético Nikita Khrushchev de anexar à Ucrânia a região tradicionalmente russa, as respostas às duas questões colocadas aos eleitores da Crimeia no referendo de hoje poderão definir por muito tempo as relações entre Rússia e ocidente. Cerca de 1200 assembleias de voto estiveram abertas em toda a Crimeia entre as 08h00 (06h00 em Lisboa) e as 20h00 (18h00 em Lisboa). O resultado do referendo será validado se a taxa de participação ultrapassar os 50%.

Primeiro-ministro da Ucrânia deixa apelo à comunidade internacional

Envio urgente de observadores estrangeiros Apesar de Moscovo e Kiev terem assinado ontem, dia do referendo na Crimeia, uma trégua na região até ao próximo dia 21, Arseniy Yatsenyuk, primeiro-ministro da Ucrânia, apelou ontem ao envio “urgente” de observadores estrangeiros para as regiões Este e Sul do país, na sequência das pressões na Crimeia para passar a integrar a Rússia. Numa declaração divulgada e citada pela APF, o Governo de Kiev diz ter “pedido que a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE) envie urgente-

mente uma missão de monitorização à Ucrânia”. “O seu mandato deverá incluir o Este e o Sul da Ucrânia, incluindo a Crimeia”, refere Yatsenyuk, numa altura em que naquela península do Mar Negro decorre um referendo para decidir o eventual regresso do território à Rússia. “Espero que esta decisão possa ser analisada numa sessão extraordinária da OSCE”, acrescentou Yatsenyuk. Mais de 50 observadores da OSCE, sediada em Viena, tentaram já entrar na Crimeia, há cerca de duas semanas, com o objetivo de acalmar a tensão naquela região autónoma,

mas foram impedidos de o fazer em vários postos fronteiriços. As tensões que começaram naquela região do Sul da Ucrânia alargaram-se, nos últimos dias, à zona Este do país, com grupos pró-Moscovo a reclamarem também a realização de um referendo para votar a integração na Rússia. O ministro da Defesa ucraniano, Igor Tenyukh, à saída da reunião do Conselho Ministros, adiantou ainda que as tropas da Ucrânia na Crimeia permanecem em alerta máximo, mas que a situação no terreno estava calma.

17 03 2014  
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