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FC PORTO RECEBE PENAFIEL CAMPEÕES NACIONAIS QUEREM REGRESSAR ÀS VITÓRIAS NA TAÇA DA LIGA

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Director: Angela Amorim | Distribuição Gratuita | www.edvsemanario.pt |

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Diretor: Rui Alas Pereira | ISSN 0873-170 X |

DIÁRIO NACIONAL

Ano CXLVI | N.º 30

Terça-feira, 15 de janeiro de 2014

SINDICATOS APERTAM O CERCO AO RETIFICATIVO DO GOVERNO

!LEGAL

n O líder da CGTP, que ontem reuniu com os partidos da oposição, lamentou que o Governo “continue a pautar a sua intervenção” pela violação da Constituição. “Este é um Governo fora da lei e, por isso, não merece continuar a governar”, destacou Arménio Carlos. A UGT também se mostra disponível para “adoptar todas as formas de luta” no combate à CES...

VESTUÁRIO DETOX

CONTAS

Tribunal alerta para o risco de aumentar a despesa

CRESCIMENTO Ministro Pires de Lima diz que 2014 vai ser “um ano bom”

EDUCAÇÃO

Nuno Crato admite vincular aos quadros mais professores contratados

n Greenpeace deteta substâncias tóxicas em roupas infantis de várias marcas internacionais

BRAGA

GNR vai investigar caso de suicídio do aluno de 15 anos


2 | O Primeiro de Janeiro

local porto

Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

Presidente Nuno Ortigão defende

Cantinas escolares

Mercado da Foz “ precisa de uma viragem” Inaugurado há 70 anos, o mercado da Foz, no Porto, “precisa de uma viragem”, uma mudança que deverá passar por obras de requalificação que o transformem num local mais atrativo.

O mercado da Foz, inaugurado no dia 15 de janeiro de 1944, foi durante alguns anos local onde os lavradores da zona escoavam os produtos que cultivavam nos seus campos. O espaço comercial, que em 1953 passou da Câmara do Porto para a junta de freguesia da Foz do Douro, conta atualmente com 32 lojas e um quiosque. O presidente da União de freguesias de Aldoar, Foz do Douro e Nevogilde, Nuno Ortigão, pretende que estes 70 anos do mercado, assinalados hoje com a inauguração de uma nova loja no espaço, “marquem a sua viragem”. “Conseguimos que o mercado seja rentável, apresenta resultados positivos, mas tem um potencial brutal” que não deve ser desaproveitado, disse Nuno Ortigão. A primeira medida a tomar é renovar todo o saneamento no mercado, sendo que em abril deverá estar concluído o estudo e orçamento dessa empreitada. No curto prazo, destacou, também a cobertura deverá ser mudada, sendo que a ideia

MERCADO DA FOZ. Para comemorar o 70.º aniversário hoje é inaugurada uma nova loja comercial é apostar no mercado de frescos, “com preferência para pequenos negócios familiares, alguns deles já existentes na União de freguesias, de modo a privilegiar os negócios de pequenos empreendedores”. Mas o espaço deverá ser um mercado mais urbano, onde bancas de frescos, de produtos gourmet, pequenos restaurantes e outras lojas convivam em harmonia. Nuno Ortigão referiu que “as lojas que atualmente têm clientes têm uma fidelização muito grande” e que esta dinâmica deve continuar, mas

que interessa também atrair novos clientes e públicos. “Isto já começa um pouco a acontecer, porque no espaço de um ano abriram cinco novas lojas”, sublinhou, adiantando que não serão aceites novos lojistas até estar completamente definida toda a renovação do mercado. A junta pretende ainda a curto/ médio prazo estudar e implementar um novo regulamento, que permita alargar o horário de funcionamento do mercado, bem como novos expositores para os frescos e uma nova sinalética exterior, “que in-

forme os lojistas existentes e o seu horário”. O movimento do mercado começou a decair em 1953, assim que muitos lavradores abandonaram o local, porque os seus campos na Foz foram dando lugar a construções. O mercado acabou por ser entregue à junta em regime de concessão, a 01 de outubro de 1953, por força dos locatários, que fizeram uma petição para que o órgão autárquico se interessasse pelo espaço e assim evitasse o seu encerramento.

Presidente da Câmara de Gaia anuncia novo programa

Combate ao desemprego avança em fevereiro A câmara de Gaia vai avançar já em fevereiro com um programa de combate ao desemprego através da atribuição de 300 mil euros entregues a este município pelo Governo no âmbito do Contrato Local de Desenvolvimento Social (CLDS+). “Tão ou mais importante do que a taxa de desemprego são as variáveis que explicam o próprio desemprego. O desemprego em Gaia é muito produto de um conjunto de handicaps dos desempregados e da perda de postos de trabalho”, explicou o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, após a reunião cama-

rária privada que se realizou no concelho. Admitindo que Gaia regista uma das taxas de desemprego mais elevadas do país, o executivo da Câmara Municipal decidiu destinar os 300 mil euros atribuídos pelo Governo a este município (CLDS+) a um programa de combate ao desemprego que terá duas vertentes: melhoria de qualificações dos desempregados e cativação de empresas para Vila Nova de Gaia. Este programa, que Eduardo Vítor Rodrigues acredita que já estará no terreno no início de fevereiro, mereceu o voto favorável

de toda a vereação, tendo sido aprovado por unanimidade. As primeiras zonas de Gaia a serem alvo deste programa serão áreas ribeirinhas em Oliveira do Douro, Avintes e Arnelas. “Aí nesse núcleo estamos com mais de 50 mil pessoas”, referiu o presidente da Câmara de Gaia. Formação, “com uma lógica de estágios” e desenvolvimento de um trabalho psicossocial com as famílias são algumas das vertentes deste programa da autarquia de Gaia que quer também, trabalhar outros condicionantes como a autoestima, através, por exemplo, de atividades de valorização.

Santo Tirso investe 425 mil euros

A Câmara de Santo Tirso vai investir 425 mil euros na gestão das cantinas das escolas e no prolongamento de horários dos jardins-de-infância deste concelho durante 2014, adiantou a autarquia, após reunião de executivo camarário liderado pelo PS. “Da verba total anunciada para investimentos na área da educação, cerca de 232 mil euros dizem respeito à gestão dos refeitórios escolares e 192 mil referem-se ao prolongamento de horário nos jardins-deinfância”, explica a nota da autarquia. Estas medidas visam assegurar o programa Componente de Apoio à Família (CAF) e ambas foram aprovadas ontem, em reunião de câmara, por unanimidade. A oposição considerou, conforme refere o líder da coligação PSD/PPM Alírio Canceles, que “se trata apenas de medidas normais e simples que não resultam de uma aposta específica da Câmara, mas sim de normais transferências de competências”. Ambas as medidas resultam em protocolos estabelecidos com associações de pais e juntas de freguesia. A autarquia estima que sejam fornecidas, entre janeiro e agosto, nas escoas de Santo Tirso, refeições a 700 crianças.

Despiste de uma viatura na ponte da Arrábida

Acidente provocou fila de trânsito de 13 quilómetros

A circulação rodoviária só ficou normalizada cerca das 10h00 nos acessos ao Porto e a Gaia pela ponte da Arrábida, informou fonte da GNR do Porto. Um despiste de uma viatura no tabuleiro da ponte, que cortou as faixas mais à esquerda dos dois sentidos, provocou ontem de manhã “fortes constrangimentos” no trânsito. Segundo fonte da GNR, às 09h30, no sentido Gaia/ Porto a fila de trânsito chegou a ter 13 quilómetros. O acidente ocorreu cerca das 08h30, ao quilómetro 303 da autoestrada A1, sentido Gaia/Porto, tendo o veículo galgado o separador central.


regiões

Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

O Primeiro de Janeiro | 3

Jovem de 15 anos seria vítima de «bullying» em escola de Braga

GNR investiga suicídio Aluno de 15 anos suicidou-se no sábado, tendo alegadamente deixado bilhetes em que se queixava de ser vítima de «bullying». Câmara de Almada

“Sem dívidas vencidas no final de 2013”

O município de Almada terminou 2013 sem dívidas vencidas a fornecedores e empreiteiros, num ano em que efetuou pagamentos de 104 milhões de euros e alcançou uma execução orçamental global de cerca de 90%. “Os resultados traduzem a manutenção de uma grande capacidade de execução, assente na prática de uma gestão de rigor e no estrito cumprimento das normas orçamentais, mantendo neste quadro de grande realização e atividade, a profunda preocupação social ao nível da execução das políticas municipais”, frisou, ontem, o presidente da câmara, Joaquim Judas (CDU). O balanço do exercício de 2013, ano que terminou com um “saldo de gerência positivo”, foi apresentado pelo executivo municipal, na Costa de Caparica.

A GNR vai investigar um alegado caso de «bullying» na Escola EB 2,3 de Palmeira, Braga, que poderá ter estado na origem do suicídio de um aluno de 15 anos, revelou, ontem, um elemento daquela força. A fonte garantiu que não chegou à GNR qualquer queixa dos pais ou dos responsáveis da escola, mas sublinhou que essa não é condição «sine qua non» para o avanço das investigações, porque o crime de violência escolar, que inclui o «bullying», é público. “Vamos, através da nossa Secção de Programas Especiais, averiguar o caso agora tornado público”, acrescentou. Segundo o Correio da Manhã, um aluno de 15 anos suicidou-se no

Braga. GNR investiga suicídio de aluno de 15 anos, que alegadamente terá deixado bilhetes onde dizia ser vítima de «bullying»

sábado, tendo alegadamente deixado bilhetes em que se queixava de ser vítima de «bullying». Um amigo contou àquele jornal que uma vez o referido aluno foi mesmo despido no recreio da escola. O novo crime de violência escolar, aprovado em outubro de 2010, na generalidade, em Conselho de Ministros, é punido com pena de um a cinco anos de prisão, segundo anunciou, na altura, a então ministra da Educação, Isabel Alçada. No caso dos menores de 16 anos, são aplicadas, em alternativa, medidas tutelares educativas, já que estes jovens são “inimputáveis para efeitos da lei penal” portuguesa. Quanto aos restantes agressores, a moldura penal é semelhante à aplicada nos casos de violência doméstica. O crime de violência escolar inclui intimidações, agressões, assédios de natureza física ou psicológica e atos de violência contra alunos e membros da comunidade escolar.

Incêndio destrói prédio em Setúbal

Quatro desalojados

Costa portuguesa colocada em alerta amarelo

Um incêndio que ocorreu na madrugada ontem num edifício em Setúbal causou quatro feridos, três adultos e uma criança, que ficaram desalojados. “Recebemos o alerta às 02h29 para um incêndio num edifício de dois pisos na Rua do Mirante, em Setúbal. O edifício ardeu na totalidade”, disse fonte do CDOS, que explicou que no primeiro andar

funcionava um consultório e o segundo habitação. Segundo a mesma fonte, na sequência do incêndio, um homem sofreu fraturas nos dois membros inferiores, depois de ter saltado para rua, uma mulher sofreu queimaduras de segundo e terceiro grau e uma outra vítima foi transportada ao hospital por preocupação, já que está grávida. Uma criança de 13

GNR coloca 248 militares nas estradas

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) colocou toda a costa portuguesa sob aviso amarelo para os dias de amanhã e de sexta feira devido à agitação marítima. De acordo com a página do IPMA na Internet, a costa dos distritos de Viana do Castelo, Braga, Porto, Aveiro, Coimbra, Leiria, Lisboa, Setúbal, Beja e Faro vai estar sob aviso amarelo naqueles dias devido a ondas de noroeste com três a cinco metros de altura. O aviso amarelo vai vigorar nos distritos do Porto, Viana do Castelo, Lisboa, Leiria, Aveiro, Coimbra e Braga entre as 00h00 de amanhã e as 13h00 de sexta-feira. Nos distritos de Faro e Beja o aviso amarelo vai vigorar entre as 12h00 de amanhã e as 13h00 de sexta-feira. O distrito de Setúbal vai estar sob o aviso amarelo das 06h00 de amanhã e as 13h00 de sexta-feira. O aviso amarelo é o segundo menos grave de uma escala de quatro, que servem de alerta para as autoridades e população.

Controlo de velocidade hoje em todo o País A GNR efetua, hoje mais de uma centena de ações de patrulhamento e fiscalização do controlo de velocidade rodoviária, designadamente nas estradas nacionais, regionais e municipais, bem como no interior das localidades. A «Operação Mercúrio» envolve elementos de todos os comandos territoriais e da Unidade Nacional de Trânsito, num total de 248 militares, que irão realizar 124 ações de caráter preventivo. Segundo a GNR, os níveis de sinistralidade rodoviária, apesar da melhoria significativa registada nos últimos anos (com menos acidentes, menos vítimas mortais e feridos), continuam a assumir valores preocupantes.

anos foi também assistida devido a inalação de fumos. “Devido à destruição do edifício, as quatro vítimas foram realojadas em casa de familiares”, acrescentou. No local estavam, ontem de manhã, os bombeiros de Setúbal, a proceder ao rescaldo do incêndio, tendo também estado presentes elementos da PSP, do INEM e da Polícia Judiciária.


nacional

4 | O Primeiro de Janeiro

Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

CGTP e a apresentação do orçamento retificativo nove dias depois da promulgação

“Estamos perante mais um recorde do Governo” A CGTP defende que o Governo português bateu um “recorde” ao apresentar um orçamento retificativo nove dias depois de ter sido promulgado o OE2014. “Estamos perante mais um recorde do Governo português: nove dias depois de promulgado o Orçamento do Estado, apresenta um orçamento retificativo. Parece-nos que isto é uma coisa inadmissível, mais a mais num Governo que devia respeitar a Constituição e a viola com alguma regularidade”, destaca o secretário-geral Arménio Carlos. O sindicalista falava depois de uma reunião com uma delegação do Bloco de Esquerda (BE), com quem se reuniram de manhã. Posteriormente, a central terá encontros ainda hoje no parlamento com delegações do PCP e do PS. Reconhecendo “grande consenso” com o BE em diferentes matérias “suscetíveis” de fiscalização sucessiva pelo Tribunal Constitucional (TC), Arménio Carlos lamentou que o Governo “continue a pautar a sua intervenção pela violação da Constituição”. “Um Governo que viola a Constituição reiteradamente, é um Governo fora da lei, e fora da lei não merece continuar a governar”, referiu Arménio Carlos. A medida do Governo de alargamento da base de incidência da con-

UGT. O secretário-geral Arménio Carlos insiste na tónica de “um Governo fora da lei que não merece continuar a governar”

tribuição solidária de extraordinária (CES), presente no retificativo, foi também abordada na reunião com o BE, realçou ainda o sindicalista. PCP de acordo

O PCP disse convergir com a CGTP no que diz respeito a eventuais inconstitucionalidades do Orçamento do Estado (OE) de 2014, bem como do retificativo já apresentado entretanto, revelou aos jornalistas o líder parlamentar comunista. Falando no parlamento no final de uma reunião de mais de uma

hora entre uma delegação do PCP e uma outra da CGTP, encabeçada pelo secretário-geral Arménio Carlos, João Oliveira disse que o partido acolheu as preocupações da central sindical, não só as referentes ao OE mas também de “nível mais geral”, sobre a “degradação” das condições económicas e da vida dos portugueses. O texto conjunto entre PCP, BE e “Os Verdes” sobre o pedido de fiscalização de diversas normas do Orçamento do Estado (OE), este deverá estar concluído no final desta semana ou no começo da próxima,

havia dito esta manhã também o líder parlamentar do Bloco, Pedro Filipe Soares. Sobre o alargamento da contribuição extraordinária de solidariedade (CES), apresentado pelo Governo no orçamento retificativo, o líder parlamentar comunista deixa em aberto a possibilidade de ser também pedida ao Tribunal Constitucional uma fiscalização da matéria. “Se se confirmar esta proposta do Governo no sentido do alargamento da CES, obviamente que por razões acrescidas a nossa fundamentação e argumentação encontrará razão de ser”, disse.

UGT disponível para “todas as formas de luta”

Providências cautelares para combater CES A União Geral de Trabalhadores (UGT) mostrou-se disponível a “todas as formas de luta”, incluindo providências cautelares, para combater aquilo que considera ser inconstitucionalidades no orçamento do Estado para 2014 (OE2014). O secretário-geral da Frente Sindical da Administração Pública (FESAP), Nobre dos Santos, revelou a hipótese depois de um encontro com o grupo parlamentar do PCP, especificamente sobre o alargamento da contribui-

ção extraordinária de solidariedade (CES), apresentado pelo Governo no orçamento retificativo. “Nós também tivemos um princípio de concordância do PCP. Temos também de outros partidos, nomeadamente o BE. Vamos ver o que vai acontecer. Estamos dispostos a fazer tudo o que estiver ao nosso alcance, tanto do ponto de vista da luta como do ponto de vista jurídico”, afirmou. O texto conjunto de PCP, BE e “Os Verdes” para a fiscalização

sucessiva de diversas normas do Orçamento do Estado (OE) deverá estar concluído no final desta semana ou no começo da próxima, segundo o líder parlamentar bloquista, enquanto o PS já anunciou ir pedir a análise dos juízes do Tribunal Constitucional relativamente a, pelo menos, quatro normas do OE2014, não excluindo fazer o mesmo sobre a CES. “Certamente, em algumas situações, seremos levados a introduzir providências cautelares para resolver situações

concretas. Pela parte da confederação UGT há uma grande disponibilidade para estar ao lado dos trabalhadores e acompanhar todas as suas formas de luta que forem entretanto designadas”, continuou Nobre dos Santos. O sindicalista reforçou que os sindicatos afetos à UGT não vão baixar “os braços em condição alguma” e “só estarão descansados quando todas estas situações forem resolvidas ou mitigadas em grande parte”.

PS e a privatização da Segurança Social

Oposição absoluta

O líder parlamentar do PS afirmou ontem que os socialistas estarão em “oposição absoluta” perante uma tentativa do Governo de privatizar o sistema de Segurança Social, através da introdução de mecanismos de plafonamento. Alberto Martins disse aos jornalistas que transmitiu esta preocupação do PS sobre o futuro do sistema público de Segurança Social na reunião que teve esta tarde, no parlamento, com o secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos. “A privatização da Segurança Social é um risco que parece iminente, quando o líder do CDS [e vice-primeiroministro], Paulo Portas, fala em plafonamento. Isto parece querer dizer que há os mínimos da Segurança Social para os pobres e um plafonamento, que tem em vista sobretudo os seguros da Segurança Social e que não é nem mais nem menos do que a privatização da Segurança Social”, sustentou o presidente da bancada socialista. Nas declarações que fez aos jornalistas, o ex-ministro dos governos de António Guterres e de José Sócrates disse que o PS pergunta ao Governo sobre “o que se passa e qual o sentido” inerente à criação do “famigerado grupo de trabalho constituído para tornar definitivos os cortes na contribuição extraordinária de solidariedade (CES)”. “Isso é muito preocupante e por aí terão oposição absoluta do PS”, advertiu Alberto Martins. Sobre o teor da reunião com a direção da CGTP-IN, o líder da bancada do PS referiu foram abordadas as matérias do Orçamento deste ano relativas aos vencimentos dos funcionários públicos, aos pensionistas, aos cortes nos subsídios de doença e de desemprego, mas também a CES e os contratos com as empresas do setor empresarial do Estado. “O PS já tomou a iniciativa de requerer a fiscalização sucessiva [junto do Tribunal Constitucional] e, por isso, há uma identidade essencial com os pontos que a CGTP considera fundamentais. Houve também uma identificação com a ideia de desagregação social, que se está a verificar”, disse o dirigente socialista. Segundo Alberto Martins, há situações em que “o mínimo de dignidade humana começa a ser posto em causa”. “A situação de desemprego e de exclusão social atinge números elevadíssimos. Os números de pessoas sem esperança de novo emprego atingem já 450 mil - isto a juntar aos cerca de 900 mil desempregados, o que faz com que exista uma situação de desagregação e até de perda das condições democráticas do exercício político. A liberdade não é só a existência de leis de liberdade, mas também as condições do exercício da liberdade que hoje começam a atrofiar-se”, concluiu o presidente do Grupo Parlamentar do PS.


economia

Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

O Primeiro de Janeiro | 5

TC teme riscos da reforma da Administração Central

Aumento da despesa “Não está demonstrado que não possa haver o risco de se aumentar a despesa”, afirmou Guilherme d’Oliveira Martins. Sem financiar reformas

FMI “dececionado” com lei das finanças dos EUA A diretora-geral do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde, afirmou-sem ontem, “dececionada” por o texto da lei de finanças alcançado no Congresso norte-americano não prever o financiamento necessário para as reformas do FMI. “Estou dececionada por não terem sido aprovadas as medidas necessárias para fazer avançar esta importante reforma” da instituição, declarou Lagarde em comunicado. “O mundo está a mudar e estamos determinados a ajudar os nossos membros a concluírem o que foi acordado em 2010 para garantir que o FMI evolui ao ritmo das mudanças mundiais e pode enfrentar novos desafios”, afirmou, referindo que a administração norte-americana continua a trabalhar para obter do Congresso as autorizações necessárias.

O presidente do Tribunal de Contas, Guilherme d’Oliveira Martins, afirmou, ontem, que existem riscos de as mudanças aplicadas no âmbito do Plano de Redução e Melhoria da Administração Central (PREMAC) poderem vir a aumentar a despesa pública. O responsável do Tribunal de Contas (TdC), ouvido na comissão parlamentar que acompanha a implementação das medidas do programa de resgate, apontou falhas ao plano do Governo para a Administração Central e sublinhou a existência destes riscos. “Não está demonstrado que não possa haver o risco de se aumentar a despesa”, afirmou, acrescentando que o TdC

Alerta. TC diz que existem riscos de as mudanças aplicadas no âmbito do PREMAC poderem aumentar a despesa pública

não está a dizer que tal aconteceu, mas que estes riscos existem. Outra das críticas ao PREMAC é a forma como foram avaliados os resultados. Os juízes disseram aos deputados que na avaliação que foi feita sobre a redução do número de dirigentes do Estado, o Governo usou como base o número de dirigentes que estariam previstos existir na lei. No entanto, nem todos os lugares estavam ocupados e, por isso, o número de dirigentes que terão sido reduzidos parece maior nas contas do Governo do que o é na realidade. Os juízes fizeram questão de referir também que o Ministério da Educação, liderado por Nuno Crato, não respondeu às questões colocadas pelo Tribunal de Contas na elaboração do relatório. O Tribunal de Contas, em resposta ao Partido Socialista, disse também que concorda com a Lei dos Compromissos nos princípios em que esta está baseada, mas que vê “com preocupação a aplicação rígida da lei”.

Optimismo de Pires de Lima

“Crescer em 2014”

«Sangria» só em Portugal e Espanha

O ministro da Economia, António Pires de Lima, considerou, ontem, que Portugal está a criar um ‘cluster’ “altamente competitivo” ao nível dos serviços partilhados, estando neste momento “claramente bem posicionado” no radar dos investidores. “Portugal está claramente bem posicionado no radar dos investidores para a prestação deste tipo de serviços

de alto valor acrescentado, o que está a tornar o nosso País numa referência mundial de excelência”, disse o governante. Pires de Lima falava durante a inauguração do Accenture Delivery Center, em Lisboa, um centro de serviços de implementação e manutenção de sistemas, num investimento que possibilitou a criação de 250 novos postos de trabalho quali-

Em contraciclo com praças europeias

O Parlamento Europeu aprovou, ontem, em Estrasburgo, a restrição da denominação de venda «Sangria» às bebidas produzidas em Portugal e Espanha, por 609 votos a favor, 72 contra e duas abstenções. A proteção do termo «Sangria», que é originário de Portugal e de Espanha, está incluída na atualização do regulamento sobre a definição, designação, apresentação, rotulagem e proteção das indicações geográficas dos produtos vitivinícolas aromatizados. Se a bebida for produzida noutros Estados-Membros, a designação «Sangria» só pode ser utilizada em complemento da denominação de venda “bebida aromatizada à base de vinho”, desde que seja acompanhada da menção “produzido em...”, seguida do nome do Estado-Membro produtor. Esta medida tem por objetivo proteger o termo «Sangria», originário dos dois países ibéricos, limitando a sua utilização por outros Estados-membros à informação complementar e opcional do produto.

Bolsa de Lisboa fecha sessão em queda O principal índice da bolsa portuguesa, o PSI20, encerrou a sessão de ontem a desvalorizar 1,09% para 7.065,15 pontos, contrariando a tendência positiva das praças acionistas europeias de referência. Das 20 cotadas que integram o PSI20, 17 fecharam o dia no vermelho e apenas três subiram. No resto da Europa, os ganhos variaram entre os 0,14% de Londres e os 0,32% de Frankfurt. Em Lisboa, depois de várias sessões consecutivas em alta, o dia foi negativo, com a Sonae Indústria a registar a maior queda, ao recuar 3,61% para 0,80 euros, seguida pela Jerónimo Martins, que caiu 2,75% para 13,615 euros, e pela Semapa, que baixou 2,55%.

ficados e veio. Aos jornalistas, o ministro da Economia destacou, a propósito, que o ambiente que Portugal vive em termos políticos “não está para euforias”, mas insistiu que 2014 “é o ano da recuperação do investimento” no País. “Estamos a iniciar um projeto de crescimento económico. A economia portuguesa está a crescer e vai crescer em 2014”, rematou.


futebol

6 | O Norte Desportivo

Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

FC Porto recebe o Penafiel no «Dragão» após empate na primeira jornada

Taça da Liga para esquecer derrota na Luz Quintero, Reyes, Herrera e Ricardo são as novidades da convocatória de Paulo Fonseca para o jogo de hoje, frente ao Penafiel. A segunda jornada da Taça da Liga tem, hoje, a sua continuação, com grande parte dos jogos, no dia em que o FC Porto, derrotado no domingo no «clássico» com o Benfica (2-0), recebe o Penafiel da II Liga, enquanto o Sporting de Braga, detentor do troféu e líder do Grupo C, joga em casa com o Beira-Mar, depois de ter arrancado com um triunfo sobre o Estoril. Os «encarnados», que na primeira jornada venceram no terreno do Nacional (1-0), lideram o Grupo D e podem ficar a um passo da presença nas meias-finais se venceram o Leixões amanhã, no encontro que encerra esta ronda. O treinador do FC Porto, Paulo Fonseca, promove quatro alterações na convocatória com vista à receção ao Penafiel, após o empate sem golos frente ao Sporting na primeira jornada, em Alvalade, reintegrando Quintero, Reyes, Herrera e Ricardo. Este quarteto, que esteve de fora das opções para o jogo na Luz, rende Danilo (suspenso), Lucho, Licá e Otamendi. Do treino matinal, que decorreu no Olival, estiveram ausentes o guardaredes Kadú, que treinou com o FC Porto B, bem como Izmailov e Fucile, autorizados a tratar de assuntos de natureza familiar e pessoal, respetivamente. O jogo é arbitrado por Duarte Gomes. Optimismo moderado em Braga

Mais a norte, Jesualdo Ferreira defende que o Sporting de Braga tem a “porta aberta” para as meias-finais da Taça da Liga, mas alertou para a motivação com que o Beira-Mar vai jogar ao reduto dos «arsenalistas». Os minhotos têm três pontos, fruto da vitória no Estoril (2-1) na primeira jornada do grupo C, tal como o Belenenses, que bateu a equipa de Aveiro, da II Liga, na primeira jornada (1-0). Contudo, para o treinador da equi-

Taça da Liga. FC Porto, derrotado no domingo no «clássico» com o Benfica (2-0), recebe o Penafiel da II Liga, na segunda jornada do troféu

Selecção de futsal ambiciosa

Portugal “sabe bem o que quer” no Europeu

O selecionador português de futsal assumiu a ambição de chegar longe no Euro2014, que se disputa na Bélgica, entre 28 de janeiro e 8 de fevereiro, tendo colocado como fasquia mínima ultrapassar a fase de grupos, no qual Portugal medirá forças com a Rússia, vice-campeã europeia, e com a Holanda.”Passar o grupo será o mínimo. Em todas

as fases finais temos passado essa fase com maior ou menor dificuldade. É um claro objetivo, mas assumo que não queremos ficar onde temos ficado. O objetivo é passar o grupo, se possível em primeiro. Passando o grupo, estamos na fase a eliminar e não queremos ficar nos quartos-de-final”, disse. Ainda que não tenha assumido declaradamente a candidatura ao título europeu, Jorge Braz afirmou que a seleção nacional “sabe bem o que quer” e está empenhada em melhorar os registos anteriores.

pa bracarense, isso não torna as coisas “mais fáceis, porque não é por ganhar um jogo que se obtém logo a classificação”. “Restam dois jogos e boas perspetivas de passar, mas temos que trabalhar e ganhar o jogo de amanhã [hoje]. A porta está aberta, mas o Belenenses também tem três pontos e não se pode dizer que o Sp. Braga é mais candidato”, avisou. Jesualdo Ferreira revelou que vai fazer uma gestão do plantel, até por causa de algumas lesões, prevendo duas ou três alterações no “onze”. Vencedor da Taça da Liga na época passada, o Braga quer “muito” defender o título, mas o técnico recusou que haja uma grande diferença entre as equipas da I e da II ligas, lembrando a recente eliminatória da Taça de Portugal, na qual equipas do escalão secundário bateram algumas do principal. “Temos que ser mais sérios que os adversários, que vêm super motivados jogar contra o Braga. As equipas ditas mais fracas vêm com uma motivação maior e o jogo tem um cariz completamente diferente porque se joga tudo naquele momento. O de amanhã [hoje], apesar de haver mais um jogo, tem a mesma ideia”, disse. Instado sobre o rendimento crescente de Rafa e se este tem condições para ser um dos convocados por Paulo Bento para o Mundial2014, Jesualdo Ferreira não quis dar a sua opinião sobre a última questão, elogiou o jovem jogador e deixou alguns avisos. “Não se pode perder muito tempo a analisar qualquer passe ou drible do Rafa, é um perigo para ele. Ele está a fazer uma evolução normal para quem tem talento, mas conhece pouco do jogo. Está a ser um processo sem grandes metas, passo a passo, para que não dê um maior que as pernas. Com novos hábitos de treino, que não tinha, está mais sério e começa a perceber que o jogo tem várias facetas e diferentes momentos”, disse. Jesualdo disse não saber onde Rafa pode chegar, mas considerou-o “um bom avançado”. “Não se pode retirar nada das suas qualidades, só fazer-lhe notar que tudo que o faz num jogo só tem um objetivo: o jogo de equipa”, disse.

Ancelloti elogia Bola de Ouro Ronaldo

“É um bom exemplo” Cristiano Ronaldo compartilhou a sua segunda Bola de Ouro, atribuída segundafeira em Zurique, com o restante plantel do Real Madrid, posando com os companheiros em torno do troféu, à margem da sessão de treino de ontem. Nas redes sociais, Cristiano Ronaldo legendou a foto: “Este prémio é de todos. De toda a equipa e ‘staff ’. E de todos os adeptos”, escreveu o português. Já o treinador do Real Madrid, Carlo Ancelotti, considerou Ronaldo é “um bom exemplo para o futebol” pelo profissionalismo dentro e fora de campo. “Não me surpreendeu [o facto de Cristiano ter ganho o prémio] devido à sua qualidade e capacidade de marcar muitos golos, mas desconhecia o seu profissionalismo dentro e fora do campo. É um bom exemplo para todos os jovens porque deixa sempre uma boa imagem em campo”, afirmou Ancelotti. Para o técnico italiano, Cristiano Ronaldo “é um jogador com ‘fair play’, sério, que não protesta, é um bom exemplo para o futebol, que necessita deste tipo de jogador, como também são Messi, Ribéry, Pirlo ou Thiago Silva”. Por outro lado, em declarações à Press Association, Ronaldo admitiu que no último verão pensou voltar ao Manchester United, clube que representou entre 2003 e 2009.


Quarta-feira, 15 de Janeiro de 2014

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O Primeiro de Janeiro | 7


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À BOLEIA DE RONALDO Os nossos queridos políticos, à míngua de vontade própria, de criatividade, de conhecimento e de capacidade prospetiva, sentem-se na necessidade de fazer “prova de vida” sempre que lhes surge uma oportunidade mesmo que não tenham nada a ver com o que se está a passar. E, quanto Gustavo Pires* mais ignorantes são na matéria, mais atrevidos se tornam, até porque a ignorância, como se sabe, é atrevida. Contudo, os nossos queridos dirigentes deviam considerar que, se aquilo que lhes ocorre dizer não é mais importante do que o seu próprio silêncio, o melhor seria ficarem calados. Até porque não lhes fica nada bem, como aconteceu com o nosso querido Secretário de Estado do Desporto, dizer um conjunto de banalidades, mais ou menos convenientes, acerca da Bola de Ouro de Ronaldo. Não lhe ficou bem nem a ele nem à bola porque no que diz respeito a Ronaldo o seu sucesso há muito que ultrapassou as estuporadas políticas públicas do País. Diz o Sr. Secretário de Estado do Desporto que considera o triunfo de Ronaldo “uma honra para Portugal”! Ora bem, que a generalidade da populaça embandeire em arco com o feito de Ronaldo que, do ponto de vista pessoal, é extraordinário, é qualquer coisa que podemos compreender. Que o Sr. Secretário de Estado do Desporto representante no Governo de um partido que pouco ou nada vez pelo desporto a não ser utilizar-se dele é uma coisa completamente diferente, só possível num país com uma comunicação social desportiva mais ou menos abúlica, mais ou menos ignorante ou mais ou menos do dono. Pelo contrário, o triunfo de Ronaldo é uma vergonha para Portugal na medida em que as políticas públicas em matéria de desporto desenvolvidas em regime de concubinato pelos partidos do Bloco Central, salvo uma ou outra exceção, sempre pecaram pelo mais profundo oportunismo que o Sr. Secretário de Estado do Desporto agora se encarregou de pôr em evidência. Se Ronaldo representa um extraordinário sucesso pessoal, ele representa também o mais vergonhoso fracasso das políticas públicas em matéria de desporto desenvolvidas no País. Repare-se que Ronaldo foi sacado à família aos onze anos de idade para ser metido num centro de treino a fim de gerar mais-valias que uns pândegos entenderam fazer com a formação no futebol. Aliás, o modelo utilizado, é idêntico ao dos países da antiga “Cortina de Ferro”, só que lá a motivação era conseguida através da ideologia e umas senhas de ração melhorada, enquanto cá a motivação é conseguida através do dinheiro e algumas consciências varridas para debaixo do tapete. Por isso, não gostamos de ver Sua excelência, esta ou outra qualquer, do PS, do CDS, do PSD ou de outro partido, a apanhar uma vergonhosa boleia política à custa da Bola de Ouro de Ronaldo, quando os governos em matéria de desporto pouco ou nada têm feito a não ser servir-se dele como trampolim para mais altos voos como, recentemente, se acabou de ver com esse tal de Arnaut. O que esperávamos de Sua Excelência o Sr. Secretário de Estado do Desporto era que nos dissesse quais as políticas públicas que tem idealizadas, se é que tem algumas, para, a partir do “efeito de ídolo” dos mais diversos atletas nacionais, melhorar o desporto no País. Até porque, a única coisa que se conhece da ação do Governo é a deslocação a Goa de uma comitiva desportiva que, à custa do erário público, vai participar nuns jogos perfeitamente idiotas onde se vão gastar muitos milhares de euros e, eventualmente até, criar um problema diplomático. A um governo que já demonstrou não ter uma única ideia consistente para o desporto não lhe fica nada bem andar a apanhar boleias de Ronaldo ou de qualquer outro atleta.

Diretor: Rui Alas Pereira (CP-2017). E-mail: ruialas@oprimeirodejaneiro.pt Redatores: Joaquim Sousa (CP-5632), Andreia Cavaleiro (CP-6983), Cátia Costa (Lisboa) e Vasco Samouco. Fotografia: Ivo Pereira (CP-3916) Secretariado de Direção: Sandra Pereira. Secretariado de Redação: Elisabete Cairrão. Publicidade: Conceição Carvalho (chefe), Elsa Novais (Lisboa, 918 520 111) e Fátima Pinto. E-mail: conceicao.carvalho@oprimeirodejaneiro.pt Morada: Rua de Santa Catarina, 489 2º - 4000-452 Porto. Contactos: redação - Tel. 22 096 78 47 - Tm: 912 820 510 E-mail: geral.cloverpress@oprimeirodejaneiro.pt - Publicidade - Telefone: 22 096 78 46, Fax: 22 096 78 45 Propriedade: Globinóplia, Unipessoal Lda. Edição: Cloverpress, Lda. NIF: 509 229 921 Depósito legal nº 1388/82 Impressão: Coraze, Telefs.910252676 / 910253116 / 914602969, Oliveira de Azeméis. Distribuição: Vasp. Tiragem: 20 000

Ministro da Educação admite vincular mais professores contratados

“É uma questão que nos preocupa” O ministro da Educação admitiu ontem vincular aos quadros mais professores contratados com vários anos de serviço, embora sem avançar datas para um novo procedimento de admissão de docentes. “Com certeza. É possível, mas eu deixaria isso para uma comunicação posterior deste ministério”, disse Nuno Crato, quando questionado sobre a possibilidade de virem a ser integrados mais professores nos quadros em situação precária há vários anos, através de um procedimento a desencadear nos próximos tempos. Em novembro, o executivo comunitário exortou o Estado português a “rever as condições de emprego dos professores com contrato a termo” depois de ter recebido “um grande número de queixas”, alegando que estes professores “são tratados de forma menos favorável do que o pessoal efetivo com funções equivalentes”. O prazo dado por Bruxelas para apresentação de medidas está quase a chegar ao fim, uma vez que a decisão foi conhecida a 20 de novembro, dia em que a Comissão Europeia instou Portugal a pôr fim ao “tratamento discriminatório” dos professores que trabalham com contratos a termo nas escolas

públicas, ameaçando recorrer para o Tribunal de Justiça da União Europeia caso tal não suceda. A notificação enviada para Lisboa constituiu o segundo passo de um processo de infração movido pela Comissão Europeia contra um Estado-membro e o último antes de um eventual recurso perante o Tribunal de Justiça da União Europeia, o que, neste caso, advertiu Bruxelas em novembro, poderia acontecer dentro de dois meses, se durante este prazo Portugal não notificar a Comissão das medidas tomadas “para se conformar plenamente com o disposto” na diretiva. “Esta é uma questão que nos preocupa e que encaramos desde o início do nosso mandato. Relembro que ainda no ano passado promovemos uma vinculação extraordinária de professores contratados”, afirmou Nuno Crato, referindo-se à abertura de um concurso que integrou no quadro 600 professores há vários anos no sistema com sistemáticos contratos a prazo. O ministro referiu ainda que o ministério está a “trabalhar para a estabilidade do corpo docente”, recordando medidas que antecederam o concurso extraordinário, como as

agregações de escolas e a reorganização dos Quadros de Zona Pedagógica, ao abrigo dos quais são distribuídos os professores nas diversas regiões do país. “Queremos continuar este caminho que é o caminho de vincular aos quadros os professores que têm experiência, mas tendo sempre em conta as necessidades reais do sistema. É um processo contínuo que temos sempre nas nossas cabeças e nas nossas preocupações”, frisou. Nuno Crato defendeu, no entanto, que este é “um processo contínuo”, que se escusou a associar à determinação de Bruxelas. “Muito antes de a Comissão Europeia ter levantado este problema, nós procedemos a esta vinculação extraordinária, é algo cuja continuidade não tem a ver com a CE, embora nós saibamos aquilo que a CE diz”, sublinhou. Nuno Crato falava aos jornalistas no Centro do Ministério da Educação e Ciência em Caparide, onde se deslocou para dar posse aos 26 novos elementos do Conselho das Escolas, um órgão consultivo da tutela. O Conselho das Escolas tem agora uma estrutura mais reduzida, tendo passado de uma composição de 60 conselheiros para um máximo de 30 previsto na lei.

Greenpeace e as análises feitas a roupas infantis de várias marcas internacionais

“O nosso principal objetivo é transformar o setor como um todo” A organização ambientalista Greenpeace explicou ontem que as análises feitas a roupas infantis de várias marcas internacionais – que detetaram a presença de substâncias tóxicas – visam alterar as políticas do setor, eliminando o uso de químicos nocivos. “O nosso principal objetivo é transformar o setor como um todo, [por isso], queremos a eliminação dessas substâncias e não simplesmente o controlo [da sua utilização] até um certo nível”, afirmou a responsável pela campanha “Detox”, Naida Haiama. A Greenpeace denunciou ter encontrado produtos tóxicos nocivos à saúde em roupa infantil de marcas internacionais vendidas em 25 países, como a Adidas, a Burberry, a Disney, a Primark ou a Nike. A organização analisou 82 peças para crianças, desde camisas a sapatos e fatos de banho, de um conjunto de marcas que também incluiu a H&M, a Puma, a American Apparel, a GAP, a Uniglo ou a Li-Ning. De acordo com o relatório ontem apresentado, as análises mostraram que 61% das peças continham nolilfenol, um grupo de químicos que cau-

sam perturbações hormonais, e 94% continham ftalatos, substância que afeta o processo reprodutivo dos mamíferos. “As crianças são mais vulneráveis à presença de substâncias tóxicas do que os adultos, achamos chocante que esses produtos [roupas infantis] contenham tais substâncias”, sublinhou Naida Haiama, destacando que a associação espera que “a pressão pública leve empresas e marcas importantes a eliminá-las”. O relatório divulgado, e denominado “Um pouco da história sobre os monstros no seu armário”, foi o último de uma campanha iniciada em 2011 e que a Greenpeace designa como “Detox”. “Algumas das marcas que testámos são novas, outras já tínhamos testado”, referiu a responsável. Segundo explicou, algumas das empresas testadas “comprometeramse publicamente a eliminar substâncias perigosas, mas essas promessas têm sido um pouco negligenciadas”. Embora não saiba ainda se os níveis das substâncias tóxicas encontrado prejudica diretamente a saúde, Naida Haiama lembrou que isso pode depender da acumulação dos químicos, da sua relação com outras subs-

tâncias ou da altura em que entrarem em contacto com as pessoas. “É praticamente impossível dizer que a presença de uma substância vai causar danos diretos na saúde. O problema é que, mesmo em quantidades muito pequenas, podem perturbar o sistema hormonal, que regula todas as funções do corpo”, disse. Por isso, a Greenpeace pretende continuar a analisar produtos “para ter a certeza que as marcas que já se comprometeram a eliminar os químicos tóxicos e estão mesmo a adotar ações concretas”, mas também para alertar outras marcas e conseguir ainda um compromisso de governos como o da China ou os da União Europeia. Os produtos analisados pela Greenpeace foram adquiridos entre maio e junho do ano passado em lojas oficiais das marcas situadas em países como a Espanha, a Itália, os Estados Unidos, a Colômbia, o México e a Argentina, e foram fabricados em 12 Estados. A organização conseguiu, no entanto, verificar que um terço da produção proveio da China, país que a Greenpeace defende ser o primeiro a ver a sua exportação bloqueada.


15 01 2014