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CRISTIANO CONVOCADO TÉCNICO DO REAL NÃO DISPENSOU O PORTUGUÊS PARA DORTMUND

Há 145 anos, sempre consigo. 1868

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DIÁRIO NACIONAL

Diretor: Rui Alas Pereira | ISSN 0873-170 X |

Ano CXLVI | N.º 94

Terça-feira, 08 de abril de 2014

SEGURO PEDE AO PRIMEIRO-MINISTRO QUE RESOLVA O PROBLEMA DA DÍVIDA

SEM

TABUS

PORTO

Novo bispo defende uma “sociedade mais justa, mais fraterna e mais solidária”

n O líder do PS defende que Passos Coelho deve olhar para a dívida pública “sem tabus nem preconceitos” e que a “mutualização” da mesma é um novo instrumento que pode ajudar a aliviar sacrifícios de países na zona euro. “O primeiro-ministro compreende bem, o que não quer é lutar pelos interesses dos portugueses, porque quer sempre reduzir as margens de manobra que temos para sair da crise”, destacou Seguro, que aproveitou o Dia Mundial da Saúde e a visita ao Hospital de Aveiro para “expressar o reconhecimento pelo trabalho que os profissionais fazem, perante as enormes dificuldades por que hoje passa” o Serviço Nacional de Saúde. “É importante realçar o contributo que os médicos e enfermeiros dão para tornar possível que os doentes sejam tratados”, realçou ainda o secretário-geral dos socialistas...

COREIA DO SUL Rui Machete em visita oficial acompanhado por 13 empresas portuguesas

PROFESSORES

FNE encerra negociações sobre concurso e Fenprof ameaça com tribunal


local porto

2 | O Primeiro de Janeiro

Terça-feira, 8 de Abril de 2014

António Francisco dos Santos destaca a “alma portuense”

Associação Laço atribuiu duas bolsas de 25 mil euros

“Sociedade mais justa, fraterna e solidária”

Investigação do cancro da mama recebe apoios

O bispo do Porto vincou a “alma portuense” e o “espírito nortenho” como exemplos para o país na construção de “uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais solidária”. “Quero enaltecer esta alma portuense e este espírito nortenho que a todos nos envolve e impregna para que, a partir daqui, possamos ser exemplo para o todo nacional e construir uma sociedade mais justa, mais fraterna e mais solidária”, afirmou o bispo na Câmara do Porto, durante a sessão de apresentação de cumprimentos ao presidente da autarquia, Rui Moreira. Na receção, o autarca destacou que o município e a diocese têm “muito trabalho pela frente” e disponibilizou a António Francisco dos Santos “todo o apoio” para resolver “os problemas e as aflições de todos os portuenses”. “Pode encontrar nesta casa todo o apoio para um diálogo que será certamente profícuo e, mais do que isso, para resolvermos os problemas e as aflições de todos os portuenses”, afirmou Rui Moreira. Na cerimónia, o novo bispo do

BISPO DO PORTO. António Francisco dos Santos diz que a Invicta pode ser um “exemplo para o todo nacional” Porto quis “elogiar e distinguir história do Porto”, reveladora das “forças abundantes da alma portuense”, sublinhando que o presidente da Câmara pode contar com a sua “disponibilidade e colaboração ao serviço de todos os por-

tuenses”. Sublinhando que se vive “um tempo de grandes angústias e ameaças”, Rui Moreira afirmou que a autarquia “tem vindo a manter diálogo” com várias instituições ligadas à igreja”. “Sempre dissemos que era

preciso ir buscar às instituições a capacidade de trabalharmos em rede. Esta rede só é possível se juntarmos esforços, se formos capazes de ser eficientes, de perceber os sinais”, concluiu o novo bispo do Porto.

Grande Prémio do XVI PortoCartoon - World Festival

Canadiano Diego Herrera vencedor O canadiano Diego Herrera foi o vencedor do Grande Prémio do XVI PortoCartoon - World Festival, organizado pelo Museu Nacional da Imprensa, subordinado ao tema “Água Viva/Terra Viva”. O trabalho vencedor tem por título “Plastic Bottles” [garrafas de plástico]. “Está presente no trabalho uma linha ecológica num mar feito de garrafas de água comercial. Logo, é representada a água privatizada, juntamente com um aquário com um peixe, o que imprime ao desenho um lado poético”, descreveu o diretor do PortoCartoon e do Museu Nacional da Imprensa, Luís Humberto Marcos. O segundo prémio foi atribuído ao “Waterfall” [queda de água] de Sunnenberg Constantin, da Bélgica, pela representação de uma cascata em que a água é um código de bar-

ras, sobressaindo a crítica ao aspeto mercantil. Em terceiro lugar ficaram, ‘em ex-aequo’, “Water Prize”, de Halit Kurtulmus (Turquia), e “Living Earth” de Jerzy Gluszek (Polónia). O tema desta 16.ª edição do XVI PortoCartoon - World Festival (“Água Viva/ Terra Viva”) partiu, de acordo com Humberto Marcos, do “Manifesto da Água. Por um Contrato Mundial”. da autoria de Riccardo Petrella, um italiano radicado na Bélgica, que analisa o problema da água no mundo. “Convocou-se os cartoonistas para refletir sobre a defesa da água como um bem que não deve ser privatizado e mercantilizado. O humor é uma arma poderosa de reflexão”, disse o diretor do PortoCartoon. Foram, ainda, atribuídas 28 menções honrosas e dois prémios espe-

ciais de caricatura, um dedicado a Nelson Mandela, descrito como “a figura da liberdade”, e outro a Siza Vieira, “por ser uma grande figura da arquitetura mundial”, explicaram os responsáveis, em conferência de imprensa. Ivan Prado (Alemanha), António Santos (Portugal) e Alireza Pakdel (Irão) venceram o primeiro, segundo e terceiro lugares, respetivamente, da caricatura especial dedicada a Siza. Omar Turcios (Espanha) e Paulo José Barbosa Pinto (Portugal) conquistaram o segundo e terceiro prémios da caricatura especial dedicada a Mandela, enquanto a dupla portuguesa André Carrilho e Luís Lázaro conquistou o primeiro lugar ao caraterizar o antigo presidente da África do Sul a segurar uma pomba branca feita em arame farpado. A organização destacou a candi-

datura de muitos portugueses neste PortoCartoon - World Festival. Portugal foi, aliás, atrás do Irão, o segundo país, num total de 70, mais representado. Ao todo foram a concurso cerca de 1800 trabalhos de cinco centenas de caricaturistas. E para exposição seguirão 600 cartoons, um número que reflete “a crescente qualidade dos trabalhos”. “Noto desenhos mais audaciosos e inteligentes. Os artistas revelaram muita sinceridade na abordagem ao tema. A decisão foi apaixonante”, disse o presidente do júri Georges Wolinski. Os trabalhos estarão expostos de 23 de junho a 30 de dezembro no Museu Nacional da Imprensa. Nos dias 21 e 22 de junho decorrerá, na Avenida dos Aliados, no Porto, a “Grande Festa da Caricatura”.

A associação Laço anunciou a atribuição este ano de duas bolsas de investigação, no valor de 25 mil euros cada, a investigadoras que lideram projetos na área do cancro da mama metastático, “atualmente incurável”. As vencedoras foram Joana Paredes, do Instituto de Patologia e Imunologia Molecular da Universidade do Porto (IPATIMUP), que vai desenvolver um projeto sobre o cancro de mama “Triplo-negativo”, e Diana Gaspar, do Instituto de Medicina Molecular (IMM) da Universidade de Lisboa, que irá desenvolver um projeto na área das metástases do cérebro. Joana Paredes, que lidera uma equipa de investigação do IPATIMUP, pretende desenvolver um trabalho sobre o cancro de mama “triplo-negativo” que é um tipo de tumor muito agressivo quando comparado com outros tipos de cancro da mama. A associação Laço explica, em comunicado enviado às redações, que estes tumores tendem a crescer muito rapidamente, tendo também maior capacidade de gerar metástases e de voltar a aparecer, estando frequentemente associados a um mau prognóstico para as doentes. Com este projeto, Joana Paredes propõe-se validar a utilização de um fármaco, já aprovado para o tratamento de outras neoplasias, no tratamento do cancro da mama “triplo-negativo”. Esta hipótese baseia-se em resultados preliminares obtidos pelo grupo, que vêm demonstrar que “este novo tratamento poderá ter sucesso em mais de metade destes cancros, uma vez que expressam um biomarcador que permitirá a seleção das doentes que potencialmente beneficiarão desta terapia”. O projeto de investigação da equipa liderada por Diana Gaspar é na área das metástases no cérebro, muito frequentes nas doentes com cancro da mama. Com este projeto pretendem perceber de que forma as células de um cancro inicialmente confinado à mama conseguem passar pela corrente sanguínea, misturar-se com as células saudáveis presentes no cérebro e aí proliferar dando origem a metástases cerebrais. O aspeto inovador deste projeto consiste “na utilização de microscopia de força atómica (AFM) para estudar a interação entre as células tumorais e as células saudáveis, desde que se libertam da mama, viajam pelo sangue e, por fim, se instalam no cérebro”, lê-se no comunicado. A presidência do Júri esteve a cargo de Maria Carmo-Fonseca, investigadora na área da biomedicina e que exerce funções como diretora no Instituto de Medicina Molecular da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. De um total de cerca de 30 candidaturas, o júri nacional selecionou os dois projetos “pela sua originalidade e potencial impacto no desenvolvimento de tratamentos inovadores para o cancro da mama metastático, atualmente incurável”. A Laço é uma associação sem fins lucrativos fundada em 2000 e cujo objetivo é lutar contra o cancro da mama em Portugal.


regiões

Terça-feira, 8 de Abril de 2014

O Primeiro de Janeiro | 3

Distribuídos panfletos contra privatização do Metro

Nova ação de protesto As estações do Campo Grande, Oriente, Cais do Sodré e Sete Rios foram as escolhidas para serem o palco desta ação, hoje.

Cerca de um milhão de euros

Detido homem suspeito de burla qualificada

A Polícia Judiciária anunciou, ontem, a detenção de um homem suspeito de burla qualificada, que era funcionário de um banco em Loulé e se terá apropriado indevidamente de cerca de um milhão de euros. Fonte ligada ao processo disse que o homem “se aproveitou da sua condição de gestor de conta de duas idosas, com idades superiores 80 anos”, para “requisitar cheques em seu nome, falsificar assinaturas e levantar ou depositar esses montantes”. O homem, com 52 anos, foi já ouvido em tribunal e foram-lhe aplicadas como medidas de coação apresentações periódicas às autoridades policiais da sua área de residência, a proibição de se ausentar do País e a apreensão do passaporte, referiu a PJ num comunicado.

Sindicalistas da Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS) vão estar, durante o dia de hoje, em várias estações do Metropolitano de Lisboa a entregar panfletos para “desmontar os argumentos do Governo” no processo de concessão da empresa a privados. “Vamos fazer uma ação junto da opinião pública para desmontar os argumentos do Governo”, explicou, em declarações prestadas sobre a ação de protesto, o coordenador da FECTRANS, José Manuel Oliveira. As estações do Campo Grande, Oriente, Cais do Sodré e Sete Rios foram as escolhidas para serem o palco desta ação. O sin-

Metro. “Vamos fazer uma ação junto da opinião pública para desmontar os argumentos do Governo” sobre concessão da empresa, diz FECTRANS

dicalista fez este anúncio após uma reunião com os órgãos representativos dos trabalhadores da Carris e do Metropolitano de Lisboa, onde estiveram a avaliar o processo de concessão e debateram as “linhas de trabalho para os próximos tempos”. Ainda durante este mês, a FECTRANS vai encetar uma ação semelhante na Carris, explicaram os sindicalistas presentes na reunião. Os sindicalistas decidiram, também, continuar a contactar os órgãos do Governo responsáveis por esta matéria. “Esperamos que seja tornado mais claro qual o projeto e modelo que querem implementar”, disse José Manuel Oliveira. Segundo o secretário de Estado dos Transportes, Sérgio Monteiro, o concurso para a concessão das empresas públicas de transportes a privados vai ser lançado no segundo trimestre deste ano e o processo deve ficar concluído até dezembro.

Câmaras de Loures e Odivelas unidas

Empresa intermunicipal

Capacidade dos aviões obriga a suspensão

As câmaras de Loures e de Odivelas anunciaram, ontem que chegaram a um acordo para a criação de uma empresa intermunicipal que faça a gestão do abastecimento de água e da recolha de lixo nos dois concelhos. Até agora os dois municípios eram servidos pelos Serviços Municipalizados de Loures (SMAS), mas existiam divergências e a Câmara de Odivelas

tencionava concessionar a privados o abastecimento do serviço de água e arranjar uma alternativa para a recolha do lixo. Contudo, ontem, a presidente da Câmara Municipal de Odivelas, Susana Amador (PS), e o presidente do município de Loures, Bernardino Soares (CDU), anunciaram que as divergências tinham sido ultrapassadas. “Na política não

Detidos à chegada ao aeroporto de Lisboa

A companhia aérea de baixo custo Ryanair justificou, ontem, com constrangimentos ao nível da capacidade dos aviões a suspensão da rota Lisboa-Faro a partir de 24 de abril e até 25 de outubro. “Devido a constrangimentos na capacidade dos aviões, lamentamos que a Ryanair não esteja em posição para agendar os horários ideais e as frequências necessárias para uma rota doméstica como esta”, lê-se numa declaração da companhia, na sequência de uma questão sobre os motivos que levaram à suspensão da rota Lisboa-Faro, confirmada no dia 4 de abril pelo porta-voz da ANA - Aeroportos de Portugal. A Ryanair acrescenta que a capacidade dos seus aparelhos “vai aumentar a partir do inverno de 2014, com a entrega do primeiro de 175 novos aviões da Boeing” e que vai “rever” os seus horários “adequadamente”. A Ryanair disponibiliza aos passageiros que já compraram voos a possibilidade de reembolso ou de remarcação de viagem para outro destino.

Jovens presos com dez mil doses de cocaína A Polícia Judiciária indicou, ontem, que foram detidos dois homens suspeitos de tráfico de droga, após terem chegado ao aeroporto de Lisboa, num voo do Brasil. Segundo a PJ, a detenção dos dois homens insere-se nas várias operações de controlo e fiscalização de chegada de passageiros aos aeroportos portugueses suspeitos de transportarem droga oriundos de locais considerados de risco. Numa nota, a PJ adianta que aos dois detidos foram apreendidas cerca de 1000 gramas de cocaína, correspondendo a cerca de dez mil doses, que estavam ocultadas junto ao corpo. Os dois detidos, de 22 e 23 anos de idade, ficam prisão preventiva.

há pontos finais. Foi um processo negocial que teve um diálogo franco e conseguiu-se encontrar uma solução equilibrada para os dois municípios”, explicou a presidente da Câmara de Odivelas. Já o presidente da Câmara de Loures sublinhou que “o acordo alcançado permite preservar o serviço público e os postos de trabalho”.


4 | O Primeiro de Janeiro

nacional

Terça-feira, 8 de Abril de 2014

Seguro pede a Passos um olhar diferente sobre a dívida pública

Europeias

“Sem tabus nem preconceitos” O líder do PS defende que o primeiro-ministro deve olhar para a dívida pública “sem tabus nem preconceitos” e que a mutualização da dívida é um novo instrumento que pode ajudar a aliviar sacrifícios de países na zona euro. “Precisamos de resolver o problema da dívida sem tabus e preconceitos, porque o serviço da dívida tem um peso muito grande nas contas públicas e para isso é necessário encontrar as melhores soluções. Se há um novo instrumento e há essa possibilidade, o que se esperava de um primeiro-ministro é que lutasse pela sua concretização, mas temos o contrário, [só] para dizer ao PS que não tem razão”, criticou o líder socialista. António José Seguro, que falava em Aveiro onde esteve de visita ao Hospital, lamentou que “seja um país que precisa de resolver a questão da dívida a opor-se à concretização desse novo instrumento, que poderia ajudar a aliviar muitos dos sacrifícios de países na zona euro”. Seguro observou ainda que “no seio da União Económica e Monetária há 15 países com uma dívida superior a 60% [do PIB]”, pelo que a proposta do seu partido é no sentido de, para um problema comum que afeta muitos países da União Europeia, haver uma solução comum, permitindo baixar a taxa de juro, diminuir o défice, e aliviar os sacrifícios” dos portugueses. “O primeiro-ministro compreende bem, o que não quer é lutar pelos interesses dos portugueses, porque quer sempre reduzir as margens de

SEGURO. O líder do PS aproveitou o Dia Mundial da Saúde para visitar o Hospital de Aveiro e não poupou críticas ao “inaceitável retrocesso” no SNS manobra que temos para sair da crise”, criticou. Para Seguro, a opção pela mutualização “é uma questão de tempo” até ser dada razão ao PS e repetiu que Passos Coelho se viu forçado a mudar de posição quanto ao salário mínimo. “No dia 06 de março do ano passado, perante uma proposta do PS de aumento do salário mínimo nacional dizia o contrário e que se pudesse baixaria o salário mínimo, o que está nos registos do parlamento. Significa que da parte dele houve uma mudança e a única coisa que exijo é que passe da palavra à prática e convoque rapidamente uma reunião da concertação social para proceder ao aumento do salário mínimo nacional”, reafirmou. Quanto a contrapartidas, como a maior flexibilização laboral,

que estarão nos intentos de Passos Coelho, o líder do PS comentou que “o primeiro-ministro tem uma opção que é de tornar o país competitivo, por via do empobrecimento dos trabalhadores”, o que o PS repudia. “Queremos um país que seja competitivo, com base na inovação e para haver inovação tem de haver capital humano e a estratégia é ao contrário. É criar condições para capacitar os portugueses, para que estejam disponíveis para criar condições sustentáveis, para uma maior competitividade da nossa economia”, continuou. No que se refere ao tema da Saúde Pública, Seguro disse ainda ser inaceitável o “retrocesso”, pelo qual responsabilizou o Governo, “com cortes em mais 75% do que o que estava previsto no memorando de entendimento”. “Isto (os

cortes) não é maneira de tratar os portugueses, retirando-lhes cuidados de saúde que são fundamentais. Portugal gasta ‘per capita’, na saúde abaixo da média dos países da OCDE, com ganhos de eficiência, o que quer dizer que é importante continuar a financiar o Serviço Nacional de Saúde, para que possa dar respostas e não o contrário, que conduz a situações de rutura”, declarou. Seguro aproveitou o Dia Mundial da Saúde e a visita ao Hospital de Aveiro para “expressar o reconhecimento pelo trabalho que os profissionais de saúde fazem, perante as enormes dificuldades por que hoje passa” o Serviço Nacional de Saúde. “É importante realçar o contributo que os médicos e enfermeiros dão para tornar possível que os doentes sejam tratados”, concluiu.

Marisa Matias (BE) acusa Passos de não defender Portugal

“Uma espécie de papagaio da senhora Merkel” A cabeça de lista do Bloco de Esquerda (BE) às eleições europeias acusa o primeiro-ministro de não defender Portugal na Europa e atuar como uma “espécie de papagaio” de Angela Merkel. “É vergonhoso que o primeiro-ministro de Portugal não só não defenda o seu país como ainda ache que tem de ser uma espécie de papagaio da senhora Merkel e vir aqui dizer aquilo que já sabemos que diz e pensa”, disse Marisa Matias em Faro, numa intervenção no arranque de

dois dias de jornadas parlamentares do partido. Para a bloquista, é “inaceitável” que Pedro Passos Coelho “diga e pense o mesmo que Angela Merkel”, e está a fazer no Governo “não um serviço para o país”, antes para os mercados financeiros”. Marisa Matias voltou a questionar o tratado orçamental europeu, no dia em que o BE anunciou a intenção de tentar viabilizar um referendo nacional sobre o tema. “Sabemos muito bem que é neces-

sário perguntar aos portugueses e portuguesas se estão disponíveis para ter por mais 20 ou 30 anos aquilo que é uma política de austeridade equivalente à que tivemos nos últimos três anos”, advogou a eurodeputada e cabeça de lista para um novo mandato no Parlamento Europeu. “Esta é uma luta que temos de travar e continuaremos a travar a nível europeu e nacional”, sublinhou ainda Marisa Matias, para quem a austeridade “não tem nada

a ver com o consolidar de contas públicas”, consistindo antes num “ataque sem precedentes ao bem comum e aos direitos dos cidadãos”. O BE apresentou ontem um projeto de resolução que pede um referendo nacional ao tratado orçamental europeu, foi anunciado nas jornadas parlamentares do partido. “Concorda com o Tratado Orçamental?” é a pergunta que o Bloco quer ver os portugueses a responder nas urnas.

Rangel responde a Assis

O cabeça de lista da coligação PSD/CDS-PP às eleições europeias considera que a candidatura socialista encabeçada por Francisco Assis representa “um regresso ao despesismo” descontrolado, que levaria o país “novamente à bancarrota”. “Estou preocupado com este tipo de declarações populistas que o PS está a fazer, mas não tanto pelas acusações pessoais, o que me preocupa no discurso socialista é o retorno ao passado e de reabilitar a governação de José Sócrates. Temos de deixar para os portugueses uma ideia muito clara, se nos preocupamos com o futuro e com o presente não podemos voltar ao passado”, afirmou Paulo Rangel. O eurodeputado falava aos jornalistas portugueses à margem de um almoço com os cabeças de lista do PPE às eleições europeias, no Parlamento Europeu, depois de questionado sobre as críticas que lhe foram dirigidas no domingo por Francisco Assis. Em resposta, Rangel disse rejeitar “o pingue-pongue político de frases feitas” e advertiu novamente para o que disse ser “um verdadeiro programa de despesismo, de regresso ao socratismo”. Banco de Portugal

Reclamações aumentam

As reclamações dos clientes bancários voltaram a aumentar em 2013, tendo o Banco de Portugal recebido 17 911 reclamações, mais quase 15 por cento do que no ano anterior, com estas a incidirem sobretudo sobre situações de incumprimento de crédito e transferências internacionais. Segundo o Relatório de Supervisão Comportamental de 2013, agora divulgado, estes valores significam que, em media, o supervisor bancário recebeu 1493 queixas por mês ou 68 reclamações por cada dia útil do ano passado. Já em 2012, as reclamações tinham aumentado 6 por cento. As queixas sobre crédito aos consumidores e crédito à habitação foram as que mais aumentaram em 2013 (37,5 por cento, para 5246, e 27,6 por cento, para 2212, respetivamente), com o BdP a justificar com a entrada em vigor do novo enquadramento legislativo relativo ao incumprimento. Já as reclamações relativas às contas de depósito diminuíram 0,3 por cento face a 2012, mas posicionando-se no segundo lugar entre as matérias reclamadas, com 4810 reclamações.


economia

Terça-feira, 8 de Abril de 2014

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Rui Machete e 13 empresas iniciam visita oficial à Coreia do Sul

Reforçar relações económicas Sanidade Florestal

Programa Operacional entra hoje em vigor

O Programa Operacional de Sanidade Florestal (POSF) entra em vigor, hoje, para que a reposta nacional nesta área seja feita de “forma estruturada”, segundo uma resolução do Conselho de Ministros publicada em Diário da República. Na introdução da resolução do Conselho de Ministros, datada de 27 de março, lembra-se o alastramento das pragas que provocam perda de produção, diminuição da produtividade e aumento dos custos decorrentes de controlo, o que afeta os ecossistemas. O POSF deve ser revisto no prazo máximo de três anos depois da entrada em vigor.

Governo português acredita que as relações com a Coreia do Sul “têm um elevado potencial de crescimento”. O ministro dos Negócios Estrangeiros visita a partir de amanhã a Coreia do Sul, acompanhado por 13 empresas portuguesas, que procuram parceiros de negócios e possibilidades de exportação. “Pela primeira vez, uma missão empresarial acompanhará uma visita oficial de um ministro dos Negócios Estrangeiros à Coreia do Sul”, disse fonte do ministério de Rui Machete. Durante a visita, que decorre em Seul até sexta-feira, o governante vai manter encontros a nível político, nomeadamente com os ministros sul-coreanos dos Negócios Estrangeiros, Yun Byung-se, e da Unificação, Ryoo Kihl-jae, e com o presidente da Assembleia Nacional. O ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros também participará numa receção, na residência de Portugal em Seul, em que estarão presentes os empresários portugueses, membros da comunidade portuguesa naquele país e sul-coreanos com ligações a Portugal. Além da componente política, esta viagem estará “mais centrada no reforço das relações bila-

Coreia do Sul. Pela primeira vez, uma missão empresarial acompanhará uma visita oficial de um ministro dos Negócios Estrangeiros a Seul terais, sobretudo na área económica”, indicou a mesma fonte. O Governo português acredita que as relações com a Coreia do Sul “têm um elevado potencial de crescimento, com toda uma possibilidade de negócios por realizar, após um caminho que tem de ser feito a nível político”. Da delegação empresarial fazem parte o administrador da Agência para o Comércio e Investimento Externo de Portugal (AICEP) Pedro Pessoa e Costa e o coordenador da agência para a região da

Ásia-Pacífico, Paulo Domingues. A missão é composta por 13 empresas: Alta Pontuação, Casa Ermelinda Freitas, Enoforum – Carmim, Esporão, José Maria da Fonseca, Sovena e Sugadilal, do setor dos vinhos e agro-alimentar, e, na área das tecnologias, Portic, Tice.pt (Pólo das Tecnologias de Informação, Comunicação e Electrónica), WeDo Technologies e Samsung, empresa sul-coreana que escolheu Portugal para instalar a sua primeira delegação internacional, em 1982. Fazem ainda parte da comi-

tiva a empresa de purificadores de ar Airfree Products e a Scavilete, especializada em turismo religioso. O ponto alto do programa da delegação empresarial é o seminário organizado com a Associação Internacional de Comércio da Coreia (KITA, uma congénere da AICEP), com encontros bilaterais com empresas sul-coreanas. Neste seminário, em que intervirão o ministro Rui Machete e o vicepresidente desta organização, a AICEP e a KITA assinarão um memorando de entendimento.

Dia negativo na Europa

Antiepilético da Bial já é comercializado

Bolsa de Lisboa fecha sessão em queda

Primeiro medicamento português entra nos EUA

O principal índice da bolsa portuguesa (PSI20) encerrou a sessão de, ontem, a cair 0,74% para 7.614,14 pontos, em linha com a Europa, pressionado pela banca e com os pesos pesados a evitarem uma descida maior. Das 20 cotadas no PSI20, 13 desvalorizaram, duas ficaram estáveis face à cotação de sexta-feira e as restantes cinco subiram. No resto da Europa, o dia foi negativo, com as perdas nas praças de referência a variarem entre os 0,66% de Madrid e os 1,91% de Frankfurt. Já os juros da dívida desceram em todos os prazos, atingindo novos mínimos.

O antiepilético da Bial começou a ser comercializado nos EUA, sendo o primeiro medicamento de patente e investigação portuguesa a entrar naquele país, que vale cerca de metade do mercado mundial da epilepsia. O presidente executivo da Bial, António Portela, escusouse a antecipar números relativos ao mercado norte-americano, mas destacou que é “um dos mais exigentes e competitivos do mundo”, representando “mais de 50% das vendas globais de medicamentos para a epilepsia, no valor de 2.000 milhões de dólares”. “Não temos experiência no mer-

Expansão. Empresa da Trofa está a tratar do licenciamento para outros mercados da Ásia e da América Latina.

cado e este é muito grande. Por isso, é muito difícil de antecipar valores e expectativas”, explicou, adiantando que neste momento a empresa da Trofa está a tratar do licenciamento para outros mercados da Ásia e da América Latina. A entrada nos EUA acontece quase cinco anos depois da Europa onde o fármaco é comercializado desde 2009 e registou vendas de 30 milhões de euros, numa faturação de 203 milhões de euros em 2013 -, o que resulta do processo de autorização pelo regulador norte-americano Food and Drug Administration (FDA), que apenas chegou em novembro de 2013.

O antiepilético, comercializado com a marca APTIOM® nos EUA e ZEBINIX® na Europa, envolveu 15 anos de investigação e um investimento superior a 300 milhões de euros. Para António Portela levar o primeiro medicamento português para os EUA é “testemunho claro de que a aposta em investigação constitui uma condição importante para a sustentabilidade e para o futuro das empresas portuguesas”. De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a epilepsia afeta aproximadamente 50 milhões de pessoas em todo o mundo.


futebol

6 | O Norte Desportivo

Terça-feira, 8 de Abril de 2014

Pode tornar-se melhor marcador de sempre numa temporada da «Champions»

Cristiano Ronaldo pronto para fazer história DR

Cristiano Ronaldo já recuperado da lesão que o manteve afastado dos relvados este fim de semana viaja até Dortmund. Os empates da primeira mão deixam tudo em aberto para FC Barcelona e Atlético de Madrid e Manchester United e Bayern Munique, que, amanhã, na segunda mão dos «quartos» da Liga dos Campeões, discutem o acesso às meias-finais. Há uma semana o Atlético de Madrid saiu de Barcelona com um empate a uma bola na mala, um resultado que deixa o líder da Liga espanhola a sonhar com as meias-finais da liga dos milhões, um destino que no início da temporada teria parecido apenas uma miragem, tendo em conta o orçamento e expectativas reduzidos. Os «rojiblancos» contam com o ambiente fervoroso do estádio Vicente Calderón para protagonizarem a grande surpresa dos quartos de final, se eliminarem o FC Barcelona e confirmarem ainda mais aquilo que o português Tiago descreveu como o estatuto do Robin dos Bosques. Para seguir em frente, o Atlético, que este fim de semana venceu por 1-0 o Villareal para consolidar o seu primeiro posto em «La Liga», pode até empatar a zero, um resultado que não seria estranho a nenhuma das equipas, que, esta época, em quatro encontros, conseguiram desempatar. No mesmo dia, à mesma hora, uns quilómetros mais para o norte, o campeão europeu Bayern Munique terá o mesmo desafio, o de receber e eliminar o Manchester United, equipa com a qual empatou 1-1 na primeira mão. Protagonistas de grandes jogos na «Champions» nas últimas décadas, os dois colossos europeus vivem situações opostas nos seus campeonatos: se os germânicos já festejaram o título no campeonato alemão, os «red devils» vivem uma das piores épocas de anos recentes, estando no sexto lugar da Premier League. Regresso após o descanso

Um dia antes, hoje, têm lugar os

Champions. Real Madrid, com Cristiano Ronaldo já recuperado da lesão, defende a vantagem de três golos conquistada na primeira mão frente

À frente de Rodrigo

William Carvalho eleito melhor jogador de março

O futebolista do Sporting William Carvalho foi eleito o «Melhor Jogador de Março» da I Liga, enquanto Vítor Bruno, do Penafiel, conquistou o mesmo estatuto no campeonato secundário. Segundo comunicado da Liga Portuguesa, o médio «leonino» reuniu a maioria das preferências dos votantes, conquistando 20,7 por cento

dos votos, seguido de Rodrigo (17,8) e de Lima (7,4), ambos do Benfica. Vítor Bruno, do Penafiel, venceu a eleição correspondente à II Liga, com 11,91 por cento dos votos, enquanto Gonçalo Paciência, do FC Porto B, contabilizou 10,45 e Bernardo Silva, do Benfica B, 8,14. A eleição dos atletas é feita através da votação realizada pelo Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebo, pelos treinadores das duas competições e pelos adeptos registados no site da LPFP.

encontros dos quartos de final já «decididos». O Real Madrid, com Cristiano Ronaldo já recuperado da lesão que o manteve afastado dos relvados este fim de semana, viaja até Dortmund para defender a vantagem de três golos conquistada na primeira mão frente ao Borussia. O técnico italiano Carlo Ancelotti tinha prescindido do extremo para a visita ao Anoeta - onde os «merengues» venceram por 4-0, na 32.ª jornada da liga espanhola - por entender que deveria dar descanso a Cristiano Ronaldo, face ao cansaço e carga de jogos que o jogador tem. Os madridistas venceram por 3-0 a 02 de abril, com um golo do internacional português, que hoje pode tornar-se no melhor marcador de sempre numa temporada da Liga dos Campeões. O Bola de Ouro soma 14 golos esta temporada, os mesmos do recorde de José Altafini e que o argentino Lionel Messi igualou em 2011/2012, precisando apenas de marcar por uma vez para entrar definitivamente na história da prova. O extremo do Real Madrid Gareth Bale diz que a equipa tem de entrar em campo a pensar apenas no jogo de hoje. “Fizemos uma grande partida em casa [3-0], jogámos bem e merecemos a vitória, mas em Dortmund será um jogo diferente. Temos de defronta-los como outro jogo qualquer. Tentar ganhar como sempre e classificarmos para a ronda seguinte”, afirmou o extremo galês. Bale vai jogar sem pensar nos três golos conseguidos na primeira mão e salientou que a defesa do Real Madrid vai conseguir parar Lewandowski, que não jogou em Madrid devido a castigo. “É um grande jogador, tem-no demonstrado ao longo dos anos, mas nós temos de fazer o nosso trabalho, como fizemos [na primeira mão] e defender bem”, frisou. Também o Paris Saint-Germain tem o apuramento quase seguro, depois de ter vencido o Chelsea de José Mourinho por 3-1. A favor da equipa do técnico português está à ausência de Zlatan Ibrahimovic, o motor dos parisienses, que está lesionado.

Mundial aumenta turismo no Brasil

48 mil empregos O Mundial de futebol deverá criar 47,9 mil novos empregos no Brasil no setor do turismo para atender os 3,6 milhões de visitantes esperados entre junho e julho, estimou, ontem, a Confederação de Comércio, Serviços e Turismo. O número de visitantes esperados durante o período do Mundial representa metade da média total de visitantes que o Brasil espera receber ao longo do ano, indicam estimativas do Ministério do Turismo. O número de novos empregos representa 38 por cento das 125,8 mil vagas de emprego criadas em 2013 e 35 por cento do número esperado para todo o ano de 2014. De acordo com o estudo da Confederação de Comércio, Serviços e Turismo do Brasil, no segundo trimestre de 2013 já tinham sido criados 29,5 mil postos de trabalho nas cidades-sedes do Mundial. A pesquisa levou em conta o fluxo de passageiros nos principais aeroportos do país e dados do Ministério do Trabalho e Emprego. Por outro lado, o guarda-redes Koen Casteels fraturou no domingo uma tíbia e vai falhar o Mundial2014 em futebol, anunciou o clube do internacional belga, o Hoffenheim. Silvio Proto, do Anderlecht, ou Colin Coosemans, atual guarda-redes dos sub-21, são agora os principais favoritos para ocupar a vaga de Casteels.


Terรงa-feira, 8 de Abril de 2014

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40 ANOS DE ABRIL 38 DE PODER DE JARDIM Pressinto que, na Madeira, a oposição anda distraída. Estão a permitir que, os mesmos de sempre, andem a vender o seu produto fora de prazo. Estão muito soltos apesar do insanável conflito interno no qual mergulharam. Parecem extraterrestres políticos, personagens que nunca tiveram nada a ver com a situação de falência a que a Madeira chegou. André Escórcio* Foram anos a fio curvados a uma liturgia e, agora, parecem saltar do barco para uma qualquer baleeira que os leve para porto seguro. O momento é muito complicado: por um lado, a divulgação da sua mensagem, partindo do pressuposto que a memória é curta, com tricas aqui e ali para que pareça existirem diferenças, ao jeito de “bolos e tolos”; por outro, uma oposição que ainda não tomou consciência que, cada um por si, não chega lá. Há muitos tiros dados, não nos pés, mas na cabeça! E, das duas, uma: ou convergem na necessidade de uma MUDANÇA ou a Madeira continuará mais quatro anos a lamentar. Neste aspecto tenho muitas dificuldades em perceber alguns partidos com responsabilidades de gerar as condições de uma alternativa. A hora não é de falsas partidas e de peitos cheios de ar, sobretudo quando as costas, parecendo largas, são muito estreitas. Impõe-se olhar ao espelho não na perspectiva de... espelho meu, espelho meu, quem melhor posicionado do que eu... mas de uma tomada de consciência que existe uma realidade sociológica, um poder instalado, um polvo de dimensões assustadoras e, por aí, procurar em acordos sérios, uma estratégia ganhadora e portadora de futuro. Em uma negociação séria todos perdem alguma coisa para que possam ganhar muito. Quando, a um ano e pouco de eleições, é sensível um certo vazio, o povo, mesmo espremido como anda, mesmo desconfiado e azedo, acabará por não sentir a motivação necessária para dizer BASTA e desamparem a loja, rapidamente. E, na divisão, os prevaricadores tenderão a continuar, até por ausência das urnas de quem deseja a mudança de políticos e de políticas. Mas esta situação sendo sensível com os partidos também é notória com a generalidade dos sectores da sociedade. Empresários, professores, médicos, profissões liberais em geral, trabalhadores no activo, aposentados saqueados e jovens, muitos jovens, inclusive universitários, que olham para o futuro sem qualquer esperança, andam aí de braços caídos, como se tudo o que se está a passar fosse uma fatalidade. A pobreza e as dificuldades não podem ser entendidas como fatalidades. Há sempre alternativa(s), há sempre um amanhã que pode ser diferente, mas para que isso aconteça necessário se torna que se mexam. Que não tenham medo. Que venham para a rua. Que exijam dos partidos. Que se mobilizem contra uma realidade, no pressuposto que “quem luta nem sempre ganha, mas quem não luta perde sempre”. www.comqueentao.blogspot.com

FNE encerra negociações e Fenprof ameaça com tribunal

Concurso de professores sem acordo dos sindicatos

A última tentativa de consenso em torno dos concursos de professores falhou ontem no Ministério da Educação e Ciência, com a FNE a dar por encerradas as negociações e a Fenprof a ameaçar recorrer para tribunal. “Não houve evolução nenhuma no documento apresentado anteriormente pelo ministério, saímos como entrámos”, esgotada a negociação suplementar, revelou fonte da FNE. Para a manhã de ontem estavam previstas reuniões com várias organizações sindicais que requereram a negociação suplementar do diploma que vai alterar as regras dos concursos de professores. A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) decidiu convidar para a sua reunião, marcada para as 09h00, representantes de outras duas organizações com as quais havia concertado posições: o Sindicato Independente dos Professores e Educadores (SIPE) e a Associação Sindical dos Professores Licenciados (ASPL). O Ministério da Educação não aceitou este formato, pelo que as propostas não chegaram a ser debatidas, explicou o secretário-geral da Fenprof. “A lei permite que possamos convidar peritos ou técnicos para as reuniões e entendemos que os colegas das outras organizações têm um contributo válido para dar, não é o ministério que decide quem podemos convidar para a nossa reunião”,

afirmou Mário Nogueira. A Fenprof tentou depois integrar as reuniões marcadas para outras horas com aquelas duas organizações e, face à recusa o ministério, insiste em levar a questão a tribunal para que a reunião se realize. Segundo Mário Nogueira, cada reunião foi conduzida pela organização que a pediu, integrando as outras partes, embora sem que pudessem apresentar as propostas que preparam conjuntamente. “Respeitámos que o ministério não quisesse uma reunião conjunta de três horas, mas na hora da Fenprof não há motivo para não se realizar”, justificou o sindicalista. Entretanto, o ministério emitiu um comunicado para dizer que, do seu ponto de vista, a pretensão das organizações em questão não tem “base legal”. O ministério defende que a negociação suplementar foi pedida individualmente por cada uma das organizações.

Embora sem conflitos, também a FNE saiu das instalações do ministério no Palácio das Laranjeiras, em Lisboa, sem qualquer acordo, dando por encerradas as negociações. “Não houve evolução nenhuma no documento apresentado anteriormente pelo ministério, saímos como entrámos”, esgotada a negociação suplementar, revelou fonte deste sindicato. Os sindicatos defendem que devem passar a integrar os quadros todos os professores com três contratos de trabalho sucessivos para o ano inteiro, com horário completo. O Governo manteve a proposta para vincular os docentes ao sexto ano de serviço, disse Mário Nogueira: “Não mudaram nada”. A Fenprof quer ainda que fiquem escritas garantias como a definição de componente letiva e a distância mediante a qual o professor pode ser deslocado da área de residência.

António Costa Moura nega dívidas de 20 ME a advogados

“Ministério está a proceder ao pagamento dos honorários” O secretário de Estado da Justiça nega que o ministério deva 20 milhões de euros a advogados por defesas oficiosas, alegando que o Governo faz os pagamentos num prazo entre 60 e 90 dias. António Costa Moura disse que o Ministério da Justiça “está a proceder ao pagamento dos honorários relativos ao apoio judiciário num prazo que medeia entre 60 e 90 dias”. “Neste momento, os pagamentos estão todos em ordem, com exceção de 6,8 milhões relativos a janeiro e que serão processados agora em abril”, disse, acrescentando que de janeiro a março deste ano a despesa acumulada em apoio judiciário atinge 16,5 milhões de euros.

António Costa Moura reagia assim a declarações da bastonária da Ordem dos Advogados, em que Elina Fraga contabiliza em 20 milhões de euros a dívida do Ministério da Justiça relativa a 67 mil defesas oficiosas feitas desde 2008 até dia 02 deste mês. “Destes 16,5 milhões, vamos pagar 6,8 agora já em abril, portanto, dentro do prazo, dentro da metodologia que temos imposta para nós próprios de procedermos ao pagamento entre 60 a 90 dias”, acrescentou o governante. O secretário de Estado referiu ainda que o ministério faz todos os esforços para nunca atingir o prazo máximo de pagamento (90 dias). O mesmo governante acrescentou

que a contabilidade das defesas oficiosas feita pela bastonária não é a que provém dos tribunais e que é com base nesta que o Ministério da Justiça paga. “Para o Ministério da Justiça, para o erário público, para o dinheiro dos contribuintes, a despesa com apoio judiciário só é elegível a partir do momento em que se encontra perfeitamente validada e confirmada pelos tribunais”, frisou. António Costa Moura atribuiu assim a estatísticas diferentes – feitas pela Ordem ou pelos próprios advogados - das oficiais aquelas que a bastonária invoca para apontar 20 milhões de euros de dívida.

08 04 2014  
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