Os cuidados para a boa saúde da floresta plantada - OpCP34

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ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira ano 10 - Divisão F - número 34 - Dez-Fev 2014

os cuidados para a boa saúde da floresta plantada


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A química perfeita entre a tecnologia e o desenvolvimento.


índice

os cuidados para a boa saúde da floresta plantada

Novas Espécies:

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Ricardo Steinmetz Vilela Diretor da Bela Vista Florestal

Preparo de Solo: Renato Antonio Dedecek

Consultor da Tilansia Consultoria Ambiental

José Carlos Arthur Junior

Coordenador Técnico do PTSM do IPEF

Material Genético: Paulo Henrique Müller da Silva

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Rodrigo Eiji Hakamada

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Acelino Couto Alfenas

Germano Aguiar Vieira

Diretor Florestal da Eldorado Celulose e Papel

Pesquisadora da Embrapa Floresta

Rudolf Woch

Diretor da Apoiotec

Segunda Rotação: Pesquisador Florestal da International Paper

Francisco Sérgio Gomes

Consultor de Tecn e Desenv da Gerdau Florestal

Propagação de Clone:

32

Ivar Wendling

35

Ernesto Norio Takahashi

Pesquisador da Embrapa Floresta

Nutrição e Fertilização: Diretor da Consultoria Takahashi

Déficit Hídrico:

38

Wagner Alípio Lopes

Gerente de Negócios Creasorb da Evonik

Doenças:

Pesquisador da Ipef

Plantio em Áreas Degradadas:

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Ervas Daninhas: Susete do Rocio Chiarello Penteado

Professor de Fitopatologia/Bioagro da UF-Viçosa

Celso Garcia Auer

Pesquisador da Embrapa Florestas

Ensaio Especial:

40

Alexandre França Tetto

Coordenador curso Engenharia Florestal da UF-Pr

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Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • Helton Damin da Silva • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Marcio Nahuz • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Paulo Yoshio Kageyama • Roosevelt de Paula Almado • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Paulo Roberto Gallo • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Roberto Isao Kishinami • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Xico Graziano


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implantação de novas espécies

o case do

cedro australiano

Quando se fala em introdução e desenvolvimento de novas espécies florestais, não existe exemplo melhor que o do eucalipto. Uma planta exótica, que, após anos de pesquisa, apresenta altos índices de produtividade, com espécies e cultivares adaptadas a diversos usos e regiões do Brasil. O nível de desenvolvimento tecnológico dessa espécie, hoje, é um modelo a ser seguido pelas empresas que têm como pretensão fazer um trabalho seguro e lucrativo, com qualquer espécie florestal. Infelizmente, o sucesso obtido com o eucalipto é fruto de uma série de fatores, que nem sempre podem ser copiados, seja pelo alto custo, pela demanda de técnicos altamente capacitados, pelo tempo de pesquisa, ou pelo ambiente hostil a investimentos de risco que temos hoje no País. Mas não tem outro jeito. O sucesso de um empreendimento florestal está diretamente ligado à tecnologia empregada. Quem quiser trabalhar com as espécies florestais de madeira com alto valor agregado – como o cedro australiano, mogno africano, guanandi, teca, por exemplo –, tem que estar disposto a investir em pesquisa, ou disposto a correr o risco de perder seu suado dinheirinho. A história do cedro australiano no Brasil é um ótimo exemplo. Introduzido no País pela antiga Aracruz Celulose há mais de 30 anos, o cedro australiano (Toona ciliata) foi plantado no norte do Espírito Santo, nas áreas de teste da empresa, que, apesar de não optar por seu cultivo em larga escala, viu na espécie uma promessa de alta renda para produtores rurais. Através de doações de mudas a produtores, prefeituras e ao Incaper, a Aracruz iniciou a difusão da cultura. Até então, o material genético que estava sendo plantado foi trazido com o foco de se adaptar àquela região específica. Daí em diante, foram os próprios produtores de cedro que continuaram sua disseminação, através de coleta de sementes feita sem critério e da introdução em outros estados, alguns com condições de solo e clima completamente diferentes da região inicial.

o cedro australiano, que chegou ao Brasil com enorme potencial, e viu sua trajetória flertar com o fracasso, vem superando obstáculos e reescrevendo sua história " Ricardo Steinmetz Vilela Diretor da Bela Vista Florestal

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Começou, assim, uma série de erros, bastante comuns nos empreendimentos com novas espécies florestais. Além de desconsiderar as diferenças geográficas de nosso País, que é praticamente um continente, e querer forçar a adaptação da espécie em áreas inadequadas, o empreendedor não procurou informações seguras sobre o manejo da cultura. Se tivesse procurado, veria que simplesmente não havia pesquisa sobre nutrição, pragas e doenças, uso de herbicidas, podas e desbastes, produtividade, etc. Em 2003, por indicação de professores da Universidade Federal de Viçosa, interessamo-nos pela espécie e começamos a trabalhar com ela. Logo em 2005, em função da falta de material genético de qualidade, e de toda a base teórica, percebemos que, para levar o cedro a sério como negócio, teríamos que gerar as informações necessárias, pois não havia nenhuma outra empresa no País fazendo isso. E por um motivo óbvio: pesquisa e melhoramento florestal são processos caros, lentos e arriscados. Apenas grandes empresas (celulose e siderurgia) tinham porte suficiente para esse tipo de empreitada, mas, pelas características de seus produtos, não se interessavam por madeira sólida. Por vermos essa deficiência da cultura como uma oportunidade de negócio, e por um completo desconhecimento do tamanho da encrenca que viria pela frente, resolvemos investir em um projeto de melhoramento genético e clonagem do cedro australiano. A falta de qualidade da semente era um dos


Opiniões principais problemas. A cada ano, não se sabia se haveria quantidade nem qualidade disponível. Nos anos antes da crise econômica de 2008, uma euforia tomava conta do setor florestal, com preços altos e demanda por tudo o que se produzisse. Com isso, oportunistas entravam no mercado, e a qualidade das mudas e sementes disponíveis no mercado chegou a um péssimo nível. Em 2006, iniciamos o processo de importação de sementes de cedro australiano, com a ajuda da Universidade Federal de Lavras e a qualidade do material selecionado pelo Australian Tree Seed Center, do CSIRO. Trouxemos da Austrália sementes de cem árvores selecionadas de norte a sul do continente, plantas com até três mil quilômetros de distância entre si. Uma base genética bem diversificada, com potencial para se adaptar ao Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Bahia, São Paulo, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná. As matrizes selecionadas estavam em locais que variavam entre 40 m (beira mar) a 1.100 m de altitude e regiões com precipitação entre 900 mm e 2.500 mm, além de diferentes climas e biomas australianos. Uma vasta gama genética. Aí entra um exemplo do ambiente de negócios hostil, mencionado anteriormente. A importação de 5 gramas de semente de cada uma das 100 matrizes foi imediatamente acertada com o CSIRO, que dispunha de toda a documentação necessária para a introdução no País, mas a aprovação do processo pelo Ministério da Agricultura demorou um ano. Apesar de termos feito uma boa negociação na aquisição, na hora da retirada do material na alfândega, os encargos de PIS, Cofins, Icms, seguro, aduana, dentre outros, considerando o preço da quarentena dos lotes no Cenargen, os custos saltaram de R$ 35.000 para R$ 80.000,00 por meio quilo de semente. Em 2007, após a liberação quarentenária das sementes, fizemos 30.000 mudas e implantamos dois testes genéticos das origens e famílias importadas (testes de procedência/ progênies) em regiões biogeográficas bem distintas. Um teste foi implantado no bioma cerrado, em João Pinheiro (noroeste de Minas), a 670 m de altitude, com déficit hídrico e solo arenoso de baixa fertilidade; o outro em área de transição cerrado/mata atlântica, em Campo Belo (sudoeste de Minas), a 850 m de altitude, em latossolo vermelho de média fertilidade, com 1.500 mm de chuva por ano e sem déficit hídrico. Com base nos estudos e análises desses dois testes, iniciamos a seleção dos materiais que se tornariam cultivares (clones), iniciando com 1.600 plantas e obtendo, no final, 39 materiais genéticos promissores. Após essa fase, testes clonais genéticos foram instalados em quatro municípios mineiros: Jequitaí, João Pinheiro, Piumhi e Campo Belo. Após seis anos de pesquisas, o estreitamento da seleção chegou a 6 cultivares, ou clones, com boa adaptação em todas as áreas testadas e ganho de produtividade de até 200% sobre a variedade de cedro australiano existente no Brasil. A produtividade média das florestas oriundas das sementes nacionais fica em torno de 12 m³/ha/ano, enquanto os materiais selecionados chegam a ter em média 30 m³/ha/ano, sendo que um clone testado apresentou 37 m³/ha/ano. A seleção também levou em conta a resistência às principais pragas e doenças do cedro, como o psilídeo branco, o fungo foliar filácora e alguns ácaros. Os estudos levaram ao domínio do manejo da espécie, com uma série de ganhos.

A poda de galhos foi facilitada A necessidade de plantio foi reduzida de 1.660 árvores por hectare para 800, pois a exigência de seleção é muito menor, devido à homogeneidade entre as plantas. Para chegar a esse resultado, parcerias foram fundamentais. Foram sete anos de investimentos em pesquisa, com apoio da Universidade Federal de Lavras – UFLA. Em alguns momentos, participaram também o Instituto Estadual de Florestas – IEF, e o Sebrae. A participação da UFLA gerou diversos trabalhos acadêmicos e científicos, entre monografias, dissertações, teses e artigos. No momento, mais sete linhas de pesquisas estão em andamento, envolvendo qualidade e usos da madeira, pragas e doenças da planta, nutrição, manejo e melhoramento genético. A segunda geração de cultivares já está sendo produzida. Durante o desenvolvimento do projeto, estiveram envolvidos os professores Edson Pozza (fitopatogia), Antônio Eduardo Furtini (solos), Sebastião Rosado (melhoramento genético), Fausto Weimar Acerbi Júnior e Natalino Calegário (manejo florestal), Tarcisio Lima e José Reinaldo Moreira da Silva (qualidade e tecnologia da madeira), entre outros, mostrando que, com a iniciativa, a UFLA também se tornou um polo de excelência em cedro australiano e que a interação entre empresa privada e academia é sempre benéfica para o País. Recentemente, a Symbiosis Investimentos e o Grupo Séculus iniciaram plantios de cedro, o que mostra que a atratividade econômica aliada à segurança tecnológica despertam também o interesse de grandes empresas, e não somente de produtores rurais. Dessa forma, o cedro australiano, uma espécie que chegou ao Brasil com enorme potencial, e viu sua trajetória flertar com o fracasso, vem superando cada obstáculo que encontra e reescrevendo sua história.

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preparo de solo

Opiniões

meio físico do solo e desenvolvimento de

plantios florestais

O desenvolvimento de práticas de manejo florestal que assegurem a sustentabilidade dos sítios e a manutenção de boa produtividade das terras florestais tem sido procurado, desde o uso de maquinaria pesada até a retirada de toda a árvore na colheita. Os problemas com a qualidade do solo e a manutenção da produtividade ocorrem quando atividades de manejo são impropriamente planejadas e executadas. Os principais entraves para a sustentabilidade das áreas florestais são a compactação do solo e a erosão hídrica, trazendo, como consequência, a degradação das características físicas, biológicas e químicas do solo. Entre todos os fatores naturais que afetam a produtividade das plantas, o solo é o mais facilmente modificável pelo manejo, e um recurso não renovável que é afetado diretamente pelas práticas de manejo florestal, particularmente aquelas que envolvem colheita e preparo do solo, por isso é também o mais facilmente degradado em suas características.

A redução no crescimento das árvores em condições de pouca profundidade efetiva do solo resulta de um volume menor de solo para obtenção, principalmente, de água e nutrientes. Onde o solo é mais fértil e/ou não existem déficits pronunciados de umidade no solo, o prejuízo no desenvolvimento das plantas é menor. Observou-se também que a altura da serapilheira na superfície do solo é inversamente proporcional à profundidade efetiva do solo, estratégia das plantas para aumentar a oferta de nutrientes. A manutenção da produtividade em áreas florestais é uma das principais preocupações, considerando-se que são áreas muito extensas e, sendo propriedade das empresas, destinadas a produzir por muitos ciclos. O mais significativo impacto nas propriedades físicas do solo sob florestas ocorre em associação com operações de corte, baldeio e subsequente preparo do solo para exploração da rebrota ou plantio do ciclo seguinte.

Os principais entraves para a sustentabilidade das áreas florestais são a compactação do solo e a erosão hídrica, trazendo, como consequência, a degradação das características físicas, biológicas e químicas do solo. " Renato Antonio Dedecek Consultor da Tilansia Consultoria Ambiental

Muitas tentativas de estabelecer relações diretas entre as características do solo e o crescimento das plantas não tiveram êxito, com exceção da profundidade efetiva do solo, que, desde os primeiros estudos, correlacionou-se positivamente. A profundidade efetiva é a profundidade máxima que as raízes podem penetrar livremente no perfil do solo, sem limitação para sua expansão, que pode ser de origem química (alta acidez, baixa fertilidade ou toxidez de algum elemento) ou física: pela presença da rocha que dá origem ao solo, pelo excesso de água (lençol freático), ou de camadas adensadas naturalmente ou compactadas pelo uso intensivo. Há registros de profundidades efetivas médias de 72 cm, 96 cm e 111 cm, sendo os crescimentos, em DAP e altura, médios, respectivamente, de 27, 25 e 30 cm e 15, 23 e 23 m, em plantio de Pinus taeda com 17 anos de idade.

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Essas atividades alteram a estrutura e as propriedades hídricas do solo, dificultando o crescimento e a distribuição das raízes no solo e, consequentemente, o desenvolvimento das florestas. Os efeitos da compactação do solo são diferentes para solos de texturas diferentes. Enquanto em solos arenosos ocorre uma alteração da estrutura natural, com redução da porosidade, especialmente macroporos e a porosidade de aeração, nos solos argilosos, provoca a formação de uma camada compactada, que limita o crescimento das raízes e a penetração da água para maiores profundidades. As propriedades do solo tidas como responsáveis primárias pelo controle da produtividade florestal são a porosidade e o teor de matéria orgânica. Estas também são as propriedades do solo que sofrem os maiores impactos pelas atividades de manejo florestal, seja pelo tráfego de


Antigamente, a gente trabalhava para sustentar a família e atender ao bairro. O bairro e a família cresceram, e passamos a trabalhar para uma cidade, uma região, um país. E, de repente, estamos plantando, alimentando e construindo o futuro de muita gente. Gente que só tem um limite para crescer: o mundo. Hoje e POR GERAÇÕES.

A John Deere deseja um Feliz 2014!

JohnDeere.com.br/florestal


preparo de solo máquinas pesadas na colheita, que reduzem a porosidade natural do solo, seja pela retirada completa das árvores na exploração seguida de preparo do solo para replantio, que aumentam a degradação da matéria orgânica do solo. A exploração florestal pode reduzir a proporção de macroporos (> 0,05 mm) de 28,6 % em área sem tráfego para 19,8 % na área de corte; 8,2% na linha de derrubada das árvores e para 9,7% na linha de passada das máquinas. As duas áreas com menos de 10% de porosidade de aeração cobrem, aproximadamente, 10% da área de exploração. Foi observado que a redução, em termos de volume de madeira produzida de eucalipto para celulose, ficou ao redor de 60% em solo arenoso e de 40% em solo argiloso, nas linhas de passada de máquinas. A compactação do solo causada pelo trânsito de equipamentos na colheita da floresta se aprofunda até, no máximo, 30 cm em solo arenoso e 20 cm em solo argiloso. A redução do volume de solo possível de ser explorado pelas raízes traz mais danos em solos arenosos, normalmente de baixa fertilidade natural, menor capacidade de reter nutrientes adicionados pela adubação, menor retenção de umidade para as plantas e maiores perdas da água da chuva ou irrigação para maiores profundidades. A presença de resíduos da colheita de madeira serve de atenuante para a compactação do solo, mesmo quando a quantidade desse material não seja tão elevada e que a maior disponibilidade de nutrientes por um período de tempo maior para as árvores que estão crescendo em condições de maior compactação possa compensar, em parte, os efeitos prejudiciais da maior restrição ao crescimento de raízes nessa região. O teor de umidade do solo é a propriedade que tem a maior influência no grau de compactação produzido por uma força externa. Na mesma pressão, a densidade resultante aumenta com o teor de umidade no solo.

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Opiniões A textura do solo influencia a redução em porosidade provocada pela compactação. Assim, um solo que contenha uma mistura uniforme de areia, silte e argila atingirá porosidades menores e, usualmente, densidades maiores do que um solo que contenha maior percentagem de partículas de um mesmo tamanho. Uma regra prática foi estabelecida, determinando-se o número de dias necessários para qualquer solo estar apto a receber os equipamentos de colheita (umidade do solo adequada), com base na determinação da umidade ótima para compactação, na capacidade de campo e no consumo médio de água de uma floresta em fase de corte raso. Em regra geral, numa escala de 1 a 10 dias de espera após uma chuva significativa, a colheita mecanizada pode ser efetuada logo no dia seguinte, em solos bem arenosos, e em até 10 dias, nos solos muito argilosos. Uma vez o solo compactado, medidas para descompactá-lo e trazê-lo às suas condições de estrutura anteriores são necessárias, se é para ser mantida a produtividade. Isso envolve aumento de custos, quanto maior a demanda por sistemas de preparo do solo mais intensos. Também no preparo do solo, deve-se atentar para a textura do solo, principalmente, para determinar a hora adequada para essa intervenção e evitar o preparo excessivo do solo. Por exemplo, foi evidenciado que, num plantio de eucalipto no terceiro ano, o crescimento das plantas foi menor em solo, subsolado com três hastes, comparado ao mesmo solo subsolado com uma haste e metade da adubação. Muitas outras características físicas do solo são afetadas pelo manejo com efeito na produtividade dos plantios florestais, exemplos disso são abundantes na literatura técnica e vale a pena serem conhecidos por parte dos gerenciadores de plantios florestais. A limitação de espaço nos impede de abranger todos em maior profundidade e detalhamento.



preparo de solo

preparo de

solo

Será que, a médio e a longo prazo, iremos modificar os atributos físicos, químicos e biológicos do solo? A resposta mais provável é sim. "

José Carlos Arthur Junior Coordenador Técnico do PTSM do IPEF

A produção florestal é o resultado da interação do genótipo com o ambiente. Entre as interações, a da planta com o solo é uma das mais importantes. Além de ser o meio em que a planta se estabelece, o solo disponibiliza água e nutrientes para suportar o rápido crescimento das florestas plantadas. Para que se desenvolvam com boa saúde, é primordial que essa interação esteja equilibrada. O preparo de solo em florestas plantadas passou por evolução: nas décadas de 1960 e de 1970, os primeiros florestamentos utilizavam os métodos convencionais, praticados nas áreas agrícolas, como a aração e a gradagem. Acreditava-se que as espécies florestais precisavam de preparo intensivo de solo, que resultariam em ganhos de produtividade que justificavam até os custos operacionais elevados. Na década de 1980, com a rápida evolução científica e tecnológica da silvicultura brasileira, houve a introdução do sistema de cultivo mínimo do solo. A proibição da queima de resíduos vegetais em São Paulo (1989), a necessidade de se reduzir a velocidade de degradação dos solos, a preocupação com a preservação dos recursos naturais e o uso de herbicida foram fatores que predispuseram e facilitaram a adoção do cultivo mínimo.

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O cultivo mínimo do solo consiste em revolvê-lo o mínimo necessário, mantendo os resíduos vegetais sobre o solo como cobertura morta. Em plantações florestais, o preparo é localizado apenas na linha ou na cova de plantio. Em função ao amplo espaçamento de plantio, o volume de solo revolvido é bem menor do que aquele realizado para culturas anuais. Os resíduos culturais deixados sobre o solo funcionam como uma camada isolante entre a atmosfera e o solo, com importantes efeitos sobre suas características físicas e sobre a proteção contra a erosão. Sem a incorporação ou a queima dos resíduos, a mineralização e a liberação de nutrientes ocorrem de forma gradativa, reduzindo as perdas por lixiviação, volatilização e erosões eólica e hídrica. A superfície do solo não recebe diretamente a radiação solar, reduzindo as perdas d'água por evaporação, assim como as amplitudes de variação térmica e hídrica do solo ao longo das estações climáticas do ano. Nessas condições, com maior disponibilidade de alimentos e abrigados do efeito esterilizante da radiação solar direta, os organismos do solo, microrganismos e fauna (micro, meso e macrofauna) encontram um microambiente mais adequado para sua sobrevivência e multiplicação, ocorrendo em maior variedade e abundância.


Opiniões Ao preservar as características físicas do solo, reduzir sua a perda de nutrientes e preservar a sua atividade biológica, o cultivo mínimo beneficia direta e indiretamente a sua fertilidade. A camada superficial pode ter sua fertilidade elevada com a ciclagem de nutrientes após alguns ciclos de cultivo florestal, em função da concentração de nutrientes anteriormente dispersos em profundidade. Além dos diversos benefícios da manutenção dos resíduos, o desadensamento do solo na linha ou na cova de plantio no sistema de cultivo mínimo possibilita o rápido crescimento radicular; consequentemente, há maior aproveitamento da água e dos nutrientes adjacentes às mudas, em grande parte, adicionados ao solo via fertilização. Mesmo em solos friáveis, com densidade adequada ao crescimento radicular, a subsolagem é realizada, não com a função de quebrar camadas compactadas ou adensadas, mas com a função de diminuir a densidade do solo, propiciando crescimento mais rápido às raízes (principalmente, as finas), que encontram camadas com baixa resistência mecânica, resultando em economia de energia e facilidade de crescimento radial e longitudinal. O rápido estabelecimento da muda aumenta sua capacidade competitiva com as plantas invasoras e seu potencial de sobrevivência aos estresses hídricos e nutricionais, em curto e longo prazo, além de fornecer maior proteção ao solo. Nos últimos anos, é crescente a pressão pelo uso de resíduos florestais (ponteiros, galhos, folhas e casca) para a geração de energia. O apelo se deve por ser material de origem renovável e pela dificuldade que esse resíduo traz para as atividades silviculturais de preparo do solo, de plantio, de controle de formigas, entre outras. Apesar dos custos operacionais de remoção e de transporte, economicamente, o seu uso é viável em grande parte das situações. A reposição dos nutrientes exportados com os resíduos via fertilização é a medida mitigadora frequentemente utilizada. Mas a questão é: como repor todos os benefícios descritos com a retirada dos resíduos? Será que, a médio e a longo prazo, iremos modificar os atributos físicos, químicos e biológicos do solo? A resposta mais provável é sim. A aplicação de um sistema inadequado de manejo do solo pode causar severos danos à sua condição estrutural, afetando funções fundamentais, como a aeração e a capacidade de absorção e de drenagem de água. A excessiva pulverização e a compactação são algumas consequências indesejáveis, aumentando a suscetibilidade à erosão e reduzindo o potencial produtivo. Certamente, o equilíbrio desejável para a interação da planta com o solo para a manutenção da boa saúde das florestas plantadas será alterado, comprometendo a produtividade e a sustentabilidade. Na atualidade, há grandes desafios para o setor florestal no preparo do solo. A evolução dos materiais genéticos, da silvicultura e do manejo resultou na necessidade de readequar o espaçamento e o arranjo de plantio, e, devido às sucessivas rotações, de corte seguida de reforma, não é mais possível preparar o solo sem se deparar com os tocos das rotações anteriores. O monitoramento da profundidade de preparo realizado pelas empresas florestais mostra claramente o comprometimento da uniformidade, o que resulta em heterogeneidade no crescimento da floresta e em perda de produtividade. Para que se realize um bom preparo nessas condições, é preciso um conjunto

trator + implemento mais robusto, o que, consequentemente, encarece significativamente o preparo do solo e o custo de formação da floresta. Espera-se, com a criação do Subcomitê de Mecanização e Automação Florestal do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais – IPEF, desenvolver soluções mecanizadas que atendam a essa demanda do preparo do solo. Esse subcomitê será gerenciado pelo Programa Temático de Silvicultura e Manejo – PTSM, com a participação de 12 empresas florestais filiadas. Diante da elevação dos custos de produção e da dificuldade de se conseguir mão de obra para a realização das atividades silviculturais, esse subcomitê tem por objetivo fomentar, tecnica e financeiramente, o desenvolvimento de máquinas e de equipamentos para mecanizar as operações silviculturais, a médio e a longo prazo. É preciso ter uma visão holística de todo o sistema de produção florestal. A questão econômica está sendo muito cobrada dentro das empresas florestais devido ao aumento do custo de produção e consequente perda de competitividade. Mas essa competitividade não pode ser recuperada penalizando nosso maior patrimônio, o solo. O reflexo da retirada dos resíduos do sistema sobre as alterações dos atributos do solo não será percebido a curto prazo, mas, a longo prazo, a produtividade poderá ser comprometida. Recuperar os atributos do solo é possível, mas não se dará a curto prazo.

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material genético

Opiniões

adequação do material genético Um plantio florestal saudável resulta em uma floresta com alta produtividade. A classificação “alta produtividade” varia de local para local, podendo ser alta com 30 m3ha-1ano-1 em condições não favoráveis, ou 60 m3ha-1ano-1 em condições mais favoráveis, de acordo com a capacidade de produção do local que é relacionada às condições de solo, de clima, de disponibilidade hídrica, etc. Existem diversos fatores bióticos e abióticos que influenciam negativamente na saúde da floresta, sendo que alguns desses fatores podem ser minimizados com o correto manejo da floresta. Para obter a floresta saudável, são necessários diversos cuidados, que começam no zoneamento da propriedade, na escolha do genótipo, na qualidade das mudas, no preparo de solo, no plantio, na aplicação correta dos insumos, no monitoramento das pragas e doenças, na manutenção da floresta já formada, sendo que a escolha do material genético (genótipo) é de extrema importância. Atualmente, no Brasil, existe boa disponibilidade de genótipos, principalmente de espécies dos gêneros Eucalyptus, Corymbia e Pinus, que podem ser obtidos via sementes melhoradas de diversas procedências e origens. Para algumas espécies, existe a disponibilidade de clones que apresentam plasticidade e podem ser utilizados em diferentes regiões. Provavelmente, em curto/médio prazo, também estarão disponíveis clones geneticamente transformados. Ainda existe uma “batalha” para liberação da transformação genética em clones de eucalipto para uso comercial no País. De um lado, os defensores, que acreditam no aumento da produtividade com menor tempo para a obtenção dos genótipos comerciais; e do outro lado, os opositores da utilização dessa ferramenta na silvicultura brasileira, por acreditarem que os organismos transformados são uma ameaça ambiental. Essa batalha tem questões ideológicas e outras que necessitam de estudos mais aprofundados para o correto posicionamento sobre as liberações ou as restrições. Somente após, a tecnologia poderá ser disponibilizada. A maior batalha dos transgênicos será provar que a relação custo/benefício justifica sua utilização, pois ainda é possível obter ganhos significativos de produtividade trabalhando no melhoramento clássico, como avanço das gerações, hibridação interespecífica entre diversas espécies, entre outras possibilidades. A transformação genética deverá entrar como uma ferramenta adicional no programa de melhoramento florestal, de forma sinérgica com os trabalhos tradicionais, de modo que a conservação do germoplasma, os avanços das gerações de melhoramento e a transformação genética deverão ser realizados simultaneamente, para a obtenção dos genótipos mais aptos e a manutenção de um nível de segurança a longo prazo diante dos desafios da silvicultura.

Algumas das novas tecnologias demandam tempo para superarem a fase de desconfiança e serem implementadas em escala comercial no setor florestal brasileiro. Um exemplo é a clonagem, uma ferramenta da biotecnologia: foram necessários anos de trabalho para se chegar aos protocolos que viabilizassem comercialmente a produção de mudas de eucalipto. Atualmente, a clonagem de eucaliptos é uma técnica amplamente difundida e disponível para pequenos e grandes produtores florestais. Independente do nível tecnológico ou da ferramenta que será utilizada, são necessários investimentos e anos de trabalho para a obtenção do material genético, pois as fases de formação da população de melhoramento, seleção inicial, cruzamento/transformação, produção das mudas, implantação de experimentos, avaliação, obtenção dos clones/eventos e avaliação em plantio piloto são fundamentais na obtenção dos genótipos adequados. Também é necessário ampliar o conhecimento sobre os genótipos e as interações com o ambiente, sendo que os conhecimentos devem ser amplos, considerando aspectos ecológicos, fisiológicos, moleculares, entre outros, para permitir a seleção de maneira mais rápida e não empírica. A seleção do genótipo deve ser dinâmica, e ampliar o leque de opções é uma das maneiras de se estar preparado para manter a saúde da floresta, já que o setor tem diversos desafios: 1. diferenças edafoclimáticas entre as regiões; 2. mudanças climáticas que podem gerar mais frequentemente os eventos extremos de seca ou mesmos de excesso de água; 3. aumento significativo na ocorrência de pragas e doenças ao longo dos últimos anos; 4. expansão do setor florestal em regiões não tradicionais; e 5. necessidade de aumentar a produtividade para justificar o investimento cada vez maior na implantação e condução das florestas. Esses desafios fazem com que essa procura do genótipo adequado seja contínua, e, quanto maior o número de opções disponíveis, maiores as possibilidades de se obter o material adequado e de se estar preparado para uma mudança brusca frente aos desafios. Imaginar que o material com maior nível tecnológico seja sempre melhor é um engano, pois, possivelmente, quanto mais trabalhado o genótipo, mais específico para condições de seleção e uso. O material mais rústico pode apresentar boa produtividade e boa resiliência também, sendo que, para algumas condições, ele é o mais adequado. Basta lembrar que alguns clones comerciais e difundidos no Brasil são “híbridos” espontâneos e/ou obtidos em seleção massal. O que é possível afirmar é que avançamos muito na silvicultura brasileira em relação à escolha do material, mas ainda temos muito trabalho, mesmo com mais de um século de seleção de genótipos no setor florestal brasileiro.

A maior batalha dos transgênicos será provar que a relação custo/benefício justifica sua utilização, pois ainda é possível obter ganhos significativos de produtividade trabalhando no melhoramento clássico " Paulo Henrique Müller da Silva

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Pesquisador da Ipef



plantio em áreas degradadas

plantações florestais em

áreas degradadas no MS

O Brasil possui, segundo dados do Incra, cerca de 170 milhões de hectares de pastagens, espalhadas nos diversos estados brasileiros, com forte concentração na região Centro-Oeste. Desse total, estima-se que 30% dessas pastagens estejam degradadas, com baixa capacidade de produção de proteína, ou seja, menor que 1 UA por hectare. Degradação de pastagens é um processo evolutivo de perda de vigor e produtividade forrageira, sem possibilidade de recuperação natural, que afeta a produção e o desempenho animal e culmina com a degradação do solo e dos recursos naturais em função de manejos inadequados. A região do cerrado brasileiro é responsável por quase 50% da geração de proteína animal no País e é também onde se encontra a maior parte das áreas degradadas. No Mato Grosso do Sul, onde a pecuária de corte tem a maior concentração no uso do solo, também se encontra grande quantidade dessa área degradada por uso intensivo, sem a devida reposição de nutrientes e sem manejo adequado. Nesse estado, onde mais de 58% de sua área é dedicada à pecuária de corte, podemos ver na atividade florestal uma alternativa viável para organizar a produção de proteína e, ao mesmo tempo, ampliar a base florestal do estado, hoje considerado com bastante vocação para plantio de florestas de rápido crescimento. O governo do estado estabeleceu um planejamento de uso de solo bastante adequado, observando as condições de cada região, permitindo retirar a melhor expressão econômica de cada local, de acordo com suas características edafoclimáticas, culturais e a vocação natural do ambiente. Nesse zoneamento agroecológico e social, ficaram estabelecidas as regiões para produção agrícola, produção florestal e pastagens, sendo que, para produção de madeira, projeta-se uma área total de 1,2 milhão de hectares, com uma concentração na região leste do estado, conhecida como bolsão ou costa leste. Atualmente, essa área com plantio de arvores está em torno de 600 mil hectares, 1,68% do total da área do estado, sendo que, na região da costa leste, são estimulados investimentos em indústrias de base florestal, como celulose, carvão vegetal para siderurgia e processamento de madeira sólida.

a combinação das duas atividades econômicas, pecuária e floresta, seja na forma consorciada, seja em plantios separados, é uma das soluções mais adequadas para a recuperação de áreas degradadas no MS " Germano Aguiar Vieira Diretor Florestal da Eldorado Celulose e Papel

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Cálculos nos mostram que a produção sustentável de madeira no estado esteja em torno de 15 milhões de m³ por ano, insuficiente para os projetos de celulose anunciados para os próximos anos. Muitas são as vantagens competitivas no estado para produção de florestas de rápido crescimento, como também são inúmeros os desafios que devem ser vencidos para buscar as condições ideais de custo, capaz de concorrer com outros estados produtores de celulose. Como características principais do estado do Mato Grosso do Sul, apontamos: • Relevo favorável: Grande parte apresenta relevo plano a suavemente ondulado, onde é possível a mecanização de todas as atividades florestais. • Intensidade luminosa: Estado bastante ensolarado, com raras incidências de longos períodos de dias nublados. • Clima favorável: O estado atinge mais de 1000 mm de chuvas anuais em todas as regiões, sendo que, na região indicada no ZEE para plantações de florestas, ultrapassa os 1200 mm. No entanto a distribuição é bastante desigual ao longo do ano, tendo dois períodos bem distintos: a) uma estação chuvosa, que compreende os meses de meados de setembro a fins de abril, na qual se concentram 90% dos valores pluviométricos e, b) um período seco, com os restantes 10% das chuvas nos meses entre o fim de abril e o início de setembro. • Muita terra, pouca gente: O estado possui uma área de 357.124,962 km² (o sexto maior do Brasil) e uma população de apenas 2.265.274 habitantes, o que caracteriza uma baixa densidade demográfica: 6,4 hab/km². Guarda uma longa área de fronteira com o Paraguai e com a Bolívia, significando que mais de 40% de seu território está incluso na área de faixa de fronteira. Em termos geopolíticos, é composto por 78 municípios. Nos seis mais importantes do estado (Campo Grande, Dourados, Corumbá, Três Lagoas, Ponta Porã e Aquidauana), concentra-se mais da metade da população, sendo que, somente na capital, Campo Grande, vive um terço da população do estado. Na região onde se encontra a maioria de pastagens degradadas, observa-se que o tamanho das propriedades é muito maior em relação a outros estados produtores de


Opiniões florestas, o que favorece os projetos florestais. Mato Grosso do Sul apresenta imensos vazios demográficos e, nessa característica, encontramos um dos maiores desafios para plantio florestal que, ao contrário da pecuária de corte, exige grande quantidade de mão de obra para sua implementação. • Solos: O estado das condições dos solos do Mato Grosso do Sul, considerando os diversos níveis de degradação ambiental, nos meios receptores, quanto aos poluentes líquidos e sólidos, no solo e gasosos na atmosfera, atingem o meio ambiente, assim como nos processos erosivos atingem as bacias hidrográficas; • Neossolo Quartzarênico (Areias Quartzozas): ocupa uma área de 57.880 km2, representando uma área de 16,51% do total. Essa classe de solo encontra-se, em sua maior parte, na área da Bacia do Rio Paraná, principalmente na Zona das Monções, em uma pequena área da Zona Sucuriu-Aporé e na parte sul do estado na Zona Iguatemi. • Latossolo Vermelho Distrófico (Latossolo Vermelho-escuro): ocupa uma área de 81.810 km2, representando 23,34% do total. Essa classe de solo está localizada, principalmente, na área da Bacia do Rio Paraná e distribuída em uma grande faixa acompanhando o Rio Paraná, abrangendo as zonas: Sucuriu-Aporé, das Monções, do Iguatemi e parcialmente na Zona Serra de Maracaju. Localiza-se também, parcialmente, na área da Bacia do Rio Paraguai, abrangendo, em pequenas faixas localizadas nas Zonas: Alto Taquari, Proteção da Planície Pantaneira, Depressão do Miranda e Zona do Chaco. • Latossolo Vermelho (Latossolo Roxo): ocupa uma área de 37.757 km2, representando 10,77% do total. Essa classe de

solo está localizada, principalmente, na área da Bacia Hidrográfica do Rio Paraná; em sua maior parte, encontra-se concentrada em toda a área da Zona Serra de Maracaju bem como ao longo da rede de drenagem nas Zonas: Sucuriu-Aporé, das Monções e Iguatemi. Encontra-se também no divisor de águas com a Bacia do Rio Paraguai em uma faixa estreita norte-sul. Facilmente erodível, as características dos solos dessa parte do MS torna-se um fator que requer muito cuidado na escolha do manejo adequado dos plantios florestais, desde o preparo do solo, a fertilização, a conservação de estradas e a escolha de equipamentos adequados de preparo de solo, plantadoras e colhedeiras da madeira. Nesse contexto, podemos concluir que o estado tem as condições adequadas para o desenvolvimento de grandes e médios projetos industriais de base florestal, favorecido pelas suas condições climáticas, terras, solo e relevo, mas também apresenta preocupações relevantes, com falta de mão de obra e estradas adequadas para escoamento dos produtos das fazendas para as indústrias; contudo podemos dizer que a combinação das duas atividades econômicas, pecuária e floresta, seja na forma consorciada, seja em plantios separados, é uma das soluções mais adequadas para a recuperação de áreas degradadas no MS. Com esse recurso, o proprietário poderá se capitalizar e reverter parte dessa receita para recuperar parte de sua propriedade e investir em técnicas que tornem a atividade de pecuária mais rentável. Aproveitar essa oportunidade que se configura no estado é uma excelente alternativa para a região da costa leste, que possui certa de 70% de suas terras ocupadas com pastagens para pecuária de corte, grande vocação do MS.

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ervas daninhas

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a boa saúde de uma floresta plantada Nas últimas décadas, a área plantada com espécies de pínus e eucalipto no Brasil aumentou significativamente. Em função do rápido crescimento, da adaptação ao solo e do clima brasileiro, esses plantios se estabeleceram, e, por muitos anos, principalmente o pínus, permaneceu livre do ataque de pragas. Porém, grande parte desses plantios encontram-se estressados, criando condições favoráveis ao aumento populacional, tanto de espécies nativas, como é o caso dos danos provocados por roedores, pelo macaco-prego (Cebus nigritus), em pínus e em eucalipto, das lagartas desfolhadoras e de coleópteros, em eucalipto, como também das espécies introduzidas, incluindo a vespa-da-madeira (Sirex noctilio), o pulgão-gigante-do-pínus (Cinara atlantica e C. pinivora) e o gorgulho-do-pínus (Pissodes castaneus), em pínus e do percevejo bronzeado (Thaumastocoris peregrinus), a vespa-da-galha (Leptocybe invasa) e várias espécies de psilídeos, em eucalipto. Esses organismos são responsáveis por grandes perdas de produtividade, e altos investimentos para garantir a viabilidade dos empreendimentos florestais. Entre os fatores responsáveis pela introdução, colonização e estabelecimento de pragas em plantios florestais, podem-se destacar: • intensificação do comércio internacional, favorecendo a introdução de várias espécies de insetos; • ausência de inimigos naturais específicos das pragas introduzidas, favorecendo a sua reprodução e o seu estabelecimento; • simplificação do ambiente – plantios compostos por um número restrito de espécies; • intensificação da monocultura – abundância de alimento disponível em áreas contínuas; • regimes de manejo florestal – alta densidade de plantas por hectare e utilização de práticas silviculturais inadequadas, favorecendo o estresse das plantas; • problemas no desenvolvimento do sistema radicular das plantas, que podem ser causados tanto pela qualidade das mudas como do plantio, tornando-as suscetíveis ao ataque de insetos. Vale a pena comentar um pouco mais sobre este último item – desenvolvimento do sistema radicular das plantas –, uma vez que, geralmente, os sintomas serão expressos apenas quando a floresta já está estabelecida, por volta dos dois anos, embora plantios jovens também possam apresentar os sintomas se forem submetidos a algum fator de estresse. A nutrição deficiente, em função do “enovelamento”, ”encachimbamento” ou “estrangulamento“ das raízes, ocasionados na fase de produção das mudas ou no plantio, tornará essas plantas suscetíveis não só a pragas, mas também a outros fatores bióticos

e/ou abióticos. Esse é um problema que tem sido registrado com muita frequência em plantios de pínus e, normalmente, o sintoma que dá o alerta para o problema é a presença de plantas com a copa amarelada. Assim, a boa saúde dos povoamentos florestais poderá ser obtida se forem considerados e adotados alguns cuidados fundamentais, nas diferentes etapas de implantação e condução dos plantios, sendo elas: • produção das mudas – tamanho do recipiente adequado ao desenvolvimento do sistema radicular da espécie a ser produzida; tempo de permanência da muda no viveiro; • utilização de sementes e mudas de origem conhecida e de boa qualidade; • preparo do solo e plantio – cuidados, principalmente no plantio, para que não ocorram problemas no desenvolvimento do sistema radicular das plantas; • realização das práticas silviculturais no momento certo, levando em consideração a qualidade do sítio e o espaçamento inicial utilizado; • monitoramento periódico dos plantios visando à detecção precoce de pragas; • utilização de medidas de controle imediatamente após a detecção do aumento populacional e dos danos provocados por insetos. Portanto a prevenção de danos economicamente importantes em plantios florestais é basicamente um problema de manejo, que pode ser conduzido pela vigilância dos plantios e pela aplicação de tratos silviculturais adequadamente. Entretanto, se essa etapa foi negligenciada ou não pôde ser realizada, como tratamento curativo, é fundamental a utilização de medidas de controle baseadas em um Programa de Manejo Integrado de Pragas (MIP). Segundo a FAO, MIP “é o sistema de manejo de pragas que, no contexto, associa o ambiente e a dinâmica populacional da espécie, utilizando todas as técnicas apropriadas e métodos de forma tão compatível quanto possível e mantém a população da praga em níveis abaixo daqueles capazes de causar dano econômico”. Os diferentes métodos de controle que podem fazer parte do MIP são: métodos legislativo, genético, cultural, mecânico, físico, resistência de plantas, químico, comportamental e biológico. Eles podem ser utilizados em conjunto, ou selecionados, de acordo com a situação existente, em função do conhecimento prévio sobre a espécie-alvo. Assim, devemos conhecer um pouco mais sobre a espécie que queremos controlar, realizando sua identificação, necessária para se buscar informações a respeito da biologia, dinâmica populacional, modo de ação e inimigos naturais da praga. Essas informações são fundamentais para a tomada de decisão e para a seleção dos métodos a serem utilizados dentro do Programa de Manejo Integrado, visando a maior efetividade das ações de controle e, dessa forma, garantir a produtividade da floresta.

devemos conhecer um pouco mais sobre a espécie que queremos controlar, realizando sua identificação, necessária para se buscar informações a respeito da biologia, dinâmica populacional, modo de ação e inimigos naturais da praga " Susete do Rocio Chiarello Penteado

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Pesquisadora da Embrapa Floresta



ervas daninhas

o controle de

plantas daninhas e a saúde da floresta plantada

Para o bom desenvolvimento de qualquer cultura, a possibilidade de propiciar condições para que o máximo do potencial genético possa se expressar é muito importante. Para isso, a escolha de clones de acordo com as regiões, a correção e o preparo de solos, as técnicas de plantio, de fertilização e de controle de plantas daninhas para a condução florestal são primordiais. Os efeitos negativos da convivência das florestas com as plantas daninhas já foram amplamente estudados e têm servido como base para os processos decisórios nas empresas.

Em alguns casos, as plantas daninhas são controladas até o final do primeiro ano; em outros, seu controle encontra viabilidade econômica até o sexto ano após o plantio. O manejo de plantas daninhas em áreas florestais tem sido realizado com operações mecânicas e químicas. Os herbicidas têm papel fundamental no desenvolvimento das florestas livres da competição por luz, água e nutrientes. Contudo essa ferramenta precisa ser bem empregada, sob pena de criar um efeito contrário, com a fitotoxicidade das florestas em fase de desenvolvimento.

a cada dia, novas tecnologias e conceitos surgem no mercado. A redução de custos e a melhoria do controle de plantas daninhas passam pelo desenvolvimento de novos conceitos, e as pessoas precisam estar abertas para os novos caminhos " Rudolf Woch Diretor da Apoiotec

Para evitar danos com o uso dos herbicidas, alguns aspectos são fundamentais: • Tecnologia de aplicação: A aplicação adequada dos herbicidas é elementar na saúde florestal. Boa parte dos esforços e dos recursos aplicados nas demais etapas do processo produtivo das florestas se perde devido à má aplicação dos produtos no campo. Pulverizadores com vazamentos, sistemas de filtragem com restrições ou entupimentos, desgaste acentuado de pontas, posicionamento errôneo de bicos,

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Opiniões entre outros aspectos básicos da operação, ainda são muito comuns em prestadores de serviços e aplicações próprias. A tecnologia de aplicação, por vezes, é colocada de lado, e o controle de qualidade promove avaliação de médias. Dois exemplos bastante comuns no monitoramento operacional das empresas e dos seus prestadores de serviços são: a. A dose média aplicada – se a quantidade de insumo aplicada em determinada área estiver 5% acima ou abaixo do recomendado, considera-se que a aplicação está correta; b. E, a vazão obtida nos bicos – se não houver variação superior a 10% entre bicos, em relação à média de uma mesma máquina, a operação é considerada conforme. Ora, se somarmos os erros conceituais contidos nos dois casos, temos variações de até 30% de distribuição de doses ao longo das áreas. Sendo 10% de amplitude de variação no primeiro caso, e 20% no segundo. Outro aspecto relacionado à tecnologia de aplicação diz respeito às perdas por deriva, quer seja por escorrimento do produto aplicado nas folhas das plantas-alvo (endoderiva), ou evaporação e deslocamento por condições climáticas adversas de vento, temperatura e umidade relativa do ar (exoderiva). As pontas de pulverização são responsáveis pela geração de gotas que levarão os produtos até o alvo. Essas gotas geradas apresentam tamanhos diferentes, de acordo com o projeto dos bicos e com um mesmo tipo de bico em função de variações de pressão. Por essas peças, passam volumes consideráveis dos recursos aportados na formação e na condução de nossas florestas, e, ainda assim, poucos utilizam critérios técnicos em sua escolha. A seleção das pontas e das suas condições de operação ocorre, em grande parte, em função do preço das peças, das impressões das equipes de campo e da facilidade de operação, no sentido de adequar a tecnologia às pessoas, ao invés do contrário. Esses procedimentos levam a perdas de recursos, contaminação ambiental, risco para as pessoas e ainda podem causar danos a florestas plantadas. • Manejo: Existem vários herbicidas registrados para a cultura do eucalipto. O posicionamento de cada produto no manejo é fundamental para a obtenção dos maiores períodos de controle de invasoras sem riscos de perdas de produtividade pela interferência dos herbicidas nas florestas. Como exemplo, os pré-emergentes: existem produtos que, obrigatoriamente, devem ser aplicados antes do plantio das mudas, outros podem ser aplicados sobre as mudas, sem riscos; alguns podem ser aplicados sobre resíduos, outros precisam ser posicionados diretamente sobre o solo exposto; e há ainda aqueles que podem ser aplicados sobre massa verde e ainda assim apresentarem bom desempenho em pré-emergência de plantas-alvo. Se o posicionamento de cada produto é fundamental, o planejamento não fica atrás. A melhoria da gestão das operações é fundamental para que cada produto seja, de fato, aplicado em seu tempo. Perde-se a eficácia dos tratamentos devido ao momento inadequado em que muitas vezes as aplicações ocorrem. Se um determinado produto tem seu efeito em pré-emergência, não se pode aplicá-lo com as plantas já nascidas. Esse é um problema comum em várias empresas do setor. Quando isso ocorre, operações não programadas precisam ser realizadas, como a aplicação de glifosate com costais, aumentando o risco de atingir as mudas com os herbicidas e gerando custos adicionais na condução florestal.

• Pessoas: Em todos os aspectos discutidos, o envolvimento de pessoas é fundamental em diferentes níveis. Nos níveis operacionais, a capacitação de pessoas para as novas tecnologias, os produtos e os equipamentos e seu uso mais adequado ainda é uma necessidade constante. Em uma porção significativa dos líderes e dos gestores, ainda existe necessidade de quebra de paradigmas. A cada dia, novas tecnologias e conceitos surgem no mercado. A redução de custos e a melhoria do controle de plantas daninhas passam pelo desenvolvimento de novos conceitos, e as pessoas precisam estar abertas para os novos caminhos e para a inovação como uma via constante pela busca de competitividade. Experimentar o novo e adequar os sistemas de produção são necessidades elementares para esse fim. Enfim, o controle de plantas daninhas na produção e a sanidade de florestas plantadas dependem de um preparo profundo de pessoas, da adequação das tecnologias utilizadas com herbicidas e seu manejo e redução de perdas, por falhas de decisão em sistemas de controle de qualidade ou por escolha inadequada da tecnologia de aplicação. A racionalização do controle de plantas invasoras é um desafio diário a ser encarado por nós, profissionais da silvicultura.

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novos clones ou segunda rotação

Opiniões

o manejo da brotação é altamente saudável Quando a rotação de uma floresta plantada está perto do final, se inicia a dúvida sobre qual seria o próximo sistema silvicultural (talhadia x alto fuste) mais adequado. A capacidade de brotação de algumas espécies florestais cultivadas em larga escala, como o eucalipto, a acácia e o álamo, as torna altamente viáveis para a chamada condução da brotação. Esse manejo é extremamente importante em todos os aspectos da sustentabilidade: econômico, social e ambiental. Sob o ponto de vista econômico, o manejo da brotação se torna viável graças à redução do número de operações florestais em relação ao plantio de novas mudas. No entanto só é sustentável quando tomados os devidos cuidados com as cepas remanescentes para que se tornem árvores sadias e produtivas. Assim como em um novo plantio, deve-se pensar em ações que garantam a máxima sobrevivência e uniformidade do povoamento. Trabalhos recentes em Eucalyptus têm demonstrado que cada 1% de perda de uniformidade pode resultar em até 6 m³ por hectare ao final de uma rotação de 7 anos. O mesmo ocorre com a sobrevivência, em que cada indivíduo que não atinge o final da rotação deixa de compor a produção final do povoamento, e cada 1% de falha pode gerar até 1% de redução da produção na idade de corte. Para atingir altas sobrevivência e uniformidade, devemos pensar em cinco momentos distintos da brotação: planejamento, pré-colheita, colheita, estabelecimento da brotação e condução da brotação.

manejo de novas mudas. Os resultados de um bom manejo silvicultural podem ser refletidos na produtividade madeireira. Após a crise de 2008, muitas empresas adotaram o manejo por condução como uma forma de reduzir os gastos com plantio de floresta. Em muitas áreas, a produtividade é igual àquela onde foram plantadas novas mudas, sinalizando que o adequado planejamento, prescrições silviculturais e qualidade operacional podem definir a qualidade da brotação. Outro aspecto econômico é a mudança das características do mercado de trabalho. Com a industrialização e o êxodo rural, apenas 4% da população do estado de São Paulo vive no campo, e, com o aumento de oportunidade de emprego nas cidades, o número de trabalhadores rurais vem caindo, necessitando que as empresas florestais e produtores se adaptem a esse novo cenário. A condução da floresta reduz o uso da mão de obra na produção de mudas e plantio, dois gargalos atuais para operacionalização. Em relação à sustentabilidade ambiental, deve-se pensar em um aspecto mais amplo. Simulando apenas um hectare nesse sistema silvicultural, utilizaríamos cerca de 20% menos fertilizantes, 15.000 litros a menos de água e 50% a menos de combustíveis fósseis em relação a um novo plantio. O manejo da brotação também traz claros aspectos de sustentabilidade social, no amplo sentido do conceito. Um sistema silvicultural que utiliza menos insumos, por si só, reduz a emissão de gases de efeito estufa, interferindo

simulando apenas um hectare ... utilizaríamos cerca de 20% menos fertilizantes, 15.000 litros a menos de água e 50% a menos de combustíveis fósseis em relação a um novo plantio " Rodrigo Eiji Hakamada Pesquisador Florestal da International Paper do Brasil Colaboração: Cristiane Lemos, Adriano Almeida e Gabriela Moreira, pesquisadores na International Paper

A primeira fase é quando são definidas quais áreas podem ser “conduzidas”. Devem-se evitar talhões com alto índice de falhas, heterogeneidade, ocorrência de doenças ou danos abióticos, como vento ou déficit hídrico. É nessa fase que são eliminadas as áreas com materiais genéticos não adaptados, pouco produtivos ou com características não mais desejadas. A fase seguinte, que ocorre cerca de três meses antes da colheita, é quando se planejam as atividades de colheita na escala do talhão, a fim de se evitar ao máximo o tráfego de máquinas sobre as cepas e a determinação da altura de corte das cepas, sendo também de fundamental importância o combate a formigas. A fase de colheita é quando se deve ter um único objetivo com o enfoque na brotação: evitar danos às cepas. As duas fases seguintes são mais triviais e parecidas com o

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diretamente na sociedade. Apesar de todos esses benefícios do manejo da brotação, ainda conhecemos pouco esse sistema silvicultural em relação aos aspectos fisiológicos de crescimento e sua relação com o sistema solo-clima-árvore. Seria maior o consumo de água da brotação pelo seu sistema radicular já estabelecido? Qual a real necessidade de fertilização, considerando a enorme variabilidade climática e edáfica do País? O que sabemos sobre a 3ª e a 4ª rotação, sistemas altamente utilizados por pequenos produtores? Sem contar que todos os requisitos exigidos no planejamento de condução ainda precisam ser atendidos. São perguntas que precisamos responder para que possamos tornar ainda mais saudável e sustentável o manejo da brotação.



novos clones ou segunda rotação

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o manejo da brotação O eucalipto é a espécie arbórea mais plantada do planeta, produzindo madeira para atender a diferentes finalidades, como celulose, energia e madeira. O gênero apresenta características de interesse, como rápido crescimento, adaptabilidade a diferentes ambientes, qualidade da madeira e “habilidade” de rebrotar após o corte. Historicamente, o manejo de brotação de eucalipto teve menor “atenção” comparativamente à implantação e à reforma, principalmente devido à evolução do melhoramento genético, que tem permitido a substituição de materiais menos produtivos por materiais melhorados, com características da madeira apropriada ao produto final, mais produtivo e mais bem adaptado às condições edafoclimáticas de cada empresa. Outros fatores de desestímulo eram basicamente em função da grande oscilação da produção da segunda rotação em relação à primeira e dos altos índices de mortalidades, comprometendo o planejamento de abastecimento da fábrica. Comparativamente à implantação ou à reforma, a condução da brotação requer menor investimento, uma vez que essa prática dispensa o preparo de solo e a aquisição de mudas. Com a crise no ano de 2008, várias empresas começaram a avaliar a possibilidade de condução da brotação, buscando reduzir seus custos de produção. Sua condução inicia no ato da implantação, através de correta escolha do material genético, correta escolha de espaçamento e de um manejo que garanta boa sobrevivência e homogeneidade até o final do ciclo. Mesmo com a seleção dos melhores talhões para condução, se não houver o manejo adequado, não haverá boa produtividade. A decisão de conduzir a rebrota é influenciada por vários fatores: produtividade da próxima rotação, distância do talhão, custo de reforma, custo de manejo da rebrota, necessidade de renovação do clone, abastecimento da fábrica, etc. O manejo da rebrota deve ser encarado como um novo plantio, aplicando-se o manejo adequado em cada fase de desenvolvimento da floresta. Vários fatores influenciam a rebrota das cepas, como material genético, altura de corte das cepas, tipo do solo, sombreamento das cepas, formigas cortadeiras e cupins, mato-competição e condições climáticas. Outro fator relevante é a adequação dos procedimentos de colheita nas áreas programadas para manejo de rebrota. A colheita mecanizada trabalha com equipamentos de grande porte, que podem danificar as cepas, refletindo na sobrevivência e impactando, por consequência, a produtividade da floresta; além disso, os modais de

colheita podem dificultar a regeneração das cepas, devido à compactação do solo, aos danos ao sistema radicular e aos danos diretos sobre as cepas. Esses danos se refletem na capacidade de rebrota e no desenvolvimento dos novos fustes. Um aspecto importante desse sistema diz respeito ao manejo de resíduo da colheita. Ele deve ser mantido sobre a entrelinha de plantio, pois a rebrota ficará comprometida se as cepas forem cobertas ou danificadas. Estudos mostram que é perfeitamente possível obter produtividades com o manejo por rebrota equivalente ou maiores à reforma, desde que alguns procedimentos sejam adotados, como a manutenção de um número mínimo e máximo de plantas remanescentes/ha, com a inclusão de novos parâmetros de qualidade do stand no processo de decisão, como altura de corte entre 10 e 15 cm, manutenção das cepas sem galhadas, evitar danos às cepas planejando bem a colheita, minimizando tráfego dentro dos talhões e evitando manobras dentro deles e um bom controle de formigas. A idade da desbrota afeta a produtividade e a qualidade do fuste; plantios desbrotados em idade mais jovem são mais produtivos e apresentam menor risco de quebra de árvores por vento. Na desbrota precoce, o broto ladrão não afeta a produtividade, mas tem grande influência sobre a qualidade do fuste e o rendimento da colheita, sendo recomendado seu controle somente onde haja impacto na produtividade da colheita e na segurança. A rebrota é responsiva à adubação e ao grau de fertilização realizado na rotação anterior. A aplicação única da adubação de cobertura e as manutenções têm sido recomendadas; em geral, o parcelamento não tem efeito significativo sobre a produtividade. As dosagens e as formulações devem ser definidas caso a caso, dependendo do tipo de solo que está sendo cultivado e da produtividade que se quer atingir. O controle de formiga, principalmente a quenquém (Acromyrmex spp), é fundamental, pois ela tem preferência por brotações mais jovens e causa impactos significantes na sobrevivência das cepas. A mato-competição é também um fator importante de redução da produtividade. É válido ressaltar que, tanto para grandes quanto para pequenos produtores de eucalipto, a condução da brotação exige menor investimento quando comparada à reforma, tornando o sistema mais sustentável devido ao menor revolvimento do solo, com consequente redução do risco de erosão e menor velocidade de mineralização da matéria orgânica, além da possibilidade de obtenção de produtividade igual ou superior a rotações anteriores.

a condução da brotação exige menor investimento quando comparada à reforma, tornando o sistema mais sustentável " Francisco Sérgio Gomes

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doenças

Opiniões

a saúde

das plantações florestais

Há, atualmente, no Brasil, cerca de 7,2 milhões de hectares de plantações florestais. Dentre as espécies mais cultivadas, merecem destaque o eucalipto, com cerca de 72% da área plantada, o pinus, com 22%, a seringueira e a acácia, com 2% cada, o paricá e a teca, com 1% cada, e a araucária, com 0,1%. Dado ao aumento da população mundial, há uma crescente demanda de produtos de base florestal. Portanto essa área deve aumentar anualmente no País, pois o Brasil ofecere condições excepcionais de clima, solo, água e mão de obra para a expansão das plantações florestais. Com o aumento das áreas plantadas de cada espécie, surgem, concomitantemente, as doenças, que podem trazer enormes prejuízos e limitar o cultivo de determinada espécie ou clone.

de doenças bióticas, causadas por microrganismos patogênicos (figuras 1 e 2), ou abióticas, que surgem em consequência da inadaptabilidade da cultura florestal frente à má distribuição de chuvas (falta e excesso de água - figura 3), às temperaturas excessivamente altas no Norte e Nordeste e às temperaturas excessivamente baixas (geadas e neve) no Sul do País (figura 4). Entre essas doenças, destacam-se as bióticas, causadas por fungos e bactérias que afetam o tronco ou as folhas das árvores (figuras 1 e 2), matando-as ou reduzindo seu crescimento e, consequentmente, sua produtividade. A heterogeneidade das plantações e as perdas pela doença, chamada de cancro na década de 1970,

Até a década de 1970, as plantações de eucalipto eram consideradas praticamente livres de doenças "

Acelino Couto Alfenas Professor de Fitopatologia/Bioagro da UF-Viçosa

Até a década de 1970, por exemplo, a área plantada com eucalipto no Brasil era relativamente pequena e concentrada nos estados de São Paulo e Minas Gerais. Até aquela época, as plantações de eucalipto eram consideradas praticamente livres de doenças. A expansão das plantações para regiões mais quentes e úmidas, principalmente dos estados do Espírito Santo e Bahia, altamente favoráveis à incidência de doenças, o uso de materiais genéticos "mais produtivos" sem conhecimento prévio de sua resistência, a implementação de novas técnicas de manejo da cultura e os ciclos sucessivos de plantio numa mesma área têm favorecido a incidência e a severidade de doenças causadas por microrganismos patogênicos, endêmicos ou exóticos acidentalmente introduzidos no País. Na busca por terras mais baratas e pela maior facilidade de exportação dos produtos florestais no Norte e no Nordeste do Brasil, ou à procura de clima favorável ao cultivo de determinadas espécies no Sul do País, as plantações têm-se tornado cada vez mais vulneráveis à incidência

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motivaram o desenvolvimento e a implementação da técnica de clonagem do eucalipto no Brasil e, posteriormente, adotada para pínus, teca, acácia, dentre outras espécies arbórias. Atualmente, a maioria dos plantios de eucalipto é feita com clones híbridos, tendo em vista seu alto desempenho silvicultural, homogeneidade dos plantios e qualidade da madeira para diversos usos, principalmente celulose, carvão vegetal para siderurgia, madeira serrada e mourões tratados. Apesar dos riscos inerentes das plantações homogêneas, a clonagem é uma ferramenta poderosa para a multiplicação comercial de genótipos superiores e resistentes a doenças. A geração contínua de novos clones interespecíficos, com diferentes backgrounds genéticos, é essencial. Para isso, é necessário incorporar, nos programas de melhoramento genético, diferentes espécies e procedências com características distintas e complementares de interesse comercial, como crescimento volumétrico, rendimento industrial, resistência a doenças e tolerância ao estresse hídrico (falta ou excesso



doenças

Opiniões

de água) e à geada. Assim, espécies com características importantes, como E. globulus e E. dunnii (celulose), E. smithii e E. benthamii (tolerância à geada), E. camaldulensis, E. tereticornis, E. longirostrata e E. brassiana (tolerância à seca), e E. pellita (resistência a doenças), devem ser cruzadas com E. grandis, E. urophylla e seus híbridos, de modo a ampliar a base genética e gerar híbridos com características superiores. Além disso, espécies do gênero Corymbia, como C. torelliana, C. citriodora, C. maculata, dentre outras, podem constituir excelentes fontes de resistência a doenças e propiciar a geração de novos clones interespecíficos para a produção de madeira de alta densidade, seja para energia, serraria ou mourões e postes tratados. Independentemente da espécie ou clone, para o controle eficaz de doenças que afetam as plantações, é essencial a realização de monitoramento constante e sistemático, desde a fase de produção de mudas em viveiro até a fase de plantas jovens e adultas no campo, incluindo testes clonais e de progênies.

Como os programas de melhoramento genético são tipicamente de médio e longo prazo, é fundamental avaliar o nível de resistência dos genitores e, com base nessas informações, determinar a base genética da resistência, a fim de direcionar os cruzamentos no início do processo de melhoramento. Atualmente, é recomendado selecionar os materiais resistentes por meio de inoculações sob condições controladas (figura 5). Essas inoculações requerem estrutura adequada (figura 5) e conhecimento do patossistema (planta x patógeno x ambiente), para evitar erros na seleção e na disseminação de novas raças do patógeno. Além do fornecimento de condições favoráveis à infecção, é necessário empregar protocolos adequados de inoculação e isolados mais agressivos ou raças do patógeno com virulência de amplo espectro. Concomitantemente, é crucial compreender a variabilidade nas populações do patógeno, pois novas raças de patógenos podem emergir e suplantar a resistência da planta.

Figura 1: Doenças foliares e do tronco, causadas por fungos e bactérias em eucalipto.

Cancro

Ferrugem

ManchaFoliar

Ceratocystis

Ralstonia

Erwinia

Figura 2: Murcha-de-ceratocystis em teca, causada por Ceratocytis fimbriata.

Figura 3: Morte de árvores por deficiência hídrica.

Figura 4: Queima de plantas de eucalipto por geada.

Figura 5: Casa de vegetação para avaliação da resistência a doenças vasculares, sob condições controladas.

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doenças

dicas

para uma floresta saudável

A visão de uma floresta produtiva sem algum tipo de problema em seu desenvolvimento, desde o plantio até a colheita, é um alvo a ser perseguido pelos silvicultores para atender às demandas de matéria-prima de origem florestal. Na verdade, é um desafio. As árvores são vegetais com características próprias, normalmente longevas, utilizadas para a produção de madeira, fibras, extratos, óleos, carvão, energia, coisas muito úteis à sociedade atual. Contudo o longo período de vida, se comparado às culturas agrícolas, permite que vários agentes danosos reduzam a produtividade da floresta. No tocante à patologia florestal, as preocupações com os agentes danosos para a silvicultura se iniciam no viveiro. Existem vários microrganismos que atacam e parasitam as plântulas originadas das sementes, ou mesmo as miniestacas, provocando a sua morte. Podem ser destacados os fungos pertencentes aos gêneros Botrytis, Cylindrocladium, Fusarium e oomicetos, como Phytophthora e Pythium. Os impactos negativos podem ser importantes, a ponto de impedir a produção de mudas e inviabilizar o viveiro, ou provocar perdas econômicas se medidas de controle não forem aplicadas. Do viveiro, espera-se que as mudas sejam de qualidade final adequada para o plantio. Inclusive, comenta-se que, para a formação de uma boa floresta, é necessário que a muda seja muito boa. Porém, em decorrência de questões econômicas ligadas ao custo da muda ou pela necessidade da implantação da floresta no menor prazo possível, os plantadores de florestas (um termo geral para pequenos produtores rurais, médias e grandes empresas florestais) adquirem mudas de qualidade duvidosa para plantio. Deixando-se de lado a questão do material genético, tais mudas apresentam alguns pro-

blemas: presença de fungos fitopatogênicos no substrato ou nas mudas, sintomas e sinais de doenças, deformações nas raízes e na parte aérea decorrentes de práticas inadequadas no viveiro, relação altura/sistema radicular inadequada (podendo indicar o estiolamento da planta), falta de rustificação e tempo de viveiro além do necessário (normalmente denominado “muda passada”). Tudo isso irá para o campo. Mudas com problemas produzirão florestas com problemas. O plantio é a operação que considero mais importante na silvicultura, pelo simples fato de que, se bem feito, não teremos dificuldades de produzir florestas. Se a implantação for feita de modo incorreto, produzirá problemas que dificilmente serão corrigidos. Tomemos, pois, alguns exemplos. O plantio de mudas sem qualidade fitossanitária e silvicultural aumenta a porcentagem de falhas de plantio como consequência da mortalidade. Outro aspecto negativo é o crescimento reduzido desse tipo de muda, que promove a formação de um talhão desuniforme e de baixa produtividade. Além da baixa qualidade das mudas, deve-se tomar cuidado com a atividade de plantio. Plantios com alta mortalidade de mudas podem ter como causas o enterrio profundo da muda no solo, levando ao conhecido afogamento do coleto. Com esse enterrio profundo, a porção da haste da muda que fica exposta ao sol e ao calor da superfície do solo não está preparada para suportar altas temperaturas levando a outro problema, conhecido como assamento do coleto. De qualquer forma, as mudas morrem pela ação direta do calor excessivo, ou em decorrência do trincamento da casca, a qual é porta de entrada para fungos de solo que parasitam internamente a muda. Ainda se destaca que a forma de plantio, com o uso de equipamentos

muitos dos empreendimentos florestais fracassam pela falta de conhecimento das necessidades ecológicas das espécies florestais "

Celso Garcia Auer Pesquisador de Patologias Florestais da Embrapa Florestas

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Opiniões agrícolas ou não, pode causar problemas ao sistema radicular, impedindo o seu desenvolvimento correto. Deformações nas raízes de árvores jovens podem ser observadas em plantios de baixa produtividade. A mortalidade de árvores jovens de eucalipto, pínus, erva-mate e acácia-negra tem sido comumente associada com mudas que sofreram algum tipo de deformação das raízes, a qual pode se intensificar em períodos de pouca precipitação e de déficit hídrico no solo. Em função do estresse hídrico, as plantas que não possuem um sistema radicular ativo e eficiente para a absorção de água e do solo podem morrer em alguns meses. O estressamento das árvores também atrai insetos e as predispõe ao ataque de patógenos secundários, que parasitam as plantas debilitadas. Na produção de florestas sem doenças, outros cuidados devem ser dispensados. O material genético a ser plantado deve ser ecologicamente correto, ou seja, precisa estar de acordo com as condições ecológicas existentes (temperatura, precipitação, disponibilidade de água e nutrientes, profundidade do solo, camada de impedimento no solo, pH, salinidade e outros). Muitos dos empreendimentos florestais fracassam pela falta de conhecimento das necessidades ecológicas das espécies florestais, quando tais espécies são plantadas em locais com fatores ecológicos limitantes ao cultivo, como é o caso da ocorrência de geadas e de locais com déficit hídrico acentuado, ou mesmo o plantio de eucaliptos em áreas com solos muito rasos. Nesse último caso, pode-se fazer o plantio de pínus ao invés de eucalipto. Também nesse caso, existem patógenos secundários e vários insetos que podem atacar as árvores debilitadas ou estressadas. Outro problema conhecido é o surgimento de complexos etiológicos decorrentes da interação de vários fatores limitantes à floresta como solo x fungo x inseto. O uso de material genético resistente aos patógenos florestais é uma das principais medidas de controle. Espécies ou híbridos selecionados contra doenças apresentam diferencial em relação aos materiais suscetíveis por apresentarem resistência e maior produtividade. Por esse motivo, as empresas florestais investem recursos financeiros na pesquisa de clones de alta produtividade (hibridação, fenotipagem, clonagem...) que aliem características desejáveis de resistência genética às principais doenças da cultura, tolerância a solos de baixa fertilidade e restrição hídrica, qualidade da madeira e produtividade. A principal dificuldade que se visualiza com essa situação ainda está no fato de que somente as empresas florestais que investem em pesquisa terão acesso aos “superclones”. A opção existente no mercado para os pequenos plantadores de florestas é que utilizem de sementes e mudas certificadas, ou seja, que sejam de origem idônea, provenientes de viveiros registrados para que as mudas de qualidade possam ser plantadas visando à formação de florestas saudáveis. Restam ainda dois temas de futuro que, normalmente, são abordados nas atuais discussões fitopatológicas: mudanças climáticas e patógenos exóticos. Com relação às mudanças do clima, espera-se que os sistemas de previsão dos fenômenos climáticos e as informações geradas pela modelagem dos impactos na agricultura nos auxiliem na adaptação das futuras florestas. No caso dos patógenos exóticos, somente o monitoramento constante, o mapeamento de áreas de risco, a difusão de informações dos registros de novas pragas e patógenos em território nacional em tempo real e a disponibilização de medidas mitigatórias poderão manter nossas florestas saudáveis.

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propagação de clone e hormônios de plantas

Opiniões

hormônios e reguladores de crescimento:

realidades e mitos na clonagem de eucalipto

A produção de mudas florestais no Brasil presenciou inúmeros avanços tecnológicos durante as últimas décadas, sendo o eucalipto (plantas dos gêneros Eucalyptus e Corymbia) o maior responsável por tal mérito. O desenvolvimento da clonagem e os primeiros plantios clonais visando à resistência a doenças e a melhoria da produtividade e da qualidade dos produtos obtidos foram um marco histórico empreendido no final da década de 1970. A partir de então, o desenvolvimento de novas técnicas de produção de mudas teve grande impulso. A produção de clones de eucalipto é rotina em grandes empresas florestais desde a década de 1980, mediante o uso da técnica de estaquia e, em pequenas e médias empresas, tem se tornado tecnologia comercial de grande utilidade desde 1990, com o advento da técnica de miniestaquia.

artigo, será utilizado o termo “hormônio” aplicado para referência aos reguladores de crescimento aplicados previamente ao processo de enraizamento. A aplicação de hormônios em estacas de eucalipto vem sendo realizada desde os primórdios da implementação da técnica de estaquia, sendo reconhecidamente uma prática indispensável para a melhoria do enraizamento, tanto em termos de percentuais quanto de velocidade para formação de raízes e vigor do sistema radicial formado. Inúmeros estudos foram desenvolvidos visando à definição dos tipos de hormônios mais indicados, concentrações e formas de aplicação adequadas ao processo de clonagem via estaquia, no qual, em geral, 6000 mg L-1 (antigo ppm ou partes por milhão) do ácido indolbutírico (AIB) têm sido os mais recomendados, bem

a produção de mudas florestais no Brasil presenciou inúmeros avanços tecnológicos durante as últimas décadas, sendo o eucalipto o maior responsável por tal mérito " Ivar Wendling Pesquisador de silvicultura clonal e propagação de plantas da Embrapa Floresta

Hormônios são substâncias naturais produzidas pela própria planta, e reguladores de crescimento são produtos sintéticos aplicados nas plantas ou em partes dela, com ação similar aos hormônios naturais. No entanto, na prática de viveiros de propagação clonal, o termo “hormônio” é usado de forma generalizada também para substâncias aplicadas e, consequentemente, neste

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como a aplicação via pó em vista das maiores facilidades operacionais. No entanto variações de juvenilidade do material propagado, principalmente referente à idade da planta matriz a ser clonada, podem ditar alterações na concentração recomendada. Cabe ressaltar que, atualmente, a estaquia é somente utilizada para o resgate de material selecionado do campo, sendo a


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propagação de clone e hormônios de plantas

Opiniões

miniestaquia a técnica de clonagem massal utilizada após aquela etapa. De maneira similar à estaquia, nos primórdios do desenvolvimento da técnica de miniestaquia, uma série de estudos foram realizados visando à definição de hormônios e suas concentrações a serem aplicados em miniestacas. Inicialmente, havia certo consenso de que dosagens variavam de 0 a 2000 mg L-1, dependendo, principalmente, do clone/espécie a ser clonado(a). Com o desenvolvimento científico e tecnológico, ficou claro que a necessidade de aplicação de hormônios na técnica de miniestaquia é função do manejo adotado na produção e no enraizamento das miniestacas, ou seja, há grandes chances da não necessidade de sua aplicação quando as minicepas fornecedoras de miniestacas estão nutridas e manejadas corretamente e enraizadas em estruturas adequadas. Os sistemas de manejo de minicepas em sistema semi-hidropônico com areia média foram decisivos para tal conquista. Em outras palavras, nesses quase 15 anos de utilização comercial da técnica de miniestaquia, os sistemas de nutrição e manejo das minicepas e enraizamento das miniestacas evoluíram de maneira a dispensar a aplicação de hormônios para melhorar o enraizamento. Exceções ainda valem para certos materiais genéticos, principalmente os subtropicais, com maior dificuldade natural de enraizamento. Em relação aos conteúdos hormonais internos (hormônios naturais) em estacas e miniestacas, a literatura e a crença popular consideram que altas concentrações de auxina, principalmente o ácido indolacético (AIA), forma natural do AIB, seriam necessárias para promoção de enraizamento efetivo. No entanto estudos recentes (em fase de publicação) sobre híbridos de Corymbia citriodora x C. torelliana e Eucalyptus pellita, desenvolvidos pela Embrapa Florestas em parceira com pesquisadores da University of the Sunshine Coast (Queensland, Austrália), demonstraram não ser exatamente assim, ou seja, não existe correlação das concentrações internas de AIA com enraizamento. Naqueles estudos, as concentrações de AIA variaram significativamente entre clones, de 224 a 771 ng por grama de matéria seca para Corymbia torelliana x C. citriodora e de 200 a 840 ng g -1 para Eucalyptus pellita. A resposta de tecidos à auxina pode ser regulada por fatores como a sensibilidade da célula àquele hormônio e a concentração de fatores inibitórios do enraizamento na base do propágulo, o que pode explicar essa falta de correlação entre os conteúdos endógenos de hormônios naturais com a resposta ao enraizamento. Esses resultados, de certa forma contraditórios, de conteúdos hormonais internos em propágulos de eucalipto, indicam que ainda há necessidade de se avançar na compreensão fisiológica dos processos envolvidos na iniciação e no crescimento de raízes em propágulos vegetativos, e, para tanto, novos estudos básicos e aplicados serão imprescindíveis para a obtenção de avanços significativos nessa linha do conhecimento. Estudos de fisiologia básica serão base também para o efetivo desenvolvimento e/ou aprimoramento de outras técnicas biotecnológicas, como a embriogênese somática, por exemplo.

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nutrição e fertilização

Opiniões

a eicas

Opiniões

produtividade e

qualidade florestal

Certo dia, em uma visita a um plantio de eucalipto na região de Ribeirão Preto, estávamos acompanhados por um coordenador de silvicultura. Na ocasião, presenciamos o diálogo desse coordenador com um simples trabalhador rural. Após os cumprimentos tradicionais, o coordenador perguntou ao trabalhador rural: – O que o senhor está fazendo? – o trabalhador rural respondeu. – Estou adubando, senhor. – Qual adubo? – 18:00:18, senhor. – Qual a dose? – 250 gramas por planta, senhor. Resultado: a produtividade florestal obtida nos projetos de eucalipto desse coordenador eram sempre motivos de orgulho. Ele afirmava que todos os trabalhadores rurais sob sua gestão eram incentivados a conhecer a atividade em execução, a sua importância e que o trabalhador rural com conhecimento era mais motivado e a qualidade de seu serviço era superior. O fato de iniciar este artigo com essa curta história é para demonstrar que, além da gestão técnico-financeira da silvicultura, é essencial que

a equipe de campo, sejam supervisores, encarregados, líderes ou trabalhadores de campo, saiba o básico, “o quê” e “o por que” estão realizando determinada atividade, para contribuir para o objetivo de uma floresta de alta produtividade. Essas pessoas devem entender o quão importante é a adubação para o crescimento da planta, o quanto uma aplicação mal-sucedida de herbicida pode ser prejudicial no desenvolvimento das plantas, o quão importante é seguir a recomendação técnica de material genético, entre outros. Muitas empresas têm adotado novas técnicas de adubação, monitoramento nutricional, adubos de liberação controlada, estratégia de espaçamento, material genético específico, tecnologia dos organismos geneticamente modificados, preparo de solo com GPS, defensivos químicos de alta tecnologia, sem dúvida primordiais para atingir altas produtividades. Entretanto têm deixado de investir em treinamento e em formação técnica de seus funcionários, sejam trabalhadores rurais ou operadores de maquinários.

Apesar dos ganhos expressivos em produtividade ... nos últimos trinta anos, que passaram de 15 para 40 m3/ha/ano, ainda há espaço para mais ganhos através das novas tecnologias. " Ernesto Norio Takahashi Diretor da Consultoria Takahashi

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nutrição e fertilização O conhecimento básico de silvicultura deveria ser levado também aos operadores de máquinas de colheita, uma vez que, no sistema de rebrota, o “plantio” será o resultado da colheita realizada, mantendo a sanidade da cepa. Sem esse conhecimento, o operador não terá o cuidado necessário para a condução de rebrota, sistema que reduz drasticamente o custo de reforma de um plantio. A condução de brotação realizada com capricho pode resultar em produtividade superior ao plantio, contrariando totalmente o conhecimento popular. O conhecimento reduz erros operacionais de campo. Somente esse fato pode contribuir com 10 a 20% no aumento da produtividade florestal. Ao longo dos treze anos dedicados à pesquisa silvicultural, observamos que muitos não sabem diferenciar herbicida pré-emergente de pós-emergente, denominando esses produtos simplesmente de “veneno para matar o mato”. Existem também aqueles que não sabem o que é o NPK, não sabem identificar o grânulo vermelho, branco e cinza de um adubo formulado. Houve uma ocasião em que fomos convocados para observar uma carga de adubo no campo. O encarregado afirmara que havia chegado uma carga de 06:30:06 (produto tradicional), baseado na nota fiscal e na etiqueta do saco. Ao abrir o saco, afirmamos que não era o produto descrito na etiqueta, já que havia apenas grânulos cinza. Essas pessoas não estão preparadas para receber um adubo no campo. Culpa deles? Nem sempre. Pode ter sido a deficiência nos seus estudos, ou mesmo a falta de interesse do estudante. Independente disso, o empregador deveria oferecer a oportunidade de aprendizado ao funcionário. O aprendizado pode ser realizado dentro da sua área de trabalho, sem necessidade de um curso intensivo na universidade, mas sim através de informações fornecidas gradualmente no campo, seja pelos seus supervisores/líderes, seja pelas empresas contratadas. No entanto, muitas vezes, devido à necessidade de cumprir metas de plantio, essas pessoas são impedidas de terem acesso ao conhecimento, isto é, muitos desses trabalhadores executam suas atividades no “automático”. A deficiência no controle de qualidade das atividades silviculturais ou a falta de investimento nela têm sido

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Opiniões observadas ao longo dos anos também e implicam a oportunidade de ganhos em produtividade. Máquinas não reguladas corretamente, falta de verificação da adubação, falhas de plantio, erros nos espaçamentos têm sido fatores que pesam significativamente no ganho final do empresário. Houve uma ocasião em que determinada empresa estava insatisfeita com a qualidade da adubação de base; assim, comparou o custo de colocar uma equipe monitorando essa atividade linha a linha com o sistema de tecnologia (GPS e sensores). Decidiu optar por pessoas, pois o custo da tecnologia era cerca de 100 vezes superior. Esse fato demonstra a necessidade de se reverem os preços praticados, isto é, devem-se desenvolver novas metodologias e buscar formas de incentivar cada vez mais o uso da tecnologia, com pessoas mais qualificadas, e, com isso, reduzir custos operacionais. Outro ponto é a questão de metas estabelecidas, que poderiam ser aperfeiçoadas. A gestão de custo e de área plantada é, de fato, essencial para a sustentabilidade da empresa, a qual é gerenciada, anualmente, com base em metas. No entanto, além disso, deveria existir uma meta de produtividade florestal. Não é uma questão simples de ser adicionado ao portfólio de metas dos gestores, pois a produtividade é dependente de vários fatores inerentes à operação técnica do dia a dia. O clima, muita chuva, muita seca, muito calor, muito frio influenciam fortemente na produtividade florestal, bem como fatores da economia globalizada. E, diferente de muitas culturas agrícolas, o resultado de produtividade florestal mais concreto somente é possível de ser determinado a partir do quarto a quinto ano. Com o extenso banco de dados de produtividade florestal, correlacionados ao conhecimento edáfico e histórico climático da região e conhecimento profundo na tecnologia estatística, seria possível estabelecer pesos para cada fator e, assim, propor metas de produtividade florestal e também formas coerentes de contabilizar o ganho. Apesar dos ganhos expressivos em produtividade florestal do eucalipto no Brasil, nos últimos trinta anos, que passaram de 15 para 40 m3/ha/ano, ainda há espaço para mais ganhos através das novas tecnologias e também do comprometimento de toda a cadeia de pessoas envolvidas no processo de produção florestal.


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na pegada de um recurso precioso

Não tão citada globalmente, a “pegada hídrica” tem como objetivo avaliar o ciclo sustentável, justo, econômico e eficiente dos recursos de água doce em todo o mundo. " Wagner Alípio Lopes Gerente de Negócios Creasorb, da Evonik

A “pegada de carbono” é um indicador muito citado globalmente como fator importante na mudança climática atual e como índice de previsão para os efeitos ambientais que encontraremos no futuro. Representa a soma de todas as emissões de gás efeito estufa (GEE) do ciclo de vida resultantes da fabricação de um produto. Não tão citada globalmente, a “pegada hídrica” tem como objetivo avaliar o ciclo sustentável, justo, econômico e eficiente dos recursos de água doce em todo o mundo. Por meio do avanço do conceito desse indicador entre as empresas, os governos e as comunidades, é que se incentiva o manejo de governança e se reduz o impacto ecológico e social do uso desse recurso, ainda disponível.

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A norma ISO 14046 “Pegada Hídrica” (em desenvolvimento) se concentra em definir, avaliar o inventário, calcular o balanço e avaliar o impacto e os requisitos de uso da água. Todavia, para as empresas, ainda se trata de um tema pouco abordado, devido ao ainda existente fácil acesso a esse recurso de baixo custo. Para a silvicultura, o tema é de alta importância, sendo sua disponibilidade em qualidade e em quantidade um grande diferencial em projetos florestais de sucesso, especialmente em novas fronteiras onde a expansão das áreas plantadas é fator-chave, de viabilidade econômica a novos projetos industriais (celulose & papel, carvão, siderurgia, madeira e afins).


Opiniões Dessa forma, o manejo racional da água traz não somente benefícios ecológicos como também reduz os custos de produção, gerando maior rentabilidade aos empreendimentos florestais. Falamos numa oportunidade anterior na Revista Opiniões sobre a disponibilidade de uma nova “ferramenta” para o plantio irrigado, os condicionadores de solo, polímeros superabsorventes de água – ou, como é conhecido, o “gel” de plantio – que agem quando hidratados, como uma reserva hídrica essencial no transplante de mudas para o campo, reduzindo o estresse do plantio e os efeitos da estiagem e auxiliando no estabelecimento da cultura, otimizando custos operacionais pela redução da frequência das irrigações e, por consequência, do volume de água. Permitem, ainda, redução do custo do transporte de água no campo pela redução do número de viagens em áreas remotas. Curiosamente, esses condicionadores de solo, ou gel de plantio, podem absorver até 300 ou 400 vezes seu peso em água, todavia não são solúveis em água devido ao elevado peso molecular. Essa família de produtos realmente condiciona o solo pela elevação da Capacidade de Retenção de Água (CRA). Mesmo após a evapotranspiração e a liberação da água à planta e ao meio, tem a capacidade de se reidratar quando sob nova irrigação ou sob período chuvoso. Consequentemente, essa disponibilidade de reserva hídrica se manterá e permitirá, de forma mais perene, a redução da frequência das irrigações e, novamente, os custos desse manejo. Sua permanência no solo, quando aplicado ao redor das raízes, será de até 4 anos quando, gradativamente, por ação de mecanismos de degradação físico, químico e biológico, seja reduzida até a completa degradação no meio ambiente. Falaremos hoje sobre produtos complementares, que podem atuar em conjunto no plantio irrigado. Trata-se dos aditivos de irrigação. Na verdade, são polímeros de menor peso molecular, lineares e altamente polares, solúveis em água. Não podem ser classificados como condicionadores de solo (apesar de erroneamente o serem assim chamados), pois não modificam as características do solo (no caso retenção de água) nem “condicionam” o solo a uma melhoria mais perene da propriedade Capacidade de Retenção de Água. Quando dispersos em meio aquoso, provocam tão somente o aumento da viscosidade desse meio por se tratar de agentes espessantes poliméricos catiônicos. A alta viscosidade do produto, especialmente em maiores concentrações, dá a aparência de um gel, quando, na verdade, se trata de um efeito tixotrópico desse produto na água. A tixotropia ocorre quando os fluidos não têm comportamento newtoniano ou não são constantes. As soluções tixotrópicas são, portanto, inconstantes. Sob efeito de cizalhamento ou agitação intensa, tornam-se fluidos ou pouco viscosos. Cessada essa agitação, devido à alta polaridade do polímero solúvel em água, se tornam novamente muito viscosos. Daí também erroneamente serem chamados de gel de irrigação, quando deveriam ser considerados somente aditivos de irrigação. Portanto essa viscosidade precisa ser devidamente ajustada, para permitir a fixação temporária do produto ao perfil do solo, preferencialmente formando o bulbo úmido nas raízes da planta. Adicionalmente, por possuírem características catiônicas, ficam ligadas por forças iônicas

às partículas do solo, também iônicas, agregando-as por coesão e, por consequência, mantendo umidade no solo. Essa coesão permite inclusive que o produto seja usado no combate à erosão, reduzindo esse efeito indesejável. O efeito prático do aditivo na irrigação é a redução da percolação da água e a manutenção da capacidade de retenção da água ao redor das raízes da planta, estendendo, por algum tempo, essa disponibilidade e, por consequência, reduzindo a frequência de irrigação e custos inerentes a esse processo, especialmente quando se trata de grandes áreas em projetos florestais. Essa manutenção da umidade permite ainda que os nutrientes ou fertilizantes aplicados não se percam com facilidade, mas estejam disponíveis às raízes. Ora, se os citados condicionadores de solo (gel), quando aplicados no plantio junto às raízes, têm ação mais perene no efeito de retenção de água por poderem ser reidratados, os aditivos de irrigação podem ser combinados e aplicados nas irrigações subsequentes aos plantios, permitindo a reidratação dos primeiros, condicionadores de solo mais perenes. Assim, a água contida como meio de solução dos aditivos hidratará o condicionador de solo (gel) e manterá o efeito sinérgico de molha do bulbo úmido, característico do aditivo. Esse procedimento combinado entre os produtos condicionadores de solo (gel) no plantio e o aditivo de irrigação na irrigação tem sido recomendado em situações de campo muito críticas, com solos arenosos, e em condições mais severas, de elevada temperatura ambiente. Evidentemente que, para cada tipo de solo em diferentes regiões, é imperativo o estudo prévio para a recomendação mais adequada a cada situação. E, apesar de serem boas “ferramentas” de trabalho para o plantio e, principalmente, à economia de água e aos custos das operações de irrigação, possuem “limites” que devem ser conhecidos e respeitados. Acompanhando a evolução da disponibilidade dessas novas alternativas de condicionadores e aditivos, os fabricantes de equipamentos para o plantio e para a irrigação têm se adequado a essa realidade, se antecipando em oferecer sistemas mais ergonômicos, mais produtivos e com maior nível de automatização e mecanização. Sistemas semimecanizados já estão disponíveis no mercado, permitindo expressivo aumento da produtividade no plantio com condicionador de solo, assim como dosadores de maior precisão para os aditivos de irrigação florestal. Sistemas 100% mecanizados são parte da nova geração de equipamentos que estarão também disponíbilizados pelo mercado em futuro breve, finalmente dando o passo que faltava à silvicultura. Portanto concluímos que a Análise do Ciclo de Vida – ACV, do produto oriundo de florestal comercial, além da contribuição na redução do gás efeito estufa (GEE), já conhecida pelo sequestro de CO2, também colabora, de forma positiva, na avaliação da pegada hídrica e na redução no consumo de água e de custos operacionais para a geração desses produtos florestais, sejam eles celulose, papel, madeira, carvão para siderurgia, energia, ou simplesmente na recomposição de florestas nativas, colaborando para um meio ambiente mais sustentável para todos em nosso limitado planeta.

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ensaio especial

Opiniões

índice de

perigo de incêndios como

proteção O incêndio florestal é uma das maiores ameaças aos investimentos em cultivos florestais. "

Alexandre França Tetto Coordenador do Curso Engenharia Florestal da UF-Paraná

O incêndio florestal é uma das maiores ameaças aos investimentos em cultivos florestais. Sua ocorrência está relacionada à existência de material combustível, oxigênio e calor. Todas as formas de prevenção e combate são elaboradas com base nesse tripé. Por outro lado, caso ocorra um incêndio, o comportamento do fogo será regido, além do material combustível, pela topografia e pelas condições meteorológicas. Levando em consideração que as condições meteorológicas, sobretudo temperatura, precipitação, umidade relativa e velocidade do vento, têm influência sobre o fogo, foram criados os índices de perigo de incêndios, que indicam a probabilidade de ocorrer um incêndio, assim como a facilidade de ele se propagar. O estabelecimento de uma relação entre as variáveis meteorológicas e os incêndios teve início a partir de 1920, quando foram elaboradas algumas tabelas de perigo de incêndios, mas, somente em 1933, foi estruturado o primeiro índice, denominado escala de Gisborne. Atualmente, no Brasil, os índices mais utilizados são o Índice de Nesterov, a Fórmula de Monte Alegre (FMA) e a Fórmula de Monte Alegre Alterada (FMA+). O Índice de Nesterov foi desenvolvido na Rússia, em 1945, e possui várias adaptações em sua escala de perigo, com o objetivo de ser utilizado em locais com clima diferente de onde foi desenvolvido, tais como Cuba e Moçambique, por exemplo. A FMA foi desenvolvida em 1972, pelo Prof. Ronaldo Viana Soares. Naquela ocasião, ele já sugeria e destacava a importância do acréscimo da variável "vento", de difícil obtenção naquela época.

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Esse acréscimo se deu em 2005, no trabalho desenvolvido pelo Prof. José Renato Soares Nunes, que propôs a criação de um novo índice, denominado FMA+. Por meio de investigações realizadas na sequência, correlacionando os dias de perigo de incêndio com as ocorrências, foram estabelecidas três escalas de grau de perigo para o estado do Paraná. O mesmo trabalho ainda é necessário para o restante do Brasil. Os índices são ferramentas importantes no planejamento de atividades que envolvam o uso do fogo, tais como medidas preventivas, relacionadas ao comportamento e à supressão do fogo. Além disso, são utilizados para definição da estação normal de perigo de incêndios, orientação para a realização da queima controlada e para auxílio na decisão de fechamento de áreas à visitação pública. Medidas preventivas: • Estabelecimento de períodos para a realização de treinamentos; • Manutenção de estradas, aceiros e acessos aos pontos de captação de água; • Revisão das ferramentas, equipamentos e EPIs; • Estabelecimento de vigilância preventiva e da operação das torres de observação; • Limitação ao uso do fogo em atividades agrícolas e florestais, e • Definição do plantão de equipes e avisos à população. Comportamento do fogo: • Indica a dificuldade de ignição do material combustível; • Tamanho das chamas, e • Velocidade de propagação do fogo. Dificuldade de supressão do incêndio: • Indica qual tipo de combate é viável (direto, paralelo e/ou indireto).


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ensaio especial

Opiniões

Com o intuito de facilitar a interpretação do grau de perigo e auxiliar no planejamento das operações de prevenção e combate, os valores calculados nos índices de perigo de incêndios são divididos em classes de perigo de incêndios. Nos casos do FMA e do FMA+, são utilizadas as seguintes classes: nulo, pequeno, médio, alto e muito alto, que são divulgadas à população e/ou a funcionários por meio de painéis. As classes “alto” e “muito alto” significam que o material combustível está seco e, consequentemente, com alto nível de inflamabilidade, enquanto as classes “nulo” e “pequeno” indicam que o material combustível está com elevado teor de umidade e pouco inflamável. A importância da utilização dos índices não diz respeito somente ao planejamento, mas também aos custos envolvidos na prevenção e no combate aos incêndios florestais. No entanto, para sua correta utilização, é muito importante que se tenha o índice – qualquer que seja - ajustado para a região. A permanência do índice nos graus de perigo alto e muito alto durante vários dias do ano aumenta consideravelmente o custo de proteção da área, uma vez que é necessário acionar todo o sistema de proteção, envolvendo a vigilância, além da restrição a algumas atividades. Por outro lado, um grande número de dias nas classes nulo e pequeno gera uma racionalização excessiva dos recursos, que pode acarretar grandes prejuízos, pelo fato de a área não estar sendo eficientemente protegida.

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