As inovações da colheita de madeira e do transporte florestal - OpCP20

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ISSN: 2177-6504

FLORESTAL: celulose, papel, carvão, siderurgia, painéis e madeira jun-ago 2010

as inovações da colheita de madeira e do transporte florestal


Praia de Ponta de Mangue | Maragogi | Alagoas | Fone/Fax 82 3296-3200 3256-3200 reservas@miramarmaragogiresort.com


Diferente por Natureza


índice

as inovações da colheita de madeira e do transporte florestal

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Editorial de abertura da Edição: Marlos Schmidt

Gerente de Aplicação Técnica da Penzsaur

Empresas Florestais: Renato Alfonso Rostirolla

Gerente Regional Florestal da CMPC - RS

João Antônio Prestes

Diretor de Recursos Naturais e Negócios do Grupo Orsa

Armando José Storni Santiago

Diretor Global Florestal da International Paper

Eurico Morais Almeida Filho

26 27 28 30 32

Gerente de Colheita de Madeira da V&M Florestal

Fornecedores do Sistema: Kenneth MacDonald

Fundador e CEO da Tigercat Industries

Jorge Takeshi Yonezawa

Gerente de Vendas Nacional da Ponsse Latin America

Josué Correia de Araújo

Gerente de Engenharia de Produto da Noma

Matheus Felipe Zonete e Sérgio Martins Correia

Gerente e Diretor de Relacionamento com o Cliente da Savcor

Nelson Yoshiaki Seo

34 36 38 40 41

Consultor Florestal da Caterpillar Brasil

Abelardo Lupion

Deputador Federal e Presidente da Comissão da Agricultura

Sandro Mabel

Deputador Federal e Lider da Regulamentação da Terceirização

Emerson Casali

Gerente Executivo de Relações do Trabalho da CNI

Gláucio Araújo de Oliveira

Procurador do Ministério Público do Trabalho do PR

Geraldo Emediato de Souza

Procurador do Ministério Público do Trabalho de MG

Centros de P&D: Jorge Roberto Malinovski Professor de Colheita e Transporte da UF-Paraná Carlos Cardoso Machado Professor de Colheita e Transporte da UF-Viçosa Fernando Seixas Professor de Colheita e Transporte da Esalq-USP Eduardo da Silva Lopes Coordenador do Cenfor e Professor da Unicentro, Irati-PR Reginaldo Sérgio Pereira Professor de Colheita e Transporte Florestal da UNB

Ensaio Especial:

Gerente Comercial do Grupo Ambitec - Getel Transportes

Toru Sato

Terceirização da Mão de Obra:

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Nilton Cesar Fiedler

Professor de Colheita e Transporte da UF-Espírito Santo

Editora WDS Ltda e Editora VRDS Brasil Ltda: Rua Jerônimo Panazollo, 350 - Ribeirânia - 14096-430, Ribeirão Preto, SP, Brasil - Pabx: +55 16 3965-4600 - opinioes@revistaopinioes.com.br Diretor de Operações: William Domingues de Souza - wds@revistaopinioes.com.br - 16 3965-4660 - Coordenação Nacional de Marketing: Valdirene Ribeiro Domingues de Souza - vrds@ revistaopinioes.com.br - 16 3965-4606 - Suporte de Vendas: Priscila Boniceli de Souza Rolo - pbsc@revistaopinioes.com.br - 16 3965-4698 - Patricia Curtarelli Soares - pcs@revistaopinioes.com.br - 16 3965-4616 - Silvia Granadeiro - sg@revistaopinioes.com.br - 11 8554-1070 e 11 7088-7571 - Jornalista Responsável: William Domingues de Souza - MTb35088 - jornalismo@revistaopinioes.com.br - Coordenadora de Editoria: Lilian Pires - lp@revistaopinioes.com.br - 16 3965-4696 - Freelancer da Editoria: Priscilla Araujo Rocha - par@ revistaopinioes.com.br - Congressos e Eventos: Lilian Pires - lp@revistaopinioes.com.br - 16 3965-4696 - Correspondente na Europa: Sonia Liepold-Mai - sl-mai@T-online.de - +49 821 48-7507 - Correspondente na Índia: Marcelo Gonçalez - mg@revistaopinioes.com.br - Correspondente em Taiwan: Wagner Vila - wv@revistaopinioes.com.br - Jornalista Fotográfica na Ásia: Marcia Maria Ribeiro - mmr@revistaopinioes.com.br Expedição: Donizete Souza Mendonça - dsm@revistaopinioes.com.br - Estruturação Fotográfica: Priscila Boniceli de Souza Rolo - 16 9132-9231 - boniceli@globo.com - Copydesk: Roseli Aparecida de Sousa - ras@revistaopinioes.com.br - Jacilene Ribeiro Oliveira Pimenta - jrop@revistaopinioes.com.br - Tradução para o Inglês: Benno Franz Kialka - BeKom Comunicação Internacional - Fone: 11 6398-0825 - bkialka@bekom.com.br - Rediagramação da Revista Opiniões: Agência Chat Publicom - Fone: 11 3849-4579 - 11 8381-8913 - Tratamento das Imagens: Luis Carlos Rodrigues (Careca) - Finalização: Douglas José de Almeida - Impressão: Grupo Gráfico São Francisco, Ribeirão Preto, SP - Artigos: Os artigos refletem individualmente as opiniões de seus autores - Fotografias dos Articulistas: Acervo pessoal - Foto da Capa e Índice: Jeff Romais - Fazenda Tarumã da Berneck - Cerro Azul, PR - cedidas pela Penzsaur - Periodicidade: Trimestral - Tiragem da Edição: 4.500 exemplares - Veiculação: Comprovada - Os artigos de todos os articulistas de todas as edições das Revistas Opiniões estão publicados na íntegra na home-page www.RevistaOpinioes.com.br

Conselho Editorial da Revista Opiniões - Florestal: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • Helton Damin da Silva • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Marcio Nahuz • Maria José Brito Zakia • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Paulo Yoshio Kageyama • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima

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editorial

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inovações e perspectivas de desenvolvimento " as grandes empresas não podem se dar ao luxo de ter equipamentos em número limítrofe a sua demanda. Os pequenos e médios produtores, podem utilizar-se de equipamentos com a maior intercambiabilidade possível, que sejam de fácil acoplamento às máquinas bases e permitam a eventual utilização em atividades concorrentes " Marlos Schmidt Gerente de Aplicação Técnica da Penzsaur

As definições de ordem mecânica ou de aplicação dos equipamentos em cada processo são fatores muito bem desenvolvidos e dominados pelos fabricantes mundiais. Atualmente, no universo de equipamentos florestais, diferem entre si os níveis dos controles de gestão, por meio dos quais se obtêm os dados estatísticos da produtividade versus desempenho e de operação, os quais são voltados ao conforto, à qualidade, mas, principalmente, à segurança dos operadores e à conservação do meio ambiente. Entendo que esse aspecto da cadeia florestal está bem estruturado em nosso País, por intermédio dos mais diferentes fornecedores e fabricantes de soluções para a silvicultura e colheita das florestas brasileiras. Ainda que em montanhas ou planícies, o setor florestal brasileiro é exemplo no tocante à preservação da biodiversidade e a competitividade nos mercados internacionais. Essas responsabilidades são muito bem absorvidas pelas empresas do setor, e, para isso, utilizam-se dos mais distintos recursos tecnológicos. As empresas florestais absorveram rapidamente grande parte das tecnologias aplicadas no meio e participam do desenvolvimento contínuo para a obtenção de seus resultados. Elas têm realizado estudos práticos com os mais variados equipamentos florestais, buscando otimizar a operação e reduzir proporcionalmente os custos operacionais em relação aos investimentos praticados. Isso tem impulsionado os fabricantes mundiais a investirem e a formatarem parcerias com empresas brasileiras. E isso de uma forma extremamente profissional e responsável, uma vez que os governos mundiais estão buscando conscientizar as nações da sua responsabilidade individual quanto à preservação ambiental. Esse é um dos fatores pelos quais o nosso parque de máquinas é moderno, eficiente no tocante aos processos, na ergonomia operacional e na obtenção de custos dos produtos finais. A derrubada, o desgalhe, o processamento, o baldeio, o empilhamento e o carregamento são a síntese dos processos da colheita florestal executados no campo. A definição do mix de equipamentos a serem aplicados passa principalmente pelos quesitos topografia e logística de processamento na indústria. Dentro disso, foram se desenvolvendo padrões na composição do mix de equipamentos aplicados para a colheita florestal, e as definições de cada empresa têm a sua fundamentação baseada nos resultados obtidos em estudos práticos realizados.

As alternativas tecnológicas que temos disponíveis são as mesmas aplicadas na Europa ou América do Norte, exceto algumas mais extravagantes, como a utilização de helicópteros. Não há nenhuma outra tendência tecnológica que se distinga do usualmente visto no cotidiano. Não chegamos à exaustão tecnológica, nem ao limite da criatividade. Áreas com declividade acentuada são palcos para novos avanços de equipamentos com maior tecnologia embarcada. As grandes empresas não podem se dar ao luxo de ter equipamentos em número limítrofe a sua demanda. Os pequenos e médios produtores podem utilizar-se de equipamentos com a maior intercambiabilidade possível, optando pelos que sejam de fácil acoplamento às máquinas bases e permitam a eventual utilização em atividades concorrentes. A cultura florestal brasileira é restrita a uma pequena parcela da sociedade e facilmente influenciável por interesses nem sempre ambientais. A exemplo, a contínua propagação de que o consumo de papel gera avanço no desmatamento. Essa é a maior demonstração do desconhecimento de causa dos promotores dessa campanha, que perderá força à medida que houver a divulgação maciça acerca das riquezas geradas por esse setor e pela consciência ambiental que ele tem expressado ao longo de anos. Veremos uma nação disposta a expandir seus horizontes plantando árvores para preservar o meio ambiente, restaurando áreas degradadas, conservando o solo, protegendo a biodiversidade, contribuindo significativamente no sequestro de CO2. As empresas florestais investem em educação, saúde e educação ambiental, gerando empregos diretos e a geração de renda indireta, por meio de projetos sólidos de fomento florestal. Tudo isso pode facilmente ser comprovado, pois, do contrário, após 50 anos de atividade, encontraríamos hoje as áreas que foram destinadas ao plantio de florestas totalmente degradadas, destruídas e abandonadas; porém o que vemos são imensas áreas verdes, solo preservado e, em alguns casos, completamente restaurado, pois eram áreas degradadas quando do início das atividades florestais. Este é o efeito que contradiz todos os pensamentos equivocados acerca da atividade florestal. Que sejam coibidos e punidos todos os abusos, mas não restrinjamos a vocação natural de um gigante com apenas 50 anos. Dessa forma, o sentimento é somente um, o de que o futuro da floresta brasileira será verde, mas também amarelo.

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foco estratégico nas soluções Hoje, o setor florestal enfrenta um cenário de negócios que está impactado por várias mudanças conjunturais que precisam ser enfrentadas, para se manter a competitividade da cadeia econômica para a produção de madeira e das atividades das demais cadeias decorrentes que a usam como matéria-prima. Temos um cenário macroeconômico brasileiro com o Real valorizado, alto custo do capital, mão de obra subindo além da inflação, terras cada vez mais inflacionadas, estruturas de logística públicas degradadas ou saturadas, entre outros aspectos a considerar dentro do famoso custo Brasil. Nesse cenário, juntam-se as demandas crescentes e justificáveis por operações focadas em sustentabilidade que nos levam a repensar nossas atividades, procurando torná-las mais amigáveis sob o ponto de vista ambiental e social.

Os princípios, critérios e indicadores das certificações FSC, Cerflor e as ISOs, passando pela qualidade ambiental e pela segurança, devem hoje estar inseridos nas operações florestais. Não podem ser tratados de forma isolada. Os impactos das operações deverão ser, cada vez mais, minimizados. Podemos citar alguns exemplos das demandas que se devem intensificar para as atividades de colheita, transporte, construção e manutenção de estradas: ruído dos equipamentos, compactação do solo, balanço do regime hídrico nas bacias hidrográficas e intervenção visual. A necessidade de aprimorarmos cada vez mais nossas atividades e a busca de soluções de crescente competitividade têm nos levado a modelos de terceirização baseados em performance operacional e não numa simples contratação de prestação de serviços.

" a necessidade de aprimorarmos cada vez mais nossas atividades e a busca de soluções de crescente competitividade têm nos levado a modelos de terceirização baseados em performance operacional e não numa simples contratação de prestação de serviços " Renato Alfonso Rostirolla Gerente Regional Florestal da CMPC Celulose Riograndense

Nosso desafio é conjugar os fatores econômicos, ambientais e sociais numa operação competitiva que atenda à lucratividade almejada nos nossos negócios. Não é possível alcançar esse objetivo apenas otimizando os paradigmas atuais empregados nas atividades florestais. A colheita tem evoluído na mecanização ao utilizar equipamentos cada vez mais desenvolvidos, que operam 24 horas por dia, e, com isso, obtém-se um maior retorno sobre o investimento. As modernas máquinas permitem a obtenção de indicadores de eficiência operacional que nos possibilitam estabelecer metas a serem perseguidas, visando a uma crescente eficácia. Na parte de logística da madeira, existe uma necessidade de se explorar modais até aqui não tão tradicionais, como as hidrovias e ferrovias, além de se buscar otimizar o modal rodoviário com equipamentos como tritrens. Também nesse caso, o uso de modelos de controle dos modais logísticos e sua rastreabilidade são fatores imprescindíveis para aumentarmos a eficiência de uso dos equipamentos. Do ponto de vista ambiental, cresce também o controle sobre o uso eficaz dos combustíveis, visando, além da questão econômica, minimizar as emissões dos gases geradores do efeito estufa. Associado a isso, temos os diversos mecanismos de certificação florestal a atender, pois estes passam a ter na economia globalizada um papel de legislação transnacional, vinda por imposição poderosa dos mercados compradores.

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Precisamos buscar companhias que tenham foco estratégico nas soluções de serviço com desempenho operacional que se aprimore no tempo, de forma a garantir resultados que suportem a sobrevivência dos nossos negócios ao remunerar adequadamente nossos acionistas investidores. Nesses casos, as companhias agregadas a nossa cadeia formadora de valor precisam ter uma cultura organizacional pautada por inovação, seja nos processos de gestão, seja na busca de tecnologias de data aquisition, seja na tecnologia dos equipamentos utilizados na mecanização. Nesse ponto, é importante salientar que a mão de obra no Brasil tenderá a ser extremamente onerosa, por vários fatores: pressão por aumentos salariais acima da inflação, valorização do Real e aumento dos gastos sociais diretos e indiretos (ultimamente, fala-se em 40 horas semanais e aumento da hora extra). Essa pressão no aumento dos gastos acelerará ainda mais os processos de mecanização como forma de minimizar os aumentos de custos. Essa tendência se justificará ainda mais se houver uma queda no custo de capital e a redução dos preços das máquinas com a entrada mais efetiva da China e Índia no mercado ofertante. Por outro lado, em muitas regiões do Brasil, com o crescimento de outras atividades econômicas, começa a existir uma carência de mão de obra qualificada para atender às necessidades operacionais florestais.



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primarização e inovações

da colheita florestal . próximas à linha do Equador Na literatura florestal, é comum verificarmos que a colheita e o transporte, do ponto de vista técnico-econômico, são as partes mais importantes dentro do maciço das atividades florestais. Representam também a maior parcela dos custos na produção da madeira. Nas empresas florestais, esse paradigma prevalece como uma grande oportunidade de melhoria, onde é constante a busca por métodos que proporcionem ganhos de produtividade com menores custos. Sempre de acordo com os padrões e exigências de rigorosas certificações em meio ambiente e manejo florestal. Em 2007, a empresa Jari Celulose, localizada no Vale do Jari, no Amapá, próximo à linha do Equador, ampliou sua capacidade produtiva a partir de mudanças no seu sistema de colheita florestal. A estratégia foi incorporar à frota novos equipamentos de tecnologia avançada e adequada às nossas necessidades e condições operacionais e com custos reduzidos. Entretanto, é inegável, ao analisarmos a operação florestal, o grande diferencial é a competência das equipes florestais que retiram o máximo de rendimento dos equipamentos em suas operações. Competência essa desenvolvida a partir da formação de equipes de operadores e mecânicos extremamente eficientes, que levam os equipamentos a elevados índices de produtividade e disponibilidade operacional. Diante desse contexto, a Jari conta com uma equipe de profissionais qualificados para realizar o processo de formação dos operadores. Tudo começa com uma avaliação do perfil profissional, na qual o candidato selecionado passa por um processo de aprendizagem teórica, com o objetivo de assimilar conhecimentos sobre o equipamento, mecânica, manutenção, técnicas de operação, segurança e meio ambiente. Somente depois dessa fase, acontecerá o primeiro contato com o equipamento. Devemos também considerar que o investimento na aquisição de máquinas com alto nível de tecnologia gera a necessidade de uma manutenção especial, que inclui a garantia da disponibilidade mecânica, treinamento dos técnicos-mecânicos, inspeções diárias, execução de constante manutenção preventiva até o monitoramento a distância dos equipamentos. Buscamos constante inovação de processos, principalmente porque a colheita florestal é o item que mais onera o custo da produção da madeira. Assim, as operações a ela ligadas precisam ser otimizadas. Por isso realizamos vários estudos com módulos de colheita florestal, mostrando

que a produtividade dos povoamentos explorados tem influência direta sobre a eficiência técnica e econômica da maioria das máquinas utilizadas. No entanto, a colheita de madeira de baixo volume por árvore é um dos grandes desafios para os técnicos da Jari. Com a expansão em áreas com site de baixa produtividade (solos arenosos), tem-se buscado módulos que possibilitam o maior rendimento de seus equipamentos com um custo competitivo. Atualmente, é utilizado como principal módulo full-tree (Feller + Skidder + Garra Traçadora), representando 60% de toda demanda fabril. Na operação de madeira sem casca desde 2008 – nessa época a operação seguia o molde da operação tradicional Cut-to-Length (harvester + forwarder) –, foi possível elevar a produtividade do módulo com madeira de baixo volume, com a substituição para um sistema de toras longas. Os equipamentos harvester realizam a derrubada, descascamento, desgalhamento, destopo e formação de feixes no interior das quadras, com o arraste sendo realizado até o subpátio pelo skidder/clambunk, onde o traçamento é feito com garra traçadora. Devido à necessidade de biomassa para a empresa, houve uma mudança para o melhor aproveitamento do resíduo florestal. No módulo de árvores inteiras, as ponteiras do eucalipto são arrastadas até a borda das quadras, permitindo que, após a retirada das toras, fiquem adensadas para a picagem, operação realizada por um picador móvel. O transporte para fábrica é feito via caçamba, com geração de cerca de 8 a 10 toneladas de cavaco de ponteira de eucalipto por hectare. A dinâmica operacional está sustentada por padrões atualizados de produtividade de cada equipamento versus sua meta de eficiência operacional, disponibilidade mecânica e custo. Os gestores recebem informações e indicadores que permitem tomar decisões, reprogramar metas, ter tendências de produtividade e abastecimento o tempo todo. Muito além dos interesses pelos resultados operacionais e econômicos, empregamos nas atividades florestais o conceito de sociedade sustentável como eixo da estratégia de negócios e fator de transformação social. Essa filosofia, que permeia as empresas do Grupo Orsa, é uma visão ampliada de sustentabilidade, que vai além do comprometimento com os negócios e as comunidades onde estamos inseridos. Buscamos a melhoria de vida do País por meio de ações socialmente justas, ambientalmente corretas e economicamente viáveis.

" buscamos constante inovação de processos, principalmente porque a colheita florestal é o item que mais onera o custo da produção da madeira " João Antônio Prestes

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Diretor de Recursos Naturais e Negócios do Grupo Orsa


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COMUNHÃO COM A NATUREZA • Otimizamos os benefícios sustentáveis dos nossos produtos, reduzindo nossas emissões de carbono e ampliando a gestão ambiental. PESSOAS E PARCERIAS

• Comprometemo-nos a desenvolver as pessoas e os parceiros em benefício da sociedade.

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Opiniões Opiniões

o setor florestal tornou-se um dos

pilares da nossa economia

Notadamente, quando vislumbramos as oportunida-des geradas pelas inovações dentro das atividades da colheita de madeira e transporte florestal ao longo dos últimos anos, lembramo-nos dos processos à época, sedimentados na atividade de colheita da madeira, basicamente advindos da ação manual; a dura tarefa das empresas, quer sejam fabricantes ou usuários, em desenvolver e tornar possível a utilização de equipamentos agrícolas adaptados, para viabilizar as diversas atividades que completavam o processo de colheita; finalmente, do uso de caminhões e com-

Se, nos processos de colheita, essa abertura causou um enorme salto tecnológico, no transporte florestal, não se obteve essa mesma leitura, mas, reconhecidamente, impulsionou a indústria de base brasileira de caminhões e implementos rodoviários, para repensar e avançar em parcerias dentro desse mesmo contexto, evoluindo-se para caminhões devidamente adequados e preparados para enfrentar a difícil rotina dentro dos maciços florestais brasileiros e composições que conseguissem unificar maior capacidade de carga transportada, com durabilidade e relações econômicas atraentes, no que tange ao valor por unidade transportada.

" deixar a posição de coadjuvante para ser um país protagonista das atividades de colheita de madeira e transporte florestal não é algo mais utópico "

Armando José Storni Santiago Diretor Global Florestal da International Paper

posições extremamente limitadas em capacidade de força, tração e de carga propriamente dita, para colocar o produto final à disposição no portão das fábricas. Com certeza, vão-se alguns anos, que, entretanto, foram fundamentais para fazer com que esse segmento avançasse na velocidade e ritmo necessários para seu crescimento e desenvolvimento. Um grande divisor de águas para uma efetiva alavancagem dessas atividades, pois eram notórias as citações sobre o Brasil como um dos mais competitivos países na produção de fibra, mas processos como esses, de colheita e transporte, não vinham a reboque dessa grandiosidade tecnológica. Pode ser destacado o ano de 1992, com a abertura das importações, quando esse segmento pôde, então, experimentar equipamentos e máquinas de última geração, devidamente concebidos para utilização em operações de colheita de madeira, independente da sistemática full tree ou cult to lenght que cada empresa, respeitando suas características, optava por desenvolver e empregar.

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Destaca-se a introdução das composições de 9 eixos, que aumentaram a capacidade de carga em mais de 50% em relação aos modelos convencionais tipo semirreboque 3 eixos. Imaginávamos que, se tivéssemos disponibilidade de mão de obra barata, a introdução de sistemas mecanizados seria muito difícil ou mesmo inviabilizaria qualquer ação neste sentido; porém processos de grande escala de produção, obrigatoriamente condicionam-se à utilização de inovações, e o processo mecanizado traduziu-se nessa direção, pois houve um grande número de trabalhadores para atendimento desse tipo de empreitada. Exemplo da International Paper do Brasil é a relação de investimento na aquisição de módulos mecanizados: tinha-se, no ano de 1990, um investimento da ordem de US$ 5,4 milhões em um processo ainda semimecanizado, e, atualmente, esse investimento é da ordem de US$ 3,8 milhões em um processo 100% mecanizado, para uma produção mensal de 90 mil metros cúbicos de madeira.


Opiniões Outra questão importante dentro desse contexto é como obter essas inovações. Sabemos que a chave desse sucesso está na figura fundamental dos fabricantes de máquinas, caminhões e implementos. O apoio e a proposta de desenvolvimento das empresas ou dealers ligados a esse segmento foram e têm sido de fundamental importância para que o País alcance o nível atual e cada vez mais situe-se como referência nesses processos operacionais e logísticos de suprimento e demanda das empresas florestais. Esse contexto de inovações requer também esforços, alto nível de investimento, dificuldades nos processos de importação de máquinas e componentes, exigência de uma mão de obra mais treinada e qualificada, tanto no aspecto da operação como da manutenção. Esses são fatores que trazem obstáculos a serem superados, demandando um esforço enorme das empresas e usuários, para avançarem com sucesso nas responsabilidades a eles atribuídas; o desabastecimento de uma unidade fabril por falta da sua matéria-prima principal é algo desastroso. O Brasil vive seu momento virtuoso e vigoroso, o setor florestal brasileiro tornou-se um dos grandes pilares da nossa economia; há aplicação de técnicas que respeitam a condição social, ambiental e econômica,

impulsionam esse segmento da atividade florestal. Alavancarmos essa condição e garantir a manutenção tecnológica nessas atividades faz-se necessário. É de suma importância, então, que os fabricantes olhem nosso país como a chave do sucesso para essa concretização. Se somos hoje um país referência na produção florestal e já dominamos também, com um alto grau de assertividade, esses processos operacionais que resultam na colheita e no transporte dessa magnífica floresta, devemos, então, homogeneizar essa condição. Olhando o futuro, pensamos onde vamos estar ou aonde pretendemos chegar, quando discorremos sobre este tópico de inovações da colheita de madeira e do transporte florestal no Brasil, deixar a posição de coadjuvante para ser um país protagonista no que se refere a essas atividades não é algo mais utópico. Teremos a feira Expoforest 2011, a ser realizada no interior paulista no próximo ano, onde o setor terá a oportunidade de atualizar-se, com as mais recentes inovações tecnológicas. Imagina-se, no futuro, que essa feira torne-se o maior evento mundial em tecnologia, nos moldes das feiras florestais do continente europeu e da América do Norte. Uma conjugação perfeita: uma grande feira florestal no país com o maior potencial de produção de fibra do mundo.

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colheita florestal:

um planejamento .de longo prazo " com a perspectiva de aumento de demanda de madeira, em função de novos investimentos, é necessário aumentar o efetivo de plantio por fazenda, com a expectativa de praticamente triplicar a produção " Eurico Morais Almeida Filho Gerente de Colheita de Madeira da V&M Florestal

A colheita florestal tem um grande impacto no processo produtivo e carece de um estruturado planejamento de longo prazo, no qual se podem antecipar decisões que vão contribuir para produzir a madeira na quantidade, qualidade e custo esperados. O objetivo é colher madeira, processando árvores em toretes com comprimento e diâmetro prédeterminados, livres de galhos e resíduos florestais, buscando segurança do pessoal envolvido, garantia operacional e custo justo. Nesse processo, o desafio é otimizar todas as operações. Todavia, para se ter o domínio das atividades, é necessário conhecer com precisão as variáveis de cada operação, tais como: volume médio individual das árvores; produtividade da floresta m³/ha; ciclo de plantio (1º ou 2º rotação); layout do talhão; distância de transporte; volume mensal de colheita por unidade de consumo; dispersão geográfica entre fazendas; especificação da madeira (torete), e produtividade/ produção mensal de cada equipamento. Conhecendo tais variáveis, pode-se definir o modelo de colheita a ser adotado, sendo os mais utilizados na atualidade: Colheita semimecanizada: Colheita efetuada com o auxílio de motosserra, utilizada para pequenos volumes ou em áreas de baixo rendimento (volume de madeira/ha). Colheita mecanizada: Colheita efetuada com equipamentos de média/alta produção, utilizada para colher grandes volumes de madeira. Ela pode ser dividida basicamente em dois tipos: 1. Árvores Inteiras: Derrubada Feller Buncher; Desgalha manual; Baldeio skidder, e Desdobra com garra traçadora. 2. Toras curtas: Derrubada/processamento Harvester, e Baldeio Forwarder. Na V&M Florestal, de um total de vinte e duas fazendas, vinte delas se encontram em produção, por isso é necessário manter um estoque com uma idade ideal de corte ou umidade ótima para carbonização. A necessidade de se manter o constante abastecimento de todas as plantas de carbonização e a dispersão geográfica entre as fazendas exige que a empresa mantenha um pequeno módulo de colheita por fazenda ou um módulo maior para atender a blocos de fazendas mais próximas, onde se pode trabalhar com equipamentos mais produtivos e com possibilidades de menor custo.

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Com a perspectiva de aumento de demanda de madeira, em função de novos investimentos, é necessário aumentar o efetivo de plantio por fazenda, com a expectativa de praticamente triplicar a produção. Nessa fase de transição, a empresa vem atuando com o sistema Harvester, um sistema menos produtivo por equipamento e que envolve um número menor de colaboradores que o sistema Feller, evitando a desgalha manual, permitindo atender à baixa produção por fazenda, reduzindo o transporte de equipamentos entre fazendas, mantendo o estoque ideal e transportando madeira com caminhões autocarregáveis cativos por fazenda. Para o aumento de produção previsto para os próximos anos, estamos realizando estudos, buscando viabilizar: Definição do melhor modal de colheita e transporte: Para atender à necessidade de cada unidade/fazenda, deve-se trabalhar com mais de um tipo de colheita, levando em consideração, principalmente, o seu potencial de consumo. Operação própria ou de terceiros: Atualmente, a empresa aluga equipamentos de colheita com a manutenção inclusa, operando os equipamentos com mão de obra própria, mantendo a atividade como própria com a agilidade da manutenção do terceiro - empresas de menor porte e mais ágeis. Treinamento do pessoal envolvido: Esse item é de suma importância para o sucesso do empreendimento, pois essas pessoas são “responsáveis” por equipamentos de alto valor de aquisição/operação e, se não estiverem bem preparadas, dificilmente será possível atingir o objetivo. O trabalho começa com a execução de processo de recrutamento e de seleção, capazes de identificar candidatos que disponham de potencial para serem treinados na ocupação de operador de máquinas de colheita florestal de alta performance. E continua com o estágio tecnológico da mecanização da colheita florestal, passando também pela contratação de empresas idôneas para ministrar os treinamentos introdutórios e as reciclagens necessárias para a manutenção da segurança, qualidade do serviço e conservação do equipamento. Para isso, a V&M Florestal busca parcerias com instituições de ensino, para disponibilizar cursos de operação de equipamentos para pessoas das comunidades onde a empresa atua, como forma de promover geração de trabalho e renda.



fornecedores do sistema

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sistemas alternativos A utilização de feller bunchers fabricados sob encomenda, para a colheita de múltiplas árvores, empilhando-as de forma organizada, é o método mais eficiente e de menor custo em todo mundo para a derrubada de florestas. Utilizando-se um transportador corretamente dimensionado, a serra normalmente, corta entre 350 e 500 árvores por hora. Já se fossem utilizados cabeçotes de serra de rotação contínua e de maior índice de acúmulo, o rendimento da colheita poderia aumentar para entre 600 e 800 árvores por hora. Muitas empresas no Brasil necessitam de madeira descascada, e é nesse aspecto que incorrem em seus maiores e mais caros erros de processamento. No Brasil, a maioria dos cabeçotes de processadoras ou colheitadeiras utilizadas para descascar e cortar galhos de troncos no tamanho certo costumam ser pequenos e montados sobre transportadores com escavadeira. Em outras partes do mundo, utilizam-se transportadores com processadores fabricados sob encomenda, que têm cabeçotes mais robustos projetados para tarefas específicas, apresentam produtividade, disponibilidade e custos mais vantajosos. As empresas mais modernas utilizam máquinas para descascar e cortar galhos de múltiplos troncos para reduzirem ainda mais o custo de suas toras. Também, minimizam o número de cortes aplicados ao tronco original e otimizam o comprimento das toras. Nos Estados Unidos as toras normalmente têm o comprimento do trailer transportador, para que possam ser processadas pelos outros equipamentos nas usinas, porém devem ter pelo menos seis metros de comprimento. Isso significa reduzir os custos da colheita, de manuseio e a quantidade de rejeitos gerada na produção de cavacos, devido à redução do tamanho de finos não aproveitáveis. É nessa fase de operação que ocorrem a maior mudança e as reduções de custo para quem produz cavacos com qualidade para a fabricação de papel ou a produção de biocombustível. A economia conseguida com esse sistema de três partes é considerável e advém da redução dos custos de manuseio nas etapas 1 e 2 do ciclo da colheita, comuns em qualquer sistema utilizado subsequentemente. A etapa 3 do sistema envolve um carregador posicionado junto ao debulhador de corrente que extrai várias árvores de cada vez, alimentando aquela máquina. Uma das maneiras de alcançar uma maior economia resulta da melhor recuperação de fibras nessa fase. As melhores operadoras do mundo recuperam adicionalmente de 5 a 10% em fibras, ao processarem árvores inteiras ao invés de toras mais curtas. Primeiramente, porque geram muito menos finos em comparação à

" muitas empresas no Brasil necessitam de madeira descascada, e é nesse aspecto que incorrem em seus maiores e mais caros erros de processamento "

Kenneth MacDonald

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Fundador e CEO da Tigercat Industries

utilização de uma picadora para processar toras mais curtas e, em segundo lugar, porque conseguem recuperar cavacos utilizáveis, de qualidade para fabricação de papel, a partir de árvores com tronco partido, galhos de grande porte e copas que normalmente sobram como rejeitos. O debulhador de corrente gera rejeitos a partir da casca, de galhos e das folhas que são removidos, quebrados e separados da árvore durante o processo de descascar e cortar galhos. Esse material residual pode ser distribuído entre as fileiras da próxima geração de árvores utilizando-se máquinas para espalhar adubo orgânico. Esse material auxilia na redução da erosão, melhora a retenção de água, e preserva nutrientes que, de outro modo, perder-se-iam e restringe a quantidade de plantas concorrentes, além de reduzir a necessidade por herbicidas. Existem, atualmente, no Brasil, sistemas que geram entre 380 e 400 toneladas em cada turno de dez horas. Lamentavelmente, esses números não se comparam aos obtidos utilizando-se um sistema de descascar e cortar galhos e que compreende também uma picadora de cavacos, que atualmente já está disponível, em que a média está em 625 a 700 toneladas no mesmo período de tempo. Esse sistema separa a máquina debulhadora de corrente com quatro tambores, para descascar e cortar galhos, da máquina picadora de cavacos, em uma distância de aproximadamente dois metros. Esse espaçamento e a capacidade de processamento em velocidade variável durante a etapa de descascar e cortar galhos permitem ao operador efetivamente ver os troncos na seção primária. Podem, assim, melhor tirar a quantidade de casca necessária sem bater no tronco da árvore demasiadamente e criando quantidade expressiva de finos inutilizáveis ou pequenos demais, o que resulta em excesso de casca nos cavacos. O espaço entre as duas máquinas também permite eliminar materiais estranhos, como pedras, metais ou peças quebradas da máquina debulhadora de corrente, que caem ao solo antes de alcançarem a picadora de cavacos e antes de danificarem as serras do disco da picadora. Essa separação e esse método de eliminar contágio auxiliam na redução de custos de conserto e de tempo de máquina parada, o que resulta em economias tanto de melhor produtividade quanto de menores custos de produção. Esses sistemas de fabricação de cavacos com qualidade para fabricação de papel estão em uso apenas na Austrália. A primeira instalação desse tipo na América do Sul será feita em um empreiteiro de eucaliptos no Chile, nos próximos meses. Recomendo que conheçam esses sistemas alternativos.



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Opiniões

a evolução da

colheita mecanizada

Nas últimas três décadas, o setor florestal brasileiro despontou rapidamente como um dos mais avançados, se não o mais avançado, em tecnologia florestal de espécies de rápido crescimento. Graças aos avanços tecnológicos em melhoramento genético, manejo, mecanização da colheita e transporte florestal, houve uma alta de produtividade e performance nos processos operacionais de reflorestamento (silvicultura e manutenção florestal), colheita e transporte, bem como no planejamento e controle de atividades. Essa revolução foi possível graças aos investimentos maciços em mecanização das atividades operacionais (que, anteriormente, tinham como característica o uso intensivo de mão de obra braçal e baixo nível de investimentos em mecanização), à criatividade para encontrar soluções locais específicas, à busca constante de evolução da qualidade dos processos, dos produtos e de redução de custos operacionais. A competição pelo mercado internacional incentivou as grandes empresas de celulose e papel, chapas de madeira, siderurgia e serrarias, isoladamente ou em conjunto com outras empresas, universidades e instituições de pesquisa, a desenvolverem produtos, processos e equipamentos, sempre mirando resultados com retorno econômico. Nesse caso, é justo lembrar as boas iniciativas de mecanização da silvicultura, colheita e transporte de empresas como a Fibria (ex-Aracruz e VCP), Suzano, Duratex, Cenibra, Klabin, International Paper, Rigesa, Berneck, Jari, entre outras. Também os programas cooperativos entre essas empresas, fornecedores e universidades, como o Programa Cooperativo de Mecanização - PCMEC, e do Instituto de Pesquisas e Estudos Florestais - IPEF, que contribuíram para a evolução da mecanização florestal no Brasil nesse período. Outra evolução, pouco percebida, foi a de pequenos prestadores de serviços, que tiveram de acompanhar a melhoria de performance das grandes empresas com soluções criativas de gestão e mecanização, com aumento de produtividade e redução de custos para sua condição local específica. A boa utilização dos recursos para mecanização, muitas vezes feita com sacrifício (devido ao alto custo e escassez de recursos disponíveis), determinou a seleção natural dos “empreiteiros” que deixaram de existir e dos “prestadores de serviços” profissionais que aproveitaram as oportunidades através de uma boa gestão nos processos, utilizando racionalmente os recursos disponíveis para crescer nesse segmento.

" seguindo a tendência mundial, cada vez mais a colheita mecanizada será efetuada por empresas terceirizadas profissionais " Jorge Takeshi Yonezawa

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Gerente de Vendas Nacional da Ponsse Latin America

Terceirização ou Serviço Próprio? No início da mecanização, era determinante que as empresas entrassem com serviço próprio e o objetivo de desenvolver soluções mecanizadas viáveis e formar referências de rendimentos e custos para as suas diversas condições operacionais, como escala de produção mensal, conversão (m³/árvore), topografia, comprimento da madeira, IMA médio, número de sortimentos a serem produzidos e distância média para baldeio. Atualmente, a maior parte das empresas já tem essas referências para estabelecer tarifas justas para prestadores de serviços. Assim sendo, não é mais determinante que a atividade seja própria. Na minha opinião, existem, hoje, boas oportunidades para grandes empresas contratantes com a terceirização de serviços e para pequenas empresas com a implantação de serviços próprios. Se considerarmos todos os custos de colheita própria de uma grande empresa, incluindo os custos de administração, jurídico, financeiro, suprimentos e treinamento, ou seja, overhead, não devem ser muito diferentes dos custos de um prestador de serviços que utiliza os mesmos recursos com mais agilidade e flexibilidade na gestão dos serviços, seguindo as normas ambientais, de ergonomia e de segurança, além de um bom nível de mecanização. Além disso, as grandes empresas têm dado prioridade à utilização dos recursos para investimento no aumento da produção industrial. Outra oportunidade que temos hoje é para a mecanização de pequenas empresas, que têm recebido pressões devido à alta utilização de mão de obra braçal própria ou terceirizada, gerando passivos trabalhistas para o futuro. Para isso, é fundamental dispor de uma escala de produção suficiente para viabilizar os investimentos em máquinas e reduzir os atuais desembolsos mensais. Seguindo a tendência mundial, cada vez mais a colheita mecanizada será efetuada por empresas terceirizadas profissionais, atuando em parceria com as grandes empresas contratantes para obtenção de resultados em conjunto.



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os beneficios do aço de

alta resistência

para o transporte de madeira

O seguimento de transporte rodoviário de madeira está constantemente na pauta de discussões quando o assunto é redução de custos. Administrar as variáveis do transporte de madeira, da lavoura até a fábrica, avaliando o impacto desse processo na formação de preço do produto final, é controlar um item de peso na planilha de custo de produção. Diante desse cenário, nosso corpo de engenharia esteve por dois anos em campo e em laboratório, pesquisando acerca das necessidades que um implemento rodoviário precisar ter para ser uma solução no transporte de madeira. Nesses dois anos de convívio com profissionais ligados diretamente ao processo de extração e transporte da madeira, foram identificados alguns pontos relevantes que fazem a diferença nesse processo: • Eliminação de problemas estruturais no produto, já que grande parte dos equipamentos no mercado, após certo período de uso, mostravam-se frágeis diante da agressividade da operação florestal; • Flexibilização na remoção dos fueiros que acondicionam a madeira no implemento; • Um produto leve, resistente e robusto, ou seja, ter um produto submetido muitas vezes à condição off road (fora de

inovadoras de projeto, nas quais se relevou o uso dos aços de alta resistência na construção desses produtos. Aços de alta resistência: São aços com garantia de composição química e mecânica e altos limites de resistência. Para termos um paralelo comparativo, podemos observar as diferenças de tensão de escoamento e tensão de ruptura entre os aços convencionais e os aços de alta resistência. Os implementos até então existentes no mercado, via de regra, usam o aço convencional, que tem como média uma tensão de escoamento de 280 MPa e tensão de ruptura de 380 MPa. Nos aços de alta resistência estes valores médios sobem para 700 e 750MPa respectivamente. Com isso, é possível ter uma maior resistência mecânica usando uma menor seção de chapa. Na prática, temos peças com espessuras menores com grande resistência. É claro que, para se chegar a esse resultado, é necessário seguir certos critérios de projeto. Essas características são possíveis nesses aços devido a processos de manufatura na qual esses materiais são submetidos. No que se refere à aplicação desses materiais, o setor automobilístico tem relevada vanguarda no uso dessa solução. Já no segmento de implementos rodoviários, o uso iniciou-se recente-

" administrar as variáveis do transporte de madeira, da lavoura até a fábrica, avaliando o impacto desse processo na formação de preço do produto final, é controlar um item de peso na planilha de custo de produção " Josué Correia de Araújo Gerente de Engenharia de Produto da Noma

estrada) com uma tara que proporciona maior rentabilidade quando falamos na lei de balança; • Aumento da vida útil do sistema elétrico, já que a maioria dos produtos em circulação é caracterizado pelo uso do sistema elétrico composto por lanternas com lâmpadas incandescentes, que têm curta duração quando submetidas a condições de vibrações e impactos; • Flexibilidade e elasticidade para o chassi, a fim de absorver as condições de torção na qual o equipamento é submetido no campo. O conhecimento dos requisitos de um implemento ideal para o transporte de madeira possibilitou a adoção de uma filosofia peculiar de projeto para esse segmento. Esse foco de pesquisa e desenvolvimento resultou em soluções

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mente e vem sendo ampliado de forma significativa, em virtude da necessidade de produtos mais leves, objetivando atender às necessidades regulamentares de fiscalização de peso nas rodovias. Os desafios para trabalhar com o aço de alta resistência: Conheceu-se, ao longo desse período de pesquisa e desenvolvimento, que a aplicação desses materiais, em especial em implementos rodoviários, requer alguns princípios de projeto e processo produtivo que jamais devem ser transgredidos. Tais princípios foram formados mediante trabalho de convergência entre nossa engenharia, clientes e fornecedores. Essa sinergia possibilitou o levantamento de informações no que se refere às diferenças entre os aços carbono e os aços de alta resistência. Nesse processo de


Opiniões formação de conceito de projeto, foi possível ampliar o conhecimento sobre as propriedades dos materiais de aço de alta resistência e estabelecer processos específicos, como conformação, estampagem e soldabilidade. A grande mudança dentro da fábrica para trabalhar com o aço de alta resistência se deu principalmente na etapa de solda e conformação. Foi necessária a adequação de todas as máquinas para processar o novo material. Outra mudança foi o treinamento do pessoal, tanto de engenharia quanto do chão de fábrica. O desenvolvimento do projeto: A partir dos dados colhidos em campo e também das informações obtidas através do uso da ferramenta numérica de análise de elemento finitos FEA (Finite Element Analysis), foi realizado o desenvolvimento de todas as configurações possíveis para o transporte de madeira. Nesse processo de desenvolvimento, foi possível identificar os fatores determinantes de projeto, levando em conta todas as características químicas e mecânicas do novo material. Terminada a etapa de detalhamento de projeto, partiu-se para os testes práticos, a fim de sanar dúvidas e comprovar, na prática, o que foi planejado fazer. Todas as entradas de projeto puderam ser consideradas e comprovadas com os testes em campo. Os testes foram realizados em dois conjuntos de bitrens sete eixos, em regiões com condições críticas de uso. Após o período de seis meses, foram feitas as devidas avaliações e correções necessárias nos protótipos e nos projetos. Novos ensaios e testes de campo foram realizados por mais seis meses, alcançando a aprovação final do produto. Os resultados: Para efeito de identificação dos resultados, fizemos um trabalho comparativo em campo junto a clientes parceiros. A comparação foi feita levando em con-

ta produtos anteriormente fabricados a solução proposta, a fim de equalizar os fatores comparativos referentes aos recursos de inovação tecnológica no período. A satisfação da equipe envolvida no projeto foi comprovar que o novo implemento estava 2.000 kg mais leve, permitindo, portanto, o transporte de 2.000 kg a mais de carga. Para efeito de comparação prática, destaca-se o case registrado por um de nossos clientes-parceiros, considerando a mesma estrutura operacional usual de logística, conquistaram um ganho real de 210 toneladas no período de um mês, resultando em uma efetiva redução de custos e, a representação, em contra-partida, do aumento direto do faturamento. Além desse registro, alguns outros importantes detalhes foram observados, dentre os quais destacam-se: • A fixação dos fueiros passou a permitir fácil remoção, mantendo a quantidade ideal conforme o tamanho da madeira; • O chassi permitiu que o produto tivesse leveza e robustez para aguentar a agressividade da operação; • Adotado sistema elétrico em LED, que tem alta durabilidade e maior resistência a impactos e vibrações; • Em função de o produto ser mais leve, teve, consequentemente, um menor gasto de combustível, pneu e desgaste da malha rodoviária, fatores relevantes de sustentabilidade. Por fim, dentro do universo das soluções tecnológicas para o transporte de madeira, tais pontos, mostraram-se surpreendentes. Ressalta-se, entretanto, a importância do contínuo estudo das lacunas operacionais e tecnológicas ainda existentes, a fim minimizar as perdas e os riscos que ocorrem no transporte de madeira.

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inovações impulsionadas pelos benefícios O setor florestal brasileiro, além de contribuir com uma parcela significativa no desenvolvimento da economia do País, é responsável por impulsionar o desenvolvimento tecnológico e inovações. Destaque deve ser dado às operações de colheita e transporte de madeira, que, desde o início do processo de mecanização, vêm a cada ano, surpreendendo com seus avanços e positivos resultados. Um dos motivos desse contínuo desenvolvimento é que, dentre os componentes do custo da madeira, podem-se atribuir 85%, às vezes mais, a essas etapas. Por esse motivo, o cuidado e atenção recebidos. Esses segmentos estão sempre inovando e rebalizando seus processos, de modo a aprimorar os resultados, desde o melhoramento genético e produções de muda até a reorganização de pátios de madeira, passando por espaçamentos de plantio e fertilizações. Praticamente, toda a cadeia produtiva está, assim, sujeita às demandas que possam corroborar a etapa de colheita e transporte de madeira. Sendo assim, atualmente a colheita e o transporte de madeira têm contado com importantes ferramentas para planejamento e controle das operações de campo. As ferramentas de planejamento podem ser segmentadas em três principais: • O planejamento estratégico: que considera o direcionamento corporativo. Algumas empresas já estão incluindo as restrições e os parâmetros estabelecidos pela colheita, dada a sua importância para o processo como um todo; • Planejamento tático: que já inclui restrições de ordem espacial, de sazonalidade, movimentação de equipes, alocação de máquinas e qualidade de madeira, e • Planejamento operacional: que considera questões de logística, transporte de máquina, turnos, metas de produção, dentre outras. O uso de ferramentas de otimização nos três âmbitos do planejamento tem contribuído para significativas reduções de custo, que têm variado entre 5 e 7%, ocasionadas principalmente por ganhos operacionais. Outro ganho importante desses três âmbitos de planejamento integrados é a garantia de uma floresta mais ordenada e a entrega de produtos dentro das especificações requeridas. Dessa maneira, cada vez mais se faz necessário considerar o dimensionamento da colheita florestal como parte integrante do processo de planejamento estratégico, tático e operacional. Somente assim é possível otimizar a alocação dos recursos e, consequentemente, maximizar os investimentos, pois a colheita, além de deter um dos maiores orçamentos, é também responsável por intervir diretamente na mobilização de equipes e máquinas.

Quanto às ferramentas de gestão das operações de colheita e transporte, cabe ressaltar o uso de equipamentos capazes de mensurar automaticamente a produção e enviar essas informações via satélite, ou via GPRS (rede de celular) à central de dados. Esse tipo de ferramenta tem aproximado a gestão dessas operações e proporcionado que ações sejam tomadas a tempo de se intervir nos processos, a fim de se atingir determinadas metas. O uso desse tipo de ferramenta com conexões remotas é recente no Brasil, todavia já vem sendo utilizada em países nórdicos há pelo menos cinco anos. Cabe ainda ressaltar o termo “colheita de precisão”, que deve tornar-se cada vez mais comum, tendo em vista a disponibilidade de tecnologias para envio remoto de dados, que, somados a um inventário florestal cada vez mais preciso, tem se tornado viável através da tecnologia LiDAR Aerotransportado (Sensor Laser originalmente desenvolvido para o mapeamento de terreno), provendo superfícies de produção dentro do talhão; temos, assim, um cenário ótimo para aplicação e uso de ferramentas de colheita de precisão, permitindo o monitoramento da produtividade em tempo real. Outro item muito importante, que está conectado à colheita de precisão é o microplanejamento. Essa ferramenta tem gerado benefícios operacionais, através da determinação de melhores percursos, mapeamento das distâncias de arraste, direção de queda, alocação de estoque, bem como sequenciamento e dimensionamento de equipes. Além disso, tem contribuído também para a sustentabilidade do processo através da minimização da compactação do solo, minimização de impacto às áreas naturais e também para o manejo da paisagem. O desenvolvimento tecnológico e as inovações na colheita e transporte de madeira não estão apenas relacionados ao monitoramento das máquinas e equipamentos utilizados em campo, mas também à conectividade e comunicação entre as equipes de campo. Afinal de contas, essas pessoas é que viabilizam e fazem com que as operações aconteçam, e cabe aos gestores prover um bom planejamento e as ferramentas adequadas. Empresas que contam com gestores participativos no desenvolvimento tecnológico tendem a apresentar bons indicadores de eficiência operacional. As inovações no setor florestal têm firmado um processo cada vez mais eficiente, graças ao planejamento integrado e otimizado de recursos, que maximiza os resultados corporativos, colaborando para o manejo sustentável das florestas e na conectividade das equipes de campo.

" um dos motivos do contínuo desenvolvimento das operações de colheita e de transporte é que, dentre os componentes do custo da madeira, podem-se atribuir 85%, às vezes mais, a essas etapas " Matheus Felipe Zonete e Sérgio Martins Correia

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Gerente e Diretor de Relacionamento com o Cliente da Savcor



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a logística operacional

do transporte rodoviário de madeira

A estruturação da logística operacional para o transporte rodoviário de madeira destinada ao segmento de celulose e papel engloba diversas atividades específicas, de modo a proporcionar um nível de produtividade, custos otimizados, qualidade e segurança necessários ao cumprimento dos objetivos estratégicos da atividade. Em geral, os fatores determinantes do transporte florestal rodoviário relacionam-se à expertise da empresa na área florestal, que inclui a definição do modelo logístico operacional, o desempenho dos veículos e equipamentos utilizados e seus custos. Nesse contexto, é importante definir o tipo de veículo escolhido para cada operação, as características e condições das estradas, o planejamento de trabalho e os fatores humanos. A escolha e dimensionamento da frota deve considerar as condições locais de trabalho, as distâncias das rotas, os volumes e características da madeira transportada, buscando o melhor desempenho operacional e a otimização dos custos. Nesse cenário, verifica-se, na prática, que a utilização de conjuntos de transportes convencionais de 6 eixos (cavalo mecânico e carretas 3 eixos) e de composições especiais, bitrens, rodotrens e tritrens, tracionados com cavalos mecânicos 6 x 4, mostra-se a mais adequada à logística florestal, em função dos tipos de cargas e características das estradas florestais, notadamente em MG, ES, BA, SP, SC e MS. A utilização dessas composições encontra-se restrita à Lei da Balança, com a finalidade de preservar as condições das estradas e obras de artes. O excesso de peso danifica de forma expressiva a suspensão dos caminhões, a capacidade de transporte e a durabilidade dos sistemas de freios, prejudica a direção e gera desgastes prematuros nos pneus. Assim, o peso bruto por unidade de transporte ou composição de veí-culos pode chegar até 45 toneladas. O transporte com peso acima desse valor necessita de autorização especial (bitrens, rodotrens e tritrens). Para os bitrens, nas rodovias estaduais de Santa Catarina, é necessário licença especial, e, nos demais estados e rodovias federais, não há necessidade dessa licença. Para rodotrens nas rodovias federais e nas rodovias do estado de São Paulo, necessita-se de licença especial. Em geral, pode-se constatar que a utilização de rodotrens, tritrens e bitrens representa menos veículos circulando nas estradas, gerando menor dispêndio de combustível, e, portanto, deveria ser

motivo de priorização de interesses e procedimentos nas operações logísticas do transporte florestal, e também, de outros segmentos de relevância na economia brasileira. Para ilustrar a otimização de cargas e ganhos operacionais associados, apresentam-se, a seguir, os volumes médios transportados para essas composições: bitrens – 39 toneladas/74 de metros cúbicos estéreis/46 de metros cúbicos compactos; rodotrens – 53 toneladas; e tritrens – 51 toneladas/110 metros cúbicos estéreis/70 metros cúbicos compactos. Outro fator de suma importância relaciona-se à qualificação dos motoristas condutores dos caminhões, de modo a diminuir os acidentes, melhorar o aproveitamento do combustível, reduzir o dispêndio com a manutenção veicular e aumentar a segurança no transporte das cargas transportadas. Nessa questão, são importantes a seleção e treinamento dos motoristas, iniciais e periódicas, que incluem o detalhamento de assuntos/atividades relacionados a essa atividade e distribuição de uma “cartilha do motorista”, contendo informações sobre direção defensiva, cuidados básicos na utilização dos caminhões, verificação de pneus durante a viagem e importância do preenchimento do diário de bordo das viagens. O monitoramento operacional das viagens, como produtividade estabelecida nas rotas, e aspectos comportamentais dos motoristas, nas estradas e nos contatos com o cliente, deverão ter atenção especial. A logística operacional responsável pelo atendimento às programações de carregamentos dos clientes deverá atentar para as questões envolvendo o cumprimento da produtividade de viagens, que se encontra alinhada com os custos associados e, por consequência, com os fretes negociados com a empresa contratante. Devem-se utilizar sistemas de rastreamento, controlando cada etapa da operação, através da definição de pontos chaves do trajeto, verificando os horários de carga e descarga. Enfim, a gestão do transporte florestal rodoviário deverá ser estruturada com base numa visão sistêmica da operação, envolvendo a indústria e o transportador, e este, atento para a qualificação da mão de obra envolvida nas operações. Assim, a escolha das melhores técnicas de controle logístico, as tecnologias inerentes aos veículos e equipamentos, a qualificação e treinamento permanente do pessoal envolvido e a avaliação operacional periódica, que deverão proporcionar melhorias constantes e ganhos entre as partes, garantirão o sucesso da operação como um todo.

" em geral, os fatores determinantes do transporte florestal rodoviário relacionam-se à expertise da empresa na área florestal, que inclui a definição do modelo logístico operacional, o desempenho dos veículos e equipamentos utilizados e seus custos "

Nelson Yoshiaki Seo

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Gerente Comercial do Grupo Ambitec - Getel Transportes



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inovação

requer investimento e mudanças " É necessário dispor de pessoas comprometidas, motivadas e educadas, quando possível. Educadas por quê? A pessoa educada, além de executar, também toma decisões nas adversidades de seu trabalho, enquanto a treinada só executa e não decide. " Toru Sato Consultor Florestal da Caterpillar Brasil

Atuando na área de mecanização em todo o ciclo da madeira, podemos avaliar que as máquinas necessitam de inovações para acompanhar esse processo, para desenvolver e renovar as diretrizes que, por vezes, imaginamos ser além da capacidade de aceitação do mercado. Com o comprometimento com os desafios e a perseverança dos gestores das grandes empresas florestais brasileiras, conseguimos vencer muitos paradigmas para chegar ao que hoje podemos ter orgulho de ser exemplo no setor nesse mundo globalizado. Nas atividades de colheita e transporte, estão hoje as maiores oportunidades de inovação da mecanização. O crescente interesse já é uma realidade do aproveitamento integral da biomassa. Nós, provedores de soluções mecanizadas, estamos vivenciando uma mudança significativa nos conceitos e nas tratativas das soluções pertinentes a essa nova realidade. Hoje, o mercado está buscando máquinas florestais específicas, sem mais aquela preocupação de usar máquinas com opção de migrar para outra atividade não florestal. Esse é o reflexo de uma realidade em que a indústria madeireira é sólida, confiável e econômica. Acompanhando essa evolução, a própria indústria brasileira já oferece, hoje, máquinas florestais específicas. Como carregadores, fabricados exclusivamente para o setor florestal, sem necessidade de qualquer adaptação como as de construção. Essas máquinas são globais e exportadas para todos os países, pois estão de acordo com as normas internacionais de segurança ambiental. Uma mesma máquina, em cada local de operação, tem diferente resultado produtivo. Cabe a nós, provedores, buscar minimizar ao máximo essas variáveis. Oferecer máquinas sofisticadas, de alta tecnologia, não é o suficiente para ter o sucesso esperado. É necessário dispor de pessoas comprometidas, motivadas e educadas, quando possível. Educadas por quê? A pessoa educada, além de executar, também toma decisões nas adversidades de seu trabalho, enquanto a treinada só executa e não decide. Isso pode ser o diferencial da empresa.

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Estamos na era digital, porém educados dentro dos conceitos analógicos, isso também é um diferencial a ser considerado. A interação homem/máquina é primordial em qualquer situação, pois o bem-estar do operador é de suma importância para que todos os equipamentos tenham bom desempenho e produtividade para conseguir o retorno acima do estimado. Nota-se a migração para máquinas específicas florestais maiores e com mais potência. Essas máquinas, além de mais potentes, conseguem otimizar o sistema com o posicionamento correto das árvores para a operação subsequente, elevando a eficiência operacional e mecânica do sistema, diminuindo o número de máquinas e a mão de obra e, consequentemente, o custo por tonelada colhida. Obter o máximo da eficiência da máquina no menor intervalo de tempo e renová-la no período correto são a maior segurança do sucesso. Cientes dessa situação, muitas empresas estão optando pelo sistema de contrato de manutenção com garantia de disponibilidade para atender as suas necessidades e proteger o seu investimento. Qualquer inovação requer investimento e mudanças internas da empresa; aplicá-las é uma realidade neste mundo competitivo globalizado. Leva-se vantagem onde as informações são controladas por sensoriamento remoto e o monitoramento em tempo real. Padrão nas nossas máquinas florestais, o Product Link permite o monitoramento remoto da localização e das condições em tempo real da máquina, permitindo otimizar a sua produção reduzindo os custos de manutenção e operação. Assim sendo, parte do processo do ciclo da madeira cabe a nós, fornecedores de máquinas florestais, não só disponibilizá-las às empresas, mas também a sustentabilidade de sua continuidade e desenvolvimento para atender às mudanças e aos desafios decorrentes das necessidades cada vez mais complexas e competitivas, para o sucesso das empresas com quem compartilhamos os nossos produtos.



terceirização da mão de obra

terceirização: uma prática de paises desenvolvidos A colheita e o transporte de madeira foram os segmentos que mais avançaram em tecnologia, no Brasil, dentro do negócio florestal, inclusive se igualando ou até desenvolvendo-se mais do que no negócio agrícola. Isso foi impulsionado pela necessidade de as empresas conseguirem e conquistarem a certificação florestal imposta pelos países importadores, caso quisessem destinar seus produtos ao mercado internacional. Os principais setores do negócio florestal, considerando a participação da madeira no custo total de produção dos produtos beneficiados, inclusive os custos de beneficiamento, são: o setor de papel e celulose, onde a madeira representa entre 20% a 25% do custo; o setor de chapas partículas, com aproximadamente 50%; o setor de serraria e laminação, com aproximadamente 70% a 75%, e o setor de energia, onde a madeira corresponde a 95% do custo total do carvão. O índice de mecanização da colheita e do transporte da madeira é mais intenso e desenvolvido no primeiro setor e vai decrescendo nos demais, sendo o menos desenvolvido o segmento que usa a madeira como energia. No primeiro, nada se desperdiça: a biomassa residual da extração da madeira (galhos, casca) é aproveitada nas caldeiras das fábricas. O índice de mecanização também depende do modo de trabalho das empresas. No setor de papel e celulose, devido à preocupação com os acidentes de trabalho, o uso da motoserra praticamente acabou, e a mecanização envolve o corte das árvores, a extração, o carregamento e o transporte da madeira, este último em caminhões bitrens. As áreas de florestas plantadas no Brasil somam 6,6 milhões de hectares, dos quais em torno de 670 mil hectares no Paraná. As florestas destinadas à produção de papel e celulose somam 2,03 milhões de hectares no Brasil e 295 mil hectares no Paraná, o terceiro estado com maior área plantada e, neste, 75% são usados com pinus e 25%, com eucalipto. Apenas no setor de papel e celulose, são 220 empresas localizadas em 17 estados e abrangendo 450 municípios que, no ano passado, exportaram US$ 5 bilhões em papel e celulose e geraram um saldo comercial de US$ 3,7 bilhões. Também são responsáveis pela geração de 115 mil empregos diretos e aproximadamente 500 mil indiretos. O Brasil é o quarto maior produtor mundial de celulose, com 13,5 milhões

de toneladas, e o décimo primeiro de papel, com 9,4 milhões de toneladas. As exportações de madeira somaram US$ 2,2 bilhões em 2009. Os produtos florestais representam o quarto segmento em valor exportado pelo Brasil. A rotação e o rendimento das florestas de pinus é de 15 a 25 anos e 35 a 40 metros cúbicos por hectare e, no eucalipto, é de 6 a 12 anos e com rendimento entre 40 a 45 metros cúbicos por hectare; em ambos os casos, os mais elevados do mundo. Contribuem para tal desempenho a qualidade dos nossos solos, o clima diversificado, os 40 anos de avanço da pesquisa - de processo, genética e biotecnológica, a organização do setor privado, a qualidade da nossa gente, o manejo florestal e a rotação de áreas plantadas, entre outros fatores. Considerando o peso econômico e social do setor florestal e sua alta competitividade internacional, acredito estar passando da hora de o governo passar a encará-lo, considerando o seu potencial de desenvolvimento sustentável, de geração de renda e de empregos. O mercado internacional estabeleceu a certificação florestal pensando que as empresas brasileiras não a conseguiriam. Agora, depois de conseguirem, as empresas estrangeiras estão comprando as nacionais, que têm tecnologia equivalente e clima propício ao desenvolvimento da produção da matéria-prima. O setor, atualmente, tem duas grandes preocupações quanto ao seu futuro. A primeira se refere à legislação ambiental e ao código florestal. Se todas as leis e regulamentos adotados nesses últimos quarenta anos, com preocupação exclusivamente ambiental, fossem cumpridos à risca, 70% das áreas do Brasil não poderiam receber qualquer atividade econômica ou de infraestrutura. Nesse aspecto, o relatório da Comissão Especial que trata do tema, do Deputado Aldo Rebelo e do Presidente da Comissão, deputado Moacir Micheletto, é eloquente e deveria receber o apoio de toda a sociedade e de todos os segmentos produtivos que geram a riqueza deste País, apesar da inegável contrariedade da maioria das ONGs. A segunda envolve a ação do Ministério Público, que acredita ser a colheita da madeira uma área fim e não uma área meio do empreendimento florestal. Baseado nessa falsa premissa, está exigindo das empresas a primarização da mão de obra e a eliminação do prestador de serviços, inclusive exigindo termos de ajustamento de conduta. Por outro lado, vemos que a terceirização das atividades nas empresas é uma prática adotada em todos os países desenvolvidos e em desenvolvimento.

" o setor tem duas preocupações quanto ao futuro: a primeira se refere à legislação ambiental e ao código florestal, a segunda envolve a ação do Ministério Público, que acredita ser a colheita uma área fim e não uma área meio do setor florestal." Abelardo Lupion

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Deputado Federal e Presidente da Comissão da Agricultura e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados


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terceirização: o Brasil não pode ficar na contramão As normas que regem as relações de trabalho no Brasil são ultrapassadas. Muitas vezes, por serem inflexíveis, servem como empecilho para a geração de empregos. Vivemos um novo cenário, onde a terceirização e o serviço temporário fazem parte de uma tendência mundial das empresas modernas. Em muitos países, tem sido a verdadeira junção do aumento da produtividade com a redução de custos. No Brasil, contudo, nos últimos anos, é justamente esses tipos de contratos que têm sido pauta da maioria dos conflitos trabalhistas no judiciário. Falta previsão legal com definições claras sobre a terceirização. Há quase 10 anos, tramita na Câmara um projeto de lei do executivo, do qual sou relator, que pretende dar suporte legislativo a esse que representa um verdadeiro avanço nas relações trabalhistas. A proteção do trabalhador nos dias de hoje deve ser dinâmica e flexível. Que repensemos e quebremos os paradigmas antigos. O projeto proposto pelo Ministério do Trabalho, enviado à análise pelo Congresso, dificilmente será aprovado. Na avaliação da CNI - Confederação Nacional da Indústria, o projeto é inadequado ao proibir a terceirização na atividade-fim de uma empresa. Não consigo distinguir, de forma segura, o que é atividade-fim e meio dentro de uma empresa. Exemplo que sempre utilizo é na construção de um prédio que possui várias etapas, como fundação, acabamento, parte elétrica. O que é fim e meio em uma obra? Terceirizar, a meu ver, significa buscar redução de custos e mais qualidade, a fim de tornar a empresa competitiva. O fato é que, atualmente, não há marco legal. Os empregados contam apenas com a súmula 331 do TST como apoio na hora de reclamar os direitos trabalhistas. A relação contratual é entre o tomador - aquele que utiliza a mão de obra, e o prestador de serviço - aquele que coloca trabalhadores à disposição do tomador. A empresa tomadora se responsabiliza somente subsidiariamente. Não existem regras definidas para a contratação de mão de obra ou para prestação de serviço terceirizado. Não existe segurança jurídica para as empresas tomadoras e as prestadoras na hora de fechar os contratos de prestação de serviço. Os trabalhadores terceirizados não recebem o mesmo tratamento dado aos efetivos quando o contrato é da própria empresa, além da falta de vínculo, que, mesmo com todas as evidências, é difícil configurar vínculo empregatício. A maioria dos postos de trabalho criados pelas parcerias dos serviços terceirizados e temporários se concentram nas micro, pequenas e médias empresas. Significa um impulso para a formação desses tipos de empreendimento.

Se almejarmos crescimento, há que se pensar nos mecanismos que têm aumentado a especialização, a eficiência e a qualidade dos bens gerados pelo setor produtivo. É essa nova realidade que garante maior competitividade e melhor divisão do trabalho. E por que regulamentar? Regulamentar significa dar segurança jurídica à classe trabalhista e às empresas tomadoras de serviço. Apresentei em 2004, um projeto de lei que objetiva regular o contrato de prestação de serviço terceirizado e as relações de trabalho dele decorrentes nos casos em que o prestador seja sociedade empresária que contrate empregados ou subcontrate outra empresa. Estamos propondo diversas mudanças, tais como definição do que é empresa prestadora de serviços e da relação contratante e contratado e requisitos mínimos para o funcionamento da empresa prestadora de serviços a terceiros. Outro ponto é a não configuração de vínculo empregatício entre os trabalhadores ou sócios das empresas prestadoras de serviços e a empresa contratante. O projeto inova ao dispor que a empresa prestadora de serviços pode subcontratar outras empresas para realização dos serviços, o que chamamos de quarteirização. A proposta estabelece que é responsabilidade da contratante garantir as condições de segurança e saúde dos trabalhadores, enquanto estiverem a seu serviço e em suas dependências, ou em local por ela designado. A terceirização de serviços no Brasil é uma realidade. Sua regulamentação deve ser ampliada de forma a contemplar a todos com uma legislação sólida, moderna e transparente. Venha contribuir para a regulação dessa matéria, tão relevante para as relações de trabalho no Brasil. Não pôr em votação pela Câmara dos Deputados a questão dos contratos temporários e terceirizados é deixar de disciplinar tais atividades. E sabemos que é interesse para o próprio desenvolvimento do Brasil que se acabe com a insegurança jurídica e se assegure a existência e a ampliação dessas relações trabalhistas hoje existentes. A terceirização e o serviço temporário não podem ser ignorados pelo executivo, pois fazem parte da realidade do País. É esse um fator primordial, não só para se gerar empregos, mas, sobretudo, para investir em uma força de trabalho capacitada e para que tenhamos fortalecida a competitividade das empresas brasileiras no mercado. O Brasil não pode ficar na contramão.

" a terceirização e o serviço temporário não podem ser ignorados pelo executivo, pois fazem parte da realidade do País "

Sandro Mabel Deputado Federal e Líder da Regulamentação da Terceirização na Câmara dos Deputados

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terceirização da mão de obra

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terceirização nas redes de produção " a ausência de marco legal que regule essa prestação de serviço terceirizado no que se relaciona aos trabalhadores envolvidos ainda é um problema, pois gera grande insegurança jurídica, inclusive atuações contestáveis da fiscalização do trabalho e do próprio judiciário " Emerson Casali Gerente Executivo de Relações do Trabalho da CNI

A organização da produção avança sempre em busca de modelos mais eficientes. De sistemas verticalizados às redes de produção, que se afirmam crescentemente, o objetivo é sempre a melhor adequação, de forma a garantir qualidade do trabalho, menores custos e apropriação tecnológica mais rápida. Nas redes de produção, as empresas se organizam de acordo com suas vocações principais, ficando cada uma responsável por uma determinada parte da produção na busca de um produto final competitivo, o que traz um conjunto de benefícios. O primeiro refere-se à sobrevivência no mercado e à tendência à ampliação dos investimentos, garantindo mais empregos e desenvolvimento. Ampliam-se também as possibilidades de atuação empresarial socialmente responsável, pois haverá melhores condições de cumprir as obrigações trabalhistas e melhorar os salários, de pagar os impostos, de proteger o meio ambiente, de fornecer produtos melhores aos clientes, entre outros. Menores custos de produção significam ainda produtos mais acessíveis, o que beneficia toda a população e principalmente os trabalhadores de renda mais baixa, cuja possibilidade de consumo de produtos e serviços aumenta. Mais demanda significa mais produção e emprego. Um exemplo desse círculo virtuoso: telecomunicações. Com uma rede de produção bem organizada, envolvendo centenas de milhares de trabalhadores, a terceirização permitiu reduzir os preços do serviço, fazendo com que hoje existam quase 200 milhões de linhas de celular utilizadas por todas as classes sociais no Brasil. Trata-se de um processo de inclusão social, que teria dimensão bem menor caso os custos fossem maiores. A terceirização, contudo, continua sendo um dos principais temas discutidos no mundo do trabalho. No Brasil, não há marco legal regulando a matéria e, apesar de imprescindível para a competitividade, ficou muito estigmatizada por processos em que se buscava suprimir direitos trabalhistas. No vácuo da legislação, a terceirização foi “moralizada” pela edição pelo Tribunal Superior do Trabalho da súmula 331 que, ao estabelecer a responsabilidade subsidiária, fez com que as empresas contratantes assumissem outra postura.

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Pesquisas recentes da CNI indicaram que 90% das grandes e médias empresas monitoram o cumprimento da legislação trabalhista por suas contratadas prestadoras de serviços. A informalidade não é mais uma situação presente nesses processos de terceirização. Entretanto, a ausência de marco legal que regule essa prestação de serviço terceirizado no que se relaciona aos trabalhadores envolvidos ainda é um problema, pois gera grande insegurança jurídica, inclusive atuações contestáveis da fiscalização do trabalho e do próprio judiciário. A questão posta, em consequência, é como aliar a proteção aos trabalhadores que participam do processo de terceirização com a segurança jurídica e a competitividade para as empresas. Para isso, é imprescindível que o Congresso regule adequadamente o assunto, em especial, três pontos: • Atividades terceirizáveis: com a existência de redes de produção e a incessante revolução nas relações de produção e de trabalho, é inviável distinguir-se atividade-meio e atividade-fim. Isso traz muita insegurança jurídica; • Responsabilidade das contratantes: deve ser subsidiária em relação aos direitos dos trabalhadores da contratada. Isso garante, da melhor forma, a proteção dos trabalhadores. A responsabilidade solidária, no entanto, inviabiliza a terceirização, pois imputa elevado risco à contratante e é inviável, do ponto de vista documental/burocrático, sem aumentar a proteção; • Negociação coletiva: deve-se prevalecer a situação atual, em que o sindicato da categoria profissional relativa aos terceirizados negocia por eles. Essa é a situação mais adequada e a única viável do ponto de vista legal, afastando insegurança e dúvidas. Exemplificando-se a hipótese contrária, é fácil perceber problemas, como: caso a negociação aplicável fosse a realizada pela categoria predominante da contratante, como se alteram os direitos negociados, caso um trabalhador terceirizado que prestava serviços para uma empresa fosse direcionado a outra? Portanto é imprescindível avançar com urgência em uma regulamentação adequada da terceirização, assegurando o direito dos trabalhadores, a competitividade às empresas e a segurança jurídica a ambos, bem como todos os reflexos positivos proporcionados ao País.



terceirização da mão de obra

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terceirização ou primatização? As relações capital/trabalho ao longo de séculos sempre foram protagonistas de eventos que marcaram a evolução humana. Atualmente, em tempos de globalização, quando a economia mundial encontra-se em franco desenvolvimento, as relações de trabalho se fortalecem, ganham relevância, o mercado de trabalho se vê aquecido e se posta à disposição do capital de modo a atender à demanda de cada segmento do mercado. Recentemente, observou-se uma momentânea retração da economia, denominada de crise econômica mundial. Ocorre que, em curtíssimo lapso temporal, houve uma surpreendente retomada dos processos produtivos. Enfim, as relações capital/trabalho sofreram significativos ajustes, com uma dinâmica jamais presenciada. Essa será a tônica no século XXI, mudanças em curtíssimo lapso temporal. Algumas atividades na área rural encontram-se no limiar de um processo, não mais de incremento de aspectos operacionais, tais como inovações tecnológicas e qualificação profissional do trabalhador, mas de afirmação de conquistas de espaços nas suas respectivas áreas de atuação. As atividades de silvicultura e reflorestamento, por exemplo, sofreram significativos processos de desenvolvimento. Grandes grupos econômicos, não raro multinacionais, estão sedimentando posições ao adquirir extensas propriedades rurais. Para otimizar suas atividades, investem em maquinários de ponta, treinamento de pessoal, concentram as atividades no ramo florestal, conseguindo reduzir os custos operacionais. Nesse cenário, não haverá espaço para empresas de pequeno porte. Pois bem, aliado a esse crescimento, impera uma conscientização ambiental sem precedentes. Os clientes da matéria-prima ou do produto final exigem conduta exemplar em toda a cadeia produtiva da extração da madeira. Todo processo de automação pode ser devidamente assimilado, e, gradativamente, ele chegará. No entanto, o que se depara na extração de madeira, é a vertiginosa utilização de mão de obra terceirizada, proveniente de empresas sem idoneidade econômica, que se arvoram de empregadores quando, na verdade, não passam de ex-empregados rurais, muitos dos quais, pasmem, em tempos remotos, atuavam como empregados para a atual tomadora dos seus serviços. Configura-se, aqui, a intermediação de mão de obra, geralmente acompanhada de relações de trabalho em total informalidade, sem qualquer amparo legal. A grande vilã é justamente a intermediação ilegal, alçada a um posto de maior relevância, notadamente em projetos de venda de florestas em pé.

" A tão propalada responsabilidade social no setor empresarial florestal não se resume a ações isoladas, manifestações por escrito, inserções na mídia ou adstrita apenas a atos de filantropia." Gláucio Araújo de Oliveira

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Procurador do Ministério Público do Trabalho de PR

Ela é a causadora das maiores incidências de infrações trabalhistas no segmento florestal. E, para agravar esse cenário, com a delegação de poderes para as falsas terceirizadas, o dono do negócio acaba perdendo o controle da sua atividade, podendo ser penalizado quando ocorrem flagrantes de precarização das relações de trabalho, como a mídia tem noticiado, em especial quando da existência de casos em que a fiscalização do Ministério do Trabalho e do Ministério Público do Trabalho se depara com situações tipificadoras de condições análogas à de escravo. Ainda em um processo lento de conscientização e responsabilidade social, lampejam grupos econômicos que estão se destacando por respeitarem a dignidade do trabalhador ao lhe conferir um vínculo empregatício direto, possibilitando que os obreiros tenham aspirações de carreira na empresa. Trata-se da chamada primarização das relações de trabalho, inversão de valores comparada com a famigerada terceirização propagada nas atividades rurais. Agora, novos métodos de trabalho, amparados na legislação laboral e na Constituição Federal, englobam o compromisso de se assumirem todas as etapas da cadeia produtiva, sob pena de não se dar credibilidade às certificações ou ISOs tão almejados no setor econômico, haja vista que a presença de intermediários inviabiliza a responsabilização por todos os atos praticados no processo produtivo, deixando de conferir autenticidade aos padrões de qualidade conferidos a uma determinada empresa. Esclarece-se que o fato de uma empresa delegar a terceiros parcela de sua cadeia produtiva não representa ausência de responsabilidade na hipótese de serem constatadas irregularidades no meio ambiente do trabalho dos prestadores de serviços, configurando-se, na esfera judicial, a denominada culpa in eligendo ou culpa in vigilando, quando, não raro, não se cogitar de se fomentar típica precarização das relações do trabalho (condições degradantes do meio ambiente do trabalho, por exemplo) e, na pior das hipóteses, podendo-se caracterizar o trabalho escravo contemporâneo ao se permitir que pequenos empreiteiros, mais conhecidos como “gatos”, exerçam atividade econômica sem ter o devido lastro ou idoneidade econômica. A tão propalada responsabilidade social no setor empresarial florestal não se resume a ações isoladas, manifestações por escrito, inserções na mídia ou adstrita apenas a atos de filantropia. Em uma sociedade democrática, o respeito aos direitos fundamentais do ser humano e a dignidade do trabalhador devem preponderar em relação a qualquer outro interesse do capital.



terceirização da mão de obra

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não é possível terceirizar a colheita florestal " ao transferir para terceiros atividades

essenciais aos seus objetivos sociais, a empresa deve, no mínimo, zelar pelos direitos dos trabalhadores envolvidos em sua cadeia produtiva, observando a legislação trabalhista " Geraldo Emediato de Souza Procurador do Ministério Público do Trabalho de MG

O Ministério Público combate a transferência de atividades essenciais do empreendimento a empresas interpostas, quando a prática se revela danosa aos trabalhadores e é utilizada para a diminuição dos custos da produção. O propósito deste artigo é examinar a possibilidade jurídica e legal de terceirizar a atividade do corte e do transporte de madeira, dentro do setor da silvicultura. Como sabido, a terceirização é o mecanismo pelo qual uma empresa comete a outra atividades não essenciais aos seus objetivos sociais. Como principal vantagem, a terceirização permite a que a tomadora se especialize na realização de sua própria atividade. Por isso a terceirização é um contrato de prestação de serviços firmado entre dois empregadores, no qual se pactua o fornecimento de um produto que resulta do trabalho dos empregados da terceirizada. Não pode haver subordinação pela tomadora dos empregados da prestadora, e o objetivo do contrato de terceirização deve ser a construção de uma parceria entre elas, e não o estabelecimento de um mecanismo de redução de salários dos trabalhadores. De acordo com a lei, empregador é a empresa que contrata, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços (CLT, art. 2º). E, por sua vez, empregado é aquele que presta serviços não eventuais a outrem, mediante salário e subordinação (CLT, art. 3º). A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho fixou o entendimento de que “a contratação de trabalhador por empresa interposta é ilegal, firmando-se o vínculo diretamente com o tomador dos serviços”, como regra, excepcionando apenas o trabalho temporário e os serviços de vigilância, limpeza e conservação, “bem como a dos serviços especializados ligados à atividade-meio do tomador, desde que inexistente a pessoalidade e a subordinação” (Enunciado 331). Não basta que a mão de obra seja especializada, é preciso que realize tarefa estranha aos objetivos sociais da empresa e que não haja subordinação à tomadora. É sabido que diversas atividades essenciais ao empreendimento dos silvicultores foram repassadas a empresas interpostas. As várias etapas da silvicultura (plantio, adubação, combate às pragas, manejo florestal, corte, baldeio, transporte e a própria transformação da madeira em carvão vegetal ou em papel) foram cometidas a terceiros, desobrigando-se o

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real empregador da responsabilidade trabalhista. De mãos dadas à ilegal transferência das atividades finalísticas do empreendimento, vem a precarização das relações de trabalho, materializada sob a forma da discriminação salarial e do descumprimento de normas mínimas de proteção à saúde e à segurança no trabalho. Ao transferir para terceiros atividades essenciais aos seus objetivos sociais, a empresa deve, no mínimo, zelar pelos direitos dos trabalhadores envolvidos em sua cadeia produtiva, observando a legislação trabalhista. Dentro da atividade da silvicultura, não há como recusar o fato de que a tarefa do corte da madeira é essencial e faz parte do empreendimento, sem o qual não é possível executar os objetivos sociais a que se propôs a empresa. Na atividade do corte manual da madeira, é que se encontra o maior número de trabalhadores, sendo certo que os acidentes na execução da tarefa, principalmente com machados e motosserras, são bastante comuns. Ao transferir essa atividade para empresas interpostas, muitas delas inidôneas, o tomador da mão de obra lava as mãos para suas obrigações trabalhistas e, sobretudo, para a prevenção dos acidentes. Portanto, não é possível, à luz do ordenamento jurídico nacional e da jurisprudência consolidada pelo Tribunal Superior do Trabalho (Enunciado 331), a terceirização da atividade do corte/colheita florestal, seja por meio mecânico ou manual. Em relação ao transporte, é preciso considerar que, não sendo a empresa uma transportadora, é possível a contratação de empresas especializadas no serviço, desde que não se tenha em mira a contratação da mão de obra, mas dos serviços propriamente ditos, prestados com os próprios meios de produção da contratada (equipamentos e veículos). E, ainda, a considerar que o transporte se dá internamente, não há como repelir a responsabilidade solidária da contratante em relação aos direitos dos trabalhadores, sobretudo quando o contratado não cumprir com suas obrigações trabalhistas. Concluímos, portanto, que a colheita florestal faz parte da atividade-fim no setor da silvicultura e que o transporte é atividade de apoio, que pode ser realizado por empresas especializadas.


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colheita de madeira:

uma atividade respeitável " o que se procura hoje é maior produção por unidade de área, e, para tanto, as atividades de silvicultura e colheita devem ser 'integradas', para que se possa reduzir o custo por unidade produzida e manter a capacidade produtiva do solo " Jorge Roberto Malinovski Professor de Colheita e Transporte da UF do Paraná

Quando se fala de “colheita de madeira”, logicamente hoje, no Brasil, está se falando de plantações florestais, justamente para não confundir com a retirada de madeira de florestas nativas. Nesse contexto, a evolução desse segmento foi notável nas duas últimas décadas, ou seja, pós era Collor, que, convenhamos, quando chamou nossos automóveis de “carroças” e, por consequência, abriu a economia, fez com todos os segmentos buscassem no mercado máquinas e equipamentos com melhor performance tecnológica. No início, tivemos um gap tecnológico tremendo, não tínhamos mão de obra adequada para usufruir da tecnologia disponível, ou seja, as máquinas e equipamentos potencializavam várias opções tecnológicas, mas, com o conhecimento dos operadores, não se conseguia obter a melhor produtividade. Era a mesma coisa do uso de um computador que pode ser de última geração, mas o usuário somente o utiliza para ver e-mails. Entendo que essa fase já está superada, e, hoje, temos operadores a contento. Quando se observa a evolução dos sistemas de colheita de madeira no Brasil, observamos que, hoje, temos três modelos: madeira curta, madeira longa e cavacos no campo. Não vou discutir máquinas e equipamentos, mas sim o que hoje implica a mecanização desses sistemas. À medida que se aumenta o grau de mecanização dos sistemas, diversas outras variáveis devem ser consideradas. Primeiramente, nota-se a inversão de porcentuais dos custos operacionais, nos quais o de mão de obra vai se tornando menor e, por conseguinte, o das máquinas e equipamentos, maior, daí a forma de visualização também começa a mudar, pois se podem trabalhar mais turnos diários, a logística operacional deve ser mais bem planejada e executada, melhor qualificação da mão de obra, necessidade de maior investimento, etc. Essa é, hoje, a realidade das empresas de maior porte, que possuem certificação florestal no Brasil, e entendo que a mecanização das atividades de colheita de madeira e transporte florestal não tem mais volta. Mas quero aproveitar o ensejo para discutir outra forma de visualizar a produção de madeira proveniente de plantações florestais, que, em meu entender, não é composta somente da colheita, e sim da integração das atividades que compõem a cadeia produtiva da madeira,

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lançando aqui uma ideia baseada no que entendo ser o futuro desse segmento, ou seja, quando quisermos definir as melhores práticas, não falaremos de “silvicultura de precisão”, mas sim de “florestas de precisão”, nas quais devemos integrar a silvicultura, ou seja, a formação de florestas, com a colheita florestal — a obtenção de sortimentos de madeira que serão transportados para as unidades fabris. Nesse contexto, a silvicultura será a “fornecedora” para a “colheita”, e, posteriormente, a “colheita será a “fornecedora” para a silvicultura, por ocasião dos novos plantios. O que interessa é a integração de todas as atividades que compõem a cadeia produtiva e não segmentos isolados. É de extrema relevância que se conheçam, desde o início, todos os fatores que possam afetar a produtividade e o custo operacional por unidade produzida, para então poder planejar, organizar, executar e controlar todas as atividades que compõem a produção de madeira. O que se procura hoje é maior produção por unidade de área, e, para tanto, as atividades de silvicultura e colheita devem ser ”integradas”, para que se possa reduzir o custo por unidade produzida e manter a capacidade produtiva do solo. Portanto, práticas inadequadas dentro da cadeia produtiva devem ser abolidas. Voltando à colheita de madeira, sempre se podem fazer conjecturas sobre o futuro, quais as tendências do mercado, etc. O que se pode antever é que, provavelmente, não teremos novos sistemas de colheita de madeira, mas sim muita tecnologia embarcada nas máquinas e equipamentos atuais. A utilização de biomassa residual aumentará, e, por conseguinte, variações dos sistemas de colheita ocorrerão para atender essa demanda. O uso de ferramentas de geoprocessamento aumentará, tanto para planejamento como para controle de operações, etc. Mas, talvez, o maior desafio estará com o governo, que deverá resolver o caso dos prestadores de serviço, que atualmente querem trabalhar, e têm muitos com bastante competência, mas estão, neste momento, bastante preocupados com a pressão do Ministério Público para que várias empresas assinem “Termo de Ajuste de Conduta”, então primarizando as atividades de colheita de madeira, o que considero um retrocesso, quando se compara com países que consideramos mais evoluídos que o nosso.



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o estado-da-arte da terceirização frente às inovações tecnológicas " As empresas terceirizadas não têm como investir em tecnologia, em especial, pelo fato dos atuais preços dos serviços prestados. Esse cenário poderá se agravar, em virtude do envelhecimento técnico das máquinas que acarretará maiores custos operacionais e menores produtividades. " Carlos Cardoso Machado Professor de Colheita e Transporte da UF de Viçosa

Na utilização da mecanização para colheita de madeira, deve-se considerar que diversos fatores relacionados às características das árvores, ao maciço florestal e ao tipo de terreno, somados aos relacionados à habilidade do operador e a especificações técnicas das máquinas e equipamentos, interferem na capacidade operacional das máquinas e, por consequência, no custo final da madeira processada. O conhecimento da influência desses fatores, tanto isoladamente quanto a interação entre eles, é extremamente necessário para que o usuário possa decidir pelo melhor sistema e como conseguir plena capacidade operacional do sistema escolhido. Ao se adotar informação oriunda de outros países em diferentes condições de trabalho, no que se refere aos padrões da floresta, clima, método de trabalho, formação do operador etc., pode haver decisões equivocadas ou implantação de sistemas inadequados ao uso desejado. Os sistemas mecanizados de colheita florestal estão se modernizando com a introdução constante de novas tecnologias, visando ao aumento da produção e à diminuição dos custos. A maior parte das máquinas disponíveis no mercado nacional são originárias da América do Norte e Escandinávia e possuem alto custo de aquisição. No entanto os prestadores de serviços no Brasil, responsáveis por mais de 60% da mão de obra utilizada na produção de florestas plantadas, estão trabalhando com tecnologia defasada. A modernização das empresas, entendida como o somatório dos conceitos de qualidade, produtividade, agilidade, baixo custo operacional e alta capacidade concorrencial, tem na terceirização uma de suas principais ferramentas, à medida que esse processo permite a concentração de esforços e recursos na atividade principal da organização e da contratação de serviços especializados para tarefas acessórias, estabelecendo-se uma relação de parceria. As principais razões que justificam a terceirização são focalizar as áreas que geram vantagens competitivas, possibilitar melhoria da qualidade nas atividades não essenciais, ter acesso a novas tecnologias, sem arcar com os custos financeiros, assegurar acesso a recursos qualificados, compartilhar riscos operacionais e financeiros com um terceiro e reduzir custos a curto, médio e longo prazo.

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No caso do setor florestal brasileiro, os prestadores de serviços estão presentes desde o plantio até a colheita, passando por todas as etapas do manejo florestal. A fase mais dispendiosa é a colheita florestal, por demandar máquinas complexas, de maior investimento e mão de obra treinada. Observa-se que os empresários do setor de colheita florestal não incluem nas planilhas de custos a remuneração de capital e uma correta depreciação dos bens. Essa não contabilização causa a impossibilidade de renovação dos equipamentos, levando ao envelhecimento das máquinas utilizadas na produção. Atualmente, a idade média das máquinas é superior a 10 anos. Na área de colheita florestal, as empresas terceirizadas não conseguem acompanhar a evolução tecnológica, atuando apenas nas atividades de colheita. Empresas que conseguiram investir em máquinas mais sofisticadas geralmente executam também as atividades de transporte florestal ou receberam grande apoio das empresas contratantes. Isso acontece pelo fato de o setor de colheita não possuir garantias, como patrimônio, principalmente, contratos de longo prazo que viabilizem grandes financiamentos, compatíveis com os preços das máquinas de colheita. Os resultados obtidos nas questões financeiras demonstraram a vulnerabilidade e a dependência dos terceiros junto às empresas contratantes. A necessidade da criação de programas específicos de crédito por parte do governo para investimentos em máquinas florestais é de fundamental importância para a evolução tecnológica do setor. As empresas terceirizadas da área de colheita florestal não têm como investir em tecnologia, em especial, pelo fato dos atuais preços dos serviços prestados. Esse cenário poderá se agravar, em virtude do envelhecimento técnico das máquinas que acarretará maiores custos operacionais e menores produtividades. Além disso, a manutenção mecânica das máquinas de colheita florestal precisa ser preditiva ou preventiva, sinônimo de mão de obra qualificada e pouco disponível no mercado. Por outro lado, o operador dessas máquinas precisa ser qualificado e bem treinado, dado que ele é parte fundamental na produtividade e na melhoria delas.



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as inovações da colheita de madeira A evolução da mecanização nas operações de colheita de madeira é motivada pela necessidade de melhoria das condições de trabalho, redução da mão de obra, aumento da competitividade com o incremento da produtividade e novas alternativas de produção. Os países da Escandinávia, notadamente Finlândia e Suécia, são considerados os principais polos de desenvolvimento de máquinas florestais, também em virtude das condições climáticas adversas, falta de mão de obra e legislação trabalhista restritiva. A nós cabe a adaptação da tecnologia originária daqueles países às nossas condições florestais, ou o próprio desenvolvimento de equipamentos de menor porte e aplicação mais específica. Recentemente, o crescente custo da mão de obra e o aumento das restrições de segurança no ambiente de trabalho levaram ao desenvolvimento do harvester Besten, fabricado pela companhia sueca Gremo AB, operado por controle remoto a partir de um forwarder, constituindo-se de uma máquina com seis rodas, equipada com esteiras, sem cabine e sem operador. Operando em um conjunto formado por um harvester e dois forwarders, entre suas vantagens estão a melhor condição ergonômica para os operadores, menor investimento e o carregamento, logo após o corte das árvores, direto na caixa de carga do forwarder. Na operação de extração de madeira com o forwarder, a atividade com o carregador responde por 50 a 75% do tempo gasto pela máquina. Com o intuito de reduzir esse tempo, um sistema integrando corte, geralmente feito pelo harvester, e extração em uma única máquina, harvester-forwarder ou harwarder, vem sendo testado nos últimos anos. Algumas de suas vantagens referem-se ao trabalho menos monótono, a menor frequência de tráfego em solos “sensíveis” e a melhor performance dos sistemas de desbaste com harvesters. O harwarder pode ter o espaço de carga montado em uma estrutura móvel, de maneira que as toras possam ser carregadas na máquina a partir de várias direções de corte das árvores. O harwarder pode competir com o sistema harvester + forwarder se o tempo gasto com transporte não for uma fração muito grande do tempo total, haja vista que o harwarder não deixa de ser um forwarder mais caro.

Outro tópico refere-se ao aproveitamento da biomassa florestal para a produção de energia. Estimulados por propostas como a do governo dos EUA de substituir, até o ano de 2030, 30% do consumo atual de petróleo por biocombustíveis, incluídos aí 368 milhões toneladas de biomassa florestal, e também por políticas de incentivos fiscais para a substituição de combustíveis fósseis por energia de biomassa, em países como a Finlândia, estudos vêm sendo desenvolvidos para a colheita de resíduos florestais ou a exploração de florestas ditas “energéticas”. Novas máquinas, como o Valmet 801 Bioenergy, oferecem a possibilidade da colheita integrada de lenha e outros produtos em sistemas de toras curtas. O trator combina um cabeçote processador com um picador móvel. Esse harvester especial pode cortar e processar toras e depois transformar o material em cavacos diretamente em uma caixa de carga, com capacidade de 27 m³, situada na parte de trás da máquina. A coleta de resíduos da colheita de madeira pode ser feita por máquinas como a enfardadora John Deere 1490D, que produz fardos onde o volume dos resíduos é reduzido em cerca de 80%, ou protótipos como uma colhedora-picadora-enfardadora (“Bio-baler”), desenvolvida na Universidade Laval (Canadá), que, em uma única operação, corta, pica e enfarda a biomassa florestal, composta basicamente por arbustos e resíduos florestais. Já quanto à colheita de plantações florestais energéticas, com menor ciclo de corte e menor espaçamento de plantio, ainda há um bom campo para o desenvolvimento de equipamentos especificamente desenvolvidos para o corte de espécies como o eucalipto, com as pesquisas sendo feitas com adaptações de colhedoras agrícolas trabalhando em, por exemplo, plantações de salgueiros (willow). Por fim, se considerarmos que o pequeno produtor rural esteja entre os responsáveis por atender aproximadamente 30% da demanda de madeira das grandes empresas, ainda faltam estudos no sentido de aperfeiçoar os sistemas e máquinas de colheita em povoamentos florestais com menor área, o que implica um maior número de deslocamentos e mais tempo ocioso dos equipamentos. A montagem de equipes de colheita por parte de cooperativas de produtores florestais e a produção de máquinas florestais de menor porte e custo de aquisição mais baixo seriam possíveis alternativas.

" Os países da Escandinávia são considerados os principais polos de desenvolvimento de máquinas florestais. A nós cabe a adaptação das suas tecnologias ou desenvolvimento de equipamentos de menor porte e aplicação mais específica. " Fernando Seixas

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Professor de Colheita e Transporte da Esalq-USP


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capacitação profissional

frente às inovações tecnológicas

O processo de inovação tecnológica na colheita de madeira iniciou-se no País, de forma significativa, a partir da década de 90, com a abertura do mercado brasileiro à importação. Nessa época, muitas empresas, fabricantes nacionais e internacionais, disponibilizaram máquinas e equipamentos de alta tecnologia e produtividade, originadas dos países escandinavos e norte-americanos. O avanço da mecanização trouxe vários benefícios às empresas florestais, como redução da dependência de mão de obra, melhoria das condições de trabalho, fornecimento regular e em quantidade crescente de madeira, aumento de produtividade e redução de custos. Atualmente, a colheita de madeira em plantios florestais é considerada uma das principais atividades na definição do custo final da matéria-prima, representando, em média, 50% ou mais dos custos da madeira colocada nos pátios das indústrias. Além disso, trata-se de uma atividade complexa, que é influenciada por diversos fatores que interferem diretamente na forma de execução das operações.

custos acarreta, a longo prazo, maiores custos de formação, menor disponibilidade mecânica dos equipamentos, maior exposição a acidentes, transferência de técnicas inadequadas de operação, acompanhamento inapropriado e tempo insuficiente para a formação de um profissional qualificado. Outro aspecto a destacar é a dificuldade na identificação de pessoas que tenham potencial para serem capacitados na ocupação de operadores de máquinas florestais. Muitas vezes, elevados recursos financeiros são aplicados na capacitação de futuros operadores, que, na realidade, não possuem tal potencial, acarretando baixa produtividade, riscos de acidentes e elevados custos. É fundamental um processo de seleção, capaz de identificar pessoas que tenham perfil e potencial para participarem dos programas de capacitação e se tornarem futuros operadores de máquinas florestais. É importante adotar modelos eficientes de treinamento, que possam não apenas formar operadores, mas profissionais preparados para a gestão e operação das máquinas de colheita de madeira.

" considerando a expansão do setor, a elevada demanda por operadores e o nível tecnológico das máquinas, torna-se de fundamental importância o trabalho desenvolvido pelos Centros de Formação de Operadores existentes no País " Eduardo da Silva Lopes Coordenador do Centro de Formação de Operadores Florestais Universidade Estadual do Centro-Oeste - Unicentro - PR

No processo de inovação tecnológica aplicada à colheita de madeira, devem-se destacar os avanços ocorridos na indústria de máquinas e equipamentos, que passou a disponibilizar modelos cada vez mais produtivos, confiáveis, automatizados e ambientalmente adequados. Além disso, os processos inerentes à manutenção preditiva e preventiva e os sistemas informatizados de planejamento e controle das operações têm contribuído para o sucesso da colheita de madeira. Entretanto, o maior desafio para a efetivação dessas novas tecnologias é a carência de profissionais qualificados, particularmente de mecânicos e operadores. Como a profissionalização da mão de obra é parte básica dos processos de desenvolvimento de novas tecnologias, a capacitação dos operadores de máquinas se constitui a principal fonte identificadora de melhorias e inovações. Os programas de capacitação da mão de obra ainda não são reconhecidos como fundamentais por muitos empresários, e, como consequência, ainda não é oferecida uma qualificação que permita o máximo aproveitamento tecnológico das máquinas e equipamentos. É comum encontrarmos operadores sendo capacitados diretamente na máquina por outro operador; assim, a premissa inicial de redução de

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Como a capacitação de um operador é um investimento significativo, deve-se utilizar de toda a tecnologia disponível, permitindo a formação de um operador de qualidade. É necessário que os futuros operadores recebam conhecimentos sobre procedimentos operacionais, segurança do trabalho, manutenção preventiva básica, simbologia de painel, etc. Em seguida, sejam treinados com o apoio de simuladores de realidade virtual, equipados com joysticks semelhantes àqueles utilizados nas máquinas, cuja ferramenta é comprovadamente eficiente na capacitação de operadores. Por fim, devem aprender executar manutenção preventiva e corretiva básica das máquinas e a operação em situação real de campo. Considerando a expansão do setor, a elevada demanda por operadores e o nível tecnológico das máquinas, torna-se de fundamental importância o trabalho desenvolvido pelos Centros de Formação de Operadores existentes no País. Tal iniciativa, além de contribuir para o desenvolvimento do setor florestal brasileiro, tem possibilitado a redução dos custos de treinamento para os fabricantes e empresas florestais, ganhos de produtividade, redução dos custos de produção e melhoria na qualidade de vida dos trabalhadores florestais.


Opiniões

inovações

da colheita e transporte de madeira

Com 5 milhões de km², o Brasil é detentor de uma das maiores florestas tropicais do mundo e possui, aproximadamente, 6 milhões de hectares de florestas plantadas com pinus e eucalipto, que atendem aos setores de laminado, painéis, madeira serrada, celulose e papel, carvão vegetal e energia. Os primeiros métodos de exploração das florestas brasileiras foram os manuais e o uso de força animal. Esses métodos eram caracterizados pela rusticidade, exigência de grande esforço físico por parte do trabalhador florestal, além do alto grau de risco de acidentes. Até a década de 1940, praticamente não se utilizavam máquinas na colheita florestal, sendo a modernização do setor iniciada na década de 1970, quando surgiram as motosserras profissionais e os tratores agrícolas equipados com implementos florestais. Na década de 1980, vieram as máquinas específicas para a colheita florestal. Todavia, com a abertura das importações em 1994 e o aumento do custo de mão de obra, muitas empresas iniciaram a mecanização da colheita de forma mais intensiva.

Para o sucesso do empreendimento, o treinamento e a valorização de mão de obra são qusitos fundamentais. O uso de simuladores de realidade virtual é uma ferramenta moderna de apoio ao treinamento de operadores de máquinas de colheita florestal, já utilizada corriqueiramente no Brasil. Outro aspecto a considerar são os impactos causados ao solo pelo tráfego dessas máquinas, que pesam entre 20 e 30 toneladas. Estudos com alguns atributos físicos do solo, como, por exemplo, densidade e resistência do solo à penetração, têm sido realizados por diversos pesquisadores como forma de avaliação dos danos causados ao solo, que podem afetar a eficiência das operações de reforma do povoamento florestal. Hoje, algumas empresas florestais estão adotando máquinas com rodados de esteiras, por entenderem que, assim, menor pressão será aplicada ao solo, contribuindo para minimizar os efeitos da compactação mecânica.

" Até a década de 1940, não se utilizavam máquinas na colheita florestal. A modernização do setor foi iniciada na década de 1970, quando surgiram as motosserras profissionais. Na década de 1980, vieram as máquinas específicas para a colheita florestal." Reginaldo Sérgio Pereira Professor de Colheita e Transporte Florestal da UNB

Atualmente, as empresas com alta demanda por madeira e com maior disponibilidade de capital utilizam sistemas e métodos de colheita altamente mecanizados, com máquinas e equipamentos sofisticados. Destaca-se o uso das máquinas de corte florestal harvester (derruba, desgalha, destopa, mede, tora e descasca) e feller-buncher (derruba, acumula e embandeira), os tratores para extração de madeira skidder (trator florestal arrastador) e forwarder (trator florestal autocarregável) e os carregadores mecânicos. Alguns dos modelos do mercado são adaptações de uma retroescavadeira. Possuem cabine fechada com sistema de ar condicionado e proteção contra queda de galhos e árvores. A movimentação dos dispositivos dos implementos florestais são acionados pelo operador, que empunha um controlador joystick. Algumas das vantagens de utilização dessas tecnologias frente aos métodos manuais e semimecanizados (motosserra) são o alto rendimento, conforto e segurança para o trabalhador florestal e possibilidade de trabalho em turnos. Entretanto essas máquinas necessitam de toda uma infraestrutura de apoio, ou seja, peças de reposição, mecânicos treinados, oficina, etc.

Com relação ao transporte florestal, a modalidade predominante no Brasil ainda continua sendo a rodoviária. Justifica-se pela disponibilidade e extensão da malha de estradas do País. Diversas composições veiculares de carga têm sido utilizadas no setor, tais como rodotrem, treminhão, bitrem etc. Uma preocupação do setor de transporte rodoviário florestal, que pode interromper o fluxo de abastecimento das indústrias, é com o baixo padrão de qualidade e conservação das estradas florestais. Normalmente, são estradas que possuem apenas uma estrutura básica de cascalho sobre o subleito, o que pode não ser suficiente para suportar as altas cargas induzidas pelos veículos de transporte de madeira, principalmente, nos períodos chuvosos. As empresas florestais já possuem uma série histórica do uso das modernas tecnologias de colheita e transporte florestal. Indicadores técnicos e econômicos das mais variadas operações, envolvendo sistemas e métodos de trabalho, já são bastante conhecidos. Eles variam de região para região e em função do tipo de povoamento, das condições ambientais (solo, clima e topografia), da finalidade da madeira (tamanho das toras), das máquinas, equipamentos e recursos financeiros disponíveis.

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ensaio especial

Opiniões

tendências e perspectivas

do transporte de madeira no Brasil

Nos últimos anos, o transporte de madeira no Brasil experimentou períodos de muitas mudanças que contribuíram significativamente para o seu aperfeiçoamento e profissionalização. Há um forte predomínio no País de utilização do modal rodoviário, apesar de, cada vez mais, diversas empresas realizarem o transporte florestal em ferrovias e hidrovias fluviais e marítimas. O setor florestal como um todo se especializou muito e tem buscado, em todas as suas operações, a redução de custos, melhoria da qualidade e maximização dos rendimentos. As operações de colheita e transporte de madeira são as mais dispendiosas de todo o processo produtivo e necessitam de um planejamento minucioso das etapas do processo. Portanto, toda a logística operacional deve ser criteriosamente planejada, pois os gargalos na cadeia de produção podem parar uma fábrica. Os executores da colheita e transporte devem conhecer perfeitamente o processo e trabalhar continuamente com estudo de tempos e movimentos, e análise de custos e rendimentos. Isso facilitará a análise da demanda, definição de turnos, análise dos custos, cálculo da eficiência operacional e disponibilidade mecânica. Além disso, estratégias devem ser usadas, como a manutenção de estoques na fábrica e no campo, corte de áreas de mais fácil acesso nos períodos chuvosos e cascalhamento de pontos críticos nas estradas. Para o transporte de madeira originada de talhões muito inclinados, deve-se analisar a viabilidade de uso de veículos de menor capacidade de carga até um pátio intermediário para então fazer o transbordo da madeira para uma composição veicular de maior capacidade. Isso possibilitará um menor investimento em um elevado padrão de estrada nessa área declivosa.

" os altos investimentos em mecanização da colheita e transporte exigem processos otimizados, extremamente bem planejados "

Nilton Cesar Fiedler Professor de Colheita e Transporte da UF do Espírito Santo

Existe uma tendência lógica no setor de opção por veículos de maior capacidade de carga. Isso exige dos fabricantes maior tecnologia no processo de fabricação, aliando elevado desempenho, rusticidade para trafegar em estradas de terra, facilidade de manobras, elevada força de tração, eficiência no consumo de combustível e preço compatível.

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Para conquistar e manter o mercado e obter boa competitividade, as empresas florestais brasileiras têm se preocupado muito com a otimização do processo produtivo. Assim, os altos investimentos em mecanização da colheita e transporte exigem processos otimizados, extremamente bem planejados. Alguns modelos de gerenciamento não são mais aceitáveis, como a opção por manutenção corretiva dos maquinários, aquisição de maquinários complexos e caros sem justificativa de demanda contínua, transporte de madeira sem a secagem adequada, filas de veículos aguardando carregamento no campo ou descarregamento na fábrica, utilização de rotas sem planejamento prévio do fluxo e sentido carregado/vazio, estradas sem projeto adequado para o tipo de veículo utilizado, comprimentos de tora fora do padrão e operadores e motoristas sem treinamento e comprometimento adequados. Por outro lado, a exigência de otimização, qualidade, produtividade, menor custo nunca poderá ser completamente implementada sem que haja preocupação com a ergonomia do maquinário e do processo produtivo e a segurança dos trabalhadores. Para viabilizar os elevados investimentos, manter as certificações conquistadas, os gestores da área de colheita e transporte de madeira têm que buscar e exigir dos parceiros o comprometimento com o abastecimento contínuo das fábricas aliado com a elevada qualidade do trabalho, a saúde, a segurança e o bem-estar de todos os trabalhadores. Dessa forma, as empresas terceirizadas devem absorver o clima organizacional do sistema produtivo, para também garantir a sustentabilidade dos seus empreendimentos. Essas são tendências que, felizmente, não têm volta e estão levando o setor florestal brasileiro a ser cada vez mais competitivo em nível global.