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ISSN: 2177-6504

SUCROENERGÉTICO: cana, açúcar, etanol & bioeletricidade ano 14 • número 50 • Divisão C • Out-Dez 2016

um pacto nacional de longo prazo


QUEM ESCREVE NA REVISTA OPINIÕES:

Em 14 anos de operação, a Revista Opiniões publicou 2.196 artigos exclusivos, escritos pelos mais respeitados especialistas do Brasil e do mundo, sobre exatamente 100 diferentes pautas, tornando-se uma das mais respeitadas mídias dos sistemas sucroenergética e florestal do País. Governo e países estrangeiros: 3 Presidentes da República, 2 Candidatos à Presidência, 29 Ministros de Estado, 20 Senadores e Deputados, 18 Governadores, 59 Secretários de Estado, 9 Promotores, 81 Diretores de Autarquias, e 21 Embaixadores estrangeiros

11% 18% 12%

Usinas, Destilarias e empresas florestais: 122 Presidentes, 163 Diretores, 119 Gerentes e 44 Técnicos

20%

Entidades: 210 Presidentes e 80 Diretores

13% 26%

Universidades e Centros de P&D: 230 Professores, 129 Pesquisadores, 93 Lideres de projetos, e 118 Chefes-gerais, Diretores e Presidentes de Centros de P&D

Fornecedores: 376 desenvolvedores de tecnologia Consultores: 270 desenvolvedores de tecnologia

QUEM RECEBE A REVISTA OPINIÕES:

A Revista Opiniões é enviada nominal e gratuitamente para todos os níveis de comando de 100% das unidades produtoras – incluindo as em projeto ou em construção; universidades e centros de P&D; entidades e órgãos governamentais interessados nas áreas industrial, agrícola e silvicultural; empresas fornecedoras envolvidas na produção de Cana, Açúcar, Etanol e Bioeletricidade, Celulose, Papel, Carvão, Siderurgia, Painéis e Madeira Sólida. Sucroenergético:

Florestal:

Fornecedores: 16% Articulistas: 11% Entidades, Universidades, Centro de P&D e Governo: 5%

Fornecedores: 16%

16% 11%

68%

5%

Produtores: 37%: Diretores 22%: Gerentes 41%: Todos os níveis de Supervisão

Articulistas: 18% Entidades, Universidades, Centro de P&D e Governo: 12%

16% 18% 54% 12%

Produtores: 19%: Diretores 32%: Gerentes 49%: Todos os níveis de Supervisão

GARANTIA REAL DE IMPRESSÃO E VEICULAÇÃO:

Como prova efetiva da tiragem e distribuição realizada, disponibilizamos ao anunciante, cópias das notas fiscais e dos documentos de cobrança e de pagamento da impressão da Gráfica e do despacho dos Correios, além de relatórios quantitativo e percentual da distribuição por tipo de empresa, estados e regiões geográficas do país. Também disponibilizamos aos Anunciantes visitas de auditoria, sem prévio aviso ou agendamento, para comprovação física dos sistemas operacionais e de distribuição das Revistas Opiniões. Sucroenergético: 63%: Sudeste 8%: Sul 1%: Norte 12%: Nordeste 13%: Centro-Oeste 3%: DF

Florestal:

13%

3%

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46%: Sudeste 34%: Sul 5%: Norte 5%: Nordeste 6%: Centro-Oeste 4%: DF

4% 6% 5% 5%

Sudeste

46% 34%

Sul Norte Nordeste Centro-Oeste DF


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Opiniões


índice

um pacto nacional de longo prazo

Produtores:

Editorial:

6

Eduardo Pereira de Carvalho Economista

Ensaio especial:

48

Tarcilo Ricardo Rodrigues

8 10 12

Jacyr da Silva Costa Filho

14 18 20 22

Alexandre Enrico Silva Figliolino

Diretor da Bioagência

Diretor região Brasil da Tereos

Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo Diretor Comercial da Usina Alta Mogiana

Marcelo Mancini Stella

Vice-presidente Comercial da Odebrecht Agroindustrial

Especialistas: Consultor-sócio da MB Agro

Luiz Augusto Barroso

Presidente da EPE - Empresa de Pesquisa Energética

Plinio Mário Nastari Presidente da Datagro

Adriano José Pires Rodrigues

Entidades:

24 28 32 36 38 40 44

Celso Torquato Junqueira Franco Presidente da UDOP

Mário Campos Filho Presidente da SIAMIG

Paulo Roberto Gallo Presidente do Ceise-Br

Pedro Robério de Melo Nogueira Presidente do Sindaçúcar-Alagoas

Eduardo Vasconcellos Romão Presidente da Orplana

Ismael Perina Junior

Presidente da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool

Marcelo Weyland Barbosa Vieira

Vice-presidente da SRB - Sociedade Rural Brasileira

Diretor-geral do CBIE - Centro Brasileiro de Infraestrutura

Editora WDS Ltda e Editora VRDS Brasil Ltda: Rua Jerônimo Panazollo, 350 - 14096-430, Ribeirão Preto, SP, Brasil - Pabx: +55 16 3965-4600 - e-Mail Geral: Opinioes@RevistaOpinioes.com.br n n Diretor Geral de Operações e Editor Chefe: William Domingues de Souza - 16 3965-4660- WDS@RevistaOpinioes.com.br Coordenadora Nacional de Marketing: Valdirene Ribeiro Souza - Fone: 16 3965-4606 - VRDS@RevistaOpinioes.com.br nVendas: Lilian Restino - 16 3965-4696 - LR@RevistaOpinioes.com.br • Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nJornalista Responsável: William Domingues de Souza - MTb35088 - jornalismo@RevistaOpinioes.com.br nEdição Fotográfica: Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nProjetos Futuros: Julia Boniceli Rolo - 2604-2006 - JuliaBR@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Avançados: Luisa Boniceli Rolo - 2304-2012 - LuisaBR@RevistaOpinioes.com.br nConsultoria Juridica: Priscilla Araujo Rocha nCorrespondente na Europa (Augsburg Alemanha): Sonia Liepold-Mai Fone: +49 821 48-7507 - sl-mai@T-online.de nDesenvolvimento de Mercados na Ásia: Marcelo Gonçalez - MG@RevistaOpinioes.com.br nExpedição: Donizete Souza Mendonça - DSM@ RevistaOpinioes.com.br nCopydesk: Roseli Aparecida de Sousa - RAS@RevistaOpinioes.com.br nTratamento das Imagens: João Carlos Leite nFinalização: Douglas José de Almeira nArtigos: Os artigos refletem individualmente as opiniões pessoais de seus próprios autores nFoto da Capa: Banco de Fotos da Revista Opiniões nFoto do Índice: Usina Alta Mogiana, unidade de São Joaquim da Barra-SP por Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo nFotos das Ilustrações: Paulo Alfafin Fotografia - 19 3422-2502 - 19 8111-8887 - paulo@pauloaltafin.com.br • Ary Diesendruck Photografer - 11 3814-4644 - 11 99604-5244 - ad@arydiesendruck.com.br • Tadeu Fessel Fotografias - 11 3262-2360 - 11 95606-9777 - tadeu.fessel@gmail.com • Acervo Revista Opiniões e dos específicos articulistas n Fotos dos Articulistas: Acervo Pessoal dos Articulistas e de seus fotógrafos pessoais ou corporativos nVeiculação Comprovada: Através da apresentação dos documentos fiscais de pagamento dos serviços de Gráfica e de Postagem dos Correios nTiragem Revista Impressa: 6.500 exemplares nRevista eletrônica: Cadastre-se no Site da Revista Opiniões e receba diretamente em seu computador a edição eletrônica, imagemn fiel da revista impressa nPortal: Estão disponíveis em nosso Site todos os artigos, de todos os articulistas, de todas as edições, de todas as divisões das publicações da Editora WDS, desde os seus respectivos lançamentos nHome-Page: www.RevistaOpinioes.com.br

Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Marcio Nahuz • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Roosevelt de Paula Almado • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Paulo Roberto Gallo • Pedro Robério de Melo Nogueira • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Roberto Isao Kishinami • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Xico Graziano


editorial de abertura

agricultura: uma visão de longo prazo ou por que não podemos continuar a mamar nas tetas generosas (sic) do governo...? Até há pouquíssimas gerações, a luta pelo comer foi o principal foco da atividade humana. A procura por segurança alimentar presidiu inconteste a história do Homo sapiens. Muitos de nós não nos damos conta da proximidade – catastrófica para a nossa espécie – em que esse combate esteve por se perder, e desgraçada e efetivamente perdido foi para muitos povos e culturas. Hoje, a abundância relativa faz com que a hipótese de que todos terão algo para comer esteja conscientemente incorporada ao ritmo de nossas vidas. Claro que isso é uma simplificação da realidade: problemas vergonhosos continuam a existir. A subnutrição, prima pobre da fome, atinge, pelo menos, 2 bilhões dos mais de 7,3 bilhões de habitantes da Terra hoje. Mas não por falta de produção e, sim, por entraves em sua distribuição. De qualquer forma, um olhar para o futuro não tão distante – 2050, horizonte razoável para qualquer visão estratégica – mostra-nos com pouco menos de 10 bilhões de pessoas, com crescimento concentrado na África e no sudeste asiático. Relevante é saber que se estima um acréscimo de demanda por comida, fibras naturais e bioenergia de 70%, em pouco mais de uma geração. Seremos capazes de produzir tanto? O economista inglês Thomas Malthus (17661834) dizia que não. É dele a proposição de que o crescimento populacional iria ultrapassar a oferta de alimentos. Um avançava a taxas geométricas; outra, a taxas aritméticas. Não poderia haver cenário mais trágico.

Mas, evidentemente, ele não previu a ocupação econômica das pradarias norte-americanas ou a conquista do cerrado brasileiro, que ampliaram, de maneira extraordinária, a oferta global de comida. Nem imaginou, por igual, a revolução verde. Sabemos que os obstáculos para a ampliação da oferta foram e estão sendo superados pela adoção de políticas públicas sensatas (em especial investimentos em infraestrutura) e pela aplicação e pela disseminação de tecnologia. Tudo o que se disser sobre a importância da contribuição tecnológica para a superação dos obstáculos malthusiânicos é pouco. Desde o enunciado das Leis de Mendel, à seleção e ao melhoramento genético, aos equipamentos e instrumentos agrícolas, aos fertilizantes, defensivos, herbicidas e corretivos, à fantástica engenhosidade daqueles que revolucionaram os modos de gestão e de produção e nos trouxeram até aqui, tudo isso enterrou as profecias de Malthus. Mas, ainda assim, e apesar da incrível revolução nos campos, a verdade é que não faltam argumentos, hoje, aos neomalthusianos, ao apontar problemas relevantes. Há estagnação relativa no crescimento da produtividade de commodities essenciais, como arroz e trigo. Há quase plena ocupação das terras cultiváveis. Há legítimas preocupações quanto à disponibilidade de água. Há o fantasma real das consequências perniciosas à produção agrícola das mudanças climáticas. Há a influência maléfica de políticas equivocadas. Em outras palavras, há preocupações sérias quanto ao aumento necessário da oferta alimentar. Nem tudo são flores. Temos enfrentado problemas importantes aqui no Brasil. Vejamos a cultura da cana-de-açúcar. Objeto de um dos mais acertados programas estratégicos governamentais de todos os tempos, há cerca de 40 anos, o Proálcool trouxe consigo uma bateria de inovações tecnológicas que elevaram a produção do etanol de 2.000 litros por hectare, nos anos de 1970, ;

Longa é a lista de horrores. Várias as explicações, mas a generalização da colheita mecânica no Centro-Sul parece receber a maior parte da culpa. Pobre colhedeira... se ela pudesse falar, apontaria o grande culpado: o absoluto descalabro das políticas públicas em torno do etanol, que feriu tão gravemente um programa de tal envergadura. "

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Opiniões para os atuais 7.000 litros, com notável contribuição para o campo vital dos combustíveis renováveis e enorme efeito positivo de combate ao aquecimento global. Saímos de um volume anual de 100 milhões de toneladas de cana para 650, com importantíssima contribuição, mais recente, dos carros flexíveis. Mas, inesperadamente, as coisas mudaram. Assistimos a uma sensível reversão, ao longo desse decênio, de muito dos avanços até então obtidos, apesar da continuidade dos discursos louvatórios. Diminuição dos investimentos na pesquisa e desenvolvimento; baixíssima renovação das culturas; involução da produtividade; envelhecimento das idades médias das canas; ausência de variedades adaptadas à nova fronteira canavieira; perigosa concentração em poucos e velhos cultivares; paralisação das expansões; quebra de enorme contingente produtivo. Longa é a lista de horrores. Várias as explicações, mas a generalização da colheita mecânica no Centro-Sul parece receber a maior parte da culpa. Pobre colhedeira... se ela pudesse falar, apontaria o grande culpado: o absoluto descalabro das políticas públicas em torno do etanol, que feriu tão gravemente um programa de tal envergadura. É mais que chegada a hora de reagir. Quais os caminhos a serem trilhados? Não podemos ceder à tentação do curto prazo em pedir a ajuda do governo na forma de antigos e desgastados esquemas de subsídios e ditas desonerações fiscais. Já se ouvem clamores nessas linhas. Completamente extemporâneos. Será que ainda há os que acreditem sinceramente nisso? Os momentos são outros. Não podemos achar que os problemas vividos pelo setor serão magicamente resolvidos por MPs ou outros passos de mágica. As tetas do governo secaram, de tanto que nelas se mamou. Há que se repensar nossas atitudes. Há que se relançar programas de largo alcance para enfrentarmos os desafios de prover o mundo em suas necessidades alimentares e energéticas limpas olhando os anos 2050.

Eduardo Pereira de Carvalho Economista

Temos forças para isso? A tecnologia agrícola está mudando rapidamente. É só vermos o que estão fazendo os fazendeiros do mundo rico ou dos países médios, como nós. Novas e muito mais precisas técnicas de modificações genéticas, gerando variedades ainda mais produtivas, mais ricas, mais resistentes a secas e calor, mais saudáveis, mais amigas do meio ambiente. Exemplos disso são as economias no uso de fatores de produção (água, fertilizantes, terra, corretivos, etc., etc.): smart farming, controle computacional na semeadura, irrigação, fertilização e colheita; novos processos produtivos; plantio direto; ILPF. A ideia é reduzir ao máximo os azares da natureza, tornando a produção o mais possível imune a elas. O melhor entendimento do DNA; a manipulação genética muito mais exata; tudo isso pode torná-la, talvez, mais aceitável do que tudo o que vimos até hoje. As novas técnicas, saindo da transgenia (transporte de gens de uma espécie para outra) para a edição genética (assemelhada ao processo natural de mutações), nos direciona para o reverdear do Planeta. Estamos particularmente bem dotados, o Brasil, para uma substancial contribuição nessa direção. Esse é o quadro. As pressões da globalização e da competitividade tornam a eficiência sinônimo de sobrevivência. Temos, sim, as forças para superar as dificuldades presentes. Elas estão aí, ao nosso dispor: a engenhosidade de nossas cabeças, ao criar e recriar tecnologias cada vez mais produtivas e eficientes. Basta investirmos para valer no nosso bem mais precioso: a inteligência humana. n


Opiniões

produtores

o agronegócio precisa do capital estrangeiro

Anos atrás, Mario Amato, saudoso ex-presidente da Fiesp, afirmou que o investimento na agricultura poderia ser comparado com “uma chuva na nascente do rio” – a partir dali, toda a economia seria irrigada. Mais do que nunca, a declaração de Amato é verdadeira. Investir no agronegócio é fortalecer um setor de vanguarda – inovador tecnologicamente, promissor e resiliente. Em tempos de bonança ou de crise, a agricultura tem se provado o grande esteio da economia brasileira. Prova disso é o que ocorreu em 2015, ano em que o PIB do País recuou 3,8%, pior resultado econômico em 25 anos. Em meio a esse cenário de recessão, a agropecuária foi o único setor a registrar crescimento: quase 2%. A força do agronegócio brasileiro só deve aumentar daqui para a frente. Muito em função de que, segundo a ONU, em 2050, a população mundial deve ultrapassar a marca de 9 bilhões de pessoas, criando uma demanda cada vez maior por alimentos e fontes renováveis de energia – com qualidade e preços acessíveis. Nesse cenário, poucos países têm as vantagens competitivas que o Brasil apresenta para se tornar, quem sabe, o grande player global do agronegócio. A possibilidade de expandir a área agrícola sem prejuízo para a biodiversidade, a abundância de luz e água e a grande disposição para assimilar o que há de mais moderno na tecnologia para aumento da produtividade no campo são só alguns desses pontos que podem colocar o País em outro patamar em relação ao resto do mundo. Claro que o movimento de fortalecimento do setor agrícola e o aproveitamento desse enorme potencial global do agronegócio brasileiro podem ser muito mais rápidos, dependendo das condições econômicas. O incentivo maior ao capital estrangeiro também é um fator importante e que deveria ser mais explorado. Mais do que recursos financeiros, os investimentos internacionais podem abrir novos mercados para os produtos do País, facilitar crédito a custos reduzidos e dar acesso a tecnologias e inovações ainda não utilizadas. Não faltam exemplos práticos dos benefícios que o capital estrangeiro pode proporcionar ao desenvolvimento do setor agrícola brasileiro. Em 2006, a BrasilAgro comprou um projeto abandonado de produção e processamento de caju em uma área de 32 mil hectares no município de Baixa Grande do Ribeiro, no Piauí. Investiu na produção de soja e milho, empregando alta tecnologia e, assim, multiplicou a arrecadação de ICMS do município em cinco vezes.

Essas mesmas técnicas de produção foram, então, adotadas por outros agricultores da região, dando sustentação ao desenvolvimento local. A própria Tereos, a maior cooperativa agrícola francesa, que chegou ao Brasil em 2001, trazendo o modelo cooperativista, se tornou uma das empresas líderes do setor sucroenergético brasileiro. A empresa possui oito unidades industriais e desenvolveu 1.200 fornecedores de cana-de-açúcar e de mandioca, responsáveis por mais da metade da matéria-prima processada pela empresa. O Brasil representa, hoje, 20% do faturamento do grupo. Outro exemplo, caso emblemático, é o da Ipanema Coffees, reconhecida produtora de café de qualidade em Alfenas-MG, que recebeu o investimento de grupos como o norueguês Friele, o alemão Haribo e o japonês Mitsubishi. Os novos sócios trouxeram conhecimentos mercadológicos que agregaram valor ao café produzido pela Ipanema. Não há dúvidas de que a entrada do capital estrangeiro é benéfica para o agronegócio brasileiro. Porém, para garantirmos um fluxo regular desses investimentos, é preciso que o governo brasileiro mostre um planejamento concreto de longo prazo, que evite mudanças abruptas do mercado, excesso de burocracia e alterações constantes de leis restritivas. Um levantamento feito pelo Departamento do Agronegócio da Fiesp (Deagro) apontou que, desde o ano 2000, foram apresentados 35 mil novos Projetos de Lei para o setor, o que dá uma média de 2 mil Projetos de Lei por ano. Isso significa cerca de 1.366 novas normas e regulamentações aprovadas para o segmento, o que torna o cenário muito incerto e cria restrições ao investimento externo. É fundamental criar um ambiente de negócios menos hostil e mais previsível, por meio da reforma de legislações antiquadas, estimulando práticas avançadas, sustentáveis e competitivas globalmente, abrindo novos mercados e valorizando a marca Brasil. Um passo dado nesse sentido aconteceu em maio deste ano, quando a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento da Câmara dos Deputados aprovou o projeto de lei que autoriza a emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) indexados ao dólar. O instrumento é visto como mais uma alternativa de obtenção de crédito para o setor. Mas ainda é pouco e há um longo caminho a percorrer. É mais do que hora de incentivar aquilo que o Brasil tem de melhor a oferecer ao mundo. A produção do agronegócio – alimentos de qualidade e energia limpa e renovável – certamente faz parte disso. n

Em tempos de bonança ou de crise, a agricultura tem se provado o grande esteio da economia brasileira. Em 2015, enquanto o PIB do País recuou 3,8%, a agropecuária cresceu quase 2%. "

Jacyr da Silva Costa Filho

Diretor região Brasil da Tereos e Presidente da Cosag - Conselho Superior do Agronegócio da FIESP


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produtores

a previsibilidade

de que precisamos

Uma das discussões mais acaloradas do setor sucroenergético é em relação ao nível de envolvimento governamental que devemos buscar em relação a políticas públicas de longo prazo. Mesmo os defensores do livre mercado concordam com que deve existir uma regulação mínima que dê visibilidade aos investimentos que os produtores devem fazer nas próximas safras. Ocorre que essa equação não é tão simples de ser definida, por uma série de razões. Um dos complicadores é a dificuldade em prever avanços tecnológicos que fogem ao nosso alcance. Um exemplo claro é a mudança dos motores a combustão por alternativas menos poluentes, como o que deve acontecer na Alemanha a partir de 2030.

Dependendo da adesão de outros países europeus, podemos ver uma grande mudança no perfil de vendas de automóveis naquele continente e também em outros. O Brasil não vai ficar imune a isso, portanto haverá reflexos profundos no nosso mercado, dependendo dos caminhos traçados por outros importantes mercados consumidores. Outro paradigma a ser quebrado refere-se à produção de energia elétrica em prédios e residências. Cada vez que se investe em geração de energia própria, moradores não apenas deixam de comprar energia como passam a ser fornecedores do excedente produzido, se for o caso. Como será tratado esse assunto em cada país, não podemos dizer, mas, com certeza, passaremos por uma contínua busca por produção de energia que foge dos modelos tradicionais encontrados hoje, e esse fato irá dificultar os modelos de previsão de oferta futuros.

Não bastassem todas essas incógnitas, ainda temos a incerteza de quais serão os motores do futuro: elétricos, híbridos ou movidos a célula de hidrogênio? Alguma dessas tecnologias irá se sobressair, ou iremos conviver com todas elas? O rol de possibilidades é quase infinito. "

Luiz Gustavo Junqueira Figueiredo Diretor Comercial da Usina Alta Mogiana

Mais difícil ainda é prever o comportamento dos consumidores com a chegada dos carros autônomos e a crescente competição dos prestadores de serviço de transporte pessoal, como o Uber. As pessoas deixarão de ter um segundo carro em casa? Irão ao trabalho em carros automatizados com outras pessoas? Tudo isso tem enormes implicações na demanda de carros (e, consequentemente, de energia) no futuro. Não bastassem todas essas incógnitas, ainda temos a incerteza de quais serão os motores do futuro: elétricos, híbridos ou movidos a célula de hidrogênio? Alguma dessas tecnologias irá se sobressair, ou iremos conviver com todas elas? O rol de possibilidades é quase infinito. Deixando as questões de longo prazo de lado, vamos nos voltar ao presente. Tivemos uma sinalização importante em relação à sistemática de preços de derivados de petróleo no mercado brasileiro. Ao que tudo indica, teremos preços mensais que irão refletir o custo de aquisição de diesel e de gasolina no mercado internacional, acrescidos dos custos de transporte ;


Opiniões e internação portuária e uma margem de lucro mínima, já que nenhuma empresa séria faria esse serviço sem ser remunerada pelo seu risco e o capital de giro envolvidos nessa operação. Essa metodologia já é aplicada no mercado de querosene de aviação com muito sucesso e traz previsibilidade para o mercado, qualidade altamente desejável. Com certeza, teremos uma maior confiança dos empresários do nosso setor em planejar investimentos em expansão sabendo como irão se comportar os preços no futuro. Outro benefício dessa transparência será uma maior liquidez dos contratos futuros de etanol na BVMF-Bovespa, que deixavam tanto comprador como vendedor extremamente desconfortáveis com a constante incerteza em relação à imprevisibilidade da precificação do mercado de combustíveis. O etanol ainda carece de instrumentos financeiros que possam dar ao produtor e aos fornecedores de cana a devida proteção de preço que outras commodities proporcionam, e poderemos avançar nesse quesito a partir de agora. Por outro lado, existe uma questão igualmente relevante que ainda paira no ar: como a CIDE será utilizada para mitigar corretamente as externalidades positivas do etanol? Da mesma forma, como a energia elétrica da biomassa será devidamente valorizada perante outras alternativas mais poluentes? Existe uma resistência enorme por parte da equipe econômica em aumentar o valor da CIDE, pelo seu impacto inflacionário e também pela sua impopularidade. Todos nós sabemos que, em economia, normalmente fazemos escolhas que nos trazem

uma dose de benefícios, mas, ao mesmo tempo, também acarretam danos colaterais, e o aumento da CIDE é um caso desses. Ocorre que, sem uma sinalização clara quanto a esse importante regulador de mercado, investimentos deixarão de ser feitos. Apesar de reconhecer a importância em se controlar a inflação, parece-me justo afirmar que o efeito positivo da retomada de crescimento na produção de etanol, da melhora ambiental e da geração de empregos deveria preponderar em algum momento nessa tomada de decisão. A opção de uma CIDE flexível, que, dependendo dos preços do petróleo, pode subir ou cair, pode ser uma excelente alternativa a fim de minimizar a volatilidade de preços e trazer tranquilidade à equipe econômica quanto aos efeitos inflacionários desse importante regulador de preços. Podemos concluir que, a despeito das incertezas e da complexidade desse assunto, uma coisa é clara: a era do petróleo tem que dar lugar a outras fontes de energia renovável, e tanto o etanol como a bioeletricidade terão um papel de destaque nessa transição. Com as devidas externalidades positivas sendo valorizadas, nossos produtos continuarão sendo uma excelente alternativa para, ao mesmo tempo, desenvolver a economia no campo e reduzir os danos nocivos do aumento da temperatura causados pelos gases de efeito estufa. Sem uma correta valorização dos benefícios climáticos causados por alternativas energéticas limpas, infelizmente, seremos obrigados a lamentar a chance perdida em avançarmos, de fato, contra a degradação inequívoca do clima em nosso planeta. n

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10

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produtores

agenda para a retomada de investimentos Não é de hoje que buscamos nos mobilizar para garantir a sustentabilidade do planeta. Tivemos inúmeras iniciativas ao longo dos últimos 40 anos. Em 1972, em Estocolmo, tivemos o debate entre os neomalthusianos, que pregavam "zerar" o crescimento populacional, e os desenvolvimentistas, que defendiam o crescimento econômico para acabar com a pobreza, como solução para frear a degradação ambiental. Depois foi a vez de Montreal, em 1987, com o combate à produção e ao consumo de SDO’s (substâncias destruidoras da camada de Ozônio). O Rio de Janeiro foi palco em 1992, com a Carta da Terra, Agenda 21 e as Convenções sobre Biodiversidade, Desertificação e Mudanças Climáticas, seguido por Johannesburgo, em 2002 (Rio+10), com as Metas do Milênio e, novamente, o Rio de Janeiro, em 2012 (RIO+20), com o Futuro que Queremos. Depois, foram as sucessivas Conferências das Partes (COP’s): Berlim, em 1995, Quioto, em 1997, e Lima, em 2014, todas sem grande sucesso. Em dezembro de 2015, tivemos a COP 21, em Paris, com foco na Redução das Emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa), que trouxe consigo uma adesão e um comprometimento inéditos das principais lideranças globais e nos dá nova esperança de que, finalmente, haverá uma agenda de sustentabilidade para o planeta.

Aqueles que têm o DNA do investimento, do crescimento e da geração de oportunidades, que já demonstraram a capacidade de realização que possuem, poderiam protagonizar um novo ciclo virtuoso na indústria. Mas, para isso, algumas condições fundamentais e bem conhecidas precisam estar presentes. "

Marcelo Mancini Stella Vice-presidente Comercial, Logística e Energia da Odebrecht Agroindustrial

Nesse contexto, aparecem o etanol de cana-de-açúcar como o combustível para veículos leves (do ciclo Otto), com o melhor desempenho na redução de emissões, e o Brasil como o maior, mais competitivo e avançado produtor de etanol de cana. O setor sucroenergético brasileiro, nas duas últimas décadas, passou por um importante processo de transformação, com a profissionalização das unidades produtoras e de seus agentes, que evoluíram muito nas práticas operacionais, ambientais, trabalhistas e de saúde e segurança. Entre meados dos anos 2000 e início dos anos 2010, houve um aumento da capacidade produtiva no Centro-Sul do Brasil da ordem de 140 milhões de toneladas de cana, com investimentos ancorados em Bioenergia – Etanol e Energia de Biomassa – prioritariamente.

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Grupos tradicionais, grandes empresas locais e multinacionais de fora do setor investiram maciçamente, tendo como cenário: • Custos de produção de petróleo crescentes; • Custos de produção de etanol decrescentes; • Demanda de ciclo Otto crescente; • Tecnologias de ruptura em desenvolvimento no setor; • Política de governo garantindo a competitividade do etanol e da energia de biomassa. E os benefícios desses investimentos têm sido concretamente percebidos por meio de: • Desenvolvimento social e econômico nas regiões das novas fronteiras de cana-de-açúcar; • Geração de empregos qualificados e de riqueza, a partir do fortalecimento da indústria de equipamentos; • Equalização da oferta de combustíveis para o ciclo Otto, evitando a importação de gasolina e poupando divisas para o País; • Energia de biomassa preenchendo a sazonalidade da oferta de energia hídrica; • Redução das emissões de GEE e de gastos para o tratamento de doenças originadas ; pela poluição.


Opiniões Na hipótese da continuidade do cenário que se apresentava à época, o setor estaria vivendo um ciclo virtuoso, e os benefícios para o Brasil teriam se multiplicado. No entanto a ausência de política de governo para os biocombustíveis, com preços de gasolina congelados, CIDE reduzida a zero e modicidade tarifária em energia elétrica, igualando a biomassa a outras fontes menos limpas, interrompeu o ciclo de expansão. A Odebrecht Agroindustrial foi o maior investimento de um único grupo no setor e é um exemplo concreto do que se passou nos últimos dez anos no Brasil. Instalada preponderantemente nas novas fronteiras de cana-de-açúcar, levou enorme desenvolvimento social e econômico às comunidades do seu entorno, evoluiu de maneira significativa no domínio das operações agrícolas e industriais e tornou-se a maior produtora de energia elétrica de biomassa e o segundo maior player de etanol. No entanto viu-se obrigada a reestruturar uma dívida significativa que se formou no período, para garantir a sobrevivência e a expansão do negócio. Temos, novamente, um cenário promissor para o etanol em termos globais e no Brasil um momento de definição sobre o futuro da matriz energética mais limpa e o equacionamento do aumento da produção de EHC para o suprimento da demanda ciclo Otto, evitando a importação de gasolina e trazendo os demais benefícios anteriormente mencionados. Aqueles que têm o DNA do investimento, do crescimento e da geração de oportunidades, que já demonstraram a capacidade de realização que possuem, poderiam protagonizar um novo ciclo virtuoso na indústria.

Mas, para isso, algumas condições fundamentais e bem conhecidas precisam estar presentes, a saber: • Definição e manutenção da política de formação de preços de gasolina no Brasil; • Implantação de um mecanismo para garantir a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina, que pode ser a CIDE num valor adequado ou um imposto ambiental aplicado ao combustível fóssil; • Definição da meta de participação mínima do etanol na matriz do ciclo Otto e da energia de biomassa na matriz energética; • Enfim, a existência de uma política de Estado (e não de Governo) para a bioenergia no Brasil, que “escreva na pedra” as condições acima. Nesse processo, também é necessário o estabelecimento de políticas de financiamento para capital de giro e para investimentos em produção e em pesquisa e desenvolvimento. Igualmente importante é a criação de um ambiente institucional e regulatório que permita o investimento em infraestrutura logística, para dar suporte a um novo ciclo de expansão do setor. Os empresários em geral estão prontos para assumir os riscos inerentes ao negócio, como volatilidade do preço do petróleo ou do câmbio, variabilidade da demanda do Ciclo Otto e até problemas climáticos. O que não é possível assumir, em hipótese alguma, é o risco de mudanças na condução de políticas públicas, como se viu recentemente. Concluindo, atualmente, o etanol é remunerado apenas como combustível pelo consumidor. Os atributos de sustentabilidade e saúde escapam da precificação na bomba e precisam ser valorizados através de políticas públicas. Caso contrário, o setor estará subsidiando a sociedade. n

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Opiniões

a hora é

agora ou nunca Aumento de imposto é coisa complicada e difícil de engolir num país com carga tributária tão elevada como o Brasil, sem falar no seu impacto inflacionário. Por isso é necessário um intenso debate sobre o quão legítimo seria esse imposto para a sociedade. "

Alexandre Enrico Silva Figliolino Consultor-sócio da MB Agro

Não há dúvida de que a qualidade da interlocução entre o setor sucroenergético e o governo começa a dar claros sinais de melhora depois que houve as mudanças em consequência do processo de impeachment da ex-presidente Dilma. É bastante elogiável a qualidade das pessoas que estão ocupando cargos nos primeiro, segundo e terceiro escalões nas áreas que afetam as atividades de produção de etanol e energia de biomassa. Portanto está mais que na hora de se instaurar uma discussão séria e profunda sobre questões absolutamente essenciais para definição do futuro do etanol hidratado e da bioeletricidade. Com relação ao EH, o primeiro passo foi dado com a internacionalização dos preços dos combustíveis dentro da nova política anunciada pelo presidente da Petrobrás Pedro Parente, o que confere uma maior clareza às regras do jogo. Uma ressalva é que, inexplicavelmente, o primeiro movimento foi reduzir mais os preços da gasolina do que do óleo diesel, não obstante a defasagem do diesel ser bem maior que a da gasolina. Isso traz uma ligeira desconfiança de que alguma pitada de política existe na definição dos reajustes. ;


especialistas Considerando a alta volatilidade dos preços do petróleo no mercado mundial, somado aos movimentos fortes que o câmbio tem apresentado no Brasil nos últimos 2 anos, com intensa desvalorização em função de instabilidade política, seguido de forte valorização do real, quando as coisas se acalmam e a situação melhora, não nos parece factível deixar o etanol desprotegido dessas variações que afetam sobremaneira sua competitividade. Lembramos que o setor hoje é afetado por uma inflação que afeta os custos de produção de uma forma constante além do que é uma atividade intensiva em capital com retorno no longo prazo, sendo o Brasil campeão mundial disparado no quesito taxa de juros real. Dadas as taxas de retorno requeridas para uma atividade desse porte e com tal volatilidade, não é difícil se chegar à conclusão de que, sem a instalação de um imposto ambiental que poderíamos chamar de CIDE Ambiental, justificado pelas inúmeras externalidades positivas do etanol em relação à gasolina, com uma banda larga de variação, não conseguiremos sucesso no intuito de dar maior segurança para que os agentes retomem os investimentos de forma mais vigorosa e, muito pelo contrário, estaremos anunciando a morte lenta, gradual e segura do etanol hidratado como combustível. Com a instauração da CIDE, teríamos um colchão protetor que atuaria de forma a diminuir a volatilidade das margens do etanol na medida em que, quando o barril de petróleo e, consequentemente, seus derivados reduzissem de preço a CIDE, aumentaria e diminuiria seu valor no movimento inverso do barril e derivados. Aumento de imposto é coisa complicada e difícil de engolir num país com carga tributária tão elevada como o Brasil, sem falar no seu impacto inflacionário. Por isso é necessário um intenso debate sobre o quão legítimo seria esse imposto para a sociedade. É preciso saber da sociedade brasileira se ela está disposta a criar um nível mínimo e necessário de proteção para o combustível limpo e renovável produzido localmente, gerando emprego e renda com muita capilaridade geográfica, que contribui, significativamente, para o equilíbrio de nossas contas externas e que terá papel decisivo para o cumprimento das metas de emissão assumidas no acordo de Paris. Importante ressaltar que, ao contrário do que nosso querido Ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse, não devemos encarar a CIDE como um subsídio, mas sim como um imposto diferenciador das externalidades proporcionadas pelo renovável vis a vis ao fóssil. Voltando o País a crescer a partir de 2017, de forma mais tímida, e, a partir de 2018, de forma mais intensa, começaremos a ver o surgimento de enormes gaps entre produção e consumo

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Opiniões de combustíveis do ciclo Otto. A decisão de preencher esses gaps com etanol produzido localmente ou gasolina importada deve ser tomada agora. Quanto à bioeletricidade, não temos dúvida de que, com as novas diretrizes que estão sendo apontadas pelos novos integrantes dos diversos órgãos responsáveis pelo planejamento, formulação e execução de políticas para o setor energético, devemos, em breve, ter excelentes novidades que, certamente, irão fazer voltar os investimentos em cogeração de biomassa. A visão correta agora é de abandonar a miopia de só considerar modicidade tarifária como objetivo final e passar a reconhecer valor e importância na diversificação de fontes, dando valor à geração distribuída, à proximidade do centro de carga do sistema, valorizando a energia também pela época que é produzido e sua complementariedade com a maior fonte de todas que a hídrica, cujas novas unidades produtoras tendem a ser a fio d'água quase sem reservatório. A realização de leilões exclusivos por fonte com preços teto razoáveis que serão ajustados no leilão por uma intensa concorrência dos diversos players que serão atraídos para ele, estimulará sobremaneira os investimentos, levando a biomassa a ocupar o lugar que merece na matriz de energia elétrica do País. A prioridade para fontes renováveis já fica claro nas novas regras e nas condições de financiamento do BNDES, que as privilegiam com condições diferenciadas de prazo, taxas e percentual de participação nos financiamentos. Essas condições diferenciadas fazem total sentido na medida do importante papel que as renováveis solar, eólica e biomassa têm para o cumprimento das ambiciosas metas de redução assumidas no Acordo de Paris que o Brasil ratificou em setembro, logo após China e Estados Unidos. Vamos lembrar que hidroelétricas emitem 40 kg de CO2 por MWH produzido durante seu ciclo de vida completo. As termoelétricas a gás 400 kg de CO2 por MWH e as movidas a carvão, estúpidos 920 kg de CO2 por MWH. Enquanto isso, nossa biomassa é neutra, ocasionando enorme economia de emissões. Portanto, a menos que o prosseguimento da Operação Lava-Jato, com seus desdobramentos e consequências, venha a elevar o grau de incertezas, não tenho dúvida de que o período que se avizinha vai ser extremamente próspero na definição de políticas públicas essenciais à retomada do crescimento do setor sucroenergético, agora sustentado e com grande ênfase na produtividade dos fatores. A volta à racionalidade econômica é mais que bem-vinda após a fase mais obscura que a vida econômica desta Nação passou, considerando toda a sua história. n

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O pacto nacional com o setor sucroenergético vem de longa data e tem resultado em benefícios para a indústria energética brasileira. A introdução da cana-de-açúcar na agricultura brasileira praticamente se confunde com o descobrimento do Brasil, e os primeiros instrumentos regulatórios acerca da adição de etanol anidro à gasolina A surgiram a partir da década de 1930. Todavia é com o Proálcool que a indústria sucroenergética do Brasil iniciou sua consolidação e ampliação e permitiu tornar-se uma referência mundial de eficiência, pesquisa, inovação e competitividade. O Proálcool pode ser considerado um programa pioneiro de biocombustíveis em nível mundial. Incentivos governamentais foram fornecidos para o setor, proporcionando o aumento da área plantada com cana e a criação de novas unidades produtoras de etanol e de açúcar. O programa foi expandido após o segundo choque do petróleo, e houve a construção de uma extensa rede de abastecimento de etanol, que se tornaria essencial para o advento dos veículos flex-fuel anos depois. Os resultados positivos dessa política pública perderam impulso após a redução dos preços do petróleo e o aumento do preço do açúcar no mercado internacional em meados dos anos 1980, o que acabou ocasionando o desabastecimento de etanol no País e a dificuldade financeira de muitos produtores. No entanto o advento dos veículos flex-fuel, a questão ambiental e a alta de preço do petróleo nos anos 2000 deram início a uma forte desregulamentação da indústria sucroenergética no País e iniciaram nova ênfase aos produtos da cana, impulsionando a demanda por etanol e por bagaço, bem como o interesse por investimentos privados de significativa escala no setor sucroenergético. Atualmente, as políticas públicas de incentivo ao mercado de etanol incluem a obrigatoriedade de adição do anidro à gasolina automotiva, além de uma série de instrumentos econômicos, como a disponibilização de linhas de financiamento e as isenções ou diferenciações tributárias entre os combustíveis. A aplicação diferenciada da CIDE para gasolina e etanol tem sido um dos principais incentivos à cadeia do biocombustível.

O governo está disposto a dialogar e, sem tabus, transformar os itens (aqui dispostos) em uma agenda de longo prazo para a indústria sucroenergética brasileira. E o Brasil merece. "

Luiz Augusto Barroso Presidente da EPE - Empresa de Pesquisa Energética Coautores: • Giovani Machado, Superintendente de Gás Natural e Biocombustíveis; • Angela Oliveira da Costa, Consultora Técnica I – Biocombustíveis; • Rachel Martins Henriques, Analista de Pesquisa Energética – Biocombustíveis e • José Mauro Ferreira Coelho, Superintendente Adjunto de Petróleo – todos executivos da EPE

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As alíquotas das contribuições federais incidentes, PIS/Pasep e Cofins, apresentaram variações ao longo dos anos e, desde 2013, encontram-se nulas para o etanol. Já para a gasolina, houve um aumento nessas contribuições a partir de 2015, visando tornar o etanol mais competitivo. Na esfera estadual, modificações nas alíquotas do ICMS também podem resultar em uma relação de preços mais favorável ao etanol. Além disso, ao longo dos últimos anos, o BNDES tem disponibilizado recursos para o setor por meio de diversas linhas de financiamento. Destacam-se o Prorenova (Programa de Apoio à Renovação e Implantação de Novos Canaviais), o Pass (Programa de Apoio ao Setor Sucroenergético), o Paiss (Plano Conjunto de Apoio à Inovação Tecnológica Industrial dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico) e o Finem (Financiamento a Empreendimentos). No entanto foi a partir de 2008 que uma faceta menos conhecida dessa indústria se tornou uma importante realidade: a bioeletricidade. Até então, investimentos incrementais em caldeiras eficientes que permitiriam produzir (e assim exportar) mais MWh com a mesma quantidade de bagaço eram vistos como não economicamente atrativos, visto que a produção sazonal dessa eletricidade era fortemente desvalorizada pela indústria elétrica. O governo aprimorou os leilões de energia para acomodar esse perfil de produção e permitir uma comercialização de energia firme anual, utilizando os reservatórios das hidroelétricas para complementar a produção sazonal. Esse modelo de negócios somou a eletricidade como produto à comercialização de açúcar e etanol e transformou a indústria sucroenergética em uma indústria multiproduto, com a interessante característica que os contratos de longo ;


Opiniões prazo, oferecidos nos leilões do setor elétrico, produzem recebíveis utilizados para “alavancar” investimentos na produção de etanol e açúcar. Até outubro de 2016, o Governo Federal contratou 1,6 GWméd através dos leilões de energia. Contudo o potencial técnico do setor é bem mais expressivo. Em seus estudos de bioeletricidade, a EPE estima que poderiam ser exportados ao SIN cerca de 7 GWméd em 2025. Esses fatores destacam a matriz energética brasileira no contexto mundial quanto à participação das fontes renováveis, com relevante contribuição dos produtos da cana. Segunda fonte de energia primária mais importante no Brasil, em 2015, esses produtos representaram 17% da matriz nacional. Problemas não são biodegradáveis, mas produzem bons desafios a serem superados: Apesar dessas medidas, o setor passa por um momento sensível, no qual parte das empresas se encontra em situação financeira delicada, levando à estagnação dos investimentos greenfields. Tal situação decorre, essencialmente, de: • menor competitividade do preço do etanol hidratado em relação à gasolina como consequência da política de preços da gasolina adotada pela Petrobras – sob orientação do governo anterior – entre 2010 e 2015, que agravou a deterioração das margens do setor sucroenergético; • frustração de elevados investimentos realizados, com a crise financeira de 2008; • redução da produtividade do setor devido à falta de investimentos na renovação de canaviais e na introdução de novas variedades, além dos efeitos climáticos sobre a cultura da cana. O fato é que o setor sucroenergético precisa se reorganizar e equacionar sua situação financeira para entrar em um novo ciclo virtuoso. Em momentos de desafios, sempre existem oportunidades: Em dezembro de 2015, na 21ª Conferência das Partes – COP 21, o Brasil comprometeu-se a reduzir as emissões de GEE em 37%, em 2025, em relação aos níveis de 2005, e, como contribuição indicativa subsequente, em 43%, em 2030. No caso das atividades de produção e do uso da energia até 2030, destacam-se, no protocolo de contribuições: • aumentar a participação da bioenergia na matriz energética brasileira para 18%, expandindo o consumo de biocombustíveis; • alcançar uma participação de 45% de energias renováveis na matriz energética. Em particular, foram estabelecidas metas até 2030 que pressupõem contribuições relevantes do setor sucroenergético: • aumentar a produção de etanol de primeira geração para 51 bilhões de litros; • incrementar a produção de etanol de segunda geração (E2G) a partir de 2023, atingindo 2,5 bilhões de litros; • triplicar a geração de eletricidade a partir de biomassa, com destaque para a cana. Os compromissos estabelecidos na COP 21 pelo Brasil são a base inquestionável da renovação de um pacto nacional de longo prazo com o setor sucroenergético nacional.

Entretanto a visão de longo prazo para o setor sucroenergético não pode passar apenas pelo seu equacionamento financeiro e por incentivos econômicos ao etanol e à bioeletricidade. É preciso também que o perfil multiproduto do negócio se torne progressivamente o “padrão”, criando uma indústria tecnologicamente dinâmica, eficiente e estruturalmente competitiva. No longo prazo, outros produtos (biometano, E2G e bioquímicos) podem ser agregados ao portfólio das usinas, convergindo para o conceito de biorrefinaria. Da teoria para a prática: Nesse sentido, governo e setor privado terão que conjugar esforços para a consecução de metas de produção de etanol e de maior participação de renováveis na geração elétrica. Em relação ao governo, é fundamental a manutenção da estrutura de fomento existente e a contribuição para um ambiente favorável de negócios, com transparência, sinais econômicos corretos, realismo, isonomia, conformidade, meritocracia, não intervencionismo e uma visão de longo prazo bem definida. O mercado de combustíveis já sinaliza tempos mais competitivos, com alinhamento do preço da gasolina às cotações internacionais, buscando sinais econômicos corretos. Ainda que, no curto prazo, a nova política de preços da Petrobras possa ter algum impacto negativo sobre a competitividade do etanol hidratado frente à gasolina C, a médio e a longo prazo poderá haver aumento de sua competitividade. Sobretudo é necessário que a política energética, ao fomentar o setor no curto prazo, não desestabilize o mercado de longo prazo, evitando criar um ambiente de exuberância irracional. Esse ambiente acarreta menor disciplina de custos e imprudência na tomada de riscos de investimentos, incrementando as chances de crises financeiras recorrentes e minando a robustez do setor no longo prazo. No que tange ao setor privado, observa-se que há um significativo potencial de redução de custos com renovação de canavial, inserção de novas variedades de cana, tratos culturais mais adequados e aprimoramento da mecanização. Tais medidas contribuirão para definir a competitividade do hidratado frente à gasolina C e os níveis de crescimento da oferta de etanol. Também contribuirá para incrementar as receitas financeiras do setor o aproveitamento pleno da energia da cana, aumentando os excedentes exportáveis de bioeletricidade. No longo prazo, o portfólio da usina poderá contemplar também outros produtos (biometano, E2G e bioquímicos). Assim, a competitividade do setor dependerá da adoção de um modelo de negócios multiproduto e tecnologicamente dinâmico. Para criar um novo ciclo virtuoso, governo e iniciativa privada têm que assumir seus papéis para viabilizar a efetivação dessa visão de longo prazo para o setor. O governo está disposto a dialogar e, sem tabus, transformar os itens anteriores em uma agenda de longo prazo para a indústria sucroenergética brasileira. E o Brasil merece. n

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especialistas

é preciso visão de longo prazo

O setor gera produtos de excepcional qualidade (...) Mas os vende mal e não tem sido capaz de fazer com que a sociedade e o governo reconheçam sua importância estratégica, social, econômica, de segurança energética e ambiental. "

Plinio Mário Nastari Presidente da Datagro

Açúcar, etanol e bioeletricidade precisam ser valorizados como motores de desenvolvimento econômico descentralizado, limpo e sustentável. Mas, infelizmente, ainda há uma baixa compreensão da sociedade sobre essas características dos principais produtos gerados pela cana-de-açúcar. A falta desse reconhecimento traz transtornos e perda de tempo, valor e oportunidade para o setor e a sociedade. Até hoje, o etanol é mal aproveitado e reconhecido por suas características físico-químicas. Por ser um elemento químico único, e não um coquetel de hidrocarbonetos, deveria facilitar o desenho e a otimização de motores. Por ter elevada octanagem, deveria permitir taxas mais elevadas de compressão que deveriam mitigar, pelo menos parcialmente, a ineficiência inerente dos motores de combustão interna. A combustão do etanol gera menores emissões de poluentes e não gera material particulado, o que inclui a altamente nociva emissão de MP 2.5, que é um veículo para a absorção de compostos carcinogênicos no corpo humano. Por conter elevado teor de hidrogênio em sua molécula, o etanol é um dos melhores combustíveis líquidos para aplicação em células a combustível, permitindo a transformação de combustível líquido em eletricidade e o aproveitamento do seu poder calorífico de forma muito mais eficiente e econômica.

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Por ter uma pegada de carbono praticamente neutra, é uma das soluções de maior abrangência para o atingimento das ambiciosas metas do Acordo Global do Clima, estabelecido durante a COP-21, ratificado por inúmeros países, inclusive o Brasil. Diferentemente de outras fontes de energia renovável, gera muitos empregos e distribui a renda gerada por um número considerável de famílias, expandindo o comércio e a indústria locais. Não alaga campos férteis e não as compromete de forma irremediável através de áreas inundadas. Sua produção está localizada próxima aos centros de consumo de etanol e eletricidade, requerendo menores investimentos em distribuição e transmissão de energia, com baixa perda de transmissão. Ao contrário, vários estudos têm comprovado que a cana-de-açúcar constrói solo, contribui para o controle de erosão e aumenta a capacidade de retenção de umidade. Através do açúcar, sua contribuição como fonte alimentar saudável é inegável, tanto direta quanto indiretamente. A capitalização da atividade agrícola onde se instala contribui para a expansão da produção de alimentos. A agricultura energética catalisa e aumenta a capacidade de produção da agricultura alimentar. O açúcar utilizado sem exageros é uma das fontes alimentares mais tradicionais e importantes da humanidade. O indiscriminado combate ao uso de açúcar, apresentando-o como vilão, é injusto e renega a grande contribuição que tem oferecido como fonte alimentar acessível, ingrediente de várias formulações e matéria-prima para a produção de uma gama enorme de outros produtos. Nos últimos 40 anos, a produção e o uso do etanol combustível atingiram uma escala impressionante no Brasil, em termos absolutos e relativos, chegando a substituir, em 2015, cerca de 42% do consumo de gasolina automotiva. ;


Opiniões Na área do açúcar, o Brasil é, por larga margem, o maior produtor e exportador mundial. Apesar de todas as suas vantagens e importância, o setor de açúcar, etanol e bioeletricidade pena para ser reconhecido pela sociedade. Políticas públicas nas áreas de energia e valorização do emprego ainda não foram criadas para assegurar uma trajetória de desenvolvimento estável e sem sobressaltos. Nos últimos 6 anos, políticas particularmente equivocadas causaram enorme perda de valor dos ativos de produção e elevaram o endividamento a níveis comprometedores. Tudo isso ocorre ao mesmo tempo em que o setor dispõe de uma infraestrutura já desenvolvida e madura para a distribuição de combustível líquido limpo e renovável em mais de 35.200 postos de abastecimento, em um país de dimensões continentais. Dispõe de tecnologias já desenvolvidas prontas para serem aplicadas, que poderão aumentar rapidamente a competitividade dos produtos gerados. O setor só precisa de um pouco mais de tempo e fôlego para implementá-las. São diversas frentes, que vão desde novos produtos de proteção de cultivo, a novas técnicas de plantio, trato e colheita, novas variedades de cana mais produtivas e resistentes e novas formas de multiplicação. O setor gera produtos de excepcional qualidade, alinhados com o atingimento dos mais nobres e relevantes objetivos atuais da humanidade – o aumento da produção de alimentos e energia, com a mitigação da emissão de gases causadores do aquecimento global.

Mas os vende mal e não tem sido capaz de fazer com que a sociedade e o governo reconheçam sua importância estratégica, social, econômica, de segurança energética e ambiental. Passadas quatro décadas de desenvolvimento, permanece pendente a definição de uma regulação definitiva que permita a internalização nos preços de mercado de suas externalidades positivas. Esse é o mesmo objetivo perseguido durante a década de 1980, para a sobrevivência da atividade. Mas o setor, o governo e a sociedade se acostumam e se acomodam todas as vezes que, por alguma contingência, a pressão pelo estabelecimento dessa regulação é momentaneamente superada. Enquanto o mundo caminha na direção da criação de um imposto sobre carbono, corremos o risco de reduzir a dimensão de um projeto extremamente valioso e estratégico, que serve de exemplo para o mundo. Simultaneamente, falta pouco e muito para consolidar de forma definitiva essa atividade no Brasil. Basta que, com discernimento e espírito público, sejam criadas condições para o seu desenvolvimento, de forma segura e sem sobressaltos; para que não se repita a expansão descontrolada que já ocorreu no passado; ou não sejam recriadas situações que levem à sua derrocada. É preciso visão de longo prazo, para evitar que objetivos de curto prazo não comprometam a trajetória de um setor singular, do ponto de vista alimentar e n energético.


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a retomada do etanol é possível O etanol é uma alternativa estratégica para o futuro energético brasileiro, do qual o Brasil não pode abrir mão. "

Adriano José Pires Rodrigues Diretor-geral do CBIE - Centro Brasileiro de Infraestrutura

O setor de etanol brasileiro já passou por diferentes ciclos desde o advento do Proálcool, em 1975. O Proálcool surgiu para reduzir a dependência de petróleo importado e suprir o consumo interno de combustíveis. O programa foi um sucesso até o contrachoque do petróleo, em 1986, quando a queda no preço do barril levou o governo erroneamente a abandonar as políticas que induziram o Proálcool ao sucesso. O início dos anos 2000, teve início um novo ciclo do álcool, agora chamado de etanol. O motivo foi a volta da conscientização ambiental e o aumento do preço da gasolina que, desde 1998, acompanhava a tendência do mercado internacional do petróleo. Nesse novo ciclo, a expansão do etanol teve como ancora o advento da tecnologia dos veículos flex fuel, a partir de 2003. Na ocasião, o primeiro governo Lula alardeava um futuro próspero ao etanol como o principal combustível brasileiro, conferindo à gasolina o papel de substituto. O Brasil seria a Arábia Saudita verde. Entretanto a descoberta da camada pré-sal e a crise econômica mundial de 2008 puseram fim a mais um ciclo de prosperidade do etanol. Daí em diante, o setor sucroalcooleiro desacelerou as suas atividades e mergulhou em um período de crise. Grande parte dos problemas no setor resultou de políticas equivocadas do Governo Federal.

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Por um longo período, a política de controle de preços dos combustíveis fósseis somada a desonerações, como o fim da CIDE em 2012, subsidiou o preço da gasolina, estimulando seu maior consumo e comprometendo a competitividade do etanol. Agora, surge uma nova oportunidade para o Brasil se modernizar e seguir a tendência internacional de inverter esse cenário e passar a incentivar de forma consistente o consumo de combustíveis renováveis e limpos. Um novo ciclo que coloque fim a esse constante stop and go que o setor tem passado desde o Proálcool. As expectativas para que isso ocorra estão na recente mudança de governo no País e no fortalecimento da agenda ambiental de forma globalizada. O Brasil ratificou, no início de outubro, o compromisso com o Acordo de Paris, firmado na COP 21, e o rascunho das metas brasileiras, para a redução dos gases de efeito estufa, deve ser apresentado na Conferência do Clima de Marrakesh, em novembro deste ano. Nesse sentido, o apelo ambiental e a capacidade produtiva nacional podem levar o etanol brasileiro a despontar como um candidato natural como um dos atores principais na construção de uma matriz energética mundial limpa. E o que deve ser feito? Primeiro é preciso reconhecer que a matriz de combustível do Brasil possui um fator adicional único, com o etanol e gasolina atuando como substitutos para o consumidor. A maior produção de etanol e a retomada da sua competitividade reduzem a necessidade de importação de gasolina, impulsionada ; pela limitada capacidade de refino nacional.


Opiniões Além disso, o açúcar está associado a essa matriz, sendo o Brasil responsável por cerca de 50% do comércio mundial. Assim, o estímulo a maior produção de etanol equilibra a oferta brasileira, influenciando a dinâmica global do preço do açúcar. É importante que o governo seja claro quanto à política de preços dos combustíveis, desonere a energia limpa e tribute adequadamente os principais concorrentes dos biocombustíveis. A nova política de preços da Petrobras, recentemente anunciada, beneficia o etanol, na medida em que a empresa afirma que não vai vender gasolina abaixo da paridade internacional, e, a cada 30 dias, serão observados o comportamento dos preços no mercado externo e do market share no mercado interno. Todavia, a nova política de preços da Petrobras ainda tem parâmetros muito subjetivos e o resgate do etanol precisa ir além. Na realidade, o que viabiliza e consolida a participação do etanol é uma política tributária que reconheça as externalidades positivas proporcionadas por um maior consumo de etanol. A implantação de um processo continuado de diferenciação tributária entre a gasolina e o etanol é a forma adequada de reconhecer as externalidades positivas do etanol. Uma maior alíquota da CIDE, que no fundo pode ser considerada como um imposto ambiental, sobre a gasolina, por exemplo, geraria benefícios ambientais e econômicos.

Do ponto de vista econômico, por exemplo, promoveria incrementos na arrecadação de ICMS (estimado em cerca de R$ 5 bilhões) e estimularia à produção do etanol com efeitos positivos na balança comercial. Ao mesmo tempo, a incidência do ICMS sobre o etanol deve ser reduzida, com a convergência de alíquotas entre os estados da federação. Tudo sem deixar de se discutir uma alternativa para atenuar o fim do crédito presumido de PIS/Cofins no etanol, de R$ 120/m³, previsto para dezembro de 2016. Uma solução seria cobrar um PIS/Cofins mais baixo no etanol e a diferença iria para a gasolina. Dessa forma, estaria mantida a arrecadação do governo e ao mesmo tempo a competitividade do etanol. A recuperação do etanol e a sua consolidação na matriz de combustíveis requer uma política pública que entenda e precifique as externalidades positivas das fontes de energia limpas e renováveis. Com isso, iremos reduzir a instabilidade regulatória e a insegurança jurídica e estarão criadas as condições necessárias para um novo ciclo de investimentos. Nesse novo ciclo, a produção de etanol pode atingir os 50 bilhões de litros, até 2030. O etanol é uma alternativa estratégica para o futuro energético brasileiro, do qual o Brasil não pode abrir mão. n

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pacto pela

moralidade, justiça, confiança e desenvolvimento Um país respeitado, justo, seguro, sério, progressista e desenvolvido. Esse é o desejo da grande maioria dos brasileiros. Por que somos o eterno País do Futuro? Por que esse futuro parece sempre distante? O que precisa mudar para colocarmos o Brasil na rota do desenvolvimento sustentável? As características do Brasil o tornam um país único: dimensões continentais, diversidade de etnia, forte capacidade e acolhimento, alta criatividade advinda da necessidade permanente de se ajustar às novas regras ou ineficácia destas, porém com alto índice de desigualdade social, baixo nível cultural e educacional. Algumas dessas características são extremamente favoráveis para que o Brasil se torne uma grande potência mundial, com relações internacionais e comerciais mais amplas e sustentáveis. Porém outras condições prejudicam a criação de ambiente mais favorável para maior participação dos produtos brasileiros na economia mundial, ou mesmo se torne prioritário para investimentos internacionais. Com o maior custo logístico do mundo, penalizamos a competitividade dos produtos agrícolas brasileiros, devido ao modal de transportes prioritariamente rodoviário. A complexidade da legislação brasileira, principalmente na área trabalhista e na tributária, impossibilita a completa desoneração das exportações, comprometendo a competitividade do Brasil, criando espaços para corrupção e ambiente desfavorável aos investimentos devido ao alto risco e à insegurança jurídica.

Ao permitir recursos protelatórios sem fim, o sistema jurídico compromete a confiança na justiça, em que a falta ou a morosidade no julgamento e a aplicação da pena ao infrator geram grande distorção no mercado, muitas vezes inviabilizando o empresário que atua conforme a legislação, fazendo uma seleção inversa aos interesses da sociedade em alguns segmentos da economia. É cada vez mais frequente a deflagração de governos, tanto executivo quanto legislativo, que abrem mão das prioridades públicas, criam sofisticados “balcões de negócios”, tudo pela governabilidade e pelos interesses eleitoreiros dos políticos com mandato. Diante desse quadro, em que os indivíduos lutam para buscar um espaço, sem instituições confiáveis para defender seus interesses, muito pouco podemos esperar. Fomos nos tornando incrédulos em relação aos governos e às lideranças políticas. Mais recentemente, as novas gerações demonstram total desconfiança quanto ao futuro do País. Não podemos mais ter espaços para acordos sem transparência promovidos por lideranças corruptas. Precisamos criar uma cultura de ganha-ganha de longo prazo, nos livrando dos instrumentos que destroem valor e prejudicam a confiança nas autoridades. É preciso aproveitar este momento em que todo o Brasil está em choque. É urgente a necessidade de moralizar as instituições públicas. É preciso criar uma cultura de respeito aos valores universais. ; Não podemos mais ter espaços para acordos sem transparência promovidos por lideranças corruptas. Precisamos criar uma cultura de ganha-ganha de longo prazo, nos livrando dos instrumentos que destroem valor e prejudicam a confiança nas autoridades. "

Celso Torquato Junqueira Franco Presidente da UDOP


Opiniões A população mundial passará dos atuais 7 bilhões de habitantes para 9 bilhões em 2050. A redução da pobreza, principalmente da China e da Índia, aliada ao crescimento da população, resulta em forte crescimento de demanda futura por alimentos de melhor qualidade e maior valor agregado. A FAO projeta em 70% o crescimento de demanda de alimentos até 2050, sendo esse um dos maiores desafios das lideranças mundiais para as próximas décadas. As áreas agricultáveis disponíveis para maior expansão de produção agrícola se concentram na África e no Brasil. O Brasil precisa agir de forma muito responsável para ajudar a evitar um colapso social no futuro por escassez de alimentos. Com relação ao desenvolvimento, o Estado brasileiro precisa fazer sua lição de casa, definindo seus objetivos de longo prazo. Precisamos de um modelo que direcione os investimentos para garantir o suprimento energético com segurança de fornecimento e responsabilidade ambiental, alinhados com as atuais políticas mundiais. É essencial que o Governo ofereça estabilidade e confiança ao mercado, com excelência na execução do planejamento, gestão de política monetária e gestão fiscal, necessários para o controle da macroeconomia que, certamente, resultam em redução da percepção de risco do País, com influência positiva no custo do capital e no ritmo da economia. Políticas públicas consistentes e duradouras, para setores como suprimento de energia e alimentos, são necessárias para estimular investimentos no setor produtivo, principalmente para energia. Com a globalização e o amadurecimento dos mercados, sempre teremos traders, buscando opções de suprimento de seus mercados a menor custo, principalmente para alimentos, bastando a quebra de barreiras e ter competitividade para ter acesso a mercado. O volume de exportações de origem do agronegócio, nos anos 2000 e 2015, foi, respectivamente, de 43,05 milhões ton e 160,76 milhões ton, com 273% de crescimento em volume. O volume de Produto Básico, que, em 2000, representava 59% do volume total do agronegócio, atingiu, em 2015, 69% do total, demonstrando que o crescimento foi maior em produtos com menor valor agregado. O agronegócio brasileiro vem se mostrando como de fundamental importância para o desenvolvimento da economia brasileira, com enorme contribuição para a balança comercial, representando 37% das exportações totais no período 2001 a 2015, com US$ 773 bilhões de saldo positivo na balança do agronegócio, enquanto a balança total fechou com saldo de US$ 343 bilhões.

Comparando dois períodos de cinco anos, 2000-2005 e 2010-2015, o saldo da balança comercial do agronegócio teve crescimento de 213%, de US$ 125 bilhões para US$ 391 bilhões, enquanto o saldo total da balança reduziu 44%, de US$ 119 bilhões para US$ 67 bilhões. O crescimento das exportações e das importações totais foram, respectivamente, 184% e 278% no mesmo período, confirmando um efeito drástico da desindustrialização do Brasil. Ao incentivarmos o processamento da matéria-prima disponível, transformando em produto final, teremos a recuperação da indústria, forte crescimento na geração de emprego qualificado, demandaremos desenvolvimento de tecnologia, maior geração e distribuição de renda, além de melhorar o saldo da balança comercial. Precisamos de um Estado enxuto e eficiente, focado em suas atividades essenciais, com agências reguladoras autônomas e eficientes, e arcabouço legal que promova regras transparentes para parcerias público x privadas, regulando o equilíbrio das cadeias produtivas, com equalização econômica de produtos concorrentes através de diferenciação tributária, incluindo os benefícios sociais e ambientais dos diferentes produtos, de acordo com os interesses nacionais de longo prazo, como o caso do etanol frente aos combustíveis derivados do petróleo. Cabe ao Estado definir o valor das externalidades positivas e negativas de cada produto concorrente, visando ao bem comum e interesse público. Precisamos reduzir o custo de logística no Brasil, desde o campo até o destino final. Precisamos de acordos comerciais multilaterais, que priorizem as quebras de barreiras comerciais e permitam a entrada de produtos de origem do agronegócio com maior valor agregado. Somente com reformas profundas será possível construirmos uma rota de futuro próspero. São urgentes as reformas: política, tributária, trabalhista e previdenciária. É preciso uma revisão do pacto federativo, preservando a autonomia de cada ente da federação. É preciso simplificar nossa legislação, proporcionando maior segurança jurídica ao produtor, facilitando a fiscalização, criando competitividade para exportadores. O aperfeiçoamento da Justiça também é fundamental para esse processo, com modernização das leis que permitam ao judiciário promover efetivamente a justiça. Precisamos criar um Pacto pela Moralidade, Justiça, Confiança e Desenvolvimento, em que cada elo assume compromissos e responsabilidades. O setor do agronegócio brasileiro pode contribuir muito para um Brasil melhor e um mundo sem fome. Dispomos de tecnologia nacional para produção de etanol, açúcar e bioeletricidade, com os menores custos de produção do mundo. Ainda temos um potencial de geração de energia a partir da palha e do bagaço, equivalente ao volume gerado por Itaipu, sem ampliar a área plantada ou consumo de combustível adicional, energia limpa, renovável e sustentável. Podemos e devemos, juntos, sociedade, setor produtivo e Governo, criar condições necessárias para um cenário favorável aos investimentos, à geração de emprego e ao desenvolvimento sustentável. Com responsabilidade, dedicação e muito trabalho, poderemos ter o Brasil que todos os brasileiros desejam. n

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Informe publicitário

Sustentabilidade na prática O grande capital de um homem não é seu dinheiro ou suas propriedades, mas as parcerias e os relacionamentos que ele conquistar durante o tempo de estada por aqui. Isto vale tanto para pessoas como para as empresas. Para as pessoas, relacionamentos fortes são aqueles nascidos devagar, sem vislumbre de vantagens unilateral, de forma saudável, norteados pela dignidade, pela simplicidade e pela transparência. Para as empresas, as bases são as mesmas, pois nunca podemos nos esquecer que as empresas agem pelas pessoas. E, assim sendo, se uma pessoa tiver índole e princípios bons como direção de conduta de vida, certamente as suas ações diárias, como profissional em atuação na empresa, serão pautadas pela mesma estrutura de comportamento. Para os homens chama-se este conjunto de atitudes admiráveis de “bom caráter”. Para as empresas as ações socialmente justas e ambientalmente corretas, bem como as que viabilizam a condição econômica para a sua existência e continuidade, são chamados de “sustentabilidade”. Para serem duradoras, estas formas de condutas precisam ser naturais, uma ação automática. Nada forçado. A princípio, trabalhar considerando os princípios da sustentabilidade parece ser difícil, mais caro, dá trabalho, emperra a produção e o progresso. Na verdade, simplificando, tanto para uma empresa como para uma pessoa, sustentabilidade significa apenas agir com respeito pelo que é seu tanto quanto pelo o que é dos outros. Apenas isto. Simples assim. Quer como pessoa, quer como empresa, nunca podemos perder a oportunidade de construir e alicerçar relacionamentos. E, para que sejam firmes, este ambiente deve ser amplo, envolvendo os patrões e os funcionários, os funcionários entre si, as famílias, a sociedade onde vivem, as comunidades que os cercam, os fornecedores e os clientes. Afinal, todos estamos neste mesmo ambiente chamado “agora”. Amanhã os protagonistas desta história serão os nossos filhos e depois, os filhos deles. Cavalgada MECAT: A Cavalgada é uma manifestação cultural na região em que a MECAT atua. É uma forma de passeio, reali-

zado por grupos de cavaleiros e amazonas, que envolve de criança à idoso. Hoje, essa prática é considerada uma mistura de religião, esporte, aventura, e tornou-se, principalmente, um patrimônio histórico cultural, trazido com orgulho dentre as emoções de quem a pratica. Promove, de maneira prática, fé e amizade. Além disso, a cavalgada pelo País afora, desempenha um papel importante no comércio das localidades onde são realizadas. Desde 2012, o empresário Attilio Turchetti e sua família, promove a Cavalgada MECAT em Abadia de Goiás. O movimento nasceu devagar, de maneira natural, como uma ação entre amigos e foi, ao longo dos anos, ganhando corpo e força. Na edição deste ano, a Cavalgada teve a presença de mais de 2.000 pessoas, com cavaleiros representantes das melhores comitivas de Goiás, familiares, parceiros, funcionários e amigos. Consagrada como uma tradição local que movimenta a cidade, a Cavalgada MECAT recebeu, em sua quinta edição, 637 cavaleiros – um dos maiores números da região. Este é projeto ousado da idealizadora Eliana Turchetti, com o desejo de incentivar a paixão do filho do casal, Marco Aurélio Turchetti, pela equitação, além de contribuir com a valorização da cultura e tradição


regional. Diz o patriarca da familia: “Tudo o que fazemos é para manter a tradição. Temos este compromisso anual como o aniversário de um querido amigo.” Foi um dia memorável. Na recepção das comitivas foi servido um farto café da manhã. Em seguida foi realizado o grande passeio. No retorno foi servido como almoço, um abundante churrasco à moda Goiana, repleto de apresentações culturais, como desfiles de cavaleiros, exposição de animais, sob um envolvente show sertanejo coordenado pelo locutor de rodeio Matthaus Gabriel e conduzido pela talentosa Rebeca Lindsay e banda. Na despedida a pergunta mais ouvida era “Para quando está marcada a Cavalgada de 2017?” Escolinha de Futebol da MECAT: A escola de iniciação esportiva foi criada em 2009. Hoje, 40 crianças entre 6 e 15 anos fazem parte do projeto. Em sete anos, 150 alunos foram beneficiados por ele. Por meio do futebol, esporte que é paixão nacional, jovens e crianças terão um crescimento saudável com a probabilidade

de tornar-se, quem sabe, um futuro astro, sem nenhum custo para a família. “O foco é promover a prática esportiva, educacional e social, de maneira orientada e com acompanhamento técnico. A nossa maior preocupação é com a formação de cidadãos saudáveis”, afirma Attilio Turchetti, fundador e presidente da MECAT. Empresários, diretores,

autoridades políticas e grandes personalidades no meio esportivo como Marcilio Lopes, sócio da franquia R9 - Ronaldo Academy Goiânia, Marçal Filho, presidente do Sindicado dos Atletas Profissionais do Estado de Goiás, José Maria Lopéz Matín, presidente da Federação de Futebol 7 Society, Milton Bueno de Faria, Diretor do Departamento de Futebol Amador de Goiás e o professor Bruno Raphael Pires representando a Secretaria Municipal de Esporte de Goiânia, estiveram presentes na inauguração do novo campo que ocorreu em julho deste ano.

A MECAT busca ser sustentável na prática, no cotidiano de suas ações e compromissos, envolvendo todo o leque de relacionamentos, quer com os clientes, quer com os fornecedores, quer com os funcionários, para os quais oferece, além das ações já citadas, Plano de Saúde, Plano Odontológico, Refeição, Vale transporte, Seguro de vida, Moradia (alguns funcionários residem em casas de propriedade da MECAT), Campo de Futebol, Sala de Jogos, dentre outras ações ambientais, como a Coleta Seletiva e o Descarte Sustentável de Lixo (destaca-se que o valor conseguido por meio da venda de sucata é revertida aos próprios funcionários). Estas ações, como um todo, tornam a rotina diária do trabalho ter um significado diferente, e fazem, certamente, a vida valer a pena.


entidades

Opiniões

precisamos ser protagonistas na

nova onda mundial O futuro do setor está nas mãos do próprio setor. O discurso não pode continuar difuso, reflexo dos diversos interesses presentes no segmento; precisa convergir para um caminho comum, aproveitar um governo, que é curto, mas que quer dialogar e deixar sua marca na história brasileira. "

Mário Campos Filho Presidente da SIAMIG

O objetivo de qualquer país é a busca do desenvolvimento econômico e social, com geração de emprego, renda e oportunidades para sua população. Seja de ideologias de esquerda ou de direita, ou até em países com regimes autoritários, esse tema sempre está presente nos discursos de seus líderes. Depois de anos de discussão, os líderes mundiais chegaram também à conclusão de que o mundo precisava se unir na preocupação com a qualidade de vida das próximas gerações e assinaram, em dezembro de 2015, o acordo climático de Paris, que entrará em vigor quase um ano depois, com o apoio das grandes potências econômicas mundiais. Assim, os discursos dos líderes ao redor do mundo incorporaram as ideias de sustentabilidade e todos debaterão formas de lidar com as mudanças climáticas e como o mundo será deixado para as próximas gerações. Essa nova forma de pensar, agora institucionalizada, chega num momento de grande transformação dos negócios, com a consolidação da era do conhecimento, onde a inovação virou regra e não uma opção para qualquer segmento econômico que pretende crescer. O aparecimento de tecnologias e de negócios disruptivos tem balançado as estruturas de segmentos econômicos já consolidados e mudando a forma de gestão ao redor do mundo. O mundo vive o tempo do empoderamento do consumidor, que, cada vez mais, tem moldado os rumos dos segmentos econômicos.

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Os consumidores querem saber o que compõe os alimentos que estão comendo, de onde vêm as roupas que estão vestindo e como todos os bens são produzidos, principalmente como são as relações sociais dentro de cada cadeia econômica e de onde vêm e como são produzidos os insumos. O Brasil tem um grande potencial de ser protagonista nessa nova onda mundial, principalmente porque temos inúmeras possibilidades de produção de energia limpa, setores produtivos já estruturados, além de um grande mercado consumidor de mais de 200 milhões de habitantes. Para que isso possa ocorrer, o País precisa de planejamento e gestão, transformar as ações essenciais para nosso futuro de política de governo em política de Estado, assim estaremos pensando nas novas gerações e caminhando de forma sustentável. O Brasil precisa modificar sua cultura do adiamento, o que gera grandes dificuldades de cumprimentos de metas, o famoso “jeitinho” brasileiro. Nos países desenvolvidos, quando uma meta é estabelecida, em geral, os segmentos econômicos procuram se antecipar; no Brasil, infelizmente, deixa-se tudo para a última ; hora e ainda se trabalha para um adiamento.


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Serviços: P Análise de Pneus: os pneus passam por cuidadosa análise para serem aprovados para recauchutagem P Conserto e Duplagem: a linha de consertos e reparos conta com os melhores materiais e profissionais P Recauchutagem de pneus rodoviários, agrícolas e OTRs: processo moderno, aprovado pelos orgãos de inspeção, com matéria prima de qualidade P Inspeção na aprovação: setor de qualidade atento a todo pneu produzido pela GDA

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entidades O momento que vivemos demonstra que a época do improviso já passou, que as políticas populistas que privilegiam o hoje em detrimento do amanhã demonstraram-se ineficazes em construir uma nação mais justa e de oportunidades. A responsabilidade política com a nação levará o País às melhores escolhas, para isso os setores econômicos precisam se organizar e apresentar suas propostas. A oportunidade para o setor sucroenergético está colocada na sua frente, e o setor precisa ser protagonista dessa transformação do País, se posicionando como uma das melhores opções. E esse protagonismo só é possível porque o setor é um grande produtor de energia limpa e renovável, é um grande transformador de energia solar, a partir da cana, em produtos energéticos para a sociedade. Esse protagonismo é um trabalho de construção, que começa pela montagem e pela apresentação do discurso, que precisa ser não somente interessante para as empresas do setor, mas também para toda a sociedade brasileira. Para tal, não é possível pensar somente nos próximos dois anos, mas sim ter uma visão de longo prazo com um planejamento e metas que não podem vir de cima para baixo, nem imposto pelo segmento econômico, mas sim construído por diversas mãos, entre setor privado e setor público, em prol do desenvolvimento econômico sustentável do Brasil. Dito isso, a construção de uma política de longo prazo para o setor se dará olhando de forma inteligente para a oferta e a demanda e as formas de equilibrá-las nos próximos anos. Não se pode esquecer de que o setor é um grande fornecedor de alimentos, e qualquer discussão de política pública não dará certo se não se considerar e se entender que as usinas brasileiras continuarão a ser o maior fornecedor mundial de açúcar, seja qual for o tamanho do mercado. Essa é uma premissa importante para qualquer modelo a ser desenvolvido. Sabe-se, hoje, o tamanho desse mercado; também se sabe que seu crescimento, se existir, será apenas vegetativo, de acordo com o crescimento da população e das mudanças de hábitos de consumo. Do lado da demanda, a preocupação deve ser a manutenção do crescimento do mercado. Indústria que não tem mercado morre. Vivemos no limiar de uma grande transformação de percepção de consumo onde a energia renovável ganha grande força. O ponto de partida para o setor é demonstrar

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Opiniões que possui produtos importantes, como as energias solar e eólica, mas muito superiores quando se analisa o conjunto da obra em termos de empregos gerados, interiorização e descentralização de investimentos, além da tecnologia e do conteúdo nacional. A onda do carro híbrido e elétrico passa a não ser mais a preocupação se mecanismos de incentivos públicos induzirem as indústrias a ofertar híbridos flex, com o conceito 100% verde, e também quando a discussão tecnológica atinge patamares mais elevados, como o carro a célula de combustível, um modelo a etanol apresentado pela Nissan nas Olimpíadas do Rio. O futuro do veículo a combustão é incerto, contudo, nos próximos anos, o mercado para esses veículos ainda será muito grande. A ANP e o MME já indicaram o grande gap energético de combustíveis que o País terá até 2030. Uma nova organização logística e a mudança das obrigações dos players do mercado, aliado ao fortalecimento do órgão regulador, serão necessárias para manter a segurança do abastecimento. Mas, além de induzir e regular, o governo precisa reconhecer o seu papel para correção das falhas de mercado, exemplificadas, nesse caso, pelo uso de combustíveis fósseis e de suas inerentes externalidades negativas. Para isso, a criação de um imposto ambiental é essencial a fim de induzir o uso de energias renováveis e limpas em detrimento da energia fóssil. No lado da oferta, o primeiro grande desafio é tornar a cana-de-açúcar cada vez mais produtiva, com a aplicação da inovação e da gestão do conhecimento na cultura. Novas variedades, novas formas de plantio, cultivo e controle das pragas, o aperfeiçoamento das práticas agrícolas, da forma de colheita e transporte poderão abrir novas possibilidades para atingir o almejado canavial com produtividade de três dígitos. Novas formas de produzir precisam ser incentivadas, com criação de mecanismos que incentivem o aumento da escala de produção e a produtividade da agroindústria. O etanol de 2ª geração, juntamente com o aumento da produção de bioeletricidade a partir de outras fontes além do bagaço, como a palha e o biogás, podem elevar a competitividade e o aspecto sustentável do setor. Toda essa construção do discurso precisa ser feita sob uma governança comprometida com o objetivo de construir um setor mais competitivo, mais lucrativo e mais sustentável. E, para tal, é muito importante que o setor construa o engajamento dos stakeholders e da sociedade a favor desse objetivo, assim conseguirá criar mais valor aos produtos produzidos a partir da cana. O futuro do setor está nas mãos do próprio setor. O discurso não pode continuar difuso, reflexo dos diversos interesses presentes no segmento; precisa convergir para um caminho comum, aproveitar um governo, que é curto, mas que quer dialogar e deixar sua marca na história brasileira. Precisamos entender que estamos do lado certo da história, porque a busca pela sustentabilidade está moldando os negócios e os investimentos ao redor do mundo. n


entidades

Opiniões

o pacto desnecessário Se você, leitor, dedicar um tempo a pesquisar o significado de “pacto”, certamente encontrará distintas definições, que vão desde os pactos econômicos até os pactos sociais, passando por pactos políticos, setoriais, etc. O que todos eles têm em comum é a busca de um consenso entre as partes envolvidas, que procuram satisfazer, em maior ou menor grau, seus interesses individuais. Uma vez mais, a revista Opiniões nos convida a uma sofisticada reflexão, na busca de um pacto envolvendo todo o setor sucroenergético e os atores que nele têm interesses. Uma vez mais, também, o setor sucroenergético parece carecer de um pacto setorial que promova seu desenvolvimento sustentável, permitindo que, no futuro, novas crises similares à presente, que, aparentemente, se avizinha do final, possam se repetir. Um olhar histórico sobre o setor nos revela uma nítida correlação entre pactos e crises, pelas quais o setor costuma passar com assustadora frequência. É raro encontrarmos, na economia brasileira, setores que enfrentem tantos ciclos de instabilidade quanto o setor sucroenergético – especialmente em função das incertezas em relação a preços de seus principais produtos. O setor, infelizmente, em termos econômicos, é particularmente sensível a fatores alheios às leis de mercado, especialmente em relação a preços do etanol e da bioeletricidade. Curiosamente, as oscilações bruscas do setor são menos resultado das variações dos preços do açúcar que das oscilações dos preços do etanol e da bioeletricidade.

O que o setor precisa, de fato, é de um conjunto de regras estáveis que apenas poderão ser obtidas quando, e se, a política nacional de combustíveis, biocombustíveis, bioeletricidade e outras formas de energias limpas e renováveis forem adotadas como políticas de Estado, e não políticas de governo. "

Paulo Roberto Gallo Presidente do Ceise-Br

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Uma possível explicação é que os preços do açúcar, como commodity negociada em bolsa em mercados futuros e/ou spot, permitem uma maior previsibilidade em relação às variações de valor, permitindo uma adequação de caixa às empresas em tempo hábil. No caso do etanol e da bioeletricidade, as variações são imprevisíveis, muitas vezes abruptas, e frequentemente muito intensas – a notar, por exemplo, quando houve a redução de adição de etanol anidro à gasolina de 25% para 20% em fevereiro de 2010, ou ainda quando os preços do etanol foram mantidos congelados por praticamente cinco anos, até o final de 2015, em decorrência da política de preços praticada pela Petrobras em relação à gasolina. As variações de preços do MW/h aos produtores, no caso da geração de eletricidade a partir da biomassa de cana, são também velhas conhecidas dos empresários do setor, oscilando de formas absolutamente imprevisíveis, com variações que podem ser tão amplas quanto preços superiores a R$ 800,00 por MW/h, mergulhando a valores abaixo de R$ 40,00 por MW/h em curto intervalo de tempo. Esses cenários de imprevisibilidade e instabilidade levam à impossibilidade de uma boa gestão, especialmente no tocante ao planejamento de médio e de longo prazo dos empreendimentos.


entidades Essas incertezas se refletem no restante da cadeia produtiva, que engloba, além das unidades produtivas em si, milhares de produtores de cana-de-açúcar, centenas de empresas industriais e prestadoras de serviços e mais de um milhão de trabalhadores diretamente empregados nas usinas, sem contar outros milhares empregados no seu entorno, especialmente nas indústrias de bens de capital. Neste momento, em que nos aproximamos do que parece ser o final da pior crise da história do setor, diante de tímidos sinais de retomada da atividade, o cenário é quase de terra arrasada. Contam-se às centenas as unidades em dificuldades financeiras sérias, algumas tão graves que, possivelmente, não consigam sobreviver. Em Sertãozinho-SP, tradicional polo produtor de máquinas e equipamentos para o setor, entre janeiro de 2014 e agosto de 2016, perderam-se aproximadamente 5.000 postos de trabalho nas indústrias locais. Piracicaba-SP enfrenta situação parecida, e produtores de cana amargam prejuízos em quase todo o Brasil, com situação ainda agravada pela instabilidade climática claramente decorrente do aquecimento global – que, paradoxalmente, só não é pior devido à gigantesca quantidade de gases de efeito estufa resgatada da atmosfera pelos nossos canaviais e pela importante redução de emissão desses mesmos gases graças à queima do etanol nos motores de ciclo Otto, seja por seu uso como aditivo, seja por seu uso como combustível principal. Os municípios canavieiros vêm sofrendo sucessivas (e graves) quedas de arrecadação – tanto naqueles com grande produção de cana, quanto naqueles que têm indústrias que servem ao setor, além da queda abrupta de arrecadação oriunda das receitas das próprias usinas e destilarias. Diante desse quadro, temos o mesmo de sempre: a busca por um pacto, salvador do setor e dos bravos empreendedores que nele atuam. Infelizmente, parece haver uma tendência a atribuirmos a “culpa” pelos nossos problemas setoriais (e aqui me refiro a toda a cadeia produtiva) e, como de hábito, buscarmos o tal pacto que nos redima de nossos problemas como um todo. Bem, meus amigos, lamentavelmente, temos interesses comuns (estabilidade, bons preços e altos ganhos para todos os envolvidos) no setor, fragmentados por interesses antagônicos, por culpa das boas e velhas regras de mercado. Acreditam vocês que as usinas, caso se sintam confortáveis, irão pagar preços mais altos por equipamentos industriais, em vez de, se possível (por questões concorrenciais e de mercado), “esgoelarem” os fabricantes que querem, e precisam vender, apenas em função de um “pacto”? Acreditam vocês que esses mesmos fabricantes, se houver uma demanda aquecida, irão vender seus equipamentos com descontos substanciais para as usinas, em nome de um “pacto”? Ou ainda, será que os trabalhadores da cadeia produtiva, em um mercado aquecido e que esteja demandando mão-de-obra especializada, irão concordar com perdas no poder de compra de seus salários, em nome do tal “pacto”? E os governos irão concordar com efetivas perdas de arrecadação real, para, digamos, facilitar a vida das empresas, em nome de um... “pacto”?

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Opiniões Ora, alguns poderão dizer que certos governos estaduais reduziram, por exemplo, a alíquota do ICMS sobre o etanol e passaram a arrecadar mais. Sim, é verdade – arrecadaram mais em termos de volume financeiro exatamente porque a demanda por etanol aumentou, os preços do produto aumentaram, a base de cálculo aumentou e a receita acompanhou o aumento. Indiretamente, governos que tiveram essa sensibilidade, a começar, diga-se de passagem, pelo governo do estado de São Paulo, conseguiram ganhar mais dessa forma. Em resumo, o setor, na verdade, não precisa de um pacto, porque, claramente, com base na história, pactos não resolvem o problema crônico da instabilidade, da incerteza e da falta de confiança – que, na soma, são fatores que inibem o investimento, a geração e a distribuição de renda e não “perpetuam” o negócio. O que o setor precisa, de fato, é de um conjunto de regras estáveis que apenas poderão ser obtidas quando, e se, a política nacional de combustíveis, biocombustíveis, bioeletricidade e outras formas de energias limpas e renováveis forem adotadas como políticas de Estado, e não políticas de governo. A diferença crucial é que uma política de Estado, uma vez determinada após ampla discussão, tende a tornar-se estável por longos períodos de tempo, podendo, eventualmente, ser alterada apenas mediante ampla negociação com a sociedade e com seus representantes no Congresso Nacional. Por sua vez, política de governo é aquela que oscila ao sabor dos humores dos mandatários de ocasião. Recentemente, vimos, na prática, o que isso significa: nos anos do primeiro governo Lula da Silva, então um apaixonado pelo setor, houve bonança e crescimento. A partir do segundo mandato, Lula inclinou-se rumo aos combustíveis fósseis, por conta das perspectivas fabulosas do pré-sal; posteriormente, durante o governo Dilma, que nunca escondeu sua antipatia pelo setor, houve o sofrimento atroz imposto a um setor que, como produtor de energias, depende fundamentalmente de regras impostas pelo governo. Portanto a conclusão a que podemos chegar é a de que, menos do que pactos temporários e ineficazes como solução perene, precisamos de lideranças que superem, ao menos momentaneamente, as diferenças inerentes aos players diversos do setor em busca da definição de regras claras, que nos permitam, enfim, após tantas idas e vindas, criar um programa federal de combustíveis e energias renováveis. A sociedade, por sua vez, precisa determinar que tipo de economia sustentável deseja e estar disposta a pagar um preço pelo valor que possa vir a ser agregado. Uma vez estabelecidas todas as principais regras do jogo, deixemos os agentes econômicos envolvidos continuarem suas disputas por melhores resultados individuais para seus negócios. Economia de mercado se faz desse jeito; mesmo com todas as suas imperfeições, ainda é a melhor forma de fazer com que qualquer setor possa evoluir. Somos todos adultos, maduros e responsáveis. O que nos falta é previsibilidade e regras confiáveis. O resto a gente faz. n


entidades

a estrutura de um pacto Pensar numa estruturação para o setor sucroenergético nacional num cenário estável e por um longo prazo requer, obrigatoriamente, aprofundar-se na reflexão sobre o momento recente desse segmento econômico e em quais premissas devem ser fundamentadas as ações. Uma das reflexões de partida requer revisitar as dimensões econômicas e sociais da atividade com o olhar contemporâneo da contribuição que pode ser extraída para o meio ambiente e para a redução do aquecimento global. Desse modo, refletindo-se o alcance econômico e social do setor, ratifica-se, de pronto, que a sua dimensão continua a apresentar contornos relevantes no que se refere à geração global de renda e sua capilarização em vários estados e células municipais do nosso país, contribuição marcante na geração de divisas, economia de divisas na importação de derivados de petróleo, por sinal muito expressiva quanto referenciada ao agronegócio, sendo, ainda, locomotiva de uma das mais densas cadeias produtivas do nosso mapa da produção nacional, composta por milhares de pequenas empresas metalúrgicas, de prestação de serviço de várias naturezas. É imprescindível registrar, pela relevância, o grande contingente de postos de trabalho diretos, na casa

de 1 milhão, que, integrado aos empregos indiretos nessa cadeia produtiva, assume cerca de 3 milhões de empregos e se constitui setor produtivo que mais emprega formalmente no País, qualificado, ainda, pela sua distribuição locacional no interior do País, fator que o promove como vetor de grande importância social, inclusive pelos seus 70 mil produtores independentes de canas. Com essa demonstração, se justifica debruçar-se com o objetivo de uma necessária estruturação para o setor sucroenergético, como “setor de atividade econômica” e não como empresas isoladas, que talvez pudessem se orientar apenas pelas leis de mercado no curto prazo. Não é trivial um setor produtivo de ponta como o sucroenegético ter quase 1/3 de suas empresas paralisadas em pouco mais de meia década. Cabe a gestores públicos, empresários, produtores e trabalhadores e a sociedade refletirem sobre as diversos aspectos desse desmonte. Não cabe assistirem a tudo isso apenas com resignação. Para não restringir essa reflexão apenas pelo retrovisor, devemos voltar o olhar para frente e para o futuro, passando pelos clamores contemporâneos que podem ser oferecidos por esse setor, além da imprescindível renda e emprego oferecidas e que estão sendo, aceleradamente, subtraídas. Com esse foco de futuro, não podemos deixar de considerar a contribuição que a atividade sucroenegética pode oferecer para o ajuste climático do planeta, no momento, representado pelo Acordo de Paris, como sequência da COP 21, e quantificado nas metas assumidas pelo governo brasileiro no mencionado Acordo.

Não é trivial um setor produtivo de ponta como o sucroenegético ter quase 1/3 de suas empresas paralisadas em pouco mais de meia década. Cabe a gestores públicos, empresários, produtores e trabalhadores e a sociedade refletirem sobre as diversos aspectos desse desmonte. "

Pedro Robério de Melo Nogueira Presidente do Sindaçúcar-Alagoas

Portanto, refletindo-se nesse contexto, nada pode diminuir a importância, a relevância e a urgência de que seja estabelecido um vigoroso programa de estruturação para esse setor, ancorado em premissas e em números realistas e numa cadência evolutiva racional, posto que devemos nos debruçar sobre o que pode ser recuperado do recente desmonte setorial, originado de forma predominante de fora para dentro da porteira. Nessa abrangência de análise, fica muito evidente a necessidade de que seja estabelecido um ambiente onde todos os agentes públicos e privados envolvidos possam estruturar o caminho de desenvolvimento para o setor sucroenegético nas suas vertentes de produ; ção de alimento, combustível renovável e energia.


Opiniões Dada a grandeza e a urgência da questão, essa oportunidade não pode passar desapercebida, tampouco transferida para outra ocasião, pois o momento é de reconstrução nacional no aspecto mais amplo. Para a discussão e o estabelecimento de bases estruturantes para o estável e progressivo desenvolvimento do setor sucroenegético, torna-se imperativo que sejam enfrentados e abordados todos os ângulos dessa questão, visando à remoção de preconceitos, desconhecimentos e desatualizações e introduzidas as verdades atuais, expectativas concretas, paradigma adequado à realidade e à consciência da necessidade inadiável de fazer. Há que se percorrerem questões sem subjetividades, sem o que as conclusões serão falsas ou incompletas. Os números estão dados. As soluções e encaminhamentos terão de ser ações de Estado e não carta de intenções e discurso agradável aos ouvidos dos agentes privados envolvidos, pois, provavelmente, as soluções extrapolarão o tempo de um governo. Não haverá avanços se não forem tratadas e esclarecidas as seguintes questões: • Fixação do conceito de ”sustentabilidade” do setor como decorrência natural da produção de combustível renovável e limpo em larga escala e de energia igualmente renovável, fatores que manterão ou farão crescer a nossa matriz energética limpa e renovável em níveis acima dos atuais 17%, bem acima da média mundial; • Preenchimento dos espaços de produção, em base sustentada, que possibilite a predominância, no médio e no longo prazo, da utilização de etanol em nossa frota de veículos; • Valoração das externalidades positivas do uso do etanol e da energia elétrica da biomassa canavieira, abrindo espaço natural para a adoção de tributação ambiental sobre combustíveis fósseis, bem como estabelecimento da valoração adequada para a energia elétrica cogerada por esse sistema produtivo; • Enfrentamento da falácia sobre baixa produtividade na produção de etanol, demonstrando o potencial para a retomada desse processo, como consequência do restabelecimento de margens de preço e de estabilização da competitividade com o combustível fóssil. Quem já assegurou em décadas passadas crescimentos de produtividade de mais de 5% ao ano, não observada em nenhuma outra atividade agroindustrial, possui condições de retomá-las, sobretudo, atualmente, com a adoção de novas variedades genéticas de cana-de-açúcar, intensificação da fertirrigação, principalmente no Nordeste, consolidação dos processos de mecanização agrícola e otimização nos processos industriais com novas tecnologias disponíveis, inclusive um melhor direcionamento tecnológico dos projetos de etanol 2G; • Desenvolvimento tecnológico dos veículos flex com vistas a melhorar o rendimento do consumo de etanol por km rodado; • Inserir como programa tecnológico a utilização do etanol como forma de obtenção de hidrogênio nos futuros veículos elétricos a partir de células de combustíveis; • Assegurar as condições regulatórias para que o setor possa ser um protagonista efetivo para o cumprimento das metas de melhoria de nossa matriz energética renovável, quer seja no ideal aumento da oferta de etanol para 50 bilhões de litros em 2030 e no aumento para

23% na oferta de energia elétrica renovável no mesmo período, para atingimento dos compromissos depositados pelo Brasil na ONU como parte do Acordo de Paris, consequência da COP 21. É fundamental ter em vista que essa necessária estruturação para o médio e o longo prazo vem sendo requeridas de há muito e, pela sua natureza, exigem uma cadência de implantação realista, mas que, na largada, possam indicar aos empresários e investidores esse novo rumo e, com isso, estancar esse processo penoso e irracional de destruição de um setor com a magnitude e importância estratégica conhecida e demonstrada e exposta por vários agentes econômicos e formadores de opinião. O debate amplo e aberto sobre a necessária adoção de estratégias, políticas públicas e medidas de longo prazo aplicáveis à estabilidade e ao desenvolvimento do setor de forma sustentável e abrangente a todos, desde a cadeia produtiva até a sociedade como um todo, sempre foi uma tônica permanente, quer seja na disposição de diálogo com o poder público, com a comunidade científica, com os agentes transversais envolvidos e com o Parlamento. Mas há de haver uma determinação para se ancorar no encaminhamento dessa estruturação setorial que se apresenta como muito importante, haja vista as perdas sociais, econômicas e ambientais que já se acumulam em toda a cadeia produtiva nesses últimos anos. Não assiste razoabilidade em, passivamente, relegar as externalidades positivas do sucroenegético, em não implementar ações estruturantes de longo prazo, ações de Estado que possibilitem ao longo de tempo determinado, fixar-se o etanol como combustível renovável e a energia elétrica da biomassa da cana-de-açúcar como integrantes da política de sustentabilidade do Brasil e não alternativamente de governos da ocasião. Que se fixem metas ascendentes de produtividade e competitividade possíveis, que se evite a volatilidade da oferta e da demanda, ajustando-a progressivamente à expansão do mercado projetada em bases consistentes. As metas da COP 21, por serem uma atitude de Estado no Acordo de Paris, podem ser o referencial dessa discussão. Evitemos perder mais postos de trabalho adicionais aos mais de 80 mil já subtraídos; transformemos o nosso país em produtor de combustíveis limpos e não importador de combustíveis fósseis; usemos a distribuição natural de renda e a fixação da grande população, cerca de 75 mil atuais pequenos e médios produtores de cana; estimulemos e não reduzamos a expressiva circulação de renda em milhares de municípios hospedeiros da produção de cana-de-açúcar; mostremos ao mundo o nosso vigor na contribuição para a redução de gases do efeito estufa e pronunciemos com clareza e determinação o nosso compromisso e a nossa cumplicidade privada e governamental com esse programa, sem mais proselitismo fácil e de ocasião e sem abdicar das ações estruturantes necessárias compromissadas por todos os envolvidos. Existe disponível inteligência, racionalidade, comprometimento, motivação, abertura para o debate. Abramos espaço para a ação consequente para deixarmos o legado de uma estruturação definitiva e não experimenn tal para o setor sucroenergético nacional.

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um pacto nacional

de longo prazo

Embora o governo atual se mostre mais próximo do setor, precisaríamos aprimorar algumas ferramentas que temos ao nosso alcance e melhor utilizá-las "

Eduardo Vasconcellos Romão Presidente da Orplana

Pensando em estruturar o futuro pela visão dos produtores da Orplana, seria prudente dar prioridade às nossas ações como elos da cadeia que representamos. Em 2014, essa preocupação com o futuro levou a Orplana a contratar a consultoria da Markestrat para estruturar uma previsão para os próximos 10 anos. Diante do cenário encontrado, foram realizadas pesquisas de opinião em locais de produção relacionados ao setor e nas Associações de Produtores, num total de 33 associações, todas filiadas à Orplana. As pesquisas foram realizadas logo após debates e discussões, promovidas pela Orplana, contando com respostas coletadas junto aos fornecedores e seus representantes. Através da metodologia adotada, foram identificados 19 projetos estratégicos, destacando-se, principalmente, os relacionados à comunicação interna e externa. A comunicação interna é importante na medida em que nos fortalece, dando vida e representação eficaz aos mais de 16 mil produtores no plantio e cultivo de seus 70 milhões de toneladas de cana. A comunicação externa é de fundamental importância para revelar à sociedade os aspectos e os envolvimentos positivos que o sistema de produção do agronegócio agrega em toda a produção e seus elos presentes: agências de máquinas/equipamentos; agroindústrias e

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sua demanda por metalurgia; cooperativas de insumos agro, etc. nos mais de 420 municípios que estão na área de atuação da Orplana. Trata-se de uma nova forma de visualizar o nosso negócio e da sua importância no conceito de elos da mesma corrente (no caso, a corrente de produção do nosso setor). Nesse sentido, o setor canavieiro gera impostos para os orçamentos municipais, que, por sua vez, se tornam mais robustos para contribuírem para a distribuição de renda e qualidade de vida para os moradores locais de cada município. Esse círculo virtuoso gera emprego e renda para servir as mais diversas fases e necessidades na totalidade do sistema agro de produção. À luz do exposto, torna-se preponderante que tenhamos políticas públicas que reconheçam e evidenciem a demanda por produtos e serviços gerada por nosso setor ao longo de toda a cadeia de produção do açúcar e do álcool e seus derivados; precisamos de ações de governo, de inserções eficazes na matriz energética do País. Por que, então, não admitirmos que precisamos da força do interior, harmoniosa com a política local e regional, ocupando espaço nas CâZilmar maras e Assembleias devidamente representadas peioeletricidade da UNICA lo setor para buscar alternativas de políticas públicas ; voltadas para o cenário do agronegócio?


Opiniões Fazendo uma honesta leitura dos fatos ocorridos nesses últimos 8 anos, vemos que o setor foi desafiado ao extremo, convivendo com preços que não cobriram os custos de produção e que deixaram feridas ao longo de todos os elos da cadeia. O que vimos foi a incongruência de ações de governo sem efetividade prática para a produção sucroenergética e da sociedade geral. No entanto, com o olhar para o futuro, devemos entender nosso passado como um aprendizado, voltado para a necessidade de busca de representação da nossa base do agronegócio na formulação atuante de políticas públicas claras e transparentes e que possam externar a nossa força, a nossa competitividade no contexto de toda a sociedade, não apenas como um setor isolado, mas como elos fortes de uma corrente, responsável pela produção, desde o campo até a mesa do consumidor final, passando por toda a supply chain que envolve esse processo. Nossa proposta baseia-se no fim da sensação de inoperância do setor, para que possamos refletir nossa real importância junto à sociedade, sociedade essa que estava distante do conceito dessa diretriz do agronegócio, mas que se mostrou muito influente nas cidades que são as reais formuladoras de políticas públicas. Enfim, mudar a forma de nos comunicarmos com essa sociedade pode ser um bom caminho

e trata-se de uma oportunidade; vamos em frente? Embora o governo atual se mostre mais próximo do setor, precisaríamos aprimorar algumas ferramentas que temos ao nosso alcance e melhor utilizá-las: externar esse fato à sociedade como um todo, angariando contorno político eficaz, para opinarmos nas políticas públicas que venham na direção desse contexto. Bons exemplos nesse sentido já se tem, mas precisamos multiplicar mil vezes mil. A presença do agro existente em todo no território nacional pode e deve angariar a atenção da população sobre a riqueza por ele gerada. A população urbana, distante da lida do agronegócio, precisa se conscientizar de que ela, em algum ponto da cadeia, ou trabalha, ou ao menos se beneficia dos recursos dos que por ela trabalham diariamente. O desafio que o mundo descreve por alimento converge para um só ponto: o Brasil está na vanguarda das possibilidades para atender a um aumento de 40% na demanda por mais alimentos, fibra e energia num futuro próximo que se desenha. Temos, portanto, um desafio, não apenas para a população do agronegócio, mas para toda a sociedade brasileira, e ambos precisam, a todo o momento, ser conscientizados de que fazem parte de elos da mesma corrente. n


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é preciso planejamento! Assistimos, ao longo desses últimos anos, a um verdadeiro descaso por parte do Governo Federal no tocante à elaboração de planos nas mais diversas áreas que estão sob a responsabilidade do poder executivo. Um governo preocupado exclusivamente com a forma de perenização no poder, onde a ideologia passou a ter papel importantíssimo na tomada de decisão. Considerando esses aspectos, passa a utilizar as grandes estatais como fonte de recursos para campanhas eleitorais que se tornam grandes fontes de corrupção, levando-nos a aonde estamos, numa das maiores crises que o Brasil já vivenciou. Recursos que saem de investimentos e serviços e vão para o bolso de pessoas inescrupulosas. Foi muito tempo. A retomada, obviamente, passa por uma completa reestruturação geral, dando foco nas questões estratégicas, e, certamente, estão nesse contexto as questões relacionadas a energia e a combustível.

O setor sucroenergético que produz energia e combustível é estratégico e tem que ser visto pelo governo como tal. Somente a partir da decisão de considerá-lo como estratégico é que o governo poderá criar mecanismos de sustentação da produção, sem incorrer em grandes riscos, preservando essa atividade importantíssima à economia do País. Assim foi que nasceu o Proálcool, com a montagem de um plano estratégico de substituição de combustível e que promoveu grande desenvolvimento. Não é possível, num país que tem carências de recursos financeiros, convivermos com tantos altos e baixos em que recursos preciosíssimos de nossa economia sejam desperdiçados. Mais recentemente, o plano de produção de etanol nos EUA é um exemplo claro de que, com planejamento, é possível criar um programa de muito sucesso, mesmo que muito menos competitivo, se comparado às condições brasileiras.

O setor sucroenergético que produz energia e combustível é estratégico e tem que ser visto pelo governo como tal. Somente a partir da decisão de considerá-lo como estratégico é que o governo poderá criar mecanismos de sustentação da produção "

Ismael Perina Junior Presidente da Câmara Setorial do Açúcar e Álcool

Triplicaram a produção de etanol, criaram programas para o seu consumo, resolveram o problema dos estoques de milho e deram um passo importante na diminuição de emissões, gerando inúmeros empregos. O fato é que o setor tem que ser encarado como estratégico para o País e para o governo, assumir essa postura. Um setor que emprega diretamente por volta de um milhão de pessoas e, indiretamente, ;


entidades uma outra quantidade enorme, gera suas riquezas no interior do País, promove o bem-estar, ajuda na diminuição de emissões de poluentes, exporta boa parte de sua produção, gerando divisas para o País; poupa divisas, diminuindo a importação de combustíveis, gerando impostos e tantos outros benefícios, não tem como não ser encarado como estratégico. A partir dessa tomada de decisão, certamente as ações promovidas em prol do setor passem a ser mais facilmente entendidas por todo o governo e pela sociedade como um todo. Dentre os principais produtos produzidos nessa cadeia produtiva, temos o açúcar, que tem vida própria, trata-se de uma commodity mundial para a qual os preços tem sua dinâmica, e não há nenhum instrumento necessário de ações por parte do Governo Federal para protegê-lo, a não ser que, pelo fato de a mesma matéria-prima produzir açúcar e etanol, qualquer distorção no mercado do etanol pode promover grandes interferências no mercado de açúcar, dado ao tamanho da representatividade do Brasil no mercado mundial dessa mercadoria. Diferentemente do açúcar, etanol e energia estão vinculados a outros mercados e que, para o sistema produtivo não sofrer grandes percalços é preciso algum tipo de regramento, fazendo com que tenhamos pouca variabilidade nas ofertas deste produto. Se permanecer como foi durante o desastroso período vivido sob a administração do PT, o risco continuará altíssimo. Para o etanol, dois mecanismos já existem e deveriam funcionar naturalmente e muito bem, não fosse a interferência negativa que sofreu nesses últimos períodos. Um deles, a mistura obrigatória de etanol na gasolina, com enormes vantagens ambientais e que vem, ao longo de anos, sendo utilizado com uma banda (20% a 27,5%) já prevista para sua utilização e estratégia definida pela oferta da quantidade de etanol produzido. Nesse último período, foi baixado o limite uma única vez por interferência de uma pessoa – a grande responsável por nos trazer onde estamos e de maneira equivocada. A outra é a CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, cuja função principal é a de impedir que grandes oscilações no mercado do petróleo interfiram na cadeia produtiva promovendo grandes desajustes na produção e trazendo grandes malefícios à toda cadeia produtiva. Preços baixíssimos de etanol significam quebradeira adiante e encolhimento no fornecimento futuro. Em linguagem simples, com a Petrobras sendo administrada de maneira a seguir os fundamentos do mercado e acompanhando os preços internacionais do petróleo restaria ao Governo Federal administrar a alíquota da CIDE a incidir sobre a gasolina, que quando com preços baixos no mercado eleva-se a alíquota e com preços altos da gasolina diminui-se este valor, podendo ser inclusive zerado.

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Opiniões O mais interessante é que já está determinado em lei, e os recursos arrecadados vão para a federação, estados e municípios para serem aplicados na melhoria da infraestrutura viária, projetos ambientais e outros. Quem o criou foi de uma sensibilidade gigantesca. Isso permite que a cadeia de produção do etanol que trabalha sujeito às variabilidades do custo de produção mantenha certo equilíbrio em momentos principalmente dos preços da gasolina baixo. Volto a frisar que se trata de questão estratégica para o País e que o etanol já chegou a representar cinquenta por cento do consumo de combustíveis do ciclo Otto. É tão estratégica essa questão que, a partir da utilização desse mecanismo, conseguimos, de certa forma, administrar a oferta de açúcar para que também esse mercado traga mais competividade e benefícios aos produtores brasileiros, gerando divisas e irrigando recursos por todas as cidades brasileiras que estão nesse contexto. Já com relação à produção de bioeletricidade pelo setor sucroenergético, esta já não tem concorrência direta com o etanol e açúcar – que se utilizam da sacarose para sua fabricação. Ela utiliza-se do bagaço e tem tecnologia implantada de longa data e se dispõe ainda de um possível aumento com o recolhimento da palha da cana, que permite volumes maiores de entrada para geração de energia. Só para lembrar: a safra de cana-de-açúcar na região Centro-Sul (90% do País) ocorre em período de escassez de chuvas e no momento mais crítico de administração dos recursos hídricos para geração de energia elétrica. Não pode mais acontecer o que assistimos num passado recente, onde se forçou a produção de energia elétrica a partir de hidrelétricas, causando a baixa do nível dos reservatórios, com enormes consequências negativas ao fornecimento de água, ao sistema de navegação fluvial e ao turismo em vários municípios. Para que um programa de fornecimento de energia de biomassa seja consistente é preciso da mesma forma se debruçar nos estudos e promover um planejamento satisfatório. Utilizar-se dessa fonte de energia para as condições brasileiras é no mínimo obrigatório, necessita investimentos, tem custos e estes precisam ser remunerados para perenidade do negócio. O Brasil possui, no âmbito do Governo Federal e iniciativa privada, técnicos extremamente capacitados para elaboração de um plano que contemple todas essas necessidades e características, sem ideologia e impedimento que esses investimentos tragam retorno a quem o realizar e benefícios a toda população. Como podemos notar, não se trata de grandes mudanças ou inovações para que isso aconteça. Identificado pelo governo de que realmente se trata de assunto estratégico para o país, é só trabalhar. n


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um pacto nacional de longo prazo para os

biocombustíveis e a bioeletricidade O Brasil tem uma das matrizes energéticas mais limpas do planeta, com alta participação de energias renováveis, principalmente hídrica, e uma importante participação dos biocombustíveis (etanol) e bioeletricidade, como a da biomassa da cana-de-açúcar. Mas temos também uma grande estrutura de geração com energia fóssil (gás natural, carvão, petróleo) montada como reserva em stand by no governo Fernando Henrique Cardoso. Mais recentemente, tivemos uma presidente expert em energia, que via a energia renovável como um complicador que não deveria ser incentivado.

Na montagem desse novo modelo, os compromissos de redução das emissões de gases de efeito estufa (GEE) são extremamente importantes, e, em setembro último, o governo brasileiro os ratificou no Acordo de Paris. Dentre eles, estão o aumento da participação dos biocombustíveis na matriz energética nacional para 18% e a expansão do uso doméstico de fontes de energia não fóssil. Essas ações visam aumentar a parcela de energias renováveis (além da hídrica) no fornecimento de energia elétrica para, ao menos, 23% até 2030.

Para evitar cenários negativos e influências ideológicas que desestimulem investimentos mais vantajosos, é necessário um pacto nacional de longo prazo para o sistema energético. "

Marcelo Weyland Barbosa Vieira Vice-presidente da SRB - Sociedade Rural Brasileira

Com a participação da energia não renovável triplicando para acima de 20%, o custo da energia elétrica subiu substancialmente e foi um dos fatores da recessão extraordinária no País. Para evitar cenários negativos e influências ideológicas que desestimulem investimentos mais vantajosos, é necessário um pacto nacional de longo prazo para o sistema energético.

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O etanol (de 1ª e 2ª geração) é um biocombustível com grande potencial de redução de emissões GEE. O etanol de cana-de-açúcar pode reduzi-las em 91%, comparativamente à gasolina. A bioeletricidade é uma energia renovável e sustentável, feita a partir da biomassa: resíduos da cana-de-açúcar (bagaço e palha), ;


entidades restos de madeira, carvão vegetal, casca de arroz, capim-elefante e outras. Reconhecer os benefícios ambientais, sociais e econômicos dessas alternativas pode auxiliar a redução de 43% das emissões brasileiras até 2030 previstas no iNDC (sigla em inglês para Contribuições Nacionalmente Determinadas). Nesse contexto, a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura – um movimento multissetorial, com mais de 150 organizações, acadêmicos e representantes de peso no agronegócio no Brasil – montou um grupo de trabalho para indicar as condições necessárias para atingir as metas previstas nas iNDCs brasileiras. Etanol: Em 2015, o Brasil produziu, aproximadamente, 28 bilhões de litros de etanol, representando 44% do consumo de combustíveis leves no País. Segundo representantes do poder público nacional, o iNDC prevê produção próxima de 50 bilhões de litros em 2030. Para tanto, algumas políticas públicas são fundamentais: 1. Estímulos aos ganhos de eficiência técnica dos veículos: garantir, no contexto do Inovar-Auto (mecanismo de estímulo à busca de maior eficiência dos motores de veículos flex no uso do etanol hidratado como combustível), contribuição decisiva para a competitividade do biocombustível em relação à gasolina. O mesmo se aplica ao desenvolvimento dos motores híbridos flex ou movidos a etanol. 2. Diferenciação tributária do etanol frente aos combustíveis fósseis: restabelecer a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE, sobre a gasolina, ou de outro tributo semelhante, em níveis que precifiquem adequadamente o custo social do carbono para a sociedade, como um mecanismo de diferenciação tributária que valorize as externalidades positivas do etanol frente ao combustível fóssil. 3. Investimento e apoio à inovação e P&D aplicada à indústria: estruturar políticas de fomento de longo prazo dedicadas às inovações tecnológicas para biocombustíveis avançados, inclusive de novos cultivares de cana com alto teor de açúcar e/ou biomassa, que aumente a eficiência de produção de biocombustíveis e reduza os custos de investimento, a fim de acelerar o desenvolvimento do etanol celulósico em escala comercial. Redução de tributos federais para aquisição de máquinas e equipamentos, enzimas e leveduras, e a isenção de PIS/Cofins nas aquisições de biomassa celulósica, visando atrair investimentos privados em novos projetos produtivos. Bioeletricidade: As iNDCs brasileiras indicam uma meta específica de incrementar o uso das energias renováveis solar, eólica e biomassa para, ao menos, 23% da geração de eletricidade do Brasil em 2030. É uma meta ambiciosa, pois, em 2014, a geração elétrica pelas fontes solar, eólica e biomassa representou cerca de 10% da produção total de energia elétrica no País.

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Opiniões Será preciso estimular a expansão consistente da bioeletricidade na matriz de energia elétrica nos próximos anos, com previsão de crescimento do consumo de bioenergia de 41 TWh para 134 TWh anuais. Para tanto, é necessária uma política pública bem estruturada, estável e de longo prazo para a bioeletricidade, alicerçada em pontos essenciais: 1. Instituir um programa de contratação a partir de leilões diferenciados por fonte e/ou regiões no Ambiente de Contratação Regulada (ACR), com a valorização no preço dos atributos ambientais, elétricos e econômicos advindos do uso da bioeletricidade. Diretriz fundamental para a expansão do investimento em projetos de geração a partir da biomassa. Leilões regulares no ACR e com preços remuneradores para a biomassa representam condições essenciais para viabilizar projetos que visem ao aproveitamento da palha, do retrofit (reforma) do parque existente, do biogás e de outras biomassas. 2. Estabelecer um programa estruturado de longo prazo que mitigue a dificuldade de conexão dos projetos de bioeletricidade às redes de distribuição de energia elétrica. A conexão das térmicas a biomassa ocorre principalmente no âmbito da distribuição. O custo de acesso à rede pode representar, em alguns casos, até 30% do investimento em projetos de bioeletricidade, e, em algumas regiões, uma rede sobrecarregada inviabiliza a conexão de novas plantas geradoras. Deve-se promover estudo amplo para a conexão de projetos de bioeletricidade que permita um planejamento robusto e estabelecer que instalações de uso exclusivo para a conexão das usinas à bioeletricidade passem a ser de responsabilidade dos agentes de transmissão/distribuição. 3. Oferecer condições de financiamento mais atrativas para projetos de bioeletricidade. Estabelecer linhas de créditos especiais para projetos de eficiência energética, otimização de processos e adaptação e/ou substituição de caldeiras e turbo geradores, sobretudo em retrofits. Linhas especiais para permitir maior uso de biomassas complementares e o aproveitamento da palha para a geração (durante toda a etapa do processo). Criação de linhas de financiamento agrícola para outras biomassas (sorgo, cana energética, capim elefante etc.), estimulando o desenvolvimento de novas ofertas de biomassa. Extensão do uso das linhas de crédito oficiais para máquinas e equipamentos importados. Utilizar biocombustíveis e bioenergia em substituição aos combustíveis fósseis contribui significativamente para a redução das emissões de GEE e para a saúde pública. Para viabilizar as metas do Acordo de Paris, urge a segurança de uma política energética de longo prazo, que não seja alterada a cada governo. Dessa forma, serão beneficiados investidores e toda a cadeia de produção. n


28 DE NOVEMBRO DE 2016 WTC Events Center | Teatro | São Paulo Participe do evento que irá discutir o Futuro do Setor Sucroenergético e as Energias Renováveis no Brasil com as Lideranças do Mercado e Governo

HENRIQUE MEIRELLES Ministro da Fazenda

ANTONIO MEGALE Presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea)

PEDRO PARENTE Presidente da Petrobras

LUIZ BARROSO Presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) MARCELO FURTADO Coordenador da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura

ELIZABETH FARINA Diretora presidente da UNICA

PAOLO CORVO Diretor Global de Desenvolvimento de Negócios para Bioenergias da Clariant

JUSTINE LEIGH-BELL Diretora de Desenvolvimento de Mercado da Climate Bonds Initiative

PEDRO MIZUTANI VP de Relações Externas e Estratégia da Raízen e Presidente do Conselho Deliberativo da UNICA

LUIS ROBERTO POGETTI Presidente do Conselho da Copersucar

WILLIAM WAACK Moderador

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ensaio especial

Opiniões

etanol e gasolina:

um pacto para o abastecimento

Impulsionado pela inflação ascendente e descontrolada, o Governo Federal, em franca decadência, transformou o controle de preços dos derivados de petróleo em ferramenta de política macroeconômica. A manutenção dos preços dos combustíveis abaixo dos preços de referência do mercado por um longo período produziu distorções gravíssimas. A manobra não foi capaz de reduzir os índices de inflação e coloca o setor sucroalcooleiro em uma de suas maiores crises, com elevado grau de endividamento, redução de sua capacidade de produção e investimento e provoca uma crise de desabastecimento Em um momento em que as vendas de veículos movidos a biocombustível já superam em mais de 80% das vendas totais, a frota vai crescendo e se consolidando. Não há etanol suficiente para atender à demanda, e, para evitar o desabastecimento, o setor sucroalcooleiro é obrigado a importar grandes quantidades de etanol para complementar a demanda. A falta de produto é eminente na entressafra, e a confiança do consumidor vai se reduzindo a passos largos. Não resta outra alternativa a não ser fazer a escolha de qual produto terá a sua produção reduzida, pois a manutenção de preços artificiais dos combustíveis força a indústria a reduzir a sua produção e a aumentar seus custos, com a queda da produtividade.

Como consequência direta, o consumidor deixa de comprar os veículos novos movidos ao combustível vegetal, e a demanda reduz-se drasticamente. Dezenas de destilarias que foram construídas para atender a essa demanda crescente convertem-se em fábricas de açúcar e a produção de etanol desacelera drasticamente. Bons preços do açúcar fazem crer que a decisão correta foi tomada, afinal o mercado de hidratado é secundário, importante é atender à demanda de açúcar, que está longe do alcance das medidas intervencionistas do governo, investir em infraestrutura e aproveitar os bons preços. O mercado se encarrega de ajustar as demandas. Após esse intenso movimento, o mercado de açúcar começa a dar sinais de saturação, e, ao final de uma década, os preços não cobrem mais os custos de produção. A frota movida a etanol está sucateada depois de uma década de vendas marginais. A gasolina segue soberana, fortalecendo a Petrobras, até chegamos ao ápice dessa história com o mercado de açúcar em depressão, e uma produção de etanol que não encontra mais compradores, formando um dos maiores estoques de etanol até então já vistos. Essa história não é ficção, ela é uma fotografia recente do setor sucroalcooleiro, que começou no final da década de 1980, atravessou os anos 1990 e terminou em 2.000, com um estoque de etanol suficiente para 5 meses de abastecimento na entrada de uma nova safra. ;

Heloisa

Um país com vocação para ciologia da Esalq-USP o agronegócio, que investiu em uma matriz de energia sustentável, não pode ser refém de uma política de combustíveis desnorteada (...) responsável peloIsaias fe- de o Energético da Unicamp chamento de dezenas de unidades de produção de açúcar e etanol no País "

Tarcilo Ricardo Rodrigues Diretor da Bioagência

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ensaio especial Convertemos as nossas destilarias em fábricas de açúcar, abandonando o etanol hidratado à sua própria sorte, e as regras do “mercado”. Nos tornamos passivos nessa história. As consequências para o setor foram enormes, e ainda lutamos para nos recuperar até hoje. O cenário se repete, e precisamos aprender com os erros do passado para não repetirmos no futuro a ideia da soberania dos mercados. Temos que ser agentes transformadores, protagonistas de uma história de sucesso, que ainda nos reserva um futuro brilhante. O cenário mudou. O mundo dos anos 1980 e 1990 não existe mais. O conceito de energia e suas diversificadas fontes é muito diferente. Produzimos alimentos, combustível e energia, tripé de qualquer nação desenvolvida. O que no curto prazo parece uma ameaça poderá tornar-se uma grande oportunidade. A matriz de transporte mundial é líquida, e assim deverá permanecer por muitas décadas, antes de ser substituída. Bilhares de dólares estão investidos em ativos destinados a produzir, movimentar, armazenar e distribuir esses combustíveis ao redor do mundo. As novas tecnologias virão, dentro de seus períodos de maturação. O nosso problema é de curto e de médio prazo. Precisamos pensar nas soluções para abastecermos o nosso País, que tem dimensões continentais, demandantes de um planejamento integrado para suprir uma cadeia de tamanha complexidade. O Brasil não é o único País no mundo que tem etanol como combustível e não como aditivo. Ele é o único que pode fazer isso, por ter uma agricultura tropical, com terras, água, insolação e tecnologia necessárias a suprir esse mercado de forma competitiva e em larga escala. A frota de veículos flex é o grande ativo do setor, e a sua manutenção vai nos permitir retomar a produção de etanol a qualquer instante. Há uma demanda crescente não atendida capaz de consumir uma grande quantidade de matéria-prima. Essa frota flex é o ponto comum entre o setor privado (produtores de etanol) e o modelo estatal (refinarias da Petrobras), na disputa pelo mercado. Devemos aproveitar essa oportunidade em um momento que a Petrobras anuncia mudanças na gestão da Empresa, baseada na profissionalização, meritocracia e independência do Governo Central, que tantos males causou aos dois setores. Devemos aproveitar esse momento e escrevermos uma nova página do mercado de combustíveis. Somos um país continental, que poderá traduzir-se numa vantagem comparativa para desenharmos uma política regional. Somos produtores de dois combustíveis que se complementam. Tanto usinas quanto refinarias já estão instaladas, então devemos buscar a otimização dos custos de produção e logísticos, dentro de uma matriz única, que equalize e diferencie os preços, como uma forma de indução do consumidor.

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Opiniões Um país com vocação para o agronegócio, que investiu em uma matriz de energia sustentável, não pode ser refém de uma política de combustíveis desnorteada, que, no passado recente, foi responsável pelo fechamento de dezenas de unidades de produção de açúcar e etanol no País, deixando pelo caminho ganhos substanciais que poderiam ser revertidos para toda a sociedade. É certo que o País voltará a crescer e não poderemos prescindir de nenhuma fonte de combustível e energia. É preciso de muita racionalidade nesse processo, não temos todo o petróleo que necessitamos, não temos as refinarias que precisaríamos ter. O déficit de refino do País está igualmente distribuído entre óleo diesel e gasolina. Os investimentos na produção de etanol e gasolina devem ser certeiros e pensados de forma conjunta com a visão de complementariedade. A correlação de preços entre gasolina e etanol é mínima, e ela só acontece de forma artificial nas bombas de combustível. Os preços do etanol têm um teto, definido pela gasolina. As matérias-primas petróleo/cana-de-açúcar não tem nenhuma correlação. É preciso criar uma modelo inteligente, que garanta a competividade na bomba e no campo ao mesmo tempo para o etanol e que respeite a formação de preços dos mercados, caso contrário a nossa oferta aparecerá somente em janelas de oportunidades, que muitas vezes podem ser menores de que um ciclo de produção. Precisamos de mecanismos que estimulem a produção e garantam a rentabilidade para que continuemos a ofertar produto de forma crescente consistente, respeitando as regras de mercado, com um mínimo de intervenção. Não é tarefa simples, mas temos capacidade de criarmos esses mecanismos, se pensarmos em longo prazo. Alguns desses mecanismos já existem, tais como a CIDE variável, funcionando como um amortecedor dos preços de petróleo, ou os mecanismos de vendas de créditos (RIN´s norte-americanos), que poderiam ser comercializados em um mercado secundário, atraindo outros agentes de mercado à cadeia de combustíveis. Não temos a receita pronta, mas temos a experiência do passado e vontade de reescrevermos esse capítulo, não da forma mais fácil, que seria, mais uma vez, abandonarmos o etanol hidratado, e nos conformarmos que, momentaneamente, não faz sentido econômico, devido aos altos preços do açúcar, e sim criarmos condições para que o açúcar e também o etanol contribuam para a rentabilidade da usina e planejarmos uma produção consistente e crescente. Esse é o desejo de todos os agentes da cadeia, para que não tenhamos que escrever o segundo capítulo do fim do etanol hidratado. n


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