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Opiniões www.RevistaOpinioes.com.br

ISSN: 2177-6504

SUCROENERGÉTICO: cana, açúcar, etanol & bioeletricidade ano 13 • número 49 • Divisão C • Jul-Set 2016

toda a energia da cana


Inovar Sempre: isso é o que faz a JW ser competitiva A JW sempre foi uma empresa que se destacou no mercado sucroenergético por estar inovando sempre, com alternativas tecnológicas para proporcionar maior eficiência em plantas para a produção de etanol. A empresa, composta pelos sócios diretores Valter Felipe Sicchieri, José Luiz Maria e Carlos Eduardo Martins, está sempre em busca de novas oportunidades de negócio. José Luiz destacou que a JW tem dedicado especial atenção a alguns segmentos de mercado, como óleo e gás, petroquímica, celulose, fertilizantes e alimentos. E, para isso, investiu em reciclagem e qualificação profissional de seus colaboradores e infraestrutura para atender a estes mercados. “Na crise as pessoas têm um pouco de medo de investir, mas não podemos ter esse medo. Temos que investir e sermos mais competitivos para melhorar o faturamento”, explica o diretor de

Na crise as pessoas têm um pouco de medo de investir, mas não podemos ter esse medo. Temos que investir ....

operações, José Luiz Maria.

Ele também destacou que o reposicionamento da empresa exigiu novas tecnologias e a busca de novos parceiros para atender a esses novos segmentos, já que o mercado do etanol tem relativa instabilidade. “A nossa meta para os próximos 3 anos é trabalhar com 50% da fábrica focada no etanol e 50% em outros segmentos, mas, para que isso aconteça, estamos fazendo abordagens diferenciadas para que este novo mercado acredite no potencial da JW, pois temos capacidade para atendê-lo”.


Uma estratégia estruturada O seu parque fabril está dentro dos padrões exigidos para a fabricação de equipamentos de qualidade. Hoje, as unidades de negócios internas são distintas, inclusive na fábrica. A estratégia para buscar novos negócios não foi idealizada para aproveitar a estrutura do etanol, mas criar uma nova ala para atendê-los com instalações adequadas para que a demanda de uma área não interfira no cumprimento de metas e contratos da outra. “Temos uma estrutura para armazenamento e conservação de consumíveis que seguem normas rígidas. A capacidade da fábrica é de 142 toneladas de chapa de aço inox/mês e 310 toneladas de aço carbono/mês”, comenta o diretor industrial, Carlos Eduardo Martins. Além disso, é uma das únicas empresas que trabalham com chapa especial clad, que tem carbono e inox juntos, utilizada principalmente em equipamentos de plataformas marítimas.

Fazer certo e fazer com qualidade A empresa continua produzindo equipamentos para a produção de etanol com as tecnologias que sempre consolidaram a marca JW no mercado. Mas para acompanhar os novos rumos, ampliou e modernizou a sua engenharia. “Os novos negócios exigem que se tenha uma engenharia própria. Você pode até Você pode até comprar tecnologia comprar tecnologia de terceiros, mas precisa haver de terceiros, mas uma engenharia dentro da empresa precisa haver uma para poder validar e fiscalizar a engenharia dentro fabricação de equipamentos”, da empresa... comenta Martins. E as mudanças não param. “Em todos os setores da empresa houve melhorias, inclusive na área de etanol. Um rígido controle de qualidade exercido por profissionais atualizados tem feito toda diferença para manter a empresa competitiva.”, adiciona José Luiz. Aliás, é preciso ressaltar que 37% do etanol produzido no país é com os equipamentos JW. A parceria firmada com a empresa italiana MDT (Mussi Distillation Technology), que tem tecnologia para os processos de etanol neutro, pesou muito na hora de fechar o contrato para fornecimento de equipamentos para uma empresa de bebidas. Outra parceria de importância é com a L&M Engenharia, especializada em tecnologia para processos de concentração de vinhaça. Quanto ao futuro, a JW espera que o respeito que a empresa conquistou no mercado de etanol possa ser transferido para outros segmentos com a oferta de novos produtos, novas tecnologias e a manutenção de qualidade que faz dos seus produtos e serviços uma referência no mercado interno e externo. Av. Marginal Antônio Waldir Martinelli, 1820 Sertãozinho-SP-Brasil Tel.: +55 16 3513-2000 e-mail: jw@jw.ind.br

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índice

toda a energia da cana

Cientistas:

Editorial:

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Luiz Carlos Corrêa Carvalho, Caio Presidente da ABAG

Ensaio especial:

72

Heloisa Lee Burnquist

Professora de Economia da Esalq-USP

12 16 20 24 28 34 40 44

Sizuo Matsuoka Cientista da Vignis

Francisco Emilio Baccaro Nigro Professor da Escola Politénica da USP

Isaias de Carvalho Macedo

Produtores:

46 48

Assessor de Tecnologia do CTC

Manoel Regis Lima Verde Leal Pesquisador do CTBE/CNPEM

Paulo Olivi

50 54

Especialista em Processos do CTBE

Júlio César dos Santos

Professor da Escola de Engenharia da USP-Lorena

Regina Célia Cardoso Margarido Gerente de Nutrição Animal da Biosev

Zilmar José de Souza

Gerente de Bioeletricidade da Unica

Jayme Buarque de Hollanda Presidente do INEE

Comercializadoras de energia:

Professor da Faculdade de Química da USP-RP

Tassia Lopes Junqueira

Diretor Agroindustrial da Cerradinho Bioenergia

Entidades:

Professor do NIPE da Unicamp

Jaime Finguerut

Fernando Eduardo Amado Tersi

60 64

Karin Regina Luchesi

68

Sérgio Ramos da Cruz

Vice-presidente de Mercado da CPFL Energia

Alessandra Genu Dutra Amaral Presidente da Energisa

Fornecedores do sistema: Diretor da Paques Brasil

Editora WDS Ltda e Editora VRDS Brasil Ltda: Rua Jerônimo Panazollo, 350 - 14096-430, Ribeirão Preto, SP, Brasil - Pabx: +55 16 3965-4600 - e-Mail Geral: Opinioes@RevistaOpinioes.com.br n Diretor Geral de Operações e Editor Chefe: William Domingues de Souza - 16 3965-4660- WDS@RevistaOpinioes.com.br nCoordenadora Nacional de Marketing: Valdirene Ribeiro Souza Fone: 16 3965-4606 - VRDS@RevistaOpinioes.com.br nVendas: Lilian Restino - 16 3965-4696 - LR@RevistaOpinioes.com.br • Francine da Mata Silva - 16 3441-0343 - FM@RevistaOpinioes. com.br • Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nJornalista Responsável: William Domingues de Souza - MTb35088 - jornalismo@RevistaOpinioes.com.br nEdição Fotográfica: Priscila Boniceli de Souza Rolo - Fone: 16 99132-9231 - boniceli@globo.com nProjetos Futuros: Julia Boniceli Rolo - 2604-2006 - JuliaBR@RevistaOpinioes.com.br nProjetos Avançados: Luisa Boniceli Rolo - 2304-2012 - LuisaBR@RevistaOpinioes.com.br nConsultoria Juridica: Priscilla Araujo Rocha nCorrespondente na Europa (Augsburg Alemanha): Sonia Liepold-Mai Fone: +49 821 48-7507 - sl-mai@T-online.de nDesenvolvimento de Mercados na Ásia: Marcelo Gonçalez - MG@RevistaOpinioes.com.br nExpedição: Donizete Souza Mendonça - DSM@ RevistaOpinioes.com.br nCopydesk: Roseli Aparecida de Sousa - RAS@RevistaOpinioes.com.br nTratamento das Imagens: João Carlos Leite nFinalização: Douglas José de Almeira nArtigos: Os artigos refletem individualmente as opiniões pessoais de seus próprios autores nFoto da Capa: Tadeu Fessel Fotografias - 11 3262-2360 - 11 95606-9777 - tadeu.fessel@gmail.com nFoto do Índice: Tadeu Fessel Fotografias - 11 3262-2360 - 11 95606-9777 - tadeu.fessel@gmail.com nFotos das Ilustrações: Paulo Alfafin Fotografia - 19 3422-2502 - 19 8111-8887 - paulo@pauloaltafin.com.br • Ary Diesendruck Photografer - 11 3814-4644 - 11 99604-5244 - ad@arydiesendruck.com.br • Tadeu Fessel Fotografias - 11 3262-2360 - 11 95606-9777 - tadeu.fessel@gmail.com • Acervo Revista Opiniões e dos específicos articulistas • Pesquisadores do CTBE/CNPEM - Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais nFotos dos Articulistas: Acervo Pessoal dos Articulistas e de seus fotógrafos pessoais ou corporativos nVeiculação Comprovada: Através da apresentação dos documentos fiscais de pagamento dos serviços de Gráfica e de Postagem dos Correios nTiragem Revista Impressa: 7.000 exemplares nRevista eletrônica: Cadastre-se no Site da Revista Opiniões e receba diretamente em seu computador a edição eletrônica, imagemn fiel da revista impressa nPortal: Estão disponíveis em nosso Site todos os artigos, de todos os articulistas, de todas as edições, de todas as divisões das publicações da Editora WDS, desde os seus respectivos lançamentos nHome-Page: www.RevistaOpinioes.com.br

Conselho Editorial da Revista Opiniões: ISSN - International Standard Serial Number: 2177-6504 Divisão Florestal: • Amantino Ramos de Freitas • Antonio Paulo Mendes Galvão • Celso Edmundo Bochetti Foelkel • João Fernando Borges • Joésio Deoclécio Pierin Siqueira • Jorge Roberto Malinovski • Luiz Ernesto George Barrichelo • Marcio Nahuz • Maria José Brito Zakia • Mario Sant'Anna Junior • Mauro Valdir Schumacher • Moacir José Sales Medrado • Nairam Félix de Barros • Nelson Barboza Leite • Roosevelt de Paula Almado • Rubens Cristiano Damas Garlipp • Sebastião Renato Valverde • Walter de Paula Lima Divisão Sucroenergética: • Carlos Eduardo Cavalcanti • Eduardo Pereira de Carvalho • Evaristo Eduardo de Miranda • Jaime Finguerut • Jairo Menesis Balbo • José Geraldo Eugênio de França • Manoel Carlos de Azevedo Ortolan • Manoel Vicente Fernandes Bertone • Marcos Guimarães Andrade Landell • Marcos Silveira Bernardes • Nilson Zaramella Boeta • Paulo Adalberto Zanetti • Paulo Roberto Gallo • Pedro Robério de Melo Nogueira • Plinio Mário Nastari • Raffaella Rossetto • Roberto Isao Kishinami • Tadeu Luiz Colucci de Andrade • Xico Graziano

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A mecanização da colheita manual de cana-de-açúcar não é mais um desao, é uma realidade

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editorial de abertura

Opiniões

a descarbonização do

planeta

O uso de energia, no mundo, tem enorme dependência da oferta de hidrocarbonetos fósseis, ou seja, 86%! Mudar a matriz energética global é, pois, chave para a mitigação dos gases do efeito estufa na lógica da “descarbonização” do planeta. Uma das características da realidade energética, no caso desses hidrocarbonetos – petróleo, carvão, gás natural, etc. – é que sua localização geográfica é concentrada em algumas regiões do planeta, o que faz deles um produto que sempre apresenta riscos geopolíticos elevados. O petróleo se concentra no Oriente Médio, na Rússia e em um ou outro país na África. Novas descobertas, mesmo com custos de obtenção bem mais elevados, surgem em águas profundas como o pré-sal brasileiro ou nos campos de shale oil nos EUA ou na China. Desse modo, há três condições complexas envolvendo o negócio de energia no mundo:

• os riscos geopolíticos e os choques econômicos; • os conhecidos impactos ambientais negativos da obtenção e do uso dos hidrocarbonetos; • os limites físicos dos estoques. Há muitos anos que são realizadas reuniões anuais sobre o clima, na luta pela redução das emissões de gases causadores do efeito estufa, porém sem resultados. Os países têm profundas dificuldades em mudar seu modo de produzir e utilizar energia, mesmo nos casos de profunda e negativa dependência dela, como, por exemplo, toda a União Europeia, amarrada ao petróleo e ao gás da Rússia e dos países do Oriente Médio. Portanto, deve-se salientar, o enfrentamento da questão energética esbarra em um componente crucial na vida dos habitantes nos diversos países: o custo da energia e seu impacto na qualidade de vida das pessoas. O desafio dos recursos naturais é crescente, pois, apenas nos próximos 20 anos, estarão cerca de novos 3 bilhões de habitantes na chamada classe média mundial, expandindo o consumo de forma efetiva: mais habitantes, com maior renda per capita e em acelerado processo de urbanização. Demanda crescente, em tempos de recursos cada ; vez mais limitados, é bem mais desafiador.

O desafio dos recursos naturais é crescente, pois, apenas nos próximos 20 anos, estarão cerca de novos 3 bilhões de habitantes na chamada classe média mundial "

Luiz Carlos Corrêa Carvalho, Caio Presidente da ABAG

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editorial de abertura Afinal, os recursos naturais estão cada vez mais ligados, e a conscientização ambiental e a lógica da sustentabilidade dificultam muito a expansão da oferta global dos produtos naturais. Segundo a Mckinsey, em seu documento Resource Revolution, de 2012, as terras limitadas no planeta serão fortemente demandadas, e os sinais sustentados de preços serão um fator chave de melhor desempenho no sistema global de recursos. O capital deverá estar garantido para sustentar isso tudo, e as políticas públicas estarão ajustando as falhas de mercado. Desde o início do governo Obama, nos EUA, podem-se observar mudanças de atitude daquele país quanto às políticas energéticas. De um lado, defendendo a transição aos renováveis, mas, por outro lado, estimulando a expansão da oferta de petróleo via revolução do shale oil. A prova do primeiro fato foi o suporte dos EUA à reunião da ONU na Conferência das Partes (Cop 21), em Paris, em dezembro de 2015, pela primeira vez. Na citada conferência, o governo brasileiro assumiu o compromisso de ampliar de 6% para 18%, até 2030, a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira. Isso deverá significar a expansão da oferta dos atuais 28 bilhões de litros de etanol para 50 bilhões de litros do produto brasileiro em 2030! Em termos globais, a demanda mundial de biocombustíveis deverá crescer de 110 bilhões de litros (2010) para 350 bilhões de litros em 2030. As previsões mais otimistas apontam que 1/3 disso viria da 2ª geração de tecnologia do etanol, pós 2020. Recentemente, o Congresso Nacional, no Brasil, formalizou a aprovação das metas apresentadas pelo Brasil na Cop 21. Por trás de tudo isso, crescem os esforços em torno da bioeconomia. Suportada pela lógica da sustentabilidade, essa nova economia global deve trazer uma nova revolução no século XXI, baseada em biomassa e não em fósseis. É como dizer que os carboidratos serão os hidrocarbonetos do passado. Refinarias processando biomassa e produzindo o que hoje se faz do petróleo ou do gás natural. Será, sem dúvida, complexa mudança que demandará mais tempo que o desejado pelos verdes e, no entanto, menos tempo que o desejado pelos adoradores de hidrocarboneto fóssil. Esse tempo dependerá de dois fatores de difícil mensuração: tecnologia viabilizada em escala global e as políticas públicas comuns entre os países, incluída a transformação das diferentes biomassas em commodities, através de mercados livres, como são hoje os mercados para os hidrocarbonetos. O desafio está, portanto, em conciliar politicamente os vários fortíssimos interesses globais e nacionais em torno de ações comuns e, por outro lado, a realidade econômica da extraordinária importância do baixo custo da energia na manutenção da qualidade de vida das pessoas.

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Opiniões Como se sabe, no campo da segurança alimentar, há enorme dependência das energias e de produtos derivados dos fósseis, como fertilizantes. Na segurança energética, a luta por reduzir a dependência do petróleo e do gás de regiões complexas e comprovadamente “voláteis”, em termos de comportamento político. Desde os anos pós 1970, os esforços globais por reduzir dependência energética ocorreram assim, da busca incessante por maior eficiência energética. Isso levou a uma redução no consumo per capita dos países desenvolvidos, mas não para os emergentes. O fenômeno China mostra isso. Nesse mesmo período, houve um grande debate global sobre o chamado “pico do petróleo”, com defensores dos riscos de preços elevados no curto prazo e aqueles que defendiam a existência de enormes reservas que não levavam ao pico do petróleo, mas sim a um processo longo de uso das reservas. De fato, além do componente desastroso das emissões de carbono promovido pelas energias fósseis, a questão dos preços sempre foi a que direcionava as decisões. Como exemplo, segundo a Rystad Energy, as reservas de petróleo viáveis economicamente, ao preço de US$ 40/barril (Brent), seriam de 451 bilhões de barris na OPEP e 110 bilhões de barris nos países não OPEP, ou seja, 561 bilhões de barris, de um total comprovado de reservas globais de 1,7 trilhão de barris de petróleo. Se os preços forem a US$ 60/ barril de petróleo Brent, o total viável iria para 859 bilhões de barris. A realidade da descarbonização passará, portanto, pelas ações conscientes de cada país, pensando no planeta Terra e não somente nas suas economias, no curto e no médio prazo. No longo prazo, o recurso finito e, eventualmente, a aceleração do aquecimento global levarão, inevitavelmente, à descarbonização da energia. Ao Brasil, com a adesão à Cop 21, as medidas políticas serão essenciais. O que fez o Governo FHC, em 2002, com a criação e valorização da Cide – taxa incidente sobre a gasolina e o diesel pelas suas externalidades econômicas negativas – foi, sem dúvida, antecipar e preparar o futuro. Muitos aplausos deverão ser dados ao Governo Temer (oficializado pós agosto/2016) se atuar recuperando a Cide com urgência. Esses aplausos serão globais. Os mais baixos preços do petróleo mostram uma grande oportunidade de política pública, muito bem caracterizada por Lawrence Summers: “A recente queda acentuada dos preços do petróleo tornou-se oportunidade. Há espaço para debate sobre o tamanho do imposto e sobre como os recursos devem ser implementados. Defender um imposto sobre o carbono não é algum tipo de argumento para o planejamento governamental – é a lógica do mercado. n Aquilo que não é pago é usado em demasia”.


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Opiniões

cientistas

cana-energia:

uma biomassa revolucionária

Uma população mundial cada vez maior demanda alimento e energia em níveis jamais vistos, o que, contemporaneamente, suscita debates, estudos e proposições. Especialmente nos países ou grupos de maior expressão mundial (EUA, Canadá, União Europeia, etc.), essa questão é tema prioritário em termos estratégicos, econômicos, de planejamento e de pesquisa e desenvolvimento. Se a energia, tanto quanto o alimento, é essencial para o desenvolvimento da sociedade, ao mesmo tempo, a sua geração e seu uso inapropriados implicam consequências nefastas ao meio ambiente e à sustentabilidade do planeta, de forma que motiva muita preocupação, a tal ponto que, na recente COP 21, em Paris, foi acordado que todos os países tomarão medidas efetivas para mitigar os efeitos danosos da ação humana. Um dos grandes vilões no que se refere a danos ambientais é o consumo desmesurado do petróleo como fonte energética – uma matéria-prima não renovável. Por essa razão, existe um esforço mundial em estancar e diminuir seu uso, adotando formas renováveis de energia.

A cana-energia tem um valor acima de duas vezes a da convencional, de 20% a 30% a mais em E1G por área, e de três a quatro vezes o volume de bagaço. Esse é um ganho jamais projetado por qualquer estudo prospectivo em cana-de-açúcar convencional. "

Sizuo Matsuoka Cientista da Vignis S/A

Uma dessas formas é a bioenergia, ou seja, a energia que se pode obter da biomassa. A biomassa é um legado da natureza. As plantas (e outros organismos verdes), valendo-se da luz do sol, do gás carbônico abundante no ar (CO2) e da água, sintetizam os compostos carbônicos, que constituem a energia orgânica, ou seja, a bioenergia. As plantas, portanto, constituem uma bomba de energia viva.

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O homem pode aproveitá-las, então, como fonte de energia, na forma de alimento ou em outras formas, que são as que nos concernem neste momento. A descoberta do fogo, ou seja, a combustão de biomassa vegetal, foi a maior revolução tecnológica da humanidade. A evolução do homem e da sociedade humana não teria ocorrido da forma como se deu sem a descoberta do binômio “biomassa vegetal-fogo”. A queima de biomassa vegetal foi essencial para os grandes avanços da sociedade moderna. Nos últimos séculos, com a descoberta da eletricidade e do petróleo, a biomassa perdeu sua hegemonia. Hoje, em razão do problema ambiental citado, ela volta a ter importância, porém não na forma primitiva anterior, e sim como um substrato a ser aproveitado de forma integral e agregando conhecimentos tecnológicos modernos. A produção de etanol combustível a partir do caldo açucarado da cana-de-açúcar no Brasil se tornou um exemplo paradigmático de uma forma, não apenas econômica, mas também benéfica, em termos ambientais, de aproveitamento de biomassa. Com base nessa ideia, os Estados Unidos também decidiram produzir bioetanol, porém a partir do amido de milho ─ por razões climáticas, a única cultura ; de que podiam dispor.


cientistas Hoje, os EUA e o Brasil se constituem os maiores produtores de um combustível líquido renovável e têm estimulado outros países a seguirem, paulatinamente, o exemplo, naturalmente considerando as limitações de cada um. Mas o exemplo estimulou também a pesquisa e o desenvolvimento de outras tecnologias que possam explorar a biomassa, ainda em escala mais ampla. O desenvolvimento da tecnologia de etanol de segunda geração (E2G), ou seja, o etanol obtido a partir de substrato celulósico, por exemplo, é a primeira dessas tecnologias que se está tornando realidade. A produção de biobutanol deverá ser outra tecnologia importante, como também o bio-óleo, através de pirólise, o bioquerosene, o biometano e diversos outros produtos químicos, para citar as principais rotas tecnológicas. Do ponto de vista exclusivamente empresarial, uma biomassa de alta produtividade é essencial para a sua saúde financeira, qualquer que seja o processo e o produto final almejado, haja vista a recente crise por que passou o setor sucroenergético brasileiro. Devido à queda de produtividade (aliás um fato recorrente na cultura da cana-de-açúcar), de um lado, e à elevação do custo de produção, de outro, muitas empresas operaram no vermelho por dois ou mais anos; algumas, inevitavelmente, tendo que encerrar as suas atividades. Na base da produtividade das lavouras, estão as variedades de cana-de-açúcar. Porém elas atingiram um patamar de produtividade que não é possível romper (considerando média de grandes lavouras em condições de sequeiro), e, além disso, não têm resiliência suficiente para suportar a produtividade em alto nível ante qualquer estresse, antrópico (colheita mecanizada, por exemplo), ou natural (seca, frio, doenças, pragas, etc.). Biologicamente, o potencial é alto, mas não é possível captar todo esse valor em condições de lavoura. A constituição genômica delas é o grande fator restritivo, e essa constituição é ditada por uma questão básica, tradicionalmente exigida pelo setor: baixo teor de fibra. Em outros artigos, tratamos de explicar essa questão mais detalhadamente. Neste momento, basta dizer que, retirada essa trava, a situação muda da água para o vinho: a produtividade é elevada em alto grau (vigor de híbrido) e o nível de resiliência também. Tem-se a cana-energia. Essa é uma planta que tem alto teor de fibra (acima de 18%) e teor de sacarose regular (cerca de 20% menor do que as boas variedades convencionais de cana-de-açúcar). Para se ter essa combinação de fibra e sacarose, muda-se a conformação genética:

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Opiniões aumenta-se a participação do ancestral selvagem e diminui-se a da espécie provedora de sacarose. Tal tipo de planta nunca foi aceita pelo setor, mas os tempos são outros e se faz necessária essa mudança de paradigma. Essa é uma planta específica para dela se explorar a sua total capacidade energética, como o próprio nome indica, e não mais apenas o açúcar. Do seu caldo, se pode fazer o etanol de primeira geração (E1G), e, de sua parte fibrosa, (palhas mais bagaço), se pode fazer vapor, energia elétrica e E2G, ou diversos outros produtos que se queira numa biorrefinaria. Em termos de produtividade de biomassa, se tem um valor acima de duas vezes a da cana convencional, em igualdade de condições e, em produto final, de 20% a 30% a mais em E1G por área, e ainda sobrando de três a quatro vezes o volume de bagaço. Esse é um ganho jamais projetado por qualquer estudo prospectivo em cana-de-açúcar convencional. Enquanto neste se projetam ganhos graduais em torno de 1% ao ano (que, doravante, provavelmente, não mais ocorrerá), no caso da cana-energia, os ganhos são imediatos, somente o tempo de um ciclo vegetativo. Uma outra vantagem que advém da adoção de cana-energia é a que se refere ao uso da terra. Como a produtividade é mais do que o dobro, para uma mesma produtividade final de produto, se requer a metade da área ou, contrariamente, para uma mesma área, se tem mais do que o dobro de produto final. Uma usina que decida adotar a cana-energia pode otimizar a produção da sua cana convencional, tanto dedicando a ela os melhores ambientes, como alocando a colheita no período de melhor maturação, o que melhora muito a sua eficiência final. Usinas que têm a sua capacidade nominal esgotada podem dispensar a terra que sobrar, tanto diminuindo o custo de arrendamento, como também diminuindo o custo de entrega da biomassa na esteira ao dispensar as terras mais longínquas. Duas outras vantagens muito evidentes são a razão de multiplicação e a longevidade de soqueira. Como a cana-energia produz o triplo ou mais de perfilhos adultos, a necessidade de mudas diminui nessa proporção, o que, economicamente, é muito significativo. Ainda, a necessidade de renovação do canavial diminui pela metade, pois a longevidade de soqueira é o dobro, o que se constitui uma vantagem financeira muito grande. Disso, ainda resulta um outro ganho ambiental expressivo: diminuindo-se a necessidade de renovação, diminui-se a erosão, pois a renovação do canavial é o maior fator de erosão do solo em área de canavial. E não param por aí as vantagens ambientais: por ter um volume de copa foliar muito grande, a proteção do solo contra a erosão causada pelas gotas de chuva é muito boa, a infiltração de água é maior, devido ao seu maior sistema radicular; também a fixação de C no solo é maior, tanto pelo volume como pela maior profundidade que atinge o sistema radicular. A adoção da cana-energia pode, efetivamente, auxiliar o Brasil no compromisso assumido ante a acordo estabelecido na COP 21 de descarbonização da atmosfera, e, mais do que isso, contribuir para o desenvolvimento socioeconomico do interior, maior do que o Proálcool propiciou até este momento. Para uma milenar agroindústria, trata-se, n pois, de uma inovação revolucionária.

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cientistas

Opiniões

porque o etanol é a opção

mais competitiva o uso de etanol em veículos flex com motores de combustão interna é a alternativa de menor custo para a sociedade brasileira para reduzir as emissões de GEE no transporte individual de passageiros "

Francisco Emilio Baccaro Nigro

Professor de Engenharia Mecânica da Escola Politécnica da USP

Para se discutir como evoluirão os veículos de transporte individual, num horizonte de tempo compatível com o de mudanças significativas do comportamento humano digamos 15 a 20 anos, é primordial que se trate, inicialmente, das formas de energia que estarão disponíveis para o setor de transportes na ocasião. Admite-se, implicitamente, que o desejo humano de ampliar sua mobilidade real não será substituído pela mobilidade virtual na escala de tempo mencionada. No contexto de um mundo globalizado, que, para evitar um acréscimo da temperatura média do planeta maior que 2°C, deverá reduzir as emissões de gases de efeito estufa (GEE) de um total de cerca de 50 bilhões de toneladas equivalentes de CO2 por ano (GtCO2/a) pela metade em 2050, mesmo com crescimento médio da economia acima de 2% ao ano, várias alternativas energéticas são propostas. Para o setor de transportes, cujas emissões de GEE são da ordem de 8 GtCO2/a, e que, apesar da grande evolução dos veículos, têm aumentado em cerca de 1,4% a.a. face ao crescimento da frota e de uma vida média superior a 10 anos, as dificuldades são ainda maiores. Dessa maneira, os países sedes das montadoras dominantes do mercado automobilístico global estão trabalhando com metas de redução de cerca de 90% das emissões dos veículos novos de transporte individual até 2050. Uma das rotas para alcançar objetivos tão desafiadores é a procura de maior eficiência nos veículos convencionais pela redução do peso, da resistência ao rolamento dos pneus, da resistência aerodinâmica e do atrito entre as partes móveis do veículo; nessa mesma linha, busca-se uma maior eficiência do sistema de propulsão convencional por meio da redução do tamanho dos motores de combustão interna e uso de turbocompressores,

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aumento do número de marchas, eletrificação de acessórios, etc. Uma segunda rota é a busca de alternativas energéticas de menor intensidade de carbono que os derivados de petróleo: eletricidade ou hidrogênio e biocombustíveis líquidos como opções principais de baixa intensidade de carbono; combustíveis sintéticos, como uma rota de viabilização do uso de biomassa; e metano na forma de gás natural ou biometano como combustível complementar. Observe-se a grande vantagem dos biocombustíveis misturados aos combustíveis fósseis, pela possibilidade de redução de emissões sem a necessidade simultânea de modificação do perfil da frota. Nessa rota, que articula novos energéticos com veículos, os automóveis e derivados são: elétricos a bateria; elétricos movidos com célula a hidrogênio; híbrido-elétricos; híbrido-elétricos “plugáveis”; flexíveis etanol-gasolina; e multicombustíveis com gás metano. Os combustíveis sintéticos a partir de biomassa não demandariam veículos especiais. Os elétricos a bateria, tanto pela facilidade de aproveitamento da energia de frenagem como pela maior eficiência de transformação da energia elétrica em energia mecânica, consomem cerca de ¼ da energia química dos combustíveis por quilômetro. Como o preço da eletricidade por unidade de energia é pouco superior ao da gasolina no País, o custo de operação do veículo elétrico é vantajoso. Entretanto o custo inicial do veículo é muito superior ao convencional, principalmente em razão do custo da bateria, o que torna sua utilização desvantajosa para usuários comuns, que usualmente rodam menos que 20.000 km/ano. A necessidade de infraestrutura de abastecimento é outra dificuldade dessa alternativa, que apresenta benefício elevado em termos de redução de ;


cientistas

Opiniões

poluentes locais e emissão de GEE, notadamente no caso brasileiro, em que a eletricidade ainda é majoritariamente de fontes renováveis. Na hipótese de veículos elétricos com célula a hidrogênio, a produção do gás e seu armazenamento e distribuição são dificuldades adicionais às já mencionadas para os elétricos a bateria. O custo de fabricação do veículo, no entanto, é bem menor do que o do elétrico a bateria, por causa da grande redução do tamanho da bateria. O armazenamento do hidrogênio no veículo é feito em tanque a 700 atmosferas de pressão, e o consumo energético por quilômetro é cerca de 1/3 daquele da gasolina. A infraestrutura de produção e abastecimento do hidrogênio seria, no período aqui referido, baseada na reforma de gás natural realizada nos postos de abastecimento. Nessa mesma linha de propulsão elétrica, os veículos híbrido-elétricos combinam a vantagem do combustível líquido em termos de abastecimento e armazenamento no veículo, com a facilidade de controle e recuperação de energia de frenagem que a eletricidade possibilita. Em ciclos urbanos, a economia de combustível é da ordem de 40%, mas o custo do veículo, pela necessidade dos dois sistemas de propulsão, é significativamente maior do que o dos convencionais. A alternativa vem se mostrando viável em aplicações de uso mais intenso, como táxis. Os híbrido-elétricos “plugáveis”, cujas baterias podem também ser carregadas pela conexão à rede elétrica, tentam combinar as vantagens

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HIDROGÊNIO EM POSTOS HIDROGÊNIO INTERNO ELETRICIDADE EM POSTOS ELETRICIDADE INTERNA GASOLINA CUSTO DO VEÍCULO TOTAL INCLUINDO US$ 150/tCO2 FLEX A ETANOL COM CUSTO CO2

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MOTO A COMBUSTÃO (COM ETANOL)

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HÍBRIDO-ELÉTRICO (COM ETANOL)

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ELÉTRICO A BATERIA

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HÍBRIDO-ELÉTRICO-PLUGÁVEL

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CÉLULA A HIDROGÊNIO

CENTAVOS US$/KM

CUSTO TOTAL DE PROPRIEDADE DE AUTOMÓVEIS

do híbrido com uma maior autonomia, com uso menos frequente do combustível líquido. Sua eficiência energética é semelhante à dos híbridos, mas seu custo, significativamente superior. Os veículos flexíveis etanol-gasolina usam as mesmas tecnologias de propulsão aplicadas aos combustíveis fósseis e dão ao proprietário liberdade de escolha do combustível economicamente mais vantajoso no momento do abastecimento. A vantagem estratégica de o País possuir uma frota numerosa de veículos flex é a de poder atingir rapidamente uma meta mais ambiciosa de redução de emissões de GEE no setor de transportes, sem a necessidade de substituição rápida da frota existente. Os veículos multicombustível, que também utilizam gás metano de origem fóssil ou renovável, têm a vantagem de poderem utilizar um combustível de menor custo do que a gasolina, com a desvantagem do espaço ocupado e do peso do reservatório de gás no veículo. O custo adicional da instalação do sistema a gás se paga rapidamente em aplicações de uso mais intenso, como em frotas de táxis. A possibilidade de utilização de biometano em substituição ao gás natural reforça a característica de menor intensidade de carbono da alternativa. No contexto global de redução de emissões de GEE, existe algum consenso de que, no horizonte de tempo proposto, as alternativas conviverão, cada qual em seu nicho mais adequado, pois não poderemos abrir mão de qualquer contribuição. Do ponto de vista da engenharia automotiva, o equacionamento da melhor alternativa é relativamente simples para a fatia mais significativa do mercado, aqueles 70% que se preocupam com custo/benefício. O custo total de se possuir e utilizar um automóvel inclui, além de uma parcela fixa referente à depreciação do investimento, seguros, impostos, etc., uma outra parcela variável com a quilometragem percorrida, na qual o combustível tem a maior participação. Com base em estudos realizados principalmente nos Estados Unidos e na União Europeia, a figura em destaque apresenta uma avaliação do custo total de propriedade de diferentes tipos de veículos na realidade média norte-americana, admitindo-se que já existisse a infraestrutura de postos de abastecimento de eletricidade e hidrogênio. Observa-se que a parcela do custo fixo é predominante para todas as alternativas, e, embora o custo variável possa ser menor para o uso direto de eletricidade, o custo total ainda é significativamente menor para os veículos com motor de combustão interna. O reflexo no custo, de uma eventual taxação futura da emissão de GEE de US$ 150 por tonelada equivalente de CO2, foi adicionado ao custo total. Mesmo assim, o veículo convencional só perde para o híbrido elétrico. Para representar melhor a realidade brasileira, incluí na figura onde estariam os veículos flexíveis de mesmo porte operando com etanol, ou um futuro híbrido-elétrico flex na mesma condição de operação. Fica claro que a alternativa brasileira é a que impõe menor custo à sociedade, pela tão necessária redução das emissões de GEE, desde que o custo do combustível renovável seja semelhante ao da gasolina. Resumindo, o uso de etanol em veículos flex com motores de combustão interna é a alternativa de menor custo para a sociedade brasileira para reduzir as emissões de GEE no transporte individual de passageiros. Enquanto a taxação das emissões de GEE não for estabelecida no âmbito do IPCC, é fundamental que o País mantenha a competitividade de preço do etanol com a gasolina para poder usufruir das vantagens futuras, tanto de redução do custo interno de mitigação das emissões de GEE como para se beneficiar da exportação de etanol para outros países. n


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cientistas

Opiniões

a cana-de-açúcar como

fonte de energia A diversificação dos produtos da cana: Cana é cultivada há séculos; hoje, em quase cem países. Da sacarose, são produzidos açúcar, etanol e, em menor escala, dezenas de outros "sucroquímicos”, em geral com processos suportados por energia da sua biomassa. A energia química presente na cana comercial, no Brasil, tem, atualmente, três partes aproximadamente iguais: na sacarose, no bagaço e na palha. A energia na biomassa (bagaço e palha) é muito maior que a necessária para o processamento da sacarose, assim, excedentes de energia comercial, como eletricidade, têm aumentado rapidamente. Hoje, um grande atrativo das energias comerciais produzidas da cana – além de contribuir com o suprimento de energia distribuída – é que as suas emissões de GEE (no ciclo de vida) são muito menores que as das energias convencionais equivalentes.

um grande atrativo das energias comerciais produzidas da cana é que as suas emissões de GEE (no ciclo de vida) são muito menores que as das energias convencionais equivalentes "

Isaias de Carvalho Macedo Professor do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético da Unicamp

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Também o seu uso interno – em processos para outros produtos da cana – acrescenta valor a esses produtos. Tecnologias já quase comerciais – hidrólises da biomassa – podem transformar a biomassa em açúcares, aumentando muito o potencial para novos produtos da cana: mais combustíveis, alimentos, outros químicos. As múltiplas configurações dessas “biorrefinarias” podem ter consumos específicos de energia e de açúcares muito diferentes nos seus processos, resultando em excedentes de energia diferentes. Produção de energia comercial da cana: Neste texto, analisamos, inicialmente, a produção somente de energia comercial (etanol, eletricidade, outros combustíveis) em uma usina, com tecnologias comerciais ou em estágio avançado ; de desenvolvimento, no nível tecnológico agrícola atual no Brasil. Toda a sacarose levaria a etanol; e a biomassa (incluindo 40% da palha) seria usada para produzir excedentes de energia elétrica e mais combustíveis, em três opções de processos:


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cientistas

Opiniões

• ciclos a vapor, como os atuais; • ciclos com gasificação da biomassa e produção de energia elétrica, ou síntese de combustíveis; e • ciclos com hidrólise da biomassa e produção de etanol dos açúcares resultantes. Somente alguns processos mais significativos são incluídos; uma gama maior de opções é apresentada e detalhada, de onde foram tomados esses exemplos. O objetivo é estimar os níveis possíveis de energia comercial a serem atingidos, comparando com os consumos de energia (e as emissões de Gases de Efeito Estufa associadas) atuais no Brasil; e ter uma base para considerar as alternativas de inserção nesses cenários de processos para outros produtos, com suas demandas específicas de energia e açúcares, reduzindo a energia excedente. Os resultados estão resumidos na figura em destaque. Ressalta-se que, em todas as opções, a sacarose é usada para produzir 83 L etanol/t cana. As opções A, B e C não utilizam palha; todas as outras usam bagaço + 40% da palha e operam somente na safra; A e B utilizam turbinas a contrapressão, enquanto C, D e E usam extração/condensação, com consumo reduzido de vapor nos processos. Os ciclos a vapor A, B, C, D e E são tecnologias comerciais, usadas hoje nas usinas – ainda não com 40% de palha.

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A: 22 bar/300 °C, Contrapressão, safra, bagaço B: 65 bar/480 °C, Contrapressão, safra, bagaço C: 65 bar/480 °C, Extr/Cond, safra, bagaço D: 65 bar/480 °C, Extr/Cond, anual, bagaço + palha E: 90 bar/520 °C, Extr/Cond, anual, bagaço + palha F: Gasificação pressurizada / CC ► eletricidade G: Gasificação / síntese ► etanol H: Gasificação / síntese ► Líquidos F-T I: Hidrólise enzimática ► etanol Input: energia na sacarose, bagaço e 40% da palha

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APROVEITAMENTO DE ENERGIA

ENERGIA (Mj/t cana)

ENERGIA COMERCIAL POTENCIAL DA CANA-DE-AÇÚCAR

A hidrólise enzimática da biomassa seguida por produção de etanol (I) está quase comercial hoje; muitas variantes do processo bioquímico (enzimático ou outros) estão em fase de plantas de demonstração, ou pré-comerciais. Os processos termoquímicos (F, G, H), em fase piloto e demonstração, também trazem ainda incertezas (principalmente quanto a custos), mas podem levar a conversão para eletricidade até superior à estimada para (F). Devemos notar que, nos próximos anos, além de buscar ganhos (na conversão de energia) com tecnologias avançadas, a produção de energia nas usinas será influenciada por outros fatores, que são apresentados em outros artigos desta edição – como por exemplo os custos e as condições para comercialização dessa energia no contexto energético brasileiro (incluindo a redução de emissões); as tecnologias para maior produtividade e conversão da cana e para recuperação da palha; as tecnologias para maior eficiência no uso final do etanol; e a disponibilidade de tecnologias eficientes para outros produtos da sacarose. O contexto para energia e emissões no Brasil; a posição do setor de cana: Em 2015, a oferta interna de energia no Brasil foi de 299 Mtep, sendo 16,1% de produtos da cana (1). O consumo final de etanol foi 15,4 Mtep (gasolina: 23,3 Mtep; o setor de transportes, 84 Mtep). O consumo final de eletricidade foi 44,9 Mtep (522 TWh), com 21 TWh (4%) de excedentes supridos pelas usinas. As emissões de GEE no País foram estimadas (2) em 1560 M tCO2e; em 2015 (2), o setor de transportes emitiu 194 M tCO2e, e o setor de geração de energia elétrica emitiu 81 M tCO2e. A figura mostra a grande importância que o setor poderá ter no cenário de energia e, consequentemente, de emissões no País. Em 2014, usando 57% da sacarose para etanol, o etanol reduziu em 34,7 M tCO2e as emissões de GEE no setor de transportes; e a geração de energia elétrica reduziu em 1,5 M t CO2e as emissões da geração de eletricidade (considerando apenas as emissões do SIN, não da margem). Mas a mensagem está nos dados para o futuro: • o crescimento da oferta de combustíveis (etanol, principalmente): ver as opções G e I. • o crescimento ainda maior (quanto a emissões evitadas) da oferta de energia elétrica: as opções D e E (tecnologias comerciais) poderiam reduzir uma grande parte das emissões do setor, hoje. Considerando o crescimento da produção de cana nos próximos anos, todos esses potenn ciais podem ser elevados.


cientistas

Opiniões

toda a energia da cana O etanol de segunda geração ainda é, hoje, um pouco mais caro do que o de primeira geração, mas temos de lembrar que, no etanol de primeira geração, o Brasil reduziu o custo de produção em três vezes, desde o Proálcool. "

Jaime Finguerut

Assessor de Tecnologia do CTC e membro da ABBI - Associação Brasileira de Biotecnologia Industrial

A cana-de-açúcar, como toda planta, funciona com um “transdutor” de energia solar, ou seja, ela é uma forma de utilizar uma fonte abundante de energia, a solar. Todas as outras energias renováveis, como a fotovoltaica, a eólica e mesmo a hidroelétrica, dependem dessa fonte de energia, porém a cana, como todas as fontes de energia da biomassa, tem uma grande vantagem, a de que ela se autoconstrói e mantém ativamente os ciclos vitais do planeta, especialmente os ciclos do carbono e da água. As outras energias renováveis exigem a intervenção direta de alguém que as construa, ou seja, fabrique e mantenha funcionando as placas à base de silício, as baterias à base de lítio, os sistemas de posicionamento e conexão, no caso da energia eólica, que construa e mantenha os aerogeradores e, obviamente, no caso da hidroelétrica, que construa e mantenha as represas, dirija e controle o fluxo da água, construa e mantenha as turbinas e a conexão às redes de distribuição. A cana-de-açúcar faz quase tudo isso sozinha... Além disso, a cana é uma das plantas mais eficientes na transdução da energia solar, em vista da sua grande capacidade de fotossíntese e da sua enorme capacidade de adaptação aos diferentes ambientes, tendo em vista a sua complexidade genética. É uma planta perene, com alta produção de biomassa por hectare de terra utilizada, causando um mínimo impacto ambiental, em comparação com outras culturas agrícolas. O potencial produtivo real da cana é muito maior do que as pouco mais de 80 toneladas por hectare que temos obtido nos últimos 20 anos, e as novas ferramentas da biotecnologia e do processamento massivo de dados irão liberar economicamente esse potencial, tornando a cana a principal solução brasileira e mundial para os desafios globais de produção sustentável. Do ponto de vista da utilização da biomassa da cana, essa planta também é muito vantajosa em relação a outras culturas. Isso se deve a um fato quase único de que uma parte substancial da fotossíntese realizada é armazenada no caule como açúcar solúvel, facilmente metabolizável, tanto pela cana como pelos seus utilizadores (nós).

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Outras plantas armazenam açúcar na semente, na forma de amido, com vista à reprodução. A cana se reproduz vegetativamente e, com isso, pode usar toda a energia da fotossíntese para crescer e fazer mais açúcar. O fato de o açúcar estar numa forma utilizável faz com que possamos economizar energia na sua utilização, aumentando a eficiência energética. Considerando os níveis atuais de produção de açúcar, etanol e bioeletricidade, conseguimos utilizar economicamente cerca de 1% da energia solar incidente na região produtora de cana. Parece pouco comparada com a captura de cerca de 10% da energia solar incidente nas placas fotovoltaicas, mas o que ela faz é açúcar e fibra, que podem ser transformados em tudo o que é possível fazer na bioeconomia (alimentos, energia, saúde, transporte, bem-estar, empregos) enquanto nós é que temos de fabricar as placas e fazê-las funcionar para fazer apenas eletricidade... Temos ainda de considerar que as fontes fósseis de energia (carvão, petróleo, gás), que, embora tenham permitido um aumento enorme na população global e na sua qualidade de vida, são finitas e seu uso tem um enorme impacto ambiental, o que agora reconhecemos, talvez não sejam suportáveis pela humanidade. Até muito recentemente, vivíamos do que produzíamos da terra e, com certeza, se houver um futuro para nós, vamos voltar a viver da terra, porém com um conforto muito maior para a maioria do que tínhamos 150-200 anos atrás, quando começamos a usar os fósseis do planeta. A biomassa é, basicamente, formada de carbono, hidrogênio e oxigênio, numa fórmula aproximada de CH2O0,5, portanto muito próxima da composição dos carboidratos (CH2O, carbono e água). O petróleo e a maioria dos seus derivados que utilizamos para queimar ou converter em materiais são hidrocarbonetos, formados de carbono e hidrogênio. Vejam, portanto, que a maioria dos plásticos que usamos hoje são materiais altamente combustíveis sem necessidade, pois poderíamos produzir materiais plásticos contendo oxigênio numa composição mais próxima daquela da biomassa, como os poliésteres, ;


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cientistas que podem ter qualquer tipo de aplicação, com maior rendimento, maior facilidade de reúso e usando menos energia para serem produzidos a partir da biomassa. Para viabilizar essa nova bioeconomia, é necessário não somente reconhecer o impacto negativo do uso dos fósseis, mesmo que atualmente estejam baratos, como também fazer grandes esforços de reduzir o custo da geração e do uso de biomassa, estando a cana-de-açúcar brasileira muito na frente na viabilização da bioeconomia. A valorização da cana passa tanto pelo aumento significativo da sua produtividade com o desenvolvimento de melhores variedades de cana e com o plantio correto da variedade correta no local certo, mas também, e principalmente, pela valorização econômica de todas as suas frações. Sabemos, hoje, usar muito bem a fração solúvel da fotossíntese da cana (um terço do total): a sacarose. Com a produção de açúcar e etanol, geramos, aproximadamente, 2% do PIB, com mais de 800.000 empregos no interior do País. Com o outro terço da fotossíntese, o bagaço, permitimos que a produção de açúcar e álcool seja a mais sustentável do mundo e ainda geramos bioeletricidade, adicionando valor à cana e substituindo outras fontes de eletricidade. A cogeração de eletricidade nas usinas, porém, ainda é pouco eficiente, tendo em vista a dificuldade de realizar investimentos significativos nessa área, em vista da imprevisibilidade dos preços da bioeletricidade, o que significa que grandes avanços ocorrerão nessa área. O outro terço da fotossíntese, as folhas, as pontas da cana e a palha, é ainda menos utilizado; boa parte desse material é soprado de volta para o solo durante a colheita, e nem todos os solos e nem todas as condições climáticas precisam da proteção e dos nutrientes de toda a palha. Estudos do CTC e de outros pesquisadores já mostraram que, em média, mais da metade da palha poderia ser, economicamente, retirada e utilizada. A palha pode substituir parte do bagaço na queima nas caldeiras, e o bagaço liberado pode ser usado para outros usos, como para fabricar o etanol de segunda geração. Esse etanol é fabricado na própria usina atual, usando os açúcares que estão na fibra de cana. Como citamos acima, a composição média da biomassa é muito próxima da dos açúcares; de fato, o bagaço ou a palha de cana contêm mais de 65% de açúcares, cerca de 40% de celulose feita integralmente de glicose (açúcar com seis átomos de carbono ou C6) e 25% de hemicelulose, também feita de açúcares, principalmente a xilose (açúcar da madeira, com cinco átomos de carbono ou C5). O restante é, principalmente, a lignina, um composto que contém pouco oxigênio e, portanto, tem um alto poder calorífico, porém há também minerais e outros compostos. Para fabricar o etanol de segunda geração, é preciso primeiro “amolecer” a estrutura da biomassa, separar os três componentes, de forma a permitir a separação dos açúcares monoméricos dos polissacarídeos correspondentes. Esse amolecimento, em geral, se consegue com calor e água, ou seja, um cozimento rápido (minutos) a altas temperaturas, em pressões relativamente elevadas. Essa fase do processamento se chama pré-tratamento, e o que ocorre é uma pré-hidrólise do material, com a quebra e a solubilização de parte da hemicelulose,

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Opiniões bem como uma modificação na estrutura da lignina. Após o pré-tratamento, pode-se separar o líquido rico em C5 e mandar os sólidos para a fase seguinte. Depois do pré-tratamento, vem a fase da produção dos açúcares, ou seja, a hidrólise (quebra pela água) dos polissacarídeos. Na maioria dos processos atuais, se usa a hidrólise catalisada por enzimas. Essas enzimas fazem uma espécie de digestão da fibra, solubilizando a grande maioria dos açúcares, e, após esse processo, feito em tanques agitados com a temperatura controlada, resulta um líquido rico em açúcares e um sólido rico em lignina. Novamente, separam-se os sólidos, e o líquido é enviado para a fermentação, que pode ser a fermentação atual, caso tenhamos a separação anterior do C5. Caso o C5 não tenha sido separado, enviam-se todos os açúcares para uma nova fermentação, com leveduras especiais, engenheiradas para poder fermentar com eficiência todos os açúcares disponíveis. Após a fermentação, temos os processos convencionais de separação, concentração e purificação do etanol produzido, que tem exatamente a mesma composição do etanol atual chamado de primeira geração. Estima-se que, com a separação da parte de palha em excesso e com o uso dos recursos e instalações da usina atual, pode-se aumentar a produção de etanol com a mesma área plantada de cana em 50%. O grande desafio é tanto encontrar soluções de engenharia robustas para processar milhões de toneladas de fibra por ano, da mesma forma que processamos os açúcares solúveis hoje, e ainda produzir os açúcares mais baratos que os da cana. O Brasil é pioneiro nesse desenvolvimento, pois já fizemos pelo menos três instalações de produção, duas de tamanho comercial e uma de escala experimental. Todas essas plantas estão desenvolvendo, aceleradamente, a tecnologia da forma mais eficiente, que é aprender fazendo. O etanol de segunda geração ainda é, hoje, um pouco mais caro do que o de primeira geração, mas temos de lembrar que, no etanol de primeira geração, o Brasil reduziu o custo de produção em três vezes, desde o Proálcool. Nosso desafio de redução de custo é muito menor agora, mas se trata de uma tecnologia totalmente nova, com muito pouca gente que conhece efetivamente essa nova área. No entanto temos a nosso favor, como já citadas, as novas ferramentas poderosas da biotecnologia e do processamento de dados, e, se houver a real percepção de que temos de continuar crescendo e melhorando a nossa vida e que o etanol de cana é a melhor opção de substituição da gasolina, rapidamente implantaremos essa tecnologia na maioria das usinas. Com o aumento da produtividade e a redução do custo de produção da cana e o seu processamento integral, com a valorização dos produtos da biomassa, seja o seu uso energético ou como matéria-prima para fabricação de produtos de maior valor, o futuro da biomassa da cana é brilhante. No futuro, a partir da biomassa integral da cana, iremos fazer muito mais bioeletricidade e novos combustíveis, materiais e produtos de alto valor. Temos a necessidade e a oportunidade de aproveitar toda a energia da cana para um futuro sustenn tável e confortável.

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cientistas

Opiniões

recolhimento e uso da

palha

A cana-de-açúcar no Brasil tornou-se uma cultura energética além de cultura alimentícia. Uma demonstração disso é o fato de ela representar 16,9% da oferta interna de energia primária do País, e o etanol, seu produto energético principal, responde por 47% do volume de combustíveis dos veículos a ciclo Otto. O seu outro produto energético, a eletricidade, está muito aquém de seu potencial, pois responde por apenas 4% do consumo nacional de energia elétrica, quando poderia, tecnicamente, chegar a 27% desse consumo. Esse potencial representa uma redução de emissões de gases de efeito estufa (GEE) da ordem de 55 M tCO2, dos quais 60% viriam da palha. Mas a palha, que representa um terço da energia da cana, ainda não chegou. Com a expansão acelerada da colheita de cana crua no Centro-Sul, a disponibilidade de palha está crescendo rapidamente. Com isso, várias usinas iniciaram o recolhimento e o uso da palha no sistemas de cogeração, porém

de uma forma desordenada, sem registro adequado das informações desse processo e sem uma análise mais profunda dos dados importantes da tecnologia utilizada, o que levou a uma maior dificuldade na comparação entre os vários sistemas em uso e na identificação dos principais gargalos. Assim, essas usinas não conseguem atingir o potencial da palha. Percebendo essas dificuldades, o CTC propôs ao Global Environment Facility (GEF) o Projeto Sucre (Sugarcane Renewable Electricity), com objetivo de identificar e vencer as principais barreiras que estão impedindo a expansão do uso da palha para aumentar a geração de eletricidade nas usinas, de uma forma renovável e com redução das emissões de GEE. Ao ser convertido em uma Sociedade Anônima, o CTC perdeu a elegibilidade aos recursos do GEF. Houve, então, uma reavaliação do projeto por consultores externos, e o CTBE foi indicado como a nova instituição ; executora do Sucre.

a eletricidade (gerada pela cana) está muito aquém de seu potencial, pois responde por apenas 4% do consumo nacional de energia elétrica, quando poderia, tecnicamente, chegar a 27% desse consumo "

Manoel Regis Lima Verde Leal

Pesquisador do CTBE/CNPEM Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais

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cientistas

Opiniões Remover essas barreiras inicialmente identificadas é o grande desafio do Sucre, e elas foram organizadas em quatro grupos: • Tecnológicas: as várias usinas que recolhem e usam palha utilizam uma grande variedade de tecnologias, mas nenhuma atingiu o grau de aceitação que a tornaria uma opção comercial confiável. Isso tem impedido que a palha chegue a representar um aumento expressivo na geração com o bagaço; • Informações: as informações sobre essas tecnologias estão dispersas e não organizadas para permitir que se tirem lições e se ganhe conhecimento explícito que contribuam para avançar no assunto; • Financeiras: a ausência de uma tecnologia em nível comercial e amplamente aceita e de informações rastreáveis e confiáveis que permitam fazer análise de viabilidade técnico-econômica deixa as instituições financeiras receosas de investirem em projetos envolvendo palha; • Regulatórias: apesar dos importantes avanços no Marco Regulatório de Setor Elétrico, algumas barreiras ainda inibem a introdução da palha como um combustível suplementar do bagaço. A metodologia escolhida ‑para o projeto consiste em selecionar quatro usinas que estejam tentando ampliar a coleta e o uso da palha para estudo de casos, buscando identificar os problemas mais críticos através de levantamentos detalhados das rotas de recolhimento nas condições de cada usina (consumos de energia, evolução da qualidade da palha, desempenho dos equipamentos e custos de recolhimento e processamento). As informações levantadas nos testes de campo e boletins das usinas alimentarão simulações para avaliar as rotas do ponto de vista de consumo de energia e custo da palha e os aumentos de geração de eletricidade correspondentes. Com os resultados organizados, ficará mais fácil identificar os gargalos e propor melhorias. As usinas parceiras nessa fase são Quatá, da Pedra, da Barra e Alta Mogiana. Para o desenvolvimento do projeto, as atividades foram agrupadas em quatro módulos, denominados: Remoção, Recolhimento, Indústria e Integração. Na Remoção, estão sendo avaliados vários impactos no canavial com diferentes quantidades de palha deixada no solo. Experimentos foram instalados em 20 locais com diferentes combinações de solo e clima, além de considerar cana colhida no início e no fim de safra. Entre os itens avaliados, estão as quantidades de palha disponíveis, a produtividade da cana, o teor de umidade no solo, as emissões de solo de Gases de Esfeito Estufa – GEE, o carbono no solo, as ervas daninhas e as pragas. O produto final desse módulo será um conjunto de recomendações de quanta palha é preciso ser deixada no solo para se maximizar os benefícios ; e minimizar os problemas.

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cientistas

Opiniões O módulo de Recolhimento trata da avaliação das rotas praticadas pelas usinas, dos consumos de energia, do desempenho dos equipamentos, do custo de recolhimento, da qualidade da palha (principalmente o teor de impurezas minerais) na porta da usina. As rotas de recolhimento de palha estão agrupadas em dois tipos: colheita integral e enfardamento. Na colheita integral, a palha é trazida junto com a cana, sendo que, para isso, o exaustor secundário da colhedora é desligado, e o primário tem sua velocidade reduzida. A palha é separada na usina em um sistema de limpeza a seco (SLS). Na rota de enfardamento, a colheita de cana crua é realizada da maneira convencional, a palha permanece no campo por um período de uns 10 dias e depois é enleirada, enfardada e transportada para a usina, onde é descarregada já no sistema de processamento ou armazenada. Uma variante do enfardamento é o recolhimento da palha com forrageiras após o enleiramento, sendo a palha picada e lançada em um transbordo para transporte até a usina. Na Indústria, tenta-se, essencialmente, reduzir as impurezas minerais para níveis aceitáveis e produzir uma granulometria que seja adequada para a queima nas caldeiras de bagaço. Os possíveis impactos nas caldeiras serão previamente avaliados em testes de combustão de palha e bagaço em bancada. Depois, um programa de monitoramento será estabelecido para cada caldeira. A atividade de Integração consiste de simulações e avaliações técnico-econômicas utilizando as informações levantadas nos outros módulos, de forma integrada e com a visão de toda a cadeia de recolhimento e do atual Marco Regulatório. Esse processo irá fornecer as informações necessárias para se discutir com as usinas parceiras que melhorias seriam desejáveis e viáveis para permitir um aumento significativo da energia excedente em cada uma delas. Na segunda fase do projeto, sete usinas adicionais serão selecionadas e convidadas para participarem do projeto. Serão propostas maneiras viáveis de essas usinas aumentarem seu nível de geração de eletricidade excedente, tomando como base o aprendizado da fase inicial. Na questão do Marco Regulatório, a legislação em vigor e os modelos de negócio de venda de energia serão avaliados detalhadamente para identificação clara das principais barreiras, e serão elaboradas sugestões para modificações que favoreçam a viabilidade de venda de energia gerada nas usinas com bagaço e palha. De posse dessas informações, a Unica, em parceria com o CTBE, negociará melhorias com o governo e com possíveis compradores dessa energia. Será disponibilizada uma cartilha contendo as informações importantes para ajudar as usinas interessadas a avaliarem as alternativas de modelos de n negócio de venda de energia elétrica.

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cientistas

Opiniões

uma nova forma de produção de energia:

células a biocombustível O desenvolvimento de células a biocombustível empregando etanol tem um caráter de interesse nacional e que, devido também ao seu potencial, merece ser investigado como uma forma alternativa na produção de energia. "

Paulo Olivi

Professor de Eletroquímica da Faculdade de Química da USP-RP

O aumento da população mundial e o advento de novas tecnologias têm causado um aumento substancial no consumo de energia com uma tendência forte de crescimento de demanda. Basta olharmos ao nosso redor que encontraremos diversos exemplos de dispositivos que estão utilizando alguma forma de energia para funcionar: o carro, o telefone celular, a luz, o computador, o aquecedor solar e muitos outros. Cada um desses dispositivos utiliza energia a partir de fontes diferentes, ou seja, a partir de combustíveis fósseis, de fontes renováveis ou, ainda, da energia nuclear. Outra fonte de energia são as reações químicas que, embora pouco comentadas, estão presentes no nosso dia a dia, nas pilhas ou baterias. Esses dispositivos utilizam reações químicas que ocorrem espontaneamente para gerar corrente elétrica, ou seja, transformam energia química em energia elétrica. Há ainda um outro tipo de dispositivo que utiliza energia química para gerar energia elétrica e que vem crescendo de importância nos últimos anos, além de aparecer como uma forma promissora de geração e de armazenamento de energia. Esses dispositivos são chamados de “células a combustível”, ou Fuel Cells, em inglês,

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e a principal diferença entre eles e as baterias é o fato de as substâncias que sofrem reações químicas não se encontrarem inicialmente no interior delas, mas serem introduzidas continuamente a partir do exterior. Embora o nome sugira a existência de uma combustão, o que ocorre, na verdade, é uma reação química que leva à oxidação completa de uma substância, que é conhecida como reação de combustão. A reação de oxidação desse combustível ocorre em um eletrodo, chamado ânodo, enquanto uma reação de redução de outra substância, geralmente o oxigênio, ocorre no cátodo. Dessa forma, as células a combustível não se descarregam como as baterias, mas funcionam continuamente enquanto forem fornecidas as substâncias que sofrem as reações químicas no seu interior. Assim, pode-se ter um reservatório externo que pode ser reabastecido rapidamente (como em um automóvel), não necessitando grandes tempos para serem recarregadas, como no caso das baterias. As grandes vantagens das células a combustível, além de poderem operar por longos períodos de tempo, é que são limpas, silenciosas, eficientes e podem operar a partir de substâncias renováveis. As aplicações das células a combustíveis podem ser divididas em aplicações estacionárias, em que são utilizadas para fornecer energia para um edifício, um hospital, uma indústria, etc., aplicações móveis, como ônibus, automóveis, submarinos, naves espaciais, etc., e aplicações portáteis, como smartphones, ; tablets, notebooks, entre outros.


cientistas Quando comparadas aos motores de combustão interna, utilizados nos automóveis e geradores, as células a combustíveis apresentam uma enorme vantagem em relação à eficiência. A eficiência está relacionada com a quantidade de energia efetivamente gerada comparada com a que poderia ser teoricamente gerada pela quantidade de combustível gasta. A eficiência dos motores a combustão interna é fortemente afetada por perdas de calor e pela fricção de suas partes internas e, geralmente, não ultrapassa os 15%. As células a combustível podem atingir, na prática, valores de eficiência da ordem de 40% a 50%. Essa eficiência pode ser da ordem de 80%, caso seja aproveitado o calor gerado pelas reações químicas. Existem diferentes tipos de células a combustível, e elas são conhecidas de acordo com o eletrólito que utilizam, e as abreviaturas geralmente utilizadas para designá-las são derivadas dos nomes em inglês. Os principais tipos de células a combustível são: • Células a combustível de ácido fosfórico (PAFC): utilizam uma solução de H3PO4 e operam a 200 °C. O combustível utilizado é o H2, e, no cátodo, usa-se o O2. • Células a combustível de carbonato fundido (MCFC): operam a aproximadamente 650 °C e usam H2, ou monóxido de carbono como combustível no ânodo, e O2 no cátodo. • Células a combustível de óxido sólido (SOFC): o eletrólito é um material cerâmico e opera a temperaturas da ordem de 900 °C para obter condutividade suficiente do eletrólito. • Células a combustível de membrana trocadora de prótons (PEMFC): podem operar a temperaturas da ordem de 100 °C e utilizam principalmente H2 como combustível e O2 no cátodo. As substâncias mais utilizadas nas células a combustíveis são os gases oxigênio e o hidrogênio. O oxigênio, que está presente no ar em abundância, é reduzido no cátodo, enquanto o hidrogênio é oxidado no ânodo. Como subproduto dessas reações, é gerado apenas água, por isso se diz que se trata de um sistema limpo para geração de energia. O hidrogênio pode ser produzido a partir de hidrocarbonetos, a partir da eletrólise da água e, no futuro, espera-se poder produzi-lo em quantidade a partir da energia solar, dos ventos e de outras fontes renováveis de energia. A tecnologia que utiliza hidrogênio como combustível em PEMFC, que operam a temperaturas mais baixas, está bem desenvolvida, e já se encontram diversos protótipos em operação em ônibus, por exemplo, e mesmo comercialmente em veículos elétricos, como o recente carro lançado pela Toyota, o Mirai. Um dos entraves, entretanto, para a ampliação do uso do hidrogênio é a dificuldade para armazenar esse gás que necessita de altas pressões. Além disso, tem que ser levado em consideração o fato de esse gás ser potencialmente explosivo, e o seu uso, em alguns tipos de aplicação, pode ser restrito.

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Opiniões Como alternativa ao hidrogênio, tem sido proposto o uso de combustíveis líquidos que seriam mais facilmente armazenados e não apresentariam riscos. Dentre essas substâncias, os álcoois apresentam-se como alternativas interessantes. O primeiro álcool a ser investigado para essa finalidade foi o metanol, e, mais recentemente, o etanol tem recebido atenção de pesquisadores de todo o mundo. Embora apresente um valor de energia específica menor que a do hidrogênio, o etanol apresenta uma densidade de energia de 24,7 kWh/gal, enquanto, para o hidrogênio, esse valor é de 2,5 kWh/gal. Para o metanol, esse valor é de 17,5 kWh/gal. No caso específico do etanol, o desenvolvimento de células a combustível que utilizam esse álcool como combustível seria muito importante para o Brasil, uma vez que temos uma capacidade de produção importante e uma rede de distribuição estabelecida em todo o País. Uma das grandes vantagens do etanol é o fato de poder ser produzido a partir da biomassa, podendo ser considerado um biocombustível. Dessa forma, teríamos uma fonte de energia renovável com baixo grau de agressão ao meio ambeinte e do qual temos domínio da tecnologia de produção. Um dos pontos importantes para que as células a combustível funcionem de forma otimizada, é a definição de catalisadores eficientes para as reações químicas envolvidas no processo. O papel desses catalisadores é promover um aumento na velocidade das reações e, consequentemente, no valor de corrente elétrica gerada. Reações mais rápidas implicam maiores valores de corrente e, portanto, de maior potência da célula. Os melhores catalisadores para as reações de oxidação dos combustíveis são baseados principalmente no emprego da platina, que é o metal que apresenta as melhores características para essa finalidade. Porém a platina sozinha não é capaz de fornecer as propriedades necessárias para que as reações ocorram com eficiência máxima. Nesse sentido, grande parte das pesquisas realizadas na área de células a combustíveis se referem à busca de catalisadores eficientes para as reações de oxidação dos combustíveis e também para a reação de redução do oxigênio. A grande dificuldade no caso da reação de oxidação do etanol está em conseguir controlar as condições que levem à quebra da ligação entre os dois átomos de carbono que compõem essa molécula. Idealmente, deveria ser produzido apenas dióxido de carbono, o CO2, mas, na prática, o que se obtém é uma quantidade considerável de ácido acético e acetaldeido, subprodutos da reação incompleta de oxidação do etanol. A tendência para que sistemas mais eficientes sejam obtidos está na utilização de soluções em pH alcalino, o que está sendo possível devido ao desenvolvimento recente de membranas que permitem a utilização nessas condições. Outra possibilidade seria a utilização de temperaturas maiores, que favorecem a velocidade das reações, mas, para isso, é necessário membranas que operem nessa faixa de temperatura. Embora o conhecimento gerado nessa área tenha avançado consideravelmente, ainda há um grande caminho a ser percorrido. As agências de fomento brasileiras, como a Finep, o CNPq e a Fapesp, têm investido no financiamento de pesquisas nesse sentido, e um número considerável de pesquisadores brasileiros têm se dedicado ao desenvolvimento desses dispositivos. O desenvolvimento de células a biocombustível empregando etanol tem, portanto, um caráter de interesse nacional e que, devido também ao seu potencial, merece ser investigado como n uma forma alternativa na produção de energia.


Informe técnico

O futuro é depois de amanhã cedo! O futuro precisa ser imaginado, necessariamente, no médio prazo. Por sua vez, o médio prazo precisa ser colocado em prática, também necessariamente, agora, de imediato! Essas frases não são filosofia de livros de autoajuda, mas o dia a dia de uma empresa séria. Ao final do expediente, todo executivo, que tem nas mãos a responsabilidade da condução de uma empresa, deveria se recostar na sua cadeira, fechar os olhos e pensar no que é que poderia ter feito melhor naquele dia. E, considerando o momento da nossa Nação – quando não temos controle da maioria das coisas que compõem o nosso cenário –, quanto mais contemplativo formos, quanto mais planejamento fizermos, maiores chances de vitória teremos. Temos agido assim na Teston. E essa forma de administrar tem dado certo. Nosso papel no setor sucroenergético é produzir equipamentos com tecnologia avançada e que atenda a todas as necessidades de nossos clientes. Desenvolvimento de um produto: Quando estamos em fase de desenvolvimento, o nosso dia a dia é avaliar as informações que recebemos sobre a performance que nossos protótipos e produtos têm tido no campo de provas; é imaginarmos como poderíamos fazer melhor cada segmento da tarefa a que nos propomos. São testados todos os problemas encontrados, até que sejam completamente solucionados. Isso leva tempo e dá muito trabalho, mas, só depois de solucionado, testado e aprovado, por, no mínimo, uma safra, o projeto é considerado aprovado com o aval de todos os envolvidos nos testes de campo e de todos os engenheiros da fábrica que acompanharam o projeto. Você não pode imaginar quantas horas de estudo foram dedicadas ao simples ato de engatar um transbordo no trator; quanto tempo foi investido na operação de giro de um conjunto trator-transbordo no final de cada rua de cana; quantas horas ficamos sentados calados, de braços cruzados, olhando fixamente os detalhes de uma operação de colheita de cana-de-açúcar. Interessa-nos cada ângulo, cada ação, cada movimento. Os desenhos iniciais de um transbordo nasce em nosso Campo de Provas próprio, com 2.500 hectares plantados com cana e áreas sob prestações de serviço em 10 usinas instaladas no Paraná e no Mato grosso do Sul. Colhemos mais de 4 milhões de toneladas/ano, nas mais variadas condições de solo, declividade e situação de clima. Temos 21 anos de experiência na atividade agrícola e na prestação de serviços de colheita de cana, o que facilita, e muito, o desenvolvimento de máquinas, cada vez melhor para atender a todo o setor. Assim, antes de ir para o mercado, esses protótipos deverão provar e comprovar sua eficácia e eficiência em nossas próprias mãos. Imaginamos demais, ousamos sempre. Na fase de desenvolvimento, confrontamos conceitos, discutimos paradigmas; nenhuma proposta é definitiva, tudo é questionável, tudo tem que ser provado muitas vezes. Em algumas vezes, nos damos bem; em muitas outras, quebramos a cara. Mas esse é um momento em que se pode errar, para que, ao final do projeto, possamos ter o prazer de chegar à concepção de um produto espetacular. Fora de série.

Novo pavilhão com 3 mil m2, atingindo 10 mil m2 de construção e 90 mi

Desde outubro de 2013, está em operação, em nosso Campo de Provas, a mais nova versão do transbordo de 22 toneladas que será comercializada em 2017. Ele foi submetido a mais de 6 mil horas de trabalho, durante duas safras inteiras, antes de entrar em nossa linha de produção. O modelo estará disponível para venda a partir do mês de setembro de 2016. Principais mudanças do modelo 2017: 1. peso estrutural de 850 kg mais leve; 2. capacidade de carga de 850 kg a mais; 3. maior estabilidade; 4. redução de 100 mm na altura da máquina; 5. projetado para atender ao sistema de colheita por GPS e RTK. Estabilidade: Nesse projeto, centralizamos e baixamos o centro de gravidade, fazendo com que o transbordo opere com segurança e estabilidade em qualquer tipo de declividade, facilitando as operações de manobras, mesmo sob controle opera-dos por GPS ou RTK. Qualquer bitola: Seus eixos foram planejados para trabalhar em qualquer perfil de plantio (1,40 – 1,50 – 0,90 x 1,50 – do tradicional até ao que ainda não existe),


il m2 de pátio – para abrigar a área de soldagem robótica e cortes CNC.

isso em um único equipamento. Em 4 horas de oficina, seus eixos são ajustados e montados para trabalharem em qualquer bitola. Você não limitará sua inventividade agrícola por causa da bitola do transbordo que tem em seu parque de equipamentos. Peso: Baixamos ainda mais o peso. Embora todo o sistema estrutural tenha sido reforçado, testado à exaustão até nos assegurarmos do ponto de fadiga – muito além de sua exposição normal. O modelo 2017 terá 850 kg a menos de peso estrutural, vale dizer que transportará 850 kg a mais de cana. Já comece a fazer comparações: calcule a economia de combustível por deixar de transportar uns 3 a 4 mil kg (em comparação com equipamentos de outras marcas), durante 18 horas de operação/dia, por toda uma safra. Isso faz diferença no bolso das empresas que optam pela compra dos produtos Teston. Manobrabilidade e pisoteio: Conseguimos desenvolver, nesse projeto, o menor espaço de giro do mercado. Isso representa rapidez, agilidade e menor pisoteio.O equipamento consegue acompanhar com perfeição e exatidão o rasto do trator, escorregando muito pouco em

terrenos inclinados se comparado com outros modelos. Em plantio com muitas curvas, ele faz a diferença, pois o giro direcional proporcionado pelo sistema de rala é perfeito no acompanhamento da soqueira de cana. Na saída de carregadores, sua compactação é mínima. A rapidez na manobra e retorno à máquina pode ser feita de 30 a 45 segundos ─ isso é um tempo de excelente. Tempo para engate e desengate: O equipamento utiliza o sistema “boca de lobo”. Para executar o engate no trator, dá marcha à ré, encaixa e clica e o engate está feito. Nada de pino bola com flanges e parafusos, calços de madeira e macaco hidráulico; numa operação que pode passar de uma hora, fazemos com menos de 5 minutos. Se algum equipamento atolar por perto, o trator desengata, presta o socorro, volta, engata e continua a trabalhar. Área de segurança operacional: O grau da torre foi projetado para que, na operação de transbordamento, o transbordo fique a uma distância de até 1,10 m da carroceria, ao invés dos 40 ou 50 cm dos concorrentes, evitando acidentes com o caminhão e o próprio transbordo. Na torre, existe um dispositivo de trava de segurança para ser utilizado na operação de manutenção. Quando se ergue na altura necessária, faz-se o travamento das torres, para, assim, se executar a manutenção com muita mais segurança. Manutenção: Com a utilização do sistema tandem, com buchas tratadas termicamente, sem rolamentos, sem sistemas de molejo, sem sistemas de pistões e elétricos para dar ré, esse transbordo é, de longe, o equipamento de menor custo de manutenção do mercado. Nova fábrica: Para abrigar a linha de robótica, construímos um novo pavilhão com 3 mil m2, atingindo 10 mil m2 de construção e 90 mil m2 de pátio, Com esse investimento, passamos a soldar roboticamente 90% de nossas máquinas, e toda a linha de corte de tubos passaram a ser realizadas por máquinas de Comando Numérico Computadorizado, o que minimiza erros, garante precisão, constância e qualidade. Não importa o sistema de plantio ou de colheita que você esteja usando ou planejado utilizar; na Teston, não é o plantio que se adapta às máquinas, mas sim nossas máquinas que se adaptam ao seu sistema de plantio. Estamos seguros de lhe oferecer o mais econômico, mais flexível, mais robusto, o mais produtivo e o mais avançado sistema disponível no mercado. Melhor do que o Gigante Teston 22 000, talvez sejam os sistemas que estão sendo projetados em nossa Engenharia, para o futuro, nos quais estamos trabalhando desde 2013, para revolucionar o sistema de colheita e transbordamento de nossa tão querida cana-de-açúcar. Teston, a marca dos gigantes!

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cientistas

Opiniões

biorrefinaria:

de olho no futuro

A possibilidade de produzir etanol e açúcar a partir do caldo de cana-de-açúcar teve um papel importante na consolidação do setor sucroalcooleiro, em vista das sinergias entre os processos. Em geral, as usinas possuem certa flexibilidade na produção, podendo direcionar mais ou menos açúcar para cada produto. Essa dinâmica permite reduzir os riscos com as oscilações de preços e as demandas dos produtos. Outro fator importante para o sucesso da indústria foi a autossuficiência energética obtida com o uso do bagaço como combustível, permitindo a produção de todo vapor e eletricidade requeridos no processo. Além disso, com a possibilidade de vender eletricidade para a rede elétrica a preços atrativos, diversas usinas investiram em medidas de aproveitamento energético e na modernização de seu sistema de cogeração, empregando caldeiras de alta pressão e turbinas de extração-condensação, de modo a aumentar os excedentes de eletricidade para a comercialização.

Como consequência, a eletricidade consolidou-se como o terceiro produto do setor e tem tido participação crescente na matriz energética brasileira. Ademais, com a restrição à queima pré-colheita, a palha está disponível no campo em grandes quantidades e pode ser parcialmente recolhida e utilizada para geração de eletricidade na indústria. Estima-se que, combinado ao aumento de eficiência energética do processo, o aproveitamento da palha como combustível tem potencial para duplicar a geração de eletricidade nas usinas. Com a produção de etanol, açúcar, eletricidade e outros subprodutos – levedura, melaço, bagaço, ração animal, óleo fúsel, entre outros –, as usinas de cana-de-açúcar podem ser classificadas como biorrefinarias. Biorrefinaria, de forma análoga à refinaria de petróleo, pode ser definida como uma instalação industrial que integra os processos de conversão de biomassa para produção de combustíveis, energia, materiais e outros produtos. A diversificação do portfólio de produtos permite aproveitar as sinergias entre os processos, seja através do aproveitamento de energia, materiais ou instalações, reduzindo os custos de produção, e diminui a suscetibilidade às oscilações de preços no mercado. Ainda, a obtenção de combustíveis e produtos químicos a partir de fontes renováveis, como a cana-de-açúcar, tem grande potencial de redução ;

Considerando a utilização do bagaço disponível na planta e de 50% da palha produzida no campo para a produção de etanol 2G, o aproveitamento eficiente dos carboidratos possibilitaria aumentar em até 50% a produtividade de etanol por área plantada "

Tassia Lopes Junqueira Especialista em Processos do CTBE Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol

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cientistas das emissões de gases de efeito estufa e consiste em um importante passo na diminuição da dependência de recursos fósseis rumo ao estabelecimento da chamada bioeconomia. A partir das frações da cana-de-açúcar, caldo e material lignocelulósico (bagaço e palha), uma enorme variedade de produtos pode ser obtida (veja quadro em destaque). Os materiais lignocelulósicos são compostos, principalmente, por polímeros de carboidratos (celulose e hemicelulose) e lignina. Para a obtenção das diferentes frações e disponibilização dos monossacarídeos, majoritariamente glicose (C6) e xilose (C5), processos físico-químicos e/ou biológicos são empregados. Adicionalmente, esses produtos podem ser utilizados como intermediários químicos para a produção de outros combustíveis, de produtos químicos, de polímeros, etc. O próprio etanol pode ser usado como matéria-prima para a obtenção de vários produtos comumente derivados de petróleo, tais como etileno, butanol, éter etílico, acetatos e combustíveis de aviação. Outro exemplo é o butanol, que possui um valor atrativo como insumo químico – em torno de US$ 1,25/kg – e também apresenta potencial como biocombustível, em vista da densidade energética e de outras características semelhantes às da gasolina, o que, em teoria, permitiria sua aplicação como substituto imediato (drop-in). O butanol pode ser produzido por via bioquímica, através da fermentação de açúcares, e pela via catalítica, a partir de etanol. Dentre os ácidos orgânicos, pode-se destacar o ácido succínico, que é, usualmente, produzido a partir de derivados de petróleo, mas cuja obtenção a partir de fontes renováveis (através da fermentação de açúcares) vem ganhando espaço. Embora o ácido succínico seja usado em pequenas quantidades nos setores alimentício, farmacêutico e agrícola, se produzido a um custo competitivo, a sua utilização como intermediário na obtenção de produtos químicos pode expandir consideravelmente, incluindo resinas e plastificantes. Vale ressaltar que muitos dos produtos potencialmente obtidos a partir de biomassa possuem mercado reduzido a alguns milhares de toneladas por ano, que poderia ser suprido por poucas unidades industriais, dado o porte das biorrefinarias de cana-de-açúcar que são voltadas à produção de biocombustível em larga escala. No entanto, por serem produtos, em geral, com maior valor agregado, podem contribuir para a viabilização do processo de produção de etanol a partir de materiais lignocelulósicos

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Opiniões – denominado etanol celulósico ou de 2ª geração, “2G”. O etanol de 2ª geração, por utilizar resíduos agroindustriais, pode, potencialmente, alcançar menores custos de produção. No entanto a maior complexidade do processo, que requer etapas adicionais de pré-tratamento e hidrólise enzimática para disponibilização dos açúcares, e os desafios na fermentação de pentoses a etanol têm dificultado a demonstração da viabilidade do etanol 2G em escala comercial. No Brasil, o processo de produção de etanol 2G tem focado na utilização dos resíduos agroindustriais da cana-de-açúcar. Considerando-se a utilização do bagaço disponível na planta e de 50% da palha produzida no campo para a produção de etanol 2G, o aproveitamento eficiente dos carboidratos possibilitaria aumentar em até 50% a produtividade de etanol por área plantada. Incrementos adicionais poderiam ser alcançados com o uso de variedades de cana mais produtivas, como a cana-energia. Em um estudo realizado através da Biorrefinaria Virtual de Cana-de-açúcar (BVC), ferramenta de simulação e avaliação desenvolvida pelo CTBE, foram avaliados os custos de produção de etanol, considerando uma projeção tecnológica definida em conjunto com os principais agentes no desenvolvimento da tecnologia 2G. Observou-se que o custo de produção do etanol 2G ainda é superior ao do etanol convencional, porém, com o avanço na curva de aprendizado da tecnologia, o etanol 2G torna-se competitivo, alcançando um menor custo no longo prazo. Diante da complexidade das biorrefinarias, que podem empregar diferentes matérias-primas e rotas tecnológicas para a produção de diversos produtos, a simulação de processos pode ser utilizada para avaliar alternativas de uma maneira relativamente rápida e menos custosa. Além disso, a BVC tem como diferencial a integração de toda a cadeia produtiva de cana-de-açúcar (desde a produção de biomassa, conversão industrial até uso dos produtos) e a avaliação da sustentabilidade, considerando os impactos econômicos, ambientais e sociais. Uma mudança de paradigma, no sentido de um melhor aproveitamento da biomassa de cana-de-açúcar, traz perspectivas de maior rentabilidade e sustentabilidade no setor. Nesse sentido, os resultados gerados pela BVC podem ser utilizados para direcionamento de pesquisa, formulação de políticas públicas e identificação de novos investimentos. n Potenciais produtos obtidos a partir de cana-de-açúcar no conceito de biorrefinaria

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cientistas

etanol 2G:

oportunidade para estreitar relações

Muitos dirigentes em nossas principais universidades têm feito também um grande esforço em mitigar entraves burocráticos e compreender as necessidades e possibilidades de colaboração com o setor produtivo. "

Júlio César dos Santos

Professor de Biotecnologia da Escola de Engenharia da USP-Lorena

Diferentes estratégias, com uma ampla variedade de opções de pré-tratamento, têm sido desenvolvidas para aumentar a suscetibilidade das frações carboidrato de materiais lignocelulósicos a hidrólise enzimática. Essa afirmação é bem conhecida dos profissionais que têm se dedicado a pesquisas e a atividades ligadas à produção de etanol 2G. Realmente, para a obtenção desse álcool a partir de biomassa vegetal, como a do bagaço e da palha de cana-de-açúcar, a tecnologia em desenvolvimento, atualmente, inclui uma etapa de pré-tratamento necessária para favorecer a hidrólise enzimática posterior, a qual irá resultar em um caldo rico em açúcares fermentescíveis que possam ser transformados em etanol por ação microbiana. Embora a mencionada afirmação seja bem conhecida, chama minha atenção o fato de que, no momento em que escrevo este texto, eu a vejo na tela de meu computador em dois artigos científicos com mais de trinta anos de diferença entre suas datas de publicação, sendo um deles de 2016. De fato, ainda hoje, uma pesquisa rápida em bases de dados especializadas resulta em um grande número de trabalhos recentes avaliando alternativas para o pré-tratamento da biomassa, visando ao aumento da digestibilidade enzimática de seus polissacarídeos, em particular da celulose. E a busca de alternativas é justificável, uma vez que essa etapa do processo é ainda um desafio, mesmo após décadas de estudo. Mais uma evidência disso é a notícia recente de que a planta Bioflex 1, da GranBio, teve sua produção interrompida e, conforme divulgado, o motivo seria o pré-tratamento. A opção que tem sido considerada como a mais viável para o momento é o uso de processos nos quais não seja necessário o emprego de catalisadores químicos (ou eles sejam necessários em quantidades reduzidas), como a técnica de explosão a vapor. Sua aplicação em escala industrial, no entanto, traz desafios adicionais que envolvem problemas como a movimentação da massa do bagaço ou da palha de cana-de-açúcar ao longo do processo.

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É bem verdade que esse desafio, em particular, não é exclusivo dessa técnica e poderia ser similar com o uso de outras opções de pré-tratamento. Seja como for, métodos alternativos poderiam ser interessantes e ajudariam também nesse caso, pois alteram, de forma diferenciada, tanto a composição quanto as propriedades físicas do material (como é o caso do uso de líquidos iônicos, por exemplo). Além disso, opções que envolvam o uso de álcalis e oxidantes poderiam ser feitas em condições mais brandas de processo (diminuindo o investimento necessário em equipamentos) e ainda favoreceriam o aproveitamento da hemicelulose, tanto em forma monomérica quanto macromolecular ou oligomérica, podendo ser viáveis em um conceito mais amplo de biorrefinaria multiprodutos. Além do pré-tratamento, as etapas biológicas ligadas à produção de etanol 2G (hidrólise enzimática e fermentação) representam terreno fértil para pesquisa, desenvolvimento e inovação. Podem-se citar diversos temas que ainda contêm desafios a serem vencidos por esforços de PD&I: o custo das enzimas empregadas para a hidrólise da celulose e a possibilidade de sua produção in situ nas empresas; as especificidades das enzimas empregadas (inibição por produto, por exemplo); o uso de pentoses pelos micro-organismos usados na fermentação ou o aproveitamento desses açúcares em outros processos fermentativos de interesse; a realização, em separado ou em simultâneo, das etapas biológicas do processo; desenvolvimento de reatores com elevados teores de sólidos, etc. É importante considerar, no entanto, que, conforme colocado anteriormente, as pesquisas continuam ao redor do mundo, e as soluções podem estar nas inovações que surgem a cada dia. Elas têm sido bastante interessantes, e um olhar atento aos resultados relatados é fundamental. Há desde pesquisa básica, que leva a uma compreensão mais profunda dos problemas, abrindo novos caminhos para resolvê-los, até trabalhos aplicados com pesquisa incremental, que leva a um novo olhar sobre o conhecido, ou mesmo a avaliação de possibilidades completamente novas e diferentes.


Opiniões Em todos os casos, é digno de nota o intenso trabalho de pesquisa feito nas universidades e nos centros brasileiros, os quais têm se dedicado aos mais diferentes aspectos da produção de etanol 2G – todos os já mencionados e muitos outros. Nos últimos anos, por exemplo, temos feito, em nossa unidade em Lorena e em parceria com diversas universidades e centros de pesquisa brasileiros, trabalhos ligados ao aproveitamento do bagaço e palha de cana-de-açúcar em biorrefinarias. Novos conceitos de biorrefinarias têm sido propostos empregando alternativas como o pré-tratamento sulfito alcalino, o qual utiliza uma variante de um método conhecido no setor de papel e celulose, o que facilitaria a disponibilidade de equipamentos industriais. A viabilidade de opções de plantas multiproduto tem sido avaliada, e novas opções de biomoléculas (ex.: surfactantes, polímeros, pigmentos) têm sido desenvolvidas. Recentemente, avaliamos também alternativas diferenciadas, como o emprego da energia da cavitação hidrodinâmica para favorecer pré-tratamentos sob condições brandas e com uso de menor quantidade de catalisadores. Nesse caso, novas opções de reatores de cavitação escaláveis e em modo contínuo têm sido propostas. Iniciaram-se trabalhos também na área de genômica e secretômica, e novas enzimas capazes de aumentar a eficiência da hidrólise têm sido avaliadas. A compreensão e a modificação do genótipo da cana-de-açúcar estão inclusas entre os projetos em andamento, e pode-se, até mesmo, imaginar novos desenvolvimentos que resultem em uma planta que requeira um pré-tratamento menos

severo (ou não requeira nenhum? seria possível?), para aproveitamento de seus açúcares. É evidente que trabalhos de qualidade de muitas outras instituições nacionais poderiam ser citados, mas, cauteloso em deixar de citar alguém, assumo o risco e cometo aqui a gafe oposta... O ponto com o qual quero finalizar, no entanto, está relacionado justamente à riqueza da pesquisa no assunto feita em nossas universidades e à tradição e ao espírito empreendedor de nossa indústria sucroalcooleira. Embora já haja uma histórica colaboração entre ambas, a interação entre universidade e empresa em nosso país ainda é tímida e está bem aquém de seu potencial. Ambas precisam se conhecer melhor, e os relacionamentos precisam ser estreitados. Houve, no passado, alguns desencontros, mas creio ser o cenário atual uma oportunidade fantástica. É chavão dizer que momentos de crise requerem criatividade, mas caio com prazer no lugar comum e reforço que a universidade possui conhecimento e capacidade para auxiliar o setor produtivo no desbravamento das novas oportunidades ligadas ao conceito de biorrefinaria. Muitos dirigentes em nossas principais universidades têm feito também um grande esforço em mitigar entraves burocráticos (principalmente presentes em instituições públicas) e compreender as necessidades e possibilidades de colaboração com o setor produtivo. Termino, assim, parafraseando o título: o estreitamento das relações entre empresa e universidade é ótima oportunidade em campos férteis para PD&I, como a pron dução de etanol 2G.

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produtores

a importância da cogeração de energia Quando recebi o convite para contribuir com este artigo, a primeira pergunta que me ocorreu foi: o que é mais importante para definir o sucesso econômico e perpetuidade de uma usina? Muitos responderiam que os pontos que impactam esse sucesso são as condições climáticas da região em que está inserida, o tipo de solo, as variedades e a nutrição da cana, o montante do capital empregado em equipamentos agrícolas e industriais ou a liquidez do caixa. Depois de 25 anos de atuação no agronegócio, tenho certeza de que o mais importante e o que define o sucesso e a perenidade de uma usina ou um empreendimento agrícola é o grau de comprometimento, a capacidade técnica e analítica das pessoas que trabalham na empresa. As companhias que atingem o sucesso e apresentam grande competitividade são aquelas que têm profissionais com a maior capacidade de se adaptar rapidamente às mudanças de paradigmas técnicos ou mercadológicos, buscando a inovação e a melhoria em tudo que fazem. São empresas com funcionários que acreditam que é sempre possível fazer melhor e de forma mais lucrativa as atividades do dia a dia. O trabalho individual, a responsabilização e o comprometimento de cada colaborador em acompanhar a evolução das corporações atuais impactam diretamente o resultado operacional, na forma de lucro/tonelada de cana processada. Temos acompanhado também, nos últimos 10 anos, importantes mudanças tecnológicas na área de produção e na exportação de energia no setor sucroenergético para atender às demandas do mercado. As atividades de uma unidade sucroenergética podem ser divididas em produção agrícola e industrial, sendo que uma parte significativa dos resultados econômicos se inicia na área agrícola. A produtividade agrícola é medida pela capacidade de produção de tonelada de cana e de açúcar por hectare, sendo um dos principais fatores críticos de sucesso econômico para a atividade.

A impureza vegetal, que, em alta porcentagem, pode dificultar a extração do açúcar nas moendas ou difusores, hoje poderia ser novamente batizada como riqueza vegetal, pois pode incrementar a produção de energia "

Fernando Eduardo Amado Tersi

Diretor Agroindustrial da Cerradinho Bioenergia

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Hoje, após elevados investimentos pelas unidades industriais em cogeração de energia, além da necessidade da manutenção de alta performance de produção de açúcar a um baixo custo por hectare, é necessário obter também elevada produção de biomassa de cana por hectare. Existem usinas produzindo – de forma sustentável ao longo das safras – mais de 100 toneladas de cana por hectare, 13 toneladas de açúcar por hectare e colhendo e transportando a produção com até 13% de impureza vegetal, ante os 7% de impureza vegetal realizados anteriormente, o que possibilita a obtenção de mais de 30 toneladas de biomassa de cana por hectare. O bagaço, que nada mais é que o colmo da cana após a extração, mais a impureza vegetal contida na planta, representada pelas folhas e ponteiros, que vem com a colheita mecanizada, são fundamentais para a produção de energia. A impureza vegetal, que, em alta porcentagem, pode dificultar a extração do açúcar nas moendas ou difusores, hoje poderia ser novamente batizada como riqueza vegetal, pois, através dessa biomassa da cana adicional, pode-se incrementar a produção de energia nas caldeiras para utilização interna na indústria e exportação de eventual excedente no sistema energético nacional.


Opiniões

A evolução da tecnologia disponível na área de produção de energia tem acontecido num ritmo bastante acelerado. Novos modelos de caldeiras, com a opção de maior pressão, uso de leito fluidizado e condensadores evaporativos têm apresentado maior eficiência em transformar a queima da biomassa em energia. A utilização combinada de novas caldeiras com a aquisição e a condução estratégica de turbinas de contrapressão e condensação, combinadas de acordo com a época da safra ou entressafra, também aumentou muito a taxa de conversão de bagaço em energia. Até alguns anos atrás, era possível obter um excedente de energia para exportação e venda de aproximadamente 75 MWh-1 para cada mil toneladas de cana processada, o que poderia ser considerado de boa eficiência. Hoje, existem empresas que conseguem realizar até 100 MWh-1 com o mesmo volume de cana; isso representa uma evolução de mais de 30% na eficiência de conversão da energia contida na biomassa. Logicamente, a utilização desses novos equipamentos demanda uma análise específica da existência de retorno financeiro do alto volume do investimento necessário, que, em grande parte, somente se viabiliza com preços de energia acima de R$ 200 por MWh-1, além de custo de biomassa e custos internos compatíveis com a atividade. Outra modificação importante no sistema de gestão das usinas foi a necessidade de criação de áreas específicas para

a manutenção e a supervisão da unidade geradora de energia, pois a área exige mão de obra bastante qualificada e especializada para a realização desses trabalhos. Na área de manutenção de caldeiras, por exemplo, era muito comum que os equipamentos ficassem até 45 dias sem operação para que fossem revisados; hoje, muitas unidades industriais realizam esse procedimento em 20 dias ou menos. O mesmo conceito de manutenção enxuta, de forma a se manter a atividade da caldeira e da usina por mais tempo, também já é realidade em muitas empresas. Algumas, inclusive, funcionam por até 320 dias por ano, utilizando, cada vez mais e de forma mais eficiente, os ativos biológicos, industriais e automotivos. Tal medida contribui para a melhoria da performance econômica de resultados. A diversificação nas fontes de energia que um país utiliza é muito importante. Atento a esse cenário, nos últimos leilões de energia de longo prazo, o governo brasileiro tem incentivado o emprego de fontes alternativas a partir de biomassa. Esse apoio é fundamental para dar segurança aos empresários na análise de viabilidade dos projetos de produção de energia, além da disponibilização de linhas de crédito para dar sustentação à parte dos investimentos. O setor sucroenergético está preparado para continuar contribuindo para o fornecimento de energia renovável para a sociedade brasileira, criando valor, empregos, novas tecnologias, formando profissionais e gerando renda para o desenvolvimento sustentável do Brasil. n

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produtores

as forças da cana para nutrição animal Poucas indústrias aproveitam tanto uma matéria-prima como a sucroenergética. No processo industrial do setor, tudo é aproveitado, desde a palha da cana-de-açúcar cortada no campo, passando pela reutilização da água no processo produtivo, até a geração de energia a partir da própria atividade. Mais ainda, com subprodutos do processo de extração de açúcar e álcool, também é possível produzir ração animal. A Biosev é uma das empresas do setor que enxergou, no segmento de nutrição animal, uma oportunidade para fortalecer seu relacionamento com fornecedores que também atuam na pecuária e inseriu, em seu portfólio de produtos, a ração animal a partir dos subprodutos da indústria. Esse trabalho de integração cana e pecuária teve origem há quase 30 anos, quando foram iniciadas as primeiras pesquisas sobre o uso dos subprodutos da cana como fonte suplementar de alimentos para os animais. Foram realizados investimentos em equipamentos e em importantes parcerias com universidades, como Esalq e Fzea-USP. Os principais subprodutos utilizados na formulação de ração são bagaço de cana, melaço e levedura, que compõem 80% da sua fórmula. O restante é composto por alimentos convencionais. Essa combinação proporciona alto desempenho no rebanho suplementado a campo e elevado ganho de peso, rendimento e qualidade da carcaça nos bovinos em regime de confinamento. a Biosev é a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, com 11 unidades em operação, tem capacidade de processamento de 36,4 milhões de toneladas/ano de cana-de-açúcar e 1.346 GWh/ano de energia elétrica renovável excedente "

Regina Célia Cardoso Margarido Gerente de Nutrição Animal da Biosev

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A inclusão da ração na dieta dos rebanhos permite um aumento significativo do número de cabeças por hectare, podendo atingir números expressivos como oito UA (unidade animal). Como consequência desse aumento de produção por área, o produtor pode reduzir a área de pastagem e disponibilizar essa área remanescente para a produção de cana-de-açúcar, possibilitando o melhor uso da terra. Com a utilização de subprodutos, é possível adquirir a ração na usina a preços competitivos, o que proporciona ao produtor a diversificação da propriedade rural, além de promover o aumento da lucratividade. O produtor explora as áreas de melhor solo e topografia para a cultura da cana, e as áreas impróprias para plantio são destinadas para exploração da pecuária. A proposta não é reduzir nenhuma das atividades, mas, com a integração, contribuir para uma produção ainda mais sustentável. O novo uso da terra aumenta a rentabilidade sem necessidade de expansão da área produtiva e evita o deslocamento para regiões remotas com ecossistemas preservados, garantindo a conservação ambiental. Atualmente, a Biosev tem capacidade para produzir 70 mil toneladas de ração em suas duas unidades de fabricação, em Morro Agudo (SP) e Lagoa da Prata (MG), volume suficiente para alimentar, aproximadamente, 40 mil cabeças


Opiniões de bovinos, em suas diversas categorias, no período de safra da indústria canavieira, que coincide com o período da entressafra da pecuária. Todo o volume da ração é comercializado para parceiros e fornecedores de cana-de-açúcar. Muito mais que apenas rentabilidade, o fornecimento de ração ao produtor faz parte do programa “Mais Cana” da companhia, que visa à aproximação da Biosev de seus fornecedores e parceiros. Além do portfólio de produtos para nutrição animal, a Biosev foi pioneira ao estruturar o braço do negócio especializado em confinamento de bovinos de corte. Com 28 anos de operação, o confinamento, localizado na unidade de Vale do Rosário, em Morro Agudo-SP, atende a cerca de 7 mil cabeças de bovinos. Outra forma de aproveitar todas as energias da cana é produzir suplementos proteicos e energéticos, como levedura seca e melaço em pó. A levedura seca, obtida por meio da fermentação no processo de fabricação de álcool e posterior secagem, é um alimento de alto valor biológico utilizado na composição das rações, nos concentrados e nos suplementos recomendados para todas as espécies animais. Já o melaço em pó é um suplemento energético de alta qualidade utilizado para a alimentação de diferentes espécies animais (bovinos, equinos, suínos, aves e peixes) como fonte de energia, palatabilizante e aromatizante.

As leveduras e o melaço em pó são exportados, atualmente, para mais de 15 países. Esses derivados de produtos mostram a expertise da empresa e a capacidade de aproveitar oportunidades que agregam valor tanto para a própria Biosev, ao oferecer produtos de alto valor agregado, quanto para o consumidor, que tem acesso a produtos altamente eficientes, com valores mais competitivos. A Biosev é a segunda maior processadora de cana-de-açúcar do mundo, com 11 unidades em operação, estrategicamente organizadas em cinco polos agroindustriais: Ribeirão Preto, Mato Grosso do Sul, Nordeste, Leme e Lagoa da Prata. A companhia, controlada pela Louis Dreyfus Group, iniciou sua atuação na indústria de açúcar e etanol, em 2000, com a aquisição de sua primeira unidade no Brasil. Atualmente, tem capacidade de processamento de 36,4 milhões de toneladas/ano de cana-de-açúcar e 1.346 GWh/ano de energia elétrica renovável excedente, gerada a partir da utilização do bagaço de cana-de-açúcar e de outras biomassas. Para armazenagem e movimentação de açúcar, a empresa possui uma joint venture no Teag – Terminal de Exportação de Açúcar do Guarujá. Em 2013, a empresa ingressou no Novo Mercado da BM&F Bovespa, segmento que adota os mais altos padrões de governança n corporativa.

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Opiniões

bioeletricidade e

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A fonte biomassa em geral (bagaço/palha de cana, resíduos de madeira, capim elefante, etc.) tem potência instalada em operação de 13.921 MW, quase 9% da potência outorgada pela Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel, na matriz elétrica do Brasil. Quando se estratifica a fonte fóssil, a bioeletricidade assume a segunda posição na matriz elétrica brasileira, pois a mais importante contribuição da fonte fóssil é o gás natural, que detém 13.735 MW, inferior à capacidade instalada pela fonte biomassa. Com referência somente à bioeletricidade da cana, o setor sucroenergético detém, hoje, 10.968 MW, ou 7% da potência outorgada no Brasil e quase 79% da fonte biomassa, sendo a terceira fonte de geração mais importante da nossa matriz elétrica em termos de capacidade instalada, atrás somente da fonte hídrica e das termelétricas com gás natural.

Em termos de energia ofertada para a rede, em 2015, o setor sucroenergético produziu 20,2 TWh, representando poupar 14% da água nos reservatórios do submercado elétrico Sudeste/Centro-Oeste, justamente porque essa geração ocorre na época crítica do setor elétrico (período seco). Essa energia renovável e limpa ofertada à rede foi equivalente também a ter provido o atendimento a 10,4 milhões de residências ao longo de 2015 e evitou a emissão de 8,6 milhões tCO2. Contudo, mesmo com esse desempenho, atualmente, a bioeletricidade da cana usa apenas 16% de seu potencial de exportação para a rede. Segundo a Empresa de Pesquisa Energética – EPE, em 2014, existiam 177 unidades sucroenergéticas exportando excedentes de bioeletricidade para a rede, de um universo de 355 unidades produtoras, de acordo com a Unica. Assim, a outra metade de usinas sucroenergéticas, com a biomassa já existente nos canaviais, pode passar por um processo de reforma (retrofit), além de aproveitarem plenamente o bagaço, a palha e o biogás da vinhaça, e tornarem-se grandes geradoras de bioeletricidade para a rede. De acordo com o último Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2024), considerando o aproveitamento pleno da biomassa existente (bagaço e palha) nos canaviais, em 2015, a geração de bioeletricidade sucroenergética para a rede tem potencial técnico para chegar a mais de seis vezes o volume de oferta à rede em 2015, conforme se observa no quadro em ; destaque.

em 2015, o setor sucroenergético produziu 20,2 TWh, representando poupar 14% da água nos reservatórios do submercado elétrico Sudeste/ Centro-Oeste (...) mesmo com esse desempenho, a bioeletricidade da cana usa apenas 16% de seu potencial de exportação para a rede. "

Zilmar José de Souza

Gerente de Bioeletricidade da Unica

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entidades

Opiniões

POTENCIAL TÉCNICO DE OFERTA DA BIOELETRICIDADE SUCROENERGÉTICA PARA A REDE ELÉTRICA (TWh) - 2015 140

128,8

120 100 80 60 40 20 0

49,1 20,2

GERAÇÃO PARA A REDE

POTENCIAL DE GERAÇÃO SOMENTE COM BAGAÇO

POTENCIAL DE GERAÇÃO COM BAGAÇO+PALHA

Ainda de acordo com o PDE 2024, o potencial técnico de geração anual para a rede pela biomassa da cana pode ir além e alcançar quase duas usinas do porte de Itaipu, com geração de 165 TWh/ano até 2024. Mas o que falta para voltarmos ao desenvolvimento contínuo e robusto dessa importante fonte de eletricidade renovável e sustentável? A iniciativa privada tem que continuar investindo em ações que aumentem a produtividade das centrais geradoras a biomassa, e também são necessárias medidas de política pública que possam aumentar a competitividade dessa fonte na matriz elétrica brasileira e diminuir o hiato produtivo existente entre o potencial técnico dessa fonte e o efetivamente aproveitado. Nos últimos anos, observamos um esforço por parte do Governo Federal em promover a diversificação da matriz elétrica brasileira, com diretrizes centradas em estimular as fontes eólica e solar, a mini e microgeração distribuída e para a fonte de gás natural. Contudo, em relação à biomassa, ainda estamos distantes do adequado para estimular um investimento mais vigoroso nessa importante fonte renovável para o País. Mas há oportunidade para uma política setorial dedicada à bioeletricidade, com diretrizes específicas que encorajem a melhora no ambiente institucional vigente, dentre elas: 1. Contratação regular para a bioeletricidade, com preços adequados nos leilões: A partir de 2013, nos chamados leilões A-5, separou-se a biomassa da concorrência direta com as eólicas, mas a biomassa passou a concorrer diretamente com o carvão, sem nenhuma distinção quanto à sustentabilidade ambiental das fontes. Por que não termos leilões ou produtos dentro de um leilão para a biomassa, como estamos tendo para outras fontes [e continuidade nessa contratação], mas com preços realmente adequados à biomassa e que indiquem adequadamente os benefícios dessa fonte para o sistema? Deve-se também ter sempre em conta a importância de preços remuneradores, incorporando as externalidades da bioeletricidade, mas se observando também as características de cada tipo de projeto: retrofit do parque existente, greenfield, aproveitamento da palha, geração de biogás, projetos que envolvem aumento de moagem, etc. Além disso, permitir a participação da bioeletricidade nos leilões de energia de reserva, quando ocorrerem. 2. Estimular a contratação da bioeletricidade via Geração Distribuída: Em 2015, foi alterada a Lei 10.848/2004 para permitir um Valor Anual de Referência

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Específico (VRES) por fonte que estimule a contratação da geração distribuída, sendo definidos os valores para as fontes solar fotovoltaica e cogeração a gás natural. Embora se afirme que, para as demais fontes, o VRES será divulgado em 2016, não há nenhuma discussão consubstanciada entre Governo Federal e representantes do setor da biomassa sobre o tema. Se há distribuidoras que reconhecem a importância da contratação de geração distribuída com foco em biomassa, pelos benefícios técnicos que essa fonte apresenta, por que não estimular rapidamente uma regulamentação que dinamize esse modelo de contratação? 3. Mitigação do problema da conexão às redes elétricas: A conexão das térmicas a biomassa ocorre principalmente no âmbito da distribuição, no que podemos chamar de “puxadinho”, representando uma barreira relevante para as mais de 170 usinas sucroenergéticas que ainda não exportam excedentes de energia para a rede. Por que não há nenhum programa estruturado, de longo prazo, que efetivamente mitigue a dificuldade de conexão desses projetos à rede de distribuição? 4. Criação de condições mais atrativas para a aquisição de máquinas e equipamentos para o retrofit e o recolhimento e uso de palha e outras biomassas: É importante estabelecer linhas de créditos especiais para projetos de eficiência energética, otimização de processos e para adaptação e/ou substituição de caldeiras e turbogeradores; linhas especiais para permitir maior uso de biomassas complementares e o aproveitamento da palha para a geração (durante toda a etapa do processo); criação de linhas de financiamento agrícola para lavouras de biomassa (sorgo, cana energética, capim elefante, etc.), estimulando também o desenvolvimento de novas ofertas de biomassa e de biogás; e extensão do uso das linhas de crédito oficiais para máquinas e equipamentos importados. A cadeia produtiva do setor sucroenergético chegou a operacionalizar a adição de quase 1,8 GW/ano para a matriz elétrica brasileira (em 2010), quando o cenário para o etanol e o setor como um todo era desafiador e estimulante. Nessa época, a fonte biomassa chegou a representar 32% do crescimento da capacidade instalada no País, contudo, agora, a previsão para a biomassa é participar, em 2016, com apenas 8% da expansão anual da capacidade instalada no Brasil, índice que poderá cair para apenas 2% em 2020, segundo a Aneel. Isso mostra uma capacidade técnica e produtiva que pode ser preenchida, por exemplo, com projetos retrofit do parque existente e que aproveitem a palha e o biogás para a geração de energia elétrica. Tudo isso poderá ser iniciado se compusermos uma política setorial de longo prazo, crível, clara e encorajadora para atrair novamente os investimentos em bioeletricidade. As sugestões que apresentamos neste artigo são algumas que podem compor tal política pública de longo prazo para estimular a bioeletricidade. Adotando-as em conjunto com diretrizes também estimulantes e claras para se definir o papel do etanol na matriz energética brasileira, isso melhorará o ambiente institucional e poderá trazer a “energia” para que o setor sucroenergético possa contribuir ainda mais do que já tem contribuído para a sustentabilidade energética, ambiental, social e n econômica deste País.


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Opiniões

o uso eficiente do

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O forte aumento do preço da gasolina no final do século XX fez ressurgir, no Brasil, a procura por carros a etanol, cuja fabricação tinha sido praticamente interrompida. Havia duas possibilidades para a indústria. A primeira seria produzir carros a etanol, para os quais a indústria já tinha desenvolvido autopeças apropriadas, superado dificuldades com a partida a frio e outras, e produziu carros a etanol mais eficientes e menos poluentes que os equivalentes a gasolina. A questão era se valia a pena investir na modernização do motor para atender apenas ao mercado brasileiro.

a paridade é, em geral, maior que 70%. Uma gestora de frotas concluiu que a paridade média medida em quase meio milhão de carros que administra se aproxima dos 80%. "

Jayme Buarque de Hollanda Presidente do INEE

A segunda opção seria usar a tecnologia flex, desenvolvida nos EUA. Lá, a lei do ar limpo (1992) estimulou a criação de carros flex que pudessem usar tanto gasolina quanto E85, combustível com “pelo menos” 85% de etanol. Além de incentivo fiscal, a montadora, obrigada a respeitar um nível máximo de emissões do conjunto de carros novos por ela fabricados, podia compensar a venda de modelos poluentes com a ; venda dos flex.

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Zilmar

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entidades Como a venda de E85 era praticamente inexistente, os flex são, de fato, motores a gasolina que permitem o emprego de etanol como um “quebra galho”. Sérgio Habib, presidente da Citroën na época da decisão no Brasil, resumiu a inadequação do flex com uma metáfora: “Carro flex é como o pato que anda, voa e nada, mas não faz nenhuma delas bem feito". É um pouco injusta com o pato, que pelo menos nada bem, e com o flex, que é otimizado para a gasolina. O próprio conceito de E85 foi alterado nos EUA e, com esse rótulo, o conteúdo de etanol pode variar entre 51% e 83%. Quando o carro flex foi lançado no Brasil, em 2003, todas as montadoras adotaram a tecnologia. Embora usando etanol de forma menos eficiente que os antigos modelos a etanol, o preço do etanol era tão competitivo que o flex foi bem aceito. O flex é uma solução de marketing bem-sucedida, a julgar pelos 25 milhões de carros que circulam no País, e que responde por mais de 90% das vendas de carros novos. Os demais carros novos são a gasolina. Nenhum carro a etanol é produzido, embora sua venda não esteja proibida. As dificuldades para usar o etanol de forma mais eficiente se devem a preconceitos que limitam suas vantagens sobre a gasolina apenas à questão ambiental. A mais problemática é a regra pela qual, para haver paridade econômica, o preço do etanol pode ser, no máximo, igual a 70% do da gasolina. Essa regra, usada pela maioria dos proprietários de flex, corresponde à relação entre os poderes caloríficos dos dois combustíveis, sem levar em conta outros fatores, além de que a gasolina C, disponível nos postos, contém mais de 22% de etanol anidro, atualmente 27,5%. Em motores de combustão interna, essa comparação não faz sentido. O desempenho depende de características do combustível, tais como octanagem, razão estequiométrica, calor latente de evaporação, menos intuitivas que o poder calorífico. Em todas, o etanol supera a gasolina. Usado em motor adequado, o consumo (km/ litro) de um carro a etanol pode ser da ordem de grandeza do consumo de um carro semelhante, a gasolina. O motor a etanol, além disso, é mais compacto e leve e, graças ao torque elevado, pode, inclusive, ser uma alternativa ao motor diesel em veículos leves. Dada a explicação “científica” da paridade 70, a regra, no entanto, se tornou um paradigma. Está embutida na legislação automotiva, nos programas de mensuração de desempenho e de incentivo ao aumento da eficiência veicular do governo. Esse “pecado original” do etanol criou um conformismo, mesmo em segmentos da economia que só têm a perder. Até a atividade acadêmica e de P&D para motores a etanol é mínima, considerando a importância do combustível. Na prática, a paridade dos flex varia de carro para carro, dependendo do modelo, do ano de fabricação, da especificação da gasolina (que já mudou várias vezes), da temperatura do ambiente e até da habilidade do motorista. Medidas feitas por revistas especializadas e comentários na internet confirmam que a paridade é, em geral, maior que 70%. Uma gestora de frotas concluiu que a paridade média medida em quase meio milhão de carros que administra se aproxima dos 80%. O aumento de eficiência no uso do etanol veicular no Brasil, em

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Opiniões curto prazo, depende de maior aceitação desse combustível, e, para tanto, desconstruir o Paradigma 70. Em longo prazo, vai depender de voltar a haver uma oferta de carros a etanol e/ou de carros flex que, invertendo a lógica atual, sejam otimizados para usar etanol e “quebrem um galho” com gasolina. Apesar de haver mais de quatro milhões de flex que só usam etanol, é pouco provável que a indústria tome a iniciativa, enquanto os compradores de carros e o governo tiverem uma percepção errada sobre o etanol. Só vai investir na novidade se perceber interesse do mercado e receber sinais corretos do governo. Assim, será criada uma demanda considerável, de cerca de 400 mil carros por ano, inicialmente. Ao longo de quarenta anos, o País não teve uma política consistente para o etanol, entre a euforia e o desprestígio. O Brasil, porém, não pode prescindir do uso do etanol e precisa criar uma política equilibrada, pois a oferta de gasolina na próxima década, segundo a ANP, poderá ser insuficiente. É chegado o momento de repensar a questão, procurando formas para aumentar a efetividade no uso do combustível com o mais elevado nível de sustentabilidade. O uso eficiente do etanol veicular afeta positivamente a economia dos consumidores e de todos os agentes ao longo da sua cadeia de produção e transformações, inclusive da indústria, que tem aí um importante nicho de mercado. Sua maior difusão contribuirá para revigorar a oferta do único combustível renovável produzido em larga escala, sem subsídios e sem monetização de suas externalidades positivas. Como acontecer? Na visão do INEE, que tem promovido a discussão do tema nos últimos anos, será importante que o setor de cana tenha uma atitude proativa para combater a desinformação e para estimular o aumento da eficiência no uso do seu combustível. Carros a etanol mais eficientes melhoram os fundamentos econômicos do seu principal produto energético, que deixa de ficar limitado a um teto de preço de 70% da gasolina. Como a paridade já é maior de 70%, um trabalho inicial será incentivar os motoristas a medirem as paridades de seus próprios veículos, contribuindo para refutar o mito da paridade 70. Completar essa mensagem com outras que ajudem a desconstruir os preconceitos contra o etanol será da maior importância; sempre que possível, demonstrar as virtudes do etanol. Um exemplo seria encomendar às empresas que desenvolvem e ajustam motores (sistemistas) o desenvolvimento de veículos a etanol de elevada eficiência. Outra iniciativa importante, com elevado retorno econômico e ambiental, seria trabalhar com a indústria soluções para o diesel usado no campo ser substituído pelo etanol. Finalmente, é importante lembrar que, no passado, o Brasil era o único país do mundo onde o etanol combustível era produzido, distribuído e usado para substituir a gasolina. Hoje, porém, responde por apenas um quarto da produção mundial em um cenário de crescente interesse por carros a etanol. A preocupação de reduzir as emissões vai chamar a atenção para a necessidade de usar eficientemente o etanol, e o Brasil reúne todas as condições para liderar esse assunto, se começar a tratá-lo n seriamente o mais cedo possível.


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bioeletricidade Com o compromisso brasileiro firmado na reunião sobre clima de Paris (COP 21), de elevar o uso de energias renováveis na geração de energia elétrica até 2030, a expansão do mercado livre de energia, a sobra estrutural de energia e as mudanças regulatórias criam novas oportunidades para a bioeletricidade. Responsável pela geração de energia equivalente ao consumo de dez milhões de residências em 2015, a geração de biomassa deverá ampliar sua presença na matriz elétrica e poderá se tornar uma receita adicional relevante para as usinas de açúcar e álcool, a partir de modelos de parceria de negócios que reduzam riscos.

Em dezembro do ano passado, no Acordo sobre Mudança Climática de Paris, o governo brasileiro se comprometeu a elevar, até 2030, de 10% para 23% o uso de energias renováveis no fornecimento de energia elétrica, excetuando-se a hidroeletricidade proveniente de usinas hidrelétricas de grande porte. Segundo o balanço de energia de 2014, disponibilizado pela Empresa de Pesquisas Energéticas (EPE), a biomassa foi a fonte renovável que mais gerou energia, com 7,3% da oferta interna, à frente

Responsável pela geração de energia equivalente ao consumo de dez milhões de residências em 2015, a geração de biomassa deverá ampliar sua presença na matriz elétrica e poderá se tornar uma receita adicional relevante para as usinas de açúcar e álcool "

Karin Regina Luchesi

Vice-presidente de Operações de Mercado da CPFL Energia

da eólica (2%) e da solar (0%), ficando atrás apenas da geração hídrica e das térmicas a gás natural. Além desse compromisso de incentivar as fontes alternativas, a matriz elétrica vive um momento de transição, que será benéfico para a biomassa, cuja geração está próxima ao consumo e ao centro de carga, o que diminui os custos com transmissão e as perdas no sistema.;

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comercializadoras de energia Em 2005, as hidrelétricas respondiam por 77% do fornecimento de energia elétrica. Hoje representam 68% da capacidade instalada do sistema e, em 2024, a energia hidrelétrica responderá por 58%, segundo o Plano Decenal 2024, elaborado pela EPE. A maior parte das novas usinas hidrelétricas será feita sem grandes reservatórios. Com mais usinas a fio d’água, o sistema está mais dependente das chuvas. A capacidade de armazenamento das hidrelétricas caiu de 6,3 meses para 4,7 meses, em dez anos, e poderá cair mais até o fim da década. Entre 2013 e 2018, com a entrada das usinas do rio Madeira e Belo Monte em operação, a capacidade hídrica do sistema aumentará em 20 mil MW, sendo que apenas 200 MW têm reservatórios. Isso fará com que a capacidade de armazenamento caia para 3,8 meses em 2018. A menor área de alagamento reduz os impactos ambientais, mas torna o sistema mais dependente de São Pedro. Nesse contexto, a matriz será mais diversificada e terá de atrair investimentos em projetos mais próximos ao centro de carga e de consumo, como a biomassa, cujo centro de produção está na região Sudeste, responsável por mais de 50% do consumo de energia elétrica. A bioeletricidade é complementar à geração hidráulica. Durante os períodos em que a chuva é mais escassa, entre maio e junho, é realizado o cultivo da safra de cana-de-açúcar. Há um outro trunfo: os resíduos também podem ser aproveitados, em vez de desperdiçados. Além do bagaço, a palha também pode ser aproveitada como energético. Uma tonelada de bagaço pode gerar mais de 300 kWh para a rede elétrica. Uma tonelada de palha pode gerar 500 kWh. Ano passado, o consumo médio residencial foi de 161,8 kWh. Com apenas um hectare de cana, a bioeletricidade pode abastecer mais de cinco residências durante um ano. A fonte ainda tem outra vantagem ambiental em um momento em que fabricantes de equipamentos e petroleiras já trabalham com a eventualidade de surgimento, nos próximos anos, de um preço mundial sobre a emissão de carbono. Em 2015, segundo estimativas da Unica – União da Indústria de Cana-de-Açúcar, a geração de energia renovável e limpa pela biomassa pode ter evitado a emissão de aproximadamente dez milhões de toneladas de CO2. Outros fatores criam um futuro promissor para a bioeletricidade. O mercado livre de energia, em que consumidores industriais e comerciais selecionam seu fornecedor em contratos de curto ou longo prazo, está em franca expansão, em virtude do amadurecimento do mercado e pela alta das tarifas no mercado cativo. Em 2011, havia cerca de mil consumidores livres. Ano passado, esse número saltou para 1.826 e deverá chegar a 3.221 até dezembro. Enquanto, na metade da década de 2000, esse movimento era conduzido por grandes empresas, como mineradoras e siderúrgicas, hoje, é liderado por consumidores especiais com

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Opiniões

menor carga, como redes de supermercados, universidades e hospitais, interessados em reduzir seus custos. A expansão do mercado livre está sendo orientada por consumidores especiais (cuja demanda contratada seja maior ou igual a 500 kW, individualmente ou por soma de carga), que podem contratar energia de fontes renováveis ou convencionais, como grandes usinas hidrelétricas ou termelétricas acima de 50 MW. A retomada do crescimento do mercado livre abre uma grande oportunidade para a venda da energia elétrica excedente das usinas de açúcar e álcool para as comercializadoras de energia e para os consumidores livres, firmando contratos de médio e de longo prazo que trazem receita adicional e previsibilidade ao fluxo de caixa de seus negócios. Essa oportunidade cria a necessidade de viabilização de parcerias. Hoje, de acordo com dados da Unica, apenas metade das 355 usinas espalhadas pelo País exportam energia para a rede. Para mudar esses números, seria preciso que as usinas investissem na aquisição de novas e eficientes caldeiras, o chamado retrofit, o que permitiria gerar energia excedente. A expansão do mercado livre e dos clientes especiais abre uma oportunidade para a comercialização desse excedente, cujos contratos de compra e venda podem ser usados como garantia para obtenção de financiamentos que viabilizariam a própria modernização das usinas de açúcar e álcool. É certo que o setor sucroalcooleiro vive um momento delicado financeiramente, reflexo do alto endividamento e da política de controle dos preços dos combustíveis que perdurou entre 2009 e 2014, o que reduziu a geração de caixa dos usineiros. Nos últimos anos, mais de 50 usinas fecharam as portas. Esse contexto pode ser superado com parcerias com investidores confiáveis e que conheçam o mercado de energia elétrica. Existe a possibilidade de que essa expansão seja feita em associação com investidores, que fazem o aporte de recursos na aquisição dos equipamentos e ficam, como contrapartida, com parte da energia a ser gerada. O investimento em retrofit não apenas aumenta a produção de eletricidade como também amplia a eficiência operacional das usinas, contribuindo para elevar a produção de açúcar e de álcool. Esse conjunto de fatores estruturais e conjunturais aponta, assim, para um futuro promissor para que a bioeletricidade contribua para tornar a matriz elétrica nacional ainda mais limpa. O Brasil, por sua biodiversidade e por ser uma das 10 maiores economias do mundo, vem liderando os fóruns internacionais de discussão em direção da economia de baixo carbono e do combate às mudanças do clima. Cada vez mais, produzir bens e serviços de forma limpa e sustentável será um diferencial competitivo e reputacional para quem deseja participar do comércio global. E as usinas de açúcar e álcool, por meio da bioeletricidade, podem ser importantes parceiras das empresas brasileiras nessa nova corrida do mercado internacional no século XXI. n


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comercializadoras de energia

Opiniões

as reais alternativas de comercialização A matriz elétrica brasileira caracteriza-se como hidrotérmica devido à predominância das fontes hídricas e térmicas. Segundo a Aneel, o Brasil dispõe de cerca de 4.539 empreendimentos de geração, totalizando 145 GW de potência instalada em operação. Desse total, as usinas de fonte hídrica respondem por 68%, seguidas pelas térmicas, com 17,5%. A boa notícia é que, hoje, a biomassa já constitui a terceira fonte de geração mais importante do País, em termos de capacidade instalada. São 522 empreendimentos em operação, com cerca de 14 GW de potência, ou 8,7% da matriz. A participação dessa fonte deve se manter estável até 2024. O peso da biomassa é tímido quando se observa o seu potencial. A cana-de-açúcar também gera biomassa composta por palhas e pontas. De acordo com o PDE 2024, com o pleno aproveitamento, a bioeletricidade sucroenergética pode multiplicar por seis a oferta de 2015. A geração de energia elétrica da biomassa traz diversos benefícios para a matriz elétrica. Destaca-se a geração de cerca de 950 mil empregos diretos, fixando o homem no campo e criando possibilidades de renda e crescimento em áreas em desenvolvimento. A bioeletricidade contribui para evitar a emissão dos gases que produzem o efeito estufa. Por isso a energia proveniente da biomassa é classificada como energia alternativa, recebendo desconto não inferior a 50% na

A comercialização de energia elétrica proveniente da cogeração tem um futuro promissor. Há reais alternativas, oferecendo um terreno fértil de crescimento. "

Alessandra Genu Dutra Amaral Presidente da Energisa Comercializadora

TUSD/TUST (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição/Tarifa de Uso do Sistema de Transmissão) no mercado livre. Ressalta-se ainda a grande complementaridade sazonal, nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, entre geração hídrica e safra de cana-de-açúcar, que coincide com o chamado “período seco”, quando a geração das usinas hidrelétricas cai significativamente.

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O modelo regulatório de comercialização de energia elétrica: O modelo de comercialização do setor elétrico tem como objetivos: a. Universalização: oferecer o acesso à energia elétrica a todos os cidadãos brasileiros; b. Expansão da Oferta: atrair investidores, oferecendo remuneração adequada; c. Modicidade Tarifária: assegurar a menor tarifa possível ao consumidor; e d. Sustentabilidade: respeitar a sociedade e o meio ambiente. O modelo promoveu a criação de dois ambientes: o Ambiente de Contratação Regulada – ACR, e o Ambiente de Contratação Livre – ACL. No ACR, atuam geradores, distribuidoras e consumidores cativos, que compram energia a tarifas reguladas. As distribuidoras somente podem adquirir energia por meio de leilões federais ou pelas trocas dentre as distribuidoras (Mecanismos de Compensação de Sobras e Déficits - MCSDs). Já no ACL, atuam geradores, comercializadoras, autoprodutores, consumidores livres e consumidores especiais. Os consumidores livres podem migrar para o ACL para consumir de qualquer fonte de energia, atendendo a requisitos de demanda contratada, e os consumidores especiais para migrar para o ACL devem comprar energia proveniente de fontes alternativas (PCHs, eólica, biomassa e solar) e com demanda contratada de, no mínimo, 0,5 MW. Os consumidores livres e especiais, quando compram energia de fontes alternativas, recebem um desconto na TUSD/TUST que pode variar de 100% a 50%, dependendo da fonte contratada. Para o consumidor, o atrativo para a migração para o ACL é a redução nos custos. As condições contratuais são negociadas entre as partes: preços, sazonalização, prazo, garantias, etc. Trata-se de um ambiente ; flexível, com customização e agregação de serviços.


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comercializadoras de energia

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4. 02 3 8 %

-2 %

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2013

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2012

0

1 2.6 4 % 25

0

4

4 4 % 2. 30

3

1 7 % 1. 64 5

4.500 4.000 3.500 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 500 0

0

AGENTES NA CCEE

1. 40

As alternativas de comercialização de energia elétrica para o gerador de energia: O gerador de energia elétrica também se depara com a necessidade de tomar uma decisão entre a venda de energia no ACR ou no ACL. A favor do ACR, tem-se que os contratos são mais longos e oferecidos para um pool de distribuidoras, a princípio, com menor risco de crédito, o que favorece a financiabilidade dos projetos. O ACR também pode representar uma via mais sujeita à intervenção regulatória, logo, composta por elementos fora do controle das contrapartes. Por exemplo, o preço teto dos leilões é estabelecido pelo governo, e o preço final depende da demanda requerida pelas distribuidoras. A título de exemplo, podemos citar a atual situação de sobras contratuais vivenciada pelas distribuidoras, decorrente do desaquecimento do mercado, fruto da crise econômica, e do aumento das migrações para o mercado livre, o que reduziu sobremaneira a demanda do último leilão de energia nova. Para o gerador, o ACL oferece mais oportunidades de customização de condições contratuais. Os prazos tendem a ser mais curtos, pois a visibilidade do mercado de cada cliente individual é menor que o horizonte percebido pelas distribuidoras. Além disso, em se tratando de geradores de fontes incentivadas, o subsídio do desconto na TUSD permite a oferta de energia a preços mais elevados. As comercializadoras desempenham um importante papel nesse contexto, uma vez que, por possuírem uma carteira diversificada de fornecedores e consumidores, conseguem mitigar os riscos inerentes à sazonalização e à flexibilidade contratual. De fato, as comercializadoras atuam “comprando no atacado” e “vendendo no varejo”. A composição de uma carteira diversificada de contratos de fornecimento, de fontes diversas, e de contratos de venda para clientes de variados setores lhes capacita a lidar com os riscos de geração e de consumo individuais, formando um robusto colchão de risco. Outro ponto que fala a favor do ACL é a possibilidade de aproveitar os melhores momentos de venda, quando o preço sobe. A característica hidrotérmica do sistema aumenta a volatilidade de preços, que vêm se tornando crescentemente dependentes da hidrologia. No ACL, é possível optar pelo momento da venda, o que não ocorre no ACR, no qual a data dos leilões é estabelecida pelo governo. Nesse tocante, a assessoria de uma comercializadora é também valorosa, pois é parte

Opiniões

2010

2011

CONSUMIDORES LIVRES (CIs) CONSUMIDORES ESPECIAIS (Ce) COMERCIALIZADOR OUTROS CRESCIMENTO CI e CE (a.a.)

2014

2015

2016 694 1.822 181 1.323

TOTAL 4.020

do seu negócio o monitoramento e a previsão dos preços de mercado. Uma alternativa também viável para o gerador é a utilização de um mix entre o ACR e o ACL, de tal forma a tirar proveito – ainda que parcialmente – dos benefícios de cada um dos ambientes. O potencial de crescimento do ACL: Atualmente, o mercado é composto por 49 distribuidoras, 181 comercializadoras, 1.274 geradores, 1.822 consumidores especiais, 694 consumidores livres, totalizando 4.020 agentes modelados. Em junho de 2016, o ACL representava 26% da energia do SIN – Sistema Interligado Nacional. Esse percentual vem crescendo, porém o crescimento mais flagrante é observado no número de consumidores. Ao longo do último ano, observou-se um crescimento significativo no volume de migrações de consumidores especiais para o mercado livre. De dezembro de 2015 a julho de 2016, o número de consumidores livres e de consumidores especiais cresceu 38%, representando 690 novos consumidores no ACL. Esse fenômeno decorreu da combinação da elevação das tarifas reguladas, com a crise econômica e a redução de preços no ACL. A diminuição de preços no ACL foi provocada pela melhoria nas condições hidrológicas, pela instalação do fenômeno meteorológico El Niño, que trouxe mais chuvas para os subsistemas das regiões Sul e Sudeste/Centro-Oeste, bem como pela redução da carga, decorrente da recessão econômica brasileira, permitindo o enchimento dos reservatórios e a queda no preço de curto prazo. A migração para o ACL despontou como uma opção de redução de custos para os consumidores, em um oportuno momento, dado o cenário adverso que o País enfrenta. Considerações finais: A comercialização de energia elétrica proveniente da cogeração tem um futuro promissor. Há reais alternativas, oferecendo um terreno fértil de crescimento. A sua participação da matriz elétrica é significativa, mas poderia ser ainda mais explorada. Para o consumidor, trata-se de energia limpa, capaz de reduzir custos. Para o gerador, se constitui excelente alternativa para o aumento da rentabilidade. E para a sociedade brasileira, que desponta como a maior beneficiária, a bioeletricidade gera renda, emn prego e diminui as desigualdades regionais.


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Opiniões

biogás a partir da biodigestão da vinhaça Em setembro de 2015, um projeto piloto foi iniciado em uma destilaria brasileira para produzir biogás a partir da biodigestão da vinhaça. Após meses de operação, os resultados são promissores, e o sistema ainda está em funcionamento. A primeira planta anaeróbica na indústria sucroalcooleira brasileira foi instalada em 1986 e operou com sucesso por 10 anos. Após um longo hiato, o setor renova o interesse no assunto. O fornecedor, empresa holandesa com filial no Brasil, é especializado no tratamento anaeróbico de efluentes e dessulfurização biológica de biogás, com mais de 1.000 reatores anaeróbios e 180 purificadores de biogás instalados em 60 países. Biodigestão anaeróbia da vinhaça: A vinhaça de destilarias brasileiras usando caldo de cana e/ou melaço é rica em nutrientes, como nitrogênio, fósforo e potássio, e, normalmente, é aplicada sobre os canaviais na fertirrigação. Além desses nutrientes, a vinhaça contém compostos orgânicos (ácidos orgânicos, álcoois, glicerol) que são convertidos em metano por bactérias anaeróbias. Isso significa que a vinhaça é fonte de energia renovável. Através da produção dessa energia, destilarias podem obter retorno financeiro e contribuir para um ambiente sustentável. O biogás produzido pode ser usado em caldeiras (substituindo o bagaço), motores estacionários para gerar energia elétrica ou como combustível na frota de caminhões e tratores (substituindo o diesel).

A geração de biogás a partir da biodigestão da vinhaça em reatores anaeróbios não é algo novo e já foi realizada com sucesso no passado. O primeiro reator anaeróbio UASB no Brasil foi instalado na Usina São João, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, em 1986, para tratar 33% da vinhaça gerada pela usina, e o biogás foi purificado e utilizado como combustível de sua frota de caminhões. O UASB foi operado com sucesso por 10 anos, até o projeto ser encerrado, devido a mudanças na legislação que incentivava o uso do biogás como combustível pelas usinas. Normalmente, as tecnologias aplicadas para o tratamento anaeróbio da vinhaça são reatores UASB, digestores convencionais e lagoas cobertas. Todos eles caracterizam-se pela baixa taxa de aplicação, o que significa que um volume muito grande de reator (ou lagoa) é necessário para cada m³ de vinhaça a ser tratada. Considerando-se uma vinhaça com concentração de DQO de 30 g/l, o volume de reator necessário para tratar cada 1 m³/dia de vinhaça pode variar de 3 m³ (UASB) até 15 m³ (lagoa). Nos últimos anos, foram desenvolvidos novos tipos de reatores anaeróbios, que se caracterizam por maiores taxas de aplicação, o que significa menor volume de reator para tratar a mesma quantidade de DQO. Um dos mais conhecidos reatores de alta taxa é o reator de circulação interna (também conhecimento por IC – do ingles, internal circulation).

O retorno no investimento varia de 3 a 7 safras, dependendo da aplicação do biogás gerado. Após a biodigestão, a vinhaça continua apta a ser utilizada na fertirrigação, já que seus nutrientes (nitrogênio, fósforo e potássio) não são removidos durante o processo de geração do biogás. "

Sérgio Ramos da Cruz Diretor da Paques Brasil

A quantidade de biogás produzido a partir de 1 m³ de vinhaça varia entre 7 e 15 Nm³. Isso corresponde a 37~78 kW de energia térmica ou 17~37 kW de energia elétrica. A produção de biogás depende da concentração de DQO (demanda química de oxigênio) na vinhaça. A concentração de DQO é uma medida expressa em mg/l de oxigênio, que é a quantidade de oxigênio necessária para oxidar quimicamente todos os compostos orgânicos a água e a dióxido de carbono. A concentração de DQO na vinhaça depende, predominantemente, da matéria-prima utilizada. No Brasil, caldo de cana ou caldo de cana misturado com melaço são, normalmente, usados como matéria-prima.

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O reator de alta taxa de circulação interna (IC) demonstra-se apropriado para o tratamento da vinhaça. Desde setembro de 2015, um reator IC com 80 m³ de volume está sendo testado em uma destilaria brasileira usando caldo de cana misturado com melaço. A capacidade de conversão já atingiu 20 kg de DQO por m³ de volume de reator por dia, o que significa que, para tratar cada 1 m³/dia de vinhaça, menos de 1,5 m³ de volume de reator é necessário, assumindo-se uma concentração de DQO de 30 g/l. Isso significa que o volume do reator será duas vezes menor comparado a um UASB e 10 vezes menor comparado ; a uma lagoa coberta.


fornecedores do sistema

Reator de demonstração instalado em destilaria no Brasil

O efluente a ser tratado (1) é bombeado para a linha de alimentação do reator, onde é misturado com a biomassa e com o efluente recirculados a partir do separador de biomassa (4) pela bomba de recirculação. A mistura de efluente recirculado e efluente bruto entra no reator através do sistema de distribuição (2), que garante a distribuição uniforme do efluente no fundo do reator e favorece a mistura com a biomassa. O efluente recirculado produz alcalinidade, evitando flutuações de pH e também dilui a DQO do influente, criando condições ideais para a biomassa e zerando o consumo de soda cáustica.

Esquema de funcionamento - reator de Circulação Interna: 1: Influente 2: Sistema de distribuição 3: Separador de gás 4: Separador de biomassa 5: Efluente 6: Biogás

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Opiniões Após o efluente ser distribuído na parte inferior, ele flui para cima, passando pelo leito expandido de biomassa, onde os componentes orgânicos são convertidos em biogás pelas bactérias do lodo granulado. As bolhas de biogás sobem para o headspace do reator, onde são coletadas, e saem pela saída de biogás (5). O efluente final (6) sai do reator depois de passar por um separador de gás e por um separador de biomassa. Isso garante a retenção completa da biomassa dentro do reator. As principais características desse tipo de reator são: • Design modular que se encaixa em uma ampla gama de tamanhos de tanque. Isso torna possível instalá-lo em tanques existentes; • Taxa de aplicação elevada devido à alta concentração de biomassa e alto nível de biomassa no reator; • Sem emissões de odor, por ser completamente fechado; • Excelente retenção de biomassa em 2 estágios. Há produção de biomassa, e não perda; • Bicos para limpeza do separador de biomassa, o que significa baixa necessidade de manutenção e nenhum risco de entupimento. Dessulfurização do biogás: A vinhaça, normalmente, contém alta quantidade de sulfato devido ao uso de ácido sulfúrico no processo produtivo. Durante a biodigestão, o sulfato é convertido a sulfeto no reator anaeróbio, o que resulta em uma quantidade significativa de sulfeto de hidrogênio (H2S) no biogás. O sulfeto de hidrogênio é extremamente corrosivo e precisa ser retirado do biogás antes que ele possa ser utilizado em uma caldeira ou motor. Para a remoção do H2S do biogás, é necessária a instalação de um dessulfurizador, que consiste, basicamente, de um lavador de gases e um de biorreator. O biogás contendo H2S é lavado no lavador, que é preenchido com mídia de suporte. Para a lavagem, uma solução alcalina é pulverizada sobre essa mídia na parte superior do lavador, entrando em contato com o biogás, que entra por baixo. O sulfeto de hidrogênio passa, então, da fase gasosa para a fase líquida, e o biogás tratado deixa o lavador. A solução alcalina contendo sulfeto flui por gravidade do lavador para o biorreator, onde entra em contato com bactérias específicas que, na presença de oxigênio, convertem o sulfeto em enxofre elementar. A água de lavagem regenerada do biorreator é, então, conduzida de volta ao lavador para remover mais H2S do biogás. O enxofre formado no biorreator é descarregado através de um tanque de sedimentação, deixando o sistema como um lodo de enxofre concentrado de alta pureza, que pode ser utilizado como fertilizante ou fungicida. Um dessulfurizador biológico foi instalado em julho de 2016, na mesma destilaria, para remover o H2S do biogás gerado pelo reator IC. Com isso, a partir da vinhaça, será gerado um biogás sem H2S, pronto para ser utilizado. O próximo passo desse projeto é remover o CO2 do biogás, secar e comprimir o biometano resultante, e utilizá-lo como combustível para um caminhão da frota da usina. O retorno no investimento varia de 3 a 7 safras, dependendo da aplicação do biogás gerado. Após a biodigestão, a vinhaça continua apta a ser utilizada na fertirrigação, já que seus nutrientes (nitrogênio, fósforo e potássio) não são removidos durante o processo de geração do biogás. n


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ensaio especial

Opiniões

precisamos redirecionar essa A evolução da economia global pode ser organizada em capítulos marcados pela utilização de diferentes fontes de energia. Tamanha é a importância do acesso e do controle de fontes de recursos energéticos, assim como da capacidade de transporte e de armazenamento, que estes se firmaram como elementos de poder, tanto no âmbito político, como no comercial e no militar. De fato, o controle sobre a obtenção e a distribuição de energia foi reconhecido como um importante determinante da supremacia de países nas grandes guerras. No período pós II Grande Guerra, o petróleo e seus derivados apresentaram destacado aumento na participação do total de energia consumida no contexto mundial, monopolizando o mercado de transporte, que também apresentou um rápido crescimento, tendo penetrado também, rapidamente, no mercado de energia.

Em relatório apresentado pelo Climate Vulnerability Monitor, um estudo comissionado por vinte governos estima que, atualmente, 400.000 pessoas morrem a cada ano devido a mudanças climáticas, sendo 98% nos países do hemisfério sul. "

Heloisa Lee Burnquist

Professora de Economia, Administração e Sociologia da Esalq-USP

O carvão cedeu espaço ao petróleo e ao gás natural, que se estabeleceram como a primeira geração de recursos energéticos utilizados em escala global, Isaias de envolvendo um número expressivo de países, crescendo em o Energético da Unicamp escala tanto em terra, como na água. Nesse contexto, a segurança das cadeias de abastecimento é urgente, e a garantia de sua eficiência requer a colaboração entre países produtores e consumidores. A formação de gargalos críticos na distribuição pode resultar de vulnerabilidades, seja devido a acidentes ou a ataques terroristas e a conflitos militares.

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história

A tendência desenvolvida nos mercados de energia manteve-se praticamente inalterada até 1972, quando foi quebrada por uma crise essencialmente política, resultando em aumento substancial dos preços mundiais do petróleo. Desde então, rupturas frequentes nos mercados de energia têm sido causa e/ou resultado de crises geopolíticas, com potencial para desequilibrar a estabilidade socioeconômica e política em um contexto global. Além disso, ao longo desse período, a preocupação com impactos ambientais passou a estimular a identificação de fontes alternativas e menos poluentes que os derivados de petróleo. De fato, o destino ambiental do ; planeta começou a dar sinais assustadores.


ensaio especial Em relatório apresentado pelo Climate Vulnerability Monitor, um estudo comissionado por vinte governos estima que, atualmente, 400.000 pessoas morrem a cada ano devido a mudanças climáticas, sendo 98% nos países do hemisfério sul. Esses números caracterizam um verdadeiro genocídio em progressão, resultante do aquecimento global. Análises destacam ainda que oferta e comércio de energia são fatores centrais a muitos dos problemas geopolíticos atuais, desde os confrontos entre Rússia e Ucrânia até a luta contra a ISIS e a estabilidade dos países do Oriente Médio. Dessa forma, a compreensão do complexo “mundo energético” requer um preparo profundo quanto aos desenvolvimentos políticos, tecnológicos e de mercados e suas inter-relações. A tecnologia, grande promotora do crescimento global, ao longo das últimas décadas, também define a necessidade dos diferentes tipos de energia. Em período recente, a tendência de aumento da demanda global por energia vem se acelerando, enquanto as fontes tradicionais de oferta – com destaque para os derivados do petróleo – apresentam uma clara redução, ao que se deve somar o reconhecimento das implicações das mudanças climáticas provocadas pelo impacto ambiental negativo de fontes tradicionais de energia – que precisam ser evitadas. Outro aspecto preocupante é a dependência de energia externa pela grande maioria dos países, enquanto a concentração da sua produção restringe-se a cerca de 20 produtores. Aparentemente, os desafios nunca foram tão grandes, tampouco o risco intrínseco a medidas pouco fundamentadas foi tão expressivo. Não é difícil entender, portanto, a busca pela diversificação das fontes e pelo desenvolvimento de tecnologias que permitam o uso eficiente – tanto em termos econômicos, como tecnológicos – de novas fontes de energia. Recentemente, Paul Krugman, Nobel em Economia, abordou a questão com um certo otimismo na imprensa norte-americana. Segundo ele, a “salvação” do mundo de uma catástrofe climática é algo que já pode ser considerado uma realidade. Mais especificamente, Krugman acredita que uma revolução energética pode ser promovida sem que, para tal, seja necessário qualquer revolução política. O rápido avanço tecnológico na área provocou uma redução no preço das alternativas energéticas disponíveis, de forma que, ao contrário do que muitos acreditam, uma drástica redução nas emissões de gás estufa não envolve, necessariamente, sacrifícios econômicos devastadores para o crescimento econômico. No entanto, a falha em atingir tal “salvação” também é uma possibilidade real, principalmente quando não se atribui o poder de decisão política às pessoas certas. O Brasil é um case para explorar a discussão iniciada por Krugman, e o objetivo deste artigo é provocar (mais uma) discussão a esse respeito, identificando variáveis estratégicas para alavancar uma nova fase de valorização do potencial da cana-de-açúcar na geração de bioenergia no País. Há cerca de uma década, os cenários para o sucroalcooleiro brasileiro indicavam que, em pouco tempo, este estaria “surfando” na onda das energias renováveis, seja em função de sua habilidade

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Opiniões com a produção de biocombustível, seja devido ao potencial na geração de bioeletricidade. No entanto, embora saindo na frente, o País não conseguiu avançar e ser reconhecido como um exemplo a ser seguido por outros países, principalmente pela centena de países produtores de cana-de-açúcar. Ou seja, faltou liderança e estabilidade para estabelecer arranjos geopolíticos e viabilizar a exploração de recursos naturais – no caso, a cana – para a produção de energia sustentável e menos poluente. Quais os motivos? Dentre os aspectos apontados com maior frequência, em pesquisa acadêmica e na mídia, identificamos que, além do setor sucroalcooleiro ser de base agrícola, sujeito, portanto, a oscilações na produção em função de ciclos e condições climáticas, segundo Barbosa Cortez, professor da Unicamp, "A falta de planejamento do governo é a principal causa para a crise do etanol[...] O governo só toma medidas esporádicas, que não resolvem o problema pela raiz.". De 2008 a 2012, mais de 40 usinas deixaram de funcionar, sendo 30 apenas entre 2011 e 2012, de acordo com a Unica – União da Indústria de Cana-de-Açúcar. Preços e Erros de política pública. Para Paiva Gouveia, presidente do Sincopetro, hoje só abastece com etanol quem é muito preocupado com o meio ambiente. "É uma minoria. A maioria está bem mais preocupada com o bolso." O etanol perdeu a disputa nos postos por causa da interferência do governo no valor da gasolina. "Se a ideia é voltar a valorizar o etanol, não se pode mais usar a gasolina para fazer política econômica", diz Gouveia. Crise financeira, menor oferta e precificação: “A crise financeira internacional de 2008 encolheu os créditos e ampliou os custos de plantio, tornando a produção mais cara”, diz Pádua Rodrigues, Diretor Técnico da Unica. "É preciso aumentar a oferta (nos postos), garantindo um preço (que cubra os custos dos produtores) e a vantagem para os consumidores. [...] precisamos de uma campanha de valorização, que vá além do preço e mostre as externalidades positivas do etanol, como (as vantagens) ambientais", complementa Pádua. Queda na produtividade e colheita mecanizada: "A produção de cana caiu de 86,6 toneladas por hectare, em 2006, para 74,7, em 2012... A máquina reduz o custo total, mas o corte mecânico acaba desperdiçando parte da cana por não cortar tão rente ao solo, como o manual" , diz Barbosa Cortez. Para finalizar, destacamos uma frase que parece resumir muito bem o que passou a se desenvolver a partir de 2013: “A história recente do etanol no Brasil pode ser comparada a um filme cujo roteiro é marcado por mudanças repentinas. As primeiras cenas mostram o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva alardeando em todo o mundo o produto feito de cana-de-açúcar como uma alternativa sustentável aos combustíveis fósseis e algo que poderia mudar a economia nacional.” Na sequência, tem-se uma reviravolta surpreendente, com o País sem etanol suficiente para exportar e, no âmbito doméstico, carros flex sendo abastecidos sempre com gasolina, por custar menos que o etanol. No outro extremo da cadeia, o setor vem enfrentando o fechamento sistemático de usin nas. Precisamos redirecionar essa história.


GRANDES BATALHAS SÃO DADAS A GRANDES GUERREIROS

Conheça a força dos GIGANTES da TESTON.

A colheita da cana-de-açúcar sempre foi uma das atividades naturalmente mais pesadas para o homem, e continua sendo uma batalha que exige muito da engenharia moderna, da tecnologia e das indústrias. Com grande experiência adquirida através de anos de trabalho na lavoura, a TESTON reuniu uma equipe de engenheiros especializados para criar um implemento que atendesse as necessidades que encontravam na prática, e que o mercado não atendia. Assim surge os GIGANTES, que apesar de ter a maior capacidade de carga do mercado, possuem peso reduzido, baixo índice de compactação do solo, sistema avançado de eixos e bitola regulável, que permite curvas fechadas e estabilidade nas manobras até mesmo em terrenos declivosos. São 22 toneladas de capacidade que agilizam a colheita e enfrentam qualquer terreno. Visite www.teston.com.br e conheça os GIGANTES da Teston.

Maior agilidade nas manobras. Reduz o risco de acidentes. Tempo de transbordo reduzido em até 40%. Consumo reduzido de óleo diesel.

Rodovia PR 323 - Km 218 | Cianorte - PR | CEP 87200-000 | Telefone: (44) 3351-3500 | www.teston.com.br

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Toda a energia da cana - OpAA49  

Será que existe algo do qual possa se retirar tão múltipla quantidade e qualidade de energia? Elétrica, veicular, animal, humana... líquida,...

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