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ISSN: 2177-6504

SUCROENERGÉTICO: cana, açúcar, etanol & bioeletricidade abr-jun 2012

o desenvolvimento do conhecimento

científico no setor sucroenergético


índice

o desenvolvimento do conhecimento científico no setor sucroenergético

Editorial:

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Gustavo Leite

Diretor-superintendente do CTC

Ensaio Especial:

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Os Mecenas: Pedro Parente

Presidente do Conselho da UNICA e da Bunge

Luís Roberto Pogetti

Presidente do Conselho do CTC e da Copersucar

Pedro Isamu Mizutani Vice-Presidente da Raízen

Jaime José Stupiello

Diretor Agrícola da Açúcar Guarani - Grupo Tereos

Ismael Perina Junior Presidente da Orplana

Osmar Figueiredo Filho Diretor Comercial do CTC

Márcia Regina Frasson

Gerente de Desenvolvimento Organizacional e Humano do CTC

Os Cientistas:

24 27 30 34 37 38 40

Jorge Luis Donzelli

Gerente de Desenvolv Estratégico Agrícola do CTC

Oswaldo Godoy Neto

Gerente de Pesquisa Tecnológica do CTC

Jaime Finguerut

Gerente de Desenvolv Estratégico Industrial do CTC

José Ricardo Medeiros Pinto Pesquisador do CTC

Célia Araújo Galvão Pesquisadora do CTC

Marcelo de Almeida Pierossi

Especialista em Tecnologia Agroindustrial do CTC

Sabrina Moutinho Chabregas

Gerente de Pesquisa Tecnológica do CTC

42 44 46 50 52 55 58 60

Antonio Celso Joaquim Pesquisador do CTC

Karine Miranda Oliveira Pesquisadora do CTC

Arnaldo José Raizer

Gerente de Pesquisa Tecnológica do CTC

Suleiman José Hassuani

Gerente de Pesquisa Tecnológica

Marcos Virgílio Casagrande

Gerente-Técnico de Produto do CTC

Rodrigo Mahlmann de Almeida Líder Regional de Produto do CTC

Fernando Cesar Páttaro

Líder Regional de Produto do CTC

Joedes Luiz Marques Ferreira Zuza Líder Regional de Produto do CTC

Editora WDS Ltda e Editora VRDS Brasil Ltda: Rua Jerônimo Panazollo, 350 - 14096-430, Ribeirão Preto, SP, Brasil - Pabx: +55 16 3965-4600 - e-Mail Geral: opinioes@revistaopinioes.com.br Diretor de Operações: William Domingues de Souza - 16 3965-4660 - wds@revistaopinioes.com.br - Coordenação Nacional de Marketing: Valdirene Ribeiro Domingues de Souza - 16 3965-4606 - vrds@revistaopinioes.com.br - Gerência Administrativa-Financeira: Luis Paulo Gomes de Almeida - 16 3965-4616 - lp@revistaopinioes.com.br - Vendas: • Priscila Boniceli de Souza Rolo 16 3965-4698 - pbsc@revistaopinioes.com.br • Beatriz Furukawa - 16 3965-4616 - bf@revistaopinioes.com.br • Apoio a Vendas: Lilian Restino- 16 3965-4696 - lr@revistaopinioes.com.br Jornalista Responsável: William Domingues de Souza - MTb35088 - jornalismo@revistaopinioes.com.br - Estruturação Fotográfica: Priscila Boniceli de Souza Rolo - 16 9132-9231 - boniceli@ globo.com - Projetos Futuros: Julia Boniceli Rolo - 16 9777-0508 - juliaBR@revistaopinioes.com.br - Projetos Avançados: Luisa Boniceli Rolo - 23042012 - luisaBR@revistaopinioes.com.br Freelancer da Editoria: Aline Gebrin de Castro Pereira - Consultoria Juridica: Priscilla Araujo Rocha - Correspondente na Europa (Alemanha): Sonia Liepold-Mai - +49 821 48-7507 - sl-mai@Tonline.de - Desenvolvimento de Mercados na Ásia: Marcelo Gonçalez - mg@revistaopinioes.com.br - Expedição: Donizete Souza Mendonça - dsm@revistaopinioes.com.br - Copydesk: Roseli Aparecida de Sousa - ras@revistaopinioes.com.br - Agência de Propaganda: Agência Chat Publicom - Fone: 11 3849-4579 - Tratamento das Imagens: Luis Carlos Rodrigues (Careca) - Finalização: Douglas José de Almeida - Impressão: Grupo Gráfico São Francisco, Ribeirão Preto, SP - Artigos: Os artigos refletem individualmente as opiniões de seus autores - Fotografias gerais de Ilustrações: Acervo CTC - Foto da Capa: Acervo Revista Opiniões - Capa do Índice: Acervo CTC - Periodicidade: Trimestral - Tiragem da Edição: 8.500 exemplares - Veiculação: Comprovada por documentos fiscais de pagamento da Gráfica e de Postagem dos Correios - Edição online: Leia online em nosso site a revista original, tal qual como foi impresa. Estão disponíveis todas as edições de todos os setores desde o lançamento - Home-Page: www.RevistaOpinioes.com.br

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editorial

reinventando o

CTC

Inovação é a questão central da competitividade de qualquer país. Em um mundo cada vez mais tecnológico, ela é o principal fator de diferenciação entre líderes e seguidores, sem a qual não há verdadeira prosperidade econômica. Com isso em mente, o CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, embarca numa nova era, visando dobrar a taxa de inovação e competitividade da indústria sucroalcooleira nacional. Com 42 anos de existência, o Centro de Tecnologia Canavieira – o mais importante centro de pesquisas de todo o mundo na área –, contribuiu com diversas inovações que trouxeram ao setor sucroalcooleiro nacional imensos ganhos de produtividade, tanto nas atividades agrícolas, quanto nas da indústria. Nesse período, viu-se a produtividade agroindustrial sair de 2.600 para mais de 7.000 litros de etanol por hectare, enquanto seu custo de produção caiu de cerca de R$ 3,00 para menos de R$ 1,00 por litro. Novas variedades possibilitaram a expansão dos canaviais brasileiros por novos 3 milhões de hectares. As diversas tecnologias e produtos desenvolvidos pelo CTC geraram ganhos de mais de R$ 500 bilhões para o setor, nessas quatro décadas.

Há algum tempo, porém, o setor passa por importantes mudanças, a maioria delas vindas no bojo das possibilidades oferecidas pelo bioetanol. Diferentemente do que ocorria há uma década, hoje existe um sem-número de empresas globais atuando num setor outrora quase exclusivamente formado por grupos nacionais de pequeno e médio portes. O desenvolvimento tecnológico, especialmente através da biotecnologia, proporcionou saltos de produtividade a diversas culturas, especialmente ao milho e à beterraba, alternativas para a produção de etanol e açúcar nos Estados Unidos e na Europa, respectivamente. Nos últimos 15 anos, a produtividade dessas duas culturas cresceu de três a quatro vezes mais que a da cana. Além disso, a complexidade do material genético da cana – que tem de três a quatro vezes mais cromossomos que a maioria das outras culturas – torna seu desenvolvimento particularmente caro e moroso: uma variedade de qualidade leva de 10 a 15 anos para ser desenvolvida, a um custo aproximado de R$ 150 milhões. A despeito do elevado custo de seu desenvolvimento, o volume de recursos aplicados no desenvolvimento do material genético da cana é muito baixo. Representa menos que 0,3% dos custos

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as diversas tecnologias e produtos desenvolvidos pelo CTC geraram ganhos de mais de R$ 500 bilhões para o setor, nessas quatro décadas "

Gustavo Leite Diretor-superintendente do CTC

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Opiniões de produção da cana, enquanto, em outras culturas, como o milho ou a soja, fica entre 10 e 15%. Ao todo, são menos de R$ 100 milhões por ano, sob a forma de royalties, contribuições e outras formas de dotação. Enquanto isso, apenas as seis principais multinacionais do ramo de melhoramento genético investem, anualmente, cerca de US$ 3 bilhões. A maioria desses recursos é direcionada às culturas de milho e soja, em função da escala global ocupada por essas culturas (6 a 8 vezes maior que os cerca de 20 milhões de hectares de cana plantados no mundo), de sua importância para os seus países de origem e por se tratar de material genético mais fácil de se manipular. Assim, é mandatório que aumentemos substancialmente os recursos dedicados à pesquisa e ao desenvolvimento, bem como os usemos de maneira mais seletiva. Aliados ao potencial único da cana para converter energia e às características das terras brasileiras, tais recursos serão fator primordial para assegurar a liderança da indústria sucroalcooleira do Brasil. Para encarar tal desafio, uma nova estratégia se fez imperativa, e o primeiro passo foi transformar o CTC em uma sociedade anônima, cujos acionistas – produtores de açúcar, etanol e cana –, juntos, respondem por 60% da capacidade de moagem do País. Tal arquitetura possibilitará alianças que tragam mais recursos tecnológicos e financeiros ao CTC. O passo seguinte foi o desenvolvimento de um plano de negócio que possibilitasse ao CTC entregar, de maneira economicamente sustentável, os ganhos de produtividade tão almejados. Tal plano, aprovado no primeiro trimestre deste ano, baseia-se em três pilares: 1. concentrar o foco nas atividades onde o CTC tem excelência e posição única; 2. assegurar sua sustentabilidade econômica; e 3. estabelecer parcerias com empresas de tecnologia de ponta.

Dessa forma, uma das áreas de foco escolhidas foi o Melhoramento Genético, uma vez que o CTC detém o maior banco de germoplasma de cana-de-açúcar do mundo e papel destacado nos campos do melhoramento convencional e da biotecnologia aplicados à cana. A segunda área de enfoque, Novas Tecnologias, explorará tecnologias disruptivas de segunda geração, com destaque para o etanol celulósico. A sustentabilidade econômica e o custeio das pesquisas virão através da divisão dos ganhos gerados pelas tecnologias do CTC junto a seus clientes. Seja através de royalties cobrados pelo uso das nossas variedades, seja pelos ganhos advindos de tecnologias industriais de segunda geração, o CTC só será viável se sua produção de conhecimento gerar valor adicional ao setor. Através do conhecimento integrado da cadeia de valor sucroalcooleira, o CTC domina cada fase do processo produtivo, do desenho das plantas aos diversos produtos finais delas extraídos. Isso nos dá um papel estratégico único na integração de novas tecnologias ao setor. Tal vantagem abre a oportunidade para o estabelecimento de alianças que viabilizem o aporte tecnológico e financeiro necessário para assegurar a competitividade da indústria sucroalcooleira do Brasil. Como uma usina de produção de ideias, as pessoas e a forma de elas interagirem são o maior diferencial do CTC. Com isso em mente, investiremos pesadamente no contínuo aprimoramento de nosso pessoal, bem como na atração de talentos daqui e de outras partes do mundo. A história do CTC, bem como nosso entendimento da necessidade de “reinventá-lo”, nos dá a confiança de que a missão à frente, por mais desafiadora que seja, está ao alcance de nossa competência. Assim, desejo a todos um excitante futuro, muito sucesso e... mãos à obra!

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os mecenas

Opiniões

o futuro da

tecnologia

no sistema sucroenergético Como acontece em todos os setores industriais, a tecnologia tem um papel fundamental na indústria da cana-de-açúcar. Apesar da aparente simplicidade das operações desenvolvidas há décadas, seja no campo ou na indústria, existe uma revolução tecnológica em marcha no campo, na indústria e no mercado de produtos derivados da cana, de que muitos não se dão conta. Novas variedades de cana-de-açúcar, sistemas de plantio mecanizados, trato da cultura agrícola com o apoio de sistemas georreferenciados e mapas de satélites, reciclagem de bioderivados do processo produtivo por meio de fertirrigação e compostagem, combate biológico a pragas e colheita mecanizada estão entre os setores onde a inovação tecnológica tem avançado na atividade agrícola, que precisa progredir cada vez mais. Afinal, essa é a área mais sensível e complexa do setor sucroenergético, na qual os elementos da natureza necessitam ser compreendidos, respeitados e utilizados com sabedoria, em favor da produção e da produtividade. Sem tecnologia, a atividade agrícola estagna, decai e pode perder sua significância estratégica e econômica. Isso vale também para sistemas de produção de cana orgânica, em que o avanço contínuo do conhecimento relativo aos elementos que integram o sistema produtivo é determinante para o seu desenvolvimento.

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a atividade agrícola (...) é a área mais sensível e complexa do setor sucroenergético, na qual os elementos da natureza necessitam ser compreendidos, respeitados e utilizados com sabedoria, em favor da produção e da produtividade " Pedro Parente Presidente do Conselho de Administração da UNICA e Presidente da Bunge Brasil

Na indústria, a inovação tecnológica não é menos importante, e a busca por redução de custos, aumento da eficiência operacional e desenvolvimento de novos produtos forma a base do que se convencionou chamar de biorrefinaria. A diferença entre uma usina convencional e uma biorrefinaria não é apenas semântica. A biorrefinaria é um conceito onde a produção é planejada de forma a possibilitar sinergias e a integração dos processos industriais para a fabricação de um portfólio de produtos, de forma otimizada e lucrativa, o que necessita ocorrer simultaneamente com a minimização do consumo de matérias-primas, insumos e recursos naturais e a redução ou a eliminação de resíduos e poluentes.


os mecenas Na biorrefinaria, é possível associar processos de produção de etanol de primeira geração com tecnologias que vêm sendo desenvolvidas para produção de etanol de lignocelulose (etanol de segunda geração), de butanol e de diversos hidrocarbonetos. Também podemos combinar a energia térmica e elétrica gerada pela combustão do bagaço e da palha da cana com a energia do biogás derivado do tratamento da vinhaça em biodigestores. Sobrou bagaço? Não tem problema, pois existem diversas possibilidades para o seu aproveitamento. As alternativas cobrem desde a utilização do produto para alimentação de gado até a produção de pellets e de briquetes para uso como combustível em fornalhas, passando por seu uso para a fabricação de painéis de aglomerado, papel e produtos de artesanato. Outra possibilidade é a gaseificação do bagaço para produção de gás de síntese, matéria-prima para a produção de diversas substâncias de interesse industrial. Igualmente, pode-se também pensar na pirólise, outra tecnologia que pode produzir óleos, gases e materiais sólidos que podem ter diversas utilidades. É oportuno lembrar que praticamente todos os produtos consumidos atualmente têm, em sua composição ou fabricação, vários produtos químicos que podem ser derivados da biomassa da cana. É a química verde chegando, o que representa uma oportunidade para poder reduzir a extrema dependência do mundo em relação às matérias-primas fósseis, que são finitas e contribuem para a emissão de gases de efeito estufa. Avanços no campo também trazem inovação no processamento industrial da cana. Por exemplo, o desenvolvimento da colheita mecanizada requer mudanças no processo de limpeza da cana antes de sua moagem, com a substituição da lavagem úmida por limpeza a seco. Essa mudança de tecnologia não apenas atende às necessidades de limpeza da cana picada, pois limita as perdas de açúcares, mas também economiza grandes volumes de água, recurso cada vez mais escasso e que precisa ser preservado. Tudo isso não é ficção. Diversas empresas do setor sucroenergético já utilizam muitas das tecnologias e conceitos aqui mencionados, representando uma aproximação real do ideal da biorrefinaria. Outras estão atentas às oportunidades que a tecnologia oferece e sabem que precisam evoluir para garantir a sobrevivência. O mercado de produtos derivados da cana também é solo fértil para o desenvolvimento tecnológico, que evolui continuamente. O etanol não é apenas um combustível que pode ser utilizado puro ou misturado à gasolina em automóveis e motocicletas. Seu uso já chega também a aviões agrícolas e motores a diesel, sozinho ou combinado com óleo diesel em motores bicombustíveis. Também pode ser utilizado em turbinas para geração de energia elétrica e em pequenas caldeiras, onde substitui o gás liquefeito de petróleo ou o gás natural, sempre com vantagens ambientais. O açúcar não é mais apenas alimento. É, também, matéria-prima para a produção do PHB, plástico biodegradável que, gradualmente, vem ganhando atenção. Polietileno verde e PET derivado de planta, ambos produzidos a partir do etanol, são expressões que viraram marcas do novo século e que já se con-

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Opiniões solidam como casos de sucesso no setor de plásticos. Em futuro próximo, teremos o polipropileno verde e o PVC ecológico, produtos também produzidos a partir do etanol. O mercado de bioplásticos vem crescendo rapidamente e representa hoje uma interessante oportunidade para os produtores de etanol em relação ao mercado de combustíveis. Enquanto empresas do porte da Braskem, Dow e Solvay dominam as tecnologias de produção de bioplásticos, outras, não menos importantes, como Coca-Cola, Johnson&Johnson, Danone e Heinz, vêm promovendo o uso desses produtos em grande escala nas suas embalagens. Outros produtos derivados da cana vêm sendo produzidos em escala piloto e testados. São substâncias com aplicação nas áreas de lubrificantes, cosméticos, produtos farmacêuticos, aditivos químicos e combustíveis aeronáuticos, com elevado valor agregado e que poderão se tornar, em menos de uma década, fontes de lucro para o setor sucroenergético, que, até lá, talvez possa vir a ser chamado de sucroquimicoenergético. O potencial de inovação no setor de açúcar e de bioenergia, a capacidade de alavancar novas tecnologias e de aumentar a produtividade e a excelência industrial geram empregos e riquezas com novos usos para produtos derivados da cana, que, antes, pareciam inimagináveis e, hoje, já são possíveis. Algumas empresas do setor no Brasil já se movimentam na busca dessa tecnologia e criam alternativas produtivas, como a utilização de microalgas altamente eficientes que, por meio de reações químicas, convertem açúcares em óleos especiais utilizados na produção de detergentes e sabões. São óleos customizados, que, antes, precisavam ser importados e, agora, podem ser produzidos no Brasil, a partir do açúcar extraído da nossa cana. Esse mesmo tipo de tecnologia também está sendo testada na produção de biodiesel. Diversas empresas, centros de pesquisa e agências governamentais que financiam pesquisa e desenvolvimento tecnológico estão engajados na busca por soluções inovadoras para os desafios que o setor sucroenergético enfrenta. O esforço é grande, mas os recursos ainda são muito pulverizados e relativamente modestos em comparação com as reais necessidades de um setor em que o Brasil se destaca há vários anos e é motivo de orgulho. É preciso, portanto, que políticas públicas e iniciativas público-privadas, voltadas para a inovação tecnológica na indústria da cana-de-açúcar, sejam ampliadas para expandir o leque de iniciativas já em andamento e estender a sua aplicabilidade para um horizonte de médio e longo prazo. O futuro para a tecnologia na indústria da cana-de-açúcar já chegou e pode ser visto em todas as áreas de suas atividades e na cadeia de valor de seus produtos. As perspectivas em médio prazo são de que o setor volte a crescer e se fortaleça para desempenhar o papel que deve ter na economia nacional, gerando, cada vez mais, empregos, renda e benefícios ambientais. Não podemos esquecer que, se por um lado, recursos financeiros são vitais para o desenvolvimento da indústria da cana-de-açúcar, por outro, o capital humano e a tecnologia são o cérebro e os músculos dessa atividade.


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Opiniões

a importância da pesquisa no setor

sucroenergético

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estamos estabelecendo uma visão de inovação dentro do CTC que está essencialmente vinculada ao fortalecimento do negócio, com a geração de novas fontes de valor, a partir do conhecimento gerado pelas atividades-fim da organização, que são a pesquisa e o desenvolvimento "

Luís Roberto Pogetti

Presidente do Conselho de Administração do CTC e Presidente do Conselho da Copersucar

O CTC é mundialmente reconhecido como centro de excelência do conhecimento da cadeia de suprimento do setor sucroenergético e por sua contribuição histórica ao desenvolvimento da indústria de açúcar, etanol e bioenergia, com significativos ganhos de produtividade, ao longo dos seus mais de 40 anos de atuação. Essa tradição de conquistas, porém, não nos garante que, repetindo as mesmas fórmulas de sucesso, novos resultados sejam alcançados no futuro. A senha para um novo patamar de crescimento e geração de valor é a inovação. Nesse momento crucial da indústria sucroenergética, é imprescindível a busca por pontos de ruptura tecnológica, que propiciem novos e relevantes saltos de produtividade. Conscientes da urgência de afirmar o papel fundamental que a inovação tecnológica deve ocupar na agenda de competitividade do setor sucroenergético, os acionistas do CTC tomaram a corajosa decisão de aprovar um novo plano estratégico para a instituição, com o propósito de transformá-lo no principal centro

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os mecenas mundial de desenvolvimento e integração de tecnologias disruptivas da indústria sucroenergética. A meta é atingir novos patamares de geração de riqueza. O desafio assumido no novo desenho estratégico do CTC é dobrar, de maneira economicamente sustentável, a taxa de inovação aportada ao setor. Esse é o caminho para fortalecer a condição competitiva da nossa indústria como a mais avançada na produção de açúcar, etanol e energia do mundo. Para tanto, estabelecemos dois focos claros de atuação, aqui apresentados de forma sintética, para consubstanciar o seu valor estratégico. O primeiro concentra-se no desenvolvimento de novas variedades de cana-de-açúcar, tanto através de técnicas de melhoramento tradicional, como pela intensificação do uso de biotecnologia. Para fazer frente a esse desafio, o CTC conta como ponto de partida com o seu banco de germoplasma de cana-de-açúcar, que contém cerca de 5.000 variedades e se configura como o maior e mais completo do mundo. Em paralelo, o segundo foco de atuação refere-se à inovação na área de processo e produtos da indústria, com destaque para o projeto de etanol de segunda geração, obtido a partir da celulose contida no bagaço e na palha da cana. Nesse desafio, etapas importantes já foram cumpridas, com a superação da fase de planta piloto e o start up, neste ano, do estágio de planta de demonstração. Valor para a empresa e para o mercado: Estamos estabelecendo uma visão de inovação dentro do CTC que está essencialmente vinculada ao fortalecimento do negócio, com a geração de novas fontes de valor, a partir do conhecimento gerado pelas atividades-fim da organização, que são a pesquisa e o desenvolvimento. Nesse aspecto, torna-se importante enfatizar que, na nova visão estratégica estabelecida, a valorização do negócio torna-se um imperativo a ser cumprido tanto no âmbito do próprio Centro de Tecnologia, como empresa, quanto na perspectiva dos seus clientes, o que se transforma em um círculo virtuoso de agregação de valor que permitirá um novo patamar de prosperidade para a indústria sucroenergética no futuro próximo. O retrospecto da contribuição oferecida pelo desenvolvimento tecnológico ao setor é um indicador do quanto já foi feito e do quanto é possível avançar, em termos de produtividade, com a introdução de um novo patamar tecnológico. Ao longo dos anos 90, tivemos ganhos de produtividade da ordem de 50%. Já nos últimos dez anos, os ganhos de competitividade proporcionados pela inovação ganharam escala de menor magnitude, no patamar de 1,5% ao ano. Consideramos que é natural que a escala de ganhos cumpra a tendência de acumulação marginal, uma vez que os obstáculos se tornam cada vez mais desafiadores, com o esgotamento de um ciclo de desenvolvimento. Contudo essa tendência de melhoria gradual não atende de forma suficiente à demanda do setor.

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Opiniões Torna-se indispensável para a indústria brasileira garantir sua liderança competitiva mundial, a retomada de curva agressiva de produção de inovação, que deverá redundar em necessários saltos significativos de produtividade. Precisamos de ciência, tecnologia e inovação, entrelaçadas com a perspectiva do mercado em que atuamos. Entre os muitos desafios que o mercado e a sociedade nos apresentam, e para citar apenas um, está o de assegurar a oferta de energia limpa e renovável em volumes relevantes e condições competitivas, o que só será possível com a indispensável contribuição do avanço tecnológico. Mais que uma oportunidade para a reafirmação da vocação do CTC, essa é uma responsabilidade da qual não podemos nos isentar. A transformação do CTC: Insere-se, nesse contexto, a transformação pela qual passou o CTC em seu modelo de organização. De um Centro de Pesquisa e Desenvolvimento criado pela Copersucar, em 1969, passou a atuar como uma entidade de caráter setorial mantida por unidades associadas produtoras de açúcar, etanol e energia, a partir de 2004. Já no início de 2011, o centro de pesquisas foi convertido numa Sociedade Anônima, com o objetivo de aumentar sua competitividade no cenário sucroenergético nacional e internacional. Como uma sociedade de capital, tem o propósito de construir um modelo de negócio de atratividade para o capital investido e, ao mesmo tempo, de aceleração da capacidade de produção de inovação, em favor da competitividade da indústria sucroenergética. Nesse contexto, amplia-se o leque de alternativas de geração de recursos para a atividade de desenvolvimento tecnológico. Produz-se mais pesquisa e, por consequência, inovação. O novo modelo permite também o avanço em formalização de parcerias com entidades públicas e privadas, com o meio acadêmico e empresarial, aqui entendidas como conjunção de esforços complementares, no formato jurídico e de governança mais conveniente a cada caso, de forma a se abreviar o curso do desenvolvimento, da inovação. Defendemos prevalecer a postura colaborativa, predominante nas tendências de negócio atuais. Não cabe concorrer em defesa de teses individuais, tampouco reinventar a roda, hipóteses em que a dispersão de recursos, sempre restritos, toma espaço. Cabe, sim, unir esforços para tornar as teses individuais em projetos únicos, consistentes e vencedores. É claro que a contribuição individual de cada agente no desenvolvimento deve ser reconhecida e valorizada em cada projeto. Com essas diretrizes, vamos construir mais uma etapa de sucesso na história do CTC e proporcionar a oportunidade para a indústria nacional manter sua competitividade frente à indústria de açúcar, etanol e energia do mundo.


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Opiniões

tecnologia, alternativa para elevar a produção Nos últimos anos, temos visto a demanda por etanol crescendo significativamente em todo o mundo. No entanto a oferta aumentou de forma tímida se comparada à crescente demanda. Para se ter uma ideia, a produção mundial de etanol subiu 45% nos últimos cinco anos. Os grandes responsáveis por esse crescimento foram o Brasil, com o etanol proveniente da cana-de-açúcar, e os Estados Unidos, com o etanol de milho. Os dois países juntos respondem por 80% do biocombustível produzido no planeta atualmente. Já a demanda aumenta substancialmente a cada ano, sobretudo no Brasil. Projeções da Unica - União da Indústria de Cana-de-açúcar indicam que, em 2020, para abastecer 45% da frota de veículos leves que estarão em circulação no País, serão necessários 50 bilhões de litros do combustível. Para atender a 60%, a produção terá de subir para 70 bilhões de litros de etanol por ano. Atualmente, a demanda pelo etanol gira em torno de 25 bilhões de litros no Centro-Sul do País. A falta de terra não é uma barreira para elevar a produção no Brasil e, assim, aumentar a produção de etanol, já que a cana-de-açúcar ocupa apenas 2% das terras agricultáveis no País. O principal problema são as condições desfavoráveis que não incentivam os investimentos no setor. As recentes políticas públicas divulgadas pelo Governo Federal surgem como um importante incentivo, mas não são suficientes. Com o anúncio de uma nova linha de crédito do Bndes para o setor sucroalcooleiro, batizada de Prorenova, o setor terá à disposição um orçamento de R$ 4 bilhões até 31 de dezembro de 2012 para a renovação e a implantação de novos canaviais. Todas essas iniciativas do poder público são louváveis e necessárias. Entretanto, o setor não pode esperar que o governo acabe sozinho com todos os gargalos. É necessário que as empresas façam a sua parte, investindo fortemente em tecnologia, por exemplo. Só assim o etanol poderá atender às necessidades de um mundo globalizado, sem perder a alta eficiência que é esperada dos melhores combustíveis. Para se ter uma ideia da importância da pesquisa para a indústria sucroalcooleira, não houve, nos últimos dez anos, aumento de produtividade na cultura da cana. Pelo contrário. Em razão das condições climáticas desfavoráveis das últimas safras, a produtividade de 90 toneladas por hectare de cana caiu para 70, chegando a 50 toneladas por hectare em algumas regiões. Daí a importância de as companhias investirem em pesquisas para desenvolver novas variedades de cana, como também em projetos para incrementar a produtividade atual, na linha do produzir mais com a mesma área plantada. Tomando-se como base o orçamento anual do CTC - Centro de

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Tecnologia Canavieira, estima-se que o País invista somente R$ 0,10 em pesquisa por tonelada de cana-de-açúcar. É uma quantia irrisória se comparada com os países europeus, onde fazendas de beterraba, por exemplo, conseguem ser mais competitivas que o setor sucroenergético brasileiro. Ajustes no processo industrial também são primordiais: hoje, ocorre uma perda de cerca de 10% no processo de fermentação. Há um grande potencial para aumentar a produtividade da cana-de-açúcar e do etanol. Além de investir em transgenia, existe um vasto campo para pesquisas na área de etanol de segunda geração, aproveitando a biomassa – folha e bagaço – da cana para a produção de biocombustível. Essa nova tecnologia permitirá dobrar a quantidade de etanol produzido por unidade, sem a necessidade de expandir a área cultivada. O CTC já conduz pesquisas na área e espera-se que os resultados possam ser conhecidos em cinco anos. Com mais investimentos, é possível encurtar, e muito, esse prazo. Uma alternativa de elevar a produtividade do etanol e que vem ganhando espaço desde a última safra é o plantio do sorgo sacarino. O sorgo sacarino é um grão, que tem capacidade de gerar açúcar fermentável para a produção de etanol e de biomassa para energia elétrica. Utilizado como complemento à cana-de-açúcar, durante o período de entressafra, ou como a segunda cultura em áreas de soja, o sorgo pode ser de grande valia para incrementar a produção brasileira de etanol. E o melhor: sem a necessidade de ampliar a área de plantio. A expectativa é de que, já nesta safra, a produtividade atinja 50 toneladas de sorgo por hectare. Embora seja a metade da produtividade da cana, que faz 100 toneladas por hectare, o prazo entre plantio e colheita é muito menor: enquanto o sorgo está pronto para ser processado em 110 dias, a cana demora, no mínimo, 12 meses. Outra vantagem em relação à cana-de-açúcar é que o sorgo sacarino utiliza menos água e fertilizante, além de ser mais tolerante aos períodos de seca. É certo que o investimento em tecnologia não trará resultados em curtíssimo prazo. No entanto será com uma injeção de recursos em inovação e desenvolvimento tecnológico que o setor conseguirá elevar sua produtividade em médio e longo prazos. Quando conseguirmos desenvolver a transgenia em níveis satisfatórios e o etanol de segunda geração, teremos uma cana-de-açúcar muito mais rica em energia. Já o sorgo sacarino pode incrementar a produção brasileira nos períodos de entressafra. E é exatamente isso de que o setor necessita: produzir mais com menos custos e, assim, contribuir para fazer do etanol uma commodity internacional.

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A expectativa é de que a produtividade do sorgo atinja 50 ton por hectare. Embora seja a metade da cana, o prazo entre plantio e colheita é muito menor: enquanto o sorgo está pronto para ser processado em 110 dias, a cana demora, no mínimo, 12 meses. "

Pedro Isamu Mizutani

Vice-Presidente de Etanol, Açúcar e Bioenergia da Raízen


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contamos com o CTC para ganhar competitividade Oportuna e merecida homenagem que a revista Opiniões presta, nesta edição, ao CTC - Centro de Tecnologia Canavieira. Sinônimo de cana-de-açúcar e detentor do maior banco de germoplasma do mundo, o CTC introduziu no mercado, ao longo de quatro décadas, um conjunto de soluções e tecnologias que ajudou o setor sucroenergético brasileiro a conquistar reconhecimento mundial, por seu desempenho produtivo e qualidade dos subprodutos da cana-de-açúcar. De olho no futuro, o CTC adotará uma nova estratégia. Deixa de se configurar numa Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) para converter-se numa Sociedade Anônima. Essa nova visão empresarial sinaliza que o CTC está se renovando e que abraça de vez a inovação, após concluir um ciclo vitorioso expresso nos resultados que entregou ao setor nos últimos anos. Como empresa privada, o CTC contará com novas possibilidades de captar recursos financeiros, tendo em vista assegurar a liderança brasileira no cenário mundial da agroenergia e dos biocombustíveis. Por sinal, o Brasil e o mundo acompanham atentos a conclusão de estudos estratégicos, aplicados a tecnologias de ponta, a cargo do CTC. A viabilidade de cada um deles depende, sobretudo, de recursos financeiros. Fazem parte dessa relação a produção de etanol celulósico e a geração de energia elétrica a partir da biomassa da cana-de-açúcar. Como acionistas do CTC, a Guarani apoia a nova estratégia de negócios do centro de pesquisas. Entendemos que o mercado – e os profissionais da área agrícola, como eu – alimenta as melhores expectativas de que esse esforço, amparado na inovação, beneficie o Programa de Melhoramento Genético do CTC. Afinal, na produtividade das lavouras de cana-de-açúcar, estão concentrados, hoje, os principais desafios do setor sucroenergético, como o abastecimento de etanol na entressafra e o aumento da capacidade de produção de açúcar. Alguns fatos e indicadores certamente darão ao leitor uma ideia da importância do Programa de Melhoramento Genético do CTC. Desde que iniciou suas atividades, em 1969, o centro de pesquisas colocou no mercado mais de 80 novas variedades de cana-de-açúcar. Hoje, a maior parte das cultivares chega ao mercado adaptada às diferentes condições de solo e clima das regiões produtoras de cana. As variedades com a marca CTC é o resultado de um programa sério no desenvolvimento varietal clássico. No ano passado, o mercado conheceu duas delas, que compõem a sétima geração produzida no centro de pesquisas de 2005 para cá. Para que fossem validadas, foram realizados mais de 40 ensaios técnicos.

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O Programa Muda Sadia é digno de registro. Com ele, o produtor de cana recebe orientações com vistas ao manejo correto e seguro de seu berçário de mudas. Ganha, assim, condições e recursos para plantar canaviais dotados de materiais de qualidade. " Jaime José Stupiello

Diretor Agrícola da Açúcar Guarani - Grupo Tereos e representante da empresa no Conselho de Administração do CTC

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Seus atributos principais incluem elevado teor de sacarose e resistência a doenças. No futuro próximo, essas características ficarão ainda mais robustas, com a conclusão de novos estudos científicos que o CTC, há alguns anos, empreende. A biotecnologia aplicada à cana certamente proporcionará saltos representativos em produtividade e na proteção dos canaviais contra a seca e doenças críticas, entre outros benefícios potenciais já conhecidos pelos pesquisadores. A previsão destes é a de que, num período de cinco a dez anos, o mercado passe a contar com novas variedades. Na hora em que isso acontecer, veremos nascer uma nova era na produção de açúcar, etanol e energia. Obteremos maiores teores de sacarose para produzir açúcar, mais biomassa para sustentar a produção do etanol de celulose e mais fibra para a chamada “cana energia” – esta consiste numa ferramenta específica para a cogeração ou energia de biomassa. Vale dizer, por fim, que, além de um dos mais representativos programas de melhoramento genético do mundo, a agroindústria canavieira deve aos pesquisadores do CTC o domínio do conhecimento nas áreas de tratos culturais e manejo agrícola. O Programa Muda Sadia é digno de registro. Com ele, o produtor ou fornecedor de cana recebe orientações com vistas ao manejo correto e seguro de seu berçário de mudas. Ganha, assim, condições e recursos para plantar canaviais dotados de materiais de qualidade. Não há como não mencionar ainda o produto do CTC chamado Carta de Solos e Ambientes de Produção, que focaliza o máximo de eficiência nos ambientes de produção da cana-de-açúcar. O centro de pesquisas também tem ajudado bastante a formar mão de obra e a capacitar profissionais que atuam em todos os departamentos das usinas – pela oferta de cursos presenciais e a distância que, nos últimos anos, atenderam a mais de 40 mil participantes. Em nome da Guarani, desejo sucesso aos acionistas e gestores do “novo CTC”. Estamos convictos de que, com sua nova configuração empresarial – e a visão empreendedora de seus líderes –, o CTC permanecerá na vanguarda das transformações tecnológicas que fazem avançar a cadeia produtiva da cana-de-açúcar. Exatamente como acontece há mais de 40 anos. Cumprimentamos a direção da revista Opiniões por sua iniciativa em homenagear o CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, no momento em que a empresa parte para novos desafios. Desafios que são do setor sucroenergético e de todos os brasileiros.


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com pesquisas, as dificuldades são menores A história da humanidade tem nos mostrado o quanto a pesquisa é importante para o nosso desenvolvimento, principalmente no que diz respeito à produção de alimentos, fibras e energia. Através dela, foram possíveis ganhos de produtividade nos diversos segmentos, fazendo com que o grande crescimento populacional não comprometesse o abastecimento. Saindo um pouco desse contexto amplo, analisando nosso segmento sucroenergético e, mais ainda, visualizando o segmento da produção de cana-de-açúcar, acho fundamental analisarmos o passado recente do Brasil, principal país produtor da matéria-prima. Tomando por base os últimos 30 anos, nossa produtividade agrícola não só apresentou um grande salto, como também a qualidade da matéria-prima melhorou bastante. Se verificarmos um pouco mais, veremos que as safras, anteriormente, iniciavam-se mais tarde, geralmente em meados de junho, e encerravam-se em meados de novembro. Pesquisadores foram ao trabalho e, hoje, temos variedades com boa maturação natural já nos primeiros dias de abril, e algumas outras com bons resultados até meados de dezembro. É importante lembrar que essa condição é ainda melhor com o uso de maturadores artificiais. Isso se deve a grandes esforços dos técnicos e instituições de pesquisa, dentre elas o CTC Centro de Tecnologia Canavieira, que, através de cruzamentos, conseguiu esses avanços. Desde a sua fundação, o CTC tem no seu DNA a busca por melhorias, tanto na produção agrícola como nas condições industriais. Passado o tempo, assistimos, hoje, devido a fatores principalmente de ordem financeira e climática, a problemas com nossa produtividade e assim podemos pautar alguns pontos sobre o futuro. Nesse momento, me atenho a comentar sobre pesquisa e desenvolvimento voltados para a produção agrícola. Instituições como o CTC serão responsáveis por aprimorar as condições atuais de produtividade, fundamentais para o nosso sucesso ou sobrevivência. Como exemplo, cana-de-açúcar mais produtiva, comPogeti maioresda teores de sacarose e Copersucar de fibra, dependendo da finalidade principal dessa matériaDir ANP -prima; menor necessidade de uso de insumos químicos, tanto DirectNP fertilizantes como agrotóxicos; boa resistência à seca, canas que não florescem nunca, resistentes a geadas, pragas e doenças das mais diversas e com boa aceitação à colheita mecânica e pisoteio são nossas necessidades. Com essas melhorias inseridas nos materiais novos, certamente, teríamos o melhor dos mundos, com ganhos representativos e custos de produção reduzidos. Lucro na certa.

Entretanto sabemos que a caminhada é longa. Os trabalhos de melhoramento em cana-de-açúcar, devido a várias características específicas, são longos e requerem grande quantidade de recursos financeiros, que são extremamente deficitários, avaliando-se nossa condição atual. Nesse aspecto, temos que valorizar, principalmente, nossos pesquisadores, não só do CTC, mas de todas as empresas que, até hoje, conseguiram levar as pesquisas a bom termo. Sabemos o quanto é difícil alcançar sucesso com recursos insuficientes e, muitas vezes, sem o apoio necessário. O futuro certamente não permitirá que continuemos assim. Assistimos, nesses últimos anos, a um grande incremento nas produções de beterraba e milho, nossos concorrentes diretos na produção de açúcar e etanol, o que nos sugere que devamos trabalhar muito para que a competitividade da cana-de-açúcar continue com as vantagens que sempre lhe foram peculiar. Nossas tecnologias na busca constante por ganhos, utilizando-se de ferramentas como a transgenia e aceleradores no processo de multiplicação, serão fundamentais para que isso aconteça. O Brasil, como grande usuário de cana-de-açúcar para produção de açúcar, etanol e bioenergia, deverá ser o grande protagonista na pesquisa dessas novas tecnologias, pois a necessidade é nossa, e será ele o grande responsável por essa “revolução”. Os direcionamentos praticamente estão aí na cabeça de muitos pesquisadores e, como exemplos, poderíamos citar: o uso completo do bagaço na produção de etanol; o da palha alimentando caldeiras; variedades resistentes à broca, cigarrinha e outras pragas e também às doenças causadas por bactérias, vírus e fungos; a propagação através de materiais vegetativos como se fossem sementes, diminuindo enormemente os custos que temos nas operações de plantio, e muitos outros mais. Para isso, são imprescindíveis recursos humanos e financeiros. E essa, talvez, seja a nossa grande tarefa, a de viabilizar essas pesquisas. Ainda bem que temos o CTC, um centro de excelência, que vive um momento de definições cruciais. É preciso, nesta hora, juntar esforços dos mais variados para que o grande salto seja dado na direção do futuro. Participação de todos, num esforço comum para dar sustentação ao desenvolvimento de pesquisas necessárias para o crescimento, com investimentos públicos e privados, que permitirão a toda a 'cadeia produtiva colher os frutos desses investimentos e à população, os seus benefícios, além de permitir que o Brasil continue sendo o grande exemplo de utilização de combustíveis renováveis do mundo.

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Com essas melhorias inseridas nos materiais novos, certamente, teríamos o melhor dos mundos, com ganhos representativos e custos de produção reduzidos. Lucro na certa. "

Ismael Perina Junior

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Presidente da Orplana


DA FORÇA

Sua produtividade aumenta. Sua lucratividade também. A TMA produz ampla linha de produtos que oferece ao cliente melhor relação custo-benefício, com desempenho e produtividade, tornando as atividades canavieiras mais rentáveis. A TMA mantém uma equipe dedicada ao consumidor e pronta para lhe prestar melhor atendimento.

RODMIDIA

A EVOLUÇÃO


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a necessária ruptura

tecnológica

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Quando se fala em variedades transgênicas, temos em vista diversos alvos: variedades com mais fibra, com mais açúcar, resistentes à seca e às pragas, tudo dependendo do gene que se coloca nela. A produção de variedades transgênicas permite abrir um leque com diversas utilidades. "

Osmar Figueiredo Filho Diretor Comercial do CTC

Entre 1970 e 1980, o setor sucroalcooleiro obteve expressivo desenvolvimento tecnológico, alcançando ganhos significativos de produtividade e lucratividade. Esses avanços permitiram que o País chegasse à liderança na produção de açúcar e etanol, despertando o interesse de investidores de todo o mundo. Contudo, por diversas razões, nos últimos 20 anos, o setor estacionou na chamada melhoria contínua, que se mantém em torno de 1,5 a 2% ao ano. O fato de o índice de crescimento nos últimos 3-4 anos ter permanecido abaixo dos anteriores, além de agravar o problema, confirma um diagnóstico preocupante: o País está perdendo a liderança conquistada pela experiência e criatividade no setor. Essa conclusão é reforçada ao se verificar que, na última década, as culturas da beterraba e milho, utilizadas para produzir açúcar e álcool, superaram a cana-de-açúcar em produtividade, com o emprego de tecnologias de ponta. No plantio dessas culturas, por exemplo, foram usadas variedades transgênicas destinadas à industrialização, com expressivos ganhos de produtividade. O que fazer para continuar sendo o país mais competitivo no setor sucroalcooleiro? Para enfrentar o que considero nosso maior desafio, é preciso provocar uma ruptura, uma quebra de paradigmas tecnológicos, que nos leve a uma inovação necessária, de modo a extrapolar o reduzido crescimento uniforme. Essa é a única maneira de garantir um salto tecnológico que deixará o Brasil em condições de competir com os produtores das culturas concorrentes que estão em fase de ascensão. Quando o CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, desenvolve uma variedade de cana mais produtiva, adaptada a um ambiente específico, significa que essa tecnologia atende ao conceito de inovação exigido pelo mercado ou

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pelo ambiente e terá como consequência o desenvolvimento econômico. Como se sabe, inovação tecnológica significa a introdução ou a modificação de produto ou processo no setor produtivo, com consequente comercialização. E é isso que chamamos de ruptura tecnológica, indispensável para retomar a competitividade no cenário internacional. No momento, a nossa meta consiste na utilização de ferramentas da biotecnologia na área agrícola e na produção de álcool de segunda geração para atender à indústria. Enxergamos nisso a única forma de romper o crescimento anual de 1,5 a 2%, passando a ganhos acima de 3 a 4%, e podendo, eventualmente, chegar a 20%. A intenção é retomar a liderança para produzir açúcar, álcool e eletricidade, com menores custos e sem aumentar a quantidade de área plantada. Mas, para viabilizar a sustentabilidade econômica desse projeto, o CTC precisa de uma quantidade significativa de recursos. De início, decidimos que tudo o que o CTC, transformado em sociedade anônima desde o ano passado, obtiver em termos de incremento da produtividade e produção será dividido com os clientes, que usarão as novas tecnologias. E tudo o que os clientes obtiverem de ganho de produtividade será dividido com o CTC, que transferiu a tecnologia e ficará com uma parcela do ganho. Ao entregar uma variedade de cana mais produtiva ao cliente, por exemplo, dividimos com ele o ganho obtido no campo. Essa melhoria tecnológica repercutirá nos índices de produtividade de todo o setor, e o País como um todo também sairá ganhando. Pode ser que o consumidor não perceba isso no primeiro momento, mas, a partir do instante em que ele tiver mais produtos a um menor custo, constatará que essa transgenia, colocada na variedade diferenciada, proporciona um efeito econômico positivo.


Opiniões Da mesma forma, quando se trata de melhor aproveitamento da biomassa, utilizando o bagaço de cana e a palha que está no campo, empregamos parte de cada um e transformamos em etanol de segunda geração. Isso quer dizer que, com a mesma quantidade de área e biomassa produzida e sem aumentar o plantio, é possível obter mais etanol, com menor custo de produção. Atualmente, isso acontece apenas com o aumento da quantidade de cana plantada – o que é uma relação quase direta. Vamos também buscar financiamento de fundos de investimento, do Bndes, fazer parcerias e jointventures. Com essa reestruturação do CTC, poderemos investir mais em pesquisas, trazendo pessoal qualificado do Brasil e do exterior, além de investir na reciclagem dos pesquisadores atuais. O cliente percebe o ganho proporcionado pela tecnologia e remete uma parcela dos lucros para o CTC, permitindo que a empresa continue sua incessante busca por novas tecnologias que gerem outras rupturas, como no caso das variedades transgênicas e etanol de segunda geração. Quando se fala em variedades transgênicas, temos em vista diversos alvos: variedades com mais fibra, com mais açúcar, resistentes à seca e às pragas, tudo dependendo do gene que se coloca nela. A produção de variedades transgênicas permite abrir um leque com diversas utilidades. Vamos mostrar aos clientes de todos os estados do País o quanto eles estão ganhando com a tecnologia, por meio de experimentos que demonstrem claramente os benefícios proporcionados por essas variedades, além de oferecer mudas para o plantio das mesmas. Como estratégia inicial, o objetivo é trabalhar em cada uma das regiões do País, com variedades regionalizadas, desenvolvidas pelos polos de melhoramento genético da cana-de-açúcar do CTC. De acordo com nosso cronograma, para essa safra (2012/2013), estará definida a estrutura de ação para trabalhos de campo de forma regionalizada no Brasil. Equipes do CTC atuarão em estados do Nordeste, no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Paraná e Espírito Santo. A área comercial terá que atuar regionalmente com material de demonstração

específico, levando as mais diversas variedades com as características mais importantes para cada realidade. Já na produção do etanol, entre outras ações, está em estudo o desenvolvimento de uma planta de demonstração para a produção de etanol celulósico, como parte do processo de venda dessa tecnologia. O grande desafio da área comercial é relacionar tudo o que se desenvolve em termos de pesquisa com o ganho econômico para o cliente: quanto mais ele ganhar, mais poderá partilhar esse ganho com o CTC. Às vezes, por exemplo, uma inovação não oferece tanto retorno quanto se esperava e vice-versa, por isso temos sempre que andar juntos. Agora, como sociedade anônima, vamos incrementar esse conceito de ganha/ganha, utilizado desde os nossos primórdios. Isto é, sempre desenvolvemos tecnologia e sempre a transferimos, contudo, quando o CTC era uma organização sem fins lucrativos, a transferência era feita apenas para os nossos filiados, não sendo possível atuar em todo o Brasil. Tínhamos 154 clientes (os atuais acionistas do CTC) distribuídos no País, mas, hoje, o nosso grande desafio é colocar as variedades CTC em todas as 430 unidades de produção existentes no Brasil. Nesse novo e desafiador cenário, a área comercial será um instrumento para alcançar mais rapidamente esse objetivo, diminuindo os custos e aumentando a produtividade e os lucros. A ideia da regionalização é consequência das características de cada uma das regiões que exigem tecnologia diferenciada para poder reduzir os custos de produção. Também orientamos os produtores sobre as melhores técnicas de manejo para cada ambiente de produção, permitindo que eles aproveitem 100% do potencial de cada variedade. Tudo isso é possível porque o CTC funciona como uma equipe entrosada, com total interação dos seus diversos departamentos e sem as amarras da burocracia. Um formato que permite unir o desenvolvimento com a criatividade, gerando tecnologias que fazem a diferença, apoiadas em sólidas estruturas administrativa e econômica. Essa é a única forma de retomarmos a competitividade no cenário internacional.

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os cientistas

Opiniões

o panorama geral do melhoramento

genético

Com a expansão da cana-de-açúcar a partir do Proálcool, sugiram desafios que obrigaram os centros de pesquisas a atuarem de forma muito forte na geração de tecnologias para o setor produtivo. Entre esses desafios, estava o desenvolvimento de variedades adaptadas para as nossas novas áreas de plantio. Até então, predominava o plantio de variedades não brasileiras, cujas produtividades já não atendiam às demandas criadas pela necessidade de atender ao mercado de etanol. Foi nesse cenário que surgiu o programa de melhoramento genético da cana-de-açúcar do CTC, com a instalação de um banco de germoplasma na Bahia e um quarentenário no litoral sul do estado de São Paulo. Esse banco de germoplasma é, hoje, o maior do mundo, com mais de 6 mil variedades. Através desse programa, surgiram as variedades que proporcionaram os grandes saltos de produtividade no setor sucroalcooleiro. Mais recentemente, o setor viveu um novo incremento com a expansão para áreas até então não cultivadas com a cana. Também para esse novo cenário, a pesquisa foi novamente desafiada para dar suporte a essa nova e forte expansão.

Esse processo de seleção garante a produtividade dos grandes empreendimentos que ocorreram nas áreas de expansão que, na sua formação, se viram obrigados a plantar as variedades que foram selecionadas para as áreas tradicionais de produção, que, na prática, não são adequadas paras as novas fronteiras da cultura e, dessa forma, não respondem em produtividade como esperado pelos investidores. As primeiras variedades provenientes desse novo processo de seleção já mostram a efetividade da regionalização, e exemplos estão citados em diferentes matérias nesta edição. Assim, através da genética tradicional, o setor já possui a segurança de que os novos materiais genéticos em desenvolvimento pelo CTC atenderão às suas demandas. No entanto, para pesquisa de novas variedades, existe ainda um grande desafio. É o tempo gasto no processo de seleção. No passado, esse processo demandava não menos que 15 anos. O CTC promoveu importantes mudanças em seu processo de seleção, que reduziram esse tempo para 10 anos, mesmo assim, a um custo extremamente alto. Uma nova variedade não é selecionada por menos de R$ 150 milhões.

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O CTC promoveu importantes mudanças em seu processo de seleção, que reduziram esse tempo para 10 anos, mesmo assim, a um custo extremamente alto. Uma nova variedade não é selecionada por menos de R$ 150 milhões. "

Jorge Luis Donzelli Gerente de Desenvolvimento Estratégico Agrícola do CTC

Para atender a essa nova demanda, o CTC criou polos de seleção de variedades para todas as novas fronteiras. Com isso, a partir de seu banco de germoplasma, os cruzamentos passaram a ser programados para atender a todos os ambientes de produção. Foram, então, criados 12 polos regionais representando ambientes de produção, desde o Nordeste até o Paraná. Assim, no processo de cruzamento, já são considerados genitores que apresentem características interessantes para esses diferentes ambientes de produção.

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Esses custos e tempo de seleção precisam ser reduzidos com novas tecnologias. Nessa busca, o CTC investe pesadamente em novos processos de seleção, biologia molecular, novos processos de multiplicação e novos métodos de plantio. Os processos de seleção são constantemente atualizados com base nos resultados obtidos no desempenho das diferentes gerações de clones que estão em avalição nos ensaios regionais. Esses resultados são constantemente revisados e apontam para novas tomadas de decisões nos novos cruzamentos.


os cientistas Através dessas avaliações, a escolha dos melhores materiais para cruzamentos é cada vez mais aprimorada. Em biologia molecular, um banco de marcadores moleculares está sendo criado para determinar quais são as sequências gênicas ligadas às características diferenciais para os ambientes de produção da cana-de-açúcar. Essa tecnologia já mapeou o banco de germoplasma e é uma das ferramentas utilizadas na seleção de genitores. Outra utilidade dessa tecnologia é reduzir o número de clones enviados a campo para o processo de seleção das novas variedades. Hoje, são enviados milhares de novos materiais que entram no processo mencionado acima e que geram um enorme trabalho de busca e envolvem o dispêndio dos recursos mencionados. Com essa tecnologia, o tempo de seleção, que hoje está em 10 anos, passará, em breve, para 8 anos, e, no futuro, esse período será ainda mais reduzido. Ainda no processo de multiplicação de suas novas variedades, o CTC possui a maior biofábrica de cana-de-açúcar do mundo, com capacidade de produção de milhões de plantas anualmente, e essa tecnologia é que garante não só a multiplicação acelerada dos materiais que estão no processo de seleção como também suas variedades comerciais. Nesse processo de produção, os clones e as variedades são disponibilizadas totalmente isentas de problemas fitossanitários. Através desse processo, os clones promissores para as diferentes regiões são multiplicados de forma que uma maior e melhor observação de seus desempenhos possam dar suporte a um eficiente sistema de decisão sobre qual material genético é disponibilizado ao setor produtivo. Outro importante ponto que o programa de melhoramento do CTC prioriza é a seleção de variedades que atendam às novas tendências do setor. Assim, com a mudança da colheita para a cana crua, a seleção de variedade já é realizada buscando cultivares que conseguem suportar esse novo ambiente.

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Outro importante fator que é considerado é a seleção de variedades aptas ao plantio mecanizado. Nenhum material genético é liberado se não atender a esses dois fatores. Além dessas mudanças que foram introduzidas no processo de seleção de variedades no programa do CTC, existe outra já em andamento nos laboratórios do CTC que, efetivamente, provocará um novo salto de produtividade para o setor. É a construção da cana transgênica, que está mostrado com mais detalhe em outro artigo nesta edição. Até aqui, tudo foi tratado em relação à cana-de-açúcar, no entanto uma nova planta está sendo gerada no programa de melhoramento do CTC. Esta não terá compromisso com a produção de açúcar, que hoje é a base da indústria na produção de alimento ou biocombustível. A nova planta será produtora de biomassa e vai alimentar, além da produção de energia, a nova revolução na produção de biocombustível, que será o etanol de segunda geração ou etanol de biomassa, como também é chamado. Ainda mais à frente, será matéria-prima fundamental para uma tecnologia, ainda embrionária, que será a gaseificação da biomassa, que vai transformar a atual usina de açúcar em uma biorrefinaria. Nesse cenário, a base hidrocarboneto será convertida para base carboidrato. Para essa nova planta, todos os desafios estão à mesa. Ainda estão sendo estudados a fitossanidade, durabilidade de soqueira, equipamentos de corte, carregamento e transporte. Enfim, ainda é um “bicho” que está sendo criado e que dará origem a uma nova indústria e produtos. Com todas essas tecnologias já em uso e com as que estão em desenvolvimento, através de seu banco de germoplasma, o CTC está apto para desenvolver variedades para qualquer das atuais regiões produtoras ou para as novas fronteiras que a cana-de-açúcar vier a ocupar, seja ela no Brasil, outros países da América ou da África.


Opiniões

tecnologias industriais consolidam vantagem

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agrícola

Hoje temos uma produtividade de etanol de 7 mil litros por ha/ano. Com as novas tecnologias industriais, poderemos incrementar em até quatro vezes a produtividade industrial. A previsão é atingir, em 15 anos, a produção em torno de 28 mil litros por hectare. " Oswaldo Godoy Neto Gerente de Pesquisa Tecnológica do CTC

A liderança do CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, em pesquisa e desenvolvimento no setor sucroalcooleiro, conquistada ao longo de mais de 40 anos de dedicação ao setor, exige uma postura constante: manter-se sempre atento às novas tecnologias disruptivas disponíveis em todo o mundo, exatamente aquelas que provocam melhoria do rendimento, de modo a aumentar a produtividade industrial. Essa responsabilidade se torna maior pelo fato de vivermos em um país que almeja a liderança no aproveitamento integral da biomassa e que conta com um ambiente adequado ao seu objetivo: a maior biodiversidade do planeta, irradiação solar e água em abundância. Por último, mas não menos importante, o País é pioneiro na produção em escala de biocombustível da cana. Para implementar as tecnologias inovadoras e que incrementam a produção, há necessidade cada vez maior de pesquisas e conhecimento técnico especializado, que exigem grandes investimentos. Áreas diretamente ligadas à indústria, como o processamento bioquímico, termoquímico e a biorrefinaria, contam também com estratégia de apoio técnico de novos sistemas, como o de recolhimento e aproveitamento da palha. Também existe a possibilidade de utilizar algas nesse processo, para evitar o desperdício do dióxido de carbono que exala da fermentação, aumentando o potencial de geração de biomassa utilizável. Esse universo rico de possibilidades técnicas, com potencial significativo, nos remete à necessidade de mais dedicação e esforço conjunto de

áreas especializadas da ciência de ponta, que aprofunda o legado da Revolução Industrial do século XIX, incorporando inovações surpreendentes do século passado, já antevendo o salto de qualidade que nos prometem as próximas décadas. Na área de Pesquisa e Desenvolvimento do CTC, existe consenso de que, com a aplicação de novas tecnologias disruptivas, poderemos até triplicar a taxa de inovação do setor sucroalcooleiro. Hoje, por exemplo, temos uma produtividade de etanol de 7 mil litros por hectare por ano. Com a aplicação de novas tecnologias industriais, poderemos incrementar em até quatro vezes a produtividade industrial. A previsão é atingir, em 15 anos, a produção em torno de 28 mil litros por hectare. Nesse caso, ficamos na dependência da disponibilidade da biomassa em quantidade significativa, sempre lembrando que o bom resultado final é consequência de uma conjugação de tecnologias aplicadas nas áreas agrícola e industrial. Temos algumas vantagens, como excelente potencial de produção de biomassa, clima, sol, água em quantidade e terras férteis, além de uma agroindústria experiente e produtiva, que nos facilita a liderança nesse setor: quase 30% da matriz energética já vêm desses recursos renováveis. Estamos com o foco voltado para o uso de novas tecnologias, de modo a aumentar significativamente a produtividade industrial. Não se deve ignorar que essa biomassa à base de lignocelulose é a única fonte de carbono que pode, a longo prazo, substituir fontes fósseis como o petróleo.

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os cientistas Mas esse processo de substituição da indústria baseada em matérias-primas fósseis pela indústria química orgânica, com o uso da biomassa, é demorado: os materiais lignocelulósicos têm composição complexa e precisam ser desconstruídos através da rota bioquímica ou da rota termoquímica. Toda biomassa é composta de celulose, hemicelulose e lignina, e nosso empenho é trabalhar a sua decomposição. Duas rotas são muito promissoras. Na rota bioquímica, são usadas leveduras e outros micro-organismos que metabolizam e transformam a biomassa em outros produtos químicos. Da cana-de-açúcar se extrai, por exemplo, a sacarose, usando uma levedura que se chama Saccharomyces cerevisiae – cujo genoma já foi sequenciado –, que transforma o açúcar em etanol. No processamento bioquímico, existe a possibilidade do uso de novas tecnologias disruptivas, por exemplo na produção de biodiesel à base de leveduras geneticamente modificadas. Na fabricação do etanol de segunda geração, a celulose é decomposta via enzimas, produzindo hexoses e pentoses (C5 e C6 - açúcares com cinco ou seis carbonos), que fermentam e produzem etanol. Pelo potencial existente para a fabricação de etanol de segunda geração, a previsão é praticamente dobrar a produção de etanol por tonelada de cana em vinte anos. A eficiência industrial, por tudo isso, precisa aumentar significativamente através da rota bioquímica, na qual se usam micro-organismos que metabolizam o açúcar da biomassa. Estamos bastante avançados e prontos para construir uma planta de demonstração de etanol celulósico, acoplada a uma usina tradicional. Já na chamada rota termoquímica, a gaseificação houve relativa perda de

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Opiniões terreno nos últimos anos, em função do reduzido número de projetos desenvolvidos. Mas, em minha opinião, essa rota tem grande futuro. Já pela rota termoquímica, ocorre uma queima da biomassa controlada para depois recompô-la. É uma área com tradição e uma tecnologia já reconhecida no setor de carvão, petróleo e gás, mas que pode ser usada também na área de biomassa. Só que a biomassa é mais complexa, pois apresenta problema de heterogeneidades, baixa densidade e altos custos logísticos. Esse desafio, se vencido, poderá dar grande impulso ao setor, já que tem potencial de aumento da exportação de eletricidade da ordem de 100%. A gaseificação ocorre quando a biomassa reage com água e oxigênio e produz um gás que precisa de limpeza e tratamento catalítico. Feito isso, poderão ser utilizados outros processos conhecidos, como a síntese de Fischer Tropsch e a síntese de Metanol, porém sempre de olho no grande desafio: o processamento e o manejo dessa biomassa. Ainda dentro do nosso foco atual, que é o aumento da produtividade industrial, teremos que nos empenhar na montagem da biorrefinaria, considerada a usina do futuro, para substituir produtos e processos baseados em fontes de matérias-primas não renováveis, sobretudo o petróleo, por produtos de maior valor agregado e processos que utilizem a biomassa como matéria-prima. Nunca escondemos que o lado forte do CTC é o poder de integração de novas tecnologias. Existem outras tecnologias disruptivas cuja eventual utilização, como o uso de CO2 (dióxido de carbono) da fermentação, que hoje é desperdiçado, estamos analisando. Esse produto químico alimenta micro-organismos como algas, que podem, teoricamente, gerar óleo diesel, proteínas e carboidratos aproveitáveis. Com essa tecnologia, a previsão é de aumento de 30 a 50% a mais de litros de álcool por tonelada de cana equivalente. Outra rota de pesquisa do CTC é maximizar a biomassa disponível, utilizando a palha que está no campo. Com a mecanização, uma vez que se prevê o fim da queima da cana até 2017, o Brasil pode gerar 13 mil MW a mais de energia, mais de 10% do que o País inteiro consome. Ou o equivalente à produção de energia de três usinas de Belo Monte. Com as melhorias pretendidas, a biomassa será economicamente viável, melhor e mais eficiente do que o petróleo. O que ainda não é. Em geral, quero dizer que P&D industrial precisa de grande suporte financeiro, mesmo porque precisamos de plantas de demonstração, que são muito caras. Depois da bancada do laboratório de pesquisa industrial, se monta uma planta de desenvolvimento de processo, que, em outra escala, precisa demonstrar as diferentes formulações do processo. Só então é que se vai para a planta piloto – um centésimo de uma planta industrial –, antes da planta de demonstração, onde o novo processo é exibido, já com o equipamento industrial. O custo desses novos processos se reduz após as primeiras aprendizagens. Esse é o desafio que estamos enfrentando e entendemos que é a forma ideal para obter, com menor custo e menos tempo, as inovações tecnológicas, que produzem impacto significativo não só no setor, mas também na economia e no desenvolvimento social do País.


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eficiência

energética

Faz parte da sabedoria popular um aforismo que deveria ser afixado no quadro de avisos da direção das empresas e inscrito na agenda pessoal das pessoas, já que é inerente à condição humana tomar decisões no dia a dia: ”Quem não sabe para onde vai, nenhum vento é bom. Se ventar de um lado ou do outro, será sempre um vento ruim”. Esse ditado, uma reflexão de natureza prática ou moral, explicita uma advertência que, ao longo de mais de 40 anos de existência, o CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, sempre observou para orientar a pesquisa na produção de cana, açúcar e álcool, com especialização em biotecnologia e biorrefinaria, tornando-se, por isso, uma referência mundial.

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Teoricamente, a cana poderia chegar a 800 ton/ha, desde que o local não tivesse nuvem, com duração média do dia e da noite, sem faltar nada no solo, nem ocorrer doença. Se 800 ton/ha é exagero, já produzimos uma cana de jardim que chega a 345 ton/ha, o que torna viável chegar a uma variedade capaz de produzir até 500 ton/ha. " Jaime Finguerut

Gerente de Desenvolvimento Estratégico Industrial do CTC

Depois que o Brasil se firmou como o mais eficiente na produção do etanol, o mercado passou a cobrar redução do custo final de produção, que continua mais alto que o do combustível feito de petróleo. Quando o Proálcool começou, a gente era tão ruim quanto o resto do mundo, produzindo 40 toneladas de cana por hectare. Entre 1985 e 1998, período com preço de petróleo em queda, o setor de açúcar e álcool foi obrigado a criar novas formas de produção, fator decisivo para que o CTC desenvolvesse tecnologia diferenciada. O resultado é incrível. Hoje, ao conhecer uma usina qualquer, é possível que ainda seja barulhenta, com visual antigo e parede escura. No entanto aquele complexo é extremamente eficiente, chegando ao índice de 96%.

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Já na Flórida, nos Estados Unidos, com moendas grandes compradas do Brasil, a eficiência cai para 91 a 92 %, porque não é prioritária, já que lá eles recebem subsídios. Quando se trata de rendimento, eles estão atrasados dez anos em relação a nós. No Brasil, é como se tivéssemos equipado um “fusquinha” com motor de 300 cv para rodar a 200 km/h. Só que gastando menos combustível por quilômetro. Assim, como um “fusca” turbinado, nossas usinas são as mais eficientes do mundo.


os cientistas Com a melhoria da tecnologia e a instalação de novas unidades e aumento das unidades produtoras, multiplicamos por quarenta a produção de álcool desde 1975. Depois que as usinas passaram a funcionar com mais eficiência – e ela ainda pode crescer mais –, o foco passou a ser o custo da cana, matéria-prima responsável por dois terços do custo da produção. E, para isso, é necessário melhorar sua produtividade, e já fixamos como meta atingir 400-500 ton/ha, que é o limite máximo possível. Teoricamente, a cana poderia chegar a 800 ton/ha, desde que o local não tivesse nuvem, com duração média do dia e da noite, sem faltar nada no solo, nem ocorrer doença. Mas isso está longe de ser uma cana comercial, pois toda plantação enfrenta limitações. Se 800 ton/ha é considerado exagero, já produzimos uma cana de jardim que chega a 345 toneladas por hectare, o que torna viável chegar a uma variedade capaz de produzir até 500 toneladas/hectare. A cana é uma planta complexa. Quando se cruzam duas variedades, o resultado é que podem se adaptar a ambientes mais secos, com menos fertilidade e podem crescer bastante em solos e climas favoráveis. O “pulo do gato” mundial do CTC foi correlacionar o ambiente com a qualidade final da variedade. Testes foram feitos nas diferentes regiões do País, sempre observando condições do clima, solo (teor de nitrogênio, carbono) e acesso à água. Hoje, as grandes multinacionais que dominam parte da agricultura estão vendendo o mesmo conceito. Desde o início, o CTC passou a trabalhar com o conceito de ambientes de produção, local onde se produz cana e não outra cultura. Em 1979, lançamos as primeiras variedades de cana revolucionárias, depois de dez anos de cruzamentos e seleção. Em média, estamos lançando duas variedades por ano, após testes com doenças, locais e condição de produção, o que significa que melhoramos dois por cento ao ano. E só selecionamos uma variedade se for de 20% a 25% melhor. No início do Proálcool, estávamos falando em 40 toneladas por hectare e, agora, já estamos com 80 toneladas por hectare. A gente está com dez por cento do limite máximo de potencial de produção. Colocar isso na prática é o desafio. O CTC entende que é preciso radicalizar esse conceito de conjunção de variedade mais ambiente, mapear todas as alternativas de adaptação de modo que a plantação possa expressar todo o potencial que tem. Além de conhecer a latitude, a longitude e a quantidade de água, procuramos descobrir todas as variáveis que incidem, de alguma forma, sobre o crescimento e a produtividade da cana. Assim, temos imagens de satélites para observar o crescimento da plantação ou colocar sensores

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Opiniões no chão e utilizar mecânica de precisão. Além do geoprocessamento, devemos nos valer dos resultados obtidos com a nanotecnologia, maneira precisa de acompanhar detalhes importantes do desenvolvimento da variedade em estudo. Quanto à adaptação da variedade, o CTC deu início à utilização dos “marcadores moleculares” - técnica já utilizada em outras culturas. Quando alguém vende o sêmen do boi, por exemplo, informa as suas características genéticas. Da mesma forma, com os marcadores moleculares da variedade de cana – obtidos através de análise genética –, o CTC tem segurança para orientar os cruzamentos. São as canas produzidas por melhoria genética que vão se adaptar a um determinado ambiente. Hoje, somos obrigados a fazer milhões de indivíduos pequenos, que a gente chama de seedlings (resultado de cruzamentos de sementes). De um milhão de amostras, obtemos duas ou três variedades produtivas. Além de estudar o ambiente e a adaptação, empregar marcadores moleculares e utilizar práticas agronômicas, outra “bala na agulha” que o CTC tem é a transgenia, pois, desde 1991, dominamos a engenharia genética. Com esse método, além de identificar os genes da variedade, os que interessam podem ser clonados em outra variedade, propagando uma nova variedade resistente a pragas e insetos. Temos que ter para cada evento uma autorização específica da Comissão Nacional de Biossegurança - CNTBio. O CTC trabalha tanto na parte regulatória quanto na técnica, para chegar ao potencial da cana, uma das maiores produtividades (400-500) entre as plantas do mundo. A cana tem essa produtividade porque é uma gramínea, selecionada para competir com as outras. Inclusive a capacidade de fazer fotossíntese da cana (produção de oxigênio) é maior do que das outras. Ela tem um tipo de fotossíntese chamado C4, enquanto as árvores, o trigo, por exemplo, tem C3. Ou seja, quando eu tenho CO2 na atmosfera e luz, a cana é mais eficiente para produzir oxigênio. A cana tem uma longa história de evolução. Começou como um arbusto crescendo em qualquer lugar, produzindo por sua própria conta. Depois foi domesticada pelos seres humanos por causa de sua doçura e passou por locais diferentes do planeta, enfrentando clima de deserto, neve ou excesso de umidade. Então, toda essa herança genética se manifesta nas variedades recentes, que estamos conhecendo cada vez melhor. Por isso, o know-how do Brasil vai ser usado em outros países. Vamos conseguir produzir o biocombustível usando muito menos área do que hoje, aumentando a produtividade da cana por hectare, produzindo oxigênio e aumentando a quantidade de carbono no solo, o que também ajuda a fixar a terra.


os cientistas

Opiniões

biorrefinaria

solução técnica que reduz problemas

sociais e ambientais

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Quer dizer, se dá para fazer de petróleo, dá para fazer com a cana, utilizando processos químicos ou bioquímicos e obtendo mudanças no álcool ou no caldo de melaço através da fermentação. Plástico, por exemplo, se faz direto do etanol. "

José Ricardo Medeiros Pinto Pesquisador do CTC Colaboração: Jaime Finguerut

Se o mundo moderno, que se consolidou ao longo do século passado, é considerado consequência das ideias e inovações tecnológicas da Revolução Científica do século XVII e da Revolução Industrial do século XIX, chegamos à segunda década do século XXI experimentando o início de novo ciclo de desenvolvimento tecnológico e em meio ao fenômeno da globalização em todos os setores. Vivemos mudanças de conceitos, especialmente, quando se trata da exploração econômica dos recursos naturais. Seria nova etapa do capitalismo, que exige, cada vez mais, melhor aproveitamento dos recursos naturais da Terra, por causa do crescimento geométrico do número de habitantes/consumidores. No Brasil, por exemplo, a classe C já é considerada a maioria. Uma classe que se define não tanto pelo salário, mas pelo consumo. Isso significa que nunca consumimos tanto no Brasil como no resto do mundo. Segundo os últimos levantamentos, a população do globo aumentará, nos próximos anos, para 9 a 10 bilhões de pessoas. Serão novos consumidores cada vez mais ávidos por ter carro, transporte, moradia e carne. O desafio será fazer crescer de cinco a seis vezes a capacidade atual de produção da maioria das commodities, como aço, produtos químicos, madeira, comida. Além disso, esse crescimento do número de pessoas com maior poder aquisitivo, nos próximos 50 anos, provocará aumento da demanda de energia geral em três vezes e meia, e de eletricidade, em sete vezes. Mas, para viver, não precisamos apenas de combustível e alimento. O uso do plástico, por exemplo, está disseminado no dia a dia das pessoas e empresas, assim como de outros materiais, como pedra e cimento.

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Já enfrentamos problemas relacionados com a poluição, quando utilizamos o plástico vindo do petróleo, indicativo de que estamos tirando carbono enterrado no pré- e pós-sal e jogando para a atmosfera. Essa situação-limite leva o ambiente a ficar mais quente e ativo, deixando o planeta com sérios e recorrentes problemas climáticos. É hora, portanto, de mudança de paradigma, conceito entendido como a constelação de crenças, valores e técnicas compartilhadas pelos membros de uma comunidade. Tudo porque descobrimos, não muito recentemente, que poderemos produzir energia em larga escala nem só com petróleo e carvão. Quer dizer, se dá para fazer de petróleo, dá para fazer com a cana, utilizando processos químicos ou bioquímicos e obtendo mudanças no álcool ou no caldo de melaço através da fermentação. Plástico, por exemplo, se faz direto do etanol, de acordo com a experiência da Braskem, em Alagoas, que produziu polietileno. O processo foi interrompido porque as frações do petróleo passaram a ser mais baratas do que com a utilização do álcool, situação que persiste até agora. A pergunta que não quer calar em todos os centros de produção, pesquisa e de política pública do mundo civilizado: por quanto tempo conseguiremos sustentar esse tipo de situação? Por que, no mundo inteiro, ninguém acredita que os biocombustíveis serão muito mais do que 10 a 20% do total do consumido pelo transporte? A resposta é que o petróleo ainda será mais barato do que as outras opções, apesar de nosso esforço. Portanto o grande desafio é melhorar a eficiência energética da cana, para que


os cientistas possamos cobrir essa diferença. É quando percebemos a necessidade de introduzir, em larga escala no País, a biorrefinaria. A biorrefinaria de milho é mais antiga e, nos Estados Unidos, já se fabrica ácido lático, lisina, etanol. A ideia é introduzir esse conceito no Brasil, porém de forma mais integrada. Feito a partir da cana, a gente descobriu que, mesmo numa escala menor, não tão grande quanto a do petróleo, podemos produzir produtos de maior valor agregado, como bioplásticos e, eventualmente também, diesel, biodiesel, entre outros. Quando a usina fabrica etanol, açúcar cristal e bioeletricidade, a gente considera uma biorrefinaria. Esses três produtos apresentam uma grande volatilidade na hora da comercialização, porque o preço de um ou de outro sempre fica mais baixo. O preço do etanol melhora um pouco na entressafra, enquanto o da eletricidade sempre abaixa. E o valor do açúcar fica na dependência da especulação internacional. Para ter menos exposição a essa enorme volatilidade e atender a essas necessidades de aumento da demanda, podemos usar a cana e produzir os materiais de maior valor e necessidade. A biorrefinaria é algo simples: colocar o sistema integrado dentro da usina, usando a mesma cana, gerando a mesma vinhaça, produzindo produtos químicos, bioplásticos e biodiesel. O CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, desenvolveu, nos últimos 30 anos, a usina cujo processo está maduro e com sobra de energia para instalar a biorrefinaria. Por que essa tecnologia até agora não está disseminada? Primeiro, porque a questão ambiental não era muito valorizada. Hoje, já tem gente que quer pagar de 15 a 25% a mais para o polietileno, porque é produzido de forma verde. Fato que não ocorreria quinze anos atrás. Entretanto a classe C não consegue tomar essa decisão e prefere colocar gasolina no carro flex, porque custa menos por quilômetro rodado. Não se dá conta de que, por mês ou ano, o biocombustível permitiria a criação de mais empregos, redundaria em menos poluição e até doenças. O problema é que o setor que produz etanol ainda não conseguiu mostrar de maneira enfática que, mesmo custando mais caro, na hora de encher o tanque, vale a pena usar o biocombustível pelos benefícios ambientais e sociais que provoca. Essa visão ambiental e de sustentabilidade também é válida quando se analisa a produção de plásticos e outros produtos a partir da cana. Na verdade, além do açúcar, do etanol e da bioeletricidade, as usinas fabricam outros produtos, como aminoácidos, feitos de forma integrada, usando o melaço e a energia da usina.

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No caso da produção de bioeletricidade, uma ideia seria, em vez de vender para a rede de distribuição, utilizar essa energia para encontrar uma molécula de mais valor, que também tenha mercado. A demanda de consumo, com o aumento do número de pessoas e da riqueza, será por produtos mais sofisticados, como máquina de lavar com partes de plástico ou ferro, criado através de nossas biorrefinarias. Ainda é difícil dizer que o custo de produção será menor, pois os aumentos dos preços da mão de obra e adubos, junto com a valorização da terra, geram elevação do custo da matéria-prima. Apesar disso, se o setor conseguir produzir uma máquina de lavar verde, sem provocar poluição, e alguém quiser pagar a mais, valeu o esforço. Em alguns casos, melhora nossa competitividade ao produzir um biodiesel próximo do valor de venda do diesel feito no País, porque ele recebe subsídio. É mais fácil converter o açúcar e o etanol em plásticos e produtos químicos do que o petróleo. O processo é mais viável e tem menos perdas. A refinaria de petróleo é simplesmente uma solução econômica hoje, mas, no momento em que se começar a cobrar pelo impacto ambiental e pela produção de lixo, como já está acontecendo, vamos nos dar conta de que a melhor solução é a biorrefinaria. A parte de tecnologia é nossa ao fazer sobrar açúcar, bagaço, gerar menos resíduos e integrar esse processo adicional. Os especialistas do CTC desenvolverão tanto os novos processos que se encaixam melhor na usina atual e do futuro (com as tecnologias da segunda geração) como a integração propriamente dita, para reduzir os custos e os impactos. Além disso, o aumento da produtividade da cana, com os marcadores moleculares e a engenharia genética, tornará a biorrefinaria ainda mais viável, por reduzir a disputa entre açúcar, etanol, bioeletricidade e os novos produtos. Há necessidade de incentivo de uma política pública para as biorrefinarias, da mesma forma como foi preciso para transformar o etanol em alternativa de consumo. No Brasil, temos metas, mas não políticas públicas. Falta também um ambiente de negócio melhor para que as usinas possam correr o risco de apresentar projetos menos conhecidos. E, para isso, precisariam atrair parceiros do setor e grandes companhias químicas do mundo, fato que só será possível não só por iniciativa das usinas, mas também com o respaldo do governo.


Opiniões

nosso etanol de

segunda geração

O etanol tem sido alvo de níveis de atenção sem precedentes devido ao seu valor como combustível renovável alternativo à gasolina, sua eficiência e sustentabilidade. As perspectivas mundiais de expansão da produção e do consumo de etanol, aliadas à recente eliminação dos subsídios a essa indústria nos EUA, representam oportunidades para o etanol de cana-de-açúcar em termos de participação estratégica no mercado internacional. Atualmente, a produção brasileira de etanol baseia-se exclusivamente no caldo da cana, o chamado Etanol de Primeira Geração. Porém, o surgimento de novas tecnologias tem permitido a produção do Etanol de Segunda Geração, aquele obtido a partir do aproveitamento de biomassas lignocelulósicas. No caso brasileiro, pretende-se fazer uso dos dois terços da cana que hoje ou não são utilizados (caso da palha que permanece no campo após colheita) ou não são utilizados em plenitude (caso do bagaço excedente gerado nas usinas). Os primeiros estudos do CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, sobre esse tema datam de 2007, ano em que foi firmada a parceria com a Novozymes, empresa líder mundial no mercado de enzimas. Essa aproximação antecipava que a rota escolhida pelo CTC para a produção do etanol de segunda geração era a enzimática, o que também já demonstrava a legítima preocupação do Centro em disponibilizar ao mercado uma tecnologia ambientalmente amigável. Entre 2007 e 2008, anos marcados por intensos estudos exploratórios e desenvolvimentos em escala de laboratório, o CTC iniciou a construção in loco de uma Unidade de Desenvolvimento de Processo, que permitiu, entre 2009/2010, a realização de testes em uma escala já considerada semipiloto. No início de 2011, os parâmetros de processo obtidos após dois anos de desenvolvimento no CTC foram validados durante um mês em uma planta piloto localizada no exterior, mediante processamento de 30 toneladas de bagaço de cana. Com o amadurecimento e a consolidação da tecnologia em questão, o CTC assinou, ainda em 2011, um acordo de cooperação com a Andritz Brasil para o desenvolvimento de equipamentos e engenharia necessários à construção da primeira Planta de Demonstração de Etanol de Segunda Geração do Brasil, a ser instalada em uma usina de açúcar e etanol do Brasil. A previsão é chegar a 2013 com a planta montada e iniciando operação, tendo como objetivo o lançamento comercial dessa tecnologia entre 2015 e 2016.

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O grande diferencial da tecnologia CTC reside no fato de ter sido projetada para permitir total integração com a estrutura existente nas unidades produtoras, visando à otimização dos custos de instalação e operação. Além disso, essa tecnologia está fundamentada no conceito do aproveitamento de bagaço e palha, que resultará da implantação definitiva da colheita mecanizada, da proibição da queima da palha da cana e da tendência de utilização de caldeiras de alto desempenho. Desse modo, espera-se aumentar a produção de etanol em 40%, considerando um cenário conservador, a partir da mesma quantidade de matéria-prima processada, ou seja, será possível aumentar a produtividade do canavial sem expandir a área plantada, elevando a produtividade de etanol por hectare. Traduzindo em números, significa passar dos atuais 85 litros/ton cana para valores de, no mínimo, 120 litros/ton cana já no início de utilização dessa tecnologia. É importante lembrar que a corrida pelo aproveitamento de biomassas para produção de biocombustíveis não é privilégio do Brasil. O aumento da demanda mundial por energia e o esgotamento progressivo das reservas de petróleo têm motivado EUA, Europa, Japão e China a investirem pesadamente em P&D de biocombustíveis de segunda geração, com base em resíduos agrícolas e algas. No entanto o CTC identifica que as vantagens competitivas que o Brasil tem hoje estão relacionadas ao fato de o País dispor de um processo já consolidado para produção de etanol a partir do caldo da cana (primeira geração), à disponibilidade no ambiente industrial de uma fração significativa da biomassa da cana, na forma de bagaço, e também ao fato de o Brasil já ser um caso de sucesso na utilização de biocombustíveis na sua frota de veículos, contando com uma rede de distribuição de etanol implementada de norte a sul do País. Com a tecnologia CTC para produção de etanol de segunda geração, será colocado à disposição do setor sucroenergético um processo que leva em consideração tanto as peculiaridades da cultura de cana-de-açúcar quanto a disponibilidade de utilidades e infraestrutura nas unidades industriais. Desse modo, pretende-se manter o Brasil na dianteira dessa maratona por aumentar a produção de um produto que já apresenta alta qualidade, baixo custo de produção e sustentabilidade ambiental. Assim, esta que, há bem pouco tempo, era considerada uma tecnologia para o futuro, já está bem perto de se tornar realidade.

será possível aumentar a produtividade do canavial sem expandir a área plantada. Traduzindo em números, significa passar dos atuais 85 para valores de, no mínimo, 120 litros/ton de cana já no início de utilização dessa tecnologia. " Célia Araújo Galvão Pesquisadora do CTC

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os cientistas

Opiniões

logística: recolhimento e transporte da palha

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Do ponto de vista energético, a palha tem um papel muito importante, pois representa cerca de um terço de toda a energia contida nos canaviais, com aproximadamente a mesma quantidade de energia disponível nas fibras (bagaço) e no caldo transformado em açúcar ou etanol. " Marcelo de Almeida Pierossi Especialista em Tecnologia Agroindustrial do CTC

O que fazer com cerca de 70 milhões de toneladas de palha de cana-de-açúcar – mais de 40 milhões apenas no estado de São Paulo –, produzidas anualmente no País durante a safra, com potencial de gerar eletricidade para mais de 10 milhões de residências? A resposta ganha importância econômica e estratégica, quando se sabe que quase toda essa produção é queimada nos locais onde se processa a colheita manual ou então é deixada no campo. Existem experiências de aproveitamento energético da palha, mas são estatisticamente inexpressivas diante do seu volume de disponibilidade anual. Foi diante desse contexto que o CTC iniciou, há dois anos, um projeto em parceria com a New Holland, que permitiu a criação de um sistema agrícolo-industrial eficiente e economicamente viável para aproveitamento da palha através de enfardamento. Essas novas máquinas para enfardamento da palha – volume composto não apenas de folhas secas, mas também de folhas verdes e a ponta das plantas secas pelo sol – já estão na iminência de serem usadas pelas usinas. A conjugação de esforços do CTC – com seu conhecimento sobre o setor sucroenergético – e da New Holland – líder mundial em máquinas de fenação e forragem – resultou em uma sinergia criativa entre os dois polos de pesquisa. Esse sistema agrícolo-industrial consiste em três etapas distintas. A etapa inicial refere-se à recomendação da quantidade de palha a ser removida dos canaviais, atividade atualmente em desenvolvimento pelo CTC, baseada nas condições de solo e clima de cada região e também à presença de pragas ou doenças associadas à presença de palha, visando promover a sustentabilidade da operação. Após a recomendação, iniciam-se as operações agrícolas para o recolhimento da palha, formação e transporte dos fardos. Quando a palha enfardada chega à unidade industrial, começa a terceira etapa, que é a do seu processamento, visando à queima nas caldeiras de bagaço. Além da utilização do sistema de recolhimento de palha através do enfardamento para a geração de energia térmica e elétrica nas caldeiras, esse material terá, no futuro, distintas aplicações, tais como, no médio prazo, matéria-prima do etanol de segunda geração e, no longo prazo, importante insumo em técnicas mais eficientes em transformação termoquímica da biomassa: gaseificação e pirólise.

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A rota de recolhimento através do enfardamento inicia-se com a colheita mecanizada convencional da cana-de-açúcar, na qual as folhas verdes, secas e palmitos deixados no campo são expostos ao sol durante 7 a 10 dias para que sua umidade caia de 45-40% para valores em torno de 12-15%. Com a umidade correta para o enfardamento, realiza-se o aleiramento, com formação de leiras de palha espaçadas a cada 7,5 m, seguida pela operação de enfardamento, onde ela é recolhida e compactada em fardos com peso aproximado de 470 kg, automaticamente depositados no solo. A carreta recolhe esses fardos e os transporta até os carreadores, onde são colocados em equipamentos rodoviários projetados para essa finalidade. Ao chegar à indústria, os fardos são descarregados em unidades processadoras para Joaquimelo o desenfardamento. O material é desagregado para tornar Gerente de Oelulose mais fácil sua limpeza em esteiras rotativas, que eliminam impurezas minerais. Depois, é triturado até atingir a granulometria adequada, ser misturado ao bagaço e queimado nas caldeiras. Em todo o desenvolvimento do projeto, pensamos no princípio de cadeia de suprimentos, de modo a fornecer uma solução completa, com visão do sistema. Do ponto de vista energético, a palha tem um papel muito importante, pois representa cerca de um terço de toda a energia contida nos canaviais, com aproximadamente a mesma quantidade de energia disponível nas fibras (bagaço) e no caldo transformado em açúcar ou etanol. Por possuir uma baixa umidade no momento do enfardamento, uma tonelada de palha enfardada retém a mesma quantidade de energia de aproximadamente 1,8 tonelada de bagaço com umidade de 50% e é capaz de gerar cerca de 0,7 MWh em energia elétrica nas termoelétricas, normalmente instaladas nas usinas. No futuro imediato, a principal tarefa será introduzir e difundir, em escala comercial, as tecnologias da parte agrícola e do processamento de picagem na indústria. No curto prazo, o foco será melhorar a operação, reduzindo os custos e melhorando a qualidade da matéria-prima (fato semelhante ocorreu com a ampliação da mecanização da colheita). No longo prazo, o direcionamento das pesquisas será concentrado em novos sistemas de maior capacidade, com tecnologias inovadoras e de ruptura, que reduzam significativamente os custos, viabilizando o fornecimento da palha como insumo nas biorrefinarias.


os cientistas

variedades

transgênicas

de cana-de-açúcar

Com o constante aumento da população mundial, a demanda por alimentos e energia é crescente. Uma vez que não é possível aumentar o tamanho do planeta, essa demanda gerada deve ser atendida pelo desenvolvimento tecnológico que garanta uma maior produtividade das culturas agrícolas na mesma área cultivada. Esse desenvolvimento tecnológico agrícola, capaz de garantir saltos em produtividade, vem sendo alcançado com base na biotecnologia aplicada ao melhoramento genético das culturas. Culturas como milho, soja e algodão já desfrutam desse benefício e apresentaram aumentos de produtividade expressivos nos últimos 10 anos, decorrentes da aplicação da transgenia. A adoção da tecnologia de transgenia no mundo cresceu cerca de 90 vezes nos últimos 15 anos. Esse grau de adoção é extremamente elevado e reflete o benefício gerado pelas cultivares transgênicas.

A cana é a matéria-prima ideal para produção de açúcar e etanol, além de poder ser queimada para geração de energia nas usinas. Ela garante um balanço energético extremamente favorável. Melhor que isso, é um importante “patrimônio nacional”, uma vez que o Brasil é o maior produtor de cana do mundo. Uma cultura dessa importância justifica, por si só, investimentos para desenvolvimento tecnológico que gerem aumento de produtividade e garantam a posição competitiva do Brasil no que diz respeito a sua matriz energética. Hoje, todas as variedades de cana-de-açúcar liberadas comercialmente, tanto no Brasil como em qualquer país do mundo, são provenientes de melhoramento genético convencional, baseado em cruzamento e seleção de novas combinações genéticas, que dão origem às novas variedades. A transgenia ainda é aplicada somente em pesquisa.

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A cana é a matéria-prima ideal para produção de açúcar e etanol, além de poder ser queimada para geração de energia nas usinas. Ela garante um balanço energético extremamente favorável. "

Sabrina Moutinho Chabregas

Gerente de Pesquisa Tecnológica do CTC

Temos, hoje, no Brasil, cerca de 85% das lavouras de soja ocupados por soja transgênica; 70% do milho cultivado é transgênico e ao redor de 30% do algodão. Esses dados colocam o Brasil na posição de segundo maior produtor de culturas transgênicas do mundo, atrás somente dos Estados Unidos. Em outros países, essa tecnologia já está sendo empregada em outras culturas, como mamão, canola e outras espécies vegetais. No Brasil, além da soja, milho e algodão transgênicos liberados para plantio comercial, temos também um evento de feijão transgênico resistente a vírus. A cana-de-açúcar não pode ficar de fora desse desenvolvimento.

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Em 1994, o CTC desenvolveu a primeira variedade transgênica do Brasil. De lá para cá, realizou projetos de pesquisa testando diferentes genes e novas metodologias de transgenia, provando que a transgenia é possível em cana-de-açúcar. Hoje, o CTC desenvolve projetos para liberação de uma variedade de cana transgênica comercial. Para isso, realizou parcerias com importantes empresas na área de biotecnologia, como a Basf e a Bayer. Estamos trabalhando para desenvolver variedades de cana transgênicas mais produtivas, com maior teor de açúcar e tolerantes à seca. Essas variedades devem chegar ao mercado em breve e irão gerar inúmeros benefícios ao setor sucroenergético brasileiro.


Opiniões Para atingir esses objetivos, o CTC tem direcionado investimentos na área de biotecnologia e possui a vantagem de já ter um forte programa de melhoramento convencional muito bem estabelecido. As variedades convencionais de cana são a base do desenvolvimento da transgenia. Com boas variedades, é possível gerar bons transgênicos. A aceitação pública desse tipo de tecnologia também aumentou nos últimos anos. No início dos desenvolvimentos de culturas geneticamente modificadas, uma parte da população não tinha informação a respeito e acabava se posicionando contrária à tecnologia. No entanto, hoje, a situação é muito diferente, o consumidor entende o benefício que a transgenia gera para o produtor e para o meio ambiente. Milhões de litros de água e combustível deixam de ser usados nas lavouras devido à diminuição dos tratos culturais necessários nos plantios transgênicos. Além disso, os benefícios de aumento de produtividade estão diretamente relacionados à preservação de áreas de expansão da agricultura. Além do aspecto técnico, o processo de desenvolvimento de uma variedade transgênica também envolve uma série de análises de biossegurança. A CTNBio, Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, regulamenta os trabalhos com organismos geneticamente modificados no Brasil. Essa é uma comissão técnica extremamente séria e composta por pessoas gabaritadas, subordinada ao Ministério de Ciência e Tecnologia. O Brasil criou, ao longo dos últimos 10 anos, uma base bastante sólida que garante o desenvolvimento tecnológico, sem riscos adicionais à saúde humana, animal e ao meio ambiente.

A credibilidade da CTNBio e o benefício gerado pelas culturas transgênicas se refletiram na rápida adoção da tecnologia no campo. Evidentemente, a adoção de uma nova tecnologia não aconteceria tão rapidamente se ela não garantisse vantagem para o produtor. Ao lado disso, temos a garantia adicional de que não existe no Brasil nenhum outro produto que seja tão testado antes de seu lançamento comercial do que um produto transgênico. Não é nem será diferente com a cana-de-açúcar. No CTC, temos uma área de regulamentação que garante que estamos seguindo todo o processo corretamente, realizando todos os testes em laboratórios certificados, sob rigorosa inspeção de órgãos do governo, com descarte apropriado, enfim, atendendo às exigências para garantir a sanidade, como também assegurar a qualidade agronômica de nossas variedades transgênicas. Em pouco tempo, não é difícil prever, assim como aconteceu com a soja e com o milho, teremos variedades transgênicas de cana sendo plantadas comercialmente, adaptadas a diferentes regiões brasileiras. Serão, certamente, variedades mais produtivas e com menor custo de produção agrícola. Com os investimentos projetados e o foco em desenvolvimento da biotecnologia que o CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, está realizando, esse dia não demora a chegar. Todos os resultados obtidos até hoje indicam que estamos no caminho certo, e, em breve, a agroindústria da cana-de-açúcar se beneficiará de variedades de cana transgênica, agregando valor ao negócio e ao meio ambiente.

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os cientistas

Opiniões

o canavial do futuro Imagine variedades de cana-de-açúcar transgênicas adaptadas ao seu ambiente de produção local e com acréscimo das atuais médias do setor de 20-30 kg de ATR por tonelada de cana. Futuro? Sim! Mas, hoje, no CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, já está sendo construído esse cenário, utilizando-se da mais avançada tecnologia do setor. O emprego da biotecnologia trará para o canavial, potencialmente, o esperado salto de produtividade. A especificidade e a customização das variedades às diferentes regiões produtoras trarão vantagens econômicas para o produtor, ao ponto de esses cultivares chegarem a produtividades, talvez, ainda maiores. Ousa-se falar em uma “supercana”, que deverá ser o pilar mestre da produção/produtividade agrícola, assentada em uma junção de tecnologias que também levam em consideração solo, clima e manejo avançado. Isso é possível. Trabalhos desenvolvidos por Paul H. Moore, renomado pesquisador do Hawaii Agricultural Research Center (HARC), estimam o potencial genético teórico de produção da cana em 470 toneladas por hectare, com uma produção possível de ser alcançada entre 210 e 260 toneladas de cana por hectare em um corte. Experimentos realizados no CTC já obtiveram produtividade de primeiro corte de 232 toneladas de cana por hectare, em ambiente edafoclimático A-I (CTC, 2012). O mesmo nível de produtividade encontrado pelo pesquisador havaiano. Estamos a caminho. Temos, hoje, no Brasil, centenas de variedades. No CTC, são 24 variedades para todos os ambientes de produção. A regionalização do programa de melhoramento do CTC trará para esse cenário, talvez, 5 ou 6 variedades em média para cada região. Descontadas as variedades mais ecléticas (1 ou 2) e contabilizados os cerca de 15 diferentes ambientes de produção existentes no Brasil, chega-se fácil a um total de 60 cultivares CTC com alta adaptabilidade. Com modernas tecnologias de hibridação e seleção de variedades somada à tecnologia adotada no campo, mais as vantagens propiciadas pela natureza à cana-de-açúcar, é realmente possível levar a planta a render o máximo de sua potencialidade. Explorar esse potencial dependente do que se faz no geren-

ciamento desses cultivares, e isso nos remete ao manejo da cultura de cana-de-açúcar. O manejo agrícola desenvolvido na área da ciência agronômica tem como principal função dar suporte e criar condições adequadas para a máxima expressão gênica das variedades ou híbridos de plantas. Atualmente, na área de cana-de-açúcar, estima-se que sejam gastos R$ 150 milhões para o desenvolvimento, do cruzamento até o lançamento comercial, de uma variedade superior aos padrões comerciais. Em futuro próximo, a utilização das citadas modernas técnicas biotecnológicas trará uma redução no tempo de desenvolvimento das variedades, otimizando a aplicação dos recursos, ao mesmo tempo em que haverá um salto de qualidade dessas mesmas variedades, incorporando gens de produtividade e/ou resistência a ataque de pragas e doenças. O manejo agrícola (figura) como fator limitante e redutor deve suportar e avançar no mesmo sentido, criando/adaptando as práticas que vão embasar o novo patamar de produtividade, seja modificando os ambientes de produção, otimizando doses de nutrientes, criando novas tecnologias de plantio ou mesmo indicando e sinalizando ao melhoramento genético oportunidades não exploradas, do ponto de vista de lançamento de variedades adaptadas às mais diferentes condições de plantio existentes no País ou no exterior. Atualmente, estamos no caminho para a total e esperada recuperação da produtividade, com aplicação da tecnologia já dominada e disponível; o canavial do futuro e o grande salto de produtividade virão com os cultivares criados hoje no CTC - Centro de Tecnologia Canavieira.

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estimam o potencial teórico de produção da cana em 470 ton/ha, com uma produção possível de entre 210 e 260 ton/ha em um corte. Experimentos no CTC já obtiveram produtividade de primeiro corte de 232 ton/ha "

Antonio Celso Joaquim

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Pesquisador do CTC


os cientistas

seleção assistida por marcadores

moleculares

O projeto de seleção assistida de variedades por marcadores moleculares, desenvolvido pelo CTC - Centro de Tecnologia Canavieira, leva à perspectiva de que, brevemente, será possível reduzir pela metade o prazo de obtenção de novas variedades de cana-de-açúcar com melhoramento genético. Hoje, um programa de melhoramento genético de cana leva 10 anos, em média, para chegar a uma nova variedade, partindo do cruzamento de variedades já existentes. A tecnologia, já aplicada em outras culturas, como o milho e a soja, enfrenta obstáculo maior em relação à cana, devido à complexidade genética dessa cultura, que resulta em impacto direto na descoberta e desenvolvimento de marcadores moleculares.

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A cana-de-açúcar tem uma complexidade genética muito grande. É um organismo poliploide com muitos cromossomos repetidos em seu genoma. Essa característica acrescenta dificuldade. Por outro lado, desafia os cientistas a encontrar soluções para esse problema, e isso é muito estimulante. " Karine Miranda Oliveira Pesquisadora do CTC Colaboração: Sabrina Moutinho Chabregas

Essa complexidade, aliada à forma de propagação vegetativa da cana, é uma das causas do longo tempo que leva o melhoramento genético da cultura para o lançamento comercial de uma nova variedade. A cana-de-açúcar tem uma complexidade genética muito grande. É um organismo poliploide com muitos cromossomos repetidos em seu genoma. Essa característica acrescenta dificuldade a qualquer desenvolvimento genético em cana. Por outro lado, desafia os cientistas a encontrar soluções para esse problema, e isso é muito estimulante. O CTC se equipou para vencer essas barreiras e está no caminho de redução do tempo e do custo para obtenção de novas variedades, com o projeto que desenvolve desde o final de 2007. Recentemente, o Centro de Tecnologia Canavieira investiu em uma plataforma de última geração, baseada em espectrometria de massa, uma das mais modernas do mundo, para análise de marcadores moleculares em cana-de-açúcar.

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A partir daí, os avanços alcançados são muito animadores. Foi desenvolvida uma tecnologia de identificação genética de variedades (fingerprinting), que permite conhecer uma variedade de cana com segurança, a partir de qualquer parte da planta, por exemplo, pela análise em laboratório de uma simples folha trazida do campo. É uma importante ferramenta para garantir a qualidade do germoplasma e para a rastreabilidade de variedades. Para se chegar a esse tipo de informação, é preciso conhecer o DNA da planta, como se estivéssemos descobrindo a impressão digital da variedade. É um processo bastante semelhante ao teste de paternidade realizado em humanos.


Opiniões Uma variedade de cana tem algumas características no DNA que são únicas e não existem em outra variedade. Se conhecermos a marca de cada uma delas, seremos capazes de identificá-las posteriormente. O trabalho envolve a construção de um banco de dados com os dados do DNA de cada uma das variedades, tanto as desenvolvidas pelo CTC como as de outros institutos, sendo isso essencial para efeito de comparação. O marcador molecular pode assegurar se está sendo utilizada a variedade correta no início de um projeto de pesquisa, assim como contribui para o programa de melhoramento se tornar mais eficiente na obtenção de novas variedades. O CTC investe em marcadores moleculares desde a década de 90, mas a estratégia anterior baseava-se no desenvolvimento de projetos de pesquisa em parceria com universidades ou através do consórcio internacional, International Consortium for Sugarcane Biotechnology (ICSB), do qual o CTC foi fundador e participa desde então. De 2007 para cá, o CTC internalizou a pesquisa, e daí os progressos começaram a ser mais evidentes e direcionados. Trata-se de um estudo bem embasado, cujo conhecimento foi sendo acumulado durante os anos de pesquisa acadêmica. Hoje, temos condições de entender o que estamos observando e direcionar o desenvolvimento para aplicação comercial. A tecnologia na qual se baseia o estudo é bastante sofisticada e tem custo elevado, por isso os esforços devem ser focados. Além disso, a tecnologia ainda necessita de alguns anos de desenvolvimento, esti-

mados em cerca de dois a três, mas, certamente, vai gerar aumentos expressivos de produtividade, antecipando o lançamento de variedades e os ganhos que o produtor espera. A boa perspectiva leva em conta que o marcador molecular, sendo utilizado no processo de obtenção de novas variedades, agrega vantagem de aumento da eficiência na seleção genética da cana-de-açúcar. A ideia é antecipar a seleção de características através da observação do material genético da variedade, permitindo que se possa ter acesso a determinada característica – por exemplo, nível de produtividade ou teor de açúcar, antes de a planta estar apta para produção. Isso confere ganho em seleção, e daí se derivam os ganhos em eficiência. O CTC já está aplicando marcadores moleculares em seu Programa de Melhoramento de Variedades, e, em breve, teremos variedades liberadas com o uso dessa tecnologia. Essa ferramenta agrega valor ao que o CTC já vem realizando em inovação no melhoramento de cana-de-açúcar, desenvolvendo variedades adaptadas a diferentes condições climáticas, pelo processo de regionalização que está sendo realizado há alguns anos. Dessa forma, é possível oferecer ao produtor variedades com maior produtividade, adaptadas a cada região. Todas as inovações aplicadas ao desenvolvimento de variedades CTC contribuem para a redução pela metade do tempo que normalmente seria consumido com melhoramento, gerando vantagem para o produtor e antecipação dos ganhos de produção.

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os cientistas

Opiniões

novas variedades,

caminho promissor

Triplicar a produção de etanol por área no Brasil é o que nós, do CTC, estamos prevendo para 20 anos, em função de uma série de atividades de pesquisa, compreendendo tanto a parte agronômica como a parte industrial, que acenam para o futuro que está chegando. Para começar, em um ou dois anos, vamos lançar variedades de cana-de-açúcar específicas para cultivo na região central do País, dentro do programa de regionalização. Trata-se do primeiro programa de melhoramento regional que irá liberar cultivares adaptadas ao cerrado brasileiro. Já estamos fazendo a validação final de alguns clones. Começamos pelo estado de Goiás e região Centro-Oeste, porque era uma nova e desafiadora situação para a cana, mas já estamos com nossos olhos voltados também para outras regiões. A tendência, de cinco a seis anos, é que estaremos com a recomendação de variedades CTC específicas para cada área do País. Há uma década, o Centro de Tecnologia Canavieira está trabalhando no processo de regionalização de variedades. A grande diferença em relação ao que se fazia antes é que se trabalhava de forma intensiva em São Paulo, com material encaminhado para outros estados apenas após a liberação comercial. Na nova fase, opera-se na própria região já a partir da semente, com avaliação específica de milhares de progênies. Os clones em desenvolvimento passam ali todos os anos agrícolas, em avaliações e ensaios especialmente delineados, submetidos às condições climáticas e de solo locais. Assim, o processo de regionalização obteve um ganho expressivo. Ao invés de variedades desenvolvidas para São Paulo, não adequadas às suas condições, o cerrado passará a contar com material sob suas condições peculiares, como alta temperatura, solos de menor potencial produtivo, baixa umidade e estiagem durante cinco a seis meses. Essa região não mais precisará recorrer a plantas que, sob seu regime ambiental, florescem intensamente e por isso produzem menos. Em breve, vamos disponibilizar novas variedades para outras regiões, com a certeza de que, com o trabalho regionalizado, ao invés de 1,5% de ganho de produtividade por ano, como acontece hoje, vamos logo crescer a taxas de 2,5%, podendo, depois, chegar a incrementos anuais de 4,0 até 5,0%. Dentro de uma programação ampla, que visa duplicar em 20 anos a produtividade de cana no Brasil,

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É como estaquear melhorias, uma em cima da outra, para se chegar ao triplo da produção de etanol em duas décadas. O escopo do nosso trabalho é colocar à disposição do produtor, mais rapidamente, a possibilidade de mudar a genética antiga. "

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Arnaldo José Raizer Gerente de Pesquisa Tecnológica do CTC

já estaremos agregando a biotecnologia para se chegar aos novos patamares de produção, inclusive com a transgenia. Diante da falta de variedades regionais, temos, hoje, a realidade de produtividade menor, em função da seca, da ordem de 20% no Nordeste e no Centro-Oeste. Mas a tendência é termos, dentro de 10 anos, regiões mais uniformizadas no sistema produtivo de cana, para atendermos à crescente demanda por etanol, açúcar e energia. O CTC tem esse foco no futuro, atender à demanda do Brasil e do exterior com plantas adaptadas regionalmente. Para isso, estruturou estrategicamente sua equipe, sua rede experimental e seu modo de atuação, de acordo com as necessidades de seus clientes. O processo de regionalização que o CTC desenvolve se direciona também para o plantio mecanizado, com a previsão de, em cinco anos, estarmos atingindo praticamente 100% dessa prática, o que também impacta o estudo de novas variedades. Para a colheita mecanizada, já temos portfólio pronto, porque já é uma tecnologia de 25 anos nos canaviais, e nós avaliamos isso, também de forma pioneira, há 20 anos, no programa de melhoramento. O tipo de cana será muito mais adaptado à mecanização, material mais adequado, mais ereto, com boa densidade, que não apresente perdas durante a colheita, que brote bem e tenha uniformidade e qualidade tecnológica muito boa. A regionalização segue diversas linhas de pesquisa, desde o planejamento e uso do nosso germoplasma até a recomendação de manejo das variedades CTC. Classificamos o País em macro regiões, por classe de solo e de clima, que, na realidade, representam diferentes áreas de potencial agrícola, usadas para a análise do comportamento varietal. Temos, hoje, a tecnologia dos ambientes edafoclimáticos e experimentação para atender a tudo isso. O programa de melhoramento genético é estabelecido, inclusive, de forma a atender algumas demandas da biotecnologia, como o fornecimento de plataforma para a pesquisa com genes e com plantas a serem transformadas geneticamente.


os cientistas Isso significa ampliar os limites das nossas variedades. É possível trabalhar em biotecnologia com materiais novos que estão chegando à fase final do programa, para termos, por exemplo, biomassa com maior conversão de energia ou valor agregado em produtos da cana, seja através dos açúcares, do bagaço ou de outras moléculas da planta. A ideia, no curto prazo, é incorporar biotecnologia para melhorar os ganhos em todos os aspectos. Às vezes, se esbarra em alguns limites de melhoria de produtividade, mas já existem trabalhos de biotecnologia para agregar genes que vão conferir ganhos na produção de açúcar, na tolerância à seca e na resistência às pragas, que são fatores limitantes em diversas regiões canavieiras. Trabalhamos com todas as ferramentas, em todas as áreas, para o aumento da produtividade, para que tornemos possível antever o salto da média nacional, hoje de 85 toneladas por hectare, para 150 a 160 toneladas, em até 20 anos, independente da região. Com material específico, cada região teria sua situação também específica para contribuir nesse processo. Outra parte importante do programa é o trabalho com melhoramento, já focando a cana energia, para atender à demanda da indústria no futuro. Ou seja, uma cana que tenha mais palha, mais biomassa e mais carbono e celulose, a ser transferido ao etanol de segunda geração e como oferta de energia renovável. Nosso trabalho forte em genética e em biotecnologia, para buscar plantas mais eficientes em todas as regiões de cultivo, tem amparo no germoplasma do CTC, que é o mais completo do mundo. Um poderoso banco de dados, com informações do desempenho regional de cada genótipo, direciona as estratégias de exploração dessa diversidade genética. O uso de ferramentas, como marcadores moleculares e outras técnicas, além da transgenia, busca o aumento da produtividade e a

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Opiniões redução do custo dos processos de melhoramento genético. É como estaquear melhorias, uma em cima da outra, para se chegar ao triplo da produção de etanol em duas décadas. É o escopo geral do nosso trabalho, colocar à disposição do produtor, mais rapidamente, a possibilidade de mudar a genética antiga. Hoje, temos centenas de variedades de cana, mas, na maior parte das regiões produtoras, existe, a rigor, não mais do que meia dúzia de opções, recomendadas para grandes áreas, o que agrava o aspecto da vulnerabilidade às pragas e às doenças, gerando perdas por deficiência de manejo. Variedades utilizadas há mais de 10 anos, ou até 20 anos, vão sair do mercado. Elas estão aquém do potencial dos híbridos modernos, não foram desenvolvidas para tolerar a seca e apresentam suscetibilidade às doenças, além de serem menos adequadas para a mecanização. Nosso objetivo de colocar opções varietais direcionadas para cada região inclui, também, a preocupação com ciclos de gerações e liberação de material genético mais avançado, pois um portfólio varietal diversificado otimiza o manejo, o que maximiza os resultados durante a safra. Em suma, estamos incessantemente em busca de variedades rentáveis, que se prestem a tudo: produzir etanol, açúcar, energia e novos produtos. Visamos atender demandas futuras, principalmente com regionalização, adaptação a problemas climáticos e de solo, preenchendo lacunas onde vai haver expansão da cultura e necessidade de novas tecnologias de produção e manejo. A história do programa de melhoramento do CTC começou em 1969 e foi até 2000, com a visão muito focada em São Paulo, e, a partir daí, nos últimos 12 anos, acompanhamos a expansão da cultura para outras regiões. Com o CTC pós-Copersucar, partindo para novas variedades de cana-de-açúcar, estamos, certamente, no meio de um caminho muito promissor.


Crescimento e Captação de Recursos exigem Padronização Contábil Nos últimos três anos as empresas brasileiras vêm em constante processo de adaptação aos padrões internacionais de contabilidade (IFRS), de forma a se adequarem às regras estabelecidas pelos pronunciamentos contábeis do CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis, corroborados pelas Deliberações da CVM – Comissão de Valores Mobiliários.

Alexandre Melo

Sócio da MJC Consultores

Por outro lado, padronizar as informações financeiras significa estar preparado para divulga-las de forma transparente e consistente aos principais investidores no Brasil e no Exterior, tornando mais ágil a negociação e captação de recursos via emissão de ações ou através de operações financeiras, tais como: bond, debêntures e outras, as quais são fundamentais para o crescimento das empresas. A MJC Consultores busca oferecer aos seus clientes o suporte técnico necessário para revisão e preparação das demonstrações financeiras dentro dos padrões contábeis internacionais, bem como auxiliar em todo o processo de auditoria externa e preparação dos documentos para a negociação e captação de recursos junto ao mercado financeiro e investidores.

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os cientistas

as duas rotas da gaseificação A gaseificação é, hoje, um grande desafio, não só pelo aspecto técnico-operacional relacionado ao aproveitamento de biomassa da qual se pode extrair o gás, mas também por outros aspectos, principalmente o que se relaciona aos custos e ainda tendo de se considerar a regulamentação de uso e a cultura de substituição de produtos de origem fóssil. É um grande desafio, em escala mundial, para o CTC, que tem trabalhado nessa área. Historicamente, a gaseificação começou com o uso de gás nos carros (já desde os tempos da Segunda Guerra Mundial) e passou, depois, pelo processo de transformação desse produto em energia elétrica, com a constatação de uma solução eficiente, porém cara, daí não ter tido aceitação maior no mercado. Alternativamente, podemos também recorrer a outras formas de energia elétrica renovável, como a solar e a eólica. Apareceram outras alternativas para a gaseificação, com destaque para o projeto de transformar a biomassa em produtos químicos verdes, porque a biomassa contém carbono que pode ser útil na construção de outros produtos. Várias empresas e instituições no mundo têm buscado essa destinação mais nobre.

processo único, gerar excedente e o vapor que são necessários para operação das usinas. Quanto a produtos químicos, seria um processo quase independente, em que se usaria parte da biomassa para atender às necessidades de energia da usina e a outra parte excedente destinada a produtos mais nobres. A geração de energia elétrica pode-se tornar mais eficiente, obtendo-se quase o dobro do que se obtém hoje. Mas aí cabe a pergunta: se é assim, por que a usina não faz isso? Não faz porque, além de existirem ainda algumas barreiras tecnológicas, essa geração seria mais cara. Mesmo gerando o dobro, o custo por unidade de energia produzida seria mais alto do que é hoje. Outra opção que a usina teria: em vez de usar biomassa para exportar energia elétrica, cujo valor econômico hoje está baixo, ela poderia chegar a outros produtos com valor agregado maior, como produtos químicos e fertilizantes, nos quais o ganho poderia ser consideravelmente maior. O Brasil não trabalhou muito nessa área, se comparado a outros países, embora estes também, regra geral, não trabalhem no nível ideal, restringindo-se as pesquisas a algumas poucas empresas.

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É a visão ambiental que deve prevalecer, apesar do custo. É só tomar o exemplo da produção de energia elétrica a partir do lixo. É mais cara do que outras formas, mas resolve um problema ambiental importante. Pensando nisso, num todo, a gaseificação faz sentido. "

Suleiman José Hassuani Gerente de Pesquisa Tecnológica

Na última década, a possibilidade de gerar produtos químicos verdes a partir da gaseificação tornou-se um atrativo, mesmo com a barreira do alto custo de produção que tem inibido o avanço dessa tecnologia. Há necessidade de se descobrirem nichos onde esses produtos sejam valorizados, ou, então, que tenhamos algum tipo de apoio do governo a fundo perdido, para que essa tecnologia chegue a um custo acessível. O CTC trabalhou bastante em pesquisas de gaseificação na década de 1990 e no início dos anos 2000, em parceria com empresas da Europa, focando na produção de energia elétrica em ciclos mais eficientes. Mais recentemente, o CTC iniciou a participação em projeto coordenado pelo IPT, num grande consórcio que vai atuar nas duas linhas, tanto na produção de energia elétrica mais eficiente com gaseificação, quanto no objetivo de produtos nobres. São duas rotas paralelas, visando atender a interesses de empresas incluídas no consórcio. No caso da cana-de-açúcar, a gaseificação pode ocorrer a partir do bagaço ou da palha, ou de ambos. Na energia elétrica proveniente do bagaço, poder-se-ia, num

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No caso brasileiro, para nos situarmos em rota contrária, temos, agora, por exemplo, as perspectivas muito positivas com o pré-sal, o que faz com que a energia renovável fique em plano muito abaixo, sem o impulso de que gostaríamos. Com algumas poucas parcerias e pesquisas baseadas no conhecimento de alguns importantes pesquisadores mundiais, com os quais temos contato, o Brasil poderia logo ter condição de estar muito próximo do atual nível tecnológico mundial. É um desafio, mas, realmente, do lado tecnológico, não é muito difícil levar a condição do Brasil à condição mundial. O que precisamos é um ambiente adequado de motivação de empresas e do próprio governo para chegarmos à tecnologia avançada. Hoje, em escala mundial, tem existido uma conscientização muito grande em relação às tecnologias verdes, porque alguns países se defrontam com fontes energéticas em situações difíceis. O maior exemplo é o Japão que, por conta da crise com a energia nuclear, provavelmente vai buscar fontes verdes renováveis para tentar substituir, pelo menos parcialmente, sua atual base de energia.


Opiniões Mas, no geral, a preocupação com os efeitos das mudanças climáticas, como o degelo, um problema crítico, ainda não foi adequadamente valorado. Mas será, mais cedo ou mais tarde, e, quando isso acontecer, será maior o mercado para a gaseificação a partir da biomassa. No Brasil, temos, atualmente, empresas como a Coca-Cola, preocupadas em substituir o plástico das garrafas pet, fonte fóssil, por material de fonte renovável. Se o Brasil não estiver buscando essa tecnologia, pode ser que isso o coloque numa posição à deriva, por não estar adotando aquilo que muito se diz, o ecologicamente correto. É a visão ambiental que deve prevalecer, apesar do custo. É só tomar o exemplo da produção de energia elétrica a partir do lixo. É mais cara do que outras formas de energia, mas resolve um problema ambiental importante. Pensando nisso, num todo, a gaseificação faz sentido. Dentro das perspectivas, o CTC sempre procurou estar à frente. Exemplo: há 20 anos, quando se começou a falar em colheita de cana sem queima, o CTC já havia, há tempos, iniciado essas pesquisas, porque já visualizava o que seria o futuro. O CTC entende que seu papel, mais que desenvolver tecnologia, é o de buscar soluções para a indústria e para a sociedade. O apoio governamental à pesquisa é fundamental, visando reduzir os riscos dos novos desafios. Por outro lado, temos procurado fazer a nossa parte, sem ficar só reclamando, inclusive pensando que, ao reivindicarmos alguma coisa do governo, possamos ter a visão clara daquilo que buscamos e o embasamento técnico necessário.

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Opiniões

variedades CTC

para as regiões de Assis, São José do Rio Preto, Araçatuba e Jaú Comparando-se a produtividade do Centro-Sul para a cana própria comercial, produzida durante a safra 2011, observa-se que, na média, as variedades CTC proporcionaram um ganho de 13 toneladas de cana/ha em relação às cinco variedades não protegidas mais plantadas no Brasil. Quando a comparação é feita para ATR, verifica-se que as variedades CTC proporcionaram um incremento de duas toneladas/ha aos produtores. Região de Assis: O sucesso de uma variedade de cana-de-açúcar na região de Assis está diretamente relacionado à sua adaptação à mecanização e, nesse contexto, as variedades do CTC se destacam. Com um crescimento expressivo nas áreas de usinas e fornecedores da região, a variedade CTC4 agrupa diversas características agronômicas desejáveis, tais como alta produtividade, tolerância à seca, longevidade, riqueza e adaptação ao plantio e colheita mecanizados. Com maturação semelhante a SP81-3250, a CTC4 surgiu como uma ótima opção para dividir espaço com essa variedade e, por proporcionar elevado retorno econômico e garantir a longevidade dos canaviais, a CTC4 tem sido uma das variedades mais plantadas na região. Há que se ressaltar a procura por variedades com características desejáveis para os plantios de cana de ano e inverno na região. Nesses casos, a CTC7 aparece como a principal opção de cultivo, devido ao seu rápido crescimento inicial e ausência de florescimento. Com excelente adaptação ao plantio mecanizado e brotação sob a palha, bem como alta produtividade e riqueza no início e meio de safra, a CTC7 é uma excelente opção para as unidades de produção. Para os ambientes mais restritivos, compostos pelos solos de menor potencial produtivo, a CTC15 tem proporcionado um ótimo retorno aos produtores, mantendo bons níveis de produtividade ao longo dos cortes. Trata-se de uma variedade com elevada tolerância à seca e com boa estabilidade para ser colhida no meio da safra. Adicionalmente, a CTC15 tem apresentado tolerância à broca da cana, praga de grande importância na região. Já a CTC17, também rústica, é uma variedade precoce, com boa resposta aos maturadores químicos que permitem o início da colheita nos piores ambientes de produção, em função de sua precocidade. As vantagens proporcionadas pelas variedades CTC na região de Assis já foram notadas por diversos produtores, como se comprova pelo relato do Engenheiro Agrônomo José Francisco Fogaça, gerente

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O presente tem mostrado que é possível aumentar a produtividade dos canaviais utilizando variedades mais modernas e com aptidão às tecnologias atuais. " Marcos Virgílio Casagrande Gerente-Técnico de Produto do CTC Colaboração: David Augusto Peixoto Casiero

de planejamento da Nova América Agrícola – Unidade de Tarumã-SP: “Estudos internos evidenciaram a necessidade de substituição de algumas variedades que, no passado, foram boas opções para a nossa unidade, e algumas variedades do CTC têm proporcionado tais substituições com vantagens, especialmente pela ótima adaptação à mecanização (plantio e colheita). Um exemplo disso é a CTC4, a variedade mais plantada em nossos canaviais na safra 2011/2012, que superou nossas expectativas em relação à produtividade e longevidade, incluindo excelente brotação sob a palha. Pretendemos ocupar em torno de 15 a 20 % de nossa área com a CTC4. Embora o plantio de inverno nunca tenha sido uma tradição em nossa região, realizamos o plantio de alguns materiais nessa época, e a CTC7 se destacou por ser uma variedade de crescimento acelerado, sem florescimento, muito produtiva e rica em sacarose. Além disso, trata-se de uma excelente variedade para o plantio e colheita mecanizados. Nos solos com menor potencial produtivo, estamos expandindo a CTC15 e a CTC17, por apresentarem características semelhantes à CTC4 e à CTC7 e também rusticidade”. Na Usina São Luiz, de Ourinhos-SP, as variedades CTC também estão em alta, conforme o Engenheiro Agrônomo Álvaro Barreto Peixoto, gerente agrícola da unidade: “As variedades CTC vêm crescendo na Usina São Luiz, saindo de 2,9% da área em 2008, para 24% do plantel varietal em 2012. Esse incremento de área se deve à boa performance que os materiais CTC têm demonstrado, principalmente no processo de colheita e plantio mecanizados da cultura, resistência a pragas e a doenças e margem de contribuição agroindustrial. Em campos experimentais, a CTC19 e a CTC20 foram as variedades de maior retorno, em margem de contribuição agroindustrial na média de 5 cortes. Além disso, possuem características agrícolas como ótima brotação no plantio mecanizado, alta produtividade agrícola, boa colheitabilidade e aptidão ao plantio em ambientes edafoclimáticos classificados em A, B e C, que possibilitam a recomendação de sucesso de plantio em áreas comerciais”. Região de São José do Rio Preto: As unidades de produção da região de São José do Rio Preto são caracterizadas por ambientes de produção que variam, em sua grande maioria, de médio a baixo potencial produtivo, sendo que o fator mais limitante é o déficit hídrico.


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durante a operação, e completainspeção inspeçãodedetodos todos os os Para o mercado de açúcar e etanol durante a operação, e completa a o mercado de açúcar e etanol a Renkaa Renk ZaniniZanini durante a operação, e completa inspeção de todos os Para o mercado de açúcar e etanol Renk Zanini componentes do redutor após a safra, os resultados desenvolveu juntoprofessores com professores da Augsburg componentes do redutor após a safra, os resultados senvolveu junto com da Augsburg componentes redutor após melhora ainspeção safra,deosde resultados durante a operação, e completa todos os desenvolveu junto com Augsburg Para o mercado deSciences açúcarprofessores e etanol ada Renk Zanini comprovaram edoapontaram uma desempenho University of Applied - (Alemanha) e com a Escola comprovaram e apontaram uma melhora de desempenho versityUniversity of Applied Sciences (Alemanha) e com a Escola comprovaram e apontaram uma melhora de desempenho componentes do redutor após a safra, os resultados of- Applied Sciences - (Alemanha) e com a Escola desta nova linha de redutores. Os laudos foram avaliados pela desenvolveu junto com professores da Augsburg Politécnica USP a nova linha de redutores planetários: destacomprovaram novanova linhalinha de redutores. Osuma laudos foram avaliados pela itécnicaPolitécnica - USP a of nova linha delinha redutores planetários: desta de redutores. Os laudos foram avaliados pela apontaram melhora de desempenho USP a nova de redutores planetários: University Applied Sciences (Alemanha) e com a Escola técnicaedo cliente, pelas equipes de engenharia e PentaMax 2.0 (PAT.REQ.)para acionamento central, e equipe equipe técnica do cliente, pelas equipes de engenharia ee equipe técnica do cliente, pelas equipes de engenharia ntaMaxFlexiMax 2.0 (PAT.REQ.)para acionamento central, e desta nova linha de redutores. Os laudos foram avaliados pela PentaMax 2.0 (PAT.REQ.)para acionamento central, e Politécnica USP a nova linha de redutores planetários: qualidade da Renk Zanini e consultores independentes. 2.0 (PAT.REQ.) para acionamento rolo a rolo. qualidade da Renk e consultores independentes. datécnica Renk Zanini e aconsultores independentes. equipe doZanini cliente, pelas de equipes deentre engenharia FlexiMax (PAT.REQ.) parafoi acionamento rolo acentral, rolo. qualidade xiMax 2.0 (PAT.REQ.) para acionamento rolo a rolo. PentaMax 2.0 (PAT.REQ.)para acionamento e O gráfico abaixo ilustra diferença vibração o modeloe Esta nova2.0 linha de produtos desenvolvida combinando O gráfico abaixo ilustra a diferença de vibração entre omodelo modelo qualidade da Renk Zanini e consultores independentes. Esta nova linha de produtos foi desenvolvida combinando O gráfico abaixo ilustra a diferença de vibração entre o FlexiMax 2.0 (PAT.REQ.) para acionamento rolo a rolo. a nova olinha de produtos foi desenvolvida combinando uso das mais modernas ferramentas de modelagem 3D e de redutor planetário PentaMax 2.0 e um redutor planetário de redutor planetário PentaMax evibração um redutor planetário O gráfico abaixo ilustra a diferença entre o modelo o uso das mais ferramentas de modelagem 3D Esta nova linhamodernas de produtos foide desenvolvida combinando deae redutor planetário PentaMax 2.02.0 edeum redutor planetário so das mais modernas ferramentas modelagem 3D ecom sendo que no momento das medições os dois convencional, de simulação estrutural por elementos finitos convencional, sendo que no momento das medições osdois dois de redutor planetário PentaMax 2.0 e um redutor planetário de simulação estrutural por elementos finitos com a o uso das mais modernas ferramentas de modelagem 3D e que simultaneamente no momento dasna medições operavam mesma os moenda simulação estrutural por elementos finitos a convencional, experiência acumulada da Renk Zanini em com redutores de redutores sendo redutores operavam simultaneamente na mesma moenda sendo que no momento das medições os dois experiência acumulada Renk Zanini emefinitos redutores dea convencional, de acumulada simulação estrutural por com fatores de serviço similares e rotações muito próximas. A operavam simultaneamente na mesma moenda velocidade para em elementos moendas difusores de periência daaplicação Renkda Zanini em redutores decomredutores com fatores de serviço similares e rotações muito próximas. redutores operavam simultaneamente na mesma moenda velocidade para aplicação em moendas e difusores de experiência acumulada da Renk Zanini em redutores reduçãode deserviço vibração ilustra ae evolução linha de similares rotações desta muitonova próximas. AA ocidadecana-de-açúcar. para aplicação em moendas e difusores de com fatores redução de vibração ilustra a evolução desta nova linha de com fatores de serviço similares e rotações muito próximas. A cana-de-açúcar. velocidade para aplicação difusores redução de redutores planetários maior robustez e ótima As características principais em quemoendas podem sere mencionadas de vibração ilustraconferindo a evolução desta nova linha de na-de-açúcar. redutores conferindo maiordesta robustez ótima redução deplanetários vibração ilustra a evolução nova elinha de As características principais que podem ser mencionadas performance. cana-de-açúcar. desta nova linha são: redutores planetários conferindo maior robustez e ótima características principais que podem ser mencionadas performance. redutores planetários conferindo maior robustez e ótima desta linha são: As características principais podem mencionadas · nova Primeiro estágio de que redução comser eixos paralelos, performance. sta novadesta linha são: · nova Primeiro estágio de redução com eixos linha são: unindo desta forma o que há de melhorparalelos, dos dois performance. · Primeiro estágiodesta de redução unindo forma ocom queeeixos há de paralelos, melhor dos dois · conceitos: Primeiro estágio de redução com eixos paralelos, eixos paralelos planetários. unindo desta forma o que há de melhor dos dois conceitos: eixos paralelos planetários. unindo desta forma o queehá de suportados melhor dos dois · Todos os porta-planetas são por conceitos: eixos paralelos e planetários. · rolamentos, Todos os eixos porta-planetas são suportados por conceitos: paralelos e planetários. dando maior robustez ao produto · Todos· osfrente porta-planetas rolamentos, dando são maior robustez aopor produto Todos os são suportados por às porta-planetas variações de suportados carga impostas pela frente às variações de carga impostas pela rolamentos, dando maior robustez ao produto rolamentos, dando maior robustez ao produto aplicação. aplicação. frente às devariações dedeimpostas carga frente· àsCaptação variações de feita carga pela pela Esta nova linha de produtos, desenvolvida utilizando as mais óleo formaimpostas independente · Captação de óleo feita de forma independente aplicação. Esta nova linha de produtos, desenvolvida as mais aplicação.em cada estágio de redução, evitando ao máximo modernas ferramentas de projeto, teve autilizando colaboração de em cada estágio de redução, evitando ao máximo · Captação de óleo feita de forma independente modernas ferramentas de projeto, teve a colaboração de Esta nova linha de produtos, desenvolvida utilizando mais · Captaçãoade óleo feita entre de forma independente Esta nova contaminação estágios. parceiros respeitados, com linha tecnológicos de produtos, mundialmente desenvolvida utilizando asasmais a contaminação entre estágios. em cada estágio de redução, evitando ao máximo parceiros tecnológicos mundialmente modernas ferramentas de projeto, tevea respeitados, acolaboração colaboração de · estágio Eixo de saída com possibilidade de máximo desmontagem em cada de redução, evitando ao certificação em testes campo, a Renk Zanini oferececom ao modernas ferramentas deem projeto, teve de · dEixo de saída com possibilidade de desmontagem ao contaminação entre estágios. certificação em testes em campo, a Renk Zanini oferece ao parceiros tecnológicos mundialmente respeitados, com d o ú l t i m o e stá g i o, p oentre r ta - pestágios. l a n eta s a contaminação mercado uma soluçãomundialmente robusta e competitiva para redutores parceiros tecnológicos respeitados, com g i o, d o p o r ta p l a n eta s d o ú l t i m o e stá · p Eixo de saída com possibilidade de desmontagem mercado uma solução e competitiva paraoferece redutores certificação em testes robusta empara campo, a Renk difusores Zanini ao rop o r cpossibilidade i o n a n d o mde a i sdesmontagem a g i l i d a d e p a r a de velocidade planetários moendas de cana· Eixo de saída com em testes em campo, a Renk eZanini oferece ao p or o ppoorrctai o- pn laanndeta o sm adios úalgti lmi doa deestápgaicertificação ro,a de d velocidade planetários para moendas e difusores de canamercado uma solução robusta e competitiva para redutores manutenção. de-açúcar. d o úml at ii m o ei lstá g i o, amercado d o p o r ta uma solução robusta e competitiva para redutores manutenção. p r -opploa rn ceta i oinspeção nsa n d o em s a gestratégicos i d a d e p que r a de-açúcar. de velocidade planetários para moendas e difusores de cana· Janelas de pontos Inovação p r o p·o r cJanelas i o n a n d o m a i s a g i l i d a d e p a r a de velocidade planetários para moendas e difusores de canade inspeçãode em pontos estratégicos que manutenção. Inovação de-açúcar. facilitam a inspeção rotina. Com o objetivo de manter sua vantagem competitiva no manutenção. a inspeção rotina. de-açúcar. · facilitam Janelas de inspeçãode em pontos estratégicos que Com o objetivo de manter sua vantagem competitiva no Inovação segmento de redutores de velocidade, a Renk Zanini vem · Janelas de inspeção em pontos estratégicos que Inovação facilitam a inspeção de rotina. segmento de redutores de velocidade, a Renk Zanini vem Com o objetivo de consistente manter sua um vantagem competitiva no investindo de forma percentual significativo facilitam a inspeção de rotina. Com do o objetivo de manter sua vantagem competitiva no investindo forma consistente um percentual significativo segmento de redutores de velocidade, a Renk Zanini vem seu faturamento líquido em projetos e programas de do seudefaturamento líquido projetos econselheiros programas de investindo de um percentual significativo segmento redutores de velocidade, a Renk Zanini vem inovação. A forma visão consistente de seusemacionistas, e inovação. A visão de seus acionistas, conselheiros do seu faturamento líquido em projetos e programas de investindo de forma um percentual significativo executivos é de consistente que a inovação deve permear todos ose executivos de que a inovação deve permear todos ose inovação. visão de acionistas, conselheiros do seu faturamento líquido em e que programas de engenharia grande parte processos daAéorganização, eseus é naprojetos FlexiMax 2.0 - PAT.REQ. PentaMax 2.0 - PAT.REQ. processos da organização, e é na engenharia que grande parte executivos é de que a inovação deve permear todos os inovação. A visão seus forma acionistas, conselheiros e das novas ideias de ganham de produtos e processos FlexiMax 2.0 - PAT.REQ. PentaMax 2.0 - PAT.REQ. das novas ideias ganham forma de produtos e processos engenharia que grande parte processos da organização, e é na Antes de fazer o lançamento deste novo produto no inovadores. umadeve equipe de engenheiros executivos é de Desta que a forma, inovação permear todos os 2.0 - PAT.REQ. 2.0o - lançamento PAT.REQ. PentaMax Antes FlexiMax dea fazer deste produto no inovadores. Destaganham forma, uma equipe de engenheiros das novas qualificados ideias forma de produtos e processos mercado Renk Zanini realizou um testenovo de campo. altamente vem se dedicando a atividades de processos da organização, e é na engenharia que grande parte mercado Renk Zanini realizoude um teste deecampo. Antes2.0 de-aPAT.REQ. fazer o os lançamento deste novo produto no PentaMax 2.0 - PAT.REQ. FlexiMax altamente qualificados vem uma see dedicando a atividades de inovadores. Desta forma, equipe de engenheiros Contribuíram para estudos inovação para os testes pesquisa e desenvolvimento, em 2011 seis pedidos de das novas ideias ganham forma de produtos e processos Contribuíram para os estudos de inovação e para os testes mercado a Renk Zanini realizou um teste de campo. pesquisa e qualificados desenvolvimento, em 2011 seis pedidos altamente vemjunto see dedicando a obtido atividades lançamento professores da Universidade de Augsburg, patente foram protocolados ao INPI edefoi juntode à tes de de fazer o lançamento deste novo produto no inovadores. Desta forma, uma equipe engenheiros de lançamento professores da Universidade de Augsburg, Contribuíram para os estudos de inovação e para os testes patente foram protocolados junto ao INPI e foi obtido juntodeà pesquisa e desenvolvimento, e em 2011 seis pedidos a Universidade Politécnica e a unidade Serra da Raízen, FINEP (Financiadora de Estudos e Projetos) um financiamento rcado aade Renk Zanini realizou um teste de campo. altamente qualificados vem sejunto dedicando afoiatividades deà Universidade Politécnica e ade unidade Serra lançamento professores da Universidade de da Augsburg, e Projetos) financiamento de Estudos patente foram protocolados ao INPI obtidoFederal junto empresa resultante da união Shell e Cosan, naRaízen, qual o aFINEP juros(Financiadora subsidiados que é oferecido peloeum Governo ntribuíram para os estudos de inovação e para os testes pesquisa e desenvolvimento, e em 2011 seis pedidos de resultante da união Shell e Cosan, naRaízen, qual aempresa Universidade e adeunidade Serra central da a juros(Financiadora subsidiados que peloum Governo Federal FINEP de Estudos e Projetos) financiamento equipamento foiPolitécnica instalado como acionamento emo através do Ministério daé oferecido Ciência, Tecnologia e Inovação lançamento professores da Universidade de Augsburg, equipamento foi instalado como acionamento central em empresa resultante da união de Shell e Cosan, na qual o patente foram protocolados junto ao INPI e foi obtido junto à doa pMinistério é oferecido Federal uma moenda 66ʺ. (aatravés Mjuros C T I )subsidiados e n a s aquepda ro jCiência, e t o s qTecnologia upelo e teGoverno n h aem Inovação cunho Universidade Politécnica e a unidade Serra da Raízen, uma moenda 66ʺ. equipamento foi instalado como acionamento ecentral em FINEPcomprovadamente (Financiadora Estudos (M C T I ) doa pMinistério e n ade s inovador. a pda ro Ciência, jeeProjetos) to s qTecnologia u eum tefinanciamento n h aem Inovação cunho através Com um acompanhamento de temperatura vibração presa resultante da66ʺ. união de Shelldee temperatura Cosan, na qual o a juros Com moenda um acompanhamento e vibração uma (comprovadamente Msubsidiados C T I ) a p e n aque s inovador. a é poferecido ro j e t o s pelo q u e Governo te n h a m Federal cunho Comfoi uminstalado acompanhamento de temperatura vibração uipamento como acionamento centrale em comprovadamente através do Ministério inovador. da Ciência, Tecnologia e Inovação a moenda 66ʺ. ( M C T I ) a p e n a s a p ro j e t o s q u e te n h a m c u n h o m um acompanhamento de temperatura e vibração comprovadamente inovador.


os cientistas Essas condições exigem manejos específicos de plantio e colheita para a obtenção de melhores resultados agrícolas, principalmente em anos mais críticos. Além disso, a colheita e o plantio mecanizados vêm crescendo em ritmo acelerado, exigindo cada vez mais variedades adaptadas à mecanização e que tenham boa tolerância à seca. Para suprir essas demandas, o CTC disponibiliza ao mercado variedades muito bem adaptadas, com destaque para a CTC2. Conforme se observa no depoimento dos técnicos da Usina São José da Estiva, Júlio Vieira de Araújo, gerente agrícola, e José Rogério Ribeiro, coordenador da área agrícola: “Considerando que a Usina São José da Estiva atualmente está com 60% do plantio mecanizado e 90% da colheita nesse mesmo sistema, a CTC2 é considerada uma boa opção por ser bastante apta à mecanização. A Usina São José da Estiva pretende aumentar o percentual da CTC2 no plantel de variedades nas próximas safras, levando em consideração as recomendações de manejo da mesma. Além dessa variedade, as variedades CTC15, CTC18 e CTC20 também estão sendo expandidas na usina”. Na Usina São José da Estiva, a CTC2 proporcionou 12 toneladas de ATR/ha a mais que a SP81-3250 no acumulado de quatro safras consecutivas, destacando que tanto o plantio quanto a colheita foram realizados mecanicamente. Outras variedades CTC também estão se destacando na região, com crescimento expressivo de suas áreas de plantio e cultivo. Entre elas, destacam-se as precoces, CTC9, CTC17 e CTC20, e as de maturação média, CTC2, CTC4 e CTC15, que, juntas, representam quase 90% da área cultivada com variedades CTC na região, na safra 2011/2012. É importante ressaltar que a CTC15, por ser bastante tolerante à seca, vem crescendo aceleradamente em quase todas as unidades da região. Região de Araçatuba: Nas unidades produtoras da região, observa-se uma busca constante por variedades com

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CTC15 –Plantio mecânico

resistência às doenças, vigor, rusticidade, tolerância à seca e adaptação à colheita e plantio mecanizados. Para atender a essas necessidades, algumas variedades CTC têm sido uma ótima opção, como é o caso da CTC2, variedade para ser colhida no meio da safra, que se tem destacado em praticamente todas as usinas por agrupar as características acima e apresentar ótima adaptação em solos de média fertilidade. Outro material consagrado na região é a CTC4, uma variedade estável e confiável que alia altas produtividades a longevidade dos canaviais, além do alto teor de sacarose e boa tolerância à seca. Na região de Araçatuba, o Grupo Raízen também tem constatado os benefícios oferecidos pela CTC4, conforme depoimento do Engenheiro Agrônomo Rodrigo Vinchi, gerente corporativo do grupo: "Para nossas unidades da região de Araçatuba, a CTC4 vem se consolidando num ótimo material para ser trabalhado em meados de safra, alocada em ambientes de produção intermediários. Trata-se de uma variedade com excepcional brotação de soqueira e com boa estabilidade de produção ao longo dos cortes, o que é um diferencial importante, levando-se em conta o severo déficit hídrico que comumente afeta essa região do estado”. No grupo Raízen, a CTC4 proporcionou 100 toneladas de cana/ha e 136 kg de ATR/tonelada na média de três cortes, colhidos em junho de 2011. Outra variedade que vem superando as expectativas na região e respondendo com altas produtividades em todos os cortes é a CTC15, variedade de maturação intermediária, indicada, principalmente, para os solos de baixo potencial de produção e sujeitos ao déficit hídrico. Nesses mesmos ambientes para colheita no início de safra, a CTC17 vem ganhando espaço por sua rusticidade, precocidade e riqueza. Entre os lançamentos mais recentes, destaque para a CTC20, em função das altas produtividades, excelente brotação de soqueira e longevidade na colheita mecanizada. Pela ausência de florescimento e tolerância à seca, além do porte ereto, a CTC23 é uma boa opção para fechar a safra na região de São Carlos. A exemplo de outras localidades, a mecanização do plantio e colheita tem ganhado impulso na região. Na safra 2011/2012, 38% do plantio e 58% da colheita foram realizados mecanicamente, e, nesse cenário, as variedades CTC2, CTC4 e CTC15, desenvolvidas sob a mecanização, se sobressaem ocupando o espaço de materiais tradicionais, como a SP81-3250 e RB867515. Devido à expansão ocorrida nos últimos anos, os canaviais ocuparam áreas marginais, com 70% de ambientes de médio a baixo potencial produtivo, onde a precoce CTC17 e a intermediária CTC15 estão entre os materiais com maiores intenção de plantio dessa safra. Nos ambientes de alto potencial produtivo, a intermediária/tardia CTC6 e a intermediária CTC20 vêm registrando recordes de produtividade. Os recentes prejuízos causados pelo florescimento ainda assustam os produtores, porém os usuários das variedades CTC2, CTC11, CTC14, CTC17 e CTC19 não foram afetados devido à característica de relutância ao florescimento presente nessas cultivares. O presente tem mostrado que é possível aumentar a produtividade dos canaviais utilizando variedades mais modernas e com aptidão às tecnologias atuais. As próximas gerações de variedades do CTC trarão consigo ainda mais aderência à crescente demanda por variedades regionais, resolvendo, geneticamente, alguns problemas que ameaçam a produtividade.


Opiniões

variedades CTC

para as regiões de Ribeirão Preto e Piracicaba

"

As futuras variedades do CTC estão sendo produzidas em diferentes polos regionais estrategicamente distribuídos nas principais regiões produtoras do Brasil. "

Rodrigo Mahlmann de Almeida Líder Regional de Produto do CTC Colaboração: Marcos Virgílio Casagrande

Cortado pelo Trópico de Capricórnio e com quase 250 mil km2, o estado de São Paulo situa-se praticamente entre os paralelos 20 e 250 Sul, possuindo características tipicamente tropicais. É o estado com o maior número de unidades de produção e que apresenta grande variação de produtividade agrícola, relacionada, principalmente, às diferenças na fertilidade dos solos e nas condições climáticas. Região de Ribeirão Preto: A safra 2011/2012 foi de sucesso e consolidação da posição de destaque das variedades produzidas pelo CTC. Na região de Ribeirão Preto e em outras regiões do Brasil, é grande o número de unidades de produção que estão investindo nas variedades CTC, alocando-as em mais de 50% de suas áreas de plantio. Além disso, é crescente a busca dos fornecedores de cana por essas variedades, visando maximizar sua lucratividade, com materiais mais produtivos e de maior longevidade. O fato de a CTC15 ser a variedade mais solicitada, por três safras consecutivas, pela Associação de Produtores de Cana do Estado de São Paulo, confirma essa tendência. Há que se destacar os excelentes desempenhos da CTC2, CTC4, CTC14, CTC15 e CTC17 na “difícil” safra 2011/2012 na região. Essas variedades aliam excelente produtividade à aptidão à mecanização (plantio e colheita), longevidade de soqueira e adaptação às condições de stress, sendo consideradas excelentes opções para os produtores que desejam aumentar sua lucratividade. Em relação ao manejo, a CTC2 e a CTC4 vêm apresentando números significativamente superiores à SP81-3250, segunda variedade mais cultivada no País. Ambas têm proporcionado taxas de multiplicação superiores à SP813250, se consolidado como substitutas dessa variedade que marcou a história da cana-de-açúcar no Brasil.

Comparando a CTC2 com a SP81-3250, o Engenheiro Agrônomo René Assis de Sordi, assessor de tecnologia do Grupo São Martinho, diz: ”A CTC2 é mais adaptada à mecanização, tanto da colheita quanto do plantio. Além disso, é resistente às principais pragas e doenças. É uma variedade para ser usada em ambiente de produção C e D, com colheita em agosto/setembro. Por ser muito responsiva, não podemos descartar sua exploração em melhores ambientes, pois é uma variedade com alto teor de sacarose”. Em relação à produtividade agrícola, os dados da São Martinho mostram que a CTC2 leva nítida vantagem em relação à RB867515 e à SP81-3250. Resultados de áreas colhidas em três safras consecutivas (08/09, 09/10 e 10/11) revelam uma CTC2 mais produtiva, alcançando maiores margens de contribuição. Na média dessas safras, a CTC2 produziu 30,2% a mais que a SP81-3250 e 33,5% a mais que a RB867515, em toneladas de ATR/ha. Isso equivale dizer que a CTC2 proporcionou um ganho de 3,6 t ATR/ ha em relação à SP81-3250 e 3,9 t ATR/ha em relação à RB867515. Os dados de toneladas de cana/ha também impressionam, pois a CTC2 produziu 33% a mais que a SP81-3250 e 39% a mais que a RB867515. O reflexo desses resultados é a área de 7,5 mil ha que a CTC2 ocupa na São Martinho. Na Usina Alta Mogiana não é diferente. Comentando sobre os resultados da CTC2, o Engenheiro Agrônomo Luis Augusto Contin da Silva, gerente de desenvolvimento agrícola da usina, disse: “Além de maiores retornos econômicos em relação a outras variedades, o grande benefício que enxergamos na CTC2 é a qualidade e o rendimento no plantio mecanizado. Mesmo em anos críticos (como os de 2010 e 2011), o material continuou apresentando um

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os cientistas crescimento regular e uma uniformidade de colmos. Ela acabou se sobressaindo em relação aos outros materiais”. Esse entusiasmo com a CTC2 está amparado no fato de ela ter proporcionado um ganho de 16% em toneladas de Pol/ha comparativamente à SP81-3250, na média de três cortes na Usina Alta Mogiana. Na região de Ribeirão Preto, outras variedades CTC têm se destacado, como é o caso da CTC15, uma ótima opção para divisão de espaço com a RB867515, principalmente nos solos de menor potencial produtivo. Altas produtividades e tolerância à seca são as principais características desse material. Outro destaque é a CTC14, filha da SP80-1842, que herdou da mãe uma ótima longevidade e estabilidade de soqueira. No entanto a característica mais marcante dessa variedade é a maturação tardia aliada ao fato de não florescer, mesmo em condições altamente favoráveis. Por fim, a CTC17, por se tratar de uma variedade rica, precoce, rústica e com boa resposta a maturadores químicos, é peça-chave da estratégia das unidades de produção ao permitir a colheita dos piores ambientes no início de safra. Região de Piracicaba: A região de Piracicaba registrou o pior resultado de produtividade dos últimos 10 anos, com uma média de 73,5 t/ha na safra 2011/2012, em decorrência de uma série de fatores. No entanto, mesmo nessas condições adversas, as variedades CTC2, CTC4, CTC11, CTC15, CTC17 e CTC20 surpreenderam, demonstrando uma boa estabilidade. Na região de Piracicaba, os ambientes de alto a médio potencial produtivo correspondem a 60% da área, porém isso pode variar muito quando as unidades de produção são avaliadas individualmente. Diante disso, algumas variedades CTC estão se destacando na região, com grande crescimento de suas áreas de plantio e cultivo. Entre elas, destacam-se as precoces CTC9 e CTC17 e as intermediárias/tardias CTC2, CTC4, CTC11, CTC15 e CTC20. Com a prática comum do plantio de cana de ano na região, as variedades CTC11 e CTC17, por suas características de relutância ao florescimento, riqueza e rápido desenvolvi-

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Opiniões mento inicial, vêm substituindo a consagrada variedade SP80-3280. Ocupando aproximadamente 10% do canavial da Usina Furlan, a variedade CTC11 segue como “carro-chefe” do plantio no sistema de cana de ano da unidade. Com larga experiência na área de desenvolvimento de variedades, o assessor técnico da Agropecuária Furlan, José Dizeró, destacou os principais pontos que fizeram a usina investir nesse material: “A CTC11 apresenta estabilidade de TCH com o passar dos cortes, tolerância à seca, elevado perfilhamento e excelente brotação de soqueira proveniente de colheita mecanizada, características fundamentais que uma variedade precisa mostrar dentro do manejo atual”. Além disso, a possibilidade de ser utilizada no sistema de cana de ano e o raro florescimento também a tornam mais flexível. Sobre a CTC20, o Engenheiro Agrônomo Jader Sahade da Silva, coordenador de qualidade agrícola da Usina Iracema, diz: “A CTC20 tem se mostrado uma variedade com bons resultados de produtividade nos melhores ambientes da Usina Iracema. O conhecimento do comportamento dessa variedade em cortes avançados mostra uma excelente estabilidade de soqueiras, fator motivador para a sua rápida expansão dentro do plantel varietal da unidade”. Na prática, os resultados obtidos com a CTC20 (média de 167 t/ha em cana planta) fizeram com que ela ocupasse mais de 1,2 mil ha dos canaviais da Usina Iracema pouco tempo após seu lançamento. Na região de Piracicaba, 28,5% do plantio e 50,5% da colheita são realizados mecanicamente, o que tem provocado uma seleção gradual das variedades mais aptas a esses sistemas, como a CTC2, CTC4 e CTC15, que estão ocupando o espaço de materiais tradicionais, tais como as variedades SP81-3250 e RB867515. As futuras variedades do CTC estão sendo produzidas em diferentes polos regionais estrategicamente distribuídos nas principais regiões produtoras do Brasil. As novas variedades, que, em breve, entrarão no mercado, serão ainda mais produtivas que as suas antecessoras e aumentarão a lucratividade e sustentabilidade dos produtores.

CTC17 –Plantio mecânico


informe publicitário REMOÇÃO MECÂNICA DOS ELEMENTOS NÃO-AÇÚCARES NO CALDO DE CANA COM TURBO FILTRAÇÃO

Attilio Turchetti, Diretor do Grupo Mecat

Fluxograma indicativo de operação do ROCK FILTER Layout indicativo do Caldo Primário

www.mecat.com.br


os cientistas

variedades CTC

para as regiões do Paraná, Mato Grosso do Sul e Nordeste

"

a cultura da cana abrange diferentes tipos de solo e clima, estando sujeita às diferentes formas de manejo. É por esses motivos que o CTC descentralizou o seu Programa de Melhoramento, criando os polos regionais " Fernando Cesar Páttaro Líder Regional de Produto do CTC Colaboração: Marcos Virgílio Casagrande

As variedades de cana-de-açúcar são a base de toda produção do setor sucroenergético nacional, elas fornecem a matéria-prima essencial para movimentar as indústrias do setor. Sendo o Brasil um país de dimensões continentais, as áreas ocupadas pela cultura da cana-de-açúcar abrangem diferentes tipos de solo e clima, estando sujeitas às diferentes formas de manejo empregadas pelas unidades de produção. É por esses motivos que o CTC descentralizou o seu Programa de Melhoramento, criando os polos regionais, onde as variedades são produzidas para gerar aumentos reais de produtividade, proporcionando ganhos significativos de ATR/ha. Paraná: Muito embora o estado do Paraná seja conhecido por seus solos férteis, originados do basalto, a cultura da cana-de-açúcar ocupa em sua quase totalidade solos pobres, classificados como ambientes de produção D e E, originados do arenito caiuá. Diante disso e com base nas recomendações de iniciar a safra nos ambientes restritivos, a variedade CTC9 tem se mostrado como a melhor opção para tal finalidade, em função de suas reconhecidas precocidade e riqueza. Tais características são ratificadas pelas palavras do Engenheiro Agrônomo Álvaro Meneguetti, diretor agrícola das unidades Terra Ricae Paranacity do Grupo Usaçúcar: "A variedade CTC9 entrou em plantio comercial no grupo Usaçúcar pela sua alta precocidade, oferecendo um alto ATR no início de safra, aliada ao manejo com maturadores químicos". O crescente aumento da mecanização do plantio e colheita tem alterado o perfil varietal paranaense, abrindo espaço para variedades com diâmetro de colmo mediano, fibra média a alta e elevado teor de sacarose, assim como alta capacidade de brotação sob a palha.

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Nos últimos anos, o CTC tem ampliado o “leque” de variedades que atendam a essas características, como a CTC17. Essa é uma variedade que, além de excelente adaptação ao plantio e colheita mecanizados, destaca-se pela rusticidade, precocidade e riqueza, sendo uma ótima opção para os plantios de cana de outono/inverno e cana de ano. A CTC17 é uma variedade que não floresce, apresenta um PUI mais longo e se beneficia das baixas temperaturas do inverno paranaense para obter ganhos de sacarose ainda maiores. Todavia, é importante salientar a carência estadual de variedades para serem colhidas no meio e no final de safra nesses ambientes. Apesar de o estado apresentar historicamente um inverno mais chuvoso que em outras regiões produtoras do País, nos últimos anos, a estiagem tem atingido toda a região, provocando reduções de produtividade. Por atender às necessidades locais, a variedade CTC15 tem ocupado grandes áreas no estado do Paraná, assim como em outras áreas do País. A rusticidade, a tolerância à seca e, principalmente, a adaptação à mecanização e à brotação sob a palha são as características marcantes dessa variedade. Na região norte do estado, encontram-se os solos de maior fertilidade, aqueles originados do basalto, e, nesses ambientes de produção mais favoráveis, as variedades CTC4, CTC6 e CTC20 são os grandes destaques. Com elevadas produtividade e longevidade e maior retorno econômico no meio de safra, essas variedades têm superado as expectativas dos produtores. Assim como em outras regiões do Brasil, a CTC4 é uma ótima opção para áreas 100% mecanizadas no estado do Paraná. Além dessas, a CTC7 se apresenta como uma das melhores opções para cana de outono/ inverno e cana de ano, por sua alta produtividade, riqueza, precocidade e rápido crescimento nesses períodos.


Opiniões Mato Grosso do Sul: Tradicional na agricultura de grão, principalmente a soja, e também na pecuária, o estado do Mato Grosso do Sul tem visto o crescimento dos canaviais e das unidades de produção. A região apresenta grande potencial para produção de cana-de-açúcar, possui uma diversificação de solos muito interessante e, em sua quase totalidade, um clima propício, praticamente sem déficit hídrico no inverno. Com um portfólio diversificado, o CTC possui um plantel varietal com cultivares muito indicadas para compor os canaviais do estado, gerando maiores lucros aos produtores. A CTC6 é uma dessas variedades, com maturação média/tardia, alta produtividade, riqueza, sanidade e adaptação à mecanização. As colheitas comerciais no final de safra, na região de Maracaju, registraram produtividades que chegaram a 180 toneladas/ha (cana planta) em solos de alta fertilidade. "A variedade CTC6 vem mostrando várias características de destaque no estado do Mato Grasso do Sul, principalmente na região de Rio Brilhante e Maracaju, devido à alta fertilidade dos solos. Isso motivou a escolha desse material para compor o plano de desenvolvimento varietal da LDC-Sev na região. Dentre as características de destaque desse material, vale ressaltar a alta produtividade agrícola, da qual está sendo possível obter resultados médios de produtividade em três cortes e em cana planta de inverno em sequeiro de 95 toneladas por hectare. Por ser uma variedade tardia e apresentar boa brotação de soqueira em colheita mecanizada, tem sido multiplicada nas áreas do grupo na região. O plantio mecanizado também está sendo realizado com esse material, porém é importante ficar atento à idade da muda para evitar danos em gemas, garantindo, assim, um plantio de sucesso.", diz Alexandre Sulino dos Santos, supervisor regional de planejamento agrícola da Regional-MS do Grupo LDC-Sev. Justamente por apresentar uma boa disponibilidade de água em seus solos em determinados período do ano, existe uma grande dificuldade para a maturação das canas no estado, uma vez que o desenvolvimento vegetativo se prolonga. Para minimizar o problema, é recomendado que os produtores utilizem variedades mais ricas e com rápida maturação, como a CTC9, considerada hiperprecoce, e a CTC17, que, além de precoce, apresenta rápido fechamento. Inclusive, essa variedade, por ter um PUI mais longo e não florescer, permite ao produtor uma boa flexibilidade na época de colheita. Outra opção interessante é a CTC16, variedade muito rica que, já no início da safra, apresenta elevados teores de sacarose, podendo, contudo, ser colhida durante toda a safra com excelentes resultados. Em função da rápida expansão da lavoura canavieira no estado, áreas marginais com predominância de solos de baixo potencial de produção começam a ser ocupadas, principalmente em locais onde, antes, existiam pastagens degradadas. Para tais condições, são especialmente recomendadas a CTC17 e a CTC15, variedades rústicas, com ótima adaptação ao plantio e colheita mecanizados, boa brotação sob a palha e excelentes produtividades. Ressalte-se que, no Brasil, atualmente, a CTC15 é uma das variedades mais indicadas para ambientes críticos com solos de baixo potencial de produção e déficit hídrico acentuado, em função do excelente desempenho nessas condições.

Nordeste: Os resultados obtidos com as cultivares CTC em todas as regiões produtoras de cana-de-açúcar do Brasil têm mostrado que o desenvolvimento regionalizado de variedades é uma estratégia vencedora. Um exemplo desse sucesso é a utilização de variedades CTC na região Nordeste, caracterizada pelo acentuado déficit hídrico e condições ambientais altamente favoráveis ao florescimento, efeito fisiológico extremamente prejudicial à exploração comercial da cana-de-açúcar na região, por ocorrer aproximadamente quatro meses antes do início do período de safra. Em tal situação, a CTC2 tem se mostrado uma boa opção para dividir espaço com as principais variedades da região, especialmente para áreas irrigadas colhidas no meio e final de safra. Com manejo semelhante, podendo ocupar ambientes mais desfavoráveis, a CTC15 também tem proporcionado boas produtividades. Para o início e o meio de safra, as variedades CTC7, principalmente na mata sul de Pernambuco, e CTC21 vêm mostrando riqueza e um raro florescimento, características importantes para a colheita nesse período. Essas variedades CTC, que já estão em áreas comerciais, bem como os clones promissores que mostram potencial ainda maior, são boas opções para que as usinas da região possam ampliar o número de variedades utilizadas no plantel varietal, reduzindo os riscos da concentração em poucas variedades, ampliando a sustentabilidade das empresas, como atesta o Engenheiro Agrônomo Cícero Augusto Bastos de Almeida, gerente agrícola da Usina Coruripe Matriz (Coruripe/AL): “As variedades CTC2, CTC15 e CTC21 têm apresentado bons resultados na Usina Coruripe-Matriz. Acreditando no potencial das mesmas, estamos ampliando áreas com as respectivas variedades. Buscamos o desenvolvimento de variedades dentro da nossa realidade edafoclimática e acreditamos que o programa de variedades do CTC nos trará resultados positivos”. Para as três regiões supramencionadas, bem como demais locais de produção de cana-de-açúcar, materiais genéticos do CTC em fases finais de seleção mostram que variedades muito superiores às mencionadas estarão sendo disponibilizadas em futuro próximo, beneficiando ainda mais todo o setor.

CTC9 - Colheita mecânica, segundo corte

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os cientistas

Opiniões

variedades CTC

para as regiões de Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso Em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, o desempenho das variedades CTC nas últimas safras tem garantido sua acelerada expansão nas regiões. Representando mais de 50% do plantio comercial de diversas unidades, as variedades CTC já estão sendo cultivadas em mais de 60 mil ha nesses estados, na safra 2011/2012. Vale ressaltar que essas regiões produtoras são caracterizadas por apresentarem um clima restritivo, com déficit hídrico acentuado e presença de todos os ambientes de produção (A a E). Por se tratar de fronteira agrícola, grande parte das áreas de expansão da cultura da cana-de-açúcar no Centro-Sul está localizada nesses estados. Buscando superar os desafios de se produzir cana-de-açúcar em regiões com as condições climáticas mais restritivas do Centro-Sul do País, muitas unidades têm apostado na diversificação do seu plantel, utilizando variedades com maior tolerância à seca, longevidade (manutenção da produção ao longo dos cortes) e melhor adaptação ao plantio e à colheita mecanizados. Essas características, aliadas à excelente produtividade e teor de açúcar das variedades CTC, têm sido responsáveis pelos diferenciais agroindustriais obtidos pelos produtores com essas variedades, comparativamente aos padrões comerciais, justificando os investimentos nos materiais CTC. Atualmente, o CTC possui um portfólio diversificado, com ótimas opções de variedades para moagem ao longo de toda a safra, em todos os ambientes de produção, conforme a seguinte sequência de colheita:

Sequência de colheita de variedades CTC para GO, MG e MT

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representando mais de 50% do plantio comercial de diversas unidades, as variedades CTC já estão sendo cultivadas em mais de 60 mil hectares nos estados de GO, MG e MT, na safra 2011/2012 " Joedes Luiz Marques Ferreira Zuza Líder Regional de Produto do CTC Colaboração: Marcos Virgílio Casagrande

Principal variedade nas intenções de plantio de diversas unidades produtoras de Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso, a CTC4 tem se destacado por ser uma variedade com tolerância à seca, longevidade e ótima adaptação ao plantio e à colheita mecanizados. Essas características, aliadas à excelente produtividade agroindustrial, têm sido responsáveis pela acelerada expansão da área cultivada com a CTC4 em todo o Brasil. As usinas Alvorada (Araporã-MG), Boa Vista (Quirinópolis-GO), Goiasa (Goiatuba-GO), Jalles Machado (Goianésia-GO) e Itamarati (Nova Olímpia-MT) são bons exemplos do sucesso comercial da CTC4, evidenciando os diferenciais agroindustriais que justificam o investimento na mesma. Além das regiões pioneiras (GO, MG e MT) no cultivo comercial da CTC4, observa-se sua acelerada expansão para todas as demais regiões produtoras do Centro-Sul (MS, PR e SP). Um exemplo disso é o excelente desempenho dessa variedade em unidades do grupo Raízen localizadas próximas a Araçatuba-SP. Na Usina Goiasa, a CTC4 vem acumulando bons resultados, superiores aos obtidos com a RB867515, variedade mais plantada do Brasil. Comparando-se o resultado acumulado (1º, 2º e 3º cortes) da CTC4 em toneladas de ATR/ha, do início da safra (abril) até agosto de 2011, com a variedade RB867515 colhida no mesmo período, em áreas comerciais dessa unidade, verifica-se que a CTC4 proporcionou um incremento de 3,4 t ATR/ha, o que corresponde a um rendimento 10% superior ao padrão utilizado. Esses dados ratificam o diferencial de longevidade da variedade CTC4 e a segurança que ela proporciona à produtividade dos canaviais. As intenções de plantio das usinas Alvorada, Boa Vista, Goiasa, Itamarati e Jalles Machado evidenciam que a CTC4 será uma das variedades mais plantadas na safra 2012/2013. Nessas usinas, a área de ocupação prevista para a CTC4 é, respectivamente, 30%, 16%, 22%, 17% e 20% da área total de plantio. Em função dos excelentes resultados apresentados, a CTC4 consolidou sua posição de destaque nas regiões canavieiras de maior déficit hídrico. O desempenho das variedades CTC nas últimas safras está garantindo a segurança necessária para que as equipes técnicas das unidades invistam e acelerem na multiplicação des-


os cientistas ses materiais. A seguir, a opinião do Engenheiro Agrônomo Vinícius Souza Tavares, coordenador de qualidade agrícola da Usina Boa Vista (Nova Fronteira Bioenergia), sobre a CTC4: • Quais os principais benefícios da CTC4? VST: Apresenta excelente perfilhamento e fechamento, nasce muito bem no plantio mecanizado e tem ótima brotação de soqueira sob a palha. Além disso, tolera bem a seca, com destaque para sua estabilidade e longevidade, características importantes na região em que estamos instalados (Quirinópolis/GO). • Como a CTC4 se comportou nas últimas safras? VST: A CTC4 se comportou muito bem, mesmo com as secas que passamos em 2010 e 2011. Tivemos áreas de quarto corte mecanizado produzindo 100 toneladas de cana por hectare, num período no qual outros materiais nas mesmas condições estavam com produtividade bem menor. • Quais os ambientes de produção e épocas de colheita indicados para a CTC4? VST: A colheita deve ser entre junho e setembro, ou seja, mais focada no meio de safra. Quanto aos ambientes, estamos alocando, de preferência, em solos de alta e média fertilidade. Nos ambientes mais restritivos (até D), conseguimos ainda aproveitar a variedade em áreas cultivadas anteriormente com grãos ou onde fazemos uso de resíduos industriais (ex.: torta de filtro). Para utilização nos ambientes mais restritivos, destaque para as variedades CTC9, CTC17 e CTC18, que são ótimas opções para o início de safra, além da variedade CTC15, que vem se consolidando para dividir espaço com a RB867515 nos ambientes D e E colhidos no meio de safra. O desempenho da CTC18 na Usina Jalles Machado, localizada no município de Goianésia/GO, região com um dos maiores índices de déficit hídrico do Centro-Sul, comprova a tolerância à seca e a boa adaptação da variedade às condições climáticas restritivas. Buscando superar os desafios de se produzir cana-de-açúcar nessa região, a Jalles Machado tem investido na diversificação do seu plantel varietal, utilizando variedades modernas, mais adaptadas à mecanização e às condições edafoclimáticas locais. Essa prática tem ajudado a unidade a conseguir resultados agroindustriais que aumentam sua competitividade dentro dos mercados interno e externo e asseguram sua sustentabilidade no setor. No manejo adotado pela usina, a CTC18

CTC4 - Plantio mecânico

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Opiniões está sendo usada para a colheita em ambientes restritivos, no início e meio de safra. Comparado o resultado acumulado do 1º e 2º cortes da CTC18, colhidos entre abril e agosto de 2010, com a média de todas as demais variedades comerciais colhidas na Usina Jalles Machado na mesma época, verifica-se que essa variedade proporcionou um incremento de 2,3 t ATR/ha no acumulado dos dois cortes, representando um rendimento 8,5% superior à média das outras variedades. Na sequência, o depoimento da Engenheira Agrônoma Patrícia Rezende, gestora de planejamento e desenvolvimento corporativo nas usinas Jalles Machado e Otávio Lage: • Quais os principais benefícios da CTC18? PR: Como estamos numa região de elevado déficit hídrico, se trata de uma variedade que tolera bem a seca, tem bom perfilhamento e apresenta uma ótima brotação de soqueira em ambientes restritivos. Outro importante diferencial é o excelente comportamento nos sistemas de plantio e colheita mecanizados. • Como a CTC18 se comportou nas últimas safras? PR: Apesar da safra 2010 ter apresentado uma seca bastante pronunciada, e 2011 também ter sido um ano muito difícil, a CTC18 se comportou muito bem nesse contexto, com boa brotação sob a palha e excelente recuperação pós-seca, diferenciando-se de outras variedades nas mesmas condições. • Quais os ambientes de produção e épocas de colheita indicados para a CTC18? PR: Estamos alocando até mesmo nos ambientes mais restritivos, inclusive em solos rasos e com presença de cascalho. A colheita deve ser entre maio e julho, início/ meio de safra. Consegue-se, ainda, antecipar com o uso de maturadores. Em recente Dia de Campo realizado na Usina Jalles Machado, em Goianésia-GO, os presentes puderam ter uma visão do futuro ao contemplar, no campo, um grupo de clones, da já famosa “série nove mil”, extremamente adaptados às condições restritivas do local. Quando comparados aos materiais tradicionais, plantados ao lado, exibiam vigor característico de um organismo extremamente adaptado e em harmonia com o ambiente. Em breve, todos poderão contar com esses e outros materiais ainda mais modernos, adaptados e produtivos.


ensaio especial

Opiniões

o desenvolvimento depende de investimentos

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O CTC tem, hoje, no seu quadro de pesquisadores, que representa cerca de 35% de sua força de trabalho, 24% de funcionários com título de doutor e 31% de mestrado; os demais têm nível superior nas mais variadas áreas de graduação. "

Márcia Regina Frasson

Gerente de Desenvolvimento Organizacional e Humano do CTC

O mundo tem necessidade crescente de energias renováveis e alimentos, e o Brasil é uma das principais potências nos dois quesitos. Só estaremos prontos para atender a essa demanda sofisticada, se fizermos a lição de casa, priorizando pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica. Até agora, ainda é notório no cenário mundial o descompasso brasileiro entre as oportunidades para o País versus nossos baixos investimentos, atrasos em inovação e a falta de profissionais preparados para atender às demandas já existentes em nossas organizações. Apesar de ser a sexta economia do mundo, o Brasil ocupa o 47º lugar no ranking "The Global Inovation Index 2011", do The Business School of the World (Insead). Constatamos, também, que países preocupados com o seu crescimento, que consideram o conhecimento essencial, estão investindo “pesado” em educação e qualificação profissional e são nossos competidores. Nos últimos anos, importantes players mundiais chegaram ao País atraídos pelas oportunidades brasileiras. O quadro se repete no segmento sucroenergético: destaca-se um empregador, responsável por mais de 1,2 milhão de empregos formais e pelo movimento, em toda sua cadeia, de US$ 28 bilhões no ano de 2010. É setor, portanto, estratégico para o País e fonte de geração das atuais e novas oportunidades de carreira. Há consenso, também, que esse setor precisa elevar sua produtividade e que direcionar recursos para inovação e desenvolvimento tecnológico, principalmente em novas variedades de cana-de-açúcar, é tarefa urgente, se quiser manter sua competitividade mundial. Mas muitos empreendimentos esbarram na grande dificuldade de atrair para seus quadros profissionais qualificados e preparados para as necessidades de gestão e técnicas requeridas. Muitas oportunidades são perdidas! Quando transportamos essas questões para o campo profissional específico de pesquisa, desenvolvimento e inovação, o quadro é mais grave. Importantes instituições de fomento para a pesquisa brasileira, como CNPq e CAPES, aumentaram significativamente seus investimentos nos

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últimos anos em formação de mestres e doutores em áreas de conhecimento de estratégicas. Mapeamento recente em sites dessas entidades indica, por exemplo, apoio a cerca de 4.300 estudantes no Brasil e 300 no exterior para estudos em nível de mestrado, doutorado e pós-doutorado, nas mais renomadas universidades. Isso apenas para áreas como biotecnologia, genética de plantas, biologia e química. Outros destacados órgãos estaduais também reforçaram seus investimentos nos últimos anos em áreas semelhantes. É justo reconhecer que nossos avanços foram muitos, especialmente nos últimos 15 anos, sendo motivo de orgulho para os brasileiros. Mas temos sinais de alerta do quanto ainda temos de investir em conhecimento dirigido às áreas estratégicas para os negócios e desenvolvimento do País. Neste ano, somente uma universidade brasileira – a USP –, foi incluída num ranking mundial de universidades entre as 100 melhores do mundo. A quantidade de patentes brasileiras é também pouco expressiva se comparada aos números mundiais, e, por vezes, empresas que inovam no Brasil optam pelo registro somente no exterior, para driblar burocracia e demoras em nosso sistema de registros e proteção da propriedade intelectual. Quando observamos os investimentos em treinamento & desenvolvimento das empresas privadas, por outro lado, pesquisa da ABTD (Associação Brasileira de Treinamento e Desenvolvimento – 2011/12) destaca que o valor médio/ano representa 3,7% em relação à folha de pagamento, chegando a 4,8% apenas em empresas com destacada posição nesse quesito. São bons investimentos, mas ainda muito abaixo de outras despesas das organizações. Precisamos reconhecer que, no futuro, os desafios serão ainda maiores do que aqueles já enfrentados, e necessitaremos de fortes investimentos em criação de oportunidades de trabalho, capacitação profissional e estímulo ao desenvolvimento de carreiras técnicas que atendam às necessidades de inovação apresentadas nesta edição. O capital intelectual é o motor que impulsionará nosso desenvolvimento. Portanto precisamos agir agora e tomar decisões estratégicas que minimizem esse problema, para garantir ao


ensaio especial País e ao nosso setor o patamar de competitividade e sustentabilidade que os elevará efetivamente a uma referência mundial. E os investimentos em capital intelectual e uma gestão de pessoas alinhadas às melhores e mais criativas práticas do mercado são, seguramente, os fatores de diferenciação para as empresas alcançarem os resultados esperados. O que é muito positivo, nesse quadro, é que estamos diante de grandes desafios e excelentes oportunidades para os profissionais. De um lado, um amplo mercado como o sucroenergético, com empresários e governo dispostos a investir em inovação. De outro, a grande necessidade de profissionais qualificados e de preparo de novos para outras demandas futuras. Melhoramento genético, biotecnologia, novos sistemas de plantio e cuidados agronômicos, novas tecnologias como o etanol de segunda geração, gaseificação, biorrefinarias são algumas das áreas de negócio que irão requerer profissionais altamente qualificados e de diversas áreas, como agronômica, biológica, química, mecânica, simulação, robótica, entre outras. Sólida formação técnica, criaSilviraz tividade, profundo interesse por novos aprendizados, forte Professor motivação para a busca de soluções e geração de novos produtos, visão de futuro, habilidade para as relações interpessoais e integridade, por outro lado, são algumas das características que compõem um perfil que diferenciará profissionais com carreiras de sucesso e que contribuirão para a pesquisa e inovação no País. Há, reforçando, ótimas oportunidades para ampliação do conhecimento e desenvolvimento de comportamentos e habilidades que esse mercado requer. Empresas de “ponta” buscarão propiciar a seus colaboradores um ambiente de trabalho desafiador, alinhado com estratégias, objetivos e metas da empresa, sem perder de vista a sustentabilidade de seu negócio. O CTC insere-se nesse contexto, e vale destacar que, de modo pioneiro, desde o final da década de 70, direcionou fortes investimentos para a formação de profissionais especializados em cana-de-açúcar. Entre as muitas iniciativas, destacamos o envio de grupo de jovens engenheiros brasileiros, em 1979, para qualificação nas Ilhas Mauricius e, na sequência, a contratação e a capacitação de dezenas de outros jovens profissionais, oriundos das melhores universidades brasileiras, nas diversas fases dos processos agrícola e industrial das usinas.

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Opiniões A partir de 1982, coordenou programas de especialização, ainda hoje lembrados e reconhecidos como o CEAA - Curso de Especialização em Engenharia Açucareira e Alcooleira, e o CECCA - Curso de Especialização em Cultura da Cana-de-Açúcar, que capacitaram mais de 150 especialistas; muitos deles são profissionais que permanecem ativos e ocupam hoje posições estratégicas nas organizações sucroalcooleiras. A participação de pesquisadores em iniciativas internacionais, como o Consórcio ICSB - International Consortium for Sugar Cane Bio Technology (1991), marco para o desenvolvimento da biotecnologia em cana no mundo e no Sucest (2000), projeto para sequenciamento do genoma da cana, também indicam a importância de fomentar o desenvolvimento de pesquisadores. E outros investimentos contínuos em capacitação e desenvolvimento compõem sua política de formação profissional. O CTC tem, hoje, no seu quadro de pesquisadores, que representa cerca de 35% de sua força de trabalho, 24% de funcionários com título de doutor e 31% de mestrado; os demais têm nível superior nas mais variadas áreas de graduação. Na fase atual, de redirecionamento estratégico de nossas atividades, priorizar a gestão de pessoas e ser uma fonte de excelência em conhecimentos necessários para alavancar o crescimento dessa importante área de negócios do Brasil é prioridade no CTC. Para o futuro, o desenho de parcerias para intercâmbio, capacitação e desenvolvimento profissional em importantes centros de formação no Brasil e exterior, ao lado de outras interessantes perspectivas de carreira, bem como o estudo de iniciativas como open-inovation e outras formas novas e criativas para as relações de trabalho, estão em nosso horizonte de estratégias para gestão de pessoas. Estamos trabalhando com afinco para alcançar o patamar de um dos melhores centros de excelência para se trabalhar, com ambiente e condições necessárias para o desenvolvimento dos profissionais que serão protagonistas dessa jornada, contribuindo para os esperados resultados do setor sucroenergético e para a ciência do País. O cenário é positivo, e as oportunidades são atraentes para carreiras em pesquisa e inovação. Quem estará pronto para aproveitá-las?


O MUNDO PRECISA DE ENERGIA Reduzir o uso de combustíveis fósseis que afetam as mudanças climáticas é uma prioridade. O mundo precisa de energia e precisará ainda mais no futuro – e bioenergia, incluindo amido, etanol celulósico, biodiesel e outros biogases, os quais serão componentes crescentes da nossa futura © Novozymes A/S · Customer Communications · No. 2012-08243-01

matriz energética. O papel dos líderes industriais da cadeia produtiva de bioenergia, dos formuladores de políticas públicas e do setor agrícola é assegurar o suprimento da demanda por alimentos, bem como por energia – e fazê-lo de forma sustentável. A bioenergia é uma das opções para ajudar o mundo a alcançar sucesso neste desafio. A Novozymes apoia fortemente a produção sustentável de bioenergia e investe no desenvolvimento deste negócio.

A Novozymes é líder mundial em bioinovação. Juntamente com clientes de uma extensa gama de indústrias, criamos as soluções biológicas industriais do amanhã, melhorando o negócio dos nossos clientes e o uso dos recursos de nosso planeta. Saiba mais em www.novozymes.com.


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O desenvolvimento do conhecimento científico no setor sucroenergético - OpAA32  

Fizemos nesta edição uma análise sobre "O futuro da tecnologia no sistema sucroenergético". Embora mantendo a prática da busca pela informaç...

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