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Custou, mas respondeu Por Hamber Carvalho

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pesar de sabermos que é a assessoria de imprensa que formata as respostas do governador, estamos publicando a entrevista. Ainda que um pouco genérica e ensaboada em plena crise hídrica, a posição do Governo estadual merece uma reflexão principalmente em três aspectos, que consideramos fundamentais. O primeiro se refere ao principal questionamento que fizemos sobre a transposição da água da lagoa de Juturnaiba, assumindo publicamente que se ela ocorrer será para

Governador a grande imprensa do Rio de janeiro alardeou na semana passada sobre a possibilidade de ser feita a transposição de água da Lagoa de Juturnaíba para abastecer os municípios de São Gonçalo e Itaboraí. Juturnaíba está listada nas opções do Estado para abastecer estes ou outros municípios? No momento, a barragem do Guapiaçu, em Cachoeiras de Macacu (Região Serrana), é a única represa que pretendemos construir.

consumo humano e não industrial. O segundo, abre uma negociação com a Concessionária Prolagos no sentido de tratar nosso esgoto a 100%, produzindo água de reuso, o que demandaria investimentos do Estado, na medida em que esta ação não está prevista no contrato de concessão. A própria utilização da água de reuso depende da ANA - Agência Nacional de Águas. E o terceiro, talvez o mais preocupante, pois não aponta uma politica efetiva de recuperação das matas ciliares, condição essencial para a manutenção dos níveis seguros de água na lagoa. De qualquer forma, podemos afirmar que de todas as entrevistas publicadas pelo Governo do Estado,

esta do Perú se destaca, pois foi obtida num momento de desconcentração do Governador, sem aquele aparato nervoso e burocrático de um gabinete. Pezão sabe que os fatos ocorridos em Búzios reverberam facilmente na imprensa nacional e matou no peito nossa gozação e mandou a bola pra frente. A nós, cabe a partir de agora correr atrás desta bola e criarmos os compromissos necessários para que tenhamos uma atenção especial em nosso saneamento básico, onde o Estado, a Prolagos a Prefeitura e os usuários do sistema são os principais agentes de execução desta política pública.

Entrevista Não é a primeira vez que o Perú arranca uma entrevista do Governador Pezão. Na foto, o dia em que Marcelo invadiu a casa de Pezão em Piraí

No perímetro da represa não há quase nada de mata ciliar. Sem esta mata para proteger a represa, a possibilidade de erosão é grande o que compromete a qualidade da represa. O Estado tem projeto de recuperação ou, devido a situação atual por lá, de implantação da mata ciliar da represa? Vamos continuar investindo no reflorestamento das margens dos rios de todo o estado. Até onde sabemos o INEA, que desde o ano passado é o órgão responsável pela represa (antes a corresponsabilidade era dividida entre ANA e INEA) licitou um projeto para diagnóstico e solução para recuperação da represa e até o momento não foi contratada a empresa. A recuperação da barragem é importantíssima, pois é ela que regula o volume de água represado e o volume de água que verte para o Rio São João. Hoje o volume mínimo que deve verter pela barragem é de 8m³/seg. A água represada serve às duas concessionárias que atuam na região dos lagos, atendendo a oito municípios. Como está o processo de contratação do projeto para recuperação da barragem de Juturnaíba? Os nossos técnicos estão avaliando propostas que preveem ações estruturais e hidráulicas que compreendem obras de recuperação da represa. O município de armação dos Búzios, por iniciativa do clube de golfe local e da Prolagos, implantou um sistema de tratamento de esgoto a 100%, cuja tecnologia é infinitamente superior aquela utilizada nos Municípios de Campinas e Itú no interior de São Paulo, produzindo uma água de reuso de excelente qualidade. Devido a dimensão reduzida de seu território, Búzios não poderia ser utilizada pelo Governo do Estado para ser o ponto de partida de expansão dessa tecnologia e por consequência livrar nossas praias definitivamente do esgoto e ainda produzindo sua própria água? O sistema é de responsabilidade da concessionária, mas estamos abertos a dialogar. Muito embora seja fruto de uma política de gigantismo do Estado, perpetuado pelas inúmeras administrações que governaram o Rio de janeiro, mas já não está na hora da CEDAE se submeter ao controle externo da AGERNERSA - Agencia Reguladora de Energia e Saneamento Básico do Estado do Rio de Janeiro, a que são submetidas as empresas privadas que exploram nossos recursos hídricos? Há oito anos, a Cedae dava prejuízo de R$ 30 milhões por mês. Hoje, a empresa está totalmente recuperada, com lucro de R$ 30 milhões mensais. Vamos seguir avançando e o próximo passo é fazer com que a empresa

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passe a ser regulada no segundo semestre. A realidade é que a represa tem como atender a região dos lagos, mas se houver pedidos para outros municípios pode haver risco de termos dificuldade de abastecimento para a nossa região. Há algum pedido de outorga de água de outros municípios? O abastecimento humano está garantido em todo o estado. Nenhuma intervenção será feita que não seja para beneficiar a população. Sabemos que há um grande lançamento de esgotos

sem tratamento nos municípios de Rio Bonito e na parte rural de Silva Jardim. Apesar de existir uma concessionária (Águas de Juturnaíba) que já trata o esgoto da área urbana de Silva Jardim, há necessidade de tratar o esgoto da área rural que não é de responsabilidade da concessionária. Como o estado faz o controle do esgoto que é lançado nos rios Bacaxá, São João e Capivari, principais afluentes que “alimentam” a represa de Juturnaíba? O tratamento do esgoto na área rural é de responsabilidade das prefeituras. Vou colocar nossos técnicos à disposição das cidades para tentar resolver essa questão.

De 20 a 27 de fevereiro de 2015 – O Perú Molhado

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