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Pela sua localização e pela sua importância na vida social e económica dos bracarenses, mas não só, o Café Vianna é um dos mais emblemáticos cafés portugueses. Localizado no edifício da Arcada, na Praça da República, abriu em 1871 pela mão de Manuel José da Costa Vianna. E quando dizemos que foi importante na vertente económica, baseamo-nos num facto: imediatamente após a I Guerra Mundial, em 1921, não havia trocos em Braga. O Café Vianna fornecia senhas que as pessoas trocavam por artigos, por exemplo, na mercearia. Pode até ser algo que mais espaços do género fariam, mas na página oficial da História deste estabelecimento é uma das memórias mais destacadas. Seria, contudo, impossível não pesquisar as memórias da ironia com que Eça de Queirós ou Camilo Castelo Branco abordavam nos seus escritos as questões políticas e sociais, a partir do Café Vianna, considerado um café de encontros. Braga pode ter muitas entradas, mas o ponto de encontro, mesmo para os que não conhecem, passa a ser no Vianna e, depois, o destino encarrega-se do resto, no centro da cidade, sob o olhar de turistas e estudantes que enchem quase sempre a esplanada sob as arcadas.

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Tecto alto, janelas amplas, grandes espelhos... tal como alguns dos cafés descritos na Rota. Camilo Castelo Branco frequentava o Vianna à terça-feira, dia da Feira de Gado. Quanto ao café, Camilo tomava-o “bem forte”.

360º Na lente de ...

No Vianna foi lançado publicamente o jornal «O Primeiro de Janeiro», em 1936, e foi palco, ainda no decorrer na década de 1930, de lutas intelectuais e manobras contra o Estado Novo.

Jorge Bacelar

Teve obras de renovação nos anos de 1980, depois de anos de abandono. Aliás, a década parece ser aziaga em quase todos os cafés históricos. O mesmo aconteceu no Vianna. Actualmente, pertence a três sócios: Artur Pereira, Maria Torres e Manuel Travessa.

Jorge Bacelar nasceu a 12 de junho de 1966, em Figueira de Castelo Rodrigo. É veterinário de profissão. A paixão pela imagem surge com o vídeo. Começou a dedicar-se à fotografia a partir de 2013. O seu trabalho de veterinário de campo em Estarreja e na Murtosa são a sua fonte de inspiração e permitiu que conhecesse de perto os protagonistas das suas fotografias: os agricultores e os seus animais. Progressivamente foi alargando seu trabalho ao retrato da vida rural. As suas extraordinárias fotografias têm uma qualidade crua, quase como que pintadas, transmitindo a relação próxima que o fotógrafo tem com as pessoas que retrata. O seu trabalho remete para um realismo singular num diálogo permanente entre luz, vida e a presença do contraste pontuada a negro. Tem participado em várias mostras, individuais e coletivas, e o seu trabalho tem sido distinguido com vários prémios e menções e merecido a atenção da comunidade especializada e do público em geral. Vai ter trabalhos seus expostos no MNAA - Museu Nacional de Arte Antiga, numa exposição que inaugura a 28 de Junho e está patente até 30 de Setembro do presente ano.

Quanto a especialidades, o Café Vianna tem tudo o que um café deve ter... à imagem do que sempre teve.


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