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1. 2004 Publicação da Divisão Coromant da Sandvik do Brasil ISSN 1518-6091 RG. BN 217.147

Sandvik Coromant do Brasil

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Todo ano novo é o momento ideal para reprogramações e planos de mudanças. No intuito de continuar, cada vez mais, representando o setor, a revista O Mundo da Usinagem introduziu algumas alterações que, espera-se, facilitarão e tornarão mais eficaz sua leitura e aproveitamento. Assim é que as antigas seções Usinabilidade e Fluidos de Corte foram englobadas na nova seção Produtividade. As reportagens, que visavam apresentar diversos modelos de gestão empresarial de sucesso, serão apresentadas sob a seção Gestão

Empresarial. A seção Notas & Novas foi substituída por Movimento, que terá, a partir do próximo número, a conotação de divulgar, com antecedência, eventos e realizações do setor, para que o leitor possa se programar a fim de assisti-los, caso seja de seu interesse. Finalmente, em Contatos, o leitor encontrará o elenco das referências necessárias para se comunicar com autores e empresas que tenham figurado naquele número específico da revista. O desejo de aprimorar-se cada vez mais e servir de fórum de debates para questões da engenharia e da manufatura permanece absoluto. O presente número enfatiza a posição de apoio ao relacionamento entre empresa e universidade, apresentando contribuições de professores e alunos de

renomadas escolas de engenharia e, também, de empresas como Blaser e Aços VIC. Apresentamos,igualmente, nesta edição, interessantes cases de usinagem. Um deles com a Alstom Brasil sobre usinagem pesada e um outro do Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, sobre furação profunda. Na seção Empreendedores fomos até a MECAT – Goiás, onde a inovação os levou a uma projeto de máquinas que racionalizou custos e desbancou a concorrência no campo da industrialização de sucos. Assim pretendemos continuar, entre a manutenção das experiências positivas e inovações que as consolidem e enfatizem. Esperamos continuar contando com o apoio e as sugestões de nossos leitores.

Índice............................................................................................... Ponto de Vista A importância da pesquisa aplicada para o desenvolvimento industrial do país ....................................pág. 04 Suprimentos Logística: Enfoque em Sistemas de Transporte (Modais) .............pág. 06 Empreendedores Do bagaço da laranja sobrou muita história ............................pág. 12 Produtividade Microbiologia e fluidos para usinagem....................................pág. 16 Produtividade Aços Ressulfurados de Corte Fácil ..........................................pág. 19 Gestão Empresarial Dez Toneladas de Cavacos ...................................................pág. 22 Gestão Empresarial Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro ......................................pág. 26 Pesquisa & Desenvolvimento Furação com fresa de topo usando estratégia helicoidal em aço endurecido AISI H13 ...................................pág. 30 OTS Okuma inaugura filial em Manaus .........................................pág. 36 Página da Abepro O ENCEP 2004 será no Espírito Santo ....................................pág. 38 Movimento .........................................................................pág. 40 Contatos ............................................................................pág. 42

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O Mundo da Usinagem


Caros amigos, O Mundo da Usinagem Publicação trimestral da Divisão Coromant da Sandvik do Brasil S.A. ISSN 1518-6091 RG.BN 217.147 e-mail: omundo.dausinagem@sandvik.com

SANDVIK DO BRASIL Presidente: José Viudes Parra

DIVISÃO COROMANT Diretor Coromant Cláudio José Camacho Gerente de Marketing e Treinamento Francisco Carlos Marcondes Coordenadora de Marketing Heloisa Helena Pais Giraldes Assistente de Marketing Cibele Aparecida Rodrigues dos Santos Conselho Editorial Nivaldo L. Coppini, Adriano Ventura, José Carlos Maciel, Roberto Saruls, Francisco C. Marcondes , Antonio Borges Netto, Marlene Suanno, Tadeu B. Lins, Heloisa H. P. Giraldes, Aryoldo Machado, José Edson Bernini e Fernando G. de Oliveira Coordenadora da publicação Vera Lúcia Natale Editoria: Depto. de Marketing da Divisão Coromant Responsável: Francisco C. Marcondes Jornalista responsável Heloisa Helena Pais Giraldes MTB 33846 Gerente de contas Thaís Ameida Tel.: (11) 5696-5589 Cel.: (11) 9909-8808 Fotógrafos Mike Amat; Elizabeth C. Scalone Madison José Souza Santana Criação, Ilustração,Editoração: Arte Gráfica Revisor: Fernando Sacco Fotolito: Digigraphic

Todo início de um novo ano reforçamos em nós o desejo de cumprir todas as promessas, de implementar e colocar em prática todos projetos que fizemos. E m nossa vida particular, por exemplo, normalmente, planejamos o início de um regime alimentar. Também prometemos ser mais organizados, reservar mais tempo para nós mesmos e para a família, iniciar aquele curso de idiomas que faz tanta falta, ingressar naquele grupo de trabalho voluntário, etc,etc,etc... Em nossa vida profissional, assim como na pessoal, também estabelecemos novas metas e planejamos várias ações e tudo com o intuito de nos trazer mais progresso e nos fazer mais bem sucedidos em nossa carreira: um planejamento mais adequado para que possamos agir de uma forma pró-ativa no atendimento aos nossos clientes internos e externos; aquela organização em nossos documentos para que possamos achá-los no momento que precisarmos sem que, com isso, tenhamos que deixar nossos colaboradores “malucos”; a implantação daquele novo processo de produção que aumentará nossa produtividade; aquela redução de custo de produção que aumentará nossa lucratividade, e assim por diante. O que existe de comum entre nossos planos pessoais e profissionais é que, em geral, somos bastante ambiciosos, e se atingirmos a maior parte daquilo que planejamos e prometemos, certamente teremos mais sucesso do que nos anos anteriores. Pois bem, estamos aqui escrevendo para a primeira edição de 2004 de O Mundo da Usinagem, o que significa que já estamos terminando o primeiro trimestre do ano; e nos perguntamos: o que já fizemos? Nosso momento é extremamente positivo, com sinais claros de um crescimento lento, mas progressivo. Esta é a hora de agir rapidamente para não perder as oportunidades que o mundo está oferecendo ao Brasil, oportunidades estas que não aparecem sempre. Nosso país está ávido de idéias e ações que possam nos tornar mais competitivos no cenário mundial e com isso ratificar nossa condição de país economicamente viável e de crescimento contínuo. Coloquemos, pois, em prática nossas

Gráfica: GraphBox-Caran

idéias e planos que é a única forma de atingirmos

Tiragem: 9.000 exemplares

nossos objetivos. Caso precise de uma ajuda na área de ferramentas para usinagem, conte conosco!

Av. das Nações Unidas, 21.732 Santo Amaro - São Paulo - SP CEP 04795-914

Um grande abraço e uma excelente leitura!

O que existe de comum entre nossos planos pessoais e profissionais é que, em geral, somos bastante ambiciosos, e se atingirmos a maior parte daquilo que planejamos e prometemos, certamente teremos mais sucesso do que nos anos anteriores.

Cláudio José Camacho Diretor - Coromant

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O Mundo da Usinagem convidou o Prof. Dr. Olívio Novaski para escrever a seus leitores e com eles compartilhar sua ampla experiência de profissional com dezenas de publicações no Brasil e no exterior.

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ntes de se comentar sobre o tema acima, é interessante verificar o que significa a palavra “pesquisa”: “ato ou efeito de pesquisar. Indagação ou busca minuciosa para averiguação da realidade. Investigação e estudo minudentes e sistemáticos, com o fim de descobrir ou estabelecer fatos ou princípios relativos a um campo qualquer do conhecimento.” (Dicionário Aurélio). Acredita-se que, para o tema em questão, o conceito em itálico (marcado pelo autor deste artigo) é o que mais se aplica. Com esta conceituação, a palavra pesquisa, no Brasil, fosse ela acompanhada do termo aplicada ou não, era associada aos Centros de Pesquisas, mais especificamente às Universidades. Por bom tempo esteve, de fato, mais restrita ao meio acadêmico, com pouca ou nenhuma interface com o meio industrial, salvo alguns esforços isolados. De maneira geral, o meio acadêmico se encapsulava em si mesmo e as indústrias, querendo respostas imediatas às suas questões, se desiludia com as tentativas de aproximação. Os profissionais das Empresas, envolvidos com a rotina diáProf. Dr. Olívio Novaski, Depto. de Engenharia de Fabricação da Faculdade de Engenharia Mecânica - UNICAMP-SP.

ria, não dispunham de tempo para questões mais complexas ou, para ser mais exato, para pesquisar. Assim, salvo honrosas exceções, havia uma dicotomia entre o que a Universidade pesquisava e o que a Indústria precisava. Foi por esta época que os órgãos oficiais apoiaram os pesquisadores brasileiros a se especializarem no exterior, gerando, como conseqüência, uma pós-graduação forte e uma equipe de pesquisadores de primeira linha, de sorte que, hoje, já não há necessidade tão grande de financiar, por exemplo, um doutorado inteiro no exterior. Todavia, ao contrário do que acontece nos países chamados de Primeiro Mundo, a maior parte deste pessoal tem ido para as Universidades e Centros de Pesquisas, com uma ínfima parcela sendo absorvida pelo meio industrial. Muitos dos profissionais titulados possuem mais o perfil de pesquisador do que o de professor, mas ainda não há, ou é muito tímida, uma política de absorção desta mão de obra, pelas corporações. No meio de tudo isto, algumas políticas industriais importantes ocorreram, de sorte que, de um instante para outro, as empresas encontraram fortes competidores externos e a sobrevivência daquelas aqui instaladas exigia esforços


emergenciais. Assim, o que parecia impossível começou a ocorrer : uma procura, por parte das Empresas, de soluções prontas das Universidades que, também, desprovidas de conhecimentos mais práticos, não podiam responder da maneira requerida. Mas, o fato positivo é que o sentimento, usando uma palavra talvez um tanto forte para o momento, de repulsa de ambas as partes começou a se dissolver, devido também à atribuição de recursos cada mais escassos dos órgãos oficiais às Universidades e Centros de Pesquisa. O cenário apontava, de um lado, para entidades necessitadas de recursos e, de outro, para empresas com recursos e ávidas por outros meios de conhecimento ou de aprofundamento do conhecimento. Percebeu-se que existia uma interface que podia ser explorada e a somatória de conhecimentos só apontava para ganhos, pois equipes competentes e bem informadas existiam de parte a parte, faltando um início de relacionamento e uma troca maior de experiências. É a sobrevivência da própria Economia, das Empresas e das Universidades, ou seja, deste sistema, que fez com que começasse a ocorrer uma relação mais profissional entre os diversos atores. A própria proposta do atual Ministro da Educação para as Universidades Públicas, principalmente as Federais, contempla uma autonomia maior às mesmas, fazendo que se desenvolva a criatividade de seus membros para a captação de recursos, que somente serão conseguidos através de parcerias. No mundo da usinagem, felizmente, sempre houve uma cooperação mais forte entre Empresas e Instituições de Pesquisa. Fabricantes de matéria-prima, ferramentas, máquinas e de componentes sempre estiveram ao lado das pesqui-

sas aplicadas e trabalhos desenvolvidos. Temas importantes em usinabilidade, análise de desempenho de ferramentas, otimização e desenvolvimento de processos e outros, de há muito são feitos em parceria. Os trabalhos práticos sempre envolveram ferramentas, máquina e material, que sem a colaboração e interesse em temas conjuntos, seriam difíceis de serem desenvolvidos. Por outro lado, sempre houve, de certa forma, uma pesquisa, como definido pelo Aurélio, por parte destes segmentos, conduzida

O lançamento de diversos cursos de pós-graduação, em parceria, tem sido um sucesso, assim como o Mestrado Profissional pelas organizações. Melhorias dos processos de usinagem, avaliação de alternativas de usinagem, etc., sempre estiveram na pauta, principalmente dos fabricantes de ferramentas, frente aos seus clientes, ou seja, a pesquisa feita pelas Empresas. Outrossim, há necessidade freqüente dos profissionais ligados às empresas se reciclarem, e de outros se formarem, para se ter, em primeira instância, uma equipe de alto padrão e, em segunda instância, esta equipe de alto padrão começar a desenvolver novos produtos e serviços de maneira permanente, pois somente com equipes assim é que se consegue pensar em desenvolvimento, capacitando e qualificando a mão-de-obra, para se

ter equipes capazes de se lançar aos desafios. De novo, a relação Empresas/Instituições de Ensino passa a ter um papel de suma importância, lançando programas de ensino condizentes com ambas as partes, em parceria. O lançamento de diversos cursos de pós-graduação, em parceria, tem sido um sucesso, assim como o Mestrado Profissional, dirigido aos profissionais já atuantes, permitindo uma troca de experiências enriquecedora. Aos poucos as corporações começam a absorver e, em alguns casos, a exigir pessoas tituladas. Um sinal de que há uma premência para se fazer pesquisa aplicada, com mais ênfase, também em outras áreas do conhecimento, além da usinagem. O espírito empreendedor e o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores passam, obrigatoriamente pela base do conhecimento, adquirido e desenvolvido em Instituições voltadas para o desenvolvimento aplicado. Resta saber se, em função da condução da Economia e dos Negócios do País, ter-se-á uma mãode-obra qualificada, em profusão, que será explorada nos moldes atuais, por falta de oportunidades (que o reporte quem tentou abrir uma empresa), ou se as condições permitirão que esta mão-de-obra utilize o seu potencial, fortalecendo a base da Economia, que são as pequenas e as microempresas, com produtos e serviços diferenciados. Da mesma forma, a procura e o investimento das grandes corporações em pessoas mais qualificadas, embora ainda de maneira tímida, aponta para a necessidade de se desenvolver cada vez mais produtos regionalizados e customizados. Esperamos que tudo aponte para uma oportunidade maior para todos. Sandvik Coromant do Brasil

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G ESTÃO L OGÍSTICA O Conselho de Gestão de Logística (CLM – Council of Logistics Management, organismo internacional sediado em Illinois, nos Estados Unidos) descreve o termo Gestão de Logística como sendo o processo de planejamento, implementação e controle eficiente, fluxo efetivo e estocagem de bens e relação de informações, do ponto de origem ao ponto de consumo, para o atendimento dos requisitos do cliente (CLM, 1991). Prof. Dr. Antonio Batocchio Depto.de Engenharia de Fabricação da Faculdade de Engenharia Mecânica da UNICAMP-SP. Prof. Dr. Rogério Monteiro Faculdade de Tecnologia da Zona Leste, Centro Paula Souza, São Paulo-SP.

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Nesse sentido, GREEN(1991) afirma que a logística surge para incluir todo o suporte necessário para a introdução de um novo produto ou mudanças significantes em um produto existente. Normalmente, isso requer treinamento, desenvolvimento de técnicas de publicidade e aquisição de peças sobressalentes, ferramentas especiais e equipamentos de testes. Logística, então, tornase o processo de oferecer a quantidade adequada de um determinado item, no local em que este item é solicitado, no tempo certo. A gestão de uma atividade de logística integrada tem se tornado a tarefa de garantir que estes objetivos sejam atingidos dentro

dos limites de recursos aceitáveis. A logística não está confinada apenas às operações de manufatura. Ela é relevante em organizações, incluindo governo, instituições como hospitais e escolas, prestadoras de serviços como varejistas, bancos e organizações de serviços financeiros (LAMBERT et alii,1998). Algumas das muitas atividades abrangidas pela logística aparecem na Figura 1, que dependem de entradas como fatores humanos, naturais, financeiro e recursos de informação. Os fornecedores entregam (providenciam) os materiais brutos, produtos semi-acabados (forjados, perfilados, etc.) e acabados (rolamento, motor elétrico, etc.) os quais


são modificados pelos gestores de logística em material bruto, inventário em processo e bens finais. Ações da gestão, providenciam a estrutura para atividades logísticas por meio do planejamento, implementação e controle. As saídas dos sistemas logísticos são: (1) vantagem competitiva em tempo, em espaço utilizado ou em movimentação eficiente até o cliente e (2) oferta de diversos serviços logísticos, serviços esses que se transformam em propriedade da organização (LAMBERT et alii, 1998). O transporte representa um dos elementos mais importantes na composição dos custos logísticos de uma empresa. Segundo BALLOU(1998), o transporte é capaz de absorver entre 33,3 e 66,6% dos custos logísticos totais. Surge, então, a necessidade de se entender os fundamentos do transporte e sua influência no desempenho logístico da empresa.

IMPORTÂNCIA DO S ISTEMA DE T RANSPORTE Um sistema de transporte eficiente e de baixo custo contribui para aumentar a competitividade da empresa no mercado, reduzir preços dos produtos comercializados e melhorar a economia de escala na produção. Com relação à economia de escala, o sistema de transporte interfere na confiabilidade do recebimento de matéria-prima e componentes dos fornecedores e na confiabilidade de entrega de produtos acabados aos clientes e mercados consumidores, em bom estado e nos tempos pré-determinados. A escolha do modo de transporte deve considerar algumas características básicas, tais como: (1) preço do serviço de transporte, (2) rapidez e variabilidade, (3) versatilidade, (4) riscos de perdas e danos decorrentes da modalidade escolhida (Monteiro, 2002).

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O Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio Exterior (MDIC, 2002) classifica o Sistema de Transporte quanto à forma em: Modal: envolve apenas uma modalidade (ex.: Rodoviário); Intermodal: envolve mais de uma modalidade (ex.: Rodoviário e Ferroviário); Multimodal: envolve mais de uma modalidade, porém, regido por um único contrato; Segmentados: envolve diversos contratos para diversos modais; Sucessivos: quando a mercadoria, para alcançar o destino final, necessita ser transbordada para prosseguimento em veículo da mesma modalidade de transporte (regido por um único contrato). Todas as modalidades têm suas vantagens e desvantagens. Algumas são adequadas para um determinado tipo de mercadorias e outras não. Segue descrição suscinta dos diversos modais.

TIPOS DE M ODAIS

los pertencem a terceiros. Trata-se do sistema de transporte mais utilizado no país, apesar de registrar elevado custo operacional e excessivo consumo de óleo diesel. Possui grande flexibilidade operacional, permitindo acessos a pontos isolados. Apresenta grande competitividade para o transporte de cargas dispersas, isto é, não concentradas na origem ou no destino e o de curtas distâncias, onde seu maior custo operacional é compensado pela eliminação de transbordos. O transporte rodoviário na América do Sul é regido pelo Convênio sobre Transporte Internacional Terrestre entre Brasil, Argentina, Bolívia, Chile, Paraguai, Uruguai e Peru, firmado em Santiago do Chile, 1989. Esse convênio regulamenta os direitos e obrigações no tráfego regular de caminhões em viagens entre os países consignatários (MDCI, 2002). No Brasil algumas rodovias ainda apresentam estado de conservação ruim, aumentando os custos com manutenção dos veículos. Além disso, a frota é antiga e sujeita a roubo de cargas. VANTAGENS Adequado para curtas e médias distâncias; Simplicidade no atendimento das demandas e agilidade no acesso às cargas; Menor manuseio da carga e menor exigência de embalagem; O desembaraço na alfândega pode ser feito pela própria empresa transportadora.

O transporte rodoviário apresenta baixo custo inicial de implantação, exigindo apenas a construção do leito, uma vez que os veícu8

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DESVANTAGENS Custo de fretes mais elevados em alguns casos; Menor capacidade de carga entre todos os outros modais;

Todas as modalidades adequadas para um Menos competitivo para longas distâncias; Com relação à segurança no transporte rodoviário de cargas, tecnologias com rastreamento de veículos por satélite, bloqueio remoto de combustível, entre outras tecnologias, estão sendo utilizadas por empresas do setor de transporte, visando reduzir os riscos de transporte. Ocorre que essas tecnologias possuem elevados custos de aquisição, de maneira que grande parte da frota rodoviária de carga encontra-se à margem dessas inovações.

O transporte ferroviário possui um custo de implantação elevado, não apenas pela exigência de leitos mais elaborados, como também pela aquisição simultânea do material rodante, constituído de locomotivas e vagões. Apresenta baixo custo operacional e pequeno consumo de óleo diesel, em relação ao transporte rodoviário. Não apresenta grande flexibilidade, operando através de pontos fixos, caracterizados


têm suas vantagens e desvantagens. Algumas são determinado tipo de mercadorias e outras não. por estações e pátios de carga, sendo muito competitivo no transporte de cargas com origem e destinos fixos e para longas distâncias, onde os transbordos realizados na origem e no destino são compensados pelo menor custo do transporte. O transporte ferroviário na América do Sul também é regido pelo Convênio sobre Transporte Internacional. O transporte ferroviário é adequado para o transporte de mercadorias agrícolas, derivados de petróleo, minérios de ferro, produtos siderúrgicos, fertilizantes, entre outros. VANTAGENS Adequado para longas distâncias e grandes quantidades de carga; Menor custo do transporte.

lização privilegia materiais fluidos, tal como gases, líquidos e sólidos granulares. O sistema apresenta elevado custo de implantação e baixo custo operacional. Possui pequena flexibilidade, operando apenas entre pontos fixos, que são as estações de bombeamento e recalque. No entanto, o transporte dutoviário registra muita competitividade para o transporte em alta velocidade de grandes quantidades de fluidos. VANTAGENS Alta confiabilidade pois possui poucas interrupções; Pouco influenciado por fatores meteorológicos.

utilizado no comércio internacional. Possibilidade de navegação interior através de rios e lagos. VANTAGENS Maior capacidade de carga; Carrega qualquer tipo de carga; Menor custo de transporte. DESVANTAGENS Necessidade de transbordo nos portos; Longas distância dos centros de produção; Menor flexibilidade nos serviços aliado a freqüentes congestionamentos nos portos.

DESVANTAGENS Número limitado de serviços e capacidade.

DESVANTAGENS Diferença na largura das bitolas; Menor flexibilidade no trajeto; Necessidade maior de transbordo.

O transporte dutoviário é feito através de tubos (dutos), baseandose na diferença de pressão. Sua uti-

O transporte marítimo apresenta baixo custo de implantação e de operação. Apesar de limitado às zonas costeiras, registra grande competitividade para longas distâncias. Necessita de transporte complementar, o que pode torná-lo inadequado para algumas rotas. O transporte marítimo é o modal mais

O transporte hidroviário apresenta baixo custo de implantação, quando da ocorrência de uma via natural. Tal custo, no entanto, aumenta bastante se houver necessidade de construção de canais, barragens e eclusas, por exemplo. Seu custo operacional, pequeno em vias perenes de grande calado, aumenta de maneira sensível em vias de baixo calado e de utilização sazonal, onde não é possível operar em períodos de seca. Apresenta baixa velocidade operacional e alcance limiSandvik Coromant do Brasil

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tado ao curso natural da via utilizada. Atinge excelente competi tividade quando satisfeitas as condições de via natural, perene e de grande calado. VANTAGENS Custos de perdas e danos são considerados baixos. DESVANTAGENS Costuma ser mais lento que o modo ferroviário; Disponibilidade e confiabilidade são fortemente influenciadas pelas condições meteorológicas.

VANTAGENS É o transporte mais rápido; Não necessita embalagem mais reforçada (manuseio mais cuidadoso); Os aeroportos normalmente estão localizados mais próximos dos centros de produção. DESVANTAGENS Menor capacidade de carga; Valor do frete mais elevado em relação aos outros modais.

SERVIÇOS M ULTIMODAIS A utilização de mais de um modo de transporte vem crescendo nos últimos anos. BALLOU(1998) apresenta dez combinações para os transportes multimodais:

O transporte aeroviário apresenta baixo custo de instalação e elevado custo operacional. Registra grande flexibilidade e permite o acesso a pontos isolados do país, com alta velocidade operacional. É o meio ideal para o transporte de mercadorias de grande valor e de materiais perecíveis em situações excepcionais. Algumas dessas situações são catástrofes, guerras e epidemias. Devido a seu elevado custo operacional, o transporte aéreo não é apresentado como alternativa, limitando-se sua utilização a casos específicos. É o transporte adequado para mercadorias de alto valor agregado, pequenos volumes ou com urgência na entrega. 10

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1) Ferro – Rodoviário 2) Ferro – Hidroviário 3) Ferro - Aeroviário 4) Ferro – Dutoviário 5) Rodo - Aéreo 6) Rodo – Hidroviário 7) Rodo – Dutoviário 8) Hidro – Dutoviário 9) Hidro – Aéreo 10) Aero – Dutoviário Sabe-se que nem todas essas combinações mostram-se práticas. A

alternativa de equipamento mais popular é o contêiner, empregado em muitas das companhias multimodais. O contêiner é uma grande caixa para acondicionamento de carga, em geral de dimensões e formato padronizados, que pode ser transferido para todos os modais de transporte de superfície, com exceção dos dutos. Com a carga em contêiners, os remanejamentos de pequenas unidades de carga nos pontos de transferência intermodal são realizados com baixos custos, viabilizando o serviço porta-a-porta por caminhões. Ao longo do processo logístico, surgem inúmeros fluxos de mercadorias entre pontos diversos da rede logística. Nos pontos de transição de um fluxo para outro, como, por exemplo, da manufatura e transferência ou entre a transferência e a distribuição física, surge a necessidade de manter o produto estocado por um certo período de tempo. A estocagem tem um papel importante no desenvolvimento econômico da rede logística. O tempo de permanência da mercadoria num depósito ou armazém depende muito dos objetivos gerais das empresas.

Referências Bibliográficas BALLOU, R. H., Business Logistics Management, 4a edição, Prentice Hall, New Jersey, 1998. CLM, 1991, Council of Logistics Management, www.clm1.org GREEN, L. L., Logistics Engineering, Willey-Interscience, New York, 1991. LAMBERT, D. M., STOCK, J. R. e ELLRAM, L. M., Fundamentals of Logistics Management, Boston, Irwin - McGraw-Hill, 1998. MONTEIRO, R., Proposta de um Modelo de Apoio à Tomada de Decisão Baseado em Fatores Críticos de Sucesso. Tese de Doutorado, Faculdade de Engenharia Mecânica da UNICAMP, Campinas, São Paulo, 2002. MDCI, Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior http://www.mdic.gov.br/comext/depla/doc/logistica.PDF acessado em 2002.


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que ninguém sequer desconfia é que tal resultado é fruto de uma inovação tecnológica, surgida há mais de uma década e patenteada no Brasil e nos Estados Unidos, hoje presente em 70% das indústrias de cítricos no mundo todo. Trata-se do equipamento Turbo-Filtro, inteiramente concebido por Attilio Turchetti, diretor do grupo MECAT, cuja fábrica está situada em Abadia de Goiás, no estado de Goiás.

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PRODUTO – SUA CONCEPÇÃO, CARACTERÍSTICAS E BENEFÍCIOS DE USO A experiência inicial de Attilio Turchetti como empresário, aqui no Brasil, foi marcada pela produção de equipamentos em geral, para as indústrias de cimento, mineração e fabricação de filtros-prensa para tratamento de efluentes nas empresas de laticínios. Tendo observado que o mecanismo de filtração para separação dos sólidos em líquidos era um elemento crítico para o processo, pensou logo em fazer um mecanismo preliminar separador contínuo, a fim de padronizar o fluxo para o filtro-prensa. Desta idéia de separador contínuo inicial surgiu, em 1987, um embrião de Turbo-Filtro, com o primeiro sendo utilizado em um laticínio, no processo de fabricação de queijo para filtrar o soro depois da calhação, retirando toVera L.Natale

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Vários modelos de Turbos-Filtro em fase final de montagem.

das as partículas sólidas residuais. A partir deste momento , a MECAT iniciou uma série de pesquisas de campo em cada produto onde havia a necessidade de separar os sólidos e microsólidos insolúveis em suspensão em um líquido. Em 1993, depois de sete anos de testes e de contínua evolução do equipamento, um Turbo-Filtro aprovado pelas maiores multinacionais produtoras de sucos cítricos revoluciona a fase do processo de finalização na fabricação do suco de laranja. A principal peculiaridade do Turbo-Filtro é o uso de tecido técnico sintético no lugar de chapa perfurada no corpo filtrante. Outra peculiaridade é a turbulência como dinâmica do produto a ser processado. Hoje, a turbo-filtração é a tecnologia mais utilizada nas indústrias de sucos cítricos em escala industrial, e esta tecnologia está encontrando um campo de ação na produção de álcool e açúcar, de amidos e no pré-tratamento de efluentes industriais com conteúdo de microsólidos insolúveis em suspensão.

O Turbo-Filtro é um equipamento que exige uma fabricação de alta qualidade, sendo todos os componentes de aço inox com acabamento para uso alimentício. Devido às enormes solicitações suportadas pelos elementos do Turbo-Filtro durante o processo dos produtos, as partes mecânicas exigem um altíssimo grau de precisão e por isso a usinagem da MECAT é dotada de modernas máquinas de comando nu-

mérico, com pessoal constantemente atualizado na escolha e no uso da ferramenta. Para o gerente, o cérebro e o coração do Turbo-Filtro são, justamente, o modo e o meio de filtração: a separação efetiva do sólido e do líquido é realizada por uma dinâmica de turbulência e em circuito fechado, em contraposição à filtração estática e intermitente empregada antes. Dessa forma, o produto a ser filtrado não perde calor, por não ter contato atmosférico, e assim evitam-se eventuais contaminações, conservando-se ainda as propriedades do que está sendo filtrado. O tecido sintético também contribui para agregar valor ao produto por ser de fácil limpeza e não esmagar nenhuma fibra, dada sua respectiva elasticidade, conferindo assim maior eficácia de filtração. Sua assepsia é garantida por um sistema de limpeza, monitorado por um software , o qual emite vários jatos – de água e soda – que opera com duração máxima de dois minutos e evita, atra-

Da esquerda para a direita: Rogério Narvae Lima, diretor da Kaymã, distribuidor Sandvik Coromant; Eng. Sergio Soares da Silva, gerente de produção MECAT; Marcionil Borges de Faria, gerente industrial MECAT e Wenderlayne da Silva, operador de Fresadora CNC.

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to e equipamento, sendo nove delas brasileiras e quatro deferidas pelos EUA).

TRAJETÓRIA NO BRASIL – UMA GESTÃO EMPRESARIAL ARROJADA

Attilio Turchetti, diretor do grupo MECAT.

vés de um sistema automático de drenos, a mistura entre o produto processado e o produto de limpeza. Além disso, o software controla a vazão e o sistema de segurança do processo. Devido basicamente a dois fatores principais, ou seja, à flexibilidade do produto que pode servir à microfiltração de qualquer tipo de fibra em suspensão em um determinado efluente como tomate, cana de açúcar, cevada, laticínios etc., desde que se especifique a micragem do meio filtrante; bem como à toda estrutura fabril de que dispõe a MECAT, que mantém sempre em estoque as partes “estratégicas” do equipamento, a empresa consegue atender os clientes em um tempo médio de quinze dias a um mês. A MECAT faz questão de frisar que é inovador também o fato de fazer parte do preço de venda do produto a garantia de um ano de manutenção do mesmo. Hoje a MECAT conta com 07 modelos e 14 patentes (de concei14

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Turchetti, italiano, residente no Brasil há mais de vinte anos, é diplomado em tecnologia industrial pelo Instituto Guglielmo Marconi de Forli, Itália, com ênfase em metalurgia e usinagem. No período em que traba lhou como executivo da Diemme S.A., uma das maiores empresas fabricantes de Filtros-Prensa, Belt Press e Sistemas de Tratamento de Efluentes Industriais e Urbanos, também estudou, na década de 70, na Societé Belge de Filtration, da Universidade de Liège, na Bélgica. Teve assim oportunidade de aplicar, na prática, as teorias aprendidas no referido curso. Logo depois de chegar ao Brasil decide fundar, em 1983, na cidade de Goiânia, a C.M.T. para manufatura de equipamentos em geral como já pontuamos. Em 1989, a C.M.T passa a se chamar MECAT e se transfere para sua sede própria, com 3.600 m2 de área construída, em Abadia de Goiás, GO. Desde a concepção do TurboFiltro, a empresa só vem crescendo, inclusive no mercado global. Hoje, já se fala no Grupo MECAT constituído pelas seguintes unidades: a MECAT Filtrações Industriais, com sede em Goiânia, dedica-

se a projetos, fabricação e vendas; a MECAT Services, em Bebedouro (próximo de clientes de laranja e álcool), responsabiliza-se pelo relacionamento industrial, marketing, testes, supervisão operacional, start-up, assistência técnica em garantia, preventiva e interventiva, além de assistência técnica pósgarantia; e por fim a MECAT USA que se ocupa de venda, leasing, venda de serviços para assistência técnica e manutenção específica em geral, nos Estados Unidos. O escritório dos Estados Unidos surgiu depois de venderem um Turbo-Filtro modelo PONEY ao Centro de Pesquisa Cítrica de Lake Alfred, na Flórida/EUA, em agosto de 2000. O motivo do interesse dos EUA deve-se ao nosso suco cítrico ser mais saboroso que o americano e de coloração mais próxima do natural e também porque acreditaram ser o Turbo-Filtro o principal responsável pela qualidade superior do referido suco, já que participa de quase todas as etapas do processo, como assinala o gerente industrial Marcionil de Faria. A principal meta da MECAT, agora, é ser cada vez mais reconhecida como produtora de equipamentos para microfiltração, ou seja, onde houver microfibras/ micro-sólidos em suspensão num líquido que precisem ser filtrados, a MECAT quer estar presente. Por enquanto, a área de atuação já foi ampliada para o setor sucro-alcooleiro. No Brasil, a empresa vende para toda a região de Araraquara (região produtora de cítricos e cana), além de Sergipe, Bahia, Paraná e Goiás por exemplo; exporta para os EUA, América Central (Costa Rica, Belize), Espanha e Uruguai, além


de estar em tratativas com os Emirados Árabes e a África.

SOBRE

O ESPÍRITO EMPREENDEDOR

A filosofia de vendas da empresa é transferir tecnologia para o cliente e em vários níveis: direcional, gerencial e operacional, tudo sedimentado por meio de várias visitas de caráter industrial, técnico e financeiro. A MECAT apresenta como a alma de seu marketing, o seu próprio equipamento, deixando, muitas vezes, o Turbo-Filtro uma safra inteira no cliente para que seja testado. A declaração de Turchetti é , nesse sentido, proveitosa: “Temos que ter uma tecnologia inovadora, que deve ser consolidada ou difundida, além de assimilada pelo cliente. O retorno que vale é o teste prático para você mostrar que pode obter o pay-back, ou o retorno sobre o investimento e também que a tua tecnologia é melhor do que a existente”, enfatiza. Tal afirmação consolida o espírito arrojado do fundador da MECAT, perfeitamente alinhado às modernas gestões empresariais.

Fresa R390 da Sandvik Coromant usinando base em aço inox.

Convicto que, em sua empresa, “cada um é gerente do que faz”, pois treinou, à sua moda simples, direta e pragmática, seus trinta funcionários para a fabricação específica do Turbo-Filtro, Turchetti caminha feliz e orgulhoso por sua fábrica comentando cada detalhe de sua obra. Obra essa nascida de seu espírito empreendedor, ou no sentido lato de sua vocação pela técnica - do grego techné, “arte”, “habilidade” - que sempre o impeliu e ainda impele ao desejo de conceber inovações e colocá-las em prática, a fim de que

possam aprimorar, aperfeiçoar algo. Na frente do pátio em que os Turbo-Filtros são montados, está um grande campo de girassóis para atrair e alimentar as ararinhas verdes, pássaros da região. Afinal de contas, como declara: “temos que cuidar do nosso meio, da natureza”. Isso evidencia claramente sua preocupação em propiciar meios para o crescimento, o fazer prosperar, o progredir ou, enfim, o desenvolvimento positivo de algo, mesmo sem ser diretamente ligado às necessidades da manufatura.

UMA PEQUENA CONTRIBUIÇÃO E UM GRANDE PRIVILÉGIO Há alguns anos a Sandvik Coromant lançou no mercado o slogan acima e agora o retoma nessa matéria com toda a propriedade. Marcionil Borges de Faria, gerente industrial, com 15 anos de MECAT, comenta satisfeito o valor de se falar uma mesma língua ou, em outras palavras, a de se ter um parceiro que também queira somar empenho, transferir know-how, para citarmos alguns dos pontos mais importantes: “Desde o princípio ficou claro, para nós, que o nosso fornecedor de ferramentas iria nos tra-

zer soluções, nos deixando mais tempo livre para a gente se dedicar ao nosso negócio, que é a fabricação de filtros. Quando a MECAT decidiu adquirir a sua primeira fresadora CNC, nós chamamos o Rogério, da Kaymã, para ferramentar nossa máquina. E desde então não tivemos mais problemas”, frisa. Rogério Narvae Lima, diretor da Kaymã, distribuidor autorizado Sandvik Coromant na região Centro-Oeste, com dez anos de existência, corrobora a afirmação do gerente: “Nosso objetivo não é ven-

der a pastilha, mas a estabilidade do processo, o bom funcionamento da máquina, a qualidade da peça final. A caixinha com as pastilhas acaba sendo uma conseqüência. Nosso objetivo principal é levar soluções ao cliente”, com pleta o diretor da Kaymã.

Sandvik Coromant do Brasil

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uas funções na circulação de materiais da natureza são muito diversas e está comprovado que, sem eles, não poderíamos sobreviver. Na verdade, nós não só convivemos com eles, nós precisamos deles. Também existem alguns deles que, para nós, são fatais. Epidemias mataram milhões de pessoas no passado, existem no presente e continuarão a existir no futuro. Os microorganismos têm uma taxa de reprodução muito alta que, ao contrário do que acontece com os seres humanos, contribui para que eles se adaptem sem muita dificuldade às alterações do meioambiente. Devido a isso, os antibióticos festejados como remédios milagrosos estão perdendo o seu efeito. Tipos resistentes de bactérias estão se difundindo e levam a novas epidemias que exigem a descoberta de novos remédios e vacinas. Na verdade, os microorganismos habitavam a Terra muitos milhões de anos antes de nós e o farão ainda após nosso desaparecimento. Heinz Huber Blaser Swisslube do Brasil Ltda.

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O Mundo da Usinagem

MICROORGANISMOS ANTIBIÓTICOS

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Na Terra existem incontáveis tipos de bactérias e continuamente surgem novos tipos. Somente uma pequena parte (cerca de 10.000) está descrita adequadamente (BERGEY, 1964). A maior parte delas é totalmente inofensiva aos seres humanos. O corpo humano é habitado, segundo estimativas, por aproximadamente 100 trilhões de bactérias. Sobre a nossa pele, na cavidade bucal, no intestino, vivem milhões de bactérias que constituem seu próprio micromundo. Só na cavidade bucal existem de 200 a 300 tipos de bactérias. O ser humano aprendeu a conviver bastante bem com elas, tendo mesmo surgido relações simbióticas. Dessa maneira, por exemplo, a conhecida Escherichia Coli forma, no intestino, a importante vitamina K. Em um ser humano saudável, ocorre um equilíbrio estável entre os micróbios e o sistema imunológico. Os antibióticos não matam somente os microorganismos do tipo incômodo, que provocaram a doen-

ça, mas também danificam toda a flora restante de micróbios. Nos seres humanos isso pode conduzir a perturbações da digestão, diarréia ou mesmo a uma infestação por microorganismos indesejáveis (por exemplo, fungos) que não reagem aos antibióticos. As substâncias químicas agressivas destroem a flora existente de bactérias e com isso a barreira de proteção por elas criada contra a entrada de estranhos. A nossa própria flora natural nos protege de microorganismos nocivos e dessa forma de possíveis infecções.

A AÇÃO DOS M ICRÓBIOS DA Á GUA Após a excursão pela Medicina Humana, apresentamos os paralelos com os Fluidos para Usinagem miscíveis em água. No concentrado não há bactérias, elas se aninham na emulsão, trazidas especialmente pela água de preparação. Afirma-se sempre que os microorganismos destroem a emulsão e causam problemas de saúde. No entanto, isso não é válido


para todos os Fluidos de Usinagem. Com uma formulação adequada, forma-se nesse material um equilíbrio entre os diversos tipos de bactérias. Eles se compõem principalmente dos inócuos micróbios da água (do grupo Pseudomonas), que não causam doenças e não tem efeito negativo na preparação e estabilidade das emulsões. Eles se reproduzem até atingirem de 1 a 100 milhões/ml. A partir daí há um equilíbrio no desenvolvimento. A vantagem da existência dessa população é que o micróbio patogênico, isto é, o causador de doenças, não tem condição de se desenvolver nesse ambiente. Os micróbios da água formam aqui, como as bactérias no ser humano sadio, uma espécie de proteção contra os tipos indesejados. Após uma adição de biocida, da mesma forma como em uma aplicação de antibióticos nos seres humanos, com freqüência aparecem diferentes tipos de fungos e, estes sim, podem trazer problemas técnicos.

BARREIRA DE PROTEÇÃO DESTRUÍDA Com adições muito fracas ou muito freqüentes de biocida, formam-se micróbios resistentes e a quantidade de biocida precisa ser aumentada por não apresentar mais os mesmos resultados. Em conseqüência, novos tipos de biocida precisam ser continuamente desenvolvidos. Os biocidas não agem somente sobre os microorganismos nas emulsões. A população natural de bactérias nas mãos dos operadores também é afetada negativamente. Também aqui as bactérias deixam de formar a sua barreira protetora. As conseqüências são eczemas e o

aparecimento de fungos. Precisamos nos perguntar se há realmente alguma vantagem no uso permanente de biocida nas emulsões para usinagem, tanto em termos da qualidade do produto quanto da saúde humana. Nas publicações sobre Fluidos para Usinagem miscíveis em água, menciona-se sempre uma limitação de um número total de micróbios de 10 mil até 100 mil micróbios/ml para proteção dos operadores das máquinas. Para manter os valores assim baixos é necessário a adição de biocida. Por outro lado, é freqüente o alerta de que a adição de biocida em máquinas com reservatórios individuais de emulsão é muito arriscada. Tal fato é melhor ou diferente, no caso de equipamentos alimentados por sistemas centralizados? Afinal de contas, o que significa essa contagem total de micróbios? Será que isso significa que, com essa limitação, haverá menos geradores de doenças do que com 1 milhão, 10 milhões, ou mesmo 100 milhões? Dependendo do tipo de micróbio, pode haver um potencial de risco maior para o ser humano em um número de 10 mil do que em 100 milhões. Obrigatoriamente surge a pergunta: a quem atende essa limitação repetida há décadas? Ela realmente resulta de uma preocupação com a saúde das pessoas? Não seria

muito mais importante controlar as variedades aninhadas, principalmente onde ocorre o controle através de biocidas, já com possíveis variedades resistentes? Os Sindicatos de Classe, por exemplo na Alemanha, não mais se guiam por esse valor de 1.000.000 micróbios/ml. Atualmente há muito poucas emulsões no mercado que permanecem estáveis com um número natural de micróbios de 1.000.000 ou mais micróbios/ml, sem conseqüências negativas. Fluidos para Usinagem, cuja formulação está ajustada de tal forma que eles podem ser usados sem biocida, não são só analisados constantemente quanto ao número total de micróbios, mas também quanto as variedades. Existe, portanto, um controle regular no qual as diversas alterações são abrangidas. Enquanto não houver conhecimentos mais seguros, tanto sobre a formação de bactérias em Fluidos para Usinagem quanto sobre os efeitos dos biocidas sobre o ser humano, deveríamos reconhecer que existem fluidos mis-cíveis em água que se mantém estáveis por muitos anos com uma flora natural de micróbios, sem adição de biocida. Segundo os conhecimentos científicos atuais, estes últimos não apresentam nenhum risco maior à saúde, em comparação com aqueles que tem a flora manipulada [4].

Referências Bibliográficas (1) BERGEY’s Manual of Systematic Bacteriology, 1964. (2) BURKHARDI, F., Mikrobiologische Diagnostik (Diagnóstico Microbiológico). Thieme Verlag,1992. (3) PELEZAR,M.J., CHAN, E.C.S., KRIEG, N.R., Microbiology. International Edition, 1993. (4) Landesgesundheitsamt (Centro Estadual de Saúde Pública),Stuttgart,1992, (comunicação pessoal). (5) SCHLEGEL,H.G., Allgemeine Mikrobiologie (Microbiologia Geral). Thieme Verlag, 1985 .

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urgiram, nesse período, os primeiros aços ressulfurados produzidos pela Belgo-Mineira e os ressulfurados ao chumbo pela Mannesmann (“Chumbaloy”). A Siderúrgica Aparecida (depois incorporada à Villares), a Acesita, na década de 70 e, mais recentemente, a Piratini (com aços ao bismuto) também passaram a produzir aços de corte fácil. Os aços ressulfurados de corte fácil são ligas ferro-carbono (com baixo ou médio teor de carbono) às quais se adicionam, basicamente, enxofre (S) e manganês (Mn) para melhorar sua usinabilidade, ou seja, aumentar a vida das ferramentas, diminuir o esforço de corte, aumentar as velocidades de trabalho e melhorar o acabamento (rugosidade) das superfícies usinadas. As ligas de ferro com baixo teor ou médio teor de carbono normalizadas são estruturas formadas por “grãos” cristalinos de dois tipos: - ferrita: praticamente ferro puro, portanto bastante mole e dúctil. - perlita: estruturas compostas por lamelas (lâminas) alternadas de ferrita e cementita (Fe3C – dura e frágil) com teor médio de 0,80% de carbono, mais dura e menos dúctil que a ferrita. Quando adicionamos enxofre e manganês ao aço, ambos se combinam formando MnS (Sulfeto Eng. Fábio Troiani Diretor Industrial da Aços Vic Ltda

Na década de 60, o desenvolvimento da indústria automobilística, aliada à política de substituição de importações, induziu o crescimento e sofisticação do parque produtivo nacional de Manganês) que torna-se, na solidificação, uma inclusão não metálica, frágil, distribuída na matriz metálica. As partículas de MnS facilitam a usinagem basicamente por dois mecanismos:

a) O cavaco, ao invés de contínuo, torna-se fracionado em conseqüência da fragilidade das inclusões MnS, viabilizando a produção seriada em máquinas automáticas. b) A aresta da ferramenta tem sua vida prolongada pois é lubrificada pelo MnS. Em relação à mesma liga Fe-C, a presença do MnS nos permite produzir peças usinadas mais complexas, mais precisas e com melhor acabamento, trabalhando com velocidades de corte, em máquinas de produção seriada, muito superiores

às velocidades de corte utilizadas nos aços comuns. Obtemos significativo incremento de usinabilidade no aço adicionando chumbo (Pb) e/ou bismuto (Bi), metais de baixo ponto de fusão não miscíveis ao ferro, que juntam-se às inclusões de sulfeto e melhoram a lubrificação da aresta cortante da ferramenta. Os ressulfurados comercialmente produzidos apresentam as seguintes faixas de composição percentual: C: 0,08-0,55; Si: 0,00-0,35; P: 0,00-0,12; Mn: 0,30-1,65; S: 0,08-0,35; Pb: 0,15-0,35. Quando aumentamos a porcentagem de MnS, melhoramos a usinabilidade mas também incrementamos a fragilidade do aço, sua tendência a trincas (principalmente nos carbonos mais altos) e crescem as dificuldades de laminação. Na usinabilidade, a composição e a quantidade de inclusões têm importância equivalente à sua forma e distribuição no aço. Evidentemente busca-se distribuição homogênea (pouca segregação) para que tenhamos precisão e acabamento uniformes, bem como furos centrados. A utilização recente de lingotamento contínuo, na fabricação do aço, favorece a homogeneidade e inibe a formação de macro sulfetos indesejáveis. Controla-se o teor de oxigênio do aço líquido com o objetivo de adequar a forma do sulfeto na solidificação. Sandvik Coromant do Brasil

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A adição de teores mínimos de telúrio (Te), selênio (Se) ou cálcio (Ca) contribuem para obtenção de inclusões esféricas de MnS que transformar-se-ão em elipsóides na laminação a quente, ou seja, a forma ideal para tais inclusões. Além dos controles citados, procura-se também minimizar a presença dos elementos de liga residuais (Cr,Ni,Mo,V,W, etc.) que endurecem o aço, bem como a quantidade de óxidos (silicatos, aluminatos) provenientes da desoxidação do aço líquido, pois são altamente abrasivos. O processo de trefilação consiste em deformar plasticamente uma barra ou fio metálico fazendo-o passar (a frio) por um orifício cônico (fieira) de diâmetro menor. Obtemos assim precisão dimensional maior, bom acabamento superficial e encruamento do metal. A trefilação melhora a usinabili dade dos aços de corte fácil de baixo carbono (os mais usados) pois o encruamento endurece a ferrita tornando-a menos plástica (mais frágil). Na tabela abaixo temos uma comparação dos índices de usinabi-

SAE 1010 1020 1035 1045 1070 1090 1212 1213 12L14 12L14Te 1137 1144 4320 4340 6150 8620 52100

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%C 0,08 - 0,13 0,18 - 0,23 0,32 - 0,38 0,43 - 0,50 0,65 - 0,75 0,85 - 0,98 0,13 max 0,13 max 0,15 max 0,15 max 0,32 - 0,39 0,40 - 0,48 0,17 - 0,22 0,38 - 0,43 0,48 - 0,53 0,18 - 0,23 0,98 - 1,10

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lidade dos aços mais usados. Os aços ressulfurados trefilados (ou descascados) com diâmetros entre 4 e 50 mm representam a quase totalidade do consumo no Brasil. A usinabilidade insatisfatória, normalmente interpretada como “dureza elevada” deve-se geralmente à morfologia e distribuição dos sulfetos inadequadas; em segundo lugar, a residuais ou óxidos em excesso e raramente (quando o aço for adquirido de fornecedor confiável) à composição química incorreta. Aços de desempenho insatisfatório em um tipo de usinagem podem apresentar-se bons em outro processo. Sulfetos muito grandes ou por demais alongados prejudicam a usinabilidade e são geradores de trincas (particularmente nos aços de médio carbono). Os elevados teores de enxofre (e portanto de inclusões) implicam em fragilização do material, desqualificando os aços ressulfurados para peças de responsabilidade. Nestes casos, tiveram grande evolução os aços (especialmente ligados) com usinabilidade melhorada através da

%Mn 0,30 - 0,60 0,30 - 0,60 0,60 - 0,90 0,60 - 0,90 0,60 - 0,90 0,60 - 0,90 0,70 - 1,00 0,70 - 1,00 0,85 - 1,15 0,85 - 1,15 1,35 - 1,65 1,35 - 1,65 0,45 - 0,65 0,60 - 0,80 0,70 - 0,90 0,70 - 0,90 0,28 - 0,45

%S 0,05 max 0,05 max 0,05 max 0,05 max 0,05 max 0,05 max 0,16 - 0,23 0,24 - 0,33 0,26 - 0,35 0,26 - 0,35 0,08 - 0,13 0,24 - 0,33 0,05 max 0,05 max 0,05 max 0,05 max 0,025 max

otimização das variáveis metalúrgicas, inclusive adição de chumbo ou bismuto mas com baixos teores de enxofre. A usinagem é processo oneroso e representa cerca de 15% do custo de um automóvel, justificando a busca permanente por materiais (principalmente aços) com usinabilidade melhorada. O desenvolvimento de materiais alternativos (termoplásticos, microfundidos, sinterizados), bem como a sofisticação de processos, como a estampagem a frio de peças cada vez mais complexas e a usinagem em altíssima velocidade nos equipamentos CNC modernos têm diminuído a importância dos aços de corte fácil. As múltiplas alternativas e a competitividade fazem com que apenas a solução mais eficaz prevaleça, de modo que os aços ressulfurados de corte fácil continuarão evoluindo mas serão utilizados (como os demais materiais) onde sua vantagem for inconteste, pois a sobrevivência na sociedade globalizada é privilégio dos mais eficientes (ou mais fortes).

%Pb 0,15 – 0,35 0,18 – 0,35

USINABILIDADE 55 65 65 55 55 45 100 135 180 200 70 80 70 45 45 60 30


Sandvik Coromant do Brasil

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fabricação de rotores Pelton é cercada de dificuldades, a começar pela própria matéria-prima utilizada, o aço inoxidável fundido, que é um material de difícil usinabilidade. Outra dificuldade para a fabricação desse tipo de equipamento é a exigência quanto à integridade do material e qualidade do acabamento superficial, sem contar as dificuldades naturais desse tipo de peça de grande porte, como dificuldade de acesso, etc. Um grupo de funcionários da Alstom Brasil, da unidade de Taubaté-SP, porém, encarou o desafio de desenvolver um processo de usinagem para produzir o rotor a partir de um bloco forjado de aço inoxidável. E os resultados foram muito além do satisfatório. Já foram produzidos dois rotores pelo novo processo, com ganhos sensíveis do segundo em relação ao primeiro. Para que se tenha uma idéia da extensão do trabalho, basta dizer que o bloco forjado é entregue na fábrica pesando 14,8 toneladas (2,5 m de diâmetro e 420 mm de altura) e, após usinado, restam apenas 5,6 toneladas. Quase 10 toneladas DeFato Comunicações

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são removidas (62%), com a usinagem, exigindo cerca de 800 horas de máquina. “Em breve, esperamos reduzir bastante esse tempo de usinagem”, diz o supervisor de Engenharia Industrial, José Roberto Pires. Ele nos elucida, ainda, que muitos técnicos da área da usinagem podem estranhar uma operação que exija 800 horas de máquina. “Aqui, 400, 500 horas são comuns. As peças são únicas, não temos lotes de peças. Em geral, são um ou dois rotores por encomenda. E os projetos quase nunca são iguais, talvez porque os rios sejam diferentes, assim como as vazões e a energia que vão gerar”, explica. Marcio Oliveira, Superindentende de Engenharia, conta que a empreitada teve início a partir de concorrência vencida pela Alstom Brasil para o fornecimento de dois

Rotor Pelton em fase final de fabricação.

Fresa R390 da Sandvik Coromant usinando uma concha do Rotor Pelton.

rotores para a Usina General José Antonio Paez, da Venezuela. O contrato - de US$ 450 mil - foi assinado em 2002. O desafio de desenvolver o processo de fabricação por meio da usinagem buscou solucionar problemas recorrentes, em es-

pecial no que se refere a prazos, provocados pelo material fundido. “Para este componente, a obtenção do fundido apresenta alguns problemas, e o desenvolvimento de fornecedores se torna demorado e dispendioso, sendo que é comum recebermos o fundido com alguns problemas metalúrgicos. E, claro, temos de fornecer ao cliente dentro de um padrão”, conta Oliveira, acrescentando que as dificuldades começam já no prazo de entrega da matéria-prima. Embora próximo do perfil final da peça, o material fundido nesse tipo de peça exige que o acabamento seja realizado por esmerilhagem, com a retirada de até 500 kg por processo manual, com todos os problemas que essa árdua operação envolve (dificuldade de acesso, peso do equipamento, excesso de ruído, geração de cavacos da esmerilhagem, etc.). Não raras vezes, ainda, tem-se de recorrer ao desbaste por eletrodo de carvão (goivagem), que é ainda mais agressiva que a esmerilhagem. As imperfeições metalúrgicas do material fundido, as quais são deSandvik Coromant do Brasil

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Da esquerda para direita: Luiz Fernando de Oliveira, operador Alstom de máquina pesada; Luiz Américo Costa, programador Alstom de máquina CNC; José Roberto Pires, supervisor Alstom de engenharia industrial; Admir Breve, técnico Alstom de ferramentas; José Carlos Sávio de Souza, engenheiro Alstom de métodos e processos e Álvaro Diniz , vendedor técnico da Sandvik Coromant.

tectadas pelos ensaios não destrutivos, obrigam a constantes retrabalhos. “Assim, não conseguíamos fazer o planejamento de nossos prazos com precisão”, relata. Essa soma de fatores motivaram a equipe a desenvolver o processo para trabalhar com matéria-prima forjada. “O forjado é muito mais homogêneo, pois sua base mecânica é muito melhor que a do fundido”, lembra José C. Sávio de Souza, engenheiro de Métodos e Processos. Pires enumera as vantagens: “com o forjado, a primeira vantagem já se dá no prazo de fornecimento da matéria-prima, que é menor, permitindo um melhor planejamento do tempo de fabricação e, melhor, não se têm surpresas depois da usinagem”. Produzida a peça, os ensaios são realizados por exigência da 24

O Mundo da Usinagem

norma, e a ocorrência de defeitos praticamente não existe.

P ROCESSO Usinar rotores não chega a ser novidade para a Alstom. Já há algum tempo, a unidade utiliza o processo para fabricar as pás dos rotores modelos Francis e Kaplan. Em Taubaté, entre outros exemplos, já foram produzidos rotores para Itaipu, de 300 toneladas, e para Tucuruí, de 240 toneladas. Mas não se trata de uma simples adaptação. O rotor Pelton tem características distintas, que dificultam o processo, em especial no que se refere ao acesso, tanto no modo manual quanto através da máquina. Esse foi um dos obstáculos enfrentados pela equipe. Luiz Américo Costa, técnico de Métodos e Processos, responsável pela pro-

gramação da fresadora Waldrich, do tipo portal e de cinco eixos, onde a peça é usinada, conta que este foi o programa mais complicado e demorado em que trabalhou. “Para fazer este programa gastei em torno de 300 horas, quase um mês e meio”, diz, acrescentando que foram necessárias outras 80 horas ao lado da máquina, para a otimização do programa. Foi também um longo período de escolha e definição do ferramental, pois 60% das ferramentas utilizadas são especiais, entre barras de mandrilar e fresas. Admir Breve, técnico de Ferramentas da Alstom, conta que a usinagem total do rotor consome cerca de 390 pastilhas de metal duro, sendo que a substituição das ferramentas e a opção pelas fresas de topo R390 da Sandvik Coromant e suas respectivas pastilhas, promoveu a redução do consumo de pastilhas na usinagem do segundo rotor. Em sua opinião, porém, o mais importante foi o melhor escoamento dos cavacos na operação de acabamento, possibilitado pela fresa R390 da Sandvik Coromant. Com a fresa anterior, os cavacos estavam aderindo à ferramenta, principalmente nas regiões de mais difícil acesso da peça. Pires se diz satisfeito com os resultados obtidos até aqui. Ele conta que, a princípio, existiam dúvidas sobre ser possível usinar a peça totalmente, devido à dificuldade de acesso em alguns pontos. Essa questão já foi superada e, agora, a preocupação é a de reduzir o tempo de fabricação e, conseqüentemente, o custo de produção, para viabilizar a produção por usinagem. “Já ganhamos bastante tempo no período pós-usinagem, descartando o esmerilhamento. Agora, temos


consciência de que é preciso evoluir na operação de usinagem, o que será obtido com o desenvolvimento de novas ferramentas, otimização do processo e até mesmo com os operadores se tornando mais confiantes ao apertar o botão da máquina, elucida”. O supervisor lembra que há quatro anos, quando foi introduzida a usinagem na fabricação das pás Francis e Kaplan, o tempo de usinagem era o dobro do atual. “Vamos chegar lá também no caso dos rotores Pelton”, acredita. “Essas duas peças - embora atendam todos os padrões - são tratadas internamente como protótipos. Já reduzimos em 30% o tempo de produção da primeira para a segunda, mas vamos reduzir ainda mais”, diz confiante. Pires pondera que a redução do custo de produção, e o conseqüente alcance de uma boa relação custo x benefício, será fundamental para trazer para o Brasil a produção de

Alstom: empresa global

Rotores Pelton: alta queda, baixa vazão O rotor Pelton é utilizado em usinas hidroelétricas com duas características: alta queda, baixa vazão. Instaladas em rios de baixa vazão, obtém-se a força necessária para geração de energia devido à altura de queda da água. No Brasil, esse tipo de usina é rara, sendo mais comuns em regiões como a dos Andes. O rotor Pelton é o que mais se assemelha às antigas rodas d´água. Já as turbinas Francis, são do tipo média queda e média vazão,

enquanto a Kaplan é voltada para usinas de baixa queda e alta vazão. No caso específico do rotor que será fornecido à usina venezuelana, levou-se em consideração as características do local de instalação da usina. A água é muito abrasiva, fator agravado pela altura da queda. Qualquer imperfeição na peça pode, portanto, provocar a redução de sua vida útil. Esse fator também pesou muito na escolha do material forjado.

rotores que hoje são produzidos em outras unidades do grupo pelo processo manual. Ele lembra que, devido à qualidade do material forjado, a peça será mais resistente e de maior vida útil em campo, detalhe importante numa usina, tendo em vis-

ta as dificuldades de manutenção e substituição dos rotores. “Ainda não fizemos uma divulgação oficial para o grupo. Pretendemos fazê-la em breve”, conclui o supervisor de Engenharia Industrial, José Roberto Pires.

Uma das principais empresas do mundo em infra-estrutura para energia e transporte, a Alstom atua nos mercados de geração e conversão de energia, transporte metrô-ferroviário e naval. Com faturamento global superior a 20 bilhões de euros, emprega mais de 100 mil pessoas em 70 países. No Brasil, está presente em cinco Estados e no Distrito Federal, com 10 unidades, entre fábricas, centros de serviços e escritórios. A fábrica de Taubaté, certificada pelas normas ISO 9000 - versão 2000 e ISO 14001, é especializada na fabricação de turbinas hidráulicas, geradores e equipamentos hidromecânicos. Instalada em terreno de 821.329 m², com área construída de 81.500m², emprega 980 pessoas.

Fábrica da Alstom em Taubaté-SP.

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Estratégia nacional, tecnologia global

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o ano de 2000, o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro, tradicional organização fabril do Exército Brasileiro, lançou, por meio de edital de licitação “global”, como assim chamaram, uma solicitação bem intrigante ao mercado: procuravam uma empresa que pudesse ser co-responsável por todo o projeto de usinagem do tubo de um novo armamento, o Morteiro Médio Antecarga 81 (Mrt Me Acg 81). Quinze empresas se candidataram e apenas três delas compareceram. O que poderia ser tão desafiador ou até mesmo “assustador” nesse processo licitatório à procura de um sole supplier? O primeiro fator era muito provavelmente por se tratar de requisição de um órgão governamental, diretamente ligado à estratégia de defesa nacional, em que o zero defeito, mais do que uma meta, é condição sine qua non para se atender à Vera L. Natale

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O Mundo da Usinagem

rigoríssima fiscalização militar. De fato, a fabricação de uma arma nacional implicitamente indica a capacitação tecnológica do país, revelando o quanto se está, ou não, preparado para o mundo global. Em segundo lugar, por ser um projeto complexo: não bastava apenas fornecer ferramentas para a usinagem do tubo mas auxiliar na montagem de todo o aparato necessário para a realização das operações de usinagem, i.e. furação profunda e usinagem externa; máquina adequada para tal, sistema de fixação da ferramenta, sistema de refrigeração, treinamento, orientação, enfim, um real serviço de pósvenda. E, por fim, mas não menos importante, fazer tudo isso com uma só máquina, que fosse capaz de realizar ambas as operações de usinagem, evitando-se a compra de dois equipamentos, mesmo porque isso demandaria mais recursos, não disponíveis na época.

O objetivo da fabricação nacional do morteiro era fazê-lo no tipo monobloco para melhor perfomance. Esse tipo de arma tinha antes um furo passante, ou vazado, sendo que a culatra era roscada por fora do tubo. O intuito de torná-la monobloco decorre do fato que assim se consegue uma pressão maior na região da culatra e, portanto, o projétil pode ser lançado a uma distância maior. Além disso, o tubo anterior pesava 20 quilos e os engenheiros tinham que reduzir tal peso. Ao tornar a arma mais leve, o infante, que a carregará em combate, ganha alguns quilômetros a mais, além de facilidade no manuseio. Desse modo, para reduzir o peso do tubo, os engenheiros tinham que

...a fabricação de


reduzir a espessura da parede do mesmo, sem comprometer a segurança de uso da peça. Os engenheiros da Divisão de Estudos do Arsenal se viram assim impelidos a dedicarem, em um primeiro momento, maior tempo com a engenharia do produto do que com a de processo em si. O trabalho de engenharia do processo foi dividido com a empresa vencedora do processo licitatório, a Toolset, um dos distribuidores autorizados da Sandvik Coromant no Rio de Janeiro, com vinte e cinco anos de existência. Um dos pontos que pesou muito favoravelmente, foi o fato do distribuidor Sandvik Coromant conseguir cotar, já desde o início, todos os itens do projeto. Tal ponto se tornou até mesmo fundamental, pois os engenheiros do Arsenal já tinham saído antes a campo para fazer uma investigação prévia sobre quem poderia enfrentar tal empreitada, encontrando inúmeras dificuldades inclusive para uma simples cotação. Primeira etapa vencida, o desafio maior foi então comprovar, na prática, a capacidade de solucionar o problema referido. Embora de difícil usinagem, o material escolhido foi o aço SAE 4340 da Villares Metals, 44-48 HRC, refundido a arco sob vácuo (V.A.R.) e tratado termicamente por melhor atender aos quesitos de segurança. O método de refusão significa que depois de fundido o lingote, o aço passa por uma câmara a vácuo para

ser refundido, conferindo ao mesmo uma microestrutura mais refinada, com menor grau de impureza, tornando-o portanto mais resistente. A máquina adquirida para a usinagem do tubo do Morteiro Médio Antecarga 81, no final de 2000, por indicação da Sandvik Coromant, foi curiosamente um torno exclusivo para rosca petrolífera, o ROMI ATOC 9. Juraj Bacic, especialista em furação profunda, há mais de trinta anos traba- Morteiro Médio Antecarga 81 Brasileiro no lhando na Sandvik Campo de Provas de Marambaia. Coromant e que participou ativamente do projeto, ex- adequou às necessidades do proplica que tal indicação contemplou jeto, ou seja, realizar ambas as dois aspectos: “A Sandvik Coromant operações de usinagem envolvidas recomendou tal máquina por ela ter no processo, que são a furação produas placas de fixação, assim a peça funda e a usinagem externa. pode ficar dentro do cabeçote do Para tanto, a Divisão de Estudos, torno e conseqüentemente não é por intermédio do engenheiro necessário ter um torno extrema- Egydio Carvalho, projetou e gemente longo. A Coromant tam- renciou a construção de um circuibém assistiu o Arsenal no proje- to hidráulico paralelo de refrigerato do bloco-suporte de fixação e ção especial, que consiste em um do bloco-suporte da bucha-guia, tanque para depósito e filtração do construídos, respectivamente, pela óleo (no caso óleo mineral RATAK ROMI e pela Bromberg, os quais MS 139 FUCHS, 1200l) e bomba foram especialmente desenhados centrífuga Jacuzzi 10MC4-T 10 cv. para a ferramenta Ejector que A empresa que fabricou o tanque usinaria a peça em questão”. foi a Indústria Bromberg, especiComo dito antes, o torno se alizada em projetos industriais.

uma arma nacional implicitamente indica a capacitação tecnológica do país... Sandvik Coromant do Brasil

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O comprimento de furação total é de 1200 mm e a espessura do tubo de 2,5mm. O primeiro furo é realizado com a CoroDrill 800-24 Ø 60,40 mm e na sequência são usadas cabeças alargadoras Ejector 424-31 de diâmetros variados, todas elas com pastilhas intercambiáveis que substituíram de vez as com pastilhas soldadas, usadas anteriormente, acarretando maior agilidade ao processo. Primeiro utiliza-se uma cabeça alargadora Ejector de Ø 71 mm, depois de Ø 81 mm e por fim a cabeça de Ø 81,4 mm com pastilha especial de raio de 14 mm, para usinar o calibre da arma, fazendo a configuração geométrica da câmara de deflagração da carga de projeção da munição, ou o raio de fundo do tubo. As cabeças de corte foram chanfradas para não perder o óleo. Durante os testes, um dos grandes problemas foi a quebra de cavacos - havia fitas de até 2 m. Isso foi solucionado com um um estudo criterioso dos parâmetros de corte e troca, sempre que necessário, das ferramentas usadas por outras que melhor se adaptassem ao processo. Algumas pastilhas tiveram que ser

Visão parcial da área de usinagem no Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro.

reprojetadas com um quebra-cavacos mais estreito. Vale também ressaltar o importante desempenho do bedame CoroCut na geometria RM para cópia das aletas (rosca externa) e da nova classe K05A para torneamento externo da parede fina do tubo e com alta dureza. Valter Fraga, diretor da Toolset, afirma que já há dez anos havia percebido que na tríade “produto, qualidade e serviços”, o último ponto era de fato o diferencial. Da época em que era funcionário na filial carioca da Sandvik Coromant, isso no final da década de setenta, diz ter aprendido muito, tanto do ponto de vista técnico quanto administrativo. Ele também traz consigo o legado de criar identidade com a empresa que trabalha: “Você deve se identificar com o produto, com a empresa, e formar a tua marca, a tua presenTubo do morteiro Antecarga 81 usinado no Brasil. ça no cliente, aten-

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O Mundo da Usinagem

dendo às necessidades, ou ainda otimizando os processos dele, não importa se ele é grande ou pequeno: ele é cliente”, enfatiza. Bacic, da Sandvik Coromant, acrescenta: “Tudo no processo era difícil, mas mais difícil era fazer o furo em si, pois o material é muito duro. Ainda bem que tivemos a chance e a credibilidade do Arsenal para estarmos lá desde o início do processo e assim pudemos transferir a eles todo o nosso know-how na área de furação profunda, mostrando bem a filosofia da Coromant, ou seja, a de sempre buscar soluções, não simplesmente vender ferramentas”. O Capitão Egydio Carvalho, engenheiro mecânico e de armamento, há dez anos servindo em Arsenais de Guerra (Rio de Janeiro e São Paulo) e encarregado do projeto, comenta oportunamente que “o trabalho de nossa área de Pesquisa e Desenvolvimento é muito estimulante. Acreditar no sucesso de um empreendimento desta natureza, onde há a parceria entre o estado e empresas privadas, visando o know-how a ser adquirido com a fabricação de um armamento ge-


nuinamente brasileiro, é ter a certeza de que os recursos públicos, mesmo que escassos no que diz respeito à segurança nacional, são bem empregados”. E ele reitera, confiante, a posição de Bacic: “Nós percebemos logo do início que o conceito da Sandvik, representada pelo Valter da Toolset e pelo Bacic, da Sandvik, não era vender. O conceito da Sandvik foi o de trazer soluções. A Sandvik entrou, não como fornecedora de ferramentas, mas para fazer o tubo da arma junto com a gente”. Depois de três anos de intenso trabalho e inúmeros try-outs todo o aparato desejado para a usinagem do tubo do Morteiro Antecarga 81, a ser fabricado inteiramente e pela primeira vez no Brasil, está pronto e apto para atuação plena.

Uma bancada com ferramentas só para furação profunda é o elemento mais recentemente integrado ao espaço que o Arsenal pretende transformar em um centro de excelência em furação profunda no Rio de Janeiro, disponibilizando-o para prestar serviços de usinagem a terceiros. Percebe-se o valor, não apenas da inovação tecnológica pura e simplesmente mas, sobretudo, das soluções práticas que ela pode proporcionar. Entusiasta, o Capitão Engenheiro Militar Egydio Carvalho declara: “Trabalhamos para dominar o conceito de fabricação de armamento e aumentar a autonomia de nosso Exército”. E acrescenta: “Nosso sonho é exportar a arma”. Fica evidente que o Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro realmente tem total condição de fazê-lo.

“Nosso Sonho é Exportar”

Da esquerda para a direita: Tenente Coronel José Carlos dos Santos, Diretor do Arsenal; Capitão Egydio Carvalho Souza Caria, encarregado do projeto do Morteiro 81; Juraj Bacic, consultor técnico Sandvik Coromant; 1 o Sargento Edvaldo de Oliveira Chaves Filho, mecânico operador CNC; 3º Sargento Marcos André Morais Rangel, operador auxiliar CNC ; Soldado Márcio da Silva Alencar, operador auxiliar CNC; Valter Fraga, Diretor da Toolset, distribuidor Sandvik Coromant; Soldado Wilson Pereira de Souza, operador auxiliar CNC e Soldado Robson da Silva Oliveira, operador auxiliar CNC.

Sandvik Coromant do Brasil

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Durante o século XX, devido ao desenvolvimento de novos produtos, os materiais de fabricação mecânica evoluíram, tornando-se cada vez mais difíceis de usinar. Por outro lado, na busca intensa do aumento da produtividade, a indústria moderna sempre objetiva custos e tempos de produção cada vez menores, a fim de que a atividade seja rentável em mercados competitivos. Frente a essa realidade, a pesquisa de novas estratégias de usinagem tem sido uma tendência atual para aumentar a produtividade com a possibilidade de se obter ótima qualidade superficial, possivelmente eliminando processos subseqüentes. Esse trabalho apresenta um estudo sobre o processo de furação em aço-ferramenta endurecido, utilizando-se fresamento de topo com estratégia helicoidal de usinagem. O material usinado é o aço AISI H13 endurecido e um sistema CAD/CAM foi usado para gerar os programas NC. Uma alternativa a esta estratégia foi também utilizada.

1.INTRODUÇÃO O recente desenvolvimento de máquinas-ferramenta com eixo-árvore de alta rotação, CNC’s velozes e grande estabilidade dinâmica, combinado com novas ferramentas e sistemas de fixação, têm criado condições para obtenção de peças usinadas a partir de aços endurecidos com excelente qualidade dimensional, de forma e baixos valores de rugosidade superficial. Furos com grandes diâmetros, como aqueles com diâmetro acima de 20 mm, sempre foram um desafio, esProf. Dr. Reginaldo Teixeira Coelho Hugo Martinelli Watanuki Ricardo Arai Escola de Engenharia de São Carlos – EESC – USP

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O Mundo da Usinagem

pecialmente quando são usinados em aços com dureza acima de 45 HRc. Dificuldades adicionais aparecem no processo quando pequenas tolerâncias dimensionais e geométricas, além de boa qualidade superficial, são exigidas. Dentro desse contexto, o fresamento de topo com interpolação helicoidal pode ser uma alternativa viável para a usinagem de furos com tolerâncias muito estreitas no diâmetro, na forma e na qualidade superficial. Freqüentemente, durante a produção de furos de grandes diâmetros, com tolerâncias muito estreitas, o processo adotado é a furação em cheio, seguida de abertura do diâmetro e usinagem final por mandrilamento (WEIKERT et alii,

2002). O fresamento de topo helicoidal, o qual exige a interpolação simultânea em três eixos, pode ser usado como alternativa ao mandrilamento. O furo pode ser aberto em cheio, e acabado pelo mesmo processo, modificando-se as condições de usinagem. Para que as tolerâncias fechadas possam ser alcançadas, a máquina deve ter um bom controle de posição dos eixos. Somente máquinas capazes de posicionamento muito preciso podem produzir furos com tolerâncias na ordem de milésimos de milímetro. Adicionalmente, a estabilidade dinâmica da máquina-ferramenta deve ser capaz de oferecer uma usinagem sem vibrações, para que o acabamento superficial seja


compatível com as exigências. Como a interpolação exige a movimentação simultânea de três eixos cartesianos da máquina, o programa CNC deve ser propriamente gerado por um software de CAM – Computer Aided Manufacturing. Nessa estratégia de interpolação, o software normalmente produz a trajetória da ferramenta através de pequenos segmentos de reta, no espaço 3D, dentro de uma faixa de tolerância admissível em torno do cilindro ideal. Este valor de tolerância, usado pelos programas CAM, nem sempre é transparente ao usuário. A melhor chance de se obter sucesso em uma seqüência de fabricação como a citada, está na utilização de um centro de usinagem de alta velocidade (HSM – High Speed Machining) e com fresas de metal duro recobertas com material resistente a altas temperaturas e à abrasão (como (TiAl)N, TiCN, etc). Nesta aplicação os valores de tolerância dimensional são baixos e alguns reportam uma rugosidade superficial de aproximadamente 0,4 µm Ra (NG et alii, 2000) e 0,18 µm Ra (DEWES et alii, 1997) e vida da ferramenta tão longa quanto aquela necessária para usinar um comprimento de cerca de 9 m de Inconel 718 a 150 m/min, um dos materiais mais difíceis de usinar (SHARMAN et alii, 2001). Neste trabalho, o processo de fresamento de topo foi usado como operação de desbaste e de acabamento, mudando-se as condições de usinagem em uma máquina-ferramenta que oferece uma excelente precisão no posicionamento. Explora, ainda, a possibilidade de se usinar furos de boa qualidade em aço-ferramenta endurecido analisando os valores de circularidade e rugosidade superficial. Os furos fo-

ram usinados utilizando-se fresas de topo tanto no desbaste quanto no acabamento. Uma placa de aço AISI H13, com espessura de 22 mm, endurecida para 52 HRc, foi utilizada como corpo de prova.

2.TRABALHO EXPERIMENTAL 2.1. M ÁQUINAS

E

EQUIPAMENTOS

Centro de usinagem de alta velocidade Hermle C800U, com 24.000 rpm, velocidade máxima de avanço de 35 m/min com comando CNC Siemens 840D. A fixação da ferramenta foi feita através de um porta-ferramenta hidromecânico pelo sistema CoroGripTM. Os valores de rugosidade na direção axial foram medidos através de um rugosímetro portátil Taylor-Robson modelo Surtronic 3P e na direção radial pelo Form Talysurf - Rank Taylor Hobson. Os valores de erro de circularidade foram medidos utilizando-se uma máquina Talyround 250. A medição da circularidade de alguns furos foi feita por uma máquina de medir a três coordenadas Mitutoyo Bright, modelo BRT-M 507, uma vez que a posição de alguns furos no corpo de prova não permitiam a medição na máquina Talyround.

Figura 1 – Ferramentas utilizadas nas operações de desbaste e acabamento. (a) desbaste código R216.13-20030BS20P 1020 com recobrimento de TiCN. (b) acabamento R215.28-20045EAC38H 1010 com recobrimento de (TiAl)N.

(TiAl)N. A figura 1(b) mostra o aspecto da ferramenta.

2.3. C ORPO

DE

P ROV A

O corpo de prova utilizado foi uma placa de 22 mm de espessura de aço AISI H13, temperado e revenido para 52 HRc. A figura 2 mostra o corpo de prova após os experimentos

2.4. P ROCEDIMENTO EXPERIMENTAL Todos os quatro furos foram inicialmente usinados com a fresa de topo de desbaste utilizando-se interpolação helicoidal, cuja estra-

2.2. F ERRAMENTAS Fresa para Desbaste

Fresa de topo inteiriça de metal duro com 20 mm de diâmetro, três arestas de corte, código R216.1320030-BS20P 1020 com recobrimento de TiCN. A figura 1(a) mostra o aspecto da ferramenta. Fresa para Acabamento

Fresa de topo de 20 mm de diâmetro, oito arestas de corte, código R215.28-20045EAC38H 1010 com recobrimento de

Figura 2 - Corpo de prova após a usinagem de dois furos de 38 mm de diâmetro e dois furos de 50 mm de diâmetro.

tégia é mostrada na figura 3, obtida pelo CAM PowerMill TM . A usinagem de acabamento também utilizou a estratégia helicoidal e foi dividida em duas etapas: a primeira consistia na remoção de 0.1 mm da parede do furo e a segunda na remoção de 0.05 mm da parede, Sandvik Coromant do Brasil

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feita em diversos pontos ao longo da circunferência do furo. Nas tabelas foram usados valores médios para rugosidade e circularidade. Por último, testou-se uma estratégia de acabamento gerada por prograFigura 3 – Interpolação com estratégia Figura 4 – Estratégia de fresamento de furo mação manual, usando-se helicoidal. em acabamento usando-se G2/G3. os comandos G2 e G3, devido à simplicidade e facideixando o furo no diâmetro final zação de ar comprimido como lidade de programação manual, pretendido. Os furos foram então fluido de corte. avaliados quanto à circularidade e As medições da rugosidade su- neste caso. A Figura 4 mostra um esquema rugosidade superficial nas direções perficial na direção axial foram radial e axial. feitas em pontos da geratriz do furo da estratégia usada. Nesta estratégia A tabela 1 mostra os parâmetros com um cut-off ajustado para 0,8 a ferramenta avança até a profundide corte utilizados no desbaste mm. As medições de rugosidade dade final do furo, toca a parede até (alguns indicados pelo fabrican- superficial na direção paralela às a profundidade de usinagem final e te da ferramenta). marcas de usinagem foram feitas em então inicia o comando G2/G3, sinOs parâmetros de corte utili- uma parcela da circunferência do cronizando as velocidades nos eixos zados no desbaste foram mantidos furo e seus resultados são apresen- X e Y simultaneamente. Neste caso, não há excessivas no acabamento. Todo o processo tados em forma de gráfico. de usinagem foi feito com a utiliA medição da circularidade foi acelerações e desacelerações ao longo da trajetória. As condições de corte também foram as mesmas Tabela 1 - Parâmetros de corte utilizados nas operações. descritas acima. Diâmetro do Velocidade de Passo vertical Avanço Velocidade Furo (mm) 38 50

corte (m/min) 25 25

(mm/volta) 0,5 0,5

(mm/dente) de Avanço (mm/min) 0,05 60 0,08 95

Tabela 2 – Resultados dos furos de 38 mm de diâmetro.

Diâmetro ( Topo – fundo)

Circularidade ( Topo – fundo)

Rugosidade axial

37.981 – 37.946 mm

19 – 14 µm

0,24 µm

Figura 5 – Perfil típico de rugosidade superficial no furo de 38 mm de diâmetro na direção radial planificado.

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O Mundo da Usinagem

3. R ESULTADOS E D ISCUSSÕES 3.1 Furos com 38 mm de diâmetro A tabela 2 e a figura 5 mostram os resultados obtidos nos dois furos de 38 mm após a operação de acabamento usando-se somente a interpolação helicoidal. Estes primeiros resultados obtidos demonstram a capacidade da operação em obter furos com boa qualidade superficial e de circularidade devido a um posicionamento preciso da máquina-ferramenta. Os resultados dos diâmetros mostram, no entanto, uma diferença entre o fundo e o topo do furo maior do que a esperada. Tal fato indica que a fresa de topo ficou submetida a uma


força de flexão durante a operação de desbaste. Como o raio do furo é menor que o diâmetro da fresa de topo e a estratégia helicoidal executa uma trajetória em rampa (uma vez que a ferramenta move-se simultaneamente em três eixos), após o centro da ferramenta completar a primeira revolução, o ângulo de contato entre a ferramenta e o material é menor do que 180º na extremidade da fresa de topo. O esforço de corte não é uniforme, uma vez que a resistência ao avanço da ferramenta não é constante ao longo da circunferência descrita pelo centro da ferramenta. Conseqüentemente, a resultante de forças na extremidade da fresa é direcionada, preferencialmente, para o centro do furo. Tal fato ocasionou uma força de flexão, elevada o suficiente para produzir um furo mais cônico do que o esperado. Embora tenha-se continuado com a operação de acabamento, a forma cônica do furo não pôde ser removida a contento. Decidiu-se, assim, começar novamente, com um furo cujo raio fosse maior que o diâmetro da fresa. 3.2. Furos com 50 mm dediâmetro A figura 6 mostra o perfil do furo usinado e a tabela 3 e a figura 7 mostram os resultados obtidos. Os furos de 50 mm de diâmetro foram desbastados deixando um pequeno tarugo no centro, o qual poderia ser eliminado em outra operação. O fato do raio desses furos ser maior que o diâmetro da ferramenta reduziu significantemente a conicidade para aproximadamente 4 mm numa profundidade de 13 mm. Quando o contato en-

Figura 6 – Perfil do furo usinado em desbaste e acabamento utilizando-se a estratégia helicoidal. Tabela 3 - Resultados obtidos nos furos de 50 mm de diâmetro.

Diâmetro ( Topo – fundo)

Circularidade ( Topo – fundo)

Rugosidade axial

50.018 – 50.014 mm

4,47 – 4,60 µm

0,34 µm

Figura 7 – Típico perfil de rugosidade superficial do furo de 50 mm de diâmetro na direção radial planificado.

tre a extremidade da fresa de topo e o material da placa é de 180º, a direção da força de flexão é predominantemente tangente ao círculo descrito pelo centro da ferramenta. Tal fato minimiza a conicidade, embora ainda exista uma pequena conicidade na operação de desbaste, a qual pode ser minimizada pela operação de acabamento. A operação de acabamento conduziu a um erro de circularidade de 4,60 mm e a uma ondulação ao redor de todo o furo, cuja amplitude apresenta a mesma magnitude do

erro. Essa ondulação é resultado da estratégia helicoidal de usinagem utilizada para o acabamento. Como a estratégia escolhida aproximou a trajetória helicoidal por retas, dentro da tolerância estabelecida, a máquina teve que acelerar e desacelerar em curtos espaços. Essa variação de aceleração levou a vibrações que resultaram em uma superfície toda facetada. Caso essa ondulação, causada por vibração, seja removida usando um filtro de circularidade passa-altas, para 20 ondulações por revolução, o erro de circularidade Sandvik Coromant do Brasil

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medido pode ser reduzido para perto de 3 mm. Pode-se dizer que esse erro é devido somente às interpolações da máquina. O valor médio de rugosidade superficial na direção axial nos furos de 50 mm de diâmetro foi de 0,34 mm, o que pode ser considerado como um valor muito baixo para uma operação com fresa de topo. 3.3. Acabamento Utilizando-se a estratégia com G2/G3 Nesta estratégia de interpolação os movimentos da máquina são sincronizados pelo próprio CNC, de forma que as variações de aceleração não são sentidas, a não ser no início e fim do furo. Mesmo assim, a circularidade e a rugosidade resultaram menores que a estratégia helicoidal, aproximada pelos pequenos segmentos de reta. A Figura 8 mostra o perfil do furo obtido. Os valores de rugosidade deste tipo de interpolação também resultaram baixos, sendo tipicamente em torno de 0,41 µm na direção axial.

C ONCLUSÃO Os primeiros resultados obtidos na experimentação com diferentes estratégias de interpolação, para fabricação de furos de grande diâmetro em aço temperado, permitem as seguintes conclusões: O melhor resultado em termos de erro de circularidade foi de 3,75 µm nos furos cujos raios são maiores que o diâmetro da ferramenta (50 mm) usando-se estratégia com interpolação circular G2/G3. Neste caso, a rugosidade superficial foi da ordem de 0,41 µm na direção axial. 34

O Mundo da Usinagem

Na direção axial dos furos, valores de rugosidade superficial da ordem de 0,24 µm foram obtidos. Na direção paralela às marcas de usinagem, os valores de rugosidade ficaram em torno de 0,5 µm, principalmente devido a ondulações oriundas de vibrações da máquina, causadas pela estratégia Figura 8 – Perfil do furo de 50 mm obtido através de interpolação circular G2/G3. de interpolação adotada. cial, especialmente utilizando-se O fresamento helicoidal é cafresas de topo de diâmetro mepaz de produzir furos de gran- nor do que os raios do furo a ser des diâmetros com tolerâncias produzido, no desbaste, e a esestreitas de forma e diâmetro e tratégia de interpolação circular, com bom acabamento superfi- no acabamento.

Referências Bibliográficas DEWES, R.C., ASPINWALL,D.K., 1997, “A Review of Ultra High Speed Milling of Hardned Steels”, Journal of Materials Processing Technology, n°. 69, pp. 1-17. NG, E.-G., LEE, D.W., SHARMAN, A.R.C., DEWES, R.C., ASPINWALL,D.K.,2000, “High Speed Ball Nose End Milling of Inconel 718”, Annals of the CIRP, Vol. 49/1/2000, pp. 41-46. SHARMAN, A.R.C., DEWES, R.C., ASPINWALL,D.K., 2001, “Tool life when High Speed Ball Nose end Milling Inconel 718”, Journal of Materials Processing Tecnhnology, No 118, pp. 29-35. WEIKERT, S., RITTER, R., 2002, “Fresamento Circular Versus Mandrilamento”, Máquinas e Metais, No 435 , pp. 48-55.

AGRADECIMENTOS Os autores agradecem à Delcam/Seacam, à Sandvik Coromant pelas parcerias em software e ferramentas de corte e à FAPESP, pelo apoio finan ceiro no desenvolvimento desta investigação.


Sandvik Coromant do Brasil

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C

Com investimento da ordem US$200 mil, a Okuma Latino Americana Comércio Ltda. inaugurou filial em Manaus (AM) no dia 3 de fevereiro de 2004.

om isso, o cliente da companhia poderá receber atendimento mais ágil quando necessitar de peças de reposição para as máquinas-ferramenta da tradicional fabricante japonesa e manter os benefícios fiscais concedidos às empresas instaladas na Zona Franca de Manaus. A nova unidade permite ao cliente se beneficiar da agilidade (já que a Okuma mantém estoque na DeFato Comunicações

filial manauara para pronto atendimento) e dos benefícios fiscais, porque naquela região, “praticamente só há incidência do ICMS de 7%”, explica Alcino Junqueira Bastos, gerente geral da Okuma Latino Americana. De acordo com Bastos, a diferença dos custos de internação para São Paulo e para a Zona Franca de Manaus é considerável. Sobre o preço FOB nos EUA, há um acréscimo da ordem de 45% em São Paulo contra apenas 14% em Manaus,

Alcino Junqueira Bastos, gerente geral da Okuma Latino Americana.

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O Mundo da Usinagem

somando-se o valor do frete e dos impostos e taxas. Antes da abertura da filial, caso o usuário necessitasse de peças de reposição e quisesse adquirí-las mantendo o direito aos benefícios fiscais, teria de fazer a importação direta dos Estados Unidos (ou do Japão) o que poderia significar a perda de agilidade. Se houvesse urgência, a peça teria de ser levada de São Paulo (SP), onde o Okuma Latino Americana mantém estoque devidamente desembaraçado. Nessa hipótese, o preço seria maior, porque os impostos e taxas incidentes sobre os produtos importados já teriam sido recolhidos e a Okuma teria de repassálos ao cliente.Dessa forma, conjugar agilidade e benefício fiscal era praticamente impossível. A Okuma é uma das poucas do segmento de importação de máquinas operatrizes – senão a única – a abrir uma filial em Manaus. “Temos o dever de dar todo o suporte necessário e da melhor maneira, onde quer que o cliente esteja”, justifica


Bastos, acrescentando que em breve a Okuma manterá um técnico residente naquela região. A base instalada da Okuma em Manaus supera os 100 equipamentos. Além de a empresa ver o suporte como um dever, outro aspecto relevante foi o fato de os benefícios fiscais para a Zona Franca de Manaus terem sido estendidos até 2023. Com isso, novos empreendimentos tendem a surgir, sem contar que as empresas já instaladas deverão investir em ampliações. Dados da Administração da Suframa (CAS) confirmam a tendência: em 2003 foram aprovados 207 projetos que somam mais de US$ 2 bilhões em investimentos, um volume quase 70% maior que o de 2002. Clientes da Okuma também ratificam a tendência. A Moto Honda da Amazônia, por exemplo, já anunciou investimento de US$ 30 milhões. Só na primeira fase, que será

Saguão de entrada da filial Okuma em Manaus-AM.

concluída até dezembro de 2004, a capacidade produtiva será ampliada de 750 mil motocicletas/ano para 1 milhão motocicletas/ano em 2004. É de se esperar que outros usuários das máquinas Okuma façam o

mesmo. Além disso, ter uma filial em Manaus pode representar um diferencial importante, porque ao investir em máquinas-ferramenta, as empresas costumam considerar a qualidade do atendimento pós-vendas.

Okuma dobra a base instalada em três anos A Okuma Latino Americana Comércio Ltda. instalada em São Paulo (SP) desde 1997 é subsidiária da Okuma Corporation, com sede no Japão e filiais em vários países, como Alemanha, Taiwan, China e EUA. A unidade brasileira, que se reporta à filial dos EUA, é a responsável pelos negócios do grupo em toda a América do Sul. Atualmente, a base instalada da Okuma no continente sul-americano é de mais de 1000 máquinas. “Em 2000, a base da Okuma no Brasil somava cerca de trezentas e poucas máquinas, recorda Alcino Junqueira Bastos, Gerente geral da Okuma Latino Americana. Para ele, o crescimento de mais de 100% nos últimos três anos decorre do reconhecimento do trabalho realizado e também das características técnicas que diferenciam os equipamentos da marca. De acordo com Bastos, a Okuma

é uma empresa que, por buscar qualidade diferenciada, é uma das poucas do segmento que fabrica internamente seus próprios encoders, motores elétricos, CNCs entre outros. “A busca pela qualidade é tal, que a estrutura dos fundidos da base das máquinas Okuma é rasqueteada manualmente.” A Okuma, fundada em 1898 em Nagoya, no Japão, tornou-se conhecida mundialmente pelos tornos. Hoje, fabrica também centros de usinagem e retíficas. No Brasil, embora o número de tornos instalados ainda seja maior, o volume de vendas de centros de usinagem tem superado o de tornos nos últimos três anos. O fato é que no Brasil há fabricantes de tornos que oferecem principalmente modelos mais simples, com preços e condições de financiamento competitivos, via Finame. No caso dos centros de usina-

gem, embora exista fabricação nacional, a relação custo/benefício das máquinas Okuma, para Bastos, é extremamente favorável. Já a demanda por retíficas é menor em todo o mundo, porque a evolução dos tornos e centros de usinagem tem permitido acabamento com qualidade suficiente para se suprimir a operação de retífica em vários processos. A Okuma oferece centros de usinagem horizontais com pallets d e 400 x 400 mm a 1.000 x 1.000 mm, standard, e centros de usinagem verticais dos mais variados portes, que podem usinar desde próteses dentárias a peças de grande porte para a indústria automobilística. Em tornos, oferece modelos que possibilitam fazer desde um eixo de relógio até o rosqueamento de tubos de oleodutos. A empresa oferece ainda retíficas universais, angulares e cilíndricas-planas em diversos modelos e portes. Sandvik Coromant do Brasil

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O ENCEP 2004 será no Espírito Santo O nono Encontro Nacional de Coordenadores de Cursos de Engenharia de Produção (ENCEP) vai acontecer de 26 a 28 de maio em Vila VelhaES, organizado pelo Centro Universitário Vila Velha (UVV) e pela ABEPRO. O objetivo do ENCEP é criar oportunidades para que coordenadores de cursos de Engenharia de Produção do Brasil possam debater questões fundamentais relativas aos aspectos do ensino, da pesquisa e do relacionamento com a sociedade que atua nesta importante área das engenharias. O público alvo é formado por coordenadores de cursos de graduação e pós-graduação em Engenharia de Produção, além de engenheiros de empresas. Para a edição de 2004, estão previstas as presenças de personalidades dos organismos de regulamentação, avaliação e de fomento de ensino e pesquisa, da ABEPRO e UVV, além do presidente da Companhia Siderúrgica de Tubarão (CST). Nos três dias do evento muitas atividades serão desenvolvidas. No dia 26 haverá palestra sobre “Gestão de Coordenação de Curso”, seguida de debates e uma mesa redonda sobre “Gestão de Cursos de EP”. A grande novidade, entretanto, e que consta na programação dos demais dias, é o debate so-

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O Mundo

bre os assuntos acima mencionados sob o contexto das mudanças ocorridas no MEC, CAPES e INEP neste segundo ano do Governo Lula. Confira outras abordagens sobre temas fundamentais para o desenvolvimento da Engenharia de Produção: Sob as perspectivas criadas pelas diretrizes curriculares de ensino de engenharia ocorreu o surgimento de cursos de Engenharia de Produção com características atuais e muito diferentes daqueles oferecidos com base na legislação anterior. Várias questões ainda permanecem sem resposta quando se discute a habilitação do “Engenheiro de Produção” diante do sistema CONFEA/ CREA.Esse tema será abordado com todas as particularidades que o assunto permite e merece. A oportunidade de debates entre a empresa e a universidade interfere diretamente na formação de um bom profissional, aspecto a ser especialmente considerado neste ENCEP, procurando-se avançar ainda mais com relação aos dois ENCEPs anteriores, com as atividades, em um dos dias do evento, sendo desenvolvidas nas instalações da CST, com a presença de outras empresas por ela especialmente convidadas para este momento. Para o presidente da ABEPRO, Prof. Dr. Nivaldo Lemos Coppini, o ENCEP vem registrando resul-

tados positivos a cada ano, sempre com um excelente e crescente volume de participantes devido a dois fatores: primeiro, o interesse dos coordenadores de cursos em participar de debates relacionados com a Engenharia de Produção e, segundo, devido ao crescimento espetacular de cursos de Engenharia de Produção no Brasil e suas respostas positivas, por meio de participações efetivas, em relação às atividades desenvolvidas pela ABEPRO. A programação preliminar do ENCEP 2004 já está pronta: confira em breve no site da associação.

Saiba mais sobre a Abepro: Para saber todas as atividades desenvolvidas pela ABEPRO, acesse o site www.abepro.org.br e se estiver interessado em receber nossos boletins, cadastre-se na página da Associação e fique informado sobre defesas de dissertações, cursos e eventos direcionados à comunidade de Engenharia de Produção. Quem quiser dar sugestões de notícias mande um e-mail para cris@abepro.org.br, ou boletim@abepro.org.br Para adquirir os Anais dos ENEGEPs realizados nos anos de 1981 a 2002 acesse o site da associação, ou mande um e-mail para secretaria@abepro.org.br ou, se preferir, pelo telefone (19) 3454-2238.

ABEPRO - Associação Brasileira de Engenharia de Produção - Universidade Metodista de Piracicaba - Faculdade de Engenharia e de Produção - Programa de Pós Graduação Rod. Santa Bárbara-Iracemápolis - Km 1 - Cep: 13450-000 Santa Bárbara d´Oeste - SP da Usinagem site: www.abepro.org.br e-mail: abepro@unimep.br Tel: (0xx19) 3124-1767, 3454-2238


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ARCANO: Um Novo Instrumento de Gerenciamento de Trabalho.

Em meados de 2002, a organização denominada Cluster de Alta Tecnologia de São Carlos, que reúne várias empresas da cidade de São Carlos, lançou oficialmente no mercado um novo produto que foi desenvolvido em parceria com pesquisadores da rede Instituto Fábrica do Milênio — IFM — (Ver O Mundo da Usinagem 2003-3).

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O Mundo da Usinagem

O produto é uma plataforma que permite a construção de portais corporativos que, além de facilitar a comunicação institucional, servem como instrumento de trabalho e auxiliam o gerenciamento do conhecimento da organização. O produto permite: publicação avançada de conteúdo, busca avançada, criação de espaços para comunidades de prática, criação de espaços de trabalho para times de projeto e ferramentas de e-Learning, entre outras, tudo isso de maneira integrada com ferramentas para a criação de sites, intranets e extranets corporativas. O cluster é formado por 7 empresas do Parque de Alta Tecnologia de São Carlos, entre elas

suas fundadoras Radium Systems, SV Consultoria e MZO Interativa, que desenvolveram a plataforma em parceria com o Grupo de Engenharia Integrada do Núcleo de Manufatura Avançada (EI/ NUMA), um dos nós da rede IFM. A parceria foi bastante proveitosa para todos os seus membros e deverá ser mantida. Ela permitiu que os conhecimentos acumulados pelo grupo de engenharia integrada, na área de sistemas para gestão do conhecimento, pudessem ser transferidos rapidamente para o mercado e fossem potencializados pela experiência em desenvolvimento de sistemas trazida pelas empresas parceiras.


2a. Feira de Ferramentaria e Modelação Realizar-se-á, de 23 a 26 de março, no EXPOVILLE, Joinville-SC, a segunda edição de um encontro de muito sucesso. A primeira feira contou com a participação de 8520 visitantes que percorreram os stands de expositores representativos de um largo espectro de atividades industriais, como Daimler Chrysler, Arno, Gerdau, Multibrás, Denso do Brasil, Moto Honda, Volkswagen, Audi, Maihle-MMG, Bosch Rexroth, Scania, Weg, Siemens, Volvo do Brasil, Eckele,

Consultech, AAM, Astra, Zen Dello, Ford, Electrolux, Gestamp, Huhtamaki, Tritec, Renault, Grupo Delga, Fiat e outros. Nesta segunda edição, simultaneamente à Feira, ocorrerão ainda eventos paralelos, como o Seminário de Técnologia Aplicada à Ferramentaria e Modelação, no auditório da Expoville, organizado pelo Senai Joinville e o de Metal-mecânica Plástico - Subcontratação, na mesma data, organizado pelo Sindimec de Joinville.

DHB nacionaliza fabricação de válvulas A DHB Componentes Automotivos inaugurou, em Porto Alegre, sua nova fábrica, para produção de válvuIas hidráulicas. Com a fabricação local desse componente, o mecanismo de direção hidráulica - um dos principals produtos do portfólio da empresa - pula de 30% para 90% de Indice de nacionalização. 0 empreendirnento de US$ 10 milhões faz da DHB a pioneira na produção de válvulas hidráulicas no Brasil. Instalada em um espaço de 2 mil m2, a nova unidade gera 80 empregos diretos e vai trabalhar com uma meta fabril de 700 mil válvulas por ano. “Além de um salto no processo produtivo, ela vai proporcionar a independência da variação cambial, maior competitividade e redução dos custos de fabricação”, declara Carlos Francisco

Zanetti, diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios. Além de contar com a recuperação do mercado interno, a empresa acredita na ampliação das exportações, que representam hoje 23% do faturamento, podendo chegar a cerca de 30% nos próximos anos. A empresa já exporta para o México, Estados Unidos, Argentina e Irã, e pretende atingir também os mercados europeu e africano. Para 2004, a companhia projeta uma evoluçao de 44% em seus ganhos, atingindo R$ 230 milhões. Esse incremento deriva de um novo contrato estabelecido com aFord - que envolve o fornecimento de componentes para toda a linha de veículos de passeio nacionais da montadora - além das estimativas de crescimento da produção nacional de automóveis em 2004.

A Deb’Maq realizou, nos dias 15,16 e 17 de janeiro, sua convenção anual de vendas, onde o Sr. Ronaldo da Silva Ferreira (Técnico OTS da Sandvik Coromant) palestrou sobre a finalidade e funcionalidade do departamento OTS, confirmando e fortalecendo com isto a parceria entre as duas empresas, Sandvik Coromant e Deb’Maq. Discutiram-se também as estratégias de vendas para 2004 e a situação da empresa, que vem crescendo a passos largos, tanto no merca-

do interno, quanto no externo. Falou-se do sucesso obtido pela Unidade de Difusão Tecnológica, montada sobre um caminhão, em projeto de levar tecnologia de ponta pelo interior do país, que conta com o apoio da Sandvik Coromant, entre o de outras empresas. As expectativas para 2004 são as melhores, pois a chegada do caminhão tem sido prestigiada até por prefeitos e demais autoridades dos locais visitados, mostrando assim que ainda existem muitos mercados a serem explorados.

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Sandvik Coromant Programa de Treinamento 2004 Mês Mar

TBU

TFR

UMM

EAFT 29, 30 e 31

15 e 16

Abr

EAFF

OUT

OUF

26, 27 e 28

TGU 12, 13 e 14

03, 04, 05 e 06

Mai 21 e 22

Jun Jul

12 e 13

Ago

30 e 31

Set

20 e 21

19, 20, 21 e 22

14, 15 e 16

27 e 28 18, 19, 20 e 21

Out Nov

TUA

29 e 30

4, 5 e6 22, 23 e 24

28, 29 e 30

13, 14 e 15

Técnicas Básicas de Usinagem (14 horas em 2 dias) Técnicas de Furação e Roscamento com macho (14 horas em 2 dias) Usinagem de Moldes e Matrizes (28 horas em 4 dias) Escolha e Aplicação de Ferramentas para Torneamento (21 horas em 3 dias) Escolha e Aplicação de Ferramentas para Fresamento (21 horas em 3 dias)

23, 24, 25 e 26

02, 03, 04 e 05

Otimização da Usinagem em Torneamento (28 horas em 4 dias) Otimização da Usinagem em Fresamento (28 horas em 4 dias) Técnicas para Usinagem Automotiva (28 horas em 4 dias) Técnicas Gerenciais para Usinagem (21 horas em 3 dias)

Mais informações sobre os cursos, acesse www.cimm.com.br

Anunciantes Aços Romam.........................pág.11

Romi.......................................pág.35

Deb’Maq..................................... 39

SKA...............................................40

Ergomat.......................................18

Technifor........................................41

Kabel Schlepp..............................29

Villares Metals..............................21

MD do Brasil................................43

O leitor de O Mundo da Usinagem pode entrar em contato com os editores pelo e-mail: omundo.dausinagem@sandvik.com

FALE COM ELES Blaser Swisslube do Brasil São Paulo-SP Tel. (11) 5049 2611 Faculdade de Engenharia Mecânica/ Depto. de Engenharia de FabricaçãoUNICAMP Campinas-SP Tel. (19)3788-3092/3299 Aços VIC São Paulo-SP Tel. (11) 6166-2127 Faculdade de Tecnologia da Zona Leste, Centro Paula Souza São Paulo-SP Tel. (11) 3327-3000 Faculdade de Engenharia de São Carlos – USP Tel. (16) 273-9267 Mecat Filtrações Industriais Abadia de Goiás-Go Tel. (62) 503-1155 Arsenal de Guerra do Rio de Janeiro Rio de Janeiro-RJ Tel. (21) 2580-1668 Okuma Latino Americana São Paulo-SP Tel. (11)3846-6645 Alstom Brasil Taubaté-SP Tel. (12) 225-3057/3151

Sandvik Coromant e seus Distribuidores Amazonas-AM: MSC, Manaus, Tel: (092) 613 2350; Ceará-CE: Ferrametal, Fortaleza,Tel: (085) 287 4669; Pernambuco-PE: Recife Tools, Recife,Tel: (081) 3268 1491; Bahia-BA: Sinaferrmaq, Lauro de Freitas, Tel: (071) 379 5653; Espírito Santo-ES: Hailtools, Vila Velha,Tel: (027) 3349 0416; Mato Grosso do Sul-MS: Kaymã, Campo Grande, Tel: (067) 321 3593; Minas GeraisMG: Escândia, Belo Horizonte, Tel: (031) 3295 3274; Sandi, Belo Horizonte,Tel: (031) 3295 2957; Tecnitools, Belo Horizonte, Tel: (031) 3295 2974; Tungsfer, Ipatinga, Tel: (031) 3825 3637; Rio de Janeiro-RJ: Jafer, Rio de Janeiro, Tel: (021) 2270 4835; Machfer, Rio de Janeiro, Tel: (021) 2560 0577; Toolset, Rio de Janeiro, Tel: (0xx21) 2290 6397; Trigon, Rio de Janeiro, Tel: (021) 2270 4566; São Paulo-SP: Atalanta, São Paulo,Tel: (011) 3837 9106; Cofast, Santo André, Tel: (011) 4997 1255; Cofecort, Araraquara Tel: (016) 3333 7700; Comed, Guarulhos Tel: (011) 6442 7780 / 6409 1440; Diretha, São Paulo, Tel: (011) 6163 0004; Maxvale, S.José dos Campos, Tel: (012) 3941 3013; Mega Tools, Campinas, Tel: (019) 3243 0422; PS Ferramentas, Bauru, Tel: (014) 3234 4299; Pérsico, Piracicaba, Tel: (019) 3421 2182; Paraná-PR: Gale, Curitiba, Tel: (041) 339 2831; Oliklay, Curitiba, Tel: (041) 327 2718; PS Ferramentas, Maringá, Tel: (044) 265 1600; Santa Catarina-SC: GC, Joaçaba, Tel: (049) 522 0955; Repatri, Criciúma, Tel: (048) 433 4415; Thijan, Joinville, Tel: (047) 433 3939; Logtools, Joinville, Tel: (047) 422 1393; Rio Grande do Sul-RS: Arwi, Caxias do Sul, Tel: (054) 223 1388; Consultec, Porto Alegre, Tel: (051) 3343 6666; F.S., Porto Alegre, Tel: (051) 3342 2366.

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