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OPINIÃO EDITORIAL

HÁ 59 ANOS

MATAR A COBRA E MOSTRAR O PAU

O MONITOR PUBLICAVA

Pode-se alegar que, sinceramente, a transparência dos governantes brasileiros não têm justificado os méritos nela colocados por eles mesmos. Principalmente, no âmbito federal, a título de ilustração, a atitude desenvolvida por um homem como Luís Inácio Lula da Silva, exPresidente, cuja coragem conduziria, indubitavelmente, a diminuir a corrupção; mas que, enfim, acabou por amassar, convertendo-se em pizza. Mas por quê? Pelo fato de saber ser político? Coisa assim como ficar em cima do muro? Ou outro motivo, que é o popularmente conhecido como “rabo preso”, ou “medo”, talvez. Não que ele fosse conivente, mas que, por questões óbvias, envolvendo principalmente parceiros íntimos de seu partido e familiares, arrefeceu quanto a ser mais exemplar, deixando de exaurir aspectos sedutores e superficiais, mostrando o ressarcimento de tudo o que foi roubado e indevidamente adquirido, real por real, não apenas para agradar a “y” ou “x”, mas para manter uma responsabilidade final para com a verdade, que sempre foi a tônica dos seus discursos. Exemplos frisantes desse tipo de falha podem ser lembrados no tratamento dado aos casarões pertencentes a muitos políticos, em Brasília, na época de Collor, inclusive a “Casa da Dinda”, O povo nunca tomou conhecimento claro, ou seja, se foram vendidos e do que foi feito com o dinheiro. E, nos dias mais recentes, aquele dinheiro escondido em cuecas e meias, as fortunas dos paraísos fiscais,

os desvios de verbas e um verdadeiro rosário de coisas semelhantes que os jornais, revistas, o rádio e a televisão tanto têm divulgado? Quantidade expressiva, sem medida, de comunicação e discussão foi tributada aos casos, e, no entanto, o efeito final consubstanciou-se na triste desinformação entre a gente brasileira. A realidade ficou no comodismo ilusório. Pois tem faltado mostrar a prestação de conta, o dinheiro ao seu verdadeiro dono, o povo, e em que realmente foi ou está sendo empregado. Em nada mudou e os ladrões, conforme se pode observar, apenas alguns tiveram penas suaves e depois voltaram à jarra de mel. E sabe-se o por quê também? Porque a própria imprensa falhou quanto à aceitação da sua responsabilidade, preferindo seduzir o povo brasileiro com frases de efeito e manchetes sensacionalistas, em lugar de cumprir seu papel, indo a fundo, exigindo e investigando a verdade. Faltou empenho para cobrar o que era fundamental e assistir ao ressarcimento de tudo. Grande quantidade de comunicação, diz-se, não é suficiente, vez que se esquece de promover o diálogo e a verdade comum. Mas, enfim, essa coisa vai mudar ou não? Pois, todo dia, flagra-se um rato na telinha e que vira capa de revista ou manchetes de jornais; mas, pelo que se sente, este safa-se fácil, sai são e salvo, e o queijo... Sim! E o queijo? É preciso punir com austeridade, portanto; “matar a cobra e mostrar o pau”, tudo bem às claras. Isto, sim, ´´é o que está faltando.

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José Olympio e sua livraria editora No próximo dia 29 de novembro o mundo das letras do Brasil terá a oportunidade de festejar uma marca formidável: os oitenta anos de fundação de uma casa publicadora cuja trajetória se confunde com a aparição e o grande reconhecimento de público, alcançado por uma verdadeira constelação de escritores e/ou pensadores que foram por ela publicados e/ou que por ela foram lançados no decorrer do século XX: a Livraria José Olympio Editora.

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para os padrões da época, como apostar em escritores novos e fazer tiragens de alguns autores que chegavam a mais de dez milheiros. E como se isso já não fosse o suficiente para assombrar o mercado, ele ainda cuidava de contratar como ilustradores nomes respeitáveis como Cícero Dias, Santa Rosa e Luís Jardim, o que, para usar uma expressão muito em voga nos dias de hoje, agregava ainda mais valor ao que sua editora punha na praça.

Fundada pelo paulista de Batatais, José Olympio Pereira Filho, o J.O. (Jotaó), como o apelidou Gilberto Freyre, a Livraria José Olympio Editora funcionou primeiramente na Rua da Quitanda, 19-A, em São Paulo. Mas foi só com a sua mudança para o número 110 da famigerada Rua do Ouvidor, do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, em julho de 1934, que o ousado livreiro e editor começou a transformar aquele endereço e aquele elegante letreiro arte déco que encimava o portal da livraria numa verdadeira instituição cultural do país.

Segundo Lucila Soares, que escreveu o saboroso Rua do Ouvidor 110: uma história da Livraria José Olympio, a livraria estava longe de ser um lugar confortável: "Era escura, quente, oferecia como assento apenas alguns bancos de madeira. Ali não havia ventiladores, cafezinho ou água (Rio de Janeiro: José Olympio/FBN, 2006, p. 52). Ainda assim, "desde a sua inauguração tornou-se centro da vida literária da cidade", é o que nos diz Ubiratan Machado em seu Pequeno guia histórico das livrarias brasileiras (São Paulo: Ateliê Editorial, 2008, p. 129).

Um belo retrato do homem e do empreendedor José Olympio pode ser conferido nas páginas da obra José Olympio, descobridor de escritores, de Antônio Carlos Villaça (Rio de Janeiro: Thex Editores, 1991). Nesse livro vamos aos poucos conhecendo os passos dados por esse visionário que parecia ter tomado para si a máxima de Monteiro Lobato que diz que "Um país se faz com homens e livros". Como que ignorando o enorme contingente de analfabetos que povoava os quatro cantos da nação, J.O. se lançava em investimentos arriscadíssimos

A fama da livraria era tamanha que, para muitos, ir ao Rio de Janeiro e não dar uma passadinha por lá, era o mesmo que deixar de ver o Cristo Redentor. Durante anos boa parte das cabeças mais criativas da literatura brasileira marcava presença constante em suas dependências. Diz-se que os escritores começavam a chegar às 3 da tarde; e que era José Lins do Rego quem chegava primeiro; o autor de Menino de engenho ia praticamente todos os dias àquela casa. Outro que podia frequentemente ser visto por lá era o

alagoano Graciliano Ramos, quando deixou o cárcere da Ilha Grande, em janeiro de 1937, ano do início do chamado Estado Novo, o regime ditatorial de Getúlio Vargas que, diga-se de passagem, era também um dos editados por J. O., que, com seu tino para os negócios e como bom entendedor da política de manutenção do equilíbrio das relações, não distinguia ideologias e nem tomava partido de quem quer que fosse. Também batiam ponto por ali Marques Rebelo, autor de um livro do qual eu gosto muito, A estrela sobe; Jorge Amado - Jorge que, imaginem, ingressou como empregado, aos 22 anos, nos primeiros tempos da livraria;- Rachel de Queiroz, Adalgisa Nery, Oswaldo Orico, Dinah Silveira de Queiroz, Octavio Tarquinio de Sousa, entre outros. Mas não se pense que nessa tertúlia reinava a cordialidade, os salamaleques, a rasgação de seda. Não, algumas vezes pequenas picuinhas resultaram em troca de sopapos entre os ilustres frequentadores da Livraria José Olympio Editora. Quem leu Gilberto Freyre, um vitoriano dos trópicos, o primoroso estudo da Maria Lúcia Garcia Pallares-Burke (São Paulo: Unesp, 2005), tomou conhecimento do quanto que J.O. era cioso da reputação dos seus autores. Também era um fato que J.O. dava ouvido ao que eles lhes diziam. Numa carta com data de 23 de janeiro de 1962, despachada do Recife, Gilberto Freyre escreveu assim: "[...] Não concordo em que C.G. (Casa-grande & senzala) e S.M. (Sobrados e mucambos) continuem a ser apresentados como meus 'dois (os dois) livros fundamentais', com exclusão de O.P.

Em 6 de dezembro de 1952: Apesar do nosso apelo aos dirigentes da RFN no sentido de ser retirada da praça da Estação a lenha que aí vem sendo ultimamente depositada, até o presente momento, não fomos atendidos. Quem quer que se preocupe com a beleza e higiene da nossa cidade há de concordar que não fica bem aquele amontoado de lenha no meio de uma praça que além de não ser calçada, de não ter iluminação, vê-se agora transformada em depósito de lenha. Entre as ruas centrais que pretende pavimentar a atual administração, destacamos a de Joaquim Nabuco. Boa idéia pois, assim teremos todo o circuito principal da cidade pavimentado. Aliás, não dizemos com retidão, ainda resta o calçamento da Rua 15 de novembro, que isto se realize, pois, quem vê a marcha como estão andando os serviços de pavimentação das ruas de Correntes, da Esperança e do Cajueiro não duvidará que iguais melhoramentos venham igualmente beneficiar as artérias centrais. Segundo nos informou a Municipalidade dentro de alguns dias a Praça Dom Moura passará por uma completa remodelação em seu serviço de luz. Já era tempo deste melhoramento, pois, de há muito que este logradouro público permanecia às escuras, com grande prejuízo para todos quantos por aí transitam. Não se compreende que até hoje a Rádio Difusora de Garanhuns não tenha um jornal falado. Limita-se esta estação a um rápido noticiário da Cidade, de cinco minutos e uma crônica local, muitas vezes uma repetição do que publicou o Jornal do Comércio do Recife. Campina Grande, Caruaru e outras estações do interior nordestino apresentam interessantes jornais falados e Garanhuns não pode ficar atrás, apresentando aos ouvintes quase que exclusivamente discos de propaganda e algumas músicas populares, muitas vezes sem nenhum critério artístico. E tudo isto dizemos porque muito prezamos a ZYK 23 e muito desejamos que ela esteja à altura do progresso de Garanhuns.

Por Clênio Sierra de Alcântara* (Ordem e progresso). De modo algum. Os três livros são fundamentais" (Gilberto Freyre. Cartas do próprio punho sobre pessoas e coisas do Brasil e do estrangeiro. MEC. Conselho Federal de Cultura, 1978, p. 135). A Livraria José Olympio Editora permaneceu na Rua do Ouvidor até 1955, quando o prédio onde ela estava instalada foi demolido, para que no lugar fosse erguido um edifício. Até que J. O. reabrisse a livraria, em 1964, na Rua Marquês de Olinda, 12, ele ficara atuando apenas como editor. No depoimento que me prestou, o bibliotecário e escritor Edson Nery da Fonseca, que o conheceu pessoalmente, descreveu J.O. como um sujeito que "era muito expansivo, muito agradável; alguém com quem era muito bom conversar". Marcílio Reinaux avaliou que "Ninguém jamais, em tempo algum, fez mais pela cultura brasileira" do que José Olympio e sua livraria e editora (Luís Jardim: as múltiplas faces do talento. Garanhuns: Prefeitura Municipal, 1991, p. 148). De certa maneira, ao celebrarmos os oitenta anos de fundação dessa casa publicadora, festejaremos também a vida de todas aquelas pessoas dos livros que legaram a este país grande parte do tesouro cultural que ele hoje ostenta, porque, indiscutivelmente, a história intelectual brasileira não pode ser contada sem que esses personagens olympianos sejam a ela integrados.

*Clênio Sierra de Alcântara é historiador e pesquisador. lafrontera@pop.com.br


JORNAL O MONITOR EDIÇÃO 141 NOVEMBRO DE 2011  

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