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GARANHUNS “A poesia é o verdadeiro real absoluto. Quanto mais poético mais verdadeiro” Novalis

“A poesia é a morada do ser” Holderlin/Heidegger É o mais inocente e perigosos dos bens. Holderlin “Ler texto complexo (quanto poesia absoluta) é mais benéfico à mente que livros de autoajuda” Admmauro Gommes, citando pesquisa da Universidade de Liverpool (recente – março 2013)

Coleção TEXTOS AGRESTES Recife, Garanhuns, Palmares – PE - Brasil


POESIABSOLUTA.COM.BR

Coleção TEXTOS AGRESTES Edições PapelJornal/O Monitor

Direção Editorial Osman Holanda Cavalcanti Vital Corrêa de Araújo – E-mail: apenasvital@gmail.com Fone: (87) 9159.5884 LOGONOME DA CAPA BY John Tarlyton Edição sob os auspícios da TVAG e Rede HC de Comunicação Apoio Cultural

RESERVADO GRÁFICA PRIMEIRA MÃO

Catálogo de Títulos Publicados 13 Poemas + 13 Poemas Verão Corpo de Mulher É Poema Eleutherius O Infinito é Pequeno No Prelo: Poesia Absoluta: Miniensaios Haicais de Osman Holanda


A FORMOSURA DO CREPÚSCULO DE GERANHUNS

Saio de Recife movido pela ânsia invicta de galgar o planalto dos unhanhuns e lá do bem alto ver o chão incendiado que se chama Garanhuns.

Adentrar seus muros aéreos construídos por pássaros. E por homens fanáticos do céu em pedaços.

Muro com a cal do limbo arrevesado de rosas adornado de hastes de dálias de pólen de papoula coroado amurado de lírio que circunscreve coração de pedra e cravo de Garanhuns.

Ansioso estava de beber seu crepúsculo alto, sorver entardecer quase físico que faz Osman Holanda delirar


do ardor de estar em Garanhuns perto do cair do sol. Recrudescer de cores e ocidentalizar-se das luzes em altas manadas ocupando-nos os olhos como claras chusmas de rosas numa bandeja.

Planeei, ao longo da rota, caminho do poeta do Recife (donde o mar ora) à Garanhuns ouvir nuvens, berço, matÊria e alma da garoa desenhando angeluses nos cÊus da urbe culta e alpina, sobretudo renhida.


Do céu escoltado por anjos meio pétreos meio pássaros de Garanhuns, céu que é uma prece branca, sou devoto e irmão.

Cheguei e fui assistir apressado e etéreo iluminado pela volúpia da hora ao deslumbrante ocaso desnudando a noite sentir cores, pastas e tons espectrais e doces quase tocar o corpo do crepúsculo suas veias pancolores ângulos intrincados e pictóricos gestos altos que embebem de rubor e amor o hino da cidade que espelha toda essa majestade.

Como alado amante conquistador de olhos e almas dos viventes extáticos o crepúsculo, em seu hípico percurso, percorre todo o vasto céu, que é maior em Garanhuns.

O ímpar ocaso de nossa Cidade deixa


impregnado como brasa algo no espírito incomensurável do habitante transitório como eu ou definitivo como o leitor do octogenário periódico. O Monitor ou esta livro.

Deixa em seu alto povo legíveis marcas sensações de ser mais e muito, de pertencer a um sítio especial do tempo humano de compor um engate que se engasta das glórias da mão de Deus que suspende todo o planalto de Seus suspensórios de pássaros.

Nostalgias e esperanças, continência à beleza do poente majestoso de Garanhuns, tanto vislumbrado das colinas quanto do seio da Avenida Santo Antônio.


Antes de sua imersão na redoma da noite vive a Cidade da magnificência crepuscular que é dádiva divina (e eterna como sua pedra) a olhos tão passageiros como os nossos oferecidos prêmios ilimitados da imaculada hora do ângelus.

Numa ode de pedra e pássaro a Garanhuns disse que tenho o hábito dela e o confirmo porque devo a palavra poética amparada por sua alteza semeada pela beleza dessa urbe excelsa não a mim mas à sedução invencível do crepúsculo de Garanhuns que é o começo do futuro da luz anúncio de uma noite luminosa e parto de manhãs inéditas e corajosas.


CREPÚSCULO DE GARANHUNS ÓTICO ALTO ESPETÁCULO

Do meu silo de silêncio silêncio que é o cereal da alma da cela (com cilício) do Mosteiro do verde pote de solidão ébrio e da beleza embriagado contemplo sol pôr-se atrás da última colina e famintas cores do mago poente multiplicar-me olhos enlouquecendo do ótico e ínclito espetáculo do crepúsculo de Garanhuns.


ALTO ESPETÁCULO PARA OS OLHOS Ante leva das rústicas hostes do ocaso hipnotizados ante sólido, inevitável, incruento e alto crepúsculo luzes intrincadas despedaçando-se do teatro do céu de azul vagaroso a digladiar-se com rosas adormecendo sob crível sinfonia de cigarras (surdecedoras) tecendo suas rascantes paletas arrancando do amoroso piano da tarde eflúvios e certezas da existência da alma meus olhos postam-se como ataduras na ferida e desolam-se de ótico assombro.


SILO DE SOLIDÃO Do paiol de solidão do Mosteiro da janela do monacal jardim e selvagem de todas as rosas convocadas para brotar das asas da cidade ao sal da penúltima claridade assisto (derradeira matilha de brilhos evanescendo meus olhos extasiados esbugalhando) todos os gerúndios anunciados todas as laudas excitadas para desfile desta página do espírito rumor baço das seis horas (de luzes e anjos do cântico do ângelus) na asa pousado da libélula extraviada cortejando um crisântemo ainda acordado.


COLINA SOL ENGOLE Engole sol colina ruidoso crepúsculo fina cores ficam escuras parecem mortuárias tudo se agrupa tudo se aninha no colo da noite auspiciosa da janela indissolúvel de minha cela (com cilício) diviso ainda dadivamente cimo noturno da folha da bananeira: nela escrevo este poema.

(Solto como pássaro ou luz do céu maior de Garanhuns).


DA MINHA CELA COM CILÍCIO DESTE MOSTEIRO SILO DE SILÊNCIO SILÊNCIO QUE É O CEREAL DA ALMA PAIOL LOTADO DE INTEIRA SOLIDÃO DA LENTA JANELA DE QUE ME DEBRUÇO LUGAR DESTE POEMA

Existe um mosteiro lendário (místico, bento, alto maior, mais leve, mais vivo que Xanadu) muito além do poente onde sol escave primeiros sulcos para tenra iluminação total dos seres e das coisas de Deus

onde a luz dos ângulos é crua e fervor alto como pássaro.

(Ele habita um sítio humano que é quase um coração e alicerça a pedra do perdão).


O MOSTEIRO

Depois da maior montanha do pernambucano confim do agreste (entre angelicais sais e brancas seivas meridionais) ele se posta num vale indelĂŠvel prenhe de rosas do jardim selvagem sob copioso canto de cigarras derramando-se sobre alumbrados olhos simples do mortal poeta.


ONDE?

Onde orvalho é branco como anjo e afaga face crua de cada humano

onde flores alimentam borboletas com néctar irmão da ambrosia

onde moinhos de manás não cessam nem se aposenta o perdão

onde ervas são graves e sonhos apetecíveis

onde prélios que noturno vence adormeceram e homens não mais se enciumaram

onde cigarras lixam vento pianíssimo e pássaros oram em cântaros

onde cada onde não se esconde onde cada quando já é ontem.


DOIS SILÊNCIOS No silo de silêncio da cela com cilício do bento mosteiro numa colina de Garanhuns acocorado dois silêncios essenciais à poesia se acasalam vitais aliam-se para o poema: silêncio exterior com silêncio interior.


Aos intelectuais: Osman Holanda, Maviael Medeiros, Nivaldo e Dovalina Tenório, Messias Freitas, Cibele Medeiros e André, Augusto César Accioly, Liberato (ex-Prefeito de Escada), Pedro Henrique Veloso, Paulo Gervais, Jodeval Duarte, Marusan Pelo de Melo, Manoel Neto Teixeira, Raimundo Miguel França Carvalho (bravo notário e lídimo acadêmico), Hildeberto Martins, José Henrique, Heloísa Flora do Brasil Bastos, Aristóteles Bastos, Thompson Pedrosa, Dimas Pedrosa, Izaías Régis, Eliane Simões, Ivonete Xavier, João Fernandes, Antonio Cândido, Antônio Vilela, Gonzaga de Garanhuns.

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2. Os poemas desta coletânea ora publicada na coleção TEXTOS AGRESTES, edições Papel Jornal e O Monitor foram compostos do belvedere (alicerce do canto) ímpar de uma janela (a Jota) do Mosteiro de São Bento, a que devo a luminosidade das palavras que os encarnam. Daí, o título: Visão poética do alto da cela. Todos recepcionados pelo poeta no pino da madrugada e nas incisivas rosas da manhã (de pássaros e cigarras) da janela de templo, no lapso, brecha temporal primorosa entre 18 e 22 de abril de 2012.

Obs) No Recife visite o espaço Centro Cultural Vital Corrêa de Araújo, à rua da Glória 472 (próximo à esquina do Mercado da Boa Vista).


Garanhuns - Coleção Textos Agrestes