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02 Junho 2010 | O MIRANTE

Xutos e Pontapés nas Festas da Cidade de Abrantes Actividades culturais e desportivas distribuídas por dez locais diferentes Este ano a novidade é o “Espaço Social” com uma mostra do trabalho realizado por entidades que trabalham nessa área, existindo ainda um local para prova diária de produtos locais como azeites, vinhos e doces, promovido pela Associação Tagus.

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s “Xutos e Pontapés” actuam no Aquapolis Sul, em Abrantes, na segunda-feira, 14 de Junho, feriado municipal. A emblemática banda portuguesa foi convidada para encerrar as “Festas de Abrantes 2010” que este ano decorrem entre 10 e 14 de Junho. Durante quatro dias a cidade acolhe um conjunto de actividades culturais e desportivas, distribuídas por mais de dez locais. O Largo 1º de Maio recebe a Feira de Artesanato, as tasquinhas das associações concelhias, o espaço “Tradições” onde decorrem os espectáculos dinamizados pelos ranchos folclóricos, bandas filarmónicas e grupos de dança do concelho e ainda o espaço “Jovem”, onde a partir da meia-noite decorrem os

concertos com as bandas “Kwantta”, “Vintage”, “Ashes”, Hyubris”, “Noids” e Linda Martini. Os restantes espectáculos estão marcados para as duas principais praças do centro histórico de Abrantes. Na Barão da Batalha está instalado o “Palco Cem Sons” onde actuarão Joel Xavier, Kris Rosa, Carminho e a Orquestra Ligeira do Exército. Na praça Raimundo Soares fica o “Palco Músicas do Mundo”,

destinado aos espectáculos de Melech Mechaya, Diabo na Cruz, Luar na Lubre e Anaquim. Este ano a novidade é o “Espaço Social” com uma mostra do trabalho realizado por entidades que trabalham nessa área, existindo ainda um local para prova diária de produtos locais como azeites, vinhos, doces, promovido pela Associação Tagus. O desporto volta a ter uma forte

presença no certame, com a realização da milha urbana “João Campos”, da prova de Down Hill Urbano, do Meeting de Abrantes, do festival de canoagem, do grande prémio corrida de carrinhos de rolamentos, uma caça ao pato no rio Tejo, torneios de futebol de salão, voleibol e futebol de praia e um Carrosel Equestre que este ano se realiza no grande relvado do Aquapolis Sul

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O MIRANTE | 02 Junho 2010

Os destemidos condutores dos carrinhos de rolamentos estão de volta Com partida no alto de Santo António a descida é feita de forma vertiginosa

festa. Tudo serve para fazer os carrinhos para rolar pela encosta

Não conta apenas a agilidade dos pilotos e a bizarria dos seus fatos e capacetes. A imaginação dos fabricantes não tem limites e faz da prova um momento divertido e colorido.

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14 de Junho, feriado municipal de Abrantes e dia grande das festas da cidade, os carrinhos de rolamentos descem do alto de Santo António até à rua General Humberto Delgado, com passagem em alta velocidade pelas inclinadas ruas e avenidas, Dr. Manuel Fernandes, Av. 25 de Abril, Coronel Luís Jorge de Mena e Silva. É um espectáculo que empolga e faz vibrar quem assiste e que recorda os tempos em que as crianças brincavam na rua e improvisavam os seus próprios brinquedos.

foto O MIRANTE

Perícia, agilidade e destreza são o prato forte da prova, organizada pela Associação Juvenil “Abrangente”, que conta com a colaboração da câmara municipal. Nos últimos anos a iniciativa tem feito as delícias dos participantes e do público, uma vez que para além da emoção da corrida, há um apelo à imaginação dos concorrentes que se apresentam em prova com viaturas construídas de forma original. A prova nasceu em 2005, quando a direcção da Escola Dr. Solano Abreu, propôs à então associação de estudantes actividades para ajudar na comemoração do 50º aniversário da escola. A corrida dos carrinhos de rolamentos foi efectuada pelos alunos nas traseiras do estabelecimento de ensino. Os responsáveis da câmara municipal gostaram do que viram e propuseram aos jovens a organização de uma prova

do género nas festas da cidade, no dia 14 de Julho, o feriado municipal. Eles aceitaram e mesmo depois de acabarem os estudos continuaram. Juntaram-se na Associação Juvenil Abrangente, que chamou a si a organização do Grande Prémio de Carrinhos de Rolamentos e a prova cresceu em número de participantes e na sofisticação dos carros. No dia da prova a partir das 15h00 inicia-se a prova. Os concorrentes saem em grupos para não se atrapalharem uns aos outros e para evitar colisões logo na partida. Mesmo assim é normal alguns estamparem-se logo na primeira curva, contra os fardos de palha que, como noutras zonas, são colocados para segurança dos condutores. Mas isso não os faz parar. Rapidamente se desenvencilham e voltam à corrida. A parte mais difícil não é descer. É voltar a subir o percurso arrastando o carrinho de rolamentos. Os concorrentes vão sendo eliminados de duas em duas descidas e quando começam a ficar em prova os melhores, as coisas começam a aquecer. Colocados em pontos chave do percurso há treinadores e adeptos de cada um dos pilotos que não se cansam

de dar instruções. Instruções que muitas vezes só atrapalham. Segundo o dirigente da associação Abrangente, Pedro Roldão, a prova continua a ser uma forma de juntar um bom grupo de pessoas em são convívio. “Geralmente está muito calor e como os carros não precisam de combustível, vão sendo os concorrentes que se abastecem com umas boas imperiais”, diz com ironia. O mesmo dirigente afirma que o crescimento da prova tem sido constante. “Desde a meia dúzia de jovens que improvisaram os carros com quatro pedaços de madeira cruzados, e dois pares de rolamentos soldados a um ferro, houve uma grande evolução. Neste momento muitos participantes vêm de fora da cidade e mesmo de fora do concelho”. E como em muitas outras coisas o segredo impera. “Como temos um prémio para o carro mais criativo, os concorrentes fecham-se em casa e dificilmente deixam ver o que estão a construir. Há um espírito competitivo muito grande e somos surpreendidos com as coisas mais estapafúrdias”, garante. Mas não são só os concorrentes que usam a imaginação. Os organizadores estão a trabalhar na reformulação da prova. “Estamos a pensar seriamente em partir para a disputa de um campeonato aberto, com várias provas, que terá a sua final nesta prova das festas da cidade de Abrantes”, explica Pedro Roldão

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02 Junho 2010 | O MIRANTE

Maioria diz que não aceitaria o cancelamento das festas por causa da crise

Jorge Garrafão, 26 anos, desempregado, Abrantes

“As festas são algo muito positivo para a cidade”

Vera Santos, 30 anos, cabeleireira, Abrantes

“Gosto das Tasquinhas e dos espectáculos”

Mesmo em tempo de crise as festas devem sempre realizar-se, considera Jorge Garrafão. “Movimenta muito a cidade, pelo que são algo de muito positivo”, considera, acrescentando que gosta de tudo nas festas. Em relação a Abrantes, o jovem considera que devia Vera Santos considera que, independentemente da crise, as festas de Abrantes devem sempre realizar-se. Para a cabeleireira profissional a divulgação das festas deve ser feita com mais antecedência. “De há dois anos para cá, os folhetos promocionais saem muito tarde”, considera. Gosto de tudo das festas mas em especial das tasquinhas

e dos concertos. Em relação a Abrantes, Vera Santos considera que devia existir algo que chamasse a atenção dos mais jovens como, por exemplo, um shopping. Também devia existir um espaço para a realização de espectáculos de teatro e musicais. Adora a Palha de Abrantes, doce que come com regularidade. “Acho que como dia sim, dia não”, confessa.

existir uma escola de artes marciais, prática da qual é fã, lamentando ainda que não existam mais espaços comerciais onde possa ir com os amigos. Gosta da Palha de Abrantes e a última vez que comeu foi no casamento de um amigo, há uma semana.


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O MIRANTE | 02 Junho 2010

José Carlinhos, 55 anos, empresário da restauração, Rossio ao Sul do Tejo 

Norberto Silva, 32 anos, desempregado, Abrantes

João Francisco Godinho, 38 anos, desempregado, Abrantes 

“Não perco o espectáculo de encerramento”

“As festas dão outro ambiente à cidade”

“Deviam apostar mais nas actividades culturais e cortar nos cachets”

Considera que a crise não serve de desculpa para que as festas não se realizem uma vez que é bom para movimentar a cidade e trazer mais gente até Abrantes. Morador no Rossio ao Sul do Tejo José Carlinhos não perde o espectáculo de encerramento uma vez que se realiza no Aquapolis, perto do local onde mora. Tem gostado de ver a evolução da cidade e não tem nada de maior a apontar. “Se calhar deviam terminar as obras do Aquapolis para que quem passasse em cima da ponte tivesse sempre vontade de parar”. Gosta da Palha de Abrantes mas tem cuidado para não abusar. Também é um grande apreciador das tigeladas.  

“Todos os anos têm feito as festas não é por causa da crise que devia deixar de se realizar”, considera Norberto Silva que é da opinião que as festas “dão outro ambiente à cidade”. Gosta do convívio com as pessoas e dos concertos musicais. “Este ano não vou perder os Xutos e Pontapés”, garante. Em relação à cidade, considera que não se devia ter gasto tanto dinheiro com a escultura vermelha (estrutura metálica da autoria de Charters de Almeida) que se colocou no Aquapolis. “Havia mais onde investir do que naquela suposta obra artística”, considera. Por exemplo, requalificar o edifício onde funcionava o mercado municipal para habitação. Nunca provou a Palha de Abrantes porque não gosta de doces com fios de ovos.

João Godinho considera que as autarquias deviam, nos tempos que correm, cortar no orçamento das festas “ e nos gastos excessivos” mas que estas nunca se devem deixar de realizar. “Talvez apostar mais nas actividades socioculturais e menos no cachet dos artistas musicais”, refere. Gosta de tudo nas festas e adora ver o fogo-deartifício, não perdendo a oportunidade de comer uma sardinhada. Em relação à cidade, que considera “muito bela”, pensa que devia ser tirado mais proveito das margens do rio para chamar mais turistas, construindo-se unidades hoteleiras de mais qualidade. “Devia existir uma boa área comercial e também um bom hotel na cidade”, sublinha. Adora a Palha de Abrantes, doce tradicional, que não come há uma semana.


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02 Junho 2010 | O MIRANTE

Fernanda Virtuoso, 39 anos, desempregada, Abrantes

Sílvia Fernandes, 26 anos, recepcionista, Abrantes

“São uma mais-valia para a cidade”

“Um dos grandes momentos culturais da cidade” Sílvia Fernandes gosta das festas de Abrantes e considera que é um dos grandes momentos culturais da cidade. Costuma ir sempre e perde horas a visitar as barraquinhas de artesanato. Em relação a Abrantes, considera que devia existir no centro da cidade um espaço para os pais irem passear com as crianças, uma vez que o Aquapolis e o Parque de São Lourenço são um pouco longe para quem não tem transporte próprio. Fugindo à regra, não aprecia a Palha de Abrantes. “Acho o doce um bocadinho enjoativo”, refere.  

Fernanda Virtuoso considera que as festas são uma mais-valia para a cidade uma vez que trazem muita gente de outros locais, contribuindo para dinamizar o comércio. “Costumo ver os espectáculos e visitar as barraquinhas”, aponta. Para a abrantina o centro histórico da cidade ficou deserto desde que cortaram a circulação automóvel. “Vê-se pouca gente ao fim-desemana e algumas lojas acabaram mesmo por fechar”, refere. Gostava de ver nascer em Abrantes um espaço comercial que animasse o centro da cidade, com cinema e teatro. Gosta muito da Palha de Abrantes mas já não se lembra da última vez que comeu.

Artur Marques, 65 anos, reformado, Abrantes

“Gosto de levar a família às tasquinhas” Artur Marques refere que a desculpa da crise não pode servir de desculpa para que as festas

não se realizem. “Pode-se fazer as festas de várias maneiras, mais caras ou mais baratas”, aponta. Vai sempre às festas e gosta de levar a família a fazer um petisco nas tasquinhas onde costuma reencontrar muitos amigos que trabalham noutros pontos do país mas que visitam a cidade nesta altura. Tem gostado da evolução da cidade e que fizeram um bom investimento na requalificação do centro histórico. “Era bom que houvesse mais indústria para gerar mais emprego. Há muito comércio e serviços mas pouca indústria”, aponta. E como bom abrantino, gosta muito da Palha de Abrantes, doce que come com alguma regularidade.

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