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32 | Especial Forte da casa

02 Junho 2010 | O MIRANTE

Largadas de toiros, sardinha assada e muita música nas festas do Forte da Casa

Corrida de toiros reverte a favor do IAC

Festejos em honra do Sagrado Coração de Jesus animam a vila de 9 a 13 de Junho Largadas de toiros, música e sardinha assada à discrição. As festas em honra do Sagrado Coração de Jesus, do Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira, regressam à vila de 9 a 13 de Junho.

O

desfile etnográfico pelas ruas da freguesia com a participação de associações, instituições e populares é um dos pontos altos das festas em honra do Sagrado Coração de Jesus, no Forte da Casa, que vão animar a vila de 9 a 13 de Junho. O cortejo está marcado para o feriado de 10 de Junho, quinta-feira, e conta com a participação da Escola de Samba Parcela 6 Loures. A inauguração da XVII edição das festas do Forte da Casa vai decorrer na rua Alves Redol, junto ao espaço do mercado, às 20h00, de quarta-feira, 9 de Junho. Seguese a abertura das tasquinhas e das diversas exposições de artesanato no mercado municipal. A actuação do grupo de cavaquinhos da ARIPFCA está marcada para as 20h30 no palco das tasquinas. A noite, a partir das 22h00, é dedicada à juventude com

a actuação de três grupos no palco principal: “Raven Dust”, “Ensemble Song” e “Neim”. A missa na Igreja do Sagrado Coração de Jesus decorre no dia 10 de Junho, às 18h00. Às 20h00 actua o Rancho Folclórico da Casa do Povo de Arcena. A festa continua com o grupo de música “Folha Verde”, no Palco das Tasquinhas, e com o agrupamento “Concertinas do Forte”. O concerto com o fadista António Passão e Manuel Cavaco, na Igreja do sagrado Coração de Jesus, está marcado para as 21h30. Uma hora depois actua a banda “Meninos da Nanda”, no palco principal. A sexta-feira, 1 de Junho, começa com a missa na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, às 12h30. Segue-se uma aula prática da Escola de Toureio José Falcão, na Praça de Toiros instalada no Largo Sagrado Coração de Jesus. A actuação do IAC – Grupo Dance Addicted (hip hop), no palco das tasquinhas, acontece às 22h00. Para as 22h30 está marcada a sardinhada popular com distribuição gratuita de pão, vinho e sardibnhas, na Rua D. Maria I. A animação segue com o conjunto musical “Nova Banda” no palco principal. A largada de toiros tem início às 1h00.

No sábado, 12 de Junho, a largada de toiros na Rua D. Maria I inicia-se às 17h00. Uma hora depois celebra-se missa na Igreja do sagrado Coração de Jesus. “Musical Duo”, às 22h30, garante a animação musical que retoma a partir da 1h00. O baile interrompe-se para a actuação de Edna Pimenta e Banda Bambaiana – tourné 2010 “Abre as suas asas”, no palco principal. 13 de Junho, domingo é dia de missa logo pelas 10h30. Às 17h00 decorre a missa solene seguida de procissão em honra do sagrado Coração de Jesus, acompanhada pela Banda de Música dos Bombeiros Voluntários da Póvoa de Santa Iria. O percurso tem início na igreja, seguindo pela rua Padre Américo, rua Baptista Pereira, rua Fernando Pessoa, voltando à igreja A largada arranca nesse dia às 19h00. Às 22h00 a artista popular Rosinha actua no palco principal. O fogo de artifício, às 0h00, encerra as festevidades. A alvorada acontece todos os dias às 9h00. As tasquinhas funcionarão nos dias de festa para os amantes da gastronomia

Os cavaleiros Ana Batista e Ribeiro Telles Bastos e o matador António João Ferreira compõem o cartel da grandiosa corrida de toiros de 10 de Junho, quinta-feira, feriado nacional, no Forte da Casa, no concelho de Vila Franca de Xira. O espectáculo conta com os Forcados Amadores de Vila Franca de Xira e Salvaterra de Magos. No curro seis preciosos toiros da ganadaria Oliveira Irmãos. Os bilhetes custam 15 euros. A receita da corrida, integrada na festa anual em honra do Sagrado Coração de Jesus, reverte integralmente a favor do Instituto de Apoio à Comunidade.


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O MIRANTE | 02 Junho 2010

Uma festa jovem que Uma freguesia às portas de Lisboa que ainda pulsa ao ritmo da tradição ainda tem que crescer

Uma comunidade de gente amiga

Festas do Forte da Casa entusiasmam muitos cidadãos da terra e de fora

Mudar as mentalidades é preciso

Mais dinamização para a zona antiga da vila

Edgar Perdigão, 51 anos, empresário

Nazaré Inácio, 46 anos, empresária

Mudar a mentalidade da população que reside no Forte da Casa pode ser um primeiro passo para que a vila deixe de ser um dormitório. A opinião é de Edgar Perdigão, empresário, que há quase 17 anos trabalha no Forte da Casa. O café que gere com a mulher fica à entrada da vila, próximo do retail park. Por esse motivo é difícil ver a festa que se aproxima. “As festas nunca são feitas na entrada da vila, o que é pena”, refere a O MIRANTE. Com 51 anos este empresário lamenta que o Forte da Casa seja um dormitório da capital e diz que gostava de ver as pessoas a conviver mais entre si. “Se sairmos à rua durante a noite isto é um deserto. Se andamos na rua durante o dia vê-se meia dúzia de pessoas. Depois do trabalho as pessoas enfiam-se em casa”, lamenta. Confessa não gostar particulamente da zona, mas ressalva que estar no Forte da Casa ou em Alverca “é igual”.

“Faz muita falta dinamizar as festas na zona antiga do Forte da Casa”. Quem o diz é Nazaré Inácio, 46 anos. Nasceu em Ponte de Lima mas veio para a freguesia com 26 anos. As festas são uma oportunidade para encontrar velhos amigos mas, para esta empresária, seria necessário repensar o modelo em que são feitas. “Não era má ideia fazer-se a festa em locais diferentes todos os anos. Eu costumo ir sempre ver a festa, o problema é que fica muito longe daqui”. As festas são quase sempre na zona da segunda fase do Forte da Casa e em 2008 nem música, tão pouco bandeiras, chegaram à zona velha da vila. “Os comerciantes juntaram-se em protesto e lá conseguiram que no ano passado metessem aqui umas luzes”, explica. Considera que o Forte da Casa é uma boa terra para viver. O rápido crescimento da freguesia não a preocupa. “Não é necessariamente mau. Pode também trazer muito desenvolvimento”, conclui.

Uma terra sossegada para trabalhar Gertrudes Freitas, 36 anos, funcionária de uma empresa ligada ao comércio de ferro e construções, não tem por hábito ir às festas em honra do Sagrado Coração de Jesus, no Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira. Mora na vizinha freguesia de São João dos Montes, situada a poucos quilómetros do seu local de trabalho, e considera que Forte da Casa é uma terra calma e sossegada. “Pelo menos até agora”, ressalva. Há cinco anos que todos os dias apanha a cada vez mais saturada Estrada Nacional 10 para fazer o percurso que separa a casa do trabalho. Gertrudes Freitas diz que não é aficionada nem

Maria José, 56 anos, naturóloga

Liliana Caldinho, 31 anos

“As festas da vila não me dizem nada, são muito pobres e não têm nada que me atraia”, lamenta Maria José, 56 anos. A naturóloga considera que o Forte da Casa é uma boa vila para viver e por isso tem pena que a falta de civismo estrague a festa. “Eu não consigo ir para a oferta das sardinhas. A falta de civismo das pessoas enerva-me. Quando vejo gente a ir com baldes e sacos de plástico carregar sardinhas assadas para levarem para casa fico bastante irritada”, lamenta. Maria José acredita que as festas são muito jovens e podem melhorar com o decorrer dos anos. A falta de espaços verdes é o principal problema da vila. “Porque somos uma boa terra para viver. Eu gosto do bairrismo que ainda existe na zona mais antiga do Forte da Casa. Infelizmente as novas zonas são dormitórios”. O crescimento da freguesia não é um problema para Maria José. “Tudo tem de evoluir”, garante, acrescentando que “o importante é as pessoas cuidarem dos espaços públicos”.

Veio morar para o Forte da Casa aos cinco anos e adora a freguesia. Liliana Caldinho, 31 anos, garante nunca faltar às festas da vila, que considera que são uma boa oportunidade para passear e conviver com outras pessoas. “Todos os anos vou ver a festa e este ano vou de certeza. Em 2009 estava muito bem organizada, até em termos da sua localização. Acho que a festa pode continuar naquele local. Não se pode agradar a todos”, defende. Considera que o Forte da Casa é uma terra de gente amiga e de boa vizinhança, especialmente na zona mais antiga da vila. “As zonas mais recentes são dormitórios. Hoje em dia temos boa cobertura policial e boas instalações de saúde. Acho que a única coisa que vai faltando na freguesia são mais espaços verdes e parques para as crianças. Temos vários parques mas estão todos estragados”, lamenta.

Dias de festa para fugir à rotina do dia-a-dia Maria de Jesus Dias, 53 anos, garante que é bom viver na terra que a acolheu e que viu nascer os seus filhos. A florista é natural do concelho de Mação, mas mudou-se para a freguesia do Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira, há 30 anos. Confessa que costuma ir à festa em honra do Sagrado Coração de Jesus que anualmente se realiza na freguesia. “É bom pois as pessoas também precisam de animação e de saírem um pouco da rotina do dia-a-dia. Fartos de trabalhar andamos nós”, refere com um sorriso.

Maria de Jesus Dias, 53 anos, florista Faz parte do Grupo de Cavaquinhos do Forte da Casa e a música é o que a mais cativa durante os dias festivos. Sempre que pode desloca-se até junto das iniciativas. Quanto ao que falta na freguesia não tem dúvidas. “Um espaço onde os idosos possam conviver e passar o dia”.

O desenvolvimento paralelo à EN10

Gertrudes Freitas, 36 anos, funcionária de empresa de comércio de ferro gosta de toiros. Como apenas trabalha no Forte da Casa não tem uma opinião formada sobre o que realmente faz falta na freguesia.

João Gomes, 30 anos, reside da Póvoa de Santa Iria mas é na freguesia do Forte da Casa que passa os seus dias. É responsável por uma sapataria localizada junto à Estrada Nacional 10. Não gosta de festas populares e nunca visitou as festas em honra do Sagrado Coração de Jesus que se realizam no Forte da Casa. Diz sentir-se bem na freguesia e garante que esta tem evoluído nos últimos anos dentro das condições possíveis. “O pouco que o Forte da Casa tem evoluído é junto à Estrada Nacional 10 e nos prédios da terceira fase. Ao nível de serviços

João Gomes, 30 anos, responsável de sapataria também pouco cresceu a não ser esta zona de comércio que foi criada desde há cinco anos”, lamenta João Gomes que deixa ainda um alerta: “ Criam-se os espaços verdes mas depois não há quem tome conta deles”.


Entrevista 34 | Especial Forte da casa

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“O primeiro-ministro não pode andar aos ziguezagues” As vinte e quatro respostas de António José Inácio a uma entrevista colorida Tem orgulho no cabelo branco, é apaixonado por toiros e um homem poupado. Não troca sardinha assada por um prato requintado de nome pomposo. Tal como não resiste ao elogio sempre que vê uma mulher bem vestida. António José Inácio, presidente da junta do Forte da Casa, fundador do Instituto de Apoio à Comunidade, aceita o desafio de uma entrevista de temas salteados – da política à gastronomia – com perguntas quase tão variadas como as 140 gravatas que tem no guarda-fatos.

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Ana Santiago

eparou nos sapatos vermelhos que o Papa usou quando visitou Portugal? Não estive tão perto do Papa a ponto de me aperceber dos sapatos. Mas estive no Terreiro do Paço, em Lisboa, e assisti à cerimónia a partir do barco varino da câmara com outros elementos do executivo. O vereador João de Carvalho levou uma televisão e observámos as imagens mais de perto. Também estive em Fátima no dia em que o Papa recebeu as instituições de solidariedade social. Estava a três metros do corredor central, mas no momento em que o Papa passou houve muita gente que se aproximou e eu não sai do lugar. O país andou a perder tempo? É sempre importante a vinda de um Papa. Ajuda a tranquilizar as pessoas. Mesmo as que não puderam deslocarse a Lisboa, a Fátima ou ao Porto. Foi um momento de reflexão. Mesmo para as pessoas não católicas. Já o vimos de gravata cor-de-rosa. Há alguma cor que exclua do seu guarda-fato? Não. Devo ter à volta de 140 gravatas. Gosto muito de gravatas. No dia da minha apresentação tinha uma verde, mas em momento de eleições tanto uso a rosa, como uso a vermelha. Gosto de gravatas com vida. Com muitas cores. De quantos telemóveis precisa para viver?

De um só. Tenho um cartão e dois números. Um é privado. Outro é o da junta de freguesia. Quando preciso de falar de assuntos que não são relacionados com a junta mudo o código. Mas um reencaminha para o outro. Portanto estão sempre os dois em funcionamento. Tenho sempre o telemóvel ligado. Mesmo no período de férias. A qualquer hora do dia ou da noite. O telemóvel está sempre em silêncio e dá um ligeiro sinal. O telemóvel não pára. Recebo centenas de chamadas. E respondo depois a todas elas. Ter o telemóvel sempre ligado é também uma forma de poder responder às pessoas que querem falar comigo. Só o desligo no avião. É capaz de elogiar uma mulher ou é ligeiramente tímido? Pelo contrário. Sou muito apreciador. Não só observo a roupa como o penteado. Sempre que gosto de alguma coisa, digo: «hoje está muito bonita» ou «está muito bem penteada». Na junta, mas também no Instituto de Apoio à Comunidade – 98 por cento dos trabalhadores são mulheres – isso acontece. Aprecio as mulheres bem vestidas. Mas também aprecio isso nos homens. Normalmente as senhoras têm esse cuidado de conjugar o fato, os sapatos, a pulseira e a mala. Um conjunto de coisas interessante que ajuda a revelar a personalidade. Posso gostar de um vestido que a pessoa que trabalha mais perto de mim tem hoje e não gostar tanto de outro que ela possa usar amanhã. Também há momentos em que as pessoas, por uma razão ou por outra, não se cuidam tanto. Convive com muitas mulheres. Como é que gere os ciúmes? Falo a toda a gente. Mesmo às pessoas que estão menos bem vestidas. Tenho essa forma de estar e isso permite que as pessoas me vejam tal qual sou. Acho que as pessoas sentem esta aproximação. Se existe algum ciúme não sei… Já lhe passou pela cabeça pintar o cabelo como alguns homens fazem? Não. Nunca o faria e não me parece que mude agora de ideia (risos). Desde muito novo comecei a ter cabelo branco. Mesmo o meu filho mais novo já começa a ter. Nos dias mais intensos qual é a sua forma de descompressão? Tenho momentos em que me sinto

foto O MIRANTE

muito cansado depois de muitas reuniões. Quando venho de Lisboa, depois de muitas reuniões, como me aconteceu ainda esta semana, ligo o ar condicionado. A necessidade de poupança é uma ideia que tem sido muito repetida por causa da crise. É um homem poupado? Sou uma pessoa poupada. Trabalhei muitos anos na Central de Cervejas e comprei um apartamento. Nunca adquiri nada a prestações, com excepção do carro. Acho que a oferta de cartões e as facilidades que dão as grandes superfícies podem trazer alguma dificuldade ou a gestão não é a melhor. Estipulo determinado montante para gastar durante o mês e tento economizar algum, não muito, para uma situação imprevisível. Ao longo da minha vida nunca me lembro de ter assumido responsabilidades além das minhas possibilidades. Há milhares de pessoas que assumem responsabilidades e que depois não conseguem cumprir. Ou o casal separase, ou um deles fica desempregado ou aparece uma doença. Há quem ache que os políticos deveriam dar o exemplo na poupança. E se a contenção passasse por reduzir os ordenados dos presidentes de junta? Concordaria, mas os presidentes de junta estão já no patamar mais baixo. A seguir são os colegas da assembleia de freguesia. Estou a meio tempo como presidente e recebo 680 ou 700 euros (ainda não percebi bem porque é que o valor diverge). Claro que se o Governo - este ou outro qualquer, eleito democraticamente - viesse a fazer essa redução aceitaria desde que

fosse para ajudar o país. A verdade é que até chegar aos presidentes de junta há milhares de pessoas - no Governo, no Parlamento, nas empresas públicas – que poderiam dar um contributo importante. O que não dispensa à mesa num dia de Verão? Gosto muito de um vinho branco fresquinho ou imperial Sagres. Trabalhei lá 25 anos e sou apreciador da marca. Tem um fabrico próprio muito especial. Nunca bebi whisky. Se tiver que beber água bebo. Faz sentido que as praias não tenham nadadores salvadores fora da época balnear? É uma situação que tem que ser repensada. Esta responsabilidade deve ser partilhada por diversas entidades: administração central, governos civis, câmaras e juntas. Se calhar os nadadores salvadores deveriam estar nas praias o ano todo. Há muitas praias que têm pessoas todo o ano. Isso acontece no Algarve, por exemplo. A vigilância tem que passar a ser feita muito mais cedo. Isto também em relação às praias fluviais. Que livros tem à cabeceira? Não tenho nenhum livro à cabeceira. Leio muitos jornais. Mesmo quando vou de férias compro dois ou três jornais. Fixo-me muito na imprensa regional e na imprensa nacional. Tem algum bode espiatório para a crise que atingiu a Europa e o mundo? O mundo não mudou há dois ou três meses. Tem estado em mudança há já há alguns anos. A Europa também. A contenção que se está a fazer agora já deveria ter sido feita há alguns anos. Os políticos têm a responsabilidade


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de falar às pessoas com maior clareza. Por aqui também passa a democracia. As pessoas começam a não acreditar naquilo que os políticos dizem. As pessoas estão cada vez mais atentas. Vão penalizar quem há um ano disse uma coisa e depois vem dizer outra e nem sequer consegue concretizar aquilo que diz. Não tem problemas em criticar o primeiro-ministro mesmo sendo da mesma cor política. Não tenho qualquer problema. Acho que o primeiro-ministro tem a grande responsabilidade de não fazer nenhum ziguezague. Tem que explicar aos portugueses porque é que uma vez diz uma coisa e, pouco tempo depois, diz outra. E digo isto com a maior consideração pelo engenheiro José Sócrates que tem sido sujeito a uma grande pressão parlamentar a que outras pessoas não teriam provavelmente resistido, independentemente das conclusões a que se cheguem nos inquéritos. Os grandes investimentos deveriam ser travados? Alguns, não todos. Isto tem que ver também com a economia do país e com a criação de emprego. Se se conseguir um equilíbrio acho que alguns devem ser feitos. Quem analisa estas questões deve ponderar e explicar bem ao país porque avançam uns e não avançam outros. À mesa, o que escolheria: um foie gras [pasta de fígado de ganso] ou sardinha assada? Sardinha assada. Sou totalmente português. Se tiver que ir para o estrangeiro é um problema. Uma das coisas que perguntei à senhora presidente de câmara a propósito da visita a Cabo Verde [Vila Franca de Xira está geminada com o município de Santa Catarina naquele país] foi, o que se comeria por lá. De facto a comida é muito semelhante. Comi muitas vezes peixe. Chicharro. Uma carapau muito grande que é um espectáculo. Tenho a preocupação, não que tenha tido alguma indicação, de fazer uma refeição de carne e outra de peixe. Qual é o seu tipo de vinho? Do Ribatejo, sempre que possível, embora também goste dos vinhos do Alentejo. Mas sou muito regionalista.

Pode ser um vinho branco ou tinto. Depende da refeição. Gosto dos vinhos com um sabor das características das próprias uvas. Leves. Toiradas ou um espectáculo de golfinhos? Sou aficionado. E presidente da Escola de Toureio José Falcão. Se me colocassem dois espectáculos à mesma hora e ao mesmo dia iria ver a corrida. Já tenho visto espectáculos de golfinhos e também são bonitos. E o que responde aos defensores dos animais que se manifestam frente ao Campo Pequeno? Assiste-lhes todo o direito de se manifestarem, mas as corridas portuguesas têm uma grande tradição na cultura portuguesa. Quem se manifesta deveria perceber isso. É o espectáculo que movimenta mais pessoas a nível nacional, a seguir ao futebol. Era capaz de se meter frente a um toiro? Desde muito novo que gosto de largadas de toiros. Ia a Alenquer. No Forte da Casa não perco a largada das duas da manhã, na noite da sardinha assada, de sexta para sábado. Onde há largadas de toiros estou lá. Gosto das festas populares. Dão-nos a possibilidade de passar bons momentos com os amigos e de conhecer pessoas. Há dois anos cheguei ao Forte da Casa quando faltava um quarto de hora para as oito da manhã. Vinha da Feira de Maio de Azambuja. Gosto de estar perto do toiro, chamá-lo, mas sempre com segurança. Em jovem fazia maiores aproximações. Uma vez ainda fui parar ao Hospital. Foi mesmo colhido? A tranqueira onde estava tinha um peso muito grande e não suportou com todas as pessoas e partiu. Foi na vila alta, Alenquer. Fui das pessoas que provavelmente fiquei mais perto do toiro. Tive um momento difícil. Levei pancada. Felizmente o toiro estava embolado. Fui para o hospital de Vila Franca de Xira. Tinha 16 anos. Lembro-me que quando cheguei a casa os meus pais estavam aborrecidos e fui deitar-me cheio de marcas. Vai festejar a vitória do clube para a rua? Sou simpatizante do Benfica. Mas

PAMA de 723 mil euros para 113 associações

foto O MIRANTE

O senhor presidente da junta António José Inácio tem 62 anos e nasceu no concelho de Alenquer. É divorciado, vive em união de facto e tem dois filhos, de 25 e 37 anos. Trabalhou 26 anos na central de cervejas. Começou na área do enchimento da empresa, mas depois de estudar à noite tornou-se técnico de informática. Nos últimos anos ainda acumulou funções de vereador da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. É fundador e presidente do Instituto de Apoio à Comunidade do Forte da Casa, freguesia a que preside como autarca.

também vejo um jogo do Porto ou do Sporting. Sou uma pessoa extremamente calma a ver qualquer espectáculo. Se me convidarem e tiver disponibilidade vou, mas não aprecio tanto como se estivesse numa corrida de toiros. Um fim-de-semana na neve ou um safari em África? Preferia a neve. Não viajo muito porque também não há muitas condições, mas há três anos estive no Norte de Espanha, na neve, e gostei imenso. Gosto muito de praia, mas também gosto muito do frio e da neve

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O Programa de Apoio ao Movimento Associativo (PAMA) para Vila Franca de Xira contempla para este ano um apoio de 723 mil euros a serem distribuídos por 113 associações desportivas, culturais e de cariz social do concelho A proposta foi aprovada por unanimidade durante a última reunião do executivo camarário, realizada no Palácio da Quinta da Piedade, na freguesia da Póvoa de Santa Iria, na tarde de quarta-feira, 19 de Maio. Durante a discussão foi proposto pela CDU um aditamento ao PAMA: “Caso a solicitação seja feita por uma entidade sem fins lucrativos do concelho, e com comprovada incapacidade para fazer face aos custos do transporte, a Câmara Municipal assumirá o transporte, na medida das suas possibilidades”. A proposta foi rejeitada, defendendo a presidente da autarquia, Maria da Luz Rosinha, e o vereador com o pelouro da cultura, Fernando Paulo, que isso já é o que a câmara faz actualmente. Depois de algum tempo a reflectir, a bancada da CDU acabaria por votar favoravelmente o documento.


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A muçulmana que nunca entrou numa Igreja Católica e duas africanas que adoram a terra onde vivem Forte da Casa tem uma vasta comunidade multicultural bem integrada na freguesia Abandonaram os seus países de origem para tentar a sorte noutro continente. Trazem para a freguesia do Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira, tradições, memórias e religiões diferentes. Para alguns o sonho é poder um dia regressar à pátria.

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Filipe Matias

nquanto prepara os enchidos que vão acompanhar o cozido à portuguesa, Samira Salhli Agnous solta um sorriso. Na cozinha do Instituto de Apoio à Comunidade (IAC) do Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira, manipula os alimentos como qualquer outra mulher, mas prepara-os ao gosto dos portugueses. A profissional marroquina é um exemplo de integração no Forte da Casa, freguesia que, como muitas outras do concelho de Vila Franca de Xira, é caracterizada por uma forte multiculturalidade. Enquanto revira as couves conta que nasceu numa cidade celebrizada por Humphrey Bogart e Ingrid Bergman: Casablanca. A cidade onde, segundo a lenda, “é fácil de entrar e difícil sair”. Samira conseguiu fazê-lo. Abandonou Marrocos com 30 anos depois de se ter casado com um homem que já trabalhava no Forte da Casa há seis anos. “Já moro aqui desde essa altura e gosto muito do Forte da Casa, lá fui conseguindo fazer a minha vida aqui”, conta a O MIRANTE. Samira passou um mau bocado quando chegou ao concelho vilafranquense,. Recorreu ao Instituto de Apoio à Comunidade para obter refeições quentes porque não tinha trabalho. “Felizmente o presidente da

ESPERANÇA. Depois de uma “aterragem” complicada em Portugal Samira Agnous começa agora a singrar profissionalmente Junta de Freguesia, António José Inácio, arranjou-me um emprego aqui no centro e estou muito feliz”, confessa. A sua religião obriga-a a rezar cinco vezes ao dia, quando o trabalho assim o permite. Nunca entrou numa igreja católica. “Respeito todas as religiões, mas acredito nos profetas e não devo entrar noutra igreja”, explica. Samira cozinha de forma diferente dos portugueses tudo aquilo que come. A carne de porco está proibida e as restantes carnes não podem ter vestígios de sangue. Diz que já ouviu as colegas a falar de arroz de cabidela mas não tenciona provar. “Já gosto de algumas comidas portuguesas, como o bacalhau com natas”, diz com um sorriso. Aprender o português foi complicado e fê-lo ouvindo e praticando. Hoje é quase fluente no dialecto luso. “Não me sinto discriminada, embora às vezes, como uso um lenço na cabeça, as pessoas tenham tendência para olhar um pouquinho de lado, mas acho que é por curiosidade”, partilha. A marroquina tem medo de toiros por isso não sabe se irá assistir às largadas que vão dar vida à tradição ribatejana nas festas do Forte da Casa. É também frente ao fogão que está Maria Nunes, 52 anos, nascida em Cabo Verde. Prepara a comida para a festa do Dia de África, evento comemorado a 30 de Maio no concelho de Vila Franca de Xira A cachupa é um dos pratos principais confeccionado com produtos importados. Quiabos (um vegetal), mandioca, batata doce e manga. Maria Nunes arriscou vir para Portugal para estudar mas a vida trocou-lhe as voltas. “Constituí família e por aqui fiquei. Hoje sou

CONVÍVIO. Maria e Fina dizem que o português é “língua de trabalho” e falam sempre em crioulo entre si operadora de lavandaria industrial”, conta ao nosso jornal. Garante que a sua vida é igual a qualquer outra pessoa. Não tem uma igreja específica onde rezar, mas diz acreditar no conceito de um Deus omnipotente. “O meu dia-a-dia é exactamente igual ao dos portugueses. Nunca notei qualquer diferença, a não ser o facto de nós às vezes comermos cachupa e vocês o bacalhau”, diz com um sorriso. Os seus cinco filhos e oito netos já se habituaram à comida portuguesa, por isso na casa de Maria os pratos africanos só se cozinham em dias de festa. Ser estrangeiro no Forte da Casa não invalida que se perca as suas raízes identitárias, defende outra africana, Fina

foto O MIRANTE

foto O MIRANTE

Fernandes, natural da Guiné. Com 35 anos Fina não descarta a possibilidade de voltar à sua pátria e diz gostar do concelho de Vila Franca de Xira para viver. “Algumas coisas que fazíamos lá na terra fazemos aqui também. Às vezes juntamo-nos em vários grupos, de várias etnias, para dançar e conviver. Há uma boa vivência entre toda a comunidade”, garante. No seu dia-a-dia vê televisão mas prefere os canais de África. “Às 19h30, todos os dias, gosto de ver as notícias da minha terra, saber o que se passa por lá”, conta. A despedida é feita em crioulo, “porque o português é a língua de trabalho”, diz. Por isso, “N`ta odjau dipus”, ou seja, até mais logo

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