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Dia 11 o poder local vai a votos O MIRANTE S E M A N Á R I O

R E G I O N A L

sUPLEMENTO A ut á r q u i c a s 2 0 0 9 faz parte integrante da edição n.º 898 deste jornal e não pode ser vendido separadamente

Há presidentes de câmara que não se recandidatam. Alguns saíram mesmo antes do final dos respectivos mandatos. Em resultado da chamada lei das quotas, disparou o número de mulheres a liderar listas. Assim como aumentou o número de candidaturas de movimentos independentes, muitos deles resultantes de divergências entre pessoas que trabalharam juntas anos a fio. Começou a grande mudança dos rostos políticos na região. Uma mudança que terá novo capítulo daqui a quatro anos. Na altura muitos dos potenciais vencedores deste ano já não poderão voltar a ser candidatos. O MIRANTE apresenta, nesta edição, os rostos dos cabeças de lista de todos os partidos políticos e movimentos independentes que se candidatam às câmaras municipais da área de abrangência do jornal e uma breve análise do quadro político de cada concelho.


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01 Outubro 2009 | O MIRANTE

Abrantes

Albano Santos

Independente do PS pode baralhar as contas A não recandidatura de Nelson Carvalho pelo PS ao fim de três mandatos e a escolha da vereadora Maria do Céu Albuquerque como candidata daquele partido, criou alguma expectativa em relação ao resultado das eleições no concelho de

O que valem os Independentes sem Luís Azevedo? O PS acredita que tem nestas eleições a grande possibilidade de recuperar a câmara que perdeu em 2001 para os Independentes por Alcanena (ICA), então liderados pelo militante socialista Luís Azevedo, que este ano não se

Almeirim

celhia do PS. A questão que se coloca é saber como irá responder o tradicional eleitorado socialista às duas candidaturas e em que medida é que isso poderá beneficiar o candidato do PSD, SantanaMaia Leonardo, tendo em conta que aquele partido

Suzel Frazão

Manuel António Lopes

já governou a câmara entre 1989 e 1993. Nas últimas autárquicas o PS ganhou confortavelmente e elegeu 5 elementos para o executivo municipal, tendo o PSD ficado com os restantes dois mandatos. É quase certo que a repartição

Fernanda Asseiceira

Eduardo Marcelino

de mandatos será diferente desta vez. Para além de Maria do Céu Albuquerque (PS), de Santana-Maia Leonardo (PSD) e de João Baptista Pico (CDS-PP), Armando Borges encabeça a lista da CDU e Manuel António Lopes, a do BE.

Carlos Alberto Vieira

Maria Céu Albuquerque

Santana Maia Leonardo

Renata Henriques

Independentes pelo concelho de Alcanena

recandidata. Os socialistas voltam a apresentar como cabeça de lista. Fernanda Asseiceira, que há quatro anos conseguiu que o partido passasse dos 19,3 por cento de 2001 para 27,1 por cento. A esperança dos socialistas assenta na convicção que nas eleições locais contam mais os ca-

Aranha Figueiredo

Sousa Gomes procura último mandato com mais concorrência Maurício, eleito há quatro anos O socialista José Sousa Gomes recandidata-se a um último mandato enfrentando pela primeira vez uma lista independente (MICA) recheada de antigos simpatizantes socialistas e liderada pelo actual vereador Francisco

João Baptista Pico

Independentes pelo concelho de Abrantes

Abrantes. E a expectativa aumentou com a apresentação de uma candidatura do ex-vereador socialista, Albano Santos, como independente. Albano Santos tem ao seu lado alguns membros da comissão política con-

Alcanena

Armando Borges

pelo PS e que se incompatibilizou entretanto com o presidente da câmara. A fractura no PS local que esteve na base da criação do MICA é um dos trunfos para a oposição e a dispersão de votos pode cau-

beças de listas do que as forças políticas pelas quais se candidatam. Conseguirá Eduardo Marcelino, actual vice-presidente da câmara, manter os Independentes por Alcanena (ICA) no poder? Para perceber a situação política no concelho convém recordar que a vitória dos Independentes

Filipe Teixeira

começou quando o PS local apresentou como candidato, em 2001, Carlos Cunha, que tinha abandonado a presidência da autarquia, para exercer o cargo de governador-civil, deixando no seu lugar Luís Azevedo. Este último, vendo-se preterido, avançou com uma candidatura própria e

Francisco Maurício

esmagou o seu próprio partido e o seu camarada, que governava a autarquia desde 1982. PSD e o CDS apostam numa candidatura conjunta, apresentando Renata Henriques como candidata e a CDU aposta em Suzel Frazão. O BE tem como cabeça de lista, Carlos Alberto.

Pedro Pisco

Sousa Gomes

Independentes pelo concelho de Almeirim

sar alguma surpresa, embora os socialistas partam como favoritos. O PSD aposta na continuidade do actual vereador Pedro Pisco dos Santos, que espera pelo menos a sua reeleição para o executivo. Quem também vai procurar manter representação na vereação é a

CDU, que não repete a candidatura de Manuela Cunha e prefere apostar em Aranha Figueiredo, um ex-autarca da assembleia municipal e militante comunista que trabalha na Câmara de Setúbal. Filipe Teixeira é o candidato do CDS/PP e dificilmente conseguirá

ser eleito. O executivo da Câmara de Almeirim é actualmente composto por quatro eleitos do PS, 1 da CDU, 1 do PSD e Francisco Maurício, eleito pelo PS mas a quem foi retirada a confiança política.

Alpiarça

Sónia Sanfona

Socialistas apresentam nova candidata em antigo bastião comunista Com a saída do presidente Rosa do Céu e da sucessora Vanda Nunes, que lideraram o município neste mandato, a luta pela Câmara de Alpiarça ganha contornos mais interessantes e um desfecho ainda mais difícil de vaticinar. A

advogada e deputada Sónia Sanfona foi a escolhida pelo PS local para tentar suceder a Vanda Nunes e manter a autarquia nas mãos dos socialistas. Mas os comunistas estão à espreita e o vereador Mário Pereira, derrotado há quatro

anos, tem expectativas de reconquistar para a CDU o que foi outrora um dos bastiões comunistas do Ribatejo. PSD e CDS concorrem novamente coligados, apresentando a advogada América Cravo como cabeça de lista à

câmara, e procuram sobretudo conquistar um lugar na vereação, que lhes tem fugido sucessivamente. O executivo é actualmente composto por três eleitos do PS e dois da CDU.

América Cravo

Mário Pereira


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Azambuja

António Lopes

António Nobre

João Marques

Joaquim Ramos

Socialista Joaquim Ramos quer renovar maioria na Azambuja O Partido Socialista de Azambuja está empenhado em voltar a reforçar a maioria, mais uma vez com o actual presidente da câmara municipal Joaquim Ramos à cabeça. É o terceiro mandato que o

socialista se propõe fazer e será também o último, como já anunciou e como decorre da lei de limitação dos mandatos. Os socialistas partem como favoritos, mas o povo é soberano.

Benavente Trinta anos depois António Ganhão quer manter liderança Após trinta anos à frente do município, António José Ganhão, o actual presidente da Câmara Municipal de

Jorge Lopes, um advogado e antigo vereador socialdemocrata, surge como número um pela coligação “Pelo Futuro da Nossa Terra” que agrega PSD, CDS-PP, Partido Popular Monárquico e Partido

Ana Casquinha

Benavente eleito pela CDU, volta a manifestar-se disponível para continuar a liderar os destinos do concelho e reforçar a maioria naquele que será, pela força da nova lei, o seu último mandato como

Cartaxo

presidente. António Ganhão conseguiu oito maiorias absolutas e vai tentar repetir a proeza. Se conseguir não será surpresa. Num município com forte tradição comunista a nível

Francisco Colaço

da Terra. O Bloco de Esquerda aposta em João Marques e o actual vereador António Nobre é o cabeça de lista da candidatura da CDU à Câmara Municipal de Azambuja. Nas últimas elei-

António José Ganhão

José da Avó

autárquico, a tarefa será mais difícil para a candidata do PS, a advogada Ana Casquinha. José da Avó vai tentar pelo menos manter o lugar na vereação pelo PSD. Já José Múrias tem a missão quase

Mário Júlio Reis

ções autárquicas, em 2005, a CDU perdeu para o PSD um vereador. O executivo camarário de Azambuja tem actualmente sete eleitos, quatro do PS, dois do PSD e um da CDU.

José Múrias

impossível de fazer chegar o CDS-PP ao executivo camarário. O executivo da Câmara Municipal de Benavente é composto actualmente por sete eleitos, cinco da CDU, um do PS e um do PSD.

Paulo Caldas

Paulo Neves

O maior desafio de Paulo Caldas Até que ponto as cisões no PS do Cartaxo podem afectar os resultados eleitorais de 11 de Outubro? Esta é uma das grandes equações, que só o escrutínio pode resolver. Se os socialistas estivessem unidos as dúvidas não seriam muitas

quanto ao desfecho. Mas é público que isso não sucede e Paulo Caldas (que até se demitiu da liderança da concelhia socialista) tem pela frente o seu maior desafio eleitoral desde que assumiu as rédeas do município, em 2001.

Até porque o PSD não tem facilitado a vida ao jovem autarca socialista. Com uma campanha aguerrida e apresentando o empresário independente Paulo Neves como cabeça de lista, o partido “laranja” vai tentar subir uma

Chamusca

votação que se tem mantido na casa dos 20 por cento. À CDU pouco mais restará do que tentar manter o seu vereador no executivo camarário. O professor Mário Júlio Reis volta a ser a aposta da coligação. Francisco Colaço

Joaquim Garrido

é o candidato do Bloco de Esquerda e a quase duplicação da votação nas eleições de Junho para o Parlamento Europeu faz com que sonhe com a possibilidade de ser eleito.

João Lourenço

Sérgio Carrinho

O eterno Sérgio Carrinho Sérgio Carrinho candidatase pela CDU ao seu nono mandato e é quase certo que irá vencer. Há quatro anos, a poucos dias das eleições o autarca protagonizou um episódio rocambolesco ao ir apresentar-se à Judiciária de Leiria como responsável por

irregularidades cometidas na câmara. Ganhou, passando de uma maioria relativa para uma maioria absoluta e o assunto continua por esclarecer. Num concelho onde a CDU só ganha nas autárquicas, a coligação não arrisca apresentar outro candidato enquanto não

for obrigada a isso e Sérgio Carrinho sente-se bem no seu papel. A oposição aceita a invencibilidade do autarca com alguma resignação. O anterior candidato do PS, Fernando Pratas, disse que não voltava a ser candidato enquanto tivesse que o defrontar.

Este ano o PS apresenta como cabeça de lista um exvereador da CDU, Joaquim Garrido, amigo pessoal de Sérgio Carrinho, que se sentiu obrigado a conversar com ele antes de aceitar o convite para o enfrentar nas urnas. A escolha teve como resultado

a demissão do único vereador daquele partido, Joaquim Condeço. A coligação PSD / CDS-PP também teve dificuldade em encontrar um candidato e a escolha acabou por recair em João Lourenço.


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Constância

António Oliveira

Margarida Veríssimo

Máximo Ferreira

Renato Gonçalves

Quatro candidatos disputam sucessão de António Mendes Depois de mais de duas décadas no poder, o “dinossauro” António Mendes (CDU) rejeitou recandidatar-se e abriu as alas para a presidência mudar de mãos. Candidatos são quatro. O astrónomo Máximo Ferreira, director do Centro Ciência Viva

local, tem a responsabilidade de tentar manter o município na posse da CDU. O PS apostou em Margarida Veríssimo, engenheira civil, que vai tentar conseguir repetir nestas autárquicas os bons resultados que o PS ali obtém regularmente

Coruche

em eleições legislativas. A militante socialista é actualmente líder da bancada do PS na assembleia municipal e já foi vereadora. António Oliveira, professor, vem de Santarém para tentar recuperar a autarquia para o PSD (que a governou até 1986)

António Moreira da Silva

A primeira vez dos independentes em Coruche Primeiro foram os comunistas. Depois vieram os socialistas. Coruche tem-se dividido pelas forças políticas de esquerda quando toca a eleger a administração do município: Para conquistar o município aos comunistas em 2001,

Dionísio Mendes

ou pelo menos conseguir um lugar na vereação. Com raízes no concelho, já foi vereador no município escalabitano. O CDS apresenta o jovem Renato Gonçalves, 19 anos, apenas para marcar presença já que dificilmente conseguirá eleger um

Hortelinda Nunes

vereador. Oriundo de Alcanena, estudante do ensino superior, o filho do líder distrital do CDS, Herculano Gonçalves, é o mais novo candidato à presidência de uma câmara. O executivo municipal de Constância é composto por 4 elementos da CDU e 1 do PS.

José Guedes

José Manuel Potier

Mov. Independ. Cidadãos por Coruche

o PS foi buscar um ex-vereador da CDU que com o estatuto de independente levou os socialistas ao poder. Dionísio Mendes volta a correr para o terceiro e, se vencer, último mandato à frente da autarquia. Para já, conquistou para as listas do PS dois presidentes de

junta de freguesia eleitos pela CDU em 2005. Os comunistas, que têm feito uma oposição aguerrida e continuam a ter grande peso no concelho, esperam recuperar algum do seu eleitorado tradicional e avançam com a professora

Entroncamento

Alexandre Zagalo

Hortelinda Nunes como cabeça de lista. José Manuel Potier, o líder da concelhia social-democrata local, vai tentar reconquistar para o PSD o vereador perdido em 2005. Uma tarefa dificultada pela “debandada” de alguns mi-

Carlos Matias

litantes do PSD para as listas dos independentes. Os efeitos que o Movimento Independente Cidadãos por Coruche - que candidata o ex-comandante dos bombeiros Moreira da Silva à câmara -, pode causar na correlação de forças entre partidos é uma incógnita.

Jaime Ramos

Telma Jorge

Jaime Ramos tem razões para acreditar em mais uma vitória Jaime Ramos recandidata-se pelo PSD a um terceiro mandato e tudo indica que irá ganhar. Se assim for cumpre os últimos quatro anos de governação do município devido à lei de limitação de mandatos. Num concelho onde o PS foi poder até 2001 e onde continua

a vencer as restantes eleições, aquele partido ainda não conseguiu ultrapassar o trauma da derrota e da divisão que a antecedeu, com o então presidente, José Cunha, a concorrer como independente sem conseguir ser eleito após uma escolha tumultuosa de candidatos que causou

danos graves no partido. Nas eleições anteriores o PS apresentou Alexandre Zagalo, que volta a recandidatar-se agora. O BE, força política em ascensão no Entroncamento, apresenta como candidato o actual vereador Carlos Matias que substitui Henrique Leal a meio

Ferreira do Zêzere

do mandato. Há curiosidade em saber como irão responder os eleitores à mudança de candidato uma vez que Henrique Leal, um ex-vereador da CDU – que agora concorre à Assembleia Municipal - era apontado por alguns como responsável pelo sucesso eleitoral do BE no concelho.

Luís Pistola

A CDU, que tinha habitualmente um representante no executivo municipal, perdeu-o em 2005 quando apresentou a jovem Telma Jorge como cabeça de lista. E será ela que irá liderar outra vez os candidatos da coligação na tentativa de regresso à câmara.

António Matos

Filipe Vicente

PSD muda de candidato em transição pacífica Em território onde o PSD domina desde que há poder local democrático, cabe a Jacinto Lopes Flores procurar manter nas mãos do partido a câmara que Luís Ribeiro Pereira conquistou nas últimas quatro eleições. O pre-

sidente sai e a transição parece pacífica, com a candidatura de aparente continuidade do homem que é vice-presidente da autarquia e vereador desde 1994. Neste concelho onde a floresta e a água pre-

dominam, o PS vai tentar contrariar mais uma vez a hegemonia “laranja” em Ferreira do Zêzere e concorre com uma lista liderada pelo advogado Filipe Martins, que se candidata pela primeira vez.

E se a vida não é fácil para os socialistas, mais difícil é para a CDU que ali nunca conseguiu ter representantes na vereação. Em 2005 obteve apenas 1,8 por cento dos votos, mas a coligação liderada pelos comu-

nistas persiste e volta a candidatar António Matos. Já o CDS aliou-se ao Movimento Partido da Terra (MPT) no apoio a Luís Pistola. O Bloco de Esquerda apresenta como cabeça de lista à câmara municipal Luís Santos.

Jacinto Lopes

Luís Santos


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Golegã Independentes do GIGA tentam baralhar as contas Veiga Maltez é presidente da câmara desde 1997 encabeçando, como independente, a lista do PS. Volta a ser candidato, este ano. O seu trabalho tem assentado na ideia de restituir às pessoas o orgulho de serem da Golegã.

Carlos Simões

Conceição Contente

Pedro Ramalheira Azevedo

Valter Ferreira

Veiga Maltêz

Grupo Indep. da Golegã e Azinhaga

Afirmou o concelho como capital do cavalo, revitalizando a antiga Feira de S. Martinho e Feira Nacional do Cavalo. A novidade nestas eleições é o GIGA (Grupo Independente Golegã e Azinhaga) que se candidata, pela primeira vez, à Câmara Municipal da Golegã, apresen-

tando uma mulher como cabeça de lista, Conceição Contente. Os Independentes nasceram de uma zanga entre o presidente Veiga Maltez e o então vice-presidente, Vitor Guia, que levou este último a candidatar-se e a ganhar, com maioria absoluta a freguesia de Azinhaga, em 2005.

Mação

Num concelho com 4.768 eleitores o surgimento da candidatura do GIGA poderá criar problemas ao candidato melhor posicionado para ganhar, Veiga Maltez. A CDU, que governou o município em dois mandatos consecutivos (1989 a 1997),

António Sousa Santos

deixou de estar representada no executivo há quatro anos e tenta recuperar apresentando como candidato um jovem de 26 anos, Valter Ferreira. O PSD recandidata o actual vereador Carlos Simões e o CDS/PP apresenta Pedro Azevedo como cabeça de lista.

Nuno Neto

Saldanha Rocha

Um bastião “laranja” chamado Mação José Saldanha Rocha (PSD) sofreu um grande revés como presidente da Câmara de Mação no actual mandato ao ver o seu município ser afastado da NUT (Unidade Territorial para fins estatísticos) do Médio Tejo, ficando agregado

ao Pinhal Interior Sul. É o único concelho do distrito de Santarém que não integra nenhuma das comunidades intermunicipais da região – Médio Tejo e Lezíria do Tejo. Mas isso não levou o autarca a esmorecer e a recandidatura

Ourém

àquele que pode ser o seu último mandato prova-o. Num concelho desertificado que sempre esteve nas mãos do PSD desde que há poder local democrático, e que até à data só teve dois presidentes de câmara, o PS

Gonçalo Pereira Almeida

não tem tido vida fácil mas não abdica de ir à luta. O economista Nuno Neto, líder da concelhia socialista, tem a responsabilidade de tentar mudar a cor ao poder. Por parte da CDU, o rosto da candidatura é o profes-

João Oliveira

sor universitário António Sousa Santos, que promete ir lutar pela eleição de um vereador que se bata pelos trabalhadores e pelas micro, pequenas e médias empresas do concelho.

Paulo Fonseca

Vitor Frazão

O terceiro “assalto” de Paulo Fonseca ao castelo de Ourém O processo eleitoral ficou marcado pelo drama em Ourém. O candidato do CDS, Diogo Castelino e Alvim, faleceu no dia 26 de Setembro vítima de Gripe A. O partido escolheu para novo cabeça de lista Gonçalo Pereira de Almeida e a ambição é chegar

à vereação, onde o CDS não alinha desde 1997. O PS aposta forte na conquista deste reduto social-democrata e candidata pela terceira vez Paulo Fonseca, líder distrital dos socialistas e até há pouco governador civil de Santarém.

Rio Maior

É uma aposta de risco que pode marcar o futuro político de Fonseca, que nunca teve tantas condições para apear o PSD do poder. A sua crescente notoriedade e uma eficiente máquina de campanha podem fazer a diferença.

Alexandre Jacinto

Silvino Sequeira ameaçado por coligação PSD/CDS Uma coligação entre o PSD, o CDS-PP e o movimento independente ACIRM vai tentar destronar do poder o veterano autarca socialista Silvino Sequeira, no poder há 24 anos em Rio Maior. Sequeira concorre a um último mandato,

após quatro anos de alguma turbulência, devido a um grave problema de saúde e à sua saída da câmara para gestor do Programa Operacional do Alentejo e posterior regresso à autarquia. Isaura Morais é a aposta

O facto de o candidato do PSD, Vítor Frazão, ter chegado a presidente de câmara há menos de um ano, por via da suspensão do mandato do então presidente David Catarino pode também ter influência. Mas é bom não esquecer que Ourém é um con-

Carlos Figueiredo

celho sociologicamente “laranja” e isso equilibra as contas em termos de perspectivas. A CDU apresenta o professor João Filipe Oliveira, com o objectivo de aumentar o número de votos da coligação e a pouco mais pode aspirar.

Isaura Morais

Silvino Sequeira

Independentes Rio Maior

da coligação de centro-direita “Juntos pelo Futuro”. E vai tentar capitalizar a sua experiência como presidente da Junta de Freguesia de Rio Maior e alguma divisão entre os socialistas para conquistar o município. Recorde-se que

o ex-vereador socialista Carlos Frazão apoia essa coligação. A CDU apresenta como cabeça de lista à câmara Carlos Figueiredo, mas a previsível bipolarização do eleitorado não deve permitir aos comunistas elegerem alguém para o

executivo. O mesmo se poderá passar com o Bloco de Esquerda, que se apresenta a sufrágio com o dirigente associativo Alexandre Jacinto. A Câmara de Rio Maior tem quatro eleitos do PS e 3 do PSD.


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Salvaterra de Magos

Ana Cristina Ribeiro

Helder Esménio

Jorge Burgal

Vasco Feijão

“Anita” tenta manter única câmara do Bloco de Esquerda Em Salvaterra de Magos encontra-se o único município do país governado pelo Bloco de Esquerda e não se estranha por isso o desvelo com que as principais figuras bloquistas tratam a presidente Ana Cristina Ribeiro, que se

recandidata a um último mandato. A autarca, que começou o trajecto político na CDU e é presidente desde 1997, tem fundadas esperanças de voltar a vencer, tal a supremacia que foi conquistando a nível eleitoral.

Santarém Moita Flores em busca da maioria absoluta Em Santarém uma das grandes dúvidas é saber se Moita Flores vai alcançar a maioria absoluta no município que há quatro anos arrebatou ao PS e que tem governado com maioria relativa. Embora os

Carlos Marecos

candidatos da oposição não o possam dizer abertamente, a reeleição do candidato independente apoiado pelo PSD é dada como certa. A dificuldade que o PS teve em arranjar candidato é um sintoma da descrença que agitou as hostes socialistas.

O PS, que já liderou a câmara e tem tido resultados desastrosos nas últimas autárquicas, aposta em Hélder Esménio, um engenheiro civil que vai tentar recuperar resultados de outros tempos. O PSD, outro partido que não tem grande

José Marcelino

Algumas figuras de topo rejeitaram enfrentar Moita Flores. E acabou por ser António Carmo, ex-dirigente distrital do Inatel e da Segurança Social, a dar o peito às balas e garantir uma candidatura socialista que tem a vantagem de estar desligada do passado recente.

Sardoal

implantação autárquica no concelho, lança para a liça o empresário Jorge Burgal. Manter um vereador no executivo é o objectivo mínimo. A CDU escolheu o vereador Vasco Feijão, que trabalhou de perto com Ana Cristina Ribeiro

Moita Flores

António Carmo

A CDU tem também nestas eleições uma prova de fogo. Pela primeira vez sem Luísa Mesquita nas listas, é José Marcelino, um ex-vereador, quem tem a missão de tentar segurar um lugar no executivo. O Bloco de Esquerda candidata o engenheiro de telecomunicações

Fernanda Castelo Branco

quando esta foi presidente pela CDU. Voltar a ser maioria é um objectivo difícil de conseguir e o mais provável é que o comunista Feijão continue na oposição à sua ex-camarada “Anita”.

Tiago Leite

Carlos Marecos e o CDS aposta no gestor bancário Tiago Leite, mas dificilmente essas forças políticas conseguirão eleger vereadores. Há quatro anos o PSD elegeu 4 elementos para o executivo, o PS outros 4 e a CDU 1, Luísa Mesquita, a quem foi retirada a confiança política.

Fernando Moleirinho

Fernando Vasco

PS quer acabar com reinado “laranja” O Partido Social Democrata (PSD) vai tentar manter a câmara municipal que governa desde 1993, quando afastou o PS do poder, e volta a candidatar o professor Fernando Moleirinho. Se o autarca social-democrata

ganhar novamente, fará o último mandato como presidente desse pequeno município do norte do distrito que tem cerca de quatro mil habitantes. P a r a t e n t a r c o ntrariar a hegemonia “laranja” o

Torres Novas Um concelho onde não se adivinham surpresas O socialista António Rodrigues, é presidente da Câmara de Torres Novas desde 1993 e candidata-se ao seu quinto mandato lamentando que a lei não lhe permita, se vier a ganhar, voltar a recandidatar-se.

António Rodrigues

Nada parece indicar que a vitória fuja aos socialistas. O PSD, que governou o município entre 1979 e 1983 continua a ensaiar candidatos de quatro em quatro anos – desta vez é João Sarmento - e só a espaços mostra trabalho como oposição.

Partido Socialista escolheu para cabeça de lista o jurista Fernando Vasco, líder da concelhia local do PS e que nos últimos anos desempenhou funções como chefe de gabinete do secretário de Estado da Administração Interna e

Carlos Gomes

A CDU volta a apresentar Carlos Tomé como cabeça de lista. Um veterano que já era vereador no tempo em que a câmara era governada pelos socialdemocratas. O Bloco de Esquerda apresenta o mesmo candidato de 2005, Guilherme Pinto e a lista

assessor do secretário de Estado da Protecção Civil. Neste concelho rural com quatro freguesias, onde a desertificação e o envelhecimento da população se faz sentir, a Coligação Democrática Unitária (CDU) volta a

Carlos Tomé

candidatar Maria Fernanda Castelo Branco. Eleger um vereador para o executivo já seria um óptimo resultado para a coligação liderada pelo PCP.

João Sarmento

do CDS/PP é liderada por Carlos Gomes, um ex-militante do PSD que estava afastado da política activa há cinco anos. A oposição acusa Rodrigues de se ter ocupado unicamente da cidade, esquecendo as freguesias onde vive grande parte

Guilherme Pinto

da população do concelho. Uma outra crítica prende-se com a poluição do rio Almonda. O concelho é grande e para além de faltarem estações de tratamento em algumas freguesias há outras que funcionam de forma deficiente.


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Tomar

António Godinho

Becerra Vitorino

Bruno Graça

Corvêlo de Sousa

O fenómeno das sete candidaturas Há sete listas candidatas à câmara de Tomar. É uma situação pouco comum na região e mesmo a nível nacional. Pelo menos em concelhos com a mesma dimensão. Duas candidaturas envolvem directamente um vereador e uma ex-vereadora eleitos pelo PSD, o partido que está em maioria no executivo. Côrvelo de Sousa, que ocupa o cargo de presidente da Câmara Municipal de Tomar desde que o presidente eleito, António Paiva, foi no-

meado para a comissão executiva do Programa Operacional do Centro, é o candidato do PSD e um dos seus adversários é o ainda vereador Ivo Santos. Agora Ivo Santos é o cabeça de lista do CDS/PP. José Vitorino concorre pela primeira, pelo PS; Pedro Marques, que já foi presidente da autarquia pelo PS, volta a correr pelos Independentes por Tomar depois de há quatro anos aquele movimento político ter conseguido eleger dois vereadores.

Para além destes, concorrem ainda Bruno Graça, da CDU, António Godinho, do Bloco de Esquerda, e José Salazar Lebre, do movimento Tomar em Primeiro Lugar, que é liderado pelo dirigente do Partido da Nova Democracia Jorge Ferreira, congregando pessoas de vários partidos, entre as quais a ex-vereadora do PSD, Isabel Miliciano. Isabel Miliciano, que no anterior mandato chegou a ser vereadora pelo PSD em substituição de António Fidalgo, na

sequência das acusações de que o mesmo foi vítima de assédio sexual a funcionárias, foi uma das impulsionadoras do Tomar em Primeiro Lugar, surgindo em segundo lugar na lista. A Câmara Municipal de Tomar começou por ser liderada pelo PS em 1976, tendo passado para a Aliança Democrática de 1979 a 1985, ano em que venceu o PSD, regressando ao PS (com o agora independente Pedro Marques) em 1989, e de novo ao PSD em 1997, com o

Vila Franca de Xira

independente António Paiva. Depois da saída do presidente António Paiva, a dúvida era saber se Corvêlo de Sousa, um homem discreto, seria capaz de conseguir mais uma vitória para os social-democratas. O vereador António Carrão chegou a perfilar-se como candidato acabando por recuar e aceitar a escolha do partido. A curiosidade sobre o resultado das eleições em Tomar é compreensivelmente, muito grande.

Carlos Patrão

Maria da Luz Rosinha tenta último mandato em Vila Franca de Xira A actual presidente da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, a socialista Maria da Luz Rosinha, volta a entrar na corrida às autárquicas pelo PS naquele que será o último mandato. Esta é a terceira vez que o Partido Socialista aposta em Maria da Luz

Rosinha para a presidência do município de Vila Franca de Xira, estando a autarca à frente do executivo camarário desde 1997. Mais à esquerda, Nuno Libório aparece a defender os valores da Coligação Democrática Unitária (CDU), que já

foi poder no concelho durante muitos anos. Carlos Patrão, do Bloco de Esquerda, vai tentar ser o primeiro vereador desse partido no executivo. Da série de humor “Malucos do Riso” directamente para o palco político surge o actor João de Carvalho, a

dar a cara pela coligação “Novo Rumo (PSD, CDSPP, Partido da Terra e Partido Popular Monárquico). Vila Franca de Xira tem actualmente nove eleitos no executivo, cinco do PS, três da CDU e um da coligação (PSD-CDS). Este ano o

Vila Nova da Barquinha

Carlos Timoteo

concelho vai eleger 11 vereadores, mais dois que em 2005, uma vez que a população ultrapassou os cem mil habitantes, um aumento que pode baralhar as contas do executivo que é actualmente de maioria absoluta socialista.

Manuel Oliveira

Ivo Santos

José Lebre

Tomar em Primeiro Lugar

Pedro Marques

Independentes por Tomar

João de Carvalho

Nuno Libório

Maria da Luz Rosinha

Miguel Pombeiro

Recandidatura de Miguel Pombeiro anunciada no youtube Miguel Pombeiro, presidente da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha desde 1997 e candidato do PS a mais um mandato é um dos mais discretos autarcas do distrito de Santarém. As suas aparições em público fora dos limites do concelho são raras e este ano optou pelo youtube para apresentar a

sua recandidatura. O vídeo com a duração de 2 minutos e 49 segundos, foi colocado a 12 de Julho e registou pouco mais de mil exibições até ao início oficial da campanha eleitoral. O candidato faz o seu discurso de pé, sem gravata, em frente a um fundo branco onde a certa altura é projectado o

slogan “Nós Fazemos”. Eleito com confortáveis maiorias nas anteriores eleições, o candidato do PS deverá ser reeleito. Os socialistas só não estiveram no poder num único mandato – entre 1985 e 1989 quando o município foi governado pelo PSD. Manuel de Oliveira, que con-

corre numa coligação PSD/CDSPP, e Carlos Timóteo, cabeça de lista da CDU, são os adversários de Miguel Pombeiro, num concelho de pequenas dimensões situado junto ao Tejo. O concelho de Vila Nova da Barquinha tem uma forte ligação ao Tejo e tem no seu território o mítico Castelo de

Almourol. A aposta no turismo tem sido apontada como uma solução para o seu desenvolvimento mas a falta de concretização de investimentos num Parque Temático anunciado há anos tem impedido a afirmação do concelho na zona do Médio Tejo.


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