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09 Junho 2009 | O MIRANTE

Uma vila pacata de gente simpática onde dá gosto viver A grande maioria da população do Forte da Casa gosta de viver na vila e diz que não quer sair. Muitos chegaram ali há mais de 30 anos. Maria Santos, 56 anos, Doméstica

Tomás Mourato, 51anos, Mecânico

Vive há mais de 30 anos no Forte da Casa e diz gostar de ali viver. Não trocaria isso por nada. “Já tive oportunidade de sair do Forte e ir morar para outro lado mas nunca fui. Estou habituada a isto, ao ambiente e às pessoas”, conta. Integra o grupo de cavaquinhos dos reformados e diz que a vila é segura. “Tem alturas mais complicadas, é verdade, mas por norma está sempre sossegada”, assegura.

O alentejano que escolheu o Forte da Casa para viver e trabalhar diz que gosta da sua nova morada. “Estou a morar aqui há 5 anos e gosto. Já estive na Póvoa e agora estou no Forte da Casa”. Mudouse porque precisava de uma casa maior. Nunca pensou que fosse no Forte que a ia encontrar. “O ambiente é calmo e bom, é seguro, gosto de morar aqui. Só é pena algumas coisas não receberem o tratamento devido, como uma ribeira junto à minha casa que precisava ser limpa”, lamenta.

Claudino Santos, 54 anos, Reformado Para este reformado de 54 anos o Forte da Casa é uma boa escolha para viver, porque “fica perto de Lisboa e a habitação não é tão cara como na capital. Claudino reside na vila, mesmo sendo natural de Figueiró dos Vinhos. “Comprei casa no Forte em 1979 quando fui trabalhar para Lisboa e por aqui fiquei. “É uma zona sossegada, as pessoas são simpáticas e o ambiente não está mau”, assegura. Diz que às vezes existem casos de violência mas que são “esporádicos”.

Manuel Pereira, 63 anos, Empregado de balcão O empregado de balcão de Vila de Rei, Castelo Branco, chegou ao Forte da Casa no final dos anos 70. Esteve em Angola, regressou quatro anos depois do 25 de Abril e, como tinha jeito para fazer qualquer tipo de trabalho, aceitou o convite de uns familiares que moravam no Forte da Casa para pintar a sua habitação. “Vim cá para fazer o trabalho para eles e acabei por ficar com um café em trespasse e aqui fiz a minha vida”, relata. Diz que se sente bem no Forte e gosta da vila. “É uma terra porreira”, garante.

Bento Carrasco, 62 anos, Técnico de montagem e reparação de escapes “Gosto de trabalhar no Forte, é uma boa terra”, diz-nos o homem dos escapes que mora já ali ao lado, em Alverca. Escolheu o Forte da Casa para trabalhar porque “é sossegado e as pessoas são simpáticas. “Em termos profissionais tem muito potencial. Estou aqui há 25 anos e gosto de cá estar, mesmo apesar de o negócio ter vindo a baixar nos últimos meses”, lamenta. “Mas vamos vivendo”.

Ricardo Pinheiro, 35 anos, Talhante Trabalhar no Forte da Casa é já uma rotina agradável para Ricardo Pinheiro. Tomou as rédeas do talho do pai e afiança que a vila “é pacata”. O negócio é que corre pior. “Mas isso é geral da crise. A concorrência também é muita, sobretudo dos hipermercados” que se localizam fora da localidade.

“Gruta Forte” por amor à cultura Durante o dia têm os seus empregos. Depois de soar o toque de saída agarramse ao teatro com “unhas e dentes” na tentativa de dar ao Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira, uma dinâmica cultural que actualmente não existe. Nos intervalos do teatro ainda organizam marchas populares, concertos de música e colaboram nas festas anuais. “Muito amor à camisola, pela freguesia do Forte da Casa e pelo teatro”. É com um grande sorriso nos lábios que Manuel Alves, Ricardo Silveira e Luciano Carmo falam a O MIRANTE sobre o “Gruta Forte” um projecto com seis anos de existência. O que os move é o gosto pela cultura e a vontade de tornarem a terra onde vivem um local mais bonito e sensível. Depois de anos a encenar diversas peças nos vários espaços amplos que

foram encontrando pela vila, chegou a hora de prepararem a estreia do seu novo projecto, o “Café Concerto”, uma peça com um cheirinho boémio dos anos 40 e a inquietude da musica pop e rock da actualidade. A peça estreia até ao final do mês de Junho, aproveitando a boleia das festas do Sagrado Coração de Jesus. Ainda não é conhecido o local onde o espectáculo vai decorrer porque o Forte da Casa não tem um espaço que permita a apresentação de obras culturais. “É uma das lacunas da freguesia. E um dos poucos sítios onde nos podíamos apresentar é o salão grande da Igreja, que está em obras...”, lamentam. O “Gruta Forte” vai sobrevivendo graças a alguns apoios da câmara de Vila Franca e da junta de freguesia. O grupo realiza também várias iniciativas para obter verbas.

BAIRRISMO. Manuel Alves, Ricardo Silveira e Luciano do Carmo, dão vida ao Gruta Forte


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O MIRANTE | 09 Junho 2009

Touros, sardinhas e música no Forte da Casa Festejos do sagrado coração de Jesus duram cinco dias

ANIMAÇÃO. As marchas populares animam a noite de sábado no Forte da Casa

Está tudo pronto para mais um ano festa rija em honra do sagrado coração de Jesus no Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira. Largadas de touros, novilhadas, tasquinhas e sardinha assada à borla são alguns dos destaques da edição deste ano.

A

vila do Forte da Casa, concelho de Vila Franca de Xira, recebe entre 10 e 14 de Junho a sua tradicional festa em honra do sagrado coração de Jesus. Não faltará animação a um evento que, nos seus cinco dias, prevê atrair milhares de espectadores, sobretudo no ponto alto dos

festejos, a sardinhada popular oferecida pela Junta de Freguesia no dia 12 de Junho às 22h 30. “Pretende-se com esta iniciativa que o Forte da Casa seja bem promovido, que a festa de 2009 traga mais visitantes à nossa vila e contribuir para que os residentes se possam sentir orgulhosos do local que escolheram para viver, porque o Forte da Casa é uma freguesia com qualidade de vida”, refere o presidente da Junta de Freguesia, António José Inácio (PS). Os festejos arrancam no dia 10 de Junho, feriado nacional, às 20 horas, frente ao mercado, onde serão inauguradas as tasquinhas. À mesma hora serão abertas várias exposições no pavilhão municipal do Forte da Casa, com um grupo de cavaquinhos a realizar uma actuação por volta das 22h30. O baile da noite estará a cargo

USF no Forte da Casa só em Setembro A Unidade de Saúde Familiar (USF) do Forte da Casa só deverá entrar em funcionamento a partir de Setembro, informa a Autoridade Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARSLVT). Segundo aquele organismo, a unidade encontra-se em período de obras, previstas no projecto, mas que tinham sido ponderadas como adiáveis, num primeiro momento. De acordo com os dados avançados pela ARSLVT no início do ano, a USF do Forte da casa, que irá responder pelo nome “USF Forte”, iria estar em funcionamento no início de Maio. A unidade irá servir uma população estimada de nove mil utentes.

foto arquivo O MIRANTE

de uma banda da casa, o “Duo Forte da Casa”. No dia 11 de Junho as festas prosseguem com a primeira largada de toiros dos festejos, às 17 horas, na rua D. Maria I. Às 19h30 destaque para a inauguração, no salão nobre da Junta de Freguesia do Forte da Casa, da exposição sobre o matador de touros Maestro Vítor Mendes, seguido de um colóquio e homenagem. Às 21h30 Tina Monteiro canta fado na

igreja do sagrado coração de Jesus e às 23h horas haverá um tributo aos Xutos & Pontapés. No dia seguinte, 12 de Junho, o dia principal dos festejos, as actividades arrancam às 15h00 com uma aula prática da escola de toureio José Falcão, na praça de touros do largo do sagrado coração de Jesus. Às 22h30, na rua padre José Rota e no largo do sagrado coração de Jesus haverá uma sardinhada popular, com distribuição gratuita de sardinha assada, pão e vinho. Às 02h00 haverá uma largada de touros na rua D. Maria I. O dia 13 de Junho fica marcado pela novilhada (às 17h00 na praça de touros), pelo desfile das marchas populares (às 20h30 frente à junta de freguesia) e pelo concerto do celebrizado músico Fernando Correia Marques. Os festejos encerram no dia seguinte, 14 de Junho, com a actuação do grupo musical “Nova Banda” às 22h00 e com um imponente fogo de artifício no largo do sagrado coração de Jesus, às 24h00. “Somos uma vila com poucas tradições e à procura de uma identidade cultural. As festas são uma forma de conseguirmos esse objectivo”, refere Rosa Barral, do departamento cultural da Junta de Freguesia do Forte da Casa

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Festas Forte da Casa  

Festas Forte da Casa