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07 Maio 2009 | O MIRANTE

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EMENTA. Restaurantes de Coruche vão apresentar vários pratos à base de toiro bravo

Sabores do Toiro Bravo em Coruche de 8 a 10 de Maio Visitantes desafiados a provar ementas originais baseadas na carne de toiro bravo

A

s ementas são originais e deixam água na boca: bandarilhas de lombinho de toiro bravo com camarão, rolinhos de vaca brava no tacho com rosmaninho, jardineira brava, aba de novilha brava cozida com hortelã ou

febras bravas grelhadas com alecrim são algumas de muitas propostas que vão ser apresentadas durante mais uma edição dos Sabores do Toiro Bravo. A 8, 9 e 10 de Maio as refeições são servidas em típicas tasquinhas ribatejanas que representam restaurantes

Sala polivalente substitui centro social no Biscainho Protocolo entre Câmara de Coruche e junta de freguesia aprovado na assembleia municipal A freguesia do Biscainho, no concelho de Coruche, vai ter uma sala polivalente para a realização de diversas actividades. Câmara de Coruche e junta de freguesia acordaram um protocolo de delegação de competências para que seja a junta a assumir a construção da sala, por questões de celeridade e gestão financeira. No entanto no protocolo, a vigorar em 2009 e 2010, não vem estipulada uma verba que acompanhe a delegação de competências.

O presidente da Câmara de Coruche diz que não há nada de estranho num protocolo de descentralização de competências que, no caso da freguesia da Lamarosa, também foi aprovado para a construção de uma casa mortuária pela junta local. “A seu tempo, se a câmara o entender, será submetida ao executivo uma deliberação para o respectivo financiamento”, garante Dionísio Mendes (PS). A sala polivalente vem substituir o

foto arquivo O MIRANTE

do concelho, instaladas no interior da praça de toiros de Coruche. Os pitéus são regados com vinhos de qualidade, com destaque para os tintos da Quinta Grande e para o branco da Horta da Nazaré. O convívio à mesa é acompanhado por fado, música popular, fandango e flamenco, sempre a partir do meio-dia. Dentro da arena da praça são realizadas actividades mais arriscadas que as tarefas de faca e garfo. Há treinos dos Forcados Amadores de Coruche e os mais audazes podem tentar fazer uma pega de caras. Será a partir das 15h00 de dias 9 e 10. Realizam-se ainda exibições de arte sem capote, também a partir das 15h00 de dia 9. A organização do certame, a cargo

centro social que era partilhado pela Junta do Biscainho e pela sua congénere de Foros da Charneca (Benavente). No entanto as colectividades do Biscainho vinham enfrentando cada vez maiores dificuldades em usufruir do espaço e a Câmara de Coruche resolveu vender a sua parte no centro por 35.337,83 euros à Câmara de Benavente. O negócio foi consumado em 24 de Agosto de 2005 mas sempre teve a oposição da junta e assembleia de freguesia. Durante a discussão do protocolo para construção da sala polivalente – aprovado com 22 votos a favor e seis abstenções - na assembleia municipal de quinta-feira, 30 de Abril, Armando Rodrigues (CDU) questionou onde é que a junta de freguesia vai arranjar o dinheiro. E foi apoiado por Luís Alberto Ferreira, autarca do Couço, que considerou que

da Câmara de Coruche, espera nova enchente de visitantes já que, na última edição, estima-se que tenham passado pelos Sabores mais de 30 mil pessoas. O ano de 2009 surge também como o da internacionalização do evento na perspectiva dos turistas, aguardandose a presença de muitos espanhóis, adeptos e consumidores de produtos ligados à festa brava. Depois das pegas de caras aos sabores à mesa, os Sabores do Toiro Bravo promovem a quarta edição Corrida das Pontes. A prova de atletismo tem lugar dia 10 de Maio e leva os atletas a percorrer as sete emblemáticas pontes de Coruche. Há duas modalidades à escolha com percursos de 10 e 2,5 quilómetros. A animação em torno da praça de toiros é assegurada por uma série de iniciativas e actividades lúdicas para miúdos e graúdos. O parque do Sorraia disponibiliza parque radical, entre o pavilhão desportivo e rio, com pistas para skates, patins e bicicletas e uma parede de escalada. Noutra zona do parque o visitante conta com parque infantil, cais para pequenas embarcações, uma praça de água em forma de anfiteatro e um mural de homenagem à aficcion coruchense, onde estão imortalizados os nomes de algumas figuras da tauromaquia. Há ainda uma esplanada sobre o rio. A Búzios – Associação de Nadadores Salvadores de Coruche proporciona a segurança e instruções básicas a quem quiser fazer passeios de canoa nas águas do rio Sorraia. Em terra, a vila de Coruche destacase pelas muitas casas de traça senhorial, pelas igrejas de São João Baptista, São Pedro, Santo António e Misericórdia. Uma passagem pela praça da Liberdade, junto ao edifício dos Paços do Concelho e o Pelourinho, é também uma boa opção. Numa visita a Coruche é essencial passar ainda pela Ermida de Nossa Senhora do Castelo e desfrutar da paisagem sobre o Vale do Sorraia

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o seu congénere do Biscainho está a ser enganado ao aceitar aquele género de protocolo. Joaquim Paulino, que ultimamente tem votado ao lado do PS nas grandes decisões da assembleia, disse ter ficado indignado com os votos contra a proposta dos vereadores da CDU no executivo camarário. E justificou que se a junta não tiver dinheiro para fazer a obra se irá dirigir à câmara para obter financiamento. Dionísio Mendes diz que o projecto do centro social para o Biscainho não é substituído pela obra da sala polivalente. Reitera que a decisão da junta diz respeito à resposta a carências para a realização de convívios, ensaios do rancho folclórico e outras actividades para as quais não dispõe de espaço físico.


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Coruche promove-se na Grande Lisboa para captar investimentos e visitantes ATRAIR. A requalificação da zona ribeirinha de Coruche é um dos atractivos

Coruche Inspira é sinónimo de forte campanha de promoção do concelho Marketing do município dirige-se às jovens famílias com mais de 30 anos e aos seniores na faixa dos 60 anos

O

projecto Coruche Inspira (www.corucheinspira.com) surge associado ao Plano de Desenvolvimento Estratégico – Coruche 2020 e ao potencial de crescimento previsto para o concelho decorrente da construção do novo aeroporto de Lisboa no campo de tiro de Alcochete. Trata-se de uma forma de promover as riquezas culturais e económicas do concelho e de contribuir para que Coruche dê um salto em matéria de investimentos, visitantes e moradores. A aposta ficou mais vincada após o estudo de mercado que a autarquia encomendou para a área da Grande Lisboa, abrangendo cerca de mil inquiridos. “Muita gente identificou e reconheceu o nome de Coruche mas poucos souberam dizer onde fica. Uns responderam Ribatejo ou Alentejo, mas colocaramnos a duas e três horas de viagem de carro, quando estamos a 45 minutos”, explica Pedro Orvalho, responsável pelo Coruche Inspira. A campanha de marketing do município dirige-se às jovens famílias com mais de 30 anos e aos seniores com cerca de 60 anos, ambos com capacidade aquisitiva, disponibilidade para viajar e apetência por conhecer novas realidades. A primeira acção do Coruche Inspira foi as 24 Horas de BTT realizadas na vila a 7 e 8 de Março, com cerca de 500 participantes. Muitos deles ficaram a conhecer a vila, usufruíram da sua restauração ou hotelaria e desfrutaram do ambiente à beira do rio Sorraia. É essa a lógica da campanha de promoção, atrair visitantes e mostrar-lhes que Coruche pode ser uma boa opção para morar ou se ter uma segunda habitação. Pedro Orvalho reconhece que a vila e o concelho ainda não dispõem da oferta de alojamento que seria necessária e, por isso, diz que a autarquia está disponível para negociar a instalação de uma unidade de três ou quatro estrelas no concelho, com capacidade a rondar as 60 camas. O concelho apenas possui um hotel residencial em Coruche, uma estalagem em Santa Justa (Couço) e quintas de turismo rural. As acções do Coruche Inspira juntam-se a certames habituais na vila, casos dos Sabores do Toiro Bravo, Festas de Coruche, Semana da Juventude e Jornadas de Gastronomia, a Feira do Barato e das Oportunidades. No total Pedro Orvalho diz que o ideal seria receber um milhão de pessoas em Coruche ao longo do ano, mas considera que já será muito bom que o façam as 500 mil que foram estimadas em 2008.

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Carne de toiro bravo é mais rija, escura e de sabor intenso

“Cozida ou estufada a carne fica mais saborosa porque apura melhor. Grelhada tem de ser mal passada. Há pessoas que pedem para se passar mais a carne e depois constatam que fica mais dura. A minha preferida é mão de vaca com grão”, refere Alfredo Tomaz.

No “Talho do Manel”, em Coruche, vende-se carne brava todo o ano

POTENCIAL. Alfredo Tomaz é apreciador de carne de toiro bravo, e defende a sua certificação

Membro da Confraria do Toiro Bravo, Alfredo Tomaz defende que a carne de toiro bravo deve ser certificada.

N

o “Talho do Manel”, situado no mercado municipal de Coruche, vende-se carne de toiro bravo há mais de 30 anos. O estabelecimento, aliás, tem tradição na vila. Pertenceu a Manuel Coelho, que dá nome à loja, e há pelo menos 80 anos que ali se negoceia carne desde os tempos do bisavô de Alfredo Tomaz, o actual proprietário. Após serem lidados nas corridas na praça de Coruche, os toiros eram abatidos e desmanchados no antigo matadouro da vila e a carne era vendida nos talhos. “Actualmente os animais passam por outros processos e quando chegam aos 24/30 meses são sujeitos a inspecções especiais. Depois de mortos é-lhes removida a coluna e feita a inspecção para despiste da BSE, no matadouro de Santarém ou de Setúbal”, exemplifica Alfredo Tomaz, acrescentando que muito dificilmente a carne de um toiro lidado em Coruche acabará nos restaurantes da vila. Quem conhece as características da carne de toiro bravo não estranha as diferenças para a normal carne de vaca. É mais escura, mais rija e de sa-

bor mais intenso, detectando-se nela o típico sabor a “vacum”. Alfredo Tomaz prefere disponibilizar no seu talho carne das novilhas que vão às tentas e que acabam por ser postas de lado para as lides tauromáquicas. O que não valem em bravura podem valer em matéria de carne tenra. Por isso, o talhante costuma escolher animais no máximo com dois a três anos de idade que com alguma engorda de feno ficam no ponto para a carne ser vendida. O “Talho do Manel” fornece os restaurantes da vila com carne de toiro bravo mas também ali aparecem clientes interessados em comprar carne brava. A maior parte quer experimentar a carne para a poder grelhar. Pedem as peças mais nobres e tenras, da alcatra e do lombo. Diz quem gosta que outras partes também protagonizam bons petiscos. É o caso das abas para cozer, do rabo estufado ou da mão de vaca com grão. “Cozida ou estufada a carne fica mais saborosa porque apura melhor. Grelhada tem de ser mal passada. Há pessoas que pedem para se passar mais a carne e depois constatam que fica mais dura. A minha preferida é mão de vaca com grão”, refere Alfredo Tomaz. O talhante costuma adquirir animais na região de Coruche, nas casas de David Ribeiro Telles ou de António Veiga Teixeira, mas também na Casa Núncio (Alcácer do sal). Por vezes aparece tam-

foto O MIRANTE

bém carne de origem espanhola mas que não costuma adquirir. Ao contrário do que se poderia pensar, por não haver tanta oferta, a carne de

toiro bravo não é mais cara que a restante carne de vaca vendida nas superfícies comerciais ou talhos. Um quilo de carne brava pode variar entre os quatro e os 15 euros, conforme a nobreza da peça. Por altura dos Sabores do Toiro Bravo nota-se mais procura no talho, que costuma ficar aberto no fim-de-semana do certame. Na edição deste ano Alfredo Tomaz não sabe quanto vai gastar em carne mas em 2008, durante dois fins-desemana do evento, vendeu 20 novilhos em carne, cada animal com cerca de 100 quilos. “Nota-se uma afluência grande nesta altura do ano e temos de saber aproveitá-la, seja a vender para restaurantes ou particulares”, exemplifica. Membro da Confraria do Toiro Bravo, Alfredo Tomaz defende que essa carne deve ser certificada, constatando que os ganadeiros apenas ligam à bravura do animal e pouca importância dão àqueles que não servem para as arenas e que entram na cadeia alimentar. “Podiam ser bem mais valorizados. Não há carne mais biológica que a do gado bravo que anda a pastar nos campos durante três ou quatro anos, sem farinhas na alimentação”, conclui

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