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Portal da Economia Social tem cada vez mais visitantes O Portal da Economia Social da Região de Santarém – www.esocialsantarem. pt - , projecto desenvolvido pela Nersant, tem cada vez mais visitantes. Desde a sua apresentação pública, a Nersant registou o acesso de 1.634 utilizadores diferentes ao portal que o visitaram 8.522 vezes, num total de 153 horas de consulta. Os 1.634 visitantes acederam a 15.579 páginas do

portal. O portal é uma ferramenta muito eficaz para as instituições da economia social, uma vez que lhes permite disponibilizar na hora, informações como número de camas disponíveis, vagas para emprego e os seus contactos. Para além disso, o sítio da Internet possibilita ainda a consulta de notícias, legislação do sector e ainda cursos

de formação profissional disponíveis. Para a população em geral, pretende-se facilitar informação de todos os equipamentos sociais do distrito de Santarém, possibilitando uma mais fácil procura de qualquer tipo de serviço na área da Economia Social: vagas, localização, serviços, ofertas de emprego.

Economia

O MIRANTE 09 de Junho de 2009

Há mais vida na cidade de Almeirim para além da famosa Sopa de Pedra Cidade em festa de 13 a 21 de Junho, com animação, gastronomia e muitas actividades IV

Mesmo com o restaurante cheio de água os clientes não paravam de comer III Memórias do empregado mais antigo do restaurante pioneiro da Sopa de Pedra

Paulo de Carvalho é cabeça de cartaz Jardins da biblioteca acolhem festejos onde não vão faltar as tasquinhas II

Câmara de Almeirim continua Manuel a incentivar separação dos lixos Simões e a contribuir para a reciclagem Três Dimensões

Director-geral da Ecodeal IX

Autarquia distribuiu à população 500 pacotes de três sacos para guardar embalagens, papel e vidro. Esta é mais uma medida para a promoção de um melhor ambiente, no concelho. Um dos rostos mais visíveis destas iniciativas é o do vereador Pedro Ribeiro VI


II | ECONOMIA

09 Junho 2009 | O MIRANTE

Paulo de Carvalho é cabeça de cartaz nas Festas da Cidade de Almeirim Jardins da biblioteca acolhem festejos onde não vão faltar as tasquinhas

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aulo de Carvalho é a grande atracção das Festas da Cidade de Almeirim que decorrem entre 13 e 21 de Junho nos jardins da biblioteca. O cantor de “E Depois do Adeus” que foi a primeira senha do 25 de Abril actua na sexta-feira, dia 19, às 21h30, no palco principal. Antes do concerto as pessoas podem provar os petiscos da região nas tasquinhas a poucos metros do palco, que vão estar abertas ao apetite dos munícipes e visitantes durante todos os dias do certame. Os espectáculos no palco principal começam às 21h30, excepto no dia 20, e meia hora antes, no palco junto aos stands das actividades económicas, há folclore com os grupos do concelho. Como é o caso do Rancho de Benfica do Ribatejo (dia 13), “Os Maduros” de Cortiçóis (14), Camponeses da Raposa (15), Casa do Povo de Almeirim (16), Rancho Infantil Camponeses da Raposa (18), Fazendas de Almeirim (19), Paço dos Negros (20) e Velhas Guardas de Fazendas de Almeirim (21). As festas que assinalam a elevação de Almeirim a cidade, que ocorreu no dia 20 de Junho de 1991, reservaram para o dia da comemoração da efeméride, no sábado, um concerto de tributo aos Abba às 22h30 e a actuação da grande marcha popular de Benfica do Ribatejo e Cortiçóis na avenida 25 de Abril. Os festejos abrem no sábado, dia 13, com um concerto do Orfeão de Almeirim, às 16h00, no salão nobre da câmara. Segue-se a abertura da exposição dos 75 anos do União de Almeirim no átrio da

FESTAS. Os jardins da biblioteca vão ter uma semana de animação biblioteca. A noite é animada com um festival de folclore no qual participam além do grupo das Velhas Guardas de Almeirim, o Grupo de Danças e Cantares de Ferreira D’Aves – Sátão e os Salineiros de Lavos, da Figueira da Foz. Os ritmos do Brasil entram no palco no domingo 14 de Junho com Edna Pimenta. “Uma canção para ti” é a proposta para a noite de segunda-feira, com a actuação dos pequenos cantores do programa da TVI e com a presença de Sara Madeira de Fazendas de Almeirim. Nas festas também há espaço para a música cabo-verdiana com a actuação de Nancy Vieira. E no dia 15

foto O MIRANTE

a animação vai estar a cargo do grupo da região Nó e dos Lokomotive Station. Pedro Miguéis e Inês Santos vão prestar tributo a Carlos Paião na quinta-feira. As festas fecham no domingo, 21 de Junho, com uma grande noite do fado com as vozes de fadistas da região, como Teresa Tapadas e João Chora. Actuam também dois cantores do concelho, António Figueiredo, de Almeirim, e Guilherme Frazão, que é da freguesia de Raposa. Durante os nove dias de festa, os visitantes podem visitar os stands das actividades económicas que, este ano vão estar num espaço mais alargado e com a presença de mais empresas

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ECONOMIA | III

O MIRANTE | 09 Junho 2009

Mesmo com o restaurante cheio de água os clientes não paravam de comer Memórias do empregado mais antigo do restaurante pioneiro da Sopa de Pedra Jorge Pereira serve os clientes de “O Toucinho”, em Almeirim, há 35 anos. É um empregado todo-oterreno que até já teve de servir de socorrista quando as pessoas não aguentam a potente Sopa de Pedra.

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ouve tempos em que Jorge Pereira, o empregado de mesa mais antigo de “O Toucinho”, restaurante pioneiro da Sopa de Pedra em Almeirim, tinha umas galochas guardadas dentro do armário para enfiar à pressa nos pés. Era normal no Inverno, sempre que chovia demasiado, o restaurante inundar-se porque estava numa quota abaixo da rua. Enquanto Jorge e os colegas andavam numa azáfama a tirar a água do estabelecimento para a rua, com uma mangueira e um motor de bombagem, os clientes mesmo com os pés dentro de água ou em cima do banco de madeira que estava à frente não paravam de comer. Esta é apenas uma das muitas memórias da profissão de Jorge Pereira, 53 anos de

idade, dos quais 35 passados a servir as pessoas que afluem a Almeirim à procura da Sopa de Pedra. Um prato pesado que já levou alguns para o hospital. De vez em quando há clientes que se sentem mal porque estão há muito tempo sem comer e depois enchem o estômago da sopa de carne, enchidos, feijão e batatas. “Lembro-me uma vez de um senhor que já vinha há várias horas de viagem e estava

esfomeado. Depois de um prato de Sopa de Pedra comecei a notar que estava a suar e a ficar branco. Perguntei-lhe se estava a sentir-se bem e ele disse que sim. Logo que virei costas caiu em cima da mesa e tivemos que chamar os bombeiros”. No primeiro dia de trabalho do empregado, tinha 18 anos, não entornou a travessa nem sujou algum cliente. Mas passados alguns anos, já com muita experiência, a

abrir uma garrafa de vinho tinto o fundo partiu-se e a vítima foi uma senhora de saia branca que nem queria acreditar no que lhe tinha acontecido. Depois de um momento de estupefacção, e quando a cliente se acalmou, Jorge usou a diplomacia e o episódio ficou-se por um pedido de desculpas. Não teve que pagar a roupa e a cliente até pagou a conta. “Antigamente as pessoas não eram tão exigentes e compreendiam os azares que aconteciam. Se fosse hoje se calhar o pedido de desculpas não chegava”, sublinha. Para os clientes mais chatos a comida é temperada com gentileza. Mas nem sempre isso é o suficiente. Às vezes tem que se regar bem com diálogo, como aconteceu com um freguês que depois de comer uma valente costeleta de novilho resolveu pedir o livro de reclamações. “Nunca cheguei a perceber qual era o problema, apesar de lhe perguntar várias vezes. Se calhar aquele dia estava a correr-lhe mal”, lembra. Dias mais tarde voltou ao restaurante e já mais bem disposto e em jeito de brincadeira voltou-se para Jorge Pereira e perguntou se o livro estava a jeito. A risada abriu o caminho para a amizade. O nome do pão tradicional de Almeirim é que dá azo a momentos divertidos. Há quem não se lembre ou não saiba dizer caralhotas e solte da boca outro nome a atirar para o obsceno e acabado em “…adas”. Mas também há os que o fazem só por brincadeira. Quase impossível é conseguir que um estrangeiro pronuncie o nome. Mas o que é certo é que, garante Jorge, “quem aqui entra não sai sem comer”

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IV | ECONOMIA

09 Junho 2009 | O MIRANTE

Há mais vida em Almeirim para além da sopa de pedra

"Ver concertos, petiscar "Falta babysitting para e provar bom vinho" casais que querem ir ao cine-teatro" Manuel Besteiros, 53 anos, gerente comercial,

"Uma visita às festas para petiscar e conviver"

"Oportunidade de ir às festas todos os dias"

Raul Pinhal, 59 anos, comerciante, Fazendas de Almeirim

Emília Russo é uma daquelas almeirinenses que gosta de passear diariamente pelas festas da cidade. “A animação é boa, há festa e nesta altura que aí vem costumo ir passear, ver alguns dos espectáculos do programa. Este ano ainda não sei nada do que vai haver. Se for possível vou todos os dias”, comenta. Para a comerciante, Almeirim é terra de tradição e bons produtos. Desde a sopa da pedra, que conhece bem desde o tempo dos seus avós, ao melão que identifica o concelho, passando pelos enchidos. “Gosto de ir ao restaurante porque sei que a sopa da pedra lá é boa e bem confeccionada e com os enchidos e a carne. Em casa nunca é bem igual”, analisa. Emília Russo diz que foi duas ou três vezes ao cine-teatro acompanhar iniciativas dirigidas às suas netas mas que não tem muito o hábito de frequentar aquele espaço cultural. “O cine-teatro esteve muitos anos sem funcionar e as pessoas perderam algum hábito. Mas com o tempo as pessoas vão voltar”, confia.

Emília Russo, 62 anos, comerciante, Almeirim

Fazendas de Almeirim João Silva, Osteopata, 33 anos, Almeirim Manuel Besteiros diz que Almeirim está bem e recomenda-se em matéria de animação, o que as festas da cidade vêm mais uma vez comprovar. Para o comerciante, existem eventos em número suficiente e para todos os gostos. “Eu costumo ir às festas e vou sempre quase todos os dias para passear, ver concertos e petiscar. Carnes e sardinha assada, como a que vou comer hoje ao almoço. Sem esquecer os nossos bons vinhos”, refere. Manuel Besteiros diz que são os produtos alimentares que mais identificam o concelho na região e no país. A sopa de pedra, os enchidos e, hoje não tanto, o melão que diz ser muitas vezes proveniente de Espanha, “estragando o nosso nome”. Quanto à saborosa sopa da pedra, diz que adora mas que uma pessoa tem de se controlar e não comer todos os dias. “Como de vez em quando no restaurante, principalmente na zona da praça de touros”, refere Manuel Besteiros. O comerciante considera ainda que na parte cultural faz falta maior e melhor divulgação das actividades, especialmente do cine-teatro. “Quem não passar lá não sabe que filmes estão em exibição. Devia de haver mais divulgação com afixação de informação em zonas centrais da cidade, como na praça de touros ou na zona norte”, exemplifica.

Natural de Coruche mas há 15 anos a residir em Almeirim, João Silva considera que a animação no concelho tem estado à altura, como as festas da cidade, o Pão, Vinho e Companhia e outras iniciativas boas para o comércio. E lembra o caso recente das comemorações do Dia Mundial da Criança, a 1 de Junho, “em que poucas cidades estiveram à altura de Almeirim”. A propósito de crianças, João Silva tem uma sugestão a fazer: “É com grande vergonha que não vou ao cine-teatro mas tenho dois filhos e não tenho onde os deixar. Deve haver mais pessoas na minha idade que não conseguem entrar num cinema ou num teatro porque não têm onde deixar os filhos pequenos. Se houvesse babysitting num local reservado, iria sempre”, garante o osteopata. O profissional diz que Almeirim está bem servido de produtos, como a sopa da pedra, os melões, os pêssegos e a… osteopatia. “Adoro comer sopa da pedra, em Almeirim! Já tentei fazer duas ou três vezes em casa mas nunca fica igual à do restaurante, há ali segredos pelo meio que nós não sabemos”, graceja. Para ele, uma boa sopa da pedra não fará mal a quem desenvolver uma actividade física diária intensa, mas não a considera aconselhável a quem trabalhe sentado num escritório. “O pior é quando comem a sopa e depois um bife e outro a seguir”, acrescenta.

Raul Pinhal é dos que não dispensa anualmente uma visita às festas da cidade. Costuma ir uma vez para passear, comer uma caldeirada, um petisco e um copo de vinho, talvez por morar em Fazendas de Almeirim, admite. O comerciante é daqueles que não dispensa as coisas boas da terra. Uma delas é a sopa da pedra que faz questão de dizer que adora. “Sempre gostei das sopas tradicionalmente portuguesas que levem feijoca e carne de porco. Mas faz muito mal!”, confessa. Por isso come apenas aos fins-de-semana com amigos, para não abusar do nível de colesterol. Em casa a esposa também costuma fazer, mas Raul admite que nunca fica tão típica como a dos restaurantes. De resto, considera que Almeirim reúne alguns ex-libris, casos do vinho branco e do melão, que a câmara tem incentivado a que se produza, sem esquecer os enchidos agora produzidos na Encherim. Questionado acerca de quantas vezes já foi ao renovado cine-teatro, Raul Pinhal confessa que apenas foi uma vez, num evento de crianças. “Hoje temos tudo em casa em demasia. São uma série de canais e sentados na nossa poltrona somos todos muito comodistas”, refere.


ECONOMIA | V

O MIRANTE | 09 Junho 2009

"Há mais vida para além dos restaurantes" Olívia Batista, 28 anos, técnica oficial contas/ comerciante, Raposa Para Olívia Batista as festas da cidade de Almeirim são uma vantagem para os habitantes, para quem expõe artesanato e para os comerciantes

"Sopa da pedra, caralhotas e melão" Joaquim Sampaio, 58 anos, presidente da Junta de Almeirim O presidente da Junta de Freguesia de Almeirim é um verdadeiro adepto da sopa da pedra, dos enchidos, da carne e da feijoca, sem esquecer o

como a própria. Atrás do balcão de uma retrosaria costuma ver como chegam pessoas a pedir os mais diversos artigos. “É impecável haver artesanato em exposição o que também ajuda os comerciantes a fazer negócio. Depois juntamos os comes e bebes, as noites amenas e dá vontade de ir às festas”, assegura. De resto, o concelho proporciona boa qualidade de produtos e animação em permanência. Segundo Olívia Batista, à mesa não falta a sopa da pedra, apesar de não ser grande apreciadora por a considerar muito calórica. “Um caldinho verde vai melhor”, graceja. Mas também é contra as imitações que vão surgindo noutras terras. Não esquece ainda o vinho como símbolo de Almeirim reconhecido em todo o país. Para a comerciante tem ainda havido iniciativas meritórias em matéria de animação para os jovens durante as férias, com actividades na biblioteca municipal e no cine-teatro, tendo mais vida que apenas os restaurantes.

tempero típico de caldo de catalão. De vez em quando também come a sopa e garante que há vários restaurantes na cidade que a sabem fazer bem, não apenas os da zona da praça de touros. A acompanhar o bem fazer e receber da terra, não falta a animação quanto baste. “A par das festas maiores, como as festas da cidade e o Pão, Vinho & Companhia, também existem aquelas que não são tão visíveis, como as que movimentam muitas centenas de idosos, ou o apoio às festas dos bombeiros e de outras associações”, comenta. Nas festas da cidade, Joaquim Sampaio vai estar das 20h00 às 24h00 no stand da junta de freguesia a ajudar no que pode. O autarca considera também que no que respeita ao cine-teatro a população parece pouco voltada para aquele equuipamento se não for alertada para o que lá se desenvolve, mas lembra como ainda há pouco tempo uma passagem de modelos teve casa cheia.


VI | ECONOMIA

09 Junho 2009 | O MIRANTE

Câmara de Almeirim incentiva reciclagem no Dia Mundial do Ambiente

foto O MIRANTE

RECICLAGEM. Autarquia distribuir 500 pacotes de sacos que servem para separar lixos

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pelouro do Ambiente da Câmara de Almeirim continua empenhado em incentivar a população a fazer a separação dos lixos e a contribuir para a reciclagem. Na sexta-feira, 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente, o município distribuiu à população 500 pacotes de três sacos que servem para guardar embalagens, papel e vidro e que podem depois ser usados para levar esses resíduos para reciclagem até aos vários ecopontos espalhados pela cidade. Esta é mais uma medida inserida num conjunto mais amplo que o município tem vindo a adoptar para a promoção de um melhor ambiente. Os sacos foram entregues gratuitamente aos munícipes que apresentaram a factura da água como comprovativo de que residiam no concelho e entregaram materiais para

reciclagem. Os sacos são produzidos em material resistente e cada um tem uma cor consoante o lixo a que se destinam: azul para o papel, amarelo para as embalagens e verde para o vidro. Os sacos podem ser unidos uns nos outros através de um sistema adesivo. A autarquia tem ainda mil sacos para serem entregues durante as festas da cidade que começam no dia 13. Em 2007 o pelouro do Ambiente ofereceu

mini-ecopontos de cozinha. Já no início deste ano de 2009 a Câmara de Almeirim começou a fazer a distribuição gratuita de compostores a famílias do concelho que possuam hortas ou quintais onde possam colocar o recipiente com capacidade de 280 litros. Os equipamentos permitem transformar resíduos domésticos (como cascas de fruta, restos de legumes…) em compostos que servem para adubar os terrenos

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ECONOMIA | VII

O MIRANTE | 09 Junho 2009

Protocolo a quatro para acabar com a poluição no Alviela

Os projectos um a um

Sistema de tratamento de resíduos de Alcanena vai receber investimento de 20 milhões de euros

PRESENÇA. Secretários de estado Rui Baleiras e Humberto Rosa com o presidente da Câmara de Alcanena Luís Azevedo.

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esta vez é que é de vez e desta vez é que não falha. Governo, Câmara de Alcanena e industriais querem passar das intenções à acção. As obras para que Alcanena deixe de poluir o Alviela devem começar em breve. O calvário das populações ribeirinhas do Alviela devido à poluição pode estar a chegar ao fim. A luz ao fundo do túnel começou a ver-se sexta-feira, 5 de Junho, com a assinatura, em Alcanena, de um protocolo envolvendo quatro entidades e que prevê a realização de várias intervenções complementares para mudar a face ao rio. A metáfora luminosa foi deixada pelo representante da AUSTRA – Associação de Utilizadores do Sistema de Tratamento de Resíduos de Alcanena, Fernando Fernandes, dizendo que “desta vez a luz ao fundo do túnel não é a do comboio que nos vem arrasar a todos, mas sim a saída” para os problemas. O investimento estimado é de 21,2 milhões de euros e engloba: a construção de uma unidade de tratamento de resíduos industriais (raspas verdes); a melhoria do sistema de tratamento da ETAR de Alcanena; remodelação da rede de colectores de águas residuais; reabilitação da zona de lamas não estabilizadas e defesa contra cheias da ETAR de Alcanena. Integrado no mesmo protocolo, assinado pela Câmara de Alcanena, Instituto da Águas (INAG), Administração da Região Hidrográfica do Tejo (ARHT) e AUSTRA, encontra-se ainda

a reconstrução da cascata do mouchão de Pernes, no concelho de Santarém. Uma obra também há muito reclamada e cujo início está previsto para breve. O presidente da Câmara de Alcanena, Luís Azevedo (ICA), considera que desta vez não se trata apenas de uma expressão de intenções mas sim de medidas concretas para colocar fim ao flagelo ambiental que há décadas, de forma regular, afecta o rio que cruza os concelhos de Alcanena e Santarém. O autarca fez um breve historial do processo, reconhecendo que a industrialização desenfreada e desumanizada deixou mossas difíceis de esquecer. “A agonia e morte do rio Alviela foi a face mais mediática e triste desse problema”, lamentou. Apesar do investimento de 70 milhões de euros feito nas duas últimas décadas no sistema de tratamento de resíduos de Alcanena, o problema nunca ficou resolvido por inteiro. E é isso que agora se pretende. O secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, lamentou o arrastar do problema mas congratulou-se com a concertação entre as várias entidades que à partida permitirá resolver uma questão complexa. Também o secretário de Estado do Desenvolvimento Regional, Rui Baleiras, realçou esse aspecto e o envolvimento de três programas operacionais (Centro, Alentejo e da Valorização do Território) na comparticipação dos projectos

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foto O MIRANTE

- Unidade de Tratamento de Resíduos Industriais. Tem como promotor a AUSTRA e um orçamento de 2,6 milhões de euros, com comparticipação prevista de fundos europeus de 70 por cento. - Melhoria da eficiência do sistema de tratamento da ETAR de Alcanena. Obra da AUSTRA. Investimento de 7 milhões de euros, com financiamento comunitário previsto de 60 por cento. - Remodelação da rede de colectores de águas residuais. O valor é de 5,9 milhões e a AUSTRA terá comparticipação máxima de 70 por cento. - Reabilitação da zona de lamas não estabilizadas. Obra da responsabilidade da ARH do Tejo. Valor de 5 milhões de euros. Aguarda aprovação da candidatura para financiamento em 70 por cento pela União Europeia. Conclusão prevista para Dezembro de 2009. - Defesa contra cheias da ETAR de Alcanena. Projecto do INAG, com um valor de 777 mil euros. Conclusão prevista para Abril de 2010. - Reconstrução da cascata do Mouchão de Pernes. Obra do INAG no valor de 917 mil euros. Conclusão prevista para Junho de 2010.


VIII | ECONOMIA

09 Junho 2009 | O MIRANTE

Proximidade é a chave do sucesso do crédito agrícola em Salvaterra de Magos e Benavente Grupo com oito balcões detém mais de metade do mercado da região e tem 8500 sócios A instituição movimenta um activo de 170 milhões de euros, apenas com capitais próprios, e terminou o último ano com lucros superiores a dois milhões de euros.

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Nelson Silva Lopes

um banco moderno com princípios que herdou de um passado com mais de 80 anos. A Caixa de Crédito Agrícola de Salvaterra de Magos aposta numa relação de proximidade com os mais de 8500 associados e milhares de clientes que tem nos concelhos de Salvaterra de Magos e Benavente. Em tempo de crise, e com uma forte concorrência, o grupo que inclui oito balcões continua a investir. No dia 11 de Julho será inaugurada a nova sede da caixa agrícola em Benavente, perto das actuais instalações, e para breve estão previstas as lojas automáticas do Balcão 24, que irão funcionar em regime de self service em Muge e Granho. “São localidades onde não podemos ter balcões porque é um grande investimento e a sua manutenção tem custos elevados, mas estas lojas serão suficientes para servir os nossos clientes”, explica José Manuel Moreira, director-geral da instituição e dirigente da Federação Nacional das Caixas de Crédito Agrícola Mútuo (FENACAM). Com este investimento, a caixa assegura uma cobertura a cem por cento no concelho de Salvaterra de Magos onde para além da sede tem bancos em Marinhais, Foros de Salvaterra e Glória do Ribatejo. No concelho vizinho, os balcões absorvidos pela caixa de Salvaterra em 2001 com o fim das caixas de Benavente e Samora Correia, estão em Porto Alto, Samora Correia, Benavente e Santo Estêvão. A Caixa emprega 45 pessoas, quase todas residentes nos concelhos onde trabalham. “O resto da banca tem

uma política de rotatividade dos colaboradores, nós procuramos manter os funcionários nos mesmos locais para criarem laços de confiança com os sócios e clientes”, explica José Manuel Moreira. O director é um exemplo de proximidade aos clientes. Conhece a maioria pelo nome e para comunicar com alguns basta um simples gesto, como O MIRANTE testemunhou no balcão de Salvaterra. “Se eu fizer assim (dedo polegar para cima) o cliente que está à espera da aprovação dum crédito já sabe que foi aprovado”, exemplifica. Se o polegar for para baixo é mau sinal. Nestes casos o cliente é convidado a entrar no gabinete onde lhe é explicada a razão da recusa e são apontadas alternativas para resolver o seu problema. “Já tive clientes a quem recusámos crédito e foram para outros bancos e conseguiram. Foi a desgraça deles. Depois voltaram aqui para tentar resolver o problema”, explica. Responsabilidade social é um investimento com retorno A Caixa Agrícola de Salvaterra tem uma política de responsabilidade social e desenvolvimento integrado activa que lhe permite apoiar a maioria das iniciativas que acontecem nos dois concelhos. “Recebemos mais pedidos de apoio que os municípios”, ironiza o director. No último ano, a Caixa de Salvaterra investiu 150 mil euros no apoio a instituições e projectos de cidadania. A nível nacional foram envolvidos oito milhões de euros pelo crédito agrícola. Um investimento com retorno porque centenas de dirigentes associativos e a maioria das instituições dos

concelhos de Benavente e Salvaterra são clientes da Caixa. A instituição movimenta um activo de 170 milhões de euros, apenas com capitais próprios, e terminou o último ano com lucros superiores a dois milhões de euros. Resultados que agradam aos sócios e aos órgãos sociais eleitos recentemente. Uma eleição de continuidade com João Leal Brardo (presidente), António Moreira (secretário) e Jacinto Rêgo (tesoureiro). José Manuel Moreira é o novo presidente da assembleia-geral

e o conselho fiscal é presidido pelo advogado José Felizberto. O director da Caixa não teme a concorrência com a proliferação de bancos na região, mas considera que “há bancos a mais e a expectativa que os trouxe foi inflacionada”. A “grande vantagem” da Caixa deriva do facto de não ter a pressão dos accionistas que exigem lucros imediatos e de não usar capitais exteriores que “encarecem” o preço do dinheiro

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Agrotejo promove sessões de esclarecimento sobre mundo rural A Agrotejo – União Agrícola do Norte do Vale do Tejo vai promover sessões de esclarecimento na Golegã e na Chamusca sobre a temática do mundo rural. Saúde, higiene e segurança no trabalho serão abordados através do conceito de Ecosaúde. Os projectos de investimento em espaço rural serão debatidos no âmbito do projecto Leader, dos investimentos nas explorações agrícolas e da instalação de jovens agricultores.

Será também abordada a questão da nova Lei da Água e o licenciamento de furos e poços. A sessão da Golegã realiza-se dia 15, pelas 18h00, enquanto na Chamusca terá lugar dia 16, no mesmo horário. Mais informações podem ser obtidas através dos contactos da Golegã (tel:249 979 060 e e-mail: agrotejo@ agrotejo.pt) e da Chamusca (tel:249 760 004 ou e-mail: chamusca@agrotejo.pt).


ECONOMIA | IX

O MIRANTE | 09 Junho 2009

Três Dimensões

Manuel Simões

VER VÍDEO www.omirante.pt

Director-geral da Ecodeal, 37 anos, Chamusca

Tenho o curso de engenharia química que tirei em Coimbra. Trabalho na área do ambiente há 16 anos. Comecei nos resíduos industriais e desde aí continuei nos resíduos até hoje. Trabalhei na empresa Autovila, que construiu o primeiro centro na Chamusca e no final do ano passado fui convidado para vir dirigir esta unidade da Ecodeal. Venho todos os dias de Leiria. Chego aqui (Carregueira) às 08h30 e faço uma primeira avaliação da situação. Depois passo o dia a acompanhar a actividade do centro com muitas responsabilidades a nível administrativo, logístico e técnico. Lido com clientes, fornecedores e colaboradores. Como somos uma empresa ligada ao ambiente estamos muito expostos e temos de cumprir com regras exigentes. Procuramos ter um grande rigor em tudo o que fazemos cumprindo com todos os parâmetros a nível ambiental e de segurança. Os movimentos ambientalistas são importantes para o desenvolvimento equilibrado do país. Lido com várias associações e reparo que têm uma visão aberta e capacidade de dialogar, mesmo com quem não está de acordo com as suas ideias. Nunca encontrei fundamentalismos. Esta empresa está

potencial para se desenvolver com a vinda de massa cinzenta para cá.

to de resíduos perigosos. São riscos avaliados e reduzidos ao mínimo com a implementação de medidas de segurança que cumprimos à risca. Todos os colaboradores têm formação contínua e equipamentos próprios de segurança pessoal. A nossa unidade é vigiada 24 horas por dia e 365 dias por ano. Temos de estar sempre atentos a todas as movimentações. Procuro estar sempre contactável e quando não posso delego

O único problema desta zona é os acessos porque há vários constrangimentos, principalmente nas pontes da Chamusca e de Constância. Precisamos de alternativas rapidamente. A nossa unidade está muito bem localizada porque está afastada das populações e tem uma grande área de expansão.

Manuel Simões nasceu no Zimbabwe há 37 anos. É filho de emigrantes lusos, quase vizinhos, mas que se conheceram em África, onde casaram. Veio para Portugal com 10 anos. Formouse em engenharia química em Coimbra e especializou-se no tratamento de resíduos. Hoje dirige um dos mais modernos centros integrados de recuperação, valorização e eliminação de resíduos perigosos, a ECODEAL no Parque Eco-Relvão da Carregueira, Chamusca.

Os resíduos estão sempre a mudar por força do desenvolvimento. Cada vez mais o resíduo é um produto que pode ser aproveitado para uma outra indústria. Cada vez se evita mais a colocação no aterro. O resíduo é reciclável e valorizável. Este princípio orientou a nossa instalação. Reciclar, recuperar, valorizar é a nossa prioridade. Só se elimina um resíduo em último caso.

aqui depois de ouvidas várias associações ambientalistas. A Câmara da Chamusca tem sido um parceiro importante desta unidade e tem 2,5 por cento do capital social e assento na administração. O município percebeu a importância deste projecto para o país e para o concelho. Na Ecodeal criámos 20 postos de trabalho directos e o dobro de indirectos.

Os autarcas do resto do país deviam olhar para este exemplo da Chamusca, que viu no tratamento de resíduos não uma ameaça mas uma oportunidade de desenvolvimento. A nossa unidade é uma das mais modernas e seguras da Europa. Existem sempre riscos no tratamenPatrocínio -

em alguém responsável que assegura essa função. Gosto muito do concelho da Chamusca. É um lugar com muita qualidade de vida e onde as pessoas são agradáveis. Não venho para cá viver porque tenho um filho de 12 anos e seria complicada a mudança nesta altura. É uma zona carente de infra-estruturas mas que tem

- Associação Empresarial da Região de Santarém

Esta instalação da Ecodeal é das mais modernas da Europa e tem as melhores tecnologias possíveis fruto da experiência da FCC (Fomento de Construcciones y Contratas), empresa espanhola que tem uma experiência internacional de 25 anos e está sempre na linha da frente. Nelson Silva Lopes

• Tel.: 249 839 500 • Fax: 249 839 509 • geral@nersant.pt


X | ECONOMIA

09 Junho 2009 | O MIRANTE

Profissionalmente falando

O enfermeiro que trocou de profissão quando descobriu a acupunctura Faustino Santos interessou-se pelas medicinas orientais há duas décadas

foto O MIRANTE

O primeiro passo da acupunctura é fazer o diagnóstico da situação de cada doente através da medicina chinesa.

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Ana Isabel Borrego

o consultório de Faustino Santos o ambiente é calmo, próprio da serenidade que o acupunctor transmite. Uma marquesa, uma secretária e um quadro com a indicação de todos os pontos de acupunctura existentes no corpo humano compõem o espaço. A música tradicional chinesa que ecoa na pequena aparelhagem sugere a ondulação calma do mar. O objectivo é só um: relaxar enquanto cada paciente trata das suas mazelas. Após três décadas a trabalhar como enfermeiro no Hospital de Santarém e

em vários Centros de Saúde do distrito de Santarém, Faustino Santos decidiu mudar de profissão e especializou-se na sua nova paixão e pela qual largou uma profissão que adorava: a acupunctura, área onde trabalha há uma década. Há cerca de seis anos começou a trabalhar também na área da hipnoterapia. A paixão pela acupunctura surgiu por influência do pai que viajou muito pelo Oriente e lhe falou de medicinas desconhecidas no Ocidente, nomeadamente em Portugal. Dez anos antes de se iniciar e formar em acupunctura, o médico dedicava-se a organizar congressos de medicinas alternativas no nosso país. “Não comecei logo a trabalhar nem a estudar para começar a trabalhar. O primeiro interesse desenvolvi-o através da divulgação das medicinas tradicionais chinesas que achava fascinantes, mas que eram totalmente

desconhecidas em Portugal”, explica Faustino Santos. Depois de ter tirado o curso superior de acupunctura, curso de electroacupunctura, começou a exercer esta medicina na rua Pedro de Santarém onde está situado o seu consultório. Faustino Santos confessa a O MIRANTE que, ao início, metia confusão às pessoas a prática de uma medicina tão diferente daquela que eles conheciam. “Muitos diziam, alguns talvez ainda pensem, que os acupunctores são bruxos”, conta com sorriso no rosto. Apesar das desconfianças, o acupunctor nunca se queixou por falta de pacientes. O primeiro passo da acupunctura é fazer o diagnóstico da situação de cada doente através da medicina chinesa. Depois estabelece-se o plano de tratamento mais adequado onde são utilizados os pontos de acupunctura e aconselhadas

plantas de medicina chinesa que ajudam na recuperação do paciente. “A acupunctura é uma disciplina da medicina chinesa cujos registos datam de há cerca de quatro mil anos e que consiste na inserção de agulhas nos mais de 300 pontos de acupunctura existentes no corpo humano. As agulhas servem para equilibrar a energia do nosso corpo através dos meridianos, que são os trajectos por onde circula a acupunctura. As plantas servem para tonificar energeticamente os vários órgãos do corpo humano”, explica. Segundo Faustino Santos, a acupunctura vai provocar um enorme aumento de neurotransmissores – moléculas envolvidas na comunicação entre as células do cérebro – no corpo humano. Os neurotransmissores vão actuar em toda a parte neurológica transmitindo conforto ao paciente diminuindo a sua dor. O médico dá o exemplo do neurotransmissor serotonina. “Quando um paciente apresenta um quadro médico depressivo a serotonina apresenta níveis baixos no ser humano. E, actualmente, ainda não existem medicamentos para este neurotransmissor. A acupuncutra vai aumentar brutalmente os níveis de serotonina e, consequentemente, vai provocar um bem-estar na pessoa”, explica. Há aproximadamente seis anos, Faustino Santos dedicou-se também à hipnoterapia. O médico considera que a hipnoterapia é uma boa ferramenta na acupunctura. O hipnoterapeuta explica que o estado de hipnose facilita a terapia e o relaxamento pronunciado do corpo é semelhante àquele que experimentamos durante o sono. “A mente fica alerta e tranquila com total controlo sobre o processo. Além disso, os pacientes recordamse de tudo o que se passou na sessão de hipnoterapia clínica”, diz. A hipnoterapia clínica é utilizada em problemas de stress, ansiedade, insónias, depressão, fobias, anorexia, bulímia, dependências de drogas, álcool, jogo ou sexo, entre outros. Os bons resultados obtidos na sua actividade profissional são sempre reconhecidos pelos pacientes que assim que ficam bons oferecem comida ou produtos que cultivam nas suas terras. Faustino Santos fundou um projecto social de apoio aos mais carenciados com o apoio da Câmara Municipal de Santarém e de cinco juntas de freguesia. Após a avaliação das condições de acesso às consultas, os mais carenciados dispõem de consultas de acupunctura e hipnoterapia grátis. Os atendimentos são feitos todos os sábados de manhã nas ruas Luís de Camões e Serpa Pinto

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ECONOMIA | XI

O MIRANTE | 09 Junho 2009

Empresa da Semana

SENSO – Soluções de Energia Solar em Torres Novas Portugueses preocupam-se cada vez mais com meio ambiente e poupança de energia

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crescente preocupação ecológica mundial, a elevada rentabilidade dos sistemas solares em Portugal e o crescente interesse de particulares e empresas pelas energias alternativas levou Rosalina Santos a abrir um franchising da SENSO – Soluções de Energia Solar – que está a funcionar em Torres Novas desde Fevereiro deste ano. “Temos sentido uma crescente adesão a este tipo de equipamentos. Também a nível de produção de energia, no regime de microproduçao, a aderência tem sido muito superior ao que esperávamos”, explica. O objectivo actual é consolidar a posição no mercado. A SENSO empresa do grupo EPME representa marcas alemãs e vende todos os produtos que produzem energia solar como aquecimento para águas sanitárias, climatização convencional, climatização com piso radiante, aquecimento para piscinas e

hotéis, entre outros. Os funcionários da SENSO de Torres Novas fazem o diagnóstico das necessidades dos clientes, quer sejam particulares ou empresas e verificam as condições para implementar as soluções existentes. Depois de efectuado o projecto com o dimensionamento dos equipamentos é feito o orçamento. “Para a execução das obras temos várias equipas especializadas nas diversas vertentes de aproveitamento solar. Este modo de funcionamento permite ao cliente ter uma solução integrada podendo avaliar facilmente a rentabilidade das nossas soluções”, explica Rosalina Santos. A empresária considera que a consciência ecológica tem vindo a crescer mas garante que ainda falta fazer muita coisa nesse sentido. “O dia em que envenenarmos o último rio, abatermos a última árvore, assassinarmos o último animal... Quando não existirem nem

flores, nem pássaros, daremos conta que o dinheiro não se come” diz a empresária citando Humawta – sábio índigena.

Rigor, seriedade e produtos de elevada qualidade são, para Rosalina Santos, factores essenciais para o sucesso da empresa pela qual dá a cara.


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09 Junho 2009 | O MIRANTE

Experiência na área do Alzheimer acabou num pesticida eficaz e amigo do ambiente Escola Superior Agrária de Santarém está na vanguarda da investigação em vários sectores A Escola Agrária de Santarém passa ao lado da crise e continua na linha da frente da investigação que vai além do arroz e da batata. Na ESAS investiga-se produção de peixe, o efeito das plantas medicinais e o tratamento de resíduos hospitalares.

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Nelson Silva Lopes

eis anos depois, e com centenas de horas investidas, um grupo de investigadores, que inclui docentes da Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS), registou duas patentes nos Estados Unidos da América, com seis produtos diferentes, na área dos pesticidas amigos do ambiente. O processo está longe de estar concluído, mas se tudo correr bem os pesticidas derivados do açúcar, com uma eficácia cinco mil vezes maior que os actuais, serão comercializados com a marca de uma conceituada empresa europeia na área da saúde. O professor Jorge Justino, director do Instituto Politécnico de Santarém, que inclui a ESAS, explicou a O MIRANTE que este estudo começou com uma investigação na área do Alzheimer (doença que afecta o sistema nervoso nos humanos, causada pela morte das células). Foi o comportamento das moscas usadas nas experiências laboratoriais que sugeriu a mudança do ângulo da investigação. “Os ensaios foram feitos com moscas para ver

SUCESSO. Docentes da Escola Superior Agrária de Santarém dá cartas na área da investigação a sua reacção aos compostos utilizados. O produto foi tão eficaz que elas morreram rapidamente. Percebemos que tínhamos um pesticida eficaz e desviámos a agulha da investigação”, refere o docente. “As grandes vantagens destes pesticidas derivados de açúcar é que não são tóxicos, são amigos do ambiente e bas-

tante activos”, adianta. Neste momento ainda não é possível prever o preço do produto, que está a ser testado com uma produção à escala piloto para aquilatar de todas as vantagens e perspectivar a sua inserção no mercado. Esta investigação, que nasceu no Tratado de Windsor (acordo que prevê

foto O MIRANTE

a cooperação entre Portugal e Inglaterra também na área das ciências), resulta de uma parceria do Instituto Politécnico de Santarém, Faculdade de Ciências de Lisboa e Universidade de Newcastle em Inglaterra. Se o produto vingar, as universidades ficam com 50 por cento do produto da venda e a outra metade

Aposta nas plantas medicinais Uma das apostas da Escola Superior Agrária de Santarém é um mestrado na produção de plantas medicinais, aproveitando o potencial abandonado na região. Foi criado um Mestrado que está a gerar expectativa. “Há plantas com propriedades muito ricas em terrenos marginais que não têm actividade agrícola e correm o risco de desaparecer”, explica José António Grego, professor que defende a criação de um herbário na ESAS para servir de base ao estudo. E o docente dá o exemplo com os chás que produz para a família e amigos aromatizados com ervas colhidas no interior da escola.


ECONOMIA | XIII

O MIRANTE | 09 Junho 2009

é para os investigadores. Mas esta é apenas uma das dezenas de investigações que alunos e professores da ESAS alimentam diariamente. Para combater uma praga dos arrozais, a ESAS e a Faculdade de Ciências investigam um pesticida capaz de eliminar um fungo que tem a capacidade de dizimar extensas áreas de arrozal. É tão feroz que “é considerado pela NATO na lista dos causadores do Bio-terrorismo”, explica Jorge Justino, um dos cientistas envolvidos no estudo. Os investigadores já terminaram os ensaios no laboratório e preparam-se agora para os ensaios de campo. Neste momento estão em curso na ESAS investigações na área do morangueiro, olival, cereais e milho, batata, valorização dos montados de sobro e azinho, entre outras. Docentes da escola produziram, com a colaboração de alunos, manuais de boas práticas em várias áreas da agricultura nacional. É na ESAS

que se faz uma boa parte da “doutrina” que vigora no sector que, ao contrário do que se pensa, no entender de alunos e docentes “está vivo e de boa saúde”. Nas salas de aulas, laboratórios e quintas da ESAS correm também estudos no sector animal como o que preserva os cavalos de raça Sorraia com meia dúzia de resistentes que podem ser vistos na quinta onde está instalada a escola. A raça lusitana também é estudada ao pormenor por um grupo de trabalho. Na ESAS há um laboratório de parasitologia que trabalha em cooperação com vários municípios no estudo e prevenção das doenças dos animais e plantas. O aproveitamento das algas no combate a algumas pragas, como estimulante do desenvolvimento das plantas, como o morangueiro, e no alimento dos peixes marinhos, está a ser avaliado em estudos que despertam interesse internacional

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“A agricultura faz-se todos os dias” Na área alimentar, a ESAS aprofunda estudos na produção de mel de qualidade ao mesmo tempo que estuda os alimentos com baixas calorias. “Ao tirar os lípidos (gorduras) dos alimentos também se alteram as características e isso pode ser prejudicial”, alerta a docente Fátima Quedas. Os cursos de nutrição humana e qualidade alimentar trabalham em prevenção da obesidade infantil nas crianças e jovens com uma parceria com a Escola Luiz de Camões em Lisboa. Mas numa escola que privilegia a agricultura e a produção animal, também há lugar para o ambiente. Uma das investigações em curso estuda a gestão dos resíduos hospitalares e procura soluções menos inimigas do ambiente. Segundo o director da ESAS, a escola estimula a participação dos alunos no

sentido de que “quanto mais trabalharem mais sucesso profissional terão no futuro”. Os professores motivam os alunos a participar em iniciativas dentro e fora da escola. E sem horários. “Não há fins de semana. A agricultura faz-se todos os dias. É preciso ter predisposição para estas tarefas. O agricultor não pára”, diz o professor José Grego que lamenta que o esforço dos agricultores portugueses não seja entendido pela maioria da população. Fátima Quedas gostaria que a agricultura fosse vista pelo Governo como uma área de inovação e critica o parco investimento feito na área da investigação na agricultura e no mundo rural. “A agricultura interfere com vários sectores da vida das pessoas e os nossos governantes ainda não perceberam isso”, conclui.


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09 Junho 2009 | O MIRANTE

TRABALHO. Alunos que terminaram curso têm esperança em arranjar emprego apesar de saberem das dificuldades

Estudantes da Agrária sem dificuldade em arranjar emprego Licenciaturas, mestrados e cursos técnicos adaptados ao mercado Escola tem dificuldade em responder a algumas ofertas de emprego de empresas que operam em sectores de inovação. Diversificação de cursos e flexibilidade dos horários é uma mais valia.

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Nelson Silva Lopes

a extensa Quinta do Galinheiro, em Santarém, os dias correm tranquilos num ambiente em tons de verde e onde se respira um ar de campo às portas da cidade. Há árvores, plantas, estufas, animais. Ouve-se o chilrear dos pássaros e as vozes das crianças que visitam a escola. Os estudantes da Escola Superior Agrária de Santarém (ESAS) caminham motivados pela esperança de conseguirem um emprego depois de concluídos os estudos. “A vida lá fora não está fácil. Mas se conseguirmos um bom nível de formação e se trabalharmos bem, penso que não teremos dificuldades”, refere Pedro Duarte, futuro engenheiro de produção animal, uma das cinco licenciaturas da escola que tem 900

alunos de vários pontos do país. O professor José Grego, que integra o conselho científico da ESAS, adianta que há pedidos de empresas a aguardar a conclusão da formação de alunos porque a procura é maior que a oferta em algumas das áreas. “Tivemos um pedido de cinco jovens para uma multinacional e só conseguimos garantir um”, refere. “Não temos situações de desemprego preocupante ao contrário de outras áreas onde há muitos jovens licenciados à procura de emprego”, remata. As licenciaturas são em engenharia agronómica, produção animal, ambiente, ciência e tecnologia dos alimentos e nutrição humana e qualidade alimentar. Há dois mestrados em sistema de prevenção e controlo alimentar e em produção de plantas medicinais para fins industriais. Para quem pretende valorizar-se profissionalmente há Cursos de Especialização Tecnológica (CET) na olivicultura, viticultura e enologia, produção integrada de hortícolas, higiene e segurança alimentar e cuidados veterinários. E para quem prefere as áreas de planeamento e gestão de

propriedades há CET’s em sistemas de informação geográfica e cadastro e avaliação de propriedade. O professor José Grego sublinha a necessidade de acompanhar as solicitações do mercado. Por exemplo, em Portugal há falta de técnicos para cuidar dos relvados dos campos de golfe. “Estão a vir de fora e nós podemos prepará-los aqui”, refere. Os espaços verdes são uma das alternativas à agricultura tradicional na região com dezenas de empresas instaladas, incluindo o maior produtor de relva do país. “Quando a agricultura do Ribatejo não absorver os nossos formandos é porque a agricultura já fechou em todo o país”, ironiza a docente Fátima Quedas. Uma oferta diversificada e que facilita a vida aos estudantes trabalhadores, com aulas em horário pós laboral, é um dos segredos do sucesso da ESAS que é uma sucessora da Escola Prática Elementar de Agricultura e Frutuária de Santarém, fundada em 18 de Julho de 1888 e que mais tarde foi Escola de Regentes Agrícolas de Santarém até 1981, quando nasceu a ESAS. Meia centena de docentes e 52 funcio-

O professor José Grego, que integra o conselho científico da ESAS, adianta que há pedidos de empresas a aguardar a conclusão da formação de alunos porque a procura é maior que a oferta em algumas das áreas. “Tivemos um pedido de cinco jovens para uma multinacional e só conseguimos garantir um”, refere. nários asseguram o funcionamento da escola cujas instalações se repartem por três quintas, não fosse uma escola agrária. A sede da instituição centenária está na Quinta do Galinheiro, cuidadosamente conservada. “Procuramos ter tudo arranjado para que alunos, professores e visitantes se sintam bem”, refere o director da ESAS Jorge Justino, numa curta viagem até à estufa onde se produzem “saborosos” morangos seguindo as boas práticas ambientais. Noutra quinta da escola produz-se a cevada usada para a produção de cerveja Superbock na fábrica da UNICER. Uma fonte de rendimento, entre muitas outras, que ajudam a custear os “elevados encargos” de manutenção dos espaços

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ECONOMIA | XV


XVI | ECONOMIA

09 Junho 2009 | O MIRANTE

CIMLT em destaque na Feira de Agricultura

foto O MIRANTE

Abertura da Feira da Agricultura sem a romaria de outros tempos Sem ministros na inauguração foi o presidente da câmara que cortou a fita

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tema central da Feira Nacional de Agricultura deste ano é a água mas do programa não constava a chuva que caiu durante a manhã de sábado, dia de inauguração do certame que decorre até dia 14 de Junho no Centro Nacional de Exposições e Mercados Agrícolas (Cnema), em Santarém. Felizmente para a organização, o São Pedro deu tréguas durante a inauguração realizada nessa tarde que ocorreu sem as enchentes de outrora, quer de público quer de entidades oficiais. Ao longo do dia a casa compôs-se e à noite a moldura humana já era mais condizente com a tradição. Sem ministros e secretários de Estado, coube ao presidente da Câmara de Santarém, Francisco Moita Flores (PSD), ajudar a cortar a fita, sempre acompanhado pelo

presidente da administração do Cnema, João Machado. As polémicas de outras alturas ficaram esquecidas, pelo menos durante essa tarde. Apesar de haver uma forte participação dos municípios da Lezíria do Tejo, que têm por sua conta o átrio e os claustros, só mais dois presidentes de câmara apareceram: Sérgio Carrinho (Chamusca) e Vanda Nunes (Alpiarça). Deputados, que víssemos, só o socialdemocrata Vasco Cunha. O candidato do PS à presidência da Câmara de Santarém é que não deixou fugir a oportunidade. António Carmo surgiu acompanhado de alguns camaradas que ajudaram a engrossar o reduzido pelotão. Mudam-se os tempos mudam-se as vontades e o espaço exterior da feira, que antes ocupava quase toda a superfície do Cnema, tem vindo a encolher. Este ano, mais uma

Município de Benavente AVISO nº 161/2009 Discussão pública Miguel António Duarte Cardia, Vereador, com subdelegação de competências, da Câmara Municipal de Benavente Torna público que, para dar cumprimento ao disposto n.º 2, do art.º 27º do D.L. 555/99, de 16 de Dezembro, na redacção dada pela Lei 60/2007, de 4 de Setembro e conforme seu despacho exarado em 25.03.2009, procede à abertura de discussão pública sobre a aprovação de alteração ao Alvará de Loteamento nº 8/97, em nome de Ana Maria Almeida Ribeiro Xavier e Outros, respeitante ao prédio sito em Fontainhas, freguesia de Samora Correia. A alteração proposta incide, exclusivamente, na alteração do uso destinado à fracção”A”, correspondente ao r/c, dtº, do lote 20, de comércio/restauração para comércio/serviços, suprimindo a utilização para restauração. O prazo para consulta pública é de 15 dias e o processo poderá ser consultado todos os dias úteis, a contar da data da publicação em Diário da República, nas horas normais de expediente, no Departamento Municipal de Obras, Urbanismo, Ambiente e Serviços Urbanos (DMOUASU). Os interessados, ao apresentarem observações sobre a alteração referida poderão fazê-lo no local de consulta, em requerimento ou em carta dirigida ao Presidente da Câmara Municipal de Benavente – Praça do Município, 2130-038, Benavente. Para constar se lavrou o presente AVISO e outros de igual teor que vão ser afixados nos lugares de estilo. Paços do Município de Benavente, 08 de Abril de 2009 O Vereador, com subdelegação de competências Miguel António Duarte Cardia

vez, confina-se à zona entre as naves e o campo de râguebi com extensão para o lado poente, onde se situam tasquinhas, stands de artesanato e área de exposição de gado. Efeito da crise ou do mau tempo (ou não), a verdade é que também a corrida de toiros que se realizou nessa tarde na Monumental Celestino Graça esteve longe de registar casa cheia, ao contrário do que sucedeu em corridas anteriores

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A Comunidade Intermunicipal da Lezíria do Tejo (CIMLT) tem uma participação de destaque na edição deste ano da Feira Nacional de Agricultura/Feira do Ribatejo, que decorre até 14 de Junho no Centro Nacional de Exposições, em Santarém. A associação dinamiza toda a zona dos claustros do CNEMA, numa área total de 900 metros quadrados, onde estão representados os onze municípios associados (Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Coruche, Golegã, Rio Maior, Salvaterra de Magos e Santarém) que serão responsáveis pela animação diária do local. Recorde-se que a Feira Nacional de Agricultura dedica cada dia do certame a municípios da CIMLT, com animação promovida pelos respectivos concelhos. Os dias dos municípios ficaram assim distribuídos: 6 de Junho – Santarém; 7 de Junho – Coruche / Rio Maior; 8 de Junho – Alpiarça / Chamusca; 9 de Junho – Golegã; 10 de Junho – Azambuja / Alpiarça; 11 de Junho – Cartaxo; 12 de Junho – Benavente; 13 de Junho – Almeirim / Chamusca; 14 de Junho – Salvaterra de Magos. “A Feira Nacional da Agricultura/Feira do Ribatejo é uma das mais importantes no panorama agrícola português. Daí a aposta da CIMLT e dos seus municípios associados numa forte presença no certame, dando a conhecer todas as potencialidades da região”, diz a CIMLT em comunicado.


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Fotos da Feira

ECONOMIA | XVII

Especial Agricultura e Festas de Almeirim  

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