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Sérgio Gonçalves sucede a Carlos Abreu na Associação Empresarial de Rio Maior Sérgio Gonçalves é o novo presidente da direcção da Associação Empresarial do Concelho de Rio Maior (AECRM), sucedendo a Carlos Abreu. Os novos órgãos sociais da AECRM são compostos pelos seguintes elementos: Direcção: presidente - Sérgio Gonçalves; vice-presidente - Carlos Jorge Tavares; vice-presidente - Ricardo Madeira; 1º secretário - Nelson Rainha; tesourei-

ro - Maria Júlia Silva; 1º vogal - Pedro Canadas; 2º vogal - Patrícia Marques; 1º suplente - Márcio Lopes. Assembleia Geral: presidente - Carlos Abreu; vice-presidente - Filipe Nunes; 1º secretário - Gina Morais; 2º secretário - Fernando Amaro. Conselho Fiscal: presidente - Paulo Bernardo; vice-presidente - Diogo Oliveira; vogal - Paulo Costa.

ECONOMIA

24 de Maio de 2012

Noite da sardinha assada é momento alto da Feira de Maio de Azambuja Evento promovido como a “festa mais castiça do Ribatejo” decorre de 24 a 28 de Maio 2

Especial Feira de Maio

Identidade Profissional

A empresária que encontrou na estética a sua vocação Sónia Maria Sobral percorreu vários empregos ao longo da vida 5 Três Dimensões

“Viver no Carregado ou em Lisboa é o mesmo para mim” Jorge de Aguiar, Pediatra, Carregado 6 Empresa da Semana

Cortiça contribui para o dinamismo económico de Coruche A Câmara de Coruche organiza uma feira única no mundo dedicada à cortiça, mas não se fica pela promoção do produto e do sector. Aposta também na valorização de um dos sectores que mais tem contribuído para o dinamismo económico do concelho e este ano iniciam-se pela primeira vez cursos para quem trabalha na floresta. 4

Peugeot Pedro Lamy lança campanha “Test Drive 508” O concessionário vai convidar personalidades da região a, conduzirem gratuitamente, durante vários dias, o eleito carro do ano 2012 11

Marisqueira “Jomar”, em Santarém, muda de localização 12

Consultórios São Gregório com todas as especialidades em Rio Maior 7


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Feira de Maio 24 MAIO 2012

VARANDA. Henrique Abreu Ribeiro já perdeu a conta às vezes que foi premiado

COMUNIDADE. Hortense é a responsável pela ornamentação do largo dos pescadores

Decorar as fachadas para contar pedaços da história do mundo rural Populares de Azambuja participam na decoração de varandas e largos As janelas ou varandas, os largos mas também as montras de Azambuja são ornamentados durante a Feira de Maio. A câmara premia os melhores mas é para receber quem vem de fora que os populares estendem mantas ribatejanas, penduram artefactos e mostram loiças antigas.

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uando Henrique Abreu Ribeiro, 74 anos, estende as mantas ribatejanas da varanda do seu segundo andar, que dá para a rua Vítor Cordon, por onde se faz a entrada de toiros, na rua principal de Azambuja, quer acima de tudo contar uma história. Pedaços da vida do mundo rural que relaciona com rigor e paixão. “No enfeitar da varanda procuro es-

crever sobre alguns sectores do mundo rural”, diz entusiasmado. Um dos cantos é dedicado à vinha e ao vinho com videiras e cachos de uvas. Um moinho com 60 anos do seu sogro, que era colocado nas vinhas para afugentar os pássaros, só foi retirado uma vez da janela porque o barulho incomodava a vizinha do lado durante a noite. Neste canto coloca ainda o pulverizador, a tesoura de poda e a tesoura da vindima bem como as medidas utilizadas e um garrafão de 20 litros alusivo ao líquido precioso. Nada é colocado ao acaso. Os cereais também têm o seu espaço. Não são esquecidas as espigas, os instrumentos de debulha, o crivo e as medidas da eira, como o alqueire e o meio alqueire, que Henrique Abreu Ribeiro domina. Há ainda lugar aos equipamentos de trabalho, como a canga de bois. “Às vezes até lhe digo para não colocar tanta coisa e deixar a varanda mais simples”, revela a esposa, Aurora Ribeiro, 73 anos.

Henrique Abreu Ribeiro reside em Azambuja em 1977. Um vizinho, fascinado com a localização da varanda, convenceu-o a enfeitá-la. Foi no final dos anos setenta do século passado. O antigo formador do Instituto do Emprego e Formação Profissional, na área de maquinas agrícolas, tem dezenas de diplomas de participações no concurso de ornamentação de largos, janelas ou fachadas e montras, organizado pela Câmara Municipal de Azambuja. É um dos particulares que mais vezes arrecadou prémios. Ornamenta a varanda, não por causa do concurso de montras, mas pelo gosto de receber quem visita Azambuja por altura da feira. Chegou a expor objectos de escolas agrícolas e da Companhia das Lezírias, alguns dos quais lhe ofereceram. Um dia antes das largadas Henrique Abreu Ribeiro inicia a ornamentação. Mas há quem se antecipe. No Largo dos Pescadores, o que mais vezes venceu o concurso na categoria de largos, já Hortense Batalha, 76 anos, começou o trabalho de decoração ainda faltava quase uma semana para o início da feira. Na fachada da casa térrea onde em tem-

pos morou gente da borda d’água pendurou um armário antigo para mostrar os pratos com cavalos do seu enxoval. Mora há 58 anos em Azambuja, não é familiar de pescadores mas defende que a tradição no largo se mantenha associada a quem governava a sua vida com o produto do rio. Dois manequins, evocando um casal de pescadores, serão colocados à sua porta. As bandeiras e papéis coloridos enfeitam o largo onde estão presentes os elementos cavalo e do toiro. No Largo dos Pescadores canta-se o fado vadio. O local é ponto de distribuição das sardinhas, do pão e do vinho oferecido na noite de sexta-feira aos convivas que se encontram nas ruas. Hortense Batalha abre a arca frigorífica para mostrar que, à parte disso, comprou peixe e carne para oferecer a músicos e fadistas. A festa faz-se com toiros mas o fado é um ingrediente essencial para temperar uma noite da sardinha assada

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24 MAIO 2012

Feira de Maio

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É tudo bem distribuído para que a festa seja vivida por todos de igual forma. “O ano passado fizemos uma experiência: cada um lavava o seu prato. Correu bem e será para repetir”

FESTA. Rita, Lara, Xana e Carina valorizam sobretudo o convívio

Em terra de marialvas as raparigas também ajudam a montar tranqueiras A tradição da Feira de Maio pulsa entre a população do sexo feminino em Azambuja As raparigas vivem com intensidade a festa dos toiros em Azambuja. Ouve-se o fado vadio nas ruas da vila mas é sobretudo o convívio e os toiros que as animam. Na tertúlia o Barrete Verde, frente ao Atrium Azambuja, elas são tão aficionadas como eles e por isso igualdade é palavra de ordem. Seja na hora de preparar as refeições, lavar os pratos ou montar as tranqueiras.

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uem disse que só os homens ajudam a montar as tranqueiras em Azambuja frente às tertúlias onde durante os cinco dias da Feira de Maio homens e mulheres, novos e velhos, convivem animadamente? As raparigas vibram com a festa e participam mesmo no trabalho mais duro. “As tranqueiras costumam ser coisas de homens mas nós agarrámo-las e fomos ajudá-los”, diz com naturalidade Rita Alves, 30 anos, educadora de infância, que toda a vida residiu na rua principal, às portas das largadas de toiros. A igualdade é palavra de ordem e também por isso elas se reservam no direito de pedir ajuda na hora de lavar a loiça

e preparar as refeições. É tudo bem distribuído para que a festa seja vivida por todos de igual forma. “O ano passado fizemos uma experiência: cada um lavava o seu prato. Correu bem e será para repetir”, continua. O fado vadio ouve-se nas ruelas da vila e a canção portuguesa também já ecoou também entre as paredes da tertúlia mas são as entradas e saídas de toiros e o convívio o que as anima verdadeiramente. “Temos um bom receber e isso gera um bom convívio”. Lara, 24 anos, educadora de infância, residente em Vale do Paraíso, é aficionada por intermédio do namorado. A paixão surgiu por arrasto até porque o ambiente é contagiante. “Mesmo os que não são aficionados acabam por render-se”, atesta Xana, 37 anos, auxiliar de armazém, uma moçambicana casada com

um azambujense, que admite que se não estivesse integrada numa tertúlia viveria a festa de outra maneira espreitando os toiros aqui e acolá. À sexta-feira a tertúlia está cheia e os elementos cedem os lugares da tranqueira para os visitantes. “O único dia em que conseguimos ver os toiros é ao domingo de manhã que é quando está menos gente”. Carina, estudante de mestrado em gestão e direcção hoteleira, 28 anos, residente em Casais dos Britos, confessa que a festa poderia ser ainda melhor vendida se explorasse mais as potencialidades. “Acho que faz falta mais divulgação. O Colete Encarnado é melhor promovido que a feira de Azambuja e no entanto diz quem visita que é melhor”. Na tertúlia “Barrete Verde”, que funciona num espaço cedido, há uma ementa pensada para cada dia saboreada por debaixo de um tecto forrado de folhas de eucalipto. À mesa o rancho é mão de vaca com grão ou feijoada. O investimento é repartido por todos e reunido ao longo do ano com a ajuda de algumas actividades de angariação de fundos. Há quem tire férias na feira, que é uma das grandes datas do ano. “Chegando o Natal a seguir o nosso objectivo é a Feira de Maio. Depois só as férias de verão”, revela Xana. Nos dias da feira deixam-se de lado os saltos e as saias travadas e são as sapatilhas e as botas que assentam a arena improvisada. “Quando aparece alguma de saltos é comentada (risos) mas é sinal de que não sabe o que é isto…”. Os recortadores que arriscam nas arenas improvisadas, procurando um momento de glória, não são o alvo da atenção das tertulianas. “Às vezes até ficamos com a opinião contrária à que tínhamos. «Olha o toureiro, olha o toureiro!!»”, contam entre risos. As mulheres não se prestam tanto a essas figuras mas a geração mais nova, raparigas com 18 e 19 anos, é mais aventureira, garantem

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Feira de Maio 24 MAIO 2012

Noite da sardinha assada é momento alto da Feira de Maio de Azambuja Evento promovido como a “festa mais castiça do Ribatejo” decorre de 24 a 28 de Maio foto arquivo O MIRANTE

ANIMAÇÃO. Ruas da vila vão voltar a encher-se de gente A noite da sardinha assada, que se realiza à sexta-feira, é o momento alto de mais uma edição da Feira de Maio, que

decorre em Azambuja de dia 24 a 28. A sardinha, bem como o pão e o vinho, serão distribuídos aos populares a partir

da meia noite. Os cinco postos de distribuição funcionarão no sítio do costume: Largo do Rossio, Largo da Fonte de Santo António, Praça do Município, Largo de Palmela e Largo dos Pescadores. Na mesma noite haverá arraiais de música popular até ao romper do dia em vários pontos da vila. No Largo do Rossio toca o conjunto musical “Geração XXI”, no Largo de Palmela o organista Quim Botas anima as hostes e na Praça do Município o grupo “Tres Sangres” garante o ambiente festivo. Haverá programa de fado vadio no Largo da Fonte de Santo António e Largo dos Pescadores. A Bandinha do Castelo vai actuar por todo o recinto da feira. Nessa noite, logo a partir das 21h00, haverá cortejo de campinos com o gado pelas ruas da vila à luz de archotes. Ao contrário do que aconteceu em anos anteriores em 2012 não estão agendados espectáculos musicais, não há pavilhão de artesanato, fogo de artifício nem serão distribuídas sardinhas às tertúlias, mas apenas na rua aos convivas da noite de sexta-feira. Mantém-se o pavilhão da Praça das Freguesias, no Campo da Feira, onde será possível provar a gastronomia típica das freguesias do concelho. Os espa-

ços são explorados por associações do concelho que angariam receitas para desenvolver as suas actividades. A praça das freguesias abre portas na quinta-feira, às 18h00, e nos restantes dias da feira funcionará das 12h00 às 00h00. As colectividades desportivas e recreativas garantem a animação. No primeiro dia da feira, às 12h00, haverá demonstração da confecção do torricado, prato típico do Ribatejo, frente ao Centro Social e Paroquial de Azambuja. Para as 14h00 está marcada uma ferra à antiga seguida de pegas pelas tertúlias, no Largo do Rossio. A inauguração oficial da feira está marcada para as 17h30, na Praça do Município, e conta com a presença do Secretário de Estado da Agricultura, José Diogo Albuquerque. À cerimónia, juntam-se campinos, a fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Azambuja e as tertúlias. Quem se entrega à organização da festa não é esquecido e na sexta-feira, às 18h30 será homenageado José António Maltezinho pela sua dedicação e colaboração na Feira de Maio. No sábado haverá romagem aos cemitérios de Azambuja, Torres Vedras e Vila Franca de Xira. Domingo, 27 de Maio, é dia do campino. Às 9h00 tem início o cortejo de campinos com a banda do centro cultural Azambujense pelas ruas da vila. Meia hora depois, num dos momentos mais solenes da feira, é homenageado o campino José Carlos Semeador na Praça do Município e ser-lhe-á entregue o pampilho com o nome de António Pedro Caio Descalço.

ESPECIAL FEIRA DE MAIO - AZAMBUJA 2012  

Sérgio Gonçalves sucede a Carlos Abreu na Associação Empresarial de Rio Maior A empresária que encontrou na estética a sua vocação Consultór...

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