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04 Fevereiro 2010 | O MIRANTE

Jorge Palma e Os Cinco nas Festas de Amiais de Baixo Tentativa de colocar procissão dos archotes no Guinness

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músico e compositor Jorge Palma e o grupo Os Cinco, ligados ao programa Operação Triunfo, são as principais atracções musicais de um dos mais tradicionais festejos da região, as Festas Anuais de Amiais de Baixo em Honra do Mártir S. Sebastião, que se realizam de 5 a 9 de Fevereiro. Jorge Palma sobe ao palco no sábado, dia 6, Sábado, à meia-noite, para cantar grandes êxitos e novas canções. Momentos antes, nas ruas de Amiais, tenta-se bater o recorde do Guinness durante a procissão com mais de 600 archotes a arder. O fogode-artifício promete também marcar o programa deste sábado forte da festa às 20h30. A noite musical continua pela noite dentro com o grupo Demitidos (01h30) e com o DJ Kristoff e John A a partir das três da manhã que animam o espaço discoteca. A edição deste ano das Festas de Amiais de Baixo começa dia 5 com a actuação do grupo Função Públika às 23 horas. A seguir actua o DJ Kristoff. Às dez da manhã de domingo, dia 7, começa um peditório acompanhado pela Orquestra Filarmónica 12 de Abril, de Travassô – Águeda. O peditório volta à

rua na segunda-feira, dia 8, pelas 09h30. A tarde de domingo fica marcada pela procissão onde vão estar presentes todas as imagens, que inclui missa solene a partir das 15 horas. Novo fogo-de-artifício irá iluminar os céus pelas 20h30. Depois da tarde religiosa é possível dar um pezinho de dança ao som da Orquestra Costa Verde com às 23 horas. O espaço discoteca vai estar a cargo do DJ Kris. No dia 8, realiza-se mais uma procissão com todas as imagens e uma missa solene, às 16 horas. Não faltará também um arraial popular e um leilão, às 17h30. E como já é tradição será entregue a bandeira das festas à nova comissão. Será pelas 21h30. Ainda à noite, a banda FH5 (23 horas) vai estar em palco para animar a população, na noite em que os protagonistas são Os

Jorge Palma Cinco, às 12 badaladas. Os festejos, que contam com o apoio da Câmara de Santarém, culminam no dia 9. Há desfile com a presença da actual e da nova comissão de festas e uma alvorada no adro da igreja, às 10h30, arraial e leilão. Acompanhada de archotes e ao som de fogo-de-artifício a população despede-se da Orquestra Filarmónica 12 de Abril, às 22 horas

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O MIRANTE | 04 Fevereiro 2010

Amiais de Baixo quer recorde do Guinness com uma procissão de 600 archotes O feno é apanhado em Coruche, seca em Amiais e segue para artesão de Setúbal

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miais de Baixo quer ficar com o seu nome gravado no Livro de Recordes do Guinness com 600 pessoas a desfilarem na procissão de sábado, 6 de Fevereiro, com 600 archotes em fogo ao longo de uma milha terrestre (1609 metros). O recorde pertence a uma localidade sueca, que organizou um desfile com 407 archotes. Este é o facto mais destacado de mais uma edição das tradicionais festas da freguesia do concelho de Santarém, em Honra do Mártir São Sebastião, que remontam a 1847. Partiu de Edgar Alves, presidente da Comissão de Festas este ano, a ideia de tentar o recorde. Os mais aptos a mexer nos computadores pesquisaram o que era preciso fazer para apresentar uma candidatura. Passado mês e meio chegou a resposta positiva. Um júri vai estar presente para validar o recorde. Mas se procissão dos archotes é dos momentos mais apreciados poucos saberão de onde é que eles vêm. Tudo começa em Junho, quando três elementos da comissão de festas e cinco senhoras mais veteranas da freguesia vão até Santana do Mato, concelho de Coruche. Nos campos, com autorização do proprietário, recolhem bracejo, uma espécie de feno mais fino. As senhoras apanham-no e os homens ajudam a transporta-lo. Em Amiais de Baixo o bracejo seca durante 15 dias a três semanas, antes de ser

enviado para um mestre de Setúbal que, aos 82 anos, é especialista no fabrico daquele tipo de archotes. “Não encontrámos em mais lado nenhum alguém a fazer archotes”, garante Edgar Alves. “Os fios de bracejo são entrançados e atados. Levam uma espécie de resina e devem ser banhados com algo inflamável”, explica. Caminhada de uma milha para bater recorde Para bater o recorde dos suecos estão todos convidados. Segundo Edgar Alves será positivo que populares de localidades vizinhas se associem ao momento para reunir o maior número de pessoas possível. A partida está marcada para a rotunda

nascente de Amiais, do lado de quem chega do Malhou, pelas 21h30. A procissão termina no cemitério. O povo parte de archotes nas mãos e vai buscar o arcanjo S. Miguel à capela do cemitério, levando-o a seguir para a igreja matriz. Para os carregadores de archotes deve haver uma pré-inscrição na junta de freguesia ou na Casa do Povo. Para levantar o archote é necessário assinar um documento e ter duas testemunhas. Para garantir que nada corre mal a organização está a dar preferência de inscrições aos maiores de idade. O trajecto sofre o desvio pela igreja para recolher o padre António Pereira, que conduz a cerimónia religiosa, pela rua Dr. António Maria Galhordas, até ao cemitério Edgar Alves, que já foi juiz das festas em 2005, deixa alguns conselhos para os estreantes interessados em levar archotes na procissão. “Não convém o archote ser virado para baixo porque assim arde mais depressa. Tem que ser mantido com firmeza na vertical. Se o archote for mais curvado deve-se agarrar mais em cima enquanto a chama não baixa, e levar um jornal para não sujar as mãos”, aconselha o juiz das festas

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foto O MIRANTE

Veteranas apanham o bracejo nos campos perto de Coruche Celeste Jesus de Sousa é uma de cinco veteranas habitantes de Amiais de Baixo que há dez ou 11 anos se desloca a Santana do Mato,

Trabalho para a festa que se faz com gosto A poucos dias dos festejos são muitos os que trabalham no duro e com gosto. A antiga cerâmica está a ser engalanada para os concertos. A fachada do edifício, cedido por um particular para as festas, é retocada e pintada de branco por homens. Bem-dispostos vão soltando larachas no meio de trabalho e convívio, atestado a imperial. Ao todo 41

Coruche, para apanhar bracejo para fazer os archotes que são usados na procissão de sábado à noite. Um trabalho feito à mão, com a ajuda de uma foice, que apesar de duro é feito com gosto. “Vamos por volta das cinco da manhã e ficamos lá até à uma da tarde, sempre a cortar bracejo que os homens da comissão vão carregando para o carro. O bracejo fica 15 dias a secar e é então altura de tirar toda aquela palhoça que não presta para

ser embrulhado e enviado para o senhor que fabrica os archotes em Setúbal”, conta dona Celeste. As mesmas senhoras são também responsáveis pela limpeza do pavilhão dos concertos. “Às sete da manhã varremos tudo, lavamos as casas de banho, substituímos toalhas”, conta, sempre bem-disposta. Além do gozo em contribuir para a festa as senhoras recebem um pequeno prémio, como estimulo pela sua dedicação.

elementos integram a comissão. Segundo Edgar Alves estará tudo prestes a receber os festejos. Faz-se a limpeza geral e espalham-se cerca de 200 mesas de quatro pessoas cada, para o total de 800 inscritos. Para os concertos há um palco de 20 por 12 metros montado ao fundo do pavilhão. À entrada, do lado direito, ficam os bares das colectividades. Estarão representados os Bombeiros Voluntários de Pernes, e a Secção de Amiais de baixo dos Bombeiros Municipais de Santarém, além da casa do Povo de Amiais e o Clube Desportivo Amiense. Para os concer-

tos haverá uma capacidade máxima a rondar 4.500 espectadores. Na rua montam-se os coretos e terminam-se os arcos iluminados. Acerca do trabalho da comissão de festas, Edgar Alves faz um balanço positivo. “As festas começam-se praticamente um ano antes, com a angariação de donativos de empresas e de particulares, publicidade. Baixou um pouco donativos publicitários que foram colmatados com a organização de algumas festas. No final, temos mais ou menos o mesmo de 2008”, conta.


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Quem foi afinal S. Sebastião e porque foi mártir?

De 5 a 9 de Fevereiro Amiais de Baixo cumpre mais uma edição das Festas em Honra do Mártir S. Sebastião, este ano com o aliciante da tentativa de recorde do Livro dos Recordes do Guinness com presença de 600

04 Fevereiro 2010 | O MIRANTE pessoas com archotes na procissão de sábado à noite. O MIRANTE foi saber o que pensa a população desta iniciativa e aproveitou para questionar os cidadãos sobre o seu conhecido amor à terra e sobre o santo padroeiro.

As mulheres têm de ir mais aos comes e bebes

A tradição de participar nas procissões com o filhote

Amialeiros unidos que se defendem a todos os níveis

Gosto pela “copofonia” e respeito pela tradição religiosa

Carla D’Avó, 34 anos, escriturária, Alcanena

Marisa Duarte, 30 anos, responsável financeira, Monsanto

Sara Pintassilgo, 33 anos, solicitadora, Santos

Paulo D’Avó, 44 anos, comerciantes automóveis, Amiais de Baixo

Muita união e bairrismo são características que Carla D’Avó identifica entre os seus conterrâneos. “Por acaso moro em Alcanena mas espero voltar brevemente. Aqui em Amiais as pessoas moram muito juntas, quase umas em cima das outras no centro da localidade e isso também deve unir mais as pessoas”, analisa. Diz que participa na festa todos os dias que ela dura apesar de ser menos fácil do que quando não tinha filhos. A sua procissão preferida é a dos archotes, por ser diferente. Este ano tem o aliciante de tentar juntar 600 pessoas no desfile. “Vou à procissão contribuir para o recorde, mas já era tradição participar”, diz.

Marisa Duarte tem grandes expectativas em relação às Festas de Amiais de 2010. Afinal, o seu filho Martim vai participar na procissão de domingo e de segunda-feira, uma tradição das festas. “As procissões têm um significado religioso e substituem um pouco aquilo a que algumas pessoas de Amiais “fogem”, o baptismo, que não é tão comum terra. No fundo, funciona como uma apresentação das crianças novas da terra num desfile público”, descreve Marisa Duarte, nascida em Amiais mas moradora em Monsanto, concelho de Alcanena.

A trabalhar em Amiais de Baixo como solicitadora há sete anos, Sara Pintassilgo confessa que só uma vez se deslocou de propósito às festas locais. “Foi num sábado em que fui convidada e vi a procissão dos archotes que é muito bonita”. Este ano pensa voltar a participar na procissão de Sábado para ajudar na tentativa de recorde do Guinness e na de domingo para cumprir uma antiga tradição. “Tenho uma bebé e disseram-me para fazer as procissões, porque é costume os pais levarem os filhos”. Apesar das festas serem em honra do Mártir S. Sebastião diz que não sabe muito sobre ele.

Adora a parte da “copofonia” mas respeita a vertente religiosa das festas. Paulo D’Avó diz que vale a pena visitar Amiais de Baixo de 5 a 9 de Fevereiro pela forma como as pessoas da freguesia contagiam os restantes na alegria da festa. “Amiais tem sofrido grandes transformações ao longo dos tempos mas nas festas voltase sempre ao passado e às tradições que são o nosso orgulho. E a Festa consegue puxar mais por nós”. Quanto à tentativa de recorde do Guinness com os archotes é uma ideia criativa. “O juiz tem jeito para isto, consegue apelar à malta nova. Devia ficar por lá”, garante com um sorriso.


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FESTAS AMIAIS DE BAIXO EM HONRA DO MÁRTIR SÃO SEBASTIÃO | 23

O orgulho em ser de Amiais de Baixo Nuno Sousa, 29 anos, distribuidor de gás, Amiais de Baixo Para Nuno Sousa as Festas de Amiais de Baixo são vividas de forma intensa, ansiosamente esperadas todo o ano. “Tenho pena de não participar mais nos peditórios mas quando uma pessoa se deita já de manhã é difícil. Bebe-se bastante, temos as portas abertas para comer e beber. Há de tudo, cada casa tem o seu petisco, é só entrar”, conta o habitante da freguesia. A tentativa de recorde do Guiness com 600 archotes acesos durante a procissão da noite de sábado é para si uma

surpresa mas também uma ideia bonita para levar o nome da terra mais além. Quanto ao bairrismo diz que ele próprio é um exemplo. “Dizemos com orgulho que somos de Amiais de Baixo e não do concelho de Santarém”, explica.

Todas as festas deviam ser pagas apenas por quem as faz Miguel Saldanha, 34 anos, engenheiro civil, Amiais de Baixo Miguel Saldanha diz nunca ter perdido um dia das festas da sua terra. Confessa que agora se deita um bocadinho mais cedo do que era costume mas não falta a todos os actos do programa das festas: à chegada da banda no sábado; ao convívio na casa das pessoas à procissão dos archotes e por aí fora. Miguel Saldanha considera-se um bairrista e tem orgulho nisso. “É um dos nossos traços principais. Se calhar somos demasiados virados para dentro mas no caso da festa é benéfico. De certeza que

no dia em que a câmara deixar de atribuir subsídios a festa vai continuar, ao contrário do que tem acontecido noutras terras. Já temos comissões para cinco ou sete anos. As festas devem ser garantidas por quem as faz”, opina.

Acho que vamos bater o recorde dos archotes Ana Louriceira, 29 anos, técnica de turismo, Santarém Ana Louriceira é uma das pessoas que vai levar um archote na noite de sábado, na tradicional procissão nocturna, para ajudar a tentar bater o recorde do Guiness e colocar as Festas de Amiais de Baixo em lugar de destaque. Geralmente vai à procissão mas este ano a motivação é a dobrar. “Vou levar o archote para batermos o recorde e acho que o vamos conseguir. Está tudo a ser bem publicitado”, garante. Ana Louriceira já ouviu falar do motivo pelo qual S. Sebastião é mártir e santo da festa. Relaciona-o com o facto de os homens da freguesia irem em tempos bem antigos trabalhar no sector da madeira para longe,

que passaram a ser vistos como mártires. Novidade maior será em 2011 uma comissão presidida e totalmente formada por mulheres. Ana Louriceira será uma das festeiras. “Em 2011 vamos virar a página. Se calhar faltou durante estes anos alguma mulher que quisesse pegar na bandeira da comissão e motivar as outras”, admite.

Nesta época de festas as pessoas ficam mais amigas umas das outras Lisa Duarte, 31 anos, escriturária, Monsanto Lisa Duarte gosta de fazer um pouco de tudo nas festas da sua terra. Passear, ver a chegada da banda e toda a alegria que envolve a localidade durante os cinco dias de festejos. “É bom andar por aí, com o meu filhote e ver tudo bem-disposto. Vou a casa de uma ou de outras pessoas, e vê-se que nesta altura as pessoas até são mais amigas umas das outras e abrem as portas de suas casas. É sempre um momento esperado e agradável”, descreve. Para Lisa Duarte as festas valem ainda

pelas procissões. As de domingo e segundafeira, onde já desfilou com o filho mais novo, e a procissão dos archotes, na qual é hábito levar o fogo. “ Era bom que Amiais ficasse conhecido por ter batido o recorde de archotes na sua procissão”, conclui.

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