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Poligremia: carta de começos A Poligremia é um coletivo autônomo e participativo que reúne grêmios estudantis secundaristas e também núcleos políticos independentes formados por estudantes de Ensino Fundamental ou Médio. Autônomo, porque somos insubmissos a qualquer grupo ou instituição. Consequentemente somos apartidários – mas não antipartidários: acreditamos na importância da construção de nossas lutas ao lado de outros grupos, de estruturas e atuações diversas. A participação de membros de partidos não é vedada, contanto que esta se dê enquanto indivíduos, em igualdade com os outros, e não enquanto representantes ou delegados. Nossa autonomia se faz tanto em relação aos grupos externos quanto aos internos: a Poligremia e os grupos que a constituem mantém uma relação de independência. Ou seja, não temos poder sobre deliberações internas de um grêmio, e estes não existem na reunião como uma entidade, mas sim como um conjunto de pessoas independentes. Em outras palavras, a Poligremia é um coletivo participativo, e não representativo. Em nossos espaços, as discussões se dão horizontalmente, entre indivíduos iguais que defendem suas próprias posições e buscam construir um consenso coletivo. Evitamos a prática do voto, pois entendemos que o consenso é um método que permite um debate mais amplo, profundo e democrático. Nossa estrutura organizacional é essencialmente horizontal: não há líderes ou cargos fixos na Poligremia. Delegamos tarefas específicas e temporárias para indivíduos específicos considerando sua disponibilidade e área de interesse; a autoridade que assumem assim é específica e controlada pelo coletivo. A horizontalidade é frágil, e por isso o debate ao redor desta questão e sua (re)discussão devem ser permanentes, para evitar o desenvolvimento de hierarquias, ainda que informais, e garantir que todos tenham uma participação ativa. Neste sentido, a difusão das informações, incluindo discussões e decisões das reuniões, a todos, com a maior freqüência possível, faz-se também essencial: informação é poder. O caráter não-representativo da Poligremia não torna dispensável a existência dos grêmios. Entendemos que a auto-organização e participação dos estudantes deve existir desde o espaço (político) escolar e só assim faz sentido. Os grêmios, assim como a articulação entre eles, são ferramentas para a construção de um poder popular a partir da politização dos estudantes. A estrutura da Poligremia pressupõe um modelo de grêmio estudantil livre: nãohierárquico, autônomo, aberto e participativo. É essa forma de organização que apoiamos e


incentivamos para os grêmios. Porém, isso não significa que rejeitamos grêmios hierarquizados, fechados ou partidários. Esses grupos podem participar de nossos espaços desde que seus membros participem enquanto indivíduos, e não enquanto representantes ou delegados. Grêmios fechados podem ser um mecanismo de exclusão da maioria dos alunos da escola enquanto espaço político, de negação de sua participação. Em colégios onde tal é a realidade, a criação de (um ou mais) núcleos políticos autônomos surge como alternativa para a ação, participação e organização política dos estudantes para além do mero voto em época de eleição de chapas. A Poligremia está, assim, aberta também a coletivos estudantis nestes moldes, que não constituem propriamente grêmios, mas não necessariamente rivalizam com estes. Os alunos que deles participarem poderão compor a Poligremia. Sim, a Poligremia busca uma maneira diversa e irreverente da prática política. O humor é a nós tão próprio quanto o deboche à política tradicional, institucional, burocratizada, da qual não nos sentimos parte. Não nos levaremos a sério, mas é melhor que eles o façam! A nossa prática distancia-se do delegar, do eleger, do representar, do votar à medida que se aproxima do fazer, do participar, do transformar. A ação direta constitui, assim, uma importante forma de repensar e agir sobre a escola, a cidade e a sociedade – o mundo. Não é à toa que a Poligremia é por princípio horizontal, autônoma, bem-humorada e participativa. Nossa organização interna é uma projeção da sociedade que lutamos para construir!


Carta de Princípios da Poligremia  

Carta de Princípios discutida pela Poligremia em 2011 que não chegou a ser aprovada.

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